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  1. Preâmbulo Fazia algum tempo, três anos, que não ia para a Patagônia. Elegi outros lugares para fazer trekkings com amigos ou solo. Mas estava com muita saudade desta linda região, minha predileta. Lagos, montanhas, geleiras, florestas de contos de fadas. Os Andes patagônicos são uma das regiões mais bonitas do planeta, que venho visitando desde 1995. Num trekking no Peru, ano passado, um casal de amigos, Andrea Zimmermann e Fábio, me falaram maravilhas de Cerro Castillo, trekking que fizeram anos atrás. Resolvi ir. Ao mesmo tempo Ramon Quevedo, outro amigo, me convidou para fazer o Transpatagônia no Carnaval (trekking que passa em 3 parques: Jeinemeni, Patagônia e Tamango), perto de Cerro Castillo. Entretanto já tinha compromisso com a família e só poderia ir na Páscoa. Assim acabei fazendo solo uma viagem para Aysén, a região menos explorada da Patagônia chilena. Se a Patagônia é linda, Aysén é mágica. Tem um relevo tão recortado que a Carretera Austral avança penosamente pela região. As montanhas e lagos interrompem constantemente a estrada de rípio e é necessário tomar barcaças para prosseguir. A cada curva uma vista de tirar o folego. Acabei fazendo três trekkings na região. De cada um farei o relato. O primeiro é Cerro Castillo, local lindo, uma das melhores trilhas que já fiz na Patagônia. 13/03/2016 – Domingo – Horquetas Grandes/Guardería CONAF Saltei do minibus nas Horquetas Grandes, aproximadamente 1:10 hora após sair de Coyhaique (onde havia chegado de Santiago, no dia anterior), através da Carretera Austral. Dia ensolarado, bonito. Eram quase 11 da manhã. Respirei aliviado pela sorte de ter conseguido lugar no ônibus. No dia anterior, no guichê do terminal de ônibus, tinham me dito que não havia mais lugar, que deveria tentar a sorte falando com o motorista na hora da partida. Sorte por não ser alta estação! Peguei o penúltimo lugar disponível. Ajustei a mochila pesada (algo em torno de 16 a 17 kg pois estava com comida liofilizada para duas semanas) e os bastões. Comecei a peregrinação. O caminho seguia pela margem do rio por uma estrada 4X4 até subir e virar a esquerda passando em frente da cerca/currais de uma bonita fazenda, após 30 minutos. Logo em seguida começa uma bonita floresta de lengas, por onde a estrada prossegue até chegar ao Estero La Lima. Este estero (rio) dá nome ao belo vale que segue uma orientação SW ou W. Orientação fácil, basta seguir a estrada. Não precisei tirar a bota e calçar as havaianas em nenhum momento para atravessar o estero La Lima ou os seus rios afluentes. A região estava sem chuvas há vários dias. Todos os relatos que li falavam na travessia “molhada” destes rios. Prosseguindo vale adentro, após passar por um mallín (brejo) e um pequeno lago a esquerda cheguei na Guardería (portaria) CONAF as 17 horas. Ali efetivamente começava o Parque Nacional. Não haviam guarda-parques. Não tinha como pagar o ingresso ($ 5.000). Cansado não quis prosseguir por mais 45-60 minutos para um acampamento mais adiante, no Rio Túrbio. Armei minha barraca, tomei um banho de panela no riacho (brrrrr) e depois preparei minha comida liofilizada. Mais tarde chegaram 3 chilenos, um casal e mais um amigo. Pessoal gente boa. Um deles já havia feito a trilha 3 anos antes. O local estava empesteado de lagartas de fogo, que lá tem o nome de curcunas. O líder do grupo me explicou que era uma praga que estava assolando aquela área já fazia 3 anos. O incrível que você sentava na mesa e aparecia uma curcuna querendo subir na comida. E como subiam rápido na mesa! Ajudei-os a montar as barracas. Fotografei o bonito por do sol atrás das montanhas da Cordillera Castillo. Fui dormir cedo. Na hora de tirar o casaco dentro da barraca senti um espinho na manga e passei a mão para tirá-lo. Na verdade era uma curcuna no casaco, o que me queimou a palma da mão. Joguei-a no vestíbulo e assentei uma botada na dita cuja. Cuidado então ao acampar neste local. 14/03/2016 – Segunda – Guardería CONAF/Campamento La Tetera O sol só aparece as 07:30 e ainda assim um frio de lascar para um nordestino. Apenas a partir de 8:30 começa a esquentar. Saí do acampamento por volta de 10 horas, sozinho, pois os chilenos levantaram mais tarde. Depois de 45 minutos por fácil trilha saí da floresta de lengas e entro no vale superior do rio Túrbio, local lindo. A SW vê-se claro o espetacular Paso Peñon. Encontrei um casal de franceses vindo em sentido contrário. Ela me informa que eu sou a primeira pessoa que avistam em 3 dias, depois que iniciaram a trilha. Pouco adiante entrei na área de acampamento do Rio Túrbio. Local excelente, vistas deslumbrantes. Bem que o Lonely Planet diz que é melhor acampar aqui e não na Guardería. Segui e após meia hora começa a subida rumo SW para o espetacular Paso Peñon, pela floresta de lengas e depois por um desfiladeiro com acarreo de pedras (scree). Apenas as 12 horas cheguei ao topo. O passo nivela por 200-300 m e se torna um desfiladeiro estreito com paredes laterais de pedra solta a 45°. Em três pontos ainda havia manchões de neve. Nestes manchões percebia algumas rochas sobre a neve. Isto significa que caíram do desfiladeiro lateral, deslocados pela força do vento (estavam sobre a neve e não cobertas pela neve). Uma pedrada daquelas sobre um trekker azarado poderia fazer um estrago. Deve ser por isto que os guarda-parques fecham a trilha quando o tempo está ruim. Ao terminar o desfiladeiro vista soberba para o Cerro Castillo a SW e a laguna de mesmo nome a seus pés, ainda distantes. Comecei a descida, não tão ingrime como falam os guias, mas que merece cuidado, (especialmente se houver neve, chuva ou ventos fortes) e bastões para não desgastar demais os joelhos. No lado direito caiam cascatas de um glaciar prateleira que formavam um riacho no platô abaixo. Descendo deste platô a trilha atravessa uma ponte pequena passando para a margem direita verdadeira do riacho e, após, uma área para picnic, onde sentei e lanchei (eram cerca de 14 horas). Mais 30-40 minutos de descida outra área de acampamento as margens do Estero del Bosque. Os chilenos me disseram que acampariam aqui pois estavam pesados e lentos. Prossegui agora subindo o lado oposto do vale rumo a laguna Cerro Castillo. Após 30 a 40 minutos cheguei num pequeno circo onde havia um glacial colgante (prateleira) acima, no Cerro Castillo Chico (2318 m). Mais algumas fotos e fui em frente, subindo agora por uma ladeira suave pela margem esquerda verdadeira do deságue da laguna Cerro Castillo. Mais 20 minutos e cheguei na La Tetera, local de acampamento entre lengas, logo abaixo da laguna, relativamente bem abrigado dos ventos. Encontrei um casal de americanos, descansando e prestes a armar acampamento. Segui um pouco em frente, onde encontrei Ed, um norueguês radicado em Seattle, USA. Conversamos um pouco e segui. Decidi acampar as margens da laguna, seguindo o exemplo do Ed. A bela vista do Cerro Castillo e o azul profundo da laguna me convenceram a ficar ali, num lugar bem exposto aos ventos. Montei a barraca bem alinhada ao vento. O Cerro Castillo (2675 m) tem um nome bem apropriado. Mais tarde Ed apareceu e me convidou para jantarmos juntos a beira da lagoa. Conversamos sobre a trilha e sobre equipamentos. Ele tem 60 anos, casado com uma chilena, que não o acompanhava na trilha e tinha um vigor que muito jovem não possui. E excelente equipamento. Costuma fazer trilha nas Cascades, perto de Seattle. Estava já há dois meses rodando pela Patagônia no Land Rover dele, fazendo trilha e fly fishing. Me fez notar o glacier ice fog, neblina que se formava em cima do glaciar do Cerro Castillo. Andei um pouco para fazer a digestão, algumas fotos mais e foi dormir, antes de escurecer completamente, as 20:30. Dia 15/03/2016 – Terça – Campamento la Tetera/Acampamento Estero Parada Vocês já imaginam que acordei com uma vista sensacional. Ed saiu mais cedo. Demorei um pouco mais fazendo minha mochila. Subi pelo scree da encosta Sul da laguna. Pircas marcam o caminho, alias, pouco tem de trilha naquela pedreira. Me encontrei com ele no platô no Morro Rojo. De lá avistamos a pequena Villa de Cerro Castillo no vale do rio Ibañez. Mais ao longe, rumo SE, se avistava o Lago General Carrera e terras argentinas. Subimos então por uma penosa encosta rumo W. No topo visualizamos o vale do Estero Parada. Este vale florestado também é bonito e é cercado por picos pontiagudos. A descida é demorada e penosa, uma hora aproximadamente até chegarmos a linha das árvores. Notamos que eram árvores novas porque a floresta anterior tinha queimado. Chegamos 15 horas no Estero parada, com fácil cruze do rio e acampamento do outro lado. Este local já era coberto por uma floresta velha de árvores altas. Deixamos as mochilas e fomos visitar o acampamento Neozelandes mais acima no vale. Antes de partimos chegaram duas garotas, uma chilena e uma americana, que desceram correndo de lá. Haviam também deixado a mochila onde estávamos. Bonitas e simpáticas, passaram algumas informações sobre o Neozelandes. Impressionante como basta eu falar poucas palavras para perceberem que sou brasileiro. E eu procuro falar espanhol (a maioria dos brasileiros, segundo ela, fala português com entonação de espanhol, rsrsrs). Elas seguiram em sentido oposto, rumo a laguna Cerro Castillo. Ed depois me observou que estavam usando tênis de corrida, o que era uma temeridade. É difícil estes tênis aguentarem o rojão de trilhas ingrimes de rochas. E podemos ficar numa situação difícil se o calçado se esfacelar em nossos pés. Levamos 1:15 sentido Norte para chegarmos ao Campamento Neozelandés, campo base de uma expedição Neo Zelandesa que fez vários primeiros cumes na região. Fica no meio de um bosque de lengas, dentro de um amplo circo onde a SE fica o Cerro Castillo, que víamos agora por trás. Dos lados N e E ficam vários glaciares. Local bonito. Um dos side trips recomendados pelo Lonely Planet é a Laguna Duff, uma das lagunas glaciares da área. Tiramos fotos, comi alguma coisa apreciando a vista e voltamos em seguida para o local onde deixamos as mochilas. Tomar um banho de rio (aproveitando o sol que ainda restava), armar tenda, jantar, conversar com o Ed preencheram o tempo antes de escurecer. Falei dos planos de fazer Dientes de Navarino com um amigo, no verão 2016/2017. Ed me pediu para avisá-lo, pois lhe pareceu muito interessante e ele poderia se juntar a nos. Durante a noite passou um grupo barulhento pelo acampamento, com headlamps, rumo ao Neozelandes. Dia 16/03/2016 – Quarta – Campamento Estero Parada/Villa Cerro Castillo Acordei 5 horas, no escuro e comecei a arrumar as coisas dentro da barraca. Ouvi que Ed também acordou e decidiu também descer comigo. Saímos por volta de seis da manhã iluminado o caminho com as headlamps. Céu estreladíssimo. É interessante caminhar a noite. Dá uma dimensão diferente da trilha. Após cerca de uma hora de descida fácil chegamos ao fundo plano do vale do rio Ibañez, já com luz do dia. Aí foram necessárias mais uma hora e pouco por estrada de rípio até chegarmos a Villa Cerro Castillo. Os campos ao redor tinham uma névoa tênue (umidade com o frio do amanhecer) onde patos pousavam. Visão bonita! Me despedi do Ed na entrada da cidade. Ele iria para o camping onde deixou seu carro e eu para a parada dos ônibus da linha Coyhaique-Cochrane, torcendo para ter lugar nos ônibus. Amigos que vieram no Carnaval ficaram dois dias parados aqui por falta de lugares nos busões. Esperei o horário tomando café com queijo quente, baita sanduíche. O ônibus chegou cheio, mas cheio de assentos vazios!) A viagem para Cochrane em estrada de rípio (estão no momento pavimentando vários trechos) é outra aventura muito legal. Bordeia florestas, rios e lagos, entre eles os belíssimos Lago General Carrera e o rio Baker. Dura cerca de 6 a 7 horas. Só dias bonitos, lindíssimos, sem chuvas ou neve. Quem conhece a Patagônia sabe que isto é muuuita sorte! DICAS Sempre olhe a previsão do tempo antes de partir. Embora possa haver uma mudança na previsão (Patagônia!), ela costuma ser confiável por 2 a 3 dias. Gosto do Mountain Weather Forecast, acerta muito. Leve roupas e saco de dormir pensando em -10ºC e tenda 4 estações. Vá nos períodos “ombro”, início e final da alta estação de trekking, ou seja, 1ª quinzena de dezembro e final de março e abril. Os ônibus não conseguem atender toda a demanda. A infraestrutura ainda é bem precária nesta região. Fora o fato de que os hostels, hotéis e cabañas ficam um pouco mais baratas. Para quem gosta: leve comida liofilizada. Leve, rápida de fazer e gasta menos gás. Comida altamente calórica é mandatória. Quanto mais calórico o jantar melhor vai ser seu sono e aquecimento durante a noite. A SKY Airlines é a empresa low cost que faz a Patagônia. Mas compre com antecedência. Não dá para fazer reservas em ônibus, apenas se pagar antecipadamente, o que envolve um pagamento internacional (operação de câmbio). Hipotermia é o maior risco na Patagônia. Não há problema, normalmente, de mal de altitude. Não faz muito tempo que uma israelense morreu em Cerro castillo após ter um problema com uma perna e não poder se locomover. Sua amiga foi buscar ajuda e ela passou uma noite ao relento (putz...). Amanheceu morta. Se o que li estava correto provavelmente a pessoa não tinha vestuário/abrigo suficiente. Também não deveria ter sido deixada sozinha. Traga Reais para trocar por pesos chilenos no aeroporto de Santiago. Melhor do que trazer dólares (isto em meados de março, é bom checar antes!). Excelente dica do Ramon Quevedo. Boa Trilha! Não consegui postar fotos. É difícil postar fotos aqui. O relato com fotos está no Aventure Box: https://aventurebox.com/ptofte/cerro-castillo-aysen-chile-patagonia/report
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