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  1. Bom pessoal, depois de deixar de relatar diversos mochilões porque demorava a escrever e esquecia muuuuitas informações, resolvi começar logo o relato dessa trip que eu e meu amigo (Diego) fizemos para esse lugar absolutamente incrível que possuímos aqui do ladinho de nossas casas!!! O objetivo desse relato não é apenas o de passar as informações, mas de tentar MOTIVAR o maior número de pessoas a irem a esse local que é FANTÁSTICO e que AINDA (mas em processo de) não é sugado pelas empresas. Fiquem a vontade para tirar QUAISQUER dúvidas. Se algo ficou meio difícil de entender, só falar que tento explicar de outra forma EDIT 1 (28/07/18): ADICIONADO MAPA DA TOPOGRAFIA E DISTÂNCIAS Nesse mapa abaixo, as estrelas vermelhas são os possíveis locais de entrada no parque. Exceto a seta que está escrito "Camp Fracês", que é um acampamento que não estava plotado no mapa! O QUE LEVAR? Pra dar um norte a alguns que não tem ideia do que levar, aqui vai a lista do que levei e do que poderia ter deixado para trás ou levado a mais: - Mochila Quechua de 75L; - Mochila de ataque levada no peito (não façam isso de levar uma mochila na frente, por favor kkkkk. Foi a pior burrice por um lado, mas por outro a câmera estava a todo momento protegida e de fácil acesso. Todavia, se eu voltasse lá, não faria isso kkkk); - 2 bastões de caminhada (ajudam ABSURDO, ainda mais para passar em determinados locais inundados ou com barro); - Comida liofilizada Moutain House (MUITO boa, mas não é fundamental), salame, chocolate, frutas secas + amendoim; - Barraca Azteq Nepal 2 (frente a outras que vimos por lá, aguentou ABSURDAMENTE bem); - Isolante inflável Thermarest; - Saco de dormir North Face Aleutian (Conforto: -3ºC, Limite: -9ºC e extremo: -28ºC. Um bom saco de dormir faz sua noite ser absurdamente agradável. O Diego usou um que não era para temperaturas tão baixas e passou algumas noites de desconforto); - Capa protetora da mochila (que se foi com o vento e é desnecessária. Como já tive vários estresses despachando mochilão, resolvi colocá-la para despachar e passei um rolo de papel filme – aqueles de comida mesmo – em volta, mas não adiantou. A proteção já chegou com alguns furos no destino); - Fogareiro JetBoil (muito bom pra economia de gás, praticidade, fazer um chá/café de forma bem rápida (e na “potência” mínima do gás), levando de 2 a 3 minutos para ferver 400ml de água com temperatura entre 0 e 5ºC); - Corta vento (superior e inferior); - Máscara facial + touca (grazadeus o Diego tinha um sobrando, pois esqueci o meu rsrs) - Luvas (nos salvou de voltar para casa com todos os dedos, mesmo que ainda não estejam 100%); - 2 Fleece (um eu nem usei e sumiu L. Ou seja, 1 dá conta do recado) - 15 cuecas (-.- ... isso se deve a um aperto que passei em uma viagem, mas TOTALMENTE desnecessário essa quantidade. Umas 5 ou 6 já está ótimo); - Calça térmica (te permite usar uma bermuda por cima, daí nos locais que começa a esquentar demais – dentro de florestas –, fica bom, não aquece muito); - Duas bermudas (aquelas de academia – uma seria o suficiente); - 6 Camisetas (3 ou 4 seriam suficientes); - Botas de caminhada (ajudou MUITO. Não faria de forma diferente); - Chinelos (ao chegar ao acampamento, ajudam a deixar o pé “respirar”); - Óculos de sol - Kit Emergência (diversos remédios, agulha e linha “cirúrgica”, tesoura, pinça, etc); - Kit Banho + creme hidratante (Isso ajuda MUITO a noite antes de dormir. A pele fica absurdamente seca devido ao vento incessante) - Protetor Solar (Não usamos muito, mas dependendo do dia pode ajudar bastante); - Chapéu pra proteger do sol (nem encostei nele, kkkk. Era o tempo todo de touca e máscara); - Lanterna de cabeça (Foi totalmente desnecessária, mas numa emergência pode ajudar. Lá temos em torno de 16h de luz, então 22:30h ainda está relativamente claro); - Kit de fotografia (T5i, 18-55mm, 70-200mm, limpa lentes – importante -, duas baterias – não foi nem metade de uma –, carregador, adaptador, 2 SD card de 16 gb cada e 1 de 32 gb. No total foram umas 1300 fotos em .RAW) - Sugiro colocar separadamente as coisas de dentro do mochilão em SACOS DE GELO, isso mesmo. Tudo ficará impermeabilizado e você não terá que se preocupar com isso pelo resto da viagem (lógico que eu não fiz isso – vacilei –, mas o Diego fez e teve uma tranquilidade absurda com relação à chuva durante todo o circuito). A MOTIVAÇÃO: Essa vontade de conhecer Torres del Paine veio depois de fazer um mochilão pela Patagônia (chilena e argentina) há 4 anos atrás. Eu e minha esposa fizemos algumas trilhas em El Chaltén, visitamos El Calafate, etc. Durante as pesquisas, me interessei por TdP, mas como estávamos com pouco tempo para esse mochilão, resolvemos deixar para outra vez, mas JUREI que iria voltar e fazer o circuito O um dia. AS EMPRESAS: Vocês não podem deixar de saber que antes de ir pra lá, vocês precisam de antecipação, planejamento e muita, mas MUITA paciência. Lá existem 3 empresas para se reservar as áreas de camping ou os “lodges”. São elas: Fantástico Sur, Vértice Patagonia e CONAF, sendo esta última governamental e responsável pela gestão de vários parques nacionais, incluindo TdP. Definidas as datas dos voos de ida e volta, começamos a correr atrás das reservas dos campings. Nesse ponto, vale um adendo: · O Circuito O só pode ser feito no sentido Anti-horário. Logo, deve-se fazer as reservas dos campings nesse mesmo sentido. Conseguimos fazer as reservas com a Fantastico Sur sem problema algum. Não havíamos decidido por nenhum acampamento da CONAF (que são de graça, todos). As reservas que faltavam eram apenas as da VERTICE PATAGONIA e é aí que começa a dor de cabeça. Um a dois meses antes da viagem, começamos a fazer as reservas. Inicialmente a Vertice estava com a página em manutenção. Ao voltar, possuía um sistema de reservas pelo próprio site, mas que desde o primeiro dia (literalmente), não funcionava. Então, a outra forma seria enviando um e-mail com o número de pessoas, data e locais que gostaria de reservar e, se eles lessem o seu e-mail, te responderiam com o passo-a-passo para realizar o pagamento. Bom, enviávamos o e-mail e nada. Como foi chegando o dia do voo de ida, começamos a procurar informações no Tripadvisor e lá uma pessoa havia informado que eles possuíam mais 7 e-mails. Começamos a bombardeá-los com e-mails, mas não obtivemos nenhuma resposta (havia a confirmação de leitura, mas não nos respondiam). Apesar de vermos várias pessoas mudando as datas da viagem ou até cancelando o voo, decidimos ir e lá procuraríamos a agência física da empresa (nem o telefone eles atendiam). Caso não conseguíssemos fazer a reserva pela Vertice, faríamos apenas o circuito W (que já estava reservado pela Fantastico Sur) e iríamos para El chaltén, uma cidadezinha argentina bem pequena e aconchegante que fica a 400km de Puerto Natales e que tem vários trekkings de dificuldade variada e de vários dias, ou seja, tem para todos os gostos! Dia 1 – Porto Alegre – Punta Arenas – Puerto Natales Embarcamos em POA para a conexão em Buenos Aires e Santiago com a ideia firmada que iríamos tentar chegar à cidade e ir à agência física da Vértice (o Google informava que estava permanentemente fechada e não atendiam o telefone. MAS, não confiem nesse tipo de informação do Google!!!). Bom, como desgraça pouca é bobagem, o voo de POA para Buenos Aires atrasou e perdemos a conexão para Santiago!!! Maravilha, que mais podia dar errado?! Maaas há males que vem para o bem! Nesse meio tempo de espera no aeroporto de Buenos Aires enviamos mais um e-mail para essa maldita empresa e embarcamos para Santiago. Eis que, ao pousar em terras chilenas, abrimos o e-mail e vimos uma resposta dizendo que nossas reservas estavam feitas mas para garanti-las teríamos que pagar em 48h. Como chegaríamos em Puerto Natales no dia seguinte, deixamos para efetuar o pagamento in loco e não ter mais nenhum estresse. Aqui vale ressaltar sobre a aduana chilena que são bem chatos com comidas e/ou qualquer coisa de origem vegetal ou animal (eu já havia sentido na pele isso alguns anos atrás). Sabendo disso, resolvemos declarar o que trazíamos e deixar que eles decidissem. Foi nessa que o Diego perdeu 5 salames que estava trazendo para o circuito. Segundo o fiscal, o salame era defumado e só poderia entrar se fosse COZIDO. Comigo ele perguntou o que eram as comidas liofilizadas e eu disse que eram como o macarrão instantâneo (vulgo miojo ahaha). Mesmo fazendo uma cara de desconfiado, deixou passar. Passamos a noite no aeroporto de Santiago e embarcamos pela SkyAirline para Punta Arenas. · Sugiro, quando forem pegar voos domésticos no Chile, procurar por esta empresa. Apesar de não darem nenhum lanchinho (kkkk), pagamos US$120,00 Santiago-Punta Arenas (ida e volta/pessoa). Ao chegar no aeroporto de Punta Arenas, havia um ônibus indo para Torres del Paine direto do aeroporto, mas não tínhamos pesos chilenos suficientes (deixamos de trocar no aeroporto de Santiago e no de Punta Arenas não tem casa de câmbio. Aquela famosa economia porca, pois poderíamos ter trocado o suficiente para o ônibus e, em Puerto Natales, trocaríamos o resto). Então, saímos perguntando o preço para ir para o centro da cidade e ouvimos dois israelenses pechinchando com um taxista. O Taxista pedia 10.000CLP. Sugerimos que dividíssemos o valor em 4 pessoas e todos aceitaram. · Em Punta Arenas não existe uma rodoviária única a todas as empresas. Cada uma possui a sua “estação”, a sua garagem e você precisa ir naquela que irá pegar o ônibus. Ao chegar à cidade, trocamos R$900,00 a 190CLP/real, uma boa cotação e que não acharíamos mais. Todavia, a cotação do dólar pouco variou de Punta Arenas para Puerto Natales (algo em torno de 5 a 10 pesos/dólar). Trocamos o dinheiro e saímos correndo para a Buses Fernandez. Por sorte, o ônibus ainda não havia saído. Acabara de fechar as portas, apenas. Pedimos pelo amor de deus para que abrissem e nos deixassem entrar kkkkk. Com cara de bravo, deixaram. Durante o trajeto havia wi-fi no ônibus, mas era pago. E caro. Nos cobraram 8.000 CLP/pessoa o trecho. Todas as empresas giram em torno disso, não tem muita diferença não. Chegamos em Puerto Natales 3 horas depois, numa viagem LINDA. Sugerimos que se mantenham acordados hehehehe. Deixamos nossas coisas no hostal Vaiora, que já estava reservado (US$20/pessoa). Um hostal bem simples, mas limpinho e aconchegante. Erramos o caminho ao chegar. Começo do treinamento. Andamos 1km para o lado errado, mais 1km para voltar, mas pelo menos vimos esse fucking Dog fotogênico hahaha · Vale lembrar que ao pagar em dólar, não existe a necessidade de pagamento de 19% do IVA (desde que mostre o papel que recebeu na entrada ao país), um imposto que eles deixam passar para incentivar o turismo e para aumentar a quantidade de dólar americano no mercado chileno. Na sequência fomos direto à Vertice fazer o pagamento da reserva (fica na Calle Manuel Bulnes, 100. Há duas, mas a certa é essa). Ao chegarmos, os atendentes estavam lá tranquilões, como se nada estivesse acontecendo. Milhares (literalmente) de pessoas desesperadas e eles super de boa, mas ok. Dissemos que queríamos fazer o pagamento da nossa reserva para o circuito O. Inicialmente a atendente não levou a sério (não acreditou que tínhamos a “autorização” daquela reserva), então mostramos o e-mail deles próprios. Pagamos e fomos fazer as compras de equipamentos que nos faltavam. Compramos um bastão, caneca com mosquetão (super indico. A caneca era FODA. Não sabemos dizer como, mas as bebidas quentes que fazíamos nela simplesmente NÃO PERDIAM CALOR hahahaha. Também pela facilidade de deixa-la pendurada e a qualquer água corrente que víamos no circuito, parávamos para beber), poncho da NTK (pelo amor de deus, não comprem isso!!! Material de péssima qualidade. Rasgou inteiro nos 20 primeiros minutos de trekking) e gás. Aproveitamos para passar no supermercado e na loja de frutas secas para comprar as guloseimas que faltavam. · A loja de frutas secas é excelente! Tem muitas variedades e num preço bem acessível. A loja chama Itahue e fica na Rua Esmeralda, 455B. Voltamos para o hostal, deixamos tudo, tomamos um banho e saímos para jantar. Mandamos uma pizza, mas cabiam duas kkkkk. Voltamos para arrumar as mochilas e dormir. Dia 2 – P. Natales – Torres Del Paine (1ª noite: Camping Serón) Pegamos o ônibus na rodoviária por volta das 07:30 e chegamos na entrada da Laguna Amarga umas 9:20. Ao chegar, todos devem desembarcar do ônibus e fazer a entrada no parque. Nessa etapa, pega-se uma fila enorme (todos os ônibus chegam juntos). Se der sorte de ser dos primeiros ônibus, ótimo, caso contrário vai esperar um pouquinho. Caminho para TdP: Após todos fazerem a entrada e o pagamento (21000CLP ou uns US$35 – aceitam os dois), todos devem assistir a um vídeo de 2 minutos aproximadamente, falando tudo o que pode e o que não pode fazer no parque, inclusive o valor e pena das transgressões. Após isso, todos voltam para os ônibus. Os que vão ficar na Laguna Amarga já podem pegar suas mochilas e iniciar o trekking ou então pagar 3000CLP para pegar outro ônibus que andará por 15 minutos (7,5km) até a área do Camping Central/Las Torres. Fora isso, o ônibus que estava lá parado espera os que vão para as outras duas entradas (Pudeto ou Sede Administrativa) voltarem para seguir viagem. Chegando à entrada da LasTorres tem uma lojinha com alguns artefatos de trekking, para aqueles que esqueceram de algo ou para os que tem muito dinheiro. Desde esse momento percebemos como as coisas seriam absurdamente caras em qualquer lugar dentro do parque!!! Por exemplo, uma coca-cola de lata de 350ml custa 2000CLP, algo em torno de 11 reais. Uma bolacha menor que Trakinas também tem o mesmo valor. A única coisa que eu vi que era RAZOÁVEL de se pagar (mas não era barato), foi no Camping Grey, que tinha um chocolate Prestígio por 500 CLP, algo em torno de 3 reais. Não comprei, me arrependi, pois não haveria outra oportunidade desse tipo kkkkk. Bom, começamos então em direção ao Camping Serón. É meio complicado de achar o caminho inicial. Não tem NENHUMA placa indicando a direção (algo que constatamos depois, foi que o Circuito O por ser menos procurado/turístico, não tem a mesma infraestrutura do W, mas essa foi a melhor coisa que poderíamos ter! J). Ficamos esperando ver se haveria algum fluxo de pessoas para algum lugar e em alguns minutos achamos o caminho. Começou uma leve subida e, nossa fiel e inseparável CHUVA. Como ainda estávamos sem experiência no que se trata de patagônia, desesperamos e começamos a colocar os anoraks e o bendito poncho (aquele que indiquei para não comprarem). Mas por que comprei essa droga? Para proteger a mochila com material fotográfico que estava no meu peito. Foi só eu colocá-lo e puxar a cordinha do capuz que começou o rasga rasga. Então peguei o que sobrou desta droga e só embrulhei a mochila (6300CLP jogados fora). No final do dia iríamos perceber que não precisa desse desespero. A chuva que cai, juntamente com o clima seco e o vento forte, não é o suficiente para molhar. O que molha já seca em segundos/minutos. E todo o resto da viagem foi usando esse aprendizado, ou seja, não colocávamos mais o anorak para proteger da chuva ou neve, mas sim do vento. O caminho do Central para o Serón é bem tranquilo. Em alguns momentos tivemos que atravancar pelo mato porque estava impossível de passar pela trilha. Muito barro! Uma das coisas que ajuda a ficar assim é que muitos cavalos vão até o Serón e isso piora absurdamente a trilha, mas nada que impeça de continuar. O tempo previsto era de 4h, mas fizemos em umas 5h, fomos bem tranquilos nesse primeiro dia. Chegando no camping, largamos as mochilas num canto, definimos onde iríamos montar a barraca, a montamos e fomos comer. Nesse camping existem algumas plataformas para se montar a barraca, mas não sabemos se era para todos ou teria algum preço diferenciado (eu particularmente não gosto. Como é em campo aberto – diferente do camping Francês que só tem plataformas mas é dentro da floresta –, facilita que o vento destrua a barraca se der uma rajada muito forte e entrar por baixo da plataforma, pois ela é como se fosse um estrado de cama). Após comermos e descansarmos um pouco, demos uma andada pela área. Há um local abrigado para cozinhar, algo que ajuda bastante!!! Os campings que não possuíam isso, juntando-se ao fato de o vento não parar um segundo, faziam com que preparar a comida se tornasse algo trabalhoso e chato, já que é um momento de socializar e descansar. Após jantarmos, fomos dormir e, algumas horas depois, começou uma chuva constante que seria nossa companheira até acordarmos. Pontos negativos desse lugar: Havia UM banheiro e UM chuveiro para mais de 20 pessoas. O banheiro estava em estado deplorável... o chuveiro não sei se era quente. Não tomamos banho esse dia. 3º Dia – Camp Serón – Camp Dickson Bom, deveríamos acordar 06:00h (depois percebemos que era desnecessário), mas ficou uma chuvinha tão boa desde a meia-noite que não conseguimos acordar. Acordamos umas 07:30h e ficamos enrolando dentro da barraca até as 08h. Esse dia andaríamos bastante, cerca de 19km (~6h), mas o nível de dificuldade era tranquilo, uma vez que a maior parte seria com pouca variação de altitude (mínimo de 170m e máximo de 330m). Levantamos, arrumamos todas as coisas e deixamos só a barraca por desmontar, torcendo pela chuva parar de cair (o que mais baixava o moral era guardar a barraca com chuva, pqp! Kkkk). Enquanto comíamos, a chuva parou! Como a barraca estava molhada da chuva e de manhã é sempre bem frio, foi difícil enrolá-la, as mãos doíam de tanto frio! Mas vamos que vamooos. Nessa parte do circuito o rio Paine nos acompanha a todo o momento pela direita e também tem umas belas montanhas no começo, mas com o tempo nublado pouco conseguimos ver. Rio Paine: É nessa trilha que fica a Guarderia Coirón que vai verificar se você possui reserva no Dickson para poder prosseguir no Circuito O. Não possuindo, o guarda parque te mandará voltar. Paramos diversas vezes para comer, descansar, observar. Como sempre, chega uma hora que o vento cansa, porque não para... então ele te obriga a pegar a trilha novamente hehehe. Esse dia foi o primeiro dia que sentimos o peso da mochila. O trapézio já estava pedindo um intervalo. Como só faltavam uns 4km fizemos uma longa parada pra descansar e tirar algumas fotos! Valeu muito a pena... O Camp dickson dá pra ver de longe. Fica num lugar bem plano, circundado pelo Rio Dickson. Quase no final da trilha tem um “mirador” que se consegue ver as construções do camping, o lago e o glaciar ao fundo, mas pra chegar lá ainda tem uma subidinha bem tranquila, mas uma descida íngreme. O bonito desse lago é que diversos icebergs se desprendem do glaciar e vem parar pertinho do camping. Com uma boa luz do sol dá pra tirar ótimas fotos! Pensamos em brincar um pouco e entrar no lago, mas nessa área o vento é bem mais forte do que havíamos pego até então e como todos sabem, o problema não é NA água, é depois de sair dela kkkkk. Assim que chegamos fomos ver se tinha água quente e... TINHA! Um lugar bem apertado, mas sem problema algum. Não batia vento!! Kkkk Tomei um banho rápido, montamos a barraca e saímos bater umas fotos e conhecer os arredores. No Camp Serón não lembro de ter nada a venda; já no Dickson tinha alguns biscoitos, chocolates, etc, coisa bem básica mesmo. Nada de refeições. Voltando das fotos fomos jantar. Era mais ou menos assim as refeições: eu fazia um pacote liofilizado pela manhã, comia metade no café e guardava a outra metade para a trilha (tem um sistema ziploc na própria embalagem). Durante a trilha comia a outra metade e algumas guloseimas. A noite fazia um outro pacote para a janta e um chá bem quente antes de dormir, elevava o moral ABSURDAMENTE! fikdik heheheh. Após isso, fomos dormir e já concluímos que a medida que íamos para traz das montanhas (pensando no sentido da chegada), a temperatura diminuía e o vento aumentava. Essa noite o vento castigou, pois é uma região com árvores num dos lados, mas de onde vem o vento não tem nenhuma barreira. Dormimos mal pra caramba, mas logo logo acostumaríamos com o vento. Detalhe: No Camping Dickson, não há local abrigado para se fazer a refeição. Existem várias mesas espalhadas, mas nenhuma construção para se abrigar do vento. 4º Dia – Camp Dickson – Camp Los Perros Bom, esse dia acordamos com uma tranquilidade absurda. Teríamos que andar apenas 9km, cerca de 4h. Começamos a rotina de arrumar tudo e guardar a barraca. Aproveitamos a manhã de sol para tirar umas fotos do lago Dickson e da geleira ao seu fundo, mas as nuvens como sempre impediam a luz do sol de deixar o lugar mais bonito. Café da manhã no Dickson: Não faz maaaaal!!! O lugar já era maravilhoso por natureza! Essa caminhada foi excelente. Só o comecinho que pega bastante, pois é uma subida relativamente íngreme e parece que não acaba nunca! 90% da trilha é dentro de bosques, ou seja, algumas horinhas sem o vento de arrancar o couro da gente! A paisagem se alterna entre muitas árvores e as montanhas nevadas ao fundo e quando as copas dão uma brechinha...fica mais ou menos assim: Quase chegando ao Camp Los Perros, começa novamente uma subida, mas o problema dessa subida é que é SÓ PEDRA!! Isso acabava cansando um pouco e forçava as articulações. A dica nesse trajeto é fazer com bastante calma e tranquilidade. Fazer algumas paradas ajuda a descansar e a aproveitar a vista! J Esse trajeto é sem vento, mas quando se chega na parte mais alta, aí segurem seus gorros, óculos ou o que tiver solto: ao subir sobre a colina para observar o glaciar Los Perros ao fundo do lago, virá uma rajada de vento que desce da ravina e passa por sobre o lago, atingindo essa colina! Já na parte mais alta e pouco antes de chegar ao acampamento, tem uma geleira ao fundo. Pequena, mas com sua beleza. Uma seta dizia que o caminho estava fechado. Fomos ao acampamento deixar as mochilas e fazer o “check-in” e foi nesse momento que o guarda-parque daquele camping falou que o Paso John Gardner estava fechado e não deveria nos deixar passar, mas como já havíamos chegado até ali, seria a mesma distância de voltar e, por fim, acabou nos deixando seguir o circuito. Glaciar: Como chegamos muito cedo no acampamento e não tinha mais o que fazer, veio o ócio e, todos sabem, “mente vazia, oficina do capiroto”. Resolvemos desconsiderar o aviso e fomos até o mirador que fica em frente ao glaciar. Perigo, na real, só tem se você der mole. Basicamente é um terreno íngreme com muitas pedras soltas, à beira de uma grande queda. Se for sempre jogando o corpo para dentro do terreno e “sentindo” o chão antes de jogar o peso todo, sem problemas. Fomos, voltamos e ficou tudo bem. Seguimos para o acampamento. Esse camping é excelente! Não bate um vento, pois fica no meio das árvores. Durante a noite você ouve o vento chegando pelo barulho das copas e espera a hora de atingir a barra (como era em qualquer outro camping), mas a melhor parte é que ele nunca chegava! Hahahah. E você pode dormir tranquilamente. A partir desse dia comecei a me “acostumar” com o vento na hora de dormir, mas mesmo assim o sono não melhorou muito. Essa era a noite que teríamos que dormir o máximo possível e com mais qualidade, pois no dia seguinte seguiríamos até o Camp Grey, que daria um total de 24km (11h de caminhada, pelo mapa), incluindo a transposição do famoso e temido Paso John Gardner. 5º dia – Camp Los Perros – Camp Grey (o dia da emoção) Acordamos depois de uma noite relativamente bem dormida. Estava bem frio e chovendo, mas as árvores seguravam um pouco a água. Arrumamos as mochilas e fomos tomar café. Nós já sabíamos que esse seria o dia mais difícil (só não sabíamos que teríamos uma surpresa: uma nevasca) de todo o circuito, então comemos bastante no café da manhã e já deixamos tudo preparado para o meio da trilha. Assim que fomos tomar o café, percebemos, em cima de uma das mesas, um verdadeiro BANQUETE, com direito a tudo que imaginarem, TUDO. Naquele momento algo chamou nossa atenção: Meu deus, como alguém resolve trazer tanta comida assim para esse circuito?!?!?!? Nós estávamos contando cada grama de comida e equipamento e eles trazem tudo isso? Bom, foi nesse momento que observamos o seguinte: · Existe uma forma de contratar uma EQUIPE para fazer esse circuito O com você (ou com um grupo). Sempre vai, junto ao grupo, um guia e um ajudante. Além disso, existem mais 3 “sherpas” (sim, o mesmo nome daqueles que carregam os equipamentos dos que querem escalar o Everest) que só são responsáveis por carregar o geralzão. Como assim? Quando o grupo sai, eles ficam para trás desmontando as barracas, sacos de dormir, etc. Quando terminam, começam a correr (LITERALMENTE) até o próximo camping, para chegarem antes do grupo e montar tudo que tiver que montar. Eles levam quilos e quilos de comida e equipamento, cozinham e preparam lanches para o dia seguinte (separados em sacos ziploc) para cada integrante do grupo. Não temos ideia do quanto se paga por isso, nem perguntamos, mas não deve ser barato... Após tomarmos café, vimos vários desses guias desmontando as barracas e as levando para dentro do refeitório para que secassem e posteriormente dobrassem. Resolvemos fazer o mesmo. Já na saída do camping começam as subidas. Estas, que seriam nossas fiéis escudeiras ao longo de todo esse dia de caminhada kkkkk. Esse comecinho é totalmente dentro de um bosque, então estava bem tranquilo. Foi aí que começamos a ver granizo no chão. Já começamos a imaginar que logo logo veríamos neve. Não deu uns 20 minutos e começou a nevar sobre a gente! Maior felicidade kkkk À medida que subíamos começamos a ver maior acúmulo de neve, o que começava a dificultar a trilha. Continuamos na trilha que estava bem sinalizada, mas em um determinado momento acabamos pulando uma estaca laranja e chegamos num lugar que passava um rio por baixo do gelo! Já viu né? Frio, água e pé não combinam NADA! Paramos e começamos a olhar em volta... a estaca que então havia sido deixada para trás, estava mais para baixo e fomos até lá para evitar esse rio. Após alguns minutos de caminhada, começamos a nos dar conta do quão difícil seria o trajeto: um vento absurdo (ainda algo em torno de 60 a 70 km/h) já dificultava o nosso progresso mesmo sobre pedras e uns 30 cm de neve. E o que acontece quando se junta neve caindo e vento forte? Você não consegue olhar para a frente! O que acabávamos fazendo era seguir a trilha do grupo que estava à nossa frente (cerca de 300m), olhando para baixo, no máximo procurando a próxima marca laranja que indicava o caminho a seguir. Continuamos subindo e subindo... Não acabava nunca!!! Víamos o grupo com o guia no topo de uma montanha. Imaginávamos que aquele local seria o Paso ou estaria muito próximo dele, mas não. E pior, toda aquela neve batendo no nosso rosto, aquele vento baixando a sensação térmica e a neve acumulada aumentando, iam deixando o trajeto mais difícil ainda! Foi a partir de uma das placas que informa a distância e a elevação daquele local que a “brincadeira” começou a ficar séria... Já não víamos mais o grupo (com guia) que estava na nossa frente. As pegadas que deixavam na neve? Já haviam sumido! As estacas alaranjadas estavam começando a ficar encobertos pela neve acumulada. O vento? Só aumentava! Foi nessa hora que a CALMA falou mais alto. Paramos atrás de uma pedra, respiramos, pensamos e comemos. Retomamos a trilha... À medida que subíamos o vento aumentava numa proporção astronômica! Só conseguíamos olhar para baixo. Ao chegar numa estaca laranja, olhávamos para o horizonte, achávamos a próxima, baixávamos o rosto e íamos olhando para baixo. Lembram da subida? Ainda estava lá!!! Kkkkkk o peso das mochilas deixava TUDO mais difícil. À medida que pisávamos na neve, afundávamos. Na maior parte do tempo eram necessários dois passos no mesmo lugar para conseguir progredir. A neve estava na altura dos joelhos já. Num determinado momento o Diego, que estava na frente, parou e me falou que estava preocupado com suas mãos. Nesse momento, me dei conta que eu também tinha mãos! Kkkkkk a partir daí, também percebi que já não sentia a ponta de todos os dedos, mesmo com a luva. Primeiramente tentei achar o problema, pensando que a luva estivesse molhada, mas não! Era a neve acumulada, juntamente com o vento, que estava baixando a temperatura. Tirei a neve, coloquei as duas mão atrás da mochila que estava no meu peito e comecei abrir e fechar as mãos. Em alguns minutos havia voltado ao normal e falei para o Diego fazer o mesmo. Entretanto, à medida que usávamos os bastões para nos ajudar na neve (e acreditem, eles fazem uma diferença ABSURDA nessa situação), as pontas dos dedos voltavam a doer absurdamente. Mantivemos o ritmo. Mais pra cima? Mais TUDO! Mais vento, mais neve... e vocês já sabem. Devido à nevasca não conseguíamos ver além de 15m e aqui deixo a minha crítica ao parque: as estacas que indicam o caminho nesse trecho (O MAIS CRÍTICO DO PARQUE) são escassas. Em alguns momentos você tem que chutar uma direção e ir. O que nos ajudou numa das situações mais críticas desse trecho foi que a neve encobria as pegadas do grupo, mas os buracos dos bastões ficavam visíveis! Seguimos os buracos e logo em seguida achamos o caminho novamente. Chegando próximo do Paso, a preocupação com as mãos aumentava, mas outra coisa estava nos tomando mais a atenção: O vento. Simplesmente não conseguíamos avançar!!! Dávamos 3 passos para a frente e o vento nos empurrava 5 para trás ou nos derrubava! Vendo que não conseguiríamos competir com ele, começamos a engatinhar até chegar próximo de uma encosta rochosa onde o vento diminuiu e conseguimos chegar ao outro lado da montanha, aonde vimos o IMENSO Glaciar Grey, em toda sua infinita extensão. Após passar pelo topo o vento diminuiu consideravelmente. Sabíamos que a partir daquele ponto seria apenas descida. A partir de então foi o inverso. Era descida que não acabava mais! Em determinado momento, não era mais possível descer caminhando, de tão escorregadio que estava. Acabamos descendo de esquibunda kkkkkk. Nesse momento, juntamos a alegria de ter sobrevivido com as brincadeiras na neve. Enquanto descansávamos, um dos sherpas estava descendo (também de esquibunda kkkk), parou e nos ofereceu um chá quentinho. Aceitamos e conversamos um pouco. Ele disse que nunca havia visto essa parte do circuito, dessa forma. Era novidade para ele, mesmo já trabalhando nisso há alguns anos. Chegamos ao Camp Paso. Tinha uma infraestrutura bem básica. Fizemos um café, dividimos uma caixinha de leite condensado inteiro e recuperamos as energias. Energia recuperada, retomamos a descida. Nesse dia meu joelho começou a gritar!! Era descida que não acabava mais... Depois de algumas horas de caminhada, chegamos às pontes que são bem conhecidas (as pessoas que fazem o W pernoitam no Grey só para poder subir até essas 3 pontes que tem entre o Camp Paso e o Camp grey). O dono do hostel que viríamos a ficar em P. Arenas trabalhou para a Vértice e disse que antigamente no lugar dessas pontes, haviam escadas. Com o derretimento do gelo, a água descia e levava a escada embora. Assim, os guarda-parques iam lá e colocavam CORDAS temporariamente. Imaginem a dificuldade de subir, através de cordas, com uns 20kg a mais de equipamento, um barranco de uns 6m. Felizmente não são mais escadas, mas 3 pontes que balançam MUITO! Como estávamos cansados da travessia, a neve não parava de cair e o vento também não parava de soprar, acabamos passando meio que batido, sem ter apreciado muito bem essa parte. Depois de algumas horas de descida chegamos ao Camp Grey. Com uma boa infraestrutura, o Grey tinha uma cozinha bem espaçosa e fechada. O banheiro masculino eram duas privadas e duas duchas (chuto que o feminino era a mesma coisa). Bem pouco, pensando que esse Camping faz parte de uma das pernas do W e fica lotado de turistas. Mirador no Camp Grey: Não saiam daí! To be continued... hahahahah
  2. Saudações, povo da mochila. O relato que segue refere-se à uma viagem realizada há um ano atrás (ontem exatos 365 dias que finalizei o Circuito O!). Devido à correria da vida e uma promessa de que parte dele sairia em uma revista de escalada e montanhismo, acabei não publicando antes. Apesar de possíveis mudanças nos preços e regras de visitação, possui uma série de informações relevantes em um texto que lembra um diário sobre essa viagem de 26 dias (de 25/12/2015 a 18/01/2016) passando por Ushuaia, Punta Arenas, Puerto Natales, El Chaltén, El Calafate e ainda uma curta passagem por Buenos Aires. Foram mais de 200 km de trilhas percorridas, sendo o objetivo principal da viagem o circuito O em Torres del Paine. Para ajudar na coleta de informações pelo amigo leitor, aquelas que considero chave ou relevantes estão em negrito. O relato está dividido em quatro partes: I- Informações Gerais; II- Ushuaia a Puerto Natales; III- Torres del Paine - Circuito O; IV- El Calafate, El Chaltén e Buenos Aires. Caso deseje informações mais objetivas ou não deseje ler a totalidade das palavras e devaneios deste que vos escreve, sugiro ler somente a Parte I e esta planilha resumo, além da Seção “Dicas”, da Parte III. PARTE I - INFORMAÇÕES GERAIS Lembro de quando ouvi sobre e vi imagens da Terra do Fogo pela primeira vez em uma reportagem do Globo Repórter. Tinha uns 12 ou 13 anos e o nome Terra do Fogo me pareceu misterioso, místico, atiçando minha curiosidade. Depois de muito tempo habitando minha mente, a viagem começou a tomar forma. Inicialmente programada para acontecer no final de 2014, uma mudança de emprego e de cidade resultou no adiamento por um ano, mas todo o roteiro já estava traçado, sendo necessário apenas atualizar o orçamento e buscar algumas informações adicionais. A essa empreitada, juntaram-se dois amigos do grupo Trekking Brasília: Luzardo Alves e João Paulo Marques Passagens Como minha família passaria o Natal em Campinas, acabei comprando diferentes trechos de voo: Brasília-São Paulo (ida e volta, Gol), São Paulo-Buenos Aires (ida e volta, TAM), Buenos Aires-Ushuaia (ida, Aerolíneas Argentinas) e El Calafate-Buenos Aires (ida). Os trechos São Paulo-Buenos Aires e El Calafate-Buenos Aires foram adquiridos por pontos, sendo o primeiro um generoso e bem-vindo presente de meu pai que estava com vários pontos acumulados e nenhuma perspectiva de usá-los no curto prazo. O trecho Buenos Aires-Ushuaia custou R$ 850,00. Dinheiro/Câmbio Optei por levar dólares, alguns reais e cartão de crédito. Quando comprei as passagens, o dólar estava na casa dos R$ 3,40 e para meu desespero começou a disparar. Atento às projeções pessimistas, e que se concretizaram, fiz questão de comprar dólares assim que possível e consegui comprar a R$ 3,80. Embora muitos recomendem realizar câmbio em Buenos Aires, essa não era uma opção viável dentro de nosso itinerário. Graças às decisões do Macri de acabar com o controle cambial, a cotação oficial do dólar estava US$ 1,00 = AR$ 13,00, nenhuma discrepância significativa da paralela. No dia 25/12 o real estava bem valorizado ante ao peso (R$ 1,00 = AR$ 4,50). Se fosse possível prever, teria levado reais e ficaria uma manhã apenas para cambiar. Nos dias seguintes, entretanto, o real começou a cair. Na região patagônica, levar dólares ou reais seria equivalente pois o câmbio era R$ 1,00 = AR$ 3,50 e US$1,00 = 12,50 a 13,50. No Chile o câmbio estava em média R$ 1,00 = CH$ 180 e US$ 1,00 = CH$ 650 a 700. Mochila Fui com minha Curtlo Mountaineer 60+15 velha de guerra. Excelente mochila. Para uma viagem como essa e para realizar o circuito O de forma autônoma recomendo no mínimo uma mochila de 60 Litros. Como fui com câmera DSLR, duas objetivas e tripé, os 15 Litros a mais foram muito úteis. Nessa viagem apliquei uma dica que li no livro Manual de Trekking e Aventura, do Guilherme Cavallari para proteger a mochila no avião: colocá-la em um saco. Eu usei um saco plástico grosso, mas pode usar um saco de fertilizante ou de batata. São leves e você pode guardá-lo dobrado na mochila. Como algumas companhias aéreas ou não fornecem mais sacos plásticos para embalar a mochila ou fornecem sacos de litragem pequena, recomendo fortemente para proteger tanto a mochila quanto a capa de chuva. Transporte Terrestre Entre as cidades, viajamos por empresas de transporte, mas é completamente possível fazer essa viagem de carona. Conheci várias pessoas que estavam viajando dessa forma e constantemente revia na próxima cidade alguns cidadãos que vi à beira da estrada. Se o amigo leitor dispuser de tempo e vontade, acredito que valha muito a pena não apenas pela economia, mas pela própria experiência em si Disponibilizo aqui link para planilha com o roteiro executado, preços, itens levados. Se tivesse mais alguns dias teria ido a Los Antiguos e a Chile Chico. PARTE II - USHUAIA A PUERTO NATALES O voo para Buenos Aires partiu de São Paulo. Antes do embarque aproveitei para passar no posto médico do aeroporto para ter um parecer sobre um calombo que surgiu na minha coxa esquerda, mas que era apenas uma inflamação dos folículos pilosos, exigindo apenas uso de um antiinflamatório (Profenid 100mg ). Esta é a segunda vez que faço uso dos serviços médicos dos postos dos aeroportos e deixo a dica ao amigo leitor. O atendimento é bom e gratuito. Na sala de embarque encontrei o Luzardo. Partimos de São Paulo no dia 25/12, às 18:30, com uma hora de atraso e chegamos às 20:10 em Buenos Aires, onde encontramos o João. Aproveitamos para fazer câmbio de US$ 100,00 no aeroporto. Luzardo e João pegaram um táxi para dar uma volta em Puerto Madero e eu fiquei no aeroporto. Comi um lanche extremamente caro no piso superior, AR$ 126,00 por uma baguete e uma sprite, e depois fui descansar. Às 4:00 fizemos o despacho das malas e às 5:35 o avião decolou. USHUAIA 26/12. Cheguei em Ushuaia às 9:10. João e Luzardo chegaram cerca de 20 minutos depois. Pegamos as malas, um mapa no balcão de informações e, após apreciar por uns minutos a bela cadeia de montanhas que guarda a cidade, tomamos um táxi para nos levar até o Hostel Antarctica ao custo de $115. Recomendo fortemente o Hostel Antarctica. Ambiente legal, equipe atenciosa e acolhedora, boa estrutura e café da manhã reforçado. Destaque para o fato de que o hostel fornece ovos e o hóspede prepara à sua maneira. A diária estava $260 e o público é variado, viajantes solitários, casais jovens e idosos, famílias, uma das quais me permitiu praticar o alemão durante uma boa conversa. Para esse dia não havíamos planejado nada. Por sugestão do recepcionista do Hostel, acabamos comprando o passeio para a Laguna Esmeralda por volta das 11h, ao custo de $250, ida e volta. Recomendo. É uma trilha leve e o lugar é realmente belo. Quando retornamos ao estacionamento, havia ainda 1h até nosso transfer chegar. Para nossa surpresa, uma senhora que realiza transfers por outra empresa nos viu e ofereceu transporte, de graça e ligou para a outra empresa, e ainda ganhamos croissant e café. De volta à cidade aproveitamos para fazer compras no mercado e garantir nossa janta e almoço para os próximos dias, por preço bem mais em conta que os dos restaurantes. 27/12. Domingo. Grande parte das lojas e mercados fechados, o que impediu-nos de comprar a passagem para Punta Arenas. Cedo pela manhã fui efetuar o pagamento do passeio do Beagle Channel (Islas de los Pájaros, Lobos, Farol e descida na Isla Carello) o qual reservei antecipadamente por email com a Canoero (http://www.catamaranescanoero.com.ar/principal.htm) para as 15:30 daquele dia. Aproveitei para pedir desconto, visto que seriam 3 pessoas e consegui baixar de $750 para $700. $50, não muito no total mas já ajudava em alguma coisa. Dei uma caminhada na cidade ainda adormecida e voltei ao Hostel para encontrar os piás e ir ao Presídio. Presídio. O ingresso custou $150. Já há bastante informação disponível sobre o Museu, me limitarei a dizer que eu gostei e acho um passeio bem válido para se conhecer a história de Ushuaia e da navegação. Detalhe para os mapas e cartas náuticas antigas e a seção dedicada aos Yamanas, povo original da região, já extinto. Beagle Channel. Escolhi o horário da 15:30 por conta da luz começar a perder intensidade nesse horário e não estourar as fotos. No fim, com o tempo nublado ficou ainda melhor. Enquanto esperávamos a partida, Luzardo resolveu brincar que seria fácil fazer novos amigos brasileiros. Ao falar alto “Brasil? Alguém?”, atrás dele havia um brasileiro, Daniel, com o qual fizemos amizade e trocamos ideias sobre os planos de viagem. Ele estava viajando solo, de moto, e iria também para Torres del Paine. Acabou que combinamos dele nos informar por email se as lojas de aluguel de equipamento estariam abertas no dia 01 de janeiro e o preço dos equipamentos. O passeio do Beagle Channel também é bem conhecido e há muita informação disponível a respeito. É um passeio bem tranquilo, padrão, mas vale a pena. O lugar é realmente bonito e instiga a imaginação. O tempo estava fechado e o vento frio. A descida na Isla Carello é interessante para se conhecer o ecossistema e imaginar como os nativos sobreviviam na região. Voltamos à Ushuaia depois das 18 horas. 28/12. Acordamos cedo para garantir as passagens para Punta Arenas. Pensamos em adiantar 1 dia e sair de Ushuaia em 29/12, para chegar em Puerto Natales no dia 31. Depois de rodar todas as agências de viagem (não existe uma rodoviária com balcões das empresas), tivemos que voltar ao planejamento original e compramos para o dia 30/12. Minha recomendação ao amigo leitor é que compre as passagens para Punta Arenas assim que chegar em Ushuaia, se seu planejamento não for flexível. Cerro Martial. Como perdemos a manhã, resolvemos deixar o Parque Nacional para o dia seguinte e fomos ao Cerro Martial. Nos juntamos a outra brasileira, Clara, e pegamos um táxi até a entrada ($135). A vista é bacana e o lugar vale uma visita se você tiver tempo, mas não consideraria um must-see. Pegamos um táxi por $120 até o centro de Ushuaia. Sinceramente, acho que teria valido mais a pena dedicar esse dia ao Parque Nacional, pernoitando lá e subindo o Cerro Guanaco, pois achei um dia pouco para o Parque. 29/12. Parque Nacional Tierra del Fuego. Tiramos o dia para o Parque. Saímos no ônibus das 10 e pouco, mas recomendo sair no primeiro transfer. O custo foi $370 ($270 transfer + $100 tarifa Mercosul). Fomos até o Correio del Fin del Mundo, para em troca de alguns dólares - 2 ou 5, não lembro ao certo - obter o carimbo no passaporte. Lá vimos a lancha sendo carregada com cartas e postais e deixando a margem do lago. Fizemos a Senda Costera, que margeia a Bahia Lapataia. Entretanto não fomos até Puerto Arias, indo somente até a Laguna Negra e retornando no penúltimo ônibus. PUNTA ARENAS 30/12. Ushuaia-Punta Arenas. Saímos cedo para pegar o ônibus para Punta Arenas. Os ônibus saem de um pátio na Av. Maipú, entre as ruas 25 de Mayo e Fadul. Nosso ônibus saiu às 5:30. Viagem longa mas com belas paisagens, clipes de músicas românticas e de sofrência que fariam Pablo sentir inveja, e passagens de fronteira com guardas mais preocupados com seu Whatasapp do que com as imagens do Raio X. Chegamos em Punta Arenas perto das 18h e fomos providenciar Câmbio. Há duas casas de câmbio próximas ao ponto de parada do ônibus. Na verdade, ficam na mesma quadra/rua (Colón) da oficina da Bus Sur. Câmbio feito, fomos providenciar a passagem para Puerto Natales na Bus Sur, ao custo de $6.000. Ao lado do balcão da BusSur há um balcão de empresa de turismo. Nosso plano era fazer a Pinguinera clássica (ilhas Marta e Magdalena), entretanto o atendente nos ofereceu o passeio do Pinguim Rei, dizendo que era mais completo, sendo possível avistar lobos marinhos e baleias. Enquanto a Pinguinera custava $35.000, o passeio do Pinguim Rei custava $60.000 ($12.000 são pagos na entrada da reserva). Com certa relutância mas confiando no vendedor, acabamos comprando o passeio do Pingüim Rei, que na verdade, se mostrou não um passeio mais completo, mas um completamente diferente da Pinguinera e da propaganda feita. Explicarei nos próximos parágrafos. Saímos da BusSur e fomos em direção ao hostel que havíamos reservado, o Samarce House. Depois de andarmos alguns bons minutos e não encontrarmos, resolvemos pedir ajuda em uma lavanderia. A dona da lavanderia foi bastante solícita, tentando inclusive ligar para o hostel, sem sucesso. Ao ver a foto da fachada do Hostel, ela percebeu que se tratava de uma casa ali perto e descobrimos que o endereço na internet estava errado. O Hostel fica, na verdade, na Av. España, 940. Ao chegarmos achamos o local com cara de abandonado, uma perfeita casa para um filme de suspense ou terror, mas o lugar é aconchegante e limpo. O café da manhã é reforçado, servido, pelo menos num dos dias que lá ficamos, pelo próprio senhor Samarce, um sujeito simpático e conversador. A diária lá custou $11,000. Recomendo! Deixamos as malas e pegamos um táxi ($2000) até a zona franca, pois pensávamos em comprar alguma coisa, mas só compramos o gás para Torres del Paine. Confesso que esperava maior variedade de marcas e produtos, mas algumas coisas realmente valem a pena lá, como por exemplo, as barracas Doitê. Aproveitamos e fomos ao mercado ao lado comprar a janta e suprimentos para Torres del Paine, e saímos de lá no fim do expediente. A essa hora há poucos táxis e poucos ônibus. Felizmente demos sorte de encontrar um taxista ainda no estacionamento e voltamos até o centro da cidade ($2350). De lá seguimos a pé até o Hostel e por lá ficamos. 31/12. Eram por volta das 7:30 quando o ônibus que nos levaria à pinguinera chegou. Fomos muito bem recepcionados pelo motorista e dono da agência, um sujeito bonachão, simpático e divertido, e o guia. Passamos buscar os demais participantes e aí seguimos. Como mencionei acima, este é um passeio completamente diferente do oferecido pelo vendedor, e completamente diferente da Pinguinera das ilhas Marta e Magdalena. O passeio foca em dois temas: a história do povo Selknam, um dos povos originais da ilha e exterminado pelos colonos, e no Pinguim Rei. É de fato interessante, mas passa-se muito mais tempo na van do que qualquer outra coisa. Cruza-se novamente o Estreito de Magalhães e retorna-se à Isla Grande de Tierra del Fuego, em direção ao município de Porvenir, onde há um pequeno mas interessante museu. Lá o guia contou sobre a história da região, realmente interessante, mas pesada e sanguinária e não consta nas páginas oficiais do Chile. O povo Selknam foi exterminado com direito à caçada e troca de orelhas, cabeças e seios por dinheiro, tendo a última representante falecido nos anos 60 ou 70. De lá segue-se para a Reserva do Pingüim-rei, com uma parada em uma panificadora, onde comprei uma deliciosa empanada por $1000. A partir daí é estrada e mais estrada, até chegar na reserva, que é privada. O pinguim-rei (Aptenodytes patagonicus) está voltando a colonizar a região da Bahia Inútil após ter sumido devido à caça e captura. Os bichos são realmente belos, sendo a segunda maior espécie de pinguins, atrás apenas do pinguim-imperador, (aquele do filme Happy Feet). Ao contrário da pinguinera clássica, aqui há cercas que delimitam a área onde o turista pode ficar, sendo impossível o contato direto com os animais, o que é positivo para não prejudicar a recolonização e não influenciar o comportamento ou saúde dos animais De lá, retorna-se para Punta Arenas, cruzando novamente o Estreito, o que dessa vez foi recompensador pelos vários golfinhos-de-commerson (Cephalorhynchus commersonii), com seus saltos e mergulhos sincronizados. Minha opinião sobre o passeio: É um passeio interessante, mas caro. Se o amigo leitor dispõe de tempo e dinheiro, ou quer muito ver essa espécie, que vá, pois é uma oportunidade única de vê-la. Caso tenha apenas um dia, como nós, e seu objetivo é chegar mais perto dos animais e tirar selfies, o passeio das ilhas Marta e Magdalena valerá mais a pena, além de ser $25.000 mais barato, um dinheiro que faz falta numa viagem. (http://www.pinguinorey.com/index.php ; http://turismoselknam.cl/) Retornamos a Punta Arenas próximo das 20 horas. Depois de tomar banho e descansar um pouco, começamos a pensar no que faríamos na noite de Reveillion. Decidimos por jantar e depois ir para a festa de virada na avenida. Entretanto, não foi fácil encontrar restaurantes aberto e com mesas disponíveis, pois os poucos necessitavam ter feito reserva. Acabamos encontrando o Submarino Amarillo, na Colón, e por lá ficamos. O local é um bar e restaurante, e também hotel, com temática rock´n´roll clássica e recebe apresentação de bandas. Pedi um salmão com purê de batatas e uma coca-cola, ao custo de $11.700. Indico o lugar. Saímos do bar rumo à concentração de pessoas. O clima no local estava agradável, bastante familiar. No microfone, o mestre de cerimônia animava o público, perguntando volte e meia quem iria “carretear hasta las 5 de la mañana”, ao que o povo respondia alegremente. Depois da contagem regressiva, dos fogos e da comemoração, uma banda local animou a festa, tocando inclusive IlarilariÊ. Para nossa surpresa e contrariando o discurso anterior, às 1h da manhã a música cessou, o mestre de cerimônia encerrou a festa e o povo foi para as suas casas. Voltamos ao hostel, arrumamos as mochilas e dormimos. PUERTO NATALES Partimos de Punta Arenas rumo a Puerto Natales no ônibus das 10 da manhã e chegamos por volta das 13:30. Assim que desembarcamos, fizemos o que todos devem fazer de imediato: providenciar o translado até o Parque Nacional. Apesar de termos planejado iniciar o circuito pela manhã do dia 02, decidimos pegar o ônibus das 14:30 para Torres del Paine, pois ainda precisávamos comprar mantimentos. Tomamos essa decisão tranquilamente pois durante a viagem de Ushuaia para Punta Arenas um holandês que havia feito o O confirmou que, mesmo indo ao parque no ônibus das 14:30, era totalmente possível completar o primeiro trecho ainda com luz. Conseguimos por $12000 negociando na Via Paine (O preço normal é $15000). Negociando desconto em outra empresa, me responderam sarcasticamente que se eu não quisesse comprar não teria problema, pois os ônibus sempre partem cheios, outros comprariam. . De lá caminhamos até nossa hospedagem, Hostal San Augustin, o qual não recomendo. A diária custa $13.500, com café da manhã fraco. O lugar não é ruim, é limpo, confortável, mas o tratamento é péssimo. Além disso, só faltava cobrar para respirar. Cobravam $500 ou $1000 pesos por dia, por mala no locker room. Existem opções melhores, como por exemplo, o Lili Patagonicos, no qual fizemos reserva para quando regressamos do Parque e o qual recomendo fortemente. O preço é $12.000 em quarto com 4 camas e banheiro, café da manhã bastante reforçado, wifi. Ótima estrutura e atendimento. Além disso, o locker room é gratuito e nos permitiram deixar o resto da bagagem lá enquanto percorriamos o Circuito O, obviamente com pagamento de 50% da diária. Lá eles também alugam e compram bons equipamentos para trekking por um bom preço. Almoçamos no Restaurante Marítimo ($9.250 o prato principal mais bebida). Lá também é servido menú completo por $4.000. Recomendo, assim como recomendo outro restaurante, o Carlitos, que serve um Menu mais saboroso e reforçado por cerca de $5.000 se não estou enganado. Depois do almoço no dia 01, fomos até a Kallpamayu, loja na qual reservamos por email a barraca que levaríamos para Paine. A loja é boa e foi uma das que me passou mais confiança. Pegamos uma Doité Aconcágua para 3 pessoas, por $ 6.500,00 o dia (depois de negociar). A barraca era grande o suficiente para nós três e seria uma boa casa para os próximos 7 dias, além de que dividiríamos o peso. No dia 02 pela manhã aproveitamos para comprar o restante dos mantimentos e eu aproveitei para comprar um capacete de escalada também na Kalpamayu, pois o preço estava compensando. Para quem está procurando equipamentos, os preços são bem convidativos. Almoçamos no Carlitos e às 14:30 partimos para o Parque. CONTINUA...
  3. Gosto muito de escrever relatos de viagem (tenho alguns aqui no Mochileiros), mas como já há muitos relatos excelentes aqui e em outros sites, pretendo focar mais em dicas que não são apresentadas geralmente nesses relatos. Todas as dicas são baseadas nas minha experiências pessoais na Patagônia no período de 1 a 18 de dezembro de 2017, passando por Punta Arenas - Puerto Natales - Torres del Paine - El Calafate / Perito Moreno - El Chatén - El Calafate - Rio Gallegos - Punta Arenas. Envolverão questões relativas a planejamento de passeios, deslocamentos, compras de equipamentos, gastos durante a viagem, câmbio de moedas e outros. Espero que elas ajudem bastante no planejamento e na execução com sucesso de sua viagem. Caso queira um roteiro básico ou um mini relato da minha viagem, segue ele aqui em pdf: Viagem realizada - Patagônia.pdf DEFINIÇÃO DE ROTEIRO BÁSICO - A definição do seu roteiro vai depender da quantidade de dias que você terá na região e das suas prioridades (desafios, conhecer apenas os locais principais, conforto etc). Como é possível ver no roteiro acima, fiquei 18 dias na região e o meu roteiro incluiu: circuito O de Torres del Paine, ida ao Perito Moreno e 5 dias completos em El Chatén. Nessa quantidade de dias, eu não alteraria em nada a quantidade de dias definida para cada localidade. Agora se você tiver mais tempo, dá pra esticar pro Ushuaia ao sul ou para as Catedrais de Mármore e região de Aysén ao norte. - Se for fazer o circuito W ou o O (informações sobre os circuitos mais abaixo) ou se for pernoitar em qualquer lugar de Torres del Paine, programe a sua viagem com o máximo de antecedência possível. Isso é importante por conta da necessidade obrigatória de reserva de locais. DICAS DE BAGAGEM E COISAS A LEVAR - Se for fazer o circuito W ou O em Torres del Paine é bom levar barras de cerais, proteína, frutas desidratadas e outros alimentos energéticos de baixo volume e peso na mochila. Comprei no atacado no Brasil e saiu super em conta! < Ouvi dizer que no Chile essas coisas não são caras, mas não sei se a informação procede > - Nunca havia usado bastões próprios de caminhada (só uns improvisados com galhos), mas vou dizer que se fosse dar uma única recomendação, especialmente para quem vai fazer o circuito O, é compre bastões de caminhada! Antes da viagem, procure ver como usá-los adequadamente para não atrapalharem no seu desempenho. < Se não fosse por eles, não teria completado o circuito O de Torres e não teria depois conseguido fazer muitas coisas em El Chatén > (dicas de locais de compra no tópico Punta Arenas) - Se for fazer o W ou o O, leve uma bolsa a mais para guardar as coisas que você não vai precisar no circuito escolhido e deixá-las guardadas no hostel em Puerto Natales. < As minhas ficaram toscamente em sacolas plásticas que se rasgaram com o peso > - Se ligue nos alimentos e produtos com os quais você pode ingressar no Chile. A galera da Aduana quando resolve agir com rigor, é BASTANTE rigorosa. < Tive que abandonar com peso no coração um sanduíche na aduana terrestre entre Argentina e Chile > - IMPORTANTÍSIMO para quem vai cozinhar: leve um fogareiro à gás (lembrando que o butijão de gás não pode ir como bagagem) ou compre um modelo desses em Punta Arenas. Não invente de levar fogareiros à álcool. < Levei um modelo desses álcool e tive a maior dor de cabeça em todos os dias. Isso por que nem na Argentina nem no Chile se vende álcool líquido. Para fogareiros desse tipo, a galera vende um solvente industrial chamado Benzina Blanca. Essa porcaria além de ter um cheiro fortíssimo que fica impregnado em tudo, expele uma fumaça preta que deve ser tóxica e ainda deixa as coisas cheias de fuligem. Dor de cabeça da porra! > MOEDA/CÂMBIO - Achei muito mais vantajoso trocar dólar, ao invés de real, pela moeda local tanto no Chile quanto na Argentina. Entretanto isso só é vantajoso se você comprar bem o dólar no Brasil. Dê uma olhada no ranking de instituições com melhores câmbios no site do Banco Central e em sites de melhor cotação como o Cambiar. - Se puder troque dólares pela moeda local em casas de câmbio de Santiago ou em Buenos Aires (a depender do seu roteiro), exceto nas do aeroporto. - A casa de câmbio logo ao lado do terminal da Bus-Sur em Punta Arenas foi a que eu encontrei com a melhor cotação de pesos chilenos entre todas as que pesquisei em Punta Arenas e Puerto Natales. - É melhor ir trocar dólares ou euros por pesos argentinos em Puerto Natales e possivelmente em Punta Arenas. Em El Calafate e em El Chatén a cotação era 15-20% menos vantajosa. - Se tiver que sacar grana em El Calafate, é melhor ir no cassino local. Cotação: dólar - 17,30 / euro - $20,30. Entrada: $10. Você deve pagar o valor das fichas no cartão, jogar um jogo e depois ao trocar as fichas a casa reterá 5% do seu valor PUNTA ARENAS e PUERTO NATALES - Punta Arenas é a cidade inicial de muitos que estão chegando para conhecer a Patagônia. - Há algumas boas opções de lojas de equipamentos de trekking: La Cumbre, Andesgear, North Face, Lippi e Grado Zero. Por exemplo, na La Cumbre (localizável no Google Maps) e na Grado Zero (em frente a La Cumbre) havia ótimos bastões de caminhada da Black Mountain por aprox. $ 50 mil o par. Para chegar no centro, a opção mais em conta para grupo de 3 pessoas pelo menos é pegar um táxi no aeroporto (3 mil pesos por pessoa). Se estiver sozinho ou apenas com outra pessoa, tente achar alguém para dividir o táxi contigo ou deverá pagar 5 mil pesos para ir de van. - Puerto Natales é a cidade base para ir a Torres del Paine para quem está do lado chileno. É uma cidade bastante agradável com várias opções de restaurantes (caros, assim como tudo na Patagônia). - Tanto em Punta Arenas quanto em Puerto Natales há um grande supermercado da rede Unimarc. É uma boa opção para compras gerais mais em conta. TORRES DEL PAINE PLANEJAMENTO - As reservas deverão ser feitas no site das empresas concessionárias Fantástico Sur e Vértice e se você tiver sorte (e muita antecedência) poderá também reservas locais gratuito para acampamento no site da CONAF. <Minha experiência com a Fantástico Sur foi muito boa. Tive resposta das minhas reservas em uma semana. Porém já não posso dizer o mesmo da minha experiência com a Vértice. Só obtive resposta da empresa sobre as reservas, 25 dias depois de solicitadas e somente depois de mandar comentário público no Facebook denunciando a demora. Pouco antes de eu fazer a minha viagem, eles iniciaram um sistema de reserva online, sem a necessidade de contato por e-mail. Pode ser que agora a resposta seja rápida, porém caso você deseje realizar reservas personalizadas, fora do roteiro que aparece no site, já fica a dica de que eles podem demorar bastante para te responder. Inclusive uma amiga que foi pouco antes e reservou com bem mais antecedência que eu, conseguiu resposta, apenas na semana da viagem dela, de que não tinha conseguido vaga em alguns refúgios. > INFORMAÇÕES GERAIS - Entrada: $ 21 mil pesos - Várias empresas fazem o percurso a Torres del Paine e todas saem às 7h30 ou 14h30 e têm preço de $15 mil pesos por pessoa (ida e volta). - Tanto no caso de fazer o circuito O ou o W quanto no caso de fazer só uma ida às Torres em um dia. Recomendo fortemente pegar o transfer que sai da recepção do Parque (Laguna Amarga) até o camping central - 20 min que evita caminhada em subida monótona de 1h30 (custo $3 mil pesos). - Há três opções para dormir no Parque para quem vai fazer o W ou o O: em barraca própria (ou alugada em Puerto Natales - vi por $ 4 mil a diária), em barraca da empresa concessionária ou em refúgio. Sendo que a razão de valor é de aproximadamente 1 x 2,5 x 3 (barraca da concessionária será 2,5 x mais cara que própria e refúgio será por sua vez 3 x mais caro que barraca da concessionária e quase 8 x mais caro que barraca própria. - Percebe acima, que as diferenças de valores são muito grandes. Eu particularmente se quisesse economizar peso na mochila e dormir com conforto, não pagaria pelo refúgio. Dormiria nas barracas da operadora com tudo incluso (atenção: deverá marcar os itens que deseja quando for fazer as reservas). < Tive que dormir na barraca da concessionária, em uma noite no camping Francés, pois já havia se esgotado os lugares para barraca própria, e vou te falar: a barraca era super espaçosa, a cama super confortável (melhor do que da minha casa. hehehe) e o saco de dormir era excelente! > - É possível pagar por refeições nas bases de apoio, mas isso te custará bastante caro (aprox. R$50 em um café da manhã e mais de R$100 no almoço ou na janta). QUAL CIRCUITO ESCOLHER: O ou W? - Primeiro de tudo: caso ainda não saiba, o circuito O engloba o ciruito W. Se você tem preparo físico e tempo disponível, sugiro fortemente fazê-lo. No primeiro dia do circuito, não verá nenhuma paisagem espetacular, mas, nos dias seguintes, as paisagens serão maravilhosas. Abaixo seguem algumas fotos de paisagens exclusivas do circuito O. QUANTOS DIAS E COMO FAZER O CIRCUITO O? - Acabou que fiz em 7, mas oh considero que isso foi uma tremenda duma burrice. Jamais faria isso novamente. O conselho que dou é faça no mínimo em 8. - Programaria de uma das seguintes formas, considerando apenas os destinos por dia: 1. Para quem vai ficar em camping: a) 9 dias: Serón - Dickson - Los Perros - Paso - Grey - Francés - Francés (neste dia iria até o Mirador Británico e domiria no Francés novamente) - Chileno (ou camping central) - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales b) 8 dias: Serón - Dickson - Los Perros - Paso - Francés - Francés (neste dia iria até o Mirador Británico e domiria no Francés novamente) - Chileno (ou camping central) - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales c) Se tiver que fazer em 7 dias: Serón - Los Perros - Paso - Francés - Los Cuernos (neste dia também iria até o Mirador Británico) - Chileno (ou camping central) - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales 2. Para quem vai ficar em refúgios: a) 9 dias: Serón - Dickson - Los Perros - Grey - Francés - Francés (neste dia iria até o Mirador Británico e domiria no Francés novamente) - Chileno - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales b) 8 dias: Serón - Dickson - Los Perros - Grey - Francés - Francés (neste dia iria até o Mirador Británico e domiria no Francés novamente) - Chileno - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales c) 7 dias: Serón - Los Perros - Grey - Francés - Los Cuernos (neste dia também iria até o Mirador Británico) - Chileno - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales - Observe que não inclui opção de Paine grande em ambos. Primeiramente por uma questão de planejamento, mas também não recomendo para quem vai ficar em barraca, pois pelo que me relataram lá o vento é muito forte, a ponto de carregar barracas bem presas ao chão. - Não há opção de refúgios no Paso e no Italiano, apenas camping. INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE O CIRCUITO O (e algumas que servem para o W também) - Os primeiros dias que envolvem o caminho do camping central até Los Perros são de dificuldade mediana ou fácil (Dickson a Los Perros). Em um trecho ou outro terá um pouco mais de dificuldade. - Em todo o circuito, o dia mais pesado de todos é o que envolve a saída de Los Perros e a ida até Paso (ou até o Grey dependendo do seu roteiro) (fotos abaixo). Logo no início, tem-se uma subida inclinada que passa por dentro de um bosque. Após um tempo de caminhada a área se abre e se caminha com uma leve inclinação até uma primeira subida em terreno pouco mais inclinado. A partir daí a subida fica bastante pesada, com trechos de caminhada sobre gelo (use o bastão com o disco de neve para não correr o risco de quebrá-lo...quase quebrei o meu). A subida finaliza, após 620 m de desnível, em uma vista maravilhosa do Glaciar Grey, a partir daí é só descida bastante inclinada até chegar no acampamento Paso (725 m de desnível - 9 km no total até aqui). Depois são mais 9 km de Paso até o acampamento Grey com muitas subidas e descidas e desnível de 400 m. Pouco depois de Paso, há uma grande ponte pendular. Muito cuidado ao atravessar devido ao vento. Mais cuidado ainda logo após, pois se o vento estiver muito forte, você terá usar o bastão para jogar o corpo para o lado da encosta, fugindo do precípio. Ao longo do caminho, há mais duas pontes pendulares. < Nesse dia, especialmente por conta do impacto na descida, o meu joelho esquerdo inflamou, prejudicando todo o restante da viagem > Fotos de trechos da subida: - Outro trecho que é bem difícil, neste caso tanto para quem vai fazer o O quanto o W ou um passeio de um dia, é a subida a Torres. Bastante inclinada, mas não se compara à dificuldade do trecho de Los Perros a Grey. - Para quem vai no esquema camping com barraca própria, ficar em Paso será reconfortante após o percurso descrito anteriormente. Porém é um camping sem muita estrutura. Não tem chuveiro e o banheiro é do tipo seco, com buraco no chão. Sem contar que suas vagas costumam esgotar bastante rápido. - No campings Dickson e Los Perros há apenas duchas frias. - No trecho de Serón a Los Perros há muitos mosquitos, pelo menos nessa época que fui (possivelmente em outras também). Entenda por muitos mosquitos, muito mesmo! <Vi uma pessoa com um boné que tinha uma rede que cobria todo o rosto e fiquei com uma puta inveja. Acho que é a melhor coisa para se levar em caso de fazer o O. > EL CALAFATE / PERITO MORENO EL CALAFATE - Para chegar a El Calafate, peguei o ônibus da Cootra às 7h30 - o preço era $ 17 mil, mas paguei $ 15 mil após negociar. Só que quem chegou mais cedo conseguiu por $ 11 mil. < E eu achando que tinha me dado bem na negociação. hehehe > - A cidade é bem turística, cheia de lojinhas de lembrança, chocolaterias e sorveterias. Tudo obviamente muito caro! - A princípio fui a El Calafate para fazer o Big Ice no Perito Moreno, mas como o meu joelho ainda estava mal, as funcionárias da Hielo y Aventura acabaram cancelando a minha reserva. < Caso esteja com um probleminha físico pequeno que você tem certeza que não irá te atrapalhar, não informe nada porque a galera é bem rigorosa. Não me responsabilizo por esta ideia errada aqui > - Se você curte cerveja, recomendo fortemente ir no La Zorra (bar próximo ao posto de gasolina). Eles têm ótimas cervejas lá. Só que não são muito baratas. PERITO MORENO - Fomos ao Perito Moreno no Tour Alternativo. Pagamos $680 no hostel onde estávamos hospedados (Hospedaje del Glaciar); em outros lugares era $800. O tour consiste em um passeio guiado (muito bem, por sinal) em uma rota alternativa por estrada de chão com observação de espécies animais ao longo do caminho, parada em uma estância com uma bela localização; trilha de 45 min por um bosque que chega ao lago do glaciar pelo lado oposto à sua face norte; opção de navegação de barco opcional até o glaciar ($500, 1h de duração - pelos relatos acho que não vale a pena); e por fim, 3h para caminhar pela plataforma - retornamos às 16h30. - Outras opções: ônibus regular ($600), táxi ($340 por pessoa em carro com 4, segundo informações de uma pessoa que conheci), carro alugado (mais em conta se houver 4 ou 5 pessoas). EL CHATÉN - Chegando a El Chatén: À tarde, há opções ônibus às 18h por $600 + 10 de taxa de embarque, mas preferimos pegar o ônibus de 19h da Taqsa por $420 + 10 (ótimo ônibus, procure ir na janela para curtir as belas paisagens ao longo do caminho - TENTE NÃO DORMIR) - O principais pontos turísticos de El Chatén certamente são a Laguna de los Tres (laguna com Fitz Roy) e o Cerro Torre. A seguir sugiro duas formas para se conhecer os dois pontos que são do mesmo lado do Parque: a) Em caso de você ter barraca e desejar acampar para economizar uma diária ou mesmo para otimizar o roteiro ou pela experiência de camping, sugiro no primeiro dia ir até o Cerro Torre (com mirador Maestri) e acampar no camping DeAgostini (do lado do Cerro Torre) e no segundo dia ir a Laguna de los Tres passando pela trilha das Lagunas Hija y Madre e depois retornar a cidade pela trilha que passa pela Laguna Capri. Essa rota é preferível, pois no camping Poincenot (mais próximo do Fitz Roy) venta bastante e é mais cheio. b) Em caso de você estar interessada em bate-volta, sem pernoite em camping, recomendo em um dia ir à Laguna de los Tres e em um outro dia ir ao Cerro Torre. No primeiro dia, sugiro pegar um transfer (empresa Las Lengas - $150) até a Hosteria El Pilar e de lá seguir até a Laguna. Por esse caminho, evita-se uma subida mais inclinada que há no caminho partindo diretamente da cidade (não é tão difícil) e ainda se tem uma bela visão do Glaciar Piedras Blancas nesse caminho. Depois sugiro retornar pelo caminho que passa pela Laguna Capri No segundo dia, não há muito segredo. Há apenas um caminho direto. Recomendo ir até o Mirador Maestri para se ter uma visão melhor do Cerro Torre (foto abaixo). - Loma del Pliegue Tumbado: recomendo ir apenas se estiver com tempo sobrando depois de ir em todos outros atrativos. O caminho é longo e parte da visão que terá engloba o que poderá ver nos miradores de Los Condores e Las Aguilas e uma outra parte engloba, já no final do caminho, engloba ver o Cerro Torre de uma outra perspectiva. - Reserva Los Huemules: a reserva fica a aprox. 3 km depois da Hosteria El Pilar na ruta 23. Possui duas belas lagunas (Laguna Verde e Laguna Azul) de trilha fácil e outras duas trilhas mais longas: uma até o Rio Eléctrico e outra até a Laguna Del Diablo. Entrada na reserva: $200, que dá direito a retorno durante o período de estadia em El Chatén. Ônibus Las Lengas por $210 até a reserva (ida e volta). Retorno: saída 8h (se não me engano) e retorno 17h. - Chorrillo del Salto: só vale se você não tiver mais nada para fazer na cidade. RETORNO (de El Calafate a Punta Arenas) - Caso o seu voo de volta seja a partir do aeroporto de Punta Arenas, recomendo fortemente garantir passagem previamente de El Calafate para Puerto Natales. Pode comprar no dia em que for de El Calafate a El Chatén. - Caso aconteça de as passagens se esgotarem, como aconteceu comigo, não se desespere, há opção de uma rota alternativa que sai de El Calafate, vai a Rio Gallegos e depois vai direto a Punta Arenas. De El Calafate a Rio Gallegos: saída 3h da madruga, 4h de duração - empresa Taqsa, $640 / De Rio Gallegos a Punta Arenas (aeroporto), saída às 13h, 4h de duração - empresa El Pinguino, comprada na empresa Andesmar no terminal de El Cafalate. - Duas informações caso tenha que fazer o caminho alternativo anterior: o terminal de Rio Gallegos fica longo do centro da cidade, mas há um Carrefour ao lado, que pode servir como ponto para matar um pouco o longo tempo de espera; e no caso de ir direto ao aeroporto de Punta Arenas, sem ir ao centro da cidade antes, é preciso pedir pro motorista parar na rodovia próximo do aeroporto. Deste ponto até o aeroporto, dá quase 2 km de caminhada. Peça carona sem medo! Acho que são essas as dicas. Espero ter ajudado um pouquinho e estou aberto para qualquer questionamento. =)
  4. Fizemos esta viagem, meu namorado (Manoel Comar) e eu, por conta de umas férias forçadas e pensando que por ser basicamente um trekking e como ficaríamos em camping, seria uma viagem barata (santa ingenuidade Robin). Compramos a passagem saindo de nossa cidade, São José do Rio Preto/SP à Punta Arenas e começamos a correr atrás de informações e tentar alcançar algum preparo físico para a longa caminhada. Levamos os equipamentos para camping daqui e sentimos bastante na hora de organizar a bagagem, pois 23kg cada um era um desafio e ficamos mal acostumados, pois as últimas viagens para trekking ou montanha foram feitas de carro. O lado bom de não haver chuveiro em todo o trajeto, foi levar menos trocas de roupas rs. Desta forma, conseguimos levar toda a comida liofilizada e equipamentos dentro da franquia de bagagem. Chegamos em Punta Arenas dia 16/11 e fomos procurar uma van que havíamos lido no relato que poderia nos levar até a rodoviária da cidade pra tomarmos o bus para Puerto Natales. Nosso primeiro erro. Pegamos a Van, P$ 5.000 cada um e essa van nos deixou na garagem da Bus Sur. Compramos passagem, P$ 6000 cada. Entramos no ônibus e qual não foi a nossa surpresa ao vê-lo parar no aeroporto. Ou seja, gastamos P$ 10.000 sem necessidade, se tivéssemos informação, poderíamos ter tomado o bus no aeroporto para PN. A viagem durou cerca de 3 horas e a paisagem do caminho é a típica chilena, bastante árida. Dormimos parte do caminho, mas só parte, porque depois ficou impossível, tinha um trator ligado atrás de nós, que eu tive quase certeza que era alguém da dupla Cesar Menotti e Fabiano, só num sei qual, só sei que o ronco era altíssimo. Chegamos à rodoviária de PN e fomos tirar as mochilas dos sacos de lixo (embalamos em sacos de lixo preto para não estragar nas esteiras, ou mesmo para as tiras e correias não ficarem presas). Compramos as passagens para o Parque para o dia 18/11, ida e volta para os dois ficou em P$ 30.000, a volta não precisa ser agendada, e fomos procurar o hostel, que era perto da rodoviária. Chegamos ao HostelYemel às 10:30 (Fizemos a reserva pelo booking por causa dos comentários, e foi uma excelente opção. Muito limpo, organizado, bem familiar e confortável. Além de ter um ótimo custo x benefício tratando-se da Patagônia). No hostel deixamos nossas bagagens na recepção, pois o quarto ainda não estava pronto,e fomos comer, pois estávamos sem café da manhã. Demos uma passeada pelo centro até dar a hora do almoço e fomos ao Grey Dog, recomendação da dona do hostel. A comida veio gostosa, mas pra nossa fome foi pouco rs. Para o nosso bolso de mochileiro, a conta foi alta P$ 15.000. Depois disso passeamos mais um pouco, fomos a um mercado, compramos a sobremesa e voltamos ao hostel para o soninho da tarde. Acordamos e fomos passear na orla, aproveitara luz do pôr do sol, às 21:30 . À noite voltamos ao GreyDog e comemos a melhor empanada da nossa vida (e já foram muitas). Mais P$ 18.000. Sobre os preços dos restaurantes, entendemos que a Patagônia não é barata, e para nós que viajamos de modo econômico pode parecer mais cara ainda. Só no dia seguinte percebi que gastamos R$ 180,00 em apenas duas refeições bem simples. Dia 17/11 – Acordamos e tomamos café da manhã. Achei bom pelos padrões chilenos, tinha pão, geleia, queijo e presunto, suco, iogurte e até ovos mexidos feitos na hora. Mais um ponto a favor do Yemel. Neste dia fomos passear pela cidade, saímos do começo da orla até o final, onde fica a estátua do Milodon. Neste dia estava bem nublado, então a luz não favoreceu muito as fotos, mas foi muito gostoso. Dessa vez compramos almoço no mercado, empanadas e pastéis e comemos no hostel. À tarde fomos fazer as compras para a trilha, biscoitos, pão, nutella (pão com nutella foi nosso almoço todos os dias). Bom, fizemos mercado para trilha, já compramos o jantar no mercado e jantamos no hostel. No quarto organizamos nossas mochilas e já organizamos as mochilas que ficariam guardadas no hostel (na volta do trekking também nos hospedamos no Yemel). Dia seguinte acordamos cedo, tomamos o café da manhã e fomos para rodoviária. Saímos 7:20 e chegamos por volta das 9h na portaria Laguna Amarga, descemos, pagamos a taxa de entrada (P$ 21.000 cada) assistimos o vídeo de instrução e tomamos uma van para o camping Central (P$ 3.000 por pessoa). Dia 18/11 – dia 1 - Saída Central – Camping Serón - Saímos para o Camping Serón às 10:10, começa por uma estrada normal, subindo, subindo, e depois de uma hora entramos num bosque. Nesse dia o tempo estava nublado, começou a chover, e como havia lido muito sobre o tempo imprevisível, já fiquei preocupada, colocamos a capa na minha mochila, nessa era o Manoel viu que havia esquecido a capa da mochila dele . Logo entramos em um bosque e o barulho do vento nas árvores era assustador, parecia que estávamos perto da turbina de um avião. Andamos muito nesse bosque, e o caminho era ao lado de uma cerca de arame. Saímos do bosque, andamos por um vale, com um rio, depois entramos em outro caminho arborizado. Neste caminho vimos uma placa indicando que estávamos no meio do caminho e isso deu uma animada. Segundo relatos este dia era um dos mais fáceis, mas subimos bastante e já estávamos cansando com o peso da mochila. Fazia umas duas e meia que estávamos caminhando. Nesse tempo subimos muito, mas agora já tínhamos começado a descer para o vale. Andamos bastante e entramos numa fazendo, tinha gado, e nas cercas tínhamos que subir um tipo de escada, não tinha porteira. Depois do bosque só encontramos um casal no caminho. Haviam passado outras pessoas, mas como estávamos lentos, não vimos mais ninguém. E depois da placa sobre onde estávamos, não vimos mais indicação nenhuma do Seron. Depois da fazenda andamos num estrada e depois de algum tempo notamos que não tinha mais pau laranja ou marcação em lugar nenhum, como estávamos andando há umas cinco horas, ficamos preocupados de ter passado pelo camping. Nesse momento, vimos umas fitas amarelas penduradas em uma árvore mais à frente, felizmente, pois o caminho continuava dentro de uma propriedade, encontramos uns cavalos e seguimos em frente num caminho lamacento, uma hora depois encontramos finalmente a placa do Seron. Andamos mais uns 700 m e o avistamos, às 16:20, seis horas e dez minutos depois da saída. Nem podia mais andar com a mochila. Por um momento, achamos que estávamos perdidos e também pensando, se esse era o dia fácil, imagina os difíceis. Chegamos, fizemos nosso check in. Depois que lemos a notícia no site extremos.com sobre a exigência de reservas para acampar nos campings do CONAF, já fizemos as reservas em todos os campings que ficaríamos. Fomos armar a barraca, tomar banho quente e fazer nossa comida. Neste camping tem dois banheiros com chuveiro quente, com certo espaço, pia pra lavar louça e um lugar abrigado pra cozinhar. Tem também mercado (tudo muito caro como em todos os outros campings), refúgios e refeições pra comprar. Quem pode e quer gastar, acha jeito rs. Comemos, e fomos dormir cedo, dia seguinte seria longo. Dia 2 – 19/11 –Serón ao Dickson - Neste dia não colocamos o relógio pra despertar, acordamos umas 6:30, desmontamos as barracas, tomamos o café almoço e saímos às 9h. O Seron está rodeado por uma vegetação que parece uma savana, e foi assim que continuamos para o Dickson. Eu vendo a savana só pensava no tal puma. Não tinha nenhuma intenção de encontra-lo. Vamos deixando a savana pra trás e começamos a subir, subir e eu a ficar cansada. Logo as pessoas que estavam no Serón começaram a passar pela gente. Vencida as primeiras subidas, com vista linda de lagos, rios, savanas, montanhas, tive o panorama do que nos esperava. Muitas decidas e subidas. O sol estava implacável, muito quente, e isso foi minando minha energia, e tinha que continuar subindo, subindo. Neste momento achei que esse trekking definitivamente não era pra mim. Estava totalmente sem forças, era por volta do meio dia e parava sempre pra descansar. Manoel estava melhor, seguia na frente e eu ficava feliz quando ele parava pra fotografar as flores do caminho para eu dar uma descansada. Finalmente chegamos no final desta subida e avistamos o Lago Paine, uma visão muito bonita, do lago e das montanhas. Sabíamos que depois do lago chegaríamos à Guarderia Coirón e isso significava que era metade do caminho. Comemos uns biscoitos e continuamos. Dei uma animadinha, que durou pouco. O caminho continuou por uma encosta subindo e descendo o tempo todo e quase não havia sombra e eu quase entrando em ebulição de tão quente. E o lago, que parece não tão grande no começo, nunca mais acaba, e você começa a sentir que a metade do caminho está longe rs. Precisávamos parar para almoçar, mas queria chegar ao menos no meio do caminho, ou seja, no Coirón, mas nada de Coirón. Andamos, andamos, acabou a laguna e encontramos uma matinha com um rio e paramos lá para o almoço (pão com nutella e queijo mantecoso). Creio que era perto das 14h. Neste lugar havia uma placa indicando o Coirón. Depois disso andamos mais uns 40min e encontramos a Guarderia, assinamos o nome na lista. Segundo um quadro que estava na parede, estávamos na metade do caminho e o restante seria plano. Aleluia!! O caminho agora era de novo savana, ou seja, muito sol. Um caminho muito bonito. Algumas subidas e descidas, mas bem suaves. Encontramos outra placa daqueles que dizem que faltam tantos km... Usted esta aqui. E depois do primeiro dia, comecei a desconfiar muito dessas placas. Elas abalavam meu psicológico, só pode ter sido um espírito muito fanfarrão quem colocou essas placas pelo caminho, não correspondem à realidade. Pelo menos não a nossa. O dia estava muito bonito e o sol muito forte. Como tem pouca sombra pelo caminho, ficamos muito fatigados com o calor e isso suga energias. Enfim, andamos, andamos, andamos e andamos mais e finalmente temos uma vista espetacular de um glaciar. Nessa hora encontramos o casal que havíamos encontrado indo para o Serón, depois descobrimos que eram Holandeses. Tiramos umas fotos e seguimos em frente. Depois de uns 40 minutos, olhamos à direita e vimos um “grande buraco” lindíssimo, e lá estava o camping Dickson. Parecia uma miragem de tão lindo o lugar. Lago, montanha, glaciar, a área gramada do camping, parece as imagens que vemos da Suíça rs. Mas ainda tinha um bocadito pra descer e chegar até lá. Quando chegamos, fizemos check in e fomos informados de que não tem lugar abrigado pra cozinhar, deveríamos cozinhar nas mesas que tinham pelo camping. E estava a maior ventania. Eu mal conseguia dar um passo. Fomos os últimos a chegar, eram 18:25. Depois de 18km (medida oficial) em 9h25min chegamos ao Dickson. Estava destruída e só não desisti ali, porque tive pavor de voltar por todo aquele caminho. O trecho está previsto no mapa para ser feito em 6 horas. Apesar de sermos os últimos a chegar,muitas pessoas que haviam chegado antes não chegaram tãooo antes assim. Alguns eram trekkers experientes e mesmo assim tiveram um dia difícil. Ainda reunimos forças, calçamos os chinelos e fomos até à margem do lago Dickson. Que visão maravilhosa!! E que frio rs. Ficamos apreciando a paisagem e depois voltamos para armar a barraca, tomar banho e fazer o jantar. No Dickson, tem chuveiro quente, ousei tomar um banho, mas acho que o espaço mede 80x80, não tem onde colocar nada das coisas de banho e por baixo da porta entra um vento muito frio, mas mesmo assim é quente e é banho e um luxo num dia como este. Existe pia na área externa, perto do banheiro que serve pra tudo, escovar dente, lavar as mãos, louça, o rosto. Tem mercadinho e tem um refúgio. Tomamos uns relaxantes musculares/anti-inflamatórios/morfina rs e fomos dormir. 20/11 – dia 3 – Dickson ao Los Perros – Acordamos sem despertador às 7:40. Este dia seria mais curto. E felizmente já conseguia mexer as pernas e quadris que estavam meio enrijecidos no final do dia anterior. Desmontamos tudo, tomamos café e saímos para o Los Perros. Lembra que falei em “buraco” lindo quando avistamos o Dickson? Pois é, temos que subir pra sair dele rs. Começamos a trilha subindo às 10:10. Subimos durante uns 40 min e entramos num bosque. A maior parte da trilha é dentro desta trilha, subidas e descidas não tão ruins como a primeira parte do dia anterior. Este bosque é bem úmido e o calor estava lá pra te lembrar que Torres Del Paine não é brincadeira. Paramos pra almoçar/tomar café num lugar bem agradável, na beira de um rio. Andamos muito e saímos do bosque, e chegamos a um mirante que óbvio, tinha uma vista impressionante, (também tinha uma daquela placas enganadoras, dizendo Usted esta aqui, mas que na verdade diz, você está em algum lugar no caminho e nós não sabemos quando irá chegar até o próximo camping). Andamos mais e mais no bosque e subimos um morro de sucrilhos (aquelas pedrinhas que te levam pra trás quando você dá um passo pra cima. No final dela havia um outro mirante, era o Glaciar Los Perros, super bonito. Mas a paisagem mais bonita, ao menos pra mim, veio depois. Você continua a trilha por uma nano crista, depois desce para o vale e encontra uma lagoazinha de água transparente que eu me apaixonei. Acho que compunha um cenário mais bonito com as montanhas do que o lago anterior. Enfim, andamos por umas pedras que margeava um rio e encontramos finalmente o Camping Los Perros. Eram 17:10. Ou seja, caminhamos 7 horas, o mapa dizia 4,5h. Aceitamos o fracasso e fomos montar a barraca. Afinal, como o dia só terminava às 21:30, ficávamos felizes em chegar antes do sol se por kkk. Los Perros tem guarderia, tem banho frio, tem mercadinho e tem um lugar ótimo pra cozinhar, totalmente abrigado. Tem duas pias pra lavar a mão, louça e todo o resto, dois banheiros, os dois com o vaso entupido. Neste dia teve banho de gato (lenço umedecido), jantamos e decidimos que acordaríamos bem cedo pra enfrentarmos o El Paso. No dia que chegamos no Serón, haviam várias pessoas de mais idade (mais que a gente, que somos já de alguma idade, 34 e 37 anos). Mas tinha um casal que chegou depois da gente e que tinham por volta de 60 anos e não estavam no esquema de refúgio fullboard. Levavam sua própria barraca e comida. No dia do Dickson, o senhor disse ao Manoel que estavam procurando pela gente e tals, o Manoel disse que andávamos muito devagar ele respondeu que o importante era que chegávamos ao mesmo lugar que os outros que andavam mais rápido. Disse também que a dificuldade do Paso era mito. Depois do Los Perros não os vimos mais. Eram muito fortes, andavam rápido, e como os outros gringos, não paravam tanto pra tirar fotos e ver a paisagem como a gente. Neste grupo que começou com a gente deviam ter umas 15 pessoas no regime mais econômico. Essas pessoas mais velhas que vimos no começo, não vimos no Paso, devem ter seguido direto para o Grey.
  5. O Parque Nacional Torres del Paine está localizado na Região de Magalhães ao sul da Patagônia chilena. É considerado um dos mais belos parques nacionais da América do Sul. Tem uma área de aproximadamente 242.000 hectares, na qual se encontra a cadeia montanhosa Del Paine, com as mundialmente famosas Torres del Paine e os não menos conhecidos Cuernos del Paine. Lagos, rios, cascatas e glaciares estão em perfeita harmonia no parque. O circuito "O" em Torres del Paine é o percurso completo de aproximadamente 110 quilômetros, em torno da Cordilheira del Paine, que geralmente é percorrido entre 6 e 10 dias. O Circuito "W" é uma versão abreviada do "O" com uma média 60 Km que é realizado entre 4 e 6 dias. Confira relatos e mais informações sobre este destino acessando as tags:
  6. Introdução "Rumbo al culo del mundo", não me pergunte como chegamos a este nome... Iniciamos a busca por informação em Janeiro ou Fevereiro de 2016, para a viagem que só ocorreu entre os dias 25/12/2016 a 28/01/2017, então sim, tivemos quase um ano de planejamento e isso foi fundamental para que tudo desse certo. Decidi fazer esse relato para retribuir ao site Mochileiros, pois as discussões daqui foram fundamentais para todos os momentos de nossa trip: planejamento da rota, escolha e compra dos equipamentos, escolha de pontos de interesse, dicas em relação à caminhos, etc. Digo "nossa" porque fomos em 5 amigos de longa data: Eu (Heder), Dani (minha esposa), Fernando, Aline, e Hugo. Aproveitamos o embalo criativo e criamos um blog para contar essa trip e algumas outras que já fizemos, confere lá! O blog se chama O QUINTO DIÁRIO e para conhecê-lo é só clicar aqui. Tentarei fazer um relato que seja bastante detalhado e que privilegie as informações que nós não encontramos na internet. Vou colocar bastante foto aqui, mas se quiser ver mais a gente está colocando aos poucos nos nossos perfis do instagram, entrá lá! @danifranzoia @instadoheder Começo então por dois detalhes importantes que delimitaram o "estilo" da nossa viagem: O perfil do grupo e o orçamento. Eu penso que isso pode ajudar a você que está lendo esse relato no sentido de continuar a ler ou não... Eu falo isso porque cada pessoa possui um determinado sentido de conforto e abertura à riscos quando vai fazer uma viagem. No nosso caso, fizemos todo o planejamento e execução no sentido de não depender de agencias de turismo, tentar baratear tudo ao máximo e estar abertos à imprevistos. De um lado, cada ponto de parada e cada lugar visitado foi pensado previamente, mas por outro, não fizemos reservas em hotéis e estávamos abertos à possibilidade de dormir na estrada. Nesse ponto, cabe dizer que a nossa "equipe" era formada por 3 geógrafos, 1 bióloga e 1 farmacêutica. Devo dizer, também, que nós fizemos um esforço gigantesco durante todo o ano de 2016 para guardar dinheiro. Foram muitos meses sem jantar fora, comprando equipamentos parcelados em 1.000.000 de vezes, ao invés de comprar aquele sapato bacana ou aquela blusinha linda, comendo simples e evitando gastar mesmo! A gente pensava duas vezes em todos os gastos, por exemplo, QUE VONTADE DE COMER PIZZA = vamos fazer em casa! Os exemplos são muitos e é incrível como se encontra pontos em que é possível economizar, basta um tanto de esforço e disciplina. O relato estará dividido em algumas partes, mas inicialmente vamos para alguns dados estatísticos e de informação: - 5.000 km rodados em um classic em 5 pessoas. - ~460 litros de bagagem dividido em 5 mochilas cargueiras - 18 cidades conhecidas e 10 em que dormimos - 17 dias de camping - ~280 litros de gasolina - condições climáticas vividas: neve, granizo, ventos de 70km/h, sol, chuva, muito frio, muito calor - geografia: andes, deserto patagônico, bosques patagônicos e andinos, canal beagle, estepes, montanhas, falésias, praias, glaciares, lagos de degelo, campos de gelo, vulcões e derrames de lava, dobramentos, vales de erosão glaciar, estreito, ilhas, península, etc. E o mais impressionante: ~240 km de trilhas feitos na bota, uma boa parte com uma mochila de 18kg nas costas. O relato está organizado em 4 partes: PARTE 1: EL CALAFATE E TORRES DEL PAINE (La O) PARTE 2: PUERTO NATALES, PUNTA ARENAS E USHUAIA PARTE 3: P. N. PALI AIKE, P. N. MONTE LEÓN E LOS ANTÍGUOS. PARTE 4: CAPILLAS DE MARMÓL (MARBLE CAVES), CHILE CHICO E RESERVA LAGO JEINIMENI PARTE 5: EL CHALTEN (Cerro Torre e Fitz Roy) Sobre a rota A nossa rota foi essa: Ela está disponível aqui: https://drive.google.com/open?id=1dAAa-3XBMqDDmtnBNla9IOhFgew&usp=sharing A: El Calafate (2 dias) B: Parque Nacional Torres del Paine (10 dias) C: Puerto Natales (2 dias) D: Punta Arenas (2 dias) E: Ushuaia (4 dias) F: Parque Nacional Monte León/Cidade Comandante Piedrabuena (2 dias) G: Los Antíguos (1 dia) H: Puerto Río Tranquillo (2 dias) I: Reserva Nacional Lago Jeinemeni (3 dias) J: El Chaltén (4 dias) Dos equipamentos: Essa foi a quantidade de equipamento, dividido em duas mochilas cargueiras de 80L: Os equipamentos levados e que considero essencial são os que estão listados abaixo, obviamente que você pode optar por outras marcas, mas se possível leve como mínimo essa listagem: - 1 mochila de 80L Nautika Rush ( dazantiga!! Foi comprada em 2008, quando estava na graduação e fiz questão de fazer essa viagem com ela) e 1 mochila de 75L da Nord (sim aquela da centauro! ). Assim, elas quebraram o galho, mas se você puder investir em uma Deuter, Quechua, Osprey, vale a pena. - 2 isolantes AZTEQ - 1 Aquaflex Curtlo de 3L (tipo camelback) - 2 bastões de trekking (1 quechua simples e 1 argentino) - 1 barraca Quechua QuickHicker T2. (Fantástica!!!! Aguentou firme os ventos patagudos e as chuvas). Nesse equipamento você precisa investir e gastar um tempo aprendendo a montá-la decentemente, vimos muitas barracas simples quebradas por conta do vento e muitas barracas "de marca" quebradas da mesma forma. - NUNCA esqueça das cordas para amarrar a barrada (todas elas). - 2 conjuntos de roupa 3x1 (parte de baixo e de cima) para trekking (Segunda pele, Fleece, Anorak), um da Quechua e outro da Conquista. - 2 calças de trekking da Hard. - 1 bota Finisterre da Vento (que morreu no torres del paine, mas ressuscitei com Silvertape e foi até o fim da trip) - 2 sacos de dormir, um Trilhas e Rumos Inverno (extremo -5) e um Nexxt (extremo -5). Sério, não brinque com isso, você precisa levar um saco de dormir decente para a patagônia, com pelo menos um nível de conforto em 0º e que aguente -5 ou -10. - 12 saquinhos feitos em casa com castanhas e frutos secos. Em trilhas como a do Torres del Paine isso é fundamental! - 14 refeições de comida liofilizada (Usadas no Torres del paine e em El Chalten). Você pode achar bobagem, mas a quantidade de peso que você alivia utilizando esses alimentos é assustadora! Além de ter uma refeição saudável. - Canivete, fogareiro AZTEQ, gorro, lenço para cobrir a boca e queixo, bússola, capa de mochila, lanterna e pilhas, aquecedores de emergência, etc - 1 Nikon D3100 e duas baterias. Do aluguel do carro, documentos, câmbio e dos gastos gerais Alugamos um carro em El calafate pela empresa DUBROVNIK RENT A CAR. Super recomendamos essa empresa, mas El Calafate foi a cidade mais cara de toda a viagem! É possível alugar em outras cidades, por exemplo, Com. Rivadávia, Puerto Natales, Punta Arenas, Río Gallegos, etc. Basta você reprogramar o ponto de início/fim, porque essa rota é circular. Nós negociamos o preço do carro três meses antes da viagem e saiu muuuuito mais barato do que alugar na hora, até porque estávamos em alta temporada. Tivemos que pagar 20% para garantir a reserva, mas atenção, se o valor for negociado em dólares você terá que pagar o restante em dólares quando chegar pra retirar o carro, caso contrário eles te cobram no cambio do dia e você pode sair perdendo grana! Além do valor do carro as empresas costumam cobrar um valor de franquia que fica bloqueado no cartão de crédito, que neste caso foi o do Hugo e o valor foi de ARS 7.000. Com os documentos fique esperto, você precisa conferir se te entregaram junto com o carro os seguintes documentos: - doc. do carro - seguro do carro - ficha de controle para aduanas (em cada paso de fronteira você precisa apresentar esse papel para que eles carimbei sua entrada e saída, no caso de Arg e Chi) - contrato de aluguel A melhor coisa para a Patagônia é você levar dólares ou trocar seus reais em Buenos Aires se tiver a oportunidade. O cambio por lá é terrível para quem vem do Brasil... Pegamos no máximo 4,50 ARS por cada 1 BRL e somente em El Calafate, porque nas outras cidades as casas de cambio não recebem reais e você precisa ficar procurando algum restaurante que aceite a 4/1 ou 3.50/1... é complicado, já te adianto. E no Chile é a mesma coisa, os bancos só trocam dólares por pesos chilenos. No meu caso eu estava mais tranquilo em relação à isso, pois vivo em Buenos Aires com a Dani. Em relação à parte financeira eu vou colocar nesse relato o que Dani e eu gastamos + os gastos divididos por todos. Os valores são aproximados, ok? Total geral por 32 dias: R$ 8.800 (para dois incluindo aéreo desde BsAs até El calafate) Gastos gerais: - Passagens aéreas de BsAs - El Calafate: +-R$ 2.300,00 (para dois, ida e volta) - Aluguel do Classic 2016 por 32 dias: 22.000 ARS ou R$ 4.400,00 (dividido em 5) - A Dani e eu decidimos que tínhamos AR$ 700,00 por dia e para os dois durante toda a viagem, +- R$150,00 para pagar hotel, alimentação, gasolina e passeios - ficamos dentro do orçamento!!! Pode parecer muito o que gastamos, mas essa região do planeta é cara pra caramba e acredite, essa foi uma viagem econômica! Se você pode baratear!? Claro que sim! Você pode pegar caronas, comer macarrão instantâneo direto e mais um monte de coisa... Os valores de hotel, alimentação, passeios e outras coisas, eu vou informando em cada parte, ok!? Como trabalhamos com 4 moedas durante a viagem, as siglas serão essas: USD para Dólar, ARs para Pesos Argentinos, R$ para reais e Ch$ para Pesos Chilenos. Para saber +- quanto vale em reais, divida Ar$ por 5, Ch$ por 200 e o USD estava 3,20. PARTE 1 - EL CALAFATE e TORRES DEL PAINE. De 25/12/2016 até 06/01/2017 El Calafate Saímos de casa para o Aeroparque as 8 da manhã e chegamos em El Calafate junto com o fim do dia. Cabe dizer que nessa época do ano o sol nasce as 5am e se põe as 11pm na patagônia, então fim do dia é as 10pm. Era dia 25/12/16, natal e passamos um nervoso desgraçado porque cancelaram o nosso voo que estava programado para sair as 10am, ele foi sair as 6pm... Escolhemos esse dia porque era muito mais barato. Enfim chegamos em El Calafate e fomos comer uma pizza com o resto do povo que já estava por lá, aliás, eles pegaram uma promoção da Latam, saindo de Crtba, que deu direito de viajar em 1ª classe!!! Coisa que nunca me aconteceu, mas o que me conforta é que eles comeram por mim, disso tenho certeza! No dia 26/12/16 ( Dia 1 oficial) fomos fazer cambio e buscar o carro na locadora DUBROVNIK SRL. Passamos aquele nervoso de acertar os valores e os documentos, mas depois de uma meia hora saímos com o guerreiro Classic para o hostel. Ficamos hospedados no "Camping & Hostal El Ovejero" em El Calafate, pagamos AR$ 150,00 por pessoa/por dia. Sinceramente, não fique hospedado aqui. O atendimento é horrível, as camas não são confortáveis e eles fazem umas trapaças nos valores do café da manhã, onde você paga por um café completo mas recebe uma xícara de café com uma fatia de bolo seco. A única coisa que prestou nesse lugar foi o banheiro, porque nem a internet funcionava direito... El Calafate tem outras opções, tão econômicas quanto, por exemplo a "Hospedaje Guerrero", onde ficamos na volta e é uma hospedagem familiar muito mais agradável. Continuando... Pegamos o carro, passamos no hostel e fomos para o Parque Nacional de los Glaciares visitar o famoso Glaciar Perito Moreno. Aqui está o link do parque. Atenção porque a tarifa de entrada é paga em pesos argentinos! No parque fizemos várias trilhas e ficamos deslumbrados com o glaciar e tiramos centenas de fotos (mal sabíamos que veríamos muitos glaciares durante a viagem). Mas de fato, o glaciar Perito Moreno tem a frente de degelo mais imponente dos campos de gelo (acessíveis) da patagônia. A cidade de El Calafate nos surpreendeu em relação ao alto custo de tudo, é muito caro!! Pior é que tínhamos decido comprar o gás para nossos fogareiros nessa cidade, pois no dia 27 iniciaríamos o Torres del Paine. Resultado: pagamos Ar$ 250 por "botella" grande, enquanto no Torres del Paine estava Ar$150. Pagamos cerca de R$ 60,00 em uma pizza grande, com 1 quilmes de litro e 1 refri pequeno... isso era uma promoção e em um lugar econômico. Torres del Paine 13h – Saída de El Calafate 22h – Chegada na área de acampar do Hotel Las Torres no Parque Nacional Torres del Paine Informações gerais: Fizemos o Circuito Macizo Paine ou "La O + W" como também é conhecido, se resume em contornar o macizo Torres del Paine em um circuito que contempla +- 130 km de Trekking. Do acampamento Serón até o acampamento Grey é a parte mais selvagem do parque e do Paine Grande até o Hotel Las Torres é a parte mais turística e frequentada. Nós entramos no parque pela Portaria Laguna Amarga. Aqui você pode entrar no site do parque nacional. Os acampamentos são administrados por duas empresas e pelo CONAF. ATENÇÃO!!! Para os acampamentos administrados pelo CONAF (autoridade ambiental do chile) você precisa agendar os dias e acampamentos em um sistema de reserva no site deles. Vimos inúmeras pessoas sendo barradas nas guaritas de controle porque não tinham reserva! Os acampamentos do CONAF são gratuitos e essa medida existe por conta da gigantesca procura e para a redução de danos ambientais nas trilhas. As duas empresas são: http://www.fantasticosur.com/pt/ http://www.verticepatagonia.com/es Entrada no parque cobrada pelo CONAF nas portarías: Ch$ 21.000,00 ou 36 USD 27 de Dez – Chegada no Paine, campamento central FANTASTICO SUR 28 de Dez – Camp Central para Serón, FANTÁSTICO SUR 29 de Dez – Serón para Camp Dickson, VERTICE 30 de Dez – Dickson para Camp Los Perros, VERTICE 31 de Dez – Los Perros para Camp Paso, CONAF 1 de Janeiro – Paso para Camp Grey, VERTICE 2 de Janeiro – Grey para Paine Grande VERTICE 3 de Janeiro – paine grande para Camp Italiano, CONAF 4 de Janeiro – Italiano para MIRADOR BRITANICO e depois campamento frances, FANTÁSTICO SUR 5 de Janeiro – frances para camp central, FANTÁSTICO SUR 6 de Janeiro - Ataque para Las Torres – retorno para camp. central e saída. Esse roteiro você pode trabalhar dentro do que acredita que poderá caminhar por dia com uma cargueira de quase 20kg nas costas... O valor das diárias nos acampamentos do paine começa em torno de Ch$9.500,00 os mais baratos, que são da fantástico sur e vão até Ch$12.500,00 os da Vértice. Sim, é caro. Mas você deve considerar que está no meio do nada e ter um banho +- depois de um dia inteiro de trilha é uma benção divina ! Esse é o circuito que fizemos: CAMP. CENTRAL - CAMP. SERÓN (28 de Dez) A área de acampar Las Torres, ou camp. Central tem uma ótima estrutura e provavelmente os melhores banheiros... É a porta de entrada do parque e muita gente só conhece este acampamento. Nós saímos as 11 am e chegamos perto das 7 pm, ou seja caminhamos +- 6h, sendo que a distancia indicada no mapa impresso que recebemos era de 13km, com um desnível de 300 m e um tempo de +-4h de trilha, mas isso não batia com as placas que encontrávamos pelo caminho. Em quase todos os trechos do Paine nós fizemos um tempo de 30% a 50% maior que o indicado, então fique atento com isso. Foi o primeiro dia de trekking e ficamos destruídos, a sensação era de que não aguentaríamos... mas com o passar dos dias percebemos que foi um dos dias mais fáceis. O trecho inicia com uma subida destruidora e quando você chega na parte mais alta, já percebe a potencia dos ventos patagônicos... A Aline que o diga, quase levantou voo!! Logo depois, quando começa a descer os 300m que subiu, o vento é insuportável! Ele te obriga a parar e esperar, várias e várias vezes... É a parte mais alta do trecho e de onde é possível ver o Rio Paine. Logo depois disso o terreno volta a ficar plano e você caminha em meio as margaridas até chegar ao Serón. Nessa parte, a calmaria e as margaridas vão te deixando desesperado, mas calma que logo logo você chega O acampamento Serón tem uma estrutura muito boa, então aproveite. Outra coisa, escolha bem o lugar que vai armar a barraca, se possível, abrigado por alguma coisa (o refúgio Serón, o Banheiro, uma árvore, etc) porque o vento é bem forte. Eles tem uma pequena loja onde é possível comprar alguns alimentos e itens de limpeza pessoal. CAMP. SERÓN para CAMP. DICKSON (29 de Dez) ATENÇÃO! Se você não tiver reserva daqui em diante é melhor nem se arriscar, lhe digo isso porque o CONAF tem um posto de controle entre esses dois acampamentos e eles irão te barrar. Nós saímos as 9:30 am nesse dia. A previsão era de 18km, em +-6h, com uma elevação de 200m. Só esquecemos de perceber que essa elevação era um morro destruidor e que era preciso subir e descer os 200m em 5km. A vista é sensacional! Logo depois da descida passamos no posto de controle Coirón, apresentamos as reservas, assinamos e seguimos para o Dickson. A chegada ao Dickson é uma das paisagens mais bonitas do circuito, porque nela podemos ver ao fundo o Glaciar Dickson, o lago de degelo, o Rio Paine, seu vale e o acampamento. Esse dia foi tranquilo no fim das contas. O acampamento Dickson tem uma estrutura bacana, a área de acampar é bastante abrigada do vento porque fica bem na beira do lago. Tem uma pequena loja onde você pode comprar chocolates, macarrão, molho de tomate, pasta de dente, etc. Aqui tem um refúgio com uma estrutura muito bacana, onde eles oferecem cama, refeições decentes e talz. Obviamente não ficamos nele... CAMP. DICKSON para CAMP. LOS PERROS (30 de Dez) Nesse dia a previsão de caminhada era de 5hrs (11km) com um desnível de 400m. A gente caminha seguindo o Rio Los Perros, na maior parte do tempo em uma trilha super tranquila, bem demarcada e em meio à mata. Na verdade aqui já iniciamos a subido para o temido Paso John Gardner, que será no outro dia. Demoramos quase 8h nesse dia e chegamos bem cansados. Nesse dia o psicológico pegou a Dani porque não estava conseguindo fazer um ritmo rápido e também estava muito cansada. Mas, depois de baixar um pouco o ritmo, comer mais vezes durante a trilha, chegamos!! E de fato esse trecho é complicado, porque é só subida. Quase chegando na Laguna Los Perros o Hugo encontrou uma menina que estava voltando porque desistiu de fazer o circuito, o que era estranho porque o acampamento ficava cerca de 1km da laguna e nesse ponto do circuito, a gente já havia caminhado cerca de 1/3 do "O". Mas como eu disse, esse é um trecho bom para afetar o psicológico da gente. Chegamos na laguna e o Fernando com a Aline estavam esperando a gente. Ficamos lá até o Hugo chegar e seguimos para o camp. Em relação ao acampamento, a única coisa boa foi a área de cozinhar, que tem uma baita estrutura, porque o resto (banheiro e área de acampar) é bem precário! Esse foi o primeiro dia que sentimos forte o frio! E olha que o acampamento fica no meio de uma mata. Ah, nesse dia conhecemos uns indianos muito legais! Demos um pouco de farofa para eles experimentarem e eles adoraram! Um pouco antes, em outra mesa, tinham uns americanos e uns lugares vagos na mesa, eu fui buscar água e a dani foi sentar lá para esperar... Aconteceu que os americanos meio que "expulsaram" ela do lugar, porque "eles haviam reservado". Dá pra acreditar? Fizeram isso com uns chilenos e com uns argentinos também... Acabou que quando eu voltei e a dani me contava o que aconteceu, os indianos livraram uma mesa e nos convidaram para chegar junto. Resumo: a maioria dos gringos (homens) europeus e norte americanos que encontramos eram escrotos, arrogantes e com síndrome de superioridade. Dentre esses gringos, encontramos alguns, poucos, que eram suuuper gente boa, principalmente os italianos. Fomos dormir perto das 9h com o som do gerador de luz, que ficou ligado a noite toda... CAMP. LOS PERROS para CAMP. PASO (31 de Dez) ATENÇÃO! No acampamento Los Perros existe um horário limite para sair e esse horário é as 8 am. Acordamos cedo, dia 31 de Dezembro, saímos no horário indicado com destino ao temível Paso John Gardner. Nesse dia a previsão de caminhada era de 6hrs (8km), com um desnível onde você sobe 600m e desce 800m, sim assustador e desumano. Para a nossa surpresa (Dani e eu), a subida foi muito tranquila, na verdade um dos trechos mais tranquilos na nossa experiência. Agora, a descida... Foi tenso! Antes de se chegar ao topo do Paso nós tivemos o primeiro contato da vida com a neve e obviamente que brincamos como crianças, com direito à bonecos e guerra de neve. Quando se chega ao topo do Paso, é possível ver o gigantesco Glaciar Grey e todo o vale onde ele está entalhado. É uma das coisas mais bonitas que já pude ver na vida. Em relação ao psicológico do time, durante a descida dos 800m, ficou bem abalado. Isso porque demoramos muito para chegar e como as mochilas estavam ainda muito pesadas, os joelhos ficaram destruídos por conta dos degraus. As placas de sinalização também não ajudavam, porque não batiam em nada com os mapas. Mas depois de 12h, chegamos! Montamos acampamento, jantamos e fizemos até um amigo secreto! No outro dia percebemos que a moral do time estava altíssima e renovada com a conquista do paso, mas só percebemos isso depois. Nesse dia tivemos a visita de um zorro gris (raposa) perto da nossa barraca e a equipe do CONAF fez uma costelada para comemorar o ano novo. Esse acampamento é gratuito e o mais selvagem de todo o parque, o banheiro era "cabuloso", acho que essa palavra resume bem. Mas enfim, se está em um lugar como o acampamento Paso, o banheiro é o que menos vai te preocupas... Esqueci de mencionar, esse já era o segundo dia sem chuveiro e consequentemente, sem banho... Até aqui nós encontrávamos pouca gente nas trilhas e rolava sempre uma cumplicidade e respeito entre quem se encontrava, cumprimentávamos, perguntávamos se estavam bem e se precisava de algo. O contrário também ocorria. Nós ficamos um pouco preocupados em relação ao que viria pela frente, pois sabíamos que a partir daqui encontraríamos muito mais gente pelas trilhas. CAMP. PASO para CAMP GREY (01 de Jan) Muita gente não fica no camp. Paso e faz direto o trecho Los Perros - Grey. Isso ocorre porque a estrutura do Paso não é das melhores, por querer fazer o circuito no menor tempo possível, por um montão de coisas. Nós optamos por ficar em todos os acampamentos para que fosse possível descansar e ter tempo para fazer os trechos no nosso ritmo, e essa foi a melhor coisa que fizemos. Nesse dia chegamos no tempo previsto que era de de 5hrs (6km) em uma trilha relativamente plana, que tem umas pontes suspensas iradas. Nesse dia conhecemos um brasileiro, o Tiagão. Ele era viciado em café, levou alguns kg de café e uma cafeteira italiana! Acabou que ficamos amigos e trocamos altas ideias. O acampamento Grey é um dos melhores acampamentos de todo o Paine, os banheiros são sensacionais, o mercado é grande e a equipe que trabalha lá é show de bola! Esse dia minha bota vento não aguentou e descolou a parte da frente... Tive que pedir emprestado um "silvertape" do pessoal que trabalha no refúgio e dar um jeito nela. Na hora da janta rolou uma confusão feia com o Tiago e duas canadenses. Como chegamos cedo, fomos jantar cedo também, por perto das 18h, as 21h a gente já estava dormindo. Depois que terminamos a janta o Tiago pediu emprestado o fogareiro do Fernando, porque o dele tinha estragado, enquanto isso a gente lavava a louça e esperava ele do lado de fora pra tomar aquele café esperto! Deu um tempo e lá vem o Tiago e sua esposa para devolver o fogareiro e tomar o tão esperado café... Na mesma hora vieram as canadenses atras dele: - Hey, hey, you take my gas!!! The gas is mine!!!! E o Tiago nervoso: - O gás é meu p*##@!! Se não vai levar meu gás!!! E as canadenses insistindo que ele tinha pego o gás delas e nessa o povo juntando em volta, cercando para ver o brasileiro que certamente tentou roubar o gás das pobres canadenses. Elas, por sua vez, continuavam incisivas na acusação. Quando tínhamos praticamente todos os mochileiros em volta, o Tiago - muito paciente - resolve dar o gás pra ela e acabar com a cena, mas na mesma hora uma outra amiga delas surge e lembra que esqueceram o gás na barraca... Eu nunca vi alguém passar tanta vergonha na vida, a moça recebeu uma vaia monumental!! É preciso dizer que depois de uns 15min ela veio pedir desculpas e ofereceu uma barra de Milka para fazer as pazes, foi bonito e todxs aplaudiram a cena. Ficamos relembrando disso por todo o resto do Paine, principalmente porque encontrávamos a guria pela trilha. Ela morria de vergonha todas as vezes que isso acontecia. Penso que o aprendizado dela foi gigantesco com essa situação toda. Em relação ao movimento das trilhas foi impressionante o aumento na quantidade de gente e consequentemente o impacto nas trilhas. CAMP. GREY para CAMP. PAINE GRANDE (02 de Jan) A previsão de caminhada nesse dia era de 10km e segundo o folheto do CONAF demoraríamos 3,5h... Fizemos em 4,5h, mas ficamos felizes porque chegamos cedo e daria para almoçar decentemente, tomar um banho longo e ficar de boa durante a maior parte do dia!!! O acampamento e refúgio Paine Grande é um resort se comparado com os outros. Muita gente encerra nesse ponto a trilha, pois a partir dali é possível pegar um catamarã até a "Cafetería Pudeto" e voltar de ônibus para a "Portaría Laguna Amarga" e para o "Hotel Las Torres", ou até mesmo ir embora direto pela administração. É só você se localizar no folheto do conaf que pode ser baixado aqui. Nós tínhamos lido em um tópico do Mochileiros que os ventos castigam as barracas nesse acampamento e tratamos de armar as nossas com todos os cordeletes disponíveis e atrás da caixa d'água - em uma tentativa de se abrigar do vento que deu certo. Não tivemos problemas, mas novamente foi possível ver várias barracas quebrando... A trilha desse trecho é relativamente plana - sobe 200m e desce 200m - e não apresenta muita dificuldade, vamos acompanhando o Lago Grey de um lado e o Cerro Paine Grande (3050m), na altura da Laguna de los Patos o vento é fortíssimo! Pegamos chuva nesse dia também! O mercado, o terreno para camping e o refeitório do Paine Grande são excelentes! Acabamos fazendo duas refeições nesse dia, a nossa liofilizada (lentilha, arroz e batatinha) e um macarrão ao sugo que compramos no mercado (macarrão, molho de tomate e queijo ralado). Para beber, acho que esqueci de falar, levamos sucos Tang para todos os dias e consideramos que foi um grande repositor isotônico! (Os médicos do fórum que me corrijam se estiver errado... haha) Enquanto comíamos eu aproveitei e carreguei as baterias da nikon. O acampamento Paine Grande fica ao lado do Lago Pehoé e de onde armamos a barraca tínhamos essa vista do "Cuernos del Paine" e de um pedaço do Cerro Paine Grande: CAMP. PAINE GRANDE para CAMP. ITALIANO (03 de Jan) O acampamento Italiano é do CONAF e quando saímos do Paine Grande já demos de cara com o posto de controle do CONAF, onde é preciso apresentar as reservas do acampamento Italiano (no celular ou em papel). Tínhamos para esse dia 7,5km que pelo mapa seria feito em 2,5h, com uma subida leve de 200m. Acabou que fizemos um ótimo ritmo nesse dia e chegamos no acampamento Italiano em um tempo de trilha bom, armamos as barracas e quando deitamos para descansar um pouco: uma tempestade de granizo! Sim, primeira vez que pego granizo com a barraca, mas por sorte, o acampamento fica em uma área abrigada por mata... A barracas aguentaram bem e dormimos umas 2 ou 3 horas. Lá pelas 20h fomos jantar no refúgio (precário, mas reconfortante) que estava cheio de gente e disputadíssimo. Os banheiros desse acampamento são muito bons, mas não tem chuveiro disponível, ou seja, mais um dia sem banho. Ah, a Dani teve infecção urinária nesse dia... Quando estávamos voltando pra barraca começou a chuva que se estendeu por toda a noite. Depois que saímos para jantar sentimos um ar muito frio!!! Gelou pra caramba e do nada! Ou melhor, depois do granizo. Essa, definitivamente, foi a noite mais fria de todo o nosso circuito! Chegamos à conclusão de que facilmente a temperatura chegou a graus negativos durante a noite. O acampamento fica ao lado de um rio que está encravado no Vale do Francés e é possível visualizar o Cerro Paine Grande logo na chegada ao acampamento, imponente! E depois da tempestade do dia anterior ele ficou coberto de neve, mais impressionante ainda. No outro dia, depois da noite congelante, nós acordamos com tudo molhado e tivemos que esperar as barracas secarem... A ideia nesse dia era fazer o Mirador Francés e quem sabe o Mirador Británico, voltar e seguir para o Acampamento Francés. Então, desarmamos tudo e montamos as mochilas que ficaram junto ao posto do CONAF (aqui a maior parte das pessoas que fazem a trilha para o mirador Francés deixam as mochilas largadas no chão mesmo, para não ter que subir com o peso) enquanto a gente subia para o Mirador. As mochilas ficam na frente dessa casa e os guarda-parques tomam conta delas. A trilha para o Mirador Británico carece de informações, portanto eu deixo aqui o mapa que está no posto do CONAF: A gente não chegou até o Mirador Británico, fomos somente até o mirador Francés (Mirador Francés e Acampamento Francés são pontos diferentes) e pra gente valeu super a pena! É um trecho de subida forte e nesse momento já estávamos tão cansados que na conta que fizemos não daríamos conta de chegar no Británico. Outra questão é que nesse momento já começávamos a nos irritar com a quantidade de gente nas trilhas, pois essa é uma das "pernas" do circuito W e consequentemente, mais povoado de gente. No Mirador FRANCÉS nevou!!! Foi super legal e a primeira vez que vimos neve em nossas vidas!!! Ficamos um tempo ali, admirando as costas das Torres del Paine, do Cerro Mascara, dos Cuernos del Paine e do Paine Grande. Mas a infecção urinária da Dani pegou forte e descemos correndo todo o trecho!! Foi divertido fazer esse downhill a pé! Chegamos no Italiano e seguimos para o Acampamento Francés em um trecho que demorou cerca de 2h +-, com uma trilha bem agradável. A Aline sentiu as costas nesse dia e teve de descer bem tranquila a trilha. Ainda bem que não seguimos para o Británico! :'> CAMP. ITALIANO para CAMP. FRANCÉS (04 de Jan) Muita gente vai direto do Italiano para o Acampamento Chileno, na outra perna do W ou mesmo para o Acampamento do Hotel Las Torres. Entre eles ainda existe o Refúgio Los Cuernos, mas nele você precisa comprar todo o serviço de refeição para poder acampar... Nós seguimos para o Francés cuja distância era de 2km realizados em 30min conforme a placa de sinalização no Italiano. Penso que essa placa estaca coerente, porque chegamos em 40min, armamos a barraca e fomos logo para o banho! Siiiim tem chuveiro e, definitivamente, foi eleito o melhor banho de todo o parque! Nesse acampamento existem plataformas de madeira para se armar as barracas. Foi minha sorte, pois meu isolante havia furado... Jantamos e fomos dormir cedo de volta para repor as energias, porque no outro dia a caminhada seria muuuito longa. CAMP. FRANCÉS para CAMP. HOTEL LAS TORRES/CENTRAL (05 de Jan) Daqui nós tínhamos duas opções: seguir para o Chileno ou para o Central. Optamos pelo segundo para que no outro dia pudéssemos subir leve para o ataque para as Torres del Paine, ou seja, sem as cargueiras que nessa altura do campeonato já era tipo um suplício! Saímos as 8h da manhã para encarar a trilha de 17km, que pelo folheto seria feita em quase 8h. Acho que nós demoramos umas 10h... Mas isso porque quando estávamos na beira do Lago Nordernskjöld decidimos parar um tempo em uma praia fantástica e ficar apreciando a vista do lago. A Dani e eu chegamos na frente e vimos um casal de gringos chegar, tirar toda a roupa e nadar pelados no lago! A água estava trincando de gelada!! Mas tem louco pra tudo nesse mundo! Bom, ficamos quase 2h ali e fizemos um campeonato de arremesso de pedras, de quicadas de pedras na água, de acertar pedras no ar, etc. Depois percebemos que essa não foi uma boa estratégia, acabamos perdendo muito tempo no lago e no fim, o Hotel Las Torres e a área de acampar não chegavam nunca. Esse trecho da trilha é um sobe e desce desesperador, o desnível máximo é de 200m, mas o que mata é a extensão da trilha... Essa foto da Dani traduz bem o que sentimos esse dia: Chegamos no acampamento central depois do Fernando e da Aline, que já estavam se preparando para ir pro banho. Procuramos um lugar abrigado e erguemos as barracas, logo depois chegou o Hugo e junto com ele uma chuva com muuuuito vento. Deu uma trégua na chuva e decidimos sair para tomar banho e jantar, mas isso já era perto das 21h e o que vimos de barracas (MSR, NatureHike, Hannah, Doite) quebradas no caminho foi de assustar, mas novamente, as nossas (e as The North Face) estavam intactas. Nessa noite o Fernando começou a passar mal e teve desidratação. CAMP. HOTEL LAS TORRES para TORRES DEL PAINE (06 de Jan) Pelo mapa esse trecho teria 18km, sendo 9 de ida e 9 de volta, que seriam realizados em 4,5h cada trecho. Como estávamos leves pensamos que era possível encarar o trecho e o desnível de quase 800m para subir e depois para descer!!! Decidimos sair mais tarde nesse dia, as 10h da manhã. Acabou que o Fernando e a Aline decidiram não ir por conta da desidratação do dia anterior e o Hugo também não foi por conta do seu joelho, que estava pegando. Bom, deixamos as coisas no carro que já estava ali no acampamento e subimos - já era quase meio dia! Chegamos exatamente no tempo indicado no folheto: 4,5h. São duas partes complicadas nesse trecho, a primeira subida, logo de cara e no fim, a subida fortíssima que dá acesso as Torres, depois do acampamento Torres do CONAF de +- 1Km. Mas quando chegamos nas torres podemos contemplar isso: A volta nós fizemos em 3,5h, mas porque decidimos descer correndo - onde considerávamos que fosse seguro. Esse dia estava muito quente e um sol lindo, eu suei feito um cavalo!! Tomamos os 3l do Aquaflex por duas vezes! É possível abastecer a água no Refúgio Chileno, como também almoçar, ir no banheiro, etc. É um refúgio muito bonito e com uma estrutura super! Dali é possível contratar cavalgadas, guias, alugar equipamentos, outros passeios, etc. Como nós vinhamos do circuito "O" achamos um pouco esquisita a quantidade de gente nesse setor do parque. Essa perna do "W" é a mais acessível, então, muita gente vai para o Paine apenas para fazer essa parte da trilha e realizar o registro fotográfico com as Torres. Mas para nós que já tínhamos caminhado mais de 100km, passado vários dias sem banho, vários dias andando em trilhas sem encontrar ninguém, vivenciando a fauna local, os elementos rochosos, com as marcas da cargueira nos ombros, processando o frio que passamos ainda, enfim, aquela paisagem toda, entrar em contato com aquele "turismo consumidor" foi uma experiência diferente. Retornamos e os meninos já estavam esperando a gente perto do Hotel com o nosso Corsinha guerreiro. É isso aí! Completamos o Torres del Paine!!! No fim, todos fomos vencedores e cada um teve a sua conquista própria! A Aline, com seus problemas na coluna, o Hugo e eu com os quilinhos a mais, o Fernando com a asma e a Dani com o sedentarismo! Fizemos mais de 100km de trekking em 10 dias! Logo depois seguimos para Puerto Natales, mas essa será a segunda parte do relato.
  7. Torres: Torre Sul, Torre Central, Torre Norte e Cerro Ninho de Condor Depois de um circuito básico de trilhas em El Chaltén, Argentina (relato em circuito-de-trilhas-em-el-chalten-fitz-roy-e-cerro-torre-argentina-fev-16-t126172.html), era hora de conhecer o parque mais badalado do Chile: Torres del Paine. E, claro, não iria até quase o fim do continente para fazer a caminhada mais curta, chamada de Circuito W. Fui decidido a conhecer o máximo possível do parque, ou seja, fazer o circuito O ou Maciço Paine, como é chamado pelo parque. O parque chama essa caminhada de Maciço Paine pois ela contorna integralmente o grande maciço rochoso (e nevado) do qual as famosas Torres fazem parte. Também são parte do maciço os Cuernos del Paine, outra linda montanha que é igualmente cartão postal do parque. A imagem do Google Earth no final do relato mostra o percurso do Circuito O e ajuda bastante a se localizar nos lugares que vou citar abaixo. Eu completei o Circuito em O em nove dias de caminhada. Tem gente que faz em mais tempo, tem gente que faz em menos tempo, depende do ritmo e do estilo de cada um. Eu podia ter iniciado, assim como a maioria faz, pelo trajeto do Refúgio Torre Central ao acampamento Serón. Esse é o clássico primeiro dia de caminhada do Circuito O. Porém montei uma logística que colocava as famosas Torres no início e no fim do circuito. Explico: se o tempo estivesse perfeito na minha chegada ao parque subiria diretamente às Torres para registrá-las com tempo aberto (e quem sabe um céu azul de fundo). Se o tempo estivesse fechado, daria início ao circuito O (indo diretamente ao acampamento Serón) e subiria às Torres no final. E por sorte o tempo estava muito bom na minha chegada e melhor ainda na manhã seguinte, quando registrei a foto de abertura deste relato. Com essa subida às Torres no início acrescentei 3,9km ao circuito (ida e volta do Refúgio Torre Central até a bifurcação para as Torres) e tive de subir com a mochila muito pesada (com comida para nove dias), porém não podia perder a chance de fotografar as famosas Torres com tempo bom. Outro roteiro seria estender o Circuito O começando a caminhar na administração/centro de visitantes, como vi algumas pessoas fazerem. Esse prolongamento do O iniciando na administração teria como primeiro acampamento o Paine Grande ou o Italiano, e o último acampamento o próprio Paine Grande. Dali eu poderia retornar a pé à administração ou pegar o catamarã para Pudeto. Tanto da administração quanto de Pudeto saem ônibus para Puerto Natales. Mas essa extensão, como deu para perceber, iria quebrar o meu esquema de ter as Torres no início e no final da caminhada (e diminuir a minha chance de ter boas fotos delas). A cidade base para conhecer o Parque Nacional Torres del Paine é Puerto Natales, uma cidade de 19 mil habitantes (2002) bastante pacata mas com um movimento de trilheiros e montanhistas do mundo inteiro. Ela fica a 250km de Punta Arenas (Chile) e 270km de El Calafate (Argentina), os dois aeroportos mais próximos. Eu iniciei a minha viagem pela Patagônia por Punta Arenas pois o preço das passagens aéreas era bem mais em conta do que para El Calafate. Ao longo do relato vou fornecer todos os preços em peso chileno (sigla CLP) e convertidos para real pela cotação média que encontrei nas casas de câmbio de Puerto Natales naqueles dias, ou seja, R$ 1 = CLP 165. Rio Ascencio 24/02/16 - 1º DIA: DE PUERTO NATALES AO ACAMPAMENTO TORRES E MIRANTE BASE DAS TORRES As fotos estão em https://plus.google.com/photos/116531899108747189520/albums/6261388583859334785. Sete empresas de ônibus fazem o trajeto de Puerto Natales ao Parque Torres del Paine, todas com saídas e retornos no mesmo horário (veja mais informações no final deste relato). Eu peguei o ônibus da empresa Buses Gómez. Aqui já dou uma dica. Na hora de embarcar entrei no primeiro ônibus da Gómez que vi na plataforma, o motorista não estava na porta para conferir as passagens de quem entrava. Logo depois das 7h30 todos os outros ônibus partiram e nós ficamos lá parados por um bom tempo. Quando alguns passageiros foram reclamar, o motorista disse que aquele ônibus era das 8h, que o das 7h30 da Gómez já havia partido. Ninguém foi avisado de que havia dois ônibus. Fique esperto e pergunte! A viagem durou apenas 1h34 e na chegada à portaria Laguna Amarga às 9h34 outro contratempo. Nosso ônibus parou e o motorista disse que ninguém podia descer. Lá fora a fila da recepção crescia cada vez mais e nós parados ali. Depois de bastante reclamação entrou uma funcionária do parque no ônibus para nos passar as regras do parque e só então pudemos ir para a fila. A fila andou rápido. Primeiro deve-se preencher uma declaração de ingresso informando que lugares vai visitar. No meu caso assinalei "Circuito Macizo Paine", que é o circuito O, como disse. Depois paga-se a entrada de CLP18000 (R$109) e deve-se assistir ao vídeo de normas do parque. Depois do vídeo a guardaparque repete o mantra: é proibido fazer fogo, é proibido fazer fogo. Essa é a preocupação primeira de todos os funcionários e deve ser de todos que visitam também, visto que vários incêndios (mais de 18 desde 1980) já devastaram áreas enormes do parque. Além da proibição de fazer fogo, outras regras devem ser seguidas à risca, sob risco de expulsão do parque: só acampar nas áreas estabelecidas, só cozinhar nas áreas designadas pelos guardaparques dentro dos acampamentos, não sair das trilhas demarcadas, levar todo o lixo até o fim do trekking (como exceção alguns poucos acampamentos têm lixeiras), respeitar o horário de fechamento das trilhas (sim, existe isso também). Mais uma dica aqui, um alerta: se você for fazer o Circuito O verifique se o funcionário da portaria lhe entregou um tíquete com seu nome e a trilha que você vai fazer. No meu caso, ele não entregou e eu não sabia desse tíquete. Quando cheguei ao posto de controle Coirón o guardaparque me pediu o tíquete para eu poder continuar a caminhada. Eu procurei e não encontrei. Mostrei-lhe a cópia da declaração de ingresso com o Circuito Macizo Paine assinalado e ele me liberou. Mas tive a sorte de pegar um funcionário bem humorado, se pegasse um casca-grossa talvez tivesse problemas. Fique atento e peça esse tíquete! No caso do Circuito O ele tem uma tarja verde. Veja o motivo desse tíquete nas informações adicionais, ao final do relato. Rio Ascencio e Cerro Ninho de Condor Passados os trâmites da portaria, há várias opções dependendo do que você for fazer. Os ônibus de Puerto Natales continuam parados ali esperando quem vai seguir para Pudeto (catamarã para o Paine Grande) e para a administração/centro de visitantes. Um outro ônibus, de circulação interna, leva dali até o Hotel Las Torres em horários sincronizados com o ônibus de Puerto Natales e custa CLP2800 (R$17). Ou pode-se começar a caminhar ali mesmo pelas estradas poeirentas para onde se quiser. Atualização em nov/2016: Importante! para a temporada de 2017 o parque tornou obrigatória a reserva em TODOS os acampamentos, tanto os das empresas concessionárias quanto os administrados pelo próprio parque, que agora passam a contar com reserva online (http://www.parquetorresdelpaine.cl/es/sistema-de-reserva-de-campamentos-1). Lembrando que nos acampamentos gratuitos do parque não se pode dormir duas noites seguidas. Como o tempo estava bom e a visibilidade das Torres era perfeita, decidi seguir diretamente para lá. Havia feito reserva do acampamento Torres no escritório da Conaf em Puerto Natales. Tomei então às 10h22 o ônibus interno (na verdade foi uma van) para o Hotel Las Torres, que foi somente até o Refúgio Torre Central, 1km antes do hotel, em 10 minutos. Segui a pé esse trecho de estrada de rípio, que passa pelo acampamento Las Torres e termina no estacionamento do hotel. Dali em diante só a pé. Caminhei mais 900m por uma trilha larga que foi se estreitando até chegar às 11h14, após a ponte sobre o Rio Ascencio, à bifurcação que vai à esquerda ao acampamento Los Cuernos e à direita aos acampamentos Chileno e Torres (não confunda: o acampamento Las Torres fica próximo ao Hotel Las Torres e dá para chegar de carro e ônibus; o acampamento Torres fica próximo às famosas Torres e só é acessível por 2h45 de trilha). Fui para a direita e aí começou uma longa subida. Altitude de 129m. Tinha na mochila comida para nove ou dez dias e estava bem mais pesada que o habitual. À medida que subo vai se ampliando às minhas costas o grande vale do Rio Paine, com a extremidade leste do Lago Nordenskjold, onde o Paine deságua. Às 12h17, na altitude de 468m, sou surpreendido pela linda visão do profundo vale do Rio Ascencio espremido entre encostas bastante íngremes. Bem distante no vale o telhado do Refúgio Chileno. A trilha segue pela encosta da margem direita do rio, que é a encosta do majestoso Monte Almirante Nieto, e desce bastante. Às 12h38 cruzei a primeira ponte sobre o Rio Ascencio e cheguei ao Refúgio e Acampamento Chileno (altitude de 408m). Hora do almoço. Aproveitei as mesas de picnic para fazer o meu lanche e conversar com outros trilheiros que davam também uma pausa na caminhada. Por indicação do pessoal do refúgio peguei água nas torneiras do banheiro e não no Rio Ascencio. A área de acampamento é grande e parte dela fica sobre plataformas já que o terreno é bem inclinado. Um papel colado na parede do refúgio diz que desde o dia 19 daquele mês a reserva no acampamento tornou-se obrigatória devido ao aumento "explosivo" de visitantes no parque nos últimos meses. Cachoeira exuberante Às 13h13 dei continuidade à caminhada. Cruzei um riacho sobre tábuas e depois a segunda ponte sobre o Rio Ascencio. Do Chileno em diante o caminho se torna bastante agradável, com menos inclinação, mergulhado no aprazível bosque de Magalhães e com vários pontos de água. O bosque de Magalhães é uma imagem que vai ficar na mente depois de nove dias de caminhada pois é uma floresta bastante homogênea, formada basicamente por três espécies de árvores, a lenga, a ñirre e a coigüe, todas extremamente parecidas, ou seja, é uma repetição visual (bastante agradável, diga-se) que marca toda a caminhada. Às 14h15 saio do bosque e a paisagem se abre para a moraina das Torres. Caminho mais 30m e chego à bifurcação do acampamento Torres, onde desço à direita. Mais 50m entro no bosque e lá está o acampamento. Altitude de 588m. Sou recebido pelo simpático e atencioso guardaparque, que me pede o registro no livro e a confirmação da reserva. Novamente as instruções de não fazer fogo, levar todo o lixo embora e somente cozinhar na área coberta ao lado da casa dos guardaparques. Cheguei num bom horário para escolher um ótimo local para montar a barraca. Os acampamentos do parque são gratuitos e têm estrutura bastante básica, por vezes até rudimentar, em comparação com os acampamentos pagos administrados pelas empresas Fantástico Sur e Vértice Patagônia. O acampamento Torres, apesar disso, tem uma casinha com dois banheiros com vaso sanitário e descarga acoplada, além de um lavatório. Não há duchas. Água para beber e cozinhar pode ser pega numa caixa-d'água na parte mais alta do terreno. Montei rapidamente a barraca e segui para as Torres às 15h. A trilha atravessa um trecho de bosque e depois sai numa enorme moraina. Daí a subida se dá a céu aberto e depois por trilha entre pedras até a altitude de 872m, onde fica o lago em frente às famosas Torres, o chamado Mirante Base das Torres. No meio de tanta pedra de todos os tamanhos a sinalização se dá por estacas cor de laranja. Cheguei às 15h46 (parei 5 minutos num riacho) e o vento lá em cima era forte. Mais tarde se tornou bastante frio também. Como já mencionei no relato de El Chaltén, é importante sempre ter na mochila uma roupa de frio a mais e uma roupa impermeável já que o tempo é bastante instável na Patagônia. E ficar molhado num local frio e exposto ao vento como esse é um passo para a hipotermia. Não basta ter uma jaqueta corta-vento, é preciso ter uma impermeável mesmo, como segurança. Mesmo com a jaqueta impermeável que serve como ótimo corta-vento, tive de me esconder atrás de grandes blocos de pedra para fugir do vento gelado e poder admirar as Torres sem tremer de frio. Fiquei ali até 17h06, quando comecei o retorno ao acampamento pelo mesmo caminho, chegando às 18h10 (com muitas paradas para fotos). Acampamento Torres Como havia ainda algumas horas de luz natural segui a indicação do guardaparque e fui até um local 260m ao norte, já fora do bosque e às margens do Rio Ascencio, que dava visão das Torres. Ali deve ser o caminho para o acampamento Japonês, que estava fechado e a trilha interditada a partir do mirante onde parei. Aqui vale comentar que assim como as trilhas de El Chaltén as trilhas do Torres del Paine também estavam lotadas! É gente demais subindo, descendo e se trombando nas trilhas. E isso vai se repetir em todo o percurso do Circuito W, na segunda metade do Circuito O. Nesse dia caminhei 12,2km (mais 520m do mirante às margens do Rio Ascencio). 25/02/16 - 2º DIA: DO ACAMPAMENTO TORRES AO ACAMPAMENTO SERÓN: INICIANDO O CIRCUITO O As fotos estão em https://plus.google.com/u/0/photos/116531899108747189520/albums/6261389638671753681. A temperatura mínima durante a noite foi de 6,0ºC fora da barraca (levei dois termômetros externos com memória para fazer os registros). Às 8h20 fazia 7,1ºC. No horário de sair do acampamento para ver as Torres iluminadas pelo nascer do sol fazia 6ºC fora da barraca e caíam alguns pingos de chuva. Isso somado à ventania gelada que devia estar na moraina me fez desistir de subir de madrugada. Ficou para a próxima... Mas ao ver o dia lindo que estava quando saí da barraca tratei de subir novamente às Torres para fotos melhores do que as do dia anterior. Saí do acampamento às 9h e subi em 37 minutos até o Mirante Base das Torres. A primeira surpresa foi encontrar a trilha vazia naquele horário, muito diferente do dia anterior. Algumas pessoas voltavam do nascer do sol nas Torres, para me matar de arrependimento. Mas felizmente consegui o que mais queria: fotos das famosas Torres com um céu azul espetacular de fundo. Sonho realizado! (porém 15 minutos depois das minhas fotos já não havia mais céu azul, estava tudo cinzento de novo). Às 10h40 estava de volta ao acampamento Torres e conheci o zorro que deve frequentar o local em busca de comida fácil. Ele passeia entre as barracas sem o menor embaraço e não se importa com a proximidade das pessoas. Bosque de Magalhães Desmontei a minha barraca e me despedi do local às 12h10, sendo um dos últimos a sair. Realizada a etapa das Torres, agora era hora de começar o circuito O para valer. Desci pelo mesmo caminho do dia anterior passando pelo Refúgio Chileno às 13h08, pelo Hotel Las Torres às 14h37 (onde há lixeiras recicláveis - me livrei do último lixo que tinha) e chegando à bifurcação do Refúgio Torre Central às 14h50, onde iniciaria o Circuito O. Altitude de 134m. Caminhei 190m à esquerda (norte) na bifurcação e aproveitei a mesa de picnic do Refúgio Torre Norte para o meu almoço tardio. Às 15h18 voltei a caminhar, ainda no sentido norte, pela estradinha de rípio. Em 150m fui à direita na bifurcação (Ecocamp a esquerda) e topei com as primeiras placas de indicação de distância e altitude do circuito. Subi, em 10 minutos cruzei outra estrada e passei por um mata-burro de ferro. Uns 20m depois uma placa à esquerda indica o início da trilha para o acampamento Serón, o primeiro do Circuito O. A sinalização com estacas laranja continua, e permanecerá por todo o circuito. Estava sozinho ali e por quase toda a trilha (mas depois encontrei muita gente no acampamento Serón). À medida que subo a paisagem vai se ampliando para trás e depois à direita, mostrando a planície por onde corre o Rio Paine. Esse rio estará por perto até a chegada ao acampamento Dickson, no final do dia seguinte. O caminho até o Serón será em sua maior parte a céu aberto, com alguns trechos de bosque para dar sombra. A trilha volta a virar uma estradinha após uma porteira à direita. Às 16h46 a primeira visão do local onde está situado o acampamento, no vale plano do Rio Paine e cercado de montanhas. Uma placa indica que estou na maior altitude do percurso, 387m (porém o gps mediu como maior altitude 377m uns 200m antes). Desço suavemente com visão cada vez mais próxima e ampla do vale do Rio Paine. Às 17h30 a estradinha continua à direita e eu vou pela trilha da esquerda seguindo as estacas laranja, mas reencontro a estradinha 20 minutos depois (com marcas de pneu). Desço à esquerda seguindo a sinalização. Passo um quebra-corpo na cerca e ganho enfim o vasto campo avistado durante a descida. Segundo o mapa oficial do parque aqui estou entrando novamente em propriedade privada, assim como aconteceu no trecho entre o Hotel Las Torres e o Refúgio Chileno. Mas essas entradas e saídas entre o parque e as terras particulares são transparentes para quem caminha, praticamente não há placas que indiquem. A trilha se aproxima do Rio Paine à direita e é possível contemplá-lo bem de perto. Às 19h20 chego ao acampamento Serón, com muitas barracas para minha surpresa, mas bastante espaço para montar a minha. Depois soube que cerca de 70 pessoas estavam fazendo o Circuito O junto comigo. Altitude de 162m. O local do acampamento Serón é muito bonito, no vale do Rio Paine porém a uma certa distância dele. Fica todo a céu aberto, sem proteção de árvores. Mas o problema mesmo é a quantidade de mosquitos vorazes, o que obriga a usar um repelente ou ficar enclausurado na barraca. Aliás já no caminho os mosquitos não estavam dando sossego. Deve ser pela ausência total de vento, coisa raríssima na Patagônia. O Serón tem dois banheiros (com papel higiênico), duas duchas quentes, varanda para cozinhar, apenas um tanque para lavar pratos e lixeiras recicláveis pois chega camionete até ali. É administrado pela Fantástico Sur e o preço para estrangeiros é CLP8500 (R$51). É possível alugar equipamentos, porém é recomendável fazer a reserva antecipada pelo site http://www.fantasticosur.com.'>http://www.fantasticosur.com. Não tinham refeições prontas naquela noite mas há uma cozinha industrial. Nesse dia caminhei 22,1km (mais 3,6km de ida e volta para subir pela segunda vez às Torres). Vista do acampamento Serón 26/02/16 - 3º DIA: DO ACAMPAMENTO SERÓN AO ACAMPAMENTO DICKSON, UM DIA DE BELAS PAISAGENS As fotos estão em https://plus.google.com/u/0/photos/116531899108747189520/albums/6261390348881682561. A temperatura mínima durante a noite foi de -4,3ºC fora da barraca, uma noite muito fria e atípica já que todas as outras tiveram mínima acima de 4ºC. Às 8h30 fazia 1,2ºC, mas felizmente amanheceu um dia radiante de sol e céu azul sem nenhuma nuvem. A caminhada de hoje se dará toda a céu aberto, sem bosques e sem sombra. Nesse acampamento conheci o Edward, um americano que estava fazendo o circuito sozinho também e com quem pude praticar um pouco do meu inglês enferrujado. Ele reclamou do frio da noite já que alugou o equipamento em Puerto Natales e o saco de dormir não era para temperatura tão baixa. Eu levei o meu saco Marmot Alpha, de pluma de ganso, de especificação: conforto 2,6ºC, limite -2,8ºC e extremo -19ºC. Em alguns momentos senti um pouco de frio, mas dormi bem. Fui um dos últimos a sair do acampamento Serón, às 11h15. A trilha segue ainda pela planície do Rio Paine, se aproxima dele novamente e por volta de 12h começa a subir a encosta a noroeste (esquerda). Uma lagoa no meio dessa subida rouba a cena e faz esquecer o cansaço da ladeira cada vez mais íngreme. Às 12h56 enfim se atinge o topo, na altitude de 353m, e novamente o queixo cai com a visão maravilhosa das montanhas nevadas refletidas no grande Lago Paine. Parada para contemplação e fotos! A trilha segue pela encosta da montanha à esquerda, descendo suavemente. Às 13h25 passo pela porteira que marca o limite Serón-Coirón, ou seja, estava entrando na área do parque nacional de novo. Em três minutos alcanço a primeira fonte de água do dia (mas diversas outras vão se seguir). A trilha margeia toda a face sul do Lago Paine e depois volta a acompanhar o Rio Paine a distância, sempre subindo-o. Às 14h30 chego à Guarderia Coirón, onde ficam os guardaparques que controlam a passagem dos trilheiros que estão fazendo o Circuito O. Foi aqui que ocorreu o probleminha do tíquete que descrevi acima. Assim como a maioria, fiz uma pausa para um lanche e segui às 15h10. A trilha do Coirón em diante é bastante plana e tem visão à direita de um glaciar distante e à esquerda do Maciço Paine. Às 17h06 alcanço uma área alagada onde foram instaladas passarelas. Picos pontiagudos podem ser avistados na direção sul e se parecem muito com as Torres. E finalmente às 17h44, após uma curta subida, avisto o local cênico onde está o acampamento Dickson, às margens do enorme Lago Dickson e com as montanhas nevadas ao fundo - para fechar com chave de ouro esse lindo dia de caminhada! A chegada se dá por uma descida muito íngreme com terra solta em que é preciso ter bom freio para não despencar morro abaixo. Cheguei ao acampamento às 18h mas não fui um dos últimos, havia muita gente na trilha ainda. Algumas pessoas subestimam o grau de dificuldade da caminhada e acabam sofrendo pelo cansaço, bolhas nos pés, dor nos joelhos, etc. Não é uma caminhada difícil, mas é preciso ter algum condicionamento e equipamentos leves e apropriados para não se tornar um sofrimento. O acampamento Dickson fica a céu aberto também, e exposto ao vento. Como não havia vento algum, podia-se montar a barraca em qualquer lugar sem problema. Algumas pessoas montam a barraca junto às árvores laterais ou mesmo no meio delas, mas nesse dia não havia necessidade. Mas havia o outro lado dessa ausência de vento: o inferno dos pernilongos! Como eu não levei repelente acabei ficando mais tempo dentro da barraca do que fora, era difícil aguentar a nuvem desses insetos enroscando no cabelo, entrando pelo ouvido... O Dickson tem dois banheiros (com papel higiênico), duas duchas quentes, não há casa ou varanda para cozinhar mas deve-se acender o fogareiro apenas sobre as mesas de picnic, dois tanques para lavar panelas e não há lixeiras. É administrado pela Vértice Patagônia e o preço para chilenos e estrangeiros é CLP6000 (R$36). É possível alugar equipamentos, porém é recomendável fazer a reserva antecipada pelo site http://www.verticepatagonia.com.'>http://www.verticepatagonia.com. Altitude de 205m. Uma novidade aqui é o minimercado com enlatados, biscoitos, etc, com preços nada atrativos. Perguntei se tinha pão mas não tinha (aliás não encontrei pão para vender em lugar nenhum e tive de racionar o meu). Como ali há o Refúgio Dickson há possibilidade de ter refeições quentes, porém o funcionário disse para verificar a disponibilidade. O preço da refeição, como em todos os outros refúgios, era bem salgado: CLP7500 (R$45) o café, CLP9500 (R$57) o almoço e CLP12500 (R$75) o jantar. Uma dica na hora do banho é verificar se há outra pessoa na ducha ao lado. Se houver, provavelmente a água vai esfriar nas duas duchas se você abrir a sua. Aconteceu comigo, estava tomando um delicioso banho quente até o momento em que uma pessoa abriu a ducha ao lado... Nesse dia caminhei 18,2km. Lago Paine 27/02/16 - 4º DIA: DO ACAMPAMENTO DICKSON AO ACAMPAMENTO LOS PERROS, UM DIA PELOS LINDOS BOSQUES DE MAGALHÃES As fotos estão em https://plus.google.com/u/0/photos/116531899108747189520/albums/6261406180869174769. A temperatura mínima durante a noite foi de 4,8ºC fora da barraca. Às 8h30 fazia 7,5ºC. Nesse acampamento não vi o Edward, o americano. Só o encontrei no fim do dia e ele me contou que passou bastante mal, provavelmente por causa da água, assim como aconteceu com outros americanos com quem ele conversou. Mas não são só os gringos que sofrem. Conheci em El Chaltén duas garotas de São Paulo que haviam feito o W e tiveram vômito e diarréia numa das noites. Saí do acampamento Dickson às 11h05 e logo a trilha se embrenha no bosque de Magalhães, voltando àquele visual verdejante e repleto de troncos caídos tal qual na subida às Torres no primeiro dia. Além do bosque, uma visão recursiva será do belo Rio de Los Perros, formado pelo degelo do glaciar de mesmo nome. Dentro do bosque logo inicia a subida até o Mirante Vale de Los Perros, de onde avisto o "mar" verde por onde caminharei nesse dia. Imperceptivelmente vou subindo o Rio de Los Perros, sempre dentro do bosque. Às 12h14, após o Mirador Vale de Los Perros, a trilha se afasta um pouco desse rio e sobe o Rio Cabeça de Índio, um afluente, para cruzá-lo por uma ponte de madeira às 12h31. Em seguida me aproximo de novo do Rio de Los Perros e junto a um riacho faço uma pausa de 30 minutos para um lanche. Apesar de a trilha percorrer o vale de vários rios neste dia, água de fácil coleta só é encontrada em dois pontos no meio do bosque. Continuo subindo pelo vale florestado do Los Perros até cruzá-lo às 14h39. Ainda tenho visão de seu bonito curso por aberturas na mata à esquerda, mas logo ele se afasta na direção do Glaciar Los Perros, onde se origina. A próxima ponte será sobre o Rio Passo, às 15h06, e 20 minutos depois saio do bosque e tenho a primeira visão do Glaciar Los Perros. Em mais 17 minutos subo uma de suas morainas e posso fotografá-lo de frente, porém com um vento tão forte que me arranca lágrimas dos olhos. Essa é a maior altitude do dia, 584m. Na direção oeste já avisto o famoso Passo John Gardner, ponto de maior altitude do circuito (1200m) e sujeito a ventos tão fortes que os guardaparques podem fechar a trilha de acesso por segurança. Na direção dele, porém bem mais próximo, há uma moraina seguida por um bosque, exatamente o local em que se situa o acampamento Los Perros. Dali foi só seguir (a céu aberto agora, e com bastante vento) o caminho marcado entre as pedras e chegar às 16h13 ao acampamento. Altitude de 544m. Primeiro fiz o registro com os guardaparques, recebi as instruções e fui encaminhado ao guichê da Vértice Patagônia para pagamento da taxa de CLP6000 (R$36). Como havia muito tempo de luz ainda, fui ver de perto o Lago do Glaciar Los Perros e nessa hora caiu a única chuva (fraca e passageira) que peguei nos nove dias de caminhada. Felizmente o inferno dos pernilongos das duas noites anteriores ficou para trás. O Los Perros tem dois banheiros (sem papel higiênico), duas duchas frias (sim, frias!), uma casa fechada e aquecida para cozinhar, dois tanques para lavar pratos, não tem refeições prontas e não há lixeiras. É possível alugar equipamentos, porém é recomendável fazer a reserva antecipada pelo site http://www.verticepatagonia.com.'>http://www.verticepatagonia.com. Nesse dia caminhei 12km (descontada a ida ao Lago do Glaciar Los Perros). Glaciar Los Perros 28/02/16 - 5º DIA: DO ACAMPAMENTO LOS PERROS AO ACAMPAMENTO PASO E A EXPECTATIVA DO PASSO JOHN GARDNER As fotos estão em https://plus.google.com/u/0/photos/116531899108747189520/albums/6261407630308018129. A temperatura mínima durante a noite foi de 5,4ºC fora da barraca. Às 8h30 fazia 7,2ºC. Quando saí da barraca por volta de 8h30 ou 9h o acampamento estava deserto! Um dos poucos que ainda estavam era o Edward e nos perguntamos por que todos saíram tão cedo já que o acampamento Paso ficava a no máximo 6 horas de caminhada, nada além do tempo dos dias anteriores de caminhada. Seria a expectativa de dificuldades no Passo John Gardner? A resposta viria mais tarde... Saímos do acampamento às 11h e o guardaparque já estava nos apressando pois éramos os últimos. A trilha ainda percorre um trecho de 1,5km à sombra do bosque e já inicia com subida. Mas o pior mesmo são os vários lamaçais de terra preta que devem ser cruzados com muito equilíbrio. Às 11h50 saímos do bosque e tivemos a visão do Passo bem à nossa frente e bem no alto ainda, com o Rio Passo correndo abaixo à direita. Mas logo reentramos no bosque, e assim sucessivamente vamos caminhando pela encosta de pedras e pelos trechos de bosque até que às 12h30 saímos do último bosque e passamos a subir pelo caminho de pedras a céu aberto. Daí em diante é uma subida constante com um ou outro trecho um pouco mais íngreme (tudo sinalizado com a cor laranja) até o Passo John Gardner, aonde cheguei às 13h52. Altitude de 1175m segundo o gps. O vento estava moderado, não atrapalhava o caminhar. Para trás ainda era possível ver entre as montanhas o lago do Glaciar Los Perros. E para a frente a visão estonteante do imenso Glaciar Grey! Comecei a descer devagar e sozinho (o Edward se adiantou) e parei por 20 minutos para um lanche num local com menos vento. Ali fui ultrapassado por um casal que estava vindo direto do acampamento Dickson. Disseram que o guardaparque fechou a trilha assim que eles passaram por causa do horário. Então aqui fica uma dica: se você pretende passar direto por algum acampamento e se adiantar, consulte os horários de fechamento das trilhas, informação que consta no mapa oficial fornecido pelo parque. A descida do Passo John Gardner se dá por uma trilha ainda na moraina, ou seja, entre pedras, até a altitude de 917m, quando reentra no bosque, seguindo dentro dele até o acampamento Paso. Às 16h26, já na altitude de 447m, uma clareira se abre justamente no leito por onde corre um riacho (com uma cachoeira à esquerda) e permite visão espetacular do Glaciar Grey à direita. Um ótimo local para uma pausa. Continuando às 17h11, cheguei ao acampamento Paso em apenas 10 minutos e aí entendi a pressa dos outros trilheiros em sair cedo do Los Perros. Esse acampamento é bem pequeno e tem instalações bastante precárias, por isso a maioria se adianta e vai direto para o acampamento Grey. Mas mesmo quem passa direto deve se registrar com o guardaparque, para segurança. O Paso é administrado pelo parque e portanto é gratuito. Tem apenas uma cabine com buraco no chão como banheiro e não há ducha. O local de cozinhar é coberto e há dois tanques. Os lugares para armar a barraca são pequenas clareiras no meio do bosque. Das muitas barracas que havia nos outros acampamentos ali contei apenas nove nesta noite. Não há aluguel de equipamento e muito menos minimercado. Altitude de 456m. O acampamento fica dentro do bosque mas ali próximo há ótimos mirantes para o Glaciar Grey, é só entrar pelas trilhazinhas e curtir o visual. Um riacho atravessa o local e fornece água fresca e limpa. Nesse dia caminhei 8,5km. Glaciar Grey 29/02/16 - 6º DIA: DO ACAMPAMENTO PASO AO ACAMPAMENTO GREY AINDA COM A INCRÍVEL VISÃO DO ENORME GLACIAR GREY As fotos estão em https://plus.google.com/u/0/photos/116531899108747189520/albums/6261409203645481761. A temperatura mínima durante a noite foi de 4,2ºC fora da barraca. Às 8h30 fazia 4,8ºC. Próximo da casa do guardaparque uma placa indica a trilha para o acampamento Grey. Deixei o acampamento Paso às 11h32. Em apenas 3 minutos a trilha sai do bosque e a vista do Glaciar Grey é magnífica a partir de um mirante. Esse foi o ponto mais alto desse dia, 487m. O dia estava esplêndido, sem uma nuvem. Percorro mais um trecho de bosque e ao sair a céu aberto avisto o Lago Grey, formado pelo degelo do glaciar. Atravesso uma área de árvores mortas, resultado de algum dos vários incêndios ocorridos, e às 12h24 começam as travessias de vales profundos de rios que se formam nas montanhas nevadas que estamos contornando. O primeiro dos vales não é tão fundo, há uma trilha de descida ao riacho, o qual se cruza com a ajuda de um cabo de aço. Na subida há uma escada de ferro como apoio. A trilha continua pela encosta bastante inclinada a céu aberto e num trecho de subida há corrimão como apoio. A visão do glaciar Grey continua incrível e o Lago Grey cada vez mais próximo. Às 13h10 a trilha entra no bosque de novo, desce e anda para trás uns 150m para subir novamente e se abrir para um novo mirante do glaciar. Apenas 200m depois desse mirante, às 13h51, surge o segundo vale profundo, esse o mais fundo de todos, com uma ponte pênsil que causou uma certa tensão pois era muito alta e muito longa. Ao final dela a belíssima vista do Mirador Los Guardas para relaxar e apreciar a paisagem. Logo depois a trilha reentra na sombra do bosque e às 15h10 me deparo com o terceiro vale profundo, este também com uma ponte pênsil, porém não tão alta nem tão longa - ufa! Às 15h25 saio do bosque e já avisto o Glaciar Grey um pouco distante a partir de um mirante. Blocos de gelo que se desprendem dele ficam represados numa enseada formada por uma ponta rochosa. Aliás é possível chegar a essa ponta rochosa a partir do acampamento Grey, que já está próximo. Na chegada ao acampamento Grey às 16h21, ainda com um dia radiante, a boa surpresa foi encontrar uma grande área gramada para montar a barraca, coisa rara no Paine. Com muitas horas de luz ainda, fui explorar os arredores. Primeiro fui conhecer a praia de pedrinhas com icebergs em frente à casa dos guardaparques de onde sai o barco que cruza todo o Lago Grey, depois a praia de onde saem os caiaques e por fim o Mirador Grey, justamente naquela ponta rochosa avistada da trilha. Porém chegar à extremidade não é tão fácil quanto eu supunha e a virada repentina no tempo trouxe um vento muito forte. Me contentei em subir ao ponto mais alto e contemplar a paisagem enquanto o vento deixou. Um grupo saía para remar no Lago Grey com os caiaques e devem ter passado um aperto com aquele vento todo. O acampamento Grey é administrado pela empresa Vértice Patagônia e custa CLP6000 (R$36). Tem uma casa com banheiros separados (masculino e feminino), minimercado e sala para cozinhar. O banheiro masculino tem dois vasos sanitários (com papel higiênico) e duas duchas com água quente apenas das 18h30 às 21h. Mas vale a mesma regra: abriu duas duchas ao mesmo tempo, água fria para todos. O minimercado tem biscoitos doces e salgados, chocolates, cup noodles, atum, leite, refrigerante, pasta de dente. Os preços? O biscoito que em Puerto Natales custa CLP600 ali custa CLP3000... No refúgio é possível ter refeições quentes, mas nem olhei os preços. Há aluguel de equipamentos, porém é recomendável fazer a reserva antecipada pelo site http://www.verticepatagonia.com.'>http://www.verticepatagonia.com. A área de acampamento é bem grande, com o gramado a céu aberto e a parte do bosque com chão de terra batida. Altitude de 64m. A qualquer momento ouve-se o estrondo do Glaciar Grey como um trovão. Nesse dia caminhei 7,2km (mais 3km de ida e volta às prainhas e ao Mirador Grey). Glaciar e Lago Grey 01/03/16 - 7º DIA: DO ACAMPAMENTO GREY AO ACAMPAMENTO ITALIANO COM UMA VISITA AO PAINE GRANDE As fotos estão em https://plus.google.com/u/0/photos/116531899108747189520/albums/6261414189150127841. A temperatura mínima durante a noite foi de 9,6ºC fora da barraca. Às 8h16 fazia 11,6ºC. Uma coisa estava me deixando bastante preocupado: apesar de não ter molhado a bota ou os pés durante todo o percurso, meus dedos estavam cheios de pequenos ferimentos. Estava usando uma bota Vento Finisterre, que passou a ser fabricada com um material chamado pelo fabricante de Nanox, em substituição ao couro natural usado antes. A bota continua muito confortável mas não sei por que motivo apareceram esses ferimentos, que foram aumentando com o passar dos dias. Meu medo era de que o esparadrapo que levei não durasse até o fim do circuito, o que me impediria de continuar caminhando. Vale comentar aqui que a partir desse dia entrei no percurso do Circuito W, cuja extremidade mais distante é justamente o acampamento Grey. E isso ficou evidente pela quantidade muito grande de pessoas na trilha. A caminhada de hoje se dará completamente a céu aberto, reencontrando sombra apenas na chegada ao acampamento Italiano. Às 10h20 saí do acampamento, passei ao lado do grande refúgio e segui a placa de Guarderia Pehoé, que é um posto dos guardaparques a 150m do Refúgio Paine Grande. Em menos de meia hora avisto uma grande cachoeira na parede à esquerda e com mais 10 minutos cruzo por uma ponte o rio que vem dela, o Rio Olguin, formado pelo degelo do Glaciar Olguin. Às 12h05 chego ao Mirador Lago Grey, saindo uns 60m à direita da trilha, mas a visão aqui não é tão impressionante em comparação com o dia anterior. Continuando a caminhada logo atinjo o ponto mais alto do dia, 266m. Às 13h alcanço as margens de um lago realmente bonito, a Laguna Los Patos, um lugar que merece uma parada para contemplação. Após uma longa descida em que cruzei com centenas de pessoas (deu para notar que estava mesmo no Circuito W), chego enfim às 13h53 à bifurcação onde fica a Guarderia Pehoé. Para a direita o Refúgio/Acampamento Paine Grande e à esquerda o acampamento Italiano e a continuação do Circuito O e W. Laguna Los Patos Como ainda era cedo e o Italiano não estava longe, fui conhecer o Paine Grande, administrado pela Vértice Patagônia. O refúgio é enorme e a área de acampamento idem, com preço de CLP7000 (R$42) por pessoa. Há aluguel de equipamento, minimercado, restaurante, duchas quentes de manhã e à noite, banheiros feminino e masculino (com quatro vasos sanitários sem papel higiênico). Os preços das refeições eram: CLP7500 (R$45) o café, CLP9500 (R$57) o almoço e CLP12500 (R$75) o jantar. Um funcionário do refúgio aconselhou não beber da água das torneiras. A altitude ali é de 41m. Descansei e fiz meu lanche nas mesas de picnic do refúgio, assim como tantas outras pessoas fazem, e conheci um casal americano que estava iniciando o Circuito O. Tinham começado a caminhar no dia anterior desde a administração/centro de visitantes e no acampamento Las Carretas tiveram algumas coisas roídas pelos ratos. Dali avistei pela primeira vez os belíssimos Cuernos del Paine, formação rochosa que é uma marca registrada do parque junto com as Torres. À esquerda deles o não menos imponente Cerro Paine Grande. Do Paine Grande sai o catamarã para o Pudeto às 10h, 12h30, 17h e 18h30. Voltei a caminhar às 15h42, retornando à bifurcação da guarderia e tomando a direita. A trilha contorna por pouco tempo o belo Lago Pehoé e logo toma o rumo direto dos Cuernos. Mas havia um excesso de pessoas vindo na direção contrária e quando cansei de trombar com tanta gente parei no primeiro mirante do Lago Skottsberg. Havia um grupo grande de americanos fazendo trabalho voluntário e congestionando ainda mais o caminho. Fiquei ali até a trilha ficar mais vazia (das 16h32 às 17h18) e prossegui. Por mais algum tempo tenho o belo Lago Skottsberg à minha direita e durante o restante do dia a visão dos Cuernos se torna cada vez mais próxima e impressionante. Cerca de 500m depois de entrar no bosque encontro duas pontes em sequência para cruzar o largo Rio do Francês e chegar ao acampamento Italiano, às 19h25. Altitude de 181m. A reserva para o acampamento Italiano foi motivo de algum desencontro de informação. O site do parque (http://www.parquetorresdelpaine.cl/es/avisos) diz que para a "atual temporada" é obrigatória a reserva para os acampamentos Torres e Italiano, só que não diz qual o período exato da temporada. Quando fui ao escritório da Conaf em Puerto Natales reservar esses dois acampamentos o funcionário disse que para o dia 1 de março não era necessário fazer reserva. Porém ao chegar ao acampamento Italiano a reserva me foi cobrada. Tive de explicar o ocorrido em Puerto Natales e pelo horário avançado o guardaparque aceitou que eu ficasse. Por ser administrado pelo parque esse acampamento é gratuito e tem banheiros problemáticos. Sempre havia fila pois quase todos os cinco vasos sanitários estavam com problema. Há um local coberto para cozinhar mas é pequeno para o grande número de pessoas e a maioria cozinha ao lado (já que não se pode cozinhar perto da barraca). Não há duchas e não vi tanque para lavar as panelas. Não há aluguel de equipamento e nem refeições prontas. Água costuma ser coletada no próprio Rio do Francês, com cuidado pois a correnteza é violenta. Nesse dia caminhei 18,5km. Cuernos del Paine e Lago Skottsberg 02/03/16 - 8º DIA: DO ACAMPAMENTO ITALIANO AO ACAMPAMENTO LOS CUERNOS: DIA DO MARAVILHOSO VALE DO FRANCÊS As fotos estão em https://plus.google.com/u/0/photos/116531899108747189520/albums/6261417721408953169. A temperatura mínima durante a noite foi de 8,9ºC fora da barraca. Às 8h42 fazia 9,3ºC. O acampamento Italiano é a base para o bate-e-volta ao Vale do Francês, famoso pela grande beleza de seus mirantes. Como nos acampamentos gratuitos do parque não se pode dormir duas noites seguidas, o guardaparque pede que todos desmontem a barraca antes do passeio. E assim todos fazem, deixando a cargueira encostada na casa dos guardaparques e levando apenas uma mochila de ataque (alguns não levam nada). Eu parti para a subida do Vale do Francês às 9h56. Das imediações do acampamento ainda se tem uma vista espetacular do Cerro Paine Grande. A trilha sai do bosque e o caminho passa a ser de pedras, numa moraina, mas depois adentra outro bosque. O primeiro mirante alcançado é o Mirador Francês (ou El Plateau, segundo a placa), na altitude de 496m, às 10h51, com bonita vista para os lagos Nordenskjold e Pehoé mais ao fundo. Adentro outro bosque e assim se vai subindo suavemente, ora por bosques ora a céu aberto com a visão cada vez mais impressionante das montanhas rochosas e tendo o Rio do Francês à esquerda. Ao final de uma subida íngreme de pedras maiores cheguei ao Mirador Britânico, às 12h31. Altitude de 767m. Já havia bastante gente ali admirando o incrível visual. O mirante se situa no meio de um círculo de montanhas rochosas com o vale do Rio do Francês forrado de extenso bosque que quase galga as montanhas. Um lugar de uma beleza indescritível! E o dia novamente estava magnífico, sem uma nuvem. Lá pelas 13h43, quando estava ensaiando o retorno, ouvi barulho de água muito próxima. Entrei no bosque ao lado do mirante e lá estava um riachinho de água límpida. Com água fresca no cantil, aproveitei para fazer o meu lanche ali mesmo e curtir um pouco mais aquele lugar. Comecei a descer de volta mesmo às 14h29 e às 16h54 estava no acampamento Italiano. Descansei um pouco e parti para o acampamento Los Cuernos às 17h27. Em 11 minutos saio do bosque. A trilha até o acampamento Los Cuernos corre quase toda a céu aberto e muito próxima à montanha Cuernos del Paine. À medida que se avança é possível ver essa montanha por vários ângulos. Às 18h02, atravessando um dos raros bosques desse trecho, cheguei ao cruzamento do acampamento Francês, administrado pela Fantástico Sur. Eu deveria seguir em frente mas subi à esquerda para conhecer a área das barracas e depois desci à direita para ver outras instalações do local, bastante organizado e com pouca gente. As barracas são montadas todas sobre plataformas e o banheiros foram os mais limpos e bonitos que vi em todo o circuito. Esse acampamento é bem mais novo que os outros, pena que não fiquei aí pois o Los Cuernos é o oposto... Continuando, a trilha sobe e ao sair no aberto proporciona bonita vista do Lago Nordenskjold, de águas esverdeadas. O caminho atinge o ponto mais alto às 18h27 (206m de altitude), com uma vista bem ampla do lago, e logo inicia uma longa descida até as margens dele, com uma surpreendente praia de pedrinhas, às 19h16. O caminho continua pela própria praia e ao final dela reaparece a trilha. Às 19h35 cruzo um riacho com uma bonita cachoeira no paredão à esquerda, águas que vêm diretamente dos Cuernos. Às 20h cheguei ao acampamento Los Cuernos e... acho que não merecia terminar um dia tão lindo num lugar tão deprimente. Aquilo parecia uma favela, com barraca montada em tudo quanto é buraco e barranco... gente pra todo lado, muita gente mesmo. Dei muita sorte de encontrar um espaço plano e seco pois até no charco estavam armando barraca. Mas os banheiros felizmente estavam limpos. Reencontrei o casal americano e a garota já estava com bolhas nos pés, mal começado o circuito O. Mau sinal... O acampamento Los Cuernos é administrado pela Fantástico Sur e custa CLP8500 (R$51) por pessoa. No banheiro masculino há cinco vasos sanitários (sem papel) e cinco duchas quentes. Há refúgio, restaurante e uma sala grande para cozinhar, com dois tanques para lavar os pratos. Há lixeiras também, algo que eu não encontrava desde o acampamento Serón. Pode-se alugar equipamentos, porém é recomendável fazer a reserva antecipada pelo site http://www.fantasticosur.com.'>http://www.fantasticosur.com. Altitude de 73m. Nesse dia caminhei 16,2km (11,1km de ida e volta do Mirador Britânico mais 5,1km do Italiano ao Los Cuernos) Mirador Britânico 03/03/16 - 9º DIA: DO ACAMPAMENTO LOS CUERNOS DE VOLTA À LAGUNA AMARGA, ENCERRANDO O CIRCUITO MAS NÃO A MINHA ESTADA NO PARQUE As fotos estão em https://plus.google.com/u/0/photos/116531899108747189520/albums/6261420595284731713. A temperatura mínima durante a noite foi de 9,4ºC fora da barraca. Às 6h45 fazia 10,3ºC. Desmontei acampamento e saí às 7h40 do Los Cuernos para aproveitar o dia de sol e tirar fotos mais bonitas dos Cuernos. Voltei portanto pela trilha até o local da travessia do riacho com a cachoeira e fiz meu café da manhã ali, longe daquela confusão. Tiradas as fotos passei no acampamento para ir ao banheiro e às 9h54 iniciei o último dia de caminhada do Circuito O, que será todo com sol na cabeça, sem nenhum bosque no caminho. Na saída do Cuernos cruzei a ponte sobre o Rio Bader. Além dos Cuernos, a linda vista do Lago Nordenskjold ainda me acompanha. E é ao longo desse lago que passarei boa parte do dia caminhando. Às 10h56 alcanço a maior altitude do dia, 253m. Às 11h47 paro para um descanso de 13 minutos e em seguida cruzo a ponte pênsil sobre o Rio do Arriero. E foi aí que encontrei os primeiros brasileiros nesses nove dias de caminhada, um de São José dos Campos e o outro de Parati. Conversamos um pouco, eles estavam fazendo o Circuito W. Às 12h55 uma bifurcação: à direita para o Hotel Las Torres (meu destino) e para a esquerda um atalho para o acampamento Chileno, a caminho das famosas Torres. Já estou aos pés do Monte Almirante Nieto (lembra-se dele?). Peguei água de um riacho e parei para um lanche por 18 minutos. Na continuação caminhei próximo a um lago com a visão cada vez mais imponente do Almirante Nieto do outro lado. Podia ver pessoas caminhando no atalho para o Chileno, bem junto ao monte. Às 13h43 avistei finalmente o Hotel Las Torres. Mesmo distante ainda, essa visão significava muito, era a confirmação do sucesso da minha missão. Seguiu-se uma longa descida, uma travessia de rio pelas pedras e às 14h14 reencontrei a trilha pela qual subi ao acampamento Torres no primeiro dia. Cruzei a ponte sobre o Rio Ascencio e passei pelo Hotel Las Torres às 14h31. Não sabia mas podia ter esperado o ônibus ali mesmo. Como na minha chegada a van foi só até o Refúgio Torre Central, então caminhei mais 15 minutos até ele. Altitude de 137m. Cuernos del Paine O ônibus só chegaria às 16h, então tentei uma carona para a portaria Laguna Amarga, mas foi em vão. O ônibus chegou no horário, entrei nele e para minha surpresa ele foi até o hotel. Deu um tempo ali e partiu para a Laguna Amarga às 16h11, chegando às 16h25. A passagem custou CLP2800 (R$17). Na portaria Laguna Amarga havia vários ônibus vindos de Puerto Natales e aproveitei minha passagem para ir até o acampamento Pehoé a fim de passar mais uma noite dentro do parque. Minha passagem era da Buses Gómez mas me direcionaram para um ônibus de outra empresa pois somente ele iria além da parada Pudeto. O ônibus partiu às 16h37 e às 17h28 eu descia em frente à recepção do acampamento Pehoé. Fui recebido pelo funcionário que me deu a má notícia de que o acampamento custava CLP10000 (R$60), mas era "o mais caro porque era o melhor do parque". E realmente é um local muito agradável e tranquilo, com vista magnífica do Maciço Paine, com destaque para os Cuernos. Ventava bastante ali e tratei de montar minha barraca num lugar bem protegido entre as árvores. Montei-a rapidamente e aproveitei o restante da tarde para conhecer um ótimo mirante próximo, o Mirador Condor. O rapaz me ensinou o caminho a partir do quiosque 37 ou 38 do próprio acampamento, mas depois descobri que há outra trilha partindo da estrada. Às 18h saí da recepção, na altitude de 41m, cruzei a estrada e caminhei entre os quiosques numerados até encontrar o início da trilha. A subida não é difícil, apesar de se tornar cada vez mais íngreme. O único porém naquele dia foi o vento forte ao chegar a uma área mais exposta no alto, quase no topo. Depois de uma ladeira de pedras soltas cheguei ao cume às 18h25. Altitude de 283m. Ventava demais, a ponto de perder o equilíbrio, mas a vista era espetacular do Maciço Paine com o Lago Pehoé abaixo. O Maciço visto dali abrange o Cerro Paine Grande, o Vale do Francês, os Cuernos del Paine e o Monte Almirante Nieto. Dá até para ver a pontinha das Torres! Comecei a descer às 18h56 e tomei a direita numa bifurcação que havia percebido na ida. Esta outra trilha tinha as estacas laranja de sinalização do parque, devendo ser o caminho "oficial", o que foi comprovado quando cheguei à estrada às 19h19 e vi a placa de indicação do início da trilha do Mirador Condor. Nas imediações havia ainda o Salto Chico para visitar, mas meus pés estavam doendo bastante, com muitas feridas e muitos esparadrapos, então deixei para o dia seguinte. Circulei pelos arredores do acampamento e pelas margens do Lago Pehoé para mais algumas fotos. O acampamento Pehoé é um lugar completamente diferente dos acampamentos dos circuitos O e W. Ali as pessoas vão para descansar, curtir a paisagem, tirar fotos dos mirantes. É administrado pela empresa francesa Sodexo. O espaço é muito amplo e dividido em 50 quiosques numerados, cada um com uma mesa de picnic onde se pode cozinhar e uma churrasqueira de alvenaria. Felizmente ninguém estava assando carne por ali porque não gosto do cheiro. A recepção fica do lado direito da estrada para quem vai para a administração/centro de visitantes, junto com uma parte dos quiosques e um banheiro. Do lado esquerdo da estrada fica o restante dos quiosques e outro banheiro. No banheiro do lado da recepção há três duchas quentes 24 horas e três vasos sanitários (com papel higiênico). Do lado de fora há quatro pias para lavar os pratos. Há diversas lixeiras espalhadas. Na recepção há minimercado com guloseimas caras à venda e ao lado um restaurante que não sei se estava servindo refeições devido ao número reduzido de pessoas acampadas. Existe também a Hosteria Pehoé, mas fica a 1,6km dali. Nesse dia caminhei 12,4km para terminar o Circuito O, o que totalizou 127,3km já descontados os percursos que fiz como passeios no início e final de cada dia (inclusive a segunda subida às Torres). Lago Nordenskjold e Cerro Paine Grande 04/03/16 - SALTO CHICO, CENTRO DE VISITANTES E O RETORNO A PUERTO NATALES As fotos estão em https://plus.google.com/u/0/photos/116531899108747189520/albums/6261421068899590369. A temperatura mínima durante a noite foi de 10ºC fora da barraca. Às 8h25 fazia 11,1ºC. O dia amanheceu com muitas nuvens mas tive a sorte de pegar o sol nascente batendo nos paredões do Maciço Paine, um espetáculo digno de muitas fotos. Deixei a barraca montada e fui conhecer o Salto Chico, a apenas 1,4km do acampamento. Saí às 8h52. Caminhei 800m pela estrada no sentido da administração e entrei na primeira bifurcação à direita, local do estacionamento para visitantes da cachoeira e acesso ao Hotel Explora. Mais 170m e entrei à esquerda na trilha, na verdade um caminho em forma de passarela suspensa de madeira. Dali vejo o Hotel Explora acima à direita. O caminho de madeira desce e se aproxima do lago formado abaixo do Salto Chico, o qual alcanço às 9h15. Não é nenhuma cachoeira impressionante mas as águas esverdeadas do Lago Pehoé com o Maciço Paine ao fundo formam um bonito cenário (muito mais se tivesse sol). Continuei caminhando pela passarela, que terminou bem ao lado do hotel. Dali foi só voltar ao estacionamento e ao acampamento. Desmontei a barraca e fiquei esperando bastante tempo pelo ônibus. Minha intenção era terminar a minha estada no parque conhecendo o centro de visitantes, como sempre gosto de fazer. O ônibus enfim passou às 11h44 e após 16 minutos desembarquei em seu ponto final na administração/centro de visitantes. Dali há visão mais limitada das montanhas do parque mas o Lago Toro é um belo atrativo. O centro de visitantes vale a visita pois tem bastante informação sobre a história, fauna, flora e geologia do parque, além de uma maquete e um mapa bem detalhado. O ônibus para Puerto Natales partiu do centro de visitantes às 13h, chegou ao Pudeto (catamarã para o Paine Grande) às 13h26 (onde muita gente embarcou), saiu às 13h34, chegou à portaria Laguna Amarga às 14h05 e deixou o parque às 14h30. Com uma parada de 30 minutos em Cerro Castillo, às 16h47 eu estava de volta a Puerto Natales. Lago Pehoé, Cuernos del Paine e Monte Almirante Nieto vistos do acampamento Pehoé ao amanhecer Informações adicionais: O site oficial do Parque Nacional Torres del Paine é http://www.parquetorresdelpaine.cl. É importante acompanhar o informe diário no link http://www.parquetorresdelpaine.cl/es/avisos para saber sobre a condição atual das trilhas e acampamentos, que podem ser fechados e reabertos de acordo com as condições de tempo e outros fatores. Atualização em nov/2016: Importante! para a temporada de 2017 o parque tornou obrigatória a reserva em TODOS os acampamentos, tanto os das empresas concessionárias quanto os administrados pelo próprio parque, que agora passam a contar com reserva online (http://www.parquetorresdelpaine.cl/es/sistema-de-reserva-de-campamentos-1). Lembrando que nos acampamentos gratuitos do parque não se pode dormir duas noites seguidas. Outra norma implementada pelo parque este ano (desde 15/02/16) é a restrição do número de pessoas a no máximo 80 por dia no Circuito O "com o objetivo de regular o alto fluxo de visitantes à área de montanha". Na mesma data o parque estabeleceu para o Circuito O o sentido anti-horário como o único permitido, como eu fiz. Mais detalhes em http://www.parquetorresdelpaine.cl/es/noticias/conaf-limita-acceso-diario-a-circuito-macizo-paine. A empresa Fantástico Sur (http://www.fantasticosur.com) administra os acampamentos Chileno, Serón, Francês, Los Cuernos e Las Torres. A empresa Vértice Patagônia (http://www.verticepatagonia.com) administra os acampamentos Dickson, Los Perros, Grey e Paine Grande. No site delas é possível fazer reserva de vagas e refeições (quando houver), bem como alugar equipamentos (barraca, saco de dormir e isolante). O parque administra os acampamentos Torres, Paso e Italiano. Não há aluguel de equipamentos nos acampamentos administrados pelo parque, mas pode-se alugar em Puerto Natales ou mesmo comprar a bons preços nas lojas ou na zona franca em Punta Arenas. As empresas de ônibus que fazem o trajeto de Puerto Natales ao Parque Torres del Paine são: . Bus-Sur (http://www.bussur.com) . Maria José (http://www.busesmariajose.com) . Gómez (http://www.busesgomez.com) . Pacheco (http://www.busespacheco.com) . JB . Magallanes . Juan Ojeda Todos os ônibus partem de Puerto Natales às 7h30 e 14h30, e retornam: . às 13h e 18h a partir da administração/centro de visitantes . às 13h30 e 19h a partir do Pudeto . às 14h30 e 19h45 a partir da portaria Laguna Amarga Preço de CLP8000 (R$48) só ida e CLP15000 (R$90) ida e volta. Com a passagem de ida e volta na mão, pode-se circular dentro do parque à vontade, embarcando e desembarcando em qualquer ponto da estrada entre a portaria Laguna Amarga, o Pudeto e a administração/centro de visitantes. O Hotel Las Torres não está incluído pois não faz parte do trajeto dos ônibus de Puerto Natales. O Circuito W tem um percurso de 73,7km, medidos no meu gps e considerados desde o Hotel Las Torres até o acampamento Grey com retorno ao Paine Grande. Incluído aí o trajeto de ida e volta até o Mirador Base de las Torres e até o Mirador Britânico (na medição descontei percursos pequenos que fiz como passeio). O Circuito O tem um percurso de 123,4km, medidos no meu gps e considerados desde o Hotel Las Torres, ponto final do ônibus interno do parque, e incluindo os miradores Torres e Britânico (e descontados os pequenos passeios que fiz). Como expliquei no início do relato, na minha logística caminhei 3,9km a mais. Apesar de bem longo, o Circuito O é bem sinalizado por estacas pintadas de laranja, o que torna quase impossível se perder. Todas as bifurcações são sinalizadas e as trilhas secundárias são fechadas para evitar dúvidas. As pontes são bem conservadas, geralmente há passarelas suspensas sobre os alagados e há corrimão nos trechos mais íngremes. A entrada no parque custa um pouco caro, mas a boa manutenção é o retorno que se tem. Como relatei, a temperatura mínima durante a noite e madrugada oscilava entre 4,2ºC e 10ºC (com exceção dos -4,3ºC no acampamento Serón). Um saco de dormir nessa faixa de temperatura-limite (com alguns graus para baixo para ter mais conforto) dá conta do recado. Eu levei um saco de dormir Marmot Alpha, de pluma de ganso, de especificação: conforto 2,6ºC, limite -2,8ºC e extremo -19ºC, que foi mais do que suficiente. Água não é problema no Circuito. Como há bastante água em todos os dias, dei destaque no relato apenas para o trecho que tem poucas fontes de água fáceis (entre os acampamentos Dickson e Los Perros). Nos acampamentos a recomendação é de pegar água nas torneiras ou em algum riacho próximo, quanto mais acima melhor. Eu bebi sempre da água das torneiras (exceto no Paine Grande) e dos riachos sem nenhum tratamento e não tive nenhum problema. Para caminhar eu usava uma camiseta de lã de merino light de manga longa. Só usava o fleece da Quechua por cima se na sombra do bosque estivesse um pouco mais frio. Gorro só usava à noite. Luvas levei mas não usei. Jaqueta de pluma de ganso também não usei. Mas veja que peguei dias bem quentes, talvez uma semana antes ou depois a temperatura estivesse mais baixa e precisasse usar toda essa roupa quente que levei. Importante repetir: roupa impermeável é um item essencial e deve estar sempre na mochila, mesmo para um passeio curto com mochila de ataque. O tempo pode mudar rapidamente e o vento pode trazer chuva. E ficar molhado e exposto ao vento frio é um primeiro passo para a hipotermia. Como na maioria dos acampamentos o chão é de terra batida, sem grama ou capim, é bastante recomendável levar um isolante inflável, caso contrário depois de nove dias de chão duro sobre um isolante de EVA seus quadris vão reclamar bastante. Há um isolante inflável da marca Camp que pesa apenas 315g. Pelo mesmo motivo, um forro sob a barraca (um plástico grande, um footprint ou até um cobertor térmico) também vão bem para evitar sujar demais o piso da barraca. É muito mais fácil limpar o forro do que a barraca. Para a compra dos mantimentos Puerto Natales tem pelo menos três bons mercados. Num deles, o Don Bosco (Rua Baquedano, 358), encontrei um gostoso pão integral. Na loja Itahue pode-se comprar castanhas e frutas desidratadas com grande variedade (Rua Esmeralda, 455B). Rafael Santiago abril/2016 http://trekkingnamontanha.blogspot.com.br Circuito O na imagem do Google Earth As Torres na imagem do Google Earth Mirador Britânico na imagem do Google Earth
  8. Você pode conferir esse relato com as fotos no meu blog! http://escalandinho.blogspot.com/ E também assistir o vídeo da viagem: Dezembro 2011 Fiz o circuito completo de Torres Del Paine com meu marido e companheiro Adolfo, e como também iríamos a El Chaltén fazer uma rock trip de escalada, decidimos fazer de nosso “campo base” a cidade de El Calafate na Argentina, diferente de muita gente que vai direto para Porto Natales. Nós tivemos que pegar um ônibus e viajar 5 horas até a cidade Chilena. (Pensávamos que alguma empresa pudesse nos levar direto até o parque, mas isso não acontece.) De Porto Natales para Torres Del Paine foram aproximadamente 2:30 de viagem. O ônibus nos deixou na laguna amarga, lá você paga a entrada do parque de 15.000 pesos chilenos e ganha um mapa bem elaborado e muito útil. Pra quem vai fazer o circuito W compensa pegar uma van por 2.500 pesos chilenos e chegar até a Hosteria Las Torres, diminuindo 1,5hrs de caminhada por uma estrada de terra. Nós resolvemos fazer o circuito no sentido anti-horário o que foi muito bom e vocês vão entender conforme lerem o relato. Saímos direto da Laguna Amarga e caminhamos uns 5 km pela estrada de terra – a mesma estrada que o final dela leva ao começo do circuito W – logo entramos à direita numa placa de sinalização da trilha que leva ao acampamento Serón. Mais 10 km até o acampamento, totalizando em 15 km. No primeiro dia não tínhamos idéia de que haveria água potável em todo percurso, então carregávamos muita água e bebíamos muita também, pois estava bem quente. Nos últimos 5 km vimos um riacho e resolvemos abastecer nosso estoque para o camping. Isso me matou lentamente! A mochila ficou muito pesada e eu não conseguia caminhar 5 minutos sem descansar. Aquela famosa sensação de “se no primeiro dia tá assim imagina nos outros” ou “devia ter deixado isso ou aquilo em casa”. Os rios que podem beber água são os menores e que correm água mais “transparente”. Os maiores com água azulada, com minerais, não servem para consumo. No final, a trilha que de acordo com o mapa se faz em 4,5 hrs, nós fizemos em 5,5 hrs. Chegamos no camping mortos! O Adolfo armou a barraca e eu imediatamente deitei por meia hora pra recuperar a energia! Isso ajudou muito. Levantei, tomei banho (banho 3 estrelas: pouca água, mas quente e sem vento) e logo rolou a conversa de que no outro dia seriam mais 19 km e que partindo pro segundo camping voltar seria mais difícil. Recuperada e sabendo que não precisaria mais carregar tanta água, topei. Outro lance que aconteceu foi que para lanches de trilha compramos pão de forma e fizemos sanduiches. Eles pesavam demais! E já no primeiro dia dava pra perceber que não iam durar muito. Resolvemos jogar metade dos lanches fora. A minha mochila ao chegar no camping pesava 23,5 kg, e no segundo dia ao sair pra trilha já pesava 20 kg. A mesma coisa com a mochila do Adolfo que foi de 26,5 para 23 Kg. (Eu peso 60 kg). No segundo dia acordamos cedo, tomamos nosso leite em pó, comemos um dos lanches e partimos para o segundo camping, o Dickson. O psicológico já sabia que a caminhada ia ser longa, e com a mochila mais leve, senti que apenas os últimos km da trilha foram os mais difíceis. Foi uma subida de pedra cansativa, mas no final dela já se podia avistar o camping! Maravilhoso! Um dos mais lindos no sentido de visual. Porque de pernilongos é terrível! Foi chegar, armar a barraca, tomar banho (banho 3 estrelas: água quente mas portas pequenas, se tiver frio ou ventando é um problema!) e esperar a comida ficar pronta dentro da barraca! A comida foi dele, mas a louça ficou comigo. A trilha até o Dickson de acordo com o mapa se faz em 6 hrs. Nós fizemos em 8 hrs porque eu preferi ir mais devagar e descansar mais durante todo o percurso. Mas ainda assim as mochilas estavam extremamente pesadas. Muita gente leva comida liofilizada e alguns outros alugam barracas e saco de dormir ou compram comida, podendo caminhar mais leves. No terceiro dia partimos para o acampamento Los Perros, o acampamento mais afastado do parque e com pouca infra-estrutura (duchas geladas). Algumas pessoas passam direto para o próximo camping (Paso, o trecho mais difícil do circuito), mas preferimos parar no Perros. Com um pouco mais de subida, andamos num total de 9 km, com um visual de um glaciar de gelo muito lindo pouco antes de chegar ao camping. A hérnia de disco do Adolfo atacou nesse dia, e se não fosse um casal de alemães com um ibuprofeno 600mg doado, ele quase não conseguia se mexer. Eu tinha levado um analgésico, mas tinha esquecido que ele era alérgico a dipirona. Os alemães nos salvaram. Por isso resolvemos ficar dois dias nesse camping para descansar e recuperar para o próximo trecho. No quarto dia tirado só para descanso deu pra curtir o frio e a chuvinha fina do camping. Descansamos bastante e flagramos até a raposinha que aparece de vez em quando lá no camping, segundo o guarda parque, a Charlie aparecia sempre. Quinto dia, recuperados, partimos para o acampamento Paso, o trecho mais difíicil do circuito. São 12 km previsto para 6 hrs, um trecho curto no mapa, mas que levamos 8 hrs para fazer. No início encaramos um trecho de pântano, mas foi até sossegado perto do que falaram. Eu espera que ia ter lama até o joelho, mas uma escapada que dei a lama foi até meia bota. É um trecho meio chatinho, não importa o peso que você leve, ali sempre vai ter que ir mais devagar. Depois caminha-se pelo vale, super tranqüilo, florestinha e chuvinha fina. E depois começa a subida de pedra que não acaba mais. Não paramos muito pra descansar pois estava frio e o corpo sentia muita ao parar. Fizemos em 2 hrs a subida como o previsto, fiquei feliz. No final da subida um visual fascinante, foi realmente indescritível ver aquele mar de pedra terminar e se transformar em montanhas cobertas de neve e abaixo delas um gigantesco glaciar, o famoso glaciar Grey. Logo depois a descida infernal!!!!!! Falaram que a descida era de 1 hr, fizemos em 2,5 hrs. Na descida, diferente da subida que se apóia mais a mochila nas costas, o corpo ficava mais ereto, buscando o equilíbrio, e a mochila tendia para trás, trazendo algumas dores na região do pescoço. Fora que alguns degraus eram altos, e conforme eu tirava uma perna para descer, a outra ficava sobrecarregada e o joelhinho reclamou. Parávamos muito para descansar. E outra vez, você desce e desce e não enxerga o maldito camping. Até que finalmente ele aparece do nada, e pra variar, na hora que chegamos e começamos a montar a barraca começou a chover mais forte. Entramos debaixo da nossa lona sem-terra (muito útil, levamos 1 cada um) e esperamos a chuva passar. Montamos a barraca e de tão cansados esquentamos um leite, comemos uma bolachinha e dormimos. Somente na manhã seguinte que comemos o macarrão com atum. O camping Paso não tem nada, só um comedor protegido e de banheiro uma latrina. No sexto dia acordamos cedo e começou uma chuvinha fina novamente, levamos todas nossas coisas pro comedor e como ninguém tinha acordado arrumamos nossa mochila ali mesmo, vendo a chuvinha fina se transformar em neve. Mas nevou pouco. Logo saímos para o acampamento Grey e conforme caminhávamos vimos que o tempo feio e nebuloso estava localizado mais naquela região do glaciar, para frente já podia se ver céu azul. Entre o acampamento Paso e Grey tem um outro grátis que se chama Los Guardas, ele fica a 3 hrs do Paso, mas com mais 2 hrs se chega ao Grey. Paramos no Los Guardas somente para visitar o mirador que mostra de frente as paredes do glaciar. Estávamos assustados com nosso tempo durante todo o circuito. As mochilas foram ficando mais leves, mas mesmo assim caminhar 1 ou 2 hrs a mais do que o mapa falava nos desanimou, surgiu até a idéia de pegar o Catamarã (um barco) no camping Paine Grande e ir embora. Mas esse dia surpreendeu! Fizemos tudo dentro do tempo, até sobrou uns 20 min e isso deu uma explosão de animação na equipe! Chegamos no refúgio Grey cedo, deu pra tomar um banho quente e demorado tranqüilo e o tempo estava uma delicia. No acampamento Grey já tinha muito mais gente, por ser o final do circuito W. Encontramos um casal de Argentinos no camping que sempre cruzávamos durante as trilhas, acabamos fazendo amizade e eles nos falaram que do Grey iam direto para o Italiano, sem parar no Paine Grande, e essa foi a melhor dica que nos aconteceu. Seria um longo percurso, mas pelo menos poderíamos guardar um dia só para fazer o ataque ao Vale Francês. Então no sétimo dia partimos do Grey com destino ao Italianos. Mas ainda queríamos ver se nosso tempo continuava batendo com o do mapa. Se até o acampamento Paine Grande estivesse tudo certo iríamos direito para o Italianos ,que é um camping grátis, e ainda teria uma grana a mais para ir comprando as bolachas caríssimas que eram tão bem-vindas. Do Grey até Paine Grande foram 11 km em 3,5 hrs.. Acho que fizemos em 4 hrs, mas eu estava empolgada para chegar até o Italianos. O acampamento Paine Grande é lindo, muitíssimo bem estruturado, com guarda parque, mini mercado, muitas barracas, um comedor grande e bonito e banheiros bons. De lá chega o catamarã, uma embarcação que leva e trás os turistas até o hotel Paine Grande. Mas tocamos direto para o Italianos. O caminho do Paine Grande para o Italianos é considerado o mais fácil de todo o circuito e foi extremamente delicioso percorrer ele. Foram 7,6 Km do Paine Grande até o Italianos, totalizando 18,6 no dia. O acampamento Italianos é grátis, não tem duchas e tem 4 banheiros construídos, mas somente um era aberto pelo guarda-parque. Foi o camping que eu mais vi barraca. Muita gente! Mas foi bem tranqüilo tirando o barulho de algumas pequenas avalanches que se ouvia de madrugada e pela manhã. A água se pega da corredeira perto do camping, ela tinha um pouco de minerais e com isso tive um leve desentendimento com meu fluxo intestinal. No oitavo dia fizemos o ataque ao Vale Francês. Tirei a cabeça da mochila cargueira e fiz de mochilinha com algumas fitas. Caminhar com mochila leve foi até esquisito! Logo que saímos para o ataque pudemos avistar da onde vinha tanto barulho de avalanche, e quando ouvimos mais uma, pois o sol estava muito forte naquele dia, começamos a procurar a avalanche, e pra nossa surpresa era uma pequena quantidade de neve caindo que mal dava pra ver, mas que fazia um estrondo! Caímos na risada pela nossa falta de conhecimento nesse assunto. A trilha até o mirador tem 7,5 Km feitas em 3 hrs. Duplica-se pois fizemos ida e volta. E é muito melhor assim, do que ter que subir com peso e ter que ficar no acampamento Britânico, na verdade, eu não vi ninguém acampando lá! Os paredões de rocha do Vale Francês, com suas cores contrastando, subindo imponente numa volta de quase 270° é realmente encantador! Alguns dizem que vale mais a pena do que as torres principais. Voltamos e dormimos novamente no Italianos. No mapa que nos deram na entrada do parque não diz se há um acampamento no começo do W (para nós final do O anti-horário), apenas diz que existe uma hosteria Las Torres. Mas tínhamos a informação da internet de que haveria um camping lá e a idéia seria a mesma que fizemos no Italianos: acampar embaixo e subir leve, sem precisar ficar no camping Chileno. Seguimos então no nono dia para o tal acampamento. Saímos do Italianos e depois de 2,5 hrs de caminhada passamos pelo acampamento Los Cuernos. O acampamento é bem bonito, perto de uma praia de pedras e bem estruturado, mas a bolacha lá foi caríssima! Depois seguimos para Hosteria por mais 4,5 hrs no total de 16,5 km. Não encontrávamos muita gente, mas sabia que estávamos certos devido às marcações da trilha feitas na cor laranja. Um pouco antes do final da trilha surgiu uma placa de um atalho para o acampamento Chileno, mas continuamos no nosso caminho que ficou cada vez mais deserto. De longe já pudemos avistar o grande hotel Las Torres e antes dele a bifurcação que ia acontecer para nós. De um lado a trilha que seguia para o Chileno e de outro seguia-se para o hotel. Paramos na Hosteria para conhecer e perguntar sobre o camping, que era poucos metros mais a frente. Andamos mais um pouco e finalmente chegamos ao camping. Não reclamei muito das pernas durante todo o circuito, sentia mais falta do preparo aeróbico durante as subidas... Mas nesse dia cheguei com os músculos da coxa duros! O tempo estava maravilhoso, o banho foi o melhor da minha vida e pra variar era véspera de Natal. Resolvemos ir ao Refúgio perto do camping (que conta com uma ótima estrutura) comprar um molho de tomate para nossa ceia, e chegando lá havia um banquete com toda comida que se pode imaginar! Como meu aniversário seria dois dias depois e o combinado era jantar pela cidade, resolvi trocar o dia do presente. 10 dias no estilo Los pastas, um banho maravilhoso e comida até não poder mais... foi como fechar com chave de ouro! Mas ainda faltava o ataque ao Paine principal, por isso não deu pra exagerar muuuuuito na comida, só um cordeirinho ao estilo patagônico, assado com fogo de chão, uns pãezinhos com manteiga (ahhh manteiga!) e salada (ahh salada!) fora a mesa de sobremesa. Mas o estômago tava fechado e mesmo que quisesse não entraria tanta comida. Como o dia na patagônia é longo não era de praxe colocar despertador para acordar cedo. Mas no décimo dia colocamos para acordar 6:30 e programamos para 7:30 já estar na estrada. O ataque ao mirador desde baixo tem 4,5hrs somente de ida - os km no mapa não são precisos. As primeiras 2hrs (de acordo com o mapa) até o acampamento chileno foram de subida bem íngreme (novamente mais uma vantagem de subir leve), e fizemos em 1:40hrs. O acampamento Chileno é lindo, paramos somente para usar o banheiro (não vi duchas, e para as necessidades só havia um banheiro) e logo seguimos. Até o acampamento Torres, segundo o mapa, eram mais 1,5hrs e também fizemos em menos tempo. Mas daí pra frente a coisa ficou feia, pelo menos pra mim.. Começou uma subida bem íngreme. Para se ter uma idéia saímos de 135 metros de altitude e o mirador era a 886 metros de altitude. Uma subida que não acaba mais, mas vale muito a pena o final dela! Chegamos ao mirador e ficamos curtindo o visual um bom tempo. O céu estava de um azul indescritível! Por termos saído cedo, na volta encontramos muuuuuita gente! Estava até ruim descer, imagina pra quem subia! Tinha até congestionamento! Encontramos brasileiros, um deles estava com o rosto todo inchado devido a um abscesso dentário. Sorte dele que encontrou dois dentistas (nós) e pudemos aconselhar a melhor coisa a se fazer. Abscesso dentário é uma acumulação de pus em volta da raiz de um dente e pode causar dor intensa persistente e latejante, além disso, pode causar infecção, febre, mal estar geral e dor de cabeça. Por isso, antes de uma trip ao fim do mundo, procure seu dentista! =) A volta em geral foi uma delícia! Só descida, mas ainda assim o joelhinho (que não tem nada de errado) reclamou. Voltamos pro camping e mais um banho maravilhoso! Comemos e no outro dia de manhã pegamos a van que leva até a Laguna Amarga, de lá já pegamos direto o onibus até Porto Natales. Tivemos que ficar dois dias em Porto Natales pois é preciso avisar com antescedencia a volta para Calafate. E numa dessas esperas, num banco numa rua da cidade, uma senhorinha sai de dentro da casa, volta e depois sai novamente com ovinhos de chocolate e começa a conversar com a gente. Depois chega uma outra senhora, coloca ela pra dentro da casa e volta dizendo que ela não está muito lúcida dentro dos seus 95 anos e que ela é dona da propriedade particular onde se localizam os Paines. Incrível! Dois dias depois, o parque sofreu um grande incêndio que consumiu 8.500 hectares. Coisas que aprendi no parque: - Que as moscas gigante e peludas irritam pra caral#*! Elas te seguem por um longo tempo durante a trilha e no meu caso, ao pousarem rapidamente na minha mão ,que segurava o bastão, causou uma leve alergia e coçava muito. E só no último dia aprendi e criei coragem para matá-las. Foram mais de 10 no ataque as Torres. - Minha bota que eu tanto elogiei e que meu deu somente duas bolhas, uma no calcanhar que não abriu e virou calo e outra no dedo que abriu e deu trabalho (fazia curativo com pomada - iruxol – e microporo), enfim, a bota rasgou e descobri isso passando por um rio e percebi que entrou agua em somente um dos pés. - Descobri que bastão de caminhada pode dar calos nas mãos. Principalmente nos primeiros dias que a mochila estava pesada, eu apoiava demais nos bastões. Para descansar eu inclinava para frente e os apoiava nos ombros colocando todo meu peso e o da mochila sobre os bastõe. Esse vale a pena citar pois resistiu bravamente : bastões Trek Compact da Kailash - Conforme vai caminhando as fitas da mochila vão desajustando e é preciso sempre deixar tudo ajustado. Alguns dias sofri de uma dor no lado esquerdo do pescoço que não sabia de onde vinha, tentei diminuir os bastões mas não resolveu. Descobri que ao tirar e colocar a mochila eu pegava sempre por uma das alças e elas foram descompensando, sendo que um lado estava mais ajustado que o outro. A técnica para colocar a mochila é apoiar ela nos joelhos e, apoiando, encaixar seu ombro em uma das alças e daí dar o balanço final para encaixar o resto do corpo. (Você pode ler mais sobre minha mochila no post anterior do blog). - Descobri que o cansaço supera a fome. Mas que uma comida pode salvar o dia! O leite em pó que levamos, o salame que compramos, a sopinha rápida para tomar, as proteínas de soja, o chocolate depois do jantar salvou os dias longos. - O sol patagônico não existe! Os dias quentes passamos muito protetor solar e mesmo assim o sol queimava muito que cheguei a ficar vermelha (e olha que nunca fui de ficar vermelha). Vimos algumas pessoas com ferida no lábio, por isso é importantíssimo passar protetor labial o tempo todo! Carregávamos no bolso e passávamos sempre! Uma ferida dessa pode virar coisa séria, escute os dentistas! - Lencinhos úmidos para ir ao banheiro fazer o número dois chega a ser um luxo num lugar desse, mas te livra de alguns desconfortos que pode acabar com seu dia na trilha. Ou isso ou hipoglos. - Sempre levar a farmacinha móvel. Você nunca sabe o que pode acontecer.
  9. Opaa, tudo bem?? Vou conta minha experiência de Torres del Paine, as dicas gerais ta no post seguinte. Ai quem não quiser ler sobre o que fiz e so quer as dicas fica mais fácil. Antes de tudo é bom deixar claro que a ideia inicial era so o W mas acabamos decidindo prolongar pro O. O francês que fui junto era maior animado e isso bastante pra mudar de ideia e ir fazer o circuito inteiro. Dia 1 - Bom, primeiro dia pegamos o ônibus cedo em puerto natales e fomos para o parque. A subida até o acampamento torres foi bem mais tranquila do que imaginava. Levamos cerca de 3-3h30 ate o acampamento. Almoçamos e subimos pras torres, a subida é mais ingrime no final mas se manter o ritmo, da pra ir sem se matar. O lugar é realmente incrível, ficamos la quase 3 horas sentados admirando e conversando. Dia 2 – Foi um dia longo e sentia um pouco do cansaço do dia anterior. De manha bem cedo, tipo 4h30 subimos pras torres de novo pra ver o sol nascer e ve-las vermelhas, não tivemos muita sorte e não ficaram muito pq tinha um pouco de nuvem, mas valeu. Depois voltamos pro camping, fizemos uma ciesta e arrumamos as coisas e rumamos para o camping italiano. Foi uma caminhada longa, de cerca de 7-8h contando a parada pro almoço. Ficamos meio triste pq na cara dizia que podia subir o vale francês ate as 16, mas chegando la descobrimos que só podia subir até às 13h. Entao não adiantaria ter apertadado o passo. Dia 3 – Durante a manha fizemos o ataque ao vale francês. O mirador francês esta fechado, os últimos 30 min não pode mais ir. O vale francês pra mim foi o vale mais bonito, sensacional mesmo. O subida, pausa e descida no vale durou cerca de 5 horas. Almoçamos no camping e tomamos rumo para o camping Grey. Logo depois da Hostelaria PAine Grande tem uma lagoa muito bonita, quande você chega nessa lagoa a sua esquerda, se olhar meio que mais pra esquerda meio que pra tras tem um morro de rocha que você sobe e tem uma vista muito bonita lago pehoe, lago grey e da lagoa. É legal pra ver a diferença da cor da agua de cada agua. Chegamos no Grey já era quase 19h. No grey faz muito frio, acho que por ser perto do glaciar. Deixei uma camiseta para fora secando, e demanha tava congelada. Dia 4 – Dia pesado, fomos do Grey até o camping Perros. Do grey ate o Paso foi bem tranquilo, mais do que esperava. Na carta falava 5 horas e fizemos em 3 horas e meia ou menos. Tem algumas pontes e escadas no caminho mas que deixam o passeio mais divertido. Almoçamos no camping Paso e fomos para o Perros, o Paso John Gardner é bem bonito, a subida é bem intensa e fizemos em 3 horas. De passo para o camping perros pegamos muita lama pq tinha nevado uns dias antes. Chegamos nos Perros umas 19h30~20h, tínhamos saído do Grey umas 8h. Mas bom lembrar que paramos mais que 2 horas no Paso pra almoçar e fazer umas ciesta. Dia 5 – Dia mais tranquilo, fizemos do Perros para o Dickson. Deu entre 3 e 4 horas. Foi bem tranquilo e bom pq tivemos tempo para curtir o lago e tudo bem. O dickson é bem bonito, acho que o camping mais bonito. Dia 6 – Queriamos chegar ate 13h na portaria para pegar o ônibus do começo da tarde para Natales. São dois horários, um tipo 14h e outro só umas 19h. Como nesse dia íamos caminhas um pouco mais de 30 km levantamos ainda de noite, tipo 4 da manha. Saimos as 5 da manha e caminhamos bem rápido e almoçamos meio rápido. No final como vimos que o tempo tava tranquilo tiramos um pouco o pé e fomos mais devagar. Chegamos la um pouco antes das 13. Acho que é isso, no post seguinte vou dar umas dicas gerais do parque. Do que aprendi e acho que pode ajudar a galera. Espero ter ajudado
  10. Salve Salve Mochileiros!! É com grande felicidade que venho compartilhar com vocês o roteiro da minha segunda investida na Patagônia! A minha primeira viagem está relatada aqui http://www.mochileiros.com/ushuaia-el-calafate-el-chalten-full-day-a-torres-del-paine-novembro-2012-t76633.html A viagem está programada para Outubro de 2014, mais precisamente dia 20. Desta vez a viagem será mais "técnica" digamos, estou priorizando as trilhas em El Chaltén e em Torres del Paine onde farei ou Faremos o Circuito Completo a partir do dia 01/11/14. Busco Cia para fazer essa viagem, não vou mentir.. esse negócio de viajar sozinho não é comigo..rs, segue abaixo o roteiro que pretendo fazer, já com toda as especificações (Custo de passeios, valores de hospedagem, gastos com transporte, etc.) Qualquer dúvida sobre o roteiro é só perguntar aqui ou via face, que segue subscrito. A distribuição dos dias ficou bem legal, (eu acho), distribuí conforme os passeios ou trilhas em cada cidade. Todos os horários descritos no roteiro estão de acordo com os oferecidos pelas empresas de transporte da patagônia, qualquer dúvida é só checar nos endereços "site" das empresas que segue também no roteiro. Logo adiante, postarei um outro arquivo contendo a descrição das Roupas & Equipamentos que acho necessário para a viagem. Trip Patagônia Out-14.xls Alterei a data da viagem para Abril/15, em breve posto aqui o roteiro atualizado. qualquer coisa, sigo a disposição!
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