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  1. Com a finalidade de concluir os 7 Cumes de Suzuka, eu havia prometido pra mim mesmo que não repetiria escalar a mesma montanha por pelo menos 6 meses, porem quando surgem boas oportunidades de uma nova travessia não podemos ignorar. Foi exatamente o que acabou acontecendo e o calendário do Clube acabou me empurrando para uma nova travessia no Monte Amagoi. Takeyan faria sua estréia como líder do Suzuhai e propôs uma rota bem interessante que acabou me seduzindo. A subida começaria do lado totalmente oposto ao que eu já havia subido, encarando uma grande crista e chegando ao pico sul da montanha, onde eu ainda não havia pisado antes, em seguida rumando para o pico principal, atravessando pela face norte e iniciando a descida. Durante a semana a previsão do tempo ameaçou a travessia e no sábado ainda indicava a possibilidade de chuva, porém como todos os participantes concordaram em subir com aquela previsão, todo o planejamento foi mantido. As 7 horas de domingo nos encontramos no Camping Uga e seguimos em apenas dois carros por um trajeto de serra que demorou cerca de 1 hora até a entrada da trilha, e ao contrário do que acontece com a rota do outro lado quando começamos acima dos 800 metros, dessa vez iniciaríamos abaixo dos 500 metros. Logo na entrada da trilha uma placa de ¨boas vindas¨ indica para se tomar cuidado com a presença de ursos, a trilha segue um bom trecho aberta, pouco íngreme e sem obstáculos, esse caminho era usado no período Edo (1615-1868) e fazia a ligação entre a antiga capital Kyoto até a cidade de Nagoya e o leste do arquipélago. Uma região também marcada por conflitos pois os 2 maiores clãs ninja, Iga e Kouga faziam divisa com essas montanhas. Quanto esse caminho leve termina, adentramos em uma floresta com diversas arvores centenárias gigantescas, então seguimos beirando uma pequena corredeira que com o caminho pra lá e para cá foi responsável por alguns acidentes. Quando a água termina entramos em um grande vale com um visual espetacular, mais alguns metros de caminhada e nosso sossego terminava, era hora de subir e olha que subida! Para alcançar a crista encaramos mais de 300 metros verticais, além de íngreme, sem descanso. Nesse momento a diferença física valeu muito, o pessoal mais acostumado a montanha disparou na frente, eu fiquei sozinho no meio enquanto Gabi e You vinham lá atrás com muita dificuldade sendo amparadas por Taro. Depois de muito suor a recompensa, chegamos a bela crista que possui uma paisagem exuberante, onde é possível observar diversos picos como os montes Watamuki e Kama, além claro o cume do Monte Amagoi. Depois de um breve lanche retomamos a subida seguindo a crista, encaramos um trecho de campo livre, um pouco de rocha, e de repente entramos em uma mata de capim muito alto, onde a ordem era seguir pra cima e se orientar com os gritos dos outros. A situação realmente ficou feia nesse trecho, em meio a um capim de 2 metros com lama e neve teve gente que se desesperou, mas logo alcançamos o pico Sul da montanha e fizemos nossa parada para o almoço. Ficamos cerca de 1 hora parados e depois do almoço ainda teve quem tirou um cochilo. Sem vento algum a temperatura estava agradável, porem o sol parecia querer tostar os presentes. Depois do descanso era hora de chegar ao cume e tivemos novamente aquele capim maldito como obstáculo, com a diferença que agora tínhamos muita neve mole nos pés. Depois de romper o capim ainda tivemos que vencer algumas arvores com galhos muito baixos para finalmente chegar ao cume, e lá estávamos nós nos 1238 metros da montanha. Do pico principal se tem uma bela visão do pico Leste que aliás é mais visitado, parece tão perto que quem nunca esteve presente no local sugeriu ao líder que fossemos até lá, porém Takeyan decidiu não comprometer o nosso tempo mantendo o planejamento inicial. Na saída do cume observamos o lago Amagoi, que mais parecia um mangue de gelo e neve, alias na outra ocasião que estive ali nem havia notado a presença do mesmo. Segundo uma lenda da região é ali naquele pequeno lago no topo da montanha que ¨vive¨ o Deus Dragão, ou Ryujin em Japonês, o dragão no Japão está relacionado com corredeiras e cachoeiras e em certa época de seca, foi feita uma prece pelos agricultores da região para que Ryujin mandasse água para eles, daí também saiu o nome da montanha, os ideogramas de Ama e goi representam uma prece por chuva que seria enviada pelo Deus Dragão. Depois da aula de mitologia seguimos para face norte da montanha, com neve no caminho a coisa ficou um pouco mais difícil, como não seria um trecho tão longo de neve decidi não colocar os crampons e me dei mau, depois de um escorregão tentei desviar o corpo para não atingir outra pessoa e comecei a deslizar sem parar, tentei em vão abraçar a neve que não estava tão mole assim naquele trecho, então percebi o galho de uma arvore tocar minha cabeça e por sorte consegui me agarrar a ele. Foi difícil me colocar novamente de pé e normalizar a respiração depois de um susto daquele, por sorte deslizei pouco mais de 10 metros mas poderiam ter sido mais de 100 metros e sabe-se lá quantos ossos quebrados. As pernas ficaram bambas e terminei aquele trecho com muita dificuldade, por mais que os outros repetissem exaustivamente para que eu me mantivesse mais ereto o meu corpo agora com medo parecia não querer obedecer. Com o fim do trecho de neve fizemos nova parada, em um local indicado para acampamento haviam meia dúzia de mochilas cargueiras largadas no local, seus donos provavelmente estavam rumo ao cume e imaginem largar os equipamentos dando sopa assim em alguma montanha da América do Sul. Daquele trecho em diante seguimos muito rápido pra baixo até encontrar uma corredeira e fazer uma nova parada, dessa vez com direito a chá da tarde. Seguindo novamente para baixo, encontramos o caminho de onde havíamos iniciado a subida e agora na volta aquele longo caminho parecia infinito. Aproveitei para dialogar em espanhol com Gabi que queria saber mais informações sobre o Brasil, onde ela pretende visitar um dia. Terminada a trilha era hora de voltar pra casa, mas antes paramos em uma vinícola famosa da região onde quase todos compraram vinhos e os levaram para relaxar em seus lares.
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