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  1. Travessia Araçatuba – Monte Crista Depois da tentativa frustrada de realizar a travessia no feriado de sete de setembro de 2015, com a companhia do bom baiano carioca Peter Tofte (veja o relato aqui), e que resultou numa Itupava emendada com Marumbi, fiquei esperando uma nova chance... E ela surgiu no primeiro feriado de 4 dias que apareceu, carnaval de 2016. A época não era a melhor; muito calor, insetos e chances de raios e trovões, mas a vontade de fazê-la era grande, e a quase impossibilidade de um novo feriado de 4 dias sem ter que enforcar o trabalho fez que as previsões de tempo negativas fossem deixadas de lado e começamos os preparativos. Como a travessia é bem exigente, em termos físicos (60 km) e de navegação (caminhada por campos sem trilha definida) resolvemos fazer um grupo enxuto e coeso, apenas gente boa da melhor qualidade e com larga experiência em trekking de longo percurso. O primeiro a ser chamado foi o grande parceiro Getúlio, que topou na hora. Os demais tinham outros planos, e o grupo foi se tornando bem enxuto mesmo. Quando lanço o convite para o Rafael Santiago ele topa na hora, iria se deslocar de São Paulo para Curitiba num Cometa e participar da empreitada. Uma dificuldade desta travessia é a logística. Tanto o começo no Araçatuba como o final no Monte Crista não é servido por transporte público, portanto é necessário que se contrate este serviço. Como era pouca gente, van não rolava. Estávamos indo com nossos carros e iríamos fazer um esquema louco de deixar uma viatura no final, retornar todos até o ponto de início, finalizar a travessia e ir resgatar a viatura lá no começo. Sim, ia tomar tempo, combustível, mas estava se desenhando desta maneira. Neste meio tempo surge uma carona salvadora, o grande amigo Marcos arruma uma carona pra nós tanto na ida como na volta. Quase aos noventa do segundo tempo, ou melhor, já nos acréscimos do juiz, surge o Rafael Campestrini, que quer ir conosco de qualquer jeito, mesmo não tendo lugar na carona, pois só tínhamos três vagas. Ele resolve que vai assim mesmo, de moto até o Araçatuba pra se encontrar com a gente, e depois se vira pra voltar, de carona, táxi, a pé... Está formado o grupo, e no sábado de carnaval começamos a subida do Morro do Araçatuba, com seus 1.673 m de altitude, sendo a montanha mais alta da caminhada. Mas não pense que a subida acaba aqui não... Logo no início Getúlio dá sinais de que não está bem, sobe lento, reclamando de dores estomacais e câimbras. Vamos tentando encorajá-lo, mas na metade da subida ele já começa a demonstrar que não vai conseguir realizar a empreitada. Consciente de que naquele estado só estava atrasando e dificultando seu resgate, pois quanto mais adiante mais difícil seria, e que dificilmente terminaria a longa a travessia, Getúlio resolve abortar. Neste momento vemos a mão de Deus pela primeira vez nos abençoando. Se Campestrini não estivesse com sua moto lá na base do Araçatuba seria bem difícil Getúlio retornar sem uma longa caminhada até a BR376. Como Getúlio é conhecedor da região, ele resolve dormir uma noite no Araçatuba mesmo e retornar no dia seguinte com a moto do Campestrini. E Campestrini assumiria o lugar do Getúlio na carona de volta para Curitiba. Getúlio ainda segue até o cume do Araçatuba e de lá nos despedimos. Seguimos adiante em direção ao Baleia, pegando o único trecho de mata fechada da travessia. Já na subida do Baleia começa a caminhada por campos de altitude, o que torna esta travessia uma das mais belas do Brasil. Pena que o tempo fechou e caminhamos dentro da nuvem o tempo todo, com uma chuva fraca que vem e vai. Logo em seguida passamos pelo Morro do Moreia, uma montanha muito bonita com seus incríveis paredões de pedra e campos floridos. No final do Moreia começa a descida para a Comfloresta, uma descida forte que nos leva ao labirinto de estradas dentro de um enorme reflorestamento de pinus. Tudo que desce, sobe, e no final da tarde, com promessa de chuva forte começamos a subir os contrafortes da Serra do Imbira, por uma estrada do reflorestamento que a cada curva fica mais íngreme. O tempo vai fechando, a noite vai chegando, e começamos a procurar um local para acampamento. Como a estrada é cascalhada procuramos lugares desmatados, mas estes têm muitos tocos de pinus, e o que parece fácil se torna difícil. Já perto das 19:00 hs, e com a chuva apertando, achamos um pequeno lugar com mato baixo, ao lado da estrada e de um córrego, aonde iremos continuar a caminhada no dia seguinte. É aqui mesmo, e seja o que Deus quiser... E Deus quis muita chuva, mas muita mesmo!!! Começo a chover perto das 20:00hs e só foi parar meia noite. Nunca passei por uma tempestade desta envergadura. Sorte que estávamos relativamente abrigados pelos pinus. Foi um verdadeiro teste de estanqueidade para as barracas. Depois ficamos sabendo que em Garuva, cidade mais próxima, várias ruas ficaram alagadas. Nossas três barracas, Hubba da MSR, Fly Creek da Big Agnes e Minipack da Azteq se saíram bem, apenas pequenas infiltrações devido à chuva monstruosa que caiu. O dia seguinte amanhece envolto em densas brumas, e começamos a caminhada como terminamos no dia anterior, sem visual, com uma chuva/garoa que vem e vai. Já de cara encaramos o final da subida da Imbira, para depois descer tudo de novo e entrarmos de novo na Comfloresta e caminhar por mais estradas. Logo começa outra subida grande e cansativa, até os chegarmos aos campos do Quiriri finalmente. Quando chegamos à porta de entrada do Quiriri encontramos o Gilgamesh (grupo de caminhada de Curitiba), que estava acampado ao lado da estrada, bem perto da onde definitivamente deixamos de caminhar por estradas e iniciamos a trilha pelos campos do Quiriri. O Marco da Divisa está ali perto, a menos de uma hora de caminhada. O pessoal do Gilgamesh está esperando o transporte para retornar, a chuva forte molhou os equipamentos da maioria e abalou o moral da tropa. Batemos um papo com a galera e continuamos nossa pernada. Logo em seguida chegamos ao Marco da Divisa, monumento erguido após o término da Guerra do Contestado e que demarcou as fronteiras do Paraná e Santa Catarina. Existem outros dois ou três, não sei ao certo, tínhamos até pensado em passar por eles, mas o tempo não estava ajudando, em todos os sentidos (sem visual e com o cronograma apertado). Daqui em diante eu já conhecia o caminho, mas sem visual e mesmo com GPS, a navegação é lenta, pois não há referência visual, e se faz necessário a todo instante ficar corrigindo a rota. No início da noite nos aproximamos do Morro do Quiriri, montanha mais alta desta serra, com seus 1.580 m, e armamos acampamento numa pequena elevação bem em frente ao morro. E claro, logo em seguida começa a chover, mas desta vez com menor intensidade. Iniciamos os preparativos para o jantar, e eu novamente estava se apetite, assim como no primeiro dia. Empurro uma sopa cedida pelo Rafael Santiago goela abaixo, belisco alguns petiscos e vamos dormir. Já o Campestrini faz um pacote de macarrão com molho de tomate, sardinha e manda ver... Amanhece o terceiro dia com um sol tímido querendo sair de trás das nuvens, e vai ficar assim o resto do dia. Partimos em direção ao Bradador, também conhecido como Morro da Antena, para em seguida atravessar a Fazenda Quiriri. Aqui fazemos um caminho diferente do Tiago Korb, seguimos a trilha que o Zeca e Wilson fizeram em 2013, e chegamos no Bradador pela sua face oeste. Como o tempo está parcialmente encoberto, e mesmo navegando com o GPS, quase passamos pelo Bradador. Estávamos mirando numa montanha, e quando o tempo abriu, ao nosso lado, estão às antenas de repetição de rádio. Notamos que mesmo com GPS e conhecendo a região é muito difícil navegar no Quiriri sem referência visual. Uma dificuldade a mais para quem pretende caminhar por estes campos de altitude. Subimos o Bradador e começamos a descer por sua face sul. Como a maioria dos morros do Quiriri, o Bradador é uma montanha espalhada, apenas sua face norte (por onde subimos) é mais íngreme. Vamos perdendo altitude e começamos a visualizar a Fazenda Quiriri, com seus lagos e sua sede. Para passar pela fazenda precisa ter autorização, que é concedida através do site hacasa.com.br. Atente que eles pedem um prazo de 7 dias úteis para enviar a autorização assinada, que deverá ser entregue ao capataz da fazenda. Decidimos desviar da sede e passar pelo lago maior, a esquerda da mesma, pois é o caminho direto para a Pedra do Lagarto. Nosso almoço se dá no lago, que tem uma pequena cachoeira também, muito agradável. Campestrini e eu sacamos nossos mantimentos: biscoitos, amendoim, salame, etc... e Rafael seu pão integral e queijo branco. Aliás, este era o único alimento do Rafael, tirando a comida quente da noite. Comida quente que Rafael só trouxe porque nós falamos que íamos cozinhar a noite, senão era só pão e queijo nos 4 dias... Após o almoço começa uma nova subida, em direção a Pedra do Lagarto. Estamos deixando os vastos campos do Quiriri pra trás. Após a Pedra do Lagarto, lugar bem legal pra acampar, começa uma trilha batida e enlameada até a cabeluda, local de acampamento tradicional ao lado do Rio Três Barras e um pouco antes do Monte Crista. A galera vai muito pra cabeluda, subindo pelo Crista. Lá encontramos um pessoal de Joinville acampado, conversamos um pouco e decidimos seguir adiante e acampar mais pra frente. Achei a cabeluda mais limpa de quando passei lá em 2011, na travessia Garuva-Monte Crista, mas mesmo assim há um pouco de lixo. Vamos atrás de um lugar pra acampar. Os 5 anos modificaram o lugar, não achei as clareiras perto do Três Barras, acho que passei na trilha e não vi a entrada. Vamos atrás do local que acampei em 2011, uma boa clareira ao lado de um riacho. Chegando lá a clareira está tomada de mato. Resolvemos seguir adiante, a procura de um acampamento bom. Surgem alguns mais ou menos, todos com muito mato. Acho que o pessoal está indo mais pra Cabeluda e deixando a encosta do Crista de lado. Vamos seguindo, e num ponto onde a trilha se alarga há um belo e plano gramado. Já são 18:00 hs e apeamos ali mesmo. Armamos as barracas e começamos a fazer a janta. Eu estou sem fome novamente, faço um arroz de carreteiro que levei, mas não consigo comer quase nada. Que gostou foi o Campestrini e Rafael... O dia seguinte amanhece lindo, sol, céu aberto, sem nuvens. Nosso último dia de caminhada ia ser bonito, e quente... Sorte que a descida do Crista é por dentro da floresta, na sombra. Começamos a subir em direção ao cume do Crista, muitos cliques e filmes do belo visual. Vão surgindo vários locais bons para acampar. Chegamos à bifurcação, pra direita desce pra base e a esquerda sobe pro cume. Em 2011 quando passei aqui estava chovendo, por isso não fomos ao cume. Largamos as cargueiras e subimos. Aqui também há várias clareiras, mas precisa uma barraca boa, pois é alto e exposto aos ventos. No cume muitas fotos. Ligamos para a família pra dizer que está tudo bem e pra carona, pra acertar o resgate. Vamos à sentinela de pedra, mais cliques e começamos a descer. Essa descida do Crista é muito cansativa, levamos exatas 5 horas até o recanto. O calor é grande, e eu começo a me sentir fraco, um pouco tonto. Dou uma vacilada na água e fico sem num trecho longo, de mais ou menos uma hora. Minha moral está lá embaixo, acredito que junto com minha pressão. Quando chego ao riacho trato de tomar um carbo gel com isotônico, que me dá um up legal. Renovada as forças, vamos embora que estamos quase lá!!! Anda, anda, anda.... as costas doem, o cansaço é geral, e finalmente, perto das 15:00 hs chegamos ao Rio do Cristo!!!! Desta vez está fácil de atravessá-lo, com água abaixo do joelho. Já em 2011 foi tenso... Mais um pouco a ponte pênsil e o recanto do tiozinho, que nunca lembro o nome. Sucesso!!!! Mais uma travessia concluída!!!!! Tomamos uns três litros de Coca-Cola e vamos nos banhar no rio. Por falar em banho, estou repensando em fazer travessias de 4 dias no verão. Minha roupa de caminhada estava tão fedida que no terceiro dia tive que deixa-la do lado de fora da barraca pra conseguir dormir... Mais uma riscada do caderninho, Araçatuba-Monte Crista, uma das mais belas travessias do Brasil. 60 km de montanhas, campos, trilhas fechadas e abertas, visuais belíssimos. Valeu pela parceria Rafael Santiago e Rafael Campestrini, companhia é tudo numa travessia dessas, e vocês são nota 10! Muito obrigado ao Getúlio também, grande parceiro!!!! Getúlio foi quem me ajudou e muito no planejamento da empreitada e soube abortar a missão na hora certa. Não é fácil se preparar para uma travessia destas e na hora H ter que desistir. Muito obrigado ao Marcos também pela carona, que foi uma mão na roda. E principalmente, muito obrigado ao meu Deus, que nos proporcionou a oportunidade de mais uma vez estarmos contemplando toda a grandiosidade da Sua criação.
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