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  1. Alguma sugestão de Réveillon para pessoas solteiras em local que tenha hostel e camping que não custe meus rins?
  2. Fala pessoal, trazendo mais um relato pelo litoral baiano, dessa vez um pouco mais ao sul. O trecho que fiz saindo de Itacaré em direção a Barra Grande me motivou a fazer outro logo! hehehe (http://www.mochileiros.com/itacare-algodoes-a-pe-t141705.html) Idealizei essa travessia desde o carnaval, para realizar em abril, coincidindo com as férias, e fazendo um planejamento simples, por se tratar de um trecho curto. Serra Grande fica situada entre Ilhéus e Itacaré, e é uma pequena cidade que tem se desenvolvido mais atualmente, com surgimento de empreendimentos e inciativas com uma abordagem mais ecológica. Assim como toda a região, tem muitas opções de aventura, atividades ao ar livre e em contato com a natureza, oferecendo paisagens paradisíacas de rios, cachoeiras, costões rochosos e praias desertas. PLANEJAMENTO Idealizei fazer esse trecho saindo do pé da serra e contornando o costão rochoso pra então seguir pela areia até a praia da Engenhoca ou Jeribucaçu, isso tudo me baseando em muita pesquisa, vendo alguns vídeos do local no YouTube, imagens de satélite no Google Maps e fotos que procurava pela internet. Morei em Ilhéus minha vida quase toda e frequentava muito Itacaré, sempre de passagem por Serra Grande, mas nunca atento aos detalhes que eu precisava saber pra fazer esse trecho, principalmente do costão, (grau de declividade, distância "caminhável" entre a encosta e a água durante a maré seca, regularidade do solo nas rochas, entre outros) e, por esse motivo, o contorno do costão foi na completa aventura, já que essas pesquisas não me davam noção exata desses detalhes e não conheço ninguém que pudesse me dizer, me precavendo apenas com um tênis, que foi essencial! Entretanto, caso não fosse possível fazer esse trecho, subiria Serra Grande e desceria a trilha pro início da praia, local que inclusive já fui há um tempo. Pelo Google Maps/Earth, o trecho do pé de serra até Jeribucaçu deu um total de 16,3Km. Tinha observado um rio pequeno desaguando no trecho (Barra do rio Tijuípe) e, assim como qualquer caminhada de praia, é imprescindível que saiba a maré ideal pra o local que vai, que nesse caso seria seca. Isso pode evitar perrengues ou complicações (que vou citar a seguir! hahaha). Apesar de o trecho ser relativamente curto, não tenho costume de fazer grandes caminhadas e não sabia se dormiria no caminho ou se daria pra terminar em um dia, então levei a barraca. Como sempre tem muuuito coqueiro, acredito que fazer um trecho desse com rede e cobertura (lona, tarp...) deve ser uma boa, já que reduz o peso e volume da mochila. Além disso tudo, como já conhecia o início da praia, sabia que teria pelo menos um trecho de praia com declividade grande e areia grossa fofa (praia predominantemente refletiva), sabendo que seria hard caminhar nessa condição! ORGANIZAÇÃO De férias em Ilhéus, já tinha visto com muita antecedência o dia bom com maré seca pela manhã, para ter mais área de areia pra caminhar e um amigo iria comigo, mas cancelou na noite anterior ao dia combinado. Fiquei no impasse de ir sozinho ou cancelar de vez, mas a vontade era muita e me organizei pra ir sozinho no dia seguinte ao combinado. Consegui carona com outro amigo e tudo foi dando certo pra fazer nesse dia mesmo. Estava com uma cargueira de 35L. (Não levei minha câmera dessa vez, e a GoPro afogou uma semana antes, num acidente enquanto surfava . As fotos ficaram por conta do celular mesmo). CAMINHAR! A minha carona avisou que sairíamos de Ilhéus às 7h, me animei porque saindo essa hora a programação com o horário da maré ia encaixar tranquilo, entretanto acabamos saindo mais tarde, aproximadamente às 8h30. Chegando no pé de serra, me preparei e saí: camisa de manga comprida, óculos escuro e tênis! Do jeito que era acidentado, se caminhasse no costão descalço, chegaria sem pé . Saí às 9h50. O costão é acidentado em praticamente todo o contorno, mas em alguns trechos tem trilhas mais acima, que ficam na parte com grama, no pé dos coqueiros, inclusive já mostrando que passa gente por ali com certa regularidade, porque a trilha é bem marcada, provavelmente pelos pescadores que vi. Em algumas partes, caminha-se em parede quase vertical, e o "bastão de caminhada" (cajado de madeira hehehe) que achei no início me ajudou muito no apoio. A maré já estava cheia a um ponto considerável e cheguei a tomar alguns "sprays" das ondas em trechos mais estreitos, mas nada que pusesse a caminhada em risco, é sempre bom prezar pela segurança, ainda mais sozinho! Depois de andar mais um pouco sobre as rochas, surge um caminho bem fechado entre palmeiras baixas, que seguia até uma pequena praia onde vi algumas pessoas chegando e que aparentemente não tem acesso difícil, seguida por um grande gramado liso com coqueiros espaçados (gramado perfeito pra um camping! haha). Mais à frente, algumas piscinas naturais se formam entre as rochas, o visual é sempre convidativo e é tentador parar em cada lugar pra curtir um pouco. Depois, mais uma pequena (essa é beem pequena, com uns 10m de extensão!) praia paradisíaca com cara de cenário de filme/série, onde tinha uma família (4 pessoas), aparentemente da comunidade de Serra Grande, pescando. Dali pra frente, só mais um pequena parte e acabou o costão rochoso. O contorno do costão foi um trecho curto, mas bem puxado! Havia um pescador no início da praia, e era visível também muitos pontos de desova de tartaruga. Caminhei uns 100m até um lugar bom pra parar, me hidratar e comer algo pra então sair e iniciar a grande caminhada pela areia. Alguns metros depois, uma lagoa espelhada se destacou mais pra trás, muito bonita e parece ser um bom lugar pra acampar. Daí pra frente, o trecho segue praticamente o mesmo, com algumas casas bem grandes, mas vazias, dunas pequenas sempre beiram a praia e segue assim praticamente até chegar ao rio. Em cima das dunas se vê muitos mandacarus, e alguns tinham frutos que eu, com certeza, peguei pra comer! Quem conhece sabe como é bom e deve imaginar como foi bom esse achado! hahaha (importante não comer nenhum fruto se não conhecer! É melhor morrer de fome do que de envenenamento ). O RIO! Quando cheguei no rio tomei um susto! Tinha chovido um pouco nos dias anteriores, mas não imaginei que tivesse aquela intensidade de fluxo...pra dentro do rio! A maré estava enchendo e as ondas quebravam e entravam com força. A travessia era bem curta,15 a 20m. Dois pescadores estavam jogando tarrafa no rio e ainda de longe vi que um deles estava atravessando com água quase no pescoço e dava algumas braçadas pra conseguir andar e vencer a correnteza. Do lado de cá, chamei eles e gesticulei com a mão, perguntando em que altura estava a água, quando um deles fez o nível acima da cabeça. Nessa hora, tive uma breve certeza de que acamparia do lado de cá do rio, pra na manhã seguinte, na maré seca, atravessar e continuar. Larguei a mochila na beira e resolvi checar por conta própria, dando uma analisada visualmente antes, pra ver onde parecia estar mais raso. A correnteza estava forte, a areia era fofa e afundava o pé até um pouco acima do tornozelo e as ondas não paravam de entrar, andei até a metade e atravessei o resto com ajuda de braçadas, assim como o pescador. Do outro lado, dei uma olhada melhor, fui mais pra frente, voltei, fui de novo, olhei, olhei e atravessei traçando uma diagonal até o outro lado, dessa vez com a água no peito, chegando ao ombro. Dei uma pensada e confesso que quaase fiquei por ali mas, além de ter achado um local mais raso pra atravessar (mas ainda assim arriscado), ainda era cedo, 12:10! Única coisa que estragaria realmente se acontecesse de molhar a mochila acidentalmente, seria o celular, pois o resto era "recuperável" (claro que seria terrível molhar a barraca, mas é mais fácil de enxugar e recuperar). "Embrulhei" o celular em duas sacolas plásticas, pensei mais um pouco e resolvi atravessar segurando a mochila acima da cabeça pelo caminho que tinha traçado. Sim, deu tudo certo, mas foi bem hard hahaha, a mochila estava com um peso considerável, e todos os outros fatores dificultaram bastante também. Atravessei e deitei na água na "lagoa" que se formava do outro lado, muuuito boa pra tomar banho e além dos pescadores na beira do rio, só estavam duas meninas com uma mulher tratando uns peixes, à qual pedi pra tirar uma foto minha . (link com um vídeo curto que fiz do rio, depois de atravessar: ) -Observação 1: muito importante analisar as condições do rio, bem como do local e o seu preparo e conhecimento de corrente, maré e etc., PRINCIPALMENTE ESTANDO SOZINHO. O risco de se afogar existe até para os mais experientes mesmo nas condições mais desprezíveis e a análise dos riscos podem livrar de um perrengue. Além da correnteza jogando para dentro da lagoa do rio, a profundidade era pouca, tenho boa natação, não atravessei preso à mochila (poderia largar para nadar) e haviam pessoas ali. Na dúvida, é melhor não arriscar! -Observação 2: por mais que tenha visto a desembocadura do rio pelas imagens do Google Earth, esse ambiente tem um perfil que está constantemente sujeito a mudanças causadas pelas forçantes locais como: ondas, maré, fluxo do rio, entre outras. O perfil que encontrei lá pessoalmente, já estava BEM diferente do que observei pelas imagens então, é bom estar preparado para isso (olhando as imagens históricas do Google Earth, vi que nas imagens de 2010 a desembocadura chegou a ter aproximadamente 100m de uma margem à outra, aparentemente com uma profundidade considerável, condição praticamente impossível de atravessar sem ajuda de um barco ou algo do tipo!). Dessa parte em diante, a praia já fica menos inclinada e em vez de dunas, uma mata fechada com muitas palmeiras e coqueiros beirava a praia, e seguiu assim até chegar num "morro" pequeno que debruçava na água, com um riacho na lateral (um pouco antes disso, vi um esqueleto de baleia realmente grande!). Comecei a subir o morro por uma trilha, que tinha uma cerca com uma passagem, mas na dúvida se também teria passagem do outro lado, resolvi voltar e contornar por baixo. Depois de contornar o morro, um coqueiro baixo com um cacho de cocos chamou minha atenção e não resisti em subir e tirar: bebi muita água de coco e segui. Nessa parte depois do morro, tinha também uma cerca com uma propriedade imensa com uma casa e até alguns cavalos pastando! A partir daí, algumas casas de alto nível, depois o resort Txai e a praia de Itacarezinho, onde vi que não tinha possibilidade de contornar o costão rochoso para a Engenhoca, porque tem uma declividade muuito acentuada. Me informei da trilha que sai dali para a Engenhoca, tomei um banho gelado na bica e segui. Nunca havia feito essa trilha de Itacarezinho pra Engenhoca, e é uma trilha bem fácil e bonita. Antes da Engenhoca, ainda se passa por duas praias, a primeira (pelas pesquisas, o nome parece ser Camboinha) estava deserta, e a segunda é a Havaizinho, conhecida, que tem estrutura bem simples de barraca de praia, dali pra Engenhoca é um pulo, mais dez minutos e finalizei o percurso na Engenhoca mesmo, às 15h15, totalizando 5h25 de percurso. Já era fim de tarde e cheguei à conclusão que não valeria a pena dormir ali para no outro dia só fazer o trecho até Jeribucaçu. Atualização: fiz uma estimativa do tempo parado, me baseando em fotos que havia feito na hora de cada parada longa e quando voltava a caminhar. Como além das paradas longas parei algumas vezes rapidamente pra tirar fotos e não contei o tempo, estimei um tempo somando cada foto. A soma das paradas longas totalizou 1h10min, mais uma estimativa de 20min das paradas curtas, resultando aproximadamente 1h30min de tempo parado. Dessa forma, o tempo efetivo de caminhada estimado foi de 3h50min. Considerando a distância do percurso como 15Km, a velocidade média foi de 3,9Km/h. Espero conseguir comprar meu GPS logo pra ter essas informações de forma mais prática e exata! O QUE APRENDI NESSA TRAVESSIA: -Nunca tinha usado "bastão de caminhada" e foi muito útil não só no costão rochoso mas também na praia; -Em casos como esse, trocar a barraca por uma rede e cobertura talvez seja ideal; -Acondicionar as coisas em sacos estanques dentro da mochila é realmente importante, ficaria menos preocupado no caso do rio, por exemplo; EQUIPAMENTOS USADOS: -Curtlo Highlander 35+5L -Azteq Nepal 2 (não usei)
  3. ORGANIZAÇÃO/PLANEJAMENTO Moro em Salvador e, de férias regulares, não poderia ter melhor oportunidade para realizar essa trip. Não lembro exatamente quando pensei nesse trecho, mas já estava planejando havia um bom tempo e queria fazer pelo menos o trecho de Itacaré a Barra Grande, que não finalizei da primeira vez (https://www.mochileiros.com/topic/58177-itacaré-algodões-a-pé/). Quando defini qual seria o trecho, revisava o planejamento com frequência pra ter certeza de que nenhum ponto estava passando em branco. Inicialmente, o planejamento era de sair de Itacaré e ir até Morro de São Paulo, passando o réveillon em Moreré, que acabou sendo o destino final por causa de imprevisto (no dia 1 em Moreré, senti uma dor muito forte no tendão que se estendeu por alguns dias e mal conseguia andar. Não seria prudente continuar a travessia nessa condição). Voltei do natal no Rio e chegando em Salvador só troquei de mochila e segui para o ferry boat para iniciar a viagem. Digo iniciar a viagem, porque ainda na travessia do ferry boat encontrei um amigo e comentei sobre estar ansioso para a travessia, quando ele me falou "nem precisa, já está acontecendo", e me dei conta de que realmente eu já estava a caminho, a viagem já tinha começado. Estava usando uma mochila cargueira de 40 L com aproximadamente 15 Kg. Como pretendia passar o réveillon em Moreré e sairia de Itacaré no dia 27, teria que andar pelo menos 19Km por dia até o dia 31, pernoitando na praia. Como já disse em outros relatos, é importante lembrar que para caminhada em praia, tem que saber a tábua de marés para os dias planejados, do contrário, por falta de planejamento pode pegar uma maré cheia para caminhar, por exemplo, e terá que ir pela areia fofa, obrigando a parar ou dobrar o esforço de caminhada e, assim, dificultando o percurso. 1º DIA Como o ônibus de Bom Despacho (ferry boat) para Itacaré demora, cheguei em Itacaré já umas 15h, e acabei saindo tarde de lá. Não tinha mais nada pra fazer e saí da rodoviária já em direção à orla pra fazer a travessia de barco. Chegando lá, tem alguns barqueiros que fazem a travessia do Rio de Contas para a praia do Pontal por 5 reais. Cheguei do outro lado e só precisei me arrumar e iniciar a caminhada, que foi aproximadamente às 15h30. A praia do Pontal é pouco frequentada, e só tinha um grupo de umas 6 pessoas. Daí pra frente, como já esperava, só vi pessoas em frente a Piracanga. (travessia do Rio de Contas, Itacaré) Chegando em Piracanga, o rio me surpreendeu pelo nível. Tive que tirar a mochila e atravessar antes pra conferir o nível e caminho onde poderia atravessar "tranquilo". Depois de conferir, atravessei com água 5 dedos acima do umbigo, carregando a mochila na cabeça e 3 pessoas me assistindo do outro lado. Como eu queria essa cena registrada! 🤣 Segui caminhando e parei pra descansar já com tudo escuro e aproximadamente 13 Km caminhados, onde abri a canga, deitei e fiquei deslumbrado com aquele céu inteiro numa praia deserta, tudo só pra mim, contando inúmeros satélites e estrelas cadentes e acabei dando uma cochilada. Acordei recarregado e continuei caminhando, até fechar os 19 Km desse primeiro dia. No meio do caminho, dei de cara com um cachorro, que só vi quando estava a uns 3 m de mim, já latindo e vindo em minha direção, era um risco que eu não tinha previsto, mas me saí bem, só acendi a lanterna na cara dele, fui pra beira do mar e virei de costas pra água garantindo que não viria nenhum outro cão surpresa junto com ele, enquanto o afastava com um pedaço de pau (um "cajado") que tinha em mãos. Ele entendeu que eu não era uma ameaça, continuou latindo, mas ficou parado, e fui andando com a lanterna ainda acesa, vendo aqueles olhos caninos brilhantes se distanciando na escuridão Parei em um ponto mais pra frente, armei meu acampamento e deitei pra dormir. Fui acordado em algum momento no meio da noite por dois cachorros latindo, que acredito que era o de mais cedo com um outro. Só precisei espantar eles batendo em um pedaço de pau e continuar dormindo. Total percorrido: 19,5 Km 2º DIA Acordei bem cedo com um nascer do Sol que não assistia havia muito tempo. Contemplei aquele momento por um instante, tirei algumas fotos e voltei a dormir, acordando de novo já perto das 8h. Comi, tomei um banho (de mar, obviamente), arrumei as coisas e segui caminhando. Com cerca de 2 Km, cheguei a Algodões, local onde a quantidade de habitações, pessoas e barracas já chama a atenção, e foi onde passando por um caminhante na praia, ouvi um comentário sobre uma das minhas tatuagens: três diafragmas de lentes fotográficas, o bastante para reunir e dar assunto entre eu, um fotógrafo das horas vagas e amante dessa arte e ele, um estudante de cinema, que me acompanhou por uns 4 Km enquanto conversávamos sobre a minha caminhada, sobre fotografia, cinema, filmes e temas afins. Foi meu primeiro contato e interação em 24 Km, e durante a conversa eu nem vi o tempo e caminho passarem. (meu xará, estudante de cinema, com quem troquei algumas ideias) Daí pra frente segui caminhando e comecei a ficar atento ao GPS, porque tinha marcado um waypoint na entrada com menor caminho para a lagoa do Cassange, onde já tinha planejado uma parada de descanso com banho doce e talvez almoço. A lagoa é bem bonita, bem rasa (andei mais de 50 m em direção ao meio e a água não chegou nem na cintura), com água quente e cheia de peixinhos que ficaram mordiscando enquanto eu estava de molho. Após o banho, dei uma olhada no cardápio da barraca que fica na beira da lagoa para saber a possibilidade de almoçar ali, e os preços eram bem altos, mas nada surpreendente para Barra Grande em alta estação. Fiz um lanche com o que tinha na mochila, fiquei um bom tempo descansando e segui a caminhada. (Lagoa do Cassange) Essa parada na lagoa durou quase 2h, deu pra descansar bastante e passar o horário de sol a pino, além de dar o tempo de a maré secar toda, melhorando a área de caminhada na areia. Andei até um pouco antes de Taipus de Fora, e abri a canga pra descansar de novo, onde dei mais uma daquela cochilada revigorante e gastei mais um bom tempo observando o visual e o movimento na praia enquanto pensava sobre seguir para dormir mais a frente ou parar por ali, já que já tinha percorrido um total de 40 Km nesse ponto. O Sol já estava se pondo, mesmo assim resolvi pegar a mochila e ir andando devagar, mas logo que fiz a curva de Taipus de Fora já parei e fiquei olhando de longe: eram muitas casas, muita gente, festa, barraca...não seria legal dormir por ali, se é que acharia um lugar tranquilo e onde pudesse dormir. Fiquei olhando por uns cinco minutos e vi um casal, aparentemente andarilhos também, me olhando de longe, com mochilas, sentados mais acima da areia e fui falar com eles: -Estão vindo de lá de Barra? -Sim, estamos indo pra Itacaré -Maravilha! Estou vindo de lá, saí ontem à tarde. -Olha aí, mais um colega de caminhada haha -Pois é haha sabem me dizer se seguindo a praia a partir daqui é sempre assim com muita casa, cheio de gente? Estou procurando um lugar pra dormir na rede e virei aqui já desanimando com tanto movimento. -Nãão, se você apertar o passo, depois daquela ponta ali vai ter umas barracas com cobertura de palha que ficam armadas para o pessoal ficar durante o dia, mas à noite é bem tranquilo, não fica ninguém e dá pra armar a rede e dormir bem lá. -Ótimo, vou seguir! … A ponta que ele indicou ficava a aproximadamente 1 Km, e obviamente eu fui em busca das barracas com cobertura de palha para dormir, afinal, eu estava bem cansado, mas 1 Km não é tanto assim e dormir bem seria importante. Andei, passei da ponta, andei, andei, andei, andei e depois de uns 4 Km sem ver nenhuma estrutura semelhante ao que ele descreveu, decidi que qualquer estrutura que aparecesse, eu pararia, quando logo depois vi, na praia da Bombaça, ao lado da entrada de um terreno com casarões, uma armação de bambu com um tecido branco e algumas palhas de coqueiro por cima, era ali. Montei a rede, deitei e depois de observar a movimentação de algumas pessoas da casa pela praia observando o céu, apaguei, mas acordei algumas vezes durante a noite com carros, quadriciclos e motos passando, além do frio que fez na madrugada. Foi uma noite bem difícil porque eu não tinha mais recursos para me proteger do frio e fiquei lutando com ele por um bom tempo. Total percorrido: 45 Km 3º DIA Apesar de algumas nuvens densas se aproximando pelo Norte, mais uma vez acordei com um nascer do Sol maravilhoso, mas dessa vez não dormi de novo. Fiquei observando a praia e algumas pessoas já passavam por ali quando levantei da rede pra arrumar minhas coisas e iniciar minha caminhada logo em seguida, já às 6h40. Com menos de 1 Km de caminhada, vi as estruturas que o cara me falou no dia anterior e percebi que tinha dormido no lugar "errado". 😂 Passei a Praia dos três coqueiros, farol, Ponta do Mutá e cheguei no “centro” de Barra Grande com uma hora de caminhada. Logo que cheguei, fui ver como faria para atravessar para a Barra do Serinhaém, e o pessoal das empresas que operam as lanchas não tem esse trecho nos serviços deles, então é um pouco complicado. Não é tão fácil como poderia ser, mas dei sorte depois. Depois de terem me cobrado 250 (duzentos e cinquenta!!!!) reais para atravessar, resolvi tomar logo um café da manhã na padaria e voltaria pra resolver isso e, obviamente, achar outra forma (e outro valor) para atravessar. Caminhei até o final do píer e fiquei lá “queixando” carona para cada barco que encostava pegando ou deixando passageiros, sem sucesso em todos eles, já que a travessia era meio contramão para o caminho usual que eles costumam fazer. Depois de tentar em alguns, comecei a conversar com alguns caras que estavam no píer comigo, todos trabalhando, ajudando a carregar, coordenando ou ligados de alguma outra forma às movimentações de embarcações que aconteciam ali. Falei brevemente sobre minha viagem e para onde estava indo e um deles colou comigo e ficou conversando, quando me falou -não sei se para confortar ou para desanimar- que SE eu conseguisse a travessia, poderia ser no fim da tarde, quando alguns trabalhadores residentes de Barra do Serinhaém voltavam de Barra Grande pra lá e eu, com essa informação, ao mesmo tempo que pensei no tanto de tempo que perderia esperando até o fim da tarde, me confortei sabendo que pelo menos de uma forma eu conseguiria atravessar. Não se passaram cinco minutos e esse mesmo cara gritou: -Ó lá quem vai te levar pra Barra! Eeei! - gritava e acenava para um casal numa lanchinha saindo da praia - leva esse amigo nosso aqui pra Barra! Eu, atrás dele, pulava, balançava os braços, acenava e assobiava alto para chamar atenção do casal e não passarem direto😂. O piloto prontamente mudou a rota, encostou no píer e eu só desci a escada e embarquei, feliz da vida e agradecendo mil para o brother que arranjou a carona pra mim. Seguimos e eles não me cobraram nada pela travessia (afinal, ele já estava indo pra lá). Parei, e segui procurando a casa de uma amiga com quem já tinha falado previamente e estava à minha espera. Nessa parada, tomei banho de chuveiro com xampu e sabão, fui servido com um prato de frutas muito farto e ainda almocei uma moqueca deliciosa hahaha, não sei se ela e a família tinham noção disso, mas a recepção, cada gesto e ato de generosidade foram extremamente significantes pra mim, e agradeço demais por aquilo, saí de lá revigorado, muito bem alimentado e com disposição para continuar firme na caminhada. Depois de almoçar, descansei por uma hora e comecei a reorganizar minha mochila, para sair perto das 15h40, quando comecei a caminhada saindo da Barra do Serinhaém em direção à praia de Pratigi. (início da praia de Pratigi) Pratigi é uma praia bem extensa, toda dominada por plantações de coco, e depois de andar por uma boa extensão, logo após o pôr do Sol resolvi que iria parar porque meu saldo estava bom (tinha andado 26 Km no segundo dia, então a meta desse dia era menor, não precisava me estender tanto) e meus pés já doíam, entretanto, acabei sendo obrigado a andar mais quando subi a faixa de areia indo pegar materiais para montar um abrigo e fui surpreendido por um enxame de mutucas me rodeando. Como estava ventando, continuei andando na esperança de elas perderem meu rastro e eu poder parar logo, mas eu parava de vez em quando checando e ainda via algumas voando ao meu redor, e nessa história, tive que andar mais 4 Km com os pés doendo e no escuro até finalmente parar e não ver mais nenhuma mutuca. Parei, catei materiais, montei o abrigo e finalmente pude deitar e dormir. Estava a 2 Km da vila de Pratigi e apesar de não ter movimento na praia, as luzes da vila eram bem fortes. Total percorrido: 75 Km 4º DIA (abrigo montado no primeiro e terceiro dia) Acordei umas 5h, e se não fosse o abrigo eu certamente sentiria frio, já que tive que me cobrir durante a noite. Levantei e percebi que tinha parado exatamente no local onde acontece o Universo Paralello quando reconheci a estrutura ainda resistente da cozinha comunitária (era uma estrutura de barro, por isso devem ter deixado por lá do jeito que estava). Estive no festival no ano anterior e tudo aqui estava irreconhecível sem movimento, música, luzes, pistas e estruturas montadas. Iniciei a caminhada planejando a parada na vila de Pratigi para poder trocar dinheiro caso precisasse pagar para a próxima travessia de barco. Parei lá e rodei em algumas barracas até conseguir trocar uma nota de 100: início da manhã de um domingo, não estava fácil trocar uma nota de valor alto, mas consegui e segui. 1 Km depois da vila tem um riozinho raso com travessia tranquila com a água pouco acima do joelho e 4 Km depois cheguei na Barra do Carvalho. Nesse ponto, tirei a mochila e acenei para alguns barcos que passavam para saber se iriam atravessar em direção a Cova da Onça ou Ponta de Castelhanos, e nada. (Barra do Carvalho) Sentei e fiquei esperando por cerca de uma hora até decidir ir para a parte de dentro da ponta de areia que se formava ali e na mesma hora que levantei e comecei a andar, surgiu um pessoal vindo andando no sentido oposto. Fui andando, dei de frente com o grupo e perguntei como tinham chegado ali, quando me responderam e apontaram os barcos parados, meus olhos quase brilharam de felicidade. Fui direto ao barqueiro perguntar se faria a travessia para Cova da Onça e o mesmo prontamente me negou com a cabeça. Fui atrás do dono do outro barco, que estava com a família já preparando um churrasco naquela prainha enquanto comiam alguns petiscos e tiravam cervejas geladas dos isopores que tinham levado, e me disse que era uma travessia pouco feita, difícil e depois de pensar e enrolar um pouco, me cobrou 50 reais, ao mesmo tempo que me perguntou se queria comer alguma coisa, “que ficasse à vontade”. Ainda era cedo, neguei. Depois de pagar 5 reais para atravessar o Rio de Contas, 50 reais me soava um preço altíssimo e eu tive que negar, resolvi esperar por mais tempo. Sentei já com pouca esperança e imaginando ter que dar os 50 reais mais tarde mas, passado mais um tempo, chegaram mais dois barcos dos quais tive uma negação e uma oferta de travessia por 20 reais: o preço já tinha melhorado! Ainda assim, resolvi esperar mais um pouco e uma pessoa que estava com o barqueiro que me cobrou 20 reais chegou perto de mim e começou a conversar, perguntando sobre a viagem, o que eu estava fazendo, etc., perguntas que àquela altura eu já estava acostumado, e me ofereceu um prato de almoço, que pelo tempo que já tinha passado, eu não pude negar. Mais um tempo de espera, já olhando pro horizonte pensando em qualquer coisa, esquecendo por um instante que eu estava à espera de uma travessia, ouço uns gritos. Era o segundo barqueiro, chamando atenção de um barco que passava e me chamando pra ir até lá. O barco, no qual embarquei prontamente, era de um primo dele que estava de passagem indo para Cova da Onça só com o filho pequeno a bordo. As 2 horas e 40 minutos de espera compensaram o custo nulo da travessia e, durante o caminho, que durou uns 20 minutos, conversei bastante com o dono do barco, que me explicou - e mostrou, enquanto “zigzagueava” - o motivo de aquela ser uma travessia tão evitada: a batimetria ali é muito ruim para navegação porque além de ser raso, tem muitas rochas, bancos de areia e recifes e nem todo mundo conhece bem o local mas ele, com muito conhecimento do local e, claro, aproveitando a maré cheia, passava com maestria pelos locais que indicava perigo e eu, enquanto conversava com ele, ia debruçado na lateral vendo nitidamente o fundo passando bem raso. Chegando em Cova da Onça, ele me explicou por onde eu pegaria o caminho até Ponta de Castelhanos, meu próximo destino. Pedi água numa casa com duas senhoras na frente, que encheram minha garrafa de 1,5 L sem problema e segui ansioso por esse próximo trecho, afinal, eu já estava bem próximo do fim. A caminhada de Cova da Onça até Ponta de Castelhanos foi, sem dúvida alguma, onde mais suei e cansei. Por ser uma estrada de areia fofa que passa por trás do mangue, acaba sendo uma área protegida de vento, pior ainda considerando o Sol escaldante do início da tarde na areia fofa. Depois de pouco mais de uma hora de caminhada, cheguei à praia de Castelhanos, um dos paraísos na Terra. Não queria perder muito tempo e fui logo ver como era a travessia para pegar a trilha do mangue e chegar em Moreré. Depois de conversar com dois canoeiros, me disseram que existia a travessia de barco direto para Moreré, por 40 reais, e a travessia para o início da trilha do mangue, por 10 reais, que era a que eu estava procurando. Sentei um pouco enquanto conversávamos e depois subi na canoa para atravessar, enquanto um deles me levava dando orientações sobre a trilha. A travessia do rio dura 5 minutos, e a trilha, que é dentro do mangue fechado, iniciou com água acima do tornozelo e, para o meu alívio, o fundo era de areia sem afundar o pé, ao invés de lama que afunda até o joelho, como é comum em manguezais, o que seria bem ruim de lidar com uma mochila pesada nas costas😅. A trilha é linda, e segui sozinho por ela, passando por mangue, apicum, coqueiros e até uma pequena plantação de cana, até chegar na praia de Bainema, e depois, finalmente, na vila de Moreré. (Praia de Bainema, pouco antes de chegar em Moreré) Total percorrido: 100 Km OBSERVAÇÕES: -Acabei usando a rede só em uma noite, dormindo nos abrigos que montei na areia nas outras duas noites, então acredito que poderia abrir mão da rede (peso e volume) e dormir no abrigo todas as noites. -Um ponto importante que ainda preciso melhorar é a alimentação. De forma alguma passei fome ou me alimentei muito mal, mas investir em comida liofilizada é uma prioridade urgente para reduzir o peso e volume da mochila. -O GPS foi uma das melhores aquisições que fiz e realmente faz muita diferença, me possibilitando acompanhar meu rendimento com dados de quilometragem percorrida e velocidade média, além de poder marcar pontos de interesse como entradas de lagoas, possíveis pontos para acampamento, pontos de apoio, etc., e, claro, gravar o tracklog para compartilhar com quem tenha interesse em realizar o mesmo percurso. TRACKLOG NO WIKILOC: https://www.wikiloc.com/wikiloc/view.do?pic=hiking-trails&slug=travessia-itacare-morere&id=31923513&rd=en EQUIPAMENTOS USADOS: -Curtlo Highlander 35+5L -Camelbak Chute 750ml -Garmin eTrex 30x
  4. Oi pessoal! Pretendo ir pro Havaí em Fevereiro, e tô com muita dúvida! Tô com muita dificuldade de encontrar informação também. Não acho lugares baratos pra ficar, etc. Preciso de ajuda de quem já foi pra lá!!
  5. Salve salve mochileiros! Segue o relato com as dicas para fazer trilhas, cachoeira e conhecer três praias em um bate e volta de 2 dias bem perto da cidade de São Paulo. Este relato será baseado na minha última visita a Prainha Branca porém contém dicas e fotos de todas as vezes que fui neste paraíso! 1º Dia: Ida - 29/04/18 - 11h00min - São Paulo x Bertioga x Guarujá - Metrô e Trem R$4,00 - Vans e Carros R$25,00 - Empresa de Ônibus Viação Breda R$26,00 - Camping Tabajara R$30,00 Partindo de São Paulo do bairro de Perdizes, peguei o METRÔ de SP na estação Vila Madalena (linha verde) até a estação Paraíso (linha Azul) para baldear até a estação Sé (linha Vermelha) e depois até a estação Brás (linha Vermelha). Aguarda por alguns minutos pelo trem da CPTM com sentido a estação Guaianazes (linha Coral) onde acontece a troca de trens (se dirija ao primeiro vagão do trem, pois no desembarque você poderá ter problemas por causa do fluxo contrário). Feito a troca é só pegar sentido estação Estudantes (linha Coral) com tempo de aproximadamente 1h10min este primeiro trecho. Na estação Estudantes existe um terminal de ônibus com passagens para Bertioga por R$26,00 e com tempo estimado em 1h30min. A linha é a Mogi x Bertioga e o tempo de descida depende de como está o fluxo do trânsito no dia. Em feriados prolongados e datas festivas acontece muito fluxo por essas estradas e o tempo de descida pode demorar um pouco mais para chegar até Bertioga, então fiquem ligados. No mesmo terminal assim que você sai das catracas da estação Estudantes de trem, algumas pessoas vão te oferecer o mesmo caminho feito por carros ou vans pelo valor de R$25,00 por pessoa. É só aguardar por alguns minutos até fechar a quantidade de um carro (4 pessoas) ou van (10 pessoas) que acontece a descida (nos feriados, reveillon e carnaval a espera é bem rápida pois muitas pessoas fazem este percurso, então vale a pena esperar). Chegando em Bertioga fomos até a balsa para fazer a travessia até o lado do Guarujá, onde fica a trilha para a Prainha Branca. A travessia de balsa dura aproximadamente uns 15 minutos e chegando é só seguir poucos metros para o começo da trilha para Prainha Branca pois fica bem perto da balsa. A trilha de nível fácil hoje está calçada até a vila ficando de fácil acesso inclusive em dias de chuva, dando um tempo de aproximadamente 10 a 20 minutos. Pronto, chegando na vila da Prainha Branca onde tem toda infraestrutura da praia com padaria, mercadinhos, camping, pousadas e alguns restaurantes, tudo bem simples mas bem receptivos. Chegando na praia seguimos para o lado esquerdo e caminhamos por uns 10 minutos até o Camping Tabajara que fica quase no final da praia. Fechei o valor de R$30,00 por pessoa com banheiros, chuveiro quente, cozinha compartilhada (fogão, geladeira, mesa, cadeiras e alguns utensílios de cozinha), com Wi-fi e uma bela área para acampar. O camping fica a poucos metros da praia então você dorme com o som das ondas a noite quando o silêncio do lugar prevalece. www.campingtabajara.com/ Acampamento montado, mochila guardada bora curtir o dia na Praia Branca. Como era um feriado prolongado e muitos iriam trabalhar na segunda-feira, a praia não estava nem muito cheia e nem muito vazia, estava meio a meio. Ficamos o resto do dia nesta praia com um por do sol nas montanhas fantástico com cores muito fortes e assim que o sol se foi uma Lua digna de uma pintura se levantou no céu ainda azulado. Ela parecia que nascia de dentro do mar iluminando cada vez mais enquanto se erguia no céu. Horas de contemplação para esse momento pois era de uma beleza única! Fui informado que aconteceria um Luau na praia mais a noite, então fomos para o camping para pegar alguns drinks e bora pro luau que aconteceu no meio da Prainha Branca e foi sensacional, a lua iluminando toda praia ao som de uma banda que só tocava os sons que você mais gosta, foi muito boa a vide e o clima do pessoal. Na praia mesmo existem algumas barracas com porções de peixe, batata frita, calabresa, cervejas e drinks mas seus preços são um pouco salgados por estarem localizados na areia da praia, então vale a pena dar uma pesquisada antes. Após comer um belo peixe frito e tomar uma bela garrafa de vinho fomos para o camping descansar pois o dia seguinte teria que acordar cedo para fazer as trilhas para conhecer as outras duas praias e a cachoeira. 2º Dia: Volta: 30/04/18 - 21h30min - Guaruja x Bertioga x São Paulo - Metrô e Trem R$4,00 - Vans e Carros R$25,00 - Empresa de Ônibus Viação Breda R$26,00 - Almoço Restaurante Lipe Point R$15,00 a R$20,00 Por volta das 6h00 da manhã com nascer do sol maravilhoso na Prainha Branca tomamos nosso café da manhã, aprontamos nossas mochilas com alimentos e água e bora trilhar. Andamos a Prainha Branca até o final e como ainda a maré estava baixa, teve a possibilidade de conhecer a ilha que fica bem pertinho da praia a pé mesmo atravessando pelo mar. Tem um trilha que corta a ilha atravessando do outro lado tendo uma vista muito linda. Voltamos e fomos em direção a entrada da trilha para a Praia Preta que fica no canto do último restaurante da praia. Ou se não encontrar é só perguntar pro pessoal do restaurante que te informarão onde fica. A trilha é de nível fácil também e leva aproximadamente uns 15 a 20 minutos até a Praia Preta. Quando estiver quase chegando, quando você conseguir ver e ouvir o mar, vai ser quando aparecerá uma bifurcação, vá para o lado esquerdo descendo a trilha, pois se continuar reto irá chegar na cachoeira que fica uns 20 minutos a frente. A cachoeira não é muito grande, mas da pra tomar um belo banho na sua queda para renovar as energias. Descemos a trilha e ficamos contemplando a Praia Preta que geralmente fica vazia pois não tem nenhuma infraestrutura na praia e nem se pode acampar por lei, mas algumas pessoas ainda sim acampam. Eu mesmo já acampei uma única vez na Praia Preta em uma outra vez e fui surpreendido pelo helicóptero da Polícia Ambiental que desceram na praia e mandaram desmontar a barraca imediatamente ou seria multado pelo crime previsto na lei ambiental. Ficamos algumas horas na praia preta e de lá fomos para mais uma trilha, agora para a Praia do Camburi. A entrada da trilha fica no final da Praia Preta, é de nível fácil e leva uns 25 minutos até a Praia do Camburi. A praia é cortada por um rio de água doce que faz um contraste lindo com o mar. A praia também não tem infraestrutura nenhuma porém existe uma casa de um senhor que dependendo do seu humor ele pode te arrumar um lugar para acampar, tudo bem barato. Mas lembre - se, isso só acontece se o humor do senhorzinho que reside lá estiver bom rsss. Contemplamos por horas esse pedacinho de paraíso, como chegamos de manhã na praia, ficamos com ela somente para nós. Esta sensação de estar sozinho em uma praia é maravilhosa, te dá a sensação de liberdade! Ficamos horas nesta praia contemplando cada pedacinho de paraíso ali. Pra voltar para a Prainha Branca onde estava o camping é só fazer o mesmo caminho, não tem erro. Chegando na prainha branca almoçamos em um restaurante que fica nas pequenas ruas da vila chamado Restaurante e Pousada Lipe Point, pedi um tipo de prato feito que vem em um bandejão por R$15,00 a R$20,00. Barriga cheia e pé na areia! Fomos direto para a praia, dormi algumas horas de frente para aquele mar fantástico, com um céu azul, um sol lindo ai foi só encontrar uma boa sombra debaixo das árvores para algumas horas de sono. Corpo descansado ficamos por alguns estantes na praia até o anoitecer, quando recebemos de presente o nascer da lua ainda mais linda que na noite anterior. Ela estava fantástica iluminando mais uma vez toda a praia e a vila da Prainha Branca. Foi emocionante! Após este presente da natureza retornamos ao camping para levantar acampamento e fazer a trilha de volta para a balsa para poder voltar a São Paulo. Assim que você sai do camping ao invés de retornar até a vila para fazer a trilha de volta, dentro do próprio camping já tem uma outra trilha que se encontra com a principal e corta um bom caminho, fazendo com que não tenha necessidade de andar nas areias com mochila nas costas, o que é muito cansativo. Então quando for sair do Camping Tabajara se informe com o proprietário do camping, o Marcelo, onde fazer a trilha para a balsa. A trilha é de fácil acesso e te leva até a trilha principal para retornar a balsa. Chegando na balsa é só aguardar alguns minutos para que a balsa possa ter o número de carros e pessoas para a travessia até Bertioga. Chegando em Bertioga é só caminhar até as feirinhas e perguntar onde fica os guichês da empresa de ônibus Viação Breda que sai de Bertioga até a Estação Estudantes pela Mogi-Bertioga. O valor da passagem é de R$26,00 e tem a duração de 1h30min dependendo do trânsito no dia. Sugiro que comprem as passagens de volta antecipadamente em feriados ou datas festivas pois corre o risco de acabar. Chegando na estação/terminal Estudantes (linha Coral) é só pegar o trem sentido Guaianazes (linha Coral), trocar de trem e pegar sentido estação da Luz, ai faz a baldeação para a Estação Paraíso (linha Azul) e de lá para a Estação Vila Madalena (linha Verde). Pronto nosso bate e volta de dois dias ao litoral saindo de São Paulo esta feito! Espero ter ajudado em algumas dicas e fico a disposição para qualquer dúvida. Vlw Facebook: https://www.facebook.com/tadeuasp Instagram: https://www.instagram.com/tadeuasp/
  6. EXPERIÊNCIA EM JERICOACOARA Vou fazer aqui um resumão da viagem😉. Começando pelo transfer. Existem duas formas de chegar até Jeri, uma é saindo de Fortaleza e a outra é saindo de Cruz, uma cidade que fica bem mais próxima de Jeri. Saindo de Fortaleza o translado dura em torno de 6 horas, são 5 horas de Fortaleza até Jijoca e mais uma hora de Jijoca até a Vila de Jeri. Saindo de Cruz o translado até a Vila de Jeri dura em torno de uma hora e meia. Só lembrando que Jericoacoara não tem aeroporto, é em Cruz o aeroporto mais próximo de Jeri. Chegando em Jijoca é cobrada uma taxa de turismo, o valor é de 5 reais por cada dia que você vai ficar na cidade. Bom, tem 3 opções de Passeios em Jeri, são os seguintes: Passeio do Lado Leste, Passeio do Lado Oeste e o Passeio de Barrinha. Esses passeios são feitos de buggy ou de Jardineira(Hilux). O Passeio do Lado Oeste inclui: Mangue Seco, Cavalo Marinho, Tirolesa, Tobogã e Lagoa da Tatajuba. O passeio do Lado Leste inclui: Pedra Furada, Árvore da Preguiça, Praia do Preá, Lagoa Azul e Lagoa do Paraíso. Vou agora um falar um pouco de cada um dos passeio👇👇👇. O Mangue Seco tem um cenário incrível, bem diferente, você não encontra um cenário como esse em nenhum outro lugar, dá pra colocar a criatividade pra funcionar e tirar várias fotos perfeitas📸. Pena que a parada é rápida de apenas 20 minutos, por isso tem que correr pra poder aproveitar bem. O passeio do cavalo marinho optamos por não fazer, pra fazer o passeio você tem que pagar R$ 15, além disso não é certeza encontrar os cavalos marinhos, tem a possibilidade de fazer o percurso sem encontrar nada. Pra quem gosta de aventura tem a tirolesa e o tobogã, os dois fazem parte do passeio do Lado Oeste. Pra você participar dessa brincadeira tem que pagar R$ 15. Pagando esse valor você tem direito a descer duas vezes na tirolesa ou duas descidas no tobogã. A última parada do passeio do Lado Oeste é na Lagoa da Tatajuba, lá você pode tirar aquela tradicional foto na rede📸. Além disso, em Tatajuba também tem passeio de canoa e de standup, quem optar por fazer esses passeios tem que pagar R$ 30 por 30 minutos. Na Tatajuba é o ponto de parada para o almoço. Sinceramente, não gostamos da comida, além de muito cara não tem qualidade nenhuma. O peixe mais barato lá é R$ 120, tem porções minúsculas de camarão ou de lagostas por R$ 100, tudo um absurdo. A dica é levar alguma coisa pra comer por lá e deixar pra almoçar quando voltar para Vila, é bem melhor. A Pedra Furada é o cartão postal de Jeri, o passeio até a Pedra pode ser feito de duas formas, uma delas é caminhando da Vila até o local que fica a Pedra, normalmente essa caminhada está inclusa no transfer das agências de turismo. A outra forma de ir até a Pedra Furada é no passeio do Lado Leste, onde o bugueiro deixa você em um ponto mais próximo da Pedra, o restante do trajeto tem que fazer caminhando, são mais ou menos uns 20 minutos de caminhada pra ir e mais 20 pra voltar, todo esse trajeto é feito pela praia. No trajeto da Pedra Furada que sai caminhando da Vila, o percurso é bem mais longo, são mais ou menos uns 40 minutos pra ir e mais 40 pra voltar. A caminha até a Pedra Furada é bem longa e cansativa, por isso é bom ir preparado e bem hidratado. Lá na Pedra você vai poder usar a criatividade para tirar fotos nas mais diversas poses📸, dá pra fazer muitas fotos legais. Na Árvore da Preguiça é feita uma paradinha rápida para poder tirar fotos. A árvore fica no meio do nada, é bem interessante. Dá pra tirar muitas fotos bacanas também📸. Outro ponto do passeio é a praia do Preá, nessa praia também a parada é rápida, apenas para algumas fotos📸. O Preá tem uma estrutura muito boa de restaurantes, por isso optamos por almoçar lá, pois os preços são bem mais em conta que na Lagoa do Paraíso. No período que fomos (no final de maio agora), as lagoas estavam muito cheias, devido as fortes chuvas do primeiro semestre, por isso não deu pra aproveitar muito, principalmente a Lagoa Azul, pois a água estava muito turva, não estava legal nem pra tomar banho e nem pra tirar fotos. Na Lagoa do Paraíso fomos no Alchymist. O Alchymist é o local mais badalado e mais procurado de Jeri, as pessoas costumam ir lá pra tirar aquela foto que vai arrasar no insta📸. A barraca tem uma estrutura extraordinária, coisa de outro mundo, é tudo muito lindo lá, parece coisa de cinema. Pena que dessa vez a Lagoa estava muito cheia, por causa das fortes chuvas que aconteceram no primeiro semestre, isso acabou comprometendo um pouco a beleza do lugar. Mas a vibe da Alchymist é surreal, é um ambiente muito agradável, com um dj tocando músicas bem animadas. A barraca fica na Lagoa do Paraíso, além dessa barraca tem várias outras opções, por isso, se você não quiser ir na Alchymist, é só pedir ao bugueiro para lhe levar em outra barraca. Os preços da barraca são bem elevados, por isso vá com seu bolso preparado💸💸💸. A Lagoa do Amâncio é um dos pontos em Jeri onde você pode encontrar água bemmmmm cristalina. Por incrível que pareça, essa Lagoa é formada por água das chuvas, e com o passar do tempo, conforme o período de chuvas vai passando a Lagoa vai sumindo. Atualmente a Lagoa do Amâncio é um dos poucos locais onde você pode encontrar água cristalina. Devido às chuvas intensas do primeiro semestre, as demais Lagoas estão muito cheias e com a água turva, por isso, na hora do passeio vale a pena priorizar e reservar mais tempo para Lagoa do Amâncio. Nós fomos na Lagoa do Amâncio quando fizemos o passeio do Lado Leste. Essa Lagoa não está inclusa no passeio do Lado Leste, mas pedimos o bugueiro para nos levar até lá, pois é caminho dos demais passeios. O guia gentilmente nos levou sem cobrar nenhum custo adicional. Tomem cuidado pois alguns bugueiros querem cobrar para fazer apenas o passeio da Lagoa do Amâncio. Em Jeri também a duna do pôr do sol, que é onde as pessoas se reúnem no final da tarde para apreciar um belo pôr do sol. Como tudo que é bom dura pouco😁😁😁, é bom chegar cedo na duna, por volta das 17 horas, pois o sol se põe muito rápido. Você não vai querer perder uma belezura dessas né?! Apesar da duna ficar lotada, não se preocupe, tem espaço pra todo mundo tirar aquela fotinha especia 📸. Esse é um cenário que vale a pena apreciar todos os dias que você estiver por lá, cada dia é um espetáculo diferente da natureza😉 Um ponto de destaque de Jeri é a segurança, você pode andar a qualquer hora do dia ou da noite, é tudo muito seguro por lá. A Vila é bem pequena, os hotéis e pousadas que ficam dentro da Vila são todos bem localizados, não precisa se preocupar. A gastronomia de Jeri também é maravilhosa, tem opções para todos os gostos e bolsos, desde os tradicionais frutos do mar até massas, pizzas e tudo mais que você imaginar. Os restaurantes que mais gostamos foram o Na Casa Dela e o Dona Amélia, nos dois a experiência foi incrível. Resumindo, Jeri é uma cidade incrível, tem uma energia muito boa, vale muita a pena conhecer😍😍😍. Quem tiver alguma dúvida é só deixar aqui nos comentários.😉 No meu instagram tem dicas, fotos, vídeos e os preços dos principais passeios e restaurantes de Jeri. Quem quiser pode conferir minha viagem completa lá: www.instagram.com/turistainiciante
  7. E aí pesoal! Beleza? Então,eu tô indo agora dia 11/07 para o Ceará prestar um concurso público, e como a grana é curta tive que comprar passagem pra ficar uma semana em Fortaleza porque era a passagem mais barata(mesmo a prova sendo apenas um dia), gostaria de saber se alguém aqui conhece algum local que eu possa fazer CouchSurfing ou um Trabalho Voluntátio em troca de acomodação e, quiçá, alimentação? Qualquer informaçãoserá válida, valeu galera!!!
  8. ...ou as 5 coisas mais estúpidas que eu fiz em 5 dias na Nicaragua. porque dica do que fazer todo mundo dá. tudo é lindo nas fotos, nos textão. quero ver compartilhar as cagadas. só vou relembrar porque eu me prometo e tá escrito: NUNCA mais fazer umas cagadas dessas. (((até a proxima viagem))) 1. Naufragar de Kayak i love the smell of vai dar ruim in the morning. na minha última manhã em granada acordei cedo com siricutico e fui pro centro da cidade procurar um passeio pra ser o gran finale da estadia. já não bastava ter nadado em cratera de vulcão e cheirado enxofre do outro cuspindo lava, não. tinha que ter mais emoção, isso, tinha que ter mais aventura. tinha mesmo é que ter ficado quieta no meu canto mas... cheguei no centrinho e tava tudo fechado, a cidade só acorda 8h30. povo esperto esse povo da nicaragua, temos muito a aprender com eles. tudo aquilo que o sol toca, simba, é menos trouxa que você e só acorda as 8h30 da manhã bom, não vou esperar 1h sentada aqui no banco da praça né? volto pro hostel e arrumo as coisas, afinal, tenho que pegar um ônibus meio dia pra outra cidade. o universo sempre se comunica comigo. e eu devo falar aramaico. aproveitei o tempo ocioso pra conversar com a familia e tirar fotos da cidade vazia. tava tão vazia que rolou até um pau de selfie sem walk of shame. fechei um passeio de kayak pelas isletas e, como eu não sabia que ia andar de kayak quando acordei, tava com a minha sandalia que ocupa + espaço na mala, aquelas de gladiador romano. vocês acharem cafona é problema de vocês. na nicaragua faz sucesso. o motorista se ofereceu pra passar no meu hostel pra trocar. mas eu não queria fazer as outras 4 pessoas me esperarem. fora que minha malinha é organizada com o método tetris, se abrir tem que chamar esquadrão anti bomba pq pula roupa pelo quarto inteiro. então recusei. já que ia ficar dentro do kayak, não tinha pq me preocupar com sapato. (((nessa hora consigo mentalizar o universo, lá de longe, acenando negativamente em um facepalm))) o briefing antes de sairmos pro mar incluiu uma pergunta importantíssima de um alemão: "pq colete salva vidas? algum kayak já virou?" a resposta ficou marcada pra sempre em mim "apenas procedimento padrão de segurança pra não sermos multados. olha, posso te garantir, fizemos cerca de 600 tours e nunca aconteceu nada" tinhamos duas opções de kayak: duplo e individual. obviamente os 4 pegaram os duplos e eu sobrei ¯\_(ツ)_/¯ o kayak individual é bem mais punk que o duplo, ele é pesado e ruim de jogo, além de ser todo fechado. enquanto o duplo é aberto e de plastico (olha eu tentando dar desculpinha pra tentar justificar a cena rrrrrrridicula que vai se passar comigo alguns paragrafos abaixo) kayak nutella. duplo. molezinha. pra americano no spring break kayak raiz. individual. senhor com 35 anos de experiencia em alpinismo e sobrevivente de ataque de tubarão em moçambique além disso, começávamos o percurso na areia e pra chegar nas isletas, precisava passar a rebentação. isso ninguém te avisa antes de pegar seus dolares suadinhos. estava ventando. bastante. isso quer dizer que as ondas tavam boas. não pra nós,claramente. mas tinha gente surfando no lago. eu podia ter desistido nessa hora. mas não. a certeza que ia dar ruim eu já tinha, agora eu ia atrás da humilação REAL. e fui. o programa que acontece todos os dias nos mais de 600 tours é mais ou menos o seguinte: 9h - chegada na marina e briefing 9h15 - todo mundo com o kayak na areia rumo as isletas 9h50 - chegada as isletas 10h40 - visita ao forte 11h - retorno pra marina 11h30 - fim e agora uma imagem aérea de onde eu estava as 10:00 eu não conseguia, de jeito nenhum, quebrar as ondas e tava sendo jogada pras pedras. a cada estourada, entrava mais água no kayak (lembra que era fechadão? pois é). eu já tava com os braços e as pernas doloridas e o sol tava ardendo. tinha esquecido capa a prova dágua e meu celular tava em um ziplock de pão, agarrado no meu colete sendo submerso. olhei pro céu. alguém devia tá rindo de mim. lembrei dos mais de 3 mil kayaks que já tinham passado por ali e nunca tinham afundado, enquanto ia sentindo o meu ficando cada vez mais pesado, no nivel da água.tava a poucos minutos de virar estatística, podia sentir. eu ia mudar o curso da resposta pra pergunta do colete. parece triste, mas o pessoal do meu grupo que já tava no rio calmo, ria com respeito de mim e tentava gritar alguma coisa pra me ajudar. o guia, um nicaraguense de 19 anos, só falava frases de motivação tipo treinador de crossfit. as ondas vinham rasgando pra cima de mim. até que eu vi ela, e ela me viu. a onda veio e eu nem tentei lutar. o kayak virou, e eu, em câmera lenta com as duas perninhas arreganhadas pra cima, tentando segurar o celular com a boca tomei um caldo épico. se tivesse trilha sonora, seria a nona de beethoven (6:46 do video, mais precisamente), mas como não tinha, foi um grunhido sem graça e um "fuck i think i sank". o guia explodiu de rir. boiei até chegar o resgate. me trouxeram um novo kayak. um de criança. se fosse poesia terminaria com a foto do inicio do post como não é, termina com uma queimadura de sol de primeiro grau nas canelas com a silhueta da danada da sandalia de gladiador que eu não quis trocar amaldiçoados sejam os romanos. 2. Descer um vulcão a 75km/h... e quase morrer por isso Na lista das coisas que eu deixei nesse país, além de um pedaço do meu coração e da dignidade pós naufrágio de kayak, está um estão alguns tecos da minha perna e, surpreendentemente, nada além disso. A CNN colocou a descida do Cerro Negro na lista das 50 Coisas Mais Desafiadoras Que Você Pode Fazer Viajando. Está em segundo lugar, atrás apenas de pilotar um avião caça. Só pra entender, muito atrás, lá em oitavo lugar está pular de paraquedas no Everest.Achei bonito pra por no currículo. Fui. Depois de sobreviver a um rola que a minha cabeça quicou 7 vezes a 75km/h, olhando pro céu com medo de me mexer, ter fraturado alguma coisa (provavelmente tudo) e na tentativa de levantar, simplesmente me desmontar, decidi ficar afundadinha ali nas cinzas do vulcão por algum tempo agradecendo por estar viva. Será que eu tava viva mesmo??? Dos meus últimos momentos, lembrava de ter descido sem afobação, ganhando velocidade aos poucos até que sim, drummond, porra, tinha um caralho de uma pedra no meio do caminho. Que fez meu board voar. Interrompendo meu devaneio, surgiu uma cabeça entre o meu rosto e o sol: era o médico da cruz vermelha querendo falar comigo. Com aquela cara coberta de guerrilheiro, definitivamente não era São Pedro. Já que não tava no céu, resolvi levantar. O homem ficou assustado, como se tivesse vendo defunto ressuscitando. Queria saber se eu queria ajuda, falei que não uuuu ariana forte independente e logo me arrependi. Vi meu board a uns 5m ladeira acima e lembrei da regra suprema que o guia tinha frisado: "não importa o que aconteça, seu board é sua responsabilidade". No topo do vulcão é tranquilo andar, mas ali no meio a parada fica sinistra, a cada passo, a perna afunda até o joelho de pedra e cinza QUENTE. Num sol de 35º com um macacão de sarja de manga comprida do pescoço até o pé. tá feito o cozido de Mari al Bafo. no tutorial de make de hoje vamo ensinar a nunca arrastar a cara em cinza de vulcão Nessas horas lembrei da minha mãe falando pra eu não me meter em roubada que o seguro saúde não cobria. PQP mãe, eu sei que você avisou. Pra não dar o braço a torcer, apesar da vontade de ligar pra mamai e chorar, me prometi que só ia contar a história depois de ter ido embora de Leon. Quando cheguei no pé do vulcão tava geral incrédulo me cumprimentando, querendo saber se eu tava bem. Eu falava que sim, fingindo costume de aventureira, mas por dentro tava toda estrupiada. vocês tem apenas uma tentativa pra localizar o irlandês marrento Tinha um irlandês marrentinho que tava enchendo o saco desde o início do krl do tour que seria o mais rápido. O tempo dele tinha sido 72 km/h. Eu tava tão zureta que nem perguntei o meu. Na verdade, eu sentia que nem tinha ido tão rápido assim. Me falaram que fizeram um bolão porque acharam que eu tinha sido mais rápida. Hm, interessante... Perguntei. O cara com o velocímetro "You?" com o zoião e um sorrisão no rosto "Look - apontou pro tempo - 75, mas rapida" Senti aquele orgulho alheio. Só que era eu mesma. Krl como assim, tudo isso? E o pessoal que tava em volta ainda adicionou que os 75km foram graças a esse rola que me impediu de acelerar mais, porque ia passar de 80km/h tranquilo. imagina a merda que ia dar. #semfreio #quasesemfreio #cabeçaABS agora, papo sério: adrenalina é muito maneiro. me amarro, mas ser inconsequente não é legal. nós não somos intocáveis. não acontece só com os outros. E se serviu de alguma coisa essa história? Além de ter virado lenda na cidade por um dia e bio do tinder (é de cair o c da bunda o tanto de homem que prefere uma boa história no lugar de umas boas fotos) eu que antes não tinha medo de nada, comecei a ser mais consciente dos piriiigos que a gente se mete sem pensar duas vezes, o "só se vive uma vez". Agora até pra pular trampolim fico calculando onde que minha cabeça pode bater e dar ruim. Traumatico, não recomendo. cheia de bolha do remo do dia anterior, imagina como não ficou inflamadinho cheio de cinzas 😇 Apesar de tudo, a frase que encerra o artigo da CNN sobre o Cerro Negro consegue me levar de volta praquela boleia do caminhão na estrada rumo a Leon, a 5 mil km de casa, na selva, bebendo cerveja, cantando a todo pulmão as musicas do rádio com 30 estranhos que já tinham virado meus melhores amigos. sangrando, toda suja de terra e cinzas, eu só tinha a agradecer. "On the ride back to Leon I give silent thanks to the inspired people of the world: the ones whose minds run off on all manner of daring tangents, like the flanks of Cerro Negro. The ones who admire not just the aesthetics of the wilds, but the possibilities too. And most of all the ones who stare up at active volcanoes and think: "I wonder if I could ride my fridge down that?" e dá pra reclamar? 3. Fazer happy hour de rum... ...e conhecer a famigerada invalidez. na sexta, cheguei no hostel depois do vulcão e fui pesquisar sintomas de traumatismo craniano. Tinha que ir pra outra cidade no dia seguinte - san juan del sur - mais ""rústica"" fodida ainda, mas enjoada e com dor de cabeça, boa coisa essa viagem não ia dar. achei um artigo médico que descrevia o seguinte: Se a resposta for "sim" para alguma dessa questões, é necessário levar a vítima da batida ao pronto-atendimento. a minha era positiva pras perguntas 2 e 3. a 4 já veio de nascença. o pessoal tava preocupado, mas a real é que eu tinha duas opções: - passar a noite num hospital duvidoso na nicaragua e muito provavelmente voltar pra casa com diagnostico de virose. - aproveitar o happy hour e encher a a cara de cachaça pra esquecer a dor de cabeça. quantas doses de rum o corpo humano consegue aguentar? multiplica por 2. resumindo, ia rolar uma festa na praia las peñitas que foi cancelada, o gerente ficou maluco e resolveu compensar em león mesmo. 2 copos de rum com coca pelo preço de um. as vezes três copos, dependendo do humor do bar. (recomendações: fique o mais longe possivel de drinks que contenham as letras R U M, especialmente se do lado você encontrar essa formula matemática 2 X 1) como você tem que pegar todos os copos de uma vez, pra socializar pra não esquentar, muita gente te oferece o segundo. acabei ganhando alguns da carmelita*, minha amiga de quarto, outros muitos dos irlandeses malucos, algum por sobreviver ao capote, outro on the bar........... qualquer motivo era motivo. mas, se ainda faltava alguma desculpa: TOMA. lá pra algumas muitas da noite começou a final de rugby entre lions (da irlanda) e all blacks. É A FINAL DA COPA DO MUNDO ENTRE BRASIL E ARGENTINA. o hostel foi abaixo. eram cerca de 40 irlandeses. muitos litros de cerveja e rum foram misturados nesse intervalo de tempo e você não precisa ser professor de química pra saber que essa mistura heterogênea é mais danosa pro fígado e pra cabeça que ingerir ácido. não sei quem ganhou, mas lembro que nas comemorações, tinha uma menina pelada dançando em cima do balcão do bar. nada mais fazia sentido. resolvi deitar pra dormir. tava muito difícil sair da cadeira do balcão. era daquelas altas, sabe? nesse momento da noite, olhando pra baixo, parecia que eu tava a uns 2 metros do chão. blackout. evidências da noite anterior no rolo da câmera acordei 2 da tarde no dia seguinte, hora que o pessoal que foi descer o cerro negro no sábado tava voltando e fazendo festa. mal imaginam o que vai acontecer daqui umas horas. brace yourselves kids. tradição depois do vulcão é tomar um shot de pimenta. acordei no sábado com uma situação parecida com essa. pelo menos eu tava sem dor de cabeça, o que não fazia sentido nenhum. olhei pro lado e vi a carmelita na outra cama em estado de putrefação também. depois que eu fui dormir, ela emendou uma balada. evidências da noite anterior no instagram lembrando dos arrependimentos acontecimentos da noite com a carmelita, ela me fez reviver meus últimos momentos acordada da madrugada de sexta pra sábado.começava comigo tentando sair da cadeira. na primeira tentativa de levantar, o juan* um anjo que deus o abençoe e o tenha por me aguentar perguntou se eu precisava de ajuda. respondi queclaramente pfvr mim ajude não, conseguia me virar sozinha. na segunda, o gerente do hostel, o pablo*, pediu pro juan me acompanhar, porque eu já não sabia o que tava falando. pablo já tinha tomado pelo menos uns 20 copos de rum e tava se achando com moral. pablito ensinando irlandês beber na terceira eu decidi que ia, era meu momento, ia provar que tava certa caminhando sobriamente pra ir pro quarto. já tinha até ensaiado a cara de turn down for what. apoiei as duas palmas da mão nos cantos redondos do banco e fiz pressão pra dar equilíbrio pra tomar o impulso e sair. a pressão foi tanta que acabei fazendo peso na parte da frente do banco. se eu tivesse numa sala de primeira série, tinham gritado madeeeeeira. caí que nem bosta, de cara no chão. segurando os lados do banquinho com força. apaguei. a pancada deve ter sido exatamente do lado contrário da batida do vulcão pra equilibrar os chakras da cabeça. por isso que eu tava sem dor. pablo, juan e carmelita me ajudaram a ir pro quarto. ainda bem que eu não vou ver ninguém nunca mais. volta pra 2 da tarde de sábado porque eu e carmelita estamos famintas e precisamos procurar comida. primeira pessoa que encontro saindo do quarto, sentado lendo: juaniiito. "e aí bela adormecida, pensei que ia pra san juan hoje" EU TINHA ESQUECIDO DO KRL DA VIAGEM trajeto que eu tinha que fazer perguntei se eu ainda conseguia pegar um chicken bus a tempo. "esquece, 6h de até lá e vai ter que fazer baldeação sozinha a noite" bugou tudo. não sei direito o que aconteceu mas começamos a caminhar sem rumo pra achar comida e, por inércia, entramos na principal atração turística da cidade: A Catedral de Leon. eu tava sem celular. saí só com a roupa do corpo. tava num estado parecia que tinha tomado chá de fita cassete. triste, vendo scar matar mufasa num looping eterno. escorando em qualquer canto e pensando q q to fazendo com a minha vida na volta, experimentei a sensação de falência múltipla em vida: corpo, mente e bolso em estado irrecuperável. deitei no sofá e encarei o teto por tanto tempo, mas não vi passar. sabe quando a gente se irrita porque quer descansar e a cabeça não para de pensar? nesse momento eu não. eu só existia. eu o teto e mais nada. agora sei como vivem as amebas. a diferença é dentro do protoplasma delas você consegue encontrar o núcleo, dentro de mim, o cérebro tava boiando no rum. morri mas passo bem mal a pessoa que tá de ressaca, descalça, sem pentear o cabelo há 10 dias não quer guerra com ninguém * o nomes na história foram trocados pra preservar a integridade e dignidade de todos os envolvidos kkk menos a minha 4. Chegar em San Juan no domingo direto pro Sunday Funday... ...e quase perder a festa. por causa da lástima do item anterior, resolvi que ia pra san juan no domingo no shuttle do hostel - pra não ter nenhum problema com chicken bus e chegar a tempo. chicken bus são esses ônibus iradíssimos com tecnologia de primeira classe que garante que cinco corpos ocupem o mesmo lugar. sempre custam alguns centavos de dolar, e pelo que oferecem, posso te garantir que ainda tá caro minha ideia inicial era ficar no pachamama em san juan, onde começa o sunday funday ou no naked tiger, onde termina, mas obviamente eles tavam esgotados. os amigo do bigfoot, hostel que eu tava em leon, ficaram tudo compadecido com a minha situação e ligaram pro casa de olas, que é do lado do naked tiger, onde eles tinham ficado por duas semanas e acharam 10 x melhor. pelo menos lugar pra dormir e como chegar eu tinha agora. atualização: é mesmo 10 x melhor. tinha só um porém: o shuttle estava programado pra chegar as 3:30 em sjds.exatamente o mesmo horário que sai o ultimo carro pro sunday funday. já que o shuttle deixa na porta do hostel, é fazível né? antes de entrar no shuttle, o motorista pergunta a cidade e o hostel de destino de cada um. finalmente podia descansar antes do furacão em san juan. a viagem foi tranquila, fui vegetando. ressaca de 2 dias, já teve? já ouviu falar? paramos em todos esses lugares que fala aí no mapa de cima e eu não lembro de nada. só lembro do motorista encostando no meio da estrada e "NAKED TIGER, CASA DE OLAS" olhei pros lados, só mato. o motorista deve ter se confundido. continuei deitada fingindo que não era comigo. ele abriu a porta da van. "você! chegou! tem mala?" antes de achar que é tranquilo, lembre-se jove, olhe o tamaninho do ponto brancoque podia ser meu carro, pra comparação. depois entenda que o google maps da nicaragua tá em 2d ainda, essa estradinha que liga onde eu tava e o lugar que eu tinha que tá sobe uns 458 mil metros acima do mar. é um morrão, que no estado que eu tava, parecia o kilimanjaro pois é... tá vendo aquele asterisco ali embaixo de san juan del sur no roteiro do shuttle?"AT ANY HOSTEL*" eu era o asterisco. o motorista me explicou que como esses dois hostels estão fora de san juan e em cima de uma montanha com uma estradinha de terra, a van não passava. aquele era o lugar mais perto que ele conseguiria me deixar. já que não tinha alternativa, catei minha mochila e comecei a peregrinação morro acima. no pasa nada. literalmente nada passa nessa estrada. Deus me proteja. dava pra ouvir os grilinhos na mata. espero eu que sejam os grilos. depois de uns 10 min começo a ouvir um barulho de carro vindo. gelo. o barulho vai se aproximando e ficando muito mais alto. o carro para do meu lado. uma caminhonete com dois caras no banco da frente me oferece carona. já vi filmes de terror o suficiente pra saber onde isso ia acabar. recuso, fico em pânico e eles arrancam. um alívio. continuo subindo. nem sei quanto tempo se passa, e em alguns momentos da subida eu começo a duvidar que to no caminho certo. quando eu chego no meu limite do cansaço com a mochila nas costas, vejo o naked tiger. ALELUIA. procurando imagens da estradinha de terra pra escrever esse monte de bobagem, achei essa recomendação no site oficial do naked tiger. DO NOT WALK UP THE ROAD. kkkkk -rindo de nervoso cheguei finalmente no casa. estava estranhamente silencioso e só tinham três pessoas em volta da piscina. três hippies chapados. com cara de quem vai te dar um golpinho. a menina levanta e pergunta se eu quero fazer check in. ela explica que é voluntária no hostel. acho suspeito. falo que sim e que to atrasada pro sunday funday. ela muda de expressão na hora e começa a dizer pra eu deixar meu passaporte, meus cartões e minha mochila com ela e CORRER pro naked tiger porque eu não tenho mais tempo. eu entro num estado de pânico e não sei se devo confiar todas as minhas coisas nessa mina chapada. começo a tatear meus cartões e coloco na minha doleira pra levar comigo. ela se irrita a cada coisa que eu tento pegar e fica repetindo pra eu deixar com ela que ela vai cuidar. "YOU WONT NEED IT, GO". a tentação de não ir pro sunday funday e ficar no casa é grande apesar das suspeitas, deixei meu passaporte válido com ela, mas levei meu antigo comigo e todo meu dinheiro. fui pro naked tiger pagar o ticket. um dos donos do sunday funday tava lá, já travado. e aposto bastante que não tinha nem bebido ainda. ele falou que eu tinha muita sorte porque todos os carros já tinham saído, mas um voltou pra buscar uns israelenses e tava só me esperando agora. saí da recepção e vi a caminhonete que tinha passado por mim na estrada, com os dois caras no banco da frete. e os israelenses na caçamba. andei meia hora com peso nas costas a toa. agora eu precisava dos caras que poucos minutos antes me apavoraram sem intenção na estrada. eles só queriam ajudar. olhei pro céu. ri de nervoso. eles acabaram de salvar meu dia. irônica a vida. 5. Ficar sem dinheiro... ...e quase não conseguir voltar pra casa. precisei de um dia inteiro pra me recuperar do sunday funday. piscina do casa: dependendo do ângulo parece que você tá num barco em alto mar. não é exatamente o que o homem de ressaca procura, então fiquei nesse ângulo seguro aqui até que no casa, não é muito difícil a missão de caminhar de volta pro seu estado humano. o dono do lugar, um australiano que vive na nicaragua há uns 7 anos, parece o pai de todos. fred acorda cedo tomando umas pra ficar rindo da cara dos marmanjo jogado pelos cantos. conversa com todo mundo. todo mundo quer falar com ele. o cara tem muita história. e de quebra coleciona histórias de outros que passaram por lá. alguns highlander acordam 7 da manhã pra beber na piscina. na verdade, não sei nem se dormem. fui conferir minhas finanças na doleira. um susto. só sobraram 20 dolares e o hostel não aceita cartão. preciso ir pra cidade sacar dinheiro e comer. casa de olas, segunda, 7am. esse sujeito na piscina é um dos que passaram super bonder na mão e grudaram na latinha de cerveja. enquanto to me arrumando, alguém gira a roleta e ganha um drink. o fred avisa que vai fazer almoço pra todo mundo por conta da casa. SERIA UM SONHO??????? o café da manhã eu já tinha garantido, agora o almoço. Deus realmente abençoa os mochileiros depois de me entupir de comida, lá pras 3 da tarde desci pra cidade. parecia outra. o furacão insano de lotado do dia anterior, agora era uma silenciosa vila de pescador. ainda tem um ou outro gringo bêbado nas sarjetas. fico pensando no mal que o sunday funday causa pra quem mora lá. todo domingo a mesma história. vejo as lojinhas na rua e penso que talvez, no fim, seja bom. talvez eu esteja me enganando pra justificar. tem 3 caixas eletrônicos na cidade. vou que nem barata tonta de um pro outro. tão sem dinheiro. chamo um policial que tá sentado numa cadeira de plástico cochilando perto do banco. ele explica que é normal, as pessoas sacam muito dinheiro no domingo e geralmente segunda as máquinas ficam sem. memes brasileiro: maior produto de exportação. enzo já chegou na nicaragua me fodi. meu voo pro brasil é as 14h do dia seguinte saindo de managua e não apresento nenhuma condição de pegar chicken bus pra lá. alguns lugares oferecem shuttle por $25 pro aeroporto mas nenhum aceita cartão. fico desnorteada entrando de vendinha em vendinha perguntando, até que eu acho um surfshop de um francês, que cobra 10% pra passar cartão. a shuttle sai as 9:30 de san juan e a previsão de chegada é 13:00 no aeroporto internacional de managua. com a graça de Deus espero que dê tempo. não tenho outra opção. surfshop do francês amor que aceita cartão volto pro casa cabisbaixa e conto pro fred sobre os caixas eletrônicos. faltam $10 em dinheiro pra eu conseguir pagar minhas diárias. digo que posso transferir na hora via paypal, com juros. história do casa: and a lot of times a lot of guidance 😂 ele não quer. diz que eu sou a primeira brasileira que passa no casa e que eu era uma "menina boa" - vulgo não corri pelada em volta da piscina no dia anterior com as australianas - e me pede um favor em troca dos 10 dólares: que eu volte pra lá outra vez e traga mais amigos do brasil pra "pagar minha dívida". quando eu cheguei não entendi o social media free zone depois das 5:30. depois que vi o bicho pegando quando o sol baixa, fiz um ATA quase choro. agora que já passei por tanto nervoso pra conseguir o bendito do shuttle,não quero mais ir embora. outra regra que esqueceram de escrever nesse quadro é não se apegar. tem gente que vai passar 2 dias no casa, como eu, e fica dois meses. mas a maior regra de todas: não depender do krl do capitalismo eletrônico nas segundas. marx tava certo: ele vai te decepcionar. ---- é isso pessoal. se você tiver um pouquinho de noção que seja, não faça essas coisas todas aí quando chegar na nicaragua. se fizer, escreve uns post bem grandão pra gente dar risada de você... ...antes de ir pra lá e querer repetir mais uma vez as mesmas cagadas.
  9. Salve, galera! Esse é o resumo de um mochilão radical que fiz há alguns meses, espero que gostem. Caso queiram mais informações, podem acessar meu blog Rediscovering the World ou o livro que acabei de lançar (Trekking Extremo no Himalaia: Acampamento Base do Everest + Gokyo). Dia 1 Em 17 de março de 2019, ao chegar ao aeroporto de Guarulhos, tomei uma sequência de voos pela Air China, cujo destino final seria Mumbai, na Índia. Compradas quase 5 meses antes, as passagens de ida e volta custaram 734 dólares. Dia 2 Após breve conexão em Madri, o avião grande seguiu até Pequim. Ambos voos foram bem-sucedidos. Como a espera até o voo final levaria o dia todo, decidi aproveitar que o visto não é necessário para permanecer até 144 horas na capital chinesa. Dessa forma, passei pela fila da imigração em uma hora, saquei yuans (1 real = 1,75 yuans) num dos caixas automáticos e deixei o aeroporto no metrô que me levou até o centro da cidade. O trajeto de meia hora custou 25 yuans. Deixei a linha do aeroporto para pegar outra, ao custo de 4 yuans. Logo me impressionei pelo desenvolvimento e pela limpeza de Pequim, tirando a névoa permanente que quase esconde o sol. Só a falta de educação dos chineses que seguiu conforme o esperado. O primeiro monumento visitado foi o do conjunto Templo do Céu (28 yuans). Numa área grande, fica um parque com as estruturas erguidas em 1420 para orar em busca de uma boa colheita. A construção principal é o maior templo redondo de madeira da China. Depois de uma boa caminhada, comprei 4 bolinhos (dumpling) de carne por 2,5 yuans cada, mesmo sem saber antecipadamente o que viria dentro. Segui então caminhando até chegar à sequência de postos de controle policial de onde ficam as principais atrações de Pequim. Primeiramente, o museu nacional. É em sua maioria gratuito, num prédio bastante amplo, mas com conteúdo quase todo em mandarim e poucas exposições realmente interessantes. Entre essas, os presentes recebidos pela China de todo o mundo. Em seguida, caminhei ao redor da Praça Tian'nanmen, a Praça Celestial. É famosa por um massacre que aqui ocorreu durante protesto da população. Também não se paga e há espaço de sobra, com um memorial a Mao Tse-tung e um monumento aos heróis chineses. Por fim, entrei na Cidade Proibida. Como estava faminto e o corpo já se entregando de cansaço, tive que almoçar ali mesmo, pagando 32 yuans num prato raso. Mais uma atração enorme: são dezenas de palácios, muralhas e portais. Para visitar em baixa temporada (agora), custou 40 yuans. Mesmo assim, é difícil conseguir uma foto boa, tamanha a quantidade de chineses que visitam o complexo. Na saída, tentaram me aplicar o golpe de bater um papo num bar e ser extorquido, mas como eu já sabia dessa, escapei. Esgotado, retornei ao aeroporto no final da tarde. À noite, voei num avião menos novo pra Mumbai, tirando um belo cochilo a bordo. Dia 3 Desembarquei já na madrugada seguinte. Passei pela imigração com o eVisa feito antecipadamente na internet e troquei dólares por rúpias (1 dólar = 66 rúpias) logo após a imigração. Por fim, pedi pra chamarem um Uber pra mim, pois o táxi até o hotel próximo custava 500 rúpias, enquanto o Uber saiu por 210. O problema foi achar o danado, escondido numa viela. Somente às 3 e meia eu entrei no Ahlan Dormitory. Pra ficar num quarto coletivo, gastei 250 rúpias por noite. Só que o lugar não era muito agradável, pois era barulhento, fedia, estava sujo e quase sem água. Algo me picou na cama e me deixou com marcas por semanas. Pelo menos o wi-fi, o ar e o guarda-volumes funcionavam. Pra piorar, fui acordado antes das 8h pelos hóspedes e funcionários, não conseguindo mais dormir - o que já tinha dado bastante trabalho antes, vide o jet lag. Levantei, tomei o “chai” (na Índia, o chá é misturado com leite) e parti pra luta. Caminhando um pouco já notei a diferença colossal na (falta de) limpeza, em relação a Pequim. Peguei o metrô recém inaugurado, com ar condicionado, a partir de 10 rúpias. Para começar a preparar meu estômago, tomei um suco natural por 40. Em seguida, entrei na estação de trem suburbano. Que caos! Gente correndo e se empurrando por tudo que é lado, pendurada nas portas dos vagões como nos filmes, e tal. Para vivenciar um pouco disso, e porque eu queria economizar, comprei um bilhete da 2ª classe de Andheri a Churchgate. Apenas 10 rúpias até ponto final, 22 km adiante! Ainda que estivesse bem quente, os indianos vestiam quase todos roupa social, nenhum (além de mim) de bermuda. Da estação, fui até o principal museu da cidade, de nome complicado: Chhatrapati Shivaji Maharaj Vastu Sangrahalaya. Construído pra homenagear o príncipe do País de Gales, hospeda hoje num edifício de arquitetura indo-sarracena uma porção de artefatos relacionados a Índia e além, contando sua história. Pena que o ingresso seja meio salgado: 500 rúpias + 100 pra usar câmera. Nessa hora, começaram a pedir pra tirar foto comigo, como se eu fosse famoso. O almoço foi no renomado Delhi Darbar. Fiquei com um picante mas apreciável prato de “angara chicken” por 550 rúpias. Saí cheio. Acabei optando por fazer um city tour de 3h por 3500 rúpias, bem mais do que eu deveria pagar. Nele, passei por vários locais interessantes, como uma lavanderia a céu aberto, diversos prédios públicos e privados com arquitetura colonial britânica, o museu-casa do Gandhi (Mani Bhavan), a orla de Marine Drive, a colina de alto padrão Malabar e o templo da religião jainismo. Depois, fiquei no mercado de rua, onde não consegui caminhar em paz, indo então de volta pro hotel através de outra linha de trem da estação central. Retornei pendurado na porta aberta do trem. Comi um negócio, antes de conhecer dois jovens ucranianos no dormitório. Fiquei papeando e dei uma volta com eles, pra conferir o movimento das ruas poluídas. Aproveitei para provar a sobremesa quase sem gosto chamada “falooda” (40 rúpias) e levar umas bananas (6 por 1 real). Dia 4 Com o feriado do Holi, o qual me gerou uma pintura facial, o transporte público ficou bem menos cheio, ainda que sua frequência também tenha diminuído. Peguei os mesmos 2 transportes da manhã anterior, mas quando cheguei à estação final, pedi um Uber até o monumento Gateway of India, de onde partem os barcos até Elephanta Island, por 200 rúpias ida e volta. A baía até a ilhota é entulhada de estruturas. O translado leva cerca de uma hora; no total da minha hospedagem até a ilha eu levei quase 4 horas de deslocamento! Ao chegar, peguei um trenzinho da alegria (10 rúpias). Almocei no restaurante Elephanta Port, escolhendo um prato de “biryani” por 275 rúpias. O “biryani” de frango viria a se tornar meu prato preferido no país. Depois, subi o morro em meio a inúmeras barracas de souvenires. Para acessar as cavernas de Elephanta, patrimônio da UNESCO, paga-se atualmente 600 rúpias. São 5 delas, entalhadas diretamente na rocha durante 1300 anos do século 6 até a invasão e destruição parcial pelos portugueses. Há colunas, santuários e muitas estátuas em homenagem à deusa Shiva. Pena que com a quantidade de visitantes, praticamente todos indianos, fica difícil sacar boas fotos. O guia local Krishna me encheu tanto o saco que acabei aceitando uma explicação de meia hora por 500 rúpias. Quando ele me chamou pra ir num bar depois, meu sensor de golpe apitou. E eu estava correto, pois ele tentou fazer com que eu pagasse a cerveja dele e ainda tomar meu dinheiro com a desculpa de que iria pagar minha parte, mas não teve sucesso quando eu o peguei fugindo… Essa cerveja Kingfisher, a mais popular da Índia, não é boa. Só poderia ser assim, já que leva açúcar e xarope de arroz e milho na fórmula. Depois desse fato lastimável, subi as escadarias até o topo do morro, com vista para o mar e cheio de macacos fofos (Macaca radiata) - até eles roubarem sua comida. Ali fiquei famoso de novo, visto a quantidade de gente que pediu foto comigo. Retornei à hospedagem, chegando após escurecer. Só comi algo salgado e repousei. Dia 5 Acordei cedo pra pegar uma condução até o terminal 1 do aeroporto (110 rúpias), onde voei de SpiceJet até Bangalore. Que bom que mesmo as companhias de baixo custo da Índia permitem despachar até 15 kg gratuitamente, já que meu mochilão cheio dificilmente passaria por bagagem de mão. Em Bangalore, embarquei logo num segundo voo da GoAir até Port Blair, a capital maior cidade do arquipélago isolado de Andaman e Nicobar. Como se já não estivesse quente o suficiente em Mumbai, a temperatura de Port Blair na chegada estava em escaldantes 34 graus. Peguei um tuk-tuk (100 rúpias) até a estação de ônibus principal. Como perdi o ônibus das 15h e o próximo partiria quase 2 horas depois (somente mais tarde eu descobri que havia mais ônibus no outro terminal chamado Aberdeen), aproveitei pra fazer um lanche ali e comprar mantimentos no supermercado Mubarak. O ônibus saiu cheio. Levou cerca de uma hora e 24 rúpias para chegar ao vilarejo de Wandoor. Lá me hospedei no Anugama Resort, numa suíte privada bem razoável. Só que de resort o lugar não tem nada, nem sequer uma piscina, bar ou internet funcionando. Ao menos, os funcionários são gentis. Na hora do jantar, em que fiquei com um curry de peixe (190 rúpias) no restaurante da hospedagem, conheci uma família de belgas e holandês, com quem bati um bom papo. Dia 6 Acordei várias vezes durante a noite e levantei pelas 6, sendo que já havia sol um bom tempo antes. Eu e um dos companheiros da noite anterior fomos a pé cedo ao escritório do Parque Nacional Marinho Mahatma Gandhi para tentar conseguir a permissão para adentrá-lo, mais especificamente na ilhota de Jolly Buoy. Lá, descobrimos que os barcos já estavam cheios, e que precisaríamos tanto agendar o passeio quanto conseguir a permissão no escritório de turismo em Port Blair. Sendo assim, barganhamos um táxi para nos levar, esperar e trazer de volta por 2 mil rúpias. Emiti a permissão (mil rúpias) e o bilhete do barco para Jolly Buoy (885 rúpias) na mesma hora. Detalhe é que é necessária uma fotocópia do passaporte - mas há um xerox próximo que o faz por míseras 2 rúpias! Depois, fomos ao píer de Phoenix Bay, fechado aos domingos, para comprar nossas passagens à ilha Neil (510 rúpias). Regressamos a Wandoor e eu almocei no próprio hotel. Meu prato de “biryani” de frango (240 rúpias) demorou pra ficar pronto, mas foi uma baita refeição. Em seguida, caminhei até a praia. No caminho, topei com algumas aves, como o martim-pescador. A praia de Wandoor é peculiar por um motivo ruim; não é permitido entrar na água devido à presença esporádica do crocodilo de água salgada (Crocodylus porosus), o maior do mundo. Há inclusive uma tela de proteção. Alguns quiosques vendem souvenires, alimentos e bebidas. Fiquei ali com o pessoal por umas horas, até que eles partiram enquanto eu esperava o pôr do sol. Logo depois, caminhei os poucos quilômetros de volta ao Anugama Resort. Banho, janta e cama. Dia 7 Às 7 e meia embarquei rumo a Jolly Buoy, no Parque Nacional Marinho Mahatma Gandhi. A duração do translado foi de pouco mais de uma hora, em meio a ilhotas desabitadas com floresta nativa intocada. Chegando em Jolly Buoy, tive um grande desapontamento. Não é mais permitido praticar snorkeling! Dá pra acreditar nisso? Se tivessem dito antes eu já estaria a caminho da ilha Neil, e não num lugar minúsculo onde você só pode se banhar num cercado minúsculo. Fiquei lá conversando com a única outra gringa do barco, uma húngara. A única atividade extra é um passeio de 1h num barco sujo e desconfortável, com vidro no fundo para ver os corais e peixes, a um custo extra de mil rúpias… Ao regressar pelas 13h, almocei e parti para Port Blair num ônibus musical. Ao chegar, fui atrás de algum hotel, já que minha reserva para essa noite seria para a outra ilha. Usando a internet de uma acomodação já cheia, encontrei um tal de Lalaji Bayview, com um quarto individual por 800 rúpias. Então fui até lá caminhando, pelo meio de uma comunidade. A internet é paga (60 a hora), mas ao menos existente. Já a suíte é a mais básica possível, enquanto que o restaurante no topo da edificação é bacana. Jantei um enroladão de camarão (250 rúpias) e fui pra cama. Dia 8 Seguindo a tradição de acordar cada vez mais cedo, peguei a balsa das 6:30h para a ilha Neil. Duas horas depois, aportei. Deixei a mochila na acomodação Kingfisher Hotel e fui caminhando até a praia do norte, chamada Bharatpur. Com um bocado de gente, um tanto suja e cheio de barracas vendendo conchas, passeio aquáticos e etc, não é bem o que eu pensava. Atravessei e tive que nadar certo tempo até localizar os recifes de coral. Aqui vi alguma qualidade, até mesmo havia corais que nunca havia observado antes. O ruim foi voltar desviando dos barcos e motos aquáticas. Para almoçar, tentei achar um restaurante que fosse um meio termo entre os dos hotéis chiques e os pés sujos. Acabei parando no Port Canteen, onde fiquei com um arroz frito com camarão (220 rúpias). Com o dinheiro acabando, precisei sacar no único ATM da ilha, que para variar estava indisponível no momento. Contando com que a máquina estaria operando novamente dentro de algumas horas, o próprio funcionário do banco me emprestou seu dinheiro para que eu pudesse pagar o depósito do aluguel da bicicleta! A respeito disso, escolhi uma magrela para me deslocar por essa pequena ilha. A velha bike era pequena demais pra mim, mas por apenas 100 rúpias a diária eu não podia querer muito. Uma scooter custava um pouco a mais (400 rúpias + combustível). Pedalando, cruzei o interior cultivável de Neil até a bonita praia Sitapur, famosa pelo nascer do sol. Ali eu mergulhei novamente, mas no ponto onde fui a visibilidade estava ruim, devido às ondas. Vi menos do que no snorkeling anterior. Consegui sacar grana ao retornar. Assim, segui para outra beleza natural, um arco de rocha que fica no oeste da ilha. Cheio de turistas indianos, para se chegar nele há de passar por cima de poças de maré. Vi o sol se pôr neste lugar e retornei. Peguei dois dos salgados fritos picantes “samosas” (20 pila) e um caldo de cana (30) na parte mais central, onde havia movimento naquela hora. De volta ao hotel, meio velho e sem internet, para dormir. Dia 9 Mesmo que quisesse, não poderia demorar muito a acordar, pois o check-out é às 7:30h! E esse parece ser um horário normal dos hotéis das ilhas Andamã. Definitivamente, não entendem de turismo para estrangeiros. Ainda com a bicicleta, toquei para a praia Lakshmanpur, onde também mergulhei. Só que nessa praia só havia dois pescadores, que logo foram embora, e mais ninguém. Fiquei quase 2 horas e meia me deliciando com a vida nos corais. De especial, vi o maior peixe não cartilaginoso que já presenciei na vida. O peixe-papagaio (Bolbometopon muricatum) era tão grande que pude até tocá-lo. Na volta, fui comprar o bilhete da balsa a Havelock, vendido só no mesmo dia e de forma presencial, tudo para dificultar sua vida. Almocei o prato típico indiano thali (180 rúpias) e peguei a balsa. Em Havelock, pensei em andar apenas de ônibus, mas a frequência é tão baixa (1 a 1:30h cada) que decidi alugar uma scooter (500 rúpias a diária) pela segunda vez na vida. Meio cambaleando, fui até o Emerald Gecko, hospedagem na praia nº5 onde eu fiquei. Paguei 1600 rúpias numa cabana rústica de frente pra praia. Aqui finalmente tive contato com vários estrangeiros, todos europeus. Saí para dar uma corrida na praia, de maré baixa durante o pôr do sol. Só que essa praia não é boa pra nadar. Jantei no restaurante da própria acomodação, um pouco mais caro do que estava pagando. Então fiquei com uma pizza de frutos do mar (300 rúpias). Para variar, a internet não estava funcionando, então depois de um papo fui dormir, em mais um colchão finíssimo padrão Andamã. Dia 10 Tive que esperar o café da manhã incluído pra depois pegar a estrada. Dirigi até o começo da trilha para a praia Elephant, assim nomeada devido aos bichões acorrentados na praia para satisfazer a vontade de turistas que querem passear neles. Só que não foi dessa vez que a conheci, pois ela estava fechada devido a um óbito no dia anterior! Assim sendo, continuei na estrada até a praia Radhanagar. Seguindo a dica de um indiano, parei em frente ao Hotel Taj, onde ficaria um belo ponto de mergulho. Com o tempo fechado, não havia ninguém na praia quando cheguei pelas 8 e meia. Caí na água calma e clara, sobre um fundo exclusivamente arenoso. Nadei mais de 200 metros, sem ver nada. Eis que quando pensava em mudar a localização, comecei a vislumbrar uma maravilha atrás da outra. Cansei de ir atrás de arraias, de contar quantos cardumes e corais enormes diferentes apareciam, assim como polvos e muitas outras criaturas. No final, ainda tive o prazer de ver algumas tartarugas-marinhas e de sofrer comensalismo por uma rêmora! No total, fiquei nadando por 3 horas! Parei na entrada principal da praia, cheia de indianos, para almoçar num dos diversos restaurantes. Fiquei com um “thali” de camarão a conta gotas, por 300 rúpias. Depois, caminhei pela praia no sentido contrário ao anterior, encontrando nesse caminho separadamente os dois casais que eu havia conhecido nessa ilha. Ê mundo pequeno. Com a chuva, a pista estreita ficou um sabão só. Voltei devagar pra não deslizar na moto como um cara que estava à minha frente. Guiei até Kalapathar, a praia mais ao sul acessível por estrada. Legal ela, mas nada de excepcional. Regressei e parei no restaurante Golden Spoon, para comer um prato de peixe e usar a internet. Depois disso, voltei a minha hospedagem. Dia 11 Um bando de infelizes começou a bater panela pelas 5 e pouco. Dormi mais uma hora, tomei o café e segui pro início da trilha da praia Elephant - que ainda estava fechada… Só me restou voltar ao ponto de mergulho do dia anterior. Só que dessa vez não vi nada de novo, além de estar me borrando de medo, agora que eu estava ciente que ali é território do maior crocodilo do mundo. Almocei em Vijay Nagar, no restaurante vegetariano Biswas. Pedi um “paneer butter masala” por 200 rúpias. “Paneer” é o tradicional queijo coalho indiano, enquanto que “masala” é uma mistura de temperos. Depois, devolvi a moto e fiquei matando tempo até a saída do barco para Port Blair. Acabei embarcando no navio errado, e só me dei conta quando ele tinha partido - ainda bem que o destino de ambos era o mesmo. Só que esse estava infestado de baratas. Ao desembarcar já era noite, então só me restou ir pro hotel Sunnyvale, pedir uma janta a tele-entrega, lavar minhas coisas e dormir. Exceto pela barata no banheiro, foi a melhor suíte até então. Dia 12 Café da manhã, seguido pelo voo da IndiGo a Chennai. O voo atrasou, então pude conferir todas as atrações do aeroporto: banheiro, bebedouro, caixa eletrônico, lanchonetes e 3 checagens de segurança obrigatórias. Fazia um inferno de 36 graus quando aterrissei. Do alto e pelas ruas se vê que o forte aqui é a arquitetura. Além de muitos prédios em estilo colonial britânico, as moradias são coloridas com diferentes cores, e há uma infinidade de templos de hinduísmo. Mas também se vê muita sujeira e pobreza no meio. Peguei o metrô até a estação central (50 rúpias). Já na estação de trem, provei o suco de um fruto novo pra mim, o marrom arredondado sapoti. Depois, embarquei no trem (5 rúpias!) para o famoso templo hinduísta Kapaleeswarar, cultuado a Shiva. Não se paga nada pra entrar, mas além de uma torre cheia de ídolos do hinduísmo, não há mais muito o que ver. Na saída do templo, um motorista me abordou com o intuito do famoso golpe do tour barato de tuk-tuk, conhecido em Bangkok. Aceitei a carona de 100 rúpias que me levou primeiro à Basílica de São Tomé, uma das 3 únicas no mundo erguidas sobre a tumba de um dos apóstolos de Jesus. Depois ele me levou a duas lojas caríssimas onde ele ganharia combustível grátis por me levar. Obviamente eu não comprei nada. Por fim, me deixou na Marina Beach, a maior e mais movimentada de Chennai, onde eu caminhei um pouco e tomei um caldo de cana (20 rúpias) naquele final de tarde. A seguir, tomei outro trem e tuk-tuk para chegar ao albergue Elliot's 11 Beach. Um leito no dormitório coletivo me custou 610 rúpias incluindo café da manhã. Dei uma volta na rua cheia que leva à praia. Curiosamente, estava ocorrendo uma missa católica em tâmil (idioma do estado) a céu aberto. Parei para jantar num restaurante barato, Classy - de classe não tinha nada. Provei o tal de frango “tandoori”, assado, marinado, apimentado e avermelhado (160 rúpias). Caminhada noturna breve no calçadão da praia. Ali me desfiz dos meus chinelos que não tinham mais conserto e comprei um par por 150 rúpias. Depois fui pro albergue relaxar. Dia 13 Acordei pro café e o recepcionista estava vestindo uma camiseta de Floripa! Dá pra acreditar que o indiano já morou em minha terra, e adorou? Uber até o terminal, e lá próximo peguei o ônibus #588 até Mamallapuram (43 rúpias), onde fica o conjunto monumental de Mahabalipuram, que é um Patrimônio da Humanidade. Aqui eu finalmente vi turistas estrangeiros. Me esquivei dos guias e vendedores e entrei no complexo, sob um sol de rachar. São diversos monumentos com motivos hinduístas entalhados em granito, como baixos relevos, cavernas, mirantes e templos. Almocei no Moonrakers uma porção de lulas fritas (350 rúpias) e um camarão-tigre (300 rúpias) que foi desnecessário, como eu já estava satisfeito. Saí de lá explodindo - e acho que foi esse almoço que me deixou mal depois. Caminhei até os dois templos pagos, sob um único bilhete de 600 rúpias. O que fica na praia se chama Shore Temple, enquanto o outro é o Five Rathas. Ambos interessantes. Prossegui pelo Sea Shell Museum, uma coleção de 40 mil conchas! Há de diversas espécies, formas, tamanhos e cores de várias partes do mundo. Pelo ingresso que combina uma seção especial das pérolas e outra com aquários (alguns pequenos demais pros peixes que os habitam), paguei 150. Continuando, vi o restante das ruínas na colina cheia de rochas do conjunto central de Mahabalipuram. Cansado, retornei de ônibus no final da tarde. Tomei um milk shake premium no Shakos e me retirei ao albergue. Dia 14 Já estava me acostumando com o tumulto na Índia, mas se tem uma coisa que me tira do sério é a falta de educação deles, tanto a respeito de jogarem lixo no chão e na água, dirigirem como loucos, atravessando em qualquer lugar e buzinando o tempo todo, e também furarem filas descaradamente. Voos de turbo-hélice da SpiceJet a Kochi e de lá a Malé, capital do arquipélago das Maldivas. Estavam me negando o embarque internacional porque eu não tinha como mostrar as reservas dos hotéis de cada dia que eu ficasse nas Maldivas. Só fui salvo porque um funcionário compartilhou sua conexão, já que meu chip estava sem sinal. Imigração tranquila, troquei a grana na parte de fora do aeroporto (15 rufias por dólar), bati um rango superfaturado e peguei o ônibus (10 rufias) que passa pela nova ponte que liga à ilha de Malé. Do ponto final, caminhei meio km até o terminal de balsas de Villingili, onde comprei meu bilhete pra Rasdhoo (53 rufias). De lá, caminhei mais meio km até a hospedagem Nap Corner. Paguei 28 dólares para dormir numa cápsula tecnológica futurista! Como estava me sentindo meio enjoado, não saí mais. Dia 15 Às 9h encontrei meu amigo Vinícius no terminal de balsas. Junto com outros poucos gringos, pegamos a barulhenta até Rasdhoo. Como leva 3 horas e ela foi quase vazia (assim como as seguintes), tiramos um cochilo no caminho até o atol. Fomos recebidos por um representante do Ras Village, hotel onde ficamos. Logo saímos para almoçar no Coffee Ole. Pedimos miojo de frango (fried chicken noodles), o prato mais em conta (55 rufias). À tarde, mergulhamos na praia ao sul da ilhota, destinada aos turistas. Só ali é permitido usar roupa de praia, já que Maldivas é um país islâmico e Rasdhoo é habitada. Com a maré baixa, tivemos certa dificuldade em atravessar o recife interno muito raso, até chegar ao externo, onde a beleza se fez presente. Não tanto pelos corais, pois eles estavam um tanto descoloridos, mas os peixes que os cercavam eram abundantes. Além de grandes cardumes, vimos alguns tubarões-de-ponta-negra-do-recife, uma arraia-chita, uma lula, dois peixes-leão e mais uns extras. Deixamos a água quase 3 horas depois, quando o sol já se punha. Uma pena que, saindo do lado oposto, descobrimos um depósito de lixo que termina no mar, bem desagradável. Vimos o belo pôr do sol no Oceano Índico. Depois, caímos na água novamente pra um mergulho noturno, coisa que nunca havia feito antes. Com lanternas à prova d'água, mergulhamos na escuridão completa. Dá um certo medo, pois é nessa hora que os tubarões saem pra caçar - e nós vimos vários deles! Para completar, também avistamos uma tartaruga e uma sépia, que evadiu com um poderoso jato de tinta. Os lírios do mar também ficam mais bonitos à noite, pois se abrem totalmente para captar os nutrientes. Uma das vantagens de se mergulhar à noite é que, letárgicos pelo sono ou ofuscados pela lanterna, os peixes te deixam chegar bem mais próximo que durante o dia. Curti a experiência. Finalmente, jantamos no mesmo lugar, que tocava umas músicas de reggaeton animadas. Mas nada de álcool, já que fora das ilhas privadas dos resorts é proibido. Dia 16 Após café da manhã razoável, meu amigo foi fazer um passeio de 30 dólares para um banco de areia próximo, enquanto eu fui nadar até o recife Giri, mais afastado do que do dia anterior. O caminho até lá são 300 metros de profundidade inalcançável. De novo, vi os tubarões-de-ponta-branca-do-recife. Também avistei um cardume de peixes-anjo. Almoçamos em outro restaurante, o Lemon Drop. O cardápio é parecido com o anterior, sendo alguns itens mais caros e outros mais baratos. Aqui não tem som, mas há um terraço pra compensar. À tarde, praticamos mais snorkeling ao redor do lado sudoeste de Rasdhoo. Uma arraia diferente, alguns tubarões, cardumes e um peixe-leão no raso foi o que vimos. De vez em quando se misturavam correntes extremamente quentes com as um pouco frias, gerando turbulência na visibilidade. Após, assistimos o pôr do sol, com peixes saltando e morcegos sobrevoando a área. Depois da janta, meu mal estar provavelmente adquirido na Índia revelou-se uma diarreia. Duas semanas de comidas típicas super condimentadas e pouco higiênicas não tiveram um bom resultado. Ainda bem que não durou mais de um dia, talvez devido às leveduras (Floratil) que tomei. Dia 17 Na manhã seguinte, tomamos a balsa de uma hora de duração para a ilha de Ukulhas (22 rufias). Ukulhas é mais limpa e sua praia tem uma areia tão branca que ofusca a vista e o mar tão claro que a visibilidade atinge dezenas de metros! Logo ao cairmos na água, percebemos o quanto esse lugar é especial. O recife externo, junto com o da ilha seguinte, é o melhor que presenciei nessa viagem. Cardumes variados, corais em melhor estado, tubarões, arraia e 3 tartarugas dóceis, das espécies de pente e verde. Nem se preocuparam conosco enquanto comiam as algas dos recifes. Mas como já estava com o sol a pino, fomos nos abrigar. Almoçamos na hospedagem em que dormiríamos, a Olhumati View Inn (55 dólares), com a suíte mais bacana. Para comer, escolhi um espaguete com peixe em estilo das Maldivas (6 dólares) e um suco natural de maracujá (2 dólares). Tirei umas fotos da praia enquanto o Vinícius dormia. Às 3h, mergulhamos uma vez mais, pelo resto da extensão do recife externo da ilha. Os corais na direção noroeste estão em melhor estado. Cansamos de ver tartarugas por lá. Trinta-réis pescavam os infinitos peixinhos que abundam. De espécies novas, vimos uma ou outra. Pena que o lado menos frequentado por turistas tenha sua parcela de lixo. Depois do pôr do sol, partimos pro terceiro snorkeling do dia, ou melhor, já era noite. Só que dessa vez foi curto, pois minha lanterna entrou em colapso, então ficamos usando só a do meu amigo. O mais interessante que vimos foram diversos tipos de plâncton. Quando desligamos as luzes, descobrimos que eram aqueles tais bioluminescentes, que brilhavam ao nosso toque! Um tempo depois, fomos jantar no SeaLaVie, restaurante um pouco menos em conta, mas com um som legal. Pagamos 8 dólares cada num prato razoável. Dia 18 Após o café de panquecas e suco, seguimos ao último mergulho nessa ilha. Na tentativa de vermos as gigantescas arraias-jamanta, voltamos ao ponto da manhã anterior. Não conseguimos, mas em compensação, vimos o dócil tubarão-enfermeiro-fulvo tirando um cochilo sob um recife. Escolhi um prato da comida típica “kotthu roshi” (6 dólares) de almoço, feito com pedaços de chapati. Em seguida, por 22 rufias, subimos na balsa até Rasdhoo e até Thoddoo, a ilha final. Essa é caracterizada por produzir a maior parte dos vegetais do país, principalmente mamão. Só a faixa central é ocupada pela área urbana. Fomos caminhando à praia do pôr do sol, para em meio a muitos turistas russos, observar o fenômeno. No caminho vimos as plantações e alguns dos animais nativos, como os morcegos gigantes, os lagartinhos coloridos e as aves terrestres. Há uma mesquita no centro que fica bonita iluminada à noite. Jantamos próximo a ela, no Maracuya. Mas não recomendo, pois os preços não são os melhores, não há música, a iluminação é fraca e eles ainda tentaram nos passar a perna na hora de pagar a conta. Antes de voltarmos ao hotel, demos uma volta para tirar fotos. Dormimos no Amazing View Guesthouse, um nível abaixo dos outros. Mas ao menos também conta com wi-fi e ar condicionado. Dia 19 Tomamos o café da manhã e saímos a mergulhar na praia do nascer do sol. Em Thoddoo o recife externo é mais distante, então é preciso nadar um pouco mais para atingi-lo. Mas vale a pena, pois os corais aqui são os melhores que vimos nas Maldivas. Começando por um pequeno nudibrânquio, atravessamos cardumes enormes de peixes-papagaio, um polvo, um grupo de arraias-chita, além do que já havíamos visto antes. Não tivemos sorte em encontrar um lugar aberto pra almoçar. Depois de uma bela pernada, é que sacamos que era sexta-feira, o dia sagrado do islã, então os restaurantes só abririam depois das 13:30h. Ficamos pelo Coffee Moon, onde nos deixaram assistindo TV trancados no restaurante, enquanto os atendentes iam rezar. Na hora marcada, pedimos o rango, aqui mais barato. Cinquenta mangos por um pratão de miojo com frango e a partir de 20 pelo suco natural. Só que não tenha pressa, porque aqui o negócio é meio devagar. À tarde, largamos do mesmo ponto inicial, mas seguimos mergulhando no sentido inverso. Só que não foi proveitoso, pois já fomos um tanto tarde e um temporal estragou o mar. Para compensar, vimos o melhor pôr do sol. Surgindo entre as nuvens, o círculo desceu até ser absorvido pelo mar. Jantamos no restaurante e café Seli Poeli, bem próximo da hospedagem. Com luzinhas de natal, toca um som legal, mas os preços não são tão bons - apesar de não cobrarem os impostos que chegam a 16% (e você só sabe se são cobrados na hora que vai pagar a conta). Dia 20 Ficamos boiando na linda praia pela manhã. Para o almoço, escolhemos outro restaurante, o Mint Garden. O ambiente é agradável e os preços também, mas (sempre tem um mas) os peixes que pedimos levaram mais de uma hora para ficarem prontos! À tarde, fizemos o último mergulho. Contando os que fiz nas Ilhas Andamã, totalizei 16 mergulhos! Dessa vez, fomos ao lado oeste de Thoddoo. Tivemos que nadar por quase meia hora para chegar ao fim do recife externo. Nesse caminho, vimos coisas novas, como camarões, outras espécies de arraias, além de espécies incomuns, como moreias marrons e poliquetas. Foi bem proveitoso, mas teve que se encerrar com o sol se pondo. À noite, voltamos ao Seli Poeli pra rangar. Depois, finalmente encontramos a loja de souvenir Ufaa aberta, já que os horários são meio bizarros nessas ilhas - essa fica disponível só das 20 às 21:30h! Dia 21 Acordamos bem cedo pra pegar a balsa das 6 e meia para Rasdhoo. A hospedagem nos fez a gentileza de adiantar o café da manhã e nos conseguir uma carona até o porto. Tivemos que aguardar umas horas até a seguinte de volta a Malé. Ficamos no café e restaurante Palm Shadow. Ao chegar à capital, almoçamos na praça de alimentação que fica bem em frente ao terminal de balsas. Em seguida, pegamos um ônibus até o aeroporto (10 rufias) e outro até Hulhumalé (20 rufias). Para pegar um ônibus direto custaria 20 pelo cartão não retornável + 20 pelo transporte (e não poderia levar bagagem). Hulhumalé é uma ilha mais nova onde mora a população de Malé - há inúmeros blocos de condomínio padrão. Demos uma volta por lá, incluindo o parque central, mas não vimos nada de tão interessante para turistas. Antes de ir para o hotel, tomamos um suco no Juice Corner (a partir de 20 rufias) e uns salgados. Nos hospedamos no Loona Hotel, em frente à praia urbana. Pagamos 50 dólares por um quarto com café e ficamos vendo TV. Tomamos o pequeno-almoço na correria e dividimos um táxi (100 rufias) com um indiano até o aeroporto. Vinícius trocou suas rufias restantes na mesma cotação da compra (15 por dólar). Voamos com a IndiGo até Bangalore, onde tivemos que aguardar mais umas tantas horas para o voo consequente de AirAsia a Jaipur. De volta à burrocracia indiana. Mesmo com o visto dentro do prazo de validade, vou precisar pedir um novo pra minha terceira entrada na Índia, ainda que seja pra ficar menos de 1 dia e não sair do aeroporto. Outra coisa, em Bangalore (e possivelmente nos demais aeroportos) não é possível sair depois que entrar nele, mesmo sendo no saguão do check-in. Meia hora, muita desinformação e uma permissão especial depois, conseguimos nos ver livres; caso contrário, passaríamos fome, já que havia onde almoçar lá dentro… Depois desse rolo, almoçamos na praça que fica bem na saída da área coberta do aeroporto. Escolhemos o Wok Shop Para a refeição principal e o Frozen Bottle para a sobremesa (249 rúpias por meio litro de milk shake). Depois de certa turbulência, descemos em Jaipur já com a noite surgindo. Seguimos diretamente ao albergue Jaipur Jantar Hostel de Uber por 190 rúpias, devido ao trânsito. No Uber daqui há opção até de moto ou tuk-tuk. No caminho, vi o quarto acidente de moto na Índia em 10 dias. O albergue é bacana, num prédio de arquitetura interessante. Largamos a mochila no guarda-volume do dormitório com triliches e fomos diretamente ao restaurante da hospedagem comer um prato variado de “thali”. Dia 22 Por 250 contos comemos e bebemos à vontade no café da manhã; valeu a pena. Depois, seguimos de Uber (190 rúpias) ao Forte de Amber, nas colinas áridas ao norte da cidade. A entrada individual para estrangeiro adulto é de 500 rúpias, mas escolhemos o ingresso combinado de 1000 para incluir outras atrações. É um baita complexo palaciano, cercado de muralhas longínquas que mais parecem as da China. No interior, pátios, mirantes e cômodos. Altamente turístico. Ao retornar de tuk-tuk, seguimos ao Museu Albert Hall. É um prédio de 2 andares em estilo indo-sarraceno, com arte indiana nas mais variadas formas, como estátuas, pinturas, moedas e armas. Almoçamos num lugar meio caído, o restaurante Ganesh, já dentro dos portões da rosada cidade velha. Pedi um “paneer butter masala” (190 rúpias) e um “onion naan” (95 rúpias). Continuando, caminhamos no sol infernal até o palácio Hawa Mahal. Famoso por sua fachada, também é permitida a visita em seu edifício de 5 andares. Em sequência, Jantar Mantar. Patrimônio da UNESCO, é uma série de instrumentos astronômicos antigos e grandes, incluindo o maior relógio de sol do mundo. Às 18h, na avenida do portão Tripoli, começou o desfile do Festival Gangaur, que tivemos sorte em presenciar com vista panorâmica da laje de uma loja. O desfile religioso foi composto por pessoas fantasiadas tocando instrumentos e dançando, bem como animais, incluindo um elefante. No caminho de volta, tomei na rua o caldo de cana mais barato do universo (10 rúpias, ou seja, 55 centavos de real!). À noite, jantei e fiquei conhecendo gente no albergue. Dia 23 Nos levantamos tranquilamente para pegar o trem das 11h. Compramos os bilhetes (75 rúpias cada) alguns minutos antes na confusa estação, e nos empurramos pra dentro do vagão do Ranthambore Express na hora em que ele chegou. Cerca de duas horas depois, descemos em Sawai Madhopur. Pegamos um tuk-tuk (150 rúpias) até a C. L. Saini Guesthouse, mas acabamos sendo despachados pra outra hospedagem, a Paridhi Niwas. Neste lugar, ficamos num quarto sem ar condicionado e com internet intermitente. Almoçamos lá mesmo, o melhor “thali” da viagem, por 250 rúpias. Depois, fomos conhecer o Forte de Ranthambore, que fica dentro do Parque Nacional Ranthambore, onde faríamos safáris no dia posterior. Pelo transporte até o forte, com a espera, tivemos que desembolsar mil rúpias. Só havia indianos lá, além de muitos macacos do tipo langur. Passamos mais tempo os fotografando do que as ruínas do forte em si, que em conjunto com os demais do estado de Rajastão, formam um Patrimônio da Humanidade. À noite fomos dormir cedo, pois teríamos que estar de pé às 5h da madruga! Dia 24 Apesar da reserva paga pela na internet (~1800 rúpias) afirmar a necessidade de se obter o bilhete no escritório do parque na noite anterior, ele fica fechado, então às 5 e meia já estávamos lá, os únicos estrangeiros entre várias dezenas de guias e motoristas, pois os turistas pagam pros hotéis fazerem essa função. Com mais 4 belgas de meia idade, fomos de jipe até a zona 10 do parque, bem distante. O caminho até lá exige uma máscara contra poeira. O ambiente é semidecidual, com morros e matas baixas, bastante seco nessa época. Vimos diversos langures, veados-sambar, veados-manchados, antílopes-azuis e aves, como pavões (nativos da Índia), no trajeto irregular. Estávamos chegando ao fim do safári de 3 horas e meia, quando atingimos o objetivo máximo, um tigre! Mais precisamente uma tigresa de 2 anos, estava deitada pegando um solzinho ardente. No máximo ela deu umas lambidas e fez umas caretas, mas mesmo assim foi muito legal ver. Almoçamos no próprio hotel mais um gostoso “thali”. A única coisa que não conseguimos comer/beber é a amarga coalhada. À tarde, mais um safári, das 3 às 6 e meia, desta vez na zona 4, mas em um veículo de 20 lugares. Essa zona possui paisagens mais belas que a outra. Quanto aos animais, vimos tanto quanto antes e até mais: chacais, outras aves, crocodilos. E no finzinho já com o sol se pondo, outra tigresa! Jantamos em nosso hotel. Depois, ficamos assistindo vídeo-clipes na MTV indiana até dormir. Dia 25 Café da manhã meio esquisito. Depois, seguimos à estação de trem. Para variar, só conseguimos comprar pra segunda classe (a pior), por 100 rúpias para um trecho de 4 horas e meia até Agra Fort. Como os compartimentos dessa classe estavam entupidos, seguimos caminhando em direção aos vagões posteriores, que são melhores. Passamos por vários com camas e ar condicionado, todas lotadas, até que chegamos à classe superior dos assentos, também sem uma vaga sequer. Como resultado, só nos restou ficar no limbo, no espaço apertado e fedido do banheiro entre vagões, numa mistura de ar quente de fora e frio de dentro. No fim, apareceu um fiscal querendo nos cobrar a diferença dos bilhetes, como se estivéssemos na classe 3AC, que custava 815 rúpias a mais cada! O cara não falava muito inglês, então foi bem difícil argumentar com ele. O melhor que conseguimos foi pagar metade desse valor cada, já que não estávamos em assentos adequados… Ao chegar em Agra, combinamos com um tuk-tuk para nos transportar até a hospedagem e de lá até o forte, depois ver o pôr do Taj Mahal e retornar, por 700 rúpias. O Forte de Agra, patrimônio UNESCO do século 16, ocupa uma área grande, só que há poucas construções no interior, pois os britânicos as destruíram. Mesmo assim, os detalhes e o tamanho da obra de arenito vermelho são impressionantes. Entrada de 600 rúpias. Alguns sikh pediram pra tirar foto, então aproveitei para aprender um pouco sobre essa religião. Para o pôr do sol, ficamos num jardim bem atrás do Taj Mahal, mas do outro lado do rio que corta a cidade. Há que se pagar 300 rúpias para essa vista, mas se você gosta de amoras e vier nessa época, dá pra recuperar a grana catando as infinitas frutas que estão nos pés do jardim. Jantamos no Bob Marley Café. É tão autêntico que, além da decoração e das músicas, a bebida deles vem aditivada com aquele ingrediente que vocês devem estar pensando. O Special Bob Marley Lassi ("lassi" é um tipo de iogurte indiano) custou 180 rúpias. Umas duas horas depois, começamos a sentir os efeitos da bebida. Foi uma comédia só. Dormimos no Yoga Guesthouse, só no ventilador e cercado de mosquitos, por 350 rúpias cada. O ambiente não é tão limpo, mas a pessoa que cuida não poderia ser mais solícita, visto que até levou os tênis do meu amigo para costurar sem cobrar. Dia 26 Taj Mahal pela manhã. Quanto mais cedo melhor, mas não fomos tanto. Pra chegar lá, só caminhando ou de riquixá. A entrada pra estrangeiros é abusiva: 1300 rúpias. Dentro, plantas, águas, mesquita, muita gente e o imponente mausoléu de mármore com a tumba da mulher preferida que foi presenteada pelo rei mugal. Na saída, compramos um souvenir, tomamos o café da manhã e corremos pro ônibus refrigerado da Ashok Travels, que nos levaria a Délhi por 400 rúpias cada. Três horas depois, desembarcamos na estação de metrô Akshardham, onde fica o maior templo hindu do país. Almoçamos umas misturas boas num restaurante da estação, seguindo então para a do albergue [email protected], por 30 rúpias. Deixamos as coisas lá, e como já era tarde e as atrações estavam fechadas, fomos às compras. Primeiro descemos no shopping Moments Mall, entrando no hipermercado More Mega Store. Lá eu pude comprar barras de proteína pro trekking no Nepal e o meu amigo alimentos típicos indianos (como a "chana") pra levar pro Brasil. Em seguida, o shopping Pacific Mall, para acessar a Decathlon (onde comprei meu calçado pra trilha) e jantar na praça de alimentação. Ao retornar pra dormir no quarto coletivo refrigerado de 635 rúpias cada, tive a maior ré da viagem. Meu voo para o Nepal com a porcaria da Jet Airways havia sido cancelado há alguns dias (falência da companhia) e eu nem tinha sido notificado! Para piorar, todos os voos de outras cias para os dias seguintes estavam absurdamente caros e não havia vaga nos ônibus que levam mais de um dia pra chegar! Acabei tendo que pagar uma fortuna no voo da IndiGo, caso contrário meu trekking no Everest ficaria comprometido... Dia 27 Havia levado minhas roupas na noite anterior pra lavanderia, ao custo de 30 rúpias por peça. Quase que fiquei sem elas, pois ficaram prontas no momento em que eu estava saindo, ainda que a lavagem tenha sido bem mal-feita. Para ir ao aeroporto eu fui de metrô, na linha expressa que custa 50. Na hora do check-in, conheci dois brasileiros (Lucas e Amanda) que fariam o mesmo trajeto que eu no Everest. Ao chegar em Catmandu, preenchi o formulário eletrônico, paguei o visto para um mês (40 dólares), passei a imigração e fiz o câmbio na cotação de 1 dólar pra 107 rúpias nepalesas. Estava chovendo ao deixar o terminal, mas isso não impediu que eu viesse caminhando até o hotel Sunaulo Inn, onde fiquei num quarto meia-boca por 1200 rúpias (doravante nepalesas). Jantei no próprio lugar, escolhendo um "biryani" de ovo por 280 rúpias. Apesar de ser mais barato que a Índia, cobraram sobre esse valor 23% de taxas! Depois das últimas pesquisas na internet, arrumei o mochilão pro dia seguinte e fui dormir cedo. Dia 28 Fui empolgado ao aeroporto, só pra descobrir que meu voo não sairia tão cedo. Cheguei às 9h e esperei… esperei… esperei, até que às 17h finalmente os voos para Lukla foram cancelados pelo tempo adverso e por um acidente fatal no dia anterior! Um dia inteiro perdido coçando o saco no saguão… Ao menos no final do dia consegui conhecer o complexo do templo hinduísta de Pashupatinath (mil rúpias). A arquitetura é interessante, com várias estupas e teto dourado. Ao longo de um rio, aqui ocorrem rituais de cremação como em Varanasi, na Índia. Tive sorte de presenciar uma dessas cremações, que começam com a cobertura do defunto com flores e o som de uma banda ao vivo. Em seguida, cobre-se de madeira e material inflamável e acende-se uma fogueira, que transforma o corpo em cinzas, que vão parar no rio. Meio macabro. Jantei um "chowmein" de frango, que é um macarrão chinês (250 rúpias), e repousei no mesmo hotel sujinho da noite anterior. Dia 29 Achei que não iria de novo, mas depois de 3 horas de tráfego aéreo (pra desafogar os atrasos dos dias anteriores), nos enviaram pro aviãozinho que recém havia pousado. E pensar que eu quase troquei por um caro helicóptero, como alguns dos turistas fizeram. Logo estávamos no ar, chacoalhando entre montanhas e terraços agrícolas. Pousamos uns 45 minutos depois, na pista minúscula e assustadora do aeroporto de Lukla. Dali já se vê um monte nevado. Comecei a caminhada às 13:40h pela cidade de Lukla a 2900 metros de altitude, onde se pode obter o que lhe faltou, como o dinheiro, que consegui sacar (ao contrário do aeroporto de Katmandu). Paguei as 2 mil rúpias pra entrar no parque rural de Khumbu, primeira etapa da trilha para o acampamento base do Everest. No começo, há muitos vilarejos, muitos turistas e carregadores (sherpas). E descidas, ao contrário do que se imagina. Essa região segue o budismo tibetano, então há muitos monumentos, como estupas, rochas com mantras e rodas "mani", além de alguns monastérios. Parei após duas horas, na metade do caminho que faria no dia, para pegar água duma bica e descansar por uns 10 minutos. Depois, foi só subida e descida. Suei um bocado. Algumas pontes pênseis cruzam um rio glacial turquesa lindo. Uma dessas, fica em Phakding, vilarejo badalado onde repousaram os demais trilheiros que largaram comigo. Eu prossegui até Monjo, onde cheguei no final da tarde, 4 horas depois do começo, e um tanto cansado. Fiquei com um quarto com banheiro, chuveiro quente e wi-fi por 500 rúpias, no Monjo Guesthouse. Estava vazio, então só encontrei um senhor francês pra conversar, enquanto esperava a janta vegetariana de "dal bhat", o prato mais típico nepalês, que consiste em arroz, lentilha, curry de vegetais aleatórios e um pedaço de algo salgado. É muito bem-servido, pois se pode repetir (500 rúpias). Após, continuei na sala comum com calefação, ouvindo músicas nepalesas e tomando "raksi", uma bebida alcoólica caseira de arroz e maçã, que o pessoal da pousada me ofereceu. Dia 30 Dormi relativamente bem. Comi uma barra de proteína e parti. Logo fica a entrada do Parque Nacional Sagarmatha. Mais 3 mil rúpias de pagamento. Depois de uma breve descida em Jorsalle, cercada por florestas de coníferas e cachoeiras, começa uma subida violenta até Namche Bazaar. Não há nenhum vilarejo no caminho. Quase 3 horas mais tarde, cheguei cansado da ascensão de 600 metros. Ao menos o tempo até então estava bom, tanto que eu ainda usava roupa de corrida - exceto pelo calçado. Namche Bazaar é a última cidade da trilha. No seu semicírculo de construções cravadas na montanha, há uma infinidade de hospedagens, restaurantes e lojas, onde se encontra de tudo para compra, a um certo preço. Entrei em 3 pousadas até encontrar uma que não estivesse cheia ou que cobrasse até para respirar. Fiquei na Pumori Guesthouse, por 500 rúpias, com banheiro compartilhado, recarga de aparelhos gratuita, bem como a internet. Só o banho é cobrado, mas nesse dia tomei na pia mesmo. Almocei ali uma pizza broto de cogumelo (550 dinheiros) e saí pra reconhecer a área. Só foi eu botar o pé pra fora que começou a chover e não parou mais. Rolou um fenômeno climático incomum também, uma precipitação monstruosa de granizo com neve! Enquanto isso, passei um tempo no bar The Hungry Yak, onde são transmitidos documentários sobre a montanha. Assisti a impressionante primeira ascensão do Everest, no filme "The Wildest Dream". Enquanto isso, tomei uma Nepal Ice, cerveja forte nepalesa, mas que chega aqui num preço salgado: 600 rúpias pelo latão de meio litro. Em seguida, passei por quase todas ruas, pelo Monastério Gomba, e, já escuro, voltei pra hospedagem para jantar. Ao comer meu bife de iaque (750 com acompanhamentos), gostoso mas meio fibroso, conheci um russo que quase chegou ao final da trilha com duas crianças de 8 e 6 anos! Fui dormir sob temperatura negativa, o que se repetiria até o retorno a Namche. Dia 31 Comi um omelete com pão tibetano (sem graça) e parti pra rua, para aproveitar o lindo dia ensolarado que fazia. Para ajudar na aclimatação, subi a íngreme rota que leva ao mirante do Monte Everest, mais de 400 metros acima de Namche. Lá em cima, coincidentemente, encontrei um grupo de trilheiros de Floripa, que estavam sendo guiados por nada menos que Waldemar Niclevicz, o maior montanhista brasileiro! Fiquei um tempo apreciando a vista do vale de Khumbu, por onde eu vim e para onde irei. Também estavam visíveis alguns dos picos mais elevados, como Ama Dablam e Lhotse. Infelizmente o Everest estava coberto por nuvens constantes. A temperatura não estava tão baixa, mas o vento estava de matar, então tive que descer. Visitei o Sherpa Cultural Museum & Mount Everest Documentation Center (250 rúpias). Há um modelo de residência Sherpa com seus utensílios típicos. Também há uma galeria com fotos, equipamentos e jornais a respeito das expedições ao Everest e sobre o povo das montanhas. Almocei lá mesmo um "dal bhat" (600 rúpias). A seguir, conheci o gratuito centro de visitantes do Parque Nacional Sagarmatha, onde fica essa trilha que estou seguindo. No centro há diversas informações a respeito do meio ambiente do parque. No final da tarde, fui em outro bar (Everest Burger & Steakhouse) para assistir outro filme, dessa vez "Everest". Também aproveitei pra provar outro prato típico, o "thukpa", que é uma sopa de macarrão com vegetais (450 rúpias). Jantei "momos" (bolinhos de massa fritos ou cozidos com recheio de vegetais ou carne em formato de meia-lua) em minha acomodação, agora cheia de chineses. Tomei um banho quente (400 rúpias), carreguei meus eletrônicos e fui dormir. Dia 32 Noite boa de sono, sinal da aclimatação funcionando. Café da manhã pago básico. Me livrei de 1 kg de roupa que não usaria adiante, deixando na hospedagem para pegar na volta. Às 9 e meia, comecei a leve subida e o contorno plano do vale de Khumbu, com vista pro Everest, Lhotse e picos vizinhos. Até aí tudo bem, mas quando o caminho desceu num bosque até a altura do rio no povoado de Phunki Thanga, começou uma subida chata de 550 metros em 2,4 km até Tengboche, onde pernoitei. Do final da subida, dá para ver uma morena, que são os detritos deixados por uma geleira que retrocedeu pelo aquecimento global. Já no topo, fica o pequeno povoado, centrado em um monastério interessante, que visitei. Lá reencontrei o grupo de Floripa, e troquei umas ideias com o Waldemar Niclevicz, um cara bem simpático e inspirador. Passei por 3 hospedagens até achar uma boa opção, pois a mais popular estava lotada, a que conta com uma padaria queria cobrar 1000 rúpias, mas a "teahouse" Tashi Delek cobrou 500 e até que era bacana. Para a internet, eu comprei um tal de Everest Link (2500 rúpias), que lhe dá direito a 10 GB em todas as hospedagens do caminho - e daqui pra frente o sinal do celular não pega. Dei um rolê pra passar o dia durante uma leve nevasca, e no final da tarde quando iria jantar em minha acomodação, encontrei um trio de brasileiros (Danniel, Samir e Felipe) descendo a montanha. Passei o resto do dia conversando com eles. Dia 33 Tomei o café junto, e logo nos despedimos, seguindo para lados diferentes. Às 9 e meia, desci um pouco dos 3860 metros até os povoados seguintes, ao redor do rio glacial Imja Khola. Fazia um baita frio, e às vezes o vento castigava. Botei um pano na cara para resolver essa questão. Ao passar Pangboche, que possui o monastério mais antigo da região, comi uma barra de proteína e recarreguei de água em Shomare, o vilarejo onde a maioria dos grupos almoçava. Com a diminuição de oxigênio disponível, meu ritmo de caminhada também decaiu. Outra coisa que decaiu foram as árvores. Ao passar dos 4 mil metros de altitude, só restaram arbustos. Passei por alguns campos só com plantas herbáceas e arbustivas até a bifurcação Pheriche-Dingboche, bem em frente aos restos de rochas brancas de uma geleira não mais visível. Após um esforço final de subida, cheguei 3 horas e 45 minutos depois na entrada de Dingboche, a mais de 4300 metros de elevação. Esse povoado é maior do que eu esperava. Novamente, minha hospedagem pretendida estava lotada, então acabei ficando com a Tashi Delek. Só que ao contrário desse hotel no vilarejo anterior, aqui não havia nem vaso sanitário… Paguei 500 mangos num quartinho duplo. Ainda bem que era duplo, pois precisei dos dois colchões, cobertores e travesseiros. Escolhi um restaurante aleatório para almoçar, e acabei me dando bem, pois os preços do Himalayan Culture Home Lodge, também hotel, são comparáveis com os de Namche Bazaar, um quilômetro abaixo em altitude. Tomei um chá de limão com gengibre e comi "momos" vegetarianos por 580 no total. Posteriormente, caminhei por Dingboche, só pra ver os campos marrons de plantação serem adubados com fezes. Tomei um banho quente no Tashi Delek (500 rúpias) e fiquei relaxando, já que a rua estava fria, com um neblina que impedia a visão de qualquer montanha, além do cheiro da bosta usada na calefação dos interiores já estar forte. Ao sol se pôr, jantei em meu hotel o clássico "dal bhat". Por fim fiquei debaixo das cobertas lendo um pouco em meu Kindle. Dia 34 Depois do café da manhã de pão, ovo e chá, usei meu dia de folga/aclimatação para subir o primeiro pico da viagem, o mais alto da minha vida. Sobre Dingboche, reina o árido Nangkartshang, com 5083 metros. Saí às 9 e meia como usual. O tempo estava bom, com algumas nuvens, mas não se via o cume por causa de uma névoa. A parte inicial é uma estupa, seguida de um mirante, numa altitude ainda não tão elevada. Depois, a inclinação fica severa. Entre rochas, poucas plantas miúdas, musgos e líquens. O vento aumentou a força, mas não incomodou tanto porque batia nas costas protegidas. Mais além, a fadiga muscular começou a bater, mas não pior que a respiração, já que o oxigênio estava bastante escasso. Conforme o gelo surgia no caminho, eu ia quase cambaleando para chegar logo ao topo. Duas horas e 15 depois, finalmente conquistei o cume! Só que meio atordoado pela falta de ar, acabei atirando minha GoPro ladeira abaixo! Ela bateu numa pedra e foi parar num banco de gelo em outro nível. E agora, perder todo registro da viagem ou arriscar minha vida? Ponderei o risco, e desci em direção à câmera, conseguindo recuperá-la. Ufa! Fiquei um tempo em cima tirando fotos, mas a névoa não deu muita trégua, então desci, faminto e sedento. Parei no Café 4410, que permite a recarga gratuita de aparelhos eletrônicos. Pedi um hambúrguer vegetariano, fritas e milk shake por 1200 rúpias. Enquanto aguardava a recarga, reencontrei um grupo de colombianos que havia conhecido no cume. Passei o resto da tarde conversando com eles; foram tão gentis que até me pagaram um lanche. Quem diria que eu comeria torta de maçã num vilarejo remoto desses! À noite, jantei "thukpa" (450 rúpias) no hotel, e relaxei. Dia 35 Café da manhã repetido. Parti para Lobuche. O início é um vale desolado e ventoso, cercado pela montanha que escalei e por outra nevada. Quando chegara o momento de cruzar o Rio Lobuche e começar uma inclinação foda, parei pra um lanche. Acontece que quando fui trocar o cartão de memória da GoPro, que estava cheio, ele se partiu no meio! Perdi a maioria dos vídeos e fotos que havia feito com ela, pois não havia feito backup. Parece que o que ocorreu na montanha no dia anterior foi uma premonição. Que lástima! Meio abatido, subi o caminho pedregoso com o fôlego no limite. Em cima, fica o memorial para os alpinistas mortos no Everest. Há dezenas de monumentos. Logo depois, já é possível ver um campo coberto de gelo. Mais além, fica o pequeno vilarejo de Lobuche. Aqui o preço mínimo é 700 rúpias. Consegui um quarto duplo e banheiro com privada, mas nada de pia (nessa altitude já não há encanamento), no Above the Clouds Lodge. Começou a nevar bastante, então parei na padaria mais alta do mundo para fazer outro lanche (doce+chá=550 rúpias). Em seguida, fui ao ar livre fotografar o cenário lindo que se formou com a neve acumulada. Até passarinhos estavam por lá. Com o tempo, a neve cessou e a névoa dissipou. Com isso, subi um morro para ter uma vista ainda melhor do vilarejo e do Glaciar de Khumbu, do outro lado. Com o fim do dia, o tempo piorou novamente, então voltei pra hospedagem, onde fiquei esperando um tempão pelo jantar, "dal bhat" (800 rúpias). O bom é que o refil tava incluído, então fiquei satisfeito. Banho de lenço umedecido e cama. Dia 36 Levantei mais cedo e tomei o café da manhã (omelete e chá - 750). Em seguida, subi até Gorak Shep, o assentamento mais elevado do mundo (5100 metros). O caminho estava com bastante trânsito e não foi tão fácil quanto pensei, pois há subidas e descidas sobre rochas. Quase na chegada, se vê o Glaciar de Khumbu, o pico Kala Patthar e o acampamento base do Everest. Em Gorak Shep, tive ainda mais dificuldade em achar um lugar pra ficar. Precisei dividir um quarto no Snow Land Highest Inn (500 rúpias pra cada). Deixei minhas coisas e parti pro acampamento base. O caminho é rochoso e passa ao lado da geleira. Entre as atrações, vi um casal da ave terrestre chamada de galo da neve tibetano, além de uma avalanche na montanha do lado oposto da geleira. Parecia um trovão o estrondo. Peguei ainda um tráfego de iaques carregadores. Ao chegar, há um marco com bandeiras onde todo mundo comemora. Mais uma etapa concluída com sucesso. Desci até a parte interior, lotada de barracas, onde os alpinistas ficam até um mês se aclimatando. Pisei no gelo e retornei, já que o tempo começava a piorar. Bati um rango violento quando voltei. O "dal bhat" da hospedagem veio com repetição, então fiquei cheio até a hora de dormir, a ponto de me deixar meio mal. Enquanto tentava fazer a digestão, um pessoal da Venezuela e Espanha sentou ao meu lado. Comecei a falar com eles; acabamos jogando cartas até a hora de se retirar - sem banho novamente, já que aqui custa mil rúpias! Também tive que recarregar o celular por 400 rúpias pra uma hora... Dia 37 Dormi mais ou menos, mesmo usando o saco de dormir pela primeira vez. Às 7 me levantei com leves sintomas de Mal de Altitude, mas isso não me deteve. Fui escalar o monte Kala Patthar. O começo é sobre terra, bem inclinado, cansa bastante. Depois que se contorna essa parte, percebe-se que o cume na verdade é mais distante e alto do que o que parecia ser visto de Gorak Shep. Continuei lentamente, agora sobre neve e rochas. Uma hora e meia depois, cheguei ao topo do ponto mais alto em minha jornada: 5650 metros! A vista do topo é sensacional. Ali fica o melhor mirante do imponente Monte Everest, bem como do Glaciar de Khumbu e diversas outras montanhas altas da região. Havia umas 10 pessoas essa hora no cume. Desci, almocei "momos" e, um pouco depois, segui o caminho de volta. A parte repetida até a bifurcação em Dughla foi meio monótona. De diferente, apenas um grupo que seguia na direção inversa em bicicletas! Quando atravessei o campo de gelo do acampamento base do Lobuche, não cruzei com mais ninguém. O trecho até Dzonghla é meio arriscado, pois segue à beira do precipício na maior parte do tempo. De vista compensa, pois passa em frente à baita montanha Cholatse e seu lago parcialmente congelado. Também vi uns tantos passarinhos. Quase na chegada, ultrapassei novamente o grupo de Cingapura cujo líder Saravanan foi até o EBC usando calçado minimalista. Na terceira tentativa, fiquei hospedado no Himalayan Lodge. Quinhentas rúpias pelo quarto duplo e banheiro com vaso, mas nada de pia. No mesmo lugar, ficaram os singapurenses e o espanhol Claudi, que eu havia conhecido em Gorak Shep. Jantei uma macarronada e passei o resto do tempo conversando com ambos. Todos foram dormir cedo para a travessia do dia seguinte. Dia 38 Pelas 5 da madruga os demais já estavam tomando café da manhã, enquanto eu pedi meu omelete e chá pras 6 e meia. Na primeira longuíssima subida, já passei um dos grupos. Tanto no dia anterior quanto nesse, alguns conhecidos tiveram que desistir da trilha pelos sintomas do Mal de Altitude. Um deles precisou até mesmo ser levado de helicóptero de volta. Estava com receio que tivesse que fazer essa travessia perigosa sozinho, já que a maioria vai cedo, mas acabei encontrando gente suficiente. Já cansou bastante a primeira elevação, que culminou em uma escalada entre rochas e neve. A paisagem, bem como as seguintes, fez valer a pena o esforço. O passo seguinte foi mais técnico do que cansativo - atravessar uma parede de neve sem proteção alguma contra o abismo que se seguia. Dei graças que Claudi me emprestou cravos para o tênis (crampons) na noite anterior, pois sem eles eu teria chance de despencar nessa etapa ou na seguinte. Passado o trecho sujeito a avalanches a nada menos que 5420 metros de altitude, veio a descida nesse meio escorregadio. Venci, chegando no vale seguinte, uma tundra alpina. Nova subida, seguida de nova descida, mais fáceis dessa vez. Por fim, seguindo o riacho originado numa dessas geleiras, cheguei no pequeno Dragnag, composto apenas de uns 7 alojamentos e nada mais. Desesperado por um banho, usei o próprio riacho para satisfazer meu desejo. Como eu estava aquecido da longa trilha de 6 horas, a temperatura não foi um grande problema. Aproveitei para lavar minhas roupas suadas também. Fiquei hospedado no Khumbi-la Hotel (500 rúpias). Tão básico quanto os demais. Almocei tardiamente "momos" fritos de batata (650 rúpias), botei minha GoPro para carregar (350 rúpias), e passei o resto da tarde entre conversas com os colegas e à toa. Jantei sopa, li um pouco e capotei. Antes, pedi quanto custava 1 mísero rolo de papel higiênico, já que o meu havia acabado: 550 contos! Dessa forma, peguei os guardanapos da sala de jantar pra resolver o problema... Dia 39 Comi e vazei em direção a Gokyo. O caminho é sobre a morena da maior geleira do Himalaia, a Ngozumpa, com 36 km! A caminhada dentro da geleira segue em ziguezague pra cima e pra baixo entre pedaços de rochas soltas, manchas de gelo e laguinhos congelados. Com uma subida final, chega-se a Gokyo. Meu corpo estava tão cansado que levei mais de duas horas para essa travessia, quando deveria levar menos. O povoado de Gokyo é único entre os da rota do trekking, pois fica na beira de um lago semicongelado lindo, cheio de aves e com montanhas nevadas próximas. Deixei minha mochila na Fitzroy Inn. São 500 rúpias, sendo que o banheiro possui vaso e pia, e o quarto é um pouco melhor. Comecei então a ascensão da última montanha da rota, a Gokyo Ri, com 5360 metros. Devido a meu estado precário, fui subindo a passos de tartaruga. Essa montanha é inclinada demais, pois possui 600 metros acima do lago, onde inicia. A paisagem do meio do caminho é sensacional, mas conforme eu subia o tempo ia fechando, pois já era o começo da tarde. De fato, fui o último a subir. Uma hora e 45 minutos depois, usando somente a força de vontade, cheguei ao cume. Lá em cima estavam uma argentina e meu colega Claudi. Descemos e fomos tomar um chá e conversar. Em seguida, jantei "dal bhat" em meu alojamento, com vista para o lago. Não estava me sentindo muito bem do estômago essa hora. Carreguei o celular (300 rúpias), comprei um rolo de papel higiênico (250 rúpias), um pão doce grande (600 rúpias), li um pouco e fui dormir cedo. Dia 40 Acordei com dor de garganta - também, todo esse tempo respirando ar frio e seco pela boca, só poderia acabar assim. Gastei minha última rúpia no check-out, mas pelo menos ganhei uns chocolates de brinde. Esse foi o dia mais longo de caminhada, pois tive que percorrer 24 km até Namche Bazaar. Ainda bem que em sua maioria, o trecho foi de descida. O começo foi passado ao lado dos lagos cênicos de Gokyo. Depois, acompanhando o rio glacial. Passei por alguns vilarejos, descansando, me hidratando e consumindo meus alimentos energéticos a cada cerca de 2 horas, sempre à beira de algum riacho. Encontrei meu colega Claudi nesse caminho, mas ele ficou em Dole, metade do trajeto que eu percorreria. Além desse povoado, as florestas começaram a ressurgir. Junto delas, uma parte lotada de cachoeiras. Já estava cansado, quando em frente a Phortse, uma elevação grande surgiu. Subi a passos lentos. Dali em diante, acelerei o possível no terreno irregular, quase torcendo meu tornozelo algumas vezes. Quase solitário, cheguei à bifurcação em Sanasa, quando entrei na trilha que já havia percorrido no quarto dia. Exausto, com dor nas costas, cheguei em Namche Bazaar às 16 horas, exatamente 8 horas depois de iniciar. Saquei dinheiro e fui pra hospedagem onde havia deixado uma pilha de roupas, a Pumori Guesthouse. Morrendo de fome, devorei uma macarronada (550 rúpias) enquanto carregava meus dispositivos. Por fim, apaguei. Dia 41 Acordei pior do que no dia anterior, dessa vez à dor de garganta, somou-se um resfriado. Não tive escolha; comi um omelete de queijo e tomate (400 rúpias) e vazei. O percurso inicial é de pura descida, mas isso não quer dizer que tenha sido rápido, já que há trânsito e o terreno é irregular. Em sequência, descidas e subidas intermináveis, enquanto atravessava de um lado do rio pro outro nas pontes pênseis. E o corpo reclamando. Mais além, passei pela vila de Phakding. Dali pra frente, foi o maior sofrimento: dor nas costas, nos ombros e nos pés. Eu ia cada vez mais devagar. O trecho final, majoritariamente de subida, foi um martírio, mas 6 horas e meia depois, cheguei ao portal de Lukla. Finalmente, 150 km de trilhas depois do começo, missão cumprida! Comemorei e fui pra alguma hospedagem, no caso a Alpine Lodge (500 rúpias). Tomei um banho (250 rúpias) e me joguei na cama, imprestável. Jantei outra macarronada e fui dormir. Dia 42 Comi uma panqueca com mel de manhã (400 rúpias) e fui cedo pro aeroporto. Precisei chegar lá às 7 e meia, mas não embarquei antes das 11… Me livrei dum dos aeroportos mais perigosos do mundo, descendo em Catmandu. Por 900 rúpias, tomei um táxi até o lar Laughing Buddha Home & Villa (5 dólares cada noite). No caminho pude constatar que o trânsito de Catmandu é do nível das cidades grandes indianas. E bem empoeirada. Desci pra conhecer as atrações recomendadas pela anfitriã, a começar pelo almoço na Army Canteen, lugar onde o exército vem rangar. Como o menu é em nepali, precisei apontar para o que havia na bancada: escolhi feijão, batata e cebola. Na hora de pagar a conta, fiquei de queixo caído… 50 rúpias (R$1,75)! O almoço mais barato da minha vida! Para a sobremesa, fui na padaria Best Choice. Realmente a melhor escolha, pois comi deliciosos doces a partir de 25 rúpias! Até levei uns pro café da manhã. Em seguida, entrei no museu de história natural (100 rúpias). É basicamente o depósito da seção biológica de uma universidade, contando centenas de animais empalhados, insetos, plantas e outros seres viventes no Nepal, com breves descrições. Prosseguindo, o templo do macaco (Swayambhunath). É um templo budista tibetano com algumas estupas, relíquias e muitos macacos sagrados. Entrei pela escadaria de acesso gratuito que os turistas desconhecem. Lá em cima há vendas de souvenires, mirante pra cidade toda e, na mata ao redor, bastante vida. Ao descer, mesmo sem muita fome, parei pra jantar no Chuden Shelzey. Optei por um "chowmein" de frango (120 rúpias). Para minha surpresa, um grupo de monges budistas estava ali jogando videogame! Retornei à tranquila hospedagem, onde fiquei à noite. Dia 43 Comecei o longo dia ingerindo meus doces da padaria. À continuação, pedi para que me chamassem um moto-táxi via Pathao, aplicativo tipo Uber. Até Bauddhanath custou apenas 170 rúpias. Já para a entrada desse Patrimônio da Humanidade, 400. Há uma grande estupa central, reconstruída após o terremoto de 2015, cercada de monastérios, templos, relíquias e lojas meio superfaturadas. Ao deixar o complexo budista que é o principal da capital, tomei um ônibus de 25 rúpias até Ratna Park, onde ficam as estações dos coletivos. Não quis pagar para entrar no parque, pois não me pareceu interessante, então segui até Ason, um bairro antigo central onde se vende de tudo a preços em conta. Aqui tentaram me aplicar o golpe do jovem aprendiz de inglês que quer treinar o idioma e o leva a um templo para benzê-lo e depois a uma loja de pinturas que só está aberta no dia do festival fictício que ocorria justamente naquele dia - não tiraram uma rúpia de mim. Almocei num muquifo um prato de "chowmein" vegetariano por somente 80 rúpias. Pensei em entrar na tradicional praça Durbar em seguida, mas o estado dos edifícios pós-terremoto e a exigência de que estrangeiros pagassem mil rúpias enquanto os nativos não pagavam nada, me fez mudar o rumo. Com o preço tão barato da comida, acabei tomando um caldo de cana por 30 rúpias e depois um "lassi" de banana por 100. Rapidamente adentrei o jardim Garden of Dreams, que cobra 200 pratas, mas é pequeno. Dessa forma, me embrenhei nas ruas apertadas e lotadas de comerciantes e turistas de Thamel. Procurava alguns equipamentos eletrônicos e pra trilhas, mas não encontrei nada de qualidade, já que aqui é quase tudo pirateado. Tomei um sorvete de Ferrero, que não era de Ferrero, e comprei em Ason dois souvenires (roda mani - 1500 rúpias e placa Namastê - 400). Me encontrei com Danniel, um dos brasileiros gente boa que conheci no caminho do Everest. Batemos um papo bom e tomamos um balde da cerveja artesanal Sherpa Red no bar Phat Khat. Depois jantamos "kebab" (225 cada) e eu peguei um táxi pra voltar à hospedagem (600 rúpias). Antes de dormir, conversei um pouco com o pessoal que se encontrava no Laughing Buddha. Dia 44 Acordei com os cães latindo e pessoas falando. Fui em direção aos museus, parando para ter um café da manhã no Vajra Café, já que o Chuden Shelzey não tinha nem ovo e nem vitamina naquela manhã. Acontece que esse café deixa bastante a desejar em comparação com a padaria de 2 dias atrás, além de estar cheio de moscas… Para meu desgosto, hoje era feriado do dia do trabalhador, então tanto o Military Museum quanto o National Museum estavam fechados! Não queria ir até a distante Bhaktapur, então caminhei até uma avenida onde pude pegar um ônibus à região central. Em Ason, fui às compras: relógio minimalista à prova d'água (3000 NPR=rúpias), carteira minimalista (375 NPR), boné minimalista c/ pescoceira (1000 NPR). Como os restaurantes turísticos de Thamel são meio caros, almocei numa birosca chamada Ravi Panipuri Chaat Shop. Fiquei com um tal de "papadi chaat" 70 NPR + "chicken egg roll" 100 NPR + Fanta amarela 40 NPR. Há uma infinidade de casas de câmbio em Thamel, mas como as raras que possuíam rial do Catar não tinham cotação boa, troquei o resto das minhas rúpias pelo famoso livro Into Thin Air na livraria Tibet Book Store (700 NPR). Enquanto procurava um transporte barato para retornar ao alojamento, tomei um suco de abacaxi grande (200 NPR). Depois, embarquei numa van (20 NPR). Me despedi e embarquei no voo da Nepal Airlines com destino a Doha. Havia lido que essa companhia era uma das piores do mundo, então fui sem expectativas, mas me surpreendi: avião grande e novo, entretenimento de bordo e alimentação decente - talvez eu tenha tido uma baita sorte, ou a companhia realmente melhorou. Dia 45 Com um pouco de atraso, desembarquei. A imigração sem visto foi ridiculamente rápida. Saquei dinheiro (1 rial do Catar = 1,07 reais), chamei um Uber até a hospedagem da vez (24 rials). O albergue Q Hostel, localizado num condomínio de casas de alto padrão, refrigerado, me custou 180 rials por 3 noites. Todos meus colegas de quarto eram de países islâmicos. Ao acordar, chamei um Uber pra me levar ao museu nacional (13 rials). A entrada individual custa 50 rials, mas o passe para 3 museus é 100, então o comprei no cartão de crédito. O Qatar National Museum já impressiona no exterior, inspirado na rosa do deserto. Por dentro, ainda mais. Com tecnologia de ponta, conta sobre a biodiversidade do país, bem como sua história, do passado remoto, passando pela conquista árabe, a era de ouro da coleta de pérolas e a atual do petróleo, que superdesenvolveu o Catar. Fiquei mais de 3 horas aqui. Almocei "chicken biryani" no Al Jazeera Kabab, bem em frente ao museu, por 12 rials. Há um ônibus gratuito rosa que passa uma vez a cada hora e leva aos dois outros museus. Peguei ele e desci no de arte islâmica. A construção é bem bacana também, mas por dentro não há tanto conteúdo. As obras de arte de várias localidades islâmicas são belas, mas nada excepcionais. Esperava um pouco mais. Uma hora depois, fui pro Mathaf, de arte moderna, que fica afastado dos demais. No caminho, pude notar as obras de infraestrutura e lazer pra Copa do Mundo de 2022. Havia apenas mais duas visitantes além de mim. Não consegui ficar nem uma hora vendo essas coisas estranhas que chamam de arte. Peguei o transporte de volta e fui passear pela Corniche, a avenida beira-mar. Ainda fazia calor pelas 5 e pouco, mas o sol já estava baixo no horizonte. Atravessei metade do semicírculo a lentos passos, admirando a arquitetura dos arranha-céus, que, assim como o resto da cidade, perdem pouco para Dubai. Tomei um "smoothie" meio caro de 25 rials no Costa Café, e segui por entre os prédios, que agora estavam com iluminação noturna variada. Entrei no shopping center City Center pra jantar (no Subway mesmo - 29 rials no Sabrina de 30 cm) e comprar mantimentos no completíssimo Carrefour, que só não tem cerveja com álcool. Gostei do preço do kiwi, 2,75 o kg. Voltei de ônibus #76 até o terminal de Al-Ghanim, onde pegaria outro busão até próximo da minha hospedagem. Um cartão para 2 viagens na cidade custa 10 rials e pode ser comprado com o próprio motorista. Pegaria, pois quando cheguei lá quase às 23h, já não havia mais linhas disponíveis para onde eu iria. Como não consegui sinal para chamar um Uber, convenci um táxi a aceitar a corrida por 15 rials. Dia 46 Como fui dormir tarde, acordei assim também. Tomei meu café da manhã de brownie + suco natural + frutas e tomei um Uber à estação de ônibus (12 rials). Chegando lá, fiquei sabendo que para embarcar no ônibus para fora de Doha, precisaria de um cartão ilimitado para 24 horas, ao custo de 20 rials. Então aproveitei para dar um rolê bom. Primeiro desci em Al Wakra. Como era o dia sagrado do islã, os "souqs" (mercados antigos) estavam fechados. Com isso, dei uma conferida na praia de água turquesa. Almocei logo no Alfanar Restaurant Yemeni Food, onde pedi um tal de "mandi chicken" por 25 rials, mesmo sem saber o que era - mas gostei. Caminhei mais um pouco e retornei à avenida, onde há uma estátua de ostra, uma mesquita bonita e um forte fechado ao público. A intenção era continuar pro sul até Mesaieed, mas eu acabei indo parar no ponto errado e só percebi quando o ônibus de volta estava passando, então decidi retornar ao centro. Fui então ao Souq Waqif, onde ficam as lojas tradicionais. Tentei comprar um souvenir decente, mas os feitos no Catar são caros demais. Ali também ocorria a feira internacional de tâmaras. Entrei e saí, pois eu nem gosto dessa fruta típica de países desérticos. Essa área revitalizada é a mais antiga da cidade. Visitei os museus Msheireb, que contam um pouco dessa história. Gratuitos, são 4 casarios antigos que também falam da escravidão na região e o desenvolvimento com a descoberta do petróleo. Fiquei algumas horas em seus interiores. Quando saí, já era noite. Fui à orla, um tanto escura, para admirar os arranha-céus coloridos do outro lado da baía. Ao retornar, parei num dos restaurantes/lanchonetes baratos ao lado da estação de ônibus para jantar. Comi um "biryani" de frango por somente 10 pilas no Taxi Land Restaurant. Depois, voltei à acomodação de ônibus. Doha tem um problema sério de trânsito no centro, mesmo a altas horas. Dia 47 Acordei uma vez às 4 e meia com o anúncio de Allah nos alto-falantes da mesquita mais próxima. Voltei a dormir. Fiz o check-out e deixei minha mochila na recepção enquanto passeava. Fui até a rodoviária, comprei outro cartão ilimitado e com o #104A através do deserto até Dukhan, o princípio da exploração petrolífera no país. O baita ônibus confortável é uma mudança e tanto pra caminhonete que levava os operários na caçamba. Em Zekreet, há umas formações geológicas tabulares interessantes. Pena eu não haver meio de explorá-las. Duas horas e meia depois, o ônibus parou na entrada de Dukhan, ao lado de uma refinaria. Almocei pizza na Domino's (29 rials pelo combo) enquanto aguardava o ônibus de retorno. Ao retornar, parei no Mall of Qatar, um shopping grandão e ligado à linha de metrô quase pronta. Aproveitei para a assistir o lançamento dos Vingadores. Acreditam que o ingresso mais barato pro cinema era de 45 reais o inteiro? Voltei com os ônibus. À noite, fui até o aeroporto, onde aguardei um bocado de horas até o voo das 4:40 com a IndiGo até Mumbai. Dia 48 Desembarquei sonolento, passei a imigração e peguei um Uber (180 rúpias) até a cápsula bacana onde eu passaria o dia, no Hotel Astropods Airport, por mil rúpias. De volta ao aeroporto, lanchei e embarquei na Air China para Pequim. Dia 49 Depois de umas 5 horas em voo, passei o resto do dia no aeroporto da capital chinesa, entre cochilos e eletrônicos. A comida é meio cara e há poucas opções de refeição, então fiquei à base de KFC e Costa Café. Dia 50 Na madrugada seguinte, fui com a mesma companhia para Frankfurt, onde desci para dar uma volta na cidade. Comprei um passe diário ilimitado pro transporte público (9,65 euros) e peguei o trem até a estação central. Como já conhecia a cidade, não mirei exatamente os pontos turísticos. Caminhei aleatoriamente, mas parei para fotografar a arquitetônica Römerplatz. Aproveitei o dia para ingerir algumas das delícias culinárias europeias, como queijos, cerveja, bagas e salsichão - a maioria comprado em supermercados. Fiz compras também: eletrônicos na Saturn, chocolates e outras comidas nos supermercados econômicos Penny e Aldi, e roupas na Primark. Final da tarde retornei e aguardei o bom voo da Lufthansa, que, junto com o trecho final da Gol até Floripa, concluiu a viagem, 3 dias depois!
  10. Já era o quinto dia de acampamento e viagem. Acordei muito cedo, recomendação do Holandês do Mar, para procurar algumas conchas naquela imensidão deserta que é a Praia do Sol. Depois de uma hora de caminhada, Apolo (o deus do Sol) mostra-me o porquê do nome da Praia. Aos poucos as cores vão transitando por vários tons dourados, estarrecedores. Foi de esquecer até as conchas, hshs. Como não tenho espírito holandês, não tinha encontrado muitas mesmo. Retornando para o acampamento, e depois de uma pomposa refeição à base de frutas, o dono do camping apareceu, e lá fomos nós pelas areias. A primeira parada do dia foi na Ponta do Gi, uma graciosa elevação no meio da areia, coberta da cascalho e pedras, dá para imaginar um cenários daqueles que nos pintam da superfície de Marte - só que com plantas. Bem no ápice da elevação, fica a Pedra do Frade, uma beldade, completando o cenário extraterreno - parece que foi colocado minuciosamente uma rocha sobre a outra. Infelizmente um ponto negativo daqui fica por conta das pessoas sem juízo que sobem com seus carros e ficam perambulando sobre a paisagem, destruindo a graciosidade dos deuses. Na sequência fica a imensa Praia do Gi, deserta com 5 km até o início da Praia do Mar Grosso já na cidade de Laguna. Mar Grosso, não me pareceu muito interessante, sabe aquelas praias meio burguesinhas de São Paulo, tipo Maresias, então bem isso. Um resort à direita da rodovia com passarela e tudo até a praia. Ainda eram 10:00 e fomos direto para o Molhes da Barra onde, inocente, eu, com os vidros do carro baixados entrei feliz da vida. Poseidon me agraciou com suas agradáveis águas que rebentaram no molhes e entraram pelas janelas sem educação nenhuma, kkkkk. No molhes vimos muita gente pescando, era cada robalo; 😍. Muitos pescadores, de todos os lugares do sul. Na ponta um Farol, modesto mas simpático, contudo não ficamos muito à vontade, já que Poseidon insistia com suas graças. Fomos até o centro histórico, uma experiência indispensável. Visitamos o Marco de Tordesilhas, o museu de Anita Garibaldi, a Paróquia Santo Antônio do Anjos, A Fonte da Carioca, pena que a Casa de Anita estava fechada para reforma, e o Museu da cidade tinha sofrido um incêndio recente, então não tivemos acesso. Fomos depois ao Morro da Glória de onde podemos ver todo o molhes e boa parte da cidade. Antes de pegar a balsa, passamos na Fonte da Carioca reabastecer as águas e ver o a Casa Pinto D'ulysséia. Seguimos até a Balsa, esperamos 5 min e lá se fomos. Após a travessia, pegamos à esquerda e fomos procurar a Praia do Tamborete, uma teteia com se diz aqui no sul. Como Poseidon se desgasta no molhes, o Tamborete tem águas abrigadas e bem calmas, além de transparentes. A areia é limpinha e um morro rochoso faz a graça à direita. Um fato curioso é que em algumas rochas da lateral da praia emitem um 'eco' das ondas e um ruído das águas, acredito que possa ser o motivo do nome da praia. Outro detalhe curioso é uma espécie de oratório, parecendo aqueles dos Jesuítas que vemos nos livros, este fica um pouco antes da Praia do Tamborete. Na volta, pegamos mais à direita antes da rodovia, e fomos em busca da Praia do Gravatá. Depois de um bom trecho de vielas, subida acima, as casas acabam. Perguntei a um morador que me instruiu deixar o veículo no seu estacionamento e seguir a pé, não era recomendado deixar o carro no meio da mata, alguns roubos, segundo ele acontecem por ali. Pegamos a mochila e lá fomos nós, após 400 m na rua de paralelepípedos, entramos numa trilha pouco desgastada. Só a trilha já vale o esforço, por entre as colinas, algumas vacas e palmeiras retorcidas que lembram o nordeste do país. Nada mais que 30 min de caminhada, e a deserta Praia do Gravatá se descortina à nossa frente, indescritível, poderia dizer que é a mais incrível que encontrei nas minhas andanças. Na verdade são duas: a Praia do Gravatá e a do Maneloni, separadas apenas por uma elevação - mistura de areia e pedras coberta de grama. Com areias brancas e a água azul que se confunde com o céu. Ficamos um bom tempo por ali, antes de seguir. Nossa próxima parada foi a também isolada Praia da Tereza, uma vila com uma 10 casas. A praia não é muito bem conservada, mas conta até com um parquinho para as crianças. Logo em seguida fomos para a Praia do Ypuã, ao menos tentamos, kkkk. É uma extensão de areia enorme, e rapidamente encalhamos. Com algum trabalhos conseguimos desencalhar, e seguimos caminhando conhecer: a praia brevemente, só tinha gringo, e o nosso primeiro Sambaqui, o Sambaqui da Roseta. O final do dia já se aproximava, mas como o horário era verão, fomos conhecer a mais charmosa praia que já vi, a Praia da Galheta. Incrível, uma pequena vila, irregular. Casas de vários estilos culturais, sem muros ou cercas, emergindo da areia. Uma sinfonia perfeita com o grande Sambaqui que amortece as ondas. Ao norte do Sambaqui a Praia da Galheta, mas agitada, de areia branca e fina, com água azul carregada de 'carneirinhos' das ondas que quebram muito antes da margem; ao sul a Praia Grande, de areia mais grossa e água muito calma. Dá vontade de dormir ali, não fosse ter deixado o carro 1 km na estrada - depois do Ypuã preferi não me aventurar na areia - e estarmos de partida para o Farol de Santa Marta. Sigo com o final da trip no próximo post.
  11. Ko Pha Ngan, ilha de vários estereótipos. O maior deles? Anarquia total e não é por menos. É aqui que acontece a famosa Full Moon Party. Resolvemos visitá-la mesmo assim, só que durante o período calmo. Tentar conhecer o outro lado da "lua", ou melhor, o outro lado de uma ilha paradisíaca e com uma vibe super positiva. Nos hospedamos uns 2 km do pier, mais precisamente na praia de Thong Sala. Do pier, fomos andando rumo ao hotel com as mochilas nas costas, passando por lojas, pequenos restaurantes, agências de viagem e oficinas de aluguel de motos e bicicletas. Resistimos a tentação de usar o táxi. Eram muito superfaturados. O que são 2 quilômetros de caminhada, não é mesmo? Já no hotel, um senhor inglês de uns 50 anos nos atendeu. Simpático, sem nenhuma formalidade, nos tratou como se fôssemos amigos. Ele nos apresentou o nosso tão esperado bungalow. Era relativamente pequeno, de frente pra praia, com uma varandinha, rede, cadeiras de plástico e uma mesinha de centro com um cinzeiro. Dentro, as paredes eram azuis, de tom bem intenso, e os móveis feitos em bambu. A praia em frente ao bungalow não era muito própria para o banho. Pedras e corais se estendiam por centenas de metros mar a dentro. Em alguns momentos do dia, uma faixa de areia surgia invadindo o mar e criando um lugar ideal para ver o nascer do sol entre as montanhas. Todas as manhãs, comprávamos frutas fresquinhas em um supermercado pertinho dali. Levamos as frutas para o bungalow e ali mesmo tomávamos café. O que tem de melhor do que fazer isso de frente para a praia, sozinhos e em total silêncio? Costumávamos acordar tão cedo que tínhamos a praia só pra gente. Na verdade, tínhamos o sol, o mar, a areia, a vista, um ao outro. Era uma experiência privada com a natureza. Pra se locomover entre as praias de Ko Pha Ngan (ainda vou escrever um post só sobre elas), resolvemos alugar uma scooter. Focamos nosso roteiro principalmente na parte norte de Ko Pha Ngan, onde ficam as praias mais famosas. Pegamos a estrada que contornava a costa oeste da ilha. Eram subidas e descidas íngremes que exigiam um pouco de potência e bons freios da pequena scooter. Na estrada, passávamos por todo o tipo de gente. Dava pra sentir a vibe positiva de cada um, a auto-confiança de cada pessoa que passava por nós. Eram motos e mais motos que iam e viam. Ninguém usava capacete. Alguns fumavam, com seus óculos escuros e cabelos soltos ao vento. Sensação de estar em um daqueles filmes de galãs badass, sabe? Terminamos o nosso primeiro dia em Ko Pha Ngan em uma barraquinha de frutas na beira da estrada, longe do nosso hotel. Melhor sensação do mundo. Compramos uma manga, cortadadinha na hora. A vendedora era só sorrisos quando arriscamos agradecer em tailandês: — "Khob khun...". E ela só sorria! Não sei se era pela minha pronúncia desajeitada ou pela tentativa de falar alguma coisa. É... Nunca vou saber... Quer ler mais sobre as nossas viagens? É só acessar o nosso site: www.feriascontadas.com
  12. Queridos! Montar um roteiro pra Europa é muito simples. MAS TER CERTEZA DE ESCOLHAS NO SUDESTE ASIÁTICO É UMA AVENTURA!!! Segue a ideia do meu roteiro, e gostaria MUITO de compartilhamento de experiências e dicas/apontamentos de onde acertei ou errei. QUE MEDO DE ERRAR NO ROTEIRO!!!!! 21 dias, partindo em 22/11/2019, fazer uma segunda lua de mel eu e minha esposa: - Saída de Guarulhos direto para DUBAI; - Estadia de 2 dias em DUBAI - Ida para Bangkok - Estadia de 3 dias em BANGKOK - Ida de trem para Ayutthaia - Estadia de 2 dias em AYUTTHAIA - Ida de trem para Chiang Mai - Estadia de 2 dias em CHIANG MAI - Ida de avião para Krabi - Estadia de 4 dias em Ilhas de KRABI e arredores - Ida de trem ou barco para Phuket - Estadia de 2 dias em Ilhas de PHUKET e arredores - Estadia de 1 dia em SIMILIAN ISLANDS - Ida de avião para Siem Reap - Estadia de 3 dias em SIEM RIAP com visitas em ANGKOR - Ida de avião para Laem Prabang - Estadia de 2 dias em LAEM PRABANG - Ida de avião de volta para Bangkok, no dia de vôo de volta para o Brasil
  13. Então , final de maio partirei em um mochilão roots por todo sul do litoral brasileiro , rumo ao uruguai. Não tenho data pra voltar , pretendo passar pelo menos 1 mês viajando , então vou parando nos lugares mais bonitos sem pressa. Eventualmente , me hospedarei em hostels sem problema, mas na maioria do tempo dormirei na minha barraca mesmo. Quero começar a trip em Palhoça SC , mas aceito qualquer dica e mudança de roteiro que acrescente. Quem quiser fazer companhia está convidado haha, qualquer coisa só mandar msg.
  14. Olá amigos de viagem, Em 9 de março de 2019, junto com a minha namorada, vamos para João Pessoa-PB (queríamos ficar + ou - 5 dias) e pretendemos ir via terrestre até Fortaleza-CE (Jericoacoara, no final, ficaremos 4 dias), Resumindo: João pessoa: + ou - 5 dias Trajeto João Pessoa- Fortaleza: + ou - 4 dias Jericoacoara: 4 dias (chegamos num dia, passamos dois completos, voltamos no 4o dia) Vocês poderiam nos ajudar a melhor maneira de fazer este percurso e o que vale a pena conhecer? Voltaremos de Fortaleza dia 23 de março. Desde já, muito obrigado. Carlos Celular/Whatsapp: 51 985 4242 06
  15. Olá pessoal, sempre acompanho e uso o site antes de fazer alguma viagem, então resolvi postar sobre uma que fiz a Caraíva em Porto Seguro (BA). Espero que ajude! Caraíva é um vilarejo no extremo sul do município de Porto Seguro, muito conhecida por suas casinhas coloridas, o encontro do rio com o mar e pela atmosfera própria lá presente. Eu fui em Outubro de 2018 e escrevi tudo no meu blog: Informações sobre Caraíva (BA) Como Chegar em Caraíva (com fotos e preços) Onde comer em Caraíva (com fotos e preços) Mas vou fazer um resumo aqui. COMO CHEGAR: A partir do centro de Porto Seguro, deve-se atravessar o Rio Buranhém pela balsa com destino a Arraial d`Ajuda, essa travessia leva cerca de 10 minutos, funciona todos os dias, 24h e com saída a cada 30min, se houver lotação antes (ou a presença de uma ambulância/carro de polícia) ele sai antes. Custa R$4,50 (preço de não morador, a volta é grátis). Vou falar da ida em ônibus porque foi a que eu fiz. Talvez a forma mais cômoda e com certeza barata de chegar à vila. Quem faz o serviço é a empresa Viação Águia Azul. O micro-ônibus que eles utilizam para fazer a linha não é dos melhores (não vou mentir, meu assento não tinha nem cinto), mas cheguei vivo lá. A viagem é por grande parte em estrada de terra, subindo e descendo morro, passando por umas pontes bem estreitas, no total dura quase 3 horas e ele ainda faz algumas paradas, como em Arrial d`Ajuda, Trancoso, entrada do Teatro L’Occitane, Outeiro das Brisas e em algum lugar (que não faço ideia onde) para você ir ao banheiro, comer um café ou um biscoito. Horários de ida: 7:00h e 15:00h Horários de volta: 6:20h e 16:00h Preço: Balsa - Caraíva: R$20,00 / Arrial d`Ajuda - Caraíva: R$19,00 / Trancoso - Caraíva: R$17,00 Ao chegar no porto de Nova Caraíva você encontrará um caminho de pedras e no fim várias canoas a espera para fazer a travessia até o vilarejo. Logo no início deste caminho, a esquerda, existe um quiosque (ou um stand) de madeira, lá uma moça te recebe e pede uma contribuição de R$10,00 para manutenção da vila, eles mostram todo o orçamento já conquistado e onde o dinheiro foi aplicado, se quiser ajudar, doe, qualquer valor é bem vindo, mas isso é OPCIONAL. Você não deixará de entrar se não pagar, se não quiser é só passar direto, eu paguei os 10 golpes. No fim haverá uma tenda com vários caras, eles que farão a travessia com você. O custo é de R$5,00 por pessoa para cada trajeto, ida e volta. O tempo de espera depende, pode ser com muitas pessoas ou só você, depende deles. Se estiver com mala, coloque dentro, eles levam tudo. A travessia leva cerca de 5 minutos, bem rapidinho! A partir do momento que você chega, parece que toda a atmosfera muda, parece que aquela vila ficou alí parada no tempo, e interprete isso da melhor forma possível. Todas aquelas casinhas, na sua grande maioria de porta e janela ou meia morada emolduram e te dão as boas vindas. As ruas todas de areia, as árvores, o som do mar, o rio e aquelas pessoas, tudo harmonizam com o ideia de paraíso. Ao chegar, você estará na Av. dos Navegantes que é o Beira Rio, a partir daí já procure onde você vai se hospedar, tem uns totens que te indicam o caminho, ou então, é só perguntar a qualquer morador que eles te indicam. Se você chegou de manhã, um dos primeiros lugares que você pode ir é na Rua do Cruzeiro, uma das transversais que te leva do rio ao mar, é lá que está a famosa casinha que tem escrito “Sorria você está em Caraíva” que tooodo mundo tira foto, depois já escolhe para onde ir, ao mar ou ao rio. Ambos são lindos. De frente para a praia se vê à sua esquerda as falésias da praia do espelho, e à direita, a ponta do Corumbau, a água de ambos é extremamente azul e linda, porém a do mar para tomar banho é mais escura, porque é onde o rio deságua. No encontro do rio com o mar tem umas pedras, onde pode-se admirar todo esse paraíso. Outro lugar a se conhecer é o Quadrado de Caraíva. Lá está a Igreja de São Sebastião, a igrejinha matriz que segundo o IPHAN foi construída por volta do século XVI, algumas lojas a mais , bares e um lugar para forró. De modo geral, vale a pena se perder pelo vilarejo, cada ruazinha de areia é linda. A noite o point da vila deixa de ser a praia e passa a ser a Av. dos Navegantes, ou o Beira rio, onde estão a maioria dos bares e restaurantes de lá. Comida indígena, oriental, italiana, árabe, brasileira, sorveteria, lojinhas, tem um pouco de tudo. Alguns estabelecimentos já tem Wi-fi e quase todos aceitam cartão de crédito e débito, só depende do sinal de telefone, as vezes da uma falhada. Esses bares abrem umas 16h, para que as pessoas fiquem para ver o por do sol (lindo!) de lá, sentados ao lado do rio. Esse também é o ponto mais iluminado a noite de toda a vila, devido aos bares, todo esse trecho fica lindo a noite, tem um até que utiliza tochas de bambu, fica lindo. Junto com algumas opções de forró, o Beco da Lua (que fica fechado durante o dia) abre como mais uma opção de entretenimento. Com alguns bares, lanchonetes e um palco para show ao vivo, é lá que tem as casinhas cenográficas que todo mundo tira foto. ONDE COMER: Não imaginaria que uma vila tão pequena, com cerca de 600 habitantes fixos, poderia ter tantas opções para comer. Tudo muito arrumado e bonito, meio personalizado. Encontrei um pouco de tudo, árabe, japonês, indígena, brasileira, vegetariana... Uma das comidas mais tradicionais lá que eu pude perceber foi o pastel de arraia, servido com molho de pimenta, sai por menos de R$11,00 cada. Alguns botecos estão fechados na segunda-feira. Em relação ao pagamento, havia lido antes de ir que grande parte dos estabelecimentos não aceitava cartão, que seria bom levar dinheiro suficiente para os dias que passaria lá, mas o que encontrei foi o contrário, quase todos os lugares aceitava sim cartão (crédito e débito), mas como não existe sinal de telefone lá, depende do humor da internet para o mesmo passar, porém, não tive o menor problema, tudo certinho. Apenas um restaurante não aceitava, que era o Cantinho da Duca, onde se vende comida vegetariana, esse na verdade não tinha nem cardápio, era dito diariamente pela senhora que trabalha lá. ________________ Bom essas foram minhas impressões sobre Caraíva, caso queiram mais detalhes entrem lá no blog que tem mais coisa: EstandoPorAí.wordpress.com ou no instagram @daanielvalverde Qualquer dúvida podem perguntar
  16. lavine

    Hospedagem em Itacaré

    Olá! Alguém que tenha ido em 2018 ou agora em janeiro (2019), poderia indicar alguma hospedagem? De preferência que tenha um bom custo-benefício. Grata.
  17. Boa noite, Estou procura de pessoas que viajará nessas cidades(Curitiba-Blumenau-Itajaí-Floripa) no mês de fevereiro e trocar idéias de locais interessantes para visitar, principalmente de comida. hahaha Pretendo ir de carro para curtir e dividir a viagem em várias cidades do PR e SC. meu whats: (16)992033255
  18. Então gurizada, estou planejando uma viagem junto a alguns amigos meus, pretendemos nos separarmos entre ônibus e carro entre destinos entre Punta Del Diablo, Cabo Polonio, La Paloma por volta do inicio de janeiro. Gostaria, se possivel, que a galera mais experiente com os locais compartilhasse algumas dicas sobre hospedagens, lugares, comida, sobrevivência(kkk). E qualquer pessoa com duvidas também pode colocar aqui, pois as informações podem ser compartilhadas! Muito obrigado! Gurizada que vai estar por lá nessa epoca manda um salve.
  19. Eai Galeeeeera :p Estarei passando a virada do ano em Floripa, porém ainda não tenho roteiro nem cia!! Minha ideia inicial é chegar em algum lual, você tem indicações? Quem vai - me leva junto! hahah Aceito sugestões para outras trips também... Em fim, chego no sábado dia 29/12 - caso tenha alguém afim de fazer alguma coisa massa antes da virada, trilha, passeio, pegar um sol e tomar uma cerveja seila me dê um grito.
  20. Bom dia, boa tarde, boa noite. 😁 Meu nome é Danilo Bauer, estou saindo de Cuiaba/MT indo de mochilão(carona) até Matinhos/PR. Meu roteiro de viagem, Cuiabá - Rondonópolis - Campo Grande - Umuarama - Curitiba. De Curitiba em frente sigo meu coração, vou onde der vontade, tenho uns postos programados mais nada fixo. gostaria de conhecer a ILHA DO MEL e varias praias e área de camping. Se tiver mais uma maluco(a) interessado em compartilhar esta viagem comigo sera muito bem vindo(a). Esta sera a minha primeira viagem de mochilão, estou super empolgado.
  21. Considerações Gerais Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, preços, acomodações, meios de transporte e informações adicionais que eu achar importantes. Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis na internet. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade. Informações Gerais: Em toda a viagem houve bastante sol. Chuva leve ou moderada só peguei na 4.a feira (13/09) quando estava voltando do supermercado e na 5.a feira (14/09) quando ainda estava no quarto e esperei que ela passasse. As temperaturas também estiveram bem razoáveis (para um paulistano), chegando em média a 30 C ao longo do dia e caindo até 22 C à noite. A população de uma maneira geral foi muito cordial e gentil 👍. Havia nas localidades mais conhecidas também muitas pessoas de fora da região e estrangeiros, principalmente argentinos. As paisagens das praias agradaram-me muito, principalmente as próprias praias, o mar, a vista a partir de pontos altos, a vegetação e as cachoeiras. . A caminhada no geral foi tranquila. Mesmo as que me disseram que seriam inviáveis sem guia, como a da Prainha em Itacaré ou a de Castelhanos em Boipeba, consegui fazer sozinho sem problemas e não achei complicadas, mas me informei antes. Durante muito tempo estive só nas praias, que em boa parte estavam desertas. Às vezes cruzava com algum pescador ou habitantes locais. Não tive nenhum problema de segurança (nenhuma abordagem indesejada) nas praias. Mas me recomendaram não ir por alguns trechos em Ilhéus e Itaparica. Em Itabuna pareceu-me que poderia haver algum problema quando retornava do supermercado perto da rodoviária e eu imediatamente procurei um local seguro. Em Mar Grande, quando iria para uma Pousada que ficava numa ladeira que haviam me dito poder ter algum problema, um aparente vigia de atividades da ladeira perguntou-me o que eu desejava (“qual é que é?”) e eu decidi mudar de pousada. Peguei vários cocos nas praias 🥥, bebi sua água e comi a massa de alguns poucos 👍. Os cruzamentos de rios foram tranquilos. Somente para cruzar para a Praia do Garcez e para Cacha Pregos houve a possibilidade de dificuldades, mas que acabaram não se concretizando. O único ponto que não consegui cruzar foi de Barra Grande para a Barra do Sirinhaém. Tive que pegar barcos e ônibus para Boipeba. Vários estabelecimentos comerciais aceitaram cartão de crédito ou débito (principalmente supermercados, padarias, pousadas e empresas de transporte). Em alguns casos havia acréscimo quando o pagamento era feito com cartão de crédito. Havia localidades em que não existiam caixas eletrônicos nem bancos. Gastei na viagem R$ 1.383,20, sendo R$ 158,63 com alimentação, R$ 700,00 com hospedagem, R$ 154,99 com transporte durante a viagem, R$ 155,33 com a passagem de ônibus de ida para Vitória da Conquista, R$ 7,58 com pedágio da ida, R$ 169,00 com a passagem aérea de volta para São Paulo e R$ 37,67 com as taxas de embarque correspondentes de ida e volta e durante a viagem. Sem contar o custo da passagem entre São Paulo e Vitória da Conquista e entre Salvador e São Paulo e das taxas de embarque correspondentes, o gasto foi de R$ 1.015,12 (média de R$ 39,04 por dia). Mas considere que eu sou bem econômico. A Viagem: Minha viagem foi de SP (Rodoviária do Tietê) a Vitória da Conquista em 07/09/2018 pela Viação Águia Branca (https://www.aguiabranca.com.br). O ônibus saía às 17:00 e chegava às 17:10 horas. Atrasou cerca de 20 minutos na saída e mais de meia hora na chegada. Paguei R$ 169,30 (R$ 155,33 pela passagem, R$ 7,58 de pedágio e R$ 6,39 pela taxa de embarque) parcelada em 6x usando cartão de crédito. A volta foi de Salvador a SP (Aeroporto de Guarulhos) em 03/10/2018 pela Avianca (https://www.avianca.com.br). O voo saía às 11:40 e chegava às 14:15. Paguei R$ 198,78 (R$ 169,00 pela passagem e R$ 29,78 pela taxa de embarque) parcelada em 6x usando cartão de crédito. Na 6.a feira 7/9 fui a pé até a rodoviária. O ônibus saiu cerca de 17:20 com atraso de cerca de 20 minutos. Parou em Resende perto de 20:30, onde subiram um pai e uma filha pequena que se sentaram juntos na poltrona ao lado da em que eu estava, enquanto eu jantava sanduíches fora do ônibus. Troquei de lugar para deixá-los viajar juntos. Eu havia levado 5 brioches comprados na Vovó Zuzu (http://www.vovozuzu.com.br) por R$ 1,59 cada, um usado para sanduíches 🥪, 2 cebolas, um pacote de bolachas água e sal comprado no Atacadão (https://www.atacadao.com.br) por R$ 0,98 e uma garrafa de água de 1,5 litros. O ônibus parou depois em Paraíba do Sul perto de 23:30. No sábado 8/9, após dormir um pouco de madrugada no ônibus, paramos em Governador Valadares cerca de 8:30. Lá tomei café com os sanduíches que havia levado. O motorista da madrugada correu mais do que o regulamentado, o que avançou o ônibus, mas que não me agradou. Meu novo companheiro de poltrona falou sobre muitas situações da sua vida. Ele trabalhava em limpeza no Shopping Center Interlagos e morava em Parelheiros. Ofereceu-me sanduíches e refrigerante que recusei educadamente. Cheguei pouco antes de 18 horas na rodoviária. Ao perguntar sobre a segurança do local, um atendente disse-me que era tranquilo e dois trabalhadores de viações disseram-me que era perigoso. Achei tranquilo. Fiquei hospedado na Pousada da Lua, bem perto da rodoviária, do outro lado da estrada, num quarto com ventilador, sem TV, com banheiro coletivo, wifi e um pequeno café da manhã. Paguei R$ 30,00 por dia em dinheiro. Lá conheci um artesão de Anápolis que viajava pelo Brasil, estava em dificuldades e iria voltar para Anápolis. Fui atendido pela Fabiana, responsável pela pousada junto com o marido. Comprei na feirinha próxima R$ 2,00 em 2 mangas, R$ 2,00 em 1 kg de tomates, R$ 1,00 em 1 pepino, R$ 1,00 em 2 chuchus e R$ 1,20 em 4 pães na padaria. Jantei sanduíches. A pousada também funcionava como motel e no quarto ao lado do meu um casal passou a noite namorando 😀. No domingo 9/9 após tomar um copo de café puro e 2 pães com margarina servido pela atendente Amanda, mais meia manga e bolachas água e sal, fui visitar a cidade. Comecei indo a pé para o centro, onde pude visitar monumentos, casarões, praças, teatros, igrejas, centro cultural e museus por fora 👍. No caminho passei por um jardim que estava sendo construído (acho que será o Parque Ambiental), que achei belo. Depois fui ao Cristo de Mário Cravo, de que muito gostei . Achei a vista a partir dele muito boa e o monumento em si também muito interessante. Era enorme, com Jesus crucificado. O caminho disseram poder ser um pouco perigoso, mas fui a pé e nada aconteceu. Quando estava lá em cima chegou um grupo de turistas num carro e logo após chegou uma viatura da polícia, semelhante ao que é a Rota em São Paulo. Ofereci meus documentos para que averiguassem, mas disseram que não era necessário. Conversamos por algum tempo sobre segurança na cidade, locais a visitar na Bahia, a Chapada Diamantina, onde eles já haviam estado e apoio às comunidades locais. Um deles interessou-se por um portal de voluntariado. Outro explicou-me que a feição sofrida do Cristo, suas mãos e pés grandes representavam o sofrimento do povo nordestino. Depois fui passear no Parque Peri Peri, completamente deserto e meio abandonado, mas ainda assim com natureza preservada, e fui à reserva Florestal do Poço Escuro, andei por algumas de suas trilhas e apreciei a natureza 👍. Saindo daí fui ao Centro de Cultura, que estava fechado, mas tinha painéis interessantes por fora. No caminho passei por um painel na rua sobre Natureza e Religião, com o desenho de Francisco de Assis, que achei muito interessante 👍. Por fim fui ao Parque da Lagoa Bateias, em que pude caminhar ao redor e visitar o museu por fora (era de vidro e foi possível ver seu interior). A vista do parque a partir de pontos altos no entorno também muito me agradou 👍. Achei o Rio Verruga na Reserva do Poço Escuro e a Lagoa das Bateias com pouca água. Jantei sanduíches. O rapaz de Anápolis falou que tinha trombose e varizes e tinha morado no Amazonas. Ainda fui apreciar vista da cidade iluminada a partir da estrada antes de dormir. Na 2.a feira 10/09 não tomei café na pousada de manhã, pois era folga da Amanda e o café sairia um pouco mais tarde. Comi um pedaço de pão, bolachas e água e saí para visitar os pontos que ainda faltavam. No caminho vi enormes filas nos bancos, 2 horas antes do horário de abertura. Pareciam ser pessoas muito simples, talvez algumas vindas de outros municípios e da zona rural. Como a população sofre 😞. Visitei a Igreja Matriz, de que gostei pela simplicidade, ambiente claro, imagens e pinturas felizes 👍. Visitei também o Museu Pedagógico, o Museu Régis Pacheco, de que gostei muito, com suas pinturas e arte 👍, e o Museu Regional, com suas esculturas e quadros. Na volta tomei café com pão e manga. Depois fui à rodoviária, comprei a passagem para Itabuna por R$ 51,50 com cartão de crédito (R$ 50,00 da passagem mais R$ 1,50 da taxa de embarque) pela Viação Novo Horizonte. Conversei com o artesão de Anápolis e descobri que seu nome era João e ele era parente do abade Matias do Mosteiro de São Bento. Almocei sanduíches na rodoviária. O ônibus, que estava previsto para 12 horas, saiu às 13:30 e chegou em Itabuna às 18 horas. Gostei das paisagens naturais vistas durante a viagem, principalmente na área de serra . Havia muitos pastos e gado. Conheci um policial no ônibus e conversamos sobre meus planos de viagem. Ao chegar em Itabuna perguntei sobre segurança e preço e me indicaram pousadas perto da rodoviária. Fiquei na Pousada Grapiúna (https://www.facebook.com/PousadaGrapiuna) por R$ 25,00 a diária, em dinheiro. Era um quarto bem simples para feirantes, com ventilador, sem janelas, com banheiro fora, mas como estava vago naquele período, concordaram em que eu ficasse. Comprei R$ 2,96 (tomate, chuchu, cebola, banana) com cartão de crédito no Supermercado Itão (https://www.itao.com.br) e R$ 6,70 (2 broas e 1 bolo) na padaria em dinheiro. Achei um ponto na ida ao supermercado um pouco perigoso naquele horário (perto de 19 horas). Não sei se eu estava predisposto após vários falarem da criminalidade em Itabuna, mas me pareceu que 2 jovens começaram a me seguir, tanto que eu rapidamente mudei de caminho, atravessei a avenida e fui para um local que me pareceu mais seguro 😟. Jantei sanduíches, bananas, broas e bolo em uma sala ampla de TV com mesas que a pousada tinha. Depois fui para a janela da sala, que era bem ampla, e fiquei olhando um pouco o movimento. À noite houve um pouco de barulho devido ao local da cidade e houve alguns poucos pernilongos. Na 3.a feira 11/09 fui visitar Itabuna. Após comer sanduíches, banana e bolo no café da manhã assistindo TV, saí para visitar a cidade. Inicialmente passei por um templo da Igreja Universal, depois fui ao Centro de Cultura, ao Rio Cachoeira, que disseram ser poluído, mas de que muito gostei 👍. Dei uma volta nas pistas para caminhada que existiam na região central em sua volta. No Centro de Cultura o atendente falou-me das várias facções criminosas que existiam em Itabuna e da violência que havia aumentado recentemente. Visitei também a Câmara, Prefeitura, pontes, Monumento da Saga Grapiúna, que achei muito interessante por congregar os vários atores étnicos daquela terra 👍, Memorial de Zumbi, Estádio, Vila Olímpica, estes dois últimos parecendo estarem abandonados e sem manutenção e o Clube dos Funcionários. Depois caminhei até a rodovia por um trecho com vegetação. Voltei para o centro e fui visitar a Catedral de São José, o Museu Casa Verde, que estava fechado, a Livraria Espírita e a CEPLAC (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira). O músico Adílson falou-me que havia morado em São Paulo e vendeu incenso na rua por 20 dias, após ter machucado a mão. Ganhava R$ 500,00 por dia. Em 20 dias ganhou mais do que com música em 1 ano. Saía da Rua Augusta, virava na Oscar Freire, ia até a Vila Mariana, descia a Lins de Vasconcelos e ia até o Ipiranga, Voltou à música por gostar dela. Ivone, da Livraria Espírita, contou-me que fez cirurgia na Beneficência Portuguesa em São Paulo. Quando recebeu alta falou ao médico que não queria, pois era inverno e pegaria frio ao sair do hospital. Falou-me também do caminho de Ilhéus a Salvador e de sua praia favorita, Algodões. Interessante como os cachorros sabiam atravessar a rua, assim como em Vitória da Conquista 😀. Bandos de garças passaram voando próximo à pousada, enquanto eu apreciava o entardecer. Pude continuar num quarto de feirante, pois ainda havia vaga. Achei a cidade um pouco sem cuidados, provavelmente devido à crise, com muitos equipamentos abandonados e sem condições de uso, principalmente esportivos. Jantei sanduíches, banana e bolo assistindo TV. Na 4.a feira 12/9 comecei minha caminhada. Fui para Ilhéus a pé. Saí cerca de 8:45 da pousada de Itabuna e cheguei cerca de 15:30 na Rodoviária de Ilhéus. Foram cerca de 30 km com paradas de cerca de 1 hora ao todo. No caminho eu vi uma cobra preta e amarela 🐍 a cerca de meio metro de distância. Num dado momento um rapaz pareceu jogar o carro no acostamento onde eu estava . Não sei se estava desviando de algo, brincando (não parecia, pela fisionomia séria) ou foi um ato de agressão a um andarilho. Passei por um enorme empreendimento residencial (Cidadelle), visitei a Universidade Estadual Santa Cruz, de que gostei 👍, com sua área verde, campo de futebol, piscina, animais na unidade de veterinária, pássaro preto, amarelo e vermelho na mata e toda a estrutura de ensino. Depois passei pelo templo do Vale do Amanhecer 👍. Subi para conhecer. Havia vários ambientes, com imagens de Jesus, Tia Neiva, Cacique Seta Branca e outros. Um orixá explicou-me como funcionavam os serviços deles e demais aspectos dali. Passei depois pelo SESI e IFBA. Na estrada achei as paisagens rurais belas, com mata, rio e criação de animais. Em alguns pontos as copas das árvores dos lados opostos quase se encontravam no meio da pista, como Ivone havia falado em Itabuna. O acostamento era estreito em vários pontos. Conheci um homem que estava indo de São Paulo a Recife de bicicleta. Andamos um tempo lado a lado. Ele parecia um pouco alterado e acabamos nos separando. Perto da chegada, um artesão de Salvador residente ali há alguns anos orientou-me sobre Ilhéus e onde achar locais para pernoitar. Estava sentindo dores nas costas, provavelmente devido à posição da mochila, que reajustei. Passei pela rodoviária e lá o taxista Joaquim e outros indicaram-me a Pousada Beira-Rio como sendo a mais barata. Verifiquei o preço com a dona, Dair, e segui para o centro para procurar outras opções, pois queria ficar mais perto do ponto de saída no dia seguinte e precisava sacar dinheiro. Lá os hotéis baratos estavam fechados. Aproveitei para dar um passeio e comer um prato de acarajé (bolinho de feijão, vatapá, caruru (quiabo) e salada de tomate, cebola e vinage) 👍 por R$ 3,50 em dinheiro na Fatinha (https://www.facebook.com/pages/Acaraj%C3%A9-Da-Fatinha/105023446329720), em frente à Catedral. Eu não como carne, então não quis camarões. Saquei dinheiro e voltei para a Pousada Beira-Rio, onde fiquei num quarto privativo com banheiro, TV, chuveiro frio e ventilador por R$ 35,00 em dinheiro. A pousada ficava às margens do Rio Cachoeira, cuja vista era interessante. Comi banana e bolo de sobremesa antes de dormir. Na 5.a feira 13/9 parti em direção a Itacaré, com o objetivo de pernoitar provavelmente em Serra Grande. Antes disso esperei a chuva passar. Enquanto esperava fui comprar 8 pães por R$ 2,00 na padaria. Esqueci a chave da porta lá e tive que voltar para pegá-la . A dona guardou para mim. Com tudo isso atrasei-me razoavelmente. Após o café da manhã e a chuva passar, fui visitar a catedral, que já conhecia, e depois comecei a caminhar pela praia. Fui até depois do Marciano, onde saí para rua de terra e depois asfalto, para não passar pela praia na Comunidade do Cominho, que várias pessoas disseram-me para evitar por razões de segurança e onde tinha estado anos atrás e achado um pouco perigosa. Cruzei a passarela e já do outro lado segui em frente. Achei a praia muito bela. Peguei um coco em área pública 👍, tomei um pouco de chuva fina, cruzei 2 pequenos rios com água abaixo da coxa, parei para nadar e deixei a mochila com família parcialmente de São Paulo no Mamoan. Como não iria chegar a Serra Grande, parei em Luzimares, onde 3 meninas levaram-me à Pousada Ravenala. Sebastião atendeu-me e depois de mostrar seu quarto mais simples por R$ 100,00, disse que tinha um local de trabalho que já havia sido casa de seu empregado. Eu sugeri ficar lá, ele relutou, falou com sua mulher e aceitaram por R$ 50,00 em dinheiro. Enquanto fui fazer compras para o jantar e o café da manhã, por R$ 7,70 com cartão de crédito na Venda do Gilvan (12 pães, 3 tomates, chuchu, cebola roxa, manga), ele colocou cama na casinha de 3 cômodos, incluindo banheiro, limpou o chão, tirou seu material de trabalho e a geladeira. Voltei das compras pela estrada no escuro. Tomei razoável chuva 🌧️. Jantei sanduíches, manga e pães doces. Sebastião ofereceu-me pizza, que haviam trazido de um evento, mas eu já tinha jantado e ele então disse que ofereceria no café da manhã. As dores nas costas continuavam e agora também havia algumas bolhas nos pés. Na 6.a feira 14/9 comecei o dia indo tomar um banho de mar às 7 h 👍. O portão estava fechado, então eu pulei o muro lateral para não sujar a parede nem provocar qualquer dano ao portão. Quando voltei tomei um excelente café da manhã oferecido por Sebastião e família, com pizza, pão, queijo, manteiga, pão doce, café e leite . Sebastião acompanhou-me à mesa. Ele me contou que era de Brasília e havia se aposentado no ramo de hotelaria. Depois, enquanto esperava a chuva passar, conversei bastante com Pedro, seu neto. Vi Sebastião alimentar os micos. Falou-me também de gata, filhotes e cachorros. Após o tempo firmar parti para Serra Grande. No caminho vi 2 peixes 🐟 na areia e quase os joguei de volta ao mar. Só não o fiz porque vi pescadores e quando lhes perguntei se eram sua pesca eles confirmaram. Achei as praias muito belas até o pé da serra. Lá havia um hostel (R$ 40,00) em que conheci Pica-pau e Rap. Este último me falou de uma apresentação de capoeira à noite no Barracão de Angola. Subi a Serra e no caminho parei em dois mirantes, de onde achei a vista espetacular . A foto abaixo é do primeiro deles. Para o segundo houve uma pequena trilha. Ao chegar ao povoado, procurei o hostel ao lado da farmácia da Shirley, sobre o qual Sebastião havia comentado. Fiquei hospedado lá por R$ 25,00 em dinheiro. Pétala, a dona, abriu uma exceção, pois não estava funcionando, mas concordou em me hospedar. Enquanto me apresentava o local, um morcego 🦇 apareceu voando dentro do hostel. Fiquei num quarto privativo com banheiro e ventilador. Depois de acomodado, fui à represa e ao Poço do Robalo. Lá o vigia falou-me do caminho para a Praia do Pompilho, Itacarezinho e Itacaré. Comprei R$ 5,10 na Fazendinha (8 tomates, 1 penca de bananas, chuchu, 2 cebolas) e R$ 3,96 na padaria (12 pães), ambos com cartão de crédito. Após jantar sanduíches, fui assistir à roda de capoeira no Barracão. Houve show do Rap, que havia me falado da roda de capoeira e foi aniversário de uma aluna chamada Sabiá, que ofertou um bolo. Gostei muito da roda de capoeira 👍. Lá conheci uma paulista de São José do Rio Preto, que estava de férias. À noite houve bastante sons no telhado, que acho que eram morcegos. Houve pernilongos, mas eu não liguei o ventilador porque fiquei com frio. As dores nas costas diminuíram. No sábado 15/9 fui para Itacaré. Saí após às 9 horas, pois precisava de maré baixa para cruzar a Barra do Tijuípe. Fui pela Trilha do Cemitério, de onde achei a mata, a praia e a vista muito belas . Atravessei a Barra do Tijuípe com água abaixo do joelho. Fui em frente até o Itacarezinho. Achei as praias muito boas e bonitas . Perguntei a uma moça e a um nativo sobre trilhas a seguir, ela me deu uma explicação sobre as próximas trilhas e ele me deu uma explicação detalhada incluindo outras praias que eu conheceria no futuro. Peguei então as trilhas para as praias da Gamboa, Hawaizinho e Engenhoca, cuja foto está a seguir. Não consegui encontrar nenhum coco em condições de ser pego durante o dia inteiro. A natação ficou prejudicada porque havia muitos surfistas e o salva-vidas sugeriu que eu não fosse onde eles estavam para evitar acidentes. Na volta da Engenhoca, tomei um banho na cachoeira abaixo. No fim da trilha peguei a pista e fui por ela até Itacaré. Em um ponto do caminho dois rapazes começaram a olhar para trás e diminuíram o passo. Eu me assustei e pensei que pudesse haver problemas. Mas logo à frente eles entraram numa vila rural e acho que foi alarme falso. O final do caminho andei já no escuro, mas como havia uma ciclovia na rodovia, isto facilitou tudo. Ao perguntar em um supermercado sobre a localização da pousada a que pretendia ir, alertaram-me para não ficar hospedado na “Passagem”, pois era ponto de tráfico e poderia haver guerra entre rivais. Então decidi ir para a 2.a opção da lista, que o pessoal do supermercado disse ser num local bem mais seguro. Peguei gratuitamente um mapa turístico numa agência de viagens. Passei por um hostel de um chileno, que cobrava R$ 25 a diária sem café da manhã e R$ 40 com café, mas fui ficar no Babel Hostel (https://www.facebook.com/hostelbabel) por R$ 20 a diária sem café da manhã em quarto coletivo com banheiro fora. O dono era Gastón, um argentino que estava morando no Brasil e me recebeu muito bem 👍. Comprei com cartão de crédito R$ 12,48 (espaguete, abobrinha, pepino, beterraba, batata, cebola, mamão, chuchu, biscoito de maisena e goiabada) no Center Supermercado (https://www.facebook.com/pages/category/Grocery-Store/Center-Supermercados-164954680739167/) para as refeições. Cozinhei espaguete 🍝 e o jantei com legumes e frutas. Antes de dormir ainda conversei com Gastón, casal de argentinos e carioca, dono da pousada ao lado. No domingo 16/9 fui explorar os arredores de Itacaré. Comi legumes, frutas, bolachas e goiabada no café da manhã e fui a pé até a Praia de Jeribocaçu. Depois de andar cerca de 1 hora na rodovia, peguei a estrada de terra e depois a trilha para a praia. Achei bela a paisagem na trilha, com a mata e vistas para o mar. Em determinado momento ela cruzou um campo de futebol. Encontrei um velho com um jegue na estrada de terra que vinha falando e cantando. Disse que estava vendendo o jegue por R$ 3.000,00 😀. Ele vendia algum tipo de líquido de cacau. Um pouco adiante cheguei à praia, que era ladeada por um rio. Conheci mãe e filha gaúchas que por lá passeavam. Surfista deu-me indicações sobre as outras praias do entorno e trilhas para elas. Achei belas as praias de Jeribocaçu, Arruda e Palmas. Vi peixes nadando nos recifes 🐠 de coral. Peguei 2 cocos na Praia das Palmas 👍. Na volta dela, peguei um caminho alternativo e descobri um lago, mas como parecia ser propriedade particular, resolvi não nadar. Conversei com salva-vidas sobre o mar e o caminho para cachoeira, tomei 2 banhos de mar e um banho de rio no final. Depois de aproveitar bastante o dia nas 3 praias, comecei a voltar para ir à Cachoeira da Usina. Vários disseram que o caminho pela trilha era difícil de encontrar, então voltei até a rodovia e fui por ela. Logo no início perguntei a algumas pessoas que estavam em vans e os dois primeiros responderam ironicamente e deram informações erradas (disseram que ficava a 20 km ou algo parecido), mas indicaram o último motorista como referência. Ao perguntar-lhe, deu as indicações corretas e disse que ficava a 3 km. No caminho, um homem cruzou comigo olhando para minha cintura, como quem procura algo, e me perguntou se eu vinha em paz 😟. Respondi que sim, ele me falou para ir com Deus (como se repetisse um chavão) e depois completou que isso era a maior mentira e Deus não existia. Achei linda a vista da cachoeira e o banho e hidromassagem deliciosos . A represa próxima também achei bela. Quando estava voltando e tinha acabado de chegar na ciclovia, que começava justamente depois da entrada para Jeribocaçu, uma van parou e me ofereceu carona. Era o mesmo homem que havia sido irônico quando lhe perguntei sobre a cachoeira. Eu não o reconheci de início e aceitei a carona. Seu nome ou apelido era Gel. Desta vez, talvez depois de perceber que eu não era mal-intencionado nem estava alterado, não foi mais irônico e me falou para tomar cuidado ao andar em rodovias. Disse que aconteciam muitos acidentes e havia pessoas que poderiam me atropelar por pura maldade (lembrei do incidente entre Itabuna e Ilhéus). Ele me falou que minha camisa comprida assustava (não dava para ver meu calção) e sugeriu que eu colocasse uma bermuda, pois do jeito que estava as pessoas das comunidades poderiam ficar com medo e hostis. Talvez tenha sido por isso que foi irônico no primeiro encontro. Deixou-me no centro, bem perto da pousada. Ainda tive tempo de dar um passeio na rua principal, que descobri ser atrás da pousada, com muitas lojas, locais para comer e exibições. Lá estava o homem do jegue, que a princípio também não reconheci, mas que aparentemente se dirigiu a mim. Depois pensando, reconheci que era ele e voltei lá para cumprimentá-lo, mas ele já havia ido. Conversei razoável tempo com Gastón sobre o sistema (social) e expliquei como era minha vida. Jantei espaguete com legumes e frutas, e goiabada de sobremesa. Na 2.a feira 17/9 novamente comi legumes, frutas, bolachas e goiabada no café da manhã e depois fui às praias perto do hostel (Rezende, Tiririca, Costa e Ribeira) e de lá peguei trilha para Prainha. Várias pessoas disseram que eu poderia me perder e que poderia ser perigoso dependendo do local onde fosse parar. No início da trilha encontrei um surfista voltando, que me disse que conseguiria ir sem me perder e me falou para cruzar a ponte. Segui o rio, conforme um hóspede do hostel havia me dito anteriormente, encontrei algumas pessoas nadando numa espécie de remanso do rio e confirmei com o seu guia que deveria cruzar a ponte. Cruzei-a logo à frente, segui a trilha e cheguei a uma cerca de arame farpado, sem indicação. Se bem me lembro, o hóspede do hostel havia dito para eu ir à esquerda, que foi o que fiz, após explorar um pouco as possibilidades. Segui a trilha e andando mais meia hora cheguei à Prainha. Achei bonita a mata na trilha 👍. Achei a Prainha muito bonita e boa para nadar . Estava sendo filmado um seriado sobre surf da Disney a ser exibido mundialmente. Fui até a sua extremidade, onde descobri que existia acesso para uma outra praia, que ficava dentro de um condomínio. O vigia Tiago autorizou-me ir até a praia por dentro do condomínio e me ensinou o caminho. Era a Praia de São José, que também achei muito bonita e boa para nadar . Antes de nadar lá, falei com o rapaz que cuidava do aluguel de pranchas e atuava também como salva-vidas. Depois que voltei do mar, ele me disse que quando o garçom me viu no meio das ondas, no fundo, veio correndo falar com ele e perguntar o que eu estava fazendo lá, mas ele o tranquilizou dizendo que eu já havia falado com ele e parecia conhecer mar e saber nadar o suficiente. Na volta errei o caminho e fiquei andando por trilhas secundárias cerca de 30 minutos, até decidir voltar a um ponto conhecido e refazer a trilha prestando muita atenção e tomando outra direção em uma bifurcação em que tinha ficado em dúvida. Depois encontrei um casal de Goianésia, com quem conversei parte do caminho e que junto comigo viu micos 🐒 perto da trilha. Separei-me deles para entrar em 2 pequenas cachoeiras. Depois de voltar conversei novamente com o salva-vidas da Praia da Ribeira que havia dado muitas informações e ele me falou de uma trilha pelas pedras para a Praia do Siriaco. Fui até lá apreciar o visual. Como a maré estava subindo, precisei tomar cuidado em um ou dois cruzamentos de fendas nas pedras. Após voltar de lá, fui às praias da Concha, onde fui ao farol e tomei mais um banho de mar, e da Coroa, onde ficava o Centro Histórico, com suas casas e igreja antigas, que pude visitar. Por fim, a partir do Mirante do Xaréu, fui ver o Pôr do Sol, que achei muito bonito mesmo com nuvens 👍. Depois disso voltei para o hostel. Jantei espaguete com legumes e frutas. Num passeio à noite reencontrei o velho do jegue a que não havia respondido no dia anterior e fui falar com ele, explicando que não o havia reconhecido. Ele entendeu e não ficou chateado, o que me deixou muito feliz 😊. Chegaram novos hóspedes, incluindo um artista carioca, que aparentemente havia sido roubado e tinha vendido um trabalho feito com folha de bananeira para conseguir dinheiro para passar a noite. Na 3.a feira 18/9 minha ideia era ir até Maraú. Após tomar café, despedi-me de algumas pessoas do quarto e do hostel e parti. Primeiramente passei pelo Bradesco para sacar dinheiro. Paulo atravessou-me de barco até a Praia do Pontal por R$ 5,00 em dinheiro. Inicialmente andei na direção contrária para conhecer o finzinho da praia e por volta de 9:30 comecei a caminhada. Achei as vistas da paisagem muito belas . As praias estavam majoritariamente desertas. Encontrei pessoas em Piracanga pela manhã e depois somente à tarde após as 14 horas. Peguei 2 cocos na praia e tomei um banho de mar 👍. Atravessei 2 rios, um dos quais com água acima da cintura (tirei camisa, boné e chinelo, e coloquei a mochila na cabeça). Meu objetivo era ficar na cidade de Maraú, mas eu havia visto erradamente no mapa e a cidade era distante da praia. Então ao chegar em Algodões comecei a procurar por local para pernoitar. Sugeriram-me o Hostel Algodões, mas estava fechado. Então sugeriram-me o Bar do Raul, na Praia de Saquaíra, para onde rumei. Abaixo uma foto da praia anterior à de Saquaíra. Ao chegar em Saquaíra, logo avistei o bar, na beira da praia. O Raul e Benê, seu empregado, ao perceberem que eu queria algo barato, ofereceram-me por R$ 20,00 em dinheiro ficar no quarto em que dormiam os empregados, que naquele dia estaria vago 👍. Após examinar o quarto e receber as explicações de Benê, aceitei. Era um quarto simples, na beira da praia, com cama de madeira, colchão fino e desgastado, sem ventilador e com lâmpada que se ligava e desligava no soquete. O chuveiro era ao ar livre na praia. O banheiro era o do bar e ficava fechado durante a noite. Mesmo assim, foi uma das melhores noites, sem mosquitos, com a vista do céu noturno estrelado e da praia noturna. Após acomodar-me fui tomar um banho de mar e percebi que o fundo do mar tinha corais. Depois de tomar banho fiquei conversando com Benê, Clóvis e outro amigo deles sobre a vida naquela região. Raul deu-me chá como cortesia 👍. Após isso, Benê deu-me orientações sobre a localidade e onde fazer compras, fui comprar biscoito de coco, cenoura, pepino, tomate, pimentão e manga no Mercado Souza por R$ 6,96 com cartão de crédito. Jantei isso acrescido de chuchu que havia sobrado. Após apreciar o céu 🌙 e a praia à noite, ao voltar para o quarto, um siri entrou 🦀. Eu fui procurá-lo e o coloquei para fora. Voltei a apreciar a praia e quando fui entrar o siri entrou novamente e ficou embaixo da cama. Resolvi deixá-lo lá e ir dormir 😀. Na 4.a feira 19/9 fui para Barra Grande. Assisti o nascer do sol 🌅 da minha cama, que ficava de frente para a janela e esta de frente para o mar. Após levantar fui tomar um banho de mar antes do café da manhã, que foi igual ao jantar da noite anterior. Apreciei as pinturas na sala de refeição do bar. Depois agradeci e me despedi do Raul e iniciei a caminhada. Achei as praias lindas , com muitas pessoas, diferente do dia anterior. Várias delas tinham recifes de coral. Peguei um coco durante a caminhada. Passei por um farol perto da Ponta do Mutá e cheguei em Barra Grande. Lá fiquei hospedado no Hostel Ganga Zumba (http://www.gangazumbahostel.com.br/) por R$ 45,00 com cartão de crédito, em que fui atendido por Alexandre. A dona, Maria, que estava amamentando, prontificou-se a me dar informações turísticas posteriormente sobre a região. Fiquei em quarto coletivo, com banheiro externo, chuveiro com água quente, ar condicionado e café da manhã. Disseram-me que Taipu de Fora seria o melhor local para ver peixes e animais marinhos quando a maré estivesse baixa, o que seria perto de 17 a 18 horas. Resolvi ir fazer compras então para depois voltar a Taipu, por onde havia passado no caminho. Comprei 3 pães por R$ 1,00 com cartão de crédito na Padaria Bom Sabor e os comi antes de ir. Comprei também R$ 4,00 com dinheiro em chuchu, cebola, berinjela, beterraba, batata e laranja no Verdurão para o jantar. Depois fui acelerado para Taipu, pois na vinda tinha demorado quase 2 horas e já eram mais de 15:30. Mas consegui chegar pouco depois das 17 horas, ainda com luz. Procurei informar-me sobre onde seria o ponto para ver os peixes e animais e uma família que estava nadando com equipamentos de natação indicou-me um ponto em que haviam visto. Tentei e não consegui. Aí perguntei a outros que estavam lá perto e me indicaram o ponto mais exato em que a família estava. Então consegui ver alguns peixes. Apareceram alguns rapazes aparentemente nativos (talvez pegando peixes ou apenas os vendo) e me indicaram um ponto mais adequado ainda. Aí pude ver vários peixes 🐠, coloridos, alguns amarelos com listas pretas. Começou a escurecer e eu resolvi voltar, mas fiquei razoavelmente satisfeito com o que tinha visto. Cozinhei as batatas e jantei o que havia comprado no Verdurão. À noite fui dar uma volta na pracinha e assisti à parte da aula de caratê na escola. Antes de dormir, conversei com o carioca Gustavo que estava no mesmo quarto e fazia o trajeto inverso, porém não a pé. Ele vinha de Morro de São Paulo. Durante a noite o ar condicionado incomodou-me (eu não gosto de ar condicionado). Foi a única vez em que vesti a blusa de moletom para frio que havia levado . A vista do mar em frente à Barra Grande está na foto a seguir. Na 5.a feira 20/9 fui para Boipeba. Após acordar tomei o café da manhã oferecido pelo hostel. Achei-o muito bom , com café, leite, chocolate em pó, sucos de cajá e graviola, pães de 2 tipos, mussarela, tomate, batata doce, mamão, melancia e bolo de chocolate, em forma de buffet. Depois despedi-me de Gustavo e fui a pé até a Ilha de Campinho. Achei o trecho de praia bonito 👍. Precisei atravessar uma espécie de rio ou braço de mar pequeno nadando 🏊‍♂️. Caminhei pela praia e depois para ir até o local em que havia pessoas da Ilha de Campinho precisei novamente atravessar um pequeno trecho nadando, num ponto que um argentino de Buenos Aires me indicou. Ele estava lá com a família (acho que de férias). Lá conversei um pouco com os homens que estavam num bar, sobre ir a Taipu de Dentro, mas me disseram que era longe e que não era possível ir pela praia. Então resolvi voltar. Encontrei Alexandre de folga na praia, que me disse para falar com Maria que tinha combinado com ele de sair atrasado meia hora do hostel. Havia conversado com várias pessoas desde o dia anterior sobre como fazer a travessia de Barra Grande para o outro lado em direção a Pratigi. Havia muitas informações desencontradas, até que conversei com NenNei (acho que o nome era este) que vivia na área a tempos fazendo travessias e cuja família tinha morado nas áreas por onde eu queria passar. Ele explicou-me tudo e me ofertou a travessia por R$ 60,00 até um ponto a partir do qual eu poderia andar e seguir o trajeto que pretendia. Mas eu acabei optando por não ir devido ao preço e à incerteza de conseguir travessias nos pontos em que precisaria. Cheguei ao hostel, falei com Maria se precisava pagar diária extra, ao que prontamente ela respondeu que não, despedi-me e fui pegar a lancha de linha das 13 h para Camamu pela Camamu Adventure (http://www.camamuadventure.com.br/) por R$ 20,00 com cartão de crédito. Achei belas as paisagens da viagem de barco , que durou mais de meia hora. Em Camamu havia várias construções históricas, mas que só deu tempo de ver de longe. Pouco depois das 14 h peguei um ônibus para Graciosa pela Viação Cidade Sol (https://www.viacaocidadesol.com.br/) por R$ 12,60 com cartão de crédito. A viagem teve belas paisagens de mata e cidadezinhas 👍, durando cerca de 2 horas. Em Graciosa peguei a lancha para Boipeba às 16:30 (acho que era a última) por R$ 35,00 em dinheiro. Haviam dito em Barra Grande que custaria R$ 15,00. Achei espetaculares as paisagens desta travessia , com trechos de mangue nas laterais e perto do pôr do sol. Em Boipeba fiquei no Hostel Abaquar (https://www.abaquarhostel.com) por R$ 25,00 a diária com cartão de débito. O hostel era da brasileira Fernanda e do belga Peter e tinha várias pessoas fazendo trabalho voluntário em troca de hospedagem. Fiquei em quarto coletivo, com banheiro dentro, sem café da manhã. Havia área verde com redário, sala de TV, bar e cozinha. Quando lá cheguei havia alguns policiais que eles chamaram pelo fato do vizinho ter ofendido uma hóspede ou colaboradora. Fiz compras para o jantar, R$ 1,30 de cebola, R$ 3,75 de chuchu, pimentão e beterraba, R$ 4,70 de biscoito e espaguete, R$ 1,85 de batata e R$ 3,50 de goiabada, tudo em dinheiro (não havia bancos nem caixa eletrônicos em Boipeba). Cozinhei o espaguete e misturei com os outros ingredientes para o jantar, conversei com algumas pessoas que faziam trabalho em troca de hospedagem e assisti ao fim do jogo da Libertadores ⚽ que estava sendo transmitido, após o uruguaio Fernando configurar a TV para mim. Alguns hóspedes disseram-me para deixar a porta do quarto fechado para que o gato não entrasse e deitasse na cama. Abaixo a Praia de Boca da Barra. Na 6.a feira 21/9 fui explorar Boipeba. Após café da manhã com parte do que havia comprado, fui andando pelas praias, passando por Boca da Barra, Tassimirim, Cueira, Moreré e Bainema. Achei as vistas muito belas . Para chegar até Moreré precisei atravessar um pequeno rio. Como a maré estava alta, passei pelo trecho que tinha pedras, pois disseram que mais perto da praia havia ostras que poderiam cortar os pés. No fim da Praia de Bainema, encontrei Caetano, pescador e morador de Castellanos, que estava indo para lá. Perguntei se poderia ir com ele, pois haviam dito que a trilha era muito difícil. Ele concordou e fomos. Ele foi dando informações sobre a trilha e num determinado momento abriu um coco maça 🥥, que eu nem sabia que existia. Ofereceu abrir um para mim também e eu aceitei. Achei uma delícia . Tinha a consistência de maça com sabor de coco. A partir de um determinado ponto, a trilha seguia pelo meio do mangue. E mais à frente, começava a ter água do mar. Caetano pegou 2 caranguejos-siri 🦀 na trilha. Quando chegamos ao local onde estava o barco dele, a água já estava na altura da coxa. Daí para frente fomos de barco e saímos em um rio, que atravessamos junto com Marcelo, que se uniu a nós na outra margem, mas ainda longe do ponto final de destino na praia. Após chegar lá conheci sua família e amigos. Ele me explicou o caminho de volta e disse que seria mais fácil, pois a maré já estaria baixa. Ofereci-me para ajudá-lo a fazer uma página na internet para divulgar possíveis serviços de guia e outros e ele disse que me enviaria mensagem por celular com seu contato. Eram perto de 14 horas e fui caminhar até a Ponta de Castellanos. Achei as paisagens espetaculares, entre as melhores da viagem . Tanto do mar, quanto da praia, rio e vegetação. Fui andando rápido, pois não queria pegar escuridão na volta. Após deliciar-me com as paisagens magníficas, chegar até a ponta e tentar ver o povoado de Cova da Onça, voltei acelerado. Quando cheguei ao ponto em que havia desembarcado e perguntei onde era o início da trilha para sair no ponto mais curto de travessia do rio, Marcelo e João do Barco, seu tio, disseram-me que me atravessariam, pois tinham que atravessar mesmo e poderia ser perigoso eu atravessar nadando aquele rio extenso (realmente era bem mais extenso do que eu tinha imaginado quando perguntei a Caetano se poderia ir com ele). Acho que eles tinham ficado esperando por mim. Antes de atravessar reencontrei Alexandre, atendente do hostel de Barra Grande, que estava tomando algo em um bar restaurante da praia. Ele perguntou se tinha corrido tudo certo ao falar com Maria (a dona) sobre o atraso, disse que sim, desejei-lhe boa folga e fui. Eles me atravessaram e me deixaram já dentro do mangue, pouco depois de onde eu havia embarcado com Caetano 👍. Agradeci muito, pois realmente atravessar aquele rio nadando teria sido duro . A água estava mais baixa e quando cheguei ao ponto em que havia subido no barco de Caetano, já estava quase seco. Segui pelo mangue sem me perder e cheguei de volta à Praia de Bainema. Entre a ida e a volta vi alguns caranguejos e pássaros 🐦 no mangue. Vi também tartarugas mortas nas praias e piscinas naturais em vários pontos. Voltei e passei pelo rio que levava a Moreré ainda com claridade. Com maré baixa pude atravessar pela praia mesmo. Entretanto acabei pegando o fim da trilha à noite, o que foi um pouco problemático num ponto que passava por dentro de mata, pois era difícil enxergar, visto que as árvores tapavam a luz da Lua e das estrelas. Mas foi um trecho curto. Jantei espaguete com legumes, biscoito e goiabada. Mariana, uma das funcionárias voluntárias do hostel, falou-me que no dia seguinte ela e 2 amigas iriam até Castellanos e perguntou se eu não queria ir junto. Expliquei que tinha ido naquele dia e disse que um pescador e morador que me atravessou para lá desejava atuar como guia também e tinha ficado de me enviar seu contato. Ela se interessou e fiquei de repassar para ela assim que recebesse, mas Caetano não me enviou seu contato. À noite houve uma festa gratuita com música no bar do hostel, que era comandado por Melissa, argentina de Puerto Madryn e por uma mineira. Lá reencontrei um surfista que havia me dado orientações quando estava em Bainema e se ofereceu para guiar Mariana e suas amigas até Castellanos, mas Mariana acabou optando por outra alternativa. No sábado 22/9 fui andando até Cova da Onça. Após café da manhã, semelhante ao do dia anterior, parti e fui procurar o início do que chamavam de Caminho do Trator. Era a estrada por onde passava o trator de coleta de lixo. Após andar por algumas ruas da cidade, encontrei-a e a segui por cerca de 2 horas até Cova da Onça. Ela tinha belas paisagens, era de areia ou terra e estava em sua maioria deserta. Passei por uma comunidade quilombola onde confirmei o caminho. Num dos pontos mais altos achei a vista do mar e da costa muito bela. Ao chegar ao povoado, surpreendi-me com seu tamanho, muito maior do que havia imaginado. Tinha praias com mangue e barcos. Após andar na pequena orla, perguntei a alguns moradores se era possível ir em frente e ver a paisagem ou chegar até o rio que a separava do caminho que levava a Pratigi e Barra Grande, por onde eu queria ter passado mas não consegui. Explicaram-me que havia uma trilha pela orla em que depois eu subiria e iria parar nos campos, onde se poderia ver amplamente a paisagem. Segui a trilha conforme indicaram e cheguei num ponto bem alto, em que pude ver a vegetação, a mata, a costa, as praias, os rios, o povoado do outro lado do rio e toda a natureza ao redor. Achei a vista espetacular. Foi, juntamente com o Mirante de Morro de São Paulo, a vista de que eu mais gostei na viagem. Mas se tivesse que escolher uma só, escolheria esta. Após descer, perguntei se poderia pegar um coco das árvores da orla. Amantino e seu amigo pegaram dois cocos com bastante água e massa para mim e um para ele. Enquanto comíamos os cocos ficamos conversando. Ele me falou que havia morado e trabalhado em São Paulo e que agora estava aposentado. Apareceu uma menina de uns 8 anos, chamada Júlia, e perguntou porque a minha camisa estava suja daquele jeito e se eu morava no mato. Eu ri, respondi que não morava no mato e a camisa estava suja de tanto abrir cocos manualmente nas praias. Ofereci coco para ela e ela não aceitou (acho que ficou com medo ou com vergonha), mas depois que eu estava acabando, pediu ao dono do bar em frente aos coqueiros (talvez algum parente seu) para pegar um coco para ela, mas ele disse que não iria pegar cocos naquele momento. Antes de voltar, resolvi perguntar se havia uma trilha para a Praia de Castellanos, como alguns haviam dito no dia anterior. Disseram-me que sim, bastava seguir o caminho do trator (era outro ramo). Segui a trilha e em cerca de 1 hora cheguei lá. Achei muito bonita a paisagem da trilha no meio da mata, com pássaros. Foi fácil, com pouca probabilidade de erro, ao contrário do que me haviam dito 1 dia antes. Novamente apreciei a bela vista daquela localidade. Tomei 2 banhos de mar pequenos, andei até a Ponta dos Castellanos novamente, fui até a curva de onde se avistava o local onde havia desembarcado 1 dia antes e depois voltei. Peguei 1 hora de escuridão, passando por um trecho de mata em que havia vários morcegos. Ofereceram-me carona por 2 vezes, eu agradeci e recusei, pois achei que não era necessário. Jantei espaguete com legumes, com biscoito e goiabada de sobremesa. Na 6.a feira ou no sábado eu fui visitar a loja de artesanato de uma argentina que havia se mudado para lá e um restaurante típico baiano, com quadros, que ficavam na ladeira que ligava a praça central ao porto. Gostei de ambos, que me atenderam muito bem. No domingo 23/9 aproveitei para descansar. Após acordar fui pesquisar como cruzar o canal para ir a Morro de São Paulo. Atravessei e voltei nadando e me convenci de que precisava de um barco, pois a partir de certo ponto a água me cobriu. Depois comprei R$ 1,60 em pães (cebola, coco, milho e arroz) e R$ 2,00 em pepino e chuchu para o café da manhã e o jantar, ambos com dinheiro. Após o café da manhã, fui visitar os pontos de interesse que eram próximos ao centro. Fui à Casa de Farinha, Mirante do Quebra Cu, Igreja (que estava fechada) e Mirante Céu de Boipeba (dentro de uma pousada ou hotel, que os donos permitiram acessar). Achei as construções antigas interessantes e a vista dos 2 mirantes muito boas, mas preferi a do Mirante da Cova da Onça. Do Céu de Boipeba eu fui pela trilha até a Praia de Cueira, onde passei o resto do dia, contemplando e descansando. Já havia gostado daquela praia anteriormente e continuei gostando, agora com o dia todo para desfrutar. No fim da tarde vi o pôr do sol, que teve cores avermelhadas e alaranjadas. Tomei 2 banhos de mar ao longo do dia. À noite chegou ao hostel o carioca André, que tinha ido prestar um concurso público e decidido ficar mais um dia para conhecer a área. Ele morava e trabalhava com turismo em Ilhéus, sendo dono de um hostel e organizando excursões de Ilhéus a Morro de São Paulo. Levei-o para um passeio à noite, para apresentar o pouco do centro que eu conhecia e aproveitamos para tentar ir conhecer a igreja. Mas estava havendo missa e eu não entrei. Porém pude apreciar a vista do mar e da orla a partir da sua lateral. Era noite de Lua cheia e eu achei o céu muito belo. Ainda deu tempo de ver um pouco de Cruzeiro x Santos pelo campeonato brasileiro. O uruguaio Fernando, que torcia para o Peñarol, falou-me que não tinha boas lembranças do Santos nem do Palmeiras, que tinha sido o jogo da 5.a feira anterior. Na segunda-feira 24/9 fui para Morro de São Paulo. Comprei R$ 1,20 com dinheiro em pães (2 de cebola e 1 de arroz) para o café da manhã. Despedi-me de André, que foi dar um passeio nas praias. Fui visitar a Igreja do Divino Espírito Santo, que desta vez estava aberta. Aproveitei para apreciar a vista a partir do mirante durante o dia, que me pareceu muito boa. Quando entrei no terreno atrás da igreja em que ficava o cemitério, um homem que estava cavando um túmulo disse que estava preparando a minha cama . A seguir visitei o Museu dos Ossos, que tinha fragmentos de ossos de baleias e outros animais marinhos. Depois voltei ao hostel, peguei a mochila e fui procurar a travessia para a Praia do Pontal, mostrada abaixo. Paguei R$ 10,00 em dinheiro por ela. Inicialmente fui no sentido oposto para conhecer um pouco a área e depois rumei para Morro de São Paulo. Caminhei pela praia passando dentro de trechos de mangue, o que achei sensacional. Peguei um coco, que deu enorme trabalho para desbastar até a casca dura, pois não havia nada cortante por perto. Um rapaz passou 2 vezes de moto enquanto eu tentava desbastá-lo e me perguntou se eu havia visto um chapéu. Respondi que não, mas que se encontrasse deixaria na barraca que ele indicou. Na saída de uma das trilhas de mangue havia uma árvore com vários ninhos de pássaros. Logo em seguida cheguei à Praia de Guarapuá, que achei magnífica. O mar tinha vários tons de verde e azul, conforme foto abaixo. E o banho foi delicioso. No fim da praia, indicaram-me para pegar uma trilha permitida por dentro de uma fazenda, cuja paisagem de mata muito me agradou. Um caçador que encontrei no meio do caminho deu-me informações preciosas sobre a trilha. Ele estava colocando ratoeiras. Já perto do fim da trilha, um rapaz que estava pegando cocos e caranguejos guaiamuns, abriu o coco para mim. A água estava já um pouco passada, mas mesmo assim tomei e aproveitei. Tinha muita massa, já seca, o que me permitiu comer em várias ocasiões. Logo a seguir cheguei na praia (5.a Praia), voltei um pouco até o mangue, para conhecer toda a extensão, e depois fui pela praia, apesar da maré já bem alta, rumo a Morro de São Paulo. Em Morro de São Paulo fiquei no Hostel La Casita (https://www.facebook.com/lacasitademorro) por R$ 25,00 a diária pagos com cartão de crédito. Os donos eram argentinos e havia vários hóspedes argentinos e chilenos. O hostel tinha muita comida comunitária (arroz, feijão, queijo ralado, farinha de milho, temperos etc), o que enriqueceu minhas refeições e achei uma ótima ideia, pois para quem vai ficar pouco tempo é inviável comprar a quantidade normalmente vendida destes itens. Na primeira noite uma mineira funcionária voluntária, do mesmo tipo que troca hospedagem e refeições por trabalho, fez um bolo de cenoura de que gostei. Fiz compras no Supermercado Estrela da Manhã (espaguete, goiabada, pepino e chuchu) por R$ 8,50 com cartão de crédito e em outro supermercado (cebola e laranja) por R$ 2,70 em dinheiro. Na 3.a feira 25/9 fui explorar Morro de São Paulo. Inicialmente comprei pães no Mercado Nativo (3 pães franceses, 3 pães de milho e 2 pães de arroz) por R$ 2,00 com cartão de crédito. Depois do café da manhã segui o caminho para a Praia de Gamboa. A trilha ia por morros e descia para a praia. Achei muito boa a vista do alto dos morros. Com a maré baixa, caminhar pela praia foi tranquilo. Já em Gamboa, o barqueiro Ângelo aceitou cruzar-me para o outro lado quando fosse seguir viagem e disse que o faria de graça. Eu pedi um preço, mas ele falou que poderia dar quanto quisesse, talvez só R$ 5,00 para pagar o óleo. Continuei até acabar a praia e depois segui pelo manguezal. Lá encontrei um pescador ou caçador de caranguejos que disse que a trilha poderia levar-me ao Galeão, mas que seriam 2 horas de trilha e que esta estava muito suja, com grandes chances de eu não conseguir. Resolvi então não ir e só caminhei mais um pouco até onde achei o caminho razoável. Não foi tão espetacular quanto a trilha entre Boipeba e Guarapuá, mas não deixou de ter certo interesse. Na volta, depois de chegar à praia, tomei um gostoso banho de mar. Perguntei a várias pessoas se dava para voltar pela praia com a maré como estava e quase todos disseram que não. Eu não tinha levado dinheiro para pegar o barco e a trilha sem ser pela praia passava pela comunidade Buraco do Cachorro, que disseram não ser segura porque tinha alguns redutos de crime. Como um nativo me disse que era possível ir pela praia, porém seria sofrido, resolvi ir pela praia assim mesmo. Até que não foi tão difícil, pois toda a primeira parte foi possível fazer por uma faixa estreita de areia, aguardando as ondas baixarem em alguns trechos, ou por cima de pedras. Depois surgiram trilhas laterais nos morros, o que facilitou tudo. Mais à frente encontrei algumas pessoas nas pedras e brincando no mar e elas me indicaram como pegar a trilha principal para chegar de volta a Morro de São Paulo. Aproveitando que voltei cedo, fui conhecer a Fonte da Biquinha, a fortaleza, as praças, a igreja e o farol. Depois fui aos mirantes, de ambos os lados do farol. Achei a vista espetacular, entre as melhores da viagem. Esperei para ver o pôr do sol do mirante principal, que estava lotado. À noite reencontrei Mariana, que agora estava como hóspede, preparando-se para ir fazer trabalho voluntário trocado por hospedagem e refeições na Praia de Pipa. Jantei espaguete com legumes, acrescido de um pouco dos itens comunitários (proteína texturizada de soja, arroz, feijão, farinha de milho e temperos). Depois fui dar um passeio na orla e apreciar a vista noturna. Havia uma passarela de madeira bem movimentada, que permitia andar perto da costa. Na 4.a feira 26/9 fui ver os peixes e descansar. Tomei café com pães, legumes e goiabada e fui ver os peixes nos recifes de coral da 2.a Praia. Antes de chegar na água pude ver as piscinas naturais que se formavam com a maré baixa, conforme foto a seguir. Havia vários tipos de peixes, ouriços e coral. Fiquei lá bastante tempo apreciando os cardumes. Conversei com um aposentado nordestino que morava em Sorocaba e estava fazendo o mesmo. Depois fui conhecer o Teatro do Morro, o Campo de Mangaba e o mirante perto da antena. Desci de lá e fui para a 3.a praia para ver mais peixes. Havia também bastante peixes e caranguejos, mas vi menos do que na 2.a Praia. Fui até a ponta do recife apreciar a vista do mar e depois fui para a 4.a Praia, onde fiquei contemplando a paisagem. Lá também havia peixes, mas eu já estava satisfeito e não tentei muito. Boiei 2 vezes no mar, pois era muito raso, mas gostei. Já perto do fim da tarde voltei ao Mirante da Tirolesa (ao lado do farol) para ver as pessoas descerem. Depois fui ao mirante principal do outro lado para ver o pôr do sol novamente. Achei as vistas espetaculares de novo. Comprei pães (3 franceses, 2 de milho e 1 de arroz) para o dia seguinte no Mercado Nativo por R$ 1,50 com cartão de crédito. Jantei espaguete, arroz, feijão, farinha de milho, legumes e temperos. Depois que eu já tinha começado a fazer o jantar, perguntaram-me se eu queria participar da noite de pizza que haveria, mas aí já era tarde. E acabou havendo uma festa, junto com a pizza. Eu já estava no quarto, mas ouvi as canções argentinas (pelo menos eu acho que eram). Na 5.a feira 27/9 fui rumo à Praia do Garcez. Após o café da manhã com sanduíches, laranja e goiabada e de passar pela passarela com vista para as piscinas naturais nos recifes de coral com maré baixa, fui para o porto para pegar o barco de linha para o atracadouro, que era do outro lado do canal. Antes passei pelo guichê de cobrança para pagar a taxa ambiental, mas a atendente isentou-me, dizendo que a cobrança não existia quando a entrada era por Boipeba. No barco encontrei a argentina que tinha ficado no mesmo quarto que eu no hostel. Ela estava indo para Barra Grande. Peguei o barco da Quick Pousada e Transporte Marítimo por R$ 10,00 em dinheiro. Como ele era lento foi possível apreciar a bela paisagem com calma, incluindo os paredões de argila no caminho para Gamboa, exibidos na foto abaixo. Depois de chegarmos, despedi-me da argentina e comecei a caminhada rumo à Praia do Garcez. Fui perguntando a pescadores e habitantes locais se conseguiria cruzar o rio que havia lá e me disseram que com maré baixa conseguiria, mas pelos meus cálculos não chegaria no auge da maré baixa. Ao longo do caminho vi siris, periquitos, árvore com ninhos, casas de joão-de-barro e bastante sujeira também, mesmo em praias desertas. Havia também várias belas praias e trechos de vegetação, como esta área de mata da foto antes de chegar em Guaibim. Quando cheguei na Boca da Barra vi um rapaz aparentemente trabalhando ou esperando algo. Ele me disse que até há cerca de 15 minutos eu conseguiria atravessar, mas que agora a maré tinha subido e ele não sabia. Falou para eu fazer um teste. Fui pelo trecho que ele indicou e percebi que a água iria me cobrir. Desisti . Ele falou que havia muitos pescando e que quando um passasse ele pediria para me atravessar. Após alguns minutos, falou que seu primo vinha vindo de barco e que me atravessaria. Ele fez sinal para o primo que me permitiu embarcar e me atravessou. Ofereceu-me carona até o povoado de Ilha D’Ajuda, eu agradeci, mas preferi ir caminhando. Antes fui dar um passeio nos bancos de areia do outro lado da boca e tomar um banho de mar. Achei bela a área da barra do rio. Depois segui para o povoado. Havia muitas bifurcações na estrada, que era deserta. Acabei pegando um ramo errado e fui parar numa fábrica. Lá havia um rapaz trabalhando que me orientou sobre o caminho correto. No povoado fiquei na Pousada do Juraci por R$ 25,00 em dinheiro. Fiquei surpreso quando ele me falou que alugava quartos por R$ 150,00 por mês. Comprei R$ 5,40 (9 pães (francês, milho e leite), tomate, cebola e pepino) com cartão de crédito num mercado. Depois do jantar fui dar um passeio para conhecer um pouco do povoado e ainda pude admirar um pouco do céu noturno. Na 6.a feira 28/9 fui para Cacha Pregos, primeiro povoado da Ilha de Itaparica do meu roteiro. Um galo acordou-me cantando ao amanhecer . Tomei café da manhã, comprei pães (2 franceses e 1 de milho) no mesmo mercado por R$ 1,00 em dinheiro e rumei para Cacha Pregos. Peguei 3 cocos na praia, 1 com massa e 2 só com água, mas bem doces. Encontrei muitos siris na areia. Quando já estava perto de cruzar o Rio Jaguaripe encontrei um pescador que me perguntou se eu estava louco quando falei que pretendia ir a Cacha Pregos. Aí disse que tentaria um barco para me atravessar e ele respondeu que só mesmo se fosse assim. Quando cheguei no rio vi que a travessia era muito mais larga do que eu imaginava e que a margem em que eu estava era deserta. Tentei gritar para os barcos do outro lado, mas era tão longe que seria virtualmente impossível me ouvirem ou verem. Fui margeando o rio até ver uma espécie de iate ancorado. Fui em direção a ele para ver se conseguiria uma travessia. Conforme fui chegando mais perto vi outros barcos menores atracados numa espécie de trapiche. Apareceram alguns homens e comecei a atravessar um solo enlameado. Quando cheguei perguntei se eles iriam atravessar ou conheciam alguém que fosse. Eles disseram que iriam, porém no fim da tarde. Eram trabalhadores de uma fazenda de lazer, estavam consertando um barco e voltariam para Cacha Pregos após o trabalho no fim do dia. Então subi no trapiche, fui até a ponta numa espécie de abrigo e almocei os pães enquanto eles comiam suas marmitas. Combinamos de eu retornar no fim da tarde, deixei minha mochila no abrigo e voltei para a ponta da barra para ir à praia. Tomei banhos de mar e 1 banho numa pequena lagoa, além de ficar contemplando a paisagem. Na volta a maré havia subido e eu não tinha percebido o tamanho do impacto para o qual eles tinham tentado me alertar. Tive que atravessar a nado 2 razoáveis extensões de água onde antes era só areia enlameada. Após esperá-los, atravessei com vários outros trabalhadores da fazenda para Cacha Pregos. Durante a travessia eles me indicaram uma pousada barata. Passei antes numa de um espanhol que alugava via AirBnB, mas após falar com Zel da barraca, fui para a que eles e ela haviam indicado, que era a pousada 4 Estações (https://www.facebook.com/pages/category/Hotel/Pousada-4-Esta%C3%A7%C3%B5es-1650017345250201/) e lá fiquei por R$ 40,00 pagos com cartão de crédito. Após acomodar-me fui tomar um banho de mar e ver o pôr do sol a partir da praia em frente a ela, mostrado na foto abaixo. Depois fui comprar pepino, chuchu, cebola, pimentão, beterraba e laranja no supermercado por R$ 3,60 em dinheiro, 9 pães e 8 broas de milho na padaria por R$ 6,65 com cartão de crédito. Jantei sanduíches e depois fui dar uma volta na praia à noite, podendo desfrutar do céu estrelado. No sábado 29/9 saí rumo à cidade de Itaparica, mas sabendo que não chegaria lá em um dia. Logo de manhã fui tomar um banho de mar. Depois dei um passeio na praia até um pouco depois do ponto em que havia desembarcado, após o qual acabava a praia, para poder apreciar com calma aquele trecho. Passei na padaria para dizer que havia pego 1 pão a menos. Acreditaram e ainda me deram 1 pão a mais de cortesia. Depois do café parti. As praias estavam com bastante gente, pois era sábado, o que acho que tornou a caminhada mais segura, pois vários me disseram que a Ilha de Itaparica poderia apresentar trechos perigosos. Gostei bastante das paisagens, com o mar verde e já pude ver Salvador, lá longe, do outro lado da Baía de Todos os Santos. Tomei 2 banhos de mar ao longo do caminho, boiando na água calma. Uma foto de uma das praias, a Barra do Cavaco, pode ser vista abaixo Num determinado trecho fiquei preso pela maré numa passagem suspensa e tive que voltar e contornar pela rua. Resolvi parar em Mar Grande. Quando cheguei perguntei num restaurante sobre pousadas baratas e o garçom indicou-me algumas. Um rapaz que lá estava pediu para me acompanhar, pois queria receber alguma comissão da pousada. Porém estava meio alterado provavelmente por abstinência e acabou querendo influir na minha escolha para ganhar a comissão e depois pedindo para eu comprar um artesanato seu, pois ele queria fumar um baseado. Aí eu pedi para ele parar de me acompanhar. Ofereci pão, mas ele não quis. Iria ficar na Pousada Pôr do Sol, como ele havia indicado, tendo inclusive já fechado acordo de valor e condições com o atendente e informado que o rapaz havia me indicado, para o caso deles pagarem comissão. Porém eles não tinham o quarto pronto e me falaram para voltar depois das 19 horas. Pessoas locais haviam dito para mim que subindo um pouco acima da pousada e fazendo a curva era uma área perigosa, provavelmente de tráfico. O próprio atendente da pousada disse que aquela área era um pouco perigosa para turistas, mas que pela minha aparência achava que não haveria problemas. Resolvi arriscar. Fui então fazer compras para o jantar e o café da manhã. Ao descer a ladeira vi dois rapazes parados que pareciam estar vigiando e fiquei um pouco preocupado com a situação. Comi um acarajé no prato por R$ 3,00 em dinheiro, comprei R$ 2,00 em pães (7 pães, 4 franceses, 2 de milho e 2 de leite) na padaria em dinheiro (deram-me 1 pão de cortesia), R$ 0,92 em tomates, pepino e cebola no Mercado Fonseca com cartão de crédito e R$ 0,47 em bananas prata no BomPreço Bahia Supermercados com cartão de crédito. Quando voltei, já estava escuro, e ao começar a subir a ladeira, um homem sentado atrás de um caminhão, perguntou-me “Qualé que é?”. Assustei-me e respondi que só iria até a pousada. Ele me disse que poderia ir. Falei que iria depois então. Ele me disse para me aproximar. Não fiz isso. Perguntou se eu estava com medo alterando a voz e respondi que não, apenas voltaria depois. Outro rapaz mais acima falou “Tá de boa, pode vir”, mas eu optei por não ficar lá. Fui então para a Pousada Cigana (https://www.facebook.com/pousadaciganailha/), onde fiquei por R$ 50,00 em dinheiro, sem café da manhã. No dia seguinte descobri que existia um hostel na beira da praia por R$ 40,00 com café da manhã, que só não havia encontrado porque o rapaz que me acompanhou estava tão direcionado para a comissão que acabei não o vendo. Ao sair à noite para ver o povoado e a orla, vi 2 cavaleiros correndo pela lateral da orla. Quando chegaram perto do centro e o piso virou cimento na ciclovia, o cavalo de um deles caiu e ele foi junto. Mas nem um dos dois pareceu ter ferimentos mais sérios, embora o cavalo tenha demorado para se levantar. No domingo 30/9 fui para a cidade de Itaparica. Acordei e fui tomar um banho de mar. O portão estava aparentemente trancado e eu não conseguia abrir. Mas um hóspede mais acostumado conseguiu abrir facilmente e pude sair. Fui até a igreja antes para poder visitá-la, mas perguntei ao moço que a estava arrumando para a missa se poderia visitá-la com calção de banho e camiseta regata (de alças) e ele disse que não. Então fui para o mar e depois voltei. Ainda consegui visitar um pouco antes da missa, mas já com bastante gente. Comprei R$ 2,00 em pães (4 franceses, 2 de milho e 2 de leite) na padaria em dinheiro (novamente deram-me 1 pão de cortesia) e R$ 1,13 em tomate, pepino e cebola no Mercado Fonseca com cartão de crédito. Tomei café com o que tinha comprado e mais bananas do dia anterior. Depois saí com destino à cidade de Itaparica. Disseram-me que haveria trechos desertos, com matagal na beira da praia que poderiam ser perigosos, mas como era domingo as praias estavam com bastante gente e não tive nenhum problema de segurança, nem nos trechos mais desertos. Realmente passei por trechos com matagal ao lado e trechos desertos ao lado de morros, com muitas pedras e recifes na praia. Achei as paisagens belas. Passei por Bom Despacho, local de onde saíam os barcos para Salvador. Em frente ao local de embarque havia um quebra-mar, que tinha uma pequenina praia de areia embaixo e permitia uma bela vista. A foto a partir do local está abaixo. Perguntei no porto sobre horários, formas de pagamento, preços e segurança para ir a pé do ponto de chegada ao Pelourinho em Salvador. Ao chegar em Itaparica, enquanto procurava local para me hospedar, aproveitei para conhecer e apreciar as construções históricas do centro. Fiquei no Veranda Hostel (https://www.tripadvisor.com/Hotel_Review-g659906-d15207946-Reviews-Veranda_Hostel-Itaparica_Ilha_de_Itaparica_State_of_Bahia.html), cujo proprietário, François, era da Namíbia. A vista a partir de sua varanda agradou-me muito. Inicialmente combinamos R$ 45,00 a diária no cartão de crédito, sem café da manhã. Comprei R$ 3,00 (batata e chuchu) em uma mercearia e R$ 1,60 (tomate e cebola) em outra, pagando ambas com dinheiro. Ainda deu para ir à praia e lá fiquei por algum tempo, contemplando a paisagem. Estava lotada. Tomei 2 deliciosos banhos de mar, com consentimento dos salva-vidas para ir ao fundo. No fim da tarde ainda vi o lindo pôr do sol a partir da orla que ficava de frente para o hostel. Saindo de lá assisti ao resto do jogo entre Internacional e Vitória num bar. Os torcedores estavam revoltados com o pênalti que o árbitro havia marcado no fim. Depois fui à padaria comprar R$ 2,00 em pães (3 franceses, 1 de milho e 1 de leite) com cartão de crédito. Cozinhei batatas e juntei com o resto para o jantar. Na 2.a feira 1/10 aproveitei para conhecer melhor Itaparica. Tomei um banho de mar logo pela manhã. Comprei R$ 2,00 em pães (franceses, milho e leite) em outra padaria mais próxima, tomei café da manhã com sanduíches e banana, e fui fazer compras para os dias restantes no supermercado por R$ 8,64 com cartão de crédito (espaguete, berinjela, tomate, cebola, pepino, goiabada e pães (franceses, milho e leite)). Depois passei pela secretaria de turismo e me deram várias informações de pontos a visitar, pontos em que era seguro ir e em que não era e como voltar para Bom Despacho pela estrada caminhando. Uma moça perguntou-me se eu não tinha medo de caminhar sozinho pela praia. Então fui visitar os pontos de interesse na cidade, várias construções históricas, igreja, prefeitura, casas antigas, praças, Capela de Santo Antônio, exposição de fotos antigas da região na biblioteca e a marina. Dei também um passeio completo na orla central. Nativos disseram-me para não ir às praias depois da marina, nem à Biquinha, pois não era seguro devido à possibilidade de assaltos ou violência, mesmo vestindo somente calção de banho e camiseta regata. Após um leve almoço de pão com chuchu e pão com goiabada, fui à praia de Ponta de Areia, por onde havia passado no caminho de vinda e de que tinha gostado. As praias estavam bem mais vazias, mas não houve nenhum problema de segurança. Lá conversei com cariocas que estavam de férias sobre o Rio, Niterói e a situação eleitoral naquela semana que antecedia o 1.o turno das eleições. Tomei alguns banhos de mar e contemplei a paisagem. Num dos banhos, virou o caiaque de um rapaz que estava a meu lado com o guia. A água não o cobria, mas pelo susto e o choque com a água, acho que ele ficou assustado e com isso eu fiquei preocupado, mas tudo ficou bem. Perto do fim da tarde voltei para a praia central do forte onde tomei mais banho de mar. Em algumas situações ao longo do dia foi possível ver peixes pulando na água. Por fim fui contemplar o pôr do sol na orla novamente. Achei-o muito belo nos 2 dias. Segue uma foto dele. Jantei espaguete com legumes e pão com goiabada de sobremesa. Fiquei na varanda contemplando a paisagem noturna da Baía de Todos os Santos e as luzes dos povoados distantes do outro lado. Na 3.a feira 2/10 novamente tomei um banho de mar logo após acordar e depois o café da manhã com sanduíches, pão e goiabada. Resolvi ficar na praia pela manhã, pois o dono do hostel permitiu-me sair até as 14 horas. Conversei bastante com o salva-vidas, que era o mesmo do domingo. Falamos das diferenças da vida na Bahia e em São Paulo, que ele nunca tinha visitado, mas via pela TV, principalmente como as pessoas gastavam tempo para chegar em seus locais de trabalho. Dizia que não tinha vontade de morar lá. Depois de contemplar, descansar e tomar 2 banhos de mar voltei para o hostel para um leve almoço e ir embora para Salvador. Na hora de pagar com cartão, François disse-me que a máquina não estava disponível e não seria possível. Propôs então que eu pagasse R$ 50,00 pelos 2 dias, ou seja, R$ 25,00 a diária. Perguntei se isso não iria lhe dar prejuízo e ele disse que não, pois como eu tinha ficado sozinho e era fim de mês e ele precisava fechar a contabilidade com um valor não tão alto, não havia problema. Perguntei várias vezes, ele confirmou que não havia problema para ele e então paguei os R$ 50,00 em dinheiro. Tinha pego o sabonete que ele me deu como cortesia e não tinha usado, pois ainda tinha o meu. Devolvi para diminuir o custo dele com minha hospedagem. Antes de começar meu caminho, pedi a um taxista a confirmação de qual era o caminho mais indicado e ele me indicou o caminho que todos haviam dito ser o mais perigoso, passando pela Biquinha. Quando o questionei sobre a segurança, ele respondeu ironicamente rindo que pelo caminho que eu iria havia mais bandidos. Ignorei as sugestões dele. Fui caminhando pela Avenida Beira-Mar. Não tive nenhum problema de segurança, embora houvesse alguns trechos desertos. Achei belas as vistas da orla a partir dos pontos elevados. Peguei o barco das 16 horas em Bom Despacho. Paguei R$ 5,00 com cartão de crédito para a Internacional Travessias (https://internacionaltravessias.com.br). Cheguei em Salvador perto das 17 horas. Achei magnífica a vista da Baía de Todos os Santos, de Itaparica e de Salvador a partir do barco durante a travessia. A foto abaixo mostra a vista de Salvador quando estávamos chegando. A foto abaixo mostra o pôr do sol pouco antes de desembarcarmos. Fui andando até o Pelourinho sem problema nenhum. Fui por Santo Antônio, onde havia visto os hostels com preços melhores. Fiquei hospedado no Hostel Pelo do Carmo (https://www.facebook.com/Hostel-Pel%C3%B4-do-Carmo-1836152616404294) por R$ 15,00 em dinheiro, sem café da manhã. O hostel tinha 7 meses desde a inauguração e ficava num casarão antigo. Optei por este hostel, além do preço, pela vista espetacular da Igreja do Carmo, a partir da janela do quarto e pela vista da Baía de Todos os Santos a partir da sala de TV. Lá conheci um libanês, que morava em Brasília, um catarinense e um campineiro, com quem conversei bastante. Fui visitar o Forte de Santo Antônio e a Igreja de Santo Antônio e comprar chuchu, cenoura, cebola, pepino e pães no Bar e Mercearia do Carmo por R$ 7,13 com cartão de crédito. Depois fui passear um pouco pelo Pelourinho e assistir alguns espetáculos artísticos. Assisti vários conjuntos musicais, especialmente Tambores e Cores (https://www.facebook.com/fernando.barretodealmeida.1/videos/vb.100005659626174/924642111067768). Após ver um pouco do jogo da Libertadores fui dormir. Na 4.a feira 3/10 tomei café da manhã com sanduíches e goiabada, apreciei pela última vez as vistas da Igreja e da Baía, despedi-me do campineiro que iria à praia e saí para o aeroporto. No caminho comprei R$ 1,00 em pães para o almoço numa mercearia ao lado da do dia anterior, mas em que o pão era mais barato. Mais à frente, já perto da estação de metrô, visitei a Igreja de Santana, que achei muito bela e bem restaurada. Ainda pude ver o fórum, em frente à estação e embarquei. Paguei R$ 3,70 pelo bilhete unitário. Achei muito bom o metrô de Salvador e bem mais vazio do que o de São Paulo, talvez porque a extensão fosse bem menor. Como ele era quase todo por via aérea, foi possível apreciar a vista de várias partes da cidade. No aeroporto havia um ônibus gratuito da estação de metrô até o embarque. O voo foi bom, mas a vista da Baía de Todos os Santos não foi tão espetacular quanto eu já havia visto outras vezes. Em Guarulhos peguei o ônibus gratuito que me levou do Terminal 2 até a recém inaugurada estação de metrô do aeroporto. Paguei R$ 3,69 pelo bilhete de metrô (carreguei múltiplos) para ir até o Brás, com conexão gratuita para Linha Vermelha no Tatuapé.
  22. Boa tarde pessoal, Estou com um grande dilema (misturado com medo, apreensão, expectativa, tensão e um monte de sentimentos que nunca tinham me acontecido ao pensar em viagens). Estou separado há quase dois anos e bateu uma vontade louca de viajar com meus dois filhos pequenos. Ele tem 08 anos, ela tem 05 anos e quero ficar pelo menos 7 dias em algum lugar desse Brasil. Já viajei só com eles, mas foi apenas finais de semana. Talvez para mãe isso seja mais comum. Quero saber se tem algum pai por aqui que já fez viagens assim com filhos tão pequenos e se alguma mãe deixou que o pai saísse com os pimpolhos Se possível me deem dicas de locais e relatem os problemas que tiveram (para eu tentar evitá-los). Eles estão acostumados a enfrentar qualquer coisa sem frescura, pois faziam trilha e acampavam com a gente desde bebês. A questão é: eu vou encarar sozinho, sem a ajuda da mãe!! Ajudem aí!!
  23. Alone in Floripa Fala galera, fiz uma trip solo barateza para Floripa esse mês e gostaria de compartilhar com vocês essa experiência, foi tudo meio que de última hora e improviso, mas são dessas viagens que vêm as melhores experiências. Vou aqui separar pelos dias em que fiquei por lá, qualquer nova informação sobre passeios ou valores vocês podem solicitar aqui ou no meu Instagram, que terá o link ao final e terei prazer em responder. Minha ideia era fazer mais trekking do que visitar praias visto que a previsão do tempo não estava muito ao meu favor, apesar da chuva e dos incríveis 5 minutos de sol nos 4 dias em que estive lá, aproveitei cada segundo da viagem, o lado bom é que voltei com meu protetor solar praticamente cheio. 31/10- Dia 1 (Muita chuva e amizades inesperadas) Cheguei bem cedo na ilha e fui para o Mercado Municipal comer alguma coisa, pois estava no ônibus há bastante tempo e a essa hora já estava morrendo de fome. Eu nunca tinha ido em um Mercado Municipal, mas não me impressionei não, porém o lugar é bem organizado, vale a pena visitar se você estiver nas redondezas, pois a rodoviária, o mercado e o TICEN (terminal central dos ônibus) ficam praticamente juntos. Comi uma coxinha de massa de mandioca muito boa, cara pra cacete e sumi, já serviu para desgrudar as paredes do meu estômago e sobreviver até o miojão do almoço. Peguei um busão e segui rumo a Lagoa da Conceição onde ficaria hospedado. Eu costumo sempre andar de ônibus onde vou viajar, Uber é muito bom mas só uso em caso de extrema necessidade, sem contar a economia, e o sistema de ônibus de Floripa é muito bom e fácil de se localizar. Fiquei hospedado no Geckos Hostel, recomendo muito pois o ambiente é agradável e o povo que trabalha lá é extremamente prestativo, eu o escolhi principalmente pela ótima localização, fica a uns 5 minutos de caminhada do centro da lagoa, deu R$41 por dia sem café da manhã, se quiser o café tem um custo adicional de R$12 se não me engano, eu achei melhor não pegar e fazer o meu próprio café nesse caso. Como cheguei um pouco antes do horário de check-in, resolvi deixar minhas coisas por ali e procurar uma trilha pequena e por perto para fazer já que a chuvinha deu uma trégua. A moça da recepção me indicou a trilha da “Costa da Lagoa”, disse que era pertinho e tranquila. Pois bem, fiz meu banquete (miojão, banana e umas bolachas), peguei minha mochila, minha bota e na saída encontrei outra hospede do hostel querendo sair, convidei ela e fomos juntos. Duas quadras depois do hostel encontrei uma cachorrinha toda molhada e andando sem rumo, como eu adoro cachorro fui lá brincar um pouco com ela e ela resolveu me seguir, pensei que apenas por uns quarteirões mas para a minha surpresa ela não nos abandonou até o final da trilha, como não sabia seu nome comecei a chamá-la de Luna. A costa da lagoa é um bairro que realmente fica na costa da lagoa (ah sério?) então você vai andar com a lagoa de um lado e na maioria do tempo um penhasco do outro, e o único jeito de se chegar lá é pelos barcos que passam de 1 em 1 hora ou então por esta trilha, a maioria do pessoal vai até o fim da trilha andando e volta de barco, era o que eu planejava fazer mas acabou não dando muito certo, mas logo chegamos lá. No caminho tem várias casas e paisagens bem diferentes, como uma floresta de bambu onde fazia um barulho que até dava medo devido ao vento forte, mas para mim que adoro a natureza foi bom demais ficar um tempo ali aproveitando essa beleza, as paisagens são lindas e tem uma cachoeira bem bonita quase no fim da trilha, se estivesse um pouco mais calor eu me jogaria nela mas com o frio que estava achei melhor seguir em frente. O caminho parece ser decorado pelos moradores que ali residem, as vezes a trilha meio que parece acabar e temos que passar pela casa de alguém, mas isso é tranquilo pois os moradores, pelo menos todos os que eu encontrei, ajudam os turistas perdidos por ali. Então eu fui até o final, eu acho que era o Ponto 23, os barcos paravam nestes pontos para pegar o povo. Chegando no final, depois de quase 3 horas e 11km de caminhada, fui esperar o barco e lá fui informado que cachorros não podem embarcar. Isso já era quase 5 da tarde e nesse dia anoitecia perto das 6 h. Eu não poderia deixar minha companheirinha lá. Ela podia se virar e voltar embora, como também poderia se perder, e no caminho tinham muitos cachorros que poderiam assustar ela. Me senti responsável pelo que cativei, como diz o "Pequeno Príncipe", então sentei no chão, descansei um pouco, comi o que eu ainda tinha de comida, consegui um pouco de ração e água para a Luninha e voltamos, um pouco mais rápidos desta vez. Eu tenho um pouco de medo de ficar na trilha quando anoitece, e para ajudar, meu celular ficou sem bateria e das 2 lanternas que eu havia levado para a viagem, nenhuma delas eu tinha trazido para a trilha. Um pouco de falta de planejamento e de experiência que poderiam ter custado bem caro, pois virar um pé ou se perder na trilha (não neste caso pois era bem sinalizado) por estar sem luz podem acabar se tornando problemas bem sérios em situações como esta. Mas apertei o passo e voltamos bem rápido, com sorte acabamos chegando ao começo da trilha com o sol já se pondo (a última foto mostra a vista de quando saí da trilha), tive muita sorte, mas isso serviu como um aprendizado para as próximas. Por isso uma dica: por menor que seja a trilha tente se planejar antes com o horário, no meio do mato acaba anoitecendo mais cedo por conta das árvores e se você se desesperar ao ver que está longe do fim e com a luz diminuindo, pode acabar se machucando pela pressa ou pela falta de visibilidade e o que era para ser uma aventura acaba se transformando em um pesadelo. Pelo menos eu não estava sozinho dessa vez, diferente do próximo dia que foi outro sufoco, mas depois eu chego lá. Chegamos no hostel, mais exaustos do que o planejado, e veio a parte ruim: me despedir da Luninha. Eu acabo me apegando demais aos cachorros de rua, eles gostam de estar perto de nós, apenas por gostar de nossa companhia, pelo carinho, sem pedir nada em troca e eu valorizo muito isso, me sinto melhor com um cachorro me acompanhando. Depois me disseram que os cachorros da ilha são assim, saem atrás do povo e rodam a ilha caminhando, mas de qualquer jeito foi um pouco triste ver ela indo embora depois de todo esse tempo juntos. Então, depois desse primeiro dia regado de fortes e diferentes emoções, tomei um merecido banho saí para dar uma volta, a Lagoa da Conceição é um lugar muito bom, tem opções para todos os gostos, desde barzinhos, baladas de todos os tipos, restaurantes ou a própria lagoa no meu caso que gosto de andar e tomar uma cervejinha pra rua mesmo, e foi aí que terminei meu dia, apreciando as belezas da Lagoa da Conceição. Bom pessoal, esse foi o relato do primeiro dia, seguem as fotos deste dia e posteriormente digo como foram os outros. Forte abraço. https://www.instagram.com/edu_penteado/
  24. Leia aqui o relato original com fotos! 📷 Porto Covo é uma pequena vila do litoral alentejano na linha da magnífica Costa Vicentina, a menos de 2h de carro de Lisboa, no conselho de Sines. Um combo de cidadezinha charmosa com paisagens naturais incríveis! A cidade em si é bem pequena, são basicamente umas três ruas principais e uma praça central. No verão, turistas e portugueses enchem as esplanadas dos cafés e restaurantes e as lojinhas praianas. As encantadoras casas típicas alentejanas, brancas com detalhes azuis, e a igrejinha no Largo Marquês de Pombal dão aquele ar aconchegante de interior. Ficamos acampados no Camping do Vizir, que é bem pertinho do centro e tem uma super infra estrutura! Pra quem não quiser ficar em barraca, há outras opções como os bungalows. Os valores para campismo são bem simpáticos e o lugar é pet friendly! Para comer indico o restaurante Taska do Xico, bem no centro. Ficamos na área externa por causa do Banoffe, mas há uma varanda interna com uma vista linda (e provavelmente bem disputada, talvez seja melhor reservar)! Provamos a feijoada de choco, deliciosa e bem temperada! Os preços são bem justos, especialmente se comparado à outros restaurantes da cidade. Para o cafézinho vale conhecer a Gelataria e Cafetaria Marquês, bem ao lado da igreja. A área externa é agradável pra ficar vendo a vida passar, mas a decoração do lugar também é um charme! A especialidade doce da casa é o pastel de laranja, amêndoa e gila (um tipo de abóbora). Muitas das praias são acessíveis a pé, entre elas a famosa Praia Grande. O nome talvez não seja o mais adequado, já que a extensão dela não é assim tão grande (o que eu particularmente prefiro), mas por ser uma das mais procuradas, é uma das praias que tem mais infra estrutura e consequentemente, que ficam mais cheias. As praias vizinhas, delineadas pela encosta de falésias, são mais vazias e poéticas. Para ir de uma a outra há um caminho simples e plano, com paisagens que vão ficando mais lindas a cada quilometro percorrido por entre campos de suculentas e flores exóticas. O acesso até as praias é feito através de escadinhas nas encostas. Só não se anime muito, apesar de lindas, o mar de azul profundo é gelado como a grande maioria das praias da costa portuguesa! Pode ser que a melhor pedida seja mesmo ficar pela areia. No fim do dia escolha um cantinho bem em frente ao mar pra admirar o pôr do sol perfeito! Estar de carro (ou bicicleta) facilita no acesso à outras praias mais distantes, como a Praia da Ilha do Pessegueiro. A estradinha de acesso já revela ao longe a ilha que dá nome à praia. Não cheguei a conhecê-la mas durante o verão há travessias de barco até lá. Achei a paisagem bem impactante! Meio Irlanda, meio Star Wars! ❤️ Se tiver mais de um dia, vale a pena esticar mais meia hora até Vila Nova de Milfontes. O vilarejo é tão fofo quanto Porto Covo, mas as paisagens são um pouco diferentes. A cidade é banhada pelo Rio Mira, que proporciona um pedacinho de águas límpidas e calmas ao pé do Forte de São Clemente. Do outro lado do rio, a Praia das Furnas se estende até a abertura para o Oceano Atlântico. Um bom lugar para ver tudo isso do alto é a rotatória do Farol de Milfontes, onde também fica a estátua do Arcanjo. De lá se tem acesso a algumas praias mais voltadas para o lado do rio, mas fomos atraídos por um campo de flores no lado oposto, digno de fundo de tela do Windows, e acabamos descobrindo a Praia do Carreiro das Fazendas. Linda, enorme e vazia! Essa é uma sugestão de roteiro para 2 dias pelas praias alentejanas, mas se tiver mais tempo, certamente vale a pena percorrer com mais calma a Costa Vicentina! Leia aqui o relato original com fotos! 📷
  25. Opa, estou fazendo uma viagem para Maragogi em Dezembro. Irei chegar no aeroporto de Recife no dia 07/12; A maneira mais fácil para ir de Recife a Maragogi é com um transfer ou uber. E para não sair tão caro para mim, eu gostaria muito de dividir com algum grupo ou pessoas os valores, assim sairia barato para ambos. Alguém mais viajará nesta data?
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