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  1. Olá galera mochileira, Bom. Depois de planejar toda a minha viagem por esse site, não poderia deixar de contribuir. Esse trekking que vou relatar faz parte de uma viagem maior, que assim que eu tiver tempo elaborarei um relato mais extenso. Tem duas partes da vaigem que eu gostaria de dar prioridade: uma delas é um trekking de 3 dias na região do Condoriri, na cordillera Real, próximo a La Paz; a outra é o Parque Lauca, no extremo norte chileno. O motivo: a escassez de informações sobre esses lugares aqui no mochileiros.com. Vou começar com o Trekking do Condoriri. A viagem compreendeu a Bolívia e região do Atacama e foi realizada entre 13/10/12 a 04/11/12. Viajamos eu e minha esposa. Trekking Condoriri 3 dias c/ ascenção ao Pico Austria Resumo: 1º dia – Transfer ao povoado de Tuni e trek até acampamento base Laguna Chiar Khota 2º dia – Ascensão Pico Áustria (5.350 m) 3º dia – Paso Aguja Negra e retorno a Tuni Agencia: Alberth Tours (excelente agência. O dono Juan e sua esposa, são gente boníssima. Fizemos amizade. Ficamos horas conversando e eles nos deram altas dicas sobre La Paz e a Bolívia. Ficamos de jantar juntos quando voltássemos para La Paz, mas infelizmente o nosso tempo em La Paz nos últimos dias foi muito curto) Preço: US$ 245 (p/ dois) 1º dia Combinamos de nos encontrar às 9h no escritório da Alberth Tours, que fica bem próximo (na mesma calçada) do Hostal Copacabana, onde estávamos hospedados. Chegamos com 10 minutos de atraso e o pessoal já estava nos esperando. Fomos com um guia chamado Sixto, sobre o qual tínhamos lido vários relatos positivos no livro da Alberth Tours. O Sixto é um guia bastante concorrido, depois vocês vão saber porque. Além do guia e do motorista (que também era guia), estavam presentes um casal de Franceses, que iriam escalar o Pequeno Alpamayo. A viagem até Tuni demorou cerca de 2h30m, incluindo uma última parada em um bairro de El Alto para que os guias comprassem alguns itens dos nossos mantimentos. Aproveitei para comprar mais uma barra de chocolate. O Caminho para Tuni é o mesmo que se faz para Tihuanaco e para o Lago Titicaca, quebrando à direita em um determinado momento e pegando uma estrada de terra. Não estava com relógio e não sei precisar a que horas chegamos a Tuni, mas estimo que tenha sido por volta de 12h. Desembarcamos e os guias retiraram toda a tralha da van. Não parecia haver ninguém no povoado que tinha uma meia dúzia de casas feitas de adobe. Aproveitamos para sacar algumas fotos da placa que há no povoado, indicando a altitude 4448 m. Eu já estava com fome e, por sorte, os guias nos chamaram para almoçar. Era uma marmita com arroz (sem sal), uma batata cozida partida ao meio e um pedaço de frango semi-frito...hehehe (parecia ter sido comprado em alguma birosca). Pra dar uma incrementada, tinha maionese como opção. Para beber, suco de laranja. Comi a minha marmita todinha, sem medo de ser feliz. Estava mais preocupado em me manter nutrido para o desafio da altitude. Minha esposa comeu metade e nem tocou no frango, que no caso dela tinha até pena. Completamos o refeição comendo banana de sobremesa. Vista geral do povoado de tuni Depois de comer, as mulas chegaram e o guia veio nos dizer que teríamos que fazer uma mudança no itinerário planejado. Havíamos planejado o roteiro com a primeira noite na laguna Juri Khota e a segunda na Chiar Khota. O problema é que éramos dois grupos: os franceses teriam que acampar na Chiar Khota e nós havíamos planejado ir primeiro na Juri Khota. Apesar de haver mulas para os dois grupos, não tinha pessoas para acompanhar dois grupos de mulas. A solução seria agente se abster de passar pela Juri Khota e ir direto para a Chiar Khota, acampando lá as duas noites. Entendemos a situação e aceitamos sem problema. Segundo o guia, esse problema ocorreu por conta da época (outubro), que tem poucos turistas e o pessoal de Tuni sai para trabalhar em outras áreas. Nos meses de agosto e setembro isso não ocorre, pois há mais turistas e os moradores ficam esperando para guiar as mulas. Lago de Tuni Bom! Mulas arreadas, começamos a caminhar. Passada lenta e constante. Passados 15 minutos chegamos no lago de Tuni. Muito bonito. Verde. A trilha, que coincide com a estrada, circunda o lago no sentido horário. Várias fotos. Deixamos o lago e começamos a subir. No início o desnível é suave, mas sempre subindo. No caminho vamos passando por alguns pequenos conjuntos de casas, às vezes 3, às vezes 2, sem ver uma alma sequer. Ao longe grupos de lhamas e alpacas pastam no vale. Olhamos para trás e um pouco longe lá vem a Chola guiando as mulas e a nossa carga. São cerca de 2h30m a 3h30 de caminhada até a Laguna Chiar Khota, dependendo do ritmo do cidadão. Os franceses, mais acostumados com a altitude, dispararam na frente. Nós não estávamos com pressa. À frente, as montanhas em formato de Condor, com todo o seu esplendor, vão se descortinando pouco a pouco, e se aproximando. Passo lento e constante. Respiração compassada. Subindo. Mulas subindo carregadas Aproximando Chegamos!!! 4.700m!!! Acho que era umas 4h30 ou 5h da tarde. Os dois guias começaram a armar as barracas, que eram 4 no total. 1 para nós. 1 para o casal francês. 1 de copa e 1 de cozinha, onde os guias dormiriam. Perguntamos se precisavam de ajuda e eles disseram que poderíamos dar uma volta ao redor para tirar fotos e fazer o reconhecimento da área. Lá estávamos, às margens da Laguna Chiar Khota, frente a frente com o Condoriri, anestesiados com a paisagem e tirando fotos sem parar. As nuvens impediam a paisagem de ficar ainda mais fabulosa. Os poucos raios de sol que atravessavam produziam um verde impressionante em algumas partes da laguna. Chiar Khota Voltamos para o acampamento e após alguns minutos o Sixto nos chamou para um chazinho. Chá de coca, outros chás, café (nescafé) e bolachas. Minha esposa não se sentia bem do estômago e tinha um pouco de enxaqueca, sintomas típicos da altitude. Faltava apetite. Os sintomas a enganavam e ela pensava ser coisa da marmita do almoço. Deu umas bebericadas no chá, mas não conseguiu comer mais que 2 bolachas. Voltamos a barraca, ela tomou um ibuprofeno e demos uma cochilada. Cerca de 1 hora depois, a enxaqueca já tinha passado e o Sixto nos chamou novamente para a janta (cena). Sopa de quinua, muito apetitosa, macarrão sem molho e sem graça e carne de lhama. Ela bem que tentou a sopa, mas cada colherada era uma luta. O guia disse que o ideal seria ela tomar uma Sorochi Pill imediatamente e não forçar a comida. Assim fizemos. Voltamos para a barraca e nos ajeitamos para dormir. A temperatura esperada para a noite era de -1 ou -2 ºC. 2º Dia Assim começa o segundo dia... Combinamos de começar a subir o Pico Austria às 7h30m e que, portanto, o desayuno seria às 7h. Caso não tivéssemos acordado, Sixto nos chamaria às 6h30m. Todavia, acordamos com os primeiros raios de sol, e às 6h já estávamos começando a nos preparar. Arruma daqui, prepara dali, Sixto nos chamou para o desayuno. Aí nos surpreendemos. Pão, manteiga, geleia, frutas, suco, café, chá, yogurte, cereal, bolachas e até mel. Sem dúvida o melhor café da manhã de toda a viagem. A noite tinha feito bem a minha esposa, que mandou ver no desayuno. 7h35. Partimos rumo ao pico Áustria que se estendia bem a nossa frente a noroeste do acampamento. O guia nos alertou que nossa subida seria lenta e em zig-zag. Inspira, Expira, Inspira, Expira...o ritmo da passada coincide com o da respiração, que vai ficando cada vez mais profunda. A nossa meta é vencer os 650m de desnível que separam o acampamento até “La Cumbre”. O Pico Áustria é o pico mais alto da Cordillheira Real passível de subir pro trekking. Há outros mais altos, como o próprio Huayna Potosí, mas só escalando. Antes dessa viagem nunca tínhamos ultrapassado sequer a barreira dos 3.000m e dali poucas horas estaríamos passando a barreira dos 5.000m. Para nós seria uma grande conquista e a vontade de conseguir transbordava. Subindo. Aqui já avistamos o Paso Austria ao centro. O cume está a esquerda. O ataque é por trás da montanha A caminhada é silenciosa. O simples ato de falar descompassa a respiração. Até aqui tudo tranquilo com a cabeça e com os estômagos. A paisagem é hipnotizante. Ao olhar para trás, o acampamento já se vê distante, em miniatura. Sixto está preocupado com os colegas franceses que saíram às 00h30 em direção ao Pequeno Alpamayo e às 9h30m já deveriam estar no caminho de volta (a meta deles era atingir o cume do pequeno almapayo às 6h – 6h30). A cada parada, ele saca o binóculo tentando encontrá-los no meio da geleira que leva ao pequeno Alpamayo. Finalmente ele avista um grupo de 3 pessoas que acredita ser os franceses. São mais ou menos 10h. Sixto nos avisa que atingimos a marca de 5.000m. Festa tímida e fotos! Nesse ponto, já é possível avistar o paso Áustria que está a uns 5.100m. A ascenção ao cume se dá por trás da montanha. Até o paso Áustria a trilha será em linha reta. A inclinação é crescente e o caminho é de rochas soltas. Ao chegar ao Paso Austria é impossível manter o compasso da respiração. A visão da cordilheira real nesse ponto é de tirar o fôlego...kkk..trocadilho inevitável. 10 minutos de descanso enquanto apreciamos a paisagem e o guia nos conta algumas estórias de acidentes nas montanhas da cordilheira real. Agora falta pouco. Cordilheira Real, vista por detrás do paso Austria. Continuamos a subida. 1, 2, 1, 2...conta-se os passos. Inspira, Expira, Inspira, Expira. O nariz não dá conta. É necessário repirar pela boca. Os ruídos são os das passadas nas pedras soltas e do vento, que nesse momento não é muito forte. Está um pouco frio e todos colocam suas luvas. 5.200...5300...Minha esposa diminui um pouco o ritmo, mas persiste no objetivo e caminha sem parar. O guia grita que estamos quase lá. Fuerza!!! Finalmente La Cumbre. A sensação de conquista toma conta dos nossos corpos. A respiração ofegante nos impede de comemorar de forma exaltada. A reação aparente não condiz com o sentimento que está rolando. Êxtase. Satisfação. Felicidade. Saca-se as bandeiras. Minas Gerais, Brasil, Bolívia!!! Seção de fotos!!! O dia não está dos melhores em termos de visibilidade. No inverno, com o ar seco e sem nebulosidade, é possível enxergar até o vulcão Sajama (montanha mais alta da Bolívia), quase na fronteira com o Chile. Não importa. Conseguimos!!! De um lado, a cordilheira real, do outro, o lago Titicaca e, mais próximo, a laguna Juri Khota, do outro a Laguna Chiar Khota e nosso acampamento (agora quase imperceptível) e ao fundo o lago Tuni e, bem distante, a cidade de El Alto. Essa é a vista lá de cima. Surreal!!! La cumbre Juri Khota (onde haviamos planejado acampar a primeira noite, mas ñ deu certo). Lá no horizonte o lago Titicaca. A Conquista Depois da seção de fotos, Sixto nos perguntou se gostaríamos de almoçar no cume. Dissemos que sim. Eu estava bem, a esposa com o estomago meio embrulhado, mas achava que conseguiria comer tranquilo. No almoço do Sixto: Quinua bem temperadinha e um cozido de legumes típicos do altiplano boliviano, que agora esqueci o nome. Uma delícia! Ela bem que tentou, mas depois de meio prato, não aguentou, acabou vomitando. A altitude cobrava o preço da aventura. Depois do ocorrido, ela melhorou, mas começou a sentir uns calafrios. Sixto tratou de nos acalmar e dizer que estava tudo bem e que não era pra forçar a comida. Disse que não era pra tomar nenhum remédio e que se ao baixarmos a altitude ela não melhorasse ele prepararia um chá especial. Tratamos de não nos prolongar muito mais no cume. Mais 10 minutos e começamos a baixar. Almoçando no cume A descida é bem mais rápida. “Pra descer todo santo ajuda”. A esposa já se sentia melhor. A paisagem continuava deslumbrante, mas o tempo começava a fechar. Aumentou o vento. Frio. Uma última parada no Paso Austria para contemplação e seguimos ladeira abaixo. O Sixto nos perguntou se estávamos bem e se gostaríamos de descer por outro caminho, dando a volta na Laguna Chiar Khota. Claro que sim!!! Caminho de volta No meio do caminho um lugar onde haviam muitíssimas vizcachas, uma espécie de coelho andino. Mais paisagens alucinantes. Novos ângulos. Muitas fotos. Vizcacha Acho que chegamos ao acampamento umas 4h da tarde. Cansados. Deitamos dentro da barraca. Sentiamos um pouco de dor de cabeça, ambos. Cochilamos. Depois de um tempo chá da tarde e lá pelas 6h30m ou 7h, a janta. Mais uma sopinha, dessa vez não era de quinua. A esposa estava bem melhor do estomago e mandou ver, sem dó. Pra completar, macarrão a bolonhesa. Durante a tarde tinha chegado uma japonesa com um outro guia, que compartilharam os momentos do chá e da janta conosco. A japonesa faria um trekking light no dia seguinte ao redor da Laguna e nos disse que a viagem do Japão para a Bolívia leva mais ou menos umas 30 horas, entre escalas e conexões na América do Sul e nos Estados Unidos. Depois da janta, parada para apreciar o céu estrelado. As nuvens tinha se dissipado. Absolutamente lindo! 3º Dia O terceiro dia começaria mais cedo, pois tínhamos que chegar a Tuni às 15h, horário combinado com o transfer. Sixto nos chamou às 6h. Desmontar acampamento, tomar o desayuno, arrear as mulinhas e partir. Assim foi feito! O dia começou azul. A ideia era subir a montanha a leste da laguna Chiar Khota que culmina no Paso Aguja Negra. O paso está a 5.100m. Depois seria só descida. Começamos a caminhar com uns 20 minutos de atraso em relação ao combinado, mas tudo bem. Sem estresse. Sixto sequer falou sobre o atraso. Muitíssimas fotos na subida. Nessa subida agente fica o tempo todo de frente para todas as montanhas do complexo do Condoriri. Um espetáculo. E o tempo estava ajudando. A altitude já não produzia sintomas. Sentiamos que estávamos aclimatados. E estávamos. Chiar Khota Subindo para o Paso Aguja Negra No paso Aguja Negra, despede-se da paisagem do Condoriri e fica-se frente a frente com o Huayna Potosí, embora distante. Mais uma paisagem alucinante. A descida começa aqui. Olhando a esquerda, outra montanha gigante, o próprio Aguja Negra, no qual poucos se aventuram subir. Segundo o nosso guia, é só para profissionais. Paso Aguja Negra. A esquerda o Condoriri ficando pra trás. A direita o Pico Aguja Negra Huayna Potosí Desce, desce, conversa, desce mais um pouco. Parada para o almoço. No menu: Arroz colorido, salada de tomate e pepino e ovos cozidos. Coca-cola. Apetitoso. O tempo começou a fechar quando paramos para o almoço e ao longo do tempo foi fechando cada vez mais. Foi ficando cada vez mais frio. Pega luva, bota cachecol. Sixto ficou preocupado. Estava com cara de chuva. Continuamos a caminhada. Não estávamos muito longe. Faltava umas 2 horas de pernada. De repente, a coisa foi ficando preta literalmente e nos arredores víamos várias nuvens despejando com força e a terra ia ficando toda branquinha. Sixto falou convicto: Granizo. Pensei: Putz...só falta agente pegar uma chuva de pedras!!! Quando ver, o sixto olha pra trás e lança mais uma afirmativa convicta: Tormenta de neve no Condoriri!!! Estávamos bem no meio, sem neve e sem granizo. Continuamos andando e não demorou muito para que o vento trouxesse a neve até nós. O dia que começou azul, agora estava cinza e branco. Já avistávamos o lago de Tuni. Nunca tínhamos tido contato com a neve caindo. Experiência incrível! Durou cerca de meia hora. Quando chegamos nas “orrillas” do lago de Tuni já não nevava mais. Sixto disparou na frente. Sabia que o transfer já deveria estar por chegar, se já não tivesse chegado. Mantivemos o nosso ritmo. A coisa ficou preta e nevou... Um último susto. Meu nariz começou a sangrar como nunca. Jorrava sangue. Dei uma desesperada. Mas definitivamente não era pra tanto. Chegamos ao fim de mais um trekking alucinante. Mais duas horas e meia de carro e estávamos de volta a La Paz. Felizes! Em Paz! Se você ainda não sacou porque o Sixto é tão concorrido, pense no seguinte: “Você acha que é todo guia que se dispõe a cozinhar (e bem...) e carregar o almoço subindo montanhas a mais de 5.000 a cima do nível do mar?”. A resposta é NÃO! O guia da japonesa, por exemplo, tinha levado as coisas do café da manhã (na verdade, as mulas levaram) e sanduiches para o almoço. Alem disso, o Sixto se mostrou experiente, gente boa, tranquilo e paciente. Ou seja, ótimo guia. Qualquer duvida é só perguntar. Saudações mochileiras!!!
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