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Tiago Korb

Desafiante travessia solo: Monte Crista SC – Morro Araçatuba PR

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Acho que vou repetir essa sua caminhada.

Agora no final do mes de Julho, terei quase 1 semana para alguma trilha.

E como o Quiriri sempre esteve na minha lista, é esse o escolhido.

Minha intenção é aproveitar melhor o visual.

Tomara que não pegue tempo fechado, senão até penso em finalizar na Fabrica de Queijo

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    • Por DiegoPerdido
      Quero fazer a travessia monte Crista até marco da divisa na divisa Paraná/Santa Catarina, procuro companhias, irei acampar um dia no Monte Crista e outro no marco da divisa, data vai ser definida entre os participantes! 
    • Por beatrizz
      Saudações! 
      Esse relato é sobre a subida ao Monte Crista em Garuva, que fica perto de Joinville. 
      A chegada em Garuva foi na sexta dia 07 de Setembro, no fim da tarde. Optamos por passar a noite no Espaço de Vivência Monte Crista. Que não faz parte da trilha oficial pra montanha, mas fica a 2 km da recepção. 
      Sobre esse espaço tem muito a compartilhar, é um lugar místico, onde acontecem diversas vivências, como meditação, temascal, e outros. Há chalés do ladinho do Rio que você pode passar a noite ouvindo o barulho da água. A comida (3 refeições) está inclusa na diária e é vegetariana, deliciosa. Fica em torno de R$ 350 pra 2 pessoas. O espaço compartilhado tem muitos pássaros comuns da região e um local de oração e Cerimônia construído por índios nativos, ali há uma energia muito clara. 
      No sábado acordamos cedinho e tomamos um café reforçado, depois partimos até a recepção do Monte Crista. A entrada sem estacionamento é de 4 pilas. 
      Logo no início você passa por uma ponte pênsil legal. 
      A subida é pesada, porque o terreno é muito parecido em todo o percurso, subida íngreme e ganho de elevação rápido. Vários pontos com escadas de pedras construídas pelos jesuítas. É muito bonito. Diferente do Pico Paraná por exemplo, não há um grau de dificuldade tão grande com raízes e pedras, mas prepara o corpo pra resistência. 
      Enfim chegamos ao cume após 4:30, é importante seguir a trilha principal porque não há placas, e é fácil se perder. 
      No cume do monte encontramos vestígios de acampamento, porém não havia ninguém lá. Achamos estranho porque na recepção nos falaram que muitas pessoas haviam subido... 
      Arrumamos nosso acampamento e o tempo estava fechado, não dava pra ver um palmo na frente, isso também dificultou pra tentar ver onde as outras pessoas estavam. Em função do horário decidimos ficar por ali mesmo. 
      Não estava frio, nem tinha vento. Mais a noite o céu abriu e ficou maravilhoso, aí conseguimos ver as lanternas em um ponto um pouco abaixo de onde estávamos, depois descubrimos que lá encontra-se um marco do Monte Crista, que é onde deve acampar kkkk. Também é um lugar mais protegido do vento. Por sorte o tempo nos ajudou e não fomos lançados montanha a baixo. 
      A noite o bixo pegou, a temperatura caiu muuuito de uns 15 graus para cerca de 4. E não estávamos preparados, ou seja, a noite foi tensa quase não dormimos de frio..... 
      De manhã estava nublado, o sol não mostrou as caras, mas mais tarde alguns raios nos presentearam e deu pra fazer algumas pics. 
      Arrumamos as coisas e descemos a montanha, com quase metade do tempo, em menos de 3 horas chegamos a base. 
      Ps. Esqueci de levar panela, a caneca de metal de café, virou panela e chaleira, improvisos hehehe. 
      Enfim, voltamos ao Espaço de Vivência e conseguimos ainda descolar um almoço antes de pegar a estrada. 
      Ps2. Não é legal subir a montanha pelo espaço de vivência, primeiro pq há uma trilha por ali, mas pouco demarcada, a probabilidade de se perder é bem maior, segundo porque o espaço não tem controle e formulário de subida, e se algo acontecer será um transtorno para eles e para quem está na trilha. O objetivo do espaço é relaxar mesmo. Por isso sempre comece a trilha pela base. 
      No final da experiência há sempre saldo positivo, qualquer montanha 🗻 tem algo a ensinar, cada uma é diferente, especial, única. Aprendemos o que fazer e o que não fazer. Vamos captando os sinais do universo, sobre nossa missão. Aprendemos a ouvir o coração, e não a personalidade. 
      Quero voltar ao Monte Crista com objetivo de fazer a travessia do Quiriri. Mas esse é outro relato. 
      Avante, viver o que precisa ser vivido. 














    • Por gvogetta
      Olá nação mochileira!
       
      Relato a seguir uma expedição realizada no feriado de Corpus Christi (23/06 a 26/06/2011) à região da Serra do Quiriri. Está dividida em 2 partes para melhor estruturar o conteúdo, que ficaria muito extenso para um único post.
       
      O LUGAR
       
      A Serra do Quiriri, outrora conhecida como Serra do Iquererim (ou Iqueririm) e também chamada de Serra Feia (que, diga-se de passagem, de feia não tem nada), localiza-se na região nordeste de Santa Catarina, fazendo divisa com o estado do Paraná, constituindo-se no último trecho da Serra do Mar na região sul do Brasil. Trata-se de uma área circundada por montanhas rochosas, interligadas por uma grande extensão de campos de altitude entrecortados pelas nascentes de vários rios, dentre os quais se destacam o Sete Voltas, o do Cristo, o Três Barras, Palmital, Pirabeiraba, Braço, Bracinho, Garuva, o Rio Negro e o próprio Rio Quiriri.
       
      Há controvérsias sobre as origens e significados do nome quiriri. Há quem atribua a origem do nome a uma ave típica da região, o Siriri, que emite um canto que soa como qui-ri-ri. Outra origem aceita é que o nome seria uma homenagem a um antigo pajé de uma tribo da região. No entanto, o significado mais difundido vem do vocábulo tupi-guarani ”kyrirá” que também admite várias interpretações, como silêncio ou paz noturna, lugar silencioso, lugar sagrado ou ainda lugar encantado.
      Trata-se realmente de um lugar encantado. A região abriga algumas das mais bonitas paisagens do estado de Santa Catarina. Alterna montanhas, afloramentos rochosos, paredões, vales profundos e de vegetação espessa, campos de altitude, nascentes, riachos, cachoeiras e vistas espetaculares de cidades como Garuva, Itapoá, da Baía da Babitonga e da Ilha de São Francisco.
       
       
      ANTECEDENTES
       
      Há bastante tempo, observando as montanhas a partir da BR-376/101, que liga Curitiba a Garuva e Joinville, surgiu a curiosidade de conhecer a região da Serra do Quiriri, mas por um motivo ou outro ela não se materializava em uma investida concreta. Há pouco mais de um ano, retornando ao montanhismo após uma temporada de mais de 8 anos de sedentarismo, voltei a alimentar o desejo de conhecer a região da Serra do Quiriri e arredores. Relatos como os dos companheiros Divanei, Jorge Soto e Tiago Korb atiçaram ainda mais esta curiosidade, mas continuava me faltando companhia para a empreitada, já que a minha antiga trupe para estas aventuras se dispersou há mais de 10 anos.
       
      A situação tomou um novo rumo depois que me registrei aqui no Mochileiros.com e comecei a me corresponder com outros membros com interesses comuns, como os companheiros Otávio Luiz, de Curitiba (PR), que também vinha manifestando há algum tempo vontade de trilhar aqueles caminhos e Tiago Korb, de Santa Maria (RS), que já havia empreendido duas travessias na região. Em cerca de 3 meses de mensagens trocadas, idéias, estudo, planejamento, materiais como cartas e trilhas de GPS reunidas, chega a fase de realização. Nesse meio tempo o Otávio me apresentou a um grupo de montanhistas bastante especial, a AMC – Associação Montanhistas de Cristo e o projeto passava a tomar forma no âmbito da associação, com o apoio e participaçãoativa de seus membros. Definida a data, que seria o feriadão de Corpus Christi, de 23 a 26 de junho de 2011, passamos a discutir as rotas possíveis, definir o grupo e acertar os detalhes logísticos da operação.
       
       
      OS PLANOS
       
      O que inicialmente vinha sendo concebido para ser um grupo de 6 a 8 pessoas desdobrou-se em dois grupos, um com 8 e outro com 10 pessoas, que fariam duas rotas distintas mas convergentes. O grupo 1 (“Grupo Araçatuba”), menor e mais preparado fisicamente, partiria de Tijucas do Sul (PR), da localidade de Matulão, cruzando a Serra da Papanduva pelo Monte Araçatuba e faria a travessia completa de norte a sul, que culminaria na descida do Monte Crista. O grupo 2 (“Grupo Garuva”) subiria a trilha do Monte Garuva partindo da BR-101 na cidade de Garuva (SC) e faria a rota em direção ao Monte Quiriri atacando do alto os cumes da região pelo caminho, como o Garuva, o Jurema, a Pedra do Lagarto, o próprio Monte Quiriri, o Bradador e a Pedra da Tartaruga, retornando depois pela trilha do Monte Crista. A idéia era que os dois grupos estabelecessem contato e se encontrassem no alto da serra, provavelmente no terceiro dia ou na terceira noite. Ambos os grupos contariam com cartas topográficas da região, navegadores GPS e rádios Motorola Talk About.
       
      A logística da expedição incluiria o transporte do Grupo Araçatuba de Kombi até o ponto de partida, no sítio aos pés da Serra da Papanduva. Esta mesma Kombi (do companheiro Guilherme - AMC) depois faria o resgate do pessoal no início da trilha do Monte Crista, ponto final da pernada, no domingo à tarde. O Grupo Garuva se deslocaria em 4 ou 5 carros até o ponto inicial da trilha de subida do Monte Garuva, próximo da BR-101, logo após o trevo de acesso da cidade de Garuva (SC) e no retorno a idéia era obter um taxi para transportar alguns integrantes do grupo de volta a seus carros, numa distância de aproximadamente 10,5 Km seguindo pela BR-101, que depois retornariam com os veículos para resgatar os demais, bem como o equipamento. Ambos os grupos partiriam juntos de Curitiba, na quinta-feira, dia 23/06, às 6:00 e seguiriam juntos até a Represa do Vossoroca, onde ocorreria a separação do comboio.
       
       
      O RELATO DA TRIP
       
      PRIMEIRO DIA – QUINTA-FEIRA, 21/06/2011
       
      Com tudo planejado e acertado na semana anterior ao tão aguardado evento, restava apenas acompanhar a previsão do tempo e torcer por condições metereológicas favoráveis para o trekking no feriado. Desde o dia 18/06, as previsões eram de tempo instável na região, com possíveis chuvas previstas já para terça (21) e quarta (22) em Curitiba e na maior parte do PR e SC. Com a evolução metereológica, porém, as chuvas de terça e de quarta-feira em Curitiba não se cumpriram, mas as previsões de quarta-feira (22) continuavam indicando chuvas na região de Curitiba e Garuva para o feriado, projetando tempo bom apenas na sexta-feira (24). Essas previsões metereológicas desanimadoras aliadas a outros fatores causaram algumas “baixas” aos grupos expedicionários na véspera da incursão: uma no Grupo Araçatuba e três no Grupo Garuva.
       
      Na madrugada de quinta (23) uma fina garoa sobre o frio curitibano marcava o início do feriado. Na chegada ao portão principal do Jardim Botânico às 5:20, ponto de encontro dos grupos, apenas 4 pessoas já aguardavam. Logo vão chegando outros integrantes da expedição. Alguns minutos mais e ficamos sabendo que a “Kombrosa” com o pelotão principal do Grupo Araçatuba vai se atrasar por conta de um pneu furado. Quase 6:30, com a chegada da Kombi os grupos se completam. Foto no escuro mesmo para documentar a partida e pé na estrada!
       

       
      O comboio pára no último posto da rodovia antes da represa do Vossoroca para um desjejum rápido daqueles que não haviam tomado café. Pouco depois, na estrada, os grupos se separam, cada um seguindo para os pontos de partida previstos inicialmente.
       
      Nosso grupo, o Garuva, viaja praticamente 100 Km desde Curitiba até a cidade de Garuva, com a estrada relativamente tranquila. O pequeno comboio de 3 carros e 1 jipe toma uma pequena estradinha de saibro logo após o trevo de acesso que adentra menos de 1 Km em direção à vegetação fechada da encosta da serra até terminar em frente a algumas casas humildes, onde somos recebidos por alguns simpáticos moradores com os quais acertamos os detalhes para o estacionamento dos veículos. Já são quase 9:00 da manhã de quinta-feira.
       
      Pequena pausa para acertar as mochilas, calçar botas e polainas e quase temos mais duas baixas: com o tempo nublado, quase garoando, Thomas e Ingrid balançam. Por pouco não entram no carro e voltam. Por fim, depois de alguns momentos de hesitação e uma estudada no céu resolvem seguir caminho. Todos prontos, nova foto e pé na estrada com as cargueiras nas costas. São 9:10 e partimos da cota dos 30 m.
       

       
      A trilha para o Monte Garuva inicia no fim da estradinha onde ficaram os carros. A estrada dali vira uma trilha larga e limpa que vai adentrando na mata e subindo levemente. Pouco a pouco a trilha vai galgando a encosta e ficando mais íngreme, mas ainda bem larga e relativamente limpa. O peso das mochilas com as provisões para 4 dias começa a se fazer sentir e pouco mais de uma hora depois do início da caminhada fazemos a primeira parada rápida para descanso, beber e comer algo.
       

       
      Seguindo a trilha, pouco adiante, começamos a escutar barulho de água corrente e, ao passar por um tronco caído à direita da trilha encontramos uma trilha menor que desvia da trilha principal e desce em direção ao som de água, que fica cada vez mais forte. Largamos as cargueiras no tronco e seguimos o desvio, afinal teríamos que nos abastecer de água para a jornada, e após a curta descida pela trilhinha secundária nos deparamos com uma bela cachoeira. Pela carta trata-se do Rio da Onça. Cantis e garrafas abastecidos, pausa para se refrescar (o calor já começa a se fazer sentir) e depois de algumas fotos e alguns sustos devido aos escorregões nas pedras perto da água, estamos novamente na trilha principal com as mochilas nas costas, já ultrapassando a cota dos 400 m de altitude.
       

       

       
      A subida começa a se tornar mais puxada e o ritmo vai diminuindo. Roger e Gleici que estavam com a bagagem mais “desajeitada”, por assim dizer, começam a sofrer um pouco para carregá-la, sendo obrigados a algumas paradas extras para ajeitar a carga. Todos sentem o calor e a trilha vai ficando mais fechada. Meu fôlego, prejudicado pelos quilos extras de banha também começa a diminuir.
       

       
      A cerca de 2 horas do tronco caído que marca a trilha para a cascata onde havíamos nos abastecido de água nos deparamos com um tremendo buraco, com cerca de 1 m de diâmetro e uns 4 de profundidade, bem num ponto em que a trilha apresenta um pequeno degrau e ao mesmo tempo apresenta um estreitamento, na cota dos 674 m de altitude. Dado o perigo que aquele buraco representa para um caminhante menos atento, Thomas e Roger tentam limpar um pouco as laterais da trilha com a faca, cortando um pouco de capim e galhos, de forma a reduzir o risco de um acidente, já que com a trilha mais fechada a tendência seria passar naturalmente por cima do dito buraco sem percebê-lo, especialmente no escuro. Após algum esforço braçal a situação ao redor do buraco melhora um pouco, facilitando sua visualização, ainda que em pouco tempo a tendência seja ele voltar a ficar encoberto pela vegetação das laterais da trilha.
       

       
      A partir deste ponto a trilha vai se mostrando cada vez mais difícil. Trechos estreitos, lances de escalaminhadas para vencer barrancos com raízes de árvores e barrancos enlameados começam a se tornar freqüentes, aumentando o desgaste físico do grupo. Eu, com o sobrepeso do sedentarismo sinto mais do que os outros o cansaço e em vários momentos sou obrigado a parar por alguns minutos para recuperar o fôlego, atrasando o grupo que acaba parando também adiante para me esperar.
       
      Logo atingimos um ponto da trilha que apresenta uma sucessão de grandes pedras, ora formando pequenas grutas ora nos obrigando a realizar alguns malabarismos para ultrapassá-las e continuar na trilha. Aqui o GPS indica a cota dos 853 m e já passam das 14:00.
       

       

       
      A moral do grupo é muito boa. Apesar do desgaste físico, seguimos conversando, algumas piadinhas, risadas e continuamos firme, agora com a certeza de que não atingiremos nosso objetivo planejado para o primeiro dia, que era acampar após o cume do Monte Garuva. A trilha continua fechada, os bambuzinhos e galhos teimam em se enroscar nas mochilas e tornam a progressão bastante cansativa. Em nenhum momento até aqui tivemos visão aberta para os cumes da serra ou para o terreno abaixo de nós, pois a trilha é bem fechada e não nos deparamos ainda com nenhuma clareira.
       
      Após mais alguns trechos de barrancos e escalaminhadas, atingimos na cota 950 uma pequena elevação de onde se tem visão em direção ao alto da serra, porém com o tempo fechado pelo nevoeiro a visibilidade era limitada. Enxergávamos algumas cristas próximas mas sem visão dos cumes. Neste ponto fizemos uma pausa mais longa para descanso, alimentação e deliberações, já que passava das 15:00 e ainda estávamos muito longe do cume do Monte Garuva, o que fatalmente nos levaria a acampar no platô localizado logo acima de nós, na cota 980 m, pois não teríamos muito tempo de claridade. Como agravante, consumimos bastante água durante o trajeto e precisaríamos ainda procurar água nas proximidades do referido platô.
       

       
      Subimos um pequeno trecho descampado e atingimos o tal platô onde começamos a montar as barracas. Eu, Otávio e Mageta pegamos as garrafas da turma e descemos por uma trilha bem batida em sentido noroeste do ponto de acampamento, em direção a um vale, de onde provinha um forte barulho de água corrente, o que indicava um ponto de captação. Ledo engano. No final da dita trilha nos deparamos com um riacho correndo quase que subterrâneo em meio a muitas pedras altas, sem condições de alcançar a água. Voltamos e tentamos seguir pela trilha principal em direção ao Monte Garuva para ver se encontrávamos algum ponto de água mais adiante, já que havia um pequeno vale entre o platô e a crista que sobre em direção ao cume, sem sucesso. Decidimos voltar e descer a trilha em sentido contrário, pois logo abaixo do platô, onde descansamos pouco antes, tínhamos avistado uma trilha secundária em direção a um vale onde imaginávamos encontrar água. Após ingressarmos nesta trilha e descer por uns 10 minutos começamos a escutar um som leve de água corrente. Bingo! Logo atingimos uma pequena cascata onde o precioso líquido escorria pelas pedras formando um pequeno riacho. Bebemos, nos lavamos e abastecemos todas as garrafas.
       

       
      Ao voltar ao acampamento, as barracas do Thomas, Roger e Gleici já estavam praticamente montadas e nos juntamos à faina de armar acampamento. Logo escureceria e começou a cair uma fina garoa, suficiente para molhar a roupa e as barracas. Em pouco tempo estávamos confortavelmente instalados nas barracas e agasalhados, pois o frio já castigava.
       

       
      Pouco mais tarde, já escuro, a garoa cessara e começamos os preparativos para o jantar. Comida quente na montanha é indispensável para repor as energias e manter o moral elevado, além que nos esquentar. Cada um havia levado diferentes opções de cardápio e por cerca de 1 hora utilizamos a providencial cozinha natural existente próxima às pedras que guarneciam o local. Logo de cara percebemos que não éramos os únicos habitantes do platô: uma cuíca, pequeno animal marsupial com cerca de 20 cm de comprimento rondava nossas panelas em busca de comida sem se incomodar com a nossa presença, provavelmente acostumado com os freqüentes acampamentos naquele local, pois se tratava, infelizmente, pela quantidade de lixo, de um ponto bastante freqüentado por farofeiros. Após alguns incidentes e objetos lançados para assustar o animal todos jantam e ficamos ainda conversando e brincando com uma lanterna de luz laser que o Roger tinha com ele, não sem antes deixar alguns restos de comida para a cuíca saciar sua fome e não nos perturbar nas barracas. O Thomas consegue, depois de algumas tentativas frustradas dos outros, capturar uma imagem do bichinho. Como havia sinal de celular fazemos as devidas ligações para dar sinal de vida às famílias em Curitiba e tentamos um primeiro contato com o pessoal do Grupo Araçatuba, por celular e por rádio, sem sucesso. Logo, todos cansados e de pança cheia se entregam a morfeu. O dia seguinte seria longo e desejávamos começá-lo cedo.
       

       
       
      SEGUNDO DIA – SEXTA-FEIRA, 22/06/2011
       
      Após uma ótima noite de sono, um pouco fria mas tranqüila, somos brindados com a espetacular cena do amanhecer sobre o mar de nuvens que se descortina no horizonte à frente de nossas barracas. As fotos dizem tudo!
       

       

       

       

       

       

       
       
      Também o alto da serra fica visível e avistamos pela primeira vez os cumes dos Montes Jurema e Garuva, respectivamente, como se vê nas fotos abaixo:
       

       

       
      Após apreciar e fotografar a vista especial, tomamos nosso desjejum e iniciamos os preparativos para continuar a subida, que não contaria mais com a companhia do Roger e da Gleici, que nos deixariam logo mais e desceriam por conta de compromissos em Curitiba. O grupo fica agora reduzido a 5 pessoas.
       

       
      Atrasamos um pouco para guardar a tralha e nos despedirmos do casal que descerá. Começamos a subir em direção ao Monte Garuva apenas depois das 9:30. Este trecho de trilha entre o platô e o alto da serra encontrava-se bastante fechado e exigiu bastante paciência para sua transposição, já que a quiçaça de galhos e bambuzinhos insistia em se enroscar nas nossas mochilas, braços, pernas e pescoços. Na verdade esta porção da trilha após o platô encontrava-se bem mais fechada que o trecho percorrido no dia anterior. Começamos a ter uma trégua em relação ao mato apenas na cota dos 1050 m, após 1:30 de caminhada e uma ascensão de mais de 280 m pelo mato, já que a trilha após o platô do acampamento desce até a cota 763 para depois voltar a subir. De uma pequena clareira na cota 1062 avistamos o platô onde havíamos acampado na noite anterior.
       

       

       

       
      Deste ponto em diante a situação da trilha começa a melhorar. O mato fechado vai sumindo e dá lugar, paulatinamente a uma macega baixa e depois a campos de altitude, que agora seguem as curvas de nível e contornam o cume do Monte Garuva pela sua esquerda (para quem se aproxima subindo). Cerca de 13:15 atingimos o cume aos 1292 m de altitude, praticamente sem vista pois a neblina que se assentava pela manhã sobre acidade de Garuva começa a subir em direção ao alto da serra, juntando-se logo mais com outra massa de nuvens que avançava sobre os campos vindo do norte.
       

       

       
      Pausa para alimentação e descanso aproveitando os últimos raios de sol (cheguei a dar um rápido cochilo deitado no campo) e uma hora depois já estamos descendo a rampa em direção aos campos do alto da serra que nos levariam até as imediações da Pedra do Lagarto. Apesar de próximos, desistimos de ir até o cume do Monte Jurema em razão de nosso atraso na subida, ademais a direção que pretendíamos seguir era a oposta.
       

       
      A caminhada nos campos, com trechos de descida rende bem mais que a subida pelo mato da manhã e rapidamente avançamos vários km, ultrapassando por duas vezes afluentes do Rio do Cristo, onde fizemos pequenas pausas para descanso e reabastecimento de água. Neste trecho, em meio ao silêncio do alto da serra, nossas conversas na beira do riacho atraíram a atenção de uma dupla de trekkers perdidos: pai e filho, acampados nas imediações do Monte Crista (bem longe dali) saíram em direção ao Monte Quiriri e se perderam no retorno por causa da cerração e apareceram para pedir informações. Após um rápido papo com a dupla Otávio, nosso líder e primeiro navegador, orientou a dupla usando a carta topográfica da região e o GPS. Este exemplo prático ressalta o fato de que o alto da Serra do Quiriri com nevoeiro (sem as referências visuais), que pode baixar (ou subir) de uma hora para outra, é um lugar de difícil navegação já que é cortada por inúmeras trilhas que desafiam o senso de orientação mesmo dos caminhantes mais experientes.
       

       

       
      Depois de quase uma hora de caminhada pelos campos serra acima com o nevoeiro ficando mais denso a cada minuto, já por volta das 17:00, subindo pela trilha em direção ao Monte Quiriri, por uma pequena crista ao lado de um riacho coberto de vegetação num pequeno vale, ouvimos vozes de um grupo de se aproximava pelo lado oposto do rio. Como se distinguiam também vozes femininas no grupo, que parecia rumar em nosso encontro, pensamos que poderia se tratar do Grupo Araçatuba, liderado pelo Zeca, que estaria descendo da Pedra da Tartaruga ou do próprio Monte Quiriri. Em meio ao denso nevoeiro chamamos pelo nome do Zeca, sem resposta, apesar de escutar os rumores do grupo, cada vez mais próximo. Depois de mais alguns gritos em meio à neblina, separados por algo em torno de 50 m pelo pequeno vale e sem conseguir contato visual por causa da forte cerração, estabelecemos diálogo com o pessoal e descobrimos que se tratava do grupo guiado pelo Jopz que havia subido no dia anterior pela trilha da fábrica de queijo (SantPar), ascendido à Pedra da Tartaruga e dali pretendia descer pela trilha do Monte Garuva. Eita mundo pequeno!! Trocadas algumas breves palavras sobre as condições das trilhas percorridas por ambos os grupos, em que o Jopz descreveu a subida pela trilha do queijo como “inferno verde”, nos despedimos e seguimos viagem.
       
      Pouco acima, dada a distância que ainda faltava para atingir o Monte Quiriri e o avançado da hora, decidimos abortar a subida até lá e derivamos por uma trilha menos batida que descia levemente seguindo as curvas de nível pouco abaixo da Pedra do Lagarto (isso tudo verificado no GPS, já que praticamente não enxergávamos nada). Para piorar um pouco a situação começava a cair uma fina garoa.
       
      Algumas centenas de metros adiante, seguindo esta mesma trilha, depois de um morrote encontramos um novo curso d’água correndo sobre um trecho de lajes de pedra que tinha ao lado um conveniente platô na cota dos 1294 m, aparentemente protegido, onde decidimos montar acampamento já praticamente na escuridão, às 17:50.
       

       
      Armado acampamento sob a garoa, o povo cansado, com sede e com fome se recolhe e começam os preparativos para a janta nas 3 barracas. Tentamos novo contato por rádio e celular com o Grupo do Zeca, novamente sem sucesso. Em nossa barraca, eu e o Mageta preparamos a “área de serviço” (avanço da barraca TR Esquilo 2 – com a porta aberta escorada pelos bastões de caminhada) para poder cozinhar. Com a panela no fogareiro descobrimos novamente que não éramos os únicos habitantes da área: um camundongo quase entrou na barraca para ver o que cozinhávamos e começamos a imaginar o que fazer para evitar que ele e eventualmente outros membros da sua família não invadissem nossa barraca e roessem nossas mochilas em busca de comida. Decidimos, sensatamente, empanturrar o ratinho com alguma comida a fim de fazê-lo desistir de qualquer incursão em nossas coisas: deixamos uma lata de patê de atum aberta a alguns metros longe da barraca e ainda jogamos algumas pequenas porções de comida espalhadas longe das barracas para atrair a atenção dos roedores. A tática funcionou e não tivemos nenhum sinal do(s) bicho(s) durante a noite. As porções de comida sumiram e descobrimos que ele não gostava de patê de atum, pois a lata do refinado alimento restou intacta.
       
       
      ... continua...
    • Por Otávio Luiz
      Travessia Araçatuba – Monte Crista
       
      Depois da tentativa frustrada de realizar a travessia no feriado de sete de setembro de 2015, com a companhia do bom baiano carioca Peter Tofte (veja o relato aqui), e que resultou numa Itupava emendada com Marumbi, fiquei esperando uma nova chance...
      E ela surgiu no primeiro feriado de 4 dias que apareceu, carnaval de 2016. A época não era a melhor; muito calor, insetos e chances de raios e trovões, mas a vontade de fazê-la era grande, e a quase impossibilidade de um novo feriado de 4 dias sem ter que enforcar o trabalho fez que as previsões de tempo negativas fossem deixadas de lado e começamos os preparativos.
      Como a travessia é bem exigente, em termos físicos (60 km) e de navegação (caminhada por campos sem trilha definida) resolvemos fazer um grupo enxuto e coeso, apenas gente boa da melhor qualidade e com larga experiência em trekking de longo percurso.
      O primeiro a ser chamado foi o grande parceiro Getúlio, que topou na hora. Os demais tinham outros planos, e o grupo foi se tornando bem enxuto mesmo. Quando lanço o convite para o Rafael Santiago ele topa na hora, iria se deslocar de São Paulo para Curitiba num Cometa e participar da empreitada.
      Uma dificuldade desta travessia é a logística. Tanto o começo no Araçatuba como o final no Monte Crista não é servido por transporte público, portanto é necessário que se contrate este serviço. Como era pouca gente, van não rolava. Estávamos indo com nossos carros e iríamos fazer um esquema louco de deixar uma viatura no final, retornar todos até o ponto de início, finalizar a travessia e ir resgatar a viatura lá no começo. Sim, ia tomar tempo, combustível, mas estava se desenhando desta maneira. Neste meio tempo surge uma carona salvadora, o grande amigo Marcos arruma uma carona pra nós tanto na ida como na volta.
      Quase aos noventa do segundo tempo, ou melhor, já nos acréscimos do juiz, surge o Rafael Campestrini, que quer ir conosco de qualquer jeito, mesmo não tendo lugar na carona, pois só tínhamos três vagas. Ele resolve que vai assim mesmo, de moto até o Araçatuba pra se encontrar com a gente, e depois se vira pra voltar, de carona, táxi, a pé...
      Está formado o grupo, e no sábado de carnaval começamos a subida do Morro do Araçatuba, com seus 1.673 m de altitude, sendo a montanha mais alta da caminhada. Mas não pense que a subida acaba aqui não...
      Logo no início Getúlio dá sinais de que não está bem, sobe lento, reclamando de dores estomacais e câimbras. Vamos tentando encorajá-lo, mas na metade da subida ele já começa a demonstrar que não vai conseguir realizar a empreitada. Consciente de que naquele estado só estava atrasando e dificultando seu resgate, pois quanto mais adiante mais difícil seria, e que dificilmente terminaria a longa a travessia, Getúlio resolve abortar. Neste momento vemos a mão de Deus pela primeira vez nos abençoando. Se Campestrini não estivesse com sua moto lá na base do Araçatuba seria bem difícil Getúlio retornar sem uma longa caminhada até a BR376. Como Getúlio é conhecedor da região, ele resolve dormir uma noite no Araçatuba mesmo e retornar no dia seguinte com a moto do Campestrini. E Campestrini assumiria o lugar do Getúlio na carona de volta para Curitiba. Getúlio ainda segue até o cume do Araçatuba e de lá nos despedimos. Seguimos adiante em direção ao Baleia, pegando o único trecho de mata fechada da travessia.



      Já na subida do Baleia começa a caminhada por campos de altitude, o que torna esta travessia uma das mais belas do Brasil. Pena que o tempo fechou e caminhamos dentro da nuvem o tempo todo, com uma chuva fraca que vem e vai. Logo em seguida passamos pelo Morro do Moreia, uma montanha muito bonita com seus incríveis paredões de pedra e campos floridos. No final do Moreia começa a descida para a Comfloresta, uma descida forte que nos leva ao labirinto de estradas dentro de um enorme reflorestamento de pinus.
      Tudo que desce, sobe, e no final da tarde, com promessa de chuva forte começamos a subir os contrafortes da Serra do Imbira, por uma estrada do reflorestamento que a cada curva fica mais íngreme.
      O tempo vai fechando, a noite vai chegando, e começamos a procurar um local para acampamento. Como a estrada é cascalhada procuramos lugares desmatados, mas estes têm muitos tocos de pinus, e o que parece fácil se torna difícil. Já perto das 19:00 hs, e com a chuva apertando, achamos um pequeno lugar com mato baixo, ao lado da estrada e de um córrego, aonde iremos continuar a caminhada no dia seguinte. É aqui mesmo, e seja o que Deus quiser...


      E Deus quis muita chuva, mas muita mesmo!!! Começo a chover perto das 20:00hs e só foi parar meia noite. Nunca passei por uma tempestade desta envergadura. Sorte que estávamos relativamente abrigados pelos pinus. Foi um verdadeiro teste de estanqueidade para as barracas. Depois ficamos sabendo que em Garuva, cidade mais próxima, várias ruas ficaram alagadas. Nossas três barracas, Hubba da MSR, Fly Creek da Big Agnes e Minipack da Azteq se saíram bem, apenas pequenas infiltrações devido à chuva monstruosa que caiu.
      O dia seguinte amanhece envolto em densas brumas, e começamos a caminhada como terminamos no dia anterior, sem visual, com uma chuva/garoa que vem e vai. Já de cara encaramos o final da subida da Imbira, para depois descer tudo de novo e entrarmos de novo na Comfloresta e caminhar por mais estradas. Logo começa outra subida grande e cansativa, até os chegarmos aos campos do Quiriri finalmente.
      Quando chegamos à porta de entrada do Quiriri encontramos o Gilgamesh (grupo de caminhada de Curitiba), que estava acampado ao lado da estrada, bem perto da onde definitivamente deixamos de caminhar por estradas e iniciamos a trilha pelos campos do Quiriri. O Marco da Divisa está ali perto, a menos de uma hora de caminhada. O pessoal do Gilgamesh está esperando o transporte para retornar, a chuva forte molhou os equipamentos da maioria e abalou o moral da tropa. Batemos um papo com a galera e continuamos nossa pernada.
      Logo em seguida chegamos ao Marco da Divisa, monumento erguido após o término da Guerra do Contestado e que demarcou as fronteiras do Paraná e Santa Catarina. Existem outros dois ou três, não sei ao certo, tínhamos até pensado em passar por eles, mas o tempo não estava ajudando, em todos os sentidos (sem visual e com o cronograma apertado).
      Daqui em diante eu já conhecia o caminho, mas sem visual e mesmo com GPS, a navegação é lenta, pois não há referência visual, e se faz necessário a todo instante ficar corrigindo a rota.
      No início da noite nos aproximamos do Morro do Quiriri, montanha mais alta desta serra, com seus 1.580 m, e armamos acampamento numa pequena elevação bem em frente ao morro. E claro, logo em seguida começa a chover, mas desta vez com menor intensidade.
      Iniciamos os preparativos para o jantar, e eu novamente estava se apetite, assim como no primeiro dia. Empurro uma sopa cedida pelo Rafael Santiago goela abaixo, belisco alguns petiscos e vamos dormir. Já o Campestrini faz um pacote de macarrão com molho de tomate, sardinha e manda ver...



      Amanhece o terceiro dia com um sol tímido querendo sair de trás das nuvens, e vai ficar assim o resto do dia. Partimos em direção ao Bradador, também conhecido como Morro da Antena, para em seguida atravessar a Fazenda Quiriri. Aqui fazemos um caminho diferente do Tiago Korb, seguimos a trilha que o Zeca e Wilson fizeram em 2013, e chegamos no Bradador pela sua face oeste. Como o tempo está parcialmente encoberto, e mesmo navegando com o GPS, quase passamos pelo Bradador. Estávamos mirando numa montanha, e quando o tempo abriu, ao nosso lado, estão às antenas de repetição de rádio. Notamos que mesmo com GPS e conhecendo a região é muito difícil navegar no Quiriri sem referência visual. Uma dificuldade a mais para quem pretende caminhar por estes campos de altitude.
      Subimos o Bradador e começamos a descer por sua face sul. Como a maioria dos morros do Quiriri, o Bradador é uma montanha espalhada, apenas sua face norte (por onde subimos) é mais íngreme. Vamos perdendo altitude e começamos a visualizar a Fazenda Quiriri, com seus lagos e sua sede. Para passar pela fazenda precisa ter autorização, que é concedida através do site hacasa.com.br. Atente que eles pedem um prazo de 7 dias úteis para enviar a autorização assinada, que deverá ser entregue ao capataz da fazenda. Decidimos desviar da sede e passar pelo lago maior, a esquerda da mesma, pois é o caminho direto para a Pedra do Lagarto. Nosso almoço se dá no lago, que tem uma pequena cachoeira também, muito agradável. Campestrini e eu sacamos nossos mantimentos: biscoitos, amendoim, salame, etc... e Rafael seu pão integral e queijo branco. Aliás, este era o único alimento do Rafael, tirando a comida quente da noite. Comida quente que Rafael só trouxe porque nós falamos que íamos cozinhar a noite, senão era só pão e queijo nos 4 dias...



      Após o almoço começa uma nova subida, em direção a Pedra do Lagarto. Estamos deixando os vastos campos do Quiriri pra trás. Após a Pedra do Lagarto, lugar bem legal pra acampar, começa uma trilha batida e enlameada até a cabeluda, local de acampamento tradicional ao lado do Rio Três Barras e um pouco antes do Monte Crista. A galera vai muito pra cabeluda, subindo pelo Crista. Lá encontramos um pessoal de Joinville acampado, conversamos um pouco e decidimos seguir adiante e acampar mais pra frente. Achei a cabeluda mais limpa de quando passei lá em 2011, na travessia Garuva-Monte Crista, mas mesmo assim há um pouco de lixo.
      Vamos atrás de um lugar pra acampar. Os 5 anos modificaram o lugar, não achei as clareiras perto do Três Barras, acho que passei na trilha e não vi a entrada. Vamos atrás do local que acampei em 2011, uma boa clareira ao lado de um riacho. Chegando lá a clareira está tomada de mato. Resolvemos seguir adiante, a procura de um acampamento bom. Surgem alguns mais ou menos, todos com muito mato. Acho que o pessoal está indo mais pra Cabeluda e deixando a encosta do Crista de lado. Vamos seguindo, e num ponto onde a trilha se alarga há um belo e plano gramado. Já são 18:00 hs e apeamos ali mesmo. Armamos as barracas e começamos a fazer a janta. Eu estou sem fome novamente, faço um arroz de carreteiro que levei, mas não consigo comer quase nada. Que gostou foi o Campestrini e Rafael...
      O dia seguinte amanhece lindo, sol, céu aberto, sem nuvens. Nosso último dia de caminhada ia ser bonito, e quente... Sorte que a descida do Crista é por dentro da floresta, na sombra. Começamos a subir em direção ao cume do Crista, muitos cliques e filmes do belo visual. Vão surgindo vários locais bons para acampar. Chegamos à bifurcação, pra direita desce pra base e a esquerda sobe pro cume. Em 2011 quando passei aqui estava chovendo, por isso não fomos ao cume. Largamos as cargueiras e subimos. Aqui também há várias clareiras, mas precisa uma barraca boa, pois é alto e exposto aos ventos.



      No cume muitas fotos. Ligamos para a família pra dizer que está tudo bem e pra carona, pra acertar o resgate. Vamos à sentinela de pedra, mais cliques e começamos a descer. Essa descida do Crista é muito cansativa, levamos exatas 5 horas até o recanto. O calor é grande, e eu começo a me sentir fraco, um pouco tonto. Dou uma vacilada na água e fico sem num trecho longo, de mais ou menos uma hora. Minha moral está lá embaixo, acredito que junto com minha pressão. Quando chego ao riacho trato de tomar um carbo gel com isotônico, que me dá um up legal. Renovada as forças, vamos embora que estamos quase lá!!!
      Anda, anda, anda.... as costas doem, o cansaço é geral, e finalmente, perto das 15:00 hs chegamos ao Rio do Cristo!!!! Desta vez está fácil de atravessá-lo, com água abaixo do joelho. Já em 2011 foi tenso... Mais um pouco a ponte pênsil e o recanto do tiozinho, que nunca lembro o nome. Sucesso!!!! Mais uma travessia concluída!!!!! Tomamos uns três litros de Coca-Cola e vamos nos banhar no rio. Por falar em banho, estou repensando em fazer travessias de 4 dias no verão. Minha roupa de caminhada estava tão fedida que no terceiro dia tive que deixa-la do lado de fora da barraca pra conseguir dormir...
      Mais uma riscada do caderninho, Araçatuba-Monte Crista, uma das mais belas travessias do Brasil. 60 km de montanhas, campos, trilhas fechadas e abertas, visuais belíssimos. Valeu pela parceria Rafael Santiago e Rafael Campestrini, companhia é tudo numa travessia dessas, e vocês são nota 10! Muito obrigado ao Getúlio também, grande parceiro!!!! Getúlio foi quem me ajudou e muito no planejamento da empreitada e soube abortar a missão na hora certa. Não é fácil se preparar para uma travessia destas e na hora H ter que desistir. Muito obrigado ao Marcos também pela carona, que foi uma mão na roda. E principalmente, muito obrigado ao meu Deus, que nos proporcionou a oportunidade de mais uma vez estarmos contemplando toda a grandiosidade da Sua criação.







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