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Relato: Caminho do Itupava PR – 5º dia da Expedição SC/PR


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Na sequência depois da Travessia solo Monte Crista SC x Morro Araçatuba PR (relato: http://www.mochileiros.com/desafiante-travessia-solo-monte-crista-sc-morro-aracatuba-pr-t53375.html), fui fazer o Caminho do Itupava PR para chegar ao Marumbi.

 

Planejamento para o Caminho do Itupava PR:

Leia todos os relatos que achar na internet, imprima um mapa do local com os pontos principais (pode ser até uma imagem do Google Earth), veja o trajeto no google earth e siga as dicas dos mais experientes que já fizeram o percurso.

 

Ligue no dia para o Trailer 24h do IAP que fica no começo para saber como estão as condições da trilha: 41 3554 1531

 

Segurança: faça a trilha com grupos de pelo menos cinco pessoas ou mais, já que às vezes ocorrem assaltos lá e trilheiros sozinhos ou em grupos de até três pessoas são mais visados.

 

Como chegar:

Quem chega a Curitiba na Rodoviária tem que pegar o ônibus intermunicipal para a cidade de Quatro Barras que sai do Terminal Guardalupe (RUA JOAO NEGRAO ESQUINA COM RUA ANDRÉ DE BARROS).

 

Entretanto, eu recomendo se for de madrugada que você vá pegar este ônibus em uma parada mais adiante do Terminal Guardalupe por questão de segurança.

 

Horários dos ônibus Linha Curitiba para Quatro Barras pela BR 116 (mais rápido):

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Horários dos ônibus Linha Curitiba para Quatro Barras pela Graciosa:

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O preço da passagem é de R$ 2,35 e fui reajustado no dia 05/03/2011. Exatamente no dia que fui pegar este ônibus. ::lol4::

 

A viagem dura entre 40 e 50 minutos dependendo do horário e se o trânsito ajudar. Ao chegar ao ponto final do ônibus que é o terminal de Quatro Barras se informe sobre o próximo ônibus para Borda do Campo (bairro de Quatro Barras), embarque nele (não necessita pagar nova passagem), e desça no ponto final.

 

Onde você descer há uma placa que indica Caminho do Itupava e basta caminhar 320 metros para chegar ao começo do Caminho do Itupava.

 

De carro indo pela BR 116 você deverá entrar no bairro de Borda do Campo (cidade de Quatro Barras PR), que fica as margens da BR 116 e seguir o traçado mostrado abaixo em verde:

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Se não encontrar é só perguntar aos moradores, todos devem saber indicar a direção a ser tomada já que é muito conhecido.

 

No local não existe bem um estacionamento, mas sim um pátio e esta sendo cobrada uma taxa de R$ 5,00 para deixar o carro lá.

 

Orientação e navegação:

Como o Caminho do Itupava basta seguir o calçamento de pedras não me preocupei com muitos detalhes a respeito até mesmo por que levei um GPS com o trajeto. Basta memorizar onde ficam os principais pontos de interesse como: Casa do Ipiranga, Cachoeira Véu de Noiva, Morro Pão de Ló, Gruta, Represa, Santuário de Nossa Senhora do Cadeado e as belas pontes.

 

Melhor época:

De abril a agosto quando chove menos é mais adequando para fazer esta trilha. Mas não tendo chuva qualquer outra época do ano desde que sem chuva também é boa.

 

Dados técnicos do Caminho do Itupava:

Percurso a pé: 13,748 Km a pé do Trailer do IAP até a placa <-Morretes Marumbi ->.

 

Altimetria total da trilha:

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Aclive acumulado: 413 metros

Declive acumulado: 1117 metros

Inclinação máxima aclive/declive: 24,8% e -57,3% respectivamente.

Média Inclinação máxima aclive/declive: 7,9% e -12,8% respectivamente.

Ponto de menor elevação: 291 metros (Placa Morretes - Marumbi)

Ponto de maior elevação: 1084 metros (próximo ao acesso ao Morro Pão de Ló)

 

Visualização do trajeto do Caminho do Itupava no Google Earth:

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Para baixar a visualização do Caminho do Itupava:

Basta me solicitar pelo e-mail o trajeto para GPS ou Google Earth: [email protected]

 

Outros links interessantes:

Horários dos ônibus de Curitiba a Quatro Barras: http://www.urbs.curitiba.pr.gov.br/PORTAL/tabelahorario/

Página sobre o Caminho do Itupava com muitas informações: http://www.itupava.altamontanha.com/

 

Meu relato sobre o Caminho do Itupava PR:

 

Depois de embarcar no ônibus num posto próximo a Barragem Vossoroca em Tijucas do Sul PR cheguei por volta das 16h no rodo-ferroviária de Curitiba PR. Após uma breve informação sobre o ônibus de volta para Santa Maria RS, fui atrás de informações de onde comprar comida para os próximos dois ou até três dias.

 

Sexta-feira 04/03/2011, véspera do feriadão de carnaval... Rodoviária cheia, digo entupida de gente! Informei-me com uma guarda transito sobre mercados próximos onde pudesse comprar a comida, ela só sabia da existência do Mercado Público. Muito bem fui o conhecer, belo local com variedade de comidas, porém caras!

 

Decidi vagar nas ruas do entorno e buscar informações de pequenas vendas e encontrei facilmente desde vendas até pequenos atacados. Lá tinha de tudo e comprei a comida que necessitava e pagando pouco. Para você tentar imaginar, era eu com uma mochila cargueira de 75 litros andando de um lado pro outro, rsrs. Não dei bola sobre o que as outras pessoas deviam pensar de mim, afinal não conheço ninguém mesmo. ::lol4::

 

Voltei a rodoviária para aguardar lá a madrugada seguinte para ir a tal Terminal Guardalupe que fica a 1,2 Km. Foi uma noite e madrugada terrível! Gente vindo e indo, barulho, bagunça, um vento frio daqueles, chuva e garoa.

 

Por volta das 1h da madrugada até tentei me deitar nos bancos de fibra de vidro, porém não consegui me ajeitar bem e nada de dormir, rsrs. Lá pelas 3h da madrugada já muito cansado depois da travessia é que fui pegar no sono por 1 hora e às 4h da madrugada acordei com o despertador do celular para ir ao tal Terminal Guardalupe.

 

Aqui esta o entretanto! Ninguém disse isso em nenhum relato ou texto que eu li, andar no centro de Curitiba a noite e mais especificamente nesse terminal Guardalupe é extremamente perigoso! Vi uns caras lá andando no frio da madrugada de pés descalços e tentando imaginar o porquê, até que o raciocínio de um noite sem sono me disse que deviam ter sido assaltado! Sem contar o pessoal que estava saindo de festas próximas, moradores de rua, bêbados e mulheres que exercem a profissão mais antiga do mundo...

 

Terminal Guardalupe de madrugada e sem estar em um grupo grande nunca mais! E você que esta lendo isso procure embarcar no ônibus para Quatro Barras em outro local, pois esta sob sério risco de ser assaltado lá!

 

Havia um guarda e depois chegou mais um, não tive dúvida e fiquei do lado dos dois. Por volta das 4:50 chegou o ônibus intermunicipal para Quatro Barras e já me acomodei dentro dele, valor da passagem R$ 2,35. Chegamos ao Terminal de Quatro Barras cerca de 40 minutos depois e cinco outros caras de mochilas e alguns de bota entraram no ônibus comigo para Borda do Campo.

 

Ai já veio a pergunta: - Vai fazer o Itupava?

Disse que sim e então veio a resposta inesperada a mim: - Que bom, pelo jeito tu é bem experiente e deve conhecer o caminho, pois nos não conhecemos.

 

Cai na risada com a frase, já que imaginei que ia poder contar com os conhecimentos deles para fazer o Caminho. ::lol4::

Pelo menos ia ter parceria para fazer o caminho e não ter que ficar esperando até umas 8h por outro grupo para descer juntos por segurança.

 

Chegamos às 5:40 no Trailer do IAP, começando a clarear o dia e com um tempo bem nublado. Neste trailer é necessário dar o nome, telefones de contato, responder se esta levando uma lanterna (importante levar uma), e assinar o termo de compromisso.

 

É importante fazer digamos o check in para o controle do IAP, já que se você não der baixa no nome seja no Marumbi ou Porto de Cima, alguém vai ir te procurar.

 

Caminho do Itupava:

 

Este caminho liga o litoral ao planalto paranaense desde o século XVIII. Inicialmente traçado pelos índios que habitavam a região, posteriormente foi descoberto pelos bandeirantes para o transporte de produtos.

 

O Caminho do Itupava teve seu trajeto modificado para próximo ao Anhangava para facilitar o acesso, este possui atualmente cerca de 30 Km de extensão entre Borda do Campo e Porto de Cima. Também é conhecido como Caminho dos Jesuítas já que em Borda do Campo havia uma fazenda deles que era usada pelos viajantes como abrigo ou pernoite.

 

Apesar de algumas pessoas acamparem no seu percurso, não é permitido fazer isto. Esta região do caminho que tem grandes extensões de florestas da mata atlântica (mais de 12.000 Km quadrados), devido sua proximidade com o mar ocorre muita precipitação devido a chuvas orográficas, mais de 270 dias chuvosos com precipitação de mais de 2700 mm por ano.

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Eu e as outras cinco figuras iniciamos a caminhada exatamente às 6h após todos terem se identificado no trailer. Abaixo o totem do inicio do caminho e uma placa com informações sobre o local.

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Digo figuras, pois mal iniciamos a trilha e um já puxou uma garrafa de canha! ::lol4::

 

Sem contar que esta de sandália para fazer todo caminho úmido e muito escorregadio... Nem vou falar ainda o que aconteceu depois que a sandália arrebentou... ::lol4::

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O caminho no começo é muito fácil, basicamente um single track de chão batido com algumas ramificações. Mas basta ficar na trilha mais larga e escavada que não tem erro de se perder.

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Como este já era o quinto dia caminhando e pretendia acampar no Marumbi, estava com minha cargueira. Diga-se aos que vão fazer a trilha em apenas um dia que levem na mochila 1 litro de água (há bastante água no caminho), hipoclorito ou clorin para desinfecção da água, uma lanterna, lanche para a trilha, protetor solar (a trilha depois no trecho calçado é bem sombreada), um canivete ou faca, capa de chuva, mapa do local e desliguem seus celulares para poupar a bateria (assim terá carga se acaso precisar numa emergência). Nos pontos mais elevados há sinal da VIVO, TIM e OI.

 

Chegamos a uma pedreira abandonada, já havia lido relatos de assalto nessa área e constatei que havia derivações da trilha para casas localizadas mais acima, então muito cuidado ao caminhar neste local.

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Nesse momento começou ou recomeçou a chover, rsrs, já que chuva no litoral do Paraná este ano foi um negocio meio que direto! Todos os cinco que foram comigo eram de Curitiba e já começaram a me sacanear a respeito do frio que estava fazendo com chuva e vento e eu só de calção e camiseta de mangas curtas:

- Owww gaúcho, não tá com frio?

 

Eu só dava risada da cena, afinal Curitibanos com frio na temperatura de 18 ºC? ::lol4::

 

Mais adiante com a primeira subidinha já começaram a reclamar do calor e suor!

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Falando sobre o vestuário para esta trilha no verão é recomendável roupas que façam com que o suor seque mais rapidamente como tecidos dry fit, poliéster, etc. Pois como é Serra do Mar esta sujeita a nevoeiros e muito abafamento. Um agasalho e uma capa de chuva são sempre bem vindos na mochila também.

 

No inverno além do agasalho uma calça e um anaoraque também são bons de levar para se precaver de alguma possível chuva inesperada.

 

A trilha que se iniciou com descida já começou a apresentar alguma subida e que bom pelo seu visual apareceu o famoso calçamento! E que ruim que o calçamento estava muito liso e úmido.

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A calçamento que até então apresentava uma subida até a trilha de acesso ao Pão de Ló, a partir deste iniciou-se a uma descida e ai sim o festival de tombos foi bonito de ver. Especialmente entre os que estavam bebericando a cachaça! ::prestessao::

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Vale lembrar que o calçado mais adequado a esta trilha depende de quanto peso o trekker estiver carregando. Para pessoas com pouco peso um tênis normal ou para trekking que tenha bastante grip (antiaderapente), é o mais indicado para evitar escorregões.

 

Já com uma mochila cargueira e terreno seco uma bota mais rígida é mais recomendável para evitar de sentir desconforto com as pedras. Com terreno úmido como estava o melhor calçado é o que oferece maior grip possível.

 

Após o acesso ao Pão de Ló que apresenta um belo mirante da região, mas que eu não subi por causa da falta de visibilidade. Mais abaixo tem a gruta que é um bom ponto para pegar água.

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Como é Mata Atlântica se caminhar sem fazer barulho e observando a natureza vai conseguir observar alguma fauna do local como esquilos, saracuras e vários outros tipos de pássaros. No meu caso com o pessoal fazendo a maior farra e falando alto só deu para ver a flora. ::lol3::

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No trajeto já começam a ter alguns rios e algumas pontes para atravessar. Pontes bem construídas, só tome cuidado que estão tapadas de limo e são muito escorregadias!

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Após atravessar essas ponte a Casa do Ipiranga já esta perto. Antiga casa de campo dos engenheiros da ferrovia que hoje infelizmente esta em ruínas. Nela o que chama atenção é a piscina que existia nos fundos da casa. Só tome cuidado ao andar dentro da casa pois pode ter vespas e marimbondos. Também é um local não muito seguro, já que alguns “andarilhos” acampam próximo ao local.

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A casa fica na beira da ferrovia, trilhos subindo a serra se seguir cerca de 200 metros você vai encontrar a antiga usina hidroelétrica.

 

Neste ponto os caras que foram comigo novamente já me perguntavam:

- E o GPS o que diz? A trilha é pra que lado? ::putz::

 

A trilha depois de passar a Casa do Ipiranga segue logo depois dos trilhos subindo por um barranco tomado pelo mato. Estávamos ali e demos sorte de ver o trem subindo a serra na frente da casa.

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Vale lembrar que o Caminho do Itupava segue pelo meio do mato no calçamento colonial e este trecho até o Cadeado é mais perto pela trilha e não pela ferrovia. Sendo que pela ferrovia além de ser mais longe é bastante perigoso devido aos tuneis e pontes. O trem Litorina é muito silencioso ao andar e poderá dar um bom susto em quem tentar andar nos trilhos.

 

O estado da trilha entre a Casa do Ipiranga e o Cadeado não é dos melhores, são cerca de 4,55 Km de trilha com bastante sobe e desce pelo calçamento colonial em meio a mata. Sem muitas referencias o que pode angustiar quem nunca fez. Também quando passei por lá em março/2011 o mesmo estava com inúmeras árvores tombadas sobre a trilha em um estado de completo abandono.

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Mesmo assim o trajeto entre esses dois pontos é bonito e apresenta duas belas cachoeiras de rios que nascem nas montanhas acima.

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Próximo ao local de uma dessas cachoeiras seguindo o calçamento há uma pedra grande na direita da trilha. Para os mais cuidadosos que não conheçam a trilha, nela esta escrito Cachoeira Véu de Noiva e uma seta. Indicando a exata posição da trilah que leva até a Cachoeira Véu de Noiva.

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Nesse trajeto também há inúmeras áreas alagadas com muito barro no meio da trilha, sugiro a todos que procurem passar no meio do alagado mesmo. Pois assim evita-se de contornar o local alargando ainda mais estes locais. Fazer trilha e se sujar é o de menos, pior seria no futuro não poder mais passar nestes locais pois os mesmos estarão em recuperação ambiental por causa desse costume.

 

A trilha já próxima ao Santuário a Nossa Senhora do Cadeado (padroeira dos Ferroviários), já fica bem acentuada e até tem uma escadaria com corrimão para ajudar, mas só se ajudar anão. Tem um palmo de altura! :D

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Chegamos finalmente no Cadeado, infelizmente a chuva apertou e não pudemos ver a melhor vista para o Marumbi. Nos abrigamos dentro da capelinha que infelizmente teve ação de vândalos que quebraram a Santa a pedradas e também picharam a placa sobre o Caminho do Itupava.

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Neste ponto tivemos sorte em ver o trem de luxo Litorina de R$ 270,00 a passagem entre Curitiba e Morretes.

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Os passageiros desembarcaram com guarda-chuvas e nos estávamos entre seis dentro do santuário tapamos todas as quatro entradas, rsrs. Almoçamos ali mesmo já que a chuva apertava lá fora.

 

Do santuário até as pontes do rio Taquaral e São João é só descida a partir de agora. A trilha segue logo abaixo do Santuário com média inclinação.

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Lembra do maluco das sandálias? Pois é, as tiras de um pé arrebentaram! Ai o cara puxa da mochila um par de havaianas e disse:

- Essa aqui sim é garantida! Vai agüentar até o final e não vai reclamar.

 

Não deu 100 metros e lá tava ele no chão e consertando as tiras e foi assim até o final! ::prestessao::

 

O Itupava depois da descida do Cadeado já deu uma amenizada e ficou bem mais tranqüilo de caminhar.

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Já dava para escutar o rio São João cheio fazendo barulho nas corredeiras e achei legal as pontes de ambos os rios. Bem construídas e espero que não ocorram enchentes que destruam elas.

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Caminhamos mais algum tempo na margem do Rio São João e depois passamos a ponte do Rio Taquaral. A direita o morro vai tendo uma declividade e após algumas centenas de metros já encontramos a estrada que leva a Porto de Cima ou ao Marumbi.

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Nessa estrada me despedi do grupo que ia até Porto de Cima em Morretes PR para acampar e eu já estava planejando o acampamento no Conjunto Marumbi e ataque no outro dia.

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Ainda pretendo voltar algum dia lá para fazer novamente o caminho só que sem chuva, pois é uma trilha espetacular!

 

Para quem pretende fazer o Caminho do Itupava até este ponto há opção de embarcar no trem para Curitiba logo mais adiante na Estação Marumbi.

 

Tabela de horários e valores do trem da Estação Marumbi para Curitiba:

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Contato da empresa Serra Verde Express para informações:

http://serraverdeexpress.com.br

Fones: 41 3888-3488 ou 41 3888-3488

E-mail: [email protected]

 

Para quem quiser finalizar todo o Caminho do Itupava basta seguir a estrada para Porto de Cima. Em ambos os casos é preciso dar baixa no nome no posto do IAP do Marumbi ou de Porto de Cima. De Porto de Cima há ônibus via Graciosa para Curitiba às 16h.

 

O melhor a se fazer é pegar um ônibus urbano de Porto de Cima até Morretes e de lá pegar um ônibus para Curitiba já que tem horários melhores pela Viação Graciosa:

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Site da empresa com os horários: http://www.viacaograciosa.com.br

 

Se você tiver dúvidas ou quiser mais informações sobre o Caminho do Itupava é só me consultar. Obrigado!

Editado por Visitante
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  • Colaboradores

Muito obrigado Western! Para quem é experiente ou quer mais desafio vale a pena fazer o Caminho do Itupava, acampar no Marumbi e o atacar no outro dia. Os locais são sensacionais mesmo com chuva! rsrs

 

Parabéns pelo relato... Já havia ouvido falar desse caminho, mas nunca tinha visto fotos asism, isso que sou do paraná. Parabéns.
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  • Membros de Honra

A Trilha do Itupava é uma das melhores caminhadas do PR. Mas não tem o que de geito naquelas pedras lisas.

O terminal do Guadalupe é o ponto de saída dos ônibus p/ a região metropolitana de Curitiba. De madrugada lá não é um lugar legal de ficar, de dia já é meio sinistro...

Este é um mal das grandes cidades, o centro geralmente é o local aonde ficam os drogados, prostitutas, etc.. realmente é bom tomar cuidado, ainda mais sozinho.

Da última vez que fiz a Itupava a galera já tava bebendo no terminal... ::putz:: ... infelizmente isso é comum.

Aguardo o relato do Marumbi!!!

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  • Colaboradores

Sim Otávio, esse Terminal Guardalupe é a porta do inferno de noite! Li vários relatos e quase ninguem falava de como chegar ao trailer IAP, muito menos que o Guardalupe não é um bom local para ir de longe. Espero que leiam o meu relato e tomem cuidado!

 

Eu não tive essa informação e podia ter me dado mal por lá! ::prestessao::

 

A Trilha do Itupava é uma das melhores caminhadas do PR. Mas não tem o que de geito naquelas pedras lisas.

O terminal do Guadalupe é o ponto de saída dos ônibus p/ a região metropolitana de Curitiba. De madrugada lá não é um lugar legal de ficar, de dia já é meio sinistro...

Este é um mal das grandes cidades, o centro geralmente é o local aonde ficam os drogados, prostitutas, etc.. realmente é bom tomar cuidado, ainda mais sozinho.

Da última vez que fiz a Itupava a galera já tava bebendo no terminal... ::putz:: ... infelizmente isso é comum.

Aguardo o relato do Marumbi!!!

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  • Membros

Fala ai Tiago.

Muito bom o relato. Quando resolver retornar ao caminho de itupava, conte comigo. é só manter contato.

Vi que pretende ir a Serra dos órgãos. Não sei se conhece, mas recomendo muito. Em janeiro do ano que vem, vou visitar a terra natal e com certeza vou la me aventurar um pouquinho...rs. Muito bom o local. A travessia petro-tere é show.

 

Grande abraço

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  • Colaboradores

Muito obrigado Marcio!

 

Certo, avisarei você e demais parceiros de trekking assi mque retornar ao PR para novas trilhas e travessias.

 

Pretendo fazer a Transmantiqueira entre julho e agosto deste ano e no final da expedição fechar com chave de ouro na travessia da Serra dos Órgãos!

 

Abraço

 

Fala ai Tiago.

Muito bom o relato. Quando resolver retornar ao caminho de itupava, conte comigo. é só manter contato.

Vi que pretende ir a Serra dos órgãos. Não sei se conhece, mas recomendo muito. Em janeiro do ano que vem, vou visitar a terra natal e com certeza vou la me aventurar um pouquinho...rs. Muito bom o local. A travessia petro-tere é show.

 

Grande abraço

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  • Colaboradores

Caminho do Itupava é interditado por 90 dias

 

O Caminho do Itupava – localizado entre os municípios de Quatro Barras e Morretes, na região da Serra do Mar – será interditado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) a partir desta terça-feira (05/04). A estimativa é de que o local permaneça fechado por, no mínimo, noventa dias.

 

A medida é consequência das fortes chuvas ocorridas no mês de março, que causaram quedas de árvores ao longo do caminho. Vários trechos foram interrompidos, representando perigo aos turistas.

 

“A interdição é temporária e se deve aos grandes riscos de acidentes, assim como à dificuldade da caminhada e à possibilidade de os visitantes se perderem na Serra do Mar”, diz o presidente do IAP, Tarcísio Mossato Pinto.

 

Segundo ele, pelo menos 26 árvores estão caídas no trecho entre a Casa do Ipiranga e o término do trajeto. Em muitos pontos também ocorreram deslizamentos de terra, encobrindo as pedras e a trilha com lama e deixando o percurso escorregadio. Para garantir a segurança e a revitalização do local, uma empresa especializada na retirada de árvores caídas e lama será contratada.

 

O Caminho é uma das 68 Unidades de Conservação do IAP. O trajeto que preserva um pouco da história da colonização paranaense é uma antiga trilha jesuíta de 22 quilômetros, construída em 1625 para ligar o interior ao litoral do Estado. Além das paisagens naturais, os visitantes podem contemplar as belezas construídas pelo homem, como o Santuário de Nossa Senhora do Cadeado e a Casa do Ipiranga.

 

O interessante é que interditaram o caminho bem agora que começa a temporada do montanhismo no PR! ::putz::

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  • 3 semanas depois...
  • Membros

Muito bom mesmo Itupava, moro aqui na regiao ins 20 km do começo da trilha ja fiz uma vez só no fui de volta por falta de companhia

mais se tiver afim de fazer novamente so da um toque so parceiro de fazer a trilha, está interditada por conta das chuvas forste que deu na regiao

da serra da graciosa e cairam 26 arvores no trajeto, libera em junho de 2011.

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      Nanci Naomi
      http://nancinaomi.000webhostapp.com/
      Trilhas:
      Grupo CamEcol - Caminhadas Ecológicas Taubaté
      Relatos:
      23 dias no PR - dez/2018 - Parte 1: Natal de Curitiba | Parte 2: Morretes
      15 dias em SC - fev/2018 - Parte 1: Vale Europeu | Parte 2: Penha
      Paraty e Ilha Grande - jul/2015 - Parte 1: Paraty | Parte 2: Araçatiba e Bananal | Parte 3: Resumão das trilhas
      3 dias em Monte Verde - dez/2014
      21 dias na BA - fev/2014 - Parte 1: Arraial d'Ajuda | Parte 2: Caraíva | Parte 3: Trancoso | Parte 4: Porto Seguro
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      21 dias em SE e AL - fev-mar/2013 - Parte 1: Aracaju | Parte 2: Maceió | Parte 3: Maragogi
      21 dias em SC - jul/2012 - Parte 1: Floripa | Parte 2: Garopaba | Parte 3: Urubici | Parte 4: Balneário Camboriú
      8 dias em Foz do Iguaçu e vizinhanças - fev/2012 - Parte 1: Foz do Iguaçu | Parte 2: Puerto Iguazu | Parte 3: Ciudad del Est
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      Um final de semana prolongado em Caldas e Poços de Caldas - jul/2010
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      Um fds prolongado em Trindade e Praia do Sono - out/2009
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      De molho em Caldas Novas - jan-2008 | Curtindo a tranquilidade mineira de Araxá – jan/2008
      Mochilão solo: Curitiba e cidades vizinhas - jul/2007
      Algumas Cidades Históricas de MG - jan/2007 - Parte 1: Ouro Preto | Parte 2: Tiradentes
      9 dias nas Serras Gaúchas - set/2005 - Parte 1: Gramado | Parte 2: Canela | Parte 3: Nova Petrópolis | Parte 4: Cambará do Sul
       
    • Por douglasbastos
      Essa é a segunda vez que faço o Caminho do Itupava nesse ano.
      A primeira vez foi no mês de abril e agora dia 22/07 resolvi fazer o percurso novamente.
      Fomos de carro até o posto do IAP em borda do campo. Deixamos nossos dados com o funcionário do IAP e começamos a trilha exatamente as 9:00.
      A intenção era descer pela trilha até a Casa do Ipiranga, continuar pela trilha até o cadeado e continuar pela trilha até um descampado que tem cerca de 1h e pouco de caminhada apos o cadeado. La nesse descampado acampar e, no outro dia, caminhar até o posto do IAP e pedir um taxi para a rodoviaria.
      Tudo certo começamos a caminhada. A trilha é bem demarcada e fácil porem, cansativa. Caminhamos tranquilamente chegando ate a Casa do Ipiranga as 11:40. Esse percurso até o Ipiranga possui muita gente nos fds. nós cruzamos um grupo de umas 8 pessoas com muita bagagem, violao, sacos pendurados nas costas tanto que tinha um cara com um saco gigante cheio de tralha, pendurado nas costas por um fiozinho de varal ( imagina a dor que ficou no ombro). Na Casa do Ipiranga é o local que possui mais lixo, por mais que tenha um local do lado do trilho de trem que o pessoal costuma deixar os lixos, ha lixo espalhado pelo local. Ali na Casa do Ipiranga é onde a maioria do pessoal acampa, mas é tipo um pessoal mais largado, na maioria usuários de alcool e outras drogas ( não generalizando e sim, eu levo alcool pra beber também).
      Apos ficar um tempo na casa do Ipiranga e na cachoeira que tem ali do lado, comemos e resolvemos seguir a caminhada.
      Ai veio a mudança, já fizemos a trilha em abril e havia a curiosidade de fazer o percurso pelos trilhos do trem ( o que é PROIBIDO mas muita gente faz) Aproveitamos que havia um grupo grande fazendo pelos trilhos e fomos logo atras deles. Sinceramente pelos trilhos é bem mais fácil e bem mais bonito do que pela trilha. O primeiro local de parada foi na antiga usina, local muito lindo. Paramos la tiramos umas fotos, descansamos um pouco e seguimos pelos trilhos até Nossa Senhora do Cadeado. La paramos de novo pra descansar. Trocamos ideia com um cara que era quase o guia de todos la, tinha muito conhecimento de todo o itupava. Ele perguntou se iriamos continuar pelo trilho ou se iriamos descer pela trilha apos o cadeado pois ele iria pela trilha. Falamos que iriamos pela trilha pois iriamos acampar na clareira que havia depois de um rio ( nao lembro o nome) que dava 1h de caminhada do cadeado. Ele comentou que havia o camping do marumbi mas que so com reserva, mas que se nao tivesse cheio era capaz de conseguirmos vaga. Arriscamos ir para o camping , mas ai continuamos pelos trilho, o rapaz la nos orientou que era o percurso mais perigoso dos trilhos por causa da maior ponte que ha no caminho. Mas com atenção, da pra fazer tranquilo. Fomos caminhando pelos trilho, ai apos algumas pontes e tuneis chegamos ao Camping Marumbi as 15:45, conversamos com um funcionário da administração la e ele só anotou os nomes e liberou a entrada ao camping. No camping contei 3 barracas alem das nossas ( que também eram 3) e de noite chegou apenas mais uma mulher. O camping é TOP, tem banheiros masculinos e femininos, água potável nas torneiras, mesas para se alimentar, luzes nessas mesas e o melhor de tudo, BANHO QUENTE.
      Sem conta a vista, você acampa ali no pé do Conjunto Marumbi!
      Montamos acampamento, tomamos banho quentinhos, e fomos jantar. Ja estava escuro quando jantamos. Fomos dormir 20:40.
      Tirando o barulho do trem que passa ali do lado e parece que esta dentro da barraca, a noite é tranquila.
      Acordamos por volta de 8:00. Tomamos cafe da manhã , levantamos acampamento e continuamos a caminhada até o posto do IAP para dar baixa. ( aqui é so 800m de trilha até a estação Hugo Lange e depois 4,5km de caminhada pela rua até o posto do IAP. Chegando no IAP assinamos o livro la pra dar baixa e continuamos. Cerca de 0,5 - 1 km chegamos até uma casa onde tem o sr ( nao lembro o nome) que leva o pessoal para morretes por 10 reais por pessoa. Se for muita gente ele leva de kombi, como estávamos em 4 ele nos levou de uno.
      Chegamos na rodoviária 12:15 e pegamos o onibus para curitiba 12:45.
      Obs: Animais que vimos: Uma cobra pequena, uns 10 cm, mas parecia um filhote, saindo dos trilho e macacos, cruzamos com 3 grupos de macacos, eles tem medo da gente, você ve eles longe e quando vai se aproximando eles fogem. Um esquilo na nossa senhora do cadeado e um outro bicho que cruzou os trilhos próximo a estação Hugo Lange que não conseguimos identificar, mas parecia um gamba.
      Obs 2 : acampar no caminho do itupava é proibido, andar pelos trilhos também, não acampei no caminho mas andei pelos trilho. Podem me julgar!
    • Por peter tofte
      Ao ler um relato do Quiriri aqui no mochileiros, feito pelo amigo Otávio Teixeira de Freitas, grande paranaense de origem baiana, mencionei a ele que queria conhecer aquela região. De pronto ele me convidou para ir com a turma no feriadão (7/9, que em Curitiba emenda com 8/9 Padroeira da cidade). Coincidiu o convite com uma milhagem aérea que estava para vencer em dois dias! Não foi difícil decidir.
       
      Entretanto devido as chuvas e ao frio a turma cancelou a ida para o Quiriri. O tempo prejudicaria o visual. Assim acionamos o plano B: fazer o Itupava e conhecer um pouco do Marumbi, região lindíssima do Paraná, berço do montanhismo brasileiro.
       
      Segue abaixo fotos e o relato. O Otávio deve em seguida colocar mais fotos e melhorar/corrigir o texto.
       
      Saímos da Estação Guadalupe no Centro de Curitiba num ônibus municipal para 4 Barras, cidade da área metropolitana da grande Curitiba. Após 40 min. a uma hora chegamos no terminal 4 Barras e com mais 20 minutos de espera tomamos o busão para Borda do Campo, onde saltamos no ponto final, a poucos metros da entrada do parque. Levamos mais ou menos 1:30 hr do centro de Curitiba até lá. O ônibus estava cheio de "itupaveiros", uma tribo que frequenta a primeira metade da trilha. Uma característica deles é que gostam de usar roupas de camuflagem. Alguns já estavam bebendo aquela hora da manhã.
       
      As 9:40 começamos a descida após termos feito o registro no posto de controle do IAP. O caminho do Itupava, embora predominantemente em declive, tem uma série de subidas, especialmente nos vales formados pelos rios que descem a serra.
       


       
      O primeiro trecho não tem mata tão fechada. É considerado o mais perigoso na questão de assaltos (especialmente até a bifurcação para a cachoeira véu de noiva), por isto seguimos em silêncio. Mas foi tranquilo. Devido ao feriadão muita gente descia. Corredores de aventura vinham no sentido inverso.
       



       
      O tempo estava nublado, volta e meia chuviscava. Não deu para observar o Anhangava a nossa esquerda, num ponto conhecido como Boa Vista.
       
      Com 2:40 hrs de caminhada chegamos na casa do engenheiro e na roda d'água, no rio Ipiranga. A casa do engenheiro é agora uma casa abandonada, em ruínas. Nele vivia a família do engenheiro responsável pela manutenção da belíssima ferrovia que desce de Curitiba para Morretes, possivelmente a mais bela ferrovia do Brasil, e uma das maiores obras ferroviárias do País.
       


       
      Uma pena deixarem abandonada aquela casa bonita. Mais provavelmente era uma mansão. Restos de uma lareira, banheira e uma piscina vazia ao lado da casa, com um visual incrível para a mata. A ferrovia passa a poucos metros. Mais adiante, a beira do rio Ipiranga, uma roda d'água deveria fornecer energia elétrica para a residência.
       


       
      Pegamos a linha férrea subindo e com poucos metros descemos para um pontilhão que atravessava o Ipiranga, indo para a roda d'água. É possível observar ainda seus restos. Uma bonita cachoeira caia num poção metros adiante.
       

       
      Na margem esquerda do rio estava erguido um acampamento de itupaveiros. Uma coleção de tendas baratas com uma grande lona azul, parecendo um acampamento do MST, mas acho que o MST é bem mais organizado.
       

       
      O que me deixou mesmo chateado foi ver que estavam cortando árvores nas proximidades para alimentar a fogueira comunal, debaixo da lona. Não eram galhos mortos, troncos secos, eram árvores vivas. Assim aumentavam a clareira.
       
      A julgar pelo som que carregavam, bebidas e possivelmente "algunas cositas mas" as noites neste acampamento deveriam ser perfeitas para meditar, relaxar e ter um sono tranquilo.
       
      Ao menos vimos um grande depósito de lixo ao lado dos trilhos, mostrando que eles carregavam o lixo para um ponto onde o concessionário da ferrovia podia levá-lo. O mais correto seria eles mesmos levarem, mas enfim...
       
      Os itupaveiros são na maioria pessoas jovens e humildes. As mochilas e equipamentos deles são baratos e é algo difícil descrever como carregam as coisas nas costas. Devem passar frio e perrengues na mata. Calçados inadequados. Quando eu e Otávio passamos por eles, relativamente bem equipados para a prática de trekking, a impressão é que nos viam como aliens. Ora depreciativamente, ora respeitosamente.
       
      Os grupos organizados de montanha chamam este pessoal de Itupaveiros ou, jocosamente, de "malária", por causa dos estragos que fazem. Mas eles têm o mérito de querer curtir a natureza. O problema é a maneira inadequada, insegura, sem um mínimo de treinamento para trilhas e pouquíssima consciência ambiental.
       
      Mas o que mais me impressionou foi o relaxamento da fiscalização do IAP - Instituto Ambiental do Paraná. No posto de controle, no começo do caminho, alguns itupaveiros estavam com machados e facões bem visíveis, presos ao lado da mochila. Por que deixam entrar estes instrumentos? Os fiscais acham que eles serão usados para cavar buracos e enterrar fezes? Sei que o IAP enfrenta dificuldades por falta de verbas e interesse do governo do Estado, porém a negligência só depõe contra o instituto e torna questionável a sua existência.
       
      Embora acampar seja proibido em todo o trajeto, o governo estadual também não colabora. O camping inaugurado com estardalhaço, na estação Marumbi, está fechado por falta de pessoal do IAP. Se falta pessoal, por que não entregá-lo a um grupo voluntário? Seria uma concessão que demanda trâmites legais/licitatórios, mas com boa vontade sai.
       
      Depois de um lanche na borda da cachoeira, onde conversamos sobre estes assuntos, atravessamos de volta o pontilhão, tiramos fotos numa ponte ferroviária e voltamos a descer.
       

       
      A mata ficou ainda mais fechada. Faz pouca diferença se está chovendo ou ensolarado. Agora a trilha é bem histórica e conservada. É feita de pedras redondas retiradas do leito dos rios, por índios ou escravos no século 18 e 19. Se não colocassem as pedras os burros dos tropeiros cavariam com suas patas o caminho, fazendo grandes valas e buracos, que seriam erodidos pela água da chuva descendo. Como as pedras estão sempre na sombra, ficam úmidas o tempo inteiro. Para escorregar é facinho, facinho...Otávio disse que nesta trilha passamos a maior parte do tempo olhando para o chão. Para curtir a paisagem tem que parar de andar. De fato as unicas vezes que levamos um escorregão estávamos distraídos, conversando.
       
      O caminho de pedras lembra um pouco a Ladeira do Império, no Vale do Paty, Bahia.
       
      A floresta é luxuriante, belíssima. Profusão de árvores, palmitos, xaxins, bromélias, orquídeas, enfim, a vegetação que fez os naturalistas estrangeiros que visitaram o Brasil no século XIX descreverem nossa mata atlântica como uma das mais belas do mundo. As constantes chuvas que desabam nas encostas da Serra do Mar, do qual o complexo do Marumbi é uma de suas partes mais impressionantes, mantém a exuberância de vida nesta floresta pluvial.
       




       
      Um momento muito bonito foi quando baixamos para o nível das nuvens, passando por uma névoa no meio da floresta.
       

       
      A trilha passou a ter trechos bem íngremes de descida. Algumas vezes optei por usar a lateral do caminho, de terra. Embora não seja procedimento LNT - Leave No Trace, meus joelhos agradeceram. Algumas descidas tinham escadas de metal para ajudar.
       
      Após 1 a 2 hrs depois da roda d'água chegamos no Cadeado, ou melhor, no Santuário da Nossa Senhora do Cadeado, cruzando outra vez a ferrovia. Bonito lugar, com bela vista do Marumbi, bem encoberto pelas nuvens. Um esquilo comia tranquilamente uns coquinhos numa palmeira quase ao alcance da mão.
       


       
      Lanchamos e tirei fotos.
       
      Continuamos a descida. Com cerca de mais uma hora chegamos no rio, com ponte pênsil, sobre o rio Taquaral, o ponto mais baixo de nossa travessia, não longe da Usina. Uma coisa legal são estas pontes, várias no caminho, permitindo uma travessia fácil, segura e bonita dos rios. Numa tromba d'água devemos dar valor a elas!
       


       
      Passamos então a rumar para a Estação Marumbi. Saímos da trilha logo depois de uma pequena descida, que terminava numa escada de madeira saindo direto numa estrada de terra feita para 4X4. Eram 17:20. Concluímos o percurso de 25 km em aproximadamente 8 horas, contando com as paradas para lanche. Não foi rápido, mas o Itupava merece cuidado e não se tratava de uma corrida de aventura. Vale muito a pena parar volta e meia para observar a mata, com o silêncio apenas quebrado pelas arapongas e outros pássaros.
       
      Mal andamos 100 metros ladeira acima uma pickup parou e um casal gentilmente cedeu uma carona na caçamba. Que beleza! Economizamos 30 minutos de palhetada até a estação Eng. Lange. Eles seriam um de nossos vizinhos na casinha em que pernoitaríamos.
       

       
      Na estação tiramos fotos e passamos a subir para a estação Marumbi, por um caminho muito bem conservado. Chegamos na cabana de um amigo do Otávio, que emprestou a bonita casa no meio da mata. Na hora de abrir a porta descobrimos que a cópia da chave, recém feita, não funcionava. Resultado: dormimos na varanda sem comida quente porque não trouxemos fogareiros, contando com o fogão da casa.
       


       
      Mas deu para sobreviver com os sanduíches! No dia seguinte, o Mathias, outro amigo, veio de Porto de Cima e trouxe a chave salvadora.
       
      Neste dia, em virtude do tempo fechado e sem vista, desistimos de subir no Olimpo e fizemos passeios ali por perto. Aquelas casinhas do Marumbi são muito interessantes. Escondidas no meio da mata, tem poucos metros quadrados e nelas só chegamos a pé. A maioria dos donos é de marumbinistas, montanhistas do Marumbi. A melhor casa é a do Niclevitz, o maior alpinista brasileiro, que dessa maneira se mantém fiel a sua origem no montanhismo. Não se via lixo. Muita mata conservada. Subimos num mirante perto da estação para mais fotos.
       




       
      Pico Paraná entre as montanhas ao fundo.
       

       
      Grande obra de engenharia: viaduto em curva sobre um precipício.

       
      De noite bisteca de porco e arroz carreteiro para matar a fome de comida quente. Otávio e Mathias estão de parabéns como cozinheiros.
       
      Dia 07/09, manhã bem nublada. Descemos pela trilha do guarda, com mata fechada, até uma estrada de terra, onde pouco adiante Mathias deixou o carro estacionado. Seguimos para a bonita e arrumada cidade histórica de Morretes, lotada de turistas, onde comemos um típico barreado. Passeamos pela cidade e depois subimos para Curitiba pela Graciosa, que merece o nome, uma das mais bonitas rodovias no País. Soubemos que pouco depois de nossa passagem, chuvas derrubaram uma árvore que bloqueou a rodovia.
       
      Conheci assim mais um pouquinho das belezas do Paraná, graças aos amigos Otávio e Mathias, ficando devendo a eles uma guiada pelo Vale do Paty, na Bahia!

    • Por DaniloDassi
      Vou contar um pouquinho desse caminho que é maravilhoso, mas traiçoeiro!
       
      Tudo começou meados de junho de 2007, quando alguns caminhos ficou sabendo da existencia do Pico Paraná e da fazenda.
      Começou assim os planos para fazer uma visita a região.
      Em setembro houve aquele incidente terrível na fazenda... o fogo tomou conta do Morro Getúlio e parte do Caratuva. Felizmente, com ajuda de muito voluntário, o fogo foi contido. Assim pudemos continuar nossos planos.
       
      Como somos do Norte do Paraná, queriamos aproveitar tudo, ou quase, que a serrinha paranaense poderia nos dar.
       
      Montado o cronograma:
      Fase 1: Fazenda Pico Paraná (Caratuva, Itapiroca e Pico Paraná);
      Fase 2: Caminhos de Itupava;
      Fase 3: Conjunto Marumbi;
      Fase 4: Um merecido descanço na Ilha do Mel;
       
      E assim fomos, partimos dia 04 de janeiro de 2008.
      Nesse espaço, vou contar apenas sobre o ITUPAVA, futuramente relato o restante da "prezepada"
       
       
      Para chegar no início do caminho (partindo de Curitiba) é simples:
      Ônibus de Curitiba até Quatro Barras - PR;
       
      No terminal de Quatro Barras, aguarde por uma "circular" até o bairro de Borda do Campo. Você pode aguardar tomando um ótimo "pingado" e comendo exelentes salgados na lanchonete do terminal. Não sei se são realmente bons ou a fome causada pelos dias a base de miojo no Pico mudaram o gosto dos lanches...
       
      Dentro do "busão", vá se preparando... filtro solar, bermuda, camiseta, repelente, calça comprida, blusa, capa de chuva e mochila nas costas. O clima ali muda a cada 5 segundos!
       
      Aguarde até o ponto final. Normalmente o ónibus está fica estacionado lá no final. Nós ficamos aporrinhando o motorista a cada ponto: "Esse é o final?" - "Agora é esse?" - Não sei como ele não jogou a gente pra fora... hahahahahaha.
       
      Descendo no último ponto, inicie uma cansativa caminhada de 100 mts até o início da trilha, que é marcada por amistosos trabalhadores do IAP e seu "treiler". Não confie muito no papo dos estagiarios dentro do trailer, prefira obter informações do "anciões" que por ali ficam, com seus chapeis de palha, óculos tipo Ray-Ban e facão de 1 metro.
       
      Pegamos um maldito mapa ali com o pessoal do IAP e fizemos nossos cadastros . Vocês vão saber o motivo do "maldito" em breve.
      Ali você tem informações de quase tudo, principais pontos, distâncias (em número, ignore os desenhos no mapa e eventuais distâncias escalares (MALDITO MAPA!!!!)).
       
      == INFORMAÇÕES DO MAPA ==
      Caminho completo: 16.4km
      Nível de dificuldade: Fácil
      Obs: Evite dias chuvosos. (O sol tava de rachar mamona)
       
      O início da trilha é bem tranquilo. Quase sempre descida ou plano, caminho bem largo, quase sempre sem vegetação resbalando nos pés.
      Com um pouco de caminhada, começa a subida com o Pão de Loth a frente. Chão de terra, poeiras nos olhos e sol nas costas... URRU!!! Vamo que vamo!
       
      Depois de passar o Pão de Loth, começa a descida da serra, aonde tem a Pedra do Descanso e uma pequena gruta com agua gelada e fresca. Pegue agua caso não tenha levado.
       
      Até então, sol fortíssimo e calor terrível. Um pouco mais a frente começa realmente o ITUPAVA (caminho de pedra).
      Muito cuidado nesse calçamento, se o dia estiver úmido e/ou chuvoso, tombos serão constantes (eu que os diga).
       
      Logo estavamos na CASA DO IPIRANGA, com sua arquitetura colonial e pichações neo-colonial. Um terrível descaso... muito triste ver o estado que a mesma se encontra.
       
      Os trilhos estavam em reforma, então tinha um pessoal lá "acampado". Conversamos com um senhor muito gente boa, que até passou um cafezinho e estava preparando um pão. Deixamos nossas "pequenas" mochilas com ele e fomos até a pequena hidroeletrica desativada, com sua roda d'agua (ou o que sobrou dela) e cachoeiras. Para chegar lá, pegue a direita nos trilhos na Casa do Ipiranga e siga por 300 metros.
       
      "Entre a Casa do Ipiranga e a descida do Cadeado o caminho é bem tranqüilo e reserva poucas surpresas." É isso que dizia em uma folha que levamos impressa. Caminho TRANQUILO???
       
      A chuva nos deu uma sensação diferenciada.... cargueira de 15kg nas costas e pedregulhos molhanos abaixo dos pés. Combinação maravilhosa, que gerou gargalhadas constantes.
       
      Até que... "Galera, era pra gente já ter chegado na NS. do Cadeado, segundo a "escala" do mapa!". Anda anda anda e naaaada de encontra essa NS. Já tinha gente fazendo promessa!!! HAIuohAAAUhuaha.
       
      O tempo estava feio, quase não se via raios solares, então já começa a escurecer. Geral com fome, muita fome. As barrinhas de cereais já tinham se acabado e o que restara? Um saco de uvas passas! Nunca me deliciei TANTO com uvas passas!!!!
      Nessa hora que paramos para o "jantar", meu joelho me matava. Dor terrível que vinha aumentando a cada passo.
       
      Mas vamos voltar a caminhada. Lindos caminhos forrados de flores, arvores incrivelmente altas e quando a chuva dava brechas, borboletas e passaros ensaiavam alguns voos.
       
      "Do alto do morro o caminho se precipita em inclinados e escorregadios zig-zags, onde é quase impossível não escorregar, até a famosa passagem do Cadeado aberta à pólvora pela expedição do Tenente Coronel Sampayo, quando se mudou em definitivo a trajetória do caminho. A seguir aparece uma escadaria de ferro, os trilhos da ferrovia e o Santuário de N. S. do Cadeado."
       
      Poucos minutos de caminhada e lá estava a NS do Cadeado! O que antecede a mesma é uma "escada" que deve ter sido projetada para anões. Do corrimão ao degrau deve ter uns 30 cm.
       
      Chegada na NS. do Cadeado. Uns pagando promessa, outros devorando meio kilo de paçoquinha. Nunca vi meio kilo de paçoca sumir em menos de 2 minutos.
       
      A vista dali é incrível. O santuário fica num "platô", no meio da serra. Abaixo todo o resto do caminho, conjunto Marumbi e ao fundo já da pra ver o mar.
       
      Não ficamos mais de 10 minutos por ali. A chuva voltou a cair e quase não havia mais sol. Era 19hs e tinha muito chão até o "Marumba".
       
      O resto da trilha foi rápido. Passando por pontes que lembram a Golden Gate em menor escala, muito divertidas por sinal.
      Até a última escada, onde derruba o pião cansado com seus degraus desnivelados.
       
      Agora outra dúvida:
      Esquerda = Centro de visitação
      Direita = Marumbi
       
      "Pela escalada do MAPA, o Centro ta mais próximo. Estamos com frio, cansados, vamos pra lá e depois vemos o que fazer"
       
      Perto é uma pinoia!!!!! Caminhamos uns 30 minutos em baixo de uma chuva gelaaaada! O chão de cascalho continua a derrubar o pessoal... até que...
       
      Mais uma vez o IAP aparece. KIKO era o nome do anjo que veio nos resgatar. Ele era o "gerente" do Marumbi e estava indo para PORTO DE CIMA levar uma carga de extintores. Pegamos carona com ele. Chegamos a CENTRAL DE VISITAÇÃO, demos baixa nos nossos nomes e seguimos pra cidade.
       
      Depois voltamos ao MARUMBI... mas ai já é outra história.
       
      Infelizmente não tenho uma boa memória para contar detalhes sobre a trilha. Estava com uma dor terrível no joelho o que me fez não prestar muita atenção.
       
      No geral a trilha é muito boa, tranquila e segura. Em dias de sol né... porque na chuva muda tudo! Hahahahahaha.
       
      Vale a pena conferir!
       
       
      Qualquer dúvida é só postar.
       
       
      Um grande abraço a todos!
       
       
      Danilo
    • Por divanei
      Trilha do Itupava
       
       
      Poderia ser o século 17 ou 18. Poderia ser um caçador de antas. Poderia ser um bandeirante atrás de ouro, pedras preciosas ou a fim de aprisionar alguns índios. Poderia ser um tropeiro montado em sua mula garbosa a caminho do litoral. Mas não, o sujeito que desce o histórico caminho, é um cara magrelo de cabelo amarelo. Carrega em sua “cacunda” uns vinte quilos de equipamentos e comida. Desce a passos lentos, preservando a sua bunda das pedras lisas polida por séculos. Descendente de portugueses e espanhóis carrega em seu DNA, os genes dos exploradores da Península Ibérica. Talvez faça parte da tribo dos bandeirantes modernos. O que o move montanha abaixo é o amor incontrolável pela natureza. È uma curiosidade que não sabe de onde vem. Precisa ver, explorar, sentir o cheiro do mato, o frescor do vento, ouvir o barulho das águas, dos pássaros, subir a montanha misteriosa e ver o mundo lá de cima. Só para se sentir livre, procurar um sentido pra vida, apenas se sentir feliz........
       
      Claro, eu já tinha ouvido falar do histórico Caminho Colonial do Itupava. Mas nunca me interessei em fazê-lo por achar curto de mais para valer uma viagem ao Paraná. Outro lugar que eu sempre quis conhecer foi o Parque Estadual do Marumbi, mas as informações que eu tinha era a que para acessá-lo seria preciso pegar o famoso trem Curitiba-Paranaguá. A dificuldade de conseguir comprar passagem para o trem, chegando de São Paulo em um feriado era muito grande, geralmente já estava lotado dias antes. Tinha uma outra opção, que era a de ir até Morretes, conseguir um transporte até um lugar chamado Porto de Cima e depois andar não sei quantas horas até a estação do Marumbi. Achei trabalhoso demais e então fui deixando de lado. Até que descobri, relendo um antigo guia do Marumbi, que o tal caminho vindo de Porto de Cima era a própria trilha do Itupava. Ai sim, ligar a trilha histórica com o espetacular Marumbi poderia ser um passeio imperdível.
       
      Aproveitando o fiasco da nossa seleção e também o feriado paulista da Revolução de 32, embarquei de Campinas para São Paulo e de lá para Curitiba, aonde cheguei ás cinco da manhã. Enfrente da rodoviária, peguei a larga avenida para a esquerda, quando cheguei ao posto de gasolina,virei a direita na Av. João Negrão e em mais cinco minutos cheguei ao terminal de ônibus Guadalupe.Imediatamente já peguei o ônibus para Quatro Barras. Bem, quase imediatamente. O veículo não pegou e o motorista convidou todos os passageiros para empurrar. Senti-me na Bolívia. A aventura começou.
      Meia hora depois o ônibus encostou na rodoviária de 4 Barras e no próprio terminal peguei o ônibus para o bairro de Borda do Campo e em outra meia hora já estava saltando no ponto final.
      Do ponto final, segui em direção a montanha do Anhangava, parcialmente encoberta pela densa neblina da manhã. Cinco minutos pela estradinha de terra já avisto o posto de fiscalização do Instituto Ambiental do Paraná e a placa de concreto que demarca o início da Trilha do Itupava. No posto de fiscalização sou muito bem recebido, coisa rara em se tratando de órgão ambiental, preencho um breve cadastro e sem muito frescura sou liberado para iniciar a caminhada. Sem pagar taxas, sem encheção de saco ou outras aporrinhações.Quando penso que descerei a trilha sozinho, me aparece uns 40 soldados da polícia da Aeronáutica para me fazer companhia. Deixo os soldados para trás e sigo em frente por uma trilha bem aberta, quase uma estradinha e em pouco mais de cinco minutos estou em uma pedreira abandonada e faço logo uma parada para um breve café da manhã, afinal já são quase 8 horas e até agora não comi coisa alguma.
       
      Retomo a caminhada e em mais cinco minutos chego a uma grande clareira, onde uma placa indica o caminho a seguir. A trilha passa por um riachinho e começa a subir e em mais uns 10 minutos a trilha quebra a esquerda, desce por uma escada de troncos, passa por uma pinguela sobre um brejo e 15 minutos depois chega a uma bifurcação, na qual pego para a esquerda e então por mais uns 15 minutos sobe um pouco e depois volta a nivelar. Mais 10 minutos de caminhada chego à placa que demarca o início dão Parque Estadual da Serra da Baitaca e finalmente aparece o calçamento original da trilha histórica. Surpreendentemente com um nível de preservação incrível, deixa o calçamento da trilha do Ouro na Serra da Bocâina no chinelo.Um minuto depois é preciso tomar cuida para não errar na bifurcação e então pego para a direita e nessa hora sou ultrapassado pelos soldados. Vou seguindo esses pobres coitados, como se eu mesmo fosse o fiofó de tropa. Sigo atrás me cagando de tanto rir de ver os tombos dos caras. Tinha um tal de soldado 01 que os oficiais pegaram para Cristo. O “coió” não parava de pé. Os oficiais diziam que ele era incapaz de cantar e andar ao mesmo tempo. Os próprios oficiais me pareciam meio tontos, totalmente despreparados para a empreitada que se dispuseram a fazer. Todos armados até os dentes, carregando trambolhudas caixas de primeiros socorros e outras coisas que me pareceu inúteis para uma simples caminhada de apenas um dia. Por falar em trambolho, testei nesta trilha um dispositivo protetor anti cobras “tabajara”.Depois do acidente com a peçonhenta jararaca na Ilha Grande, caminhada feita no último carnaval, resolvi testar a perneira de couro, que eu havia ganhado a mais de 10 anos , mas nunca tinha usado por achar pra lá de inútil.
       
      Uma hora e meia de trilha e chegamos a uma grande ponte de madeira e depois de uns 15 minutos a trilha passa por alguns riachos e sai em campo aberto e finalmente vejo a cara do sol. 10 minutos depois passa por uma pinguela de três troncos e não demora muito atravesso a grande ponte pêncil sobre o Rio Ipiranga e chego à própria ruína da Casa do Ipiranga.
      A casa do Ipiranga foi construída para ser morada do engenheiro chefe da ferrovia e depois serviu como clube de laser, até ser totalmente abandonada quando a ferrovia foi privatizada. Hoje só restam as paredes do que foi quase uma grande mansão, que contava até com uma enorme piscina feita de pedras. Aproveitei que os milicos pararam para lanchar, atravessei a linha de trem e interceptei a trilha do outro lado, escondida sob vegetação rasteira. A trilha sobe um pouco e depois nivela e então começa a descer de vez.
      Agora sozinho, vou andando em silêncio e pensando nos coitados que perderam suas vidas construindo este histórico calçamento. Quantos escravos e muitos outros sofreram para trazer estas pedras até a trilha e depois montar este enorme quebra-cabeça. Estar trilhando este caminho é estar pisando em séculos de história do Brasil e também......sleeept, sleeeept , ....poooofttt !!! E lá fui eu com a cara no chão. É isso aí, o caminho do Itupava não é lugar pra devaneios e divagações. Se você perder a concentração vai acabar conhecendo a dureza da história com a bunda .
       
      A trilha desce por dentro da mata até chegar a uma bela cachoeira, onde aproveito para fazer um lanche e logo sou ultrapassado pelos soldados. Retomo a caminhada, agora na traseira dos soldados. O caminho volta a subir e depois começa uma grande descida, íngreme e escorregadia. Que o diga o soldado 01, levantou as duas pernas pra cima e foi parar uns dez metros trilha abaixo, quase levando toda a tropa junto com ele.
      Não demora muito chegamos à passagem do cadeado. Até 1770 só homens passavam pelo caminho, mas a partir desta data abriram uma passagem na montanha utilizando explosivos e assim deu se passagem para os animais de carga. Depois da fenda instalaram escadas de ferro para amenizar a grande descida até a linha de trem, onde foi instalado a capela de Ns do Cadeado. Antes de atravessar a linha do trem um dos socorristas enfiou a perna em uma fenda e ficou gritando de dor, por sorte não quebrou. Os soldados o carregaram até a capela para ver o que dava pra fazer com ele. Todos os soldados pararam para um novo lanche e eu segui enfrente pela trilha calçada e bem sinalizada. Logo encontro um bando de macacos fazendo a maior algazarra nas árvores. Chego de supetão a ponte sobre o Rio São João,enorme ponte pencil. Atravesso o rio e viro a esquerda me valendo de outras pinguelas de madeira até tropeçar na ponte pêncil do Rio taquaral. A trilha nivela e em pouco tempo chego ao seu final, que fica junto a uma escada de madeira que acaba direto na extreitíssima estradinha de terra.
       
      A trilha calçada ficou pra trás. Foram mais de sete horas de caminhada por cima de grandes pedras lisas que aos poucos vai minando as energias da gente.A trilha é catalogada como semi-pesada, mas pra mim qualquer trilha de mais de 3 hora que se faça com uma mochila de quase 20 quilos é sempre hiper , super,mega, pesada. Meus pés estão destruídos, o tempo voltou a fechar e não demora muito vai desabar um temporal, por isso me apresso. Na estradinha subo para a direita e em meia hora dou de cara com a estação Engenheiro Lange. O “guardião da estação” me indica o caminho para chegar a estação do Marumbi.A trilha sai ao lado de uma pequena caixa d’água, sobe por um minuto e novamente encontro o trilho do trem,Viro a direita e ando por uns 50 metros .Atravesso o trilho e subo pela escadinha do outro lado e em 10 minutos passo por um riacho e logo chego na estação Marumbí. Enfrente dela encontro a sede do Parque Estadual do Marumbí.Sou muito bem recebido. Preencho um simples cadastros e sou logo encaminhado para o camping do parque.
      Fique totalmente surpreso com o que encontrei. Na minha imaginação o Marumbi seria um lugar cheio de casas, com pequenos bares e área de camping. Mas não, o lugar é totalmente simples, pacato, bucólico. O único camping pertence ao parque e, pasmem gratuito. Com chuveiro de água quente e tudo. Um ótimo gramado, tudo bem organizado. Nem parece Parque Estadual.
       
      Monto a minha barraca e enquanto minha janta cozinha, vou tomar um banho quentinho. O local está vazio,existe somente mais duas barraquinhas montadas por aqui e só na boca da noite uma galera vindo de São Paulo veio se juntar a nós .O Marumbi está totalmente encoberto pelas nuvens e ficamos torcendo para que o tempo melhore no outro dia para podermos escala-lo.Janto muito bem e as sete da noite me recolho para dentro do meu saco de dormir, afinal de contas foi um dia cansativo.
      O dia amanhece encoberto, mas aos poucos as nuvens começam a se dissipar, empurradas pelo vento. O Marumbi aparece. Meu deus, como é gigante!!! Conheço uma centena de montanhas no Brasil e com certeza o Marumbi foi o que mais me impressionou. A visão da Torre dos Sinos por entre as nuvens é de assombrar. Eu sempre achei a visão do Dedo de Deus, na Serra dos Orgão-RJ,a mais incrível do Brasil, mas o Marumbí é espetacular.Olhando de baixo parece ser impossível chegar ao topo apenas caminhando. Não há foto que descreva a monstruosidade desta montanha hipnotizante.
       
      Aproveito a companhia da galera gente boa de Sampa e sigo até a sede do parque para fazer o cadastro da subida. A nossa intenção é subir pela trilha frontal(fitas brancas) e descer pela noroeste(fitas vermelhas). A trilha frontal nos levará direto para o topo do Marumbí, conhecido como Olimpo. Saindo ao lado da sede ,fomos seguindo as fitas brancas. No começo a trilha tem pouca subidas e vai se enfiando mata a dentro até chegar a cachoeira dos marumbinistas , onde paramos para um gole de água fresca. Atravessamos o riacho e começamos a subir sem dó.
      O nosso grupo é formado além de mim, por mais 8 pessoas, sendo dois meninos de pouco mais de dez anos, dois nativos parentes dos outros quatro paulistanos.
      Narrar a subida até o topo do Monte Olimpo é ser repetitivo o tempo todo. Praticamente não há trilha é só escalada. È um tal de segura em árvore, segura em raiz, trepa em pedra, agarra em barranco, até que umas duas horas depois finalmente chegamos a uma grande parede vertical, onde descendo a esquerda se pode conseguir um pouco de água. Os garotos iam a frente firmes e fortes, sempre seguidos de perto por mim e pelos nativos, que sempre lhe davam segurança. Os meninos fizeram bonito, escalavam feito gente grande e se divertiam muito. Mas esta montanha não é brincadeira de criança não, muito provavelmente seja a montanha de maior inclinação de todo o Brasil. Em nenhum outro lugar encontraremos tantas proteções artificiais colocada em uma só montanha. São grampos , cordas , correntes, pinos, etc... O pessoal fez um trabalho realmente fantástico por aqui. Sem o trabalho destes bravos montanhistas ninguém chegaria ao topo sem o uso equipamentos de escalada.
       
      Chegando, portanto a parede vertical, começa a subida das correntes e grampos. Quem tem medo de altura terá que voltar. O bicho pega de vez e todo cuidado é pouco, um descuido pode ser fatal. A garotada dispara na frente, doidas para atingir o Olimpo. Mas o tempo está fechado e eu não me animo muito e vou subindo aos poucos. Minhas pernas já estão em frangalhos devido à caminhada do dia anterior.
      Pouco tempo depois ouço o grito frenético da garotada. Finalmente chegaram ao topo!! A chuva começa a cair quando chego na bifurcação e encontro da trilha frontal com a trilha noroeste. Pego para a direita , passo por uma grande fenda e ao meio dia e meia, atinjo o topo dos 1.539 do Monte Olimpo.
      Faz um frio desgraçado, chove pra valer e infelizmente não consegui enxergar um palmo a frente do nariz. Eu poderia estar super decepcionado, mas quase duas décadas de montanhismo fez com que eu me acostumasse com isso. È um estímulo para voltar outra vez. No topo há um livro de cume e para não fazer concorrência a inúmeras mensagens religiosas, escrevo um palavrão blasfemando contra a montanha que não me deixou ver coisa alguma. Tiro algumas fotos do nada e começo a descida. Volto à bifurcação e envez de voltar pela frontal, prefiro descer pela noroeste, seguindo agora as fitas vermelhas. Aperto o passo e encontro novamente a galera e os garotos. Seguimos em nível por um tempo, mas logo começa desgraçadamente a descer. A garotada murchou com a chuva e o frio, parecem agora criançinhas de colo, precisam de ajuda para tudo. Na verdade nós todos estamos fragilizados com o mau tempo que nos açoita sem dó nem piedade. Há lugares tão íngremes pra descer que às vezes somos obrigados a abrir mão da corda que levamos. Tudo parece liso e perigoso com a chuvarada. Os músculos não respondem como antes. Vamos cruzando por penhascos e paredões arrepiantes, até chegarmos a uma espécie de caverna. Um monte de blocos empilhados parecendo formar uma grande passagem para outro mundo.
       
      Segurando nas perigosas correntes, atravessamos o grande portal para descobrir que o mundo do outro lado era o mesmo mundo frio, gelado, molhado e perigoso de antes. Pelo que ouvi falar, havíamos chegado ao tal desfiladeiro das lágrimas. A minha vontade era mesmo de chorar. Fiquei parado no meio de umas correntes gigantescas, com um abismo liso embaixo dos meus pés. Naquele momento achei que já estava velho pra aquilo. Eu estava realmente sofrendo com tanto frio, mas quando olho pra trás e vejo os outros companheiros, alguns com a metade da minha idade, com um sofrimento ainda maior que o meu. Sigo enfrente decidido a não me entregar, pensando somente no banho quente e na comida, idem.
      Vou pulando de pedra em pedra, de galho em galho,de corrente em corrente, de grampo em grampo, escorregando montanha abaixo, caindo, levantando, tropeçando, xingando, amaldiçoando, até que as cinco da tarde chego cambaleando no acampamento. Jogo a mochila no chão, tiro a minha roupa e me jogo pra debaixo do chuveiro de águas super quentes.
      Meia hora depois começa a chegar o resto do pessoal. São uns fiapos de gente. Como eu, também foram trucidados pelo mau tempo da montanha. Arrastaram-se até o acampamento e chegaram em segurança, inclusive os garotinhos.
      Banho tomado, fui preparar a janta. Grão de bico, macarrão instantâneo com pedaços de queijo defumado e suco de graviola. E de sobremesa, geléia de mocotó. Comi até não agüentar mais andar. Estendi o saco de dormir, entrei dentro e apaguei.
       
      Lá pelas duas da madrugada acordo com o barulho ensurdecedor do trem de carga que vem descendo a serra. O estrondo é tão forte e tão alto que parece que o mundo está acabando. Só percebo que o apocalipse não chegou porque sinto um frio de doer e que eu saiba o inferno é bem quentinho. Lá fora a chuva não dá trégua. Dentro da minha barraca tem um palmo de água. Estou molhado dos pés a cabeça. Surpreendentemente desta vez a culpa não é da barraca, mas toda minha. Montei minha casa em um buraco e agora eu estava pagando pela minha burrice. Mesmo assim não me animei em enfrentar o temporal para mudá-la de lugar. Logo o sol nasceria e com ele viria um novo dia, um dia quentinho para alegrar a alma, porque as coisas ruins não durão pra sempre.
      Enfim o dia amanhece não tão quente, mas não chove mais. Ponho tudo pra secar e enquanto a água do café ferve, vou desmontando a barraca. A intenção é pegar o trem das 10h30min para Morretes . Eu estava afim de ir conhecer umas das maiores atrações da região. Eu poderia caminhar umas duas horas até a vila de Porto de Cima e de lá pegar o ônibus, mas meus pés estão em carne viva. A descida do dia anterior me deixou no bagaço e a melhor solução seria mesmo o trem histórico. Seria também a oportunidade de conhecer um pedaço de um dos símbolos da engenharia ferroviária mundial, a Ferrovia Curitiba-Paranaguá, construída ainda no tempo do império.
      Ói, ói o trem, vem surgindo de trás das montanhas azuis, olha o trem.
      Ói, ói o trem, vem trazendo de longe as cinzas do velho éon.
      Ói, já é vem, fumegando, apitando, chamando os que sabem do trem .......
      Ói, olhe o céu, já não é o mesmo céu que você conheceu, não é mais.
      Vê, ói que céu, é um céu carregado e rajado, suspenso no ar..................
       
      Um dos amigos da capital ficava cantarolando esta música do Raul Seixas, toda vez que um dos trens passava. Eu me sentei no chão da estação e fiquei acompanhando o espetáculo das montanhas do Marumbi (montanha azul, em tupi) que conforme o vento soprava aparecia e desaparecia. A grandiosidade da imagem realmente não é possível descrever. Aquela foto de propaganda com a estação e as montanhas acima é ridícula. Pessoalmente tudo é gigantesco, encantador, surpreendente e pensando bem, o próprio maluco beleza poderia ter escrito a musica sentado na estação.
      O trem chega à estação às 10h30min em ponto e quando pára, somos alvo de dezenas de fleches das fotos tirada pelos passageiros. Viramos atração turística. Parece que todo mundo queria guardar uma recordação dos maloqueiros de mochilas enormes nas costas. Mas quando subimos a bordo e o “povo branquinho” de olhos azuis, que acendem suas lareiras com notas de cem, nos viram, fizeram uma cara de nojo e de reprovação. Afinal eles pagaram passagem de primeira classe e não esperavam passar por isso. Sem nos importarmos muito, nos acomodamos em nossos bancos e fomos curtindo a viagem, até que o trem chegou à minúscula Morretes.
       
      Despedi-me dos novos amigos de São Paulo e segui para pequena rodoviária a fim de comprar logo minha passagem para Curitiba. Escolhi um horário na parte da tarde, pois queria conhecer a cidadezinha e sua maior atração. Voltei para estação de trem e entrei no pequeno restaurante e pedi logo o tal de barreado, talvez a maior atração gastronômica do sul do Brasil. Eu estava faminto, mas nem se tivesse passado um mês sem comer, teria conseguido ingerir tudo aquilo. Bolinho de peixe, maionese, torrada, vinagrete com frutos do mar, patê sei lá do que, laranjas, bananas, farinha, arroz e claro, o barreado, que era várias carnes e muitos temperos cozido por 12 horas até se desmanchar e a tudo isso se juntava três colheres de farinha de mandioca, formando uma mistura de aspecto horroroso e gosto delicioso. A comida dos escravos que virou coqueluche internacional, um símbolo da Serra do Mar paranaense. Comi tanto que sai transando as pernas e então me arrastei até a rodoviária onde embarquei às 16 horas, via Estrada da Graciosa, outra grande atração da região, chegando à noite na capital do Paraná e de lá embarquei para São Paulo.
       
      E foi assim que transcorreu mais uma viagem pelas incríveis paisagens da Serra do Mar paranaense. Provando mais uma vez que ainda é possível se surpreender com a nossa Mata Atlântica, mesmo depois de dezenas de trilhas e travessias por esta que é sem dúvida um dos grandes ecossistemas do mundo. E ainda ficou aquele gostinho de quero mais e a promessa de voltar com um tempo um pouco mais favorável para poder sentar no topo daquela fantástica montanha. E avistando lá de cima o mundo medíocre, consumista e egoísta em que vivemos, poder ter a certeza de que estamos trilhando um caminho diferente, um caminho de volta ao passado, de volta a história, de volta as nossas origens, de volta a um tempo em que éramos livres para sermos nós mesmos, um tempo em que ainda podíamos ousar, sem medo de ser feliz.
       
      Divanei Góes de Paula – Julho/2010
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