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Após termos feito a travessia Garuva-Monte Crista no feriado de Corpus Christi comecei a pensar na próxima aventura. Tínhamos planejado ir até a Pedra da Tartaruga durante a travessia, aproveitando que tínhamos 4 dias, mas vimos que não seria possível. A subida forte do Monte Garuva (de mais de 1.100m de desnível) e o começo um pouco tarde mudou nosso planejamento, e abortamos a caminhada até lá.

Quando encontramos a turma que fez a travessia do Araçatuba eles também tinham a mesma vontade (conhecer a P.Tartaruga) pois quando passaram por lá não puderam nem visualizá-la. Aproveitando que já estaríamos lá perto, no domingo a idéia era esticar até o marco da divisa, obelisco edificado no meio do nada depois da Guerra do Contestado, que demarcou a divisa atual dos estados do PR e SC.

 

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Então já tinhamos decidido o destino, faltava torná-lo possível. Eu pensava em subir de carro até a Fazenda Alto Quiriri, mas precisava descobrir o caminho (lembra do desnível de +/- 1.100m?). Acabei achando um colega jipeiro que já tinha subido lá de carro, e resolvi perguntar se ele tinha o tracklog... e a resposta foi sim!!! O track da P. Tartaruga e marco da divisa peguei com o Tiago, quando ele fez a travessia Monte Crista – Araçatuba.

A primeira parte já estava resolvida, como chegar a fazenda, agora faltava resolver como passar por lá de forma legal, sem invadir a propriedade.

Eu já sabia que a fazenda era da Ciser (industria de parafusos de Joinville), mandei um e-mail p/ o fale conosco do site deles e recebi de resposta o e-mail da Michele, que trabalha na Hacasa. Ela foi super solícita, e nos enviou a autorização sem problemas.

Então pessoal, quem quiser repetira a façanha já sabe, envie um e-mail p/ a Michele ([email protected]) com nome RG e CPF que ela manda a autorização. Depois é só imprimir e entregar para o capataz da fazenda, que abre a porteira p/ estacionar as viaturas dentro da propriedade. Fazendo assim sempre teremos acesso aquele lugar abençoado.

A previsão do tempo não era das melhores, chuva no domingo, mas fomos assim mesmo. A turma se animou com a caminhada menos puxada (lembra do desnível de +/- 1.100m?) e participou em peso, fomos em 18 pessoas. Estávamos em dois jipes (meu e do Getúlio) e três carros “normais”. Já sabíamos que a estrada serra acima era um pouco encardida, por isso a necessidade dos 4x4.

 

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Na ida, com tempo seco, foi tudo bem. Apesar de algumas subidas mais cabeludas todo mundo chegou bem na fazenda. Mas na volta....

Autorização na mão, paramos as viaturas no início da subida do Bradador (também conhecido como morro da Antena), dentro da Faz. Alto Quiriri.

Últimos ajustes nas mochilas e começamos a trilha (na verdade a estrada de manut. da antena) que fica a esquerda da porteira. Subida livre e desimpedida, como toda a caminhada nos campos do Quiriri. Essa é uma característica muito legal de lá, caminhar sempre por campos de altitude, com visual desempedido... a não ser quando as nuvens baixam, o que é uma constante na região, que fica próxima ao litoral.

 

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Chegando ao cume do Bradador começa a descida pela face norte do mesmo, descida forte...

Miguel, que foi apenas fazer um ataque e iria voltar no mesmo dia, foi na frente, pois estava leve e a galera toda de cargueira.

Na descida do Bradador avistamos um animal que não conseguimos identificar; parecia uma fuinha, com o corpo comprido, pelo preto e farto e grande rabo. Serginho, que estava mais próximo do bicho disse que ele tinha cara de gato... Thomas conseguiu fazer uma filmagem da encosta do Bradador, eu já estava na subida do morro subseqüente aguardando o pessoal. Todos viram o bichano pulando pelo campo, pois o primeiro que o avistou avisou no rádio. O mesmo rádio que nos salvou mais tarde...

 

Olha o bicho!!!

 

Na descida tivemos uma baixa; Ingrid torceu o pé acabou retornando, com Thomas e Miguel . Agora éramos 15.

A caminhada prossegue sentido nordeste, em direção do Morro Padre Raulino. A trilha p/ a Pedra da Tartaruga fica no vale a direita dele, mas o Jopz que estava na frente e sem o GPS seguiu o caminho que ele já tinha feito tempos atrás (ou o que ele achava que tinha feito), e pegou o vale a esquerda do Pe. Raulino.

 

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Aqui entra o Vale Encantando na nossa história...ou melhor, nós entramos no Vale Encantado!!! Eu já tinha conhecimento deste lugar através dos relatos do Jorge Soto e do pessoal do CPM, inclusive tínhamos até cogitado ir lá ao invés do marco da divisa, mas tinha ficado pra próxima. E sem querer chegamos nele. No início ninguém se tocou que “aquele” era o Vale Encantado, mas depois na reunião da AMC revendo as fotos começamos a discutir se era ou não... chegamos a duas conclusões: era o Vale Encantado mesmo e todos os vales de lá são encantados.

 

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Pausa p/ almoço a beira do riacho, perto de uma pequena cachoeira. Tínhamos que voltar p/ a P. Tartaruga, isso queria dizer que precisávamos voltar para o sul. O GPS e mapas nos indicavam que ela estava próxima, do outro lado da crista serrana que se estendia do Pe. Raulino sentido oeste-leste.

 

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Bom, agora que sabemos aonde fica o Vale Encantado só falta voltar lá p/ explorá-lo até o final, e a Pedra da Divisa que fica lá perto, próxima trip no Quiriri com certeza.

Subimos a encosta a direita do rio e quando chegamos no alto o vale do outro lado está completamente debaixo de nuvens, visibilidade de 10 metros, nem isso. Jopz e Zeca que subiram na frente chegaram a avistar a P. Tartaruga do outro lado do vale, numa abertura rápida das nuvens. Eles decidem seguir na frente, enquanto esperávamos o resto do pessoal se reagrupar. Eles vão ver se lá embaixo do vale tinha água e um lugar p/ acampar. Nesta hora o radio foi fundamental, pois como nossa visibilidade era pouca, Zeca foi nos guiando pelo rádio relatando por onde era a trilha, enquanto Jopz ficava apitando lá embaixo do vale para nos ajudar a achar o caminho.

Chegamos num pequeno riacho ainda dentro da nuvem. Nova pausa p/ descanso. Uma parte turma vai na frente pra ver se acha um lugar melhor pra acampar, pois já tem gente que queria arriar por ali mesmo. Neste meio tempo as nuvens se dissipam e temos nossa primeira visão da Pedra da Tartaruga, logo ali!!! É só atravessar o vale pra chegar lá. Que lugar lindo... o vale e a Pedra da Tartaruga em cima do morro...

 

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Resolvemos subir e acampar lá em cima, bem a lado da pedra. Foi uma decisão por um lado boa (no vale tinha muito mosquito!), mas por outro lado ficamos num lugar bem exposto. Tudo bem, não estava chovendo mesmo...o tempo começou a fechar e a chuva veio próximo das 18:00hs, choveu forte e com bastante vento... eheheh

A chuva deu uma Trégua lá pelas 20:00hs. Resolvemos fazer a famosa polenta campeira do Getúlio. Começamos a separar os apetrechos, preparar a cozinha quando....... começa a chover novamente!!! Polenta abortada, cada um voltou pra sua barraca pra não sair mais. A noite foi com pancadas de chuva esparsas e rajadas de vento.

Acordamos no domingo com tempo aberto e começamos a desmontar acampamento logo após tomarmos o café da manhã e muitos cliques. Quando estamos com quase tudo pronto volta a chover forte, e continua mais fraco durante quase toda a volta, volta esta pela trilha de acesso P. Tartaruga – Bradador, aquela que era pra gente ter ido... Como o tempo estava ruim abortamos a ida ao marco da divisa e voltamos direto pro Bradador.

 

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Eu, Getúlio e a tartaruga

 

Em cima do Bradador tivemos uma visão ampla do litoral paranaense e catarinense. Avistamos a Baia de Guaratuba, Caiobá, Guaratuba, Barra do Saí (divisa PR/SC no litoral) e até a Ilha do Mel.

 

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A volta seria normalíssima se não fosse a chuva... a estradinha estava um sabão, com muito barro mole. Os carros baixos sofreram no começo, até que numa subida maior não teve jeito, tivemos que rebocar com os jipes. E a descida foi pura adrenalina, com os jipes sambando na estradinha, imagina os carros...

Quando chegamos na BR-376 encostamos no primeiro posto p/ comer a costela que tinha sobrado do almoço no restaurante. Depois nos despedimos e voltamos para Curitiba.

Esta foi minha segunda vez no Quiriri, e já estou programando a próxima, que lugar fantástico. Achei o Alto Quiriri (a porção norte, acima da Faz. Alto Quiriri) mais bonita que parte sul, do Monte Quiriri p/ até o Monte Crista. Se for pra escolher um, escolho o norte.

Ainda tem muita coisa pra fuçar por lá, e o Vale Encantado com certeza será o primeiro deles. Pedra da Divisa, marco da divisa, Morro Pe. Raulino, Morro Iquririm (que é o mais alto da região com 1.538m), a subida do queijo que sai no vale da P. Tartaruga.......... que Deus me de pernas e disposição para conhecer todo aquele lugar abençoado.

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Valeu Meneguello, tem mais foto de aranhas, coloquei a da mais bonita... ::cool:::'>

Geovane, não marquei a quilomentragem, mas tenho no tracklog, vou verificar. Chuto uns 15km.

Tentei anexar o track da estrada e da caminhada mas não consegui, vou ver como é e depois volto aqui.

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  • Membros de Honra

Olá Otávio!

 

 

Parabéns pelo relato. Show de bola! O vídeo então, espetacular como sempre!

 

Depois postarei aqui a tracklog da nossa trip com os dados de quilometragem, pois estou sem os arquivos aqui comigo.

 

Essa região do Alto Quiriri é fenomenal. Garante, sem dúvida, muitas trips bacanas, com ou sem pernoite. Imprescindível frisar, como bem citou o Otávio em seu relato, que se trata de área particular de preservação (há alguma exploração econômica, mas ao menos o gado que contaminava as nascentes não se vê mais por ali). Há que se pedir a autorização dos proprietários da Fazenda, o que pode ser feito através do e-mail disponibilizado no relato. Lembro a todos que se mantivermos um bom relacionamento com o pessoal que administra aquela área poderemos sempre usufruir daquelas magníficas paisagens pois são bastante solícitos. Lembro ainda que aquelas áreas foram compradas há anos atrás dos antigos proprietários pelo Sr. Carlos Schneider, bem sucedido empresário catarinense, com o intuito de preservar as nascentes do alto da Serra do Quiriri, que abastecem de água cidades como Garuva, Joinville e outras do entorno. Vejam os links a seguir com um pouco desta história:

 

:: O Colecionador de nascentes

 

:: Latifúndio Verde

 

:: Carlos Schneider, o colecionador de nascentes

 

Esta semana vou pegar com o Daniel alguns vídeos que ele fez do retorno pela estradinha de terra, com os jipes e carros deslizando... Depois o Otávio faz o trabalho de edição que ele já domina... :mrgreen:

 

No mais também concordo com o Otávio em relação à preferência pela porção norte do Alto Quiriri. Espero que Deus me dê pernas para trilhar ainda muitos Km pelo Quiriri, região abençoada por Deus e repleta de belezas e recantos fenomenais. Melhor ainda se em companhia dos meus amigos da AMC!

 

Abraço!

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  • Membros de Honra
............Depois postarei aqui a tracklog da nossa trip com os dados de quilometragem, pois estou sem os arquivos aqui comigo.........

 

Beleza!!!

 

............................Esta semana vou pegar com o Daniel alguns vídeos que ele fez do retorno pela estradinha de terra, com os jipes e carros deslizando... Depois o Otávio faz o trabalho de edição que ele já domina... :mrgreen:

 

Deixa comigo...

 

..........No mais também concordo com o Otávio em relação à preferência pela porção norte do Alto Quiriri. Espero que Deus me dê pernas para trilhar ainda muitos Km pelo Quiriri, região abençoada por Deus e repleta de belezas e recantos fenomenais. Melhor ainda se em companhia dos meus amigos da AMC!

 

Valeu a companhia, meu nobre!!! ::otemo::

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  • Membros de Honra

Olá Moçada!

 

Seguem mais algumas informações sobre nossos percursos nesta trip. Os dados foram obtidos por mim no GPS e depois editados para separar os 3 diferentes trechos em que dividi nosso percurso total para efeitos de facilitar o tratamento das informações.

 

1. Vista Google Earth da estrada de terra de acesso à Fazenda Alto Quiriri, a partir da saída do asfalto que vai a Tijucas do Sul (PR) e seu perfil altimétrico:

 

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598d9f2dd0e13_TrackEstrada.jpg.cebf422de4e6000f2f9021c6ded02f33.jpg

 

2. Vista Google Earth da trilha seguida na ida para a Pedra da Tartaruga, contornando pelo norte o Monte Padre Raulino e seu perfil altimétrico:

 

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3. Vista Google Earth dos percursos de ida (em vermelho) x o percurso de retorno (em ciano) à Pedra da Tartaruga e seu perfil altimétrico:

 

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O percurso total foi de 165,14 Km (somadas ida e volta), saindo e chegando em Curitiba, sendo 153,68 Km de carro e 11,46 Km de caminhada. Destes, 41,5 Km de carro pelo asfalto (ida) de Curitiba (Jd. Botânico), pela BR-376 e depois pela PR-281 (que leva a Tijucas do Sul) até o início da estrada de terra que dá acesso à Fazenda Alto Quiriri. Pela estrada de terra foram mais 35,34 Km (ida) até o nosso ponto de estacionamento dentro da Fazenda. De caminhada inicialmente foram 6,17 Km (ida) passando pelo cume do Monte Bradador até o acampamento na base da Pedra da Tartaruga, contornando o Monte Padre Raulino pela esquerda (sentido NNO) para depois rumar para NE e ENE, cruzando os dois vales vistos na imagem de satélite em (2) e ultrapassando a crista de elevações depois do Mt. Pe. Raulino. No trekking de retorno fizemos o caminho mais direto, seguindo as curvas de nível, passando novamente à esquerda do Mt. Pe. Raulino, só que agora em sentido contrário - SO - OSO (que seria o caminho pela direita do rochoso, seguindo o sentido da ida). Esta trilha de retorno totalizou mais 5,29 Km de caminhada, passando novamente pelo cume do M. Bradador e terminando no ponto de estacionamento dos veículos. Retorno de mais 35,34 Km pela estradinha de chão e os 41,5 Km de asfalto até Curitiba (na verdade um pouquinho mais em função do retorno na BR-376, saindo do trevo de Tijucas do Sul, que não marquei).

 

Depois postarei os arquivos GPX e KML para quem desejar refazer o trajeto ou precisar de referência.

 

Abraço!

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  • Membros de Honra
GALERA, ATENTEM À NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO! Não podemos fechar a 'porteira' aberta pelos amigos.

É isso aí Cacius, não custa nada enviar um e-mail pedindo a autorização.

Já temos muitos lugares cujo acesso está sendo proibido, por falta de educação e má conduta dos visitantes; não vamos fazer do Alto Quiriri mais um. Se não quiser pedir a autorização suba pelo queijo... ::prestessao::

Valeu as infos Getúlio!!!

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    • Por Otávio Luiz
      O Quiriri, ah! O Quiriri...
      Após várias trilhas pela nossa serra do mar, eu estava com saudades do Quiriri. Já estava cansado de trilha fechada, sobe e desce por escadinha, corrente, bambu enroscando... queria os campos livres e desimpedidos, a ausência de sombra, caminhar por lugares sem trilha. Minha última aventura por lá foi em 2014, no Marco da Divisa, com tempo fechado durante todo o final de semana. Acampamos na nuvem e em momento algum o tempo abriu.
      O mês de julho foi de intensas chuvas no Paraná e Santa Catarina, e somente no início de agosto o tempo firmou por uma semana, e melhor, durante o final de semana. Como uma parte da galera da AMC ia fazer uma remada no Rio Iguaçu (e por isso não daria pra fazer o 5 Cumes) aproveitamos para nos pirulitar pro Quiriri.
      O caminho seria o mesmo que o Getúlio, Matias e Thomas fizeram ano passado, a Pedra da Divisa saindo do Alto Quiriri, próximo à fazenda da Ciser. Para a empreitada aceitaram o convite Márcio e Cláudia, Matias, Serginho, André e Alex , além é claro da minha pessoa.
      Depois de um pequeno atraso para deixar o carro do Alex no estacionamento da Rodoferroviária partimos em dois jipes para o alto Quiriri. Como a estrada estava seca, vários carros normais estavam lá em cima, mas a estradinha está bem ruinzinha e a subida é puxada, se chover só 4x4...


      Chegamos até o local do início da caminhada, uma mangueira (cercado para confinamento de gado) um pouco antes da mina de talco. Deixamos as viaturas numa casa uns 50 metros estrada abaixo, mas tanto na ida como na volta não vimos ninguém, tudo fechado. A trilha começa pela estrada da propriedade ao lado da mangueira, sentido leste, e o tempo bom anima o pessoal. Vistas desimpedidas para os quatro cantos, os campos do Quiriri a perder de vista...
      Depois de aproximadamente 45 minutos de caminhada chegamos noutra mangueira, esta na encosta do Monte Quiriri, montanha de maior altitude de toda serra com 1538 m. Resolvemos contornar o mesmo pelo leste, e deixar a sua subida para a volta. Continuamos pela estradinha até um local de alimentação do gado, com algumas manilhas de cimento usadas como cochos. Mudamos o rumo para nordeste e prosseguimos nossa caminhada debaixo de muito sol.

      Próximo às 11:00 hs paramos para um rápido lanche e decidimos tocar pelo vale ao lado da Pedra da Divisa, o famoso Vale Encantado. Aqui deixo um parêntese: sempre surge a dúvida de qual é o Vale Encantado que sempre ouvimos falar. Eu afirmo que é este que pegamos, o mesmo que Jorge Soto seguiu alguns anos atrás e descreveu em seu relato neste mesmo fórum. Já outras pessoas falam que é o vale logo ao lado da Pedra da Tartaruga. Na verdade todos os vales de lá são encantados, de beleza ímpar. São pelo menos 4 vales paralelos que percorrem o Quiriri sentido oeste-leste, mas este que percorremos (o número 4, sentido sul-norte) tem a maior cachoeira de todos e fica bem ao lado da Pedra da Divisa.



      Depois de banho de cachoeira, almoço numa pequena sombra a beira do rio e muitos cliques, começamos a subir para o local de nosso acampamento, numa pequena elevação ao lado de um afluente do rio do vale encantado, aos pés da Pedra da Divisa. O local é estratégico, o cume da Pedra da Divisa está a 2km do acampamento, e o Monte Quiriri a aproximadamente 7 km, seguindo praticamente em uma linha reta.
      Armamos as barracas e vamos subir um morrote ao lado para ver o por do sol, que foi prejudicado por nuvens insistentes que surgiram ao final de tarde. O ponto triste da caminhada ocorre no final de tarde. Do alto do morro escutamos barulho de motocicletas, e logo depois avistamos dois motoqueiros andando pelas encostas do Padre Raulino e vale encantado 3. Logo após vimos um foco de fogo, e depois mais um... os motoqueiros estavam colocando fogo no Quiriri!!! Contei 6 focos de incêndio iniciados por eles na encosta do Pe. Raulino e nos vales 3 e 4. Ficamos apreensivos com nosso lugar de acampamento, mas o vento levou o fogo pro outro lado. No dia seguinte ele seguia queimando, indo em direção da Pedra da Tartaruga, tendo queimado todo Pe. Raulino e suas encostas.
      À noite tiramos algumas fotos, jantamos, batemos papo e logo fomos dormir, para acordar no dia seguinte cedo e apreciar o nascer do sol...



      Depois do café da manhã seguimos para a Pedra da Divisa, que é uma das mais altas montanhas da região, e também uma das maiores, pois sua “proa” está bem distante do cume, aproximadamente 500 m.
      Muitos cliques e voltamos para o acampamento para desarmar as barracas e iniciar a volta. Saímos sentido sul, em direção do Morro do Quiriri, passando por vales e montes, a paisagem característica do Quiriri. Perto da hora do almoço paramos num rio para nosso lanche, e em seguida partimos para a subida do Quiriri. O Monte Quiriri também é uma montanha “esparramada”, com vários cumes. A visão de lá de cima é linda, de 360° e podemos ver todos os vales e morros ao redor.
      Subimos o Quiriri pela encosta norte e vamos descer a encosta sul, saindo exatamente na segunda mangueira. Estamos perto do final, agora é só seguir a estrada por 45 minutos até o carro.
      Na volta encontramos bastante gente passeando no alto Quiriri; alguns retornando da fazenda da Ciser, outros apenas curtindo a estradinha ruim em motos, jipes e carros “normais”. O Quiriri está ficando popular...
      Seguimos até a BR 376 para encarar um congestionamento básico de final de semana com tempo bom na principal ligação entre Curitiba e o litoral catarinense.



      E foi assim, mais um final de semana abençoado por Deus, aonde pudemos desfrutar de toda a beleza da Sua criação. Pena que alguns ainda não entendem isso e achem que o Quiriri é apenas pasto para gado, e continuem fazendo queimadas.

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