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Aconcágua - Via Normal Por Empresa


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Olá amigos.

No dia 04/01/12 estarei embarco para essa jornada, que é um sonho para mim.

Estou postando só agora, mas já tem uns 2 meses de preparação e ainda tenho algum tempo até la (55 dias contando de hojé).

Mas depois de muito ler, calcular e pensar... e calcular novamente $$$ rsrsrs

Resolvi por fazer por empresa, vou fazer com Acomara - http://www.aconcaguaexpeditions.com o principal fator foi a falta de experiência, e com um filhote de 5 meses não quero ser tão imprudente.

Já estou com 80% dos equipamentos prontos, devo optar apenas pelo aluguel do óculos tipo Sky e a bota dupla ou tripla para alugar na Mendoza, e me preparando fisicamente, infelizmente somente em academia e trekking mesmo, como não sou sedentário praticante de mountain bike, acredito que não será problema a preparação (apensar da grande diferença de atividade), a maior preocupação realmente é a aclimatação.

Mas as dicas que peguei por aqui me foram muito validas, não vejo a hora de colocá-las em pratica.

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Olá amigos do mochileiros, compatilho aqui o diário da viagem.

 

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Encontrei com Maximo no aeroporto em Buenos Aires, ele ia guiar uma expedição russa, na montanha me encontrei com ele, ele numa correria por que uma barra saio voando em Canada, um grande cara.

 

Mendoza 760m (05 e 06/01)

Bom fiquei dois dias em Mendoza, um a mais do que solicitado pela empresa, fiz isso para me prevenir de qualquer percalço.

No segundo dia, aluguei e comprei parte do equipamento que precisava.

 

Alugado:

Botas Duplas, Grapons, Polaina, Calça de Fleece, Óculos (Tipo Sky), bolsa para levar equipamento nas mulas e jaqueta de pluma.

 

Comprado:

Meias tipo Sky, Óculos Julbo, passa montanha, luvas seg. pele, blusa e calça seg. pele (já tinha um par, comprei mais um) e um gorro.

 

Entre alugado e comprado foram U$ 525

No final do dia, conheci meu guia, Gonzalo e os demais membros da equipe, seis americanos, ,Jon, Paul, Nick, Lock, Pat e Jordan, nos encontramos no hall do hotel, recebemos as instruções, bom ai meu inglês e portunhol começou a pegar realmente, já sabia que ia penar com a língua, pois não falo nem um nem outro. No inglês consigo entender mais que falar, no espanhol (portunhol) no inicio penei, mas no final já esta até com sotaque.

Vou pular a questão do hostel (primeiro dia) e hotel (segundo dia) que fiquei para economizar no texto.

 

Pennitentes 2725m ( 07/01)

Logo cedo nosso guia nos pegou, para irmos pagar e pegar os permissos, três mil pesos argentinos.

Chegamos em Pennitentes já no final do dia, 18:00, pois ficamos o dia todo em função da mochila do Jon, que ficou extraviada no caminho de USA/Chile/Mendoza, só chegou em um voo as 16:00.

Bom o clima já muda completamente, saímos de 36C para 20C e durante a noite fez 15C, nenhum efeito da altitude, no hotel separamos os equipamentos, cada um fez duas mochilas, uma que ia para Confluencia e outra que ia para Plaza de Mulas, feito isso, tomei um bom banho e fui jantar, então você já começa a entrar no clima, pois no restaurante do hotel você encontra pessoas de várias partes do mundo, muitos para fazer a alta montanha, outros para trekking em fim o ambiente é outro as conversas também, no final todas levam a um assunto só Aconcagua.

 

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Hotel em Penitentes

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Jantar

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Jantar

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Direito a sobremesa

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Tinha poucos jantando até

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Vista do quarto do hotel

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Foto na saida do hotel

 

Pennitentes => Horcones => Confluencia 3300m (08/01)

Bom acordando no hotel primeira coisa que fiz foi tomar um banho, pois sabia que teria um bom período sem banho pela frente, então fui para o café, o saguão me pareceu mais cheio de gente que para o jantar e o clima de montanha só ia almentado.

Café tomado, equipamento pronto, camelbacks cheias, fomos para entrada do parque.

A caminhada da entrada até Confluencia levou umas 4 horas, foi uma caminhada tranquila, como tínhamos bastante tempo o guia pegou leve fomos tranquilos, logo após a ponte nós fizemos uma parada para lanche, depois da ponte o terreno muda, fica bem mais hostil.

Chegando em Confluencia, o guia nos mostrou onde íamos dormir, uma tenda grande com 32 camas, com nós tinha no total 25 pessoas, o sol estava forte então ficar na tenda só a noite, era um festival de ronco e zíper dos sacos de dormir pra todo lado, dormi pouco, acho que umas 4 horas seguidas.

O acampamento era um luxo, tínhamos ate banheiro com vaso sanitário, um verdadeiro luxo para acampamento de montanha.

 

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Entrada do Parque

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Aqui iniciou a brincadeira

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Chegamos em Confluencia, cansa, mas foi tranquilo até aqui.

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Dormitório, uma festa de roncos, ziper... pum...

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Confluencia => Plaza Francia 4000m (09/01)

Acordamos, café, preparar equipamentos, agua nas camelbaks e fomos para Plaza Francia, 4 horas de caminhada para chegarmos, a face sul do Aconcagua, é deslumbrante.

A caminhada foi boa, mas pegamos muito vento contra, sempre subindo 7,5km, mas foi tranquila, lembro que o Gonzalo pedia como eu estava, até ai eu dizia “tranquilo”.

No retorno para Confluencia, no final do dia fizemos o check medico, encontrei os colegas brasileiros, todos bem, me deram uma força com exercícios de respiração para melhorar a oxigenação e aclimatação, no check estava com 92%, mas encontrei uma argentina que não estava bem, muita diarreia, ela estava dormindo na cama abaixo da minha, e a noite a coisa complicou, ela não consegui-o nem sair do saco de dormir e acabou fazendo dentro dele... então já viu não dormi nada essa noite, acho que umas 3 horas.

 

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Vista da face sul, de Plaza Francia

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Confluencia => Plaza de Mulas 4260m (10/01)

Bom depois da noite mal dormida e fria, acordamos, café, separei o mochila que a mula ia levar até Plaza de Mulas, equipamento pronto, iniciamos a caminhada até Plaza de Mulas, 9 horas de caminhada, longa, areia, terra e pedras te acompanham do inicio ao fim, o guia pegou forte nas primeiras 4 horas de caminhada, cerca de 18km, e quando você avista o acampamento, você vê que ainda tem que subir muito, realmente é cansativo, chegando em um refugio desativado, chamado de Colômbia, o guia me perguntou como eu estava, falei cansado ele comentou com Mariana a outra guia, que eu tinha mudado de “tranquilo” para cansado, quem não fica rsrs.

Bom Plaza de Mulas é um grande acampamento, bem separado, áreas delimitadas para expedições de empresas, ficamos na Aconcagua Trekking, comida boa, mas ai já acaba a mordomia do banheiro, ele lembra esses banheiros químicos, mas é de chapas de alumínio com uma abertura em baixo, que abaixo dele tem um tambor onde vai tudo, e de tempos em tempos os militares levam os dejetos de helicóptero.

É possível acessar a intenet(U$15 15 minutos), telefone(U$ 3 o minuto) por satélite e até banho quente (U$ 10 por 10 minutos, mas não vi ninguém controlar o tempo, também não vi ninguém abusar).

 

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Playa Ancha

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Uma das paradas para repor as energias.

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Face norte do Aconcagua.

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Glaciar proximo do acampamento de Plaza de Mulas.

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Plaza de Mulas => off day (11/01)

Dia de descanso, merecido, pois chegar la não foi fácil, dormimos em 3 em uma barraca e a mesma estava em um terreno inclinado então foi complicado dormir, não bebi nada durante a noite para não ter que sair no frio para ir ao banheiro, devo ter dormido umas 3 horas, isso estava me deixando preocupado pois não descansava bem. Mas durante o dia o Gonzalo me falou para mudar para barraca dele, que foi a melhor escolha.

Passei o dia conversando com meus colegas, o Lock estava com dor de cabeça o restante de nós só cansados mesmo, andei pelo acampamento, falei com meus amigos brasileiros, todos bem.

No final da tarde, tenho uma boa experiência, a neve cai, eu nunca tinha visto neve, então foi bacana, em poucas horas o acampamento muda de visual completamente.

Fizemos o check medico, estava com oxigenação de 90% e com 130/90 de pressão, nada mal para a altitude. É impressionante como você sente seu compor se alterar com a altitude, andar pelo acampamento exigia certo esforço, a respiração muda, tem que respirar mais para oxigenar.

 

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Bem no centro da imagem o Cerro Bonete 5050mt

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Hotel refugio, desativado, uma pena.

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Aconcagua, face norte.

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Mal tempo la em cima.

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Neve chegando em Plaza de Mulas

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Mudou completamente a paisagem

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Senta, relaxa um pouco.

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Plaza de Mulas => Cerro Bonnete 5050m e retorno (12/01)

Foi uma noite mais tranquila, menos apertada, mas essa noite eu me hidratei e não teve jeito, tive que sair de madrugada para fazer um pipi básico, pela manha a barraca coberta de neve, após o café preparei a mochila para o ataque ao Cerro Bonnete, montanha de 5050m eu estava muito ansioso, afinal seria minha primeira montanha.

Equipamento (neste dia tive a primeira experiência com as botas duplas) e equipe pronta, partimos.

Bom sou paranaense, mas moro a 6 anos em Goiás então já me aclimatei ao clima quente, então foi complicado me ajustar ao clima e as camadas de roupa, eu acabei me agasalhando de mais e já na primeira hora de caminha vi que estava me desidratando muito e rápido, então ao chegarmos no hotel refugio desativado, retirei a blusa de fleece, fiquei apenas com a segunda pele e a corta vento. Logo me adaptei, pois a caminhada vai esquentando, como sempre muita pedra e agora neve, e quanto mais subíamos mais pedras, mas me adaptei bem as botas duplas ao menos na subida não tive problemas.

Foi uma subida punk, 8,6km levamos 7 horas para ir e voltar, 3000kcal, uma inclinação de 45 graus, e próximo do cume é mais complicado tem que tomar cuidado com as pedras que foram para baixo devido aos companheiros que estão subindo.

Mas chegar no cume recompensa tudo, é uma paisagem linda, se vê o Aconcagua com seu esplendor, as outras montanhas cobertas de gelo, foi emocionante.

A descida foi tranquila, eu desci com prudência, não queria virar o pé e ter que descer lesionado.

No final do dia, fizemos o check medico, 89% de oxigenação, eu estou bem sem dor de cabeça nada, mas meu amigo Lock esta com muita dor de cabeça, então os médicos recomendaram se hidratar e remédios, pela manha faria outro check.

 

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Cume do Cerro Bonete

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Admirando o Aconcagua.

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Plaza de Mulas, visto do cume do Bonete.

 

Plaza de Mulas => Campo base 1 – Canadá 4910m e retorno (13/01)

Mais uma noite fria, umas 3 horas de sono, nesta noite minha pulsação estava acelerada, acredito que seja devido ao esforço feito no Cerro Bonnete, bom me hidratei novamente, mas esta noite estava preparado, tinha pego uma garrava de 2lts de refrigerante, cortado a boca, ela me servido de banheiro durante a noite, tática comum entre os montanhistas, afinal sair do saco de dormir e da barraca, com a noite fazendo -7C nesta noite, não é nada convidativo.

Bom após o café, a boa noticia Lock estava melhor e iria subir com a gente para Canadá.

Tudo pronto iniciamos a caminhada, desta vez sai com a mesma roupa que fiz o Cerro Bonnete para não desidratar.

A subida é forte, nevou pouco a noite, e os trechos de neve estavam bem socados, chegamos em Canada, eu me distanciei um pouco da equipe, pois estava emocionado ao chegar, chorei de felicidade, o fato de chegar aqui pra mim já é uma vitória, não foi fácil, passo a passo, levei o que deu para cima, para já deixar aqui, a vista é linda.

Levamos umas 4 horas para ir e voltar.

 

Plaza de Mulas => off day (14/11)

Dia de descanso e o mais importante, dia de banho e banho quente, pois teríamos dias duros pela frente, os acampamentos de altura a fica mais punk, nada de comida fresca, nada de banheiro, médicos só em Nido de Condores.

Durante a noite caio muita neve, as barras estavam cobertas com uma grossa camada de neve.

Bom eu já estava mais habituado com o espanhol e tinha melhorado meu inglês, já me aventurava a conversar mais com os amigos americanos e com qualquer um que fala-se espanhol.

Quando encontrava algum brazuca então era só festa, é impressionante o prazer que se tem não ter que ficar pensando e traduzindo as coisas na sua mente, tinha horas que eu ficava doidinho, algumas vezes me peguei falando espanhol com minha esposa pelo telefone bom camp base ela nem ligava mais escutar.

 

Plaza de Mulas => Campo base 1 – Canadá 4910m (15/11)

Acordei ansioso, afinal se inicia a fase onde realmente iria subir a montanha, separei o equipamento que iria ficar em Plaza e o que iria subir, a mochila de 30lts ficou, subi com a de 80lts, 12kg quando pesei ela me preocupei, pensei que seria 9. O impressionante é cruzar com os porters, que levam em média 20kg mas tem alguns que levam mais que isso tranquilamente e cruzam a montanha diariamente.

A caminhada foi punk, mas em fim chegamos em Canadá, chegamos e já nos organizamos nas barras que já tinham sido montadas previamente pelos porters, o guia deu uma checada nelas, nós entramos, pois o tempo estava fechando, ventava muito, nessa noite eu dividi a barra com o Patrick, ficamos na barra mais acima, o vento batia na barraca com força, em alguns momentos ela deitava uns 15cm.

 

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Camp Base Canada

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Caminho para Camp Base Nido de Condores

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Atraz das rochas fica Nido.

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Mal tempo chegando em Canada.

 

Canadá => Campo Base 2 – Nido de Condores 5250m (16/01)

A noite foi difícil, devo ter dormido umas 2 horas direto, o vento foi forte e o frio também, fez -5C dentro da barraca, tive que usar o “banheiro” pela manha, que frio.

O café da manha é dentro da barra, nós vamos até a barraca dos guias e pegamos a agua quente e fazemos nosso café, cada um com sua térmica, e comemos os biscoitos e alimentos que nos foram entregues a noite.

Após o café recolher equipamento e se arrumar para mais um dia de ataque, até Nido, só de guardar o saco de dormir já cansa, a altura mostra sua face pra mim.

Não tinha nevado muito, mas tinha uma boa camada de neve acumulada e socada, alguns pontos era gelo mesmo, na metade do caminho colocamos os granpons, não tive problema com a vestimenta, uma coisa que a Georgelina me falou, Marcio frio você vai passar não tem jeito, e melhor passar um pouco de frio que desidratar. Pegamos muito vento contra, então na ultima parada para comer, o Lock que estava com muita dor de cabeça resolveu voltar, ele realmente estava sofrendo muito, sua dor era visível. A baixa na equipe baixou a moral de todos, eu que já estava muito cansado, quase resolvo descer também com Lock e Georgelina, mas resisto a tentação e continuo até Nido, que se mostrou mais difícil do que parecia ser. O ar rarefeito consome muito e rápido as energias, mesmo eu tendo dividi um porter com Jordan, levando apenas 8kg, o porter levou 10kg meus para cima, ainda assim cheguei em Nido cansado, mas todos chegamos assim, em Nido encontro os colegas Brasileiros, que me dão uma força psicológica.

O guia nos comunica, que vamos ficar mais um dia em Nido para descansar.

O final de dia em Nido é muito lindo, dei alguns click do por do sol e foi para barraca.

 

Nido de Condores 5250m (17/01)

Mais uma noite mal dormida, mas ao menos esta noite quase não teve vento, mas meu batimento esta acelerado, normal para a altitude, mas me incomodou, não consegui descansar em alguns momentos me senti sufocado no saco de dormir, mesmo colocando minha garrafa de agua quente nos pés passei frio, acordei a noite e tive que fazer massagem nos pés para aquece-los, melhorou mas não resolveu.

Quase não dai da barraca, devo ter passado unas 3 ou 4 horas fora, a tarde fui ao “banheiro”.

Jantei e não sai mais da barra.

 

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Camp Base Nido de Condores

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Posto médico, em Nido é o ultimo ponto onde o helicóptero chega.

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Expedições subindo para Cólera.

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Por do Sol em Nido, lindo de mais.

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Nido de Condores => Cólera 6000m (18/01)

Tive uma noite um pouco melhor, resolvi dormir com a calça que iria usar para atacar o cume, então esta noite não passei frio, devo ter dormido umas 4 horas.

Não nevou esta noite, mas ainda assim foi frio, após o café, desmontamos tudo para atacar Cólera.

Saímos as 10:00, um sol forte, que reflete na neve, cometo o erro de ir com 3 calças, a segunda pele, a de fleece e a ataque, então vi que fiz minha maior burrada, tive que parar logo no inicio, sentar na neve, tirar as os granpons, tirar as botas, tirar a calça de ataque para ai sim conseguir tirar a calça de fleece, eu fiquei parado uma meia hora, esse tempo todo com a bunda na neve, bom a Mariana e 4 americanos tinham me deixado, pois o Gonzalo já estava subindo com os porters, mas foi nessa hora que eu vi que o cara que quase não falou comigo iria me surpreender, Jordan tentou me dar força, sempre dizendo take your time, tentando me tranquilizar, mas eu sabia que tinha feito merda, bom quando Gonzalo chegou, já começou, vamos se não você vai congelar, como se eu não soube-se, tentei manter a calma, em fim iniciei a marcha novamente, mas fiquei alterado não teve jeito, dai pra cima foi um esforço tremendo.

Durante a caminhada meu grampom direito sai, mas uma parada desgastante, desta vez o Gonzalo resolve me ajudar, mas sempre reclamando, eu me contrei para não falar besteira afinal, não tivemos treino com os grampons, eu coloquei sozinho e o checkup dele no meu grampom foi eu fora da barraca dele e ele olhando pela janela, pergunte Gonza, coloquei certo, ele olhou e falou sim, esse foi o checkin...

Mas tudo bem vamos pra cima, chegamos no acampamento Berlin um pouco abaixo do Cólera, reencontro os outros membros da equipe e a Mariana, me da os parabéns, me segurei pra não falar besteira, paramos para descançar eu estava exausto, mas me hidratei empurrei um sanduiche, empurrei mesmo pois não conseguia comer.

Depois de uma meia hora de desanco Mariana, Nick, Jon e Paul atacam eu, Jonson e Patrick que também estava bem cansado ficamos mais uns 10 minutos, até que Gonzalo inicia o ataque, faltava uns 300mts mas foram duros, chegando em Cólera tem uma canaleta, tinha muito gelo, eu estava exaurido, quase não subo, mas em fim cheguei.

Fiquei uns 20 minutos sentado admirando, já era umas 4 da tarde, conseguia ver vários montanhistas voltando do cume, alguns cambaleando de cansados, resolvi dar uma volta no acampamento, quando vou chegando perto do refugio Eliza, vejo um a equipe de resgate ajudando um Russo que estava mal, me falaram que ele se perdeu, estava deitado na montanha aguardando ajuda, até que um guia de expedição pegou oxigênio no acampamento independência e o trouxe para baixo.

Encontrei também o único brasileiro dos 3 que conheci que tinha conseguido fazer o cume, o Leandro, ele estava um zumbi, logo depois encontrei o Neves que me falou que o Beto teve que descer, pois estava com inicio de edema pulmonar, teve que voltar para Nido para pegar o helicóptero de resgate.

Bom eu tinha prometido que iria me cuidar, meu filho de 8 meses aguardava em casa, já estava exaurido, pra mim seria insano continuar nas minhas condições, então tomei a decisão de não continuar no outro dia até o cume.

Uma decisão muito difícil, mas resolvi deixar para uma próxima, já foi uma grande vitória para mim na primeira alta montanha chegar a 6000m, sem se quer conhecer como meu corpo iria se comportar.

Avisei o guia, e combinei de voltar no outro dia com a expedição dos brasileiros até Plaza de Mulas e aguardar eles voltarem do cume.

 

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Camp Base Cólera

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Amigo brasileiro, retornando do cume, chegou esgotado.

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Refugio Elena, a estrutura foi doada pela família da alpinista italiana Elena Senin que em janeiro de 2009, com 38 anos, faleceu logo após alcançar o cume do Aconcagua juntamente com o guia ítalo-argentino Frederico Campanini de 31 anos.

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Jungle chegou la comigo.

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Russo resgatado, com oxigenio auxiliar.

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Companherismo é tudo.

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A barraca congelou, fez -15C dentro dela nesta noite.

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A 5 da manha, meus amigos ameiricamos foram para cima do cume.

 

Cólera => Plaza de Mulas (19/01)

Eu acordei as 5 da manha para dar uma ajuda ao Nick com o equipamento dele, ajudei a colocar as botas duplas, de uma força a eles, que saíram para atacar o cume, nesta noite fez -15C dentro da barraca, a barraca congelou.

Era uma noite linda, não nevou, não tinha vento, céu estrelado, perfeito para o ataque, meu guia perguntou se eu mudei de ideia, até deu vontade mas eu já tinha tomado a decisão e estava tranquilo.

Então vi os pintinhos subindo a montanha a noite, é uma visão única, uma trilha de luzes subindo a montanha.

Voltei para barraca e fiquei tentando dormir até o dia clarear.

As 10 de manha sai com a outra expedição para retornar a Plaza, o que foi um sacrifício para subir, se mostrou extremamente fácil para descer, apenas no trecho entre Canada a Plaza eu fui mais devagar, já não tinha neve alguma e no final os joelhos estavam doendo.

Mas depois de poucas horas chegamos a Plaza, o que levamos 3 dias para subir.

Chegando em Plaza encontro o Beto, que já estava bem, geralmente quando se identifica no inicio o edema, apenas baixando 800mt já se tem uma melhora significativa.

 

Plaza de Mulas (20/01)

Passei o dia descansando e conversando com os amigos brasileiros, Leandro, Beto e Neves, conheci também um Francês que tinha chegado em Plaza e estava sozinho sem expedição, sem companheiro ele falava espanhol então de para conversar tranquilo.

No almoço encontrei uma equipe 4 austríacos que tinha feito cume.

No final do dia encontrei o marido de Mariana, que me falou que todos tinham feito cume e que estavam bem, fique muito feliz pelos americanos terem conseguido fazer cume.

 

Plaza de Mulas (21/01)

Meus amigos chegaram do cume, estavam bem cansados, foi mais um dia de descanso e muito papo sobre o cume, de como foi difícil, o Nick ficou cego por causa da neve, teve que baixar amarrado com uma corda pelo Gonzalo.

Mas chegando em Cólera já melhorou, com ele foi o terceiro que ouvi que ficou nesta situação de cegueira momentânea por causa do reflexo do sol na neve.

 

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Retornando de Colera, aqui já é Nido, Eu, Neves e Leandro.

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Plaza de Mulas a noite.

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Plaza de Mulas, sem neve.

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As mulas chegando com equipamento.

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Retornando, baixando, ar puro voltando, energia também.

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Depois de 4 meses sem cerveja...

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Plaza de Mulas => Mendoza (22/01)

Saimos de Plaza de Mulas 10 da manha, foi uma caminhada dura, mas conforme você vai baixando a qualidade do oxigênio melhora significativamente e você se sente mais forte, então a caminhada rende mais, foram 6 horas no total até chegar em Horcones, onde pegamos a vam e fomos buscar o equipamento no ponto onde as mulas chegam, feito isso fomos para Ponte Inca, comer um lanche e beber uma cerveja gelada.

Depois mais duas horas e estamos em Mendoza, fomos direto para o hotel, todos chegamos e fomos para os quartos, então me deliciei com um banho de quase uma hora e desmaiei na cama.

 

Mendoza (23 a 24/01)

No outro dia cedo já foi devolver o equipamento alugado, para não me preocupar com isso depois, nestes dois dias ficamos girando na cidade de Mendoza, que é uma cidade muito linda e aconchegante, merece uma vista para conhecer os vinhedos, e no dia 24 as 6 da manha peguei meu voo para Buenos Aires, depois Guarulhos SP, Brasília e enfim Goiânia.

 

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Em Mendoza, Patrick, Paul, Jonathan, Jordam e eu.

 

Resumo

Foi sem duvida uma experiência inesquecível, a montanha lhe ensina muito, você a admira, respeita e odeia ela em vários momentos da viagem.

Infelizmente não foi desta vez que fiz o cume do Aconcagua, mesmo assim saio muito feliz, e certo de que estarei la novamente em breve, mais preparado.

Penso em fazer com mais companheiros, ir para lá sozinho é bom e ruim, bom por que não se preocupa muito só com você, claro que você nunca vai deixar ninguém na mão, mas pode ficar tranquilo.

Ruim por que não tem apoio é bom estar com alguém que lhe de um puxão de orelha, lhe incentive de força, foi isso que vi com os demais, os americanos com os brasileiros, um sempre incentivando o outro.

Outro ponto é o custo, sem duvida faria por menos da metade do valor que utilizei nesta vez.

 

Mas ganhei muita experiência e grandes momentos.

Dedico a viagem ao meu grande amigo Siciliano Bodanese, que foi levado cedo de mais e esta nos fazendo muita falta, e ao meu filho, Siciliano que esta cada dia mais sapeca ( não preciso dizer que o nome dele é em homenagem ao outro).

Agradeço em especial o apoio da Sabatha, que sempre me deu força quando ligava para ela e deu todo o suporte no trabalho que ficou.

Aos amigos que torceram por mim e também me apoiaram.

Um beijão a todos, conto com vocês para próxima.

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  • Membros de Honra

Parabéns Ocxy!

 

Ótimo relato, excelentes fotos. Vão ser referência quando alguém quiser informaçôes sobre o Aconcágua. O cume fica para outra vez. Chegar tão alto 6.000 metros sem experiência anterior de montanha já é um grande feito.

 

Faz cerca de 3 - 4 anos que fiz um trekking na vizinha Quebrada de Matienzo. Aconcágua mesmo só vi de Horcones. Ar rarefeito dá mesmo uma canseira. as vezes penso que a quebrada de Matienzo é uma ótima alternativa para aclimatar antes de tentar a montanha. E a entrada é gratuita e não tem prazo limite para voltar. No Aconcágua temos o limite de dias do permiso. Se não conseguir se aclimatar azar, não pode pedir prorrogação.

 

Quanto cobram em média as agências para a subida para o Aconcágua? Isto fora os 3.000 pesos argentinos do permiso.

 

As vezes penso em reunir amigos e interessados para tentarmos o Aconcágua sem agência. Já teria quase tudo, especialmente uma barraca TNF Mountain 25 para os acampamentos superiores. Mas precisaria alugar alguma coisa como crampons, etc..

 

Abraços, peter

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  • Membros

Excelente relato Ocxy,

 

Estou me programando para fazer esta rota, no próximo verão. Haveria possibilidade de relatar os custos com aluguel de equipamentos/ roupas, empresa e etc... O que vc acha de equipto que é melhor comprar ou alugar? Você indicaria a Aconcagua Expeditions? Alimentação, precisa levar alguma coisa? Alguma dica, que vc considera importante na preparação que te fez falta?

Toda a informação enviada será benvinda.

 

Parabéns e no aguardo das suas preciosas informações.

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