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B.G.

Cuba: do sonho à realidade – Havana, Santa Clara, Remedios e Trinidad (17 dias – Fev/Mar, 2012)

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Pedrada e Ana, valeu pelas respostas!!!

 

Pedrada, tou nesse dilema... Há tanta coisa que quero conhecer, mas também não quero sacrificar o bom proveito de cada um dos locais. Já cortei muita coisa que tinha previsto inicialmente, e depois de tanto filtro tá difícil decidir por um ou por outro lugar hehe Mas devo priorizar, sim, a "autêntica" Cuba. ::cool:::'>

 

Ana, tentei deixar Havana só no início pra evitar uma sensação que acho que você teve ao voltar de Baracoa para Santiago: achar a cidade grande "demais"! Tive muito essa sensação numa viagem que fiz à Patagônia: depois de 15 dias espetaculares no sul da Argentina e do Chile, voltamos para mais 4 dias em Buenos Aires (sendo que já havíamos passado 4 dias em BsAs na ida e adoramos a cidade) e isso foi uma "queda" brusca na viagem. Passamos esses últimos 4 dias nostálgicos com as duas semanas anteriores, hehe. Você acha que com Havana sofro menos desse risco?

 

Quanto às viagens noturnas, cheguei a montar um roteiro aproveitando muitas noites para viajar, mas depois acabei voltando atrás porque as linhas da Viazul fazem muitas paradas. Meu noivo não tem um sono tão bom quanto o meu e fiquei com receio de ele acabar sem conseguir dormir, e querer/precisar descansar quando chegássemos ao destino, o que faria o esforço da viagem noturna perder o sentido. Você chegou a pegar esses horários noturnos com a Viazul, não foi? O que achou?

 

Eu fiquei encantada com sua visão de Baracoa (e outros relatos são igualmente apaixonados/apaixonantes) e encuquei que preciso passar com mais calma por lá. kkkk

 

Enfim, tou pensando em excluir o Valle de los Ingenios (mas há outros locais que tenho vontade de conhecer em Trinidad ou arredores hahaha) e também na possibilidade de diminuir um dia de Cienfuegos (tentar juntar El Nicho com Girón em um só dia super comprido com um taxi particular - alguém tem ideia se isso é viável? Há táxis particulares que ficam à disposição o dia todo em Cienfuegos? Cobram mais ou menos quanto? - ou mesmo desistir de Girón).

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valeu por compartilhar aqui seus comentários Ana, observações bem lembradas !!

 

é, Camila, um bom dilema esse... a sensação de "choque" ao voltar/chegar pra Havana pode ocorrer sim, mas já preparada vc diminui isso e se resguarda para garantir a volta.

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É, acho que vou ter que deixar Havana pro fim mesmo... Do jeito que tava planejando, passaria uma segunda-feira em Santa Clara, e esse é o dia que o museu de Che está fechado, correto? Como domingo é o dia do Trem Blindado fechado, teria então que adiantar Santa Clara pelo menos dois dias, se for seguir aquela sequência, deixando dois dias inteiros em Havana no fim da viagem.

 

Uma outra possibilidade seria parar em Santa Clara no caminho entre Cienfuegos e Trinidad, mas com os horários da Viazul não dá. Será que dá pra fazer os dois trechos com táxis particulares? Alguém fez esse percurso dessa forma?

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Pedrada e Ana, passando de novo pra agradecer os "pitacos". Acabei remontando o roteiro assim:

 

Dia 1: Chegada em Havana às 16h

Dia 2: Havana

Dia 3: Havana

Dia 4: Havana (bate-volta Viñales particular)

Dia 5: Havana (8:15) - Cienfuegos (13:00)

Dia 6: Cienfuegos

Dia 7: Cienfuegos - Santa Clara - Trinidad

Dia 8: Trinidad

Dia 9: Trinidad

Dia 10: Trinidad (08:00) - Camaguey (12:40)

Dia 11: Camaguey

Dia 12: Camaguey (6:30) - Santiago (12:20)

Dia 13: Santiago

Dia 14: Santiago

Dia 15: Santiago (07:45) - Baracoa (12:35)

Dia 16: Baracoa

Dia 17: Baracoa

Dia 18: Baracoa (14:15) - Santiago (19:15)

Dia 19: Santiago (18:45) - pernoite no ônibus rumo a Havana

Dia 20: Chegada em Havana às 07:20

Dia 21: Partida de Havana às 15:50 rumo ao Brasil

 

Deu pra deixar algum "lastro" entre a volta a Havana e a volta ao Brasil, evitar um pernoite no ônibus cheio de paradas (esse horário entre Santiago e Havana só faz uma parada, em Camaguey), parar em Santa Clara num dia em que está tudo aberto a visitação, passar mais tempo em Baracoa...

 

Optamos por "sacrificar" um pouco de Viñales, mas já entramos em contato com uma família de lá e vimos que é viável fazer um bate-volta particular do jeito que queremos saindo de Havana, incluindo, além daquele básico que as agências fazem, as Cuevas Santo Tomas e San Miguel.

 

Desse jeito, ficamos com certa "folga" em Santiago e estamos pensando em fazer uma caminhada na Sierra Maestra.

 

Mais uma vez, valeu pela ajuda de vocês!!! ::otemo::

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Acabei de chegar de Cuba. 9 dias tentando entender como as coisas acontecem, e saindo de lá mais confusa ainda.

Não fomos a Trinidad, mas se for só lá, um dia é o suficiente. FIcamos 3 dias em Santa Clara, e numa manha fomos ao Cayo las Brujas.

Dia 20: Chegada a Havana por volta das 15 horas. 25 CUC o taxi até centro havana/prado. Nos acomodamos na Casa da Isabel (Hostal Balcones, andar de cima do Hostal Peregrino), e qd fomos caminhar pela cidade estava chovendo. Mas nos arriscamos mesmo assim, antes do anoitecer e jantamos no Los Nardos (bem indicado, mas depois achamos algo muito melhor e sem filas).

 

Dia 21: Havana, andar, andar e andar. Alugamos um bicitaxi para um tour de 1 hora, o pneu furou e tivemos uma parada na Plaza Vieja por 30 min até o bicitaxi voltar e continuar o tour. Almoçamos e algum lugar q n era bom e era caro, caminhamos mais, e jantamos proximo ao Obisco. (vou editar aqui depois qd souber tds os nomes, n acho nosso "diário" aqui após desfazer a mochila). Nesse dia caminhamos por toda Havana Velha, como guia da folha, que n foi lá muito bom, e com o guia da lonely planet, que é bem bacana. Não entramos em muitos lugares, estávamos nos ambientando, mas a Camara Oscura vale mt a pena!!! ::otemo:: Tomamos um café no Museu do Chocolate. Pensamos em ir um dos dias a Pinar, Vinales... mas depois decidimos fazer uma viagem light e desistimos. Conversamos com muitos cubanos na viagem. Jantamos num restaurante em havana velha. Mais tarde voltamos à casa e ficamos de papo com um casal (a mulher era empregada da casa e o senhor o marido dela, e ele era da santeria... foi bem legal a troca de informações).

Estadia (30 CUC) + 2 cafés da manhã (10 CUC)

 

Dia 22: Caminhar por Havana, tentar viver um pouco... Havana é mt peculiar, cidade grande, tudo em CUC, e tudo bem carinho. Fomos ao Museu da Revolução :? (meio q... tem de ir e ver, mas é bem comum, comum até demais). Almoçamos no Los Gijones (ou em alguns guias com o nome de Habana Gourmet). O melhor lugar que encontramos para comer e com preço bom, um prato de lagosta individual, com acompanhamento bem servido, 8,30 CUC. Lagosta é um prato muito nobre, frango e suíno eram sempre mais baratos. A maioria das bebidas por 2,20 CUC. Restaurante muito limpo, chic e ótimo serviço (queríamos comer bem, e nisso n economizamos). A noite nos arriscamos a sair na chuva novamente, rumo à Havana Velha, mas... mas um dilúvio nos pegou no meio do caminho, que também era composto por um rato e gritos e "mira!!", e acabamos entrando num bicitaxi que nos levou ao Café O'Rilley, na Calle de msm nome. Lá conversamos com o garçon, mais aprendizado... Não combinamos com ele, mas dissemos que se desse, no outro dia estaríamos alí no café para irmos om ele ao outro lado da Baía, de lancha (uma balsa). Lá quem trabalha com turismo geralmente trabalha 12x36, e ele seria rendido às 8:30.

Estadia (30 CUC) + 2 cafés da manhã (10 CUC)

 

Dia 23: Acordamos, saimos e fomos ao Café O' Rilley. ::mmm: Chegando lá as 8:20 ele tinha acabado de ir embora e nós então caminhamos e entramos nos momumenos até então só vistos por fora. Catedral de São Cristovão ::otemo:: Forte da Real Força, ::otemo:: Palácio dos Capitães Generais ::otemo:: Enfim, varios locais. Almoçamos de novo no Los Gijones já bastante tarde. Saimos de la, fomos tirar umas fotos do Edicil Bacardi, n entramos nesse dia, e fomos ao Malecon. Encontramos uma brasileira, passamos num bar e ficamos lá até umas 21:00. Voltamos à casa, conversamos com a moça que nos atendia na casa e entendemos um pouco mais sobre a dinâmica do salário mínimo de 250 MN (moedas nacionais, ou CUP -->ninguem usa esse termo lá, que equivale a 10 CUC = quase 9 dólares), das livretas, da educação, da saude, de havana e seus CUC.. enfim. Deu quase uma da manhã. Para mim, foi uma das melhores noites.

Estadia (30 CUC) + 2 cafés da manhã (10 CUC)

 

Dia 24: Acordamos atrasados, pegamos o taxi às 8:45 e fomos para a Viazul, ja possuíamos a passagem para Varadero. Viagem tranquila demais. Ficamos 1 diária num Resort trocado com os pontos do cartão de Crédito, por sorte, o Resort n tinha vaga e fomos deslocado a outro, 2 categorias superiores: 5 estrelas. ::otemo::

Estadia (30 CUC) + 2 cafés da manhã (10 CUC) --> de Havana

Dia 25: Saímos de Varadero +- 16:30 rumo a Santa Clara e chegamos lá antes das 20 horas.

Tudo incluído na diária do Resort Meliá Marina= R$ 0,00

 

Dia 26: Fomos ao Cayo (estavamos com um carro alugado desde o dia anterior) e voltamos antes do anoitecer.

Estadia e café da manhã: Diária Bancorbras no Hotel América, mas acho q pagar em CUC seria mais barato, porém, as diárias da avó do meu namorado venciam dia 30 agora e iam vencer.

 

Dia 27: Ficamos na cidade, fomos ao trem blindado, ao Museu e Mausoleo do Che, a estátua do Che com a criança no colo, Fabrica de tabacos e andamos tudo. A noite fomos a uma apresentação de coral no Teatro da Caridade, depois de ouvirmos um poco de uma orquestra no coreto do parque vidal. Em Santa Clara da pra usar a Moeda Nacional sempre, já em Havana é impossivel, tudo é CUC.

Estadia e café da manhã: Diária Bancorbras no Hotel América

 

DIa 28: café da manhã, voltamos à fábrica de tabacos(na verdade à loja que fica a frente) para comprar os ultimos itens.

Acho que se vcs forem fazer base em Trinidad tá valendo, mas só ficar lá, não sei. FIcamos sabendo de uma balada boa que tem lá, mas agora esqueci o nome. Paga 2 CUC e ainda converte em drink, é dentro de uma caverna.

O aluguel do carro valeu muito a pena, fazíamos nossos horários e acreditamos ter saído mais em conta, ainda que tenha sido nosso maior gasto percentual da viagem (mais de 200 CUC por 3 dias). Na estrada, demos algumas caronas e as conversas valeram muito. Dirigir na Autopista Nacional e nas vias de ligação é um experiencia muito enriquecedora, a gente percebe como são as coisas de fato. Voltamos a Havana de carro, passamos na Praça da Revolução e entregamos o carro às 15:00, em frente ao Hotel Sevilla.

Almoçamos no Los Gijones e caminhamos pela cidade, fomos ao La Floridita, subimos o Edificil Bacardi, e descemos para Havana velha, reencontramos o garçon do café, conversamos muito com ele, e mais coisas foram se clareando em nossas mentes. Retornamos ao Museo do Chocolate para um chocolate quente. Voltamos às 21:00 à casa, para irmos à Fábrica das Artes (uma balada em Vedado), mas... não rolou, canseira demais.

Estadia e café da manhã: Diária Bancorbras no Hotel América --> em Santa Clara

 

Dia 29: Manha de mais caminhadas, malecón, fomos à Obispo, entramos na Casa de Obra Pía e estava tendo uma exposição mt legal lá, sentimos os ultimos suspiros de havana, almoçamos no los Gijones e as 14:30 pegamos o taxi para o aeroporto (voo as 17:25). Fomos um classico mt interessante. Taxi: 20 CUC.

Estadia (30 CUC) + 2 cafés da manhã (10 CUC) numa casa da frente à da Isabel, que também era Arrendador Divisa.

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fala povo, já fui e voltei pela segunda vez e ainda não escrevi o primeiro relato de 2012, não me xinguem, logo sai... rsrrsr

 

Só voltei aqui pra falar que ... Desta segunda viagem que fiz pra Cuba, voltei com uma certeza!!! Voltarei de novo!!!

 

Cuba é foda demais!!!

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caramba, queria muito voltar lá!!!!!

mas com essa desvalorização do real ta cada dia mais caro.... nem com as promoções de passagens adiantou...

pra aonde vc foi agora?

 

e valeu por compartilhar sua experiência Cecília !!

boas viagens !!

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Também quero muito voltar para Cuba! E tem que ser logo, pois nos próximos meses a retirada dos embargos econômicos é algo quase certo. Cuba vai mudar muito em vários sentidos. Alguns para melhor, mas muitos para pior também. Conhecer a Cuba de hoje não será a mesma coisa que conhecer a Cuba de 2017!!!

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Pedrada e Ana, passando de novo pra agradecer os "pitacos". Acabei remontando o roteiro assim:

 

Dia 1: Chegada em Havana às 16h

Dia 2: Havana

Dia 3: Havana

Dia 4: Havana (bate-volta Viñales particular)

Dia 5: Havana (8:15) - Cienfuegos (13:00)

Dia 6: Cienfuegos

Dia 7: Cienfuegos - Santa Clara - Trinidad

Dia 8: Trinidad

Dia 9: Trinidad

Dia 10: Trinidad (08:00) - Camaguey (12:40)

Dia 11: Camaguey

Dia 12: Camaguey (6:30) - Santiago (12:20)

Dia 13: Santiago

Dia 14: Santiago

Dia 15: Santiago (07:45) - Baracoa (12:35)

Dia 16: Baracoa

Dia 17: Baracoa

Dia 18: Baracoa (14:15) - Santiago (19:15)

Dia 19: Santiago (18:45) - pernoite no ônibus rumo a Havana

Dia 20: Chegada em Havana às 07:20

Dia 21: Partida de Havana às 15:50 rumo ao Brasil

 

Deu pra deixar algum "lastro" entre a volta a Havana e a volta ao Brasil, evitar um pernoite no ônibus cheio de paradas (esse horário entre Santiago e Havana só faz uma parada, em Camaguey), parar em Santa Clara num dia em que está tudo aberto a visitação, passar mais tempo em Baracoa...

 

Optamos por "sacrificar" um pouco de Viñales, mas já entramos em contato com uma família de lá e vimos que é viável fazer um bate-volta particular do jeito que queremos saindo de Havana, incluindo, além daquele básico que as agências fazem, as Cuevas Santo Tomas e San Miguel.

 

Desse jeito, ficamos com certa "folga" em Santiago e estamos pensando em fazer uma caminhada na Sierra Maestra.

 

Mais uma vez, valeu pela ajuda de vocês!!! ::otemo::

 

 

Camila, sua viagem se aproxima! Desejo muita sorte a paz a vc e seu namorado. Tomara que tragam muitas boas lembranças da ilha :)

 

E obviamente agora não é hora para dar pitacos, por isso não os darei uhahuahua Somente pergunto como fará o esquema Cienfuegos - Santa Clara - Trinidad? Trinidad é perto de Cienfuegos, e não passa por Santa Clara (que é mais ao norte). Talvez Santa Clara fique mais "à mão" no seu retorno para Havana. E sinceramente para Santa Clara apenas uma "passagem" de 2 horas basta. E não sei até onde será interessante visitar o museu do Chê (vc verá que os museus lá não são exatamente como os que estamos acostumamos...), por isso não sei se vale a pena se prender aos dias em que estará ou não aberto. Enfim, só reveja essa situação de Santa Clara, pois é quase unânime entre todos que lá estiveram que não é exatamente o momento alto da viagem hehe Então, dito isso, veja se vale a pena essa quebra no meio da viagem ("perdendo" um tempo valioso que poderia ser usado em Cienfuegos ou Trinidad) ou se é possível deixar Santa Clara para a volta a Havana.

 

E respondendo uma pergunta que vc fez anteriormente, minha namorada e eu fizemos todos os percursos com carro fretado. Quando queríamos ir de um lugar a outro, combinávamos na hora com algum motorista. Os preços normalmente saíam empatados com o que gastaríamos os dois na Viazul, mas com a vantagem de ser mais rápido, mais confortável, nos pegar em casa e deixar onde quiséssemos e ainda poder parar para tirar fotos. Além, é claro, de ter a chance de bater longos papos com os motoristas. (em Santa Clara passamos quando voltávamos de Remédios para Havana... o próprio motorista fez um tour na cidade conosco, parando nos principais locais, falando sobre a história e tal).

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Valeu, Ze! Estamos pensando em ir de táxi pra Santa Clara, saindo cedo de Cienfuegos. Quando a gente achar que esgotou o tempo lá, pretendemos partir pra Trinidad também de táxi. Já temos a maioria das passagens da Viazul, então parte do roteiro está meio "engessado", mas outra parte ta mais solta ainda, por exemplo essa ida a Santa Clara. Como já temos a passagem de Santiago pra Havana (que, pra nosso azar, deixou de ter a opção com apenas uma parada), não poderemos passar lá na volta :(

 

To me embalando no show de Bethania com Omara pra entrar no clima da viagem... contando os dias!

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    • Por maria.alves
      Mas como assim, Cuba com menos de 10 dólares por dia? 🤨 
      É isso mesmo pessoal, e para sermos mais exatos, gastamos exatamente $8,70 dólares cada um por dia, mas como o nome do post diz, foi um mochilão raiz e por isso eu advirto vocês que NÃO FOI FÁCIL, mas é possível.😎 Então, antes de começarmos, preciso dizer duas coisas:
       - PRIMEIRO: Eu e meu namorado estamos fazendo um ano sabático e tivemos a oportunidade de encontrar bons preços nas passagens a cuba, saindo de Bogotá- Colômbia e depois seguindo a Miami/NY-Estados Unidos. Então lá vamos nós com pouca grana e sem ter pesquisado muito.🤦‍♀️🙆‍♀️🤷‍♀️
      -SEGUNDO: Falaremos a verdade, é bem difícil ser mochileiro em Cuba! Mas, porquê Maria? Porque é um país pobre, em que a maioria das pessoas pensam que “turistas tem dinheiro, cubanos que não tem dinheiro”, segundo que por ter duas moedas os preços são absurdamente diferentes para cubanos e estrangeiros e terceiro que sempre vão tentar tirar um pouco do seu suado dinheirinho. Além  disso, seu mochilão pode se complicar pelo fato de ser ILEGAL fazer Couchsurfing, trabalhos voluntários, acampar selvagem, difícil pegar carona e até mesmo comprar comida em um supermercado para cozinhar, pode ser muito mais caro que comer na rua. 🤑😮
      Mas se você é brasileiro e não desiste nunca, assim como nós, vamos te dar dicas e esmiuçar como fazer um mochilão raiz em Cuba.
      Mas antes de começar, queria falar rapidinho sobre o DICIONÁRIO CUBANO, ou seja, palavras próprias que vão te ajudar e muito a se "disfarçar" de Cubano:
      CORRER LAGUAGUA = pegar um ônibus 🚍 CORRER CAMIONES = pegar um caminhão que é adaptado como se fosse uma lotação 🚚 CORRER BOTELLA = pegar carona PUNTO AMARILLO = lugar aonde fica uma pessoa vestida de amarelo, que para transportes do governo para você, mediante a uma proprina.  MONEDA NACIONAL = peso cubano/ CUP * DÓLAR = peso convertível / CUC  (se fala CU ou Ce-u-ce)
      Lembrando que Cuba tem duas moedas, o peso cubano (CUP) e o peso cubano convercível (CUC), ISSO É DE EXTREMA IMPORTÂNCIA, porque?
                  1 DÓLAR = 0.96 CUC (-10% ... não compensa levar dólar)
                  1 EURO = 1,08 CUC
                  1 CUC = 25 CUP
      OU SEJA, 
                  1 CUC = 4,07 reais
                  1 CUP = 0,15 centavos.
      obs: é fácil diferenciar as moedas, porque o CUP sempre ter os ROSTOS DOS PERSONAGENS FAMOSOS e o CUC vai ter sempre a imagem dos monumentos nacionais aos mesmos personagens.

      Lembrem sempre disso quando comentarmos os valores nos posts. E não esqueça, é balela o assunto que não é possível trocar CUP, acontece que na casa de cambio primeiro vão trocar TODO seu dinheiro por CUC e se você quer uma parte em CUP só pedir que a pessoa troca tranquilamente.
      *Lembrando que essa viagem aconteceu em maio de 2019, então eu estou usando a cotação dos valores comerciais, para ficar mais fácil.
      _________________________________________________________________________________________________________
      OUTRAS DICAS  RÁPIDAS PARA ECONOMIZAR
      ÁGUA – O gasto com água pode se tornar absurdo se você comprar todos os dias, mesmo se comprar aqueles galões de 6l. Normalmente uma água de 500ml e 1,5l em qualquer lugar custa entre 1 CUC e 1,5CUC respetivamente, em alguns mercados você até encontra por menos, mas se você fizer essa conta pela quantia de dias que você vai ficar, vai ser um gasto bem grande só com água. Nós tomamos água da torneira e não morremos por causa disso. Quando possíve, fervíamos e depois descobrimos um truque de comprar uma solução de hipoclorito por 1 CUP e colocar 3 gotas por litro de água. Pronto problema resolvido. 🥳 CASAS DE FAMÍLIA – A opção mais econômica de hospedagem são as casas de particulares. Minha dica é reservar por AIRBNB porque normalmente sai mais em conta ou também você pode chorar as pitangas. Assim você pode conseguir casas entre 10 e 12 CUC, na temporada baixa. Hoje em dia, Cuba tem pontos de Wi-Fi (ETECSA), no qual você compra um cartão, que varia de 1h e 5hs (Preço: 1 e 5 CUC respectivamente) e procurar hospedagens com reserva instantânea (sem a necessidade de confirmação com o anfitrião). Pronto, não precisa engessar o roteiro reservando tudo de casa e pode procurar o preço mais acessível na hora. COMIDA – Sempre vai ter algum lugar que vende comida por CUP ou estatais. Geralmente são estabelecimentos simples, e as vezes (poucas vezes) você até vai ter que comer em pé, mas a diferença é absurda de preço e a comida em si, é a mesma.  
       

       
    • Por Carlos Arthur Newlands Junior
      1º e 2º dias – chegada 31/12 e 01/01
      Após uma conexão no Panamá – o aeroporto de lá é uma balbúrdia, a Copa Airlines faz praticamente todas as conexões e escalas dos voos entre as Américas e o Caribe lá (mas pra quem curte umas “comprinhas”, tem um baita free shop) – chegamos ao Aeroporto de Havana: Aeroporto Internacional José Marti, cujo nome homenageia o grande patrono da Independência cubana. Arme-se de paciência ao desembarcar: o despacho de malas é lento, e se você trouxe alimentos na bagagem de mão provavelmente vão te mandar pra inspeção sanitária (a inspeção é rápida - eu custei mais a descobrir onde é a inspeção do que o exame em si).
      Pra quem acha que Cuba é um país atrasado, a primeira surpresa é a possibilidade de fazer câmbio de moedas no ATM. Sim, é isso mesmo: no aeroporto há vários “cajeros automáticos” nos quais você coloca até E400 e o terminal te informa a cotação de conversão em CUCs, conta as suas notas e te disponibiliza o valor equivalente em CUCs – tudo isso após escanear seu passaporte. O sistema dos ATMs só permite no máximo duas trocas de E400, E800 no total (só fui descobrir isso após tentar inutilmente por várias vezes em vários terminais trocar E2000 e ler a mensagem “não foi possível efetuar sua transação”); além desse limite o câmbio é feito numa pequena casa de câmbio logo na saída do aeroporto. 1 CUC é em média um pouco mais do que um dólar estadunidense e um pouco menos que 1 euro. Por 30 CUCs o táxi do aeroporto te leva até Habana Vieja.
      A melhor coisa que fizemos foi optarmos por ficar em casa de cubanos. Fomos calorosamente recebidos por um simpaticíssimo casal de aposentados; os cubanos são muito acolhedores, falantes e bem humorados (e gozadores também). Já há algum tempo o governo cubano abriu essa possibilidade de renda extra aos locais, mas é tudo superregulado: o preço da hospedagem é fixado em 30 CUCs por dia e o café da manhã (ou desayuno em espanhol) é de 5 CUCs por pessoa. Vale a pena: o desayuno é farto e saudável, dá perfeitamente pra adiar o almoço pro fim da tarde.
      Como chegamos na virada do ano, sabíamos que estaria tudo fechado. Passamos o réveillon na casa de outro casal de cubanos que chamou vários brasileiros turistas para rompermos o ano juntos – também em Habana Vieja. Aí tomamos conhecimento de uma “divertida” tradição cubana (que explica porque não há festas na rua na virada do ano): o costume de jogar água pela janela das casas à meia noite de 1º de janeiro (para descarregar a “sujeira” do ano que finda). Da varanda da casa onde passamos o réveillon assistimos vários transeuntes ficarem encharcados com essa brincadeira (me lembrou as histórias que escutei e li sobre o antigo entrudo).
      Como 1º de janeiro também estaria tudo fechado, resolvemos passar o dia na praia. Pegamos o ônibus de turismo na Praça Central (ônibus supermoderno e confortável) até a Praia de Santa Maria – belíssima: água cristalina, morna e sem onda. Por 6 CUCs aluga-se duas espreguiçadeiras e um guarda-sol muito bons.
      Na volta da praia, paramos para uma “almojanta” às 5 da tarde; depois de andar pela Calle Obispo (um dos pontos mais badalados de Habana Vieja, com muitos bares e lojas) encontramos o restaurante La Caribenha com preços ótimos: lá se pode almoçar um prato bem servido de espaguete por 2 CUCs e saborear um enorme copo de suco de manga natural por 1,5 CUC. Ah, detalhe importante: o padrão em Cuba é que a gorjeta (“propina”, em castelhano) não é cobrada na conta; o cliente dá (se quiser) diretamente ao garçom ou garçonete.
      3º dia – 02/01
      Na quarta-feira 03/01, já com tudo aberto, iniciamos nosso circuito cultural. Começamos pelo icônico Museu da Revolução (situado no antigo palácio presidencial). Há uma quantidade não muito grande de objetos históricos, mas extremamente significativos (como a boina de Che Guevara e o chapéu de Camilo Cienfuegos em Sierra Maestra, o cachimbo de Che, alguns equipamentos de radiocomunicação da guerrilha e a maca na qual foram transladados os restos mortais de Che da Bolívia para Cuba) e muitas fotos e reproduções de jornais da época. O Museu faz uma cuidadosa reconstituição histórica desde as guerras de independência até a Cuba de hoje; com grande destaque (um andar inteiro) para a Revolução de 1959, mas abordando também as agressões imperialistas (é especialmente tocante o mural sobre o criminoso atentado perpetrado pro agentes a serviço da CIA contra o avião civil da Cubana de Aviacion que resultou na morte de todos os passageiros e tripulantes) e as realizações e conquistas da Revolução: o fim do analfabetismo, a reforma agrária, o fim da privatização das praias e a sua liberação para o lazer do povo, a nacionalização das empresas de energia e telecomunicações, a universalização da saúde e educação públicas, entre tantas outras.
      Do Museu da Revolução se passa por dentro para o Memorial Granma – com um impressionante material bélico preservado da época. Dois itens em especial me chamaram a atenção: o PRÓPRIO IATE GRANMA acondicionado num esquife climatizado de metal e vidro (não se pode tocá-lo, mas se pode ver) e um destroço do avião espião estadunidense U2 derrubado por um míssil terra-ar (com um exemplar idêntico do míssil ao lado). Pra quem não conhece a História, o Granma foi o iate que os revolucionários do Movimento 26 de Julho liderados por Fidel Castro compraram no México para retornar a Cuba – 80 guerrilheiros num iate projetado para 20 pessoas; hoje, Granma é o nome do jornal diário editado pelo Comitê Central do Partido Comunista Cubano.
      Do Museu da Revolução e Memorial Granma, saímos e fomos ao Museu de Arte Cubana ao lado (aliás, é absolutamente impressionante a quantidade de museus que existe neste país: se bobear, há mais museus em Havana do que no Brasil inteiro - são 63 apenas em Ciudad de La Habana). Quando estivemos lá, estava montada uma exposição temática da arte moderna cubana e sua evolução, desde o período anterior às guerras de independência até os dias de hoje. O ingresso ao Museu de Arte Cubana dá direito de entrada também no Museu de Arte Internacional – este fica ao lado do Parque Central. No Museu Internacional estavam montadas exposições de vários artistas, inclusive um pop art kosovar.
      Saindo do Museu Internacional demos mais uma caminhada pela Calle Obispo – o point mais agitado de Habana Vieja, lotado de turistas e também de cubanos – e encontramos mais um museu: o Museu dos CDR (Comitês de Defesa da Revolução), organismos do poder popular de bairro. Os CDR foram criados apenas 3 anos após a derrubada de Fulgêncio Batista (são muito anteriores à Assembleia Nacional); quando criados, incorporavam cerca de 50 mil membros: hoje são mais de 8 milhões.
                      4º dia – 03/01
                      Hoje nossos dois principais objetivos eram: comprar a passagem para Trinidad e ir à Praça da Revolução. A melhor opção para adquirir passagens de Havana para Trinidad e Cienfuegos é na Interhotéis: uma parceria entre a viação estatal e os hotéis privados, assim se pode comprar o bilhete em qualquer hotel. O problema é que tem que ser com uma certa antecedência: hoje já não tinha passagem para dia 07 pela manhã, segundo a atendente do Hotel Plaza, que conseguiu um táxi coletivo privado – privado, mas regulado pelo Estado e pago antecipadamente no hotel – pelo mesmo preço da viação: 35 CUCs por pessoa (depois soubemos que em outros hotéis havia passagem disponível).
                      Pegamos então o ônibus de tour turístico – uma “jardineira” igualzinha a que circula no Rio, em Madrid ou em Paris: dois andares com superior coberto ou aberto, que se paga 10 CUCs por pessoa e se pode saltar em qualquer das paradas e subir novamente em outro da mesma linha com o mesmo ticket. Descemos na Praça da Revolução – enorme, com os dois painéis em homenagem a Che Guevara e Camilo Cienfuegos nos prédios como que delimitando os limites da praça. Além do visual esplendoroso, o grande “tchan” é o Memorial José Marti, o “Pai da Pátria Cubana”. Marti aqui é tão ou mais reverenciado do que Fidel e Che, até pelo fato de que Marti foi um herói mártir na luta pela independência de Cuba. O Memorial é belíssimo, com dezenas de documentos originais da produção política de Marti (incluindo muitos manuscritos) e num esquife de vidro expostos um revólver e o fuzil utilizados por Marti na guerra. Por 4,50 CUCs se visita o Memorial com direito à subida no Mirante (“mirador” em castelhano) com uma vista ABSOLUTAMENTE ESPETACULAR não só da Praça da Revolução mas de praticamente toda a Havana, e com direito a urubus voando ao seu lado na janela.
                      Dali voltamos ao tour bus e continuamos até a parada do Cemitério , o maior da América Latina e 3º maior do mundo. Parece estranho colocar um cemitério como ponto turístico, mas nos sete quarteirões de área do cemitério há muitas sepulturas que são verdadeiras obras de arte, além de um lindo monumento aos bombeiros.
      Do Cemitério, pegamos um coletivo cubano - baratíssimo (0,50 cents de peso cubano CUP - que vale 1/25 de CUC), velho e lotadérrimo igualzinho aos ônibus de subúrbio carioca – e fomos à Copélia. A Copélia é uma sorveteria afamada e uma “instituição habanera”: filas enormes para os cubanos que pagam em CUPs e sem fila para os turistas que pagam em CUCs – mas o turista não pode subir ao charmoso salão.
      Ao lado da Copélia fica o famoso edifício Habana Livre, hoje um hotel da rede Meliá, e no 22º andar (pedindo com jeitinho à recepção eles liberam a subida) há um lounge no meio do andar com janelas panorâmicas para os dois lados. Como Havana tem pouquíssimos prédios altos e o Habana Livre fica no alto de La Rampa, a mais famosa ladeira de Havana, das duas janelas deste lounge se vê praticamente toda a cidade. Em La Rampa, pertinho do Habana Libre está o famoso jazz club cubano La Zorra e El Cuervo. Descendo até o Malecón fica o Hotel Nacional – antigo, histórico e cheio de significados.
      Um aspecto muito interessante deste bustour é que não se limita às “áreas turísticas” da cidade: como percorre vários bairros, passa por muitas áreas residenciais. Assim, pudemos ver o tipo de moradia predominante no bairro de Vedado: nada muito diferente do subúrbio carioca.
      5º dia – 04/01
      Hoje foi um dia muito especial: saímos com um grupo de brasileiros ciceroneado pelo camarada Luís Caballero, velho militante revolucionário e uma enciclopédia ambulante de história cubana. Já de cara passamos na Casa del Habano, uma espécie de museu (mais um!) do tabaco no edifício onde funcionou anteriormente a Fábrica de Tabacos Partagás. Fundada em 1845, a Partagás é uma instituição nacional cubana; estatizada desde a Revolução, continua fabricando os melhores charutos do mundo das afamadas marcas Cohiba (a preferida de Fidel Castro), Montecristo, Romeu e Julieta, Robaina e da própria Partagás.
      Dali passamos pela Praça da Amizade Latino Americana, uma praça cercada por uma grade de metal circular com uma frase de José Marti sobre a amizade dos povos gravada na borda superior. Nesta praça, cada representante de um país da América trouxe uma semente e um pouco de terra para simbolizar a “terra de Latino América” e também foi erguido um bronze de um herói da independência nacional. No caso do Brasil, uma polêmica: o primeiro busto colocado foi o de Tiradentes, mas posteriormente nos anos 1990 o então Prefeito de Santos, o saudoso companheiro Davi Capistrano Filho, trouxe o busto de José Bonifácio: para Davizinho (como era carinhosamente chamado) Tiradentes havia sido um “herói fabricado pelos militares que deram um golpe militar ao proclamarem a República”, e o Patriarca da Independência seria mais efetivamente importante para a Independência do Brasil.
      Seguindo rumo ao Museu da Revolução, passamos na frente da Associação Cultural Yorubá de Cuba. Cuba, como o Brasil, tem uma enorme população de origem africana em função da escravidão; das religiões de matriz africana, a mais influente em Cuba é a yorubá. Em seguida, circundamos o Teatro Marti, local onde foi escrita a primeira constituição republicana de Cuba. Como já disse, Marti é quase onipresente em Cuba: Luís Caballero nos para na Praça Central em frente à estátua de Marti e nos conta a história do massacre dos estudantes em Cuba pela Coroa Espanhola, os eventos no Hotel com as perseguições lá ocorridas que ficaram conhecidas como as “batalhas café com leite” e o significado de haver 8 jardineiras e 28 palmeiras na Praça Central: as jardineiras homenageiam os 8 estudantes assassinados pela Coroa Espanhola e as 28 palmeiras referem-se ao dia 28, dia de nascimento de José Marti. Circundamos ainda a Escola Nacional de Balé de Cuba antes de retornarmos ao Museu da Revolução e ao Memorial Granma; já havíamos estado lá anteriormente, mas com este guia a visita cresce enormemente de qualidade e de conteúdo.
      À noite, fomos visitar a Sinagoga de Cuba, a Beit Shalom no bairro de Vedado em Havana. A comunidade judaica em La Isla é bem pequena (cerca de 1.000 pessoas) mas mantém suas tradições culturais e religiosas; a Beit Shalom é da linha não ortodoxa. Além da bela instalação da sinagoga, um mural de fotos me chamou a atenção: nele estavam Fidel e Raul participando de atividades no local. Por este mural de fotos, ficamos sabendo que em 1990 houve o primeiro encontro de Fidel com líderes religiosos (lembremos que, até o início dos anos 80, a Revolução tinha a política de definir o Estado cubano como ateu). Ao lado da sinagoga funciona o Centro Cultural Bertold Bretch. Terminamos a noite tomando mojitos em La Bodeguita Del Medio, um pequeno charmoso e afamado bar em Habana Vieja frequentado por Hemingway (que dizia ser o mojito de La Bodeguita o seu favorito, bem como o dayquiri da Floridita).
      6º dia – 05/01
      Hoje pela manhã fizemos duas visitas guiadas: O Capitólio e ao Gran Teatro Nacional Alicia Alonso. Os dois prédios são antigos, suntuosos e belíssimos: valem o preço do ingresso (10 CUCs para o Capitólio e 5 CUCs para o Teatro). O Capitólio foi construído no final dos anos 20 do século passado e inspira-se no Capitólio estadunidense, mas a torre é mais alta e é o único Capitólio do mundo que tem jardins internos (um deles com uma estátua instigante representando Lúcifer não como um demônio, mas como um anjo negro rebelde de asas caídas).

      O Teatro Alicia Alonso é uma das três exceções em Cuba, que tem como política não homenagear pessoas vivas; como Alicia foi a grande responsável pelo enorme desenvolvimento do balé cubano e por anos dirigiu tanto o Balé Nacional de Cuba quanto a Escola de Balé, a Assembleia Nacional de Cuba lhe prestou essa homenagem, não apenas dando-lhe o nome do Teatro mas também colocando em seu interior uma estátua de Alicia dançando.
      Terminamos o dia assistindo um espetacular show de jazz cubano no La Zorra e El Cuervo (imperdível), com direito a um endiabrado baixista que tocava ao mesmo tempo um baixo de 6 cordas (nunca tinha visto antes), bongô e tumbadora. A entrada custa 10 CUCs de couvert artístico, mas que dá direito a 2 drinques. Uma única observação: vá de calça comprida e casaco, pois o ar condicionado da casa é congelante.
      7º dia – 06/01
      Nosso grande programa de domingo foi assistir O Lago dos Cisnes no Gran Teatro Nacional Alicia Alonso com o Ballet Nacional de Cuba! Foi uma tremenda sorte nossa: ao irmos ao Teatro na visita guiada percebemos que O Lago dos Cisnes estava em temporada. Perguntamos na bilheteria e havia ingressos para a sessão de domingo!
      Quem vier a Havana não pode perder esse espetáculo se estiver em cartaz. É “apenas” um dos melhores grupos de balé do mundo dançando a PRIMEIRA COREOGRAFIA ESTRELADA POR ALICIA ALONSO – um primor de técnica e interpretação num teatro belíssimo.
      Na saída do Teatro, resolvemos jantar num bom restaurante para comemorar o feito. Nossa feliz escolha foi o La Viña de Plata, ao lado da badalada Floridita: ótimo camarão grelhado (o melhor que comemos até agora em Havana) e uma taça de um ótimo vinho Carmenere chileno por um preço absolutamente justo.
      8º dia – 07/01
      Despedimo-nos de Havana e iniciamos nosso tour pelo interior. Primeira cidade: Cienfuegos.
      Depois de 3 horas no táxi coletivo – um Peugeot com mais de 15 anos de fabricação em que o velocímetro e o medidor de combustível não funcionavam e não tinha manivela nos vidros traseiros - nós dois e um casal de vietnamitas chegamos a Cienfuegos. O lado positivo é que o Peugeot velho, além de encarar valentemente as 3 horas de estrada, ainda nos deixou na porta de nosso destino: o Hostel De Las Marias. Nos hospedamos num ótimo quarto na casa de Rosa Maria, que mora com sua família, incluindo os pais idosos e uma gracinha de filha pequena. O desayuno segue o padrão de fartura que se anuncia nas casas de cubanos.
      Saímos para conhecer a pé a cidade – uma graça, com uma arquitetura muito diferente, com um certo estilo de colunas gregas em vários prédios. Procurando um local para almoçar, encontramos um à beira mar tão bonito e charmoso quanto caro e vazio; na segunda paralela já encontramos uma ótima opção por um preço justo no Punta Gorda Grill.
      Terminamos a tarde com um programa imperdível: música cubana ao vivo no por do sol no castelinho na ponta final de Punta Gorda. Os músicos, além de muito talentosos, são extremamente simpáticos e adoram música brasileira – e se você é músico eles sempre dão a chance de uma canja.
      Um parênteses: além de conhecerem música brasileira, eles também demonstraram acompanhar a política do Brasil e sabem o que significa a vitória eleitoral de Bolsonaro. O registro que faço agora entre parênteses é que caminhando pela cidade fomos abordados no meio da rua por um rapaz de bicicleta que, muito educadamente, nos perguntou se éramos brasileiros. Ao confirmarmos, ele desatou a falar sobre a eleição do capitão fascista e da retirada dos médicos cubanos do Brasil, mostrando-se indignado com o fim da assistência médica aos brasileiros mais pobres; nos despedimos com ele desejando “que Deus se apiede dos brasileiros”.  Nossa percepção é que este entendimento de que Bolsonaro é um fascista aliado de Trump e inimigo de Cuba e dos trabalhadores brasileiros está generalizada em La Isla.
      9º dia – 08/01
                      Nosso segundo e último dia em Cienfuegos serviu para confirmar que 2 dias aqui é suficiente: a cidade é muito bonitinha, mas não tem uma grande quantidade de locais importantes para visitar. Logo pela manhã, andando pelo Centro Histórico deparamo-nos com a sede local do ICAP – Instituto Cubano de Amizade com os Povos. Fui recebido pelo camarada Reinaldo Suárez responsável pelo espaço, que nos indicou conhecer um trabalho comunitário artístico ali perto de arte e tradições africanas, com uma exposição de belíssimos trabalhos de artistas locais.
                      Dali fomos ao cais e tomamos a barca – uma versão anos 60 e menor da Barca Rio-Niterói (até os salva-vidas de cor laranja dispostos em estrados de madeira presos ao teto são iguais) por 40 minutos até chegar ao Castillo de Aguas, onde fica a Fortaleza, que hoje é um museu da época da dominação espanhola. Além da construção em si e das peças em exibição serem muito interessantes, a vista de cima da fortaleza é um espetáculo à parte. Almoçamos por aqui mesmo no restaurante El Pescado: ambiente rústico com uma linda vista para o mar (lembra os restaurantes à beira dágua de Pedra de Guaratiba) e ótima comida por um preço justo. Ainda pudemos pagar neste restaurante o “táxi barco” deles para voltar direto ao cais de Cienfuegos – 25 CUCs o casal: um pouco salgado mas muito mais agradável.
                      Voltando ao centro histórico de Cienfuegos, ainda encontramos uma simpática feirinha de artesanato com lindas peças. Além de saborear o sorvete da Copélia local, ainda adquirimos um belo retrato de Che Guevara pintado a nanquim pelo talentoso jovem artista Luis Alvarez. Luis viu nosso interesse por um retrato de Fidel do mesmo tipo e nos disse: “termino em uma hora”. Como estávamos já indo pra “casa”, combinamos que ele nos levaria no dia seguinte de manhã para o hostel antes de nossa partida para Trinidad e pagaríamos lá.
                      Acabamos jantando no mesmo Punta Gorda Grill de ontem – nossa intenção inicial era apenas lanchar sanduíches, mas não encontramos nada que nos agradasse por ali. Os pratos são bem servidos e os preços são bons: jantamos uma bela peça de carneiro e uma enorme salada por 20 CUCs, incluindo os sucos de abacaxi (aliás, o abacaxi em Cuba é pequeno e deliciosamente doce).
      10º dia – 09/01
                      Enquanto esperávamos o táxi coletivo que nos levaria a Trinidad, chega o emissário do Luis Alvarez com o retrato de Fidel pronto. Chega o táxi: um Ford Studebaker 1956! O jovem que o dirige faz este percurso todos os dias de segunda a sexta, é o seu trabalho. Pergunto se o carro é original e ele responde sorrindo “não, é um Frankenstein”. Eu já tinha percebido que não era original por que o carro tem banco único na frente mas a alavanca do câmbio não é na direção como nos carros da época. Aí ele me conta que o motor é da Mitsubish e que os freios não são os velhos de lona, e sim modernos de pastilha; o companheiro Luis Caballero já havia nos contado que a maioria dos carrões americanos antigos de Cuba foi sendo mexido e trocado, porque com o bloqueio não havia como conseguir peças de reposição. Também já tínhamos notado que há uma certa quantidade de carros mais novos em Cuba, NENHUM AMERICANO: são basicamente Mitsubish, Huyndai e Peugeot – além de uma boa quantidade de velhos Lada.
                      Fomos no táxi coletivo com mais um casal de italianos e um rapaz espanhol, todos de esquerda: o único que não era um defensor do socialismo era o motorista cubano (o primeiro crítico do regime que encontramos). Mesmo assim, ele reconhece que Cuba é um país muito seguro (ao contrário do restante da América Latina) e que não há uma gritante desigualdade porque “em Cuba não se permite ricos”; mas reclama da moeda nacional (“dinheiro cubano, isso não vale nada”), do alto preço das peças de reposição de automóvel, diz que os habitantes de Havana são mal vistos pelo resto do país e que “os funcionários do Estado em Cuba trabalham mal porque os salários são baixos” (palavras dele – para registrar, até agora não fomos mal atendidos em nenhum serviço estatal).
                      Chegando em Trinidad, tivemos a surpresa de descobrir que pela primeira vez não ficaríamos em uma casa de cubanos, e sim em um hostel propriamente dito, charmosíssimo por sinal. Sobre o centro histórico de Trinidad, só uma frase a dizer: QUE CIDADE LINDA! Tanto pela arquitetura quanto pelo tipo de calçamento, Trinidad lembra demais Paraty do RJ – ganhou com muita justiça o título de Patrimônio da Humanidade.
                      Passamos o dia flanando em Trinidad e terminamos a tarde na Casa de Música, que na verdade é um grupo de bares instalado em uma escadaria. O detalhe charmoso é que o sol se põe exatamente de frente para essa escadaria, que também está num point badalado de outros bares (além de ter o hot spot da internet pública), então no fim da tarde fica cheio. Tomar um mojito assistindo a um bel por do sol e ouvindo música cubana é muito bom.
                      Em nossa caminhada pelo centro histórico de Trinidad, nos deparamos com um cartaz na porta da Igreja Batista contra a constitucionalização do casamento igualitário. É um pouco chocante constatar na prática que numa democracia popular o atraso fundamentalista tenha ainda forte presença política.
                      À noite, fomos à Canchamcharra, um bar com música cubana ao vivo. O bar tem um ambiente supercharmoso, você pode sentar em poltronas ou sofás e o grupo é muito bom. O único alerta é: coma alguma coisa antes de ir, porque lá não tem petiscos, só bebida.
                      O que não foi legal foi o fim da história: como não tinha opção de comida na Canchamcharra procuramos um local para lanchar e optamos por um bar de tapas e lanches. O aspecto do bar é charmoso, mas o serviço foi ruim: o hambúrguer veio em pão de forma; o suco de manga não era natural e o gosto mais parecia de pêssego; pra “fechar com chave de framboesa”, a conta veio com um “opcional” de 2 CUCs (mais de 10%) que nos recusamos a pagar e o troco ainda veio errado. Mas... “faz parte”: até agora, o único pequeno senão da viagem.
                      Uma dica: na mesma rua ficam a Canchamcharra, a filial da Bodeguita Del Medio em Trinidad e a Zelatto – esta é uma sorveteria artesanal com o melhor sorvete que tomei em Cuba (aqui entre nós e assumindo o risco de “cometer uma heresia”, muito melhor do que o da Copelia).
      11º dia – 10/01
                      De manhã o tempo em Trinidad estava nublado, mas acabamos decidindo ir à praia assim mesmo pegando o bustour das 11:00h. O ônibus turístico de dois andares custa 5 CUCs por pessoa ida e volta. Foi ótimo: chegando na belíssima Praia Ancón, o tempo estava aberto. Lá também se aluga boas espreguiçadeiras por 2 CUCs cada.
                      Nosso plano inicial era ficar até o último horário de volta do bustour, 18:00h. Assim, por volta de 13:30h pedimos ao bar da praia 2 sanduíches e dois sucos de manga. O custo acabou ficando salgado: 3 CUCs por um sanduíche misto quente com pepino e tomate até vai, mas 3 CUCs por um copinho de suco de manga (gostoso) mas que tem mais gelo do que suco já é abusivo. Como o sol estava bem forte, decidimos retornar no bustour das 15:30h (depois desse, só às 18:00).
      12º dia – 11/01
                      Na volta de Praia Ancón no dia de ontem já adquirimos na Cubatur o passeio para Cayo Blanco. Os cayos são ilhas pequenas nas proximidades da grande ilha de Cuba.
                      Para chegar à marina de onde sai a escuna é necessário pegar um táxi. Tratamos um taxista para a ida e volta por 16 CUCs (os táxis em Cuba não têm taxímetro, o valor da corrida é negociado antes com o motorista). O carro era outra relíquia: um Citröen 1956 “Chocolate and Pepper” (vermelho e preto)! Obviamente, também era um “Frankenstein”: o motor é de Lada (mas pelo menos nesse o velocímetro funcionava).
                      O passeio custa 50 CUCs por pessoa, incluídos: bebida a bordo da escuna – mais moderna do que as que usamos na Bahia – almoço na ilha (“paella cubana”: arroz misturado com camarão, pedaços de lagosta e de frango, muito saboroso) e snorkel para mergulhar e ver o recife de coral próximo a Cayo Blanco (muito bonito). Um detalhe interessante é que a energia elétrica do restaurante de Cayo Blanco é fornecida por baterias solares.
      A ilha é bem pequena, dá pra circulá-la toda a pé em menos de meia hora; do lado oposto ao cais e restaurante na ilha está um belo cemitério de corais.
      Uma nota peculiar: decidimos por Cayo Blanco ao invés de Cayo Iguana porque o tempo de deslocamento é bem menor: são menos de 2 horas de barco para Cayo Blanco e quase 3 horas para Cayo Iguana – mas Cayo Iguana tem o charme especial de ser uma reserva ecológica com muitas iguanas, enquanto a presença deste réptil em Cayo Blanco é mais rara. Já estava sentindo uma pontinha de frustração por não termos encontrado nenhuma iguana... e eis que aparece tranquila e majestosa: foi a festa da criançada e dos turistas.
                      Terminamos a noite em Trinidad num local inusitado para a imagem tradicional de Cuba: um bar temático de Beatles chamado Yesterday, com um show ao vivo de Beatles e rock . A banda é muito boa, toca Beatles com uma pegada mais roqueira, além de várias músicas de outros grupos de rock como Led Zeppelin, Pink Floyd, Roxette e Deep Purple. O guitarrista mais jovem – com uma vestimenta tipicamente grunge – deu um show especial à parte: antes da apresentação começar (com o grupo já no palco) o som ambiente tocava Led Zeppelin e o garoto reproduziu o solo de Jimmy Page em Starway to Heaven nota por nota!
      13º dia – 12/01
                      Decidimos ficar apenas em Trinidad, dando a última volta a pé pelo Centro Histórico. Após andar bastante, paramos para almoçar e decidimos pelo restaurante Plaza Mayor, próximo à praça de mesmo nome: por 10,5 CUCs come-se quanto quiser de um ótimo e sortido bufê, com sobremesa incluída.
                      À noite foi a festa de aniversário da cidade, com um show de apresentações em frente à escadaria. No dia seguinte pela manhã, realizou-se uma cerimônia na praça. Como estávamos já bastante cansados e o show ia começar às 22:00h, nos recolhemos cedo, pois no dia seguinte já iríamos para Santa Clara.
      14º dia – 13/01
                      De manhã pegamos o táxi coletivo para Santa Clara – mais uma “relíquia Frankstein”: um Bel Air 1956 com motor Huynday. O carro pagou para pegar mais um casal de holandeses, sendo que ele falava português e ela inglês. Como o taxista também falava inglês, a viagem foi uma verdadeira babel de conversas em inglês, castelhano, português e holandês. No meio do trajeto demos uma parada num “tienda” de beira de estrada em frente a um belíssimo painel de Che Guevara.
                      Chegamos em Santa Clara e nos instalamos em mais uma acolhedora casa de cubanos. Dali fomos a pé até o Monumento Trem Blindado: o trem que transportava uma guarnição do exército de Fulgêncio Batista e que a coluna de Che descarrilhou e forçou a rendição da tropa batistiana. O detalhe épico é que a coluna de Che contava com apenas 18 homens e guarnição batistiana com mais de 300, mas no fim de dezembro de 58 a moral das tropas do exército de Batista era tão baixa que eles se renderam a Che. Por 1 CUC pode-se visitar a instalação e entrar nos vagões – essa que é a parte legal, pois dentro de cada vagão há uma exposição contando parte da história.
                      Perto dali fica a sede provincial do Partido Comunista Cubano; em frente à sede está a icônica e belíssima estátua de Che Guevara caminhando com um menino no colo. A sede é bem ampla, mas só o saguão é aberto à visitação.
                      Caminhamos para o Parque Vidal, onde está o Hotel Santa Clara Libre, outro ponto cuja tomada foi crucial para a vitória da coluna do Exército Rebelde liderada por Che. No caminho, encontramos uma farmácia como aquela dos velhos tempos, com enormes estantes e balcão de madeira: só faltava estar escrito “Pharmacia” no letreiro. Almoçamos no restaurante Casa do Governador, que apesar do nome pomposo e do aspecto chique tem preços bem razoáveis e ótima comida.
      No Parque Vidal, pegamos um táxi para visitar a Loma Del Capiro: o ponto mais alto da cidade e cuja tomada representou uma vitória militar muito significativa para o Exército Rebelde. A vista daqui de cima é linda, vê-se toda a Santa Clara. Há um monumento em homenagem ao Comandante Guevara e duas bandeiras, a de Cuba e do M 26/07 – mas na hora que chegamos (fim da tarde) as bandeiras já haviam sido recolhidas.
      Terminamos a noite assistindo ao Encontro de Trovadores no espaço cultural El Mejunje, idealizado por Miguel Diaz-Canel quando era Secretário do Partido na região de Santa Clara e que é um ponto de encontro da comunidade LGBT.
      15º dia – 14/01
      Hoje passamos o dia em Cayo Santa Maria; para lá se vai de carro. Não é um programa barato: o táxi cobra 60 CUCs pra levar e trazer; e, como a praia é de um resort, tem que pagar 5 CUCs por pessoa para entrar – o que dá direito a um drink no bar da praia. Apesar de caro, é imperdível: a praia é lindíssima, um típico mar do Caribe de água absolutamente cristalina e calma, e com uma grande quantidade de gaivotas que não se importam em nada com a presença de humanos. Pra variar, o táxi era mais um carrão antigo modificado: um Pontiac 1956 com motor Nissan.
      Um espetáculo à parte é a explicação de porque se chega lá de carro. É uma impressionante obra da engenharia civil cubana: aqui e em vários cayos da região de Varadero eles construíram estradas por cima do mar, ASSENTADAS EM PEDRAS JOGADAS AO MAR! Para Cayo Santa Maria, são 37 km de estrada COM MAR DOS DOIS LADOS!
      A história dessas estradas chega a ser lendária. Fidel era apaixonado por caça submarina, e por questões de segurança pessoal ele a praticava quase que clandestinamente nos cayos. Quando Cuba começou a investir no turismo, Fidel teve a ideia visionária de ligar os cayos por estrada sobre o mar. Na época, os ecologistas e ambientalistas criticaram o projeto original, argumentando – e com toda a razão – que um “paredão” de pedra cortando o mar iria interferir no regime das correntes marinhas e prejudicar a circulação dos peixes. O que fizeram então? Fotografaram a região do alto, estudaram as rotas dos cardumes e das correntes marinhas e o “paredão” de pedras tem 37 pontos de interrupção, sobre os quais foram construídas pontes – a maior delas inclusive permite a passagem por baixo de barcos pesqueiros.
      Almoçamos no restaurante do resort, que também não pratica preços extorsivos. À noite jantamos no restaurante Sabor e Arte em Santa Clara, um ótimo e simpático local frequentado por cubanos com preços no cardápio expressos em CUPs – mas a conversão é muito fácil: é só dividir por 25. Por 10 CUCs se come uma ótima lagosta.
      16º dia – 15/01
      Nossa despedida de Santa Clara foi uma bela caminhada do Parque Vidal até o Memorial de Che Guevara – são mais de 20 quarteirões. O monumento é encimado por uma enorme e belíssima estátua do Comandante, e tem as partes externa e interna. Do lado de fora, frases de Che e mapas de suas expedições guerrilheiras da coluna que liderou no Movimento 26 de Julho. A parte interna não pode ser fotografada: numa sala tem o Memorial propriamente dito, com uma excelente exposição de fotos, documentos e objetos de Che; na outra sala estão guardados os restos mortais do Comandante – repatriados da Bolívia após décadas – e de seus companheiros mortos das guerrilhas da Bolívia . Além disso, atrás há um outro pequeno cemitério dos guerrilheiros de Sierra Maestra da coluna liderada por Che, ainda com várias lápides sem nome (aguardando pelos companheiros ainda vivos).
      17º dia – 16/01
      Saímos cedo para pegar o ônibus da Via Azul no terminal de Santa Clara rumo ao nosso penúltimo destino: Varadero. Confesso que o aspecto externo do busão era bem cacarecado e dava uma certa preocupação, mas internamente o ônibus era bem razoável e chegamos em Varadero com tranquilidade, após 2 horas e meia de estrada. Também em Varadero optamos por ficar em casa de cubanos, e novamente fomos super bem atendidos e alojados por uma família simpaticíssima.
      Se Havana Velha parece a Lapa/Santa Teresa, Trinidad lembra demais Paraty e Cuba em geral parece o subúrbio carioca, Varadero é o Recreio dos Bandeirantes do Rio: um balneário supermoderno com praias lindíssimas, mas extremamente americanizado e formatado para turistas. Varadero na verdade é uma compridíssima e estreita restinga: uma faixa de terra que avança pelo mar por mais de 30 km, mas que só tem 300m de largura – então tem “mar dos dois lados”. Do lado “direito” de quem entra em Varadero por Matanzas é litoral de pedras; as praias – e os resorts – estão todas do lado “esquerdo”.
      Em Varadero praticamente a única (e ótima) coisa a fazer é curtir praia: linda, com água azulada e cristalina – só que nestes dias não está a “piscina” tradicional, em função dos ventos mais fortes e do tempo mais instável (chegou a ter bandeira vermelha antes de nós chegarmos). Uma observação: neste período de janeiro (que é inverno no Hemisfério Norte) se o sol se esconde atrás das nuvens sente-se frio na praia, porque o vento é constante.
      Outra coisa: nos restaurantes, nem sempre boa apresentação visual significa boa comida. Almoçamos num restaurante simpático da 1ª Avenida, mas o camarão estava “burocrático”.
      À noite, entretanto, a coisa foi diferente – para melhor. Marcamos de jantar com um grupo de amigos brasileiros no restaurante Casa de Al, que é a antiga casa de Al Capone em Cuba (na qual ele guardava a bebida que comercializava ilegalmente durante a Lei Seca). O restaurante é um charme, a comida é muito boa, tem uma ótima carta de vinhos e os preços não são extorsivos. No verão, o charme adicional é almoçar no terraço de vista para a praia, mas no inverno à noite fica impossível: aí é no ambiente interno mesmo.
      18º dia – 17/01
      Por volta das 07:00h da manhã fomos acordados pelo barulho da chuva. Pensamos de cara: “e agora? Balneário com chuva é um baita tédio”... voltamos a dormir e, grata surpresa: às 10:00h já estava um lindo dia de sol. A dona da casa nos explicou que por aqui é assim mesmo: quando chove é chuva rápida e logo o tempo abre.
      Após o ótimo desayuno padrão casa de cubanos, fomos novamente à praia, mas desta vez mais longe de “casa”: no resort Be Live Experience. Em Varadero os resorts estão à beira das praias mas o acesso à areia é livre e franqueado: a única diferença é que, se você não está hospedado no hotel, paga pelo uso das espreguiçadeiras e pela bebida que consumir. Como havia chovido pela manhã o mar estava mais mexido e com muitas algas, mas a praia continua sendo belíssima.
      Desta vez demos sorte no almoço: um pequeno e charmoso restaurante na Calle 47  com um ótimo camarão empanado e um serviço muito atencioso. Detalhe curioso é que, pela primeira vez em Cuba, encontramos um local que vendesse Coca Cola (ainda que embalada no México).
      18º dia – 19/01
      Varadero é realmente o “Recreio dos Bandeirantes” de Cuba: sofisticado e americanizado, mas também tem seu lado bucólico – várias casas por aqui criam galinhas, e de madrugada escutamos o galo cantar (nem me lembro mais quando foi a última vez que escutei galo cantar no Rio).
      Após o desayuno, saímos para ir à Cueva del Saturno, uma gruta com água doce e formações rochosas submersas. Combinamos com o taxista de pagar 40 CUCs e ele nos aguardar lá para a volta, pois a gruta fica praticamente fora de Varadero, na divisa com Matanzas a cerca de 20 km do centro de Varadero.
      O lugar é lindíssimo: a gruta fica 20m abaixo do nível do mar e tem profundidade embaixo da água doce (absolutamente cristalina) que varia de 1m a 22m. A entrada para a Cueva del Saturno custa 5 CUCs, e por mais 1 CUC aluga colete salva-vidas opcional – pra quem não é exímio nadador (como nós) é absolutamente recomendável. O local não tem snorkel para alugar; quem curte mergulhar vale a pena levar pelo menos os óculos de mergulho. Eu não senti falta: a água é tão cristalina e transparente que flutuando no meio da gruta dá perfeitamente pra ver o fundo 22m abaixo – a sensação é que está voando por sobre um abismo rochoso.
      Dali voltamos à praia e decidimos fazer o passeio de catamaran pelas águas de Varadero: 30 CUCs por 1 hora para duas pessoas. Hoje o sol estava totalmente aberto e o mar bastante calmo, então pudemos aproveitar ao máximo o passeio. Mergulhar nas águas azuis do Caribe a alguns quilômetros da praia foi especial, e o passeio todo é muito bonito.
      Na hora que bateu a fome, fomos ao restaurante mais próximo de onde estávamos: La Bodeguita Del Medio de Varadero. Um camarão ao ajillo muito bom, ótimos sucos naturais de abacaxi e melancia e, pra fechar, um delicioso mojito. Agora que já tomei mojito por todos os lugares onde estive em Cuba, posso garantir que Hemingway tinha toda a razão: o melhor mojito de Cuba é em La Bodeguita Del Medio.
      Mais praia até quase o fim da tarde, um descanso e o lanche da noite: ótimos e enormes hambuguers (“hamburguesas” em espanhol) no simpático snack bar Vernissage, ao lado de “casa”. Aqui também encontramos Coca Cola mexicana; cubanos mais ortodoxos costumam dizer que “Varadero no es Cuba” – pelo jeito não deve ser mesmo, pois “l’áqua nera del imperialismo ianque” não se acha em nenhum outro lugar de La Isla.
      19º dia – 20/01
      Nosso dia de despedida de Varadero: desayuno cubano, deixar as malas arrumadas na casa, liberar o quarto para os próximos hóspedes – e passear até o horário do ônibus de volta para Havana.
      Resolvemos pegar o bustour e fazer o passeio turístico por Varadero. Definitivamente, “Varadero nos es Cuba”: a parte em que nos hospedamos (os primeiros quilômetros mais ao sul da restinga) são o Recreio dos Bandeirantes carioca; já a parte dos maiores resorts, mais ao norte até a ponta, é uma Cancun. As praias são belíssimas e os resorts superluxuosos, nada a ver com a Isla que conhecemos e passamos a amar tanto.
      Fizemos algumas compras no centro comercial mais badalado da área dos resorts e, na volta, decidimos almoçar no Casa de Al: estava um belo dia de sol, daria para almoçar na varanda com vista para o mar. O único pequeno contratempo foi que saltamos do bustour e, pela indicação que nos deram, seriam 5 quadras mais à frente – mas eram mais de 10 quadras, foi uma caminhada grande. Mas compensadora: o camarão continuava delicioso, agora curtimos a vista para o mar deslumbrante e ainda tivemos música ao vivo com um ótimo grupo musical que ainda atendeu a nossos pedidos de tocar “Hasta Siempre, Comandante”, “Guantanamera” e “Iolanda”.
      Dali foi pegar um táxi, descansar um pouco e pegar o ônibus da Via Azul pra Havana – desta ver um carro bem melhor, mais moderno e confortável. Em 3 horas estávamos em La Habana, de volta à casa da mesma maravilhosa família que nos acolheu no início da viagem.
      20º dia – 21/01
      No primeiro dia de manhã de volta à Havana, fomos visitar nossos novos amigos cubanos Luis Caballero e Isabel Suarez e encontramos com a companheira Maria Leite, brasileira velha amiga do casal e grande amiga de Cuba. Queríamos ir ao Museu da Alfabetização mas descobrimos que estava fechado porque funciona dentro de uma instituição escolar. Por uma daquelas ótimas coincidências do destino, Maria já tinha agendado de ir ao Museu da Alfabetização no dia seguinte – combinamos de ir juntos.
      Dali fomos a pé até o Mercado San José, grande concentração de lojas de artesanato e lembranças – mais uma dica errada de distância: nos disseram que ficava na Avenida do Porto 5 quarteirões depois da esquina com Obispo, mas na verdade são mais de 10 quadras de distância. Fizemos algumas compras e voltamos para almoçar.
      À noite combinamos com os amigos Maria, Isabel e Luís de jantar no restaurante Deliriu’s: MARAVILHOSO! Lindíssimo, ambiente chique, ótima comida e preços não extorsivos – e ainda fomos brindados com uma espetacular apresentação de jovens cantores líricos. Esse restaurante eu recomendo MUITO.
      21º dia – 22/01
      Encontramos com a companheira Maria Isabel e fomos visitar o Museu da Alfabetização. Nos recebe na porta do museu uma senhorinha meio aborrecida porque estava faltando luz, vestida de jeito super simples: camiseta, calça tipo leggin e sandália de dedo – era a Diretora do Museu, Doutora em Educação. Conseguimos convencê-la a nos mostrar o Museu mesmo sem luz, só com a iluminação natural das janelas, pois íamos viajar no dia seguinte – e foi a visita mais emocionante que fizemos. O relato de um país pobre que mobilizou dezenas de milhares de voluntários e em um ano de campanha erradicou o analfabetismo é uma coisa impressionante - especialmente quando ficamos sabendo que 40 voluntários de alfabetização morreram durante a campanha, 11 ASSASSINADOS PELOS CONTRARREVOLUCIONÁRIOS ORGANIZADOS E FINANCIADOS PELA CIA (o primeiro “mártir” da alfabetização deu nome às Brigadas do Exército de Alfabetizadores: Brigadas Conrado Benitez). Não dá pra reproduzir aqui mais de 1 hora de palestra da Dra Luisa, mas dá pra comentar um pouco sobre três coisas:
      1)      no ato de comemoração do fim da campanha e da declaração da erradicação do analfabetismo em Cuba, os destacamentos dos “exércitos de alfabetizadores” (todos voluntários) exibiam faixas dizendo : Fidel, diga-nos agora o que fazer” (pois AQUELA “missão dada” já era “missão cumprida”). Fidel respondeu no ato: ESTUDEM! O programa de alfabetização passou a charmar-se “Sim, nós podemos” e foi “exportado” para vários países e regiões ( Dra Luísa nos relatou a experiência dela como monitora do repasse do programa em um Estado do México); a continuação dos estudos passou a ser chamada “Sim, nós podemos prosseguir”;
      2)      a “exportação” do programa “Sim, Nós Podemos” sempre respeitou as peculiaridades locais de cada país; por exemplo, no Haiti a alfabetização foi em criollo e não em francês; na Bolívia, além do espanhol, também em quíchua e almanara (as duas maiores línguas indígenas de lá);
      3)      o Museu da Alfabetização é situado em uma enorme área que na ditadura de Batista era o maior quartel militar, o Quartel Colônia – e tinha inclusive uma residência oficial do tirano. Na revolução o quartel foi transformado em escola: as residências dos soldados e oficiais foram transformadas em escolas, e hoje lá existe desde escola primária até a Faculdade de Pedagogia.
      À tarde demos mais uma descansada e arrumamos as malas, porque na manhã do dia seguinte já era hora de embarcar de volta ao Brasil. Mas não pudemos deixar de retribuir toda a hospitalidade e carinho da maravilhosa família que nos acolheu em Havana: convidamo-nos para jantar conosco novamente no Deliriu’s – e novamente a qualidade da comida, o requinte e beleza do local e o preço justo tornaram a noite muito agradável.
      O dia seguinte foi de dizer “Até breve, Cuba”: amamos esta Ilha e voltaremos muitas vezes, com toda a certeza!






































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