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Caminho da Fé - 429 Km em 15 dias de caminhada - Relato, dic


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  • Membros de Honra

Fala Grande Augusto !!

 

Preciso de mais um dica sua.

É possivel fazer essa trilha, saindo de um ponto mais proximo da Basilica ?

Tipo quero ir num feriado de 3 dias e chegar no ultimo dia na Basilica.

 

Sai de SP, sexta a noite, começa a trilha no sabado de manhã e termina na segunda feira na Basilica.

Se for possível, que cidade voce sugere para começar ?

 

e camelar é com a gente rs, acho que da para fazer uns 25km por dia ou mais (fiz na chapada com mochila cheia e subindo montanha)

 

abs

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  • Respostas 166
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Oi pessoal.   Este é um relato dessa caminhada saindo de Tambaú (SP) até a Basílica de Aparecida com algumas dicas, informações e depoimentos em vídeo que fui fazendo ao longo do percurso. Iniciei

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  • Membros de Honra

Fala Raffa, blz? ::otemo::::otemo::::otemo::::otemo::::otemo::

 

3 dias de caminhada??

Existem 3 opções, mas vai depender do seu pique e da logistica.

As 3 seriam na cidade de Brasópolis (2 no Distrito de Luminosa e 1 em Campista).

No Distrito de Luminosa as pousadas ficam a 4 Km uma da outra (uma em um vale e a outra na subida da serra).

Já a de Campista fica naquela estrada que liga Campos do Jordão à Pedra do Baú.

Para essas 3 opções vc teria de pegar um onibus até Brasópolis ou São Bento do Sapucaí e depois ligar nas pousadas p/ saber como se chega lá.

 

Se vc iniciar por Luminosa serão uns 35 Km até Campos do Jordão (esse trecho é um dos mais puxados de todo o caminho por causa de 1 subida de serra bem ingreme, mas como vc vai estar com todo o gas, não vai ser dificil) e se começar por Campista são 21 Km até CJ.

E de CJ até Pindamonhagaba são pouco mais de 40 Kms. O que ajuda é que é só descida de serra. Vc não vai subir nada. Se perceber que não consegue chegar na cidade, têm umas pousadas, logo que termina a descida da serra.

Já de Pinda até a Aparecida são quase 30 Km (esse na minha opinião é o pior trecho, pois é só asfalto).

O ruim é que vc vai estar chegando na Basilica já quase no final da tarde.

 

 

Já pensou em fazer de uma outra forma? Por que vc não faz o Caminho por etapas?

Começando por Tambaú ou Aguas da Prata?

 

É um pouco puxado desse jeito, mas como são apenas 3 dias, dá p/ voltar a Sampa inteirão.

Não quer arriscar não? :mrgreen::mrgreen::mrgreen::mrgreen:

 

 

Abcs

 

 

Fala Grande Augusto !!

 

Preciso de mais um dica sua.

É possivel fazer essa trilha, saindo de um ponto mais proximo da Basilica ?

Tipo quero ir num feriado de 3 dias e chegar no ultimo dia na Basilica.

 

Sai de SP, sexta a noite, começa a trilha no sabado de manhã e termina na segunda feira na Basilica.

Se for possível, que cidade voce sugere para começar ?

 

e camelar é com a gente rs, acho que da para fazer uns 25km por dia ou mais (fiz na chapada com mochila cheia e subindo montanha)

 

abs

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  • Colaboradores

Augusto, muito obrigado pela resposta! Se Deus quiser, eu terei novidades em Novembro, quando tiver completado o trajeto. ::otemo::

 

Blz Lucas.

 

Pode ter certeza que vc não será o unico sozinho não.

Não tô falando de uma pessoa onipresente não hein (para ser mais especifico: Deus) ::otemo::::otemo::::otemo::::otemo::

Nas pousadas por onde passei, sempre via comentários de peregrinos sozinhos, fazendo esse percurso. Vc vai ouvir cada estória legal.

Com certeza. É por isso que ganhou o justo nome de caminho da fé, pois também leva à Aparecida. Um tempo assim, em contato com a natureza (e com ELE) será muito agradável.

 

1) Sobre o tenis, procure levar um que vc já o tenha a alguns anos.

Tenis estalando de novo é totalmente impróprio. E uma bota também é desnecessario.

O que eu recomendo é um tenis que seja impermeavel (nunca se sabe se vc vai pegar chuva). E muita meia. E não esqueça da vaselina entre os dedos para evitar as bolhas hein.

Amortecedor não faz tanta diferença. Lembre-se que é uma caminhada. Amortecedor é para corridas leves.

 

Recomendam mesmo a vaselina. Santo remédio!

Eu escolhi o candidato a tênis já. Tá mais rodado que muito carro por aí, rsrs;

 

2) Normalmente uma pessoa faz uma caminhada no ritmo de 5,4 Km/hora sem paradas.

Já contando com as paradas, esse tempo abaixa para uns 4 a 5 Km/h.

Eu cheguei a fazer nos primeiros dias um pouco abaixo dos 4 Km, porque parei muito (tinha de montar o tripé para as fotos) e só fui apreciando o visual. Além da dores também.

Então tomando como padrão 3 a 4 Km/hora, tá de bom tamanho (faça esse cálculo olhando nas placas de quilometragem restante até Aparecida que aparecem ao longo do Caminho). Não esqueça que vc vai estar levando uma mochila.

 

No Caminho da Fé, o percurso passa pela serra da mantiqueira, então serão inúmeros trechos de subida e alguns muito ingremes.

Por isso, se vc chegar a + - 5 Km/hora, vc vai cansar muito nos trechos finais entre uma cidade e outra.

 

No mais é curtir sempre o visual e procurar sair sempre de manhazinha.

Vc já ouviu desse ditado?

Deus ajuda a quem cedo madruga.

Ele se encaixa perfeitamente nesse Caminho.

 

 

Abcs e valeu pelos parabéns.

 

 

Era o que eu imaginava. Em trechos planos, vai ser sussegado, andando sem calma, e só dando uma olhada ocasional no relógio.

 

E vamos que vamos!

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  • Membros de Honra

Fala Augustão

 

Valeu !

 

Seguinte outra opção que estou vendo é fazer por partes tambem, cada fds um trecho. Se acha que compensa ?

depois vou ler seu relato tranquilamente.

 

abs

 

 

 

 

 

 

Fala Raffa, blz? ::otemo::::otemo::::otemo::::otemo::::otemo::

 

3 dias de caminhada??

Existem 3 opções, mas vai depender do seu pique e da logistica.

As 3 seriam na cidade de Brasópolis (2 no Distrito de Luminosa e 1 em Campista).

No Distrito de Luminosa as pousadas ficam a 4 Km uma da outra (uma em um vale e a outra na subida da serra).

Já a de Campista fica naquela estrada que liga Campos do Jordão à Pedra do Baú.

Para essas 3 opções vc teria de pegar um onibus até Brasópolis ou São Bento do Sapucaí e depois ligar nas pousadas p/ saber como se chega lá.

 

Se vc iniciar por Luminosa serão uns 35 Km até Campos do Jordão (esse trecho é um dos mais puxados de todo o caminho por causa de 1 subida de serra bem ingreme, mas como vc vai estar com todo o gas, não vai ser dificil) e se começar por Campista são 21 Km até CJ.

E de CJ até Pindamonhagaba são pouco mais de 40 Kms. O que ajuda é que é só descida de serra. Vc não vai subir nada. Se perceber que não consegue chegar na cidade, têm umas pousadas, logo que termina a descida da serra.

Já de Pinda até a Aparecida são quase 30 Km (esse na minha opinião é o pior trecho, pois é só asfalto).

O ruim é que vc vai estar chegando na Basilica já quase no final da tarde.

 

 

Já pensou em fazer de uma outra forma? Por que vc não faz o Caminho por etapas?

Começando por Tambaú ou Aguas da Prata?

 

É um pouco puxado desse jeito, mas como são apenas 3 dias, dá p/ voltar a Sampa inteirão.

Não quer arriscar não? :mrgreen::mrgreen::mrgreen::mrgreen:

 

 

Abcs

 

 

Fala Grande Augusto !!

 

Preciso de mais um dica sua.

É possivel fazer essa trilha, saindo de um ponto mais proximo da Basilica ?

Tipo quero ir num feriado de 3 dias e chegar no ultimo dia na Basilica.

 

Sai de SP, sexta a noite, começa a trilha no sabado de manhã e termina na segunda feira na Basilica.

Se for possível, que cidade voce sugere para começar ?

 

e camelar é com a gente rs, acho que da para fazer uns 25km por dia ou mais (fiz na chapada com mochila cheia e subindo montanha)

 

abs

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  • Membros de Honra

Blz Lucas.

 

Espero o seu relato aqui qdo vc voltar hein. ::otemo::::otemo::::otemo::::otemo::::otemo::

Uma coisa que eu deixei passar foram entrevistas com pessoas que vc vai encontrando ao longo do Caminho. Ou até os donos das pousadas. Cada estória legal que vc ouve.

Alguns incentivando, outros perguntando se tá tudo bem, outros pedindo uma oração qdo chegar em Aparecida, etc....

Eu deveria ter gravado isso. Acho que ficaria legal.

Gravar na própria maquina mesmo. É só levar alguns cartões de varios Gigas. ::otemo::::otemo::::otemo::

 

Vaselina ajuda sim viu. Ela evita o contato entre os dedos e com isso as bolhas.

E faça outra coisa também. Use 2 meias (uma primeira meia daquelas sociais e uma outra meia esportiva por cima).

É p/ os dedos não ficarem tão umidos.

 

O relógio vai ser fundamental, mas depois de alguns dias vc já estará com um ritmo constante e aí é só seguir.

 

 

 

Gde abc

 

 

Augusto, muito obrigado pela resposta! Se Deus quiser, eu terei novidades em Novembro, quando tiver completado o trajeto. ::otemo::

 

Com certeza. É por isso que ganhou o justo nome de caminho da fé, pois também leva à Aparecida. Um tempo assim, em contato com a natureza (e com ELE) será muito agradável.

 

Recomendam mesmo a vaselina. Santo remédio!

Eu escolhi o candidato a tênis já. Tá mais rodado que muito carro por aí, rsrs;

 

Era o que eu imaginava. Em trechos planos, vai ser sussegado, andando sem calma, e só dando uma olhada ocasional no relógio.

 

E vamos que vamos!

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  • Membros de Honra

Fala, Raffa, blz.

 

Qdo saí de Borda da Mata encontrei o Ronald que tava fazendo por etapas. Ele seguiu comigo por 2 trechos.

Ele tava indo quase todo fds e completou todo o Caminho.

Chegava na Sexta a noite na cidade e no Sabado e Domingo ele fazia o percurso.

O legal é que vc pode abortar dependendo se vai chover ou não. Então ele estava indo só com previsão de tempo bom.

Com chuva, é sempre complicado caminhar, né.

 

 

Acho que é a melhor opção, com certeza.

 

 

 

Abcs

 

 

 

Fala Augustão

 

Valeu !

 

Seguinte outra opção que estou vendo é fazer por partes tambem, cada fds um trecho. Se acha que compensa ?

depois vou ler seu relato tranquilamente.

 

abs

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  • Membros de Honra

Olha ! Legal então. Fica até mais facil, pois quero fazer essa trilha e ao mesmo tempo curtir minhas férias em outro lugar.

 

O Ronald começou apartir de onde ?

Estou pensando em fazer em 3fds e um feriado de 3 dias.(total 9 dias) Acho que dá para começar apartir de Aguas da Prata

 

Tem algum trecho lhe chamou mais atenção ?

 

Valeu novamente.

 

Abs

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  • Membros de Honra

Blz Raffa.

Se não me engano, ele começou por Tambaú também.

Vc consegue mais detalhes com ele. O e-mail é esse abaixo. É só clicar em MOSTRAR. Pode falar que fui eu que indiquei, ele me conhece.

[mostrar-esconder][/mostrar-esconder]

 

9 dias de Aguas da Prata a Aparecida?

Acho que dá sim. Vai depender do seu pique nos primeiros dias. Se conseguir chegar antes do anoitecer nas cidades, é um bom sinal ::otemo::::otemo::::otemo::::otemo::::otemo::

 

Vc diz que chamou mais atenção em dificuldades? Com possibilidade de se perder?

Ou em beleza?

 

 

Abcs

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  • Membros

Parabéns Augusto!

Gostei muito do seu relato, especialmente quanto à segurança para fazer essa caminhada e acho que vou fazê-la agora nas minhas férias.

Estou treinando para fazer o Caminho de Santiago, e desconhecia a existência desse Caminho da Fé aqui no Brasil. Foi uma ótima dica.

Um grande abraço e fiquem com Deus.

Parabéns.

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  • 3 semanas depois...
  • Colaboradores

Augusto, pode deixar que tentarei fazer um relato tão bacana quanto o teu. :P

Só que eu vou adiar a viagem para o ano que vem. Tenho de ver algumas outras coisas.

 

Sobre o papo com a galera, eu li isso em alguns lugares. O povo parece ser bem hospitaleiro e gentil.

 

Como eu não tenho noção boa do tempo, o relógio é essencial, rsrs.

 

Abraços,

 

Blz Lucas.

 

Espero o seu relato aqui qdo vc voltar hein. ::otemo::::otemo::::otemo::::otemo::::otemo::

Uma coisa que eu deixei passar foram entrevistas com pessoas que vc vai encontrando ao longo do Caminho. Ou até os donos das pousadas. Cada estória legal que vc ouve.

Alguns incentivando, outros perguntando se tá tudo bem, outros pedindo uma oração qdo chegar em Aparecida, etc....

Eu deveria ter gravado isso. Acho que ficaria legal.

Gravar na própria maquina mesmo. É só levar alguns cartões de varios Gigas. ::otemo::::otemo::::otemo::

 

Vaselina ajuda sim viu. Ela evita o contato entre os dedos e com isso as bolhas.

E faça outra coisa também. Use 2 meias (uma primeira meia daquelas sociais e uma outra meia esportiva por cima).

É p/ os dedos não ficarem tão umidos.

 

O relógio vai ser fundamental, mas depois de alguns dias vc já estará com um ritmo constante e aí é só seguir.

 

 

 

Gde abc

 

 

Augusto, muito obrigado pela resposta! Se Deus quiser, eu terei novidades em Novembro, quando tiver completado o trajeto. ::otemo::

 

Com certeza. É por isso que ganhou o justo nome de caminho da fé, pois também leva à Aparecida. Um tempo assim, em contato com a natureza (e com ELE) será muito agradável.

 

Recomendam mesmo a vaselina. Santo remédio!

Eu escolhi o candidato a tênis já. Tá mais rodado que muito carro por aí, rsrs;

 

Era o que eu imaginava. Em trechos planos, vai ser sussegado, andando sem calma, e só dando uma olhada ocasional no relógio.

 

E vamos que vamos!

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    • Por Ronaldo Paixão
      Caminho da Fé – Pedra do Baú – Travessia da Serra Fina – Agulhas Negras e Prateleiras (PNI).
      Estou escrevendo este relato um ano depois que fiz esse passeio. Talvez eu esqueça alguma coisa.
      Eu estava precisando me desligar da vida que eu vinha levando. Estava precisando fazer o que eu mais gostava, caminhar bastante, travessias em trilhas, subir montanhas, me isolar do mundo “civilizado”.
      Tinha decidido que eu iria “largar tudo” e sair, sem saber até onde eu iria ou quando voltaria. Tinha uma grana guardada (cinco mil) e deveria ser suficiente para eu viver por pelo menos uns 3 meses.
      Falei com meu irmão que ele teria que se virar sozinho em nosso comércio. Falei com minha família que eu estava indo por não sei quanto tempo, mas que eu voltaria qualquer dia.
      Trabalhei até 31 de agosto, quase meia-noite. No dia 01 de setembro fui para um apartamento onde fiquei por 4 dias planejando lugares que queria conhecer, vendo preço de ônibus, tracklogs, etc. Na manhã de 4 de setembro parti para São Paulo e naquela noite para águas da Prata, onde minha jornada começaria.
      Como eu iria para vários lugares, diferentes um do outro, tive que levar muita coisa na mochila. Coisas que usaria em algum passeio, mas que seriam dispensáveis  em outro. Ainda assim tentei levar o mínimo possível.
      Ítens que levei:
      -    Mochila Osprey Kestrel 48 litros com Camel Back de 2 litros
      -    Dois cantis de 900 ml. Um com caneca de alumínio.
      -    Rede Amazon e tarp Amazon da Guepardo.
      -    Saco de dormir Deuter 0º
      -    4 camisas dry fit
      -    2 blusas finas de fleece.
      -    2 calças quechua de secagem rápida
      -    6 cuecas
      -    3 pares de meia
      -    1 boné
      -    1 touca
      -    1 par de luvas (daquelas de pedreiro)
      -    1 par de sandálias Quechua
      -    1 par de botas La Sportiva
      -    Kit Fogareiro + panela pequena
      -    2 isqueiros
      -    1 canivete
      -    1 colher plástica
      -    1 botija de gás Nautika pequena
      -    GPS
      -    Celular (para fotografias)
      -    Caderneta e caneta
      -    1 Anorak
      -    Corda e cordelete
      -    Bolsa de nylon (para transportar a mochila no ônibus)
       
      Caminho da Fé. Águas da Prata até Aparecida.
      Caminho da Fé – 1º dia. 30Km
      05-09-2018
      Águas da Prata (SP) até Andradas (MG).
      Início 05:15 horas e chegada 12:55 horas
      Almoço : Pavilhão hamburgueria
      Jantar: bolachas e sanduba no hotel.
      Pernoite: Palace Hotel.
      Seguindo o conselho de um cara que desceu comigo e iria fazer o caminho de bike eu iniciei cedo para evitar o sol. Só que por esse motivo fui sem comida. Só comi uns pedacinhos de rapadura que ele me deu e uma banana que ganhei de um ciclista.
      Pelo longo tempo inativo, eu senti um pouco o peso dos 17Kg que estava levando na mochila.
      Caminho da Fé – 2º dia. 36 Km
       06-09-2018.
      Andradas (MG) até Crisólia (MG).
      Partida às 08:00 horas e chegada às 17:40 horas.
      Almoço: salgadinho no Bar Constantino, comunidade da Barra.
      Jantar: miojo num banco ao lado da rede.
      Pernoite: rede 
      Subidas cavernosas. Serra dos Lima, Barra, Taguá e Crisólia. 
      Cheguei tarde, fui numa pousada carimbar a credencial e depois procurei duas árvores para esticar a rede, fazer o rango e dormir. Nesse dia não teve banho.
      Caminho da Fé – 3º dia. 38 Km
      07-09-2018
      Crisólia (MG) até Borda da Mata(MG). 
      Partida às 07:30 e chegada às 18:00 horas.
      Almoço: pastel no Bar do Maurão em Inconfidentes
      Jantar: x-salada em lanchonete perto do hotel.
      Pernoite: Hotel Virgínia.
      Feriado da Independência. Fui acordado às 6 da manhã com queima de fogos e hinos. Passagem por Ouro Fino e Inconfidentes. Desfile cívico em todas as cidades.
      No hotel em borda da mata conheci um casal de cicloturistas que estava com um carro de apoio. Consegui que levassem um pouco das minhas coisas até Estiva. Foram 6 Kg a menos para carregar.
       
      Caminho da Fé – 4º dia. 17,5 Km.
      08-09-2018.
      Borda da Mata(MG) até Tocos do Mogi (MG).
      Início às 08:00 horas e chegada às 12:40 horas.
      Almoço: um pouco de morangos colhidos no caminho.
      Jantar: Lanche na festa da padroeira.
      Pernoite: Pousada do Zé Dito. (muito boa e barata)
      Dia mais curto. A pousada ficava no calçadão principal, onde estava acontecendo a festa da padroeira. Estava difícil dormir. O jeito foi sair para a festa e tomar umas, apesar do frio que fazia de noite.
        
      Caminho da Fé – 5º dia. 21,5 Km
      09-09-2018
      Tocos do Mogi (MG) até Estiva (MG).
      Início às 09:00 horas e chegada às 14:20 horas.
      Almoço: moranguinhos (quase 1 Kg) e queijo fresco com caldo de cana.
      Jantar: Restaurante perto da pousada.
      Pernoite: Pousada Poka.
      Trecho muito bonito. Muitas plantações de morango. Muitos pássaros.
      Na pousada eu recuperei minhas coisas que haviam sido deixadas ali e já consegui ajeitar um novo transporte delas até Potim, já pertinho de Aparecida.
      Caminho da Fé – 6º dia. 20 Km
      10-09-2018
      Estiva (MG) até Consolação (MG).
      Partida às 07:30 e chegada às 12:45 horas.
      Almoço, jantar e pernoite: Pousada Casarão
      Destaques deste dia. Cervejinha gelada num bar onde um piá gordinho queria tirar uma selfie comigo. E também queria meu bastão de selfie de qualquer jeito.
      Também destaque para o canto da seriema, triste e ao mesmo tempo bonito, que se fez presente muitas vezes. Também tem a subida da serra do Caçador, cavernosa.
      Além disso, nesse trajeto é comum vermos carros de boi e também “canteiros”onde os agricultores esparramam o polvilho para secar.


      Caminho da Fé -  7ºdia. 22,5 Km
      11-09-2018.
      Consolação (MG) até Paraisópolis (MG).
      Início às 07:00 e chegada às 12:30 horas.
      Almoço: Restaurante Sabor de Minas. Muito bom e barato. Comi pra danar.
      Janta: coxinha na praça.
      Pernoite: Hotel Central
      Foi um dia especialmente marcado pela presença dos pássaros ao longo do caminho, canários, sabiás, pássaros pretos, coleirinhas, gralhas, joões-de-barro, tucanos, maritacas. E aves maiores, como gaviões, seriemas e garças brancas.
      Também vale destacar a grande quantidade de flores, principalmente nos portões das casas dos sítios.
      Caminho da Fé – 8º dia. 28,5 Km.
      12-09-2018
      Paraisópolis (MG) até A pousada da Dona Inês, que fica 4 Km depois do distrito de Luminosa, município de  Brazópolis.
      Início às 07:55 e chegada às 15:15 horas.
      Almoço: Salgadinho e coca numa mercearia em Brazópolis.
      Jantar e Pernoite: Pousada da Dona Inês.
      Foi o dia mais quente desde o início do caminho. Era meu aniversário de 52 anos e ficou marcado porque depois do jantar na Pousada, uma amiga de caminho, a Fabiana, puxou um parabéns a você, junto com as outras cerca de 20 pessoas que estavam ali. Fiquei bem emocionado.
       
      Caminho da Fé – 9º dia. 33 Km
      13-09-2018
      Pousada Dona Inês (Luminosa-MG) até Campos do Jordão (SP).
      Início às 05:45 e chegada às 18:45 horas.
      Almoço: Restaurante Araucária. Fica perto da placa que indica a entrada para a pousada da Dona Rose e da madeireira Marmelo. Comida muito boa.
      Jantar: Caldo de Mandioca com carne. NIX Caldos e lanches.
      Pernoite: Refúgio dos Peregrinos
      Na verdade, a quilometragem total desse dia foi de 51 Km porque no meio do caminho decidi que iria subir a Pedra do Baú. Isso me custou várias horas e me fez chegar em Campos do Jordão já de noite. Mas valeu muito a pena.
      O dia amanheceu lindo. Logo de cara a temida subida da Luminosa, mas que não é nada de tão difícil.
      Depois é asfalto até o fim do dia.
      A pousada Refúgio dos Peregrinos é bem diferente. Tem uma tabela de preços na parede. Você anota o que consumiu, faz as contas, paga e faz o troco. Tudo na base da confiança.

      Caminho da Fé - 10º dia. 52 Km
      14-09-2018
      Campos do Jordão(SP) até Pindamonhangaba(SP).
      Início às 06:00 horas e chegada às 17:45 horas.
      Almoço: Sanduíche em Piracuama.
      Jantar e pernoite: Pousada Chácara Dois Leões.
      Nesse dia todos os que estavam no refúgio dos peregrinos foram por Guaratinguetá, menos eu que fui por Pindamonhangaba. Descida pela linha do trem até próximo a Piracuama, com uma garoa fininha que de vez em quando virava um chuvisco.
      De tarde foi só asfalto e chuva. Cheguei na pousada já escurecendo. Foi o dia mais cansativo, pela quilometragem, pela chuva e principalmente pelo asfalto.

      Caminho da Fé - 11º dia. 24 Km.
      15-09-2018.
      Pindamonhangaba(SP) até Aparecida(SP).
      Início às 09:00 horas e chegada às 15:15 horas.
      Almoço: Pesqueiro Potim. Comida muito boa. Comi feito um louco. Aqui eu recuperei o restante de minhas coisas que tinham vindo no carro de apoio de amigos.
      Pernoite: Hotel em Aparecida.
      Esse era o último dia no caminho. Um misto de ansiedade por chegar e de nostalgia antecipada das experiências vividas e das paisagens do caminho.
      A chegada na basílica é emocionante, não importa em que você acredita, ou se acredita em algo.
      Fica a saudade dos lugares. Dos amigos. Dos passarinhos.


      Fiquei em Aparecida até segunda-feira, quando fui ao correio e despachei para casa algumas lembrancinhas que tinha comprado e coisas que tinha levado e que vi que não ia usar. A calça jeans e a camisa de passeio. Umas cordas. Um dos fleeces e a bolsa de transporte.
       
      A Vida e o Caminho da Fé.
      Durante esse derradeiro dia de caminhada me veio à mente uma analogia entre a vida e o  “caminho da fé”.
      O caminho da fé cada um começa de onde quiser, mas todos com o mesmo destino. No caminho o destino é a basílica de Aparecida, na vida a gente sabe o destino.
      No caminho as pessoas vão chegando, amizades vão sendo feitas. Uns mais lentos outros mais apressados. Uns madrugadores outros nem tanto. Uns alegres e comunicativos, outros mais quietos e introspectivos. Muitos de bike, passam pela gente voando, só dá tempo para um “bom dia”. Assim também é a vida e os amigos que vamos fazendo. Uns continuam por perto, outros se distanciam, mas continuam amigos
      No caminho não importa sua classe social, sua cor, opção sexual, grau de instrução ou idade. O destino é o mesmo para todos. Assim também é na vida.
      No caminho a jornada é longa, alguns dias são mais difíceis, parecendo que não vão terminar. Outros passam leves e agradáveis, a gente nem queria que terminassem. Igualzinho a nossa vida
      Temos que superar o cansaço, as bolhas, os pés inchados, joelhos e tornozelos doendo, a mochila pesada que nos deixa com os ombros marcados. Enfrentar as subidas, as descidas, os buracos, as pedras, a fome e a sede em alguns momentos.
      Por mais difíceis que sejam esses obstáculos, eles são superados. Ficam para trás. Igualzinho na vida.
      O caminho também nos oferece muitas coisas boas. Simples, mas inesquecíveis. Os pássaros cantando ao lado da estrada. A beleza e o perfume das flores. Os riachos que nos permitem um banho refrescante depois de uma subida cansativa. As conversas com os amigos. O pôr do sol por trás das montanhas. A janta e a cama quente que nos restabelecem para o dia seguinte. O nascer do sol de um novo dia, nos lembrando que sempre nos é dada uma nova chance de sermos felizes. Assim também acontece na nossa vida.
      Seja no caminho da fé, ou na vida, o destino a gente sabe qual é. O importante é deixar para trás o que para trás ficou. E aproveitar ao máximo a jornada.
       
      Pedra do Baú.
      Eu sempre gosto de planejar meus passeios, travessias. Mas sobre a Pedra do Baú eu não sabia nada. Só de ouvir falar, de ler alguma coisa de relance. Mesmo assim era uma coisa que eu tinha vontade de fazer algum dia, se desse certo.
      Era o dia 13-09-2018, meu nono dia no caminho da Fé. Era de manhã e eu caminhava pela rodovia, junto com um peregrino de nome Donizete, que eu conhecera na pousada da Dona Inez. Passamos por uma placa que indicava a entrada para o Parque Estadual da Pedra do Baú.
      Eu falei para ele: - Donizete, vai em frente que eu vou subir a Pedra do Baú.
      Ele disse: - Cara, isso vai demorar. Você só vai chegar em Campos do Jordão de noite. Isso se der tudo certo.
      Daí eu disse:- Tem que ser hoje. Não sei se vou ter outra chance. Quem sabe eu nunca mais passe por aqui.
      Me despedi dele e entrei na estradinha que levava ao parque. Escondi minha mochila e fui só de ataque, levando água, uma rapadura, uma paçoca, o GPS e o celular para tirar as fotografias.
      Depois de uns 4 Km cheguei onde começavam as trilhas e entrei na que indicava Pedra do Baú, face norte. Passei por uns caras que eram guias e estavam levando equipamentos de escalada. Depois de um tempo cheguei num local que tinha uma escada amarela grande, fixada na parede de pedra. Não pensei duas vezes. Subi aquela escada e depois continuei uma escalaminhada, com misto de escalada em alguns pontos, até que já estava bem alto e não tinha mais para onde subir. Estava pensando até em desistir e voltar embora, quando avistei uns caras no cume de um morro que eu julguei ser o Baú, mas acho que era o Bauzinho.

      Gritei para eles e eles responderam de volta. Perguntei como chegava na Pedra do Baú e eles me disseram para descer de novo e seguir mais em frente.
      Desci e estava chegando ao ponto em que tinha começado a subida quando vi eles vindo. Esperei por eles. Conversamos por um tempo e eles me deram as informações sobre como chegar até onde a subida começava realmente.
      Segui em frente pela trilha e pouco depois eu chegava na base da Pedra do Baú, onde um guia estava terminando os preparativos para iniciar a subida com um casal de clientes. Capacetes, corda, mosquetões, etc.
      Eu estava ali de bermuda, boné e botina.
      Eu vi aquela parede enorme e aquela sequência de grampos na pedra que eu não sabia onde terminaria. Pensei: - vou esperar ele começar a subida e assim pego uma carona. Se o negócio apertar eu peço arrego para ele.
      Foi quando ele virou pra mim e perguntou: - Vai subir?
      Falei que sim e ele disse:- Pode ir na frente então. A gente ainda vai demorar uns minutos.
      Eu pensei:- já era minha carona. 
      Era uma parede de pedra quase vertical e muito exposta, que devia ter mais de 300 metros de altura.
      O jeito foi encher o peito de ar, mirar para cima e começar a subida.
      Subi meio que com medo no começo, mas também com muita confiança Parei algumas vezes no meio para tirar fotos. Passei por mais dois guias com clientes antes de chegar ao cume. Um deles foi bem legal e me deu umas dicas sobre o percurso que faltava.
      Muitos trechos com vento forte e eu pensava: - se eu parar agora eu travo. E ia em frente. Os últimos grampos, quando se está chegando no cume são especialmente complicados, porque você tem que abandonar a “segurança” que os grampos te dão para poder chegar no cume.
      Mas depois de uns 20 minutos de subida, lá estava eu no cume da Pedra do Baú. 
      Foi um momento mágico. Bem mais do que eu esperava. O visual era incrível. Tirei foto de tudo que é jeito. Deitado sobre a beira do abismo, em pé, etc.

      Aqui vou abrir um parênteses. Apesar de estar no caminho da Fé, um caminho católico, onde se passa por muitas igrejas, as únicas vezes na vida que eu senti realmente uma presença muito forte, do que alguns podem chamar de Deus, foi quando estive no cume de alguma montanha ou embaixo de uma cachoeira. Nunca em uma igreja. Deixei de frequentá-las faz muito tempo. 
      Me lembro de ter me encontrado com “Deus”, no cume do Alcobaça (2013), em Petrópolis. Embaixo da cachoeira do Tabuleiro, literalmente, em 2013 (e agora em 2019 de novo). Nos Portais de Hércules, Travessia Petro-Tere, em 2014. No cume do Pico Paraná em 2015 (não encontrei quando retornei em 2017). Na base das Torres  e no Mirante Francês, no Parque Nacional Torres del Paine, em 2016. E agora, na Pedra do Baú.
      É uma sensação difícil de explicar. É como se você se sentisse realmente parte de um todo, de uma coisa muito maior. Se sentisse nada e tudo ao mesmo tempo. Uma paz muito grande torna conta da gente. E em todas essas vezes eu senti a presença do meu pai, já falecido.
      Restava agora a descida, que metia mais medo que a subida. Principalmente os primeiros grampos, onde tinha que se virar de costas para o abismo para alcançar os grampos. A
      Mesmo assim a  descida foi rápida e durou cerca de 15 minutos.
      Cheguei na base e peguei o caminho de volta pela trilha. Pouco tempo depois quase pisei em uma jararaca de cerca de um metro de comprimento. Ela estava junto a uma pedra onde eu iria colocar meu pé. Ela se mexeu e eu a vi. Consegui dar um pulinho e evitei pisar nela. Foi por muito pouco.
      Segui rápido pela trilha e tempo depois eu já estava de volta à rodovia, rumo a Campos do Jordão.
      A Pedra do Baú foi muito gratificante. Mais do que eu esperava. Mais do que eu merecia.
       
       
      Serra Fina.
      Fiquei em Aparecida até na segunda-feira, 17-09-2018 e daí fui para Passa Quatro (MG), onde cheguei já escuro na rodoviária local. Peguei um ônibus circular e fui para o hostel Serra Fina, do Felipe, onde fiquei até na sexta-feira quando comecei a travessia. Choveu na terça, quarta e quinta, mas na sexta a previsão era de tempo limpo que duraria tempo mais que suficiente para a travessia e por isso decidi esperar e aproveitar para descansar e ler. Mesmo assim fui até a toca do lobo, pra passear e conhecer o Ingazeiro gigante. Também fui conhecer o centro da cidade.
      A região estava em alvoroço. Dois rapazes cariocas estavam perdidos em algum ponto da travessia e vários bombeiros, guias e montanhistas estavam à procura deles. Por sorte conseguiram um ponto onde tinha sinal de celular e conseguiram passar a localização e foram resgatados. Se bem que já estavam próximos de uma propriedade rural.
      Passa Quatro é uma cidadezinha linda e é um lugar onde eu moraria tranquilamente.
      O Hostel Serra Fina também é muito bom e o Felipe é um cara nota dez. Eu me senti em casa.
      Todas as travessias que eu faço eu vou sozinho. Não que não goste de pessoas. É que eu gosto de ir no meu rítmo. Gosto de ficar sozinho. Andar sozinho. Pensar na vida, etc. A intenção era fazer essa travessia também de modo solitário.
      Mas na quinta-feira de noite chegou ao hostel uma gaúcha baixinha, menor que eu até, que iria começar a travessia na sexta também, então decidimos começar juntos. A mochila dela era enorme e certamente tinha coisa que não precisava.
       
      Começamos o primeiro dia da travessia, 21-09-2018, uma sexta-feira, mais tarde do que eu queria. Saímos da toca do lobo já era meio-dia.
      Logo no começo da travessia, primeira subida, eu percebi que ela iria me atrasar, mas já que estávamos juntos, seguiríamos juntos. Foi quando ele me disse:- Vai na frente, você anda mais rápido. Eu disse que não, mas ela insistiu. Disse que ficaria bem. Eu então dei um até logo e disse que a reencontraria no Capim Amarelo..A subida é intensa e o ganho de altitude é rápido.
      Talvez pelo “treino” feito no Caminho da Fé eu não senti muito e passei por mais gente no caminho. Primeiro por 3 mineiros (que depois se tornariam grandes amigos) e depois por outros dois caras que pareciam ser militares.
      Cheguei ao cume do Capim Amarelo eram 15:15 horas. Praticamente 3 horas só de subida. Montei minha “barraca”, que era na verdade a minha rede estendida sob a lona que tinha sido disposta como se fosse uma barraca canadense. Fiz um rango e fiquei apreciando a paisagem. Como sabia da falta de água eu decidi que não levaria comida que precisasse de água no preparo, então comi basicamente tapioca de queijo, ou de nutella, ou de salaminho, paçoca, geléia de Mocotó e castanhas, durante toda a travessia.
      Os mineiros chegaram um pouco mais tarde e armaram suas tendas. Os militares chegaram quando já estava começando a escurecer. Eles não traziam barracas, dormiram de bivaque.
      Quando já estava quase escuro chegou um grupo que iria passar direto pelo Capim Amarelo e acampar no Maracanã. Perguntei pela gauchinha e me disseram que ela tinha montado acampamento em algum local no meio do caminho. Depois disso fiquei sabendo que ela desistiu e retornou para Passa Quatro. E que depois reiniciou a travessia na segunda-feira, tendo que ser resgatada de helicóptero no cume dos 3 Estados. E que depois disso voltou mais uma vez, acompanhada de um escoteiro, só que mais uma vez desistiram, abortando a travessia na Pedra da Mina, via Paiolinho.
      Estávamos a 2490 m de altitude e o pôr do sol e a noite foram lindos e gelados. Meu termômetro marcou a mínima de 3,5ºC.

       
      O dia 22-09-2018 era o segundo dia da travessia. A intenção era dormir no cume da Pedra da Mina.
      Depois do café da manhã, junto com os mineiros, desarmei e guardei toda a tralha e deixei o Capim Amarelo para trás às 10:20 horas.
      Logo no começo encontrei uma garrafa de uísque que tinha sido esquecida pelos militares. Voltei até onde os mineiros estavam e depois de bebermos uns goles eu retornei para a trilha, levando a garrafa para devolvê-la assim que encontrasse os rapazes. Não demorou muito para encontrá-los porque eles tinham pegado uma trilha errada logo na saída do Capim Amarelo.
      Depois de muito sobe e desce, mata fechada, bambuzal, escalaminhada, trepa pedra, cheguei na cachoeira vermelha e no ponto de abastecimento de água. Estava cedo e daria para pernoitar no cume. Foi o que fiz e cheguei ao cume eram 16:40 horas.
      Chegando ao cume estendi a minha lona fazendo um teto que ligava uma parede de pedras empilhadas até o chão Estendi ali embaixo o isolante e joguei o saco de dormir por cima. Essa noite não teria o mosquiteiro. Deixei a rede guardada.
      Comi meu jantar, assinei o livro de cume e fui apreciar o fim da tarde, o pôr do sol e as estrelas aparecendo. A noite estava bem fria.
      Os 3 mineiros chegaram quando a noite já tinha caído. Ajudei eles a montarem as barracas e depois ficamos conversando até altas horas. Os militares chegaram ainda mais tarde e no dia seguinte abandonariam a travessia, descendo pelo Paioloinho.
      Essa noite teve como temperatura mínima 3,7º C, mas a sensação foi de que era uma noite muito mais fria que a anterior. Talvez pela exposição ao vento, o que não tinha acontecido pela proteção que o capim elefante fornecera na noite anterior.
      A noite foi linda, repleta de estrelas e prometia um amanhecer incrível, fato que aconteceu. O único porém foi a grande quantidade de pessoas que estavam na Mina, quase todos fazendo bate-volta, o que trouxe muito barulho até algumas horas da noite. Apesar disso dormi muito bem e acordei bem disposto. A água até aqui não tinha sido problema.

      O dia 23-09-2018 era o terceiro dia da travessia e amanheceu espetacular, apesar de muito frio. Acordei antes do sol nascer e escolhi um bom lugar para apreciar o espetáculo. Depois disso o café da manhã (sem café) e desmontar acampamento. A surpresa foi quando levantei o saco de dormir e vi que uma aranha bem grande tinha vindo se aquecer embaixo dele. Peguei a bichinha com cuidado e a levei para perto de uma moitinha de capim.
      A travessia começou mesmo já eram 10:50 horas da manhã e daí para frente decidi caminhar junto com os 3 mineiros, afinal a gente combinava bastante. E assim saímos nós 4 da Pedra da Mina, eu , o Vinícius (Vini), o Daniel (boy) e o Nelson (Bozó). E assim passamos pelo Vale do Ruah, onde abastecemos os cantis pela última vez, com água que deveria ser suficiente até as 16 horas do dia seguinte. Daí foi uma grande sequência de morros até chegarmos ao Pico dos Três Estados às 17:20 horas.
      Mais uma vez montei a lona no estilo canadense, dispus a rede com mosquiteiro dentro e esparramei minhas coisas. De noite nos reunimos junto ao triângulo de ferro que representa a divisa dos 3 estados para a janta.
      Os caras já tinham pouca água. Eu ainda tinha meus dois cantis cheios e mais um bom tanto no camelback. Dessa maneira cedi um cantil para que eles fizessem a janta e bebessem o que sobrasse. Essa noite foi a mais fria, com o termômetro marcando 2,7º C, mas o capim elefante nos protegeu bem dos ventos e deu para dormir muito bem.


      No dia seguinte pela manhã, o Bozó sugeriu que fizéssemos café. Lá se foram mais 500 ml de água. Mas foi muito bom aquele cafezinho e aquela vista que se tinha lá de cima. De lá dava para ver Prateleiras e Agulhas Negras, minha próxima empreitada.
      Era o dia 24-09-2018, nosso quarto e último dia de travessia.
      Deixamos o 3 Estados às 09:40 da manhã. 
      Esse foi um dia bem sofrido. Uma sequência de morros. Sobe e desce. Muitos trechos de mata, e bambuzal. Mas o principal obstáculo era a falta de água. Minha água era para dar tranquilamente, mas depois da janta, café e dividir com os amigos, eu tinha deixado o 3 Estados somente com a água que restava no camelback, que era pouco mais de meio litro.
      Fomos racionando, mas quando chegamos no Alto dos Ivos, todos bebemos o que nos restava de água. Foram mais 3 horas até encontrarmos água de novo.
      A falta de água aliada ao esforço físico fez com que o Vini começasse a passar mal. Mesmo assim tocamos em frente.Chegamos inclusive a beber água acumulada nas bromélias.
      Eu e o Bozó, que estávamos melhor, seguimos mais rápido enquanto Daniel ficou para trás acompanhando o Vini. Chegamos ao ponto de água e enchemos os cantis e o Bozó voltou correndo para encontrá-los e matar a sede dos amigos.
      Já eram 16:50 horas quando chegamos na rodovia BR-354, onde o resgate que eles tinham combinado estava esperando. A Patrícia, que era a dona da caminhonete de resgate me deu uma carona até Itamonte, onde seria meu pernoite. 
      Por coincidência, a Patrícia era o resgate dos rapazes que estavam perdidos quando cheguei em Passa Quatro. Como eles não chegaram no ponto de resgate no dia combinado, ela entrou em contato com os bombeiros e com a família dos rapazes.
      Era o fim da travessia. Uma das mais puxadas e mais bonitas que já fiz. Foi também a última vez que vi os amigos Daniel e Vinícius. O Bozó eu encontrei de novo em Belo Horizonte agora em maio de 2019.

      Foi uma travessia que exigiu muito, mas que ofereceu muito mais em troca. Alvoradas e crepúsculos inesquecíveis. Paisagens sem igual, amizade, companheirismo. E que deixou uma vontade enorme de retornar e fazê-la novamente.

       
      Parque Nacional de Itatiaia.
      Agulhas Negras e Prateleiras.
      Desde que eu estava no hostel em Passa Quatro, eu já estava procurando um guia para o Parque Nacional de Itatiaia. Sabia que se tudo desse certo eu terminaria a travessia na segunda-feira 24-09 e na terça-feira 25-09 queria ir para o PNI, para subir o Agulhas Negras e o Prateleiras. Durante os telefonemas para casa, eu vi que teria que voltar logo. Dessa maneira, eu teria que fazer os dois cumes no mesmo dia.
      Entrei em contato com vários guias, mas ninguém queria fazer os dois cumes em um único dia. Uns disseram que não dava. Outros disseram que não era permitido. Até que encontrei um cara. Tudo isso pela internet e pelo tal de whats app, que eu nunca tinha usado antes disso.
      Deixamos mais ou menos combinado. Ele me cobraria 300 reais pela guiada. Eu sabia que o PNI exigia equipamentos para a subida aos cumes. Eu não tinha esses equipamentos. Após o PNI eu teria que voltar para casa, minha jornada terminaria ali, portanto não precisaria mais ficar regulando a grana.
      Durante a travessia da Serra Fina a gente ficou sem contato.
      No final da travessia, o resgate dos mineiros me deu uma carona. Eu tinha planejado ficar no Hostel Picus, ou no Yellow House, mas ambos estavam fechados. Dessa forma fui com eles até Itamonte, onde me deixaram e seguiram rumo a Passa Quatro. Saí procurando hotel ou pousada e acabei ficando no Hotel Thomaz. O Hotel era bom e tinha um restaurante onde eu jantei. Só que fica bem na rodovia e eu peguei um quarto de frente para a rodovia e o barulho dos caminhões e carros freando durante toda a noite incomodou um pouco e prejudicou o sono.
      Na manhã do dia 25-09-2018, terça-feira, acordei bem cedo, tomei banho, preparei as coisas que levaria para o Parque, entrei em contato com o guia e desci para tomar o café da manhã no Hotel. Por volta das 7 horas o guia chegava de carro para me pegar e seguirmos para o parque. Durante o caminho fomos conversando e falei pra ele sobre a travessia e sobre o caminho da fé e pedra do Baú, que tinha feito recentemente. Ele também é guia na travessia da Serra Fina.
      Chegamos ao parque fizemos os procedimentos de entrada, onde um guarda-parque alertou que caso não começássemos a subida do Prateleiras até as 14 horas, não deveríamos continuar. Desse modo, às 08:45 da manhã iniciamos nossa caminhada rumo a base do Agulhas Negras. Ele apertou o passo, acho que querendo me testar. Eu fui acompanhando de boa. Paramos num riozinho para abastecer a água e fazer um lanchinho, já próximo da base.  A conversa ia progredindo e ele me falou que achava que eu era um cara que parecia estar preparado e que normalmente ele guiava por uma via conhecida como Via Normal ou Via Pontão, mas que se eu quisesse a gente poderia tentar uma via diferente, pra se divertir um pouco. Falei pra ele que ele é quem estava guiando e que por mim tudo bem. Dessa maneira subimos por uma via menos utilizada, que passa por dentro de uma espécie de chaminé que é conhecida como útero. Na verdade quando você emerge dessa “chaminé” é como se você estivesse nascendo. Não levamos capacete, nem cadeirinha, apenas uma corda e uma fita. Usamos a corda somente duas vezes, uma delas para rapelar e depois subir um lance de rocha que fica entre o falso cume e o cume verdadeiro onde fica o livro de cume. Atingimos o cume verdadeiro às 10:40 horas.


      Comemos, descansamos um pouco, apreciamos a paisagem, tiramos várias fotos e depois iniciamos a descida. Dessa vez por uma via diferente, a Via Bira.
      No início da descida um rapel de uns 40 metros por uma descida bem íngreme junto a uma fenda e uma parede. Bem legal. Foi uma descida bem bacana. Uma via bem mais interessante que a tradicional.
      Eram 12:40 quando chegamos de volta ao ponto onde tínhamos iniciado a caminhada. Fizemos um lanche rápido e às 13:00 horas partimos em direção ao Prateleiras. Desta vez sem mochila, sem corda, sem água. Só levamos uma fita de escalada, que foi usada uma única vez. Achei bem mais tenso que o Agulhas, apesar de mais rápido. Muita fenda, muito lance exposto, muito salto de uma pedra para outra com abismos logo embaixo.
      No ataque final, nos últimos 15 minutos, o cara me salvou por duas vezes. A primeira em um lance de escalada livre onde se tem que fazer uma força contrária. Como não tem "pega", a gente sobe com os pés numa face da fenda, empurrando a outra face para baixo. Complicado. Eu tava a abrindo o bico de cansaço aí ele me deu a mão e a puxada final. Depois disso, num paredão bem inclinado, tinha que começar a subir quase correndo agarrando na pedra para conseguir chegar ao fim. Faltando um meio metro para o fim dessa rampa minha bota começou a escorregar na pedra e eu fiquei sem força. Gritei ele e novamente me deu a mão ajudando a chegar. Muito tenso.
      Atingimos o cume às 13:50 e depois de alguns minutos começamos a descida. Paramos para comer uma bananinha e paçoca e descemos mais tranquilos. Às 14:58 estávamos de volta ao local onde tinha ficado o carro.
      Daí o cara olha pra mim e fala: - Agulhas e Prateleiras em 6 horas. Nada mal.
      E rachamos o bico de dar risada.

      Tinha acabado de subir dois cumes que sempre tinha sonhado. Agulhas Negras e Prateleiras. Os dois em cerca de 6 horas. Eu estava muito feliz. 
      O visual de cima dessas montanhas é incrível. Mas a experiência da subida é demais. A adrenalina a mil. Saber que um escorregão e já era. Isso não tem preço que pague.
      Acabei ficando amigo do guia e ele me deu uma carona para Itanhandu no dia seguinte, onde pegaria o ônibus de volta pra minha terra.
      Dormi mais uma noite no mesmo hotel, dessa vez num quarto de fundos e o sono foi muito melhor. Desci para comer um sanduíche de pernil numa lanchonete próxima e bebi uma coca-cola de 1 litro. Depois de todo aquele esforço eu merecia.
       

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      Na manhã da quarta-feira, 26-09, eu parti de volta para Maringá, com uma parada longa em São Paulo, de onde saí de noite e cheguei em casa na manhã de 27-09-2018.
      Decidi ir pra casa a pé. Pra caminhar um pouco. rsrsrs.
      Logo depois do almoço eu estava em casa e na manhã do dia seguinte tudo voltaria à mesma rotina de antes.
      Mas eu não era o mesmo cara que tinha saído 23 dias antes. 
      Eu tinha caminhado mais de 420 Km. Tinha estado em 3 dos dez pontos mais altos do país. Tinha visto o sol nascer e se por proporcionando espetáculos inesquecíveis. Tinha conhecido gente da melhor qualidade, o povo bom e humilde do interior de Minas Gerais.
      Dá para aguentar essa rotina por mais um tempo, numa boa.
       
    • Por casal100
      Realizamos no período de 31.01 a 19.02.2016 o caminho da fé invertido (de Aparecida a São Carlos a pé ), foram aproximadamente 540 kms
      Breve relato completo!
       
      No nosso relato focaremos em informações sobre pessoas, pousadas, dificuldades, histórias e estórias.
       
      Para aquelas pessoas que querem informações mais detalhadas melhor ler o excepcional relato do Augusto abaixo.
      Disparado o melhor relato sobre o MELHOR caminho do Brasil :
      caminho-da-fe-429-km-em-15-dias-de-caminhada-relato-dic-t29158.html
    • Por Alan
      CAMINHO DA FÉ

      Mapa do Caminho
      Fonte: www.estiva.mg.gov.br
       
       
      Moçada,
      Estou estreando aqui. Tenho interesse em fazer o Caminho da Fé em março/2004, depois do Carnaval.
      Alguém conhece, pode dar dicas, tem interesse em ir junto??
      Silvio.
       
       
       
       
       
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      Postado pelo usuário Renato Batista Pereira
      em 25/07/2005 : 15:56:07
      Mensagem:
      São aproximadamente 400km. atravessando a Serra da Mantiqueira por estradas vicinais de terra, trilhas, bosques, pastagens e asfalto
       
       
      Objetivo
      Proporcionar às pessoas:
      - momentos de reflexão e fé.
      - saúde física e psicológica através do exercício da caminhada.
      - integração do homem com a natureza.
       
       
       
      História
      O Caminho da Fé (Brasil), inspirado no milenar Caminho de Santiago de Compostela (Espanha), foi criado para dar estrutura às pessoas que sempre fizeram peregrinação ao Santuário Nacional de Aparecida, oferecendo-lhes os necessários pontos de apoio.
      Em seu caminhar, seguindo sempre as setas amarelas, o peregrino vai reforçando sua fé observando a natureza privilegiada, superando as dificuldades do Caminho que é a síntese da própria vida. Aprende que o pouco que necessita cabe na mochila e vai despojando-se do supérfluo.
      Exercitando a capacidade de ser humilde, compreenderá a simplicidade das pousadas e das refeições. Em cada parada, estará contribuindo para o desenvolvimento econômico e social das pequenas cidades e propiciando a integração cultural de seus habitantes com a dos peregrinos de diferentes partes do mundo.
      Com a adesão das prefeituras e paróquias, o Caminho da Fé foi inaugurado em 11.02.2003 na cidade de Águas da Prata/SP.
      Teve a seu primeiro prolongamento até a cidade de Tambaú/SP, em 16.06.2003. Dando continuidade, seu traçado será sempre alterado, visando agregar outras cidades.
       
      INFORMAÇÕES
      O trajeto todo é sinalizado com setas amarelas em postes, mourões e cercas, pedras, muros, pistas, placas.
      - menor de 18 anos somente acompanhado pelos pais ou com autorização do Juizado de Menores;
      - a credencial é emitida a pessoas a partir de 14 anos de idade;
      - não formamos grupos e as saídas são diárias. O peregrino é livre para escolher a forma de caminhar - sozinho ou em grupo de pessoas com o mesmo propósito e/ou pensamento filosófico;
      - o Caminho foi concebido para peregrinação A PÉ, porém emitimos credencial a ciclistas;
      - não estão previstas áreas de camping;
      - duração da jornada, de 14 e 16 dias, caminhando entre 25 e 30km/dia.
      - gastos em torno de R$30,00 (refeição e pernoite) pagando-se no local onde utilizar os serviços;
      - custo da credencial R$ 5,00 (cinco reais)
       
       
      RECOMENDAÇÕES- Resistência física para enfrentar aclives e declives.
      - Seguir as setas amarelas ao longo de todo trajeto.
      - Recomenda-se não caminhar sozinho, pois todos estamos sujeitos a imprevistos.
      - Não jogar lixo ao longo do Caminho. Porte sempre uma "sacolinha" plástica.
       
       
      O QUE LEVAR
      Mochila com presilhas no peito e quadris, com menos de 6kg, incluso o peso da mochila, é possível levar tudo o que o peregrino necessita. Exemplo
      - 2 mudas de roupas além da que está no corpo (leve e de fácil secagem);
      - capa de chuva que cubra também a mochila;
      - chinelo;
      - material de higiene pessoal (sabonete; creme, escova e fio dental; papel higiênico, etc.);
      - primeiros socorros (esparadrapo, pomada contra assadura, anti-séptico, etc);
      - canivete;
      - toalha (de preferência tipo fralda de pano)
      - agulha e linha (para drenar bolhas que possam se formar nos pés)
      Cajado:serve de apoio e defesa contra animais hostis. Poderá ser adquirido nos locais de credenciamento.
      Calçado: já adaptado aos pés, resistente e macio.
      Chapéu: de pano com abas, tipo pescador.
      Água: levar apenas o que for consumir em cada trecho.
      Protetor solar e repelente contra insetos.
       
       
      Paz para os homens de boa vontade.
       
       
       
      Visitem o site:
      http://www.caminhodafe.com.br[/b]
    • Por JoseClaudiogon
      Salve amigos
       
      Não se assustem o título esta correto he he he
       
      Terminei ontem (19/08/2015) o caminho da Fé. Iniciei em Águas da Prata e foram + ou - 318 kms em 12 dias. Iniciei dia 08/08/2015 e a proposta inicial era terminar em 15 dias com um dia de folga. Meus amigos e familiares iriam de carro até Aparecida do Norte me buscar e já visitariam a Basílica. Como já cheguei iremos todos de carro dia 23/08/2015.
      Fui muito bem recebido pela Dna Tina em Águas da Prata e já fiz amizade com dois senhores que estavam na pousada. Dois outros chegaram de madrugada e as 6:00 hs saímos todos juntos. Na primeira subida terminei com o coração batendo na garganta e o pulmão implorando por oxigênio. Os outros quatro senhores pretendiam fazer o caminho todo em 8 dias e após a primeira descida e depois de te-los acompanhado no terço despedi-me e diminui meu ritmo.
      O primeiro dia foi marcado por uma tremenda falta de água e uma descida terrível até Andradas.
       
      Levem o mínimo de 2 litros de água e preparem-se para a descida até Andradas (tem subidas também, e bastante he he).
       
      Andei por 5 dias sozinho, de forma lenta e tranquila mas, com muitas dores no joelho esquerdo. As subidas são cansativas mas, são as descidas que podem lhe tirar da caminhada.
      Em Tocos do Mogi conheci um pessoal que estavam com uma caminhonete de apoio e ofereceram para levar minha mochila. Foi minha salvação já que estava decidido a voltar. Com muitas dores no joelho, cansado, com saudades de casa, quase desisti.
      Com o peso da mochila a menos a caminhada ficou mais "fácil" e pude seguir no caminho.
      Enfrentei muitas dificuldades mas a fé e os novos amigos (verdadeiros anjos) me incentivaram a continuar. A subida de Luminosa à Campos do Jordão tem um desnível de mais de 800 metros e separa o joio do trigo.
       
      Em Luminosa suba até a pousada da Dna Inês. São 4 kms após Luminosa morro acima. No dia seguinte saia cedo pois, ainda falta muito do morro para subir até Campos do Jordão.
      Em Campos do Jordão seguimos de ônibus até a estrada de Pedrinhas. Alguns podem achar que é uma "trapaça" seguir de ônibus um pedaço do caminho mas, a estrada que leva ao horto de Campos do Jordão é estreita, movimentada, sem acostamento e quando dois veículos grandes se cruzam não há espaço para o peregrino, ou seja, um perigo termendo que não aconselho a ninguém. O caminho por Pedrinhas também é fora da rota do Caminho da Fé mas, de Campos do Jordão à Pindamonhangaba e até Aparecida do Norte é praticamente todo por asfalto e por pedrinhas é de terra e arborizado com trechos pequenos de asfalto. Quase todos que conhecem os dois caminhos optam pelo de Pedrinhas. Estas informações nos foi dada pelo Sr. Pedro que já fez o caminho 13 vezes (treze vezes mesmo ok). O Sr. Pedro foi um dos 18 que fizeram o caminho no primeiro ano.
      De Pedrinhas à Aparecida do Norte são 19 kms, saímos as 6:00 hs e chegamos as 9:45 hs na Basílica.
      Como a missa das 9:30 hs já tinha começado resolvemos os "trâmites" na secretaria da basílica, visitamos a imagem de Nossa Senhora Aparecida (chorei um tantão he he). Assistimos a missa das 10:30 hs e voltei para Andradas de carona com os "anjos" que me ajudaram no caminho. Peguei um ônibus até São João da Boa Vista e meu filho, minha mulher e um casal de amigos foram me buscar em São João. Ás 21:30 estávamos comendo uma batata recheada já em Mococa.
       
      Não se enganem o caminho é difícil, principalmente para um cara de 52 anos, 1,85 mts e 100 quilos mas, não é impossível se for com calma e fé.
      Os amigos que me acompanharam depois de Tocos do Mogi são peregrinos experientes que já fizeram muitos caminhos no Brasil e no mundo. O Sr. João fez 1500 kms no Caminho de Santiago (estendeu até outros pontos na Europa). Com todo esse conhecimento afirmam que o Caminho da Fé é, talvez, o mais difícil de todos portanto, se terminar o caminho da fé muito provavelmente estará preparado para todos os outros.
       
      Em todo o caminho fui muito bem recebido e atendido pelos hotéis e pousadas mas, não deixem de passar pela pousada da Dna Natalina na Serra dos Lima onde fiquei no primeiro domingo e na pousada da Dna Inês em Luminosa.
       
      As recomendações em relação à calçados e roupas e o que levar já foi exaustivamente discutido em outros tópicos. Faça sua mochila com o mínimo possível, qualquer item deve ser muito bem pensado. Espalhem todos os itens e elimine o que achar desnecessário mas, sejam bastante criteriosos, um frasco de shampoo, mesmo para uma mulher de cabelos compridos, é totalmente desnecessário se você tiver que carrega-lo mas, uma lanterna não.
       
      Força, foco e muita fé em Deus e Nossa Senhora .

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