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Viagens de um Gordo - São Luis, Lençois, Jericoacoara, Delta Parnaíba, Parque 7 Cidades e Teresina.


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Sempre consultei esse site para fazer minhas viagens, por isso, decidi também contribuir com meus relatos. Para diferencia-los dos outros, colocarei sempre viagens de um gordo e procurarei, com o bom humor habitual de um gordo, comentar as dificuldades que passo em todos os trechos que fiz. As notas que serão dadas aos locais vão de 1 a 5 gordinhos, semelhante a estrelas, quanto melhor mais gordinhos.

 

Para começar vou fazer um resumo de todo o trajeto e como foi feito.

 

Período da viagem: 9 dias - de 28/04/2012 a 06/05/2012.

Rota:

28/04 - Chegada em São Luis

29/04 a 30/04 - Lençois Maranhenses* (esse eu não fui pois já tinha ido, mas os amigos que viajaram comigo foram e farão essa parte do relato)

30/04 - volta para São Luis

01/05 a 04/05 - Jericoacoara

04/05 - Delta do Parnaíba

05/05 - Parque das Sete Cidades e Teresina

06/05 - Volta para São Luis.

 

Meio de Transporte: Ida e volta de São Luis de avião e todo o trajeto de carro.

Distância percorrida de carro: 2.200km

Gasto Total: Aproximadamente R$1.400,00 por pessoa. A viagem foi feita em 4 pessoas. No preço inclui passagem de ida e volta do RJ, aluguel do carro, gasolina, hospedagens, alimentação, passeios e bastante cerveja, no relato abaixo especifico os gastos. Nesse preço não está incluído os Lençois maranhenses, que eu não fui.

 

1° Dia (sábado)- São Luis

Saímos do Rio na sexta a noite e chegamos em São Luis na madrugada de sábado, as 3 da manhã. O táxi do aeroporto até perto do centro da cidade fica por volta de R$40,00, os preços as vezes são negociados antes, sem taxímetro. Em São Luis fomos fazer um citytour:

Praia de Araçagy: Essa praia já fica na cidade de São José do Ribamar, outra cidade da região metropolitana de São Luis, ainda dentro da ilha. A praia é meio rústica, você pode andar na areia de carro e estacionar ao lado da barraca onde vai tomar sua cerveja, um sonho para nós gordos, não precisamos andar nem da rua até o quiosque. Porém, a cerveja e o tira-gosto são um pouco caros, e os quiosques não têm infraestrutura nenhuma, não tem nem banheiro. O mais impressionante é a variação de maré em São Luis, é uma das maiores do mundo, chega a 7 metros, é um espetáculo ver essa variação na praia, a cada 6 horas a maré "enche ou esvazia" extraordinariamente. Porém, isso é um risco para o desavisado que deixa o carro na praia, quando se chega você tem uma faixa de areia de se perder de vista, porém, 6 horas depois você pode ser mais um desesperado tentando tirar seu carro da praia enquanto um maranhense ri de você!!

3 gordinhos para essa praia.

Av. Litorânea: A av. Litorânea é onde estão as praias mais bonitas e famosas de São Luis, Caolho, Calhau e ponta da areia! Essas praias já têm uma estrutura muito boa, ótimos quiosques que funcionam até a noite, tiramos algumas fotos por lá e aproveitamos para tomar uma cerveja porque tínhamos que abrir os trabalhos do dia. De lá fomos para o Centro histórico.

4 Gordinhos para a Av. Litorânea.

Centro histórico: Passamos pela ponte "José... Sarney" (um nome terrível para um lugar tão belo), e viramos para a direita rumo ao centro histórico, fotografamos o palácio dos leões, sede do governo maranhense e o palácio da justiça. Não pudemos entrar nesses prédios porque era sábado no fim da tarde e já estavam fechados. De lá fomos para o teatro municipal Arthur Azevedo, esse teatro é belíssimo, quando chegamos estava tendo uma apresentação, porém tivemos muita sorte, uma das pessoas que trabalham no teatro foi muito atenciosa conosco e nos deixou entrar e fotografar, ainda de quebra nos contou rapidamente a história do teatro. Selo de amiga do gordo pra ela!

3 gordinhos para o centro histórico

5 gordinhos para o teatro.

A noite fomos para o Reagge, o lugar chama Bar do Nelson, é um lugar simples que só toca som mecânico, ou como dizem os maranhenses som de radiola! Mas é um bom lugar para se conhecer o famoso reagge de São Luis, a capital nacional desse ritmo.

4 gordinhos para o Bar do Nelson!

 

 

 

Os 2° e o 3° dias (domingo e segunda feira) foram parados, os demais viajantes foram para os Lençois e eu fiquei em São Luis. Um deles fará essa parte do relato.

No final do 3° dia eles voltaram de Barreirinhas e fomos sair em São Luis de novo. Queríamos ir em um bar na beira da Lagoa da Jansen, são ótimos bares em um lugar muito bonito, porém, estacionar um carro lá depois das 7 da noite é impossível. Então decidimos voltar para a litorânea e sentar em um quiosque na orla. Tinha um gordo tocando muito bom.

4 gordinhos para o quiosque!

 

4° Dia (Terça Feira)- Rumo a Jericoacoara

Foi o trecho mais longo que fizemos de carro em um só dia, andamos aproximadamente 700km. Fizemos esse trecho saindo de São Luis pela BR135 e viramos para Itapecuru Mirim pegando varias rodovias estaduais passando pelas cidades: Chapadinha, Santa Quitéria do Maranhão, São Bernardo, entrando no Piaui por Piranji, segue para Parnaíba, e saí do Piaui rumo a Chaval, entramos no Ceará rumo a Camocim, viramos para Granja e chegamos até Jijoca de Jericoacoara. Por mais incrível que possa parecer, as estradas do interior desses 3 estados são ótimas de rodar, um tapete, além de serem retas, planas e com muito pouco trânsito. A viagem rendeu muito, saímos de São Luis as 8 da manha e chegamos a Jijoca por volta das 5 da tarde. Os maiores riscos dessa estrada são animais na pista, principalmente jegues, quando avistar um, freie pois não da pra saber que direção eles vão tomar na estrada, buzina não funciona! Bêbados em bicicletas e motos também são um grande problema, assim como os jegues, eles repentinamente entram na frente do seu carro, mas com eles a buzina funciona melhor, não economize; por fim evite ao máximo dirigir a noite, algumas dessas cidades têm muitos assaltantes, é um risco real.

Chegando em Jijoca, são mais 28km até Jericoacoara, e existem 2 opções para chegar até Jericoacoara, não da pra ir sozinho:

1) Um guia te leva no seu carro que você tem que parar no estacionamento na entrada de Jericoacoara, você não pode usa-lo para circular na cidade. O guia cobra R$40,00 e o estacionamento custa R$10,00 por dia.

2) Você deixa seu carro em Jijoca e vai de Hilux até Jericoacoara. O transporte até la custa R$60,00 e cabem 4 pessoas, o estacionamento em Jijoca custa R$5,00 por dia.

Se você estiver em carro de passeio recomendo que escolha a segunda opção, como nós fizemos, pois a estrada tem muita areia e o risco de atolar é enorme. O guia que leva seu carro tenta muito te convencer do contrário e te diz que você poderá fazer os passeios por Jeri no seu carro, mas é mentira, isso é impossível. Aliás esse momento é muito confuso, os 2 guias falam ao mesmo tempo e o tempo todo, a gente teve que se esforçar para mandar eles embora e pensar no que fazer. Outra coisa, eles já te oferecem para comprar os passeios em Jeri com eles, não vale a pena, espere chegar em Jeri para negociar que você consegue preços melhores. Chegamos em Jeri e o cara nos deixou na porta da pousada, a vila onde fica a praia é fora de série!! O hostel onde nós ficamos é excelente, explicarei com mais detalhes sobre o hostel mais a frente, nesse momento só lembro de que comemos alguma coisa, negociamos os passeios dos 2 dias seguintes e tomamos várias cervejas para comemorar a chegada!

4 gordinhos para a estrada

1 gordinho para a disputa dos guias

5 gordinhos para o Hostel

5 gordinhos para Jericoacoara, queria dar 6

 

 

 

5° dia (Quarta Feira)- Jericoacoara - passeio pelo lado Leste.

Primeiro faço questão de destacar uma coisa, Jericoacoara é um lugar fantástico, onde você chega e já se sente bem, mais tranquilo. O estresse ainda não conseguiu atravessar as dunas e chegar la, paz total!

Segundo faço um espaço para comentar o hostel, ficamos na verdade na pousada Jangadeiros, é uma opção de "Bed and Breakfast", porém, a dona dessa pousada é esposa do dono do hostel, portanto apenas dormimos na pousada, o café da manhã e o resto do tempo ficamos no Hostel. Destaco que o hostel e a pousada são excelentes, ótimo custo benefício e o casal de donos são ótimas pessoas. 5 gordinhos para eles! Ah, vou sempre chamar de hostel.

Agora informações úteis, existem duas possibilidades principais de passeio para se fazer em Jeri, pelo lado leste e pelo lado oeste, ambos podem ser feitos de bugue ou de 4x4 (hilux). De bugue é mais barato e mais emocionante, de Hilux, logicamente, bem mais confortável. Como sou um gordo mais aventureiro preferi o passeio de bugue, assim como o resto da galera. Conseguimos fechar os 2 passeios pelo valor total de R$260,00; perto dos R$320,00 que estavam nos oferecendo no começo foi um ótimo preço. Partimos primeiro para fazer o passeio do lado leste, os locais de visita são a Pedra Furada, lagoa azul, árvore da preguiça e lagoa do paraíso. O passeio começou aproximadamente 9 da manha, recomendo que comece um pouco mais cedo, por volta das 8:30. O bugueiro foi muito pontual, mas o bugue era bem velho e maltratado não tinha nem ponteiro no velocímetro, mas ficamos um pouco mais tranquilos depois que lemos no bugue o adesivo escrito "Deus nós protege", bom se ele protege até Deus, então eu não podia estar em melhores mãos.

Pedra Furada: Ao som da Beyoncé do Para, cantando o sucesso "Hoje eu to solteira", começamos nosso passeio pela Pedra Furada. Aliás, recomendo, principalmente para nós gordos, que se comece o passeio pela Pedra Furada, pois tem que fazer uma pequena caminhada para chegar até lá, essa caminhada pode ser bem mais cansativa no final do dia. Todo o passeio é bonito, as pedras no caminho, o mar ao lado, você consegue tirar várias fotos fantásticas, daquelas que você só vê nas opções de fundo de tela do Windows!! Fomos até a pedra no caminho pela praia, nessa rota, é preciso passar por um trecho com pedras que podem gerar algumas dificuldades para nós gordos, mas vencida com alguma facilidade por esse aqui!! Na Pedra tiramos várias fotos e pudemos tomar uma água de coco de alguns vendedores que ficam por lá. Na volta, resolvemos voltar por cima do morro que tem ao lado da praia, idéia desse gordo corajoso aqui. Nesse momento comecei a pensar que a diferença entre um gordo corajoso e um gordo burro pode ser muito pequena, depois de algum cansaço pelas pedras, esse morro que resolvemos subir foi penoso, os magros que me acompanhavam se distanciaram bem, e um deles, sem nenhuma compaixão, ainda me xingava quando eu lentamente me aproximava... Mas o visual valeu muito a pena, ver aquela paisagem paradisíaca de cima é ainda melhor, tivemos a oportunidade ainda de ver um pássaro tentando voar contra o vento, fantástico!! Voltamos para o bugue e seguimos para a árvore da preguiça.

4 gordinhos para a pedra furada

3 gordinhos para o caminho (é meio light para um gordo!)

Árvore da preguiça: Foi uma parada rápida apenas para algumas fotos, é meio sem graça, parece só uma árvore caída, rapidamente seguimos para a lagoa azul.

2 gordinhos para a árvore da preguiça, ou árvore gorda, como eu preferi chamar.

Lagoa Azul: Chegamos na lagoa com alguma chuva, Beyoncé do Pará ainda fervia no som do carro "Quando a saudade me consome, grito o seu nome!", em 5 minutos a chuva foi embora e pudemos desfrutar da belíssima lagoa! As redes na água, a cor incrível e o bar na orla servindo cerveja gelada te faz pensar que você chegou no paraíso... Só o preço da cerveja que coloca isso em dúvida, R$8,00 é puxado! Ainda sim tomamos uma dentro da lagoa para comemorar e partimos para a próxima lagoa.

4 gordinhos para a lagoa e o visual.

2 gordinhos para o bar que, além de cerveja cara, tinha um atendente muito mal humorado.

Lagoa do Paraíso: Agora sim, se na outra lagoa eu cheguei a cogitar que tinha chegado ao paraíso agora tinha certeza, água ainda mais azul, redes dentro da água, bar na beirada servindo cerveja gelada e mais barata, R$6,00, e muitas mulheres lindas no entorno, o que mais pode um gordo querer! Deitado em uma rede eu bebia e pedia o almoço. Comemos uma galinha caipira muito bem preparada e já partimos para o bugue, hora de voltar.

5 gordinhos para essa lagoa! Tudo excelente!

Lagoa do coração: Antes de voltar paramos ainda na lagoa do coração, a falta de chuvas e o movimento das dunas fez a lagoa perder o formato de coração. Esse fato e o cansaço fez essa última parada ser muito sem graça.

1 gordinho para essa lagoa, nem sei porque parou la.

De volta para o Hostel fui direto dormir, era praticamente um gordo morto.

Acordei por volta das cinco da tarde a tempo de ver o por do sol da Duna do por do Sol, a princípio olhar a duna de baixo assusta um pouco para subir, mas a subida é bem leve! O visual do por do sol lá de cima é exuberante (como diria meu amigo Zé), tiramos aquelas tradicionais fotos, tentamos puxar aplausos, mas quando vimos que éramos os únicos, fingimos que era apenas uma tentativa de retirar areia das mão e fomos embora.

4 gordinhos para as dunas para o por do sol.

Resolvi dar uma volta pela vila, vale a pena, sempre gosto de dar uma volta a pé pelas cidades que visito, acho que consigo perceber melhor como a cidade funciona para os moradores. Fora a parte turística é uma cidade bem simples, tudo bem rústico mas funcional.

Na volta para o hostel tive uma grata surpresa, encontrei uma das belas mulheres da lagoa do paraíso conversando com o pessoal na porta, aproveitei para entrar na conversa e conhecer pessoas novas.

A mulher no caso era Carolina Florez, uma espanhola indescritível que tive um enorme prazer de conhecer e fazer amizade. Ficamos umas 2 horas conversando sobre os mais variados temas e pude perceber que mais do que bonita ela é inteligente e simpática. Uma amiga que sempre vou lembrar com muito carinho... (Carol, aí está o parágrafo que te prometi!)

Cumprindo a promessa e seguindo a noite fomos jantar, muito boa a pizza, e voltamos até o hostel para buscar todas as pessoas lá hospedadas para seguirem para o forró conosco. Com uma gringaiada enorme que incluia, além da espanhola, suecos, belgas, israelenses, alemães, ingleses, uma holandesa meio baiana, um argentino entre outros; conseguimos um desconto na entrada, saiu por R$7,50, e curtimos uma noite interessante, recomendo. Apesar de não saber dançar, consegui enganar por um tempo, até que a cerveja acabou de tirar minha pouca coordenação motora e eu me entregar aos assentos. Dali era só dormir e aguardar o passeio do dia seguinte pelo lado oeste.

 

 

 

6° dia (quinta feira) - Lado oeste

 

Tentamos começar esse dia mais cedo já que, para o lado oeste o caminho é bem mais longo. Como no dia anterior tínhamos reclamado com a empresa que o bugue estava velho, mandaram outro bugue... Bem pior! Esse, além de todos os problemas que o outro já tinha, só pegava no tranco e não tinha som para curtirmos uma musiquinha no caminho. Partimos para o primeiro ponto e realmente andamos muito tempo, atravessamos um braço de mar de balsa e paramos no primeiro ponto para ver o tal do cavalo marinho.

Visita do cavalo marinho: Que m...! Ridículo! Primeiro chegamos lá e tivemos a proposta, cada um paga R$10,00 apenas se conseguir ver o cavalo marinho, como um turista idiota, topamos! Fomos com o canoeiro que parou cerca de 20 metros a frente, na beira do braço de mar que estávamos e catou com uma bacia dois cavalos marinhos para vermos, um bicho feio, sem graça, com jeito de idiota, lento, nem sei como sobreviveu a seleção natural até hoje, vimos vários deles, tão sem graça quanto ver uma manada de jegues na beira da estrada.

0 gordinhos para o cavalo marinho!

Voltamos, pagamos e seguimos viagem, todos com a mesma impressão de ter sido feito de bobo. Sem muitos comentários, andamos mais um monte até chegar na dona Delmira, uma senhora contadora de histórias.

Dona Delmira: Esta é uma senhora muito conhecida na região que conta a história da cidade de velha Tatajuba, que foi coberta de areia devido ao movimento das dunas. Pela história, ela vivia com a família no local, tirava areia da casa todos os dias, mas sempre aparecia mais, quando parava pra dormir ficava coberta de areia e até pesava, depois ela contou mais várias coisas que eu não consegui entender direito, sei que tem até uma duna mal assombrada por tripulantes de um barco que também foi coberto por areia. Bom, resumindo, o mais impressionante é a quantidade de palavras que a dona Delmira consegue falar sem respirar, outra coisa divertida são os gringos, tentando compreender o que nem um brasileiro é capaz. Por fim, vimos alguns porcos lutando por resto de coco e fomos embora.

1 gordinho para dona Delmira pela velocidade que ela fala, se não era 0.

Seguimos viagem de novo e vamos mais um tempo em cima do bugue, não existia mais posição para ficar sentado ali sem sentir dor...

Chegamos até o alto de uma duna que tinha um visual mais bonito, tiramos algumas fotos e fomos ver que dali também dava para descer essa duna de sandboard ou então sentado em uma prancha, que eu não sei o nome.

Descida da duna: Esse foi um episódio a parte, esse gordo aqui já tinha ido até florianópolis, onde tinham algumas dunas para descer também. Lembrei na hora e mais que rápido quis descer a duna. Já tinha aprendido que o sandboard não era pra gordo, a chance de cair quando desce em pé é muito grande, e daí para uma contusão é fato. O cara que aluga a prancha cobra R$5,00 para emprestar a prancha para uma descida e mais R$5,00 para te buscar lá em baixo de quadricículo motorizado. Por um motivo que ainda é obscuro no meu cérebro, decidi pagar apenas pela descida. A descida foi muito sem graça, lenta, em Floripa era mais emocionante. Cheguei lá em baixo um lago bem vazio, com água batendo na canela. Percebendo que não tinha perdido nada lá em baixo, decidi subir logo e seguir viagem. Aí é que a coragem súbita cobrou seu preço. A duna era muito íngrime e a areia muito fofa, cada passo que eu dava pouco rendia, quando subi menos de 1/4 do morro, achando a corda que estava ali para me ajudar, já estava morto. Nesse momento lembrei que a linha que separa um gordo corajoso de um gordo burro é realmente tênue... Depois, a cada 5 novos passos eu caia na areia de novo e aguardava o fôlego voltar! Atravessei a tal linha para o lado da burrice por muito!!! Sem jamais me dar por vencido, ia de 5 em 5 passos, e já conseguia ver que as pessoas no alto da duna riam de mim... Dei o sprint final e consegui me sentar no topo, não tinha fôlego nem pra falar, precisei de uns bons 15 minutos de recuperação, ainda sim voltei para o bugue e pedi que o motorista não me desse mais nenhuma emoção na viagem. Queria apenas chegar até a lagoa de tatajuba para deitar em mais uma rede!

2 gordinhos para a descida da duna, sem emoção e o lago lá em baixo é bem fraco!

Observação importante: a lagoa estava vazia, assim como várias outras do caminho porque o inverno do Ceará foi fraco, com poucas chuvas. Segundo todas as pessoas que eu conversei, as lagoas cheias deixam o lugar muito mais bonito.

0 gordinhos para a subida a pé! Nada recomendado para gordos!!

Lagoa de Tatajuba: Boa lagoa, mas com certeza menos bonita que as do lado leste. Também tinha redes dentro da água e um bar na beira para servir cerveja, porém a água é mais turva, perde um tanto da beleza. A parte boa é o restaurante, quando pedimos o cardápio, eles trouxeram uma tábua com 2 pargos, um de cada tamanho e uma porção de camarão, logicamente crus, para escolhermos. Ah! Os acompanhamentos: baião de 2, macaxeira, arroz, feijão e salada são a vontade! Excelente o almoço e o atendimento melhor ainda!

3 gordinhos para a lagoa

4 gordinhos para o restaurante

5 gordinhos para o atendimento! Prêmio de garçom amigo do gordo pra ele! Quando o almoço ficou pronto, ele veio até a rede me perguntar se deveria servir naquela hora ou se eu gostaria de continuar deitado!! Fantástico!

Voltamos para o hostel e fomos tirar um sono.

Acordamos já a noite e seguimos para a área comum do hostel. Tava rolando um churrasco de despedida da sobrinha do dono, uma alemã muito simpática chamada Gabriela, ou Lela como ela preferia ser chamada. O evento foi ótimo, juntou todas as nacionalidades ali naquele espaço.

Apareceu nesse dia um mexicano muito louco, chamado Jorge, (ainda acho que essa praga é brasileiro!), que agitou a noite. O cara era muito figura e tava contando suas histórias do tempo que trabalhou de garçom em um restaurante mexicano de São Paulo, muito bom! A noite foi muito boa, ensinei todos a fazer caipirinhas, e aprendi a falar "Posso beber 20 cervejas sem vomitar" em alemão! Aliás o argentino gostou muito da receita de caipirinha, tomou umas 8 ou 9, deve estar com dor de cabeça até hoje!! Claro, tínhamos também a presença da inenarrável Carol nessa noite também, fazendo a noite ainda melhor.

Assim, com chave de ouro, terminamos nossos dias em Jericoacoara, um lugar incrível que eu recomendo a todos, o único problema é que não dá vontade de ir embora! Porém, tínhamos que seguir viagem, então fomos dormir logo para acordar cedo no dia seguinte que a viagem ia ser longa.

Dica: Recomendo que as pessoas que forem fazer os 2 passeios por Jericoacoara, faça primeiro o lado oeste, é bem mais cansativo e menos bonito que o lado leste. Terminar pelo mais bonito é sempre melhor!

 

7° dia (sexta feira) - Delta do Parnaíba.

 

Saímos cedo de Jericoacoara, 8 e meia da manhã já estávamos na estrada, um trecho que já conhecíamos vencemos rapidamente e 11:30 já estávamos em Parnaíba. Essa é uma cidade grande, com cerca de 150.000 habitantes. O passeio, já tínhamos negociado por meio da empresa em Jeri da qual contratamos os passeios de bugue. Conseguimos por R$220,00 alugar uma lancha que cabiam 5 pessoas. Chegando lá fomos fechar esse passeio. Um ponto importante a se destacar é que tem que escolher entre um passeio mais curto, que vai apenas a um dos deltas, ou o mais longo, que vai até um segundo Delta. Pelo que pudemos entender, esse passeio mais longo chega até uma ilha deserta onde é possível se ver alguns animais selvagens. Recomendo que se pesquise antes qual o melhor caminho a se fazer, as pessoas que vendem o passeio não conseguem te explicar direito, e você não sabe escolher. Por via das dúvidas fomos no mais curto, já que tínhamos pouco tempo e era o mais barato. O passeio é legal, mas não espere instruções do motorista da lancha, o cara se resume a levar a embarcação e só fala se você perguntar. A primeira parada é em uma ilha de areia, onde o rio Parnaíba se encontra com o mar.

Ilha: É um lugar espetacular, apenas uma faixa de areia que, é totalmente coberta quando a maré está no nivel mais alto. Lá se pode tomar banho no mar ou no rio. Espetacular.

4 gordinhos para a ilha.

Na sequencia paramos em um restaurante na beira do rio.

Restaurante: interessante também o restaurante, mas como já havíamos almoçado na cidade, nem animamos comer nada. Mas os pratos pareciam bem chamativos, inclusive as patinhas de caranguejo empanadas quase nos derrubaram, o gordo aqui chegou a salivar...

3 gordinhos para o restaurante

Seguimos de barco para a última parada, umas dunas que ficam perto de onde saímos de barco, o caminho é feito de trás pra frente.

Dunas: Na verdade nem chegamos a subir as dunas, já tivemos uma overdose de dunas em Jericoacoara. Então passamos todo o tempo só nadando ali no Parnaíba, bem relaxados!!!

4 gordinhos para as dunas

3 gordinhos para o passeio pelo Delta, o motorista da lancha mudo atrapalhou.

Pegamos de novo o carro e seguimos rumo ao parque das 7 Cidades, a ideia inicial era dormir em Teresina, mas, devido ao risco da estrada a noite, preferimos dormir em Piripiri, uma cidade a 25km do Parque.

Piripiri: Essa cidade foi um caso a parte, não é uma cidade muito pequena, tem aproximadamente 50 mil habitantes. Chegamos lá na sexta a noite, e no dia seguinte, no sábado, teria um encontro de motoqueiros na cidade. Então a cidade tava lotada de gente, o trânsito na praça do centro, onde paramos para jantar, não parava de passar carros e motos o tempo todo. Me senti de volta no Rio de Janeiro, até que, em 10 minutos, comecei a notar que os veículos eram os mesmos... As pessoas ficam dando voltas no mesmo lugar, como diz o garçom do bar, "só pra gastar gasolina"! Descobrimos que teria uma festa lá no "Sushi", com uma banda de São Paulo chamada "Capa de revista", por isso a cidade estava alvoroçada. Terminamos de comer e tentamos chegar até a porta da festa, mas como era muito longe, preferimos voltar para o hotel e dormir, o dia seguinte ia começar cedo.

3 gordinhos para Piripiri.

Ah, o hotel foi R$35,00 por pessoa, com café da manhã e ar condicionado no quarto. Porém, a luz do hotel acabou no meio da noite, então dormimos no calor mesmo e não tínhamos nada gelado no café da manha do dia seguinte.

 

8° dia (sábado)- Parque das Sete Cidades e Teresina.

 

Inicia-se nosso penúltimo dia de viagem, logicamente, na estrada, um caminho curto até a entrada do parque. Cuidado, as placas de sinalização são muito ruins e chegamos meio que pelo instinto.

Parque das 7 cidades: Logo na chegada já soubemos de uma informação interessante para os próximos viajantes, existe um hotel fazenda que funciona praticamente dentro do parque com preços módicos, R$40,00 por pessoa. Se soubéssemos teríamos ficado lá.

O Parque se chama 7 cidades porque tem 7 locais de visitação, segundo as lendas, eram 7 cidades que foram transformadas em pedra por alguma maldição. O passeio completo tem 18km, existe uma rota menor com 5 cidades com 4 km. As outras duas que ficam mais distantes. As possibilidades são fazer o passeio de carro, a pé ou de bicicleta. Escolhemos, por influência desse imbecil aqui, fazer o caminho de 4km de bicicleta e depois visitar as outras 2 cidades mais distantes de carro. Um alerta, as bicicletas que o parque tem para alugar são bem velhas, em péssimo estado de conservação. Sob um sol escaldante, de 10 da manha do Piaui, começamos a pedalar. Como não lembro a ordem das cidades que fomos parando, vou falando pelas paradas.

Primeira parada: Essa primeira é uma cidade que as formações rochosas parecem animais, uma parece tartaruga, outra cachorro, outra elefante... A mais parecida é o elefante, as outras duas, segundo um dos companheiros de viagem, não dá pra ver nada, é preciso contar com a ajuda de alucinógenos para enxergar alguma coisa. Isso eu não sei, só sei que eu vi.

Segunda parada: Pra mim a melhor, voce já chega e tem um portal muito legal, segundo eles é o arco do triunfo, dizem que quando você passa por baixo pode fazer um desejo. E antes que a piada venha eu não desejei um lanche! Depois você vê algumas inscrições rupestres, dizem datar de 4 mil anos atrás e os significados são os mais diversos. Nessa parada ainda tem um mirante, de onde se tem uma vista muito bonita de todo o parque.

Terceira e Quarta paradas: O excesso de sol na mente, não me deixa mais lembrar em qual parada eu vi o que. Só sei que você ainda vê a pedra com a cara de Dom Pedro, as pedras que se beijam, uma com o formato do mapa do Brasil, uma que um curandeiro local resolveu dormir, entre outras.

Tudo nessas paradas é muito legal, porém, o sol quente, misturado com a ideia idiota de fazer esse passeio de bicicleta, não me deixam descrever muito bem o parque. Sei que não consegui ver tudo, cheguei no limite do esgotamento fiquei altamente mal humorado. Resolvi colocar a culpa em um dos meus amigos e me confortei um pouco mais. Afinal, a culpa é minha e eu coloco ela em quem eu quiser!

Voltei para o carro, bebi 2 litros de água, e nós partimos para as 2 últimas cidades que iriamos fazer de forma mais inteligente. Vimos rapidamente, de dentro do carro mesmo, e paramos por fim, em uma piscina natural. Boa mas pequena. Relaxamos lá até chegar um grupo de estudantes de uma escola de ensino médio e nos expulsar.

Alguns comentários que esqueci:

- Pagamos R$100,00 pelo passeio no parque, parte pelo guia e parte pelo aluguel das bikes, não lembro exatamente quanto de cada um.

- A guia foi muito legal, ela realmente sabia tudo sobre o parque e era apaixonada pelo que fazia. Nos passou todas as informações e muito mais, tudo o que perguntávamos ela tinha uma resposta plausível a dar. Além disso, ela me deu água quando eu mais precisava. Selo de guia amiga do gordo pra ela!

- O livro "Eram os Deuses Astronautas" cita esse parque dizendo que foi um local de pouso de extraterrestres, foi uma das coisas que fez o parque ficar mundialmente famoso.

- Evitem fazer o passeio entre 11 da manha e 2 da tarde, o calor é impraticavel!

- GORDOS, NEM PENSEM EM FAZER O PASSEIO DE BIKE, É FODA DE AGUENTAR!

5 gordinhos para o parque

5 gordinhos para a guia

0 gordinhos para as bikes! É só para magros e tem que estar em forma!

Saímos do parque por volta das 2 da tarde. Almoçamos em um posto na saída da cidade e dirigimos rumo a Teresina.

Teresina: É uma cidade grande como muitas outras, o que impressiona lá a princípio é o calor. Outra coisa é o fato de ser uma cidade bonita, nova, com avenidas largas, me surpreendeu muito positivamente. Entrando lá fomos direto ao polo ceramista.

Polo ceramista: Não é facil chegar até lá, não tem placas na cidade indicando e as pessoas informam muito mal. Para facilitar, peça para chegar até o bairro Poty Velho, lá que fica o polo. É um local com vários produtores de artesanato, eles produzem e vendem tudo por lá. É tudo feito com muito cuidado e beleza, vale a pena. Ótimo lugar para comprar lembranças da viagem.

4 gordinhos para o artesanato.

De lá ainda demos uma parada em um pequeno parque, onde os rios Poty e Parnaíba se encontram. Muito legal o encontro das águas e muito belo o parque.

4 gordinhos para o local.

Por fim seguimos viagem rumo a São Luis. Porém, como anoiteceu e, essa estrada é bem mais perigosa e movimentada que as outras, resolvemos parar em Caxias, a 90km de Teresina, e dormir por lá mesmo.

 

Último dia (domingo) - A triste volta pra casa

 

Fizemos o caminho de Caxias até São Luis em 3 horas e meia, fomos direto ao aeroporto, entregamos o carro e vazamos.

 

Recomendo esse passeio a todas as pessoas! Se tiver menos tempo e tiver que escolher apenas uma parte, vá para Jericoacoara! É disparado o melhor. Para esse gordo aqui, só resta a volta a dieta e a academia. O próximo destino ainda não sei, mas farei um novo relato.

 

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