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fabriciocarv

Expedição do Prata ao Pacífico: 3 países, 10 cidades e um aprendiz de mochileiro (mar/2012)

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Tomei coragem e estou escrevendo este relato. Acredito que aqui nos mochileiro existam outros relatos mais completos e interessantes que o meu. Mas, escrever este relato, é uma maneira de agradecer a todos que responderam as minhas dúvidas e que me encorajaram (direta ou indiretamente) e também estimular outras pessoas que tenham o mesmo sonho a concretiza-lo. Deixo aqui o meu agradecimento especial ao LeoRj, foi lendo o relato da viagem dele pela Argentina, num dia chuvoso de 2009, que eu me inspirei e deixei apenas de sonhar com as minhas viagens e comecei a me movimentar no sentido de torna-las reais.

O meu roteiro foi: Montevideo> Punta del Este > Colonia del Sacramento > Buenos Aires > El Calafate > Bariloche > Mendoza > Santiago do Chile > Viña del Mar e Valparaíso.

Ao longo do relato vou detalhando os gastos em cada local e algumas dicas. Não tenho a pretensão de criar um relato-referência, mas apenas um relato que ajude as pessoas a terem alguma noção sobre a minha “expedição”. Vou tentar ser bem sucinto (coisa um pouco difícil), qualquer dúvida que surgir estou à disposição.

 

PS: Como a viagem foi longa e passei por muito lugares, vou postando o relato em pedaços. Qualquer dúvida será um prazer ajuda-los.

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A pré-viagem

 

 

 

Comecei efetivamente a me movimentar para fazer a viagem cerca de um ano antes. Pesquisando passagens, meios de locomoção, hosteis... Enfim, tudo o que faz uma viagem acontecer. Fiz uma estimativa de gasto e estipulei uma quantia por mês e depositava religiosamente todo quinto dia útil na minha conta. Claro que isso implicou numa certa mudança de hábitos, como: não ir à baladas, não gastar com roupas caras, gastar estritamente o necessário e uma disciplina fenomenal vinda de um consumista incorrigível... Mas, valeu a pena.

A quatro meses da viagem, ou seja, em novembro/11, comprei as passagens no site da TAM por R$ 782,00 (ida São Paulo/Montevideo e volta Santiago/São Paulo), o que foi extremamente barato. É chover no molhado, mas fica a dica: maior a antecedência você comprar a passagem, menos irá pagar. Não sei se é regra, mas neste caso, viajar durante o final de semana saiu muito mais barato do que um voo durante a semana.

Durante os meses que antecederam a viagem, estudei firme espanhol. O que fez toda a diferença. Estudava sozinho e às vezes contava com o auxílio de alguns amigos. O esforço valeu a pena e fez toda a diferença na viagem. Facilitou muito a minha vida, e foi fundamental na minha socialização.

Com um mês de antecedência reservei os hosteis. O que adiantou muitíssimo a minha vida. Economiza-se um tempo precioso (em não precisar saindo procurando um local para ficar, numa cidade estranha e carregando uma mochila nas costas) e te dá mais segurança. Só não caia na besteira de pagar por todas as noites no primeiro dia, como eu fiz, porque caso você não goste do hostel, no outro dia você tem a possibilidade de procurar algo melhor.

E vamos ao que interessa...

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Uruguai

 

 

 

Montevideo (de 03/03 a 08/03)

 

Finalmente o grande dia havia chegado. Após meses de muita pesquisa, muito esforço, mais um sonho da minha vida estava se realizando. Às 09:25 da manhã embarquei em Guarulhos, e como previsto, às 13:00 (os uruguaios estavam no horário de verão) o meu voo chegou ao aeroporto de Carrasco. Fiz o procedimento de imigração tranquilamente, peguei minha mala e fui “bisbilhotar” o free shop que é imenso e tem infinitamente mais coisas do que o duty free de Guarulhos. O aeroporto de Carrasco é super moderno e eficiente. Bate em qualquer aeroporto brasileiro.

Uma das minhas grandes preocupações ao chegar ao Uruguai era com o câmbio. Como era sábado à tarde, as casas de câmbio estariam fechadas e no aeroporto o câmbio é impraticável. Mas, aí, veio a grande luz: trocar apenas o necessário no aeroporto, tomar um ônibus até a rodoviária de Tres Cruces e trocar na Indumex que funciona todos os dias da semana das 06hs às 24hs. E foi assim, troquei R$ 50,00 no aeroporto por uma taxa absurda de R$ 1 = UY$ 8 (pesos uruguaios). Enquanto na Indumex do terminal Tres Cruces a taxa foi de R$ 1 = UY$ 10,30.

Para ir ao terminal Tres Cruces tomei um ônibus da COT (o escritório deles fica ao lado direito saindo do aeroporto), que me custou UY$ 111,00 e levou cerca de uma hora. Porém, tive que esperar um tempo absurdo debaixo de um sol que beirava os 33°C. Há outra empresa que faz este trajeto, a Copsa, e o preço não foge muito disso.

O táxi do Terminal Tres Cruces até o Red Hostel (Calle San Jose y Santiago de Chile) custou UY$ 117,00 e o senhor que foi dirigindo foi super gentil comigo (como a maioria dos uruguaios) e deu várias dicas legais sobre a cidade.

 

A diária no Red Hostel saiu a US$20. O hostel é amplo, limpo, tem um excelente café da manhã e está super bem localizado, próximo à Intendencia de Montevideo na Avenida 18 de Julio. O atendimento não foi um dos melhores, mas isso é algo subjetivo, vai da percepção de cada um. O preço é justo e o nível de serviço é bom, apesar do ar condicionado que não funcionava no meu quarto e nem haver um ventilador para amenizar o calor sufocante que fazia naquele início de março na capital uruguaia. Apesar dos pesares, recomendo.

 

Fiquei cinco noites na capital uruguaia, queria fazer tudo com calma. Mas, em dois dias e meio dá para conhecer Montevideo sem correr muito.

Larguei minhas coisas no hostel e saí caminhando pela Avenida 18 de Julio, passando pela Plaza de Cagancha (o marco zero rodoviário do Uruguai), a Plaza Fabini, chegando até a Plaza Independencia ( o cartão postal de Montevideo com o Palacio Salvo ao fundo), segui pela Peatoanal Sarandí (onde ficam os badalados bares de Montevideo) até a Plaza de la Constituición (onde está o Cabildo de Montevideo e a Catedral) e de lá fui a Escollera Sarandi que é um píer que se estende por uns 500 metros adentro da baia de Montevideo. Vi várias famílias pescando, bebendo e relaxando sob o sol. Daqui se tem uma vista maravilhosa de Montevideo. Na volta, como já estava no final da tarde, resolvi tomar um taxi até a Fortaleza del Cerro para ver o sol se pondo.

O táxi saiu meio salgado (UY$ 230 a ida), mas, estava satisfeito, pois ver o pôr do sol na baía de Montevideo a partir do Cerro era o que eu mais queria. Para minha infelicidade ao chegar ao Cerro o museu militar já estava fechado, mas isso não me desanimou, afinal, eu ainda tinha a bela vista da baía de Montevideo. E perdi a noção do tempo ali, a cidade é realmente linda vista desde aquela colina, o Rio de la Plata assume um azul profundo e ver o vai e vem dos navios no porto e a imensidão do Prata, são sensações inigualáveis. Saí de lá quando o sol estava bem fraquinho e então, dei-me conta de que não havia nenhum táxi próximo e muito menos um ponto de ônibus. Resolvi descer a pé o cerro, e o bairro é realmente muito estranho, estava literalmente perdido, e para completar escorreguei e levei o maior tombo. Depois de quase uma hora andando, consegui tomar um taxi até o hostel.

Depois da pequena aventura, cheguei ao hostel passando mal (resultado de uma noite quase não dormida, mais a viagem de avião, mais mau alimentação, mais ter andado horas debaixo de um sol escaldante), então, tive que me contentar em tomar um banho, um analgésico e ir dormir, em plena noite de sábado. Todos os meus planos de badalação estavam falidos. Mas, ao menos, estava me recuperando para o próximo dia.

 

 

 

Após uma noite bem mal dormida devido à festança dos meus companheiros de quarto (Acostume-se, a última coisa que você irá fazer na sua viagem é dormir bem), tomei café sem pressa e segui pela Avenida 18 de Julio até a Plaza de los 33 Orientales onde também está o quartel general dos bombeiros que é lindíssimo e rende belíssimas fotos. Seguindo pela avenida passei enfrente a Universidad de la Republica e já era possível avistar o movimento da “Feria de Tristan Narvaja”. A feira é super legal, uma mistura de feira livre com gente vendendo animais, velharias, artesanatos e até réplicas de relógios, roupas de grife e óculos escuro. A feira se estende por toda calle Tristán Narvaja e arredores.

No período da tarde, tomei um taxi até o Puerto de la Playa de Buceo e segui andando pelas ramblas passando por pontos como: museo naval, playa de pocitos, o farol de punta carreta, o shopping de punta carretas, o memorial do holocausto, o parque Rodó (onde eu ouvi até a exaustão “Michel Teló” e “Gustavo Lima”), a sede administrativa do Mercosul e finalmente assisti um belíssimo por do sol na Rambla Republica Argentina. Os bairros da zona sul de Montevideo como Pocitos e Punta Carretas lembram bastante a orla carioca, são modernos e com muita gente bonita circulando pelas ramblas, é passeio obrigatório. A minha caminhada totalizou uns 16kms e debaixo de um sol de 37°C cravados, não foi fácil. Mas é compensador.

 

O meu terceiro dia em Montevideo foi chuvoso. De forma que eu só consegui sair do hostel no meio da tarde, então, decidi visitar os museus da ciudad vieja. Visitei o museu pedagógico, o palácio piria, o ateneu de Montevideo, o Teatro Solis (UY$ 20,00 a visita guiada em espanhol, fique atento ao horário de visitação), a catedral de Montevideo, a plaza Zabala, depois fui andando até a região do porto e entrei no mercado do porto. Bem, há refeições para todos os gostos e bolsos. Porém, estava tão mal que só o cheiro de carne assada estava me fazendo passar mal, então, resolvi comer um lanchinho mais leve mesmo. Fui andando pela Rambla, comprei uma Patrícia (não deixe de provar a cerveja uruguaia, é muito boa) e fiquei sentado, esperando o sol se por. Um belo espetáculo para alma e para os olhos. À noite voltei para o hostel, fiz um lanche e fui ao Shanon Irish Pub na ciudad vieja, cerveja boa, atendimento legal, tinha uma bandinha tocando um som bacana e não se gasta muito.

 

 

Resolvi dar uma corrida no meu último dia em Montevideo. Levantei cedo e fui andando até o Palácio Legislativo. Uma construção neoclássica linda. Não estava aberto à visitação, porém, havia um grupo de turistas alemães entrando. Dei aquele jeitinho brasileiro e consegui ver pelo menos o hall principal. A riqueza de detalhes do local é impressionante. Saindo de lá fui até a torre da antel (o prédio mais alto de Montevideo), porém as visitas ao mirante (ou mirador como se diz lá), só aconteceria às 15hs. Voltei até o palácio legislativo onde tomei um ônibus até o parque Prado. O parque é imenso, lindo, tranquilo. Lá está o rosedal de Montevideo. Fiquei horas lá, sentado, apreciando o silêncio e a paisagem do local. Depois tomei um ônibus de voltar até o centro, passei no hostel e aproveitei para subir no “mirador” da Intendencia. A visita é gratuita (fique atendo aos horários, basta pedir informação no centro de informação turística ao lado da intendência) e a vista lá do alto é sensacional. Depois, fui ao estádio centenário (visita obrigatória também) e visitei o museu do futebol, que é bem interessante. Apesar da glorificação daquela fatídica vitória do Uruguai sobre o Brasil em 1950, há bastante objetos ligados ao futebol brasileiro, e eles retratam nosso futebol com muito respeito. Saindo do museu do futebol, dei um tempinho no parque Battle e depois tomei um ônibus até o centro, onde pude apreciar o meu último pôr do sol em Montevideo. À noite voltei ao hostel, peguei a minha roupa na lavanderia e fui jantar numa pizzaria na 18 de Julio e depois tomei sorvete no La Cigale. Super recomendo. No outro dia, fiz o meu check-out e segui para Colônia do Sacramento.

 

Dica importante:

Andar de ônibus em Montevideo é muito prático. A tarifa é muito barata (o equivalente a R$1,10 nas linhas centricas) e as pessoas sempre tentam te ajudar. Para pesquisar os itinerários e horários de ônibus usei este site: http://www.montevideo.gub.uy/aplicacion/como-ir O site é extremamente prático.

 

 

 

 

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Aeroporto de Carrasco

 

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Vista da baía de Montevideo desde a Fortaleza del Cerro

 

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Quartel Genral dos Bombeiros na Praça dos 33 Orientales

 

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Playa de Pocitos

 

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Plaza Independencia com o Palácio Salvo ao fundo

 

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Teatro Solis

 

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Palacio Legislativo

 

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Parque Prado

 

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Vista de Montevideo desde o "Mirador" da Intendencia de Montevideo

 

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Estadio Centenário

 

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Por do Sol no Rio da Prata visto da Rambla Rep Argentina

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