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Thiago de Sá

Feriadao etilico na Barra do Una/Jureia

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BARRA DO UNA E AS TRILHAS ETÍLICAS DA JURÉIA

Deixamos a Adega do Vinho quase 1 da madruga pra pegar estrada; porem, na verdade fomos enxotados pois o dono do estabelecimento nos "expulsou" discretamente pra poder fechar, do contrario ficávamos lá ate sabe-se-la-quando... Isso já servia de prelúdio da trip q estava por vir. Desta vez não haveria ardua travessia nem escalaria nenhum alto pico, principalemnte pq não tivera tempo de planejar lhufas. Assim sendo, optei por algo mais relax, mas nem necessariamente isento de natureza e diversão; acabei "colando" numa trip pro litoral sul de sampa, mais precisamente pra Barra do Una, vila pacata de pescadores artesanais na Juréia, uma das ultimas reservas de Mata Atlântica do pais. Isso td com um povo do "mochilabrasil" (quase umas 30 pessoas de agregados!), cujas trips são notoriamente conhecidas pela bagunça etílica com q são embaladas...e como são!!

A Adega do Vinho (centrao de sampa) foi o pto de encontro do povo, onde já havia gente manguaçando desde as oito. Tinha até um povo de Curitiba e outro de MG q já ia direto pra Juréia. Lá, entre vinhos, cervejas e altas porções, conheci a Paulinha, o Déo, o Mitchel, Camila, o Rique, o Sandman, o Rodrigo e o Cebola, gente boa pa caramba, com os quais já fui me enturmando. Qdo a Gil e a Iara chegaram com a Hanna (amiga alemã, presença internacional) era sinal q minha carona estava garantida. Pois e, deu-se um jeito e fomos quase todos de carro!! A seguir chegou a Ana, outra amiga, e mais uma galera q foi-se enturmando logo depois. Sim, era gente pra caramba! Uns já conhecia, mas a gde maioria não..

Pegar estrada de noite chuviscando de madruga não é la uma das coisas mais sensatas, ainda mais com nossas motoristas quase de cara cheia, mas q é emocionante é.. Assim tomamos a Imigrantes - com relativo transito - onde tivemos a chance de tirar um breve cochilo, mesmo com goles de catuaba na cachola. Cochilo este apenas interrompido qdo paramos num posto pra encontrar mais uma galera q la nos aguardava (Naine, Claudinha, Raul, etc) e onde a bagunça novamente tomou conta de todos, apenas pra relembrar o q estava por vir. O engraçado era q inicialmente iamos em comboio, mas depois de um tempo era cada um por si. Cochilo novamente..

Desta vêz acordei qdo já adentrávamos as ruas semi-desertas da orla de Peruíbe,o "Portal da Juréia", iluminada pelos postes q davam um tom especial à garoa q insistia em retornar de vez , la pelas 4 da madruga. Peruíbe (Rio do Cação, em tupi-guarani) é o típico balneário paulista, ate mesmo de noite, com algumas almas vivas retornando a balada dos points locais. Sua historia remonta do tempo das capitanias, mas não é este nosso destino.

Mesmo assim, a Gil pisava fundo (não sei se por pressa ou por estar p da vida por ter perdido um óculos de forma esdrúxula!) os quase 8km suavemente inclinados da estreita e sinuosa estrada (felizmente asfaltada) do Guaraú, q sobe e desce a serrinha homônima em meio a muita, muita mata. Assim, chegamos a Guaraú, q é um bairro costeiro de Peruíbe, localizado entre a Serra do Mar e o Rio Guaraú. Ainda aqui era posivel sentir a mão do homem, já q há muitas edificações residenciais e comerciais. Mas este tb não era nosso destino, pois ainda restavam os quase 13km da medonha Estrada do Una.

A partir daqui já é como entrar noutro mundo, principalmente pq se adentra nos domínios da Estação Ecológica Juréia Itatins, q mesmo de noite e chovendo impressionava pela sua exuberância! E a Estrada do Una entao?? Puts, embora razoavelmente larga, não é uma estrada pra qq veiculo não; alem de lamacenta, ta repleta de pedras salientes q eventualmente arrancavam lascas do meu rabo, isso qdo não se tem q cruzar rios q cruzam a estrada numa verdadeira experiência off-road!! Mesmo assim, a Gil era pé na tabua, pra apreensão minha e do Rodrigo.. juro q nao via a hora em q a gente fosse derrapar pro matão ou q fosse empacar em algum atoleiro no meio do nada. Felizmente nada disso ocorreu devido a perícia de nossa motora, e sua co-pilota germânica. Fora isso, a estrada é um impressionante túnel de vegetação nativa!! Enfim, um sobe-e-desce demorado e cheio de solavancos q vai serpenteando a verdejante Serra do Itatins, pra nenhum Paris-Dakar botar defeito!! Com direito ate uma "tiazinha-fantasma" no trajeto...

ENFIM, NA BARRA DO UNA

Chegamos na Vila do Una quase seis da matina, já com o dia amanhecendo. Ainda chovia e perspectiva de melhora era ate desanimadora. Paciência.. A vila é minúscula, composta de um estrada e duas transversais de terra e areia, e não tivemos dificuldade em achar o Camping do Zeca, quase ao sopé de um morro repleto de mata, onde já haviam algumas poucas barracas montadas (e outras sendo montadas, acho q a galera do Nuno) no amplo gramado de lá, salpicado com simpaticas amendoeiras mirradas. Lá ficamos no carro, enrolando ate a chuva dar uma trégua - cogitando ate a possibilidade de dormir no mesmo - mas felizmente logo após a garoa diminui o suficiente pra armar as barracas...e pros borrachudos tb nos darem as boas-vindas!

Aos poucos, a medida q o céu cinza vai clareando ameaçando abrir de vez, vai chegando o resto do povo.. Batora (e sua megabarraca), Hanna, Amandinha Viajante, Quel, Cláudio, Amanda, Juliano, Jéferson, Marcelo, Caue, Trippin, Elina, Raffa, Adriano...e finalmente Tato, Ery, Mel, Jully. A Iara pra variar se perdeu e chegou mais tarde..

Uma constante era a bebedeira: desde o boteco de sampa, no carro, no posto na estrada...e pra não perder o habito, ate ao armar as barracas um garrafão de vinhozao tava a disposição dos sedentos mochileiros. Mandei ver..afinal precisava do café da manha, ne? O som alto do carro do Batora dava ao camping um ar de rave natureba..

Logo depois, um povo resolveu ar um rolezinho básico na praia, quase na frente do camping; outros foram descansar um pouco; e o restante ffoi estacionar no quiosque/bar do camping pra não sair mais de lá.. Bem, como tava disposto a conhecer o local, fui dar uma volta pela praia com a Ana naquele tempinho borocoxó, atravessando uma restinga q antecede a praia propriamente dita.

Diferentemente das praias do litoral norte, as daqui são mais escuras, longas e bem amplas, de areia não-fofa e chão quase plano, o q facilita caminhar sem maiores dificuldades. A vista é bonita: as montanhas forradas de verde quase beiram a praia, apenas separadas por uma pequena faixa de restinga. Da praia da Barra do Una seguimos por mais de 1 km em direção aos costoes rochosos q a limitam na margem esquerda, pelos quais subimos suavemnte, porem com cuidado, já q são bem escorregadios devido ao limo acumulado e pela água dos recentes chuviscos. Caminhando sobre eles chegamos num ponto onde é impossível prosseguir devido a inclinação brava dos altos rochedos. Meu olho clinico perscruta qq possibilidade de transpor aquilo la, seja escalando, seja se enfiando na mata de restinga espinhenta q beira o morro q abriga o tal rochedo, mas o tempo ruim e a companhia da Ana dilui qq expectativa qto tal possibilidade. Xapralá..No entanto, a visão dquele ancoradouro natural com as fortes ondas estourando nos rochedos era ate relaxante, razão pela qual ali ficamos um certo tempo descansando e observando um pessoal q colhia mariscos nas brechas das rochas reste à agua, aproveitando os breves lapsos de repuxo do mar (e das fortes ondas) num gesto ate bem arriscado...

Qdo comeca a garoar mais forte retornamos ao camping, desta vez pra ficar na barraca tirar um cochilo, afinal ninguém é de ferro, ne? Acordei mais tarde, qdo a chuva já havia parado. O pequeno bar do camping estava tomado pela galera, q fez dele a "ilha quadrada" nos momentos de chuva, não arredando pé de lá. E era apenas meio-dia..Como almoço belisquei uma deliciosa mariscada oferecida pela galera do Nuno (acho?); eles haviam coletado sururu nos rochedos, cozinhado e misturado com doses pra lá de generosas de arroz. Olha q o negocio tava bom..

A seguir, a garoinha chata retornou, mas isso era detalhe pois o pessoal já havia se instalado definitivamente na "ilha quadrada", onde não me restou senão aderir a bebemoracao de brejas e animação reinante. Iara e Paulinha já tavam pra lá de Bagdá, e o resto tava em vias de: a Gil recém acordava já com um copo de vodka em punho enquanto Raul oferecia pra Hanna (a alemã) um farto copo de caipora. "Isto no ser caipirrrinha...isto é caipirrinha de camping!" ,retrucava a germanica. Isso qdo o Raul não provocava ela falando de um tal "italiano Schumaker" mas q ela sempre tinha uma resposta à altura " Quem serr o Rrrubinho? Aquele q sempre perrrde.." Enquanto isso, eu bebericava de td um pouco, não tinha como, pois a toda hora alguém estendia um copo pra vc!! Uma galera ate arriscou um veleibol na garoa.. Na seqüência, alguém ligou o som alto e começou um arrasta-pé bão pra daná.. onde o Cebola e Amandinha deixaram evidente seu molejo..

Por volta das tres da tarde a chuvinha deu um stop. Ainda bem, aquela "ilha quadrada"era uma perdição! Eu e mais uns gatos pingados fomos novamente pra praia caminhar, desta vez no sentido do rio, pra direita. Notamos q a maré subira consideravelmente, porem mesmo assim a faixa de areia dura era larga o bastante pra andar numa boa. Diferente do costao rochoso, onde as ondas são fortes e o repuxo das águas fortes, aqui as águas são mansas, mesmo com vento soprando do mar..bem q haviam alguns surfistas mas o mar estava improprio pra pratica..

Entre elétricos quero-queros e algum lixo trazido pelo mar, em pouco tempo alcançamos a foz do largo Rio Una do Prelado, cujas águas escuras e mansas (de quase 100m de largura) iam de encontro com as turbulentas águas azuis do mar. Do outro lado, a vista de vegetação de várzea e mangue num canto e a praia do Una q se perde no horizonte, no outro. Td isso já é de acesso restrito, infelizmente pois é a parte proibida da Estação Ecológica Jureia Itatins. Mas ainda trilharei por la, me aguardem.. Já rio adentro, ele se perde sinuoso entre muito mas muito mangue!!! Daqui tb se observava o verdejante maciço da Jureia, ao fundo, encoberto por nuvens. Aqui havia uma faixa de areia fofa maior e foi la onde descansamos e batemos algumas fotos, enquanto observávamos alguns pescadores fisgarem algum bagre ou robalo de agua doce..

Uma nova chuvinha nos obrigou a retornar rapidamente a nosa "ilha quadrada", no camping. No entanto, a bagunça não tava la e havia sido transferida pra uma tenda/lona perto de umas barracas, onde boa parte da galera se apertava em seu interior pra conseguir um espaço pra sentar sem se molhar com a chuva. Embaixo da lona (q chegava a altura da cintura) tava rolando de td e mais um pouco em meio a muita piração: violaozinho, vinhozinho, cervejinha e um "cigarrinho" do tamamnho de uma dinamite circulando de mão em mão... A Iara, Paulinha e a Amandinha tavam pra lá de chapadas; a Claudinha mal se segurava em pé, depois ela colocara td "pra fora".... E a noite nem havia começado..Eu, particularmente, já tava com a cabeça começando a doer de td q misturei, mas ainda me guentava firme..

Qdo a chuva parou a galera foi se ilhar novamente no bar, como q instintivamente... Eu fui dar uma volta rápida pela pequena vila antes de retornar em definitivo pra barraca. A vila comeca praticamente onde termina a estrada do Una, e apenas duas ruazinhas de areia, grama ou terra a cortam. Pequena e bem simples, as casas de caiçaras se misturam a pequenas construções baixas dos locais q fizeram do quintal ou camping improvisado ou pousadinha rústica. Tem um telefone comunitário q finciona de vez em quando, alguns restaurantes bem simples, um centro comunitário, igrejinha evangelica e casas onde se agenciam passeios de barco pelo rio ou vendem algum peixe fresco.

No final da tarde, fui descansar na barraca pra logo depois preparar um miojao básico, q dividi com a Ana. Não tava com muita fome, pois a dor de cabeça me pegou de jeito e resolvi me poupar. Dormi imediatamente e nem vi qdo a noite chegou, mas pelo q sei os beberrões (e beberronas) de plantão mandaram ver na "ilha qudrada". So sei q a noite alternou períodos de chuviscos regulares, porem não fortes. Isto pq no meio da noite pude ouvir um luau bem do lado da minha barraca, mas felizmente o sono era superior à somzeira com violão q rolava na minha porta.. Na alta madrugada, acordei uma vez e costatei silencio total, alem de uma noiite estreladissima com muito vento soprando do mar, o q ao menos dava esperanças de q o domingão fosse bem mais bonito q aquele dia chuvoso..

PELAS CACHOEIRAS GELADAS

A manha seguinte levantei com os primeiros raios de sol se esparramando ao longo do camping, seis e meia, o q já era pra la de animador! O camping era um silencio só..tb pudera, manguaça ate alta madrugada dá nisso! Provavelmente muita gente so levantaria após meio-dia, sem duvida! Eu estava resoluto a curtir aquele inicio de dia ensolarado, tomei café e um bom banho pra despertar de vez no mesmo tempo em q algumas poucas almas começavam a dar o ar da graça tb, com as caras pra la de amarradas.. O Deo me disse q chamaria quem quisesse pra conehcer umas cachoeiras próximas, beleza! So fiquei no aguardo desse povo ir levantando aos poucos..Enquanto isso, fui dar uma leve passeadinha na praia, observando tiozinhos -pescadores caçando "corruptos" na areia molhada com suas bombas de sucção..

Mais tarde, já com mais movimento no camping, formamos um grupinho q dividimos em tres veículos; o resto resolveu ficar na praia ou dormindo..E assim, la pelas nove e meia pegamos novamente a lamacenta estrada do Una, voltando alguns tantos km ate antes do Guaraú. No trajeto desta vez pudemos ter uma noção da estrada q trafegáramos de noite, ao chegar; alem do mais, a paisagem realmente impressionava, tanto pelos tons variados de verde da exuberante Mata Atlântica como pelos vários mirantes com panorâmicas incríveis do maciço da Juréia em todo sua extensão.

Após seguir sinuosamente pela estrada - enlameada, esburacada e cheias de pedras - ladeando morros forrados de verde, subindo e descendo suaves e íngremes encostas, sempre com vistas onde o verde se estende ate não poder mais, salpicado de paredões e montanhas rochosas q compõem a Serra do Itatins ("nariz de pedra", em tupi-guarani). Eventualmetne, no caminho, uma pequena roça de subsistência ou algum quiosquinho pedido em meio a vegetacao, q nas poucas partes onde parecia ser largo e plano, havia alguma plantação de subsistência com criação de animais silvestres, contrastando enormemente com a mata virgem q constitui esta Unidade de Proteção Ambiental. Beirando a estrada tb, rente as encostas, belas cachoeiras de samambaiaçu, um tipo nativo de samambaia.

Chegamos, enfim, num local chamado Ecopoint, antes da Serra do Guaraú e distante 7km da praia homônima. Aqui é uma espécie de pto turístico com alguma infra, por onde o manso Rio Perequê desce as montanhas, formando alguns lagos rasos e pequenas cachoeiras ideais pra programa-familia, portanto, um pouco farofado e cheio de gente. Não era aqui q ficaríamos e Deo, nosso gde conhecedor da região, nos levaria a um local mais ermo e selvagem, o Poço Fundo. Atravessamos a ponte do Perequê e logo a seguir caminhamos por uma estradinha, q logo se tornou trilha, bem estreita q subia suavemente a serra em meio a mata, entre jaqueiras e bananeiras, acompanhando uma placa "Bar do Jorjão".. Na verdade, subíamos o rio Perequê (q desagua no rio Guaraú) pela esquerda. Como não devia deixar de ser, alem das mochilas, carregávamos duas sacolas térmicas repletas de latinhas, e uma delas fiz questão de carregar. Pra q? Bem, trilhar com uma Itaipava na mão não era tão difícil assim..

Em pouco tempo, após entrarmos numa trilha pela esquerda e seguir mata adentro, caminhávamos praticamente por trilha selvagem, no meio de vegetação densa e fechada, repleta de bromélias, enormes figueiras, palmeiras frutiferas e cipós pendentes das arvores ao redor. Um cãozinho fez questão de nos acompanhar na frente, a quem chamamos de "doguia".. Depois, o caminho tornou-se mais íngreme, pisando sobre um emaranhado de raízes e pedras escorregadias, o q atrasou algumas retardatárias. Meia hora depois, após algumas escalaminhadas, encontramos o rio indo pra margem dele cautelosamente saltando de pedra em pedra. Havíamos chegado ao Poço Fundo, q na verdade era um enorme poço cristalino (fundo apenas num trecho) no trajeto do rio, em meio a varias pedras, algumas enormes serviam de trampolim pro doido do Deo e Cebola, q pularam sem pestanejar de lá. Embora estivesse bebendo, estava perfeitamente sóbrio pra saber q não faria uma loucura dessas, pois prezo muito minha integridade física. E assim, como os demais, me limitei a ficar na parte rasa, q tava gelada pra danar..Éramos somente nós lá!

Após um tempo de descontração, a garoinha chata volta com td e nos obriga a retornar novamente. Desta vez, voltamos cautelosamente pois a garoa molha mais as pedras, q já estavam escorregadias, e a terra mais lamacenta. Os cuidados são redobrados devido ao nosso leve estado etílico.. No caminho, cortamos pra esquerda, numa pequena trilha q levava pra um pequeno braço do rio q formava outro poço, bem maior q o outro, desta vez com pequenas cachoeiras despencando das pedras, proporcinando uma hidro natural. Desta vez a gde maioria resolveu entrar na agua, ate eu, pois o local era realmente bem estimulante, e a chuva dera uma trégua, felizmente. A Mel e as amigas mandaram bem nos tchibum..Ate a Hanna entrou (e saiu) na fria água q refrescaram as idéias de todo mundo, reeenergizando a galera novamente.

A manha foi passando e resolvemos voltar, afinal a fominha tava batendo. Afinal, só beber não dá, ne? E as latinhas haviam acabado, precisávamos repô-lo! Voltamos à lanchonete do Ecopoint juntamente com a chuva, q parece retornar com forca total. E enquanto aguardamos pacientemente ela passar - beliscando salgadinhos, bolachas e bebericando pinga artesanal - improvisamos um "forró-acústico" com o vilão do Raul, q contagiou ate as famílias presentes.

Por volta de quinze pras tres deixamos o local, retornando pela estrada td novamente, sem chuva. Mas o tour ainda não havia terminado; agora iamos pra Cachoeira do Paraíso, alguns kms dali. No caminho da estrada do Una, tomamos uma bifucacao à direita q levava ao Núcleo Itinguçu da Jureia, quase 7km sinuosos em meio ao maciço da Serra do Itatins. A estrada lamacenta se enfia entre as montanhas e vai serpeteando mata adentro. Em alguns trechos, os veículos tinham q ter um certo traquejo e perícia pra transpor os atoleiros de lama, e onde muitos turistas acabavam desistindo de seguir. O Raul ainda fazia graça, pisava fundo e fazia curvas onde o carro dançava facilmente; eu não via a hora da gente sair da estrada ou ficar atolado com lama ate o joelho...o q felizmente não ocorreu.

Por volta das quatro chegamos ao referido núcleo, quase ao pé do Morro Betuvi ( Cara de Gato). A estrada ainda seguia por um rio raso (rio Itinguçu, onde veículos provavelmente vão com água ate acima da roda) mas pra la já era proibido, pois havia uma reserva indígena, 3km dali. Aqui há vários quiosques bem simples pra atender os turistas. O posto é bem simples e la colhi algumas informações interessantes com os guardas, sempre solícitos.

Daqui pra cachoeira e Poço Paraíso são apenas 400m por uma trilha ecológica bem sinalizada, em meio a muita mata e arvores cujas raízes tubulares invadem a trilha, fixando-as mais ao solo raso ou rochoso. O Poço é bem amplo e razoavelmente largo; a cachoeira é uma queda onde o Rio Itinguçu (ribeirão branco) desce por uma laje inclinada, onde as pessoas escorregavam, embora houvesse um aviso pra não faze-lo. Aqui já havia mais gente, claro, mesmo com o tempo ruim. Porem, desta vez me limitei a apenas observar das pedras o Mitchel, Cebola e Deo cair naquela água fria pra burro, enquuanto a Paulinha foi flagrada "pescando" em cima da pedra.. A seguir, fomos pra parte de cima da cachoeira, bem mais bonita, uma vez q o rio descia pelas pedras formando diversos pequenos poços de água nas mais diversas tonalidades, do esmeralda ao azul turquesa. Alem do mais, as lajes e pedras do leito tinham um aspecto muito bonito, moldadas pela forca das correntezas e pelo tempo.

Visivelmente cansados, la ficamos apenas uma meia hora pra logo retornar - pela mesma trilha - pra estrada, mais precisamente nos quiosques dela, onde beliscamos e, claro, bebemos mais um pouco. Aqui tive uma boa prosa com um jovem índio (bem ocidentalizado) q bebericava uma cerveja com uma amiga do quiosque. Era da aldeia tupi-guarani da reserva e seu nome "de branco" era Gleison, mas na aldeia era Caraimirim (homem pequeno). Me falou dos costumes na aldeia, q eram autosuficientes, q tinha uma paca de estimação, q haviam sido transferidos ali recentemente devido à rixas com outra tribo, etc.. mas o q me chamou a atencao era q sempre q o pajé estava fora (em alguma reuniao, sei la), os jovens davam suas escapulidas da aldeia, como naquele momento. Parece q o pajé não via com bons olhos essas escapulidas e recriminava qq tipo de contato com os brancos, mas o Gleison reclamava q na aldeia havia muito mais homem q mulher..ah, ta explicado! Sem falar q ele era chegado num forrozinho e numa bebidinha bem acidental. Alem do mais, me ensinou alguns termos tupi-guarani de baixo calão.. No entanto, percebi da parte dele preocupação com a manutencao dos costumes e das tradições de seu povo, tendo uma mentalidade bem mais aberta q os mais velhos (sim, sempre eles) q parecem querer manter td mundo na redoma, isolados de td e todos. Falou q fazia um curso de guia ministrado pelo parque pois assim poderia contribuir positivamente, alem de manter seu povo atualizado no atual contexto globalizado...

O papo antropologico tava bom, mas era hora de partir. Me despedi do Gleison e demos inicio ao nosso retorno ao camping, satisfeitos de ter curtido ao maximo aquele dia bem produtivo. Como o dia ainda não tinha acabado, eram ainda quase seis da tarde qdo na volta paramos num mirante um pouco antes de chegar na Barra do Una. A luz daquele final de tarde estava beneficiava muito a paisagem jurássica q se descortinava diante de nós! Um tapetão plano e verde da Mata Atlantica q se estendia por todo horizonte, entrecortado por sinuosos rios q o serpenteavam em toda sua extensão os mangues dali; ao longe, destoando, o maciço montanhoso da serra da Juréia (ponta saliente) quase invadindo as águas do mar; o Pico Dedo de Deus; o maciço de Pogoçá e ao fundo (oeste) a cadeia montanhosa de paarte da Serra do Itatins, com seus cumes encobertos por nuvens q lhe conferiam um aspecto ainda mais pré-historico!! Fiquei besta com aquela paisagem digna de Spielberg, so faltavam os pterodáctilos voando e os pescoções arqueados de dinos saindo dos rios, la embaixo!!!

No camping, já quase escurecendo, o resto do pessoal tava todo na "ilha quadrada", pra variar.. A voz arrastada da maioria dixava evidente seu estado de sobriedade; a mais engraçada era a Iara, q parecia q nasceu de óculos escuros..não tirava ele nem de noite! Aqui revi a Gil (pois de dia ela apenas dormia), com um skeeze cheio de algum etílico, evidentemente.. Enquanto boa parte fora na pequena lanchonete do lado do camping mandar ver uma porção de algum marisco ou pf (de sururu ou tainha), fui pra minha barraca, cansado, e la não arredei pé; tirei um breve cochilo, pra q? O cochilo se estendeu noite adentro, so acordei pra beliscar algo...Depois soube q a noite fora uma zona só: uma parte do povo foi pro Bar do Alemao e armou uma baderna só; outros fizeram um luau no camping; uns azaravam numa ou noutra barraca; a Hanna ganhara o apelido "Hanna-pé-de-cana" por algum motivo não obscuro; de madruga alguns foram caminhar na praia ver o sol nascer e constatar o fenômeno da "ardentia" na areia, onde fica "iluminado" a medida q se pisa na areia..enfim, formaram-se varias frentes de bagunça espalhadas na simpática vila, o q daria um relato por si só.. E eu, só no soninho enquanto o forte (e frio) vento balançava a barraca enquanto súbitos chuvisquinhos dedilhavam o sobreteto da mesma...

O ULTIMO DIA

Levantei sete da matina, antes de td mundo, sem duvida! A boa noite de sono q tivera refletia-se em meu estado de animo e resolvi fazer alguma coisa por conta.. O camping era um silencio quase sepulcral!! A manha daquela segunda feira de feriado estava terrivelmetne feia, nublada. Mesmo assim estava resoluto a conehcer as praias vizinhas do Uma, a do Caramborê. Após ir pra praia em direção aos costoes rochosos da esquerda e la tentar inutilmente escalar os escorregadios peredoes pra ir pro outro lado, cheguei a conclusão q naquele tempinho ruim aquilo seria muito arriscado, ainda mais sozinho. A decisão foi acertada, pois alem dos passarinhos não me quererem por perto (davam rasantes rentes a minha cabeça, quiçá pq nos rochedos estivessem seus ninhos) comecara a chover novamente, o q me obrigou a proteger numa brecha da rocha.

Bem, se não dava pra ir pela rocha fui pela estrada mesmo. Tomei a estrada do Uma e marchei o trecho ingreme q subia o morro, em meio a um túnel de vegetação, contornando-o pela esquerda. Alguns veículos, sensatamente, já deixavam Una bem cedinho, já prevendo o transito q pegaríamos na volta de sampa.

Menos de meia hora depois me encontrva do outro lado, onde havia o acesso de terra q descia pra Praia do Carambore, enfiada numa ampla faixa de restinga cercada de paredões rochosos. Antes da praia, havia um camping (o MM) ate q bem estrturado, onde o povo começava a levantar tb arrumando as tralhas pra partir. Atravessei a larga faixa de restinga, bem gramada e ornada com belas palmeiras ate q cheguei na praia propriamente dita, onde haviam gatos pingados na ressaca do mar. Esta praia tem quase meio km de areia batida, é bem larga e não tem ocupação de entorno. Quiçá se odia não estivesse feio pudesse apreciar as famosas águas esverdeadas dela. Ao caminhar de um extremo ao outro, notei duas corredeiras, cujas nascentes vertem da serra. No costao oposto subi a laje levemente inclinada e descobri uma picada q adentrava mata adentro, provavelmente seria a Trilha do Imperador, q vem de Guaraú. Mas o tempo fecha outra vez, diluindo qq possibilidade de expedições mais ousadas; alem do mais não sabia q horas a galera iria embora e, consequentemetne, minha carona. Como já disse, ainda voltarei pra ca..

Voltei pelo outro lado da praia, atraves da restinga e depois subindo a encosta, passando pela residencia escondida d um caiçara, ate alcançar novametne a estrada. De la emprendi caminho pro camping, já com o fluxo de veículos voltando maior pela precária e lamacenta estrada. No caminho a chuva novamente me pega de surpresa e tive q me refugiar num pequeno quiosque beira de estrada, o Bar das Conchas, onde tive uma prosa com seu Dórico, ex-caicara q ganhava trocos com os turistas e me contou q a criação da Estação Ecológica ajudou e prejudicou igualmente: ajudou a prservar a naturexza, mas prejudicou pois não deu-se assistência a quem já la morava, uma vez q não se pode mais plantar pra subsitencia nem colher palmito. Muitos foram embora por conta disto, so os mais teimosos ficaram e tentam ganhar a vida com o turismo. Me disse q os quitutes do bar dele eram uma cachaça típica dali, a Cambuci, feita com um fruto típico da Juréia, mas q não provei. E a caldeirada, um guisado de frutos do mar e peixe.

Antes das onze hrs já estava de volta no camping , onde já haviam sinais de vida. Mandei ver uma Skol com seu Zeca. Muita gente já se preparava pra ir embora e o numero de barracas diminuira consideravelmente. Na "lona da fumaça" alguns tomavam seu café, q era vinho e um "cigarrinho"; alias, o cara enrolando matinho pelas duas pontas era mto engraçado, pois parecia qele tava fumando uma pamonha..

Hora de despedidas e de desarmar a minha barraca, la pelo meio-dia. Fotos finais e td mais, troca de mails, etc e tal..e claro, últimos goles de bebida, pra não perder o habito.

A VOLTA PRA SAMPA

Estrada em final de feriado é aquela coisa..paciência! Antes tivéssemos saído cedo. Deixamos Una quase uma da tarde, felizmente com tempo já melhorando (sacanagem!), ainda assim demoramos quase uma hr e meia pra chegar a Peruíbe, onde paramos pra tomar um ar, esticar as pernas, almoçar comida no "Recanto da Nona" e mandar ver um sorvetao, no centro. Cinco da tarde la estávamos na estrada novamente, desta vez pra ficar parado ou andando a passo de lesma-com-preguica, um stresse só na Anchieta! Demoramos quase duas horas apenas notrecho Peruíbe-Mongaguá-Praia Grande. Felizmente a perícia da Gil fez com q ao invés de ir pela estrada tomássemos a estrada da orla, onde havia ao menos fluxo maior. Em Praia Gde mais um pit stop, já escurecendo, na casa da mãe dela e em seguida a reta final pra Sampa, onde chegamos la pelas dez da noite. A Iara e as mineiras - q sairam mais tarde do camping - pegou o pior transito na volta e tiveram q dormir no carro, atochados no banco e mochilas, pra chegar so no dia sgte e quase todo mundo perder o dia de serviço ou facul..

A chuva e o transito da volta podiam ate ser o tributo pago por mais um feriado pra lá de divertido, eu não ligava. Adentrar nos domínios da Jureia, uma das reservas de biodiversidade mais importantes do mundo, já vale em si qq percalço de viagem, ainda mais com aquela galera "lesadamente doida"!!! Afinal, não é sempre q se vêem paisagens tão distintas num so local, como mangue, mar, montanha e mata praticamente intocados, onde índios ainda convivem com caicaras num dos berços da colonização brasileira. Um pequeno paraiso a menos de 200km do burburinho e da fumaça da capital paulista q ainda merece ser desvendado.

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Jorge,

 

quanta informação, hein meu velho, muito bom mesmo! Foi uma ideia interessante essa de começar a viagem discutindo politica num simposio internacional, ouvi dizer que vieram alguns Kaisers, Bramas hindus e até um pessoal da Bavária.

 

E que historia e essa de tia-fantasma??

 

Thiago de Sa

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Falae Jorge, realmente essa trip teve várias estórias, mas ae esse lance da tiazinha fantasma eu nem fikei sabendo ou vcs me contaram e eu naum me lembro?![:I]

Vc se engana qdo acha q nos encontrou no posto. Chegamos com o Michel na Adega (ele foi buscar eu e a Naine no Tietê).

Nossa ida tb foi causadora o carro do Déo quebrou no meio do caminho, daí o Caue todo molhado em solidariedade parou sua moto e a Iara q vinha logo atrás tb resolveu esperar, ficamos em baixo de um barracão tomando vinho e fazendo sinais de fumaça, por isso chegamos ao raiar do dia e tri lokos, a partir daí o mundo real foi deixado de lado e fomos abduzidos a uma outra dimensão, voltando a realidade somente na segunda de manhã, sem entender mto do q se passou durante o fim de semana e tendo q enfrentar um trânsito maldito de cinco horas de Peruíbe a praia Grande e ainda ter que dormir no carro estacionado num posto (quatro pessoas + bagagens), além de perder o dia de trampo e ter q encarar a cara monstruosa do chefe.

 

Na boa foi a trip mais cabulosa no sendo etílico q já vivi, mas valew e como valew

 

Ah estávamos em mais de 40.

 

E vamos combinar um outro encontro aqui pras bandas de Minas, no próximo ano.

 

Bjosslokosss

 

Cláudinha passa mal...rs

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a tiazinha fantasma f foi uma tiazinha q agente quase atropelou quase chegando na Barra do Una, em meio a chuva, lama e mto mato ao redor..tiazinha fantasma pois seu aspecto nao condizia com o local..serio! Tava parada no meio da estrada, segurando um guarda-chuva, estatica, branca de dar dó...a gente se cagou qdo apareceu depois de uma curva..pergunta pra Gil e o Rodrigo.. Pior de td q ela nao esbocou nenhum movimento, nem tampouco nenhuma expressao qdo a Gil passou do lado, quase q arrancando uma perna dela...Búúúúúu!

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E ai Jorge, como é q ce tá, vi fotos suas junto com uma galera q ñ me lembro qual na Barra do Una, como sempre seus relatos são imensos, ainda estou lendo o último q vc me mandou (seu pai)-TRILHANDO AS PRAIAS DESERTAS DE UBACHUVA- q folga é essa, ate e-mail seu pai é quem mandar.Mas já salvei esse pra ler depois tá.

 

Até +

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E aí Jorjão.

Finalmente postando algum relato, hein.

É isso aí mesmo. Passar p/ a galera relatos de onde vc pode ter ido.

Eu sei q vc tem muito mais do q isso, por isso mãos a obra.

 

Abcs.

 

 

Augusto

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Oi Jorge,

Tudo bem? Legal teu relato... Vou arquivá-lo junto com os outros... Ah! Brigadão mesmo pelo convite e incentivo... Valeu!!! No mais, Gerais...id="blue">

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Êee Rorrito! tá no mundão ainda neh?

Sabe que adoro ler seus relatos! Essa tiazinha ghost eh comédia!

Beijocas da Cici

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