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Bolívia, Chile e Peru - 30 dias inesquecíveis


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Hola chicos de Brasil!!!   Vou relatar minha experiência nesse tradicional mochilão entre Bolívia Chile e Peru que aconteceu entre os dias 01 e 30 de junho. Lembrando que o fato de ser comum

Em 2022 farei essa viagem novamente. Bolívia, Chile e Peru, 10 anos depois. Aguardem.

Olha ai Sorrent, depois de 8 anos, o relato ta bombando ainda!!!! hahahaha Melhor relato do mochileiros!!! hahaha Top

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17° Dia - Cusco

 

Antes de continuar o relato, gostaria de falar sobre um problema que provavelmente você vai ter durante essa viagem, seus "Dias de Rei". Sim, estou falando de manhãs/tardes/noites no trono reinando imponente e soberano ::lol4:: . Não importa se você é homem ou mulher, brasileiro ou não, se você acha esse assunto inconveniente, não interessa, você estará em países diferentes, com comidas diferentes, temperos diferentes, etc etc, mesmo que você coma somente em lugares bons, a probabilidade de uma reviravolta intestinal é enorme e não estou falando isso apenas por experiência pessoal mas também por conversar com outras pessoas ou às vezes só por ver a cara de desespero de alguem entrando no banheiro ::lol3:: . Mesmo que você não fale com ninguem sobre isso, irá perceber durante seu reinado que os outros estão na mesma situação que você, é como se todos estivessem unidos numa corrente contra o mal, hahaha. Se você é do tipo mais prevenido e leva remédios para tudo, inclua esse problema na sua lista definitivamente, agora se você gosta de adrenalina, gosta de viver perigosamente e é bom nos 100 metros com barreiras, tente a sorte ::lol4:: mas saiba que uma hora ou outra a natureza irá chamar, às vezes sutilmente mas às vezes irá parecer que ela te agarrou pelo pescoço, deu dois tapas na sua cara e gritou no seu ouvido: "correeeeeeeee!"

 

 

Continuando, esse dia nós tiramos para conhecer a cidade. Cusco é um dos lugares que mais gostei na viagem toda, a cidade é muito bonita e apesar de ser bem turística não tem preços abusivos como aqui no Brasil, muito pelo contrário, para se ter uma idéia uma lavanderia cobra em média de 3 a 4 soles o Kg de roupa ou por exemplo uma porção de fritas grande num restaurante custa cerca de 6 soles, 30 minutos numa lan house uns 2 soles, muito diferente do que estamos acostumados por aqui onde turista é explorado sem dó .

Nesse período que estávamos lá, iria ter o Inti Raymi, o festival mais importante deles, a cidade inteira lota mas isso não chega a ser um problema, muito pelo contrário pois sempre tem festas na rua, feiras, etc. Esse festival ocorre lá pelo dia 25 de junho mas alguns dias antes a cidade já entra no clima pois as pessoas começam a ensaiar na praça por exemplo, o clima é muito legal.

Como eu disse, o pessoal que estava comigo já havia reservado a Salkantay no Brasil mesmo. Quando planejei minha viagem deixei duas opções, primeiro fazer a Salkantay e segundo, fazer outros passeios por lá. Deixei para decidir na hora por alguns motivos, um deles é que não peguei muitas informações sobre a salkantay, só o básico e outra é que eu nunca gostei de andar muito, na verdade eu odiava mesmo já tendo viajado bastante aqui no brasil, feito várias trilhas, nunca gostei muito de trekkings ou caminhadas muito longas então achei que fazer a salkantay poderia ser um pesadelo pra mim pois são 4 dias de trilha e o último dia em Machu Picchu. No final das contas descobri que meu problema nunca foi caminhar, mas sim "por que caminhar ", "onde caminhar" e "com quem caminhar". O clima das pessoas que estiverem com você vai fazer uma grande diferença. Mas enfim, não vou filosofar sobre meus tormentos hehehehe

Cusco tem muitos passeios para serem feitos então caso não queira fazer a salkantay, não será difícil ocupar seu tempo antes de ir a Machu Picchu mas eu não posso falar muito sobre eles pois acabei decidindo pela Salkantay mas não se preocupe, agências não faltam por lá e todos os passeios podem ser fechados na hora, até mesmo a salkantay. O ùnico que é mais chato é a trilha inca que por ter limite diário de turistas, requer uma reserva com uns 6 meses de antecedência, mas pelo que conversamos por lá, a salkantay é melhor que a trilha inca, mais dificil e mais bonita. A trilha inca pelo jeito só tem fama.

Com relação à aclimatação, não lembro se já comentei mas eu não tive problema nenhum. Isso varia de pessoa pra pessoa, tem gente que tira um ou dois dias pra se adaptar à altitude, se entope de soroche pills, enfim, saiba que isso não é a regra e você só vai descobrir quando chegar nessas cidades mais altas. Eu não levei remédio, não tomei remédio, não andava com folha de coca pra lá e pra cá mas também já ouvi histórias de gente até vomitando por aí. Não adianta, tem que ir e descobrir.

 

Bom nesse dia no período da manhã nos juntamos e saimos pra rodar pela cidade, que estava muito movimentada, fomos à lavanderia, plaza de armas, comemos umas frutas estranhas de mulheres suspeitas na rua :oops: etc. Cusco é uma cidade até grande mas a parte turística fica no centro e suas redondezas então dá pra fazer muita coisa ali a pé mesmo

 

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Curando a ressaca da noite anterior

 

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Uma das muitas igrejas que tem por lá

 

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Depois de uma boa volta por lá, voltamos pro hostel e eu tinha que resolver minha situação com relação à Salkantay, o pessoal havia fechado coma agência Inti Tours e eu queria entrar no grupo só que essa agência não possui escritório em Cusco então dificultava um pouco o processo. Saulo tinha o e-mail deles e depois de enviar alguns e-mail e esperar bastante, consegui a confirmação de que poderia ir junto. O problema é que era domingo e a agência não tinha certeza se conseguiria me encaixar pois teriam comprar meus ingressos pra Machu Picchu, os tickets do trem, tudo em cima da hora, mas no final das contas deu tudo certo mas também pelo preço que estávamos pagando, teria que ter até uma moça dançando enquanto eu esperava a resposta. :D . No final das contas dá pra perceber que é possivel fechar um passeio como esses em cima da hora até mesmo no período do Inti Raymi. O preço pago inicialmente seria de 240 dólares que os outros já haviam pagado ainda no Brasil mas como naquela noite viria ao hostel uma moça da agência e um guia para fazer um briefing da trilha, eu poderia pagar na hora para ela ::otemo:: . Naquele dia também nos demos conta de que precisaríamos de sacos de dormir bons pra trilha, vimos em outras agências o preço do aluguel dos sacos e encontramos por até 6 soles a diária, sairia um pouco mais barato pois a nossa agência iria nos cobrar mais 20 dolares pelo saco, mas no final das contas pela praticidade acabamos ficando com o saco da própria agência o que elevou o custo total da trilha para U$ 260,00. Quando passei em outras agências nesse dia vi que é possível fechar esse passeio por até 200 dólares já com saco, uma diferença bem considerável por isso digo que compensa mais fechar lá na hora e não aqui no Brasil.

Bom, meu caso já estava resolvido, trilha confirmada, saímos então pra almoçar e continuar rodando pela cidade e aqui, imagino eu que foi quando começou o pior acontecimento da viagem pra mim. Paramos num lugar até que simpático pra comer, aliás nessa viagem quase nunca comi em lugares suspeitos, sempre tive essa preocupação de comer em lugares aparentemente decentes, o que não significa necessariamente os mais caros. Almoçamos, comida boa, preço bom, tudo certo, voltamos e ficamos esperando na praça pois a Jeruza e a Paty tinha ido comer num restaurante vegetariano. Nessa praça tinham umas crianças de uma escola dançando, ensaiando pro festival, legal até, tinha também uma feira com barracas de comidas de vários lugares, uma mais suspeita que a outra hehehe. Esperamos esperamos e nada das duas, nos perdemos delas e seguimos.

 

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Criançada dançando

 

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Feira com comidas suspeitas hehe

 

Descobrimos que havia um mercadão lá perto e como Anália queria vasculhar a parte gastronômica do país, fomos conhecer. Chegando lá descobrimos que ele não foge muito do padrão daqueles países, carnes expostas, comidas suspeitas e roupas coloridas à venda. :D

 

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Tá vendo o porquinho ai na foto?

 

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Numa das barracas do mercado pudemos conhecer toda a delicadeza peruana, hehehe. Tinham uns negócios brancos estranhos lá pra vender e rolou o sensacional diálogo entre Anália e o vendedor:

- Moço, o que é isso?

- São Batatas

- E pra que servem?

- Pra comer!!!!

::lol4::

 

Em defesa dela, eu entendi a pergunta, é que são batatas bem diferentes das nossas e ela queria saber se eram pra algum prato específico, hehehe mas que foi engraçado na hora, foi!.

 

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As batatas que servem pra comer

 

Depois do mercadão continuamos andando, passei em uma casa de câmbio e troquei mais um pouco de dinheiro. São várias por lá e quase todas trocam real, a cotação que vi era em média R$ 1,00 = $ 1,18 .

 

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Av. El Sol

 

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Tem algumas mulheres andando pra lá e pra cá com umas alpacas e como sempre, em troca de algumas moedas você pode tirar foto e fazer graça com elas.

 

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Alpacas existem d everdade, não são robôs

 

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Voltamos pro hostel no final da tarde e fomos descansar um pouco pois as 19h a moça da agência iria passar lá pra conversarmos sobre a trilha e também acordaríamos às 4 da manhã no dia seguinte então não podiamos abusar. Nada de bebedeira e baladas nesse dia :cry: . Foi aí que começou meu problema, comecei a me sentir mal e aos poucos foi piorando, eram umas 5 e pouco da tarde, estava calor, todos estávamos no quarto mas eu estava morrendo de frio, coloquei todas as minhas roupas de frio e mesmo assim não adiantou, aquilo não era bom sinal, até porque eu não sou de sentir tanto frio, até no salar fiquei só de camiseta algumas vezes. Estava com mau pressentimento.

O tempo foi passando e eu ficando cada vez pior, quando foi 19:45 o pessoal da agência chegou e eu mal conseguia andar. Depois de muito esforço consegui sair da cama e ir até o saguão para acompanhar o briefing, estava parecendo um zumbi, já não estava mais branco e sim amarelo pelo que os outros me disseram, estava difícil até de falar. Pensei em desistir da trilha pois estava claramente sem condições. A moça da agência viu minha situação e disse que provavelmente era alguma virose, disse que iria comigo até uma farmácia para comprarmos um remédio. Juro que naquele momento queria desistir da trilha mas a idéia de desistir assim facilmente não caia muito bem então decidi arriscar, como tinha plano de saude internacional, pensei em esperar mais um pouco e se piorasse, iria a um pronto-socorro mais tarde. Nem sei se tinha por lá, só pensei no mais lógico no momento. Paguei a trilha, os outros completaram o pagamento por causa dos sacos de dormir e tudo ficou certo. O detalhe é que eu não era o único passando mal nessa noite, Beatriz também estava passando mal e com sintomas parecidos mas aparentemente um pouco melhor que eu. Depois de cerca de 1 hora falando sobre a trilha (e eu jogado num canto sem nem me mexer muito) todos se despediram da mulher mas ela disse que me levaria até a farmacia que ficava a algumas quadras, seria uma tortura pois eu sentia o corpo fraco, mal conseguia me mexer, sério. Chegamos lá, conversei com a famacêutica, expliquei os sintomas e ela disse que com certeza era uma virose, me receitou um antibiótico e outro anti-dias-de-rei hehehe. Comprei só o antibiotico pois não tinha mais dinheiro. Na verdade eu não queria comprar o remédio, quem me conhece sabe que não gosto de tomar remédio, só tomo realmente em último caso, beirando a morte mesmo heheh. Comprei mais por que a beatriz também iria precisar. Tomei só uma capsula lá na farmacia mesmo pois a mulher insistiu. O foda foi que depois que comprei, a mulher simplesmente se despediu e foi embora. Putz, estava ali sozinho e eram umas 6 quadras até o hostel e posso dizer que essa caminhada de volta foi mais difícil que os 4 dias de Salkantay.

Eram umas 9 da noite e do jeito que caína cama fiquei imóvel até a hora de acordar, o engraçado é que o pessoal falava comigo e eu mal conseguia responder, era engraçado mas trágico também. Pra se ter uma idéia, minha cama estava toda bagunçada, cheia de roupas mas eu dormisobre todas elas, não tinha forças pra me mexer direito, foi a segunda pior sensação que já senti na vida, só perdeu pras pedras nos rins que tive quase dois anos atrás mas não ficou muito longe. O problema nessa história toda é que eu não arrumei nada pra sair pra Salkantay pela manhã. Meu único dilema no momento era se arriscaria ir daquele jeito passar 4 dias no meio do mato, ou pior, se eu teria condições de aguentar o tranco. Só sei que essa noite foi punk, dormi pouco, na verdade tirei cochilos em intervalos pequenos. Não tomei mais o remédio, foi imprudente eu sei, mas resolvi arriscar.

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De verdade, teu relato é um dos melhores que eu li por aqui ! ::otemo::

Tenho uma amiga que é louca pra conhecer o Perú ( sem pensamentos maldosos, por favor rsrs), ela sempre me convidava pra ir junto pq eu sempre fico responsável por bolar os roteiros, mas confesso que nunca tinha cogitado a idéia de ir pra lá, mas depois de ver o teu relato e as fotos incríveis acabei me decidindo, em 2013 será minha vez de fazer a trip Bolivia x Chile x Perú ( este ano já está tudo pago pra ir pro Nordeste)

Mas desde já estou juntando milhas para essa trip em 2013 !

Como moro no MS, é pertinho da Bolivia ( fronteira), me parece que tem uma viagem de trem que sai daqui pra Bolivia e fica bem mais barato do que ir de avião, no caso apenas voltaria de avião pra cá

Vou querer sua ajuda pra algumas coisinhas depois ! Vou reler o relato com calma e ir tomando nota de tudo.

Parabéns pelo espírito aventureiro e o ótimo senso de humor !

 

Que bom que está curtindo. Qualquer dúvida é só mandar. Fico feliz em saber que estou incentivando as amigas a conhecerem o peru!!!

 

Desculpe, não posso garantir a ausência de pensamentos maldosos ! hahahaha ::lol4::

 

 

ow sorrent, talvez vc tenha dito em algum ponto mas nao me recordo. Vc só levou a GoPro na viagem? As fotos e videos q vc postou aki foram todas feitas com ela? Se sim, sabe me dizer quanto tempo dura a bateria dela??? No site oficial diz q grava até 6 horas em 720p30 com um cartão de 32 gb, mas não diz o tempo de duração de cada carga da bateria, entende?! Se vc já tiver feito algum teste nesse sentido diz aí quanto tempo dura, e o modelo da sua tbm.

Ahh e aquele mini tripé q vi aos "5:45" do video, é bom???

Abraço.

 

Eu levei a Gopro Hero 2 e uma Sony Hx9v. A sony eu usava só para fotos e a Gopro só para videos assim aumentava a autonomia da bateria, pelo menos da Sony. A bateria da Gopro tem autonomia de 2 horas e meia de uso continuo (não lembro em qual configuração de vídeo) segundo o manual mas eu passei os 4 dias de Salkantay com ela sem recarregar e aguentou, tudo bem que eu gravava videos nao muito longos mas foi suficiente! O tripé é algo muito útil, vale a pena ter um com certeza. Esse aí eu comprei numa loja de fotografia em SP, paguei 30 reais, é leve e retrátil então ele pode ficar até com cerca 1,0m de altura mais ou menos. ::otemo::

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18 ° Dia - Salkantay

 

Às vezes eu me empolgo um pouco e me esqueço de explicar o básico. :D. Pra quem não conhece, a Salkantay é um trekking bem famoso, são 5 dias no total sendo 4 dias de caminhada começando em Cusco e terminando em Aguas Calientes, um vilarejo muito charmoso aos pés de Machu Picchu, no 5° dia você sobe até a cidade perdida dos Incas. Como eu disse, pagamos 260 dólares e esse preço inclui Guia, alimentação todos os dias de trilha(exceto café no primeiro dia) e um jantar em Aguas Calientes, inclui também o trem de retorno de Aguas Calientes até Ollantaytambo e o transporte de retorno até Cusco. São 85 Km de caminhada nos 4 dias, ou seja é bom ter um mínimo de preparo físico pra encarar. Todos os dias uma equipe acompanha o grupo (na verdade eles fazem um caminho alternativo, mais curto), tem desde cozinheiros até massagistas tailandesas. Esse grupo leva umas mulas e cada pessoa tem direito a colocar até 7 Kg nas mulinhas. Todos os dias, ao chegar no acampamento você pode pegar o que estiver na mula então a dica é a seguinte, coloque na mula roupas para troca, alguns litro de água e besteiras pra comer. Em outra mochila (essa irá com você) leve mais água e mais coisas pra comer caso a fome aperte no caminho. Não exagere nas coisas que irá levar pois há um detalhe, no último dia de trilha os cozinheiros se separam e voltam então você terá que carregar tudo que estiver levando. Outra coisa é que se você levar duas mochilas (uma na mula e outra com você, no final você terá que carregar duas o que pode dificultar, pense nisso, talvez seja melhor colocar as coisas da mula num saco bem arrumado com seu nome.

Foi o passeio mais caro da viagem mas valeu cada centavo ::otemo::

 

Voltando onde parei, a noite foi terrível devido a minha virose, tínhamos que acordar às 4 da manhã para sair às 4:30 mas quando eram 3:30 eu já estava acordado (meio zumbi ainda), o problema é que devido a minha situação na noite anterior não arrumei nada para a trilha, não separei roupas, não carreguei a bateria da máquina fotográfica etc, ou seja quando foi se aproximando das 4 horas tive que correr, ainda estava muito mal mas pelo menos conseguia sentir meus membros o que ajudava um pouco. O fato de eu estar meio mal somado a eu ter que fazer tudo na correria fez com que eu fizesse algumas besteiras, não carreguei a bateria extra da máquina fotográfica e não levei carregador e só fui dar conta disso já na trilha, a minha sorte é que eu havia carregado uma bateria da máquina e a Gopro na tarde do dia anterior antes de dar todo esse problema. Então eu tive que passar os 5 dias com apenas uma bateria de cada máquina o que comprometeu bastante as fotos então resolvi usar somente a Gopro durante os 4 dias de trilha e deixar a Sony para Machu Picchu. Esse foi um dos maiores arrependimentos da viagem toda pois os lugares são maravilhosos dá vontade de tirar foto o tempo todos. A maioria das fotos que vou colocar aqui são roubadas dos amigos, poucas são minhas pois na trilha praticamente só gravei vídeos.

Fizemos o check-out no Che Lagarto e guardamos nossas coisas no locker, levamos apenas o básico. Às 4:30, ainda tudo escuro o guia da agência passa para nos encontrar no hostel, teríamos que caminhar até uma praça próxima e no caminho passaríamos num outro hostel para encontrar mais duas pessoas que iriam conosco, eram Pablo do Chile e Eva da Republica Tcheca (que será carinhosamente chamada de "tcheca" daqui em diante :D ) totalizando 10 pessoas. Seguimos para a van e de Cusco fomos até Mollepata um vilarejo de onde começa a caminhada propriamente dita, esse percurso leva em torno de 2 horas e meia então deu pra descansar mais um pouco. Eu ainda estava muito mal mas decidi que iria fazer aquela trilha de qualquer forma, o que piorou ainda mais minha situação é que eu não havia comido nada desde o almoço do dia anterior e não havia condições de colocar nada pra dentro, era o jeito.

Por volta de 7 horas chegamos em Mollepata Paramos num local onde todos (menos eu) puderam tomar café da manhã (não incluido), o pessoal da agência separou as mochilças que iam na mula, anotou os nomes e separou por grupos. Tudo certo. Nessa hora conhecemos nosso guia que mais tarde se tornaria nosso amigo também, Manuel "Manolo". O guia que havíamos conhecido até então ficou o outro grupo. Estávamos se não me engano em 3 grupos, cada um segue separadamente mas todos se encontram nos acampamentos no final do dia.

Depois do café fomos até uma praça próxima só o nosso grupo onde pudemos nos apresentar, conhecer melhor o guia e os recém chegados Pablo e Tcheca. Bate palmas daqui e dali, era hora de seguir, agora começava pra valer. Ainda no vilarejo passamos em um pequeno comércio onde aqueles que não tinham bastão de caminhada podiam comprar por uns 5 soles um bastão improvisado de madeira. DICA, por favor, não se esqueça de levar bastão de caminhada será muito útil. Caso nunca tenha utilizado será uma boa hora para começar, acredite em mim. . Eu, muito cabeção achei que não precisaria de bastão e não comprei ::putz::, só fiz cagada nesse dia. Além de tudo como não estava levando muita coisa, não deixei nada na mula, levei tudo comigo na mochila cargueira, tinham uns 5 Kg nela mas acredite em mim, uma bermuda a mais faz diferença nos 85 Km. A virose afetou muito minha capacidade de julgamento.............ou eu sou meio mané mesmo, vai saber ::lol4:: .

 

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Início da caminhada em Mollepata

 

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Parada na praça pra todos se conhecerem

 

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Nesse primeiro dia era só subida, sóóóóóóóóóóóó subida, foram entre 20 e 25 km de subida ::ahhhh:: , meu amigo, não foi fácil. Eu nem raciocinava direito, só conseguia pensar: "pé direito, pé esquerdo, pé direito....". Eu não era o único que estava mal do grupo, Beatriz também estava e estávamos num ritmo lento, o resultado de tudo isso é que o grupo se atrasou em umas 2 horas dos outros grupos. O guia Manuel fazia várias paradas e em cada uma delas eu pensava " alguém me mate por favor, um tiro rápido e certeiro" ::lol4:: . Juro, paguei todos os meu pecados já cometidos nessa vida e pode ter certeza que eu tenho crédito pra matar duas pessoas pelo menos. ::lol4:: . O primeiro dia é difícil, principalmente se você estiver com uma virose e 24 horas sem comer. ::tchann:: . É claro que tudo nesse dia pareceu mais trágico pra mim devido a minha situação mas a subida é interminável, pode ter certeza.

 

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Morrendo

 

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Chegando próximo ao local do almoço

 

Chegamos no local onde iríamos almoçar atrasados, já eram quase 4 horas, eu sentia que estava melhorando e arrisquei até comer, também não tinha como ficar mais de estômago vazio. A comida durante a trilha toda é simples mas boa, dá pra comer tranquilamente. O guia estava visivelmente preocupado com a nossa situação pois estvávamos muito lentos, o problema é que sempre que um parava, todos paravam hehe, mas enfim, chegamos. Depois do almoço ainda haviam 5 Km até o acampamento e havia uma opção de pagar 5 soles para ir num caminhão que iria levar o restante da equipe e outra peãozada que estava por lá. Como estávamos numa situação precária, uns passando mal outros apenas muito cansados, resolvemos trapacear e pegar esse caminhão afinal eram 5 km na reta, nada comparado com a tortura que foi o dia todo. O guia disse que era muito melhor fazer aquilo pois poderíamos chegar já anoitecendo no acampamento, o que não seria bom.

 

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A galera no busão huhu

 

Não demorou e chegamos no acampamento. Aqui o pessoal da agência pede ajuda para levarmos as mochilas para onde ficam as barracas, não custa nada. Aqui você já começa a perceber que apesar do inferno que é aquela subida, o negócio vale a pena. O acampamento da primeira noite é aos pés da montanha Salkantay que dá nome ao trekking. "Salkantay" que em Quechua significa "se você já deu a bundinha, dê uma risadinha", mentira, significa "Wild, ou selvagem" (aposto que muita gente aí riu ein). É um lugar muito bonito e muito frio. Os banheiros aqui são bem rústicos e aconselho a usar o mais rápido possível pois eles vão ficar num estado crítico depois de um tempo, sério. Banho nesse dia, nem pensar, não tem onde tomar. Se você for adepto dos lenços umedecidos, divirta-se :D

 

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O acampamento

 

Os guias montam as barracas pra você mas é claro que não custa ajudar. Aqui todos os grupos se juntam novamente ::love:: .Separamnos as duplas e fomos pras barracas arrumas as coisas, nos trocar, descansar, enfim. Mais tarde nos reunimos para o jantar e para conversar. Uma das coisas que eu não gostei de modo geral e já começava a ficar evidente nessa noite é que os grupos ficavam bem separados, cada um na sua mesa com seu guia, não havia muita interação entre todos, pode ser que muitos não liguem pra isso mas eu me importo, toda interação que houve entre os grupos durante os 4 dias foi mérito de poucos valentes :twisted:.

 

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Antes da comida mesmo, tivemos pipoca, chá, bolacha etc era praticamente um happy hour heheh. Já me sentia muito melhor e estava aliviado por isso. Jantamos e depois divemos um briefing de como seria o segundo dia.Já li outros relatos sobre a salkantay e a galera é bem dividia, uns acham o primeiro dia pior, outros acham o segundo dia, enfim, eu achei o primeiro dia muito difícil pela subida interminável mas lembre-se que eu estava com uma virose do capeta. Já andei bastante antes e digo com certeza que se você estiver bem de saúde deve ser muito melhor.

Bom, nessa noite começava mais um dilema pra mim na viagem, seguinte, o Guia Manuel estava muito preocupado com nosso ritmo e começou a dizer, um por um que não conseguiríamos aguentar o segundo dia, com exceção de três pessoa, Adriano, Pablo e a Tcheca. No segundo dia nós iriamos subir a montanha Salkantay, a altitude ali pega pra algumas pessoas e o guia enfatizava que não conseguiríamos e que eles não tinham cilindro de oxigênio etc. Eu pessoalmente fiquei muito puto com o guia naquela noite mas depois comecei a entender o lado dele também, ele não podia atrasar uns por causa de outros e ele não sabia da situação pessoal de cada um (eu por exemplo doente) só via o geral, um grupo que anda devagar.

Aquilo deu uma abalada no pessoal, era perceptível. todos estavam conversando pra decidir o que fazer. A questão é que nesse acampamento é possível alugar cavalos para subir a montanha no segundo dia, o preço é salgado, 100 soles mas tem muita gente que aluga, tenho certeza que deve rolar uma comissão pros guias, por isso eles devem insistir tanto.

Podíamos decidir sobre alugar o cavalo ou não até a manhã antes de sair então não dei minha resposta. Estava realmente na dúvida, sabia que tinha condições e odeio desistir mas o guia mexeu com o psicológico da galera, principalmente por causa da altitude. Alguns já haviam confirmado o cavalo naquela noite ainda, eu deixei pra dizer pela manhã.

Foi uma noite bem difícil, e pra piorar as coisas durante a madrugada, acordei com dificuldade de respirar pois estava todo fechado no saco de dormir e o ar ali já é mais rarefeito por causa da altitude, só sei que isso só dificultou a tarefa de decidir se subiria caminhando ou não.

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Como tem uma certa estrutura e um pessoal que acompanha o grupo acho que eu encarava sim ! As paisagens compensam o sacrificio !

Acho que a pior parte é ficar sem tomar banho e sem banheiro... mas são só 4 dias, vou ter o resto da vida pra ter esses luxos né ::lol3::

Nada que uns lenços umedecidos não resolvam... ::mmm:

 

Mas.... essa não é a única opção pra chegar a Machu Pichu né ???

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Não dá pra tomar banho e n tem banheiro? ::ahhhh::

 

Não é preguiça...a gente tem que saber o que aguenta...axu que pra ficar chateado no meio viagem ou ficar incomodando os outros...eh melhor n ir...Mas se eu bem me conheço...eu ia insistir na ideia...por estar no meio da galera...e depois cortar os nozinhos que iam se formar no meu cabelo. ::tchann::

Ps...depois desse meu comentário...mulher é f... mesmo. ::lol4::

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