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Raffa

Um mochileiro no Caminho de Santiago - 33dias de SJPP na França até Finisterre na Espanha c/gastos

Posts Recomendados

Hola,

 

Para quem não me conhece, me chamo Rafael, tenho 35 anos, sou de São Paulo e tem um ano e meio que moro em Itatiba-SP. Adoro fazer fazer trilhas, subir montanhas, acampar, conhecer culturas, fazer amizades e ouvir histórias mundo afora.

 

Vou escrever aqui como foi meu Caminho e com isso, reviver um pouco o sonho que tive quando era adolescente e realizei agora entre Maio e Junho de 2012.

 

Desde moleque sempre acampei, depois fui crescendo e viajando com meus próprios pés e mochila e os sonhos foram surgindo: Machu Picchu e Caminho de Santiago. O primeiro foi realizado a poucos anos, o segundo precisava de mais tempo e dinheiro, mas muitas coincidências fizeram eu seguir para o Caminho ou simplesmente Camino em 2012: fiquei desempregado, e com dinheiro e tempo disponíveis.

 

Passagens compradas em meados de março para 28 de abril e começa a preparação para o Caminho.

 

O sites das associações da Acacs e do Brasil foram muito úteis.

Inclusive uma lista de emails no google e um grupo no Facebook.

Link das associações:http://www.santiago.org.br e http://www.caminhodesantiago.org.br

 

A minha credencia retirei em Sampa na Acacs-sp. A do RJ também envia por correio (Inês muito simpática) e no site deles tem uma lista de pessoas que estão partindo e suas respectivas datas (muito útil). Ambas realizam palestras gratuitas, eu não fui mas, me recomendaram. No google você acha vários relatos, alguns muitos cansativos, por isso resolvi não anotar muitas coisas. Deixa para a próxima ida :)

 

Preparo Físico

Sobre o preparo físico, desde o começo sempre achei que não existe uma treino específico para caminhar 30 dias seguidos e realmente, acho que não tem. Claro, não ser sedentário é muito importante. Faça com um ou dois meses antes da viagem, caminhadas em diferentes tipos de trilhas (montanhas, pedras, lama, subidas e descidas) com a mochila cheia com as coisas que vai levar no Caminho. Vá aumentando a distancia e a dificuldade conforme seu condicionamento. Lembre-se que o normal no Caminho é andar entre 15-25km. Eu treino na academia, sempre faço trilhas e mesmo assim senti o esforço no começo.

 

Depois o corpo foi acostumando, mesmo assim apareceram bolhas, perna e pés inchados e um pouco de cansaço. A única coisa que não senti, foram dores nos joelhos. Nos primeiros dias vai ser normal dores nos ombros, no corpo, nada que um dorflex e um salonpas não resolva. Depois de 4 dias as dores passaram. Unica coisa que percebi foram os pés, de manhã ao levantar, parecia que dava um choque e dava para perceber um pouco o inchaço. Se você respeitar seu corpo, da metade para o fim, caminhar 25km vai ser tranquilo.

 

Sempre considere uns dois a três dias na sua programação, pois você pode precisar parar para descansar o corpo, como aconteceu comigo apartir do 14ºdia, explico mais para frente.

 

O Peso

O peso da mochila é muito importante, pois você vai carrega-la por vários dias. Eu levei quase 14kg, depois de 10 dias, ela estava pesando 10/11kg. Algumas coisas postei para o Correio de Santiago e outras deixei na casa da minha amiga em Madrid.

Para postar coisas para o correio de Santiago de Compostela é simples, vá a qualquer agencia de Correio (eu fui em Pamplona) compre uma caixa e coloque seu nome e entre parenteses Lista de Peregrinos, fiz tambem um seguro de 50 euros. Não custou 10 euros. Eu retirei 40 dias depois. Perfeito.

 

O que levei:

Mochila Arcteryx bora 80 - Pesa 3kg, porem é bem confortável. Quem não está acostumado com trilhas não recomendo. um peso a menos. Não esqueça a capa da mochila.

Saco de Dormir Nautika Micron X Lite - pesa menos de 500g. Recomendo

Camisa e calça segunda pele - levei porque meu saco de dormir era bem fino. usei varias vezes

Papete Timberland - achei que ia poder caminhar com ela, só usei no descanso, na próxima vez substituirei por um par de chinelos que são mais leves

Fleece 50 Quechua - Levei pensando no frio do Pirineus. só usei lá. Dispensável pelo correio ou leve um velho e deixe no abrigo em Pamplona.

Anorak Hi tec - Levei como abrigo para chuva e frio. Se saiu bem, porem é bem pesado, quase 1kg. Na próxima levo um fleece mais grosso e uma capa de chuva simples.

Meias: Levei 5 pares. dois para usar, dois de reserva em caso de dois dias de chuva e um para dormir. Acho que da para diminuir para 3 pares. Não peguei muita chuva. Sempre usava um par limpo para dormir.

Cuecas: 2

Bermuda de caminhada (tipo de futebol): 2

Camisetas de dryfit: 3

Calças bermuda tactel: 2

Perneiras quechua: 1 (não peguei chuva forte, dispensável)

Boné+gorro+lenço de cabeça+toalha secagem rápida+toalha de fralda pequena= 1 de cada

Headlamp Guepardo+ Câmera Canon+Carregador de Pilhas+Ipod (Levei um tablet para ir escrevendo o diário, porém deixei em Madrid, pois quase todos albergues existem internet)+sensor climático Guepardo+ óculos de sol

Botas Nômade (Vento)

Remédios que recomendo (que usei): Dorflex, Antigripal, Voltaren(anti-inflamatório), Pomada Anti-inflamatória, Salonpas, Pó antisséptico, Agulha, linha e álcool, Nebacetin

Outras coisas que eu levei: Canivete, Tomada tipo benjamin, repelente(não usei), polaramine(não usei), pregadores, sabão em pedra(comprei la),papel higiênico

 

Planejamento

Sobre mapas, planejamento e o percurso, depende de cada um. Eu só levei uma planilha fornecida da Associação com anotações de albergues e distancias entre os povoados(está em anexo aqui abaixo). Você pode caminhar de 5, 10 ,15 a 40km por dia. Se for de 20 a 25, voce vai levar 32 dias e se for de 25 a 30, provavelmente em 27. Esse site é muito bom para planejar:http://www.urcamino.com/

Normalmente caminhava de 20 a 25, só por uma vez caminhei 44km, mas foi por falta de opção. Eu escolhi ficar em albergues municipais(5 a 10euros) e você tem opção de ficar em albergues privados que normalmente são de 10 a 15 euros ou de Igrejas que são por donativos.Os privados são bons para você reservar, então pode acordar um pouco mais tarde, caminhar mais tranquilo e chegar com sua cama garantida. Ah, também é bom para quem quer mandar a mochila por automóvel. Os das Igrejas e Monastérios é bom para quem tem pouco dinheiro e quer conhecer mais pessoas, pois há jantares coletivos. Os municipais também são bons, há bastante interatividade, você vai acompanhar as mesmas pessoas por vários dias. Um guia que vi, que é pequeno e bem descritivo é um da Michelin, acho que só tem na Espanha, inclusive tem um espaço para os carimbos.

 

 

Gastos

Os gastos nunca serão os mesmos, mas serve de parâmetro. Eu não ligo em compartilhar quartos(não fiquei em nenhum hotel sozinho), fazer comida nos albergues, comi fora poucas vezes, tomei vinho e cerveja, houve alguns imprevistos e na próxima serei mais econômico.

 

A planilha e os mapas estão anexados no final deste post.

 

*Obs: Na planilha de gastos está incluso alguns imprevistos como: Pagamento extra de passagem e seguro viagem devido a remarcação + lembrando que no Cebreiro me furtaram 300 euros + compras de roupas em Madrid no final do Caminho

 

http://Comida

Todos os povoados que tem refúgio tem restaurantes os que não tem, no refúgio faz. O menu do peregrino (são dois pratos+pão+água e vinho) custam de 9 a 15 euros. A maioria cobra 10 euros. Eu optava em fazer compra no supermercado, comprava o jantar, o lanche do dia seguinte e as vezes o desayuno(café da manhã), saia por 6 a 8 euros. Em duas pessoas, sai mais barato ainda. Eu gostava de ficar em cidades com supermercados e albergues com cozinha. Muitas vezes dividíamos o jantar com mais pessoas. Ah, sempre comprava o vinho, na Espanha é muito barato e bom.

 

 

Outros comentários e dicas

* O seguro viagem é obrigatório para entrar na Europa e eu precisei. Muito importante. http://www.mondialtravel.com.br

* Conheci peregrinos que quando machucados, faziam o trajeto de Ônibus. é uma opção para quem tem pouco tempo.

* Um horário bom para começar a caminhar são entre 6 e 7h. Se for primavera verão, recomendo até sair mais cedo por causa do calor.

* Se molhar as botas ou tênis, coloque jornal para ajudar a secar

* Bastão de caminhada ajuda a poupar seus joelhos em trechos com declive

* Na Espanha vende um adesivo chamado Compeed, muito bom para quem tem bolhas, mesmo assim o melhor ainda acho que é a agulha e linha.

* Empresa de ônibus que faz a maioria dos trajetos no Caminho: http://www.alsa.es

* Empresa aérea que faz voos domésticos na Espanha, barata, porém sua mochila tem que ter menos de 10kg e você tem que imprimir o bilhete antes: http://www.ryanair.com/pt - Útil para o trecho Santiago x Madrid

* Usei o cartão vtm feito através do http://www.cotacao.com.br (consultava o saldo por internet).

* Antes de subir os Pirineus, olhar a previsão do tempo é muito importante. Evite fazer esse trajeto sozinho, principalmente no inverno com neve.

* Os albergues municipais e alguns privados tem cozinhas, o que barateia muito seu Caminho. Antes de fazer as compras, sempre passe na cozinha, os peregrinos costumam deixar muitas coisas para os próximos. Assim como roupas e remédios. Não esqueça que você pode fazer isso também, exemplo deixe aquele pacote de cebolas ou molho que você teve que comprar e não usou todo.

* Durma com seu dinheiro e documentos dentro do saco de dormir.

* Refúgios com acolhida religiosa: Albergues do Caminho Francês, com acolhida religiosa (útil para o peregrino que vai com pouco dinheiro)

* Telefones celulares, esqueça-os ! Aproveite o caminho para desconectar do mundo ou desse vício moderno. A grande maioria dos refúgios tem internet ou telefone público (compre um cartão de ligação internacional).

* Sempre siga as setas amarelas, totens, a concha (vieira), postes de luz com símbolos da viera, placas nas estradas ou coladas nas calçadas e quando houver dúvida, descanse, sempre aparece algum peregrino

....depois continuo as dicas

 

Relatos (a maioria dos textos foram escritos no dia):

 

Pamplona: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/pamplona-es.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/pamplona-es.html

Pamplona/SJPP: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/saint-jean-de-piert-de-port-franca.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/saint-jean-de-piert-de-port-franca.html

1 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-1dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-1dia.html

2 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-2dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-2dia.html

3 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-3dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-3dia.html

4 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-4dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-4dia.html

5 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-5dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-5dia.html

6 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-6dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-6dia.html

7 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-7dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-7dia.html

8 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-8dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-8dia.html

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11 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-11dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-11dia.html

12 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-12dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-12dia.html

13 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-13dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-13dia.html

14 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-14dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-14dia.html

Madrid, parado por 5 dias: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/madrid-7-dias-parado.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/madrid-7-dias-parado.html

15 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-15dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-15dia.html

16 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-16dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-16dia.html

17 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-17dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-17dia.html

18 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-18dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-18dia.html

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20 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-20dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-20dia.html

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31 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-31dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-31dia.html

Santiago: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/santiago-de-compostela.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/santiago-de-compostela.html

Santiago a FInisterra 1dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/de-santiago-finisterra-1dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/de-santiago-finisterra-1dia.html

Santiago a FInisterra 2dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/de-santiago-finisterra-2dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/de-santiago-finisterra-2dia.html

Santiago a FInisterra 3dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/de-santiago-finisterra-3dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/de-santiago-finisterra-3dia.html

Finisterra: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/finisterra-es.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/finisterra-es.html

O retorno: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/o-retorno-do-caminho.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/o-retorno-do-caminho.html

 

 

ARQUIVOS ÚTEIS

 

Lista de AlberguesManoel Brasilia ListAlberguesCSFrances2011.xls

 

Planilha do site urcamino que utilizei camino_itinerary (1).pdf

 

Etapas do Caminho com perfil de altitudes: Etapas caminho frances.pdf

 

planilha de custos e distancias.

*Obs: Na planilha de gastos está incluso compras de roupas em Madrid e lembrando que no Cebreiro me furtaram 300euros

 

obs: se precisar de uma dica ou tenha alguma dúvida, me pergunte !!

Caso tudo acima lhe tenha sido util e talvez queira contribuir para que eu possa retornar ao Caminho, só ajudar aqui http://www.vakinha.com.br/VaquinhaP.aspx?e=213615#

 

no+hay+camino.jpg

Roteiro - Raffa (www.raffanocaminho.blogspot.com.br).pdf

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A seguir irei postar meus relatos diários, vou postar poucas fotos para não demorar muito para carregar.

 

E vamos lá

 

17/05/2012 - Pamplona > ST Jean Pied de Port (França)

caminosantiago+015.jpg

 

Hoje amanheci com dores por causa de uma gripe. Enrolei na cama, até umas 10h. Depois fui dar uma volta pelo centro de Pamplona.

 

Andei pela rua Estafeta por onde passam os bois na festa de san firmino. Depois voltei ao hostel onde fiz o almoço. Prato do dia macarrão carbonara com salada e almondegas. Fica muito mais barato comprar a comida no supermercado, tem um bem próximo daqui.

 

Por volta das 18h fui para a rodoviária para pegar o bus para Roncesvalles. Viagem de uma hora por vários povoados, caminho muito bonito. Na própria rodoviaria, na hora do embarque, me juntei a um grupo para pegar um táxi em Roncesvalles.

 

Chegando em Roncesvalles, parecia uma cena de filme. Povoado muito bonito, neblina, friozinho, peregrinos tomando vinhos e comendo nas mesas do restaurante. Em dois dias, serei eu. :)

 

Encostou um táxi e nos levou ate Saint Jean na França, tudo combinado na hora, éramos 8 peregrinos.

 

Em Saint Jean o primeiro perrengue, a Associação estava fechada e só abriria as 21:15. Andei por uns 40minutos atrás de um albergue e nada, resolvi voltar na frente da associação. Algumas pessoas do bus também se aglomeraram na porta. Conheci uma islandesa que estava fazendo o caminho ao contrário até o mar mediterrâneo. Enquanto todos estavam agasalhados, ela estava de short. Icegirl.

 

Fica a primeira dica, ao chegar em Saint Jean, procure a Accuueil de Pelerins (Acolhida de Pelegrinos), Rua de La Citadelle, 39. Aqui é importante passar, você receberá instruções sobre os Pirineus e tambem indicação de refúgios. Eu não tive sorte de reservar antes, tem um refugio na mesma rua que aceita reservas pela internet: http://www.espritduchemin.org/es

 

Assim que a associação abriu, apesar de ninguém falar espanhol, foram bem prestativos, tudo lotado, conseguiram uma casa para 10 pessoas, afastada 1km do centro, porém já estava no "caminho do Caminho". Tambem peguei uma mapa dos Pirineus e uma Vieira (concha), um breve texto sobre a Vieira:

 

"A Concha é o símbolo do peregrino e é bastante usada. Serve qualquer uma e pode ser pendurada em qualquer lugar. Você pode pendurar no pescoço, mas o mais comum é vê-las penduradas nas mochilas dos peregrinos que vão a pé ou nas bagagens dos peregrinos de bicicleta. Segundo as informações colhidas, a mesma significa proteção e busca de conhecimento e devemos devolve-la ao mar depois de completado o caminho, o que significa que o seu caminho só estará completo quando chegar a Finisterra, segundo alguns. Assim você agradece pela proteção e diz que o conhecimento adquirido não é seu e sim de todos, e que você o disponibiliza a todos.

Não faltara peregrinos que perguntará porque as conchas vieiras têm tanta significação jacobea. Muitas lendas, histórias e anedotas se contam sobre esse particular.

 

Uma outra versão esta ligada à chegada do corpo de Tiago trazido pelos seus discípulos Teodoro e Atanásio em um barco sem leme nem vela, guiados por um anjo à Vila de Arosa na atual Galicia.

 

No ano de 1532 apareceu a primeira narração sobre em suposto milagre que havia originado esse antiquíssimo costume. Segundo ela, um príncipe vinha cavalgando partindo de terras longínquas com o único objetivo de conhecer e orar frente a tumba do Apostolo Santiago quando sofreu um ataque de uma serpente. O seu cavalo começou a corcovear e pondo-se a galope correu com a sua montaria em direção ao mar. O animal arrojou-se à água com o seu cavalheiro, o príncipe a ponto de afogar encomendou sua alma a Santiago. Minutos depois, seu corpo emergiu das águas totalmente coberto de conchas de vieira. A partir desse momento os peregrinos a Santiago se identificaram com as conchas marinhas.

 

A origem verdadeira, sem embargo, parece derivar-se do fato que os peregrinos que regressavam de Finisterra - fim do mundo conhecido naquela época - deviam mostrar aos seus familiares e amigos, alguma prova ou símbolo que testemunhasse haver cumprido com êxito a sua peregrinação até Compostela. O mar era um grande desconhecido dos europeus habitantes da parte central, como eles sabiam que o Santo Sepulcro de Santiago se achava bem perto da costa, nada mais justo que os peregrinos, ao retornarem às suas casas, levasse uma concha como recordação.. Daí veio o costume de colherem uma concha junto ao mar de que se acercavam depois de haver orado junto a tumba do Apostolo. Anos depois, as conchas passaram a ser comercializadas em diversos locais do caminho, inclusive em frente a Catedral, fabricando-se como recordação em diversos materiais.

 

Dessa aventura marítima, nasce o mito que fez das conchas de vieira um dos símbolos dos peregrinos à Santiago de Compostela.. É assim que desde a Idade Média, a concha de vieira, posta no peito, se tornou a marca inequívoca que permitia o acesso às hospedarias." By Walter Jorge

 

O Mapa dos Pirineus era bastante descritiva:

http://www.aucoeurduchemin.org/spip/spip.php?article705

 

A casa era bem arrumada, alguns beliches e dois banheiros limpos. Fui dormir morrendo de fome (não tinha comido nada desde Pamplona) e sonhando com o desayuno.

 

Eu ainda não sei se volto para Saint Jean e começo o Caminho com tempo ruim, ou se perco uma parte da cidade para aproveitar os Pirineus com tempo bom. Amanhã quando acordar decido.

 

Acabei que tirei poucas fotos de Saint Jean, pensando que iria voltar amanhã.

 

Ansiedade a mil !

 

 

Gastos:

Compra no mercado: 5euros

Ligações: 3euros

Hostel hemingway: 19 Euros

Bus para Roncesvalles 6euros

Taxi Roncesvalles / sjjp: 10euros

Albergue e desayuno en SJPP: 18euros

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18/05/2012

St Jean Pied > Roncesvalles

 

Resolvi partir para o Camino.

A previsão de tempo amanhã é ruim, hoje está nublado e frio, porém não tem chuva.

 

Sai, sem lanche, só com o desayuno. Sai perto das 8h.

 

Para subir os Pirineus, a Associação lhe entrega um mapa detalhado, porém não recomendo para pessoas que não tem experiências em Trilhas ou Montanhas seguirem sozinhas. Se for inverno estiver nevando ou com neve nem pensar. A trilha com neblina já foi difícil visualizar.

Mapa desse trecho em Espanhol: http://www.aucoeurduchemin.org/spip/spip.php?article705

 

Nesse trecho, conheci o Vitor, um português que foi meu companheiro de Camino por um bom tempo. Foi um amigo que o Camino me deu. Ele estava caminhando de calça Jeans, toalha grande, meio perdido com as flechas, mas com o passar dos dias foi absorvendo tudo e com certeza aprendeu muito.

Tambem fiquei amigo de uma Mexicana e outra Espanhola que foram minhas companheiras em outros trechos do Camino.

 

Chegando ao cume dos Pirineus, havia muita neblina, ajudei um povo que estava perdido. Estava bem frio, depois começou a descida e o tempo foi abrindo. Deu uma esquentada.

 

Eu e o Vitor pegamos o trecho mais longo pelo bosque, porém é o mais bonito. As flechas nesse trecho são raras, por um instante achamos que estávamos perdidos.As únicas marcações, fui descobrir depois o significado, são duas linhas pintadas em arvores, uma branca e uma vermelha, conhecidas como GR (Grand Randonne ou Percursos Pedestres).

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Depois de andar 28km, subir mais de 1.100m, passar por dois povoados (Hunto e Orisson) um pouco de frio, muita neblina e gente do mundo todo cheguei em Roncesvalles as 14h.

 

Chegando no albergue em Roncesvalles tambem conheci a Trissia que é mineira e mora em Sampa. O albergue é muito organizado e limpo, eu diria 4 estrelas. Tem tudo. Cada dormitorio tem 4 camas numeradas, banho bem quente, maquinas de lavar, de comida. Show. Ja reservamos o jantar, depois da missa.

 

A missa é especialmente para Peregrinos, pessoas de todo mundo, católicos ou não prestam atenção e são abençoados pelos Padres. A Igreja é pequena e charmosa.

 

Depois fomos jantar no restaurante do local, mesas coletivas, pessoas do mundo todo. Na nossa mesa tinha outro português, um americano e um francês. Primeiro prato uma macarronada, o segundo um peixe e com direito a vinho, pão , agua e sobremesa.

 

Muito frioooooo ! De barriga cheia, um pouco com sono porcausa do fuso e não escutei nada, capotei na cama.

 

Observações by Raffa: Esse trecho você está muito ansioso, mas é importante ver a previsão do tempo antes de começar a subir os Pirineus, fiquei sabendo que no dia seguinte que eu parti um peregrino morreu porcausa do mau tempo. Você sente bastante o esforço físico e por isso, talvez ainda não esteja conectado ao Camino. Ainda não sabe o que fazer, se vai sozinho ou não, com certeza tem muitas coisas desnecessárias na sua mochila e que com os passar dos dias vai eliminar. Mas isso você vai aprendendo durante o Camino. Santiago está bem longe. LEMBRE-SE não faça essa trecho sozinho, se for, sempre tenha algum peregrino no seu campo de visão.

 

 

Gastos:

Albergue: 10

Lavar roupa: 1euro - compartido com mais dois

Jantar menu pergrino: 9euros

Coca + sanduiche: 3.20

Cafe: 1

 

Resumo da etapa (by Manoel Brasília)

Os trechos de aclive com maior dificuldade são de Huntto até o mirante, e do Alto da Cruz até Collado Bentartea e proximidades do Collado Lepoeder. O trecho em declive de maior dificuldade é o de Collado Lepoeder na direção do caminho de bosques a Roncesvalles. Muito cuidado na descida se o terreno estiver escorregadio por causa do mau tempo. No Collado Lepoeder existe a opção de descer por Alto de Ibañeta por pista asfaltada e descida mais suave. Os pontos relevantes da etapa são os aclives dos Pirineus, as belezas naturais, e a descida perigosa do bosque que leva a Roncesvalles.

 

o perfil dessa etapa

Profile_Camino_Frances_001.gif

 

Fotos desse dia: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10151033835779812.455868.576754811&type=3

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19/05/2012

Segundo dia: Roncesvalles > Zubiri

 

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Hoje acordei cedo, combinei com o Vitor e a Trissia de partimos as 6:30. Fiz um desayuno nas maquinas expressas. Havia cozinha, porém não existe mercado no local. Daqui para frente vai ser assim todos os dias, pessoal levantando mais cedo do que você, barulhos de ziper de mochilas, sacolas plásticas, portas e pessoas cochichando.

 

Logo no começo uma chuva me faz parar para colocar as capas e me distanciei dos companheiros. O trajeto de Roncesvalles até Zubiri são 22km, passa pelos povoados de Espinal e Lintzoain e tem gente que segue mais 5km ate Larrasoana. A caminhada foi mais facil que ontem, porem, voce ainda sente muito porcausa do dia anterior e eu ainda mais porcausa da gripe. Assim que cheguei em Zubiri, fui ao albergue municipal, fiz check in, carimbei minha credencial e caiu uma tempestade de granizo. Sorte. Depois voltei para o final da trilha pra ver se encontrava o Vitor e a Trissia. Só encontrei o Vitor. Hoje tambem boa parte do caminho fiz sozinho e conversei um longo trecho com outro portugues, o Manoel (tinha que ser). Hoje fiz em 5h. Assim que me sentir melhor vou tentar caminhar mais, pelo menos para fugir da muvuca. O albergue nao tem wifi em compensaçao é mais barato, fui ao supemercado e com o dinheiro da janta e do cafe da manha, ficou mais barato que comer fora. Joguei cartas com uns espanhois, jantei e agora estou aqui escrevendo e esperando a hora de dormir. Falta duas horas e esta um blabla.

 

Não curti muito esse albergue.

 

Observações By Raffa: Você ainda está dolorido do primeiro dia, o friozinho ainda deixa você com preguiça de levantar da cama. Não tenha pressa, curta cada instante do Camino. Eu tive um pouco de pressa no começo e hoje me arrependo. Essa região é muito bonita, mesmo com chuva. Você já começa a pensar o que está fazendo no Camino, como serão os próximos dias....curta tudo isso :)

 

Gastos

Albergue: 6euros

Supermercado: 7euros

Refrigerante: 2euros

Desayuno: 5euros

 

 

Resumo da Etapa (By Manoel Brasília)

Roncesvalles a Zubiri (21,9 km)

Os trechos em aclive de maior dificuldade são de Espinal até Alto de Mezkiritz e de Lintzoain até Alto de Erro. O trecho em declive de maior dificuldade é o de Alto de Erro até as proximidades de Zubiri. As caminhadas entre grandes pedras exigem muito dos joelhos. Os pontos relevantes da etapa alguns frondosos bosques. As trilhas acidentadas foram melhoradas e os caminhos de brita fina acabaram com a maioria das dificuldades em caso de mau tempo.

 

Perfil desse trecho: Profile_Camino_Frances_002.gif

 

Fotos desse dia: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10151035416089812.456019.576754811&type=3" onclick="window.open(this.href);return false;

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20/05/2012 - Terceiro Dia:

Zubiri > Pamplona

 

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Hoje acordei as 5:30. Estava bem frio e um pouco escuro. Fiz meu cafe da manha e as 6:30 parti. No Camino todo, há flechas amarelas e totens, impossível se perder.

 

A trilha hoje foi a mais fácil até o momento e um visual muito bonito. Passei por campos de trigo, vales e a maior parte foi seguindo o rio Arga. Assim que fui se aproximando de Pamplona a chuva foi apertando. Achei melhor ficar mais uma vez em Pamplona. O albergue é cuidado por uma casal de alemaes muitos simpaticos (Poseborn) e pequeno, portanto bem aconchegante. Eu e a Trissia demos um vinho para o casal de hospitaleiros. Vitor, o portugues aproveirou as roupas que os peregrinos deixam nos albergues e trocou sua calça jeans por calças de tactel. Ele estava bem incomodado com os tênis molhados. Como usei perneira, estava tranquilo.

 

Depois do banho fui dar uma volta pela cidade, conheci muralhas fantasticas e a catedral entâo sem palavras. Como era tarde, a cozinha de varios restaurantes estavam fechadas. Acabei comendo kebab e voltei ao albergue, por volta das 23h ja estava dormindo. O tempo ruim não me animou tirar muitas fotos.

 

Observações By Raffa: Ao chegar em Pamplona, reserve um tempo para conhecer a parte interna das Muralhas, a Arena dos Touros e fique de bobeira na Plaza Central observando o movimento

Gastos

Albergue 8euros com desayuno

Lavar roupa: 2euros

Vinho: 3euros

Jantar: 9euros

 

Resumo da Etapa (By Manoel de Brasília)

Zubiri a Pamplona (22,5 Km)

Os trechos em aclive são suaves, e o declive mais acentuado na localidade de Arleta em direção a Villava. O caminho após Zubiri pela fábrica de cimento foi melhorado. Em Zabaldika um novo caminho alternativo foi criado, mas não está sinalizado como caminho de Santiago. Os pontos relevantes da etapa são as trilhas em áreas muito bonitas as margens do rio Arga, alguns bosques, a trilha em aclive de Zabaldika, e a passagem do caminho pelo centro urbano de Pamplona.

 

Perfil da etapa: Profile_Camino_Frances_003.gif

 

Fotos desse dia https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10151035437509812.456022.576754811&type=3

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21/05/2012 - Quarto dia:

Pamplona > Puente de La Reina

 

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Hoje acordei com uma musica que parecia que eu estava no céu.

O refugio alemão, além de ser confortável e os hospitaleiros simpáticos, hoje pela manhã colocaram música com um coral muito bonita

 

Mas o frio fez eu voltar a realidade, assim que levantei os mesmos procedimentos de todos os dias, vira uma rotina, tira segunda pele, poe a roupa da trilha, arruma a mochila e hoje o desayuno foi luxo, normalmente nao tem.

 

Começamos o caminho na chuva, atravessei Pamplona inteira. Assim que passa por Zariquiegui começa a subida do alto do Perdon, são mais ou menos 400m, porem a lama e o vento dificultam um pouco. Na subida, o visual é muito bonito, as helices da maquinas de energia éolica vão ficando maiores cada metro que subimos.

 

No alto do Perdão tem uma escultura bem famosa, numa delas esta escrito 'donde se cruza el camino del viento con el de las estrelas'. Depois é uma descida cheia de pedras e se chega ao povoado de Uterga. Essa parte desci rapidamente.

 

Logo depois o caminho continua a descer ate Puente de La Reina. Fiquei no albergue dos padres, bem mais cheio e roots do que o da noite anterior. Pela primeira vez tenho que sair com a camera, carteira e o tablet na pochete. Almocei com os espanhois.

 

Observações by Raffa:

Esse trecho tem uma subida grande, porém, quem já começou desde Saint Jean, vai estar mais preparado. O Alto do Perdão, paga seus pecados, se estiver chovendo, se prepare, muita lama. Se o tempo estiver aberto, parabéns, irá ver um lindo visual. Você começa a sentir menos o cansaço e consegue pensar mais no Camino, nos amigos e na vida.

 

Gastos

Albergue 4euros

Almoco 10euros

Coca 1euros

 

Resumo da Etapa - By Manoel de Brasília

Pamplona a Puente de La Reina (24,6 Km)

Os trechos de aclive com maior dificuldade são das proximidades do povoado de Zariquiegui até Alto del Perdón. Os trechos de declive de maior dificuldade são de Alto Del Perdón até as proximidades do povoado de Uterga. Os pontos relevantes da etapa são as trilhas nas proximidades de Alto del Perdón, e a descida para o povoado de Uterga através longo caminho de pedras soltas, em torno de dois quilômetros.

 

Perfil da etapa: Profile_Camino_Frances_004.gif

 

Fotos desse dia: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10151035461589812.456029.576754811&type=3

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22/05/2012 - Quinto dia:

Puente de La Reina > Los Arcos

 

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Hoje acordei no susto com o barulho dos peregrinos. Fiz o desayuno rápido e sai quase por ultimo. Sai pensando em parar em Estella. O tempo foi melhorando durante o dia, o que alegrou a maioria.

 

Caminhei boa parte do caminho sozinho e só fui ver o Vitor e os espanhóis chegando em Estela.

 

A trilha ate a cidade é por meio de vales e plantações de trigo. Passeki por Cirauqui (tinha um carimbo dando sopa e carimbei minha credencial), Lorca, Villatuerta...

 

Chegando em Estella, achei que podia caminhar mais e a mexicana e espanhola que conheci em Saint Jean tambem estavam indo para Villamajor, resolvi embalar tambem. Antes paramos para fazer compras no supermercado e almoçar. O caminho para Villamayor é uma bela subida, no caminho passamos pela Fuente de Vino. É uma fonte que fica disposição dos Peregrinos, como passamos tarde, só estávamos nós 3, bebi com copo, com a mão, dei tchau para a camera e quase dormi ali.

 

E não é que esse vinho nos da uma força extra rsrsrs.

30km depois de Puente de la Reina, chegamos ao nosso destino, Villamayor,mas o albergue estava lotado e outro paroquial fechado. Tivemos que andar mais 12 ate Los Arcos.

 

Esse 12 km foram os mais longos até então. Eu costumo caminhar rápido para chegar no destino e aproveitar o dia, conhecer a região e descansar. Nesse dia, eram 16h e ainda estava caminhando. Infelizmente não fiz fotos depois de Villamayor tamanha a concentração para terminar esse trecho longo. Crianças não façam isso.

 

Com muita sorte pegamos as ultimas 3 camas. Só deu tempo de fazer comida, tomar banho e capotar. Isso eram 9h da tarde(tarde, porque o sol aqui se põe as 22:30). Meu recorde de caminhada. Foram 12h caminhando. Desmaiei.

 

Observações by Raffa: Peregrinos não façam como nós, andar 44km é bem cansativo. Só fizemos porque não tínhamos outra opção em Villamayor. Em Irache, preste atenção a bifurcação a esquerda que leva a Fuente del Vino.

 

Gastos

Albergue: 6euros

Alimentacao: 6euros

Coca 3euros

Cafe 1euros

 

 

Resumo das etapas - By Manoel de Brasília

 

Puente de La Reina a Estella (24,2 Km)

Os trechos de aclive de maior dificuldade são de Puente La Reina até ao povoado de Cirauqui, e na entrada do povoado de Lorca. Os trechos de declive são suaves e sem muita dificuldade. Os pontos relevantes da etapa são as trilhas na subida de Mañeru. As novas trilhas na saída de Puente de La Reina e a conclusão das obras da autovia acabou com as dificuldades existentes para chegar a Mañeru. Em Villatuerta prestar atenção na sinalização para sair do povoado.

 

Estella a Los Arcos (21,6 Km)

O trecho de aclive mais significativo vai da entrada do povoado de Azqueta até as proximidades do povoado de Villamayor de Monjardin. Os trechos de declives são suaves e sem muita dificuldade. Os pontos relevantes da etapa são: Ausência de bosques e lugares desérticos sem sombras. Longos caminhos de terra através vinhedos de Villamayor a Los Arcos. Não se esquecer de levar água e lanche!

 

Perfil da etapa :Profile_Camino_Frances_005.gif

 

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fotos desse dia: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10151035482454812.456036.576754811&type=3

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23/05/2012 - Sexto Dia:

Los Arcos > Logroño

 

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Hoje pensei que ia acordar moído, mas aqui no caminho seu corpo se recupera em uma noite. Ou seria a força?

 

Todos os dias eu durmo entre as 10/11h da noite para apagar mesmo. Muitos dormem antes ou em duas vezes, nao acho legal, estou bem fazendo assim. Os que reclamam de roncos e insonia são o pessoal que dorme durante o dia e os mesmos não conhecem o lugar.

 

A trilha foi bem fácil, sai as 7 e passei praticamente quase todos que estavam no meu albergue e saíram mais cedos. O sol castigou, mas como caminhamos pela manha é suportável. Outra coisa que perturba um pouco são os mosquitinhos quando estamos passando pelas plantações, é um entrando no nariz, outro na boca, outros batendo nos olhos, são bem chatinhos.

 

Cheguei em Logrono fui ao albergue municipal e estava quase completo, uma fila imensa, um pessoal que nunca tinha visto. Umas americanas de chinelo, uma outra falando para o amigo que tinha ido de bus. Fiquei imaginandoo povo que estava la no albergue em Los Arcos e o quanto chegaria cansado aqui e um monte de chinelinhos estavam com suas vagas. Fazer o que nao eh?:-)devia ter uma regra nos albergues municipais. Fiz o check in por volta da uma da tarde, sai as compras, fiz o almoço e nem fiquei con vontade de passear ja que amanha quero esticar 30km e se não ter vaga? terei que andar mais 12km. Vamos torcer.

 

No começo fiquei com essa paranóia de ficar preocupado em chegar nos refugios municipais, mas sempre tem opção nos povoados. diferença normalmente são de 5 a 7 euros.

 

Boa noite

 

Gastos

Albergue: 7euros

Compras 6euros

Coca 3euros

 

Detalhe da etapa - By Manoel Brasília

Los Arcos a Logroño (28,8 Km)

O trecho de aclive mais significativo vai da saída do povoado de Torres Del Rio até a região de A Bargota. A região de Bargota está melhor sinalizada e as trilhas recuperadas. O trecho de declive mais significativo é após a região de A Bargota até as proximidades do entroncamento com a estrada N-111(2,4 km). Os pontos mais relevantes da etapa são as trilhas e pequenas subidas e descidas no trecho de Torres Del Rio até A Bargota. Na região de Pântano de Lãs Cañas próximo a Logroño existem duas sinalizações. Em frente ou à direita. A melhor opção é seguir em frente. Entrada na cidade de Logroño é demorada, mas bem sinalizada.

 

Perfil da etapa: http://images.raffasp.multiply.multiplycontent.com/attachment/0/T-RnnAooCyAAAEqO5t41/Etapas%20caminho%20frances.pdf?key=raffasp:journal:53&nmid=580767816

 

Fotos desse dia: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10151035515439812.456044.576754811&type=3

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24/05/2012 - Sétimo dia:

Logroño > Najera

 

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Hoje acordei 100%, tanto que acordei duas vezes antes do horário.

 

Sai de Logrono as 6:30. O percurso hoje foi mais em cidades, ruas e estradas, mesmo assim passei por grandes plantações de uva, igrejas e casas lindas. O sol castigou bastante, os gringos que começaram o caminho tarde chegaram todos vermelhos. Eu bem pouquinho, passei protetor duas vezes. Tambem fui o primeiro que chegou vindo de Logrono, por volta do meio dia.

 

Curti Najera, o albergue fica na margem de um rio bonito, fiquei altas horas esticado na grama. Fiz compras, almocei e fiquei de bobeira. Reencontrei o Vitor, conheci o Rodrigo, ja fez o caminho de monociclo e está no Guiness e tambem conheci a espanhola Ana. O sol e o rio estavam tão bom que tambem tomei uma cervejinha, alias santa cerveza:san miguel. O Rodrigo indicou o albergue do brasileiro Acacio e Orieta que esta a 38km daqui. Amanha o dia promete. Se fosse para escolher um lugar para ficar um dia mais, seria aqui.

 

Observações By Raffa: Logrono é muito bonita, vale a pena uma volta pela cidade. Najera é uma das minhas cidades prediletas do Camino, ficar simplesmente sentado e curtindo o dia ao beira de um rio, foi muito bom.

 

Gastos

Albergue gratis

Lavar roupa 1euro

Compras 9euro

Bebidas 4euros

 

Detalhes da etapa by Manoel de Brasília

 

Logroño a Nájera (30,1 Km)

Os trechos de aclives mais significativos são do Pantano La Grajera até Alto de La Grajera (2,4 km) e da região de Ventosa até Alto de San Antón (2,8 km). Os trechos de declive são suaves e sem muita dificuldade. Os pontos relevantes da etapa são a passagem pelo parque de La Grajera, e as trilhas com muitas pedras na região de Alto de San Antón. Na região de Alto de San Antón os peregrinos empilham pequenas pedras ao longo da trilha dando um bonito visual. Na região de Sotés duas opções: Passar em Ventosa ou seguir em frente ao Alto de San Anton. Melhor opção seguir em frente!

 

Perfil da etapa: http://images.raffasp.multiply.multiplycontent.com/attachment/0/T-RnnAooCyAAAEqO5t41/Etapas%20caminho%20frances.pdf?key=raffasp:journal:53&nmid=580767816

 

Fotos desse dia: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10151035540684812.456050.576754811&type=3

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25/05/2012 - Oitavo dia:

Najera > Villoria de La Rioja

 

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Foi a noite mais quente, dormi sem o saco de dormir e só fui acordar as 5 da manhã. Muita gente acordou cedo nesse dia, pois o sol castigou no dia anterior.

 

Sai do albergue eram 6h da manha. Começo foi uma subidinha que logo virou um caminho plano pelas plantações de uva. Por volta das 7h percebi que o sol estava nascendo e fiquei alguns minutos curtindo o momento. Muitos passam e nem reparam.

 

Depois segui sentido o albergue do Acacio, indicado pelo Rodrigo. O caminho foi paralelo a estrada e bem seco, o sol castigou. Eu e o portugues Vitor seguimos quase juntos ate Vilaroia de La Rioja.

 

No percurso conheci dois outros brasileiros, o Mario do RJ e o Gaucho de Floripa, o Marião foi meu companheiro de Camino nos dias seguintes.

 

Em Redecilia, fiz um pit stop com o Vitor e paramos para comer, nesse momento um cachorro pulou praticamente em cima de mim, estava brincando e ficamos ali alguns minutos um correndo atras do outro.

 

Quando chegamos no albergue, foi uma felicidades, muitos kms percorridos e o sol castigava. Nos sentimos em casa.

 

O Acacio, quem faz o caminho, tem que conhecer, é uma pessoa que viveu o caminho por nove anos, foi e voltou, ficou de hospitaleiro, morou em albergueis, recepcionou mais de 80 mil pessoas. Muitas experiências e que algumas coisas ele nem conta para que você tenha a sua.

 

Nesse dia o Vitor na conversa entre o Acacio, eu e ele, falou que estava quase sem dinheiro, Acácio disse que ele pode fazer o Camino com pouco dinheiro, precisa sempre pedir para o hospitaleiro e de preferencia ficar em refúgios paroquiais. Acácio devolveu os 5 euros do Vitor.

 

O albergue deles é pequeno o que faz voce conhecer as pessoas. Conheci a americana, Margarida, falava espanhol, pois morou na Argentina bem na epoca da ditadura. Conversamos sobre a ditadura no Brasil e surgiu um comentario sobre a influencia da CIA, ela chorou, fiquei sem palavras, como muita gente faz coisas erradas e levamos a fama?.

 

Bom o jantar foi sensacional, teve feijoada, cada um contou em sua lingua o porque estava fazendo o caminho e dormi a melhor noite de todas. Disparado o melhor refugio do Camino

 

Observações by Raffa: Sair cedo para ver o Sol nascer é uma experiencia fantástica. Sempre que houver uma montanha a frente, faça isso. Conhecer o Acácio e seu albergue foi uma experiência muito legal, aprendi muito sobre o Camino e interagi bastante com as pessoas que estão nessa jornada junto comigo. Muitos dizem que é melhor caminhar sozinho, eu discordo e concordo ao mesmo tempo. Tem horas que caminho sozinho, tem horas que estou acompanhado de pessoas fantásticas, como o Vitor por exemplo. Siga o Camino :)

 

Gastos

Albergue 5euros

Donativo e broche 12euros

 

 

Detalhe da etapa

Nájera a Viloria de La Rioja (36km) by Manoel Brasilia

O trecho de aclive mais significativo vai da região de Alessanco, após Azofra, até as proximidades do povoado de Cirueña (6,3 km). O trecho de declive mais significativo inicia na região do povoado de Cirueña até as proximidades de Santo Domingo de La Calzada(4,2 km). Os pontos relevantes da etapa são a ausência de bosques e lugares com sombras. Longos caminhos de terra através cultivos e vinhedos. Para o desespero do peregrino na altura do campo de golfe de Ciriñuela foram instalados vivendas de luxo, e o traçado foi alterado ao meio das construções. Atenção com a sinalização!

O trecho não apresenta grande variação de altitudes. A subida mais importante é o desvio a esquerda da estrada para passar em Viloria de Rioja. Alguns prosseguem pelo acostamento da estrada sem passar por Viloria de Rioja o que diminui o percurso em 1,2 km, e seguindo direto a Villamayor Del Rio. Os pontos mais relevantes da etapa são as longas caminhadas por andaderos, ao lado da estrada N-120, a passagem pelo povoado de Grañón onde está o famoso albergue da Iglesia San Juan Bautista aos cuidado do Padre Juan Ignácio, e as belas paisagens dos montes entre Grañón e Viloria de La Rioja.

 

Perfil da etapa: http://images.raffasp.multiply.multiplycontent.com/attachment/0/T-RnnAooCyAAAEqO5t41/Etapas%20caminho%20frances.pdf?key=raffasp:journal:53&nmid=580767816

 

fotos desse dia: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10151035563934812.456058.576754811&type=3

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    • Por Wilson Iwazawa
      Prólogo
      Virou costume.
      Nas ocasiões sociais, volta e meia um amigo ou parente solta a frase: “E aí, qual sua próxima caminhada?”. Confesso que fico surpreso, pois fiz pouquíssimas trilhas até hoje. Inclusive não faz muito tempo eu ia de carro à padaria da rua de baixo. Porém, pelos caminhos sinuosos da vida, acabei me encontrando pelas trilhas afora. E nos últimos tempos a resposta para tal pergunta era: “vou caminhar em torno do Mont Blanc, cruzando as fronteiras da França, Itália e Suíça.”
      Fiquei ciente desta trilha através dos relatos do Elias, do portal Extremos. Antes de pesquisar mais detalhes, a primeira palavra que me vinha à cabeça relacionada ao Tour era “neve”. Ainda não a conhecia pessoalmente. Seria uma ótima oportunidade, somado ao desafio físico mais intenso que a trilha demandaria. Valeria a pena cruzar o oceano para isso.
      Iniciei então as pesquisas sobre o TMB. Destaco algumas informações interessantes:
      A trilha percorre cerca de 170 km (dependendo da rota e das variantes escolhidas, pode aumentar um pouco) em torno do Mont Blanc, atravessando 3 países: França, Itália e Suíça. O sentido pode ser horário e anti-horário, sendo o último o mais tradicional (e que eu optei). Não há um lugar oficial de início. Tradicionalmente a maioria das pessoas inicia em Les Houches. Optei por fazer o mesmo, apesar de vir pela Itália. Teoricamente seria mais prático iniciar por Courmayeur. Porém descobri que dessa forma, os últimos 4 ou 5 dias formariam a sequência mais dura do percurso. Iniciando por Les Houches, quebraria estes dias difíceis em 2 partes. A duração do Tour pode variar entre 8 e 12 dias, dependendo do preparo e disponibilidade de tempo. O período para se fazer a trilha é restrito ao verão (final de Junho até meados de Setembro) pois a neve e o mau tempo inviabilizam boa parte da rota no restante do ano. O inverno de 2018 na Europa fora rigoroso, então eu estava ciente de que poderiam haver algumas complicações na trilha por conta do degelo mais tardio em algumas rotas. Pode-se contratar agência com guia, autoguiada (sem o guia, mas com as hospedagens e orientações de rota providenciadas) ou seguir por conta própria, fazendo pessoalmente as reservas. Optei pela última opção, após descobrir que a trilha é bem sinalizada. Encaro o planejamento como uma parte interessante da aventura. As hospedagens variam entre hotéis e albergues nos vilarejos, e abrigos de montanhas nas partes mais isoladas. Muita gente segue acampando, porém é bom atentar que nem todo trecho possui permissão para camping. Voando do Brasil, as cidades mais práticas para se pousar são Genebra, Paris ou Milão. Fui por Milão pois faria um tour pela Itália após a caminhada.
    • Por MarceloBarce
      (relato em vídeo no fim do post)
      Na primavera desse ano, fui visitar a região de Trentino-Alto Àdige, para conhecer os Dolomiti, no norte da Itália.
      Me hospedei no Youth Hostel Bolzano, que era um dos únicos na região.

      Fiz 3 dias de trilhas, mas vou falar primeiro dessa travessia que eu registrei em foto e vídeo.
      No hostel, eu conheci 3 americanos que também tinham bastante experiência em trilhas, e fui com eles.

      Era primavera (4 de junho), um dia ensolarado com previsão de chuva para o fim da tarde, fazia uns 27 graus de temperatura.
      A chuva parecia inofensiva, mas se revelou uma tempestade assustadora no alto da montanha e deixou a temperatura NEGATIVA.
      Este foi um dos dias mais incríveis, bonitos e assustadores da minha vida.
      A ROTA DA TRAVESSIA

      Tomamos um ônibus circular de Bolzano para a bela cidade de Selva di Val Gardena, 1 hora de viagem ao preço de 5 EUROS, esse seria o único custo do passeio.

      PLANO A: pegaríamos o bondinho de ski Dantercepies (bandeirinha verde do mapa, abaixo do plano B) e a partir dali, daríamos uma volta no Monte Puez, um lugar com vistas incríveis, e desceríamos pelo vale de Valunga (trecho azul do mapa).
      PLANO B: começaríamos a trilha pelo final do Plano A, o vale Valunga, e ao chegar no ponto mais alto (o coraçãozinho do mapa), voltaríamos pelo mesmo caminho.
      EMERGÊNCIA: esta foi uma rota de fuga que precisamos tomar para fugir da tempestade

       
      RELATO
      O dia estava lindo, a previsão era de sol com nuvens para a tarde toda com uma garoa no fim da tarde.


      Infelizmente, o bondinho Dantercepies estava em manutenção, e por isso fomos seguir o plano B, começando pelo vale de Valunga, que começa nesta foto acima.
      Valunga é fantástico, se parece muito com o vale de Yosemite dos EUA. Inclusive, eu diria que esta rocha em primeiro plano da foto acima é parecida com o famoso "El Capitan".
      Já estive nos 2 parques nacionais para fazer esta comparação. Os americanos que estavam comigo concordaram, hahaha.
      O legal do Valunga é que não passa carros no meio.


      As vistas eram lindas em todos os sentidos.

      Enfim, começou a grande subida do fim do plano B, uma parte muito íngreme com bastante escalaminhada e alguns trechos de neve bem perigosos em que um escorregão poderia ser fatal.
      Mas fomos com calma e cuidado, e deu tudo certo.

      A vista dali era fantástica, mas já começava a dar sinais de chuva.

      Para nossa surpresa, quando chegamos no final da subida, que era uma passagem de montanha, avistamos uma tempestade assustadora que não era visível antes.
      Do lado de onde viemos, o clima estava razoável... mas do outro lado da montanha, as nuvens estavam bem escuras e já estava chovendo:

      PRESTE ATENÇÃO naquela cidadezinha no canto inferior direito da foto, este lugar se chama Colfosco e foi nossa salvação.
      Estávamos num lugar com pouca visibilidade dos arredores, subi num ponto mais alto antes que fosse tarde, para ver qual seria a direção mais segura para fugir da tempestade:

      Repare nas duas fotos acima que a chuva já havia mudado de lugar, use a montanha pontuda (monte Sassongher) como ponto de referência.
      Foi questão de 10 minutos para eu descer e a chuva pegar a gente.
      Daí pra frente, as coisas só pioraram.
      Nosso plano de voltar pelo mesmo caminho foi por água abaixo (literalmente), porque seria impossível descer aquele trecho íngreme de neve com chuva.
      Optamos por seguir a trilha do plano A até encontrar um dos abrigos de montanha da região, que estaria a mais ou menos 2 horas de distância.



      Porém, este plano também não deu certo.
      Começou uma tempestade de granizo muito forte com MUITOS RAIOS e nós tivemos que nos separar e abaixar, para diminuir a chance de tomar um raio.
      Estimamos que a temperatura baixou para -5 graus.
      A paisagem que antes estava verde e ensolarada, ficou cinzenta, coberta de neve e granizo.
      Estávamos todos com casacos corta-vento impermeáveis, bem protegidos, mas vestindo shorts, o que obviamente tornou a experiência bem fria, apesar de suportável (graças às jaquetas).
      O local era SUPER EXPOSTO, pois se tratava de um platô gigante. O melhor que podíamos fazer era tentar ficar numa parte menos alta.

      Na foto: eu em primeiro plano, Micky de jaqueta vermelha no fundo, Nathan de preto mais ao fundo, Elsa de preto no canto esquerdo da foto.
      Foi aí que traçamos a rota de emergência!
      Nós não voltaríamos mais para Val Gardena, porque as duas rotas (plano A e B) estavam extremamente perigosas, e eram os únicos caminhos de volta.
      A prioridade agora era encontrar um abrigo para salvar a nossa pele.

      Após a chuva diminuir, nós desceríamos para a cidade de Colfosco, que fica do outro lado da montanha e tem uma trilha quase plana cercada por montanhas, que era menos exposta aos raios, mas não menos desoladora.

      Tivemos que atravessar algumas cachoeiras de lama causadas pela chuva, mas não foi difícil e deu tudo certo:

      Esta descida pela rota de emergência durou aproximadamente 1 hora e meia, e apesar dos trovões assustadores e da garoa que não parava, essa rota passou segurança.
      Claramente, foi uma decisão sensata abrir mão de retornar a Val Gardena.
      Chegando em Colfosco, batemos na porta de uma casa que tinha luzes acesas e fomos recebidos por uma senhora MUITO hospitaleira que nos deu toalhas e preparou um chá para cada um.
      Rachamos um taxi para Bolzano, que saiu 30 euros por pessoa. Se não fosse isso, o passeio inteiro teria custado apenas 10 euros de ida e volta do ônibus. Ao fim, saiu 35 euros.
      Valeu a pena? Sim, hahahahahaha.

      Abaixo, o relato em vídeo, no meu canal, para vocês terem uma noção do que foi:
       

      Obrigado, espero que gostem.
      Qualquer dúvida, é só perguntar
    • Por Carlois
      Pessoal,
      acho que podiamos começar uns relatos de peregrinações. Afinal muita gente fala do Caminho de Saniago, bem como, os daqui no Brasil, o Caminho da Fé até Aparecida com uns 15 dias e os Passos de Anchieta nas praias do Espirito Santo, entre outros.
    • Por leduardol
      Tópico para concatenar dados e experiências sobre a famosa trilha do GR20 na ilha de Córsega.


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