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Feriado nublado e inesquecível: de Curitiba à ilha do Mel - Junho de 2012 [FOTOS]


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  • Colaboradores

"O Paraná é tão perto! Tenho que ir lá um dia..."

 

Não sei dizer por quantas vezes eu repeti o pensamento acima, mas foi no Corpus Christi deste ano que ele finalmente deixou de ser um incômodo e incentivou uma viagem saída do papel. O plano inicial era conhecer Curitiba e fazer o passeio de trem até Morretes. Só que é tão fácil visitar a região que o feriado acabou se tornando um grande aperitivo de algumas cidades paranaenses: lugares que fui conhecer "rapidinho" e que me garantiram a vontade de voltar assim que der.

 

Terça - 05/06

Embarque noturno para Curitiba e bom agouro para o feriado: as notícias eram de muita chuva e frio em todo o estado do Paraná. Sou um amante do frio e da chuva e é batata: pra onde quer que eu viaje, parece que levo a chuva comigo. Muita gente vê isso como motivo de reclamação e volta dizendo que o clima estragou as férias. Pra mim, não. As temperaturas de 5°C a 14°C que me acompanharam até o domingo seguinte foram aconchegantes e foram um dos pontos positivos que eu trouxe na memória. O meu voo chegou a poucos minutos da quarta-feira e eu consegui pegar o último horário do ônibus executivo (custa R$ 10,00) que passa por alguns dos principais pontos centrais da capital e que me deixou praticamente em frente ao hostel Roma (R$ 41,00 a diária com café da manhã), onde fiquei por duas noites.

 

Quarta - 06/06

Acordei pensando que, em um dia, conheceria tudo o que Curitiba teria a me oferecer, já que na quinta-feira eu seguiria para Morretes. Enorme engano de quem subestimou (mesmo que sem querer) o potencial turístico da cidade. A cada momento eu descobria um novo ponto de interesse para visitar e acabei conhecendo os locais da forma que mais gosto: tudo a pé. A primeira parada obrigatória foi o jardim botânico, realmente lindo, do jeito que eu esperava. Também me agradou muito a disposição numerosa das praças, a conservação do meio ambiente e a preocupação com o acesso do turista. Como adoro futebol e havia jogo no estádio Couto Pereira naquela noite, fui comprar o meu ingresso e tomei o único susto com relação a preços em toda a viagem: impressionantes R$ 95,00 por um lugar na arquibancada. Só fui ao jogo porque pude pagar meia entrada de estudante (mesmo assim, bem caro). Mas, nada que causasse irritação. Achei que a cidade tem tanto a oferecer no que se refere a lazer e cultura de forma gratuita ou a valores acessíveis que me pareceu justificável (ou nem tanto, hahahaha) desembolsar um pouco mais para o entretenimento. As instalações do estádio me surpreenderam muito, especialmente por aquilo que deveria ser normal mas que não existe em São Paulo: banheiros limpos (com papel higiênico, imaginem só!!!), opções variadas de alimentação e um público infinitamente mais respeitoso. A população curitibana, aliás, só tem elogios a receber de mim. Daí entro numa discussão que me incomoda bastante no Brasil: o estereótipo da população. O erro, aliás já começa no fato de ser um absurdo querer estereotipar uma população que é o próprio significado da mistura. Depois, a parte que mais fere: "Brasileiro é um povo alegre, que gosta de festejar e que sabe receber bem". E quem não se parece com isso é visto como frio, grosso, fechado ou sei lá o quê. Pois eu discordo demais dessa visão. Acho que há uma confusão de frieza com reserva, da mesma forma como muita abertura também pode ser vista como invasiva. Eu não gosto de excesso de sorriso num atendimento, de intimidade instantânea e nem de relações abertas demais com quem nem conheço. Muitas dessas pessoas que conheço são bastante inaptas a ajudar e falsificam isso com "simpatia". As únicas coisas que eu espero de alguém ao ser recebido são: respeito, educação e competência. Em todas elas, os curitibanos preencheram e superaram totalmente a minha expectativa, sem precisarem ser um "povo festeiro" pra isso. Fui muito bem atendido em todos os lugares, nas ruas, e em nenhum momento de senti desorientado e sem resposta.

 

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Quinta - 07/06

Passada a "reflexão social", esse foi o dia de acordar bem cedo pra pegar o trem até Morretes. As passagens de ida e volta (marcada pra tarde de sábado) saíram, juntas, por R$ 131,00. É um passeio bem legal de se fazer, mas que se esgota já na ida. Fica a minha recomendação pra quem for de que a volta seja feita de ônibus ou outro meio. A volta é MUITO maçante. Além de você ouvir todas as informações pela segunda vez, a repetição faz com que a viagem de três horas pareça durar umas sete. De qualquer forma, falemos da ida: lindo cenário e guias bem preparados para passarem informações. Gostei demais! O trajeto é bem charmoso e parece ser o programa ideal pra casais e famílias. Aliás, em Morretes eu me senti o único solteiro vivo na Terra! Em todos os lugares que visitava, me perguntaram se eu estava esperando mais alguém, hahahaha. Linda a pequena cidade. Quando eu pedi dicas para visitá-la aqui no site e disse que ficaria por duas noites, teve gente tirando um sarro porque supostamente eu morreria de tédio. Talvez quem escreveu isso já conheça Morretes com a palma da mão, porque pra mim foi o tempo ideal para conhecê-la e usá-la como "base" pra fazer outros programas. O primeiro deles foi o almoço obrigatório da região: o barreado. Comendo à beira do rio Nhundiaquara, fiquei besta de pagar pouco menos de R$ 40,00 por entrada e três pratos combinados, além da bebida. Quantidade absurda de comida, tendo sido muito difícil não desperdiçar. Preparo maravilhoso, com muitas opções pra quem gosta de camarão. Sem qualquer exagero, eu teria pago o mesmo valor (ou mais) pedindo apenas um dos pratos em São Paulo. Na parte da tarde, fui até a rodoviária (que parece um chalé) para ir até Antonina. O serviço de ônibus do litoral paranaense é muito bem provido e barato, com linhas intermunicipais funcionando o dia todo e com curtos intervalos de tempo. Assim, fui até a cidade vizinha para passear por umas duas horas (em Antonina, sim, dá pra conhecer tudo em pouco tempo) e voltar. Em Morretes, fiquei acomodado no Recanto dos Pássaros, por R$ 40,00 a diária com café da manhã. Fui super bem recebido desde o contato por e-mail. O local é bem "alternativo", porque fica no terreno particular de uma senhora que aluga os quartos sem muita preocupação de fazê-los aparentar uma pousada. Simples, do jeito que sempre gosto. A maioria dos hotéis e pousadas fica no centro de Morretes, além da linha do trem. O Recanto fica antes dela, a umas duas quadras da estação.

 

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Sexta - 08/06

No dia anterior, segui para a esquerda (Antonina). Na sexta, era a vez de ir para a direita (Paranaguá). Deixei minhas coisas em Morretes e fui apenas com uma "gymbag" para lá, achando que voltaria dali em breve. Gostei demais da atmosfera colonial de Paranaguá e, mais uma vez, fiquei abismado com o que gastei para comer. Inacreditáveis R$ 13,90 num prato gigantesco de arroz, feijão, salada, fritas, dois filés de peixe e camarões empanados graúdos a perder de vista. Isso foi no mercado municipal. O que comi de camarão realmente não é brincadeira! Uma porção pra se cobrar R$ 50,00 em São Paulo! Foi com essa alegria gastronômica que eu achei que já estava pronto para voltar para Morretes... mas daí eu vi uma placa anunciando saídas de barco para a ilha do Mel por R$ 15,00. Primeiro eu havia entendido que sairia àquela hora para voltar de tarde. Mas não, eu teria que ir no horário da tarde pra voltar só na manhã do sábado. Eu estava lá só com dinheiro, documentos, um rolo de papel higiênico, uma água e molhado da fina garoa que não havia parado desde a terça anterior. Além disso, todas as minhas coisas estavam em Morretes e eu tinha passagem de trem para Curitiba marcada para as 15h do sábado. O que um mochileiro faz nessa situação? Manda o conforto se danar e vai em frente, é claro!!! Hahahahahahaha. Fui pra ilha do Mel simplesmente porque já estava ali do lado. Chegando pouco antes do por do Sol por lá, tive que sair correndo para o farol da ilha pra poder ver algo. Arrependimento zero. Fui até o albergue da HI que tem no local (acho que foi R$ 40,00) e tomei um banho só com água mesmo, me enxuguei com o lençol da minha cama e botei a mesma roupa de novo. Uma beleza! Andando pela ilha, achei as instalações muito bacanas e só não gostei muito da frequência turística, em sua maioria uma galerinha meio "estranha". Os preços cobrados na ilha são bem salgados. Então, só comi algo simples e fui dormir com um plano imbecil: acordar às 4h para ir até a fortaleza Nossa Senhora dos Prazeres (mais de uma hora de caminhada) só pra dizer que fui.

 

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Sábado - 09/06

E assim foi feito! Num breu danado, sem viv'alma por perto, chuva e morro acima, cheguei até a fortaleza. Fotos, nem pensar, mas a vista ao menos eu guardei pra mim. Ficou faltando só o nascer do Sol. Voltei feliz da vida para o albergue e tomei um café para pegar o barco de volta para Paranaguá logo em seguida, às 8h. Pelo menos era esse o planejado. Aconteceu que o tempo adverso cancelou algumas saídas de Paranaguá e eu acabei me enfiando num barco rumo a Pontal do Paraná com grande atraso. Ali eu já estava achando que iria perder a viagem de volta pra Curitiba. Cheguei na tal Pontal, numa parte do município que não tem NADA, e fui me informando com qualquer uma das poucas pessoas que encontrava até subir num ônibus que iria pra Paranaguá, não sem antes entrar em inúmeros condomínios, fazendo a viagem intermunicipal demorar mais de uma hora. Completamente encharcado e num frio de uns 9°C, voltei de Paranaguá para Morretes com um sorriso no rosto e tomei um dos melhores banhos da minha vida. Antes de me despedir da linda cidade serrana, contra todas as expectativas, tomei sorvete. Se estava aberta a sorveteria, é porque há clientes que a visitam com qualquer tempo, certo? Fui um deles. Uma delícia! A volta para Curitiba, como supracitado, foi bem chata. À noite só dei uma passada no shopping eu fui me esquentar na cama do albergue.

 

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Domingo - 10/06

O dia da volta pra casa também foi muito proveitoso. Um colega de quarto no albergue estava deixando a cidade e havia ficado com dois tíquetes do ônibus turístico de Curitiba sobrando. Com eles, fui fazer o roteiro completo e conheci mais de perto o parque Tanguá e a Ópera de Arame. Como a chuva espantou todo mundo, foi praticamente um passeio de táxi de dois andares. Almoçar no bairro de Santa Felicidade só reforçou o quanto dá pra gastar pouco na cidade. Acho que voltarei ao Paraná pra comer sempre que der! Algumas comparações beiram o ridículo, como os 12 pães de queijo por R$ 3,00 (a unidade em São Paulo chega a custar isso). O último dia também serviu para eu usufruir do famoso sistema de ônibus curitibano. Com o "tubo" a R$ 1,00, percebi o baile de planejamento urbano que me causou uma inevitável reflexão sobre a minha cidade. Até na despedida, Curitiba se mostrou exemplar: linha de ônibus (por R$ 1,00, sempre bom lembrar!) da porta do albergue até a porta do aeroporto. E nós, paulistanos, gastando absurdos para acessar Guarulhos e lamentando a inexistência de transporte público para o aeroporto mais movimentado do país.

 

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Considerações:

 

Destino

Só elogios a Curitiba e ao litoral paranaense. Estrutura para que o turista se sinta bem, gastando pouco e tendo opções variadas de lazer e cultura. Foi extremamente divertido!

 

Época do ano

Para o meu caso específico, foi um acerto na mosca. Gosto de frio e de chuva, então me esbaldei. Acho que não é o gosto geral dos mochileiros (ainda mais individuais), mas famílias e casais com certeza terão o que curtir. Para os casais, principalmente, o clima local é bem romântico.

 

Hospedagem e alimentação

Tudo ótimo e por um preço justo. Talvez o albergue de Curitiba tenha um preço surpreendente, tendo sido o mais caro que já visitei no Brasil. Mesmo em São Paulo, de onde se espera valores exorbitantes, há albergues que cobram entre R$ 30,00 e R$ 40,00 pela diária. De qualquer forma, não é nenhum absurdo. Na ilha do Mel os valores são mais altos.

 

A viagem

Espetacular, favorecendo gostos tanto urbanos quanto naturebas e, mais importante, com extrema facilidade de acesso.

 

Vontade de voltar?

Sim!!!

 

Contatos:

Hostel Roma – (41) 3224-2117

BWT Operadora (passagens de trem) - (41) 3888-3462

Pousada Recanto dos Pássaros - (41) 3462-1724 ou (41) 9177-6639

 

Quem quiser conferir o álbum completo no meu Facebook, eis o link:

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  • 5 meses depois...

  • Colaboradores

Oi, Callu!

 

Imagino ter sido a turística, mas não lembro o nome da categoria. Não era o trem de luxo mas havia um guia e lanche (que deve ser a diferença para a categoria econômica).

 

Valeu muito a pena, mas reforço que a volta é MUITO cansativa e enfadonha quando já se fez a ida.

 

Espero ter ajudado.

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