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Eu e meu pai em Alter do Chão - PA


Cacius

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Logo depois que voltei de Pucón, meu pai me convidou para fazermos uma viagem pelo Brasil. O destino é que era indefinido. Pensávamos em Pantanal ou Amazônia. Vimos diversas opções, desde visitar amigos no Mato Grosso do Sul, até pousadas de pesca no sul do Pará. Um dia, minha irmã chegou uma revista que falava sobre Alter do Chão. E foi pra lá que apontamos nossa bússola, compramos passagens, reservamos a pousada e buscamos informações.

Depois de um dia todo de viagem, saindo na madrugada chuvosa do RS, batemos numa quente quarta-feira Santarense. Na saída do Aeroporto, a ideia era tomar um ônibus até Alter. O assédio dos taxistas e freteiros, mais a informação de que não havia ônibus direto, nos esmoreceu. Combinamos o preço com um taxista (R$ 60,00) e ele topou.

Chegamos na Pousada Água linda e confesso que esperava mais. É limpo, mas está velha e precisando de melhorias. As roupas de cama e de banho são batidas, chumbregas mesmo. Pelo valor cobrado (R$ 110,00/dia), dá para servir melhor. Neste dia, nos limitamos ao banho e uma volta pelo centro. Jantamos no Tribal, próximo à Pousada.

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No dia seguinte, acordamos cedo, pois combinamos uma saída de barco que envolvia uma ‘brincada’ no Lago Verde (um braço do Rio Tapajós que fica em frente ao povoado, Ponta de Pedras, Lago (mergulho em águas transparentes, com muitos peixes) e o carro-chefe local, o por do sol na Ponta do Cururu). O café da manhã na pousada é bem simples, mas suficiente e saboroso: suco, pão, manteiga, queijo, presunto, café, leite, uma ou duas opções de bolo, duas ou três frutas.

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A saída foi com o operador Jamir (https://www.facebook.com/jamir.castro?ref=ts&fref=ts), bem atencioso e paciente, com o preço de R$ 200,00. Fomos ao interior do lago tentar uns tucunarés, mas sem êxito. Durante o caminho até Ponta de Pedras, vimos muitas praias desabitadas. Chegamos no destino e caímos na quente e limpa água do Rio Tapajós. Andamos por lá, almoçamos no único restaurante aberto (depois soubemos, tanto em Alter quanto ali, os restaurantes da beira da praia fazem rodizio, abrindo apenas um durante a semana, e todos aos finais de semana, abrindo outro na semana seguinte, e assim por diante) papeamos e cochilamos na sombra. Retomamos a viagem até o Lago Tamaracá, onde é possível observar diversos tipos de peixe, mesmo sem mergulhar. Tucunarés, acarás, lambaris, entre tantos. Na saída do lago, quando íamos para a Lagoa do Jacaré pesquei um belo tucunaré, meu primeiro espécime amazônico, que só não foi devolvido para a água porque nosso guia pediu para ficar com ele para o jantar. Fisgamos mais dois, eu um, meu pai outro, mas ambos soltaram-se dos anzóis em seus espetaculares saltos. Chegando na Lagoa do Jacaré, muito linda e escondida, vimos muitos urubus e carcarás, que ficam nas praias vasculhando a desova dos tracajás, em setembro.

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O fim do dia foi na famosa Ponta do Cururu, curtimos o por do sol com várias pessoas que se acomodam por ali naquele horário, papeamos e voltamos para Alter já escuro. Jantamos apenas um hambúrguer de piracuí (farofa de peixe) do XBom.

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Na sexta-feira fomos com um casal de argentinos visitar Belterra, uma cidade onde a Ford instalou plantações de seringueira na década de 30, após os problemas havidos na Forlândia. A cidade contava com uma estrutura até então impensada para a realidade brasileira, com hospital, aeroporto, sistema de hidrantes, entre outras estruturas. Haviam três vilas, sendo uma de operários mais baixos, uma de intermediários, além da vila americana, onde brasileiros não entravam (salvo para trabalhar), com clube de golf e outras regalias. As casas aqui também eram maiores que as demais. Seguimos para o balneário da cidade, Pindobal, onde era o atracadouro da Ford. Muito lindo, areia branca, muito verde em volta, e o Tapajós correndo cristalino.

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Durante a tarde matamos tempo pela praia, em Alter. No fim da tarde o Jamir nos procurou e convidou para racharmos uma ida até uma das comunidades localizadas na Floresta Nacional do Tapajós, Maguary.

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No sábado, praticamente amanhecemos no barco com um casal de franceses e uma carioca, e por mais de duas horas subimos o rio. Passamos por Pindobal, avistamos Belterra no alto da serra e seguimos. A corrente pegou forte, ondas e o barco não rendia! Cansados, batemos na comunidade quase 10 da manhã. De lá, um guia nos acompanhou até o alto da Serra do Gato, em direção às enormes árvores. Durante o caminho mostrou espécies nativas, suas propriedades, sabores e cheiros. Infelizmente o grupo grande e o converse não permitiu a vista de muitos animais. No topo, a visão das grandiosas árvores, com muitos metros quadrados de área e altura de prédios de 20 andares surpreende! A caminhada encerrou por volta das 16:00 horas (cerca de 5 horas andando), e devoramos um almoço na casa de um ribeirinho. Chegamos em Alter já escuro, caindo na cama após um sanduíche.

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Domingo saímos cedo e fomos pro morro (que esqueci o nome) visível da vila. Numa lenta caminhada, curtindo os barulhos e procurando bichos, em pouco mais de meia hora chegamos na encosta da elevação, onde a prefeitura de Santarém mantem um gerador, gerenciado por dois funcionários que por ali ficam acampados. O gerador serve para alimentar as luminárias do Sairé, no alto do morrote. A subida não leva mais do que cinco firmes minutos, mas é impossível não parar para contemplar os visuais que vão se descortinando. Elevações escondidas, as camadas de mata, as entradas do lago, lagoas, o rio. Curtimos lá do alto uma boa meia hora, apreciando a imensidão. Passamos o resto do dia vadiando. Quando escureceu, jantamos no Restaurante Farol da Ilha, na rua que margeia o lago.

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Na segunda-feira, nosso derradeiro dia, saímos caminhando em direção ao rio, margeando a vila. Andamos até encontrarmos uma lagoa cujo canal de ligação com o rio não inspirava a vadear para o outro lado. Voltamos pro centrinho, comemos pela rua, compramos algumas coisas, curtimos a praia e encaramos a dolorosa tarefa de arrumar malas. Na madrugada de terça, encaramos a sequencia de aviões e chegamos em casa só na madrugada de quarta.

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Uma viagem bacana, em uma companhia maravilhosa, em um lugar fantástico, recomendo!

Tech Info:

 

Alter do Chão é uma vila a sudoeste de Santarém, distante uns 30 km do aeroporto da cidade. Na beira do rio Tapajós, cujas águas limpas são quentes, boas de peixe e isentas de mosquito, possui uma boa estrutura de restaurantes e pousadas, um minimercado e muitas pessoas oferecendo serviços de passeios. Para quem quer poupar um pouco, vale a pena alugar um carro para vir do aeroporto (cobram entre 60 e 70 reais para fazer este trajeto), e usá-lo para visitar Pindobal, Ponta de Pedras, Belterra e outras próximas. Acredito que dê para ir até a FLONA. É claro que ir pelo rio é mais bonito, mas... cada saída de barco tu marcha em R$ 150,00. Pense bem.

O melhor custo/benefício para se hospedar é na Pousada do Tapajós, um belo hostel novo e bem aconchegante. Não fiquei, pq estava em obras quando fiz as reservas, mas recomendo forte. Estive lá e vale a pena!

http://pousadadotapajos.com.br/

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