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Kássio Massa

Rio Mogi pela segunda vez

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Fala galera! Tive que me ausentar um pouco das trilhas devido à faculdade, mas já estou de volta! ::hãã2::

 

A trip que segue foi feita no feriadão de 7 de Setembro deste ano. Uma trilha conhecida por muitos, e que eu já havia realizado no ano passado. Mas como todo belo lugar, este sempre merece um retorno!

 

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Trip realizada no dia 7 de Setembro de 2012

Por Kassio Massa (eu), Daiane Vasconcelos, Fábio Bregiatto, Gabriel Medina, James Vincent, Kassio Massa e Raphael Yamamoto e Renata E.

 

A calmaria aparente em meu 2º semestre de Arquitetura e Urbanismo parece conspirar a favor de trilhas mais duradouras, mesmo aquelas já realizadas ha certo tempo, mas que por sua beleza ímpar, merecem um breve retorno. E assim resolvemos descer a Serra do Mar, repercorrendo a peabiru conhecida como Trilha Raiz da Serra, ou mesmo, Trilha do Vale do Rio Mogi, remanescente de um histórico caminho que rasgava o país, mas que hoje, possui nada mais que alguns quilômetros entre a vila de construção inglesa Paranapiacaba e o pólo petroquímico de Cubatão.

 

Era feriado prolongado em território nacional, e nós, mais uma vez, aproveitávamos a ocasião para uma trip de rio que não nos exigisse uma logística complexa. Pois bem, como deste grupo, formado por oito pessoas, apenas eu e o Gabriel conhecíamos a Trilha do Rio Mogi, optamos por ela, já que, apesar de a termos feita com uma pernoite, na outra vez - devido à presença diurna de guardas da Secretaria do Meio Ambiente no início da trilha, que barram qualquer transeunte que intencione trilhar por aquele vale -, obtive informações e cheguei à conclusão de que poderíamos tentar iniciar e terminar os 13km totais da travessia em um único dia, facilitando na questão do peso e volume.

 

Pois bem, naquela nublada manhã, descíamos do coletivo que nos deixava no estacionamento de Paranapiacaba, às 7h30, vindos de Rio Grande da Serra. A neblina tomava conta da paisagem, escondendo de nossas vistas qualquer horizonte. A entrada da trilha, desimpedida, apresentava apenas uma placa, intimidadora à primeira vista, que informava claramente a interdição da trilha. Os primeiros 100 metros da trilha constituem uma descida e requerem certa perícia, devido ao solo constantemente escorregadio do qual poucos escapam sem levar algum rola. O primeiro, como de costume, fui eu, seguido pelo Raphael, que caiu de bunda, de maneira nem um pouco discreta!

 

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Transposto este primeiro obstáculo da travessia, a via passa a bordejar a encosta da serra, de modo suave, sem muita declividade. Passamos a primeira torre, a segunda, e por fim, chegamos à famosa bifurcação da "Trilha das Fitas", a qual até os mais conhecedores do lugar se confundem e adentram. Desta vez, dois senhores entraram neste caminho, gerando certo tumulto em nosso grupo, já que todos, exceto eu e o Gabriel, estavam convictos de que aquele seria o caminho correto. Disse a eles que, já que a dúvida existia em boa parte do grupo, eu iria averiguar o caminho para certificá-los de que o rumo a ser tomado era o da esquerda, uma via totalmente acidentada e que repele intuitivamente qualquer um. Após 5min de caminhada pela tal trilha, reconheci vários elementos pelos quais passamos na outra ocasião, quando também tomamos a Trilha das Fitas, por engano. Dentre estes elementos está um desmoronamento de parte da trilha que forma uma curva brusca, apresentando pedras e muita terra no local. Retornei ao grupo e confirmei os caminhos.

 

Esta bifurcação é facilmente reconhecível, pois no meio do caminho, exatamente onde este se divide, há uma árvore de tamanho considerável. O caminho correto é o da esquerda, enquanto o da direita é a Trilha das Fitas que, segundo informações que coletei posteriormente, também é um suposto acesso ao Rio Mogi.

 

Por fim, tomamos o caminho da esquerda e em pouco tempo atingimos a 3ª torre, onde a peabiru se divide novamente. Enquanto o caminho à esquerda segue em direção ao fundo do vale, encontrando um dos afluentes do Rio Mogi no chamado "Poço Formoso", o caminho à direita segue acompanhando as demais torres até encontrar o Rio Mogi, 4,5km à frente. Aproveitamos este ponto para esperar parte do grupo que havia ficado para trás, mais especificamente, o Fábio e a Renata. Após os aguardar por quase 30min, eu e o Gabriel decidimos retornar pela trilha, a fim de encontrá-los, pois ambos não haviam nos alcançado. Os encontramos exatamente na bifurcação da Trilha das Fitas, bem próximos. Porém, segundo o Fábio, sua parceira não estava em condições de continuar conosco, pois havia lesionado seu pé no Metrô, quando estava a caminho do local de encontro do grupo. Orientei-os a respeito do caminho de volta, que até aquela parte não apresentava nenhum obstáculo, e nos despedimos.

 

A exemplo da Renata, jamais devemos exceder nossos limites, principalmente numa trilha como esta. Neste caso, a melhor decisão foi retornar enquanto ainda era possível. Em uma conversa posterior com o Fábio, Renata se recuperou de sua lesão, disseram pretender retornar à região para completar a travessia.

 

De volta ao grupo, demos continuidade à caminhada, sempre acompanhando as torres de alta tensão. Na 5ª torre, é preciso atenção, pois a trilha realiza um "S". Para prosseguir, é necessário passar por debaixo da torre e seguir na direção de Paranapiacaba. Logo, o caminho dá uma guinada de 180º e volta a seguir em direção a Cubatão. Sem ressalvas durante aproximadamente 1h de trilha serra abaixo, alguns riachos e pequenos aluviões são cruzados, num caminho que continuava a apresentar torres consecutivas e nenhuma bifurcação. O cadarço do meu tênis direito insistia em se desprender a qualquer galho ou raiz que aparecesse no meio do caminho.

 

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Após cerca de 3h desde o início da trilha, atingimos o último dos notáveis afluentes do Mogi antes do fim do trecho em trilha da travessia. Daqui em diante, já é possível avistar trechos do fundo do vale, inclusive o encontro deste afluente com o rio principal, um espetáculo puramente natural!

 

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A última hora do trecho de trilha bordeja uma íngreme encosta, com vista parcial para o fundo do vale, e logo após, mergulha novamente mata adentro, ficando difícil escutar o som do rio. No entanto, este caminho encontra um banco de areia, mais à frente, já nas margens do Rio Mogi. Este local é conhecido como "Prainha", pela sua geografia peculiar. O banco de areia, que na verdade, é formado por pequenas pedras e seixos de coloração clara, é abraçado pelas águas cristalinas do rio, de cor verde-esmeralda.

 

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Os senhores que vimos entrar na Trilha das Fitas, cerca de 2h30 atrás, finalmente, nos alcançaram. Além deles, havia um quarteto de rapazes curtindo a Prainha, com quem trocamos informações, antes que os mesmos saíssem dali de volta a Paranapiacaba. Fomos alertados sobre um suposto reforço de vigilância nas imediações do pátio de manobras da MRS, em Cubatão - último trecho da travessia. Os agradecemos e nos despedimos deles.

 

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Após cerca de 1h, decidimos prosseguir, seguindo agora pelo leito do rio, uma vez que daqui em diante, não há mais trilha. A água, que não costumava ficar acima dos joelhos, não era obstáculo para o grupo, muito pelo contrário, estava muito boa! Em cerca de 30min seguindo pelo leito do Rio Mogi, pisando de pedra em pedra, atingimos a Pedra do Pulo, uma enorme e desgastada rocha localizada na margem esquerda, de onde costuma-se saltar em um poço ao seu lado, com aproximadamente 2m de profundidade.

 

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A partir deste ponto, o rio passa a apresentar poços cada vez mais amplos e profundos, sendo necessário seguirmos pelas suas laterais, mas sem maiores problemas. Algumas "ilhas" são encontradas e podem facilitar a caminhada, havendo, inclusive, pequenas trilhas abertas pelos caminhantes. às 15h, atingimos a confluência dos rios da Onça e Mogi. O rio da Onça é formado pelos rios da Solvay, Vermelho e das Pedras, na região conhecida por Serra do Meio, e rasga a Serra do Mar no chamado Vale da Morte.

 

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O Trecho que se seguia a partir da confluência apresentava uma paisagem, de certa forma, deprimente, uma vez que o pólo petroquímico de Cubatão já podia ser visto às margens do rio. À direita, um amontoado de contêineres nos avisava que deveríamos ficar atentos à margem esquerda, onde haviam caminhos de acesso ao pátio de manobras da MRS.

 

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Assim que algumas torres de energia puderam ser avistadas á nossa esquerda, abandonamos o rio, que nesta parte, passava a ter uma profundidade maior. Subimos uma discreta ladeira que nos deixou em frente à antiga Estação Raiz da Serra, uma das paradas do antigo "Serra Velha", o primeiro sistema Funicular a operar entre Paranapiacaba e Cubatão.

 

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Nesta estação, paramos para descansar por um tempo, mas logo seguimos pela estrada de serviço do pátio rumo à rotatória da Usiminas (antiga Cosipa). Seria uma caminhada de cerca de 3km, se não tivéssemos sido salvos por um funcionário da MRS, que gentilmente, nos ofereceu carona e nos deixou próximos à saída. Agora, restava apenas cruzar os inúmeros trilhos de estacionamento de vagões de carga e caminhar por aproximadamente 150m até o ponto de ônibus.

 

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Ainda no ponto, eu e o Gabriel, que tínhamos compromissos no dia seguinte, nos despedimos do pessoal, que ainda seguiria para a Prainha Branca, no Guarujá, e passariam o restante do feriadão por lá. O retorno meu e do Gabriel se resumiu a ser praticamente idêntico às demais vezes, embalados em profundo sono rumo ao Terminal Jabaquara, em São Paulo, seguido do percurso de Metrô e ainda um segundo ônibus.

 

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O 7 de Setembro simboliza nada mais que a Independência do Brasil, mas para nós, talvez, simbolize algo a mais, uma outra independência mais íntima e vibrante: a independência da mesmice, do cotidiano monótono e dos padrões impostos por um sistema aparentemente aprisionador. Aparentemente...

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