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Kássio Massa

Vale da Morte - uma das mais desafiadoras travessias da Serra do Mar

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Trip realizada nos dias 29 e 30 de Setembro de 2012

Com:: Thiago Furtado e Fernanda F. / Funiculeiros

 

Confira a galeria de fotos completa desta trip!

 

"Desconhecido e temido, o Vale, finalmente vencido..."

 

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As inúmeras vezes em que pisei nos caminhos da região também conhecida como Serra do Meio, remota, compreendida entre Santo André e Cubatão, se resumiram a bate-e-voltas os quais agora posso considerar como exploratórios "picados", mas que por isso me permitiu situar de maneira interessante parte de uma expedição maior por aquelas bandas. Isto mesmo, ainda havia muito a ser desbravado por mim, fato já esperado, uma vez que estamos nos referindo ao Rio da Onça, sinuoso, que rasga a encosta serrana impiedosamente, até dar de encontro com o famigerado Rio Mogi, já em seu trecho mais brando, na planície, resultando assim numa magnífica e desafiadora travessia, conhecida por muitos como "Vale da Morte", com água em abundância em suas corredeiras e abismos, contrariando sua irmã árida californiana.

 

O Vale

 

Não é mito que esta é considerada pelos locais e por praticamente qualquer um que tenta desbravar os caminhos das matas de Rio Grande da Serra, Paranapiacaba e Cubatão como a travessia mais complicada, arriscada, desafiadora, e proporcionalmente bela e emocionante daquela região da Serra do Mar, mas não por isso seu sugestivo nome nasceu de seus obstáculos ou de acidentes e tragédias que hora ou outra vieram a ocorrer em seus cânions vertiginosos. Originalmente, o apelido "Vale da Morte" estava relacionado à tamanha devastação decorrente da atividade petroquímica desenfreada e não regulamentada desenvolvida no município de Cubatão, no sopé da Serra do Mar, que assim sendo, transformou boa parte da área referente ao Vale do Rio Mogi e também o Vale do Rio da Onça, o atual "Vale da Morte" em questão, num imenso corredor de natureza morta, um cenário em época quase apocalíptico que, felizmente, veio a se recuperar de forma surpreendente ao longo das décadas que se passaram.

 

O plano

 

Diversas investidas pela região me renderam certo conhecimento dos possíveis caminhos e variantes, no entanto, várias datas furadas devido a condições climáticas desfavoráveis ou mesmo compromissos extraordinários acabaram por engavetar esta travessia por tempo indefinido. Assim, fiquei sem pisar nas trilhas da Serra do Meio durante um hiato de quase um ano, até tomar conhecimento, por meio dos amigos Maycon E. e Tiago Furtado, de que os Funiculeiros (grupo de trilheiros do qual participam, originado em Paranapiacaba, que realiza incursões pela Serra do Mar e outras regiões e que busca manter viva a memória do trecho ferroviário abandonado da antiga São Paulo Railway, que outrora ligou Paranapiacaba a Cubatão, utilizando um sistema funicular para vencer o grande desnível serrano) também estavam traçando planos de realizar a descida da serra pelo Vale, e para esta fui convidado de antemão. Sem pensar uma segunda vez, acatei o convite de imediato, pois era o ponta-pé que me faltava para, finalmente, encarar o "suprassumo" das trilhas daquela extensão natural! ::hahaha::

 

A data fora marcada, com certa antecedência, para o final de Setembro daquele ano, e ainda viriam algumas tripzinhas básicas antes da aclamada data, tais como minha segunda travessia do Vale do Rio Mogi, a investida ao Vale do Rio Sorocaba e a escalaminhada da Cachoeira dos Pretos, todas realizadas com uma estratégica segunda intenção de treinar para o que poderia me aguardar naquele fim de mês.

 

Chegadas as vésperas do "dia-D", a euforia era grande entre os membros Funiculeiros e os não-membros na rede social. Havia uma espécie de tensão, muitas vezes, atenuada ou confundida com empolgações e expectativas, afinal, apesar de alguns ali, como Hassan, Fabrício e Paulinho, já terem vencido a travessia antes, uma grande parcela do pessoal não tinha sequer ouvido falar sobre tal região. Mas mesmo os mais conhecedores do Vale eram afetados por uma sutil insegurança, afinal, é uma região em constante formação, sujeita às ações do tempo, da água, do crescimento e do desaparecimento da vegetação local, enfim, na natureza nada é fixo, e esta é uma das principais lições para qualquer um que se disponha a encará-la.

 

Pouco a pouco, cada um foi se despedindo e se desligando da rede, afinal, já faltavam poucas horas para que todo aquele pessoal se jogasse, enfim, em meio à Mata Atlântica da Serra do Mar Paulista.

 

A partida

 

Psicológica, física e tecnicamente preparado, despertei-me às quase 5h daquela tímida manhã de Sábado e logo resolvi os últimos detalhes antes de me jogar pelas ainda escuras ruas de meu emergente bairro periférico. Um trajeto de ao menos uma hora, envolvendo ônibus e metrô, me separava do Furtado e de sua então parceira Fernanda, com os quais havia combinado de iniciarmos a trilha separados do restante do pessoal, que pretendia pisar na mata apenas no meio da tarde. Estava um tanto empolgado, já que planejamos iniciar a jornada por um caminho o qual ainda não havia tido oportunidade de conhecer, ou seja, desceríamos o Rio das Pedras, pelas quedas da Cachoeira da Fumaça, para acessar o "Portal", local de encontro entre este rio, o da Solvay e o Vermelho, e início definitivo, por consequência, do Rio da Onça. Como já pude relatar, já tive acesso ao início do Vale da Morte em meados de Novembro de 2011, quando desci aquele rio até um pouco depois da profunda Garganta do Diabo, mas naquela ocasião, o acesso ao tal rio teria sido feito pelo Rio da Solvay.

 

Às 6h10, devido a um pequeno atraso de minha parte ::bad:: , recebi um SMS do Furtado, alegando que tanto ele quanto a Fernanda já estavam no local combinado, a plataforma onde estaciona o trem da Linha 10-Turquesa, com sentido a Rio Grande da Serra, na Estação Brás, da CPTM. Felizmente, eu também já estava me dirigindo à plataforma, pois havia acabado de desembarcar do trem do Metro e feito a transferência para a ala da CPTM. Alguns poucos minutos depois, conseguimos nos encontrar e embarcamos no primeiro trem a vir a partir daquele momento. Após uma rápida, mas bem conversada viagem a bordo daquele confortável trem de fabricação espanhola, datado da década de 1970, chegamos à estação final da linha, Rio Grande da Serra, às 7h da manhã.

 

Sem muita pressa, caminhamos em direção ao ponto de ônibus da EMTU, onde embarcamos, após algum tempo de espera, no coletivo da linha 424TRO-Paranapiacaba, que nos deixou numa solitária parada em meio à Rodovia SP-122, estrada que conecta Rio Grande da Serra a Paranapiacaba. Por sorte, a pretendida "Trilha da Cachoeira da Fumaça" teria seu acesso logo ao lado daquela parada. Parece estratégico?! ::otemo::

 

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TRILHA DA FUMAÇA (AMARELO) / PONTO DE ÔNIBUS 100 APÓS

A ENTRADA DA TRILHA / R. G. DA SERRA A NOROESTE E PARANAPIACABA A LESTE

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Mata adentro

 

De forma ágil, mas descompromissada, avançávamos por aquele trecho inicial da Trilha da Cachoeira da Fumaça, também conhecido como "Trilha dos Tênis" devido aos diversos calçados pendurados em torres e antenas os quais o caminho, sempre empoçado e alagadiço, costura. De forma quase despercebida, o caminho ia se tornando cada vez mais "arrebentado", estreito e encharcado. Minha sorte é que, desta vez, contava com minha recém inaugurada bota tática, que poderia, talvez, me garantir alguma sequidão em meus pés. Bem, não foi o que aconteceu, fui pego por uma poça de água barrenta, com quase 30 centímetros de profundidade, que praticamente atolou meu pé direito ali. Beleza, o "perrengue" acabara de começar, mas bora nessa! ::putz::

 

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Em pouco mais de meia-hora de caminhada pelo trecho inicial quase pantanoso da trilha, o cenário já começava a mudar. A partir deste ponto, a trilha parecia se misturar organicamente com grandes lajeados rochosos que margeavam o leito por enquanto raso do Rio das Pedras - sim, já estávamos nele! -, chegando a até mesmo nos forçar a cruzarmos o rio de um lado para outro, sempre nos atendo às pedras de diferentes tamanhos que compunham seu fundo. Passamos pelo primeiro marco de referência, a Prainha da Fumaça, que tem seu nome justo devido a um vasto banco de areia que neste local acolhe as águas calmas e cristalinas do rio. A partir deste ponto, optamos por ignorar a trilha e seguir somente pela água, que já naquele horário, encontrava-se irresistível! E assim fomos, com água até a altura dos nossos joelhos, enfrentando uma série de obstáculos que, eventualmente, resultavam em inesperados "banhos forçados pela gravidade". :mrgreen:

 

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A Cachoeira da Fumaça

 

Já estávamos a quase uma hora e meia longe da "civilização" quando, finalmente, pudemos avistar o que parecia ser o fim daquela aparentemente interminável pulação de pedras fluviais. Pois, era! Ali, logo à frente, estava o mirante referente à cabeceira da Cachoeira da Fumaça. Saltamos pelos últimos metros daquele curso d'água e logo fomos prestigiados pela impressionante vista que agora tínhamos daquele topo de serra. De lá, podíamos avistar perfeitamente o caminho que nos aguardava, bem como toda a região metropolitana da Baixada Santista, em segundo plano, e por fim, quase se perdendo no horizonte, Oceano Atlântico! :o

 

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Eu, Furtado e Fernanda arranjamos um local propício para sentarmos e comermos algo, pois já eram 9h30 e havíamos vencido a primeira parte da travessia. O clima de tranquilidade daquele lugar só pairou sobre nós quando um numeroso grupo de escoteiros deixou o local do qual compartilhávamos naquele momento, e seguiu em nossa frente, para também descer a cachoeira. Portanto, fizemos mais alguma hora ali e jogamos papo fora, até que o grupo se distanciasse o bastante para que iniciássemos nossa descida tranquilamente e sem farofa desnecessária.

 

Uma hora depois, decidimos que era tempo de darmos continuidade à pernada. Arrumamos nossas mochilas e subimos uma ladeira à esquerda do rio, de onde uma trilha íngreme se projeta em direção ao fundo do vale e desce vertiginosamente a encosta serrana, sempre paralela às quedas d'água, audíveis a todo momento, hora á nossa direita, hora à nossa esquerda. Não nos preocupamos nem um pouco quanto ao horário, pois dispúnhamos do restante da manhã e de todo o período da tarde para chegarmos apenas até o cânion da Garganta do Diabo, onde faríamos nossa pernoite. Sendo assim, paramos em cada uma das sete principais quedas que compõem a Cachoeira da Fumaça, todas acompanhadas de refrescantes e cristalinas piscinas naturais formadas a partir de suas bases. Em algumas de nossas paradas, acabávamos alcançando os escoteiros que estavam à nossa frente, mas nem por isso a contemplação e a curtição do local ficava comprometida. A todo instante, era possível avistar o Rio da Solvay à nossa frente, nos aguardando cada vez mais próximo de nós, e acima dele, o majestoso Morro do Careca se impunha sobre toda aquela paisagem exuberante!

 

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Alcançando o "Portal"

 

Mergulhando de queda em queda, nos vimos, às 16h30, no encontro dos rios das Pedras, da Solvay e Vermelho, local também conhecido como Portal do Vale da Morte e início definitivo do Rio da Onça. Novamente, nos deparamos com o numeroso grupo que, praticamente, desceu a Cachoeira da Fumaça conosco. Porém, estes não prosseguiriam pelo mesmo rumo nosso, pois retornariam para a estrada pelo Rio da Solvay, enquanto nós seguiriamos no sentido oposto, descendo o rio até a Garganta do Diabo.

 

Ficamos durante algum tempo no Portal, onde finalmente preparamos um prato um pouco mais decente - miojo -, em uma humilde panela trazida pelo Furtado. Bem, refeições teríamos de sobra, pois todos nós estávamos bem munidos quanto a isto.

 

Após o breve pit-stop, demos seguimento à nossa descida de rio, agora descendo ligeiramente as pedras maiores do Rio da Onça, e não demorou muito para encontrarmos um pessoal que estava acampando encima de uma rocha um pouco mais plana na beira do rio. Inesperadamente, fui reconhecido por um deles, Renan Prado, até então, amigo de rede social, que disse estarem la para atacar a Garganta do Diabo no dia seguinte ::cool:::'> . Conversamos com seu pessoal por mais alguns minutos, mas nos despedimos em seguida, pois o Sol já apresentava sinais de que queria nos deixar na mão, e quando isso acontece num lugar como onde estávamos, é bom ficar esperto!

 

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A Garganta do Diabo

 

São menos de 600 metros de água, rocha e areia que separam o Portal da Garganta do Diabo, um trecho relativamente curto, mas que ainda assim é vencido em pouco mais de meia-hora. A Garganta do Diabo, finalmente alcançada, é um grande abismo cavado pela força das águas em meio à rocha maciça, deve ter algo em torno de 50 metros de profundidade. O rio é tragado repentinamente, retomando seu curso no fundo desta fenda, após uma queda d'água vertical ::hahaha:: . É impressionante observar como a natureza flui de forma tão espontânea e ao mesmo tempo artística. Objetivo do dia cumprido? Não necessariamente...

 

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Pernoite na Garganta

 

Já eram 18h passadas, e aparentemente, havíamos chegado ao nosso destino. Mas precisávamos, ainda, nos estabelecer nalgum local para pernoitarmos. Felizmente, na encosta que se ergue à direita do cânion, há uma precária trilha que corta uma clareira ampla, frequentemente usada como ponto de camping. Para alcançarmos a tal trilha, tivemos que escalar uma parede de rocha à direita do poço que antecede a queda da Garganta, onde agora existe uma corda amarrada, o que facilitou bastante nossa ascensão Caminhamos pela trilha durante menos de 5 minutos e, ao depararmos com a tal clareira, ainda sob os últimos resquícios de claridade do dia, sacamos nossas lonas e cordas e improvisamos um quase luxuoso abrigo com capacidade para nós três. Em seguida, eu e o Furtado fomos em busca de água para o jantar e para nosso suprimento naquela noite, água esta que só foi possível coletar num poço abaixo da Garganta, o mesmo onde encerrei meu último bate-e-volta ao Vale, no ano anterior.

 

Ao retornarmos, com apenas uma pequena parte da água que havíamos coletado, pois o acidentado caminho de volta nos rendeu alguns tombos, dá pra adivinhar com quem nos deparamos? Claro, toda a galera prometida para a trip acabara de chegar também! Um a um surgia da trilha e logo se acomodava como podiam ali naquela clareira que agora se tornava cada vez menor e disputada. Felizmente, todos conseguiram se ajeitar, uns em redes, outros em abrigos improvisados, outros em barracas. Ainda tinham uns mais loucos que decidiram, àquela hora, saltar no poço da Garganta - sim, é possível esta façanha! ::hahaha:: - , a partir de uma laje na encosta rochosa, de onde se tinha fácil acesso da clareira, quase dois segundos no ar até se espatifarem na gélida água!

 

Conforme a calmaria da noite abraçava a todos, a fome também vinha de brinde e como nossa busca por água havia sido quase um fracasso, relutamos em repetir a mesma peregrinação em busca do dito líquido, sob o risco de voltarmos, novamente, com as mãos abanando. Mas eis que uma ideia brilhante veio à tona - afinal, agora contávamos com várias cacholas pensando ao mesmo tempo - , a de "pescar água" no poço da Garganta, no mesmo local onde alguns saltaram minutos atrás. Com isso, estávamos prontos para preparamos nossa merecida janta!

 

Satisfeitos, fomos, aos poucos, nos recolhendo em nossos abrigos. Fui um dos primeiros a apagar, ao som harmônico de Bob Dylan, que naquela ocasião, combinava perfeitamente com o clima local.

 

Despertar no Vale

 

Passada uma noite até bem dormida por mim, pois mesmo com a friaca de 7º C naquela madrugada, estava protegido com um saco de dormir feito em alumínio, usado geralmente em situações emergenciais. Alguns poucos que iam acordando, gritavam para que os próximos acordassem tambem, pois já eram 6h da manhã, e o céu já se mostrava ligeiramente claro. "Pescamos" um pouco mais de água para lavarmos nossas panelas, fiz algumas fotos da área de acampamento e da Garganta ao amanhecer, na tal "plataforma de saltos", e perto das 7h, partimos para encarar o que o Vale tinha a nos presentear naquele dia.

 

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Em poucos minutos, chegamos ao poço após a Garganta, onde eu e o Furtado havíamos estado no dia anterior, mas o ignoramos e demos seguimento à trip.De fato, a Garganta do Diabo é apenas uma amostra quase grátis do que se segue adiante. O primeiro desafio era vencer uma encosta rochosa quase sem agarras, escorregadia, que beirava uma corredeira erodida pelas turbulentas águas deste trecho do rio. Em alguns trechos, uma porção de vegetação nos garantia certa firmeza ao avançarmos, no entanto, sempre era preciso prestar atenção em certos troncos e galhos que estavam tomados por formigas.

 

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Vencido o escorregadio trecho na rocha e um pequeno paredão onde valeu uma quase escalada, passávamos pela Cachoeira do Véu, na forma de cascata, não muito alta, mas com sua beleza única! Fizemos a primeira transposição do leito do rio naquele dia, pois na margem direita já se mostrava impraticável qualquer tentativa de avanço.

 

Rapel

 

Uma vez na margem oposta, escalaminhamos a encosta, desta vez, coberta por rica vegetação densa, onde beiramos o cânion por aproximadamente 100 metros - inclusive, passando despercebidamente pelo incrível "Poção do Vale da Morte", uma cratera onde despencam duas enormes quedas d'água, formando uma enorme piscina natural em seu interior - , até um ponto onde preferimos retornar ao fundo do vale, por onde julgamos que nosso avanço seria mais eficiente, mesmo que, para tal, tivéssemos que descer dois lances verticais do paredão, na corda! E assim, com o auxílio do Hassan, que também havia trazido todo o aparato de rapel, um a um, fomos "aterrizando", novamente, no leito pedregoso do rio. Todo o procedimento nos custou quase 2 horas da travessia, mas ainda assim, não poderíamos considerá-lo nem a melhor opção ou a pior, visto que não sabíamos o que poderia nos aguardar caso optássemos por continuar pela encosta do morro. No mais, todo este tempo foi uma boa oportunidade para que eu pudesse me enturmnar de vez com o grupo. Enquanto aguardava minha vez de descer, trocava assuntos com Maycon, Kátia e mais uma galera que estava conosco a respeito de profissões relacionadas á área industrial e aeronáutica (tudo a haver!).

 

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Pé de Limão

 

Dando continuidade à caminhada, agora pelo leito do Rio da Onça, novamente, avançamos de pedra em pedra, de poço em poço, num ritmo desimpedido, e em menos de 20 minutos de fácil pulação de rochas, chegamos ao patamar superior da Cachoeira do Pé de Limão, que foi facilmente identificada por mim pela sua sua queda de 15 metros de altura seguida de um grande maciço rochoso a partir de sua base, que se estendia até um patamar mais abaixo, onde o curso do rio mudava sua direção bruscamente para a esquerda. A descida desta cachoeira foi feita, inicialmente, pela direita, onde havia uma ladeira não muito íngreme que permitia fácil acesso à sua base. Uma vez na base da cachoeira, transpusemos cautelosamente a correnteza, a fim de alcançarmos a margem esquerda novamente, e assim, prosseguirmos pela encosta, que agora, se mostrava um pouco mais generosa que antes.

 

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Mais mato, mais ladeiras, mais poços, mais cachoeiras

 

E assim avançávamos por aquele vertiginoso cânion em meio à Serra do Mar, enfrentando obstáculo por obstáculo, usando cordas quando requisitados pela natureza, ou simplesmente saltando, escalaminhando, escalando, nadando, varando mato no peito e no braço. Haviam partes em que cada um seguia pelo caminho que mais achava conveniente, haviam outras em que nos era oferecido apenas uma ou duas alternativas.

 

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E assim avançamos vale abaixo, por mais quase 3 horas, até que atingimos a confluência do Rio da Onça com um grande afluente seu à sua esquerda, do qual desconheço o nome, e que encontra seu "irmão maior" na forma nada mais elegante que a de uma enorme cascata. Mas espere... ainda estávamos no topo de um imenso bloco basáltico, que só nos apontava uma única direção: para baixo, 30 metros quase verticais! Obviamente, a corda se fez necessária novamente, mas de maneira não tão sofisticada quanto antes, devido à inclinação do paredão, que permitia o não uso dos demais equipamentos de rapel. Cuidadosamente, vencíamos os lances íngremes e limosos daquele grande pedaço de rocha, que outrora nos separava do patamar onde os dois rios finalmente se encontravam. O encontro dos dois rios formava uma piscina natural onde em sua margem sul havia um banco de rochas e areia, no qual pretendíamos descansar e almoçar. ::cool:::'>

 

Finalmente alcançado o patamar inferior, ainda era preciso transpor, novamente, o rio, para que chegássemos a um ponto mais seguro e amplo para todos. Devido à considerável profundidade deste trecho do rio, tivemos que transportar nossas mochilas em nossas cabeças, com água na altura do peito. Felizmente, todos conseguiram atravessar com êxito e nenhuma mochila foi "estreada" ::lol4:: !

 

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Cada um se acomodou como podia nas inúmeras pedras que formavam aquela bela margem de rio, e enquanto o almoço não ficava pronto, alguns curtiam as duas cachoeiras presentes ali, uma pertencente ao Rio da Onça e outra ao seu afluente. Rapidamente, preparei meu miojo e logo me vi por satisfeito. Às 15h30, recolhemos nossos pertences e demos continuidade à trip, mais uma vez, vencendo lagos, poços, cachoeiras menores, alguns barrancos e encostas.

 

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Podemos dizer que a partir da grande confluência, a travessia passa a ser mais leve, porém, conforme os obstáculos naturais subsequentes iam se tornando cada vez menores e menos desafiadores, estes eram cada vez mais monótonos, o que tornava este trecho final um tanto quanto enjoativo, ao meu ver, talvez até mesmo, devido à própria ausência dos desafios maiores. Pelo fato de o rio agora portar-se mais brando e com declividade visivelmente menor, os poços passavam a ser cada vez mais intransponíveis dada sua profundidade - alguns chegavam a não dar pé, nos obrigando a contorná-los pelas beiradas.

 

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Reta final, a conquista do Vale

 

Às 16h30, finalmente, abandonávamos o Rio da Onça e, com ele, o Vale da Morte, na confluência deste com o principal rio da região, o Mogi. Naquela hora, eramos cativados uma inexplicável sensação de missão cumprida e de vitória, afinal, acabávamos de vencer o que muitos consideram como a travessia mais difícil da Serra do Mar! Sendo assim, com todos reunidos, não pudemos deixar de registrar este momento na forma de nostálgicas fotos de todos os guerreiros que sobreviveram a mais esta grande trip. ::otemo::

 

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De volta à civilização

 

Não bastante, ainda tínhamos ao menos uma hora e meia pela frente, seguindo pelo leito raso e tranquilo do Rio Mogi até a altura da Estação Raiz da Serra, onde o abandonamos em favor de uma picada em sua margem esquerda que nos deixaria em frente à tal estação e de cara nos trilhos do Sistema Cremalheira, da MRS Logística. Já eram 18h e o breu já tomava conta de toda a paisagem. Acompanhamos a estradinha de serviço do pátio ferroviário por uns 3 km, até interceptarmos o viaduto referente á Rod. Domênico Rangoni (vulga Piaçaguera-Guarujá), onde ao lado deste situa-se a humilde casa da Dona Anésia, antiga residente da região, e que já foi importunada pela concessionária da ferrovia, pois seu lar, construído bem antes de a área ter sido concedida, estaria, agora, dentro de uma área de serviços. É cada uma... ::putz::

 

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Por fim, antes de tocarmos rumo a São Paulo, passamos na casa da simpática senhora, que é amiga de longa data de muitos membros do grupo, e que nos acolheu alegremente. Realmente, era possível me sentir em casa naquele lugar ::cool:::'> . Um clima amistoso e bem aconchegante.

 

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Às 21h, nos despedimos e seguimos para o ponto de ônibus localizado na rotatória da Usiminas, já bem próxima dali. Era tarde, e os ônibus já estavam escassos, mas mesmo assim, tivemos sorte de conseguirmos chegar à rodoviária de Santos, onde embarcamos no veículo da Viação Cometa que seguiria para São Paulo.

 

Não se pode negar que o Vale merece todo o respeito que tem. Este mostra-se exuberante, mas igualmente feroz. Trata-se, sem dúvidas, de uma das mais belas obras de arte, rabiscada, pintada e esculpida de forma singular pelas forças naturais das quais nós, meros humanos, podemos não mais que pertencer.

 

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IMPORTANTE: ::prestessao::

 

- A Travessia do Vale da Morte é considerada de grande dificuldade, mesmo para trekkers mais experientes. Apresentam-se, ao longo de praticamente todo o trajeto, paredões, encostas, mata fechada, trechos acidentados no leito do rio, com grandes blocos de pedra a serem vencidos, ladeiras íngremes e escorregadias, cachoeiras e poços naturais. Não é recomendada a realização desta e de outras trilhas e travessias que envolvam trechos feitos em rios em épocas chuvosas, pois há grande risco de ocorrer o fenômeno chamado "cabeça d'água", caracterizado pelo aumento repentino da vazão e do nível das águas.

 

- Em épocas propícias, as águas do Rio da Onça são límpidas, potáveis e propícias para banho, mergulho.

 

- É sempre recomendável o uso de calçados e roupas adequadas para lidar com trechos feitos no rio e nas encostas. Cordas e equipamentos para pernoite, mesmo que emergenciais, são itens praticamente indispensáveis.

 

 

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

 

Seguem abaixo as tabelas com os horários, itinerários e tarifas das linhas de trem e ônibus utilizadas no trajeto:

 

LINHA 10 - TURQUESA (CPTM)

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Imagem original

Site oficial da CPTM

 

LINHA DE ÔNIBUS INTERMUNICIPAL 424TRO / RIO GRANDE DA SERRA - PARANAPIACABA (EMTU/RIBEIRÃO PIRES)

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link original

 

LINHA DE ÔNIBUS INTERMUNICIPAL CUBATÃO (USIMINAS) - SANTOS (EMTU/PIRACICABANA)

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Link original

 

LINHA DE ÔNIBUS RODOVIÁRIO SANTOS - SÃO PAULO (JABAQUARA) (VIAÇÃO COMETA)

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Site oficial da Viação Cometa

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estas de parabens "massa" ::cool:::'>

bonito roteiro, bela trip irmao ::otemo::

 

confesso que nao eh o tipo de terreno que busco hj, mas nao posso negar que gostei do local .

 

Valeu Gabriel! É isso aí, sempre em busca de um caminho próprio, aquele para qual coração mente apontam a seta! Trilhando sempre...! Abraço! ::otemo::

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Grande Kássio!

 

 

Show de bola a aventura!!! ::otemo::

 

Já havia lido relatos do Jorge Soto cortando essa região toda, realmente uma grande aventura. Fico feliz de ver você e outros trilhando estes belos e desafiadores caminhos! A região é espetacular, de uma beleza selvagem e com as dificuldades e desafios que são peculiares a estes adjetivos. Meus sinceros parabéns!

 

Como já disse antes, até mesmo comentando relatos do grande mestre jedi-caminhante citado, já passei inúmeras vezes naquelas rodovias que cortam a Serra do Mar paulista, entre Cubatão, Guarujá e Bertioga e sempre imaginava caminhadas naquelas belas paragens cobertas pela verdejante mata atlântica e aquelas imponentes "dobras" de terreno... Até a origem do nome "Vale da Morte" que eu sempre questionei (contraste enorme com a beleza que sempre vi ali) você explicou... Não havia me ocorrido a ligação com a história de poluição e deterioração ambiental ligada à Cubatão dos anos 70. ::putz::

 

E que final poético hein?!

 

Não se pode negar que o Vale merece todo o respeito que tem. Este mostra-se exuberante, mas igualmente feroz. Trata-se, sem dúvidas, de uma das mais belas obras de arte, rabiscada, pintada e esculpida de forma singular pelas forças naturais das quais nós, meros humanos, podemos não mais que pertencer.

 

 

Grande abraço!

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Grande Kássio!

 

 

Show de bola a aventura!!! ::otemo::

 

Já havia lido relatos do Jorge Soto cortando essa região toda, realmente uma grande aventura. Fico feliz de ver você e outros trilhando estes belos e desafiadores caminhos! A região é espetacular, de uma beleza selvagem e com as dificuldades e desafios que são peculiares a estes adjetivos. Meus sinceros parabéns!

 

Como já disse antes, até mesmo comentando relatos do grande mestre jedi-caminhante citado, já passei inúmeras vezes naquelas rodovias que cortam a Serra do Mar paulista, entre Cubatão, Guarujá e Bertioga e sempre imaginava caminhadas naquelas belas paragens cobertas pela verdejante mata atlântica e aquelas imponentes "dobras" de terreno... Até a origem do nome "Vale da Morte" que eu sempre questionei (contraste enorme com a beleza que sempre vi ali) você explicou... Não havia me ocorrido a ligação com a história de poluição e deterioração ambiental ligada à Cubatão dos anos 70. ::putz::

 

E que final poético hein?!

 

Não se pode negar que o Vale merece todo o respeito que tem. Este mostra-se exuberante, mas igualmente feroz. Trata-se, sem dúvidas, de uma das mais belas obras de arte, rabiscada, pintada e esculpida de forma singular pelas forças naturais das quais nós, meros humanos, podemos não mais que pertencer.

 

 

Grande abraço!

 

Fala Getúlio! Tudo bem?

 

É mesmo muito interessante ver como, mesmo tão pisoteada pelo homem, a natureza ainda consegue se reerguer da forma como ocorreu nesse caso de Cubatão! Hoje, quem resolve se aventurar pelos caminhos molhados da serra, entre Cubatão e Paranapiacaba, não imagina o que foi aquela paisagem toda ha poucas décadas. Mesmo o outro lado da serra, onde funcionava o sistema Funicular, era uma enorme encosta totalmente descampada e repleta de construções das quais poucas restam atualmente.

 

Ehr...Poxa, ainda estou treinando estes desfechos de relato mais líricos :mrgreen: . pode ser que num futuro incerto eu resolva publicar um livro ::lol4::

Mas para mim a natureza realmente é uma arte, sem ressalvas, ela é completa por sí só! ::cool:::'>

 

Forte abraço e um ótimo início de ano!

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oia o guri..parabens! by the way, o Vale da Morte ta se tornando carne de vaca em Paranapiacaba ultimamente... quero ver agora vc subir o Rio Claro, descer o Quilombo inteirinho ou até mesmo o Itatinga, apenas pra citar os mais proximos da urbe 9e menos conhecidos)... aventura q nao deve nada ao Vale da Morte..

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Aventura fantástica!!! show!!!

 

Valeu, Frida! Teremos mais este ano! ::hahaha::

 

oia o guri..parabens! by the way, o Vale da Morte ta se tornando carne de vaca em Paranapiacaba ultimamente... quero ver agora vc subir o Rio Claro, descer o Quilombo inteirinho ou até mesmo o Itatinga, apenas pra citar os mais proximos da urbe 9e menos conhecidos)... aventura q nao deve nada ao Vale da Morte..

 

Opa! expandir horizontes, sempre! Os próximos que estou mirando por aqui são certamente o Itapanhau, e também o circuito Capivari/Branquinho>Branco! O Itatinga ainda quero averiguar de perto tambem, pelo menos a parte da barragem...

 

Não sou muito adepto a repetir trips, com exceção de algumas poucas. A exemplo do Vale da Morte, faria algums variantes dele, mas não sei se voltaria a descê-lo por completo, pelo menos não está em meus plano. rsrs Quanto ao Rio Claro... este é um caso a parte. Como já havia conversado contigo naquele dia, é um objetivo nobre para mim! Só não sei se o farei tão logo...

 

Araço e boas empreitadas por aí! ::otemo::

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Cara fui ate o cachoeirão....eu estava sem equipamento para escalada....vou agora final de semana dia 02/ março...quero fechar essa Trip até o final....tenho mesmo que escalar e descer os paredões ? não tem trilha nas pirambeiras...?qual o tempo de trilha da cachu do véu até a confluência com o rio Mogi...? Aliás já fui muito na tia Anézia em trips na região...

ela é maravilhosa abç e bela trilha Kássio...responda urgente preciso de informações...

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Cara fui ate o cachoeirão....eu estava sem equipamento para escalada....vou agora final de semana dia 02/ março...quero fechar essa Trip até o final....tenho mesmo que escalar e descer os paredões ? não tem trilha nas pirambeiras...?qual o tempo de trilha da cachu do véu até a confluência com o rio Mogi...? Aliás já fui muito na tia Anézia em trips na região...

ela é maravilhosa abç e bela trilha Kássio...responda urgente preciso de informações...

 

Olá, João Marcos, td bem?

 

Muito bacana o vídeo, e o pessoal lá da Dona Anésia é realmente muito simpático e acolhedor, é uma simpática senhora! ::otemo::

 

Mas quanto à travessia, não existe um caminho específico para descer este vale. É possível ir pelas pirambas também, assim como fazer rapel nos paredões e ir direto pelo rio. Além disso, existe a possibilidade de as chuvas de verão terem modificado a paisagem. Concluindo: cada vez que se faz a travessia do Vale da Morte é uma experiência nova!

 

Quando fizemos a travessia, desde a Garganta do Diabo até a Confluência dos rios da Onça e Mogi, levamos cerca de 14h.

 

Abç e boa trip! ::hahaha::

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    • Por Renato37
      Travessia realizada em 17/08/2019.
      Todas as fotos da travessia estão em: https://photos.app.goo.gl/iALbK8QSahnj7Lku6

      - Introdução -
       
      Fazia algum tempo que não batia perna na região de Paranapiacaba, ainda mais por conta da proibição e o aperto da fiscalização nas tradicionais trilhas do entorno da vila, como a da Fumaça e Cristal. Então, para evitar problemas, tenho optado por ir para outros lugares, como na Serra do Mursa, Itapety e Mogi, entre outros.

      Já tendo feito um batevolta na pouco conhecida Pedra Grande do Quatinga em 2013, es que me surge a ideia de retornar a mesma, mas não mais como um simples batevolta, mas sim, como travessia com 1 pernoite. Chamei várias pessoas, mas dado a logística e ter que acampar, apenas 5 toparam ir comigo na empreitada.

      Passava das 9:00 da manhã qdo saltei do metrô da linha 2 (verde) na estação de Tamanduateí, local previamente marcado com parte da turma. Lá encontrei o Marcio, Janaína e a Suzana que já me aguardavam no local. Sem perder tempo, logo embarcamos no trem da linha 10 da CPTM sentido Rio Grande da Serra, onde encontraríamos a 5º integrante da trupe, a Monike que é do ABC e que iria nos encontrar diretamente lá.

      Na Estação de Rio Grande da Serra esperando a ultima integrante da trupe, a Monike.

      Com toda a trupe reunida e após um breve café da manhã reforçado, embarcamos no latão rumo a Paranapiacaba que por sorte, estava com problemas na catraca e por isso, não houve cobrança da passagem, para a alegria de todos.


      1º Dia - Da Vila de Paranapiacaba ao Topo da Pedra Grande do Quatinga.
      Desembarcamos do ônibus em uma Paranapiacaba incrivelmente ensolarada e de céu estupidamente azul, coisa rara e que poucas vezes se vê por lá, com a ausência total do famoso "Fog" tradicional da vila inglesa. Para quem não sabe, o tradicional nevoeiro e os dias sem visual algum faz parte da vila inglesa, construída no Século XIX.


      O Relógio marcava pouco depois das 11:30 e precisaríamos apertar o passo afim de chegarmos até o topo da Pedra Grande a tempo de ver o por-do-sol. Após alguns clicks de praxe da vila inglesa e a tradicional foto clássica da trupe em frente a igreja, iniciamos a caminhada descendo a ladeira que liga a parte alta a baixa da vila.


      A turma na tradicional foto antes de começar a caminhada.
      Durante a caminhada na vila de Paranapiacaba, notei que muita coisa mudou desde a ultima vez que lá estive, anos atrás: O Bar da Zilda parecia um bar de balada, os quiosques do lado da passarela já não existiam mais e por fim o baixo movimento da vila para um Sábado ensolarado, reflexo da decadência que se tornou o local, que teve inicio após a proibição abusiva de acesso ao que foi um dos principais atrativos da vila: As trilhas que levam a várias cachoeiras da região.

      Pelo menos restauraram o velha replica do big ben de Londres da vila. Percebi tb que os moradores tiveram que ser criativos para atrair novos turistas para a região, que estavam espalhados pela vila, mas de nada lembrava a epoca boa de quando aquilo lá bombava.
      Acredito que, o que deve estar mantendo a vila de Paranapicaba em pé são os artesanatos, os vários festivais que são realizados ao longo do ano e que atraem centenas de milhares de turistas, como o tradicional festival de inverno.


      O novo "Big Ben" restaurado
      Com pouco tempo disponível, nem tiramos muitas fotos, pois tinhamos pela frente, vários quilômetros de caminhada até a Pedra Grande.
      As 12:15, deixamos Paranapiacaba e adentramos a pacata e tranquila estrada de terra do Taquarussu, palco inicial de várias outras trilhas feitas anteriormente. Essa estrada também liga o Bairro de Mogi a vila de Paranapiacaba.
      O trajeto começa logo de cara com uma subida que parecia assustar, mas como estavamos em um pequeno vale, esse trecho inicial de subida não foi um problema, pois aqui há enormes árvores que nos brindaram com uma refrescante sombra, o que foi um alívio para todos.

      Passamos por uma portaria e uma placa indicando que ali pertence ao parque natural nascentes de Paranapiacaba e que o acesso as trilhas requer a contratação de um guia, o que ignoramos é claro. Afinal, nosso destino estava bem distante dali, numa trilha em outro municipio. Algumas placas pelo caminho sugerem que essa mesma estradinha também faz parte do conhecido "caminho do sal".
      30 minutos de caminhada desde a vila de Paranapiacaba, passamos pela conhecida entrada da trilha que leva a cachoeira da Agua fria, onde havia um pessoal parado na beira da estrada e que  parece ter ido a cachoeira.
       Minha vontade de adentrar na trilha para rever a cachoeira foi reprimida pela obrigatoriedade de acompanhamento de um monitor, já que a trilha faz parte do pseudo parque natural de Paranapiacaba. Então, passamos batido por ela.
      Mais 15 minutos e passamos pelo marco divisor que divide os municipios de Sto André e Mogi das Cruzes, localizado no ponto mais alto da estradinha. A partir dai, inicia-se uma grande descida até o pitoresco vale do Taquarussu, pequeno vilarejo com meia duzia de casinhas simples.


      O Marco divisor fica do lado dessa placa, fincado da terra.
       
      Durante a descida, cruzamos com vários bikers e chegamos na pitoresca vila de Taquarussu as 13:20hs, mas nos limitamos a apenas algumas fotos, já que ainda tinhamos muito chão pela frente.
      Deixamos Taquarussu por volta das 13:30h e a partir dai, iniciamos um trecho pela mesma estrada de terra ainda mais deserta e em meio a um enorme vale. Aqui, as árvores são mais espaçadas e o sol passou a nos cozinhar, literalmente.
      2 horas de caminhada desde a vila de Paranapiacaba, resolvemos fazer um pit-stop para forrar o estomago e molhar a goela seca em um pequeno descampado ao lado da estrada.


      A Pitoresca Vila do Taquarussu, por ser uma propriedade particular, agora é toda cercada e fechada

      Descansados e saciados, voltamos a caminhada e as 14:20hs, chegamos a uma bifurcação, com uma placa indicando o camping simplão de tudo a direita, mas o caminho correto a seguir é a esquerda, em linha reta em direção ao pesqueiro trutas pedrinhas.
      Mais 10 minutos e chegamos em uma trifurcação, sendo que a esquerda vai para o Bairro de Quatinga sem passar pela Pedra Grande e a direita segue para o camping simplão de tudo. Mas o caminho correto é seguir em frente, em linha reta.


      Chegando nesse ponto, siga em frente ignorando os caminhos a esquerda e a direita

      Depois da trifurcação, passamos pelo 2º ponto de água, um enorme poção de água potavel que em um dia de calor de verão poderia ser a deixa para um convidativo tchibum. Aproveitamos para pegar água para o restante do dia e o seguinte. Como não lembrava de mais nenhum novo ponto confiável de agua a frente, sugeri a turma que coletasse toda a agua que fosse precisar a partir dali.


      O Poção e 2ºponto de água. O primeiro ponto é no acesso a cachoeira da Agua Fria, antes da vila de Taquarussu
      Recarregados com o precioso líquido, continuamos a caminhada e as 15:00hs, finalmente alcançamos o tal pesqueiro trutas pedrinhas. Mais uns 100 metros após o pesqueiro, chegamos a uma bifurcação, onde o caminho a seguir é para a direita. A partir desse ponto, passamos a caminhar por uma estrada mais estreita e precária, com a visão da face oeste da Pedra Grande agora visivel a maior parte do tempo. Passamos por alguns sitios e um lago a direita, enquanto a estradinha vai dando voltas pelo vale em direção a base da Pedra Grande e após passarmos por um grande vale, inicia-se uma sequencia de pequenas subidas.


      Pouco depois do pesqueiro, vire a direita.


      A Estrada correta vai levar diretamente a base da Pedra Grande, esse pico com a face careca logo acima na foto

      Face oeste da Pedra Grande visivel a maior parte do tempo
      Em uma curva a esquerda, já quase na base da Pedra Grande, uma trilha a direita serve de atalho e nela, havia uma placa indicando que ali é a continuação do conhecido "caminhos do sal." Adentramos a trilha e começamos uma das primeiras subidas em direção ao topo em uma trilha cheio de erosões e bem escorregadia, devido a constante passagem de motos. Muito cuidado nesse trecho.
      Durante a subida, passamos por mais um ponto de água, o último antes de chegar a base. Pegue toda a agua que for precisar desse ponto, que é o último. No topo e durante o restante da subida, não encontramos mais nenhum outro ponto de água.


      O acesso da trilha atalho: notem a placa no tronco indicando que ali é o caminhos do sal


      Trilha enlamenada, erodita e escorregadia por conta da passagem constante de motos
      Enfim, finalmente chegamos a entrada da trilha as 15:50hs. No meio das arvores ao lado da trilha, era possível ver o topo da Pedra Grande com seu topo bem visível dali. Agora iria começar a parte mais puxada desse primeiro dia, depois de quase 4 horas e 14 km de caminhada, que é subir até o topo, ainda mais com cargueira nas costas.
      A trilha é bem aberta e seu trecho inicial é composto por uma leve subida, sem grandes dificuldades. Caminhamos por cerca de 350 metros e chegamos a uma bifurcação, onde o caminho correto a seguir é para a esquerda, marcada por uma fita vermelha presa no tronco de uma árvore.


      Trecho inicial da trilha
      A partir desse ponto, a moleza acaba e a trilha inicia uma das várias subidas fortes em direção ao topo. Como acontece nos picos em geral, a medida que avançavamos, a subida ia ficando mais ingreme e o auxílio das mãos passou a ser constantemente necessários para impulso nos troncos, rochas e pedras.
      A subida é ardua, e com o peso da cargueira e o cansaço da longa caminhada até aqui, vou parando algumas vezes para retomar o fôlego.
      A Janaína e a Monike esboçavam sinais de estarem nas últimas e foram subindo em ritmo de tartaruga manca com muletas, mas não tinham escolha, pois subir era preciso!
      Felizmente, os trechos mais íngremes não duram muito tempo e logo adentramos a um trecho de ombro, com a subida mais forte dando uma trégua. 20 minutos desde a estradinha lá embaixo, eu e a Suzana emergimos da mata fechada e passamos a subir na parte descampada do topo, que era o trecho final da subida, mas que voltou a ficar bem íngreme e dessa vez com o sol forte na cachola.
      Finalmente, com pouco mais de 30 minutos de subida desde o inicio da trilha lá embaixo, chegamos ao topo dos 1.155 metros de altitude da Pedra Granda do Quatinga as 16:32hs, encerrando a caminhada desse 1ºdia de travessia. Não havia ninguém no topo e é claro que fomos donos absolutos do lugar, para a alegria da Suzana que passou a se fartar de fotos do topo.
      O cume tem um visual de 360 graus e lá do topo, consegue-se visualizar todas as cidades do entorno, como Mogi das Cruzes, Suzano e até Mauá bem distante.
      Sem perder tempo, fui logo procurando um lugar plano e protegido para montar a barraca. Qdo estava montando a barraca, Marcio, Janaina e a Monike chegaram ao topo, uns 15 minutos depois.







      Com a trupe reunida novamente, montamos rapidamente as barracas e ficamos só de boa só aguardando o Astro-rei repousar no horizonte que mais uma vez, foi um espetáculo a parte. A noite, a bola da vez foi as luzes das cidades do entorno todas iluminadas.
      Depois cada um foi preparar a sua janta e ficamos só jogando conversa fora e  vendo as estrelas com um plus a mais: O nascer da lua as 19:20hs toda avermelhada que foi um espetáculo único a parte.
      Mas com o vento frio e o sono vindo, nem fiquei muito tempo fora da barraca e fui dormir por volta das 21:30hs.

      2º Dia - Do Topo da Pedra Grande ao Bairro do Quatinga em Mogi

      Nascer do Sol
      O domingo amanheceu sem vestígio de nuvem alguma e apenas uma leve nevoa nos vales. Como de praxe, todos ficamos aguardando o surgimento do Astro-rei e após os clicks, fomos preparar o café da manhã. O meu foi com pão e um café bem quentinho para espantar o frio da manhã.
      Barraca desmontada e mochila nas costas, iniciamos a descida por volta das 8:30 com o belo visual da cadeia de morros e vales do alto da Serra do mar bem a nossa frente ainda encoberto por uma fina camada de névoa, o que foi mais um atrativo a parte.
      Descemos por uma trilha alternativa que faz algumas curvas para diminuir o desnível de quem sobe, evitando a pirambeira que sobe direto. Mas no restante da trilha, e as meninas sofreram um pouco, principalmente a Janaina que estava só com uma mochila comum carregando a barraca e isolante térmico nas mãos (que coragem).


      Vales tomados pela nevoa


      Com a descida muito íngreme, os escorregões dela foram inevitáveis, o que me deixou um pouco preocupado, dado o fato que poderia se machucar gravemente e ter que chamar o resgate. Mas felizmente o Marcio deu um auxilio nos trechos mais pirambeiros e a descida foi tranquila.
      Pouco depois das 9:00hs já estavamos todos de volta ao inicio da trilha e a partir dai, passamos a seguir pela continuação da estrada de terra da trilha atalho em que viemos no primeiro dia. 20 minutos após sair da trilha da Pedra Grande, a estrada começa uma longa, mas sinuosa descida até um grande vale, para depois virar a direira, subir um pouco e novamente descer.
      As 9:32, chegamos ao primeiro ponto de água desse trecho, que é um riozinho que corre paralelo a estrada e depois cruza ela um pouco a frente. A turma aproveitou para recarregar seus cantis pq segundo infos, seria o unico ponto de agua limpa e confiavel de todo o trecho. Como eu tinha 1 litro de suco e 500ml de agua de coco que eram mais que suficientes para mim para o trecho final, nem me preocupei.
      Após o trecho do rio, a estrada de terra passa a ficar mais movimentada, aparecem os primeiros sitios e casas e junto com eles, os carros, que nos fazem comer poeira.
      Mais 1 hora de caminhada tediosa pela estradinha, passamos por uma bifurcação com uma placa indicando que a esquerda, segue para o sítio Itaguassu e aproveitamos para fazer um rapido pit-stop nesse ponto para um lanche e molhar a goela seca.
      E enfim, após 2 horas desde o topo da Pedra Grande, alcançamos o bairro de Quatinga bem a tempo do próximo ônibus para Mogi .
      Após uma viagem de quase 1 hora, saltamos na estação central de Mogi das cruzes, onde pegamos o trem de volta para SP, chegando em casa por volta das 14:30h, cansado, mas feliz.

      Dicas:

      --> Durante toda a travessia, existem poucos pontos de água, mas bem distribuidos, não sendo necessário sair carregado de agua da vila ou de casa. O 1º ponto está na base da cachoeira da agua fria, após a trifurcação no poção e no inicio da trilha atalho.
      No segundo dia, o unico ponto de agua está bem na metade do caminho.

      --> Se for acampar, pegue toda a agua que precisar no ultimo ponto, pois na trilha e no topo não há água. Eu carreguei comigo 1 litro de agua e outro de suco que foram mais do que suficientes pra mim.

      --> No topo não há areas protegidas dos ventos, somente adentrando na trilha a esquerda que parte na direção sul. Lá há uns pequenos descampados para 1 ou 2 barracas em cada trecho e que são uma boa opção de area protegida. É só descer uns minutos pela trilha para achar os pequenos descampados planos e protegidos no meio da mata.

      --> As linhas de ônibus para o terminal Central de Mogi são:
      C192 Quatinga via Tomoki hiramoto e C193 Quatinga via Barroso.
      A Linha C192 tem poucos horários, mas a C193 tem vários horários, mesmo aos domingos.
      Ambos as linhas são municipais e a tarifa é de R$ 4,50 (Ref.Agosto/19)

      Maiores informações podem ser obtidas no site www2.transportes.pmmc.com.br ou pelo telefone 0800-195755.
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
    • Por rafacarvalho33
      Antes de começar o relato, gostaria de salientar que ocorre uma discussão a respeito dessa trilha,  se ela deve ser feita ou não e vou tentar explicar o porque desse debate. 

      A trilha de fato é ilegal, ela fica dentro de uma propriedade privada (a empresa MRS Logística) e a Sub prefeitura de Paranapiacaba não reconhece a trilha como oficial, além desses dois importantes fatores, não é anormal que ocorram a fiscalização para pegar os infratores na entrada da trilha, podendo gerar uma multa (que varia dos R$300 a R$500) e ate detenção por invasão a propriedade privada.

      Por outro lado, a trilha se dá ate Cubatão, passando pela Serra do Mar, com paisagens exuberantes, com fauna e flora muito rica e diversificada, além das cachoeiras pelo caminho, há também toda a importância histórica e cultural do trajeto, juntando esses fatores com o fato de Paranapiacaba estar próximo a cidade de São Paulo, é comum que dezenas de pessoas durante os finais de semana se arrisquem e realizem a travessia, ou pelo menos, parte dela. 
       
       Paranapiacaba recebe centenas de turistas nos finais de semana. 


      Por muitos anos, me recusei a fazer essa trilha, porque além de ela ser ilegal, ela também é perigosa, mas esse ano conheci duas pessoas que já fizeram esse trajeto mais de 05 vezes cada um, sendo conhecedores do local de olhos fechados, assim me senti mais seguro.

      Antes de mais nada, na minha opinião, acredito que a melhor solução para esse assunto seria a empresa cobrar uma taxa de entrada, e com esse dinheiro, aplicar na manutenção da trilha, deixando ela mais segura para os amantes de aventura, assim, todos ganhariam, a empresa, nós e Paranapiacaba, que assim, poderia receber mais turistas. 

      O fato de proibir por proibir sabendo que existem pessoas que ate acampam no local, da a sensação que as autoridades junto com a empresa tem preguiça de lidar com a situação, pois ao mesmo tempo o acessos a trilha e a saída dele são fáceis de identificar, se de fato quisessem proibir, não seria difícil fazer isso, ao meu ver parece que eles apenas buscam fugir da responsabilidade caso alguma coisa aconteça.


       
       Vagão de trem abandonado logo no começo da trilha
       
       
      Bom, dito tudo isso, vamos falar um pouco mais sobre a Trilha Funicular, a travessia até Cubatão tem 15 km, passando por 16 pontes e 13 túneis, as pontes estão a 50/60 metros de altura do chão, a trilha muitas vezes passa por mata fechada, tendo muitos espinhos, aranhas e até cobras, por isso é recomendável usar camisa manga longa e calça larga, e caso veja uma cobra pelo caminho, só precisa ter calma e deixar ela seguir seu trajeto em paz, recomendo o uso de lanterna para ajudar a atravessar os túneis. 
       
      A trilha é plana e tranquila de se fazer, não requer muito esforço físico, agora as partes que atravessam a ponte, essas não são tão simples, primeiro porque sempre dá aquele medo, então é comum muitas pessoas travarem na hora e não conseguirem, segundo, as pontes estão bem danificadas, já que elas foram construídas e postas em operação no ano de 1867 e foi desativada entre 1970 a 1980, então a conservação da ponte esta comprometida, a parte de madeira esta podre e em alguns locais, o ferro que da a sustentação, esta bem gasto. 
       
       A situação das pontes não são das melhores. 


      No caminho, atravessamos por 05 pontes na ida, a primeira foi a mais cansativa, por ter todos esses problemas que citei acima, mas conforme você vai fazendo, você vai pegando confiança e segurança, na quarta e quinta ponte já fazia em pé, sem precisar me apoiar em nenhum lugar. 

      A nossa volta, passamos por duas pontes e cortamos caminho para chegar ao novo sistema funicular, dando a oportunidade de ter a visão das pontes de longe.


       
       

      Além das pontes e trilhas, no caminho tem estruturas diversas, como as Casas das Máquinas, esses lugares geralmente são para as pessoas que querem acampar a noite, fazer alguma comida ou dar aquela descansada. 

      Começamos a trilha as 09:00h da manhã e voltamos a cidade as 15:30h da tarde, já que estava ameaçando chover, nosso trajeto foi até a segunda casa das máquinas, que fica depois da quinta ponte, lá tem um ótimo lugar para tirar fotos e apreciar a Serra do Mar, chegando a ver Cubatão ao fundo, muitos vão até a terceira ponte, onde tem a primeira casa das máquinas e um ótimo lugar para tirar fotos também, os mais corajosos vão ate Cubatão. 

       
       Dando aquela pausa na segunda casa das máquinas.


       
      A imponente Serra do Mar ao fundo 
       

      Recomendo que caso você tenha interesse em realizar a travessia ou parte dela, que busque algum guia local ou pessoas que já fizeram e que possam ter ajudar durante a trilha, é de extrema importância ter um apoio, se eu fizesse ela sozinho, sem ter ao meu lado duas pessoas experientes, a situação seria muito mais complicada do que foi. 


      Espero que tenham gostado do relato, para qualquer dúvida só mandar mensagem pelas minhas rede sociais, estou presente no Instagram no rafacarvalho33 e no Facebook no Follow The Portuga.


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    • Por Vgn Vagner
      Sobre o antigo sistema Funicular
       
      Funicular significa "sistema de transporte em que a tração do veículo é proporcionada por cabos acionados por motor estacionário, e frequentemente se utiliza para vencer uma grande diferença de nível".
       
      A SPR (São Paulo Railway), foi a empresa que construiu e operou todo o primeiro sistema, composto por 5 casas de máquinas, 11 túneis e 16 pontes. Inaugurado em 16 de Fevereiro de 1867, teve funcionamento centenário. Tendo que ser desativada em 1982, após um incêndio datado de 14 de Janeiro de 1981, sendo sucedida por outras empresas até 1994. Inicialmente o sistema era para transporte de café entre as cidades de Jundiaí e o porto de Santos. Hoje o primeiro sistema já não opera mais, fazendo parte do Museu Tecnológico Ferroviário do Funicular, mantida pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária.
      Há uma linha paralela atualmente ativa, que opera com um sistema mais avançado, chamado Cremalheira-aderência, inaugurada em 1.974 sob o comando da concessionária MRS Logística S.A.
       
       
      Relato
       
      No início de quando me interessei por trilhas, mergulhei de cabeça nessa história de me envolver com os grupos, ler relatos, me aventurar, coisa e tal. Procurava companhia já fazia meses, e nada de encontrar. Mais continuava entretido no fórum, lendo, e foi em um desses relatos que me empolguei com toda aquela narrativa que excita qualquer novato. Eu lía e re-lía várias vezes a ponto de ficar afiado pra encarar esse desafio quando surgisse a oportunidade, ela demorou a chegar, coisa de um ano depois.
      Time escalado, e lá vamos nós ao "ataque inverso". Por que inverso? Porque os relatos que se tem por aqui, ditam que há uma necessidade de (acampar num dos túneis) pernoitar uma noite para essa travessia, e que é preferêncialmente entrar pela Vila de Paranapiacaba durante a noite para não ser vistos pelos guardas e ter que dar meia volta. Nós fizemos o oposto: entramos por Cubatão, na Rod. Conego Domênico Rangoni às 09:00h, sem nos preocupar com guardas e realizamos a travessia em 1 dia (8h entre pernadas e pausas).
       
      obs.: só fizemos em 1 dia porque era isso que tinhamos como tempo disponível e um dos integrantes do grupo já havia feito o mesmo trajeto. Lembrando que, se não calcular o tempo certo, pode-se correr o risco de ficar pelo caminho no escuro da mata e atravessar os trilhos nas alturas sem visibilidade, aumentando o risco de vida. Atenção hein! Pois a neblina baixa cedo em Paranapiacaba.
       
      Pegamos a Van na estação do Metro Jabaquara por volta de 07:45h sentido Cubatão, no valor de R$25,00 por pessoa, e a danada demorou para sair. Bom para o Thiago, que foi conhecer o Habbib's da região...kkk. O trânsito na Rodovia dos Imigrantes estava livre, e logo chegamos ao viaduto da Rod. Conego Domênico, também conhecida como Piaçaguera-Guaruja. Uma referência da trilha que leva aos trilhos da Funicular. Alí já está o término da travessia para quem desce da Vila e chega ao pátio de manobras dos trens da MRS Logística S.A.
      Sendo aquele local, área privada e tombada como patrimônio, não demoramos muito por ali, há um certo aglomerado de casas nos arredores, e a fama de Cubatão não é das melhores quando o assunto é segurança. Pegamos logo a trilha, que de início achei meia confusa de se "navegar" , por haver várias picadas para todas as direções. Mais bastou achar os cabos de aço estirados no chão e segui-los. Pois esse é o caminho.
       
       
      O cenário aguça a imaginação logo no começo da caminhada, onde a serra foi rasgada para se ter o "planalto" onde subiram e desceram vários trens construindo parte da história do Brasil, e que hoje, resta apenas uma linha férrea abandonada por décadas. E a tanto tempo inativo, todo o sistema ganhou ornamentação natural, deixando tudo o que vemos com uma imagem histórica e/ou envelhecida. A ponte que foi ao chão, ainda tem sua metade suspensa e é tomada pela vegetação, tem lá sua beleza individual e acesso restrito.
      Nos primeiros km's passamos por lugares sensacionais, contornanos a primeira ponte e alguns túneis que oferecem a escuridão como desafio mesmo sob a luz do dia. O incerto te rodeia a todo instante, pois se não tens uma lanterna em mãos, não se sabe onde vai pisar, pode ser em um buraco, como pode ser em uma cobra. O negócio fica tenso.
      Eu já estava ficando intediado de tanto desviar de pontes e varar túneis sem adição de alguma emoção por menor que fosse. O que mais me instigava a estar alí, seria o desafio das pontes, que até então não me surpreendiam vistas ao longe. Mais não tardou muito, e na 4° ponte eu tive minha coragem posta à prova.
      A ponte mais extensa de todo o percurso, conhecida como Ponte Mãe, tem sua estrutura bem, mais beeeem comprometida mesmo, e é parcialmente tomada pela vegetação, só dificultar o caminho. A cena que se vê não é das mais animadoras, pois faz você temer cada passo que será dado em cima daqueles trilhos comidos pela ferrugem, e as madeiras (dormentes) podres esfarelando abaixo de você. A cena assusta hehehe.
       
      E quem disse que deu coragem de encarar tranquilamente? ainda mais indo de pé. Deu um medo da porraaa kkk, e olha que eu não tenho medo de altura hein.
       
      Em ordem e com espaço de um para o outro, seguiram: Diego e Rene (atravessando em pê), Eu, Thiago, Diogo e Terry (com medo, engatinhando nos trilhos como quem não sabe ficar de pé kkk). Tudo muito tenso e cansativo, pois estávamos expostos ao sol forte, mais na verdade, era a adrenalina que fazia o suor escorrer pelo rosto a cada metro avançando. Não é tarefa fácil, você seguir nas alturas, sem segurança, e ainda ficar vendo alguns trilhos balançando e os dormentes (madeiras), que te suportam caírem enquanto você. E pra dar mais emoção, Diego logo anuncia: tem uma cobra aqui (na metada da travessia), mais na verdade eram três cobras enroladas nos ferros. Eu me aprecei pra ver e consegui visualizar apenas duas delas descendo lentamente as barras de ferro sem obstruir nosso caminho. Ainda bem rsrs. Pois seria complicado se estivessem no mesmo nível que a gente, tão alto... aff.
       
      Superamos o 1° desafio creio que uns 20 minutos, porém com segurança e do jeito que cada um se sentiu melhor. Sem pressa, na calma.
      Novos km's percorridos sob o sol forte, calor de rachar. Nossa água (1L cada), acabou rápido. O bom é que temos pontos dágua pelo caminho, que dizem não ser confiáveis devido a contaminação de alguns rios locais, só que não dava para continuar sem se refrescar. Então tomamos da água corrente de alguns desses pontos assim mesmo.
      Eu já estava satisfeito com a superação inicial, até me arrisquei a seguir em pé sobre os trilhos da próxima ponte em diante. E assim foi também com Diogo, menos para Terry e Thiago que realizaram todas as travessias engatinhando nos trilhos. Dou meus parabéns a eles por encararem isso, mesmo tendo medo de altura.
      Conforme subiamos o declive da Serra do Mar, conversavamos sobre toda a engenharia ali empregada, as dificuldades para a construção dos túneis em uma época que não havia tantas "máquinas que fazem tudo" como hoje em dia, e como seria assistir tudo isso em funcionamento.
       
      "em 1.861 foi instalado um acampamento no alto da Serra do mar, que chegou a abrigar 5.000 homens para realizar a construção de toda a linha com seus 11 túneis e 16 pontes".
       
      Próximo ao meio de todo o trajeto já avistamos as primeiras caixas dágua que abasteciam as casas das máquinas, a primeira e segunda de cinco delas, estão inacessíveis devido ao mato ter tomado conta, engolindo quase que por completo esses patamares. O 3° Patamar já é maior, mais visível, porém tem "armadilhas" no solo dificultando o acesso. São valas profundas onde se fazia algum tipo de manutenção nos trens, então é complicado se arriscar e cair num buraco desses.
      Andando um bom tempo depois dali, alcançamos a "cereja do bolo" desse rolê: o 4° Patamar. eita lugar fantástico. E eu pensando que já teria visto tudo o que queria ver nessa aventura (coitado). O 4° Patamar é a principal e maior casa de máquinas, com grandes engrenagens, turbinas, painéis e alavancas que geravam toda força para catracar as composições cargueiras entra o planalto de Paranapiacaba e a Baixada Santista. Localizada abaixo da ponte mais alta e bem conservada de todas (Grota funda), e que termina invadindo o morro por um túnel, o patamar merece admiração em todos os detalhes, pois o lugar te leva a outro plano, outra realidade, como se você estive estrelando em filme que retrata a antiguidade férrea de algum faroeste americano.
       
      O enorme morro a nossa direita é muito íngrime e antecede o Vale do Rio Quilombo, e tem sua vegetação seca e rasteira com rochas em destaque, que fazem lembrar de paisagens internacionais (tipo: Texas, Yugoslávia, Islováquia né Diego? kkkkkkk). E abaixo de nós, um afluente de pequenas quedas que deságuam no vale do lindo Rio Mogi.
      Foi naquela paisagem rica em história que registramos as melhores e mais ousadas fotos. Ainda bem que deu tempo, por que assim que decidimos prosseguir, caiu um forte neblina permitindo enxergar apenas uns 15 mts a nossa frente, no máximo.
       
      Faltava pouco mais de 1h entre as poucas pontes e túneis que restam pra alcançarmos o quinto e último patamar e finalizar nosso passeio.
      O frio já abraçava a Vila quando saimos da trilha. Então fomos tomar aquele cafézinho e chocolate quente para aquecer antes de pegar o Bus para Rio Gde da Serra e seguir rumo a house...rs.
       
      Na Van, indo embora, ouvindo that's my way - Edi Rock part. Seu Jorge, a emoção me abraçou forte, mais tão forte, me trazendo um misto de alegria, satisfação, superação e gratidão pelas companhias e a presença divina, que não resisti, e chorei, chorei bastante enquanto eu recordava de tudo que vive naquele (01/09/2013), domingo abençoado. Só tenho a agradecer.
       
      that's my way and I go
      esse é meu caminho e nele eu vou!
      eu gosto de pensar que a luz do sol vai iluminar o meu amanhecer,
      mais se no manhã, o sol não surgir, por trás da nuvem cinza tudo vai mudar,
      chuva passará e o tempo vai abrir. A luz de um novo dia sempre vai estar
      Pra clarear você, pra iluminar você
      Pra proteger, pra inspirar e alimentar você.
       
      fim.
       
       
      obs.: com muita calma, realizamos em quase 8h de pernada. Se interessou em ir pra lá? estude bem seus medos e as dificuldades que é estar lá, pois é proibido (lei Federal) transitar em linha férrea. Colha o que puder de infos antes de ir e dê preferência de ir com quem já visitou antes.
       
      itens indispensáveis:
       
      1 _ confiança em Deus;
      2 _ não ter medo de altura;
      3 _ luvas (evita ferimentos e Tétano);
      4 _ lanternas (túneis escuros);
      5 _ lanche rápido;
      6 _ 2L de água;
      7 _ boas companhias, rsrs.
       
      boa sorte!
      Agradeço a Deus pela minha proteção e de meus companheiros.
      valeu a pena!!
      abraço.
       
       






       





       





       
       
       
       
       
    • Por Tadeu Pereira
      Salve salve mochileiros!
      Segue o relato com algumas dicas para fazer uma bela trilha onde irão encontrar algumas maravilhosas cachoeiras, belas paisagens e uma natureza fantástica bem perto da cidade de São Paulo e de baixíssimo custo. 
       
       Ida - 10/09/18 - 05h00min - São Paulo x Rio Grande da Serra x Paranapiacaba - Metrô e Trem R$4,00 - Ônibus R$6,90 
         Partindo de São Paulo do bairro Perdizes Zona Oeste, peguei o Metrô na estação Vila Madalena (linha verde) até a estação Paraíso (linha Verde x Azul) para baldear para a linha vermelha seguindo até a estação Sé (linha Azul x Vermelha) onde peguei para a estação Brás (linha Vermelha), para finalmente pegar o Trem da CPTM sentido Rio Grande da Serra que foi nossa primeira parada. O trajeto todo até a primeira parada teve uma duração de aproximadamente 1h30min . Chegando na estação de Rio Grande da Serra, após sair pelas catracas atravessamos a linha do trem e viramos para a direita na rua e depois viramos na primeira rua a esquerda onde tem um ponto de ônibus que leva tanto para a vila de Paranapiacaba quanto para a entrada da trilha que fica a poucos quilômetros de Rio Grande da Serra. O ônibus é do transporte público então é só esperar alguns minutos que logo encosta um. Mas antes de pegar o busão nós aproveitamos e fizemos umas comprinhas nos mercados e padarias que encontramos por ali ao lado do ponto de ônibus, nada de mais, somente alguns pães, água, presunto, queijo e chocolates, pois nossas mochilas não poderiam ficar pesadas para fazer a trilha. Comprados nossos alimentos seguimos para o ponto e em alguns minutos o ônibus chegou. Conversei com motorista antes e pedi para o que nos deixasse na entrada da trilha da Cachoeira da Fumaça e minutos depois la estávamos na entrada da trilha. 
       
        
         
       
       
        Na entrada existe uma porteira de madeira, é só dar a volta e atravessar e seguir reto por esta estrada passando por baixo dos fios das torres de energia elétrica onde existe um barulho da energia correndo pelos fios bem sinistro mas sem perigo nenhum. Passando esses fios ai sim inicia a trilha com muita lama em alguns trechos então o cuidado tem que ser maior para não acontecer possíveis quedas. O inicio da trilha é de nível fácil, a única dificuldade mesmo é a lama intensa, mas aconselho a retirarem os sapatos e irem descalços, assim você não os suja para a volta e ainda sente a incrível energia que a natureza irá colocar nos seu corpo entrando pelos seus pés. É fantástico!
        A primeira parada na trilha foi em uma prainha de água cristalina com uma pequena queda de água, um ótimo lugar para se refrescar e tomar um pouco de sol, ficamos por alguns minutos ali vendo vários girinos e peixinhos nadando naquela água cristalina. Depois de contemplar aquele primeiro paraíso seguimos a diante. A trilha começa a ficar bem fechada mata a dentro, em alguns trechos ela irá cruzar o rio tendo que continuar a trilha do outro lado.

                
       
        Após andar pouco mais de 20 minutos chegamos em um ponto muito legal, a segunda parada da trilha foi em um ponto onde se consegue ver cidades litorâneas como Cubatão, Santos, São Vicente. Um lugar de uma imensidão grandiosa da natureza contrastando a mata e a cidade, ótimo lugar para tirar belas fotos.
       
                
       
        Seguindo a trilha mais a frente por alguns minutos já começamos a ouvir o barulho de água caindo, chegando perto do rio nos deparamos com uma grande queda de água, uma cachoeira linda, com um grande volume de água caindo. Ficamos algumas horas nesse local perplexos com a grandeza de detalhes que a natureza estava nos proporcionando. O banho de cachoeira é quase obrigatório e é de lavar a alma! Fizemos nossa terceira parada e nosso café da manha ali naquele paraíso. 
       
                

       
        Seguindo o curso do rio encontramos a trilha novamente, andamos mais alguns minutos pela mata, mas sempre do lado do rio, foi quando um clareira se abriu na nossa frente nos mostrando aquela imensidão grandiosa da natureza novamente e o rio que estávamos seguindo se transformando em uma queda fantástica, a Cachoeira da Fumaça. Estava ali o nosso destino, uma cachoeira majestosa com uma delicada e ao mesmo tempo brusca queda de água que deixava o lugar com uma sonoridade única. Ficamos horas nesse lugar e ainda demos a sorte de não encontrar muitas pessoas, pois fomos logo depois do feriado de 7 de Setembro numa segundona braba hehehehe. Vantagens de quem tem folga na segunda rs.  
       
                
       
        Foi um momento muito lindo ver aquela enorme cachoeira, aquelas montanhas rodeadas de matas verdes por todo canto e ainda contrastando com o mar ao fundo, sinceramente não estava nos nossos humildes planos toda aquela beleza de uma vez só! Mas a natureza ainda nos proporcionou uma ótima visão desta mesma cachoeira só que de frente. Encontramos alguns caras que estavam acampando por ali perto que nos indicou o caminho. Descemos pelo lado esquerdo da cachoeira por uma trilha bem escorregadia e medonha que levava de frente da cachoeira. Levamos alguns bons minutos descendo essa trilha pois foi de nível médio para difícil. A trilha estava muito escorregadia e de altura considerável então foi meio tenso a descida com as mochilas, mas conseguimos descer depois de alguns minutos e todo o esforço valeu muito a pena. A vista da Cachoeira da Fumaça de frente é de uma beleza ímpar. 
       
       




        
        Algumas horas se passaram com a gente ali paralisados com tanta beleza, contemplamos aquela maravilha até o último momento, foi quando uma névoa cobriu todo lugar deixando a visibilidade muito ruim. Decidimos ir em embora pois estava ficando sem visibilidade por causa da neblina e não gostaríamos de pegar a trilha escura. Por volta das 16:30 arrumamos nossas mochilas e partimos para o retorno. Fizemos exatamente a trilha que viemos e foi bem rápido e tranquila. 
       
      Volta - 10/09/18 - 16h30min - Paranapiacaba x Rio Grande da Serra x São Paulo - Ônibus R$6,90  - Metrô e Trem R$4,00 
        Chegando na rodovia do lado direito tem um ponto de ônibus, então é só caminhar até ele e aguardar pelo ônibus que em alguns minutos irá passar, e foi o que aconteceu, em menos de 20 minutos pegamos o ônibus de volta pra Rio Grande da Serra e finalizamos mais uma fantástica trilha bate e volta com cachoeiras e paisagens maravilhosas bem pertinho de São Paulo. Gratidão! 
        Espero ter ajudado em algumas dicas e fico a disposição para qualquer dúvida. Vlw
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    • Por Kássio Massa
      Olá, galera do Mochileiros!
      Estou postando esta trip que fizemos no último dia 10/07, muito cansativa, porém, igualmente compensadora!! Ao todo, foram cerca de 22km de caminhada.
      Confiram o relato, a seguir!
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      http://rotamassa.blogspot.com/2011/07/pedra-grande-de-quatinga-paranapiacaba.html
       
      Após algum tempo sem retornar à pacata região de Paranapiacaba, programamos, desta vez, um roteiro um pouco mais pesado - na verdade, muito mais pesado...
       
      Saindo de Paranapiacaba e seguindo por 10km, pela antiga Estrada de Taquarussú, passando pelo vilarejo de mesmo nome, avista-se, no horizonte, um enorme granito, de aproximadamente 100m de altura, preso no topo de uma alta montanha, 1120m acima do nível do mar. Esta é a Pedra Grande de Quatinga, já no distrito homônimo de Mogi das Cruzes, mostrando-se imponente em meio à Serra do Mar paulista, de onde se pode avistar a baixada Santista, e mesmo, o centro de Mogi, a 35km dalí.
       
      O caminho é longo - pouco mais que 10km -, em estrada de terra batida que abrange quase todo o percurso, sendo os últimos 2,5km caminhos difíceis e íngremes, inacessíveis a qualquer tipo de veículo.
       

      Nosso guia prático de bolso
       
      Chegamos à vila inglesa por volta das 9h30, o lugar parecia vazio, ao contrário da última vez, porém, havia seguranças controlando as entradas das trilhas próximas dalí, o que me fez presumir que, em instantes, o chamado Expresso Turístico, da CPTM, daria as caras por lá, trazendo assim, os turistas do dia.
       
      Passamos no centrinho da vila para comer algo e nos preparar para o árduo caminho que nos esperava. Tiramos nossas últimas dúvidas com moradores locais, a respeito de nosso destino - Pedra Grande - e assim, seguimos até a estrada de Taquarussú, aproveitando ainda para passar no pátio ferroviário aberto e tirar algumas fotos em frente aos dois 'Locobreques' - antigas locomotivas á vapor, de fabricação inglesa, que operavam no sistema funicular, atualmente, desativado - que estavam alí, jogados aos líquens.
       

      Galera... da esquerda para a direita: Ariel, eu, Finazzi e Thiago
       




       
      Enfim, às 10h30, deixamos Paranapiacaba e adentramos a antiga Estrada de Taquarussú. Este caminho, apesar de pouco divulgado, é ponto de partida para várias trilhas, que dão acesso a cachoeiras, ruinas e outros atrativos ainda pouco explorados e que, por não fazerem parte do município de Santo André, têm acesso livre, sem exigência de acompanhamento de monitores.
       

      No 'portal' da Estrada de Taquarussú... Ariel, Finazzi, Thiago e Gabriel
       


       
      Em 3,3km de caminhada pela estrada, chegamos ao vilarejo de Taquarussí, fundado por imigrantes italianos, no final do século IX. Um lugar de extrema simplicidade, porém, de rara beleza arquitetônica, presente em suas casas e na capela de Santa Luzia. Havia também, um lago cuja água apresentava uma coloração verde-azul descomunal - só foi uma pena não ser permitido nadar, apesar de o nosso mapa ter dado um bom mergulho alí, nos rendendo um bom susto! hawuhawu
       








      Ariel indignado com o incidente hawuwhwu
       

      Nosso mapa de bolso tomando Sol, após ter dado um mergulho no lago
       
      Adiante, andando por mais 3,5km, passariamos no Pesqueiro Truta das Pedrinhas para pedir maiores informações sobre a região. Mas fomos surpreendidos, no meio do caminho, por um riacho de águas cristalinas e calmas, que, não fosse a friaca do Inverno, teria nos convencido a permanecer alí mesmo, dando mergulhos e nos refrescando!
       


       
      Ao chegarmos ao pesqueiro, fomos atendidos pelo dono, que, junto a um grupo de amigos que estavam a passar o dia alí, nos deu algumas dicas sobre o trecho final. Analisamos tudo o que eles haviam dito e vimos que batia perfeitamente com o nosso mapa. Os agradecemos e seguimos em frente.
       
      A partir do ponto de onde já podiamos avistar a imponente pedra, começava o trecho mais difícil e cansativo do roteiro, onde a estrada dava lugar a uma longa subida por um caminho onde dutos de água estouraram, formando um verdadeiro tobogã, onde todo cuidado para não escorregar era em vão! Este caminho nos deixava na entrada da trilha, à direita, ao lado de uma propriedade privada.
       

      Pedra Grande de Quatinga, finalmente à vista!
       


       
      Tudo ia bem, só estava faltando uma coisinha até agora: a gente se perder! E essa hora chegou, quando passamos direto pela entradinha da trilha, sem notá-la, andando adiante, por cerca de 10min, até avistarmos, novamente, a grande pedra, no alto da montanha, porém, ... lá atrás...!
       

      Dez minutos após passar a entrada da trilha para o cume da Pedra Grande
       
      Voltamos e entramos na picada, que nos conduziu ao topo da Pedra Grande. Apesar de faltar apenas 1km agora, este era o trecho mais complicado, uma vez que, finalmente, começariamos a subir, de fato, a montanha. A trilha era inconfundível e sem bifurcações, porém, havia trechos em que a inclinação passava de 65º, o que nos obrigou a escalaminhar ladeiras e a carimbar nossas bundas, diversas vezes!
       
      Foi nessa parte, também, que nossa resistência seria colocada à prova, já que cometemos a grande gafe de não levarmos suprimentos o suficiente - aqui, nossa água e comida acabaram, de vez, nos deixando sedentos e famintos para o resto do dia, o que nos fez correr contra o tempo e a desidratação.
       

      Entrada da trilha da Pedra Grande
       



       
      Aleluiamente, após longas 3h30 de caminhada pela estrada e 40 estonteantes minutos de escalaminhada e escalada pela picada, vencemos a majestosa Pedra Grande de Quatinga! Estávamos, agora, a 1120m de altitude, e, pudemos descansar e vislumbrar a fascinante panorâmica de quase 360º. Da pedra, era possível observar o centro de Mogi das Cruzes, Paranapiacaba, e o grande desnível da Serra do Mar - só não era possível ver o mar devido a uma cerração!
       

      Olhando para Sudeste
       

      Vista para Nordeste
       





      Pico Itaguacira, a Leste, 30m mais alto que a Pedra Grande
       

      Vista para Sudoeste, atrás destas elevações, está a Baixada Santista. Em dias de melhor visibilidade, é possível avistá-la
       









       
      Permanecemos no cume por cerca de 1h, e já era tempo de voltarmos, pois o relógio indicava 16h30, e teriamos que alcançar a estrada até antes de escurecer totalmente. Estávamos cansados, sem água e sem alimento, e ainda teriaamos mais de 10km pela frente, até chegarmos de volta a Paranapiacaba... #fuuu!!!
       


      Descida da montanha, na volta
       
      Descemos às pressas, carimbando nossas bundas novamente, mas conseguimos atingir a estrada de Taquarussú em cerca de 1h. Enfim, veio a noite, mas seguimos sem problemas, pois estávamos em Lua-cheia, o que nos garantiu iluminação natural durante todo o percurso.
       
      A sede e o cansaço nos deixava cada vez mais debilitados ... foram inúmeras vezes as que tivemos que parar em meio à estrada e recompor nossas energias, quase que não surtindo efeito algum... Foi assim até chegarmos á vila inglesa, que, apesar de pequena, pelo nosso desespero em chegar ao centrinho e comprarmos algo para tomar e comer, mais parecia uma metrópole sem fim, onde cada metro se convertia em quilômetro... Eis que se materializou, frente a nós, o famoso Bar da Zilda, que, como um templo, veio a nos salvar! *---*
       
      Recuperados, subimos à parte alta da vila e nos dirigimos ao ponto para pegar o ônibus para Rio Grande da Serra, de onde sairia o trem de volta a Sampa! >> Back home! o/
       
       
      Detalhes da Trip
      Como chegar: a Pedra Grande de Quatinga está localizado em um local de fácil acesso, distante 10km de Paranapiacaba. Basta Seguir pela Estrada de Taquarussú por cerca de 6,5km até o Pesqueiro Truta das Pedrinhas e virar à direita, seguindo o caminho, ignorando as entradas, até a bifurcação, onde se deve seguir à direita, pelo caminho dos dutos. Seguindo por cerca de 200m, á direita, está a entrada da trilha, que é um caminho único, que chega ao cume da Pedra Grande.
      Quanto custa: CPTM(Luz/Brás - R. G. da Serra) - R$2,90; EMTU(R. G. da Serra - Paranapiacaba) - R$2,80
      Importante: é importante que se leve muita água consigo, pois no caminho, há pouquíssima civilização e o percurso todo, de 22km - ida e volta - leva, no mínimo, 6h, em rítmo de caminhada moderado.


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