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Nando Silva

Monte Gozaisho - Japão

Posts Recomendados

Já estive diversas vezes nessa montanha, por isso farei resumo geral, quem se interessar e quiser ver os relatos completos com mais fotos pode acessar meu blog.

 

Monte Gozaisho - Outono

http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2012/06/monte-gozaisho-primavera.html

 

Monte Gozaisho - Congelando na Montanha

http://nandosilvauptothelimit.blogspot.com/2012/07/monte-gozaisho-congelando-na-montanha.html

 

Monte Gozaisho e a Princesa da Primavera

http://nandosilvauptothelimit.blogspot.com/2012/11/monte-gozaisho-e-princesa-da-primavera.html

 

O Monte Gozaisho está localizado no norte da província de Mie, na cadeia de montanhas de Suzuka, na região do Yunoyama Onsen (águas termais). Com 1212 metros de altitude é a montanha mais alta da província e também a mais famosa e visitada dessa cadeia.

 

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A primeira vez que subi essa montanha foi em um passeio com a familia, subimos de teleférico durante o inverno para brincar na neve e escorregar de trenó, no local ainda existe duas pistas de esqui para os que gostam do esporte. Encaramos ainda uma trilha na neve, ao qual eles alugam as raquetes de neve para esta finalidade, porém fomos mesmo é com as botas de borracha comum, sofremos muito no trajeto, mas a diversão foi garantida.

 

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A segunda vez foi durante o outono e depois de ter encarado o Monte Fuji decidi me aventurar novamente em uma montanha, fisicamente ocorreu tudo bem e as trilhas são de fácil acesso e bem sinalizadas, o único problema de iniciante é calcular mau a roupa a ser usada e acabei chegando ensopado no topo, porém a temperatura estava agradável e eu tinha mudas de roupa. A paisagem me decepcionou um pouco no topo, a maior parte das folhas já haviam caído mas o que pude encontrar pelo caminho valeu a pena.

 

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Na terceira vez foi uma verdadeira loucura, sem nenhuma experiência de inverno resolvi encarar a montanha ainda sem neve, novamente com a roupa mau calculada quase congelei no topo, para piorar errei a rota e acabei subindo pela mais dificil na face norte da montanha, a salvação foi o restaurante com aquecedor e comida quentinha que conseguiram me livrar a cara. Depois do sofrimento acabei ficando viciado em montanhas, alguns quando passam por situações extremas nunca mais querem lembra-las, porém comigo acontece exatamente o contrario.

 

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A quarta vez eu já estava calejado e experiente, já havia subido em outros lugares e decidi levar minha filha durante a primavera, ela inocente topou a aventura, pobre coitada, sofreu muito, seguiu até que em um bom ritmo, porém depois que cansou exigiu diversas paradas, no final ela ficou satisfeita e eu muito feliz, como recompensa pelo esforço na subida, descemos de teleférico e tomamos um belo banho nas águas termais da região.

 

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O Monte Gozaisho é muito bonito.

Já fomos algumas vezes, de bondinho é claro, mas ficamos pensando se dava pra fazer trekking lá.

 

E dá pra pernoitar lá em cima?

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Nanda, fazer trekking nessa montanha é super tranquilo, minha filha tinha apenas 10 anos e conseguiu fazer cume. Deve-se tomar cuidado apenas para não errar a trilha, a rota central não é para iniciantes, tem muitas rochas, mais seguro é seguir pelo vale do norte, é o caminho mais longo, porém menos íngreme.

 

No topo não há abrigo e não sei se é permitido armar barraca, passar ao relento pode e no verão deve ser até uma opção divertida. Existe um abrigo no meio da montanha e é uma opção pra quem quer passar o fim de semana por lá..

 

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Se quiser reunir uma turma pra subir é só avisar!!

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    • Por Nando Silva
      O relato a seguir foi extraído de meu Blog, a escalada ocorreu em janeiro de 2013, mais fotos podem ser conferidas no link:
      http://nandosilvauptothelimit.blogspot.com/2013/02/monte-shyaka-o-inferno-branco.html
       

       
      Depois de uma ótima noite de sono, resultado do cansado da escalada do dia anterior, levantei bem disposto e sai para fora de casa para avaliar as condições climáticas. Uma das vantagens de viver em frente a um grande arrozal é que sem construções temos uma ampla paisagem, e a minha por sorte da de frente com as Montanhas de Suzuka. Nuvens escuras pairavam sobre as montanhas e alguns flocos de neve ainda chegavam com o forte vento, porém acima de minha cabeça o céu azul anunciava um belo dia.
       
      Consultei também as previsões do tempo via internet que indicavam um dia aberto, frio e com muito vento. Apesar de o clima em montanhas ser muito instável, com essas previsões estava claro que durante o dia não haveria nevasca. Consultei o Lord se realmente manteríamos os planos, afinal haveria muita neve por lá, ele estava doido para encarar uma montanha nevada e por isso ignorou qualquer consideração que eu fizesse. Então partimos para a montanha sem ao menos saber se conseguiríamos chegar até lá, uma vez que havia neve na pista até na cidade.
       
      Conforme fomos nos aproximando das montanhas a visibilidade melhorou e pudemos avistar diversos picos cobertos de neve desde a base, a pista estava melhor do que podíamos imaginar e sem problemas chegamos a base para começar a subir o trecho mais critico. A pista possuía apenas o espaço de um carro com pouca neve e em meio a patinadas avançamos para o nosso destino, de repente a pista acabou e tudo virou neve, por conta disso tivemos que voltar uns 100 metros para deixar o carro em um local seguro.
       
      Preparamos as mochilas e começamos a subir pela pista até a entrada da trilha, esse trecho é muito confuso, tem chalés, camping e pequenos comércios, tudo fechado durante o inverno. Uma grande placa com um mapa e uma caixa postal ao lado indicavam a entrada da trilha, porém com tanta neve ficava difícil saber pra onde seguir, Lord havia estado ali 15 dias antes com uma turma e eles acabaram errando a entrada e se perdendo, porém com a montanha naquelas condições não podíamos nos dar a esse luxo.
       
      Visualizando uma ladeira que se encontrava na minha frente disse, vamos seguir por aqui, Lord achou uma loucura mas acabou concordando, subiríamos um pouco e se não achássemos o caminho voltaríamos. Iniciamos a subida com neve até nas coxas, romper aquilo em um trecho íngreme como aquele logo nos deixou cansados, pelo caminho achamos uma construção, mas nenhuma trilha que rumasse montanha acima, começamos a descer lateralmente e acabamos voltando em nosso ponto inicial.
       
      Lord indicou que da outra vez que estivera ali eles seguiram mais para cima, então seguindo o raciocínio de que eles haviam errado a entrada sugeri que seguíssemos para baixo, descemos um pouco e lá estava a minúscula placa quase coberta de neve indicando a entrada. Seguimos com neve até o meio das canelas por uma via larga por onde passaria um caminhão, realmente haviam alguns parados mais a frente em uma obra de barragem, atravessamos um riacho e seguimos floresta a dentro.
       
      O Monte Shyaka ou Shyakagatake em japonês, tem quase 1100 metros e é dentre as 7 Montanhas de Suzuka a menos visitada, o acesso não é ruim, porém está em uma região pouco movimentada e possui poucas rotas até o cume. Na rota escolhida seguiríamos por um vale até alcançarmos uma cascata e rumar para o topo, atravessando uma crista e iniciando a descida dando a volta pelo outro lado até retornarmos ao ponto inicial.
       
      Seguindo pelo vale foi sempre aquele zig-zag e sobe e desce, romper a neve virgem que no início era divertido aos poucos foi se tornando estressante, por mais esforço que fizéssemos a subida parecia não evoluir e isso começou a me deixar desanimado. Caminhávamos as cegas por um caminho cheio de pedras e buracos, depois de mais de 2 horas conseguimos alcançar a Cascata Anza, que possui 40 metros de altura, porém parcialmente congelada não exibia toda a beleza que eu já havia constatado em fotos e vídeos.
       
      Continuamos em frente e Lord sugeriu que pegássemos um desvio que levaria para outra rota alcançando a crista, nesse momento eu já estava muito cansado, olhei para aquela subida e tomei a decisão de seguirmos direto para o cume pois já havíamos perdido muito tempo até ali. Escalamos trechos difíceis com muita neve fofa e as cordas no local nos ajudaram e muito, nesse momento ganhamos altitude rápido e já podíamos visualizar o cume, até que chegamos em um paredão.
       
      A partir daquele ponto tivemos que cramponar, enquanto estávamos sentados colocando os acessórios nos pés pensei em abortar a subida, o vento era assustador e a neve havia se tornado tipo sugar powder, comemos um onigiri, bolinho de arroz japonês, e propus ao Lord que seguíssemos ao cume e atravessássemos a crista sem parar para descansar ou comer, afinal estávamos a mais de 900 metros de altitude e uma névoa havia se formado, congelando qualquer coisa que ficasse inerte. Eu estava torcendo para que ele discordasse da minha ideia e assim seria o fim da linha, porém ele concordou e seguimos em frente.
       
      Iniciamos aquele trecho muito vertical tomando o máximo de cuidado, aquela pequena parada havia me feito bem e procurei subir em um ritmo forte para chegar logo lá em cima, porém no meio dessa subida meu gás foi novamente se esgotando e iniciando um terrível sofrimento. Naquele trecho qualquer descuido seria fatal, agarrado a uma corda olhei para baixo, Lord vinha escalando também com grande dificuldade e pude perceber que naquele momento não haveria mais volta e teríamos que nos esforçar no limite.
       
      Alcançamos o topo sabe-se lá como, creio que os Deuses da montanha deram um empurrão. Chegamos ao ponto mais alto que possui 1097 metros e atravessamos a perigosa crista até chegar no ponto que marca o cume a 1092 metros. Estávamos esgotados mas não havia como parar ali, as luvas estavam duras de gelo, o rosto também começou a formar gelo nas sobrancelhas e cílios, o que incomodava bastante, a temperatura era de -8 graus e um vento de 60 km/h, então imediatamente iniciamos a descida.
       
      Imaginávamos pegar menos neve no caminho de volta, porém continuamos atolando na neve fofa e agora ainda tínhamos o forte vento que soprava na crista desprotegida. Comecei a imaginar se teria forças para voltar e me senti como um himalaísta, os pés já não obedeciam mais, na mão direita o bastão frouxo denunciava que não servia mais de apoio nenhum, cabisbaixo começamos um trecho de descida e quando eu olho pra frente vejo um enorme pico que a esta altura parecia gigante.
       
      Lord me indicou que esse era o Monte Neko, então não haveria escapatória, teríamos que escalar ele e ainda encarar mais dois picos que viriam na sequencia. Começamos a subir e desesperado observei se não havia algum lugar para parar ao meu redor, mas não havia, então pedi para o Lord tomar a frente, ele o fez e tentou me apoiar dizendo que vencendo essa subida tudo seria mais fácil, mas infelizmente o meu corpo não respondia e assim como um bêbado chega em casa sem se lembrar como, eu cheguei ao topo dessa montanha.
       
      O sol começava a baixar e passamos a acelerar a passada na descida, mais uma subida em um pico que nem recordo o nome e continuamos descendo até alcançar o Pico Hato. Ainda faltava muito, mas ter chegado ao fim daquela crista nos dava uma sensação de vitória, até paramos e sentamos uns 2 minutos no pico rochoso, presenciar rochas sem neve parecia um alívio e o pior já havia passado, porém a iluminação natural agora era nossa inimiga.
       
      Retomamos a descida por uma canaleta que levaria a um vale, os crampons que tanto nos ajudaram agora começaram a atrapalhar, paramos para tirá-los e na sequencia não parávamos de pé. Comecei a me atirar de bunda para agilizar a descida, algo que não foi muito agradável devido ao solo rochoso e irregular. Chegamos no vale e novamente me lembrei do Himalaia, a trilha cruzava um riacho e tivemos que nos arremessar como se estivéssemos pulando uma greta, era isso ou encarar a água gelada.
       
      A trilha passou a ter pegadas humanas, provavelmente alguém passeou por ali sem adentrar a montanha, começamos a segui-las sem prestar muita atenção no caminho, até que uma hora misteriosamente as pegadas sumiram. Sem ter prestado atenção no caminho ficava difícil determinar pra onde ir, Lord indicou algumas pegadas, mas provavelmente eram de macacos, então escolhemos uma direção e continuamos descendo onde logo encontramos o caminho de saída da trilha.
       
      Já sem sol algum, minhas mãos começaram a congelar, então comecei a perceber o sentido de ser derrotado pelo frio. Você não perde para o frio somente por ter passado frio, ele nos fez não parar pra descansar, não parar para comer, fez nossas bebidas ficarem dentro da mochila para não congelar, e depois sem descansar nem comer a exaustão chega e até tirar uma garrafa de água da mochila parece ser um esforço além do possível, aí vem a desidratação, bom aí o frio já te venceu e pronto.
       
      Depois de levar alguns escorregões andando pelo asfalto congelado alcançamos nosso carro, arremessei minhas coisas no porta malas e tomei a direção, Lord ainda demorou um pouco para adentrar no veículo e quando o fez o nosso humor parecia não querer comemorar coisa alguma, estávamos exaustos, sujos e famintos, andamos um tempo em silêncio até que começamos a fazer comentários e dar algumas risadas, como conseguimos vencer aquele paredão? Acho que não tem resposta, mas tenho certeza que se fosse um exame, teríamos passado de nível.
       

       
      Ps.: Durante a noite eu não consegui dormir e tive um pouco de febre, o Lord ficou com febre por 3 dias e não quer ver uma montanha nevada tão cedo.
    • Por Nando Silva
      Esse é mais um relato antigo extraído do meu blog, em mais uma escalada solo me aventurei sem nenhum mapa, gps ou ferramenta de orientação.
       

       
      O inverno estava em seu fim e com isso as geleiras das montanhas vão desaparecendo gradativamente. Já estava ansioso para uma nova subida e de minha casa já podia visualizar que os picos já não possuíam mais neve em excesso e uma folga no meio da semana me inspirou ainda mais.
       
      Pra começar fui pesquisar sobre as montanhas da região e diversos sites e blogs contém inúmeras informações sobre essas montanhas, o difícil é conseguir entender o que está escrito. Já havia ouvido falar das 7 Montanhas de Suzuka, porém se quer sabia quais eram e por que esse nome sendo que apenas uma delas fica localizada na cidade de Suzuka.
       
      O nome se dá devido as montanhas estarem situadas em um parque nacional do mesmo nome e é comum as pessoas se referirem as montanhas apenas como Suzuka. Uma dessas montanhas era o Monte Gozaisho e como já havia feito cume duas vezes decidi escolher outra e determinar o meu modesto porém importante desafio dos "7 cumes".
       

       
      O escolhido foi o Monte Kama ou Kamagatake em japonês, esse monte é a primeira montanha ao sul do Gozaisho e é possivel iniciar a escalada na região do Yunoyama Onsen, de onde eu já havia iniciado minhas subidas no Gozaisho. O maior desafio era subir em uma montanha pouco movimentada e sem mapa, dependendo apenas da sinalização local.
       
      Comecei a subida as 10 horas e logo de cara acabei desviando da rota planejada e mesmo assim continuei subindo as placas que apontavam o topo da montanha. Com uma rota pouco íngreme passei por diversas cachoeiras porém se quer conseguia avistar a montanha. Depois de quase uma hora caminhando finalmente tive certeza de estar no lugar certo, avistei o belo pico e encontrei também algo que eu não desejava ver, neve.
       
      Apesar da neve no caminho a subida estava tranquila, pois o acumulo se dava somente em pequenos vales e um pouco de atenção para não escorregar ou levar um bloco na cabeça nessas partes já era suficiente. Próximo do cume a rota que eu estava se dividia em duas e uma marcava que somente montanhistas experientes deveriam segui por ali, fiquei atentado mas segui pela outra rota mesmo.
       

       
      Nesse caminho peguei uma pirambeira desértica de areia e rochas soltas que fizeram a temperatura subir, saindo desse trecho mata fechada ingrime e com neve dificultaram um pouco mas não impediram que eu chegasse ao cume as 11:55.
       
      O Monte Kama tem 1161 metros de altitude e mais de 700 metros de proeminência, é um verdadeiro pico com um trecho de terra bem pequeno no cume, onde possui algumas rochas e um pequeno Santuário Xintoísta. Devido a esse espaço apertado a visão do topo é fantástica podendo se visualizar boa parte dessa cordilheira.
       

       
      Essa foi uma subida solitária, pois não encontrei ninguém na montanha e mesmo no cume onde normalmente se encontra alguém o silêncio parecia perpétuo. Diante desse cenário, pude escolher a melhor visão para o meu lanche e desfrutar o belo sol do meio dia no fim do inverno, afinal depois de mais de 3 meses eu novamente podia ficar apenas com uma camiseta de mangas curtas.
       
      Depois de 40 minutos observando a paisagem do cume iniciei a descida com alguns escorregões e com uma coisa que estou me tornando especialista, sair da rota! Depois de um tempo caminhando já na parte baixa da montanha não tinha certeza se já havia passado ali na subida ou não, até encontrar uma torre de energia, essa eu tinha certeza de que não estava no caminho de ida.
       

       
      Ouvindo o barulho da água me guiei até a cachoeira e de lá segui pra baixo até encontrar uma rota de saída, o que foi razoavelmente fácil não fosse o fato de ter saído mais abaixo do lugar onde havia deixado o carro e ter de subir novamente caminhando pela pista até ele.
       
      Na volta cansado e todo suado resolvi conhecer as casas de banho do Yunoyama Onsen. As águas termais dessa região são muito populares no Japão, porém eu nunca havia ido a nenhuma e ficava meio envergonhado com o fato de ficar completamente nu com vários homens dentro de uma piscina de água quente.
       

       
      Tomei coragem e entrei em uma ainda receoso por ter ouvido relatos de que alguns estabelecimentos não permitem a entrada de estrangeiros. Fui super bem recebido e me explicaram direitinho como funcionava a casa. Na entrada do banho algo que eu já havia receio se comprovou, ao ver o rosto de um ocidental como eu, logo eles olham pra outra coisa que vocês sabem o que é! Não me importei com isso e procurei descansar e relaxar da melhor maneira possível, ficando totalmente satisfeito pois aquele banho me deixou zerinho novamente.
       

       
      As 5 montanhas restantes que me aguardem!
    • Por Nando Silva
      Essa travessia ocorreu em fevereiro de 2013, mais fotos nos links do blog e facebook:
       
      http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/03/monte-fujiwara-travessia-invernal.html
       
      http://www.facebook.com/media/set/?set=a.602028183147669.150100.100000214779467&type=1&l=fcb417d63e
       

       
      Monte Fujiwara - Travessia Invernal
       
      Durante a grande reunião anual do Suzuka Hiking Club, ficou decido que na semana seguinte haveria uma travessia no Monte Fujiwara. Taro que seria o líder dessa travessia me perguntou se eu estava dentro, disse que ainda não sabia se participaria, ele insistiu e confesso que ainda estava com um pé atras depois do que havia passado no Monte Shyaka. Ele me tranqüilizou e disse que seria diferente, pois aquela era outra montanha e com uma rota bem diferente.
       
      O Monte Fujiwara é a primeira das 7 montanhas de Suzuka no sentido Norte/Sul, com 1144 metros de altitude no ponto mais alto, essa montanha possui um topo bem extenso com diversos picos porém sem cristas, o que no inverno torna o topo um grande maciço reluzente, atraindo milhares de montanhistas que pretendem subir montanhas nevadas porém sem grande dificuldade.
       

       
      No dia que antecedeu a travessia uma frente vinda do Sul trouxe muita chuva, o que chegou a ameaçar a subida, porém o tempo melhorou e recebemos a confirmação com horário e local a se encontrar. A vantagem de ter chovido é que boa parte da neve situada na parte baixa da montanha haveria derretido e isso tornaria a subida menos cansativa do que encarar neve logo na entrada da trilha, a desvantagem é que o que sobrou da neve estaria dura e escorregadia.
       
      Cheguei com antecedência no estacionamento onde parte a trilha, depois de alguns minutos percebi que poderia estar no lugar errado, como ainda não compreendo os ideogramas japoneses muito bem, muitas vezes acabo me atrapalhando, porém consultando o que estava escrito no email e no local, tive certeza de estar no lugar errado. Liguei para Taro e disse onde estava, ele me confirmou que o ponto marcado não era ali, porém que eu poderia aguardar no local pois partiríamos dali.
       

       
      Enquanto aguardava, encontrei outro membro do grupo que me perguntou se o local de encontro estava certo, dei a noticia que estávamos errados porém poderíamos aguardar ali, pelo menos um japonês também havia errado como eu. Depois de alguns minutos chegaram mais sete pessoas e nos juntamos a uma mulher de fora do clube que faria a sua primeira experiência.
       
      Todos prontos com suas mochilas nas costas, que alias dessa vez estava bem pesada, com os itens básicos e fogareiro, panela, crampons e ainda as raquetes de neve amarradas do lado de fora. Recebemos um mapa e orientações de Taro explicando a rota, pois com a neve dura alguém poderia escorregar e acabar se perdendo dos demais. Seriam 14 km em apenas 1 dia sendo boa parte com neve, eu achei a rota meio longa, uma vez que três participantes nunca haviam subido uma montanha nevada, porém havia um plano B.
       
      Adentramos na trilha com muita lama, a rota não apresentava dificuldades, a única coisa que torna o Monte Fujiwara severo é o fato de serem quase 1000 metros de proeminência, sem nenhum descanso, é para o alto e avante. Passados alguns minutos a maioria do grupo estava pingando suor e tiveram que eliminar camadas, eu preferi passar frio no começo a cozinhar durante a subida.
       
      Quando passamos do 6º estágio, a trilha passou a ter gelo que foi aumentando até chegarmos no 7º e ocorreram muitos escorregões. Conforme nos aproximamos do 8º estágio, a neve se tornou espessa tingindo todo o chão de branco. Fizemos uma pequena pausa para recarregar as energias e depois seguir direto para um abrigo situado no topo da montanha, onde pretendíamos fazer a nossa refeição.
       

       
      Seguimos por um trecho que eles chamam de rota de inverno, pois não é usada em outra época, a neve estava dura e quebradiça, o que fazia com que muitas vezes ficássemos com os pés atolados em um buraco e aumentando o risco de lesões. Quando saímos de um bosque e entramos em uma grande rampa de neve a situação melhorou, então ganhamos velocidade e rapidamente chegamos ao abrigo.
       
      O local estava lotado de gente e resolvemos retardar o almoço e seguir para o cume, calçamos as raquetes e iniciamos uma descida para depois subir outro trecho. Soraya tomou a frente e alguns o seguiram, inclusive eu, pegamos um trecho muito íngreme e com muito vento, quando estávamos na metade e exaustos ele apontou para o lado dizendo que aquela era a rota certa, ali Taro e mais dois membros do grupo subiam com tranqüilidade, sofremos um desgaste desnecessário, porém chegamos ao cume antes dos demais.
       
      No cume pudemos apreciar a belíssima paisagem de inverno, faltou uma geada, mas nem tudo é perfeito e acertar o dia com tudo perfeito é coisa rara. Os grandes vizinhos Monte Oike e Monte Ryu pareciam tão próximos que dava até vontade de seguir pra lá. Alguns minutos ali, fotos individuais, fotos com o grupo e partimos de volta para o abrigo, pois já havia gente reclamando de fome.
       

      Photo by Taro - Suzuhai
       
      Esse trecho foi o mais divertido pois a descida parecia uma pista de esqui, então todos passaram a escorregar de bunda, as mulheres mais leves e com mochilas menores obtiveram grandes performances, eu com a mochila muito pesada e aquele apetrecho gigante nos pés não obtive muito êxito, porém passados 20 minutos e lá estávamos nós de volta ao abrigo, que aliás parecia estar mais cheio ainda.
       
      Diante desta situação, resolvemos não perder mais tempo e comer ali fora mesmo, a temperatura não era muito agradável, porém o sol fazia a sensação térmica melhorar consideravelmente. O brilho solar na neve era tão intenso q mau enxergávamos as chamas do fogareiro, comemos comida quentinha, com direito a ovo cozido distribuído por Gabi e ainda uns bolinhos doce, cortesia de Choke. Ficamos ali sentados jogando conversa fora até que levantamos acampamento pois a rota inicial seria seguida.
       

       
      Começamos uma grande travessia até o outro lado do topo, passamos por mais dois picos até que chegamos em uma planície com uma vista privilegiada, do local pudemos avistar diversos picos nevados, alguns a centenas de quilômetros de distancia, ao Norte o Monte Ibuki e o grande Monte Haku, a leste montanhas de mais de 3000 mil metros como o Monte Ontake e os Alpes do Centro, faltou o Monte Fuji, mas eu já estava satisfeito.
       
      Iniciamos a descida pela face norte da montanha, como haviam trechos de terra a maioria de meus companheiros seguiu somente de tênis, porém uma neve extremamente dura e escorregadia anunciava o perigo em um trecho bem íngreme, foi então que Fumifumi caiu em um buraco, ao tentar sair dele acabou escorregando e seu corpo girou de cabeça para baixo começando a deslizar sem controle, disparei na direção dela e não teria obtido sucesso caso uma árvore no meio do caminho a obstruísse sem causar danos, ajudei ela a se levantar e meio grogue ela continuou a descida.
       
      Um pouco mais a frente novo contratempo, em um trecho com uma bifurcação de 2 vales, Gabi deixou sua garrafa térmica escorregar bem no caminho que não seguiríamos, eu sugeri que ela abandonasse, mas como ela queria muito aquilo eu e Choke descemos até lá pra tentar o resgate, quando já dávamos certo que não acharíamos eis que ele acabou encontrando a garrafa em um buraco junto a uma árvore, pura sorte e a partir disso o duro foi sair daquele vale já muito cansado.
       
      O sol começou a baixar e voltamos a caminhar na lama, enfrentamos trechos muito acidentados e com erosão, o que acabou retardando um pouco a descida, porém ainda com luz natural alcançamos a estrada. Caminhamos um trecho até chegar ao local onde a maioria havia deixado o carro, deixamos a carga lá e fomos tomar um café com direito a lareira e pão assado no forno a lenha, que serviu para fechar com chave de ouro esta travessia.
       

    • Por Nando Silva
      Uma programação de última hora incluiu no mês de abril uma escalada ao Monte Sen, ou Sengatake em japonês, com 961 metros de altitude, essa é maior elevação de cidade de Kameyama e fica localizada no Sul da Cordilheira de Suzuka. Eu já havia cogitado subir essa montanha no último outono, o que acabou não se concretizando, por isso achei uma boa oportunidade para conhece-la. Minha ideia era de levar minha filha Kaori junto, por isso consultei o líder Taro para saber se a rota era tranquila, ele me informou que a trilha era variável e se ela não tivesse medo de altura não haveria problema.
       
      Com tudo preparado, no dia anterior a escalada recebo o e-mail de confirmação onde ele informava que o terreno era íngreme, além de possuir rochas e cachoeiras. Isso me deixou um pouco com um pé atrás com relação a Kaori, porém como em montanha Taro tem a minha total confiança, imaginei que ele sabia bem o que viria pela frente, e estaria preparado para qualquer contratempo.
       
      No dia marcado nos encontramos no pé da montanha em um vilarejo de Tanada, tipo de plantação de arroz em degraus, aguardamos em um estacionamento enquanto um grupo foi levar 2 veículos para fazer o resgate de volta, nesse caminho eles acabaram se perdendo, o que nos fez aguardar por mais de uma hora sob uma brisa gelada e consequentemente acabou atrasando um pouco o inicio da subida.
       

       
      A trilha começou em um ritmo bem leve, praticamente um passeio no bosque, caminhamos uns 20 minutos até que saímos daquela trilha e adentramos em uma rota pouco usada, neste trecho enfrentamos uma descida íngreme e atolamos muito em uma mistura de folhas, galhos e lama. Depois daquela descidinha desagradável alcançamos uma corredeira, e era por ela que seguiríamos por um longo período.
       
      Depois de muito atravessar de um lado para o outro chegamos em uma cascata, paramos para descansar com a bela paisagem e o som da água correndo. Taro chamou Kaori e lhe colocou um cinto de escalada, daquele ponto em diante ela seguiria encordada, o problema é que logo de cara teríamos que subir a cachoeira lateralmente, Taro subiu com a corda mas desistiu e alterou um pouco a rota que continuou difícil e algumas pessoas ficaram presas no meio, no final quem já estava no meio teve que seguir e um outro grupo precisou desviar o caminho.
       

       
      Nós desviamos o caminho e não sei o que foi pior, demos uma volta subindo e depois tivemos que descer um trecho íngreme e escorregadio até encontrar o resto do grupo. A partir daquele ponto não tivemos mais vida fácil, a subida se tornou difícil e tive que ir puxando Kaori por uma corda, o que aos poucos foi me deixando exausto.
       
      Com os contratempos e atrasos, Taro decidiu antecipar o local do almoço e paramos assim que alcançamos um vale mais aberto, porém ele mudou de ideia e decidiu seguir mais um pouco e parar em um pico que já estava próximo. Seria perto não fosse a pirambeira que tivemos que enfrentar e assim que alcançamos a crista ainda teve um trecho com correntes para vencer as rochas que levavam ao topo do pico.
       

      Photo byTaro - Suzuhai
       
      Aquele pico não era o que se pode chamar de muito aconchegante e acomodar 10 pessoas no local não foi tarefa muito fácil. Ficamos ali por cerca de 40 minutos e apesar da temperatura agradável o Sol incomodava um pouco, a vista fantástica que se teria no local para mim foi substituída por uma enorme rocha postada a minha frente, que além de cobrir minha visão, ainda bloqueava a agradável brisa que soprava.
       
      Com baterias recarregadas veio a crista rochosa que parecia infinita, a cada nova elevação Kaori me perguntava se aquele era o topo da montanha, mas para o desanimo dela este demorou a vir. Aos poucos o grupo foi se dispersando, para ela começou a faltar perna e para mim braço para puxa-la, mas a vida na montanha é assim, você se esforça para receber um premio e ele vem em forma de cume, desta vez não foi diferente e apesar da dificuldade lá estávamos nós.
       

      Photo byTaro - Suzuhai
       
      Kaori estava feliz e exausta, paramos para descansar um pouco mas a desvantagem de seguir no pelotão de trás é que você sempre vai descansar menos que os outros. Desta vez pelo menos o caminho de volta seria mais curto, porém para alcançar os carros que fariam o resgate teríamos que atravessar para a montanha do lado.
       
      Continuamos seguindo pela crista e palavras de incentivo já não faziam mais efeito para ela que sentava cada vez que alguém parava para observar a paisagem ou fotografar. Desta vez carreguei peso dobrado e ainda fiquei com sede, pois tive que ceder toda minha água para que ela se mantivesse firme, ao final da crista nova subida para alcançar a pista, creio que pra ela foi o trecho mais difícil, tivemos que parar 3 vezes e cheguei lá em cima com a língua no pé, pois usei todo gás que me restava para ajudar ela a subir.
       

      Photo byTaro - Suzuhai
       
      Exausto fiquei largado na pista enquanto foram buscar os veículos, então me lembrei que havia um bolo de fubá que minha esposa havia preparado na mochila e carreguei desnecessariamente por toda a travessia, distribui para todos e não conseguia explicar do que era feito aquele bolo, mas isso não importa, o importante foi que acabamos fazendo um lanche da tarde ali mesmo sentados no canto da pista.
       
      Ao final seguimos para o estacionamento e Kaori indagada se voltaria para novas investidas me surpreendeu respondendo que sim, eu estava imaginando que ela nunca mais ia querer olhar para uma montanha. O mais impressionante é que no dia seguinte eu estava com dores até no cabelo enquanto ela estava inteira, sem qualquer fadiga. Que venham muitas outras montanhas pela frente!
       
      ***Mais fotos nos Links:
       
      Blog:http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/05/monte-sen-o-retorno-da-princesa-da.html
       
      Facebook:http://www.facebook.com/media/set/?set=a.637522286264925.1073741825.100000214779467&type=1&l=a633381cfc
       
      Youtube:

    • Por Nando Silva
      Com a finalidade de concluir os 7 Cumes de Suzuka, eu havia prometido pra mim mesmo que não repetiria escalar a mesma montanha por pelo menos 6 meses, porem quando surgem boas oportunidades de uma nova travessia não podemos ignorar. Foi exatamente o que acabou acontecendo e o calendário do Clube acabou me empurrando para uma nova travessia no Monte Amagoi.
       
      Takeyan faria sua estréia como líder do Suzuhai e propôs uma rota bem interessante que acabou me seduzindo. A subida começaria do lado totalmente oposto ao que eu já havia subido, encarando uma grande crista e chegando ao pico sul da montanha, onde eu ainda não havia pisado antes, em seguida rumando para o pico principal, atravessando pela face norte e iniciando a descida.
       

       
      Durante a semana a previsão do tempo ameaçou a travessia e no sábado ainda indicava a possibilidade de chuva, porém como todos os participantes concordaram em subir com aquela previsão, todo o planejamento foi mantido. As 7 horas de domingo nos encontramos no Camping Uga e seguimos em apenas dois carros por um trajeto de serra que demorou cerca de 1 hora até a entrada da trilha, e ao contrário do que acontece com a rota do outro lado quando começamos acima dos 800 metros, dessa vez iniciaríamos abaixo dos 500 metros.
       
      Logo na entrada da trilha uma placa de ¨boas vindas¨ indica para se tomar cuidado com a presença de ursos, a trilha segue um bom trecho aberta, pouco íngreme e sem obstáculos, esse caminho era usado no período Edo (1615-1868) e fazia a ligação entre a antiga capital Kyoto até a cidade de Nagoya e o leste do arquipélago. Uma região também marcada por conflitos pois os 2 maiores clãs ninja, Iga e Kouga faziam divisa com essas montanhas.
       

       
      Quanto esse caminho leve termina, adentramos em uma floresta com diversas arvores centenárias gigantescas, então seguimos beirando uma pequena corredeira que com o caminho pra lá e para cá foi responsável por alguns acidentes. Quando a água termina entramos em um grande vale com um visual espetacular, mais alguns metros de caminhada e nosso sossego terminava, era hora de subir e olha que subida!
       
      Para alcançar a crista encaramos mais de 300 metros verticais, além de íngreme, sem descanso. Nesse momento a diferença física valeu muito, o pessoal mais acostumado a montanha disparou na frente, eu fiquei sozinho no meio enquanto Gabi e You vinham lá atrás com muita dificuldade sendo amparadas por Taro. Depois de muito suor a recompensa, chegamos a bela crista que possui uma paisagem exuberante, onde é possível observar diversos picos como os montes Watamuki e Kama, além claro o cume do Monte Amagoi.
       

       
      Depois de um breve lanche retomamos a subida seguindo a crista, encaramos um trecho de campo livre, um pouco de rocha, e de repente entramos em uma mata de capim muito alto, onde a ordem era seguir pra cima e se orientar com os gritos dos outros. A situação realmente ficou feia nesse trecho, em meio a um capim de 2 metros com lama e neve teve gente que se desesperou, mas logo alcançamos o pico Sul da montanha e fizemos nossa parada para o almoço.
       
      Ficamos cerca de 1 hora parados e depois do almoço ainda teve quem tirou um cochilo. Sem vento algum a temperatura estava agradável, porem o sol parecia querer tostar os presentes. Depois do descanso era hora de chegar ao cume e tivemos novamente aquele capim maldito como obstáculo, com a diferença que agora tínhamos muita neve mole nos pés. Depois de romper o capim ainda tivemos que vencer algumas arvores com galhos muito baixos para finalmente chegar ao cume, e lá estávamos nós nos 1238 metros da montanha.
       

       
      Do pico principal se tem uma bela visão do pico Leste que aliás é mais visitado, parece tão perto que quem nunca esteve presente no local sugeriu ao líder que fossemos até lá, porém Takeyan decidiu não comprometer o nosso tempo mantendo o planejamento inicial. Na saída do cume observamos o lago Amagoi, que mais parecia um mangue de gelo e neve, alias na outra ocasião que estive ali nem havia notado a presença do mesmo.
       
      Segundo uma lenda da região é ali naquele pequeno lago no topo da montanha que ¨vive¨ o Deus Dragão, ou Ryujin em Japonês, o dragão no Japão está relacionado com corredeiras e cachoeiras e em certa época de seca, foi feita uma prece pelos agricultores da região para que Ryujin mandasse água para eles, daí também saiu o nome da montanha, os ideogramas de Ama e goi representam uma prece por chuva que seria enviada pelo Deus Dragão.
       

       
      Depois da aula de mitologia seguimos para face norte da montanha, com neve no caminho a coisa ficou um pouco mais difícil, como não seria um trecho tão longo de neve decidi não colocar os crampons e me dei mau, depois de um escorregão tentei desviar o corpo para não atingir outra pessoa e comecei a deslizar sem parar, tentei em vão abraçar a neve que não estava tão mole assim naquele trecho, então percebi o galho de uma arvore tocar minha cabeça e por sorte consegui me agarrar a ele.
       
      Foi difícil me colocar novamente de pé e normalizar a respiração depois de um susto daquele, por sorte deslizei pouco mais de 10 metros mas poderiam ter sido mais de 100 metros e sabe-se lá quantos ossos quebrados. As pernas ficaram bambas e terminei aquele trecho com muita dificuldade, por mais que os outros repetissem exaustivamente para que eu me mantivesse mais ereto o meu corpo agora com medo parecia não querer obedecer.
       

       
      Com o fim do trecho de neve fizemos nova parada, em um local indicado para acampamento haviam meia dúzia de mochilas cargueiras largadas no local, seus donos provavelmente estavam rumo ao cume e imaginem largar os equipamentos dando sopa assim em alguma montanha da América do Sul. Daquele trecho em diante seguimos muito rápido pra baixo até encontrar uma corredeira e fazer uma nova parada, dessa vez com direito a chá da tarde.
       
      Seguindo novamente para baixo, encontramos o caminho de onde havíamos iniciado a subida e agora na volta aquele longo caminho parecia infinito. Aproveitei para dialogar em espanhol com Gabi que queria saber mais informações sobre o Brasil, onde ela pretende visitar um dia. Terminada a trilha era hora de voltar pra casa, mas antes paramos em uma vinícola famosa da região onde quase todos compraram vinhos e os levaram para relaxar em seus lares.
       



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