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Polinésia Francesa - Uma viagem quase econômica


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De todas as viagens que já fiz, esta foi a primeira que planejei com bastante tempo de antecedência. Nem a minha viagem de 7 meses pela Ásia eu planejei com tanto tempo ( planejei 3 meses antes rs) ::hãã2::

 

Tudo começou quando eu zapeava pelo site da LAN a procura de alguma passagem que eu pudesse emitir por milhas. Sempre busquei o que fosse mais vantajoso e por sorte, ou o que seja, topei com passagem para Papeete por 110.000km lan, o equivalente a 70.000 milhas. A mesma quantidade de milhas pra ir pra Europa. O custo de passagem pra Europa é de ao redor de 1.000 dólares, enquanto para o Tahiti, o mínimo era de 2.000 dólares. Não pensei 2 vezes, corri pra ver quanto tinha de milhas na Lan e o quanto no meu cartão de crédito que permite transferir pontos para o LANPASS. Vi que tinha o suficiente, mas ainda tive que comprar uma pequena diferença em kmLAN. Porém mesmo assim era vantajoso: o valor pago final, com as taxas e km foram de USD 440! A única coisa é que a passagem foi emitida com 10 meses de antecedência. A minha única preocupação era não ter nenhum contratempo até a data da viagem e felizmente tudo deu certo.

 

O itinerário do voo ficou assim:

GRU- SCL- PPT com parada em Ilha de Páscoa.

PPT-SCL-EZE-GRU. Na volta tive que ficar da meia noite até as 5:35h esperando o voo de EZE pra GRU. Mas o aeroporto de EZE até que estava movimentado, com duty free e alguns restaurantes e lanchonetes abertos. O total de voo da ida foi de cerca de 22h e a volta mais longa, mais de 24hs, devido ao tempo de espera entre as conexões.

Seis meses antes da viagem comecei a ler sobre o destino e a pesquisar pra quais lugares ia. Depois de muita leitura e pesquisa, decidi pelas ilhas de Moorea, Huahine, Raiatea e Taha e Bora Bora. A ilha de Tahiti eu iria pra lá de qualquer maneira, pois todos os voos internacionais chegam e saem de lá.

Depois de decidido as ilhas, fui pesquisar os voos e a Air Tahiti tem alguns passes interessantes que barateam os custos. Comprei o passe para voar entre as ilhas Societys ( Tahiti, Bora Bora, Moorea, Huahine e Raiatea). O valor do passe saiu a usd 480. Outra maneira mais econômica era usar os ferries entre as ilhas. O mais frequente é o ferry entre Papeete e Moorea, que opera diariamente, várias vezes ao dia. Para outras ilhas o ferries saem poucas vezes na semana. Para quem tem muito tempo e flexibilidade os ferries podem ser uma boa alternativa.

 

De um modo geral os custos ficaram razoáveis, pois muitos consideram a Polinésia Francesa um lugar muito caro. Mas viajando por lá, percebi que algumas coisas não eram tão diferentes do Brasil. O tour de dia inteiro, por exemplo, custavam em torno de 80-100 dólares com almoço incluso. Eu ouvi gente falando que no NE do Brasil os passeios estavam saindo em torno de 200-300 reais. Ou seja, estava até equiparado com o preço na Polinésia.

O roteiro ficou basicamente, com média de 3 dias em cada lugar:

Tahiti ( Papeete)

Moorea

Huahine

Raiatea e Tahaa

Bora Bora

 

Transporte entre ilhas

 

A air Tahiti tem várias combinações de passes. Escolha quais ilhas quer ir e veja qual é o mais apropriado.

Entre as ilhas um meio de transporte mais econômico é o ferry. Entre Tahiti e Moorea há ferries diários, várias vezes ao dia. O percurso é rápido, cerca de 30min, no ferry expresso ( Aremiti 5). Não pegue outro ferry, como o Aremiti, porque este não é expresso e demora mais tempo. E as vans e ônibus coletivos somente vão o porto para pegar passageiros quando é a chegada do Aremiti 5. Custo da passagem de ferry 1.500 francos.

De Papeete sai um ferry semanal, que passa por diversas ilhas do arquipélago das Societies: Huahine, Tahaa, Bora Bora, etc. Me parece que este circula 3 vezes na semana. Para os outros arquipélagos, como Tuamotu, Marquesas, etc, também há ferry, mas acredito que não sejam tão frequentes.

Leve em consideração que ali nem tudo é pontual. Pode haver problemas e atrasos, então tenha bastante flexibilidade de tempo se quiser usar os ferries e até mesmo os aviões, no caso do ferry até dias.

 

Como circular

 

As ilhas da Polinésia tem um problema com transporte coletivo. É quase inexistente, com exceção de Papeete e alguma coisa em Moorea.

Pra quem quer comodidade e conforto há a opção de alugar carro. Um carro por meio período deve estar em torno de 6.000 francos + gasolina. Pode ser alugado na chegada do aeroporto ou ferry.

Em Papeete há ônibus coletivo, mas funciona com certa frequência até umas 18h, depois já se torna raro. A segunda opção é taxi, mas caro.

Em Moorea os ônibus coletivos circulam a ilha seguindo o horário de chegada do ferry (Aremiti 5) vindo de Papeete. Custo da passagem em torno de 300 francos.

Há vans de agencias de turismo que vão pegar passageiros que reservaram antes, mas se tiver lugar sobrando eles também pegam passageiros sem reserva. Custo, depende. Na reserva me falaram 1000 francos, mas acabei pagando só 500 francos, quase o mesmo que o ônibus, porque a van ( Alberto tours) lotou de gente com reserva e sem reserva. Já na volta, peguei outra van de outra agencia (Moorea Express) e paguei 1.500 francos até o aeroporto. A viagem do porto até o hotel, dependendo da localização, se for em Haapiti ou Maharepa leva em torno de 45min a 1 hora. Os taxis em Moorea são os mais caros, cobram 4.500 francos pela corrida.

 

Em Huahine, Raiatea e Bora Bora não tem ônibus, os chamados Le trucks. A opção é usar bicicletas se não quiser gastar muito dinheiro. Ou ir a pé. Do aeroporto até a pension ou hotel usando o taxi é bem mais barato que em Moorea. Em Huahine do aeroporto até a pension gastei 600 francos.

Em Bora Bora, o aeroporto fica em um motu e a Air Tahiti faz o transporte de barco até a doca de Vaitape. Não vi onibus circulando ali.

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Acomodações

 

Quando se pensa em Polinésia, a imagem que sem vem na cabeça são os bangalôs sobre as águas, que são caríssimos, mas a Polinésia Francesa tem acomodações para todos os bolsos, desde hostels até os resortes luxuosos. A grande maioria não tem café da manhã incluso, deve-se pagar a parte. Todas as pensions onde fiquei tinham wi-fi sem custo, mas os grandes hotéis geralmente cobram pelo acesso.

 

Média de preço

hostels: 25 doláres.

Camping: 15 dolares

Pensions: 50 dólares ( duplo com banheiro coletivo) a 120 dolares ( com banheiro privativo e ar condicionado)

Hotéis/Resortes: o céu é o limite.

 

Papeete- -Fiquei hospedada no Fare Suisse, perto do centro, menos de 15 min caminhando. A uma quadra tem supermercado ( Champion) e caixa eletrônico. O quarto era duplo com AC e banheiro privativo. Valor de 85 euros a noite. Eles também têm quartos duplos com banheiro compartilhado. E pode se usar a cozinha comunitária. Gostei do local e da pension. O dono, Beni, oferece transfer sem custo, entre o aeroporto ou ferry, na ida e volta. Quartos limpos e organizados.

Em Papeete há também hostels, em torno de 25 dolares, quando pesquisei no Hostelworld.

 

Moorea- Hotel Le Tipanier, quarto com vista para o Jardim e ventilador de teto. Era o mais econômico. Em torno de 8.900 francos, o que achei um bom custo benefício. Os quartos e bangalôs deste hotel já são antigos, mas ficam, dizem na melhor praia da ilha. O quintal do hotel é a praia, com um píer. A praia é pequena, mas pra que ficar na areia se o mar parece uma piscina? O hotel fica perto do Petit Village, 10 min caminhando, um pequeno centro comercial, com lojas de artesanato, vendinha, caixa eletrônico, lojas de joias, etc.

Outro lugar econômico é o Camping Nelson, não muito longe do Petit Village e do hotel que fiquei, com dormitórios e camping.

Se você quer estar perto de bancos, clinicas e supermercados sugiro ficar na vila principal de Maharepa.

 

Huahine- Me hospedei no Rande’s Shack. Os donos são um casal formado por um americano e sua esposa polinésia, Rande e Emera. Eles construíram bangalôs, no total de 5, sendo um deles um loft. Fiquei no último. Achei a vista de cima fantástica, além de ser enorme o bangalô, espaço pra 4 pessoas, com cozinha, teto alto e janelas e portas com telas, o que ajudava bastante na ventilação. No fundo da pension há um local para sentar e apreciar a paisagem do mar e ir pra praia. A praia era pequena com bastantes pedras e corais, mas a água transparente e tranquila como uma piscina. Muito relaxante. A pension fica a 10-15 min de caminhada do centro de Fare, a vila principal. Rande também disponibiliza bikes sem custo. Custo 10.100 francos.

Outra opção mais em conta em Huahine é Chez Guynete, que é um hostel e tem também quartos duplos e fica praticamente no centro de Fare, de frente para as Docas.

 

Raiatea- Aqui fiquei no Raiatea Bellevue, uma pension cujo dono é um francês, Max, casado com ( adivinha?) uma polinésia. Ele cobra 1000 pelo transfer do aeroporto à pension. O lugar fica em um morro, com uma vista maravilhosa de da ilha de Tahaa e do mar. Em 15 min pode-se ir caminhando até o centro de Uturoa. Os quartos são duplos com ventilador e inclui café da manhã simples ( meia pão baguete, café e leite, e manteiga e geleia). O único porém é que noite não há luz na rua da pension para voltar à noite, então leve lanterna se quiser ir ao centro comer nos Roulettes de noite. E Cuidado com os cães, eles costumam atacar pessoas. ( o mesmo cuidado em qualquer outra ilha). Custo de 6.000 francos, o mais em conta de todos e o melhor custo beneficio. Alguns quartos tem cozinha, mas não sei o valor destes. Acho que vale a pena se você não quiser ir de noite andando ao centro.

Há outra opção que achei interessante, mas que fica longe da vila. O Sunset beach resort, com bangalôs do lado de um coqueiral e de frente para o mar.

Bora Bora- Me hospedei no Sunset Hill Lodge, na vila de Vaitape. Fiquei no bangalô sobre palafitas, do alto se tem uma vista linda do mar de Bora Bora e da cidade. Fica a 10min de caminhada do centrinho, onde está todo o comercio, bancos e a doca. Gerard, o dono é um francês muito gente boa. Ele faz os transfer sem cobrar e se você pedir ele te leva ao lugar que você precisar ir, seja para fazer caiaque. Ele tem caiaques pra alugar e bikes sem custo ( dá pra se ir de bike a Matira Point). Tem diversos bangalôs e estúdios, todos com cozinha. De todos este foi o lugar onde me senti realmente bem acolhida e à vontade. O segundo lugar foi o Rande’s Shack. O estúdio sobre palafitas tem vista em 180º com grandes janelas, uma cozinha americana e AC, além de uma varanda com mesa de cadeiras. Existem outras opções, como os estúdios, que são maiores com terraço e outros bangalôs com ventilador, todos com cozinha bem equipada e organizada. A pension também tem um pequeno jardim zen. Custo de 69 euros/noite. Os bangalôs com ventilador, acho que estão em torno de 49 euros.

 

Alimentação

 

Um do ingredientes principais na Polinésia são os frutos do mar e peixes. O atum é o mais facilmente achado, barato e fresco. De frutas há muitos abacaxis doces, bananas (em qualquer lugar você acha), mangas, papaias, fruta pão e grapefruit. Há também muita mandioca e taro (uma espécie de batata doce) e inhame. Eles são um dos principais produtores de baunilha tahitiana. Já verduras e outras frutas são mais difíceis de achar e mais caras ( pé de alface a 8,00 reais, cebolinha a 7,00 reais). Galinhas e galos são o que mais tem nas ilhas. Se na Índia há vacas nas ruas, aqui há galinhas e frangos por todos os lugares, inclusive dentro dos hotéis e até nos aeroportos! Se prepare, porque as 5h da manhã é a sinfonia. Porque falei das galinhas? Porque significa que há ovos e eles são vendidos nas portas das casas, assim como algumas frutas como bananas, grapefruit, frutapão, pois os moradores colhem no seu quintal.

 

Se você não quiser fazer sua comida e também não quer gastar fortuna nos restaurantes, não se desespere. Há o roulettes, que são vans que preparam e vendem comida. São bons e baratos e os locais sempre vão comer ali. Eles geralmente ficam na região das docas e pode-se encontrar quase de tudo: hambúrguer com fritas, arroz e carne, crepes, comida chinesa, pizzas, etc. A média de valor é em torno de 1000 francos, por um prato bem servido e que dependendo da quantidade que a pessoa come dá pra dividir. Mas abrem só a noite, depois das 18h e ficam abertos até as 22h.

 

Outra opção em conta é ir ao supermercado e comprar comida pronta embalada. Dependendo do lugar há opções variadas ou às vezes se restringe a comida chinesa. Aliás, o que mais tem na Polinésia são restaurantes chineses e uma grande comunidade chinesa. As vendinhas e alguns supermercados e restaurantes são de famílias chinesas. O custo da comida pronta é entre 700-1200 francos. A vantagem é que você pode comprar, levar pra pension e comer lá.

Em Huahine entre as 8-9 horas da manhã na vila de Fare, senhoras fazem comida, embalam e vendem as marmitex. É bem servido e dá pra 2 pessoas tranquilamente. Custo em torno de 700 francos.

 

Há também os sanduíches, feitos com a baguete. Mas se prepare, é metade da baguete, que ainda assim dá pra dividir pra 2 pessoas. Quando eu pedi um imaginei ser o tamanho de uma sanduiche daqui, e levei um susto ao ver o tamanho. Comi metade e guarde a outra metade pra depois. É muito comum na hora do almoço ver os locais comendo sanduíches na baguete, andando na rua. Uma forma rápida e barata de alimentação.

Não espere muita higiene quando for comprar baguetes no supermercado ou vendinha, rs. Eles ficam expostos ao ar livre, com moscar rondando e os locais costumam pegar e apertar pra ver está fresco. Pegue um dos plásticos para embalar fruta e legumes ou leve seu plástico. Quando for as compras leve sacola, porque lá não há sacolinha plástica. Ou você tem sua sacola, ou vai ter que levar na mão.

 

Nos mercados centrais, além das frutas e verduras se vende artesanato e comidas rápidas, mas tem que chegar antes das 12h, porque às 13h já estão tudo fechado, se quiser comer. A única coisa que fica aberta depois é a parte de artesanato, mas nem todas as bancas.

Tenha cuidado ao beber água da torneira, sempre ferva antes. Em Bora Bora, foi o único lugar recomendado que se podia beber água da torneira. Lá a água é desalinizada e tratada. Em outras ilhas a água vem direto das minas subterrâneas, acredito.

 

Passeios

Os passeios principais nestas ilhas não poderia deixar de ser, os tour nas lagunas. São de dia inteiro, terminando geralmente ao redor das 16-17h e incluem almoço típico local. Custo varia de ilha para ilha. O mais em conta foi em Moorea (6.000 francos) e o mais caro em Bora Bora (8.600 francos). Vale a pena, porque você tem a oportunidade de fazer snorkeling nos corais e ver muita vida marinha. Em Moorea e Bora Bora você pode nadar junto com arraias e tubarões.

 

Outra opção de passeio são os safáris tours em 4X4, ao redor da ilha. Custos desde 4.500 até 8.500. Moorea é mais em conta e Huahine foi o mais caro ( mas este foi de dia inteiro com almoço). Geralmente são de meio período. Gostei do tour em Moorea, já o de Bora Bora achei meio fraco, apesar de poder ter ido até onde estava um dos canhões americanos da 2 guerra. Pra quem gosta de história, geralmente estes passeios incluem paradas nos Maraes, ruínas arqueológicas dos antigos templos e lugares sagrados polinésios.

Para mergulho há operadoras, mas não sei o custo.

 

Em Moorea há o show Polinésio no Tiki Village. Vale a Pena ir. Você tem a opção do show com jantar ou sem jantar e pode incluir o transfer entre o hotel e a vila. O ticket te dá permissão de voltar durante o dia, no dia seguinte, na vila pra ver com calma as atividades típicas, como artesanato, etc. O valor sem jantar me custou 6.200 francos, incluso transfer ida-volta ao hotel. O show é à noite ao redor das 20h. O valor com jantar acho que estava mais de 10.000 francos.

Dependendo da ilha talvez você não consiga fazer os passeios como o da laguna ou safári, pois há menos turistas e eles só saem com numero mínimo. Huahine foi onde tive mais dificuldade, devido à baixa demanda.

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O que há de típico

 

O artesanato típico deles é feito usando-se muitas conchas e madrepérola. Coisas típicas de ilhas tropicais e que não me interessou muito, pois é algo parecido com o que temos no litoral do Brasil.

Mas há trabalhos em madrepérola esculpidos com design tribal, o que eu já gostei mais. Dependendo da complexidade o valor é bem caro. E Sobe mais se tiver uma perola negra cravada. O melhor lugar pra fazer comprar de lembrancinha é o mercado central das ilhas. Onde vi muitas opções foi no mercado central de Papeete e Raiatea. Papeete é maior e tem mais bancas. Preço tem de tudo, começando por 500 francos pra lembrancinhas bem simplezinhas.

Outra coisa típica são os pareos, que seriam o equivalente a nossas cangas de praia. Não achei nada barato o preço: 2.500- 3.000 francos por um pareo. E veja onde foram feitos, porque tem muita coisa da Indonesia e China. Há os pintados a mão feita na Polinésia, mas são um pouco mais caros.

 

Se você gosta de culinária ou de Baunilha, a Polinésia é o paraíso. Eles são grandes produtores de baunilha e você pode encontrar in natura. Ou se preferir óleos ou perfumes. Eles também têm muita coisa derivada do coco: óleos, perfumes, doces, etc. Pra se ter uma ideia o kg da baunilha tahitiana é vendida na Europa a 1000 doláres. Pra conservação você pode deixar em um vidro bem fechado na sombra ou colocar em rum e usar esta mistura pra cozinhar: bolos, molhos, o que a sua imaginação gastronômica permitir. Um pacote com cerca de meia dúzia de vagem de baunilha esta ao redor de 1000 francos. Nos supermercados você encontra mais barato.

 

E por ultimo, o produto mais famoso da Polinésia: a pérola negra do Tahiti. Eu sempre fui fascinada por pérolas (acho que eu e outras milhares de mulheres rs). Vou tentar resumir o que aprendi. As pérolas negras, na verdade não são negras, elas tem variações na cores, desde o cinza escuro até uma cor mais clara, pastel. Só não tem as brancas. Vi de tudo que é cor: azul, cobreada, cinza, multicolorida, etc. Tem de vários formatos: redonda, oval, semi oval, irregular, etc. Tamanhos varia de 8mm a 16mm. Vi no museu da Perola uma de 24mm!!

O valor da perola depende do formato, tamanho, cor e brilho. Quanto mais perfeita, tamanho e com brilho mais caro. Por exemplo, uma de 8mm, redonda e com bom brilho vai custar bem menos que uma de 16mm de igual qualidade. Uma perola de 8mm, a ostra demora 3 anos pra produzir, já a de 16mm, pode levar mais de 10 anos. Todas as atuais perolas são cultivadas em fazendas. É muito raro encontrar uma natural e se houver custará uma fortuna.

Por isto o valor de um colar pode ultrapassar facilmente 10.000 dolares. Mas há opções em conta. Nos mercados artesanais vc pode encontrar pulseiras e colares desde 1000 francos, mas são feitas com pérolas consideradas de baixa qualidade. Mas acho que está valendo se você quer ter pelo menos uma perola negra. Só observe se não é uma perola artificial. Ouvi dizer que às vezes os artesões usam o pó de perolas com epóxi e fazem imitações. Existe a opção de comprar só a pérola e pedir mais tarde que algum joalheiro ou artesão monte. Acho esta opção mais econômica do que comprar uma pronta em uma loja de joias. Se tiver paciência dá pra se encontrar algumas coisas legais a preços baixos.

Onde dá pra se encontrar pérolas soltas são nas visitas às fazendas de pérolas que vendem as que não passaram na qualidade, para serem enviadas a Papeete. Geralmente são as de qualidade D. Eu vi por até 5 doláres cada, e se você garimpar bem, encontra algumas bonitinhas. Em Papeete recomendo 2 lojas: L’atelier de La perle e Mahiri ( acho q era este o nome, tem também no mercado central). São lojas que vendem com nota fiscal e tem pérolas soltas desde 100 francos até o que você quiser. Claro que você não deve esperar uma pérola perfeita pagando 100 francos, mas pra uma lembrancinha não tem o que reclamar, rs.

Agora se você quer comprar uma pérola especial, pra aquela pessoa especial, prepare os bolsos, porque não é barato. O que eu vi é que se for algo feito com prata, dá pra se encontrar algo na faixa dos 50 dólares. Em ouro a coisa já aumenta bem de preço.

 

Dicas

 

Se for visitar a casa de um local tire os sapatos antes de entrar.

De domingo tudo é fechado e eles são muito religiosos. A maioria vai para as missas nas igrejas. É interessante ir a uma, pra ver as mulheres todas vestidas com suas melhores roupas, coloridas, e usando diversos tipos de chapéu. A religião ali gira em torno do catolicismo e protestantismo.

Não tente barganhar nos preços, os polinésios não barganham. Acham uma ofensa. E se você tentar eles dirão educadamente, inventando um desculpa, que como o chefe deles não está, eles não podem fazer nada. É diferente se o vendedor te oferecer um preço legal, do tipo compre 3 e pague 2.

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Ilhas

 

Cada ilha é diferente da outra e cada uma tem suas peculiaridades. A época que viajei foi de chuvas, dos 14 dias, 5 choveram, mas deu pra aproveitar. Tive sorte, porque me disseram que em Janeiro houve 2 alarmes de ciclones na região, mas que se desviaram. E também o terremoto que atingiu Samoa, mas não chegou até a Polinésia. A melhor época pra se viajar é no “inverno” deles, de Maio a Outubro, que não chove.

 

Tahiti-Papeete

 

É onde está o aeroporto internacional e os voos internacionais, a maioria, chega tarde da noite. O avião da Lan aterrissou, sem atrasos as 23:30 da noite. O dono do Fare Suisse deveria estar lá esperando, mas quando sai não vi ninguém. Aproveitei pra sacar dinheiro nos caixas eletrônicos. Por algum problema não consegui usando o VTM ou o débito. Os bancos eram a Socredo e da Polinesia, me deu um certo desespero, porque se precisasse pagar taxi não teria dinheiro. Mas havia uma ATM que dá pra trocar a nota de dólar por moeda local. Insere-se a nota e o caixa te dá o valor convertido, incluindo moedas, mas cobra uma taxa pra conversão. Eu sem muita noção troquei 2 cédulas de 100 dólares, mas uma de cada vez, ao invés de fazer tudo na mesma operação e o caixa me cobrou 2 taxas. Depois, no dia seguinte descobri que só no Banco do Tahiti eu conseguia fazer saques com o VTM.

 

Quando eu já achava que fui esquecida, apareceu o dono do Fare Suisse, atrasado, quando já não tinha quase mais ninguém no aeroporto. Pior sorte teve um rapaz americano que conheci que literalmente esqueceram e ninguém foi busca-lo, acho que ele teve que pegar taxi.

Na manhã seguinte me levantei cedo e fui para o centro de Papeete, dar uma reconhecida. O centro não é grande e dá pra fazer tudo a pé. A ilha é cheia de verde com morros. Fui caminhando do Fare Suisse, seguindo a grande avenida. Não cheguei a atravessar para o lado do Boulevard, porque tinha pressa e teria que voltar antes das 12h, para pegar o ferry para Moorea. Achei a cidade com um ar meio cansado, fachadas antigas, algumas no caminho pareciam abandonadas. Vi alguns mendigos, mas me pareceu uma cidade tranquila. Em termos de segurança, comentaram pra tomar cuidado com furtos, porque isto estava se tornando meio comum hoje em dia em Papeete. Dei uma rápida passada no mercado central, pra ter noção de preços e ter um comparativo quando eu fosse para outras ilhas.

 

As 11h já estava de volta ao Fare Suisse e às 12h, Beni o dono da pousada me levou para as docas. O que eu achei interessante é que ele não me cobrou a primeira noite. Ele disse pra eu pagar tudo quando eu voltasse. Fiquei surpresa.

O porto onde se pega os ferries é até bem estruturado. Compra-se um pouco antes o ticket do ferry e você coloca sua bagagem em um contêiner que está já do lado do guichê. Não há ninguém lá e nem recebe nenhum papel, como nas rodoviárias ou aeroportos do Brasil. Fiquei com receio que alguém pudesse furtar a mala, mas fui para o andar superior pra esperar o horário de saída. O ferry saiu pontual as 12:30h e estranhei que não era o Aremiti 5 e sim o Aremiti 4. Perguntei só pra confirmar e me disseram que trocaram o barco de última hora.

 

O Ferry tem o deck superior, que vale a pena ficar se não estiver muito sol ou chovendo. O trajeto levou 30 minutos e foi tranquilo.

No ultimo dia retornei pra Papeete , vindo de Bora Bora, de volta para o Fare Suisse. Desta vez Beni estava na hora me esperando no aeroporto. Deixei as coisas no quarto e fui pra cidade pra achar algum roulette pra comer, mas ainda era cedo e fui caminhando pelo Boulevard. Por ser domingo muitas gente estava lá. É um lugar muito gostoso, com jardins e um caminho beirando a água.

 

 

Moorea

 

Já do ferry já se tem uma vista do cenário que é Moorea. Picos irregulares forrados de verde com o mar azul. No desembarque espera-se em uma pequena área pra pegar as malas. Os engradados são trazidos e cada um pega o seu. E lá estava minha mala do jeito que eu tinha deixado. Procurei a placa do Alberto Tours e já estava lá esperando. Esperamos mais um pouco até o micro ônibus encher. Alguns turistas sem reserva conseguiram lugar. Eu não gostei muito dos serviços desta agência.

Eu seria a última passageira a descer, pois ele foi passando de hotel em hotel por ordem de rota, mas ao invés de me levar até o hotel, quando foi no Legends resorts, o motorista, acho que ele era o dono da agencia também, me transferiu para o ônibus coletivo. Só não entendi porque disso, pois o Le Tipanier hotel ficava a menos de 3 minutos do Legends.

 

O hotel Le tipanier tem bangalôs para todos os bolsos. Escolhi ficar em um dos quartos com vista para o jardim, com ventilador. Achei um bom custo beneficio pra região e a 1minuto do quarto já estava a praia. O hotel tem também um restaurante que achei ter um preço justo e boa comida. Deixei as coisas no quarto e fui para o petit village, 10 minutos de caminhada pela estrada, na vendinha comprar coisas para o café da manhã. O Quarto não tinha cozinha, mas pelo menos tinha um mini refrigerador, o que já ajudava. Em Moorea a água não é boa pra se beber então compre água mineral. Comprei suco, torradas e manteiga. Na frente do quarto tinha uma varandinha com mesa e cadeiras. A única coisa que me incomodou durante a viagem inteira foram os mosquitos ( pernilongos, muriçocas, etc.). Comprei inseticida também e tive que passar no quarto. No lado de fora, mesmo com repelente eles não davam trégua. O hotel já sabendo disso fez uma dedetização geral no dia seguinte (ainda bem) e melhorou bastante.

 

No segundo dia fiz o tour pela laguna e recomendo muito. Ela dá a volta na ilha e passa por vários lugares e para para snorkeling. É onde se pode nadar com as arraias e tubarões. A água é claríssima e se vê perfeitamente o fundo. Porém a baia estava suja e com cor marrom devido às chuvas, que traziam detritos das montanhas. Almoço típico, incluindo o Poisson Crude. Estava indo tudo bem com o tour, que inclusive tinha reservado com a Alberto tour, por estar um pouco mais barato (6.000 francos ao invés dos 7.000 de outras agências), mas a entrega final do tour tirou pontos. Na ida, um carro passou no hotel e me levou até o ponto de origem pra esperar o micro ônibus que nos levaria até o barco, até aí tudo bem. O problema foi a volta. A volta seria feita com o barco parando nos píer. O hotel Le Tipanier tem um píer, então imaginei que parariam ali. O que fizeram foi parar o barco na parte mais rasa da lagoa e tive que descer e caminhar até a praia com água na cintura. Acho que levei pelo menos quase uns 10 min pra chegar na praia, tendo que me equilibrar pra não cair na água e me preocupando com a câmera que eu estava carregando. A distância não foi pouca e a correnteza estava um pouco forte.

 

No terceiro dia peguei um tour safári com 4X4 ao redor da ilha. Este eu reservei pelo balcão do hotel com a Moorea tour. Recomendo esta agência do que a Alberto tour. Alguns pontos a considerar: a guia era francesa, mas falava várias línguas, inclusive o português e ela era excelente. Se não me engano o nome dela era Spirou. Era muito simpática e prestativa e no retorno me levou até a recepção do hotel, enquanto a Alberto tours ou o ônibus coletivo só para na frente, na estrada. Tudo bem que a caminhada até a recepção do hotel é curta, mas aí você vê a diferença na prestação de serviço. O tour foi interessante, passando pelas plantações de abacaxis, mareas ( ruínas arqueológicas dos antigos locais sagrados), vista cênicas, etc.

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Huahine

 

O voo de Moorea pra Huahine estava marcado pra sair as 14:30h. A van de transporte da Moorea Express passou no horário, mas quase não fui, porque eu não sabia o nome da agência que iria me pegar, pois fiz a reserva com a recepção. A sorte que a menina da recepção, bastante prestativa me avisou que era pra ir com eles e pra piorar meu nome não estava na lista da agência, por isto o motorista não se preocupou e já estava quase indo embora.

 

Os aeroportos nas ilhas são todos bem pequenos e simples. Como comentei antes, há muitos galos e galinhas com seus pintinhos andando de um lado pra outro, inclusive dentro das dependências dos hotéis. Mas nunca tinha visto galinhas e pintinhos na pista do aeroporto e na área de embarque, rs. Também vi gatos, mas acho que eles usam os gatos pra espantar as aves da pista de pouso, só pode ser isso.

 

No check in não me deixaram levar como bagagem de mão minha mochila de 35l (Marmot Gramsal). Pesaram e estava com 7 kgs, rs. O permitido é de 5kg. Bem a mochila por si só pesa quase 2kg, devido a armação, que aliás eu não gostei. Sorte que eu tinha levado uma bolsa grande, dessas que cabem em qualquer quanto e transferi tudo que estava na mochila. Retirando tudo da mochila e pesando a bolsa deu 5kg. Ou seja, a diferença de peso era a própria mochila. Fazendo um adendo, eu não recomendo usar mochila com armação e costa ventilada, pesa mais e não é flexível quando vc precisar encaixar no maleiro do avião. Fica parecendo maior e as cias áreas pegam mais no pé.

 

O voo estava atrasado, mas não sabia o porque. Depois disseram que o avião quebrou e teríamos que pegar o ferry de volta a Papeete, ir para o aeroporto e de lá pegar o avião para Huahine ou Bora Bora. Quando todos já estavam esperando pelo ônibus que ia nos levar para o ferry, mudaram os planos e disseram que outro avião vindo do arquipélago de Tuamotu viria para Moorea e nos levaria até Papeete. Mais rápido que de ferry. Enfim fomos para Papeete, em um voo de 7 minutos, foi o voo mais rápido que já experimentei, rs. Chegando no aeroporto, descobri que eu e outros passageiros para Huahine teríamos que ficar de stand by, esperando por vaga nos próximos voos. Ao final nos deram vale comida, que serviu pra pegar uma baguete e um refrigerante. Consegui ligar para a pension e avisar que atrasaria bastante, mas eles já estavam cientes e falaram pra não me preocupar que o taxista iria estar me esperando. Finalmente pegamos o voo das 19:30 e as 20H pousamos em Huahine. Nesta bagunça foi-se perdido 1 dia inteiro.

 

O aeroporto até Randes Shack era perto, em 10 minutos estava lá. O tempo já estava chuvoso. Rande e sua esposa estavam me esperando para dar as boa vindas, junto com seu cão Tiger. Foram bem receptivos e me mostraram o loft. Fiquei encantada com o tamanho, bem arejado e com portas de correr. Só não tinha chave e nem como fechar a porta e fiquei meio com o pé atrás que alguém pudesse entrar, mas Rande e Emere me disseram que ali era muito tranquilo e não havia problemas. Fora que o cachorro ficava de guarda e literalmente ele ficou, subiu e ficou deitado na varanda, na minha porta, como querendo dizer, “não se preocupe estou te protegendo”, rs.

Nesta noite começaram as chuvas, bem fortes. Choveu assim todos os dias que fiquei em Huahine. Mas pelo menos na hora do almoço parava e dava uma trégua. No dia seguinte à minha chegada choveu muito e estava ficando preocupada como iria fazer para comer. Morrer de fome não iria, porque tinha levado as torradas e tinhas umas sopas instantâneas comigo. Rande me chamou e perguntou se eu não queria alguma da marmitex que ele tinha comprado. Achei muito simpático da parte dele se preocupar. Aceitei e depois paguei para ele o valor, que não era alto. Era um prato feito a base de feijão e carne de porco e tinha muita comida, deu pra eu comer duas vezes e ainda sobrar. Tive que jogar fora o feijão antes de ir embora, mas a carne, é lógico que o Tiger sentiu o cheiro de longe e veio correndo pedir.

 

No primeiro dia, depois que a chuva deu uma trégua, fui à vila fazer compras e conhecer o lugar. Fui pela praia. No centro da cidade reencontrei um casal que estava no mesmo voo. Almoçamos juntos no chez Guynete. Fare é uma cidade bem pequena, com poucos algumas ruas e bem tranquila. Depois de caminhar um pouco e fazer minhas compras no supermercado local voltei para a pension. Mas aí percebi que me perdi, porque não lembrava qual rua que eu tinha que entrar, pois tinha chegado de noite e a ida pra cidade eu fui pela praia. Só percebi que eu tinha passado, quando vi uma igreja que ficava perto do aeroporto. Por sorte estava com meu celular e liguei pra Emere. Ela me indicou o caminho e me disse que quando visse o cemitério eu deveria virar á direita. Pois bem, eu não tinha visto cemitério nenhum, até que passei na base da montanha e vi que havia um jardim bem cuidado. Pra mim era um jardim, mas depois chegando bem perto vi que tinhas umas lapides bem discretas. Mais tarde fiquei sabendo que na Polinésia não existem cemitérios públicos. Cada família tem um pedaço de terra onde enterra seus entes queridos. E quem não é abastado o suficiente para ter terras para isto enterra no jardim da casa. Depois vi muitas casas com lápides nos jardins.

 

Aproveitei o fim do dia sem chuva para ficar na rede lendo e apreciando o mar. O fundo da casa tem uma saída para a praia, que tem uma faixa estreita de areia e bastante pedra e corais, mas a água é límpida e azul. Rande tem caiaques e mascara pra mergulho pra quem quiser fazer mais atividades além do relaxar na rede. No ultimo dia, segui o mesmo ritual, mas desta vez tinha um belo por do sol. De todas as ilhas, gostei muito de Huahine, tranquila, com o tempo correndo devagar, sem pressa. O ultimo dia choveu muito, mas Emere conseguiu pra mim um tour para conhecer Huahine Iti e Nui. A guia se chamava Poireva, se não me engano e era muito prestativa. Apesar do tempo chuvoso, deu pra ter uma noção de que é a vida lá. As 2 ilhas irmãs, são basicamente agrícolas e são poucos turistas que vão pra lá. Comigo também estavam 2 francesas.

Durante o tour paramos em um rio, onde se poderia ver as enguias de olhos azuis, mas com as chuvas não dava pra ver direito, mas os bichos eram grandes. Poireva desceu no canal do rio e levou sardinhas pra chamar as enguias. Elas simplesmente enlouqueciam e chegavam a sair da água e comer na mão dela.

 

O almoço foi na casa da própria Poireva, o que foi bastante enriquecedor, pois pude conhecer um pouco como vivem os polinésios. Eles têm o hábito de tirar os sapatos na entrada, como os orientais. Ela mesma preparou na hora o Poisson crude e o molho para o peixe com baunilha. O marido dela já tinha deixado pronto peixe e frangos assados. A comida estava ótima.

Eles moravam numa casa sobrada e espaçosa, com um grande jardim na frente. Percebi que a vizinhança era toda de casas grandes e bonitas. Poireva me explicou que ali viviam muitos estrangeiros ou pessoas com melhor poder aquisitivo, que tinham negócios ou eram professores. O marido dela era professor de Matemática e física na escola local. Eu percebi que ser professor na Polinésia era sinal de status e respeito. Quanta diferença do nosso Brasil. As crianças estudavam até a 8º série ou equivalente nas ilhas onde nasceram, depois se quisesse estudar o 2 grau tinham que ir pra Raiatea. Faculdade somente em Papeete, mas voltada para o turismo. Se quisessem estudar medicina, direito, etc, tinham que ir para a França. Fiquei imaginando que não era fácil morar nas ilhas, com tudo muito restrito, muita coisa tendo que vir de fora e não ter muitas oportunidades.

Outra coisa que Poireva me explicou é que cada ilha tem suas tatuagens típicas, que eram feitas para identificar a origem de cada pessoa. Ela mesma tinha uma grande que ia desde a coxa até a perna, que era uma estilização da samambaia símbolo de Huahine.

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Raiatea

 

Meu voo de Huahine pra Raiatea saia cedo, 8:30h da manhã. Fiquei preocupada que atrasasse, pois o voo do dia anterior para Bora Bora atrasou em 2 horas devido as chuvas fortes. Mas choveu bem menos nesta manhã e o voo saiu no horário previsto.

 

Raiatea é a segunda maior ilha em termos de estrutura e população depois do Tahiti. Uturoa a capital é onde fica o centro administrativo da Polinésia, enquanto Papeete é o centro financeiro e de negócios. Dizem que Uturoa é o que era Papeete há 30 anos atrás. Apesar de ser a segunda em importância a cidade é pequena e bem tranquila de se andar. É pra cá que as crianças são mandadas pra estudar o 2º grau ou quando as mulheres vão ter seus bebes.

 

Raiatea não tem praias, ou se tem é bem pouco. A maioria vai pra Tahaa, a ilha irmã de Raiatea, onde é bem mais tranquilo e com praias e também considerada ilha da Baunilha.

Na chegada no aeroporto tive que esperar um pouco até que o Max, que faria o transfer chegasse. Demorou uns 5 min e ele chegou vindo em um antigo jipe. Percebi que ele fumava bastante pelo cheiro de cigarro. No caminho paramos no supermercado e foi a coisa mais bizarra que vi. Ele saindo com a baguete debaixo do braço, sem embalagem nenhuma e depois colocar a baguete no para-brisas empoeirado e cheio de sei lá mais o que. Imagino que este foi o mesmo pão que ele serviu no café da manhã do dia seguinte para os hospedes, rs. ::ahhhh::

 

A pension tem uma bonita vista de Tahaa e do mar, pena que choveu muito. Para ir ao centro levava-se 15 min caminhando. Há uma escadaria que desce pela frente da pension e ao final tem que se ir pelo meio de um terreno cheio de bananeiras e pedras. Não gostei muito, pois em dia chuvoso aquilo deve ficar lamacento e é uma descida meio acidentada. Depois descobri que o vizinho do Bellevue tem uma pequena rua asfaltada indo para o mesmo lugar. Então era mais fácil descer até o final da cerca e invés de pegar o caminho pelo terreno, pular para o vizinho e pegar a estradinha asfaltada do que sofrer com os desníveis. E melhor também pra andar de noite.

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No dia seguinte, Max conseguiu pra mim um tour de barco pra Tahaa. Raiatea tinha poucos turistas e as vezes conseguir um tour era difícil. Meu objetivo ali era conhecer o Marae de Taputapuatea, um dos principais lugares sagrados polinésios, mas como a oportunidade do tour apareceu eu fui. Foi em cima da hora, o tour saia as 9h e ele me avisou as 7:30h.

O tempo estava bem instável, com chuvas pelo caminho e enquanto navegávamos. Uma família francesa estava com seus 2 filhos, uma de 5 anos e um recém nascido de apenas 3 semanas!! Achei eles doidos, viajando com um bebe de 3 semanas de vida e ainda em um barco com chuva forte, molhando tudo, mesmo coberto. O bebe não sofreu mais, porque tinham levado a cadeirinha e colocavam ele dentro e protegiam bem.

 

Por sorte na parada para nadar e snorkel, parou de chover. Paramos em um motu com as águas bem calmas e azuis. Eu não tinha levado a mascara de mergulho então preferi ficar só na água relaxando. Foi a primeira vez que consegui ver tantos pepinos do mar em uma mesma área. Edwin, o guia, depois me explicou que eles quase foram extintos, porque a procura por eles pelos países do Japão e China é grande, e os pescadores recolhiam toneladas para exportar, mas se esqueciam de manter o equilíbrio. Com o tempo sem os pepinos do mar, que são animais que comem os detritos da água, o mar começou a ficar sujo, com muitas algas. O administração local passou a proibir a “colheita”.

No meio do caminho paramos em um fazendo de cultivo de pérolas pra ver como funcionava o sistema.

 

Depois de um pouco mais de navegação e mais chuva, chegamos a Tahaa, onde os jipes nos esperavam pra dar uma volta na ilha. Paramos em uma plantação de baunilha e foi explicado como era feito. Parecem trepadeiras e a flor é uma espécie de orquídea. Para cada vagem é necessário uma flor. Para nascer a vagem da baunilha é preciso que a flor esteja polinizada e eles tem que fazer isto manualmente. A Vagem é de cor verde e quando vai amadurecendo vai ficando marrom. Quando estiver firme e com cor uniforme é colhida e secada. Durante a secagem cada vagem tem que ser massageada manualmente para que fique bem uniforme. A polinésia já foi a maior produtora de baunilha mundial, mas a produção decaiu com o inicio da produção da baunilha artificial.

 

A comida do almoço foi em uma casa nos pés da montanha, em um lugar bonito, pena que chovia. Prato sempre presente, havia o Poisson crude, taro, banana cozida, arroz e peixe cozido. Não consegui interagir muito com outras pessoas do grupo, pois eram todos franceses e não falavam inglês ou muito pouco. Conseguia entender um pouco do que comentavam, mas não muito.

Depois fomos de jipe dar uma volta completa na ilha parando em alguns pontos de interesse, mas nada que atraísse muito a atenção. No final pegamos o barco de volta para Raiatea. Quando retornamos já era umas 17hs. De um modo geral gostei do passeio, o que atrapalhou um pouco foi a chuva em todo o percurso. Edwin e seu pai conheciam bastante das tradições e foram bastante prestativos.

 

O marae de taputapuatea é os mais sagrado de todos e que para se fazer um novo marae, os sacerdotes tinham que levar uma pedra retirada de lá e incorporar na nova construção. Dizem que até os maraes construídos no Havaí e nas ilhas Cook também tinham que ter uma pedra de Taputapuatea como símbolo de lealdade. De todos os maraes que passei, este realmente foi o maior de todos e tem um ar diferente dos maraes que vi em Moorea e Huahine.

 

Bora Bora

 

O voo para Bora Bora saiu no horário sem atrasos. Em meia hora estava em Bora Bora. Do aeroporto nós pegamos um shuttle boat da Air Tahiti até Vaitape. O aeroporto fica em um motu e são 20 min de barco até a vila principal. Na doca, nada do Gerard. Percebi que não estava tendo sorte com os transfer, rs :shock: . A maioria chegava atrasado. Esperei um pouco e como ninguém apareceu liguei. Ele até levou susto e disse que eu tinha chegado cedo mas que logo estaria ali. Em 5 min ele chegou. Me explicou que no dia anterior todos os voos atrasaram 2 horas e também achava que eu também atrasaria um pouco.

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O Sunset Hill lodge fica um pouco fora do centro de Vaitape, mas ainda na cidade, uns 15 minutos andando. Fiquei no loft sobre palafitas e de lá um vista muito bonita de Bora Bora. Cozinha americana bem equipada e uma gostosa varanda com mesa e cadeiras pra relaxar.

 

 

Deixe as coisas e fui andar no centro. Vaitape tem uma só rua, com as lojinhas, supermercado, centros comerciais espalhados por ela. Fui fazendo o reconhecimento até que dei de cara com o inglês e colombiano, que eu tinha conhecido em Raiatea. Conversamos e combinamos de à noite irmos conhecer um pintor francês, Yrond Garrick, conhecido artista que morava na ilha. Seus quadros são comprados por pessoas no mundo inteiro.

 

De noite, um pouco tarde, Gerard, que conhecia o pintor e era seu amigo, nos levou a casa dele. Sua esposa era colombiana e ficou feliz em poder conversar com alguém em espanhol. As pinturas dele tem estilo. Alguns quadros, mais comerciais têm um mistura de Picasso e Botero. Já as esculturas são únicas. Pra quem gosta de arte é uma boa opção.

Garrick foi muito atencioso e adorou saber que era brasileira. Ele morou 6 anos no RJ, na década de 70 e fala português ainda. Disse que ainda tem amigos no Brasil e pelos nomes que me disse são amigos muito influentes hoje.

 

No dia seguinte pegamos o tour para a lagoa e o barco saiu de Matira point, na pension Chez Nono. Paramos para snorkel nos jardins de corais. Desta vez a profundidade era maior e a correnteza forte. Tanto que o guia nos avisou para não ir para muito longe.

 

Em outro ponto foi a vez de alimentar os tubarões. Desta vez tinha uma corda de apoio, onde todos tinham que ficar atrás dela enquanto o guia jogava os peixes, pra não correr o risco do tubarão se confundir e abocanhar alguém, ilusão é claro, porque se o tubarão quiser atacar não ia ligar pra tal da corda. Mas é uma coisa de louco ficar de frente pra estes animais vendo eles devorando os peixes. A sensação também de estar na água e eles nadando do lado também dá uma certa adrenalina.

 

Paramos em um motu e esperamos o almoço que estava cheirando muito bem. Por sorte os dias que estive em Bora Bora fez sol, então estava um dia lindo.

O almoço foi o mais típico de todos, onde os pratos eram em folhas e se comia com as mãos. Foi a melhor comida também. Tinha um pão de coco com banana, divino. O peixe assado na hora estava estupendo.

Todos de barriga cheia e descansados rumamos pra o ponto de encontro com as arraias. Em Moorea já tinha nadado com elas então desta vez foi mais tranquilo. A diferença é que tinha muita arraia e tinha que tomar cuidado onde pisar pra não pisotear em uma. E elas roçando na pele parece lixa, rs. ::lol3:: Mas são tranquilas. São tão mansas que você pode dar de comer na mão.

 

No ultimo dia na ilha resolvi ir bem devagar. De manhã fiquei enrolando do bangalô e a tarde peguei um tour safári pela ilha, que pra mim não valeu o dinheiro e tempo gasto. A única coisa que foi aproveitável foi a subida até onde está um dos antigos canhões americanos da 2 guerra. O resto do tour foi do tipo: esta é uma bananeira, esta é uma mangueira, este é um lugar onde pintam pareo e blá blá blá. O tour daria pra ser feito em 1 hora, mas foi tanta a enrolação pra que se estendesse pra 2h e meia. E paguei mais caro que em Moorea, que foi bem melhor.

Na manhã antes do voo pra Papeete, fiquei só relaxando no bangalô e arrumando as malas. Fui na cidade pra ver a missa na igreja, onde as mulheres locais tem o hábito de usar chapéus.

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Custos Totais

A viagem durou 14 dias e revendo os custos penso que não foram astronômicos, gastei até menos do que planejei. Os custos foram para uma pessoa, mas se for em duas pessoas o custo da acomodação já seria metade. Não está incluso gastos com lembrancinhas. E a passagem pela LAN foi adquirida usando milhas.

 

Transporte total ( passagem, passe aéreo, taxi, transfer, etc.) : 1.000 dólares

Acomodação: 1.540 dólares

Passeios: 600 dólares

Alimentação: 280 dólares

Total: 3.420 dólares

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  • 1 mês depois...
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Ola heka!

Também irei passar 2 semanas na Polinesia. Viajo em maio.

Gostaria que você me explicasse sobre o passe aéreo da air thaiti.

Ainda não consegui descobrir como faço para reservar os dias de vôos entre as ilhas, e por isso ainda nao tenho idéias de como montar o roteiro de dias que ficarei em cada ilha.

Quero comprar o passe das ilhas Societys ( Tahiti, Bora Bora, Moorea, Huahine e Raiatea).

Obrigada!

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Olá Prixpaikea,

Pra vc fazer a reserva do passe vc deve fazer pelo site da Air tahiti. Tem um formulario q vc envia e eles te mandam a confirmação e dados para pagamento.

Pra saber os horarios e voos é só ver no proprio site, como se vc fosse comprar os trechos individuais. Tem certas regras, como só poder retornar a Papeete 1 vez durante uma conexão.

Voce tera que simular os voos e ver se nos dias que vc quer ir tem o voo pra as ilhas. Geralmente pra ilhas society tem voos diários. Se for para Marquesas os voos são algumas vezes na semana. Tente começar por Moorea ou terminar em Moorea, pois aí tem o ferry e vc não precisa voar.

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  • 4 meses depois...
  • 6 meses depois...
  • 2 semanas depois...
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Clauch, se fosse para esperar pra ir em lua de mel eu ia cansar de esperar, kkk. Então melhor adiantar e existem tantos outros lugares no mundo pra viajar que não faltariam opções pra isto, rs.

As fotos não postei muitas por serem pesadas e acho q o site não aguenta.

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