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Estrada Real a pé - Perguntas e Respostas - 2013 a 2015


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1) - Jan/fev de 2013 - estrada real caminho velho. Foram aprox. 710 kms no total + 100 kms entre Paraty x aparecida + PN Itatiaia + visconde de mauá

2) - Julho/2013 - estrada real caminho diamantres (diamantina x Ouro Preto);

3) - Julho/2013 - Estrada Real caminho Sabarabuçu(Ouro preto x Glaura x Cocais)

4) - Janeiro/2014 - Estrada Real caminho Novo (Ouro Preto x Rio de Janeiro).

Informações Básicas e Resumo geral:

No final da postagem desse relato, informarei nesse post , todas as principais dicas sobre esse maravilhoso roteiro, bem como o resumão.

Muitas pessoas já fizeram a E.R. à pé, mas pouquíssimas fizeram relatos sobre a viagem, com dicas, sugestões.......

Procurarei dar dicas sobre: tempo de viagem em cada roteiro, locais de hospedagem e seus respectivos preços..... fotos, roubadas, .....

Alguns sites importantes da região:

Ouro preto e os distritos: 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_distritos_de_Ouro_Preto

Estrada Real(planilhas e informações diversas): http://www.institutoestradareal.com.br/

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O COMEÇO:

 

Fomos visitar uma amiga em Brasília, que tinha sofrido um AVC, portanto iniciamos a viagem por Brasília.

Prá economizar uma diária, compramos passagem para as 21 horas. Busão novo e confortável. como tenho dificuldade dormir em viagem, ficava ouvindo rádio, até prá começar entrar no clima da cultura mineira....ouvi muita música caipira de raiz, revivi várias músicas de minha infãncia(bons tempos), lá pelas 3 da manhã, foi noticiado o incêndio na boate de Santa Maria-RS.....muita tristeza!

Brasília x BH - viação União(R$115,67 cada). tempo de viagem: +- 10 horas

 

chegamos em Belo Horizonte no domingo cedo, por volta das 07 da manhã, o terminal rodoviário para os ônibus que vinham de certas regiões,, mudou-se, ficando bem distante do centro..... pegamos o metrô(R$1,80 cada) até a rodoviária do centro, dali fomos conhecer o mercado municipal de BH, após experimentar os deliciosos queijos/doces mineiros.... tomamos nosso café ali mesmo(coxinha, bolinho de bacalhau......), na saída experimentamos um pastel delicioso e barato(R$0,70 cada). Depois do festival de gordura, pegamos o busão para Ouro Preto às 10 da matina (viação Pássaro verde - R$25,70 cada - tem ònibus de hora em hora), chegando depois de duas horas.

Mercado central e seus queijos/doces...maravilha:

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Nossa intenção era chegar cedo, pegar as informações sobre o roteiro todo(tentei conseguir via internet, mas sem sucesso), mas infelizmente nosso turismo está engatinhando, prá vcs terem idéias, domingo à tarde, o escritório de informações turísticas da cidade de Ouro preto estava fechado, pode isso! apelamos para o plantão dos guias turisticos, que mantém alguns escritórios na cidade....... O escritório do Senai/fiemg estava aberto, mas não tinha quase nenhuma informação sobre o próximo trecho(O.preto x Glaura).

A chuva não dava trégua, almoçamos uns pastéis numa lanchonete do centro, entramos no hotel(Pousada Horto dos contos R$130 casal, cama boa, quarto limpo, com TV cabo, wi-fi, ventilador....como sairiamos bem cedo no outro dia, ficamos a tarde toda preparando as mochilas, e dormimos bem cedo).

Obs.: As informações em Ouro preto são desencontradas, cada um fala uma coisa, mas a maioria das pessoas/guias/inf. turísticas não têm quase nenhuma informação sobre o trecho, portanto tentarei passar todas as dicas, pois tive que começar sem saber se conseguiria terminar o trecho todo, foi um desafio enorme.............. O MESMO ACONTECEU NAS OUTRAS CIDADES, QUASE NINGUÉM CONHECIA ESSA TRAVESSIA, INCRÍVEL! nem sabiam se tinha hospedagem prá frente.

 

O quê ajudou muito foi a disponibilidade dos roteiros planilhados de todo o trecho, é só tirar uma cópia de cada trecho e seguir a risca, não tem como perder....

DICA: devido as fortes chuvas, embalamos tudo dentro da mochila com sacos plásticos. Tivemos a idéia de colocar o roteiro panilhado dentro de um saquinho plástico com fecho e deixar dentro do bolso da calça, era fácil, mesmo debaixo da chuva, conferíamos o marco com a planílha, foi uma idéia ótima.

 

 

AGORA É PRÁ VALER:

 

1º DIA - 28/01/2013 - segunda-feira:

 

Saída de Ouro preto às 10:00hrs, chegada em Glaura às 18:40Hrs

 

Aproximadamente 28 kms - fizemos um pouco mais, pois devido as fortes chuva/raios/relâmpagos, tivemos que seguir, depois da primeira trilha, o caminho dos carros, era mais seguro, onde poderíamos esconder em algumas casas na beira da estrada; logo depois de São Bartholomeu, voltamos a trilha normal.

 

O primeiro marco fica na saída Ouro Preto, na rua da rodoviária, defrente a um escritório de inf. turística. Compramos água, e seguimos no acostamento da rodovia asfaltada até o trevo que vai prá BH(cerca de +- 1 hora), trecho com subidas fortes, depois do trevo pegamos uma estrada de terra á direita(atrás de um ponto de ônibus), com uma subida fortíssima, logo no início da descida, pega-se à esquerda(tem uma porteira) bem perto do marco, o terrível trecho de trilha, bem demarcado, mas com várias valas, pedras soltas e escorregadias, mato bem alto, por muito pouco não entrou um espinho no meu olho(passou bem perto, fiquei com o olho inchado por algum tempo, por sorte, feriu abaixo do olho esquerdo). Essa trilha é praticamente descida e reta.

O destaque histórico está no marco 595, onde está um chafariz de 1792 em bom estado de conservação(aqui vc pode abastecer com ótima água potável).

Assim que saimos da mata fechada, entramos num descampado, avistamos duas cidades no horizonte, e nuvens negras, sinalizando chuva forte à frente.... o vento começou a soprar forte, a chuva logo chegou, tivemos que sair do trecho dos marcos, e seguir o dos veículos, em função dos raios/relâmpagos que caiam, chegamos num entrocamento de 4 estradas, na dúvida, tivemos que retornar 1 km prá perguntar qual rumo seguir, pois não havia nenhuma placa indicativa(não tem marco no trecho de carro)........ saimos cerca de 2 kms à frente de São bartholomeu....a chuva chegou de novo..... seguimos pela estrada, sem problema, depois de algum tempo(no marco 629), entramos em outro trecho de trilha, tivemos que atravessar um riacho com água na altura dos joelhos.....trecho pequeno, cerca de 3 kms, mas estava sujo e com uma subida forte. Na saída da mata, ja avistamos Glaura, passamos dentro de um pasto, atravessamos uma ponte, e pronto...terminamos o temível trecho!

 

Então vamos procurar acomodação! não é que a única pousada da cidade, ficava a mais de 8 kms prá frente.....e ai? já estava escurecendo, fomos até o único bar de Glaura, prá comer algo e saber se existia alguém que poderia nos receber em sua casa, segundo o dono do bar, ninguém fazia isso...... E agora!

 

A PRIMEIRA SURPRESA AGRADÁVEL DA VIAGEM:

minha esposa, diante da negativa do dono do bar, foi até a rua e perguntou a uma senhora que passava, se existia alguém na cidade que poderia oferecer hospedagem......para nossa surpresa, ela ofereceu a casa dela........ gente finíssima, tivemos momentos de total desconcentração ao lado dessa incrível senhora, divertidíssima. Ela é aposentada como professora da escola da cidade.

Diante do oferecimento de acomodação, perguntamos a ela o preço da estadia.....ela disse: vcs são meus convidados, e terei enorme prazer em recebê-los.....e lá vamos nós.......Mas, no final, paguei o justo.... acho que ela gostou..... É assim, jamais podemos aproveitar da situação...ela teve custo conosco,se disponibilizou a cozinhar....... ELA COBRARÁ DOS OUTROS VIAJANTES, NADA MAIS JUSTO...... FICA O ALERTA!

Prá começar, fêz uma excelente jantar, ao estilo mineiro, com muita fartura, e, acima de tudo, excelente....que macarrão com queijo mineiro(não deve nada aos grandes restaurantes estrelados do brasil), depois serviu doce de figo e de cidra ralada...DELICIOSOS.... de barriga cheia, fomos dormir, cama boas..... lá pelas 5 da manhã acordo com o barrulho dos gansos(sim, ela cria galinha, gansos, patos........), fiquei preocupado, será que entrou ladrão justamente hoje que estamos aqui....... mas a surpresa veio na hora do café da manhã....ela madrugou, para fazer um delicioso bolo prá nós, e os ovos veio direto do produtor(sic), fresquinho......mas que café......... mineiro realmente sabe receber as pessoas!

Ela ficará eternamente em nossos corações, que Deus a ilumine cada vêz mais!!!!

 

Como na casa dela tem 3 quartos, com várias camas, orientamos ela a disponibilizar acomodação para os viajantes, pois fica num lugar estratégico, não tem pousada lá.....ela ficou animada, e ficou de estudar o caso........se ela abrir.....RECOMENDO.

Enviaremos uma correspondência ao governo mineiro, informando a eles, a necessidade de viabilizar projetos voltados a pessoas, que possam receber turistas nas cidade que não tem hospedagem.....citaremos o caso dela....

 

Para aquelas pessoas que farão o trecho à pé, informarei o telefone dela(ela autorizou), se porventura, ficar sem acomodação, entrar em contato, via fone, e verificar se pode recebê-los:

Nome: Ailza

Fone: (031) 3553-7106

Endereço: Rua dos flores Nº 17

Casa ao estilo mineiro, com fogão à lenha, camas boas, comida(nem se fala, ótima), Café da manhã ótimo, banho quente....TV

Obs.: não é certeza que ela oferecerá hospedagem, quem estiver disposto a ir até lá, procure se informar antes, pois ela recebe muita visita em casa....e negocie, também, o preço .....

 

Obs.: Não consegui fazer ligação, via celular;

As pessoas oferecem carona a todo momento, se porventura, sentir algo, as pessoas param para ajudar, somente nas trilhas que não tem movimento algum, era somente nós dois e Deus!

 

IMPORTANTE: A primeira trilha, estava com o mato bem alto, portanto, sugiro que se forem fazer, principalmente em épocas de chuvas, façam com camisa manga comprida, calça, boné e óculos escuros....muitos espinhos...

 

Algumas fotos:

Trilha Ouro preto x Glaura:

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Chegada em Glaura:

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O primeiro anjo(Ailza em glaura) que ajudou na nossa travessia:

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2º DIA - 29/01/2013 - terça-feira:

 

Saída de Glaura às 07:15hrs, chegada em Engenheiro Correa às 14:00hrs

Aproximadamente 25 kms

 

Já tomei café da manhã bom, mas igual a da casa da ailza não tem!!....ela se superou, fêz um suco de couve com gengibre, laranja, beterraba......que segundo ela, iria ajudar nas próximas caminhadas....comemos geléias de vários tipos(jaboticaba, abacaxi....), doces vários, pão, bolo feito na hora, com produtos caipiras....ai que bom aquilo lá.....estamos até hoje sentido saudades.......

 

1º trecho: Glaura x Cachoeira do campo(distrito bem estruturado com bom comércio) +- 7 kms, fizemos em aprox. 2 horas

Sorte que dormimos em Glaura, pois entre as duas cidades, subida fortíssima, em asfalto, tempo estava nublado e não pegamos sol forte;

Chácaras lindas antes de cachoeira do campo

 

2º trecho: C. do campo x Santo antonio do Leite(distrito pequeno) +- 8 kms, fizemos em aprox. 2 horas

Trecho tranquilo, cuidado na entrada da cidade de S.A leite, descida fortíssima, com pedras de pé-de-moleque, que com chuva ficam escorregadias;

 

3º trecho: S.A. do Leite x Engenheiro Correa +- 10 kms, fizemos em aprox. 02:20hrs

Trecho com algumas subidas/descidas, mas nada assim tão forte, pegamos um pouco de chuva

 

Engenheiro Correa, é um distrito bem pequeno, pouco comércio, somente umas ruas.

 

Hospedagem em E. correa:

Bar do Tonho(a única hospedagem), na rua principal, quartos de casal bons, banho quente com aquecedor solar, de manhã água mais fria, camas boas, frigobar, TV, wi-fi(mas com sinal fraco), lavanderia, café da manhã simples(pão, mamão, bolo, café e leite)...preço:R$75 casal.

Tem quartos com várias beliches, infelizmente não perguntei o preço dessa camas...mas deve ser barato.

CONTATO: (031) 3554-1175 falar com tonho(gente finíssima) é bom reservar antes, se forem ficar nos quartos privados(tem somente dois ou três quartos privados), o resto quartos com vários beliches, quando ficamos lá, estava lotado pelos funcionários de uma empresa.

 

No bar do tonho serve refições(ótimas): comercial: R$16,00 - PF: R$9,00 - macarrão a bolonghesa: R$12,00 serve 2 pessoas

 

Algumas fotos:

Ao fundo igreja revestida em ouro...linda - mas está em reforma.

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Igreja pelo caminho

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3º DIA - 30/01/2013 - quarta-feira:

 

De engenheiro Correa a Lobo leite, aprox. 32 kms - 06:45hrs de caminhada e depois busão entre L. Leite x Congonhas

 

1º trecho: engenheiro Correa x Miguel Burnier - 15 kms - aprox. 03:30hrs

Trecho com muitas subidas/descidas fortíssimas, tempo fechado com muita neblina, nem conseguimos ver a paisagem, pegamos muita chuva antes de M.burnier, estrada de terra com muita poças d'água;

Cuidado ao avistar um viaduto, logo após tem uma siderúrgica, trânsito pesado de caminhões.

Em M.burnier tem somente uma venda(mercearia),segundo os moradores não tem hospedagem.

 

2º trecho: M. Burnier x Lobo Leite, aprox. 17 kms - 03:15hrs

Trecho bem leve(praticamente somente descidas), cuidado somente com os caminhões, muitos mesmo.

A parte do asfalto é mais complicada, devido a largura do acostamento, muitas curvas fechadas..... o minério de ferro é transportado, pelas estradas, através de caminhões, acontece que o pó que caí deles, fica no acostamento, esse pó reflete o sol diretamente nos olhos, portanto nesse trecho aconselho o uso de óculos de sol.

A Gerdau construiu uma barragem perto de M.burnier, seu lago artificial lhe acompanhará por um bom trecho.

Pegamos um sol forte até próximo de Lobo Leite, mas uns 2 kms antes, pegamos um diluvio....choveu tudo que podia, sorte que embalamos nossas roupas.....chegamos molhados.....crentes que ali tinha hospedagem.......não havia......tivemos que pegar um busão. Tentamos conversar com os moradores para ver se alguém oferecesse a casa pra nós....mas nada feito....nem pagando! tudo bem...vamos pra frente mesmo. no outro dia retornaríamos

 

Obs sobre hospedagem:

Em Santo Antonio do Leite, uma pessoa nos garantiu que em Lobo leite tinha várias pousadas, então fomos tranquilos, mas na realidade a cidade tem somente um restaurante....o único hotel fica a uns 4 kms, fora da estrada real, na rodovia, portanto fora de questão, pois a cidade de Congonhas fica a somente 9 kms da cidade, mas como já tínhamos caminhado 32 kms no dia, resolvemos pegar um busão(coletivo, R$2,25 p.pessoa) e dormir em Congonhas...... além de tudo estava chovendo forte.

O rio que corta congonhas estava quase transbordando..... aqui ficamos em dúvida se continuaríamos a fazer a ER..... cogitamos desistir!

 

HOSPEDAGEM EM CONGONHAS:

Pouso Mineiro, perto de uma ponte, no centro, camas boas e novas, café bom(mas contado), wi-fi, banho quente, TV.... o problema que fica bem próximo a linha do trem, e lá pelas 05 da manhã, o barulho atrapalha um pouco...parece que o trem tá dentro do quarto.....credo! mas foi o mais barato que conseguimos: R$90,00 casal.

Dados que peguei na internet: Rua Benedito Quintino, 98 fone: (31) 3732-2666

 

Levamos as roupas molhadas e sujas para lavanderia(no centro da cidade, numa casa), foram 12 peças por R$25,00;

 

Comemos um self-service, coma a vontade(mas uma carne por pessoa) por R$13,00 cada pessoa.....

 

Nos trechos de trilha(entre Ouro Preto x glaura), usei bota com cano curto, me deu algumas bolhas, principalmente no calcanhar, e machuquei muito os dedos, ai resolvi o problema com um tênis velho que levei, e comprei uma fita microporosa branca da Cremer.... comprei de outra marca, mas não ficava muito tempo nos dedos.....

Dessa vez não caiu nenhuma unha, e as bolhas desapareceram, pois usei Nebacetin pra curar as feridas dos pés...resolveu bem!!!....

Não deixem de levar esparadrapo e band-it.

 

Algumas fotos:

Muita chuva, à frente viaduto..estrada antes do M.burnier

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Represa da gerdau antes de Lobo Leite

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Olha a altura que a água chegou - Congonhas....choveu pra caramba na região e, o pior, estávamos hospedado numa pousada na beira desse rio!

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4º DIA - 31/01/2013 - quinta-feira:

 

De Congonhas a Lobo Leite, aprox. 8 kms - fizemos em 02:10 hrs

 

Foi o trecho mais curto de toda a viagem. Nesse período(dez/jan/fev.) não é recomendado fazer essa travessia, muita chuva mesmo.....o problema, além da chuva, é a grande incidência de raios, muito perigoso caminhar nos campos abertos.

 

Saímos da pousada com a intenção de pegar o busão que saia cedo, mas chegando na rodoviária ele já tinha partido, então resolvemos fazer o caminho inverso(Congonhas x Lobo leite), mas como estávamos com a planilha inversa, sofremos muito, pois há muitos entroncamentos na estrada de terra, no final andamos uns 2 kms á mais..... Esse trecho é tranquilo, com algumas subidas/descidas leves....mas pegamos um temporal a uns 3 kms antes de Lobo Leite, outro diluvio.... a uns 100 metros da cidades, o rio estava passando por cima da única ponte que liga as duas cidades, então ficamos esperando alguém que poderia ter outra alternativa, pois o rio estava muito acima da ponte, não dava pra ver, nem os guardas-corpos......

Nisso apareceu um morador que nos orientou a voltar uns 200 metros, entrar numa mata fechada, e seguir até a linha do trem, fizemos isso.....mas imagina, caindo um diluvio... mata fechada, somente caminho estreito.....piso escorregadio.....credo!! levei um tombo e quase quebrei o braço...seroa o fim da viagem...esse caminho passava bem próximo a uma cerca, dai o problema, raios caindo e nós próximos da cerca......foi tenso.....mas tudo terminou bem, chegamos a tempo de comer um ótimo comercial no único restaurante da cidade.

Almoçamos no restaurante tia Maria(apesar de estarmos bem molhados, a proprietária nos arrumou um lugar no fundo), comida ótima, bem no estilo mineiro...muita gordura, mas deliciosa.... comercial: R$19,00, dá pra duas pessoas.

Com a barriga cheia, pegamos o mesmo busão(R$2,25) de ontem, e voltamos para Congonhas, foi um dia quase perdido, pois nossa intenção era dormir mais á frente.....mas a segurança em primeiro lugar.

dormimos no mesmo lugar de ontem(pouso mineiro - Congonhas).

 

Com a tarde livre, resolvi subi até a igreja onde tem os profetas confeccionados pelo aleijadinho, subida fortíssima, valeu a pena(vista lindíssima da toda cidade, além da obra de arte dele), queria visitar a igreja, mas estava fechada.

Nesse dia, comi um ótimo caldo de mocotó(R$5), com um torresmo(ótimo, bem grande mas bem sequinho - R$3), comemos X'tudo...e cama....preparar o espírito para o que estava por vir.....até ali, estávamos pensando em desistir da travessia, o risco era muito grande....todo dia, tinha que analisar a previsão do tempo, ponderar se valia a pena seguir ou desistir de vez...... mas a vontade foi maior.....ficamos tentados a seguir viagem.....desistir depois de tudo, era uma decisão difícil de tomar, mas minha parceira sempre otimista.......

Ai percebemos uma coisa, a chuva começava por volta das 12 horas, então começamos a acordar bem cedo, assim quando começava a chuva, já estávamos bem próximo do outro destino. E assim foi até Paraty.......

 

Caminho entre Congonhas x Lobo Leite, muita chuva.....

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Uns 100 metros antes de Lobo Leite, rio passando por cima da ponte......muita chuva, mas muita chuva mesmo....molhamos até a alma

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Subida para igreja dos apóstolos.....muito forte

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Mas valeu a pena....linda igreja....pena que estava fechada

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5º DIA - 01/02/2013 - sexta-feira:

 

De Congonhas a São Brás de Suaçuí - aproximadamente 26 kms em +- 06:20 horas.

 

1º Trecho: Congonhas x Pequeri - +- 03:30 Horas:

Nossa pousada ficava na parte baixa de Congonhas, tivemos que subir muito com as mochilas até a igreja dos profetas....o primeiro marco fica quase fora da cidade.......

Esse trecho é até tranquilo, mas com algumas subidas/descidas fortes(normal em MG)..... chegamos em Pequeri, num ponto de ônibus, paramos para descansar(se por acaso forem fazer esse trecho, vçs podem pegar esse busão e voltar a Congonhas). Esse distrito é muito pequeno, não tem estrutura algumas(nem bar), somente tem um restaurante/pousada a uns 2 kms da cidade, na br-383, mas voltando pra Congonhas..... nosso caminho era por estrada de terra....

 

DICA: Uma funcionária do posto de saúde de Pequeri, me informou o contato da única pousada:

Pousada(pesque-pague) Hawai, br-383 +- 2 kms do distrito.... fones: (031) 9929-6203 e 031-9646-1341

 

2º Trecho: Pequeri x S.Brás de Suaçuí - +- 02:40hrs:

Depois de Pequeri, pega-se uma subida forte e chega numa fazenda........nesse trecho tem uma pequena trilha, bem sinalizada, mas devido as fortes chuvas, muitos buracos, lama e poças...... essa trilha fica praticamente ao lado da a br-383....... tivemos problemas com os bois, pois tivemos que atravessar um pasto ...mas nada preocupante.....chegamos num condomínio fechado....o sol tava forte..... entra de novo na estrada de terra até uns 2 kms de sb suaçuí.... depois asfalto até o centro. Nós paramos num posto na entrada da cidade, mortos de sede e de fome, e deliciamos com a comida mineira....ótima.....

 

Jantamos num restaurante perto do hotel, macarrão a bolonhesa (R$12) salada mista(R$10).....

 

Hospedagem: A cidade tem(segundo informações dos moradores, 3 hotéis), por azar escolhemos o mais sujo(pelo visto).... Hotel muralha, camas/colchões ruins, roupas de cama sujas e fedendo....café da manhã bom, banho quente e privado, TV, wi-fi..R$110,00 casal....caro pelo que oferecem....eu não recomendo, quando forem subam mais um pouco, depois da praça tem outro hotel.

 

SÃO BRÁS DE SUAÇUÍ: Pequena cidade mineira, mas com estrutura boa(hotéis, restaurantes, farmácias, supermercado...)

 

Algumas fotos do trecho:

Amanhecer em minas gerais...próximo a Congonhas

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Caminhando bem cedo

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Que sufoco

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Igreja Matriz de SB de Suaçuí

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6º DIA - 02/02/2013 - Sábado:

 

De S.B do Suaçuí a Entre Rios de Minas - aprox. 20 kms em +- 05:00 horas.

 

Esse trecho é mais fácil.... passamos por diversas fazendas, com grandes plantações de milho e muito gado(corte e de leite), devido as fortes chuvas(chovia muito à noite), o piso estava muito escorregadio com lama e poças, os riachos que tivemos que atravessar estava com a água na altura dos joelhos, mas foi tranquilo....alerto para a quantidade de bois que vc vê na estrada, tome cuidado quando for cruzar com eles.....a chuva não deu as caras, mas estávamos com todas as nossas roupas molhadas, e como era sábado e, o tempo nublado, ficamos preocupados, em lavá-las e não conseguir secá-las...... Almoçamos num self-service na praça da matriz(R$22 o kg).

 

ENCONTRANDO OUTRO ANJO NO CAMINHO:

Hospedagem: POR SORTE ENCONTRAMOS OUTRO ANJO NA ESTRADA..... é que nos indicaram a pousada flor do jacarandá, no centro da cidade(rua principal, na parte alta da cidade), a subida é forte..... chegando lá, fomos atendidos pela dona....a SILVINHA.... vendo o estado de nossas roupas, abriu a lavanderia da casa dela e lavou/secou todas as nossas roupas..... lá pelas 7 da noite, ela nos levou de carro para saborear um excelente macarrão a bolonhesa num restaurante muito simpático da cidade....gostamos muito.......No outro dia saímos bem cedo, muito gentilmente ela acordou mais cedo e fez um delicioso café da manhã.....quanta saudade do pão-de-queijo que ela nos ofereceu...

OBRIGADO SILVINHA/ESPOSO.....vcs ficarão pra sempre em nossos corações....obrigado mesmo!

 

HOTEL FLOR DO JACARANDÁ (http://www.flordojacaranda.com.br/😞 Na rua comercial do centro, fica embaixo de uma loja de variedades(dos donos)....super/hiper confortável, aptos com camas ótimas, tv a cabo, wi-fi, banheiro super limpo, café da manhã ótimo..diária: R$100,00, mas durante a semana é mais caro..e fica lotado, pois atende várias empresas da região...liguem antes....RECOMENDADÍSSIMO!!

 

ENTRE RIOS DE MINAS: cidade com ótima estrutura(bons hotéis, restaurantes pra todos gostos, comércio forte......).

 

Algumas fotos:

Plantações de milho......

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Vista maravilhosa de cima

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Entre Rios de Minas

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7º DIA - 03/02/2013 - Domingo

 

De Entre Rios de Minas a Casa Grande - Mais de 32 kms em 08:15 horas.

 

No início asfalto, mas com acostamento, depois entra numa estrada de terra sem fim, com muitas subidas/descidas fortes com sol forte.....em Camapuã(pequeno distrito), comemos uns salgados num bar(tem somente dois)....saindo na saída pegamos um forte temporal, e não tinha lugar pra abrigar, as capas das mochilas aguentaram bem o tranco......a chuva parou e o sol atacou de novo..... chegamos bem cansados em Casa Grande.....

DICA IMPORTANTE: Depois da igreja(+- 1km), vc encontra um entroncamento, vire a esquerda, aqui vc notará que dois marcos estão em lugares errados....o 815 e o 816..... vc sai do entroncamento e já vê eles....só que a planilha diz que eles estarão a uns 3 kms....(a planilha está certa)......

Em todo o trecho tem marcos em lugares trocados.

 

HOSPEDAGEM/REFEIÇÃO: Pousada da dona Irene(031) 3723-1226, perto do colégio, tem somente 3 quartos, mas se porventura for um grupo grande, ela consegue acomodação em outras casas(mas tem que avisar bem antes)....camas boas, tv na sala, banheiro coletivo limpo..preço: R$50 casal sem café da manhã, mas ela fornece à parte.

Dona Irene fornece comida....feita no fogão a lenha, como era domingo, o rango foi ótimo....vi uma carne sendo curtida numa banha de porco e perguntei se ela podia fazer, imediatamente e preparou pra nós....uma delícia......

 

CASA GRANDE: pequeno distrito, com pouca estrutura(tem 2 pequenas pousadas(uma na entrada da cidade)....não vi restaurante, lojas.....mas, foi no domingo)....

 

Algumas fotos:

Sinalização na estrada de terra, muita chuva e muitos buracos...

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  • 3 semanas depois...
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8º DIA - 04/02/2013 - Segunda-feira

 

De Casa Grande a Lagoa Dourada - aprox. 25 kms em +- 08:00 horas de caminhada.

 

ESTRADA DE TERRA:

Boa sinalização, marcos nos lugares certos, com muitas subidas/descidas fortes, passará próximos de várias fazenda de criação de gado e jumento... no início sol forte, avistamos no horizonte o céu escuro, passou um tempo e fomos pegos no meio de um descampado pela chuva, com raios e relâmpagos, foi tenso...........quando chegar no asfalto, deverá virar à direita, e descer até o próximo marco(fica do lado esquerdo, meio escondido), pegamos outra estrada de terra, e uns kms a mais, chegamos no início da trilha, os marcos sinalizava o início da trilha, mas estava com mato alto e difícil localização.

A primeira cobra morta que vimos(de uma série de umas 20), foi na saída de Casa Grande, uma coral toda picada no facão..

 

TRILHA DE +- 3KMS - antes de L. Dourada:

Como o caminho estava com mato alto, fomos perguntar para um morador, depois das dicas...seguimos.... IMPORTANTE: quando chegar no riacho, atravesse um tronco que os morados colocaram, e logo a seguir, verá um marco do outro lado da cerca(é que fecharam o acesso por aquele caminho), na planilha diz pra subir margeando a cerca...só que é uma subida forte e não verá caminho algum....é que o caminho era entre as duas fazendas e o caminho no meio(fizeram cerca impedindo a travessia pelo caminho certo).....

Ou seja, ao invés de subir o morro(quando avistar o marco do outro lado da cerca), vire a sua direita(na diagonal, sem subir) e siga até o final, numa cerca, do outro lado verá um caminho que sobe o morro do outro lado....tem que passar pelo meio da cerca.......não tem porteira.

 

Num dos marcos li que Lagoa Dourada é a capital do rocambole...... que delícia....tem de vários tipos...muitoooo bommmmm.... e barato, cerca de R$3,00 no centro da cidade e numa padaria perto do hotel.

 

HOSPEDAGEM: Pousadas das Vertentes(032) 3363-1103, na praça da matriz, casarão antigo com moveis antigos e de época, com quartos confortáveis, camas/colchões ótimos, banheiro limpo, TV. wi-fi, bela vista da cidade, café normal..preço R$80 casal, a proprietária é super atenciosa.

 

LAGOA DOURADA: cidade bem estruturada, com vários restaurante, bancos, boas lojas, hotéis.....), pra jantar procure o posto perto da rua principal....em quase todas cidades pequenas, não tem restaurante que abre pro jantar.

 

Tivemos que encarrar essas nuvens negras próximo a Lagoa Dourada....muitaaa chuva....raios..relâmpagos.. tenso

DSC04278_zpsa5aa4a75.jpg

3 kms de trilha, simples né....desde que esteja bem sinalizada, e o mato baixo....foi tenso

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Charmosa pousada em Lagoa Dourada....

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    • Por mcolzani
      Eu e minha esposa Magali decidimos em setembro de 2020 fazer a travessia. Começamos a planejar e nos preparar desde então. Definimos que a melhor data seria na semana santa pois seria mais fácil de conciliar férias, folga etc e ainda daria uma margem de segurança maior caso fosse necessário estender a travessia.
      Fomos com o objetivo de caminhar no mínimo 35km/dia mas tentar fazer 40km/dia, que reduziria em um dia a travessia.
      Inicialmente iríamos seguir no sentido sul (Rio Grande x Barra do Chuí), porém na semana que antecederia nosso início a previsão indicava maior incidência de vento sul e optamos em inverter, saindo da Barra do Chuí no sentido norte.
      Saímos de Itapema/SC de carro até a rodoviária de Pelotas/RS no dia 27/03 onde deixamos nosso carro e pegamos o ônibus até Chuí. Chegando em Chuí levamos 20min até conseguir um taxi para a Barra do Chuí (lá não existe Uber/99 etc).
      Pernoitamos em um Airbnb lazarento, mas enfim, a ideia era ficar bem próximo da praia para conseguir começar a caminhada cedo.
      Obs: não conseguimos sinal de celular na Barra do Chuí.
      Dia 01
      Iniciamos a caminhada as 06:00 do dia 28/03/2021 com vento sul moderado. Nossa ideia inicial era fazer uma parada a cada 10km, porém preferimos tocar direto até Hermenegildo e nos abrigar do vento.
      Foram aproximadamente 13km até essa primeira parada. Aproveitamos para comunicar os familiares.
      Trocamos as meias e seguimos a caminhada. Logo ao passar Hermenegildo começou uma chuva leve. Vestimos a capa de chuva e continuamos.
      Poucos km a frente a chuva engrossou, porém não havia local para abrigo e continuamos a caminhada por mais 5km até encontrar um barraco de pescador onde nos abrigamos por aproximadamente 1 hora até a chuva passar.
      Ao longo do dia o sol ia e vinha. 
      Como era domingo, vários moradores de Hermenegildo passavam de carro.
      Estávamos aproximadamente no KM 38, totalmente secos quando uma chuva torrencial nos atingiu. Sem possibilidade de abrigo, seguimos até completar 40km e montamos acampamento em meio as dunas (agora sem chuva).
      Nessa noite ventou pouco, porém a chuva recente e o orvalho que se formou acabou gerando um pouco de condensação no interior da barraca.
      Jantamos, cuidamos dos pés e eu percebi a primeira bolha inesperada (bolha nos mindinhos eu já esperava).
      Distância: 41km (areia fofa)
      Dia 02
      Despertador tocou as 5:00, comemos, organizamos as coisas e levantamos acampamento. Eram aproximadamente 6:45 quando começamos a caminhar com as roupas e tênis molhados.
      Decidimos racionar a água para reabastecer na casa do Sr. Ricardo que possui poço e atingiríamos entre 10 e 11 horas da manhã.
      Faltando 1 km da casa do Sr. Ricardo, avistamos uma vaca deitada na beira da praia. Minha esposa achou que ela estivesse morta, mas eu percebi movimentos de orelha. Estávamos a 50mt dela quando nos observou e levantou assustada. Virou-se contra nós e avançou em nossa direção. Nesse momento tentei chamar atenção para mim e me afastei da minha esposa. Imediatamente empunhei os bastões como se isso fosse resolver alguma coisa. A vaca recuou e virou da direção da Magali quando pedi para ela ficar parada e fui até ela. A vaca ameaçou novamente e juntos erguemos os bastões lentamente até que a vaca recuou e se afastou pelo outro lado. Lentamente nos desviamos e seguimos nosso rumo. A adrenalina subiu bastante nessa hora e o susto foi enorme. Melhor que nada aconteceu e ficou apenas por isso.
      Chegamos na casa do Sr. Ricardo e chamamos por ele. Não estava, enchemos nossas garrafas e tratamos com cloro. Enquanto isso, aproveitamos a sombra para um descanso e para trocar as meias.
      Descobri uma nova bolha se formando em baixo do outro pé.
      Quando estávamos para sair chegou um veículo com 3 homens que estavam construindo uma nova casa para o Sr. Ricardo mais aos fundos (pois a atual está quase sendo tomada pelas dunas). Conversamos um pouco e seguimos nossa caminhada.
      Por ser 2a-feira, nesse dia praticamente não tivemos contato humano. Nesse dia encontramos o único caminhante que veríamos ao longo da nossa caminhada. Nos cumprimentamos, conversamos rapidamente e cada um seguiu seu destino. Nós querendo seguir e ele querendo terminar logo.
      No meio da tarde pegamos chuva novamente. Decidimos proteger os tênis com o saco que usávamos para atravessar os arroios pois não queríamos andar novamente com os pés molhados.
      Esse foi o pior dia e a pior noite, o dia todo foi um misto de "chega, vamos desistir, etc", por sorte não passou ninguém oferecendo carona. 
      Quando paramos para acampar, ventava sudoeste e então montei a barraca abrigado por dunas nesse lado. Só havia abertura pequena para o leste e foi ai que começou nossa pior noite. Já estávamos dormindo (aproveitamos 21:30) quando o vento virou leste com chuva forte.
      Vacilei ao não reforçar o estaqueamento da porta que estava exposta ao leste e aconteceu o óbvio, o speck soltou e essa lateral "caiu". Fiquei sentado encostado no bastão para a lateral ficar de pé. Quando estiou sai à procura de algo para ancorar essa porta e achei um barril cortado que coloquei sobre o speck e enchi de arreia.
      Nessa noite continuou ventando muito e chovendo diversas vezes.
      Distância: 40km (areia fofa com bem pouca área firme)
      Dia 03
      Despertador tocou as 5:00, estava chovendo e botei o soneca para + 15min. Continuava chovendo e seguimos dormindo até aproximadamente 6:15 quando parou de chover, então comemos e saímos para caminhar já eram 8:00.
      Decidimos que 30km estaria bom para esse dia.
      Seguimos +/- a ideia do dia anterior e racionamos a água para reabastecer no Farol Albardão que estava a 7-8km de distância.
      Fomos muito bem recebidos no Albardão onde bebemos água e reabastecemos todas nossas garradas. A água lá é potável, então não tratamos nem filtramos.
      Nesse dia percebemos que uma parada a cada 10km não era sustentável e decidimos parar a cada 7km. Nesse dia comecei a sentir fortes dores na junção do fêmur com o quadril e comecei a "mancar" para não estender a perna e doer mais. Assim foi praticamente até o final da travessia.
      Outro dia que tivemos pouco contato humano e com pouco vento, dessa vez sentido leste.
      Apenas no final do dia quando chegamos na área de reflorestamento que avistamos 2 caminhões saindo de uma área indo no sentido norte.
      Quase no final do dia, avistamos um morador indo recolher sua rede. Perguntamos se conhecia algum lugar bom para acampar na região querendo ouvir um "pode acampar no lado da minha casa" mas veio um "lá naquela baleia tem uma base do reflorestamento, talvez consiga lá". A tal baleia estava a uns 3-4 km e já estava começando a anoitecer. Deveríamos nos arriscar a andar toda essa distância e chegar lá de noite correndo o risco de nem achar a base? 
      Preferimos seguir mais 1km e acampar em meio as dunas altas. Dessa vez ancorei muito bem praticamente todos os lados da barraca para não ter surpresas.
      Novas bolhas para cuidar.
      Dormimos magnificamente bem. Como todas as noites anteriores, choveu bastante durante a noite.
      Distância: 35km (areia fofa)
      Dia 04
      Despertador tocou as 5:00, comemos, organizamos as coisas e levantamos acampamento.
      Nesse dia acreditamos que seria difícil manter o ritmo e terminar em 6 dias. Já aceitamos que precisaríamos de 7 dias. Porém mantivemos o desejo de fazer os 35km.
      O dia foi bastante movimentado, muitos caminhões, ônibus, etc. Sabíamos que agora a água viria apenas dos arroios, porém perto das 11:00, quando devíamos ter apenas 1 litro de água, vimos um quadricíclo vindo em nossa direção. Pedi para parar e perguntei se sabia de algum ponto de água pela frente. Conversamos um pouco e o Mauro, funcionário da empresa de reflorestamento, se ofereceu para ir pegar água na base deles. Deixamos nossas 4 garrafas de 1,5lt com ele. Uma hora depois ele passou por nós e falou que deixou as garrafas em uma placa mais a frente para que não precisássemos carregar todo o peso. Caminhamos uns 2km até chegar nas garrafas, tratamos e filtramos. Ficamos absurdamente contentes, não tinha como ficar mais contente.
      Próximo das 15:00 uma caminhonete branca nos intercepta. São funcionários da empresa de reflorestamento. Conversamos um pouco e eles falam (se pedirmos) que iriam trazer água para nós quando voltassem. Ganhamos o dia e agora não tinha mais como melhorar mesmo.
      Uma hora depois passa outra caminhonete igual (também da empresa) e pergunta se queremos algo (água, comida, fruta etc). Respondo que aceitamos qualquer coisa, mas principalmente água. Ele diz que na volta trará algo para nós.
      Continuamos a caminhada e com o sol de pondo resolvemos achar um local para acampar. Enquanto montava a barraca a esposa ficava nas dunas de olho se vinha alguma caminhonete.
      Quando terminei de montar a barraca, avistei um veículo vindo e como já estava escuro sinalizei com a lanterna.
      Dois santos que caíram do céu. Nos trouxeram 4 litros de água tratada e gelada (com pedaços de gelo ainda). Não só isso, trouxeram duas marmitas e frutas. Estávamos nos sentindo reis.
      Só então percebemos que montávamos acampamento praticamente na entrada de uma base deles e nos falaram que o movimento de caminhões ali seria a noite toda pois a operação deles é 24hrs. Nos ofereceram ficar em um alojamento vago.
      Agora certamente não tinha como melhorar. Decidimos aceitar o convite pois o local onde estávamos era de dunas baixas e o vento provavelmente iria incomodar. Caminhamos quase 2km até chegar na base e nos deparamos com o inimaginável, além de tudo que já tinham nos oferecido, poderíamos tomar um banho quente em chuveiro a gás.
      Nossa energia se renovou absurdamente nessa noite. Decidimos dormir uma hora a mais nessa noite pois não precisaríamos arrumar muita coisa pela manhã.
      Agradecemos ao pessoal que nos recebeu e principalmente ao Rodrigo (encarregado). Pegamos seu contato para agradecer novamente quando concluíssemos.
      Nesse dia outras bolhas surgiram e algumas antigas começavam a parar de incomodar.
      Distância: 42km (enfim, areia firme)
      Dia 05
      Despertador tocou as 6:00, comemos, organizamos as coisas, reabastecemos nossa água, nos despedimos do pessoal e começamos a caminhada.
      Pela distância percorrida no dia anterior, decidimos que esse dia seria de luxo, 35km bastaria.
      Saímos dá área do reflorestamento e começamos a avistar as torres geradoras de energia eólica. Que visão horrível. Você começa a enxergar elas a 20-25km de distância, então caminha, caminha, caminha e caminha ainda mais e nunca chega.
      Esse dia foi um dia caminhando olhando apenas para baixo, pois era desmotivador. Esse foi o 1o dia que não pegamos chuva na caminhada.
      O vento estava moderado a forte no sentido leste, o que fez com que a maré estivesse acima do normal, nos forçando a subir para areia fofa em vários momentos.
      Ao final do dia, chegamos em um trecho de dunas baixas e já bateu aquela sensação ruim para achar um local bom para acampar. 
      Nós não queríamos ter que andar 500-700 metros para chegar nas árvores, querendo ou não é uma distância que pode fazer a diferença e em terreno ruim.
      Atravessamos o primeiro grande arroio e achamos um ponto menos exposto. Ancorei bem a barraca e dormimos igual reis.
      Distância: 38km (alternando entre areia firme e fofa)
      Dia 06
      Despertador tocou as 5:00, comemos, organizamos as coisas e levantamos acampamento.
      Esse seria o primeiro dia para captar água nos arroios. Estávamos com 1 litro de água e a esperança era conseguir água com quem passasse, afinal era feriado e teríamos movimento. Passou o primeiro carro e nada de água. Logo chegamos a outro arroio grande e decidimos captar água ali e garantir. Pegamos 4,5 litros, tratamos e filtramos.
      Esse dia estava puxado, o vento resolveu querer dificultar e virou norte moderado. Foi o dia todo contra o vento, mas nada nos seguraria. Muitos arroios pela frente, já estávamos exaustos de colocar e tirar a sacola nos pés, mas assim o fizemos durante todo o dia.
      No 4o ou 5o arroio a Magali não olhou bem o terreno e entrou em uma arreia movediça, ficando com os 2 pés enterrados até acima do tênis. Falei para não tentar sair, fui até ela e puxei ela pela cargueira. Saiu fácil mas encharcou os pés e os tênis.
      Andamos, andamos, andamos e a quilometragem não andava. Parecida que estávamos em uma esteira, andava sem sair do lugar.
      Dia bem movimentado, carros, motos, ônibus, bicicletas e o primeiro cachorro de toda travessia. Esse foi o 2o dia que não pegamos chuva na caminhada.
      Enfim chegamos a praia do Cassino, mas ainda tínhamos 13 km pela frente. Parece que foi a parte mais longa da travessia. A praia estava muito movimentada devido ao feriado. Às 16:30, enfim, chegamos aos molhes. Ficamos sem reação, apenas sentamos e aproveitamos o momento.
      Decidimos pegar um Uber até Pelotas e retornar direto para casa.
      Distância: 34km (areia firme)
      Distância total: 230,74 km

      Equipamentos que levamos:
      Murilo Magali Se alguém querer, posso passar também a relação dos alimentos levados.
      Tracklog
       

    • Por Jonas Silva ForadaTribo
      Em tempos complicados nos colocamos na estrada. Foram 26 horas dentro do ônibus. A lotação praticamente vazia, nem 15 pessoas, uma série de protocolos para evitar ao máximo qualquer contaminação. Depois de todo esse trajeto ficaríamos sós, isolados, quase uma quarentena. Sete dias completos e muitas surpresas, superações e no final um evento triste que poderia estragar toda uma viagem, mas deixa pra lá. As pessoas de boa índole não merecem que seja despendida grande atenção para os intrépidos.
      Dia 1
      Ficamos meio período na cidade de Rio Grande, um local de muita história, 9 museus (fiquei sabendo) todos fechados, muita arquitetura e praças dignas de um povo desbravador.

      Ao meio dia pegamos o circular que vai até a Barra. Descemos no último ponto antes do retorno. Recebeu-nos um aguaceiro danado. Enquanto encapávamos a cargueira e colocava a capa de chuva, tomamos o primeiro banho. Só não foi maior porque fugimos para uma varanda ali do lado. Não demorou para o proprietário aparecer. Depois de algumas curiosidades sanadas, seguimos firmes pelo asfalto até o molhes. Já na chegada encontramos um bugue, nele um homem desesperado. Pedindo ajuda. Seu filho, um amigo e o tio haviam seguido pelo molhes mar adentro. O mar enfurecera e subiu rapidamente. O homem fugiu com o carro mas os outros nem sinal, o molhes já estava praticamente tomado de água. O mar quebrava com força, rajadas de ondas cobriam metros acima do monumento. Orientei o a correr na Barra e chamar o bombeiro ou qualquer coisa (nesse momento eu não havia visto a situação do mar ainda). Quando chegamos no molhes, padre mio... Olhei para trás e lá vinha o homem, não tinha ido atrás do bombeiro ainda. Quando peguei o telefone para fazer a ligação um casal que estava em um trailer ali do lado gritou - Lá, estou vendo alguém. Guardei o telefone, os três vinham com dificuldades entre as ondas. O pai desabou em prantos, e xingamentos. Horas mais tarde fui refletir: ele não ligara para o socorro temendo a notícia horrível que receberia. No final todos ficaram bem.
      Para nós, vida que segue. Primeiro não conseguimos chegar no molhes, o mar tinha tomado toda a praia. Desviamos pela direita e saímos nas dunas. Dali seguimos com dificuldades contra o vento e sobre as dunas. Para ter uma ideia os banheiros químicos que ficam na praia estavam todos tombados. Mas não se apavoremos, toda essa situação se devia a um ciclone que estava sobre o oceano nesses dias.

      Caminhamos os 8 km até o Balneário Cassino, durante o trajeto traçamos vários planos B. Se a tempestade não passasse teríamos de esperar alguns dias, em último caso desistir. Pernoitamos num Hostel. Ventava muito. Passei a noite monitorando o ciclone e os ventos pelo app wheater. De madrugada os ventos começariam a se afastar e no sábado já estaria tudo calmo.

       
      Dia 2
      Acordamos cedo, o vento ainda soprava forte, mas o céu já estava melhor. Partimos. Na praia o mar tinha recuado um pouco, apesar do vento sul. Logo na primeira hora, depois da garoa um arco íris pintou sobre o parque eólico. Isso é um bom sinal.

      Seguimos firmes, 3 horas depois o parque eólico ainda estava às vistas. Chegamos no Naufrágio Altair. Pera lá! Chegamos perto dele, as ondas tomavam a ruína. O mar já avançara sobre a praia novamente, muitos dos canais de água se tornaram bancos de areia movediça engolindo os pés. Paramos para almoçar no Hotel Netuno, único lugar abrigado do implacável minuano (vento).

      Voltamos a marcha, agora pelas dunas. A praia estava alagada. Não demorou muito até que a Bruna fosse engolida até a cintura na areia movediça. Com muita luta conseguimos resgatá-la. Um misto de apreensão, medo e comicidade tomou conta dos dois. Às 15:00 demos por vencidos, depois de 30 km, tomamos o rumo da mata, em meio a um novo parque eólico, as poucas árvores restantes serviram de guarida.
       
      Dia 3
      Saímos cedo, ansiosos por descobrir o que o mar reservara. Pelo menos o vento já reduzira pela metade. Com a praia larga a caminhada fluiu bem. Logo cedo avistamos o Farol Sarita. Mais um desafio psicológico. Caminhamos 25 km dos 30 km, avistando o luminoso, e nada de chegar. Parecia que o negócio tinha rodinhas. Logo depois do almoço o mar voltou a complicar. A caminhada voltou a ser pela duna. Em poucos quilômetros encontramos um homem todo esfarrapado, com uma faca e olhar desafiador. Com receio, me aproximei a tentar um diálogo. Não entendi nenhuma palavra que ele disse, tratava-se de um hermitão que vive nas dunas, provavelmente.

      Enfim às 15:00 chegamos no farol, e logo à frente tentamos ir para a mata acampar. Caminhamos 3 km circulando o mangue alagado até que decidimos acampar embaixo de um arbusto na duna mesmo (sei que é burrice, mas depois do hermitão, fiquei um pouco abalado, não com medo de ser atacado, mas vai que ele se sentisse invadido...). Depois de lavar as partes no alagado, deitamos na barraca e nem lembramos mais do hermitão ou de qualquer coisa. Nessa hora o vento já havia cessado. Durante o dia, manhã, encontramos muitos carros e motos fazendo a travessia, a penas um grupo de motocross parou e falou que acampariam perto do Farol Verga, que deveríamos passar lá. Também encontramos um leão marinho e muitas, muitas tartarugas mortas.

      Dia 4
      Começamos cedinho na tentativa de fugir das dunas no período da tarde. O dia estava lindo, céu azul, vento leve, areia fina, mar calmo. Encontramos muitos carros fazendo a travessia nesse dia, também um grupo de ciclistas, que inclusive nos deram água. Logo avistamos a primeira carcaça de Jubarte, no segundo dia tínhamos visto uma Beluga morta. Mais à frente um naufrágio recente ainda bastante visível apesar das ondas.

      Logo que retomamos do almoço encontramos novamente a galera do motocross. Nos disseram que tinham feito um churrasco e esperado por nós, mas... No fim o seu Zeca falou que seria um bom lugar para acampar, e foi o que fizemos. Durante a caminhada da tarde percebemos que algumas caminhonetes iam e vinham pela praia, só não entendi o motivo. Como o mar tinha acalmado e a praia estava larga aproveitamos. Debaixo do sol forte das 14:00 uma das caminhonetes parou, um simpático senhor nos ofereceu um suco de limão, oh glória. Pensa num negócio bom, agradecidos seguimos em frente. Já eram passadas 15:00 quando chegamos no local de acampar. Definitivamente não chegaríamos a tempo de almoçar. Nesse dia alcançamos a marca importante dos 100 km andados.

      Dia 5
      Foi o dia que começamos mais cedo. Logo nas primeiras horas avistamos um senhor maltrapilho, descalço, caminhando com dificuldades. Ainda lembrando do hermitão, me aproximei. Ele com a mão dentro da bermuda, eu com cautela. Surpreendentemente entendi sua fala. Se chamava Paulo, recusou um sapato que tinha minha mochila, recusou comida, apenas aceitou água. Como tínhamos avistado um pouco antes um acampamento de trabalhadores na mata de pinus, orientei o senhor que caso precisasse chegasse lá. Nesse ponto já estávamos no Farol Verga.

      Saindo do Verga avistamos no horizonte um veículo gigante que saiu na areia e rumou para o sul. Não demorou, encontramos um carro parado com adesivos "Pet Free", não sei o que fazia ali. Uma hora depois aponta no horizonte o gigante, eram um caminhão de carregar toras, carregado. Vinha a todo vapor na areia. Passou por nós, buzinou e sumiu no norte. Paramos para almoçar quando encontramos uma carreta parada na areia. Sentamos à sombra e logo o dono dela apareceu. Curiosamente ele tinha o mesmo nome do senhor dos sucos. Conversando, explicou-nos que têm frentes de trabalho que ficam acampadas na floresta de pinus (chegam a 150 trabalhadores). Ele estava com a carreta-casa esperando um ônibus que traria o pessoal de Rio Grande e Pelotas. Quando falei do seu Paulo ele disse que já havia visto o mesmo homem andando de bicicleta na areia, de certa forma me senti aliviado por saber que ele se virava por aquelas bandas.

      Pouco depois de deixar a carreta, encontramos outra Jubarte, essa bem mais conservada. Ao tirar foto da baleia, olhamos para trás e lá estava o ônibus, descendo uma galera.

      Às 14:00 o reflorestamento que nos acompanhara acabou. Percebemos que seria possível chegar no Farol Albardão ainda naquele dia, ele já se desenhava no horizonte. Com 40 km, exaustos, com chuva, chegamos no farol. Já não esperávamos dormir lá devido a pandemia. Montamos acampamento do lado de fora do pátio da Marinha. Como o vento já rugia, fiz algumas ancoras com sacos cheios de areia que, enterrei e amarrei a barraca neles. Fomos dormir assustados com o vento, mas a amarração deu conta.

       
      Dia 6
      Acordamos de madrugada com trovões, vento e muita chuva. O dia clareou e a chuva castigava, meu maior medo não era se molhar, eram os raios. Pensamos em fazer um dia de descanso caso não passasse. Eram 07:15 quando as nuvens começaram a ceder, fizemos um desjejum e partimos, já 08:10. A chuva sumiu, mas as dunas estavam todas alagadas.

       
      Assim que começamos a caminhar começaram aparecer os problemas. Os passos de água que, até então eram raramente fundos, agora pareciam rios de desgelo. E para piorar se multiplicaram, cruzamos em média 5 por km nesse dia. Nessa manhã observamos uma infinidade de caravelas azuis na areia, assim como raízes e galhos que devem ter saído das dunas com a enxurrada (não as caravelas, que, devem ter vindo do mar).

      Só atingimos os 30 km às 17:00, quando avistamos um pedaço de mata, onde nos escondemos à noite. Além de atingir os 150 km nesse dia, tomar água muito boa drenada das dunas, encontrar um bom local para acampar, acompanhamos o segundo pôr do sol nas dunas (o primeiro havia sido no Albardão), tomamos banho fresco na água da chuva acumulada nas dunas e dormimos em meio a algazarras dos periquitos que aninham nas árvores ali.

       
      Dia 7
      Sabíamos que seria um dia longo, faltavam mais de 40 km para chegar no Balneário Hermenegildo onde teria um camping. Partimos às 06:40. O mar tinha recuado muito, as enxurradas formaram muitos canais (já secos). O chão irregular castigou os pés a manhã toda, quando ficava mais plano o conchal tornava os passos mais pesados. Nesse trecho muita vacas vigiam a praia, é grande também o número de ranchos nas dunas. Lá pelas 09:00 encontramos um negócio motorizado, feito em madeira, puxando uma carretinha cheia de entulho, com rodas largas que parecia um rolo compressor, apinhado de gente. Ainda de manhã avistamos mais dois naufrágios quase submersos na areia e no mar, um hotel destruído e um leão marinho começando a putrefação.

      Na hora do almoço se chegamos à sombra de um rancho na areia. Descansamos, aliviamos os pés e retomamos a marcha. O número de veículos que encontramos cresceu exponencialmente, muitas pessoas pescando de molinete. A praia agora alternava em trechos terríveis de irregular e outros menos, mas os pés doem até a alma. O alento é que já avistamos o Hermenegildo. No final foram 45km caminhados, além de bater os 200km. Valeu a pena. Chegamos no Camping Pachuca, o dono (incrivelmente tinha o mesmo nome dos dois outros homens que conversamos na praia nos dias anteriores) nos recebeu muito bem. Ofereceu a garagem para montar a barraca, nos trouxe pão com queijo e mortadela e ainda disse que seria cortesia da casa. Depois do banho, de barriga cheia, e diga-se de passagem a musica no rádio incrível, dormimos feito criancinhas.

       
      Dia 7
      Se demos o luxo de acordar mais tarde e sair só às 08:00. Diga-se de passagem que amanheceu chovendo. E ventando, mas o vento agora era norte e empurrou nos para o molhes. Na praia novamente, não demorou para dois cachorros, muito brincalhões nos acompanharem.

      Foram 15 km tranquilos. Com muitos passos de água, alguns fundos, inclusive. Mais um negócio estranho aconteceu, eram umas 10:00 quando passou uma patrola por nós. O maquinista ainda ofereceu carona, dispensamos numa boa. Chegamos no molhes da Barra do Chui às 11:50. Fomos recebidos por um bombeiro, todo empolgado que nos revelou estar pronto para fazer a travessia nos próximos dias. Descansamos algum tempo refletindo nosso feito.

      Tomamos as ruas do balneário até encontrar um buffet, onde fomos à desforra. De barriga inchada pegamos o ônibus para o Chui, chegamos lá a então a palhaçada. Como o ônibus para Porto Alegre era só às 22:00 ou às 12:00 do dia seguinte, fomos procurar um local para tomar banho e descansar, quem sabe passar a noite.
      Fomos em um posto Ipiranga que segundo o dono da rodoviária tinha chuveiro para os caminhoneiros. Fomos muito mal recebidos, e mesmo oferecendo para pagar fomos recusados. Segunda tentativa, uma pousada. O velhote que nos atendeu, primeiro fez cara de nojo por que talvez não estávamos muito bem trajados, segundo ele estava lotado, sei. Terceira tentativa, outra pousada. O homem que nos viu nem a porta abriu direito, após nos analisar, disse em tom ríspido que não tinha vaga e deveríamos procurar outro local. Respondi pra ele que não adiantaria procurar, o problema não era vaga, era preconceito. Nossa última investida foi um hotel de uma rede, Turis Firper, apesar de não muito barato (afinal não passamos a noite), fomos muito bem recepcionados.
      Às 22:00 tomamos o ônibus para passar 29 horas viajando até nossa terrinha. A maior dificuldade acabou sendo o chão irregular dos últimos dias, e a batalha psicológica do terceiro e quarto dias. Agora vamos descansar que a temporada de montanhas se avizinha.









       
    • Por Caçadordeviagem
      No dia 14 de Junho de 2019 foi inaugurado o Caminho de Nhá Chica, inspirado no Caminho de Santiago de Compostela e no Caminho da Fé, a rota se inicia na cidade de Inconfidentes/MG e vai até o Santuário de Nhá Chica em Baependi/MG, são cerca de 260 km cruzando as belíssimas paisagens montanhosas da Serra da Mantiqueira, é todo sinalizado com setas e placas, para mais informações há um grupo no Face com o nome "Caminho de Nhá Chica" ou visite o site: www.caminhodenhachica.com
      1° Dia: Inconfidentes/Borda da Mata (21 km).
      Eu percorri em Setembro de 2019, o 1° trecho, entre Inconfidentes e Borda da Mata, é o mesmo do Caminho da Fé, após Borda os caminhos se separam, o da Fé vai pra Tocos do Moji e o de Nhá Chica vai para Congonhal...
      2° Dia: Borda da Mata/Congonhal (25 km).
      Trecho muito bonito após uma fazenda com um haras, muito pitoresco, na metade do trecho há uma torneira ao lado da Igrejinha no bairro das Almas, o topo da Serra das Almas e Cachoeira das Almas são os destaques desse trecho...
      3° Dia: Congonhal/Espírito Santo do Dourado (26km).
      Trecho magnífico, logo de cara tem que superar a Serra de São Domingos, ainda na Serra, no km 07 tem fonte de água potável e mais uns 7 km depois tem o Santuário da Obediência, com estrutura de água e lanchonete, a paisagem é linda, com lindas araucárias e várias plantações de brócolis e morango, um dos trechos mais bonitos do caminho...
      4° Dia: Espírito Santo do Dourado/Silvianópolis (20 km).
      Trecho muito bonito e ermo até a rodovia MG-179, chegando nessa rodovia, a uns 100 mts tem uma barraca de frutas e doces mineiros onde adquiri bananas e doces, os últimos 3 quilômetros são em asfalto até Silvianópolis...
      5° Dia: Silvianópolis/Careaçu (20 km).
      Trecho plano e tranquilo perto dos anteriores, na saída de Silvianópolis há um belo lago chamado Lago dos Bandeirantes, próximo a Careaçu o caminho coincide com o Caminho de Aparecida até a cidade, paramos no bar da ponte para beber alguma coisa e seguimos para a belíssima Pousada Castelo...
      6° Dia: Careaçu/Heliodora (24km).
      Saindo de Careaçu por baixo da Fernão Dias, chegasse na Comunidade Rainha do Brasil, ali o monge Bernardo ofereceu café e batemos um papo, deixando o local passa-se por umas 3 porteiras e uma pequena trilha até pegar a estrada de terra novamente, a partir dali caminha-se por lugares muito ermos e bonitos até o km 16, ali há um comércio para abastecer e depois seguir pelos 8km finais pelo asfalto visualizando lindas montanhas...
      7° Dia: Heliodora/Natércia/Conceição das Pedras (24km).
      Entre Heliodora e Natércia há uma grande inclinação a ser vencida, ou seja; vai ter que subir muito e descer tudo até Natércia, lá de cima tem uma bela vista de ambas cidades, em Natércia me abasteci com víveres e segui rumo a Conceição das Pedras em meio a belíssimas paisagens, o destaque nesse trecho é a bela Cachoeira da Usina, eu aconselho a ficar em Natércia pois a pousada lá é muito boa e serve janta e a de Conceição das Pedras fica atrás de posto de gasolina, sem janta...
      8° Dia: C. das Pedras/Cristina (36km).
      Mais um dia com uma serra a ser vencida, talvez a maior inclinação do trecho, porém esse trecho é o mais belo do caminho, passa por mata nativa, pelo bairro Sertãozinho e Vargem Alegre onde há muitas plantações de banana e café, em Vargem Alegre (km18) há uma pousada, seguindo adiante, o caminho até Cristina revela-se magnífico com suas belas paisagens, Cristina é uma cidade turística e charmosa, a mais bela do caminho...
      9° Dia: Cristina/Carmo de Minas Carmo de Minas (20km)/ Soledade de Minas (16km).
      Pretendia fazer os 36km mas entre Cristina e Carmo de Minas é por uma rodovia movimentada e sem acostamento, portanto peguei uma carona até Carmo e de lá iniciei os 16 km até Soledade, o trecho é por terra e plano, não tem a beleza dos trechos anteriores mas é bonito, ali já estamos caminhando pela famosa Estrada Real, Soledade de Minas é uma cidade bem pequena, há um trem turístico que vem de São Lourenço até lá...
      10° Dia: Soledade de Minas/Caxambu/Baependi (30km).
      Pra sair de Soledade é necessário subir uns 4 km de asfalto (trecho movimentado) até a estrada de terra que leva a Caxambu, alguns km depois encontra a Estrada Real e segue até a cidade por trechos tranquilos, com matas preservadas, consegui ver alguns saguizinhos nas árvores, ao chegar em Caxambu segue pela rua de cima da rodoviária rumo a Baependi, terra de Nhá Chica, devido a proximidade das cidades, os 7 km finais não tem muita beleza, com alguns lixos no meio da estrada mas ali o importa é chegar ao Santuário de Nhá Chica e agradecer pela jornada perfeita, conhecer o local, comprar lembranças, carimbar e pegar o certificado, foi o que fiz depois segui para um hotel p/ descansar e voltar pra casa no dia seguinte...
      POUSADAS QUE PERNOITEI: Preços em 2019...
      Santa Varanda: Inconfidentes: $50 Tem janta 👍
      Nossa Senhora de Fátima: Borda da Mata: $60 Tem janta 👍
      Hotel Silva: Congonhal: $50🙁 sem janta (é melhor ficar no JS).
      Pousada do Adão: Espírito Santo do Dourado: $50🙁sem janta (Na verdade é ponto apoio onde vc pousa, não tem outra opção por enqto).
      Hotel Luciana: Silvianópolis: $50👍 Tem janta no comércio embaixo do hotel.
      Pousada Castelo: Careaçu: $50👍 Tem janta na praça da Matriz.
      Hotel Vilarejo: Heliodora: $50😒 (Única opção na cidade, tem o suficiente, conseguimos janta mas não sei se é sempre que consegue).
      Natércia: Pousada do Juliano: $?👍Tem janta, eu não fiquei lá mas vi que é bonita.
      Conceição das Pedras: Pousada da Dona Fininha ☹️ $50 sem janta, fica atrás de um posto de gas.
      Bairro rural Vargem Alegre: Zé Toco $?( Por ser casa de família, provavelmente serve janta, eu não fiquei lá).
      Cristina: Pousada Casarão: 👍🤑$100 (belíssima pousada mas é cara e não oferece janta, é melhor ficar na Pousada Real, do Célio, $50 + janta).
      Carmo de Minas: Hotel São Lucas:👍$? (Não fiquei mas vi que o hotel é muito bom).
      Soledade: Solar das Montanhas: 👍$60(boa mas não serve janta).
      Caxambu: Hotel São Francisco 👍$80 não oferece janta.
      Baependi: Pousada Instituto Nhá Chica: 👍$? (não fiquei, não sei se serve janta, a pousada é bonita).
       
      Se quiserem um relato bem detalhado visite o site abaixo:
      http://www.oswaldobuzzo.com.br/Home/caminho-de-nha-chica
       
       
       
       
       
       
       
       
    • Por eitagu
      Fala, galera!
       
      Esse é meu primeiro post aqui no site e eu quis escrevê-lo como forma de retribuir tudo o que li aqui que me foi MUITO útil pra montar esse roteiro. Inicialmente seríamos dois amigos fazendo essa viagem, mas chamamos mais umas pessoas e acabamos viajando em quatro. Nossa meta era gastar em torno de R$1k cada e ficar dez dias de rolê pela costa verde - região do RJ que engloba Paraty, Angra e suas particularidades.
       
      Se alguém tiver lendo isso e tiver meio perdidão sobre como montar um roteiro, assim como eu tava no início, vou deixar aqui mais ou menos como a gente começou a planejar. Antes de mais nada: o Excel (ou, no meu caso, o Google Sheets) é seu melhor amigo! Lá tu pode lançar todos os links úteis de relatos de outras pessoas, dicas, lugares pra ficar, visitar, etc. A gente fez uma planilha que tinha uma relação de transportes e hospedagens e os preços. Aí ficava até mais fácil comparar. Botamos lá uma coluna de observações também que era bem útil. A gente deixava já na ordem dos dias também pra ficar mais fácil pra gente se guiar. 
       
      Se alguém quiser ver como a planilha ficou no final, só dar uma ideia aí que eu mando o link!
      No mais, bora lá! Viagem feita dos dias 15/07 ao dia 24/07 (de 2019).
       
      Dia 1. Paraty
      Viajamos de BH pro RJ de Buser e como a gente tinha distribuído nosso código, conseguimos salvar essa ida e volta. Chegamos no RJ por volta de 5h30 e pegamos o primeiro ônibus direto pra Paraty. O busão sai da rodoviária Novo Rio mesmo, às 7hs (mas costuma atrasar muito!), e custa R$83 pela Costa Verde. Ficamos hospedados no Chill Inn Hostel e, sinceramente, recomendo demais! Staff muito atencioso e café da manhã na praia. Almoçamos por lá mesmo, paramos pra tomar umas brejas e fazer umas compras pros próximos dias. Não sei se era pq a cidade ainda tava cheia de gringos pós-flip, mas tava rolando um forró na praça em frente à Matriz pela noite e o comércio ficou aberto até bem tarde no centro histórico. Ficamos apaixonados pelo lugar e pegamos nosso carimbo do passaporte da Estrada Real. O preço das coisas é normal fora do centro histórico (almoço em torno de R$20,00) e bem alto dentro do centro histórico.
      R$83 busão
      R$18 lanches pra viagem e café da manhã
      R$34 almoço e brejas
      R$20 de rolezin a noite durante o forró
      R$44 a diária
      R$28 compras pros dias seguintes

       
      Dias 2 - 3. Ponta Negra (comunidade tradicional caiçara)
      Tínhamos planejado ir pra Cachoeira do Saco Bravo pegando uma trilha de dois dias saindo de Paraty, mas o tempo não colaborou. Além disso, tava rolando uma manifestação na estrada, o que fez a gente sair de Paraty só por volta de 14hs. Pegamos o busão que vai até a Vila Oratório, descemos no ponto final e começamos a caminhada. É bem sinalizada e tranquila, mas tem muitas descidas e subidas. Se cê tiver na dúvida, só usar o Wikiloc que lá tem aos montes. Por volta de 16hs chegamos na Praia do Sono e pretendíamos seguir caminhada até a Ponta Negra pra acampar lá, mas o tempo tava muito fechado e a gente teria que passar correndo pelas praias e cachoeiras no caminho, então acampamos nessa mesmo. Encontramos um caiçara gente finíssima - salve Abraão! - que deixou a gente acampar no quintal dele por R$15 e deu umas dicas pra gente de como seguir. Aproveitamos pra conhecer a comunidade tbm, recomendo esse passeio e trocar ideia com os nativos da região. Na manhã seguinte partimos assim que acordamos rumo à cachoeira, mas o tempo tava MUITO fechado e o mar muito bravo, então acabamos parando em Ponta Negra pra curtir a praia nos minutinhos de sol que abriram (a cachoeira do Saco Bravo é na beira do mar, então é perigoso de se ficar em dias de ressaca). No caminho paramos na praia dos Antigos e na cachoeira da Galheta, os dois lugares MUITO BONITOS! Chegamos de volta na vila do Oratório de volta umas 16h e pegamos o primeiro busão de volta pra Paraty.
      R$10 busão (ida e volta, saindo da rodoviária de Paraty)
      R$15 camping do Abraão
      R$4 miojo que compramos na vila pra dar um gás a noite, pq a comida acabou rápido kkkkk

       
      Dias 3 - 4. Paraty
      De volta a Paraty no fim da tarde do terceiro dia, comemos num restaurante perto da rodoviária e compramos uns vinhos e pães pra fazer uma social à noite no hostel. A galera da recepção ficou trocando ideia com a gente e uma das hóspedes apresentou pra gente a Gabriela, cachaça típica de Paraty. Gostamos tanto que fomos no centro histórico no dia seguinte comprar algumas. Dia seguinte, na hora do almoço, comemos o resto do rango que tínhamos e partimos pra Trindade.
      R$44 a diária
      R$20 rango no restaurante
      R$16 vinhos + paradas de fazer hotdog
      R$45 cachaças (compramos Gabriela e umas outras também)
       
       
      Dias 4 - 6. Trindade
      Chegamos em Trindade na tarde de quinta-feira, largamos as paradas no hostel sem nem explorar direito e fomos direto conhecer as praias mais próximas - praia do Forte e praia do Meio. Pegamos o sol se pondo nas pedras, lugar maneirasso e de energia incrível! No início da noite comemos no Laranja's Bar por indicação da gerente do Hostel - salve, Heidi! - e ficamos APAIXONADOS no lugar. Achamos os rangos em Trindade muito mais baratos que em Paraty e nesse lugar, além de rolar umas cachaças pra degustação, a ambientação faz tudo ficar mais gostoso. E é open feijão e open pirão! Fizemos umas compras e voltamos pro Hostel Kaissara à noite. Lugar simplesmente maravilhoso! É um pouco mais afastado da rua principal e fica no meio das árvores, com um riacho percorrendo por baixo. Fizemos amizade com um argentino que trabalhava por lá - grande Matias - e ficamos trocando ideia até o fim da noite. Dia seguinte fomos pras piscinas naturais do Caxadaço e visitamos algumas praias ali pela região, mas quando a gente decidiu ir na Pedra Que Engole eu me machuquei feio e precisei voltar pra Paraty pra ir na UPA. Voltei pra Trindade só à noite, bati um rango e no dia seguinte a gente já ia partir pra Ilha Grande.
      R$70 duas diárias no Hostel Kaissara
      R$46 rangos no Laranja's (dos dois dias)
      R$7,50 lanches e frutas pra comer na praia
      R$20 busão Paraty x Trindade (duas idas e duas voltas)

       
      Dias 6 - 10. Ilha Grande
      Saímos de Trindade às 10h, fomos pra Paraty e fizemos compras pra levar pra Ilha Grande. Tinha lido aqui no fórum que lá quase não existiam mercados e os poucos que tinham eram muito caros e não aceitavam cartão - balela! kkkk TODOS os lugares que passamos aceitam cartão e os preços eram um pouco mais altos que em Paraty, mas nada que tivesse valido a pena levar as sacolas de macarrão e legumes que levamos. Esperávamos chegar em Angra a tempo de pegar a barca que saía as 13h30 (é uma ao dia e custa $17, saindo nesse horário por ser um sábado), mas com as compras e o trânsito acabamos atrasando e chegando às 15h. Pegamos um flex boat até Ilha Grande, que sai de hora em hora, e chegamos lá antes das 17h. Ficamos hospedados no Biergarten, na rua principal. O hostel é bonito e bem cuidado, mas tem uma vibe muito diferente dos últimos que ficamos - que eram bem menores e menos "comerciais". O Biergarten tem um restaurante e um bar que ficam abertos até tarde e tem várias opções, porém todas bem caras.
       
      No dia em que chegamos tava rolando uma festa junina na ilha, então compramos um vinho e ficamos lá dançando um forrózinho à beira-mar até o fim da noite. No dia seguinte, de manhã, fomos empolgados atrás de um passeio de barco e tivemos a triste notícia: os passeios estavam interrompidos até o mar voltar a ficar calmo. Tivemos que optar pelas trilhas, mas eu tava meio ferido ainda então fizemos só as mais próximas (fizemos a T01, que é o circuito do Abraão, e fomos até a praia do Abraãozinho). Todas as trilhas em ilha grande são enumeradas e as que fizemos eram bem sinalizadas também. A T01 passa pela Praia Preta, pelas ruínas do Lazareto e por um aqueduto. Se você faz nessa ordem, quando você sai do poço e começa a volta tem uma pedra que dá pra tomar um sol e ficar curtindo a vista. Muito foda! A trilha até o Abraãozinho é um pouco mais puxada, a volta foi meio tensa porque a maré ja tava meio alta no horário (~16h30) e tem que passar por umas faixas de areia com pedra, mas vale a pena. À noite tomamos uma caipirinha no bar do Hostel e ficamos conversando por lá mesmo.

       
      No dia seguinte, oitavo dia de viagem, conseguimos fazer o passeio da meia-volta! Foram os R$80 mais bem gastos da viagem. Fomos de flex boat e visitamos a lagoa azul, lagoa verde, umas praias e o saco do céu. Maravilhoso, rola até de nadar com os peixinhos com o macarrão e o óculos de mergulho que a agência oferece. Entretanto, os almoços são muito caros e tivemos que nos saciar com os lanches que havíamos comprado e deixar pra comer direito na vila, mais à noite. A gente tava na onda do crepe, mas todas as creperias estavam fechadas exceto a da rua da praia (que era MUITO cara!), então comemos umas iscas de peixe e um macarrão. No dia seguinte, último dia na ilha, estávamos determinados a caminhar até Lopes Mendes ou Dois Rios, mas o passeio de Ilhas Paradisíacas estava disponível (e de lancha!). Tiramos onda demais e visitamos umas ilhas de Angra que são do caralho! Sem dúvidas o lugar mais bonito que já vi. Os dois passeios duraram o dia inteiro, o da meia volta terminando umas 17hs e o de Ilhas Paradisíacas até umas 18hs. Nesse dia, comemos uns Shawarmas lá na ruazinha principal e arrumamos as malas pra voltar no dia seguinte.
      R$166 as quatro diárias no Biergarten Hostel
      R$77 pra chegar na ilha (17 paraty x angra, 60 angra x ilha grande)
      R$60 álcool nos passeios (de barco e pela vila)
      R$170 os dois passeios (80 meia volta, 90 ilhas paradisiacas)
      R$130 comidas p/ todos os dias (comer em restaurantes na ilha é bem caro, mas se cê procurar consegue achar uns pratos entre R$20 e R$30)
      R$76 pra chegar no Rio (17 ilha grande x angra, 3.50 do cais até a rodoviária, 56 angra x rj)

       
      Dia 10. Rio de Janeiro
      Nosso busão saía às 22h30 do centro do RJ e a barca saía de Ilha Grande rumo à Angra às 10hs (uma por dia), então ficamos um bom tempo de bobeira na Cidade Maravilhosa. Aproveitamos pra comer e tomar uma cervejinha ali na Rua do Ouvidor. Deixamos as mochilas no guarda-volumes da rodoviária, pra não ficar muito incômodo pra dar rolê, mas nem andamos muito porque em Ilha Grande quase todos saímos com algum machucado no corpo... histórias pra se contar hehe
      R$7,00 lanche pra viagem
      R$12,50 guarda-volumes da rodoviária (tínhamos 1 mochila por pessoa e 1 sacola compartilhada com as paradas que compramos)
      R$15 fast food da massa
      R$8 transporte rodoviária - centro, centro - rodoviária
      R$13 cerveja pré-busão

       
      No mais, achei que valeu muito a pena o role! Gastamos um pouco mais que o previsto, por volta de R$1.2k, mas a gente já esperava por não ter muitas informações sobre quanto gastaríamos em Ilha Grande e tudo lá depende muito de como o mar vai estar. Achei o role em Trindade melhor pra quem gosta mais de natureza, então se eu fosse repetir teria ficado mais tempo lá e menos tempo na ilha. Achei IG turístico demais pra mim (juro que cê quase não encontra brasileiros por lá) e por conta disso não consegui me conectar direito com a galera que mora ou trabalha por lá. Já Paraty é linda e boa pra todos os gostos - quem quer curtir praia, quem quer caminhar, quem quer ver passeio histórico. Ponto indispensável. Não é à toa que recebeu título de Patrimônio Mundial da UNESCO. 
       
      Espero que curtam o relato e que ele possa ser útil pra alguém aí!
      Qualquer dúvida, só mandar msgs!


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