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Janela da Conceição - Trilha da Conceição e Picada do Cristóvão

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JANELA DA CONCEIÇÃO - TRILHA DA CONCEIÇÃO E PICADA DO CRISTÓVÃO

 

Aventura pela exuberância da floresta atlântica paranaense

 

 

A caminhada que passo a lhes relatar foi realizada no dia 16/12/2012, um domingão com previsão de chuva – que marcamos para ser oficialmente a nossa última pernada do ano em virtude das festanças familiares de natal e ano novo, que provavelmente inviabilizariam novas peripécias. O grupo, formado por mim, pelo Márcio Vasconcellos e pelo Daniel Fernandes já estava acostumado a caminhar junto, de outras várias indiadas pelas nossas serras. Outros companheiros foram convocados, alguns até se alistaram para a missão, mas devido às previsões metereológicas desfavoráveis e aos compromissos sociais de fim de ano acabaram desistindo.

É uma caminhada que vale a pena compartilhar e numa região aqui do Paraná que, sem dúvida, merece uma visita por parte daqueles interessados e dispostos a sair da zona de conforto para encarar uma boa trilha. A área do Bairro Alto, também conhecido como Cachoeira de Cima, em Antonina, possui um imenso potencial para o trekking, com o bônus de ser uma região repleta de histórias, rivalizando com outras trilhas mais conhecidas e badaladas daqui, mas já um tanto batidas e problemáticas, como o caminho do Itupava.

 

Saímos bem cedo. Combinei de pegar o pessoal no caminho ainda de madrugada e às 5h já rodava para embarcar os companheiros pelo caminho, o que se faz necessário pois teríamos que enfrentar um deslocamento de mais de 100 Km até o ponto de partida para a caminhada, na Fazenda Lírio do Vale, no Bairro Alto, em Antonina (PR). Esse é um dos pequenos inconvenientes desse roteiro, inviável sem um veículo para levar e buscar os aventureiros interessados em realizar este trajeto de ataque, como nós faríamos, já que a região é precariamente servida por ônibus de linha, com horários bastante reduzidos e inconvenientes, envolvendo ainda baldeações a partir do centro de Antonina, a 33 Km de distância de lá. A viatura escolhida para a missão foi o meu jipe JPX Montez, que atende mais recentemente pelo apelido de “Rinoceronte Verde”.

Seguimos pelo contorno leste de Curitiba e de lá pela Estrada da Graciosa, tradicional ligação entre o primeiro planalto e o litoral paranaense. Esta é também a rota mais curta (e sem pedágios). Ao contrário de outra ocasião recente, na passagem pelo portal da Graciosa nenhuma autoridade policial nos parou para “admirar” a viatura.

 

Logo passávamos pelos arredores da pacata e histórica cidade de Morretes e, rapidamente nos vimos a caminho de Antonina. Nosso curso, no entanto, novamente não chega ao centro da bucólica cidade do litoral paranaense, desviando à esquerda no pequeno trevo para a PR-340, mesma estrada que leva ao conhecido balneário fluvial do Rio do Nunes e, pouco adiante, à localidade de Cacatu (conhecida pelo nome de um dos principais rios da região). Ali a estrada se bifurca à direita, com piso de cascalho (sentido de quem vem de Antonina) levando a outro quinhão pouco conhecido e explorado do litoral paranaense: a cidade de Guaraqueçaba, a cerca de 78 Km dali. Do trevo de Cacatu segue-se em frente para o distrito do Bairro Alto, seguindo o asfalto, por mais 12 Km, não antes de passar pela entrada da Usina Hidrelétrica Governador Parigot de Souza e por algumas outras pequenas vilas à beira da estrada.

 

A Fazenda Lírio do Vale, portal de entrada para os recônditos baixios daquela porção de terras florestadas aos pés da Serra do Ibitiraquire, fica bem no final da principal rua do distrito do Bairro Alto (continuação da rodovia, depois que acaba o pavimento). Para chegar à fazenda toma-se à esquerda antes de chegar ao barracão da antiga usina Cotia, seguindo o trajeto do ônibus, que têm seu ponto final numa espécie de praça onde se percebe uma rótula para manobras e onde ainda há revestimento de pedra na rua. Na dúvida pergunte a algum morador. Se vier até aqui com carro baixo procure um lugar para estacionar no entorno da dita “praça”, pois adiante a estrada geralmente está ruim (carro baixo enrosca e terá dificuldades se o terreno estiver molhado, pois aquilo fica muito liso), sem falar na inclinação e erosões em vários trechos da estrada a partir dali. Pode-se combinar com algum morador para deixar o carro em seu quintal. Recomenda-se cuidado onde estacionar nas ruas, pois ali é área de manobra dos ônibus que atendem o vilarejo e a rua não é larga. Dali seguir em frente a pé, acompanhando a rua calçada que logo vira estrada de terra, mantendo sempre a esquerda e subindo pelo caminho principal. Em exatos 1,64 Km se avista a placa e a porteira da fazenda. Nos links, ao final deste relato, há o tracklog com o acesso rodoviário à região para quem sentir alguma dificuldade.

 

Os membros da família que cuida da propriedade não são de muitas palavras e apresentam aquele jeitão meio desconfiado, tímido até, mas são gente boa. Fale com o Sr. Antônio, caseiro da chácara e peça licença para passar. Se subir com veículo, combine com ele onde estacionar. Pode parecer básico isso, ou até mesmo exagero para alguns, mas ele já relatou casos de pessoas que entram e saem sem sequer dizer bom dia ou aonde vão, largam o carro estacionado em qualquer lugar, atrapalhando as tarefas ou a circulação dentro da chácara. É praxe deixar um “pedágio” pro seu Antônio reforçar o leite das crianças, geralmente se dá R$ 5 por cabeça. Ele não cobra, mas fazemos isso para manter “as porteiras abertas”. E por falar em porteiras, não custa lembrar que se deve abrir e fechar as porteiras e usar de cortesia e urbanidade com os moradores, inclusive os de 4 patas...

 

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Logo ao entrar na fazenda e nos prepararmos para começar a caminhada (calçando nossas polainas) surgem, como de costume, alguns dos simpáticos animais da chácara, desta feita dois cavalos, duas mulas e alguns cães – para nos dar as boas vindas. Os humanos ainda deviam estar dormindo ou estavam ausentes, pois da casa não vimos ninguém, estava tudo fechado e silencioso. Nem a costumeira fumaça do fogão à lenha havia.

Deixamos o jipe numa das vagas do abrigo coberto, como já autorizado a nós pelo seu Antônio em outras ocasiões que ali estivemos e, após calçadas as botas e polainas, alguns alongamentos para aquecer a musculatura e algumas fotos dos simpático bichos, passamos sebo nas canelas! Já passava das 7:10h e queríamos fazer o dia render. Passamos a segunda porteira da fazenda e iniciamos o percurso que começa seguindo o traçado da estrada de cascalho e terra lamacenta que continua depois da porteira da fazenda, em leve aclive.

 

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Aqui o caminhante começa a voltar no tempo. A estrada que se segue, denominada “Estrada da Conceição” é remanescente de um emaranhado de estradas de serviço abertas pela COPEL (Cia. Paranaense de Energia Elétrica) na década de 1950 para a construção da Usina Hidrelétrica Pedro Viriato Parigot de Souza (ou simplesmente Usina Capivari-Cachoeira, seu primeiro nome de batismo e como também ainda é conhecida, ou ainda UPS – abreviação de Usina Parigot de Souza – vide detalhes neste LINK). Esta foi uma grande e audaciosa obra de engenharia da época que deixou marcas indeléveis na história, nas matas e montanhas da região, que abrigam curiosas ruínas de dezenas de estruturas de apoio outrora usadas na sua construção. Com o tempo nebuloso, muitas nuvens e nevoeiro dominando a vista, já estávamos conformados em não ter a belíssima visão das faces pouco observadas (ao menos pela maioria dos montanhistas) do famoso Pico Paraná e seus ilustres vizinhos do maciço Ibitirati, os picos do Ibitirati e do União, bem como as montanhas menores que o rodeiam pelo leste e pelo norte, como o Tupipiá, o Ibitipaú, o Ibitiguira, o Jacutinga, o Saci e o Sacizinho, normalmente visíveis em dias ensolarados.

Em pouco menos de 10 minutos de caminhada já se encontra a primeira bifurcação da estrada numa pequena curva, devendo-se manter a esquerda. Dali em diante não há mais como errar, devendo-se seguir sempre a estrada principal. Poucos minutos à frente se avistam as ruínas do antigo aqueduto de concreto e pedra erguido nos anos 1950, que passa sobre a estrada e conduzia a água das pequenas barragens construídas nos Rios Cotia, Saci e Conceição (próximos) para abastecer um grande reservatório de concreto construído na região, cujas atuais ruínas costumam-se chamar de “Piscina dos Elefantes” e cuja função era captar, reter e enviar água para as turbinas antiga Usina do Cotia, no Bairro Alto, cujo barracão vazio ainda pode ser visto no vilarejo. Esta usina, de pequena capacidade, foi desativada e abandonada no início dos anos 1960, com menos de 8 anos de serviço, antes mesmo da inauguração da atual Usina Parigot de Souza.

 

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A estradinha segue em meio a muito verde ora ou outra cruzando uma ou outra trilha lateral mais discreta, até atingir, a cerca de 45 min de caminhada um ponto em que há um ramal de estrada bem marcado e largo saindo à direita, numa bifurcação em “T”, onde se observa pela sua lateral esquerda um grande tubo de concreto meio que engolido pela vegetação e que segue acompanhando esta estradinha. Na “esquina”, pouco acima, este grande manilhão há um ponto quebrado por onde vaza água (potável), o que se percebe a alguma distância pelo ruído característico. Decidimos tocar por este ramal à direita já que estávamos ali com o propósito de mostrar a região aos amigos que não a conheciam. Em leve declive, esta estrada lateral, estava bem molhada pelas chuvas recentes e havia vários trechos com grandes poças d’água (ou seriam pequenos lagos?! Rsrs!), impossíveis de desviar, um bom teste para impermeabilidade das botas. Logo adiante um enorme lamaçal de um barro amarelo tomava conta da estrada, onde os companheiros resolveram subir no duto de concreto para não se sujarem muito. Eu segui pelo barro mesmo, pela margem direita da estrada, numa parte mais firme e me sujei o mesmo que eles, que sofreram adiante para conseguir descer do manilhão sem escorregar e cair. Este ramal da estrada na verdade é parte dos remanescentes da Picada do Cristóvão, antigo caminho colonial de ligação entre o litoral e o primeiro planalto paranaense, muito utilizado entre os séculos XVIII e XX para ligação entre Cacatu (Antonina) e Campina Grande do Sul, numa rota comercial que tropas de mulas percorreram até meados dos anos 1950, quando o tráfego comercial passou a ser feito com veículos motorizados pela atual rodovia, construída para atender às construções das hidrelétricas erguidas na região. O trecho de estradinha aqui em questão leva no seu primeiro lance até a represa do Rio Cotia, a cerca de 30 min de caminhada (cerca de 2 Km), parte remanescente das estruturas de captação da antiga usina Cotia, já mencionada. Lugar bom para um descanso em meio à sombra das árvores ou um banho de rio. Paramos ali para admirar o rio e sua correnteza, mas a estrada continua depois dele... Olhando para a outra margem, a cerca de 40m, são visíveis as marcas continuação do caminho, que por ali segue alternando trechos ora paralelos ora não, à Estrada da Conceição, a qual interceptará bem mais à frente, a noroeste. Nesta ocasião, entretanto, decidimos ficar por aqui alguns minutos e voltar pelo mesmo caminho, afinal o rumo planejado naquele dia era outro.

 

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Nesse breve tempo em que estivemos ali, resolvi subir na pequena barragem e tirar umas fotos. Para isso teria que antes galgar uma pequena estrutura de concreto na beira do rio, cerca de 1m de altura, totalmente coberta por plantas tipo trepadeira. Olho em volta e vejo alguns apoios para o pé, olho por cima e sigo no meu intento de me apoiar para subir na estrutura e, quando vou dar o impulso final com a perna de apoio, eis que levanta a cabeça e me encara de frente uma bela e viçosa jararaca, bem camuflada entre as folhas, como a me dizer “se subir aqui vai ter problemas”... Um belo susto! Aquela encarada, com direito à linguinha de fora e tudo (a cobra estava bem esperta, provavelmente caçando), pelo porte da mesma (creio que 1,50 m ou mais) e a pequena distância que nos separava ( cerca de 1m), de imediato me fez parar o movimento e, atento, vagarosamente voltar atrás. Qualquer gesto brusco poderia ser mal interpretado pelo animal. Avisei os companheiros e, a uma distância segura, saquei a câmera para algumas fotos. Fiz até um videozinho da peçonhenta. Depois peguei um galho comprido e a afastei, momento em que ela deu um grande bote no galho, se desequilibrou e caiu de cima da pequena plataforma cimentada em direção ao mato alto da lateral da pequena encosta do rio. Nisso desisti de subir na plataforma em razão do horário e da proximidade com a área de caçada da cobra e resolvemos deixar para explorar melhor aquele local num outro dia. Fique o ALERTA: a área é infestada de ofídios na época da primavera e verão. Recomenda-se cautela nos deslocamentos, sempre olhando onde se pisa e o uso de perneiras/polainas de proteção contra cobras. Um bastão de caminhada ajuda a abrir caminho no capim alto que recobre a trilha, servindo para afastar possíveis cobras.

 

Tocamos de volta em direção ao tronco principal da Estrada da Conceição, não sem antes explorar outra trilha lateral que já havíamos identificado na ida, bem marcada e que, pela lógica de orientação e conhecimentos prévios da área, poderia ser um atalho para a volta. Uns restos de telhas empilhados logo no início da trilha já nos revelavam que por ali alguém construía algo. Logo, cerca de 60-70m por um picadão bem batido nos deparamos com um casebre de madeira em construção no meio da mata, alguns móveis velhos e sacolas plásticas, indicando presença humana recente. Encontramos um pequeno veio de água, aparentemente limpa e procuramos a continuação da trilha, mas ela aparentemente acabava pouco depois, no meio de um bananal. Como ainda estávamos longe da estrada, não valeria a pena abrir mato no peito para alcançá-la por ali e preferimos voltar pela estradinha e meter o pé no barro amarelo novamente. Em menos de 30 min caminhávamos novamente pelo tronco principal Estrada da Conceição.

 

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Seguimos serpenteando pela estrada. Na ida, pelo tronco principal, o aclive é de leve a moderado, pois se parte da altitude de cerca de 150m (Fazenda Lírio do Vale) até cerca de 765m no ponto mais alto da caminhada (ainda bem distante). Como seguíamos rápidos e ainda descansados, estávamos num bom ritmo. Às 10:40 atingimos o ponto onde a estrada praticamente se acaba, ao chegar na grande ponte quebrada sobre o Rio Cotia, a famosa ponte “Indiana Jones”, também conhecida como ponte de troncos (no início de 2012 a COPEL “reformou” a ponte colocando sobre seus primeiros pilares alguns postes de madeira alinhados). Ali é preciso se equilibrar sobre os troncos e pranchas de madeira deitados paralelamente sobre os pilares de concreto da ponte para atravessá-la, o que entretanto não exige grande habilidade, apenas algum equilíbrio e atenção. Até ali daria para ir de jipe, moto, quadriciclo ou bicicleta tranquilamente. Dali para frente é que começam as “trilhas” de verdade...

 

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Passando a ponte já se notam mudanças: o chão não é mais terra batida e sim uma mistura de restos de folhas, mato, e cascalho em alguns trechos, hora mais aberto (no começo deste trecho) hora mais fechado. O aspecto é de uma estrada realmente abandonada, coberta pela vegetação, e é exatamente isso mesmo!!! Dada a precariedade da ponte, veículos, mesmo que 4x4, não conseguem ultrapassá-la, mas vimos sinais recentes de motos, provavelmente algum trilheiro de 2 rodas. Uma picada central, bem marcada (pisada), arbustos e capim (entre outros) numa faixa de 3m para cada lado da picada e mata atlântica densa delimitando as laterais. Em alguns trechos árvores caídas ou bambus nos obrigam a usar o facão para limpar algumas passagens mesmo tendo efetuado uma boa limpeza cerca de um mês antes, quando ali estive com outro grupo. Em vários pontos também os grandes urtigais estavam medonhos, praticamente fechando a trilha. Dá-lhe Gerber...

 

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Neste trajeto chama atenção a exuberância da floresta atlântica e suas diferentes espécies de plantas. Em alguns momentos paramos para admirar cipozais finíssimos e altos, em outros, flores e bromélias de várias cores e tamanhos. A água, abundante por todos os lados, não é problema. Pode-se carregar pouco peso do precioso líquido, pois há vários riachos com água limpa ao longo de todo o percurso. Não preciso dizer que neste trecho depois da ponte quebrada a atenção onde se pisa é fundamental, pois há vários trechos onde não se enxerga direito onde você colocará o pé na próxima passada devido ao capim ou pequenos arbustos. Numa outra ocasião um dos companheiros de trilha que ia à minha frente simplesmente “atropelou” um filhotão de jararaca, que por sorte dele saiu em disparada com o “susto” e não quis conversa.

Nesta trilha (agora sim!) prossegue-se caminhando por cerca de 15 minutos depois da ponte até encontrar uma discreta bifurcação à esquerda de quem sobe. Esta é a trilha que penetra no vale do Rio Cotia, entre as paredes do Ibitirati dá acesso à ”Janela da Cotia” e ao ”Discoporto”. O quê? Como? Sim, explico...

 

A Janela da Cotia é um túnel auxiliar com cerca de 400m de extensão perfurado na rocha do mais alto maciço montanhoso da região sul do Brasil, o conjunto Pico Paraná, dando acesso ao túnel de adução de 15,4 km que leva a água do reservatório Capivari, às margens da BR-116 (Régis Bittencourt) até as turbinas da Usina Hidrelétrica Pedro Viriato Parigot de Souza (Capivari-Cachoeira), situada 750m abaixo do nível daquele reservatório. Esta “janela” (assim como a outra que citaremos adiante) foi um túnel de escoamento por onde se retirava água e material da escavação do túnel de adução, tendo seu fundo lacrado depois com a concretagem do túnel e a entrada em funcionamento da usina.

O Discoporto é um conjunto de ruínas do canteiro de obras e das estruturas usadas na construção dos túneis da usina Parigot de Souza que forma, olhando de longe e do alto, uma grande clareira redonda, algo parecido como uma pista de pouso para discos voadores, por isso o nome/apelido atual.

 

Tocamos reto. Nosso objetivo deste dia não é a Janela da Cotia ou tampouco o Discoporto, mas atingir a Janela da Conceição, outro túnel auxiliar, bem adiante no caminho, mais extenso e mais selvagem ainda do que a Janela da Cotia. Um local que muitos normalmente procuram, mas poucos encontram devido às dificuldades de orientação na mata densa de suas imediações. Até lá, mais 3 boas horas de pernada, com algumas pausas para água (o calor, apesar do tempo feio castigou um pouco), lanche e contemplação.

 

A certa altura da trilha, cerca de 2h30m de caminhada se verifica a esquerda, numa curva, uma discreta bifurcação, que na verdade é onde novamente a Trilha Conceição se encontra com a Picada do Cristóvão. Seguindo a picada do Cristóvão a partir deste ponto se chega à entrada para a encosta norte do Monte Ferraria, que sobe ao cume desta montanha pelo leito do rio homônimo e também se atinge a trilha para o Guaricana, outra montanha esquecida da região. Pouco adiante se chega numa ampla clareira de onde logo se avistam as torres e cabos de alta tensão, formando uma espécie de “estrada” abaixo deles e que inflete para oeste bem no ponto em que cruza a trilha, já que a COPEL mantém roçado o mato sob os cabos para facilitar os trabalhos de eventuais manutenções nas torres. Notam-se também algumas marcações de tinta em árvores, feitas pela companhia de energia para demarcar trilhas de manutenção das torres próximas. A partir deste ponto, prestando-se atenção, se escuta um barulho forte de água, proveniente do vale, a direita e, logo à frente, da Cachoeira dos Cabos, que recebe este nome por ficar sob a linha de cabos de alta tensão. Logo depois deste ponto a Trilha da Conceição inflete para o norte e fica mais estreita. Logo cruza-se uma pequena ponte feita com 3 pedaços paralelos de trilhos de trem, apoiados sobre um pequeno vão. Dali para frente a trilha se fecha ainda mais e o mato nas laterais vai aumentando de tamanho e encobrindo a trilha, que pode chegar a sumir em alguns pontos dependendo da época do ano. As urtigas cada vez maiores que ladeiam a trilha e as muralhas de densa mata atlântica fazem com que a cena remeta nossa memória àqueles filmes do tipo “Mundo Perdido” e a impressão que se têm é que será tragado pela floresta a qualquer momento...

 

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O sinal de que estamos no caminho certo vem de algumas pequenas clareiras planas por onde passa a trilha, que podem fornecer um bom ponto de acampamento e da última ponte, sobre o Rio Conceição, logo depois de outro trecho curto de mata fechada, ponte esta que mais parece uma daquelas pontes de ferrovia, só que em miniatura: estrutura metálica treliçada, corrimões laterais, porém sem piso no meio, já que as tábuas, podres, já praticamente não existem mais. Atravessa-se esta ponte segurando num dos corrimões e apoiando os pés na viga mestre de ferro abaixo. Ainda há um pequeno pedaço de tábua num dos pequenos vãos, mas como está podre e carcomido pelo tempo, não ajuda muito.

Atravessada esta segunda ponte metálica deve-se procurar a continuação da trilha, que fica bem menos óbvia e, em alguns pontos se bifurca mais de uma vez, fruto dos caminhos errados formados pelos rastros dos caminhantes que buscam encontrar a Janela da Conceição e que não obtém sucesso. Atenção redobrada aos sinais dos antigos canteiros de obras, e a dica aqui é não subir a encosta mais à esquerda (norte), buscando contorná-la pela direita (nordeste). Com atenção, há cerca de 150m da ponte serão notados vestígios de pequenas estruturas de concreto engolidas pela mata, e, logo à frente uma base de concreto e alguns pequenos degraus, sinal das proximidades do objetivo. Prestando-se atenção à esquerda, na encosta, logo surgirá a grade/portão de acesso da Janela da Conceição.

 

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Conta uma lenda que a tal Janela da Conceição era uma mina de ouro da época do Brasil colônia, pertencente aos Jesuítas e que, quando estes foram expulsos do Brasil, dispostos a enterrar o segredo de sua localização, trancafiaram dentro da mina todos os escravos indígenas que para eles trabalhavam. Segundo esta mesma lenda os espíritos destes escravos, aprisionados no local, fazem os que buscam o local se perderem ou os aprisiona lá para sempre...

Estórias à parte, logo topamos com a entrada da Janela da Conceição (que na verdade mais se parece com uma porta ou um portão, rs!). A partir daqui é entrar no túnel (isso para quem não sofre de claustrofobia) e conferir o seu interior. Foi o que fizemos.

 

Lá dentro, após transposto um pequeno charco bem na entrada, a escuridão exige o uso de lanternas, afinal é um respeitável túnel que possui mais de 1300m de extensão. Largamos as mochilas e nos embrenhamos na úmida escuridão, logo sendo recepcionados por revoadas de morcegos, incomodados com a nossa presença e nossas luzes. Dentro do túnel alguns trechos são alagados. Conta-se que em algumas épocas a altura da água pode chegar a cerca de 50-60 cm. Não tomamos conhecimento disso, pois em duas situações em que lá estivemos o nível da água estava bem baixo, não ultrapassando 15 cm nos pontos mais fundos nas canaletas próximas das paredes. Verte água de vários pontos de suas paredes e teto e é necessário prestar atenção onde se pisa para evitar algum tropeço em pedras e antigas estruturas de ferro abandonadas em seu interior. Fora isso é uma caminhada tranquila. Minutos depois se chega ao fim do túnel, onde há um grande arcabouço de concreto armado e uma grande porta metálica vedada, que leva ao túnel principal de adução que conduz a água da represa do Capivari até as turbinas da Usina Parigot de Souza, como descrito anteriormente. Pequena pausa ali para fotos e análise das formações de calcário que são geradas pela ação da água que escorre pelas paredes, algumas de formatos pornográficos. Alguns flashes e risadas depois iniciamos o retorno, que parece não ter fim pois a luz visível pela grade da entrada parece que nunca se aproxima.

 

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Vencido mais um desafio e retornando ao mundo exterior, fazemos um pequeno lanche, agora sob os pingos de uma chuva insistente. Fazemos mais algumas fotos em frente ao portão, algumas em poses gozadoras e iniciamos o retorno as 15h30m em passo acelerado, pois ainda desejávamos fazer uma parada na bela Cachoeira dos Cabos para algumas fotos. Ali aproveitamos o pequeno trecho de picada que limpamos na visita anterior para atingir a base da cachoeira, alternando algumas passagens por dentro do rio, pois o mato estava muito fechado. Outra pausa, mais algumas fotos na base da cachu e logo a chuva começa a engrossar nos expulsando de vez da área. O recurso é acelerar o passo para não esfriar o corpo (apesar do dia abafado) e tentar chegar na fazenda ainda com a claridade do dia. É o que fazemos.

 

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Passo acelerado e quase sem paradas na volta, à exceção de uma das bicas no caminho para o preparo de um suco visando matar a sede e repor as energias, tocamos estrada abaixo, o que em parte facilita a progressão. Exatamente três horas depois, ainda com boa claridade, estávamos de volta à fazenda Lírio do Vale, agora tirando algumas fotos das montanhas parcialmente encobertas pelas nuvens que chuva que se dissipavam, formando um belo pôr do sol.

 

Mais uma missão cumprida com direito à viagem no tempo e a companhia sempre boa dos irmãos de montanha Márcio e Daniel. Valeu pessoal!

 

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BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA:

Livro: Caminhos Coloniais da Serra do Mar – José Paulo Fagnani, Júlio Cesar Fiori, José Carlos Penna Wageck. Curitiba: Natugraf, 2006. (Trilingue e ricamente ilustrado)

 

 

 

[linkbox]Relatos relacionados:

Conceição - A história de uma Travessia - de Edgard Jansen

Relato de J. Augusto aqui no Mochileiros.com

Relato do Companheiro Papael

Relato do Blog Extrema Aventura - GMA

Relato do Companheiro Beto Janeczko de uma investida anterior nossa na região

 

Excelentes artigos de Pedro Hauck sobre a história recente da área:

As Janelas da Serra do Mar

Mitos e Arqueologia no Pico Paraná

 

Galerias de Fotos no Panorâmio:

J. Augusto

Getulio

 

Tracklogs de GPS para a região:

Trajeto rodoviário até a Fazenda Lírio do Vale

Trilha da Conceição

Trilha de ligação Cristóvão/Conceição - Discoporto e Janela Cotia[/linkbox]

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Show de bola!!!! ::otemo::::otemo::::otemo::

Precisamos marcar mais uma pra aqueles lado, não conheço nada, só o barracão no rio Cotia.

Belo lugar, recheado de história e pouco conhecido.

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Parabéns Getúlio.

Sempre contribuindo com bons relatos.

Esse é o espírito.

O vídeo ficou sensacional. Trilha sonora do Natureza Selvagem com Eddie Vedder. Ótima escolha.

 

Parece que a trilha tá ficando mais demarcada. Isso é muito bom.

Uma trilha como essa não pode ser privilégio de poucas pessoas.

E deram uma melhorada naquela antiga ponte sobre o Rio Cotia?

Qdo passamos por lá, ela estava desse jeito:

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Tomara que termine nisso, senão daqui a pouco o pessoal chega de moto e 4x4 na entrada do Túnel da Conceição.

 

E a Jararaca é grandinha hein.

 

 

 

Abcs

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Salve moçada!

 

Show de bola!!!! ::otemo::::otemo::::otemo::

Precisamos marcar mais uma pra aqueles lado, não conheço nada, só o barracão no rio Cotia.

Belo lugar, recheado de história e pouco conhecido.

 

É companheiro, você certamente irá gostar da região. Uma baita caminhada e com os mais variados atrativos. Vale a pena!

Só marcar na agenda. Aliás é um belo programa para a agenda da AMC...

 

 

Show o Relato e as fotos meu camarada.

Esse dia foi muito bacana. Espero voltarmos em breve ao local.

 

Grande abraço!

 

Fala companheiro!

 

Essa realmente foi uma bela caminhada e a companhia dos amigos sempre ajuda! Vamos por em prática aquele nosso plano de bivacar na clareira antes da cachoeira e atacar o Guaricana. Esse quero ver se sai da agenda ainda em 2013... Quem sabe deixamos ele para a saideira do ano!

 

Abraços!

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Parabéns Getúlio.

Sempre contribuindo com bons relatos.

Esse é o espírito.

O vídeo ficou sensacional. Trilha sonora do Natureza Selvagem com Eddie Vedder. Ótima escolha.

 

Parece que a trilha tá ficando mais demarcada. Isso é muito bom.

Uma trilha como essa não pode ser privilégio de poucas pessoas.

E deram uma melhorada naquela antiga ponte sobre o Rio Cotia?

[...]

Tomara que termine nisso, senão daqui a pouco o pessoal chega de moto e 4x4 na entrada do Túnel da Conceição.

 

E a Jararaca é grandinha hein.

 

Abcs

 

Grande Augusto!

 

Agradeço suas observações! Bacana que tenha gostado do vídeo, a trilha sonora foi realmente proposital... ::cool:::'>

A região é excepcional! Realmente há um enorme potencial ali para quem aprecia caminhadas em contato com a natureza em estado mais selvagem. Rivaliza a meu ver com outras trilhas daqui da região, como os Caminhos do Itupava e da Graciosa, ainda que o apelo ali seja mais "turístico". Falta, na minha opinião, um pouco mais de estrutura logística, especialmente transporte público naquela área. Há o lado bom nisso, que é o de manter intacto o ambiente. Por outro lado apenas alguns mais "afortunados" acabam tendo acesso, o que também é ruim. É sempre um dilema isso. Se abre demais corre-se o risco de uma deterioração prematura, se esconder, a trilha se fecha e logo ninguém mais consegue aproveitar. Tenho apostado na divulgação da área como forma de que mais pessoas se interessem pela região e ajudem a cuidar. Acho que é uma questão cultural e de envolvimento isso. Só se cuida daquilo que se conhece e aprecia.

 

A ponte realmente recebeu aquelas melhorias que vc deve ter percebido nas imagens em relação ao tempo e que vcs passaram lá. A COPEL precisa manter o acesso viável pois eles fazem a manutenção das torres de alta tensão e precisam passar com ferramentas e pessoal por ali. É deles a iniciativa dos postes de madeira. O curioso é que não é raro os próprios funcionários deles se perderem nas trilhas por ali. Já vi relatos de pelo menos duas ocasiões em que isso ocorreu, uma delas do próprio Julio Fiori.

 

Quanto à Jararaca, essa não foi a maior que vi por ali mas certamente foi que vi mais de perto! Rsrs! Quase a beijei sem querer... É difícil caminhar ali e não avistar alguma, mesmo no inverno. É uma área em que se deve ter bastante cuidado com ofídios.

 

Grande abraço!

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Blz Getúlio.

 

Sobre o enorme potencial de caminhadas naquela região, tem uma que seria uma mega pernada.

Começa na Fazenda do Bolinha, subindo o Ciririca para depois seguir para Itapiroca, Paraná e na volta passando pelo Caratuva e de lá seguindo para o Ferraria e descendo para encontrar a Trilha do Cristóvão e de lá terminando em Bairro Alto.

O circuito completo do Ibitiraque muita gente já fez, mas se sinalizarem o trecho que encontra com a do Cristóvão, nem precisaria ter de passar pelo Dilson para sair dali.

Tenho planos de voltar lá na região e essa seria uma boa opção.

Quem sabe.

 

Acho que o importante é a COPEL não abrir mais aquela trilha, depois que se cruza o Rio Cotia.

Dali em diante, mantendo a trilha do jeito que está, seria o ideal.

 

Atualmente eu também não vou p/ uma trilha sem a perneira.

Já abusei demais e dei sorte em muitos momentos.

O problema nessa trilha é se for picado lá perto das Janelas, o trecho até Antonina é longo e isso pode complicar.

 

 

 

Abcs

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Augusto disse : O problema nessa trilha é se for picado lá perto das Janelas, o trecho até Antonina é longo e isso pode complicar.

 

Você foi bonzinho hein ??????

 

Esse complicar seria o correto ( não sendo pessimista, mas realista ) morrer...

Um bichinho daquele tamanho tem peçonha pra matar até a minha sogra ......hauahauhauahauha

 

Mas brincadeiras a parte, getúlio, grande relato....já dei um crtl c no bicho...vai ficar pra breve futuro.

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Uma dúvida paira no ar.... ::hein:

Olhando num mapa que achei na net ....tem mais janelas e tem uma espécie de duto de ventilação , ou seja essa parada ai tem mais "janelas", passagens e aberturas...

Alguém mais se habilita ? Há de fato mais passagens ???? Tenho um amigo na Copel, vou pedir mais fatos, dessa obra ai .... ::essa::

 

olhem aqui :

http://penhascoaventura.blogspot.com.br/2010/11/janela-da-cotia-caminho-da-conceicao.html

 

rapaiz, isso ai dá um livro.... ::hahaha::::tchann::::otemo::

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Blz Pespis.

::otemo::::otemo::::otemo::::otemo::::otemo::

 

Acho muito difícil chegar a óbito, mesmo se a pessoa for picada lá perto das janelas.

Especialistas nessa área dizem que o tempo ideal p/ uma pessoa receber o soro, depois de uma picada de cobra, é de até no máximo 6 hrs. Isso se a pessoa se manter em repouso.

Acima disso pode ter complicações, sequelas.

 

Então p/ não passar desse tempo ela teria que chegar em Antonina ou até em Paranaguá em pouco tempo.

E contando que nessas 2 cidades se encontre o soro.

Imagine se não tiver...........

 

 

 

 

Abcs

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