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Dia das crianças no parque Itatiaia! Agulhas, Prateleiras e Couto!


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Eu nem lembro direito quando foi a última vez que fiz um relato e larguei aqui... acho que até sei... foi um relato que eu fiz quando fiz a trilha em Salkantay, mas eu voltei pro Brasil querendo voltar e acho que acabei fazendo o relato por "osmose". Mas eu acho que faz teeeeeempo que senti esse "ziriguidum" louco dentro do meu peito!

Sabe aquela agitação toda que você não se aguenta consigo mesmo? Voltei pra casa feliz da vida! Cheguei no trabalho gritando feito uma louca em plena segunda-feira "BOM DIA PESSOAS!!! EU TÔ VIVA!!!"

 

e agora tô aqui... enquanto não "vomitar" toda essa explosão de sentimentos, acho que não vou conseguir voltar pro meu estado normal.

Eu não sou muito boa para passar informações técnicas, até por que existem outros relatos aqui com essas informações. Acho que a minha intenção é mostrar que existe muita coisa além da nossa zona de conforto. muita coisa além da rotina casa-trabalho ... enfim... acho que a minha intenção é fazer com que outras pessoas se encantem pelo Parque Itatiaia assim como eu me encantei!

 

Eu já falei um zilhão de vezes isso aqui e quem acompanha os meus insanos relatos já tá mais que acostumado... sempre uso o mochileiros.com como o meu "queridinho" para tirar dúvidas sobre os roteiros que fico bolando... e quando volto... gosto de contar as atrapalhadas pra todo mundo dar risada! Como desgraça pouca é bobagem... SENTA QUE LÁ VEM HISTÓRIA! haha

 

Minha primeira viagem sozinha foi pra Chapada Diamantina. Lá eu conheci a Pamela! Trocamos face e nos falávamos com frequência, mas nunca mais conseguimos fazer uma trilha juntas.

 

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em uma das minhas "andanças pelo facebook" comecei a trocar ideia sobre trilhas e equipamentos com um cara e comecei a acompanhar os videos dele... achei bacana e tal.

dai eu descobri que ele era namorado da Pamela! Pronto! Já conclui na hora : ela é legal! ele tb deve ser! ::otemo::

 

Marcamos de ir pra Agulhas Negras! Sonho de qq maluco, né?!

Não queríamos contratar guia. conseguimos equipamentos emprestados pq já tinham me avisado que existe "um cume falso" e o "cume verdadeiro" onde fica instalado o livro.

Nunca usei equipamento de rapel. mas eu tinha a certeza que não era nada mega impossível. Só prender as cordas no lugar certo e tava tudo lindo! SÓ QUE NÃO! kkk

 

Bom... consegui fazer as reservas pro camping do abrigo rebouças nesse link. Fiz com 1 mês de antecêdencia! Ficamos a semana inteira acompanhando a previsão do tempo... Fiquei um tempão xavecando São Pedro pra ver se ele colaborava! O FDS foi incrível! Pedrão merece até um beijo na boca ::lol4::

http://www.icmbio.gov.br/parnaitatiaia/reservas.html

 

Mochila prontinha... era só cair na farra! feriado do dia das crianças no parque Itatiaia! ::lol4::

 

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Chegamos no parque por volta das 7h da matina no sabado. Tivemos uma desistência e paguei a multa equivalente ao valor da estadia de uma pessoa fora o ingresso. Isso tem tudo detalhadinho no site.

eu não vou ficar entrando muito em detalhes pq eu mesma me perco na minha própria explicação! ::essa::

 

Decidimos fazer couto e prateleiras no sabado (dia 12/10) dia e agulhas no domingo (13/10).

Perna pra que te querooooooooooooooooo

 

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Posso falar? A vista do Couto é incrível e a subida é mamão com açúcar!

Dizem que o Couto é o 9º pico mais alto do Brasil. Charmoso a beça! eu fiquei apaixonada!

 

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Depois de barrinhas e sessão fotos... hora de descer a pirambeira, né?!

 

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daí você olha essa foto e pensa "por favor... defina mamão com açúcar!" ::mmm:

 

Passeio sussa!!! De meio dia!!! vale a pena e super recomendo!!! Seguimos para prateleiras!

Bom... aqui começa a minha saga! Prateleiras é lindo! Uma graça! Um charme! Encantador!!!! Ela lá e eu aqui! hauahauhauhauahauhauahauhauhauhauah

 

Eu tenho um amigo que diz "quando a Montanha chama, você tem que ir!"

Na boa? Eu não ouvi a Imponente Prateleiras me chamar! Fui de bedelhuda! Eu queria muito subir Agulhas, Couto e Sino.

Pico do Sino ficava inviável pra gente... muito distante e como Couto era passeio de meio dia, topamos ir pra prateleiras. Mas eu não ouvi em nenhum momento o som da Montanha me chamar. ::sos::

 

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Subimos! Subimos! Subimos! Era pedra que não acabava mais! Um frio que me matava! odeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeio frio! que fiquei bem claro! kkk

 

Dai você começa a olhar pra um lado e não tem nem ideia de como "montar" naquele amontoado de pedras! Olha pra outro e só pensa no giro do macgyver.

Cara! nunca apanhei tanto! ou talvez já tenha apanhado o suficiente pra esquecer de tudo! kkk

 

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Imagina a seguinte situação.... você precisa passar pro cima de uma pedra grande... beeeeeem grande e seu pé não alcança. Você meio que dá um pulinho e não alcança e volta pra dar impulso.

Você olha pra baixo e vê um vão enorme. Um monte de pedras ... uma em cima da outra... TRAVEI! Meu irmão.... posso falar? acho que mais um pouquinho eu me borrava ali mesmo! ::lol4::

meu olho encheu d´agua! Dai eu falei que não queria continuar. Não sei... não queria, parei e comecei a chorar!

Dali mais uns pouquinho eu pensei "poxa! todo mundo vai e a vista de lá de cima deve ser incrível". A Pamela voltou, me buscou. O Samuel me ajudou a descer da tal pedra que eu tava empacada e grudada feito mula e continuamos.

 

Eles já tinham ido até o cume umas duas vezes. Mas em um determinado trecho "nos perdemos". Não estávamos sozinhos lá... tinha uma galera escalando.

Eu olhava pra cima.. naquele paredão que não via fim e de repente a pessoa sumia no meio das nuvens. Cara! quase me borrei - parte 2! hauahauhauahauhaauhauahuahauh

 

Samu pediu pra gente esperar um pouquinho pra tentar achar o acesso. eu e a Pamela ficamos um tempinho lá batendo papo e eu .. me acalmando...kkk

Uma outra pessoa que tava lá escalando com o grupo ajudou a encontrar o acesso e seguimos. Cruzamos o caminho com outros grupos que estavam voltando, batemos papo... aquela coisa de sempre que todo mundo que se enfia nessas roubadas tá mais que acostumado...kkk

 

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Continuamos a subir! Subir! Subir!

 

na boa... não sei o que aconteceu comigo... eu olhava pra um lado e via um monte de pedras gigantes amontoadas. Eu não tinha nem coragem de tirar foto. Eu só ficava pensando como aquelas pedras tinham parado lá "Desmoronamento. é óbvio"

Daí meu brilhante raciocínio chegou a uma não tão brilhante conclusão: "se desmoronou uma vez, pode desmoronar novamente!"

 

grudei na pedra e chorei! chorei! chorei! "Deus!!!! nunca matei! Nunca roubei! sou muito nova pra morrer!!!"

 

O bagulho ficou tenso pro meu lado! ::lol3::

 

Dai eu acalmava e subia! faltando 100 metros para atingir o cume (detalhe importante... parece que lá em cima tem um trecho chamado de pulo do gato e precisa de equipo de rapel) eu comecei a ficar nervosa! Faltou ar! sentei! e tremia mais que vara verde! ::essa::

 

Dai o Samuel e a Pamela decidiram voltar pq viram que eu tava com medo de verdade... até então... eu não tinha dado conta que estava assustada com tudo aquilo!

Na minha cabeça eu só estava impressionada... atolada com um monte de problemas pessoais e só tava precisando relaxar, descansar!

Tava achando um pouco de frescura e que logo, logo tudo aquilo ia passar!

 

Daí o Samu falou "Carol! A montanha estará aqui pra sempre. E você só tem uma chance com a sua vida! Você não tá legal... você tá com medo! Depois quando vocÊ pegar mais confiança a gente volta!"

E descemos... ai gente... fiquei me sentindo uma frouxa, sabe?! A 100 metros do cume e eu desço?

Mas o Samu veio conversando de boa comigo "não é competição... você não é melhor ou pior que ninguém! você não precisa provar absolutamente nada! A gente só tá aqui pra curtir!"

 

Fiquei frustrada, mas quando comecei a descer senti um alivio que vocês não tem ideia! ::Ksimno::

 

Pegamos o caminho da roça e voltamos pro camping! Ah! posso falar? Aquela história que pra descer todo santo ajuda... BALELA! maior mentira do mundo! ::putz:: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

 

Armamos a barraca correndo pq tava quase na hora de anoitecer.

no camping não tem iluminação, mas tem a área de banheiro + cozinha! Bem bacana e dá pra descartar o lixo lá também!

 

jantar? CACHORRO QUENTE DE SOJA!!!! ::otemo::

Eu e a Pamela somos vegetarianas... mas o Samu não reclamou! hauahauhauhauahauhauahauhauhauahauha

 

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aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!! eu já ia me esquecendo!!!!!!! tenho que contar.....

rasguei minha calça toda! hauahauhauhauahauhauahauhauahuah

Eu sentava na pedra pra poder apoiar e descer, né?! Gente... não deu outra! só comecei a sentir um ventinho! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

 

Lembrei agora pq ia comentar... um frio do Mal! frio mesmo! frio a beça, sabe?! Chegou a negativo no camping.... daí antes de dormir... tava lá com todas as roupas do mundo, enrolada no saco de dormir e costurando as calças! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk ::Cold::

Então minha gente... dica preciosa que aprendi com uma amiga querida (que AINDA não conheço pessoalmente): kit reparo (linha, agulha e silver tape) ::sos::

 

de repente eu só escuto o Samu falando : "Cara! olha o tamanho desse rato?! Ele tá aqui olhando pra mim e não vai embora!" kkkkkkkkkkkkkkkkkk

 

bom... depois do rato, depois da calça costurada igual a minha cara, depois do susto.. dormi feito uma criança... SÓ QUE NÃOOOOOO! que frio era aquele???? ::Cold::

eu tava com muita roupa! nem conseguia me mexer direito. tava com um coberto ainda e um saco de dormir bom e mesmo assim o frio não me deixava em paz! ::grr::

 

de manhã acordei com a claridade! o solzinho gostoso tava invadindooooo a minha barraca. mas ainda não tava esquentando...kkk

mas mesmo assim... eu tava tão feliz por ver o solzinho!kkk

 

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Deixamos tudo bem arrumadinho no carro e partimos para o "ataque" 8)

 

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Posso falar? Essa trilha é pra gente grande! Agulhas Negras chega a ser apavorante em alguns trechos, mas eu tava bem mais tranquila que Prateleiras.

Claro que a Pamela e o Samuel estavam de olho em mim a todo tempo pq eles devem ter percebido que tenho um certo "medinho de altura", mas até então... a minha ficha não tinha caído.

Usamos a corda que o Samu tava carregando pra subir um trechinho "canaleta" que não dava aderência alguma...kkk

 

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E em seguida esperamos o Samu guardar a corda para continuarmos.

Quando eu vi o que estava esperando a gente, comecei a suar frio de novo! Naquele momento eu tinha percebido que tinha muito medo de altura!

Imagina a cena: Do meu lado direito um imenso paredão. Do meu lado esquerdo uma pedra bem baixa e bem ingrime (acho que se eu rolasse ali, não morreria, mas daria um certo trabalho...kkk)

dai no meio do caminho uma fenda de aproximadamente um metro. Só que você tem que passar essa fenda em pé pq do outro lado entre o tal paredão e a tal pedra baixa tem um vão de aproximadamente uns 15 metros.

 

Samuel com toda paciência do mundo estendeu a mão e falou "vem Carol! Tamo juntos! Vai ser tranquilo!"

Ai gente... só de lembrar meu olho enche d´agua de novo! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

 

passinho por passinho! Samuel falava pra eu não olhar pra baixo. Dai a Pamela já começava a rir : "se ela não olhar pra baixo, como ela vai saber onde tem que pisar!"

Ai eu não sabia se ria ou se chorava!

Meu coração acelerou! Comecei a suar frio! Meu olho encheu d´agua e fui andando de ladinho... passinho por passinho! Respiração completamente ofegante!

Quando consegui atravessar o tal trechinho cabuloso, sentei no chão e fiquei.... fiquei... fiquei.... ::mmm:

 

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Voltamos pra trilha... subimos... subimos... subimos... era pedra que não acabava mais! ::mmm:

 

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E depois de todo o sacrifício.... O tão desejado PICO DAS AGULHAS NEGRAS!!! ebaaa!!!

Estávamos tãooooooo felizes!!!!!!! tão felizes!!!! tão felizes!!!! que nem cabia na cara o sorriso de tão largo!

Mas daí a gente começou a caminhar (o que é bem difícil) lá em cima e percebemos que o livro estava no outro cume! Nossa! Naquele momento tudo fez sentido! ::putz::

 

Lembra que eu tinha falado que o meu amigo tinha me avisado? Tinha o tal "cume falso" e o "cume verdadeiro" onde o livro estava instalado?

Na hora o sorrisão largo sumiu da minha fuça! kkk

 

Quando eu olhei o tamanho da fenda, vi o trecho que precisaria ser percorrido com o equipamento de rapel, falei "Aqui é meu limite! Se vocês quiserem ir até lá pra assinar.. eu fico aqui esperando bonitinha! Mas eu não arredo o pé daqui!" kkk

 

A Pâmela também não tava muito confortável com a ideia de ir até o outro cume. Samuel olhou, olhou e disse que tava tranquilo até ali! hahahahaha

Sinceramente... eu não sei se eles queriam ir até lá. Claro que eu queria, né?! Mas os cumes tem aproximadamente 1 ou 2 metros de diferença de altura!

Eu precisei infelizmente reconhecer minhas limitações e entender que morro de medo de altura pra não colocar em risco a minha vida!

 

mas posso falar? Me senti vitoriosa quando cheguei lá em cima! Olhei pra baixo... fiquei admirando tudo que estava ao redor!

Eu acho que posso ficar falando aqui durante dias.... mas eu não vou conseguir explicar o "ziriguidum" louco que bate dentro da gente!

Eu tava tão feliz... tão contente com tudo o que estava vendo... tava me sentindo plena! realizada!

 

Eu só gritava.. agradecia a Deus mais uma vez por ter conseguido chegar no cume com segurança!

Pamela e Samuel foram meus anjinhos da guarda! Sempre tenho "alguns deles" me ajudando, me estendendo a mão pra que eu nunca me esqueça que nunca chegaremos a lugar nenhum sozinhos!

O dia tava lindo e irradiante... e a previsão do tempo tava dizendo que ia rolar nuvens durante o dia... bobagem! São Pedro foi parceirão e não nos deixou na mão! kkk

 

Eu acho que não existe explicação lógica pra tentar entender pq subo ou desço montanhas... mas quando escuto o som delas chamando... apenas vou.... cantarolando .. feliz da vida... as vezes passando perrengue... as vezes sento pra chorar no caminho... mas sempre tenho um amigo no caminho pra me estender a mão, me levantar e me ajudar a continuar.

Toda vez que eu chego lá em cima (não importa se é o 6 maior do Brasil ou uma pirambeira louca que tá no caminho) lembro do quão feliz sou por estar viva e poder aproveitar tudo isso!

Toda vez eu lembro da importância de ser grata a tudo o que me acontece e principalmente.. me lembro o quanto é bom poder conquistar tudo isso ao lado dos meus amigos!!!

 

Pamelita !!!! Samuuuu!!!! AMO VOCÊS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! ::love::::love::::love::::love::::love::::love::::love::::love::::love::

 

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Nem preciso falar que o caminho de volta pra casa nem foi tão facil assim, né?! Tô com a perna roxa até agora por causa de um tombo! ::lol3::

mas tudo bem! eu tô feliz porque Agulhas me chamou e eu fui!!!!!!!!

 

 

Esse pico (apesar de não ter conseguido assinar o livro) foi a minha vitória, sabe?!

E essa eu vou dedicar ao meu sobrinho lindo que sempre me recebe com um sorriso lindo no rosto! Apesar de nem ter completado 3 anos é a pessoinha que mais me ensina que a vida é simples e não precisamos chorar por causa das pequenas bobagens!

Se ele estivesse lá comigo, com certeza ele faria como sempre faz comigo.. me puxado e falado "Titia.. não chora! tá tudo bem!" rsrsrsrsrs

 

Super recomendo Agulhas, viu gente!

Mas só subam se ela chamar...rsrsrs

 

Próxima parada? Ainda não sei, mas tô escutando o som do Pico da Bandeira me chamar!!!!

 

 

beijão a todos!!!

Carol Montoaneli

 

 

https://www.facebook.com/CarolDeMochila

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  • Colaboradores

Pois é Carol...rs

 

A região ali é mto chuvosa, no fds msm q fomos, a gente arriscou (e boa parte do grupo q iria subir com a gente desistiu por causa da previsão de chuva)...

 

Tem até gente q sobe leve pra fazer bate-volta, mas acho q compensa passar a noite lá, com certeza (Afinal, ñ é todo dia q a gente dorme no ponto mais alto possível do nosso país.... ::otemo:: )

 

E mande um alô qdo for fazer a Pedra do Sino de Itatiaia, tá nos meus planos tb (estou querendo fechar 9 dos 11 picos mais altos do país, já q os 2 primeiros são inacessíveis, e o Sino é um deles....)

 

Bjão!!!

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  • Membros

Rooooooooooooooooooooo!!!!!!

então... inacessível mesmo eles não são. Já jogou no youtube? vi alguns videos.... confesso que deu até dor de barriga de medo! hahaha

Maaaaaaas ainda estão nos meus planos!

 

Sino eu não sei se dá pra fazer ainda este ano. quem sabe, né?! Mas aviso sim! estou bem afim de ir lá!

Qq coisa, me dá um toque!? rs

 

beijo!!!

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  • Colaboradores

Oi Carol....

 

Então, qdo disse inacessível é pq os índios não estão mesmo deixando adentrar a região (o pico se localiza em reserva indígena, então, são necessárias autorizações do Ibama e da Funai pra conseguir chegar lá...)

 

Mas eu procuro acompanhar sempre, pq deve ser o meu auge em trilhas essa expedição (normalmente se leva entre 10 e 15 dias pra fazer todo o percurso, ida e volta). Então, é acompanhar e torcer pra liberarem logo.... ::otemo::

 

O Sino, realmente ñ sei ao certo se rola esse ano, tá acabando a temporada de montanha, né....rs... Mas, como é relativamente perto, pode ser q role sim... Mas era interessante ter alguém q conhecesse o caminho, pq é uma trilha pouco batida no Parque...

 

E, vou confessar, já fui 2 vezes no Parque e até hj ñ subi o Agulhas Negras..... ::essa::

 

Bjs

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  • Membros

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh agora entendi. Desculpa!kkk

Eu já tinha escutado essa história, mas como não está nos meus planos (curto prazo) parei de pesquisar um pouco...rsrsrsrs

 

qto ao Sino... já me disseram isso tb. bom... este ano... ano que vem.... ainda não sei... só sei que eu vou quando o pico me chamar! hahahaha

 

beijão!

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  • 2 semanas depois...

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    • Por casal100
      Esse relato é dividido em duas partes:
      A primeira foram mais de 900 kms (da página 1 até a 6), trechos de picos, travessias e alguns trechos no entorno de cidades;
      A segunda parte,  mais de 300kms, só teve uma travessia e muitos picos,  começa  na página n° 7.
       
      Vários amigos e familiares nos indagavam sobre nossas travessias, segundo eles, tudo era muito repetitivo(as fotos eram parecidas, repetimos várias vezes os mesmos caminhos, até pela falta de outros. Até tem, mas caminho particular, não faremos  mais). De certa forma eles têm razão, visto que a visão do picos e montanhas não tem comparação com fotos de estradas e, tem um detalhe mais importante: as principais atrações das cidades(tirando algumas) não estão dentro delas, mas nos arredores  (cachoeiras, picos, morros. ..). Nesses 2 meses,  caminhamos mais de 900 quilômetros é quase 10.000 kms de carro. Conhecemos pessoas maravilhosas por onde passamos, experimentamos emoções que nunca tivemos,  comidas deliciosas,  não tivemos nenhum problema mais sério, tudo muito tranquilo.
       
      O BRASIL É SIMPLESMENTE SENSACIONAL! 
      E mais bonito visto de cima. Diante disso e, até para comemorar meus 60 anos de vida (ingressei na melhor idade), neste verão resolvemos fazer algo um pouco diferente : fomos conhecer e rever alguns parques nacionais /estaduais /municipais e privados, subir alguns picos/montanhas  e alguns circuitos desses locais, região de cachoeiras,  e Brumadinho(Inhotim), poderíamos estar no dia do rompimento da barragem,  para nossa sorte desistimos em cima da hora.
      LOCAIS VISITADOS:
      Extrema - Mg (subida as base dos pico do lopo e do lobo)
      Munhoz - Mg(subida ao pico da antenas, caminhos)
      São Bento do Sapucaí - Sp(pedra do baú e roteiro)
      Marmelopolis -Mg(subida ao morro do careca, mirantes, pedra montada, roteiros e subida ao pico Marinzinho)
      Aiuruoca - Mg(subida ao pico do papagaio, matutu, cachoeiras)
      Visconde de Mauá-Rj - (subida a Pedra Selada)
      PN Ibitipoca - Mg (Janela do céu, pico, circuito das águas e grutas)
      São Tomé das Letras - Mg (cachoeiras e roteiros)
      Carrancas - Mg(cachoeiras e circuito serra de carrancas)
      Ouro Preto - Mg (centro histórico e subida ao pico do Itacolomi)
      Mariana-Mg: Bento Rodrigues, local destruído por outro rompimento de barragem da Vale.
      Serra do Cipó - Mg(todos circuitos dentro do parque e travessão)
      Conceição do Mato Dentro - Mg: cachoeira do Tabuleiro  (base e mirante)
      Lapinha da Serra - Mg(subida aos picos da Lapinha e Breu, cachoeira Bicame e Lajeado,  parte travessia Lapinha x Tabuleiro)
      Brumadinho - Mg(Inhotim)
      PN de Itatiaia - parte alta - Mg(base do pico das agulhas Negras e prateleiras, cachoeira Aiuruoca, circuito 5 lagos, subida ao pico do couto)
      Piquete - Sp(subida ao pico dos Marins)
      Infelizmente, por excesso de chuvas, não fizemos os picos do Itaguaré e da Mina( motivação da viagem). Entrou uma frente fria na semana que antecedeu o carnaval, tivemos que abortar por questão de segurança, pois não utilizamos guias e fazemos somente Bate/volta - fica para a próxima.
      As surpresas da viagem:
      Inhotim, Lapinha da Serra e Serra do Cipó. Pois não conhecia nenhuma delas.
      Algumas fotos
      Subida ao pico dos Marins - SP

      Pico do Itacolomi - Ouro Preto - Mg

      Cachoeira Bigame - Lapinha da Serra-Mg

      Subida para pico do Breu e Lapinha - Lapinha da Serra-Mg

      Vista desde o pico da Lapinha

      Cachoeira do espelho - travessão - Serra do Cipó -Mg

      A incrível JANELA DO CÉU 

      flora exuberante



      Cachoeira do Tabuleiro - Mg

      Pico da Bandeira - ES

      Pedra do Altar - Mg

    • Por Ronaldo Paixão
      Caminho da Fé – Pedra do Baú – Travessia da Serra Fina – Agulhas Negras e Prateleiras (PNI).
      Estou escrevendo este relato um ano depois que fiz esse passeio. Talvez eu esqueça alguma coisa.
      Eu estava precisando me desligar da vida que eu vinha levando. Estava precisando fazer o que eu mais gostava, caminhar bastante, travessias em trilhas, subir montanhas, me isolar do mundo “civilizado”.
      Tinha decidido que eu iria “largar tudo” e sair, sem saber até onde eu iria ou quando voltaria. Tinha uma grana guardada (cinco mil) e deveria ser suficiente para eu viver por pelo menos uns 3 meses.
      Falei com meu irmão que ele teria que se virar sozinho em nosso comércio. Falei com minha família que eu estava indo por não sei quanto tempo, mas que eu voltaria qualquer dia.
      Trabalhei até 31 de agosto, quase meia-noite. No dia 01 de setembro fui para um apartamento onde fiquei por 4 dias planejando lugares que queria conhecer, vendo preço de ônibus, tracklogs, etc. Na manhã de 4 de setembro parti para São Paulo e naquela noite para águas da Prata, onde minha jornada começaria.
      Como eu iria para vários lugares, diferentes um do outro, tive que levar muita coisa na mochila. Coisas que usaria em algum passeio, mas que seriam dispensáveis  em outro. Ainda assim tentei levar o mínimo possível.
      Ítens que levei:
      -    Mochila Osprey Kestrel 48 litros com Camel Back de 2 litros
      -    Dois cantis de 900 ml. Um com caneca de alumínio.
      -    Rede Amazon e tarp Amazon da Guepardo.
      -    Saco de dormir Deuter 0º
      -    4 camisas dry fit
      -    2 blusas finas de fleece.
      -    2 calças quechua de secagem rápida
      -    6 cuecas
      -    3 pares de meia
      -    1 boné
      -    1 touca
      -    1 par de luvas (daquelas de pedreiro)
      -    1 par de sandálias Quechua
      -    1 par de botas La Sportiva
      -    Kit Fogareiro + panela pequena
      -    2 isqueiros
      -    1 canivete
      -    1 colher plástica
      -    1 botija de gás Nautika pequena
      -    GPS
      -    Celular (para fotografias)
      -    Caderneta e caneta
      -    1 Anorak
      -    Corda e cordelete
      -    Bolsa de nylon (para transportar a mochila no ônibus)
       
      Caminho da Fé. Águas da Prata até Aparecida.
      Caminho da Fé – 1º dia. 30Km
      05-09-2018
      Águas da Prata (SP) até Andradas (MG).
      Início 05:15 horas e chegada 12:55 horas
      Almoço : Pavilhão hamburgueria
      Jantar: bolachas e sanduba no hotel.
      Pernoite: Palace Hotel.
      Seguindo o conselho de um cara que desceu comigo e iria fazer o caminho de bike eu iniciei cedo para evitar o sol. Só que por esse motivo fui sem comida. Só comi uns pedacinhos de rapadura que ele me deu e uma banana que ganhei de um ciclista.
      Pelo longo tempo inativo, eu senti um pouco o peso dos 17Kg que estava levando na mochila.
      Caminho da Fé – 2º dia. 36 Km
       06-09-2018.
      Andradas (MG) até Crisólia (MG).
      Partida às 08:00 horas e chegada às 17:40 horas.
      Almoço: salgadinho no Bar Constantino, comunidade da Barra.
      Jantar: miojo num banco ao lado da rede.
      Pernoite: rede 
      Subidas cavernosas. Serra dos Lima, Barra, Taguá e Crisólia. 
      Cheguei tarde, fui numa pousada carimbar a credencial e depois procurei duas árvores para esticar a rede, fazer o rango e dormir. Nesse dia não teve banho.
      Caminho da Fé – 3º dia. 38 Km
      07-09-2018
      Crisólia (MG) até Borda da Mata(MG). 
      Partida às 07:30 e chegada às 18:00 horas.
      Almoço: pastel no Bar do Maurão em Inconfidentes
      Jantar: x-salada em lanchonete perto do hotel.
      Pernoite: Hotel Virgínia.
      Feriado da Independência. Fui acordado às 6 da manhã com queima de fogos e hinos. Passagem por Ouro Fino e Inconfidentes. Desfile cívico em todas as cidades.
      No hotel em borda da mata conheci um casal de cicloturistas que estava com um carro de apoio. Consegui que levassem um pouco das minhas coisas até Estiva. Foram 6 Kg a menos para carregar.
       
      Caminho da Fé – 4º dia. 17,5 Km.
      08-09-2018.
      Borda da Mata(MG) até Tocos do Mogi (MG).
      Início às 08:00 horas e chegada às 12:40 horas.
      Almoço: um pouco de morangos colhidos no caminho.
      Jantar: Lanche na festa da padroeira.
      Pernoite: Pousada do Zé Dito. (muito boa e barata)
      Dia mais curto. A pousada ficava no calçadão principal, onde estava acontecendo a festa da padroeira. Estava difícil dormir. O jeito foi sair para a festa e tomar umas, apesar do frio que fazia de noite.
        
      Caminho da Fé – 5º dia. 21,5 Km
      09-09-2018
      Tocos do Mogi (MG) até Estiva (MG).
      Início às 09:00 horas e chegada às 14:20 horas.
      Almoço: moranguinhos (quase 1 Kg) e queijo fresco com caldo de cana.
      Jantar: Restaurante perto da pousada.
      Pernoite: Pousada Poka.
      Trecho muito bonito. Muitas plantações de morango. Muitos pássaros.
      Na pousada eu recuperei minhas coisas que haviam sido deixadas ali e já consegui ajeitar um novo transporte delas até Potim, já pertinho de Aparecida.
      Caminho da Fé – 6º dia. 20 Km
      10-09-2018
      Estiva (MG) até Consolação (MG).
      Partida às 07:30 e chegada às 12:45 horas.
      Almoço, jantar e pernoite: Pousada Casarão
      Destaques deste dia. Cervejinha gelada num bar onde um piá gordinho queria tirar uma selfie comigo. E também queria meu bastão de selfie de qualquer jeito.
      Também destaque para o canto da seriema, triste e ao mesmo tempo bonito, que se fez presente muitas vezes. Também tem a subida da serra do Caçador, cavernosa.
      Além disso, nesse trajeto é comum vermos carros de boi e também “canteiros”onde os agricultores esparramam o polvilho para secar.


      Caminho da Fé -  7ºdia. 22,5 Km
      11-09-2018.
      Consolação (MG) até Paraisópolis (MG).
      Início às 07:00 e chegada às 12:30 horas.
      Almoço: Restaurante Sabor de Minas. Muito bom e barato. Comi pra danar.
      Janta: coxinha na praça.
      Pernoite: Hotel Central
      Foi um dia especialmente marcado pela presença dos pássaros ao longo do caminho, canários, sabiás, pássaros pretos, coleirinhas, gralhas, joões-de-barro, tucanos, maritacas. E aves maiores, como gaviões, seriemas e garças brancas.
      Também vale destacar a grande quantidade de flores, principalmente nos portões das casas dos sítios.
      Caminho da Fé – 8º dia. 28,5 Km.
      12-09-2018
      Paraisópolis (MG) até A pousada da Dona Inês, que fica 4 Km depois do distrito de Luminosa, município de  Brazópolis.
      Início às 07:55 e chegada às 15:15 horas.
      Almoço: Salgadinho e coca numa mercearia em Brazópolis.
      Jantar e Pernoite: Pousada da Dona Inês.
      Foi o dia mais quente desde o início do caminho. Era meu aniversário de 52 anos e ficou marcado porque depois do jantar na Pousada, uma amiga de caminho, a Fabiana, puxou um parabéns a você, junto com as outras cerca de 20 pessoas que estavam ali. Fiquei bem emocionado.
       
      Caminho da Fé – 9º dia. 33 Km
      13-09-2018
      Pousada Dona Inês (Luminosa-MG) até Campos do Jordão (SP).
      Início às 05:45 e chegada às 18:45 horas.
      Almoço: Restaurante Araucária. Fica perto da placa que indica a entrada para a pousada da Dona Rose e da madeireira Marmelo. Comida muito boa.
      Jantar: Caldo de Mandioca com carne. NIX Caldos e lanches.
      Pernoite: Refúgio dos Peregrinos
      Na verdade, a quilometragem total desse dia foi de 51 Km porque no meio do caminho decidi que iria subir a Pedra do Baú. Isso me custou várias horas e me fez chegar em Campos do Jordão já de noite. Mas valeu muito a pena.
      O dia amanheceu lindo. Logo de cara a temida subida da Luminosa, mas que não é nada de tão difícil.
      Depois é asfalto até o fim do dia.
      A pousada Refúgio dos Peregrinos é bem diferente. Tem uma tabela de preços na parede. Você anota o que consumiu, faz as contas, paga e faz o troco. Tudo na base da confiança.

      Caminho da Fé - 10º dia. 52 Km
      14-09-2018
      Campos do Jordão(SP) até Pindamonhangaba(SP).
      Início às 06:00 horas e chegada às 17:45 horas.
      Almoço: Sanduíche em Piracuama.
      Jantar e pernoite: Pousada Chácara Dois Leões.
      Nesse dia todos os que estavam no refúgio dos peregrinos foram por Guaratinguetá, menos eu que fui por Pindamonhangaba. Descida pela linha do trem até próximo a Piracuama, com uma garoa fininha que de vez em quando virava um chuvisco.
      De tarde foi só asfalto e chuva. Cheguei na pousada já escurecendo. Foi o dia mais cansativo, pela quilometragem, pela chuva e principalmente pelo asfalto.

      Caminho da Fé - 11º dia. 24 Km.
      15-09-2018.
      Pindamonhangaba(SP) até Aparecida(SP).
      Início às 09:00 horas e chegada às 15:15 horas.
      Almoço: Pesqueiro Potim. Comida muito boa. Comi feito um louco. Aqui eu recuperei o restante de minhas coisas que tinham vindo no carro de apoio de amigos.
      Pernoite: Hotel em Aparecida.
      Esse era o último dia no caminho. Um misto de ansiedade por chegar e de nostalgia antecipada das experiências vividas e das paisagens do caminho.
      A chegada na basílica é emocionante, não importa em que você acredita, ou se acredita em algo.
      Fica a saudade dos lugares. Dos amigos. Dos passarinhos.


      Fiquei em Aparecida até segunda-feira, quando fui ao correio e despachei para casa algumas lembrancinhas que tinha comprado e coisas que tinha levado e que vi que não ia usar. A calça jeans e a camisa de passeio. Umas cordas. Um dos fleeces e a bolsa de transporte.
       
      A Vida e o Caminho da Fé.
      Durante esse derradeiro dia de caminhada me veio à mente uma analogia entre a vida e o  “caminho da fé”.
      O caminho da fé cada um começa de onde quiser, mas todos com o mesmo destino. No caminho o destino é a basílica de Aparecida, na vida a gente sabe o destino.
      No caminho as pessoas vão chegando, amizades vão sendo feitas. Uns mais lentos outros mais apressados. Uns madrugadores outros nem tanto. Uns alegres e comunicativos, outros mais quietos e introspectivos. Muitos de bike, passam pela gente voando, só dá tempo para um “bom dia”. Assim também é a vida e os amigos que vamos fazendo. Uns continuam por perto, outros se distanciam, mas continuam amigos
      No caminho não importa sua classe social, sua cor, opção sexual, grau de instrução ou idade. O destino é o mesmo para todos. Assim também é na vida.
      No caminho a jornada é longa, alguns dias são mais difíceis, parecendo que não vão terminar. Outros passam leves e agradáveis, a gente nem queria que terminassem. Igualzinho a nossa vida
      Temos que superar o cansaço, as bolhas, os pés inchados, joelhos e tornozelos doendo, a mochila pesada que nos deixa com os ombros marcados. Enfrentar as subidas, as descidas, os buracos, as pedras, a fome e a sede em alguns momentos.
      Por mais difíceis que sejam esses obstáculos, eles são superados. Ficam para trás. Igualzinho na vida.
      O caminho também nos oferece muitas coisas boas. Simples, mas inesquecíveis. Os pássaros cantando ao lado da estrada. A beleza e o perfume das flores. Os riachos que nos permitem um banho refrescante depois de uma subida cansativa. As conversas com os amigos. O pôr do sol por trás das montanhas. A janta e a cama quente que nos restabelecem para o dia seguinte. O nascer do sol de um novo dia, nos lembrando que sempre nos é dada uma nova chance de sermos felizes. Assim também acontece na nossa vida.
      Seja no caminho da fé, ou na vida, o destino a gente sabe qual é. O importante é deixar para trás o que para trás ficou. E aproveitar ao máximo a jornada.
       
      Pedra do Baú.
      Eu sempre gosto de planejar meus passeios, travessias. Mas sobre a Pedra do Baú eu não sabia nada. Só de ouvir falar, de ler alguma coisa de relance. Mesmo assim era uma coisa que eu tinha vontade de fazer algum dia, se desse certo.
      Era o dia 13-09-2018, meu nono dia no caminho da Fé. Era de manhã e eu caminhava pela rodovia, junto com um peregrino de nome Donizete, que eu conhecera na pousada da Dona Inez. Passamos por uma placa que indicava a entrada para o Parque Estadual da Pedra do Baú.
      Eu falei para ele: - Donizete, vai em frente que eu vou subir a Pedra do Baú.
      Ele disse: - Cara, isso vai demorar. Você só vai chegar em Campos do Jordão de noite. Isso se der tudo certo.
      Daí eu disse:- Tem que ser hoje. Não sei se vou ter outra chance. Quem sabe eu nunca mais passe por aqui.
      Me despedi dele e entrei na estradinha que levava ao parque. Escondi minha mochila e fui só de ataque, levando água, uma rapadura, uma paçoca, o GPS e o celular para tirar as fotografias.
      Depois de uns 4 Km cheguei onde começavam as trilhas e entrei na que indicava Pedra do Baú, face norte. Passei por uns caras que eram guias e estavam levando equipamentos de escalada. Depois de um tempo cheguei num local que tinha uma escada amarela grande, fixada na parede de pedra. Não pensei duas vezes. Subi aquela escada e depois continuei uma escalaminhada, com misto de escalada em alguns pontos, até que já estava bem alto e não tinha mais para onde subir. Estava pensando até em desistir e voltar embora, quando avistei uns caras no cume de um morro que eu julguei ser o Baú, mas acho que era o Bauzinho.

      Gritei para eles e eles responderam de volta. Perguntei como chegava na Pedra do Baú e eles me disseram para descer de novo e seguir mais em frente.
      Desci e estava chegando ao ponto em que tinha começado a subida quando vi eles vindo. Esperei por eles. Conversamos por um tempo e eles me deram as informações sobre como chegar até onde a subida começava realmente.
      Segui em frente pela trilha e pouco depois eu chegava na base da Pedra do Baú, onde um guia estava terminando os preparativos para iniciar a subida com um casal de clientes. Capacetes, corda, mosquetões, etc.
      Eu estava ali de bermuda, boné e botina.
      Eu vi aquela parede enorme e aquela sequência de grampos na pedra que eu não sabia onde terminaria. Pensei: - vou esperar ele começar a subida e assim pego uma carona. Se o negócio apertar eu peço arrego para ele.
      Foi quando ele virou pra mim e perguntou: - Vai subir?
      Falei que sim e ele disse:- Pode ir na frente então. A gente ainda vai demorar uns minutos.
      Eu pensei:- já era minha carona. 
      Era uma parede de pedra quase vertical e muito exposta, que devia ter mais de 300 metros de altura.
      O jeito foi encher o peito de ar, mirar para cima e começar a subida.
      Subi meio que com medo no começo, mas também com muita confiança Parei algumas vezes no meio para tirar fotos. Passei por mais dois guias com clientes antes de chegar ao cume. Um deles foi bem legal e me deu umas dicas sobre o percurso que faltava.
      Muitos trechos com vento forte e eu pensava: - se eu parar agora eu travo. E ia em frente. Os últimos grampos, quando se está chegando no cume são especialmente complicados, porque você tem que abandonar a “segurança” que os grampos te dão para poder chegar no cume.
      Mas depois de uns 20 minutos de subida, lá estava eu no cume da Pedra do Baú. 
      Foi um momento mágico. Bem mais do que eu esperava. O visual era incrível. Tirei foto de tudo que é jeito. Deitado sobre a beira do abismo, em pé, etc.

      Aqui vou abrir um parênteses. Apesar de estar no caminho da Fé, um caminho católico, onde se passa por muitas igrejas, as únicas vezes na vida que eu senti realmente uma presença muito forte, do que alguns podem chamar de Deus, foi quando estive no cume de alguma montanha ou embaixo de uma cachoeira. Nunca em uma igreja. Deixei de frequentá-las faz muito tempo. 
      Me lembro de ter me encontrado com “Deus”, no cume do Alcobaça (2013), em Petrópolis. Embaixo da cachoeira do Tabuleiro, literalmente, em 2013 (e agora em 2019 de novo). Nos Portais de Hércules, Travessia Petro-Tere, em 2014. No cume do Pico Paraná em 2015 (não encontrei quando retornei em 2017). Na base das Torres  e no Mirante Francês, no Parque Nacional Torres del Paine, em 2016. E agora, na Pedra do Baú.
      É uma sensação difícil de explicar. É como se você se sentisse realmente parte de um todo, de uma coisa muito maior. Se sentisse nada e tudo ao mesmo tempo. Uma paz muito grande torna conta da gente. E em todas essas vezes eu senti a presença do meu pai, já falecido.
      Restava agora a descida, que metia mais medo que a subida. Principalmente os primeiros grampos, onde tinha que se virar de costas para o abismo para alcançar os grampos. A
      Mesmo assim a  descida foi rápida e durou cerca de 15 minutos.
      Cheguei na base e peguei o caminho de volta pela trilha. Pouco tempo depois quase pisei em uma jararaca de cerca de um metro de comprimento. Ela estava junto a uma pedra onde eu iria colocar meu pé. Ela se mexeu e eu a vi. Consegui dar um pulinho e evitei pisar nela. Foi por muito pouco.
      Segui rápido pela trilha e tempo depois eu já estava de volta à rodovia, rumo a Campos do Jordão.
      A Pedra do Baú foi muito gratificante. Mais do que eu esperava. Mais do que eu merecia.
       
       
      Serra Fina.
      Fiquei em Aparecida até na segunda-feira, 17-09-2018 e daí fui para Passa Quatro (MG), onde cheguei já escuro na rodoviária local. Peguei um ônibus circular e fui para o hostel Serra Fina, do Felipe, onde fiquei até na sexta-feira quando comecei a travessia. Choveu na terça, quarta e quinta, mas na sexta a previsão era de tempo limpo que duraria tempo mais que suficiente para a travessia e por isso decidi esperar e aproveitar para descansar e ler. Mesmo assim fui até a toca do lobo, pra passear e conhecer o Ingazeiro gigante. Também fui conhecer o centro da cidade.
      A região estava em alvoroço. Dois rapazes cariocas estavam perdidos em algum ponto da travessia e vários bombeiros, guias e montanhistas estavam à procura deles. Por sorte conseguiram um ponto onde tinha sinal de celular e conseguiram passar a localização e foram resgatados. Se bem que já estavam próximos de uma propriedade rural.
      Passa Quatro é uma cidadezinha linda e é um lugar onde eu moraria tranquilamente.
      O Hostel Serra Fina também é muito bom e o Felipe é um cara nota dez. Eu me senti em casa.
      Todas as travessias que eu faço eu vou sozinho. Não que não goste de pessoas. É que eu gosto de ir no meu rítmo. Gosto de ficar sozinho. Andar sozinho. Pensar na vida, etc. A intenção era fazer essa travessia também de modo solitário.
      Mas na quinta-feira de noite chegou ao hostel uma gaúcha baixinha, menor que eu até, que iria começar a travessia na sexta também, então decidimos começar juntos. A mochila dela era enorme e certamente tinha coisa que não precisava.
       
      Começamos o primeiro dia da travessia, 21-09-2018, uma sexta-feira, mais tarde do que eu queria. Saímos da toca do lobo já era meio-dia.
      Logo no começo da travessia, primeira subida, eu percebi que ela iria me atrasar, mas já que estávamos juntos, seguiríamos juntos. Foi quando ele me disse:- Vai na frente, você anda mais rápido. Eu disse que não, mas ela insistiu. Disse que ficaria bem. Eu então dei um até logo e disse que a reencontraria no Capim Amarelo..A subida é intensa e o ganho de altitude é rápido.
      Talvez pelo “treino” feito no Caminho da Fé eu não senti muito e passei por mais gente no caminho. Primeiro por 3 mineiros (que depois se tornariam grandes amigos) e depois por outros dois caras que pareciam ser militares.
      Cheguei ao cume do Capim Amarelo eram 15:15 horas. Praticamente 3 horas só de subida. Montei minha “barraca”, que era na verdade a minha rede estendida sob a lona que tinha sido disposta como se fosse uma barraca canadense. Fiz um rango e fiquei apreciando a paisagem. Como sabia da falta de água eu decidi que não levaria comida que precisasse de água no preparo, então comi basicamente tapioca de queijo, ou de nutella, ou de salaminho, paçoca, geléia de Mocotó e castanhas, durante toda a travessia.
      Os mineiros chegaram um pouco mais tarde e armaram suas tendas. Os militares chegaram quando já estava começando a escurecer. Eles não traziam barracas, dormiram de bivaque.
      Quando já estava quase escuro chegou um grupo que iria passar direto pelo Capim Amarelo e acampar no Maracanã. Perguntei pela gauchinha e me disseram que ela tinha montado acampamento em algum local no meio do caminho. Depois disso fiquei sabendo que ela desistiu e retornou para Passa Quatro. E que depois reiniciou a travessia na segunda-feira, tendo que ser resgatada de helicóptero no cume dos 3 Estados. E que depois disso voltou mais uma vez, acompanhada de um escoteiro, só que mais uma vez desistiram, abortando a travessia na Pedra da Mina, via Paiolinho.
      Estávamos a 2490 m de altitude e o pôr do sol e a noite foram lindos e gelados. Meu termômetro marcou a mínima de 3,5ºC.

       
      O dia 22-09-2018 era o segundo dia da travessia. A intenção era dormir no cume da Pedra da Mina.
      Depois do café da manhã, junto com os mineiros, desarmei e guardei toda a tralha e deixei o Capim Amarelo para trás às 10:20 horas.
      Logo no começo encontrei uma garrafa de uísque que tinha sido esquecida pelos militares. Voltei até onde os mineiros estavam e depois de bebermos uns goles eu retornei para a trilha, levando a garrafa para devolvê-la assim que encontrasse os rapazes. Não demorou muito para encontrá-los porque eles tinham pegado uma trilha errada logo na saída do Capim Amarelo.
      Depois de muito sobe e desce, mata fechada, bambuzal, escalaminhada, trepa pedra, cheguei na cachoeira vermelha e no ponto de abastecimento de água. Estava cedo e daria para pernoitar no cume. Foi o que fiz e cheguei ao cume eram 16:40 horas.
      Chegando ao cume estendi a minha lona fazendo um teto que ligava uma parede de pedras empilhadas até o chão Estendi ali embaixo o isolante e joguei o saco de dormir por cima. Essa noite não teria o mosquiteiro. Deixei a rede guardada.
      Comi meu jantar, assinei o livro de cume e fui apreciar o fim da tarde, o pôr do sol e as estrelas aparecendo. A noite estava bem fria.
      Os 3 mineiros chegaram quando a noite já tinha caído. Ajudei eles a montarem as barracas e depois ficamos conversando até altas horas. Os militares chegaram ainda mais tarde e no dia seguinte abandonariam a travessia, descendo pelo Paioloinho.
      Essa noite teve como temperatura mínima 3,7º C, mas a sensação foi de que era uma noite muito mais fria que a anterior. Talvez pela exposição ao vento, o que não tinha acontecido pela proteção que o capim elefante fornecera na noite anterior.
      A noite foi linda, repleta de estrelas e prometia um amanhecer incrível, fato que aconteceu. O único porém foi a grande quantidade de pessoas que estavam na Mina, quase todos fazendo bate-volta, o que trouxe muito barulho até algumas horas da noite. Apesar disso dormi muito bem e acordei bem disposto. A água até aqui não tinha sido problema.

      O dia 23-09-2018 era o terceiro dia da travessia e amanheceu espetacular, apesar de muito frio. Acordei antes do sol nascer e escolhi um bom lugar para apreciar o espetáculo. Depois disso o café da manhã (sem café) e desmontar acampamento. A surpresa foi quando levantei o saco de dormir e vi que uma aranha bem grande tinha vindo se aquecer embaixo dele. Peguei a bichinha com cuidado e a levei para perto de uma moitinha de capim.
      A travessia começou mesmo já eram 10:50 horas da manhã e daí para frente decidi caminhar junto com os 3 mineiros, afinal a gente combinava bastante. E assim saímos nós 4 da Pedra da Mina, eu , o Vinícius (Vini), o Daniel (boy) e o Nelson (Bozó). E assim passamos pelo Vale do Ruah, onde abastecemos os cantis pela última vez, com água que deveria ser suficiente até as 16 horas do dia seguinte. Daí foi uma grande sequência de morros até chegarmos ao Pico dos Três Estados às 17:20 horas.
      Mais uma vez montei a lona no estilo canadense, dispus a rede com mosquiteiro dentro e esparramei minhas coisas. De noite nos reunimos junto ao triângulo de ferro que representa a divisa dos 3 estados para a janta.
      Os caras já tinham pouca água. Eu ainda tinha meus dois cantis cheios e mais um bom tanto no camelback. Dessa maneira cedi um cantil para que eles fizessem a janta e bebessem o que sobrasse. Essa noite foi a mais fria, com o termômetro marcando 2,7º C, mas o capim elefante nos protegeu bem dos ventos e deu para dormir muito bem.


      No dia seguinte pela manhã, o Bozó sugeriu que fizéssemos café. Lá se foram mais 500 ml de água. Mas foi muito bom aquele cafezinho e aquela vista que se tinha lá de cima. De lá dava para ver Prateleiras e Agulhas Negras, minha próxima empreitada.
      Era o dia 24-09-2018, nosso quarto e último dia de travessia.
      Deixamos o 3 Estados às 09:40 da manhã. 
      Esse foi um dia bem sofrido. Uma sequência de morros. Sobe e desce. Muitos trechos de mata, e bambuzal. Mas o principal obstáculo era a falta de água. Minha água era para dar tranquilamente, mas depois da janta, café e dividir com os amigos, eu tinha deixado o 3 Estados somente com a água que restava no camelback, que era pouco mais de meio litro.
      Fomos racionando, mas quando chegamos no Alto dos Ivos, todos bebemos o que nos restava de água. Foram mais 3 horas até encontrarmos água de novo.
      A falta de água aliada ao esforço físico fez com que o Vini começasse a passar mal. Mesmo assim tocamos em frente.Chegamos inclusive a beber água acumulada nas bromélias.
      Eu e o Bozó, que estávamos melhor, seguimos mais rápido enquanto Daniel ficou para trás acompanhando o Vini. Chegamos ao ponto de água e enchemos os cantis e o Bozó voltou correndo para encontrá-los e matar a sede dos amigos.
      Já eram 16:50 horas quando chegamos na rodovia BR-354, onde o resgate que eles tinham combinado estava esperando. A Patrícia, que era a dona da caminhonete de resgate me deu uma carona até Itamonte, onde seria meu pernoite. 
      Por coincidência, a Patrícia era o resgate dos rapazes que estavam perdidos quando cheguei em Passa Quatro. Como eles não chegaram no ponto de resgate no dia combinado, ela entrou em contato com os bombeiros e com a família dos rapazes.
      Era o fim da travessia. Uma das mais puxadas e mais bonitas que já fiz. Foi também a última vez que vi os amigos Daniel e Vinícius. O Bozó eu encontrei de novo em Belo Horizonte agora em maio de 2019.

      Foi uma travessia que exigiu muito, mas que ofereceu muito mais em troca. Alvoradas e crepúsculos inesquecíveis. Paisagens sem igual, amizade, companheirismo. E que deixou uma vontade enorme de retornar e fazê-la novamente.

       
      Parque Nacional de Itatiaia.
      Agulhas Negras e Prateleiras.
      Desde que eu estava no hostel em Passa Quatro, eu já estava procurando um guia para o Parque Nacional de Itatiaia. Sabia que se tudo desse certo eu terminaria a travessia na segunda-feira 24-09 e na terça-feira 25-09 queria ir para o PNI, para subir o Agulhas Negras e o Prateleiras. Durante os telefonemas para casa, eu vi que teria que voltar logo. Dessa maneira, eu teria que fazer os dois cumes no mesmo dia.
      Entrei em contato com vários guias, mas ninguém queria fazer os dois cumes em um único dia. Uns disseram que não dava. Outros disseram que não era permitido. Até que encontrei um cara. Tudo isso pela internet e pelo tal de whats app, que eu nunca tinha usado antes disso.
      Deixamos mais ou menos combinado. Ele me cobraria 300 reais pela guiada. Eu sabia que o PNI exigia equipamentos para a subida aos cumes. Eu não tinha esses equipamentos. Após o PNI eu teria que voltar para casa, minha jornada terminaria ali, portanto não precisaria mais ficar regulando a grana.
      Durante a travessia da Serra Fina a gente ficou sem contato.
      No final da travessia, o resgate dos mineiros me deu uma carona. Eu tinha planejado ficar no Hostel Picus, ou no Yellow House, mas ambos estavam fechados. Dessa forma fui com eles até Itamonte, onde me deixaram e seguiram rumo a Passa Quatro. Saí procurando hotel ou pousada e acabei ficando no Hotel Thomaz. O Hotel era bom e tinha um restaurante onde eu jantei. Só que fica bem na rodovia e eu peguei um quarto de frente para a rodovia e o barulho dos caminhões e carros freando durante toda a noite incomodou um pouco e prejudicou o sono.
      Na manhã do dia 25-09-2018, terça-feira, acordei bem cedo, tomei banho, preparei as coisas que levaria para o Parque, entrei em contato com o guia e desci para tomar o café da manhã no Hotel. Por volta das 7 horas o guia chegava de carro para me pegar e seguirmos para o parque. Durante o caminho fomos conversando e falei pra ele sobre a travessia e sobre o caminho da fé e pedra do Baú, que tinha feito recentemente. Ele também é guia na travessia da Serra Fina.
      Chegamos ao parque fizemos os procedimentos de entrada, onde um guarda-parque alertou que caso não começássemos a subida do Prateleiras até as 14 horas, não deveríamos continuar. Desse modo, às 08:45 da manhã iniciamos nossa caminhada rumo a base do Agulhas Negras. Ele apertou o passo, acho que querendo me testar. Eu fui acompanhando de boa. Paramos num riozinho para abastecer a água e fazer um lanchinho, já próximo da base.  A conversa ia progredindo e ele me falou que achava que eu era um cara que parecia estar preparado e que normalmente ele guiava por uma via conhecida como Via Normal ou Via Pontão, mas que se eu quisesse a gente poderia tentar uma via diferente, pra se divertir um pouco. Falei pra ele que ele é quem estava guiando e que por mim tudo bem. Dessa maneira subimos por uma via menos utilizada, que passa por dentro de uma espécie de chaminé que é conhecida como útero. Na verdade quando você emerge dessa “chaminé” é como se você estivesse nascendo. Não levamos capacete, nem cadeirinha, apenas uma corda e uma fita. Usamos a corda somente duas vezes, uma delas para rapelar e depois subir um lance de rocha que fica entre o falso cume e o cume verdadeiro onde fica o livro de cume. Atingimos o cume verdadeiro às 10:40 horas.


      Comemos, descansamos um pouco, apreciamos a paisagem, tiramos várias fotos e depois iniciamos a descida. Dessa vez por uma via diferente, a Via Bira.
      No início da descida um rapel de uns 40 metros por uma descida bem íngreme junto a uma fenda e uma parede. Bem legal. Foi uma descida bem bacana. Uma via bem mais interessante que a tradicional.
      Eram 12:40 quando chegamos de volta ao ponto onde tínhamos iniciado a caminhada. Fizemos um lanche rápido e às 13:00 horas partimos em direção ao Prateleiras. Desta vez sem mochila, sem corda, sem água. Só levamos uma fita de escalada, que foi usada uma única vez. Achei bem mais tenso que o Agulhas, apesar de mais rápido. Muita fenda, muito lance exposto, muito salto de uma pedra para outra com abismos logo embaixo.
      No ataque final, nos últimos 15 minutos, o cara me salvou por duas vezes. A primeira em um lance de escalada livre onde se tem que fazer uma força contrária. Como não tem "pega", a gente sobe com os pés numa face da fenda, empurrando a outra face para baixo. Complicado. Eu tava a abrindo o bico de cansaço aí ele me deu a mão e a puxada final. Depois disso, num paredão bem inclinado, tinha que começar a subir quase correndo agarrando na pedra para conseguir chegar ao fim. Faltando um meio metro para o fim dessa rampa minha bota começou a escorregar na pedra e eu fiquei sem força. Gritei ele e novamente me deu a mão ajudando a chegar. Muito tenso.
      Atingimos o cume às 13:50 e depois de alguns minutos começamos a descida. Paramos para comer uma bananinha e paçoca e descemos mais tranquilos. Às 14:58 estávamos de volta ao local onde tinha ficado o carro.
      Daí o cara olha pra mim e fala: - Agulhas e Prateleiras em 6 horas. Nada mal.
      E rachamos o bico de dar risada.

      Tinha acabado de subir dois cumes que sempre tinha sonhado. Agulhas Negras e Prateleiras. Os dois em cerca de 6 horas. Eu estava muito feliz. 
      O visual de cima dessas montanhas é incrível. Mas a experiência da subida é demais. A adrenalina a mil. Saber que um escorregão e já era. Isso não tem preço que pague.
      Acabei ficando amigo do guia e ele me deu uma carona para Itanhandu no dia seguinte, onde pegaria o ônibus de volta pra minha terra.
      Dormi mais uma noite no mesmo hotel, dessa vez num quarto de fundos e o sono foi muito melhor. Desci para comer um sanduíche de pernil numa lanchonete próxima e bebi uma coca-cola de 1 litro. Depois de todo aquele esforço eu merecia.
       

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      Na manhã da quarta-feira, 26-09, eu parti de volta para Maringá, com uma parada longa em São Paulo, de onde saí de noite e cheguei em casa na manhã de 27-09-2018.
      Decidi ir pra casa a pé. Pra caminhar um pouco. rsrsrs.
      Logo depois do almoço eu estava em casa e na manhã do dia seguinte tudo voltaria à mesma rotina de antes.
      Mas eu não era o mesmo cara que tinha saído 23 dias antes. 
      Eu tinha caminhado mais de 420 Km. Tinha estado em 3 dos dez pontos mais altos do país. Tinha visto o sol nascer e se por proporcionando espetáculos inesquecíveis. Tinha conhecido gente da melhor qualidade, o povo bom e humilde do interior de Minas Gerais.
      Dá para aguentar essa rotina por mais um tempo, numa boa.
       
    • Por Amanda Abreu
      Depois de conhecer as Prateleiras e também o pico das Agulhas Negras, meu próximo objetivo era o Morro do Couto. Assim como Agulhas Negras e Prateleiras, o Morro do Couto fica localizado no Parque Nacional do Itatiaia, no estado do Rio de Janeiro, sendo considerado o 8° ponto mais alto do Brasil com 2680 metros de altitude. 
      A travessia aconteceu no dia 11/03/18. A intenção era subir o Morro do Couto, seguir até Prateleiras, e depois retornar para a portaria passando pelo Abrigo Rebouças, totalizando um percurso de 12 km. [emoji33]
       

       
      O quase planejamento da aventura começou na semana que antecedeu o domingo do possível passeio. Eu e o meu namorado Rafael, conversamos sobre o período sem trilhas que estávamos passando, e surgiu a ideia de voltar ao PNI. Itatiaia é cidade próxima de onde moramos, então, colocaríamos gasolina no carro, chamaríamos os amigos, e partiu. O valor da entrada por pessoa é tranquila, apenas R$17,00. 
      O problema para ir começou quando nos dois dias que antecederam o dia 11, choveu bastante e a probabilidade de chuva para os próximos dias na região era muito grande. Procuramos em diversas fontes alguma forma de saber melhor qual a previsão mais aproximada para o PNI, mas todos diziam que a possibilidade de chuva era de 90% e em outros alertava até para tempestades. Ate que um site nos orientou melhor e conseguimos ver que iria chover nas cidades próximas a partir das 9:00 da manhã. Então, avisamos os amigos que sairíamos bem cedo e faríamos pelo menos parte do trajeto ate as 9:00. Mas, sábado a noite choveu, e choveu muito; quem estava interessado de ir, desinteressou. [emoji32] Mesmo morrendo de medo de ser uma furada, de sair pra estrada e acabar pegando chuva forte e melando todo passeio, decidimos ir. 
      Arrumamos as coisas e combinamos de sair ate umas 5:30. Era umas 6:00 e estávamos na estrada. O tempo ainda não dava sinais de que rumo tomaria, mas nossa esperança era de que ate uma 9hrs ficaria tudo bem. Em uma parte da Via Dutra, vi um tempo fechado que me preocupou, mas eu já sabia, por idas anteriores, que o clima pode ser totalmente diferente lá em cima. Quando começamos a avistar os picos imponentes do parque, percebemos que o dia estava lindo, sem nuvens e com um lindo sol.[emoji41]
      Estávamos na portaria do parque as 8:15. Para fazer essa travessia, o horário limite de acesso é ate as 10. A travessia pode ser feita sem guia, mas, se você não conhece nada de trilhas, e ainda não se sente a vontade de encarar uma trilha sem um acompanhamento, o melhor é ir com alguém experiente. Nós fizemos sem guia, mas antes, coletamos informações suficientes sobre o que viria pela frente. O acesso para a trilha do Couto é uma estrada a partir do estacionamento. Subida bem íngreme, mas, conforme andávamos dava pra ver quão bonito estava a paisagem.
      Fomos ate uma antena e pouco depois começamos nosso primeiro ponto com subida nas pedras. Durante a caminhada conversamos sobre aquela ser uma trilha boa para levar crianças de uns 10 anos. Já na subida de pedras, aumentamos a idade devido ao tipo de desafio.

       
      Chegamos ao topo do Couto.[emoji3] A paisagem estava incrível, o lugar dá uma visão muito ampla do parque e nos deu uma sensação de liberdade sem igual. Não ficamos muito, pois íamos para o segundo desafio: chegar ate Prateleiras. São mais 4,5km de trilha.

       
      Na saída encontramos um pai com seu filho, que nos fez relembrar da nossa conversa anterior. Tivemos que perguntar a idade do menino, e imagine nossa surpresa ao ver uma criança de nove anos chegando lá em cima, com um sorriso no rosto e super empolgado. 
      Tive duvidas se eu conseguiria concluir a caminhada. A partir do momento que começamos o trajeto ate prateleiras percebemos que aquela trilha seria um exercício de paciência, cooperação e humildade; digo que até de coragem. Nessa parte, os totens (pedrinhas empilhadas) encontrados no caminho foram de grande ajuda. Eles davam a dica de qual o próximo caminho a se seguir, porque em alguns momentos as trilhas sumiram e andamos mato afora, mantendo o foco no nosso objetivo. O terreno la é sem árvores e tem somente mato rasteiro, que devido a estação do ano estava um pouco maior em alguns pontos, e também havia água e barro (é, você vai sujar sua bota sim). Durante o trajeto você tem a opção de abortar a travessia utilizando a trilha sinalizada que leva até o abrigo. Fizemos pequenas pausas para comer, descansar e tirar alguma foto. A próxima foto é da vista do mirante que encontramos no caminho, fácil de identificar por causa de uma plaquinha.

      Em certo ponto mais na frente, passamos pela toca do índio; pedras enormes que formavam uma passagem. Vale lembrar que durante o percurso, a toca do índio foi o único local com sombra generosa. Durante todo percurso, as sombras são muito raras. Fora isso, tivemos sombra em algumas pedras que encontramos no caminho. É importante não esquecer o filtro solar, e se der, use até uma manga longa. Pegamos um dia bem quente, afinal, era verão e o tempo estava aberto. Não se esquecer de levar água e também lanchinhos rápidos.
      Prateleiras estava ficando cada vez mais perto. Estávamos chegando ao nosso objetivo, e insistir na travessia foi a melhor escolha que fizemos. A paisagem é gratificante e as histórias pra contar sempre serão muitas. [emoji6]

      Quando chegamos ate as Prateleiras, e dessa vez não fomos até a base, retornamos pela trilha até o abrigo. Passamos pela cachoeira das Flores que estava com um bom fluxo de água que a deixou ainda mais bonita. 

      Chegando ao abrigo, fizemos nossa pausa maior com direito a uma sopa. [emoji3] Bem antes das 17:00 retornamos pela estrada a caminho da portaria. Chegamos ao posto Marcão as 17:15. No caminho de retorno podíamos ver ao longe, parte do que foi nosso objetivo e analisar um pouco do que tínhamos andado.

      Quando vamos ao PNI, sempre retornamos para casa já com vontade de voltar. Depois da travessia, pensei sobre não ter tirado uma foto que pudesse registrar a visão que se tem da paisagem ao longo do caminho, se é que isso é possível. Uma visão ampla e incrível de pedras, trilhas, subidas e descidas que te faz sentir um máximo por estar explorando aquele lugar sem igual. [emoji23]
       
       
       
       
       
       
       
       
       
    • Por Demetriusrj
      Fala Galera, iniciei este post, pois quero dividir com vocês minha ansiedade sobre a programação do final de semana.
       
      A parada é a seguinte:
       
      No dia 30 de junho eu e um grupo de amigos subiremos as PRATELEIRAS, desceremos e começaremos a caminha até o antigo abrigo Massenas. Acamparemos neste local e no dia 01 de julho continuaremos a nossa caminhada.
       
      Quando retornar posto fotos.
       
      Até lá.
    • Por Augusto
      Oi pessoal.
      Abaixo segue o relato dessas 2 travessias.
       
      Por muitos anos qualquer travessia no PNI era proibida; muita gente fazia, mas sempre na surdina.
      Para muitos a Serra Negra era a única opção, já que não passava pelo interior do Parque Nacional e contornava ele pelo norte, mas em 2007 o PNI reabriu a Travessia Rui Braga que liga a parte alta à parte baixa e oficializou a Serra Negra, mas seguindo pelo trecho: Rebouças - Aiuruoca - Serra Negra - Mauá.
      E com isso, reles mortais como nós pudemos realizar travessias com autorização do Parque e com isso no mês de Julho marquei com o Sandro (do Fórum Mochileiros) fazermos as 2 travessias juntas e com quase 1 mês de antecedência solicitei ao PNI a Autorização para fazer a Rui Braga.
      Antes de chegar na Vila de Maromba, íamos subir a Pedra Selada.
       
      Fotos da Pedra Selada:
       
      Eu, a Márcia, a Sophia (nossa filha) e o Sandro seguiríamos de Sampa em direção à Visconde de Mauá e enquanto eu o Sandro iríamos sair de Maromba na caminhada em direção ao PNI pela travessia da Serra Negra e depois emendar com a Rui Braga, a Márcia e a Sophia iam ficar hospedadas em Maromba por 4 dias para depois nos pegar no final da travessia da Rui Braga, já na parte baixa do PNI.
      Nosso plano era chegar no Domingo, 11 de Julho em Maromba a tempo de ainda assistir a final da Copa do Mundo, mas como o técnico Dunga não ajudou, assistir Espanha x Holanda não estava nos planos. A prioridade agora era subir a Pedra Selada só para dar uma aquecida nos músculos.
      Por volta das 07:00 hrs saímos de Sampa e com algumas paradas pela estrada, chegamos em Visconde de Mauá pouco antes das 13:00 hrs e logo fomos procurar um lugar para comer.
       

      Saciados da fome, seguimos por uns 12 Km por uma estrada de terra, sentido leste em direção à base da Pedra Selada, margeando o Rio Preto e pouco depois das 14:00 hrs cruzamos o pequeno bairro de Campo Alegre e de lá já era possível avistar a Pedra Selada em todo o seu esplendor à frente.
       

      Chegamos pouco antes das 14h30min chegamos na bifurcação que leva à sede da Fazenda e aqui não tem como errar, pois existe até uma placa indicativa da Pedra Selada.
       

      Já na sede é cobrado uma taxa para se fazer a trilha e estacionar o carro.
       

      As 14h40min eu e o Sandro iniciamos a subida e por razões óbvias a Márcia e a Sophia ficaram na sede, já que o desnível é de mais de 700 metros e o total da trilha chega a uns 2,5 Km.
       

      Ao longo da subida a trilha segue um trecho de descampado para depois entrar na mata fechada e ao longo dela vamos encontrando algumas placas de cachoeiras e altitudes.
       


      Cruzamos com um riacho e passamos próximo dele várias vezes, sendo possível descansar em alguns bancos estrategicamente colocados em alguns mirantes.
       

      A trilha é bem demarcada e segue pelo lado direito da Pedra até atingir a crista e de lá o ataque até o topo por uma subida muito íngreme.
       

      Poucos metros antes do cume encontramos vestígios de acampamento na trilha, mas que não eram muito confortáveis e as 16:00 hrs alcançamos nosso objetivo.
       

      A altitude aqui é de 1755 metros e o visual é de 360º.
      A Pedra tem mesmo o formato de uma sela de cavalo por isso o nome que recebe.
       

      Estávamos de um dos lados do cume e pudemos perceber que no outro lado o acesso ao topo só é feito com equipamento de escalada.
       


      Existe aqui um livro de assinaturas onde deixamos as nossas também e as 16h40min iniciamos a descida.
      Ainda passamos por um abrigo semi-abandonado próximo da trilha, que vimos do topo.
       

      Ao chegarmos na sede ficamos um pouco mais de tempo, pois naquele momento estava acontecendo o jogo da final da Copa do Mundo e estava ainda em 0 x 0 e somente quando já estava escuro seguimos para a Pousada em Maromba.
       

      A estrada até lá é toda de terra e somente pequenos trechos são asfaltados, mas de péssima qualidade e depois de passarmos as Vilas de Visconde de Mauá e de Maringá chegamos na Praça da Igreja em Maromba por volta das 20:00 hrs.
      Ficamos em pousadas diferentes, mas em frente à Igreja Matriz de Maromba e depois de deixar as coisas nas pousadas fomos procurar algum restaurante que ainda estivesse aberto naquele Domingo.
      Pelo horário (por volta das 21:00 hrs) só fomos encontrar um restaurante funcionando próximo da Igreja e junto ao Rio Preto.
      A comida era boa e farta, mas o rio, que passava nos fundos do restaurante, exalava um cheiro de esgoto que incomodava quando chegávamos perto.
      Não era um Rio Tietê, mas parece que estão querendo chegar lá; uma pena.
      Depois do jantar marcamos de se encontrar no dia seguinte por volta das 08h30min em frente à Praça para seguirmos em direção ao início da trilha.
       
       
      Continua no 2º dia

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