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Marrocos - 5 dias (maio/2013)


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Depois de tanta ajuda recebida dos demais mochileiros resolvi ajudar também deixando meu relato.

 

Fiz a viagem com uma amiga no começo de maio, durante um semestre que estive morando e estudando em Madri. As passagens foram compradas com alguma antecedência no site da Ryanair, pagamos 38 euros em cada trecho e chegamos em Marraquexe no dia 03/05 já de noitinha. A fila para imigração foi um pouco demorada, ficamos por lá cerca de 1 hora mas é muito tranquila, nem me lembro se o agente perguntou alguma coisa ou se só carimbou o passaporte... Saindo dali fomos trocar alguns euros por dirhans (moeda local) para as despesas iniciais, a casa de câmbio fica no aeroporto mesmo. A cotação estava 10 dirhans para 1 euro, na medina estava um pouco melhor 11 para 1. Ainda no aeroporto procuramos por um ônibus/táxi que nos levasse ao hostel. Havia lido que as corridas de táxi eram muito baratas, algo como 3 euros por pessoa, mas o taxista que estava lá disse que nos cobraria 16 euros até a medina (2 pessoas). Inicialmente negamos e perguntamos pra ele onde poderíamos pegar um ônibus que fizesse o mesmo trajeto pois estava muito caro (tentando fazer uma chantagem barata ::otemo:: ). Mas não funcionou muito, ele simplesmente apontou a direção, falou que era 6 euros por pessoa e deu as costas... no final das contas ele que acabou ganhando, fechamos o táxi. Já estava de noite e não dava pra ver muito da cidade, mas o táxi velho (velho mesmo), a música árabe tocando e todo mundo andando de moto sem capacete nas ruas já dava a sensação que iria ser uma viagem bastante original e diferente do mundinho perfeito europeu, gostei logo.

 

O motorista parou no portão do muro que envolve a medina (medina é a parte mais velha e histórica da cidade) e deu as orientações de como teríamos que fazer pra chegar ao destino, como se fosse simples. Não andamos nem 2 minutos e já estávamos perdidos. De cara parece um labirinto com algumas ruas um pouco mais largas e outras ruelas de pouco mais de um metro de largura. Logo se acercou um garoto de uns 12 anos que sabia que estávamos perdidos e perguntou se precisava de ajuda, sabia que não era favor e que queria algum dinheiro em troca da ajuda mas na situação que estávamos foi a melhor coisa que fizemos. Informamos o nome do hostel e depois de um caminho impossível de ser feito por quem não conhece, ele nos deixou na porta do hostel. Dei algumas moedas que tinha de troco e agradeci, bom negócio.

 

 

O hostel que escolhemos era simples mas cobria todas as nossa necessidades, pra mim que saio 7 da manhã e só volto 10 da noite uma cama e um chuveiro são mais que suficientes, esse ainda tinha café da manhã com comida típica, além de uma decoração estilo marroquina. Por tudo isso pagamos a bagatela de 4,50 euros! Marrocos te amo. O nome do hostel é kif-Kif Marrakesh.

 

Antes da chegarmos no Marrocos, tínhamos em mente que queríamos fazer a excursão de 3 dias pelo deserto (mas também existe a de 2 dias) com a empresa http://www.saharaexpe.ma pelo valor de 90 euros. Só que no mesmo hostel encontramos um grupo de 5 brasileiros, também estudantes, que estavam morando em Portugal e tinham voltado naquele dia da excursão de 3 dias. E nos disseram que era muuuito cansativo porque o ponto final da rota de 3 dias ficava a 600km de Marraquexe... pensei bem é vi que realmente, andar 1200km (ida e volta) em 3 dias, pra mim que passo mal por pouca coisa, não seria muito bacana. Fomos na excursão de 2 dias. Além disso, eles nos deram outra dica de ouro, não importa o valor que você pagasse, todos iriam juntos! No Marrocos tudo é negociável, então se vc chorar vai conseguir o mesmo produto por menos.

 

No outro dia fomos conhecer a cidade pela manhã para então conhecer a medina pela tarde. Tinha uma ideia bastante diferente do que vi, a cidade é mais organizada e tem mais verde do que eu imaginava. Uns parques bastante bonitos e algumas construções bem legais, mas tudo com um toque da arquitetura árabe que é incrível.

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Enquanto estávamos andando pela cidade estávamos buscando também algum lugar pra fechar a excursão de 2 dias pelo deserto. Sabíamos que os valores pra 2 dias giravam em torno de 60 euros, então queríamos menos que isso. Paramos na estação de trem/ônibus ou sei lá o que, mas bem bonita por sinal, e numa agência de viagem a moça jogou 80 euros de cara, no choro saiu por 60, mas tava igual os outros, então não fechamos.

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Saímos dali e passando em frente a um hotel numa rua qualquer com uma placa falando de excursões para o deserto. Perguntamos o preço e o cara disse que era 60, nessa hora já sabíamos que sairia mais barato pois já começou com o preço normal ::otemo:: . Aí começou a encenação de que eramos estudantes e tal e estava caro... daí ele manda um "quanto vocês querem pagar?" Falamos que podíamos pagar 40. "Fechado!". Foi muito mais fácil que tínhamos imaginado, se soubéssemos teríamos jogado mais baixo ainda... ::putz::. Confesso que no começo estávamos meio receosos de ficar chorando muito, mas depois pensamos bem e vimos que, primeiro, nada tem preço exposto e tudo é negociável, faz parte do jeito tradicional deles de vender, e segundo, se ele aceita vender naquele preço com certeza ele ainda está ganhando em cima, meio obvio isso. Pagamos um percentagem do valor na hora (não me lembro quanto) e o restante no outro dia antes de sair pro deserto, as 7h da manhã na praça principal da medina.

 

No horário marcado estávamos lá com nosso recibo na mão, haviam algumas vãs e outros gringos dispersos. Entregamos nosso bilhete e a quantia que faltava para um cara de uma das vans que se encarregou de alocar a gente em uma van que iria fazer aquele percurso. No nosso grupo tinha um casal de canadenses, um casal de holandeses, um casal das ilhas Malvinas (nunca imaginei que iria encontrar alguém de lá), uma grega, uma espanhola e 3 outros brasileiros estudantes (salve salve Ciência sem Fronteiras). Eu não perguntei, mas tenho certeza que todo mundo deve ter pagado mais caro que a gente, isso dá uma sensação muito boa... hehehe.

 

A van vai parando em vários pontos pra tirar fotos, montanhas, vales com oásis no fundo, tamareiras, muitas tamareiras... As paisagens são realmente muito bonitas, mas de todos os pontos do caminho o mais interessante foi o Ait Benhaddou que é uma cidade muito cenográfica, onde foram rodados muitos filmes. Nessa cidade fizemos um tour de cerca de 1-1,5 horas e depois almoçamos. O almoço ficou em 10 euros e o guia ficou mais 5 euros.

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Depois do almoço seguimos viagem, esqueci de mencionar que o motorista foi a viagem inteira ouvindo música árabe, no começo (digo até a terceira música) foi muito legal, bacana conhecer essa cultura diferente...blá blá blá. Mas chega uma hora que não dá pra escutar mais é só um chiado que vc não entende nada :shock: , eu não sou fresco pra essas coisas não, mas realmente enche o saco, a ponto de a gente quase vibrar quando ele trocou a música por uma dessas músicas americanas zuadas estilo Britney Spears, dos anos 2000.

 

Voltando ao assunto, chegamos por volta de 5 da tarde em Zagora, passamos rápido num mercadinho pra comprarmos água e alguma coisa pra comer e já seguimos para o ponto onde iríamos andar de camelo até o acampamento bérbere onde iriamos passar a noite. A viagem de camelo duraria 1 hora, cada um no seu camelo e começamos a viagem. Aqui queria deixar uma dica de maior importância pra quem quer preservar sua integridade física e para os homens, mais que isso, as futuras gerações. Coloquem as duas pernas de um só dos lados! Pode parecer exagero, mas você vai me agradecer depois, principalmente se for homem. Camelo não é cavalo. Bom, a viagem foi curta até o acampamento, mas no caminho passamos por uns campos onde alguns homens e mulheres estavam colhendo trigo na mão, também haviam algumas plantações de alfafa e tamareiras. A cena era realmente bonita de se ver.

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Mal começamos a andar na areia e já avistamos o acampamento com cerca de 10 tendas menores, que eram os quartos, e uma tenda maior onde jantaríamos e poderíamos descansar até a hora de dormir. Confesso que fiquei bastante desapontado quando vi o acampamento tão perto. As dunas eram muito pequenas, talvez 1-1,5m de altura e mais ao longe podíamos ver as tamareiras onde as pessoas estavam cortando o trigo e mais ao lado e bem distante uma estrada onde passavam alguns carros de vez em quando. Pensei que seria alguma coisa mais isolada e cinematográfica, mas foi bastante aquele esquema pra agradar turista. E isso também se deu com os bérberes do acampamento, que apesar das roupas típicas que usavam, não davam nenhuma pinta que viviam ali. Enfim, foi minha impressão no momento.

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Após deixarmos as mochilas (cada um vai carregar sua mochila no camelo, portanto não leve nada de excessivo) nas tendas-quarto (cada quarto tinha 4 camas) fomos tomar um chá marroquino que estava muito bom. Esse chá eles oferecem em qualquer lugar e parece com hortelã, talvez até seja mesmo, mas realmente é muito bom, eu nunca rejeitava. Tomamos o chá e fomos ouvir os "bérberes" cantarem algumas músicas típicas. A primeira música que o cara cantou foi "ai se eu te pego". Eu não estou brincando! Eu fui até o Marrocos, peguei uma van 7 da manhã e andei o dia todo, depois montei num camelo e andei mais uma hora e chego no meio do nada pra escutar Michel Teló. Foi osso. Mas passou, ele só quis brincar com a galera e logo começou a cantar as músicas árabes deles.

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Passado isso fomos ao jantar, que estava muito bom. Tinha uma espécie de cuscuz com vegetais e frango e um tempero que deixa tudo meio amarelado, não sei se era curry, mas era bom. Depois do jantar teve mais um show de músicas, agora dentro da cabana e depois fomos dormir pra levantar cedo no outro dia pra ver o nascer do sol no deserto. Esqueci de comentar, mas no acampamento tinha banheiro e chuveiro.

 

No outro dia levantamos cedo e fomos a umas das dunas que ficava logo atrás do acampamento pra ver o nascer do sol. Vou falar que não achei nada de especial não, acho que estava meio mal ainda pelo fato de não ter dunas gigantes como eu estava fantasiando. Dei uma olhada até o sol apontar e fui ver os camelos que trouxeram a gente no dia anterior e estavam por lá, gostei mais dos camelos que do nascer do sol no deserto.

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Logo que saiu o sol e todos acordaram fomos tomar o café da manhã também típico, com um pão diferente, manteiga, um tipo de mel e o dito chá de hortelã, sempre bom. Partimos em seguida. Na volta paramos menos pois parte do trajeto foi o mesmo do dia anterior, chegamos no final da tarde em Marraquexe.

 

De noite fomos jantar em um restaurante que fica na praça principal da medina. Não me lembro o nome, mas todos os restaurantes tem o cardápio na porta com os preços expostos e é tudo muito barato. Uma salada marroquina de entrada sai por 5 dirhans (0,50 euros), prato principal uns 30-35 dirhan e por aí vai... no fim das contas vc gasta 5 ou 6 euros e come muito bem, a comida marroquina é deliciosa. Não existem coisas extremamente exóticas, eles comem bastante cuscuz (que obviamente não se chama cuscuz por lá), vegetais, frango, carne, também tem arroz e omelete, mas esse tempero deles tem um sabor bem característico. E os sucos de laranja ou pomelo frescos são muuuito bons. Em qualquer barraquinha da praça (e tem muitas barracas de suco) você pode comprar um copo grande exprimido na hora por 4 dirhans. Esse não tem choro, o preço é tabelado.

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No dia seguinte fomos fazer as compras. Se tem uma dica que você tem que seguir é a seguinte, mostre que você é brasileiro, e pobre! Explico. Como estávamos morando na Espanha, sempre que nos perguntavam alguma coisa nós respondíamos em espanhol pois seria mais fácil de eles compreenderem já que muitos falam espanhol e quase ninguém fala português por lá. Outros vendedores quando nos ouviam falando perguntavam "Espanhol?", respondíamos que sim, pois pensávamos que estavam perguntando acerca do idioma, mas na verdade eles estavam perguntando se nós eramos espanhóis. Então quando começava a negociação os preços geralmente começavam meio altos em relação a outros lugares. Mas no meio da conversa eles entendiam que nós não eramos espanhóis e sim brasileiros. Nessa hora tudo muda, é até engraçado. Em uma ocasião um deles até comentou: "ahhh Brasil! Brasil é pobre igual Marrocos, por isso vou te fazer um preço especial pra Brasil". Ao contrário de qualquer outro lugar, o preço do produto não é estipulado pelo que realmente ele vale mas pelo que você pode pagar, e se você tem dinheiro (americano, europeu...) ele vai tentar arrancar. Nós estávamos negociando um narguile que começou a ser vendido por 300 dirhans e no final saiu por 130 dirhans. Depois de fechado a compra o vendedor deu os parabéns e falou que eramos bons de negociação, pois fazia pouco tempo que tinha vendido um igual aquela pra um americano por 900 dirhans!!

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Isso é muito cultural, eles adoram negociar, um deles queria de todo jeito comprar meu relógio. Outras negociações que fizemos, só pra ilustrar como os preços podem baixar: blusa de 250 dirhans saiu por 120, lenço de 150 dirhans saiu por 60, chinelo de couro baixou de 200 pra 80... e por aí vai. Não tenha dó de tentar abaixar o preço, com certeza ele vai tentar ganhar bastante em cima de você, mesmo sendo brasileiro.

 

Nosso voo no dia seguinte de volta pra Madri seria 11 da manhã, acordamos cedo tomamos café, demos mais umas voltas na medina e fomos para o aeroporto andando, a caminhada era de cerca de 1 hora, aproveitamos pra conhecer alguns lugares que não tínhamos visto ainda e não estávamos dispostos a pagar mais 16 euros, o problema do Marrocos é que você vai voltar sem dinheiro nenhum, como tudo é muito barato você vai comprar presente pra tomo mundo, pelo menos foi o nosso caso.

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O Marrocos realmente me surpreendeu, quando se fala em África geralmente se pensa em pobreza e desorganização, pelo menos era o que eu pensava antes de ir. Claro que não é um exemplo de organização, não chega perto da Europa, mas algumas cenas me remetiam à cidades brasileiras do interior, mas de repente passa uma mulher vestida de burca daí volta a realidade e vê que não é Brasil.

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Mas foi uma experiência bastante boa. As tâmaras das barracas de frutas secas, a roupa bastante característica tanto dos homens quanto das mulheres, a arquitetura bastante original e o colorido das luminárias realmente marcam. Eu colocaria o Marrocos no meu top 5 países (dos cerca de 20 que eu já tive o prazer de conhecer), principalmente pela excentricidade em relação aquilo que estamos acostumados. Vale a pena.

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