Ir para conteúdo

Diabéticos pelo mundo! Dicas e perrengues!


Posts Recomendados

  • Membros

Ei Juliana. Li agora seus relatos e, principalmente, seus perrengues por causa do DM1. Também sou diabético insulino-dependente desde os 11 anos (hoje tenho 48). Minha primeira viagem internacional, em 2017, fiquei bem preocupado com as passagem pelo aeroporto, mas nada foi pedido e deu tudo certo. Nesta viagem utilizei o freestyle libre pela primeira vez e, apesar de achar que a precisão dele não é tão boa quando a das fitas, deu mais ou menos tudo certo porque eu estava fazendo trilha no Peru e só usava mesmo para ver a tendência e tentar evitar hipoglicemia. No meio da trilha, baixando de 100 eu já comia doce para evitar. E deu certo. O maior problema foi na segunda noite do trekking (trilha salkantay no Peru). Eu julguei mal o efeito que a caminhada puxada iria ter em mim (era o segundo dia de trilha, mas o primeiro pesado). Tive uma hipoglicemia muito forte. A partir do dia seguinte me adaptei bem. Nesta primeira viagem meu maior perrengue foi com meu médico. Como eu tinha a informação, dada pelo próprio médico, que a receita e o laudo deveriam ser expedidos a menos de 10 dias da viagem, marquei uma consulta para 7 dias antes. Acontece que o médico passou mal e não foi trabalhar nos próximos 3 dias, e fiquei preocupado, já que não conseguiria outra consulta com ele. No final ele me deu a receita sem consulta mesmo.

Minha segunda viagem foi sem perrengue nenhum. Por segurança, marquei consultas com diferentes médicos a 10, 7 e 5 dias antes da viagem, para não ter problemas. Quando fui consultado na primeira vez, desmarquei as outras. Deu tudo certo. Passei um certo aperto porque, como a viagem era de 34 dias pela patagônia, calcular tanta insulina pode ser complicado, principalmente porque se está fora do seu padrão de alimentação. Quando a viagem acabou, eu estava no último refil de insulina humalog. Mas não chegou a ter que economizar nem nada.

Em 2019 fiz uma viagem de 24 dias para o Peru, novamente com bastante trilhas, e desta vez tive alguns problemas. Levei 3 sensores freestyle libre que, teoricamente, dariam para 42 dias. Porém eu coloquei o primeiro 5 dias antes da viagem para testá-lo, então eu teria ainda 37 dias de sensor. Levei ainda 50 fitas para usar em caso de emergência. Foram vários problemas. Meu primeiro sensor funcionou direito, porém eu o perdi  no 3º dia, ao bater o braço na cadeira do ônibus que ia de Arequipa a Puno. Acertei justamente o sensor, que foi arrancado. Então o primeiro sensor acabou durando apenas 8 dias (7 e meio, na verdade). Meu segundo sensor ficou doido após 2 dias. Ele estava acusando glicose High (300), e eu sabia que não estava. Fiz o exame com fitas e deu 74. Ele continuou acusando high por 14 horas, e depois voltou ao normal. Neste período eu usei as fitas para exame. Depois ele funcionou normal por mais 1 dia e endoidou novamente. Aí eu tive que descartá-lo após apenas 3 dias. Assim, após 6 dias de viagem eu já tinha gastado 2 sensores. Como a viagem seria de 24 dias, eu não teria sensor até o final. Seriam 18 dias pela frente e apenas 14 dias de sensor. Mas eu tinha as fitas para caso de emergência, e resolvi usá-las, deixando os sensor para quando eu começasse o trekking. Mas fiquei preocupado. Se o 3º sensor desse problemas, minhas fitas não seriam suficientes. Então fui às farmácias de Cusco procurando comprar fitas para o aparelho freestyle. Acontece que não achei nenhum glicosímetro abbott no Peru. Portanto, nenhuma fita. Assim, por questão de segurança, comprei uma aparelho novo em Cusco, de uma marca desconhecida, e mais 100 fitas.  Assim, usei fita por alguns dias e, ao começar a primeira trilha mais pesada, a trilha inca, coloquei o sensor. E foi tudo bem no início. Neste período tive a oportunidade de aprender algo a duras penas. O guia de uma trilha que eu fiz na cidade de Ollantaytambo me disse que a folha de coca ajuda na superar o mal de altitude porque ela dá energia (dá para conferir que ela, apesar de ser uma folha, é realmente bem calórica). Mas se vc quiser potencializar esta energia, deve-se mastigá-la com um potencializador. Eu acabei gripando e estava sem energia neste dia, então ele fez uma trouxinha de folha de coca com um pequeno caramelo (menos da meio, na verdade) e me deu para mascar. Rapaz, minha glicose disparou. Subiu a 300 (e rápido) e não baixava de jeito nenhum, por mais insulina que eu tomasse. E estava acima de 300 mesmo, porque confirmei com as fitas. Já tínhamos chegado ao destino da trilha, o lago qan qan na montanha pitsuray, então resolvemos voltar mais cedo, porque eu estava me sentindo mal. A glicose ficou mais de hora acima dos 300. E, quando baixou, foi de vez. Tive uma hipoglicemia feia, que não subia nem por reza brava. A trilha chegou ao fim e eu estava ainda com hipoglicemia, e não aguentava mais comer chocolates. Aí a gente pegou o carro e parou num bar, e eu comprei uma inca cola. A bichinha é porreta. Tem mais açúcar que a coca cola e resolveu o problema.

E daí comecei minha 3ª trilha 2 dias depois, a mais puxada de todas que eu faria: a trilha ausangate, 6 dias e 5 noites. O puxado dela é que a trilha é toda feita acima dos 4 mil metros. O dia que dormimos mais baixo foi a 4385 m, e chegamos aos 5200 metros de altitude. O perrengue aconteceu no 3º dia da trilha. Pegamos uma nevasca forte, e aí a bateria do sensor, que estava funcionando bem, pifou de vez. O telefone que eu estava usando para tirar fotos estava com 50% de carga, e descarregou totalmente em menos de 10 minutos. Eu já sabia que o frio consome muita bateria. Minhas baterias da máquina de retrato eu levava dentro de meias para não acabar com elas, juntamento com os 2 aparelhos de exame reserva. Só não pensei que o sensor, que estava protegido dentro da minha roupa, iria descarregar também. Minha sorte foi o aparelho que eu tinha comprado. Acabei com as fitas reservas que eu tinha levado e ainda com metade das que comprei até o fim da viagem.

Quando estou fazendo trilha faço muitos exames para evitar hipoglicemias, porque é limitada a quantidade de doces que vc consegue levar numa trilha grande, feita no meio das montanhas sem acesso a lojas, internet e telefone. Então uso muitas fitas. Aprendida a lição, sempre viajo com sensores e fitas reservas.

Não uso o freestyle com regularidade, porque acho que é caro e não tão preciso, além de ser sujeito a "pancadas". Mas, em trilhas, ajuda muita a facilidade de poder fazer exames a qualquer momento sem ter que parar tudo para limpar e furar o dedo.

Nossa. Escrevi demais. Sei que tenho que fazer os relatos das viagens, mas ainda não tive oportunidade de anotar tudo e separar as fotos. Mas espero fazer em breve.

Um abraço

 

Christian

Link para o post
Compartilhar em outros sites
  • Colaboradores

Oi @schitini

Vc tem super experiência com libre, vai ajudar muito quem usa! Eu deixei de usar faz um tempo pq tb achava muito caro, pouco preciso e eu desenvolvi alergia da cola, ficava com feridas onde os sensores eram colocados... aí desencanei! Tb descolava na natação, o preju era foda, rs!

Tive uma experiência com relação a altitude ano passado no norte da Argentina e Atacama e até escrevi sobre isso tb no relato, não sei se viu. Eu tb baguncei bastante no começo, até me adaptar!

No meu caso percebi que fazia HIPO durante o dia inteiro, mesmo sem fazer trilhas mais puxadas... e precisava passar o dia todo comendo.... aí no cair da tarde/noite fazia umas HIPERS violentas!

Rapidamente associei a falta de fome que sentimos em altitude com a não digestão dos alimentos... tomava insulina no café da manhã, ela fazia efeito, mas a comida não era digerida, e eu fazia uma hipo atrás da outra. No cair da tarde eu voltava "pro baixo" e aí toda a comida do dia todo digeria e fazia as hipers, kkkkk

Ajustei isso reduzindo bem a dosagem da manhã e aumentando a tarde/noite.

Como vc fez exercícios mais pesados, pode ter ajudado a bagunçar ainda mais!

É sempre uma jornada ao desconhecido né?

Mas é bom que em cada viagem a gente vai aprendendo algo a não repetir, rs... e minha principal preocupação tb é evitar as HIPOs.

:)

Link para o post
Compartilhar em outros sites

Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisar ser um membro para fazer um comentário

Criar uma conta

Crie uma nova conta em nossa comunidade. É fácil!

Crie uma nova conta

Entrar

Já tem uma conta? Faça o login.

Entrar Agora
×
×
  • Criar Novo...