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Ferrovia do Trigo/ Guaporé a Muçum 2 dias 50km - COM FOTOS


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Ferrovia do Trigo/ Guaporé à Muçum

Olá! Depois do mochilão Bolívia/ Peru 23 dias (4-gauchos-23-dias-bolivia-peru-t83067.html) havíamos feito mais dois acampamentos em Tapes, com duração de 2 dias, mas nada comparado com essa trip pela ferrovia do trigo.

A vontade de conhecer o Viaduto 13 sempre foi do Rafael e cogitamos em ir lá de carro, tirar umas fotos e voltar.. Então comecei a pesquisar alguns relatos (não há muitos pq realmente o lugar é bem inóspito e depois se vê que não é qualquer um pra fazer todo esse trajeto). Mas o desafio de fazer 50 Km e os mais de 20 túneis e viadutos que tinham pelo caminho me motivou a convencer o Rafael..

E ele aceitou! Aproveitamos o feriadão do dia do trabalhador (de quinta a domingo) pra nos organizar!

Cogitamos ir de carro, deixar o carro em Muçum, pegar ônibus até Guaporé, fazer a trilha de cima pra baixo e pegar o carro pra voltar pra Porto Alegre.. Mas o primeiro ônibus pra Guaporé era as 07:50h, onde teríamos que sair de POA de madrugada e mesmo assim chegaríamos em Guaporé quase 10h e cansados!

Melhor das alternativas foi ir de ônibus mesmo.

Saímos quinta feira de POA no ônibus das 18:30h e dormimos em um hotel em Guaporé, pra iniciar a trilha na sexta bem cedo e acabar sábado e voltar no sábado mesmo pra POA...tendo o domingo de folga em casa para descansar. E realmente foi a melhor opção: financeiramente de carro economizaríamos um pouco, mas o fator cansaço contou muito e ir descansando no ônibus (principalmente na volta foi crucial).

R$ 42,95 por pessoa POA-Guaporé, compramos na hora, e o ônibus da empresa Bento estava bem vazio e era bem espaçoso. Parou apenas na rodoviária de Lajeado e seguiu pra Guaporé. Em 3h estávamos lá... Eu havia ligado pra 3 hotéis de Guaporé pra saber qual era mais em conta: Hotel Rocenzi= R$ 100,00 CASAL/SEM AR ... Hotel Topo Giggio= R$ R$ 110,00 CASAL/ SEM AR ...Hotel JC Borsatto= R$ 80,00 CASAL/ SEM AR.

PRONTO! Seria o tal Borsatto.. Não queria gastar com hotel, e por mim poderia ser o quarto mais 'chumbrega' só pra passar a noite e iniciar cedo a trip.. dentre as pesquisas esse foi o mais barato (Obs. Dá pra dar uma choradinha..o Hotel Rocenzi era 130,00 e o cara queria fazer por R$ 110,00 no telefone)..

Chegamos cerca de 21:40h em Guaporé e na rodoviária tinha um mapa da cidade, eu tinha o endereço do hotel e conseguimos nos achar..cerca de 5 quadras de lá. Pagamos a diária, largamos as coisas e fomos dar uma voltinha no centro...estava 13° e um ar muito gelado.. Comemos uma pizza (não lembro o nome do lugar) mas era bem próximo a Igreja. R$ 30,00.estava muito boa. Caminhamos, tiramos fotos no centro e voltamos pro quarto.Hotel muito bom, agua quente nas torneiras e chuveiro. As 7h tomamos café da manhã do hotel, que era bem reforçado por sinal, e lá pelas 8h saímos em direção a Ferrovia.

Na entrada da cidade tu já acha um viaduto com acesso pela rua lateral a linha do trem.. e lá começou nossa jornada. O fato que mais cansa na trip é o chão. Tu não pisa em um lugar estável. São pedras(cascalhos) com dormentes, fazendo com que tu tenha que olhar muito pro chão pra não torcer o pé, devido algumas pedras serem soltas, dormentes quebrados, molhados, além do fato de bichos (cobras e aranhas)... Eu e o Rafael fomos muito disciplinados e acredito que por isso conseguimos fazer 33Km em 1 dia! Mesmo com mochila nas costas, calor e cansaço..nos disciplinamos em:

-Manter um ritmo: não corremos, nem parávamos. Colocamos um ritmo de caminhada moderado e seguimos nele até o final. Não da pra caminhar muito rápido pq como eu falei, o chão é muito perigoso, e o risco de torção é muito grande, mas também não dá pra ficar parando pq o caminho é longo;

-A cada 1h descanso de 10 minutos: Nos guiávamos pelo relógio e a cada 1h paravamos obrigatóriamente 10 minutos. As vezes nem estávamos tão cansados..dava pra continuar, e mesmo assim fazíamos essa parada obrigatória, nela bebiamos água, comiamos lanche e xixi. Sentávamos, tirávamos a mochila, e alongamento.. Fechou 10 minutos? Levantava e seguia..

-Evitar paradas desnecessárias: claro que parávamos para tirar fotos, fazer filmagens ou paradas emergenciais.. Mas não usar isso toda hora, se não tu perde muito tempo parando. Use o descanso de 10 minutos pra beber agua, xixi e tudo mais..para não ter paradas extras e tempo perdido. O caminho foi longo e muitas vezes desmotivador, pelo calor, cansaço e principalmente pedras..mas a vista vale muito a pena. Há muitos tuneis e viadutos, a floresta é bem fechada e há muitos animais.. Inclusive vimos macacos nas árvores! Foi muito lindo, Uma dica importante é a lanterna: ECONOMIZE! no início e fim dos túneis (onde ainda tem claridade da rua) desligue e tente não usar as lanternas. Serão 22 túneis e alguns deles tem 2km de extensão, fazendo com que seja muito escuro, claustrofóbico e a mente vai bem longe imaginando coisas na escuridão . Voce precisará de lanternas, há túneis que tu fica mais de 20 minutos caminhando dentro dele com lanterna acessa e isso faz consumir muito rápido. Leve pilhas reservas, Cuide também os recuos. É muito importante ver onde tem recuo, principalmente nos viadutos e tuneis. Por que caso um trem passe(ainda bem que não passou pq deve ser um inferno estar dentro do túnel quando ele passa), pra que não haja correria nas pedras e vc se machuque, ao caminhar passe a lanterna nas laterais e veja onde há recuo próximo.

Nos dois dias de trip, apenas 02 trens da manutenção passaram durante o dia. O trem mesmo passou na madrugada(a um metro da nossa barraca é uma cena que não dá pra esquecer, aquela névoa e o trem gigantesco passando por nós). Um perto da meia-noite e outro as 2:30h da madrugada. E acredite: ele é GIGANTE! Sorte mesmo que não passou um desses quando caminhávamos pelo túnel ou viaduto...

Não sou muito medrosa, mas passar pelo túneis foi assustador, pq os morcegos fazem barulhos estranhos, o ar fica diferente, a escuridão toma conta, e há muitas partes molhadas de água de escorre nos morros, fazendo barulhos e estralos assustadores, sensação bem ruim.

Apesar disso, nada supera o horror de passar pelos viadutos sem chão! os que contém apenas os dormentes! Achei que ia passar de boa..mas foi aterrorizante! ::ahhhh:: Principalmente o mula-preta. E ele foi um dos primeiros viadutos que passamos! Ele é gigante e tu precisa prestar atenção nos dormentes, pra não pisar no vão..pelo vão tu enxerga o chão e isso dá muito medo de altura! Além do fato de tu ter que cuidar o trem! Nos viadutos tem um trilho extra dentro do principal, fazendo com que o espaço pra pisada seja mais estreito, então tem q ter cuidado. Além disso, há vigas que são muito espaçadas, onde tu enxerga beeeem o chão. Desespero total! Fiquei muito nervosa e meu coração parecia que ia sair pela boca, então o Rafael me acalmou e combinamos de caminhar com cuidado e parar somente onde tinha recuo. Mas não nele em si (pq é bem sinistro), paravamos no dormente parelelo a ele. Respirávamos, víamos se vinha trem e continuávamos até o próximo recuo. E assim foi até o final ... Além do mula preta há mais 2 viadutos assim sem chão: o Pesseguinho e após o Viaduto 17. Depois desses todos tem chão e aí não é nada aterrorizante atravessá-los.

Era cerca de 16h quando passamos pelo Pesseguinho e alguns moradores dali nos informaram que pra chegar no V13 levaria mais umas 2h...2h e 30min.. Então resolvemos apressar e tentar chegar lá antes de anoitecer. Íamos ter feito boa parte da trip no primeiro dia, deixando o 2° bem mais light.. No viaduto pesseguinho havia 2 homens com 2 gurizinhos tentando passar pelo viaduto, mas o medo era tanto que não conseguiram passar.. pelo fato de ver o chão mesmo.. mas como eu já tinha passado pelo mula-preta, esse até que foi tranquilo (hehe). Havia urubus nos recuos deste.

Caminhávamos, caminhávamos, caminhávamos... estávamos decididos em chegar no V13 e montar acampamento por lá (que dizem que tem lugar bom pra acampar).. Mas não chegava nunca! E o cansaço estava forte.. Mas não paramos (exceto nos 10 min de descanso a cada 1h). Um morador passou por nós e falou que pra chegar até o V13 passaríamos por mais 6 túneis, então apressamos! Foi desanimador quando encaramos os 2 primeiros túneis (dos 6) que tinham mais de 1km de extensão.. Poxa! teria mais 4!! E se fossem todos longos assim?! Chegaríamos lá a noite..sem contar que era um túnel atrás do outro, não tinha opçõa de acampar ali entre um e outro, pois era muito úmido e a mata fechada.. apressamos.. Pra nossa sorte os últimos túneis não foram tão longos e o último deles tinha as famosas 'janelas'.. Saímos dele e caímos direto no V13! Que felicidade!

Mas...e cade o lugar bom pra acampar?? Já eram quase 18h..o sol já tinha ido embora e uns caras faziam base jump no V13(muito legal mas estávamos sem tempo para parar e dar uma olhada nos saltos)..perguntamos ''onde o pessoal costuma acampar'' e eles apontaram pro chão.. teríamos que descer o morro (cerca de 1,5km) pra chegar num tal de camping.. não tínhamos mais tempo! Já estava tarde. Passamos o V13 e começamos a procurar lugar pra acampar..

Achamos um lugar 'menos pior' passando o V13.. Comecei a limpar o terreno e tirar as pedras..com o mato que limpei forramos o chão, já que não levamos colchão inflável devido ao peso, apenas lonas pra forrar a barraca.. Comecei a catar lenha pra fogueira, estava escuro e não queria gastar a lanterna por causa dos túneis que ainda teria no outro dia.. Mas tinha pouca lenha..as que tinha era pedaços dos dormentes quebrados do trilho..e apesar de saber que é tóxico e não seria bom pra usar, foi a unica opção...o ar estava úmido e logo a barraca estava enxarcada. Esticamos mais uma lona por cima dela.. Tínhamos pouco mais de 2l d'água e não queríamos gastar mto dela em comida. Fizemos uma sopa de miojo (sopa vono e miojo) pra aproveitar a mesma agua e já cozinhar o macarrão. Botamos tudo pra dentro da barraca apagamos o fogo e era 21h ja estávamos deitados.

Loucos de cansados...o Rafael pegou logo no sono, eu só dormi depois que o primeiro trem passou, próximo da meia noite(muito tenso)..até lá estava preocupada.. com o lugar, com o trem..meus pés latejavam, minhas costas doíam, estava exausta..mas a cabeça a mil...acho que entrei no modo 'survivor' e foi difícil desligar.. Do meu lado esquerdo ouvi um bicho farejando a barraca. Acredito que era graxaim, ou lobo.. estava em no meu ouvido, como um cachorro cheirando a gente. Me apavorei, fiquei bem quietinha. Depois daquela máquina de 2km passar a todo vapor do lado da barraca e ela não ter voado consegui dormir..mas só 2h..pq logo passou outro trem, sentido contrário, a luz bem em direção a barraca, parecia um avião aterrisando na nossa frente. O silencio da floresta acabou e aquela barulheira nos acordou quando vinha de longe... Abrimos o ziper da barraca novamente pra ver a maquina passar.. esquecemos de filmar.. também ne..nós dormindo e acordar com aquela barulheira de repente foi mega assustador..a ultima coisa que pensamos foi em filmar!Acordamos perto das 7h e estava tudo cinza, muita cerração. Não pude esquentar água pro café pois a unica panelinha que levei estava suja da sopa miojo de ontem. Então comemos laranja (pra matar a sede e dar energia). Comemos bisnaguinha com requeijão , desmontamos o acampamento e seguimos era bem dizer 9h, Viadutos, viadutos, alguns túneis (poucos, pois a maioria fica antes do V13) e aí já estávamos bem baixo em comparação com antes.. Linhas retas infinitas, muitas pedras soltas e encontramos um grupo de mochileiros vindo da direção contrária (Muçum à Guaporé). Estavam em cerca de 6 pessoas, conversamos um pouco, nos disseram que estávamos próximos de Muçum, que em no máximo 2h chegaríamos. Alívio! Eles disseram que iam acampar na estação antiga e não quisemos desanimar eles, só dissemos ''é uma pernadinha'', mas certo que não chegariam lá até antes de anoitecer. A estação é umas 3h de Guaporé..e eles estavam muito longe e já era meio-dia! Carregavam muitas mochilas e pouca água..falamos que estava ruim de pegar água e ficaram meio apavorados. Até tem umas pedras que escorrem agua, mas escorre gotas de água. Se colocar um cantil embaixo levará tempo pra encher..sem contar que não se sabe a procedencia da água. Pode ter um rato morto e a agua escorrendo em cima.. Havia umas grutas em barrancos com agua (tipo cascatinha) mas era bem inacessível por causa das pedras..era muito arriscado pegar água nesses lugares. Então é imprescindível levar bastante água.Estávamos com cerca de 700ml racionando água, quando vimos a placa Muçum deu uma alegria!! Chegamos!! Até aqui 49 km!! Porém da entrada de Muçum até a cidade é uma pernadinha.. passamos pela antiga estação de Muçum pra tirar fotos e pra nossa alegria vimos um morador abrindo uma torneira que estava lá no cantinho.. água potável e bem geladinha!! Não tinhamos escovado os dentes até agora e estavamos racionando água. Então esperamos ele sair e lavamos a égua! Escovamos dentes, lavamos as mãos com sabão..enchemos as garrafas e tomamos muuuita água! O sol estava muito forte. Lavei o rosto e reforcei o protetor solar(MUITO IMPORTANTE).

De longe vimos o tal 'Viaduto Princesa' de Muçum e perguntamos a um morador como saíamos dele e descíamos pra cidade. Ele falou que tinha 2 escadas de concreto e que poderíamos descer na segunda que já daria na rodoviária, mas não encontramos as tais escadas(to procurando até hoje as tais escadas)... Passamos todo o viaduto Princesa, e havia apenas os recuos..lá no final havia um túnel e ao lado umas vilas. Perguntamos pra uns guris(muito suspeitos por sinal) que estavam ali como descíamos eles apontaram pra um matagal..fomos descendo e não tinha escada de concreto nenhuma! Eram pedras e bem perigosas..tem que descer com bastante calma..não há sinalização nem nada. Parece que a própria população abriu aquela trilhazinha e empilhou as pedras.. Bom conseguimos! estávamos na cidade e seguindo pro centro.

Perguntamos a alguns moradores onde ficava a rodoviária de Muçum e seguimos pra lá.. caminhamos bastante no olho do sol, rapidamente tiramos fotos na igreja, pois não sabíamos o próximo horário do bus pra POA.. corremos pra rodoviária e o próximo ôNibus era 14:30h e era 14:15h!! Demos muita sorte. Compramos rápido as passagens R$ 32,95 cada usamos o banheiro e trocamos a roupa. Colocamos um short e uma camiseta (estávamos fedendo hehe). A senhora da rodoviária viu nossas mochials e perguntou se vínhamos do V13, pois havia saído uma reportagem na ZH de hoje mesmo (sábado/domingo). Corremos pro ônibus, ele parou em algumas cidades (Arroi do Meio, Lajeado,Encantado e Estrela). Em 3h estávamos em POA!

 

(A ordem correta das fotos é de baixo para cima, coloquei tudo certo mas na hora de postar o site inverteu tudo)

 

 

EQUIPAMENTOS:

 

RAFAEL -

01 MOCHILA LONA VERDE(bem leve tenho uma de 60L,mas com aquela armação de metal por dentro só fez aumentar o peso, portanto foi a verdinha que meu pai acampava)

01 LONA 2X2 NAUTIKA (forro debaixo da barraca, por dentro, por causa da umidade, foi junto com os capins a nossa cama -conforto +carga reduzida)

01LONA 2X2 PRETA(forro externo da barraca, sorte ter levado pois ficou encharcada com a umidade)

01 BARRACA 2 LUGARES (tinhamos a de 4 mas a carga tem q ser bem reduzida, por isso levamos essa)

01 FACÃO

01 COBERTA MICROFIBRA

2L DE ÁGUA

500ML GATORADE

10 MTS CORDELETE

03 MTS CABO SOLTEIRO

01 LANTERNA DE CABEÇA (levei 5 pilhas, deveria ter levado mais)

01 LANTERNA PEQUENA IMPERMEÁVEL

ROUPAS 01 CALÇA 01 BERMUDA 01CAMISA ML 01 REGATA 03CUECAS 03 PARES DE MEIAS(sendo uma delas térmica muito útil p/conforto) 01 BONÉ 01 ÓCULOS 01 TÊNIS(Asics de corrida, tem muitos solados de botinhas no caminho, use calçado que vc conheça, não invente nada) 01 CASACO (parte externa do parkha klima da nautika, uso ele sempre pra tudo, custa R$ 500 mas é perfeito e logo comprarei outro)

01 RELÓGIO

01 CINTO ELÁSTICO C/ PORTA OBJETOS(dá pra carregar as coisas que mais se usa na cintura e elas ficam bem fixas)

01 CANIVETE MULTIFUNÇÕES PEQUENO(tramontina inox)

01 KIT MÉDICO (tubinho tipo lata de nescau com itens críticos)

01 KIT FOGO (pouco de palha, tubo c/ álcool,isqueiro,fósforo)

01 REPELENTE

01 PROTETOR SOLAR

01 CEL MOTO G (lanterna muito boa)

01 CÂMERA SONY CYBERSHOT 12MP

 

ROBERTA -

 

01 MOCHILA TRILHAS E RUMOS CRAMPOM 44L

01 TOALHA PEQUENA (no fim não usamos, não tomamos banho)

01 KIT HIGIENE (escovas de dente, sabão, desodorantes, lenço umedecido, 01 rolo de papel higiênico)

01 PANELA PEQUENA

02 CANECAS DE PLASTICO(serviram de prato)

TALHERES

2L DE ÁGUA

500ML GATORADE

COMIDAS (3 miojos, 4 sopas vono, 01cx feijão pronto, 06 sanduíches prontos,01 pct bisnaguinha, 1/2 pote de requeijão,03 maçãs, 02 laranjas, 03 bananas, 04 barrinhas chocolate,02 rapaduras, 02 pct castanhas, 01 pct mariola, 01 pastelina, 01 pct bibs, 01 cocada)

ROUPAS 01 bermuda, 01 legging, 01 camiseta ML, 01 camiseta MC, 01 casaco(igual o do Rafael),roupas íntimas,tênis (igual Rafael)meias (idem Rafael)

01 CEL MOTO G(lanterna)

01 ÓCULOS (perdido na trilha)

01 BONÉ

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Ótimo relato! Parabéns!

 

Eu pretendia fazer o mesmo percurso em 3 dias, porém junto comigo havia muita gente despreparada e ao chegarmos no V13 na tarde do segundo dia e após descermos até o camping a gurizada arregou e quis ficar por lá mesmo... Não sou muito de escrever então fiz um video como "relato":

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  • 2 semanas depois...
  • Membros

Bacana o relato! Parabéns!

Eu ainda acho que essa trilha é melhor de fazer em 3 dias, fica mais tranquila a caminhada e dá tempo de observar melhor a região e explorar as cercanias, até para encontrar lugares bons pra acampar. A barraca de vocês do lado dos trilhos tava sinistra..hahahaha.

 

Me diz uma coisa, essas vilas que tem na chegada em Muçum são perigosas de assaltos? To querendo fazer sozinho a trilha daí fiquei pensando nessa questão de segurança mesmo..

 

Outra coisa é que o teu não é o primeiro relato que ocorre essa dificuldade de achar o caminho para o centro de Muçum na chegada, seria interessante quem sai por Muçum identificar a saída para o centro para os que vem no outro sentido, né?

 

Abraço

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Muito bacana seu relato Roberta.

 

Contemplou dicas importantes sobre o percurso.

 

Já fiz a travessia em duas oportunidades, uma delas em dois dias e outra em três dias. Para pessoas com um bom preparo, dá para fazer o trajeto em dois dias sem muito susto. Tem pessoas que fazem de ataque, fazendo em um dia, porém levando apenas o necessário de comida e água. Para pessoas sem o preparo em dia, o ideal realmente é fazê-la em três dias.

 

Também aconselho fazer em três dias o trajeto caso queira curtir as inúmeras cachoeiras que existem perto dos trilhos, algumas enormes e lindas... vale a pena conferir. Existem outras opções de cachoeiras, porém já estão mais distantes, aí já cabe visitá-las separadamente.

Pena que não foi até o camping do V13. Não é necessário descer pela estrada, existe uma trilha por baixo do viaduto, que encurta bastante o trajeto. Acredito que lá teria uma noite boa de sono. Lá eles oferecem chuveiro quente, existe um barzinho que vende refrigerante e cerveja (nada melhor que uma cerveja nessas horas hehe), e o espaço é amplo para montar barracas.

 

 

Me diz uma coisa, essas vilas que tem na chegada em Muçum são perigosas de assaltos? To querendo fazer sozinho a trilha daí fiquei pensando nessa questão de segurança mesmo..

 

Outra coisa é que o teu não é o primeiro relato que ocorre essa dificuldade de achar o caminho para o centro de Muçum na chegada, seria interessante quem sai por Muçum identificar a saída para o centro para os que vem no outro sentido, né?

 

Vidal, existe outra saída em Muçum. Ela fica antes do Viaduto Princesa. Passando o Viaduto 1 (Viaduto esse que passa por cima da Rodovia), existe logo uma saída a direita, que dá acesso a uma ruazinha de paralelepípedo. Seguindo essa rua, logo chegará ao Posto de Combustível (muito utilizado como ponto de referência, alguns deixam o carro ali para pegar o ônibus até Guaporé, pois ele passa na frente do posto. Os ônibus de Porto Alegre também passam por ali, não é necessário embarcar na rodoviária, mas se for o caso poderá ir dali até a rodoviária a pé). Durante a luz do dia não existe perigo naquela região. A noite todo cuidado é pouco, não só naquela parte da cidade, mas também nos trilhos próximos a Muçum...

 

Espero que tenha ajudado

 

Abraços...

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Bacana o relato! Parabéns!

Eu ainda acho que essa trilha é melhor de fazer em 3 dias, fica mais tranquila a caminhada e dá tempo de observar melhor a região e explorar as cercanias, até para encontrar lugares bons pra acampar. A barraca de vocês do lado dos trilhos tava sinistra..hahahaha.

 

Me diz uma coisa, essas vilas que tem na chegada em Muçum são perigosas de assaltos? To querendo fazer sozinho a trilha daí fiquei pensando nessa questão de segurança mesmo..

 

Outra coisa é que o teu não é o primeiro relato que ocorre essa dificuldade de achar o caminho para o centro de Muçum na chegada, seria interessante quem sai por Muçum identificar a saída para o centro para os que vem no outro sentido, né?

 

Abraço

 

 

Verdade. O ideal é 3 dias..quem sabe façamos novamente a trilha e ficamos na pousada da ferrovia (que é um camping próximo ao viaduto pesseguinho) a página deles do facebook é sensacional!

2 dias foi muito corrido. realmente as vezes não contemplávamos o lugar pela pressa em fazer os 50 km em 2 dias!

Mas pela falta de tempo/ agua e comida tivemos que fazer em 2...Pra mim o maior problema é a água. Pq foi o que mais pesou no carregar! Pros dois dias levamos cerca de 5l e quase que faltou (não fosse a torneirinha achada na estação de Muçum). ENtão 3 dias iriam cerca de 9, 10l... Mas dormindo em camping provavelmente teríamos acesso a agua para lavar mãos, beber etc....

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Sim Rodrigo. Hoje olhando de fora, após ter ido lá, vimos que o ideal são 3 dias mesmo!

Mas acho q estávamos tão exaustos pelos 33km do 1° dia que não achamos o tal caminho pro camping no V13...Sem contar a escuridão!

Mas da próxima vez nos organizaremos melhor...

Passamos por este viaduto que citaste antes do Princesa, onde um morador falou que havia mesmo uma escadaria ..mas não achamos! Pode ter sido patetice/ exaustão.. não sei..

mas não achamos!

Mas a descida do morro que fizemos após o Princesa (antes de entrar em um túnel) é bem perigosa..(não sei são tão quanto é POA hehe) mas tem bastante vila ao redor e moradores ''suspeitos''. De qualquer forma, o ideal é levar faca/ facão pra defesa pessoal durante a trilha...

Mas o que mais estávamos preocupados era com alguma torção / machucado possível de acontecer..ou picada de cobra.. Hoje notamos o quanto nos arriscamos! Pelo lugar ser inóspito e selvagem estavamos muito expostos a picadas de cobras/ aranhas. Sugiro uma perneira (tendo em vista que do tornozelo ao joelho é o mais provável de ataque de cobra)..por andar muito no meio de pedras, dormentes e mato...a perneira/bota é essencial.. o problema da bota é o conforto. É necessário um calçado confortável, e o tênis de corrida pra gente foi perfeito! Já li muitos relatos de pessoas que foram de botina que estragou ou machucou o pé. Bolhas sempre surgirão..mas quanto mais reduzir o impacto melhor!

Caso uma cobra nos picasse estaríamos fu... :? não há acesso rápido à rodovia a qlqr momento.. levaria um tempo pra descermos do morro. Graças a Deus nada aconteceu, mas não podemos contar com a sorte sempre.

Mas tirando isso a trilha é perfeita. Difícil agora achar outro mochilão assim...estamos a procura de um acampamento selvagem, com direito a trilha, fogueira e tudo mais.. mas hoje em dia tudo é proibido. Nada de fogueira, só em camping etc..e eu até entendo..o ser humano acabaria destruindo tudo rapidamente... mas...quem tiver dica de lugares neste estilo por favor indiquem. ::otemo::

Boa sorte! =)

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Pois é Roberta, o final do Viaduto Princesa costuma ser frequentado por um pessoal mau encarado, é um local de consumo de drogas ilícitas, devido o lugar retirado. Porém é bem frequentado por turistas, que fazem a visita apenas no local,então durante o dia até que vai, porém a noite é um tanto arriscado... não aconselho ::bad:: !!

 

Referente a outras opções: Fiz uma travessia pelos trilhos de trem entre Bento Gonçalves à Vila Flores - RS. Não tem o mesmo glamour que a Ferrovia do Trigo, mas mesmo assim é muito bela. Possui cachoeiras bem próximas aos trilhos, uma cidade abandonada, utilizada pelos construtores da mesma, e outros mais (não possui viadutos metálicos, pra quem não gosta dessa adrenalina, é bom :mrgreen:) . A extensão é menor, aproximadamente 35Km, ou seja, dá pra fazer em dois dias bem de boa. O acampamento se pode fazer em uma cachoeira, com direito a pequenas cavernas e tudo mais ::otemo:: !! O problema é a logística, principalmente no ponto de saída dos trilhos, na Estação Feitor-Faé, em Vila Flores.

 

Abaixo tem o link do relato que foi feito pelo meu amigo de empreitada nessa ocasião. Dá uma conferida, se gostar posso tirar outras dúvidas!!

 

trekking-ferrovia-tps-estacao-jaboticaba-a-estacao-feitor-fae-t71891.html

 

Att;

Rodrigo Bruxel

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Nossa muito legal seu relato da trilha de Bento Gonçalves à Vila Flores. Dei muitas risadas...Não sei qual será nosso próximo destino. Temos muitos em vista, mas devido aos locais que queremos serem de difícil acesso ta complicado. Estamos pensando seriamente em comprar um Jipe. Acredito que o próximo acampamento será em Minas do Camaquã (Caçapava do Sul). Lugar abandonado mas lindo.

Escreverei um relato se for até lá! Obrigado pelas dicas.

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  • 11 meses depois...
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Oi Roberta!

Estou procurando a página da pousada da ferrovia e não encontro. Tbm não encontrei nada na internet. Tem como me passar a página?

 

Vamos fazer a travessia e estou pensando seriamente em, na ida pra Guaporé (de carro), passar no camping (não sei se tem acesso) e deixar as provisões para o 2° ou 3° dia, e daí deixaríamos as barracas tbm, e pelo menos um dia nos poupamos de carregar tudo.

 

Sabes se tem acesso à esse camping de carro?

 

Outra opção (se não conseguirmos folga do trabalho) é fazer só parte da travessia em um dia. Tu sabes me dizer se é possível ir de carro ou taxi até parte dela? E se sim, qual parte tu acha que é mais interessante para fazer a caminhada?

Nossa idéia é fazer tudo em três dias, mas se não der já estou procurando outra solução...

 

Obrigada!

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    • Por Robson De Andrade
      Se o mundo não acabar, lá vou eu kkkkk
      Já não dava para adiar o inadiável, tinha de ser agora ou sabe se lá quando.
      Sai de Porto Alegre às 13 horas do dia 28, previsão de chegada lá por volta das 16 horas.
      Passagem de volta só na Estação Rodoviária de Muçum, vou lá pegar a minha kkkk
      As estradas para o interior são muito boas, a paisagem é agradável aos olhos a primeira vista.
      Em Guaporé desci numa calçada, vi um táxi e pedi para me levar até o Hotel 55 54 9106-7404
      Ande com um pouco de dinheiro rapaz, tive que ir numa agência sacar para pagar o taxista.
      No Hotel Rocenzi ninguém usava máscara, foi assim até o dia seguinte a minha saída.
      Fim de tarde tive que ir num mercado local debaixo de chuva, por insistência do Sr. Rocenzi levei seu guarda-chuva rsrs
      Tudo de boa no hotel, só aguardar pelo dia seguinte.
      Meu plano era sair sem café da manhã e caminhar até os trilhos, só que não.
      Fiquei para o café da manhã, deveria ter comido mais rsrs
      E o plano de ir a pé também rodou, chamei um táxi que me deixou na estação, a chuva caiu logo em seguida, teria tomado ela na cidade se tivesse saído a pé.
      Ajustei a mochila nas costas protegida com sua capa, usei uma jaqueta impermeável que comprei em Porto Alegre, na Decathlon, já sabendo que ficaria feio o tempo durante a minha travessia.
      A estação reformada de Guaporé.

      Primeiro Dia: Chuva, chuva e mais chuva
      "Não é um dia ruim só porque está chovendo." segui de boa, não tinha me entusiasmado tanto assim rsrs
      Os primeiros passos são... sei lá os primeiros passos, um pouco chato, margeando casas, estradas, lixo visível nas beiradas...
      Quando cheguei no meu primeiro túnel abri um sorrisinho, fiz o mesmo quando cheguei no meu primeiro viaduto.

      Choveu praticamente o dia todo e quando parava tinha de tirar a jaqueta impermeável para logo em seguida botar ela outra vez, o terreno castiga e os pés começam a sofrer, todo o caminho é só pedras, dormentes.
      Dentro dos tuneis bateu uns pensamentos sobre a morte, a solidão que me seguiram por boa parte da travessia. Eu tive a ideia de parar e desligar a lanterna para ficar naquele estado de completa escuridão e silêncio, talvez aquele fosse o mais próximo da morte estando vivo, consegue imaginar escuridão total e silêncio? Mas eu estava vivo e tinha de seguir, que alívio trouxe cada luz da saída.
      Fiz uma pausa para comer, descobri que tinha comprado pão de alho, não era bem isso que queria haha
      Nunca mais quero saber de pão de alho e atum em óleo.
      Optei por não fazer fogo, enlatados são uma boa opção, barrinhas de amendoim também, pão de alho não rsrs

      Lá pela metade do dia fez um solzinho. E o resto da tarde cairia mais chuva.
      Chuva pra caralho! cheguei na estação abandonada com a bota encharcada, a água escorreu da calça para a coitada da bota.
      A estação abandonada me segurou, ali tirei as botas e segui de chinelo, os meus pés agradeceram, os ombros não tinham muita escolha, lá perto do fim da tarde já chegava no meu limite.
      Parei perto do Recanto da Ferrovia; não estava nos meus planos ir lá. Quando cheguei  fui recebido por um cachorro muito simpático, não vi uma alma humana, já tava querendo vazar dali, até que o proprietário do lugar, o Clair surge nada simpático se comparado com seu cão. Acho que pensou que estava invadindo, depois disse que tinha que ter reserva, trocamos umas ideias, cada um no seu cada um, acabei ficando assim mesmo, pra mim tava bom, ali tomei banho, escovei os dentes e me reorganizei para vazar pela manhã.
      O trem passou algumas vezes durante a noite, fazendo um tremendo barulho.

      Segundo Dia: Sol
      O sol já dava as caras quando passei pelo Viaduto Pesseguinho, este também vazado, dava pra andar num bom ritmo pelo meio e dificilmente você vai cair se ficar só no meio. Andava parando para olhar ao redor, meu medo de altura não é lá grande coisa, mesmo assim eu senti que ia travar por lá junto do receio do trem passando por ali, imagina a correria ali rsrs
      Há placas com avisos de que não é permitido fazer passeios por ali. Bem, o que não é permitido? kkk
      Tomem cuidado dentro dos tuneis, eu tropecei uma vez e quase fui ao chão, fora que meu pé torceu umas duas vezes; sem grandes problemas.
      Parte de alguns tuneis desabaram e devem estar desabando, vi água saindo das paredes no meio de um túnel, não precisei correr até um daqueles "abrigos". Havia dormentes arrebentados e soltos dentro do túnel, sinal de que poderia dar merda.
      Há um túnel de mais de 1200 metros, este deu pra perder a noção do tempo por lá, e outros que você sonha kkkk
      Tentei seguir uma trilha perto de um túnel, ela ia pra cima de um morro, subi com mochila e tudo, até que vi uma fita, acho que era uma fita vermelha, fiquei receoso sobre aquilo, desci rapidinho, mas de ré em alguns pontos, caso contrário a queda seria engraçada kkkk
      Ao longo do caminho se vê locais de acampamentos, eu sabia que mais tarde teria que procurar um, os bons foram ficando para trás.
      Há lixo deixado pelo caminho, guardem o seu lixo e jogue na lixeira da cidade mais próxima.
      Fiz o meu almoço diante desta linda paisagem e o rio Guaporé nervoso lá embaixo
      ,
      Segui com o sol de rachar.
      Percebi que o lugar não é totalmente isolado; há sítios e fazendas por quase todo caminho, às vezes ouvia pessoas falando, cachorros latindo, carros transitando por alguma estrada... Há sinal de telefone e até o 3g tava dando sinal em alguns trechos haha
      Achei uma cachoeira perto de um túnel, melhor água que tomei, haha
      Água não falta pelo caminho, obviamente de procedência duvidosa, usem clorin moças e rapazes kkk

      Uma surpresa no trilho, tomando um sol talvez?

      A mochila já castigava novamente, os pés pediam para parar e minha teimosia de continuar era maior.
      Saindo de um certo túnel, já tinha perdido as contas de qual era, mas era perto do ponto mais "turístico". Ali vi pessoas de bobeira, a primeira impressão é de manter distância e ficar esperto, mas vi que era um casal, trocamos algumas ideias e segui...
      Mais pra frente, encontro outras pessoas, um grupo de amigos fazendo a travessia até Guaporé, trocamos umas ideias também.
      Havia pessoas em outro túnel com lanternas, poxa vida ali percebi que não estaria mais sozinho rsrs saindo dali mais um grupo de pessoas, que estavam retornando, segui junto deles, conversamos sobre como fui parar ali, de onde era, para onde vamos...
      Confesso que foi a primeira vez que senti seguro ao caminhar por outro túnel, na verdade a companhia das pessoas que tinha acabado de conhecer trouxe essa sensação, um deles se ofereceu para carregar minha mochila, passamos por trabalhadores fechando um lugar que tinha uns arcos, e mais pessoas surgiam, quando saímos do túnel tinha praticamente dezenas de pessoas do outro lado. O rapaz  apertou minha mão, desejou me sorte e perguntou meu nome, respondi e ele me disse o seu, e seguimos nossos caminhos.
      Segui desviando das selfies, dos caras das agências kkkk fui parar lá no meio do v13, cansado, a paisagem maravilhosa, até que mais gente se aproximou e eu tinha de ir. Por ali passou pessoas com cachorros, crianças, dei boa tarde, uma mulher me perguntou o que estava fazendo ali com a mochila nas costas, há maluco para tudo né? rsrs
      E assim uma hora você está completamente sozinho, no outro dia encontra pessoas dispostas a carregar sua mochila, apertar sua mão e lhe desejar sorte. Experimente um pouco de solidão e boas companhias também
      E continuei com minha teimosia, só pararia se achasse um lugar para acampar quando o sol já tava se escondendo, muitos paredões de pedras... Fique atento aos sinais do corpo rapaz, é hora para tudo, hora de caminhar, hora de parar, de cansar, de descansar... Terminei o dia exausto, montei a barraca e tentei dormir, a noite choveu pra caralho e o fim estava próximo.

      Terceiro dia
      O último dia começou, escovei os dentes, desmontei a barraca, arrumei as coisas, já não estava me sentindo bem, o cansaço do dia anterior ainda estava lá, andava cambaleando, a água estava ficando intragável, só queria parar. Acabei sonhando com mais tuneis e viadutos, pensei que o v13 estava a minha frente, quando na verdade já tinha passado por ele, encontrei um casal indo na direção contrária, apenas um bom dia.
      Quando vi a plaquinha de Muçum vi que o meu "sonho cansado" tinha chegado ao seu fim.
      A travessia pede prudência, paciência e resistência.
      São quase 60km caminhando por dormentes, pedras, tuneis e viadutos.
      Em Muçum me hospedei no Hotel Marchetti 55 51 9566-8544 muito bom o lugar.
      Almocei no Kiosque da Praça, os caras não usavam máscara huehue Mas a comida compensou.
      A noite pedi um hambúrguer que fica ao lado do hotel, havia alguns jovens no local vivendo como se não houvesse segunda-feira haha
      As passagens para Porto Alegre são vendidas na estação rodoviária, só aceitam dinheiro.
      Em POA me hospedei na chegada no POA ECO HOSTEL 55 51 3377-8876. Fiz a reserva pelo HostelWorld
      Na volta para POA fiquei hospedado no Hostel Rock, acomodação econômica 55 51 9415-5531.
      Se um dia retornar optaria pelo POA ECO HOSTEL sem dúvidas
      A empresa que opera por aqueles lados é a Bento Transporte, comprei a passagem até Guaporé pelo app da Veppo.
      http://www.bentotransportes.com.br/horarios
      Minha viagem não terminou em Porto Alegre como previsto, mas em Santa Catarina, e isso é uma outra história
      Agora devo estar de quarentena, quem sabe? rsrs
      Até a próxima.




    • Por Jonas Silva ForadaTribo
      2020 ano imprevisível. Ficamos a deriva desde fevereiro. Toda a temporada de montanha foi se embora, as viagens minguaram. Precisamos recorrer a destinos não antes planejados.
      Foi assim que topamos com a Ferrovia do Trigo, como descrevi em relato anterior, conseguimos fazer um circuito pelo Campo dos Padres em setembro e cinco dias antes de sairmos para a Serra Geral catarinense, recebemos um convite para fazer o trekking Guaporé Muçum. É claro que já havíamos ouvido falar e lido algum relato, mas não estávamos muito iterados sobre. Não gosto de perder oportunidades, então, após uma lida rápida em um relato e olhadela no wikiloc aceitei a proposta. O trekking não tem muito segredo é autoguiado, e a logística também é tranquila.
      Chegando ao Início
      De Urubici descemos por Lages, Vacaria até Muçum. A viagem já foi um charme, depois de Vacaria, entrei em uma área  de vinhedos e colonização italiana (Ipê, Antônio Prado, Nova Prata etc.) com muitas capelas, colinas e construções majestosas. Acredito que faça parte de alguma rota turística, mas como não conheço muito do RS né. Resumindo, estou pensando em voltar para lá fazer um tour bem longo.

      Saímos em Guaporé e fomos dormir em Muçum, no Hotel Marchetti, talvez seja o único da cidade. Fizemos um acordo com o proprietário que permitiu deixarmos o carro por ali, sob supervisão dele. E diga se de passagem o rapaz foi nota mil, além de zelar pelos carros, o hotel é fantástico, dá show em muito Ibis por aí. Excelente atendimento, limpeza impecável e o café da manhã top.
      No dia seguinte pegamos o ônibus suicida para Guaporé. A viagem foi uma história. Começou quando perdi a passagem, e tive de entrar no ônibus sem ela, ainda bem que o motorista não encrencou. Durante o trajeto nos contou muitas de suas peripécias, quando dirigia carretas, vários golpes em danceterias e restaurantes (talvez ele estivesse achando que eu estava dando o balão na passagem). De repente, a 90 km/h ele vira para a esquerda num portal dentro do vale, o coração quase sai pela boca. A conversa acabou até Guaporé (acabou o fôlego ou rezávamos para que não houvesse outro drift). Descemos na entrada de Guaporé, e a poucos metros já podíamos ver os trilhos.
      A Trilha
      Começamos a trilha, meio desconfiados com alguns carros de fiscalização parados ali na estação. Mas logo estávamos todos no ritmo dos dormentes. Os primeiros 6 km são monótonos, os passos ainda teimam em ser descompassados (é cada bicuda no trilho/dormente). Então começam os viadutos, e a direita o vale começa se exibir.

      Lá pelo terceiro/quarto viaduto já é possível ver o majestoso Rio Guaporé a bailar no vale. Surgem os primeiros túneis. Uns curtos, outros alongados, mas nada muito incrível. Topamos com a equipe de manutenção logo cedo, foi o teste que precisamos para ter certeza que não seríamos proibidos de passar por ali, afinal andar nos trilhos não é tão "legal" assim. Batemos um papo, tudo ok, seguimos.
      Já eram 14:00 quando chegamos no primeiro grande viaduto, vazado, muito alto e comprido. Cautelosamente passamos. Só fomos saber no dia seguinte que era o Mula-preta.

      Ali do lado tinha um sinal de acampamento, mas como era cedo e os destroços indicava fluxo de pessoas considerável, resolvemos seguir. Pouco tempo depois entramos num túnel infinito. Foram 40 min no meio do breu. Apenas os pontos de luz das lanternas indicava a existência de vida naquele buraco. Saímos do túnel de 2000 m já num local ideal para o pernoite. Uma estrada de caça ao lado da ferrovia, com sinal de acampamento, a poucos metros de um córrego de água limpa. Armamos as barracas, e só fomos acordados às 02:45 quando o gigante de aço rasgou a escuridão com seus olhos de fogo e silvo de dragão.
      No dia dois, começamos a caminhada era idos 07:00. Mais alguns túneis e chegamos no Viaduto Pesseguinho (esse possui placa de identificação), de posse dessa informação já suspeitamos que aquele do dia anterior era o Mula-preta.

      Quando estávamos parados para tirar algumas fotos e recuperar o fôlego fomos surpreendidos por um senhor vestidos de militar. A abordagem foi bem categórica:
      - Os senhores sabem que é proibido andar nos trilhos? - Indagou o militar.
      - Sim senhor, está escrito em letras garrafais na placa ali da entrada do viaduto. - Respondo em tom bagual, hshs.
      - Então o que fazem aí em cima? - Retrucou o homem.
      - Estamos a fazer a travessia. - Mudei o tom, para não criar problemas.
      Logo de início tinha percebido que o 'militar' era proprietário do camping ali embaixo. Ele frustrado com o movimento veio desabafar. Tentou aplicar um sermão, falando que a polícia estava prendendo e que haviam câmeras na entrada, saída e no camping dele, que iria passar para a polícia e estaríamos encrencados. Ouvi pacientemente. Ele acalmou e depois esclareceu algumas dúvidas, contou alguns acontecimentos da travessia recentes, passamos quase 1h conversando (no final do dia fomo saber que esse proprietário costuma causar alguns problemas por ali, inclusive já foi preso por abordar trekkers armado).
      Passado essa lorota seguimos. Atravessando viadutos, mergulhando em túneis, eles estão por toda a parte. O Rio Guaporé a cada curva é mais bonito.

      Depois de passar pela Cachoeira da Garganta com muita gente, na altura dos 35 km paramos para almoçar. Como o maps.ME indica um cachoeira ali perto, não tive dúvidas, achei uma trilha e fui procurá-la com um dos parceiro. Andamos 2 km morro adentro até sair nas margens do Guaporé, lindo de águas turquesas. Mas nada da cachoeira, o pequeno resquício de água nem chegava no Guaporé. Desistimos de fazer a incursão pelo leito seco até a base da queda.


      De volta aos trilhos, passamos mais um viaduto e na entrada do seguinte, saindo para à esquerda tem uma cascata. Paramos para reabastecer e curtir um pouco.
      Cruzamos mais um túnel longo, com uma seção vazada, para sair no viaduto V13. Ao longo desse dia tínhamos passado por mais dois tuneis de aproximadamente 1km cada. No V13 dei razão para o milico, algumas centenas de pessoas desfilavam sobre os trilhos e dentro do túnel, tinham crianças, pessoas de mobilidade reduzida, bêbados, drogados, pessoas com caixas de bebidas e caixas de som, uma verdadeira zona. Imagina o perigo se o guarda trilhos ou até mesmo o trem se aproxima (há relatos recentes de situações bastante tensas envolvendo trens e pessoas irresponsáveis nos pontos de acesso fácil ao longo da travessia).
      .
      Nesse dia nós descemos os 1200 m até a base do V13 para dormir em um camping (Paraíso V13). Diga-se de passagem fomos muito bem recebidos, ate travesseiro teve gente que emprestou dos proprietários. No camping, além da área coberta para a barraca (acertamos em cheio) tem uma cachoeira nos fundos muito legal que vale a visita.

      Nosso terceiro dia amanheceu debaixo de água. Desmontamos o equipamento, cobrimos com capa de chuva e seguimos morro acima. A chuva não deu trégua. Era tanta água que não se podia ver de uma ponta a outra do V13.

      Com todo cuidado do mundo, os dormentes agora estavam liso, seguimos caminhando. Mais uma série de túneis, todos curtos. Outra série de viadutos, nenhum vazado. A paisagem estava perfeita, a umidade deixa as cores mais intensas, das encostas despencavam dezenas de cachoeiras sazonais, fruto da chuva impiedosa.
      Não demorou muito para se formarem grandes alagados nas margens do trilhos. Local para descanso e refeição somente dentro dos túneis quando não estavam alagados. Em um deles, paramos e de repente um ronco ensurdecedor entrou na escuridão, luzes seguiam nosso sentido contrário. Paramos no recuo, coração na mão, uma das luzes (tive a impressão) saiu dos trilho e veio pra cima, foram longos segundos, um filme passou na cabeça, pensei em tudo que perderia, quando então, a luz vira novamente para o outro lado e escuto gritos e buzinas. Eram duas motos de trilha. Não sabia eu se chorava, xingava ou agradecia.
      Adiante em outro túnel estávamos almoçando quando o limpa trilhos passou, fui uma correria só para as áreas de escape, não gosto de arriscar a canaleta, vi nesse ano um vagão (na serra do cadeado) arrastando um pedaço de madeira por dentro da canaleta.
      Seguimos adiante, o relevo muda, passamos por alguns cortes de rocha imponentes. E no último grande viaduto ainda avistamos um bando de macacos pretos (não consegui identificar a espécie), estavam todos agitados nas copas das árvores.

      A caminhada voltou a ficar monótona nos últimos 6 km. Apenas grandes poças de água, o Guaporé some no meio da vegetação e a única surpresa foi a reformada estação ferroviária de muçum. Muita gente termina por aí, chamando um táxi ou seguindo pelo asfalto.

      Nós optamos por caminhar pelos trilhos até o centro de Muçum, descendo logo depois do primeiro viaduto sobre a rodovia. No total foram 60 km, 22 túneis e 16 viadutos.
      Depois de um banho merecido, melhor de se secar, o banho já havia sido o dia todo, fomos fazer o desjejum na lanchonete principal da praça de Muçum para no dia seguinte retornar às terras paranaenses.
      No Youtube coloquei um vídeo que mostra um pouco mais do trajeto, https://youtu.be/-Odmah6b8rU
       
      Dados que podem interessar
      A ferrovia EF491 também conhecida como ferrovia do Trigo percorre entre os municípios de Roca Sales e Passo Fundo. Comercialmente pouco explorada, hoje serve apenas para transporte de combustíveis por escassas locomotivas, e a partir de 2020 passou a receber uma rota turística. Entre os municípios de Muçum e Guaporé, que engloba também Vespasiano Correa e Dois Lageados a estrada acompanha o Rio Guaporé, percorrendo uma série de túneis, vales e encostas. Nesse pequeno trecho de pouco mais de 60 km se concentram 22 túneis dos 34 da ferrovia e 16 viadutos dos 26.
      As principais atrações do trecho, que podem ser acessadas durante a travessia ou em caminhadas curtas ou ainda chegando de carro pelas estradas de manutenção da ferrovia, são:  
      Viaduto Mula-preta em Guaporé, possui 94 metros de altura, 360m de extensão e dormentes vazados, um desafio para quem tem ou não medo de altura; Viaduto Pesseguinho, também vazado, possui mais de 80m de altura e 368 de comprimento; Viaduto V13 com 143m de altura é o mais alto viaduto das Américas; Cascata da Garganta adaptação da engenharia onde um riacho mergulha para dentro da terra em uma cachoeira que flui abaixo dos trilhos. Está situada entre os viadutos Pesseguinho e V13; Túnel de 2km perfuração dentro do morro que percorres 2000 m entre os viadutos Mula-preta e Pesseguinho; Túnel vazado com cerca de 1300 m está na chegada do V13. A 300 m da entrada dele estão algumas aberturas (janelões) de frente para o vale do Rio Guaporé; Cascatinha ao lado da entrada do terceiro túnel segundo túnel depois da Garganta (sentido Guaporé Muçum), de águas límpidas e queda macia ideal para descanso; Cascata Bem Estar situada anexa ao Pesseguinho é acessível a partir do camping na base desse viaduto; Rio Guaporé visível em mais de metade da travessia. Um dos locais de acesso à suas margens fica entre o terceiro e quarto túneis a partir do V13. Existem ainda muitos outros locais interessantes para se visitar pela região, cascatas, rochas, vales e passeios. Só pegar a mochila estudar os roteiros e se jogar.
    • Por mcm
      Como de hábito, se tem promoção pra Porto Alegre, não recusamos. Viajamos para lá com certa assiduidade desde o começo da década, salvo engano ao menos uma vez por ano. Nos últimos anos temos alternado sucessivamente entre Porto Alegre, Gramado e arredores, e, nossa opção preferencial, Vale dos Vinhedos. Com mais uma passagem comprada para um fim de semana, era questão de escolher. Mas deu coceira de conhecer lugares novos pelo RS.
      Um lugar que está no meu radar há tempos para conhecer é Mostardas, mas Katia sempre recusa. Então bolei uma rota alternativa que cabia num fim de semana, no nosso esquema. Montei um roteiro para conhecer algumas atrações em Lajeado, Lagoa da Harmonia (em Teutônia), e onde fosse possível chegar na Ferrovia do Trigo, sobretudo nos viadutos (V13, Dois Lajeados, Pesseguinho, Mula Preta), Serafina Corrêa e sua Via Gênova, e alguma coisa de Cotiporã. De lá, retornaríamos a Porto Alegre por Bento Gonçalves, velha conhecida de tantas idas. Onde quer que parássemos num dia, dali seguiríamos o roteiro no dia seguinte.
      Seria muito tempo de carro, sim, estava no radar. Meu foco maior era conhecer a ferrovia do trigo e aquelas pontes vazadas que parecem flutuantes. Era o ápice. Mas curtiríamos também o barato dos visuais das estradas rurais por onde certamente passaríamos.
      Há vários e ótimos relatos da famosa travessia sobre a ferrovia do trigo aqui no mochileiros.com, que a galera geralmente faz em 3 dias. Foi inspirador ler, mas nosso foco era chegar mesmo de carro. Esquema conforto, em virtude (também) da premência de tempo.
      Acompanhando a previsão de tempo na semana anterior, o plano ficou por um fio de ser abortado. Num determinado momento havia previsão de chuva forte em todo o fim de semana. Se fosse assim, ativaríamos o plano B, que seria novamente Vale dos Vinhedos, que cuja curtição independe de tempo bom.
      Dica: acompanhar os relatos do @fernandos que vem explorando esses cantinhos menos badalados do RS. Inspirador!

      Chegamos na sexta de noite, dormimos em Canoas, e deixamos para escolher qual plano seguir no sábado de manhã. Previsão para sábado era sem chuva. Plano A mantido. Amem! 
      Mas o roteiro acabou quebrado, porque choveu bastante na manhã de domingo, nos forçando a praticar um plano B parcial (Caminhos de Pedra, em Bento – sempre muito agradável!) naquele dia. No sábado conseguimos seguir até a Ferrovia do Trigo, especificamente Viaduto 13 e Pesseguinho (acabamos pulado o Dois Lajeados), e ainda esticamos até Serafina Corrêa, onde pernoitamos. Ficou faltando conhecer outros dois viadutos e Cotiporã, além de toda a paisagem rural que nos leva a esses cantinhos.
      Seguem abaixo os lugares que conhecemos:
      Jardim Botânico de Lajeado: pequeno, bonito, bem tratado.
       
      Parque dos Dick: com laguinho bacana e letreiro da cidade para curtir.
      Parque Histórico Municipal. Construções em estilo da época da imigração; muito bem transado, mas não muito cuidado.
       
      Lagoa da Harmonia: lindíssima. Propriedade privada, pagamos 15 pratas (os dois, acho que é por carro) para entrar. Tem chalés por lá, tem restaurante. Galera vai para curtir o lugar, fica no chimarrão e/ou no churrasco. Muito bacana. Curtimos um bom momento por lá. E ainda tem um mirante, que não dá vista para a Lagoa, mas para o vale na parte de trás. Vista panorâmica, aliás.
       
      Viaduto Brochado da Rocha: Imponente, uma prévia do que estava por vir.

      Viaduto 13: o mais alto das Américas, e segundo mais alto do mundo. Grande ponto turístico da região, com restaurante e camping na base lá embaixo. Chega-se facilmente de carro, tanto na parte baixa quanto na alta. Parte alta = onde efetivamente está a ferrovia. Tem o viaduto para vc curtir o visual. E tem tuneis para curtir também. Percorri três deles, fui até a cascata subterrânea (garganta do diabo), e voltei. Andando rápido dá uma meia hora de ida, mas levei mais tempo porque o visual das janelas e o barato do escuro absoluto dentro do túnel requer maior contemplação. Estava calor (era Março), mas dentro dos tuneis fazia até algum friozinho.
       
       
      O viaduto é facilmente caminhável, não é vazado, “flutuante” como os outros.
      Viaduto Pesseguinho: esse é vazado, um dos que chamo de “flutuantes”. Vc caminha sobre os trilhos ou sobre os dormentes. Se vc olha para baixo, enxerga o abismo a dezenas de metros abaixo sobre seus pés, entre os dormentes. Achei melhor prestar a atenção aos dormentes e onde eu pisava, enquanto andava. Sensação de olhar para baixo era bacana, mas aterrorizava também. Não tem parapeito, mureta ou qualquer tipo de proteção lateral. Há escapes laterais para vc se abrigar se por acaso passar algum trem. Mas somente de um lado que esses escapes têm base para vc se abrigar, do outro já não existe mais, a base já se foi. E há de se confiar naquela estrutura!
      Achei esses viadutos, essa ferrovia, tudo sublime. Gostei demais. Voltarei.

      Ao longo do caminho (rural) para chegar até o 13 é possível observar, além de belas paisagens rurais (belas para pessoas urbanas, como nós), os viadutos 11 e 12. Ou melhor, os viadutos que presumo que sejam o 11 e o 12. Podem ser vistos ao longe. Importante dizer que o google maps não mapeia todas as estradas rurais da região. Necessário ter algum senso de direção e apostar que aquela estrada em que vc está terá um fim!
      Serafina Corrêa: cidade pequena e bacana, onde jantamos e pernoitamos. Tem a Via Gênova, com réplicas de monumentos italianos, e tem um belo e simpático (e muito bem cuidado) centrinho com praça + igreja.

       
    • Por fernandos
      Saímos de Caxias do Sul as 11 horas rumo ao famoso Viaduto 13 (V13), na cidade de Vespasiano Corrêa, o mais alto Viaduto Férreo da América Latina, com 143 metros de altura. No caminho cruzamos por Bento Gonçalves, sentido Veranópolis, pegamos a estrada para localidade de Farias Lemos.    1ª Parada. Balneário do Rio das Antas. Cotiporã.RS: Certa altura vejo uma placa indicando o acesso secundário para a cidade de Cotiporã, não dei muita bola, ao passar avistei uma ponte, um rio, com suas margens repletas de pedras. Meia volta! Vamos ver do que se trata. Era o Balneário do Rio das Antas, já em Cotiporã, a uns 10 km do centro da cidade. Era quase meio dia, o sol estava forte, mas o lugar é bonito, uma ponte antiga, o rio caudaloso, algumas pessoas fazendo churrasco, outras nadando, um lugar tranquilo para se refrescar num dia de sol forte. O curioso que as margens rio nesse ponto, são cobertas por pequenas pedras, ao invés de terra como é mais comum em outros balneários. Pra mim o nome mais apropriado para o lugar seria "Praia de Pedras", enfim... O lugar rende belas fotos. Como não estava preparado para tomar banho, seguimos viagem.    2ª Parada. Vespasiano Corrêa.RS: O plano era almoçar em Vespasiano Corrêa, mas era domingo, e a cidade bem pequena, com seus 2.000 habitantes, e após darmos algumas voltas pelo centro não encontramos nada aberto. Ainda bem que havíamos tomado um café reforçado, e rumar ao V13. Já no centro de Vespasiano, existem placas indicando o caminho, são uns 13 km, de estrada de terra, estreita, morro abaixo, com pedras soltas, tem que se ter muito cuidado. E no caminho somos brindados com a visão dos viadutos V11 e V12. Chegando ao local  onde fica o V13, já na chegada avistamos muitos carros, estava havendo uma festa de alguma comunidade rural. Um grande aglomerados de pessoas, maioria mais velhas. Debaixo V13 impressiona por sua grandiosidade. E rumo ao dito cujo, são 1, 3 km morro a cima, mas da para fazer de carro, deixamos o carango, na via de entrada, junto com os muitos que estavam lá. Dia de casa cheia na Ferrovia do Trigo. Primeiro tratamos de explorar os Tuneis Férreos, muito legal, os tuneis são extensos, e a medida que se adentra, a escuridão toma conta, aqui uma dica: TEM QUE LEVAR LANTERNA! (É completamente escuro lá dentro). Legal ver apenas as luzes das lanternas das pessoas dentro do Túnel. Não foi muito fácil tirar fotos, pelo completo breu, e por estar muito movimentado esse dia. mas mesmo assim a experiência é muito interessante, vale a pena. Fomos até o final do túnel que deve ter uns 600 metros, sentamos e fizemos um lanche, já que o almoço não rolou. Retornamos pelo túnel, rumo ao V13. Chato foi nos depararmos com muitos turistas bêbados, e sem educação no local. Gente riscando as paredes dos tuneis com pedras, e por aí vai. Lá de cima a vista encanta, de um lado da para ver o Rio onde bote descem de rafting e do outros algumas belas cachoeiras. dessa vez o trem não passou (graças a Deus!),  o que seria bem tenso, mas no local tem alguns refúgios, caso isso ocorro. É um passeio bem divertido passar por cima do viaduto, da para tirar boas fotografias. Ficamos ali um bom tempo curtindo o visual. Depois descemos e fomos em direção as cascatas, seguindo as placas. Tem um balneáriozinho no local, e novamente muita gente bêbada, e sem noção. Um bando de velhos, borrachos, tomando long neck, e atirando as tampas na cachoeira. É o Fim da Picada!  Esse foi o unico porém da viagem, a falta da educação de nosso povo. Acho que não deve ser sempre assim, com certeza pegamos um dia ruim, mas mesmo assim o lugar é lindo. E infelizmente não pude tomar banho na cachoeira, pois, não levei roupa, pois, em Caxias estava friozinho quando saímos, no V13 bem calor. Então via das duvidas leve roupa de banho. 


        3ª Parada. Muçum: Para voltar e escapar da subida ingrime de volta, decidi ir em direção a cidade de Muçum, 14 km diz a placa, mas se anda uns 20 até o centro da cidade. Muçum intitulada a Capital das Pontes, destino já visitado. Possui uma bonita ponte de Brochado Rocha, e o Chafariz de Pedra da Praça Central. A cidade é impressionou pelo desenvolvimento, para seus ditos 5000 hab. Possui até prédio, e no entorno da praça, em frente a igreja, existem duas ruas cobertas, e diversos quiosques e estabelecimentos para lanche. Acabamos no Don Fulano, onde comemos um bom pastel, uma soda italiana, e uma Taça de Sorvete, tudo ótimo, e a bom preço. O ambiente é bem legal também. Muçum encantou pela  beleza, e limpeza da cidade. Mais uma atração de nosso RS visitado, e um ótimo passeio para recarregar as baterias. 

      Mais Fotos:
                    https://rotasetrips.blogspot.com.br/?view=magazine
    • Por luiz.junyor
      Há um tempo eu havia visto sobre a travessia da ferrovia do trigo, que é umas das travessias mais clássicas de Rio Grande do Sul e de cara fica fascinado, falei sobre ela a alguns amigos para ir comigo nessa grande aventura, poucos se mostraram interessados, então resolvi deixar para uma próxima oportunidade, então que um dia convidei meu amigo Jorge, que curtiu muito a ideia de ir, nesse mesmo tempo minha namorada Fernanda também iria, mas teve que desistir devido aos estudos, então eu e Jorge ficamos amadurecendo a ideia de irmos, até que mais dois amigos resolveram participar também, o Zé e o Franck. Então quando marcamos a data que seria no feriado de 7 de setembro, mais três amigos do Zé e do Jorge de Pato Branco embarcaram junto, o Cléber, o Randas e o Thomaz. Iríamos em dois carros, porém na véspera de ir, o Franck e o Thomaz tiveram que desistir devido a compromissos. Como estávamos em cinco, conseguiríamos ir em um carro só. Consegui contato com um hotel de Guaporé e reservei para nós 5, a maior preocupação era onde deixar o carro, pois iriámos de ônibus até muçum, e então subiríamos a ferrovia até retornar a Guaporé, o senhor do Hotel muito simpático falou que poderíamos deixar na garagem do Hotel, foi um alívio. Já liguei na rodoviária e peguei os horários de ônibus para nos organizar. Saímos de Coronel Vivida na quinta-feira, as 14:00hs no dia 06 de setembro, fomos a Pato Branco encontrar os piás e de lá continuamos com o carro de Cléber, que tinha espaço para colocar todas as mochilas cargueiras, foi uma viagem tranquila, paramos jantar em Casca/RS no Xis do Elvis, xis top.  Chegamos no Hotel Rocenzi em Guaporé as 22:40, fomos bem recebidos. Como nosso ônibus saia as 7:30 com destino a Muçum, não daria tempo de tomarmos café no hotel, mas o tiozinho serviu o café da manhã mais cedo para que conseguíssemos comer antes de ir. Embarcamos no Ônibus e fomos de pé pois não tinha lugar para sentar, uma hora depois estávamos em Muçum. Começamos nos arrumar para dar início a caminhada quando Jorge deu conta de deixou o celular no ônibus, a próxima parada era em encantado a 7 km a frente, então Jorge pegou um taxi e foi atrás do ônibus, voltou meia hora depois com o celular na mão e com a boca nas orelhas. Caminhamos alguns quilômetros dentro de muçum até encontrar a escadaria que levaria a Ferrovia.   Iniciamos a ferrovia do trigo era passada das 9:30, no começo era tudo muito fácil, todos estávamos descansados e aquecidos, logo de início já encontramos a estação ferroviária de muçum, que está abandonada.    Andamos mais de uma hora até chegar no primeiro túnel.        Como o sol estava quente foi um alívio, pois no túnel é muito fresco e gostoso de andar, os dormentes são mais conservados e alinhados, facilitando andar sobre eles, tem um bom espaço lá dentro, em caso de o trem vir é possível se proteger apenas ficando encostado na parede. Esse não tinha cheiro de mofo, então não era muito extenso. Logo mais à frente passamos pela primeira ponte, essa não era muito alta e sua estrutura não era vazada, então foi bem tranquilo.     Já era 13:00 e a fome estava chegando, paramos para preparar o almoço em uma sombra próximo a um túnel.         Foi nessa parada que percebi que minhas panturrilhas e meus pés estavam muito doloridos, devido aos pedregulhos da trilha e o peso da mochila, mas foi só começar a andar e aquecer o corpo que as dores diminuíram. Mais alguns quilômetros e aparece o primeiro viaduto vazado, chegou a dar um frio na barriga de ver ele lá de longe.      Andar nessa ponte foi uma emoção muito grande, a vista é espetacular, nos primeiros passos na parte vazada já é alto, tem que andar se concentrando nos dormentes para não ficar tonto, mas logo vai se acostumando e fica menos tensa a passagem.      Chegamos ao Viaduto 13 ou Viaduto do exército como também é conhecido, é o maior viaduto férreo das Americas, sendo o terceiro maior do mundo, com seus 143 metros de altura. Aqui o plano era descer até o camping que tem logo a baixo e ficar por lá, mas como chegamos cedo, era 15:30, não acampamos ali.    Resolvemos continuar para aproveitar o tempo, passamos por um grupo de vinha de Guaporé que nos deram algumas informações, nos disseram que mais uns 8km teria um camping ao lado do viaduto pesseguinho, que ficava no meio da travessia, foi então que decidimos fazer em dois dias em vez de três e seguimos até lá. Logo a frente chegamos no túnel onde tem as aberturas em formas de arcos. Lugar muito propício para lindas fotos.     Chegamos na Cachoeira que se chama garganta do diabo, esse túnel foi feito para desviar o fluxo do rio, onde ele passa por baixo dos trilhos.      Enfim chegamos no viaduto pesseguinho com o sol já se pondo, mais uma ponte vazada para atravessar, acampamos na casa recanto da ferrovia, com uma ótima estrutura, chuveiro com banho quente, área para preparar as refeições. O zé queria chegar e comer todas as batatas fritas que tivessem, o Randas queria uma cerveja, mas estava cagado de fome também, a noite estava com um céu muito estrelado, após montar a barraca deitei e fiquei lá por uma meia hora relaxando.   2º dia, um amanhecer com muita serração, conseguimos descansar bem, as dores eram menores, o Cléber fez alguns calos na sola dos pés, mas conseguiu continuar a jornada mesmo com as dores. Andar na ponte com cerração dá mais medo, pois parece que está mais alto devido ao nevoeiro, uma sensação muito legal, ficamos por ali fazendo algumas fotos e seguimos com a caminhada, pois já era 9:30 e precisávamos chegar no fim da tarde em Guaporé.        Nesse segundo dia, ainda tinha 24km para percorrer, no início da caminhada as dores eram grandes, mas foi só começar a caminhar que logo foi diminuindo, as paisagens eram muito lindas, com a serração ainda presente nos rendeu lindas fotos.     Passamos por mais alguns túneis e pontes, e o tão esperado túnel de 2km, que foi uma meia hora para atravessa-lo, esse tinha cheiro de mofo, por ser longo. O cansaço e as dores já nos dominavam, não foi cansativa a caminhada, mas sim dolorida, caminhar sob dormentes e pedregulhos com uma mochila de uns 15 kilos acaba dificultando, começamos a fazer mais pausas, para relaxar, cada retorno de caminhada era um sacrifício, pois a musculatura esfriava e as dores voltavam, mas como eu sempre digo, quando mais difícil for, maior a sensação de conquista e prazer de ter conseguido concluir.    Chegamos a Guaporé era passada das 17:00.     Concluindo, andamos 50km de trilhos em dois dias, nunca havia feito nada igual, andar em terreno onde só tem pedras é totalmente diferente que andar em trilhas de mato, exige mais preparo e uma boa bota com solado mais firme, mas tive muitos aprendizados que levarei para minha vida, fiz grandes amizades, nos divertimos muito, registramos todos os momentos, por trás de todas essas fotos tem uma grande história. Até breve!
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