Ir para conteúdo
  • Faça parte da nossa comunidade! 

    Encontre companhia para viajar, compartilhe dicas e relatos, faça perguntas e ajude outros viajantes! 

peter tofte

Kungsleden, a Trilha do Rei - Um trekking acima do Círculo Polar Ártico

Posts Recomendados

Hej, hej !!

 

Minha mulher me propôs um cruzeiro pelo Báltico. Não gosto de cruzeiros, mas casamento, entre outras coisas, é conciliação de interesses. Vi a oportunidade de fazer uma trilha famosa, sobre a qual havia lido fazia algum tempo.

 

O cruzeiro foi bom, com visitas a cidades históricas lindas do mar Báltico. Deixamos o navio em Stockholm, ao invés de voltarmos ao início do roteiro, em Kiel (Alemanha).

 

Ficamos dois dias e meio nesta maravilhosa capital da Suécia. De lá minha esposa regressou ao Brasil. Eu tinha férias maiores e ficaria mais uma semana na Escandinávia.

 

Segui para Kiruna e de lá para Abisko, bem dentro do círculo polar ártico, para iniciar a trilha.

 

A Kungsleden (Trilha do Rei, em sueco) tem 450 km no total e percorre de Norte a Sul parte da Suécia, começando em Abisko. É bem antiga, foi criada em 1905 e é considerada a trilha mais selvagem da Europa. Entretanto eu só tinha 6 dias e assim resolvi percorrer o trecho mais popular (e um dos mais bonitos), de Abisko até Nikkaluokta, num total de 105 km.

 

No trecho que iria percorrer ocorre a Fjällraven, um evento anual que reúne cerca de 1.600 trekkers em meados de agosto.

 

DSCN3396.JPG.432b2de2f4739b019e4553c705f1a5dc.JPG

 

05/09/2014

 

Quando o avião iniciou o procedimento de pouso e atravessou as nuvens, apareceu uma extensa tundra com pequenas lagunas e bosques isolados de árvores baixas. Em seguida surgiu a cidade de Kiruna. Não gostei do que vi: uma cidade grande, mineira, com enormes montanhas de minério de ferro (ore) e um grande pátio ferroviário para transportar o minério até um porto na Noruega (Narvik) ou para outro na costa do Báltico. Ao saltar do avião 13 hr, no pequeno aeroporto, o termômetro indicava 10ºC e chuviscava. Bela recepção. Peguei um ônibus (shuttle service) até a estação de ônibus da cidade. Lá parti no último ônibus para Abisko, as 14:20. Uma hora e meia de viagem e saltei na Abisko Turiststation, onde começa a Kungsleden.

 

Comprei gás para meu fogareiro, pão, um mapa da trilha e um sanduíche, que seria meu almoço. Saí do mercadinho apenas às 16 horas. Tirei uma foto do grande lago Torneträsk. Sabia que anoitece tarde assim não estava apressado. No portal de entrada da trilha um casal de velhinhos tirou minha foto, pose tradicional para quem começa a fazer a trilha.

 

DSCN3390.JPG.4bef2420c05a03348670c9ec1b94eb35.JPG

 

Ao partir, um corvo grasnou. M.....! Sinal de azar, pensei. Mas a beleza da trilha rapidamente me fez esquecer isto. Um rio bonito de águas geladas e cristalinas surgiu à direita, o Abiskojåkka. Peguei água e tirei fotos. A trilha seguia através de um bosque pequeno de folhas já amareladas e caindo.

 

DSCN3403.JPG.2dc4e5b9f06e1cbc7651a66eaf905a0c.JPG

 

Segui apressado porque até Abiskojaure, primeiro refúgio de montanha, seriam 14 km. No caminho, as margens do rio, um local para acampar com sanitários. Um casal de idosos assava lingüiças numa fogueira e uma linda sueca fazia tricô, sentada numa rocha. Lá vi duas tendas da famosa marca sueca Hilleberg: uma Akto e uma Nallo. Não fiquei ali porque achei muito perto e cedo para acampar. Porém as 18:30 resolvi parar. Ainda faltava uma hora e meia até o refúgio. Achei um local bonito a beira do rio. Armei a barraca e usei a toalhinha molhada para um banho de gato. Só escureceu às 21 horas.

 

DSCN3408.JPG.5a5381729bf47fed1a6386c994730f50.JPG

 

06/09/2014

 

O dia clareou as 4:30 hr. Permaneci deitado até seis e meia. A noite foi agradável. Dentro da barraca ficou entre 9 e 10°C. Já peguei frio maior na Patagônia e nos Andes. Comi um müsli com leite e chá verde e parti 7:40. Hoje teria que compensar o que não fiz ontem (chegar ao refúgio Abiskojaure) e alcançar o seguinte, o Alesjaure. Cheguei ao lago Ábeskojávri, onde havia umas casas fechadas do povo Saami, provavelmente só usadas no inverno. O refúgio tradicional é um cone feito com troncos de árvores recobertos com cascas e tundra, garantindo o isolamento térmico.

 

DSCN3413.JPG.6ded42787fda0574783a58cc0f27ac8e.JPG

 

Uma hora depois cheguei ao Abiskojaure, mas não entrei no refúgio porque ficava meio fora do caminho. Comecei a encontrar outras pessoas desmontando acampamento e tomando café da manhã. Neste ponto, a trilha, que seguia deste Abisko rumo SO, passa a tomar o rumo Sul, em seguida SE e sobe um vale entre as montanhas Giron e Gärddenvárri. Ali, perto do topo, um meditationplats, com vista bonita. Ao longo da trilha há vários destes pontos de meditação. Neste vale avistei as primeiras renas, numa crista. Elas eram ariscas. Ao avistarem gente subiam mais a montanha, se afastando.

 

DSCN3432.JPG.cb088602860d88a294af3b3fe35a1650.JPG

 

Alcancei um altiplano acima da linha das árvores, a 800 metros de altura. Uma altitude baixa, mas como estamos dentro do círculo polar, nesta altura já não existem árvores. Ao longe, a NO, quase fronteira com a Noruega, os maciços nevados do Vuóidoasriida e do Vássencohkka. No altiplano uma sucessão de lagunas e um pequeno acampamento Saami.

 

DSCN3434.JPG.58277496495fcbccf69b6a904e059a07.JPG

 

Uma hora adiante um grupo de pessoas lanchando atrás de uma crista, protegidas do frio vento SO. Resolvi parar ali também para almoçar. Puxei conversa com um casal de velhinhos e descobri que todo aquele grupo de idosos era da Austrália. A única jovem era uma bonita guia sueca com cabelo rastafari. Ela estava com uma faca e um salame na mão e oferecia para o grupo. Aproximou-se e ofereceu. Agradeci, mas disse que já tinha meu salame (estava comendo ele). Mas ela, com um jeito viking decidido, disse: "Mas o meu é bem melhor que o seu". Cortou um pedaço e estendeu para mim. Uma delícia, exclamei. Ela orgulhosa explicou que o salame era de carne de rena seca, defumada e temperada, feita na aldeia onde vivia. E me passou outro pedaço. Em seguida ela e o grupo partiram, indo em sentido contrário.

 

DSCN3438.JPG.7e4803027ad3911d5964aa3731ab22c1.JPG

 

Pouco depois eu parti. Uma espécie de perdigão (grouse) apareceu na trilha. Ainda tinha um longo caminho até Alesjaure. Do lado esquerdo, o belo lago Rádujávri e o glaciar Godu, entre as montanhas Kåtotjåkka e a Njuikkostak. Uma das vistas mais bonitas do trekking. Um vento SO bateu de frente até chegar ao refúgio Alesjaure às 16 horas.

 

DSCN3448.JPG.aade024c0df878d6e2ea38685a3c1da7.JPG

 

Fui logo para o refeitório onde tomei dois capuccinos para reanimar. Andar com um vento frio e forte na cara é cansativo. E minha mochila estava com 19 kg. O refúgio consiste de meia dúzia de casas, uma delas é uma sauna. Fica no extremo sul do lago Alisjávri, junto ao desaguadouro deste lago. Tomei uma sauna deliciosa (50 SEK). O problema é que fiquei sozinho com um grupo de alemães. Ainda bem que não perguntaram de onde vinha. Poderia vir uma gozação pelo sete a um na semifinal da Copa.

 

DSCN3453.JPG.4306e57fccc82238e8e295e3525ce1d3.JPG

 

Depois fui para o refeitório escrever o diário e estudar o mapa. Amanhã teria uns 25 km até Sälka, cruzando o ponto mais alto da trilha, o passo Tjäktja, com 1.100 metros de altura. Hoje calculo que percorri cerca de 29 km.

 

No final da estação podemos acampar ao lado dos refúgios sem pagar por isto. Porém se usarmos os alojamentos, toaletes, a cozinha e sauna, devemos pagar. A sauna pode se pagar em separado. Tem um mercadinho razoavelmente provisionado. Se soubesse não traria toda a comida (e o peso) desde o inicio da trilha.

 

DSCN3455.JPG.a1ac6e5066d3b241bdfc7dd79d98a109.JPG

 

Continua...

DSCN3389.JPG.ba4ffe4cd6466d9e6707943967890d43.JPG

DSCN3398.JPG.c892549f8ca9be80a3bcb538af2d6bc8.JPG

DSCN3399.JPG.1c8b0e15a47ae660cac2dbbb3915eccc.JPG

DSCN3401.JPG.76ee8237a9907449d601a9ef4d4befef.JPG

DSCN3412.JPG.5c94a1a7818dcb505bd0142ac9c01901.JPG

DSCN3418.JPG.13094eca54090c2a27589e2171b8b0b7.JPG

DSCN3421.JPG.1b71df6474715d79a8a68e618987293a.JPG

DSCN3422.JPG.9901e2e8984d428db929fe6f03a46a65.JPG

DSCN3427.JPG.4139bf7b21d74c27e16fbe0590a8f73d.JPG

DSCN3429.JPG.5df99bd5b4282acbd1d45ee0099a68d9.JPG

DSCN3440.JPG.8ec02996b0130697ab417806e7beba9b.JPG

DSCN3441.JPG.4a7c06ea119a02c2263a98d06b8acc0b.JPG

DSCN3444.JPG.765d2ff9b7bbc04f3a9429b41bb0d5ea.JPG

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Continuação.

 

07/09/2014

 

Outro dia puxado. Acordei com um chuvisco. Dia nublado e frio. Isto aqui faz uma boa diferença. Tomei meu café, fui ao banheiro e enxuguei a barraca com minha toalhinha. Logo em seguida outro chuvisco me fez perder o trabalho que tive para secar a tenda.

 

Parti pouco antes das 8:30. Acho que fui o primeiro a partir. Os demais aproveitaram o frio e a chuva para dormir um pouco mais. Tive de sair vestindo a primeira pele, polartec (fleece) e agasalho para chuva. E a chuva caia em intervalos regulares. Sorte que não era muito forte. Vi mais três rebanhos de renas.

 

DSCN3464.JPG.7798ba89c3aa92b0e4af2b727a5a8f11.JPG

 

O vale e a trilha seguem na direção SO. Ao começar a subir para o passe Tjäktja deixei o vale e a chuva ficou para trás. Parece que o vale forma um corredor que vai até a Noruega e facilita a entrada de nuvens baixas com chuva que vem do oceano, da costa norueguesa. Não há montanha alta naquela direção, assim nada impedia a chegada de nuvens carregadas de chuva.

 

DSCN3469.JPG.f69db8e841f2b9378923ec548dc446a3.JPG

 

Com quase uma hora de subida alcancei o refúgio Tjäktja, bem menor, embora tivesse alojamentos. Como é perto do Alesjaure creio que as pessoas só param ali para descansar. Uma senhora de 70 anos parecia tomar conta do refúgio sozinha. Recebeu-me oferecendo um suco. É tradição oferecerem um café ou suco quando chegamos num refúgio de montanha. Sentei-me no refeitório para fazer meus sanduíches para almoço. Na janela dois castiçais e um buquê de uma flor seca que parecia algodão (white cotton flower) que tinha visto pelo caminho.

 

DSCN3471.JPG.cc00e056e483600aea69bd370b29acdc.JPG

 

Esta parada (day visit) custa 40 SEK para sócios do STF e 60 SEK para não sócios. Achei caro. Não demorei porque o passo estava ainda à uma hora dali. A partir do refúgio a trilha passa a seguir para o Sul. Pouco depois encontrei com um casal de japoneses vindo em sentido contrário, com mochilas pesadas.

 

O caminho antes do passo é cansativo, bem pedregoso. Mas só o pequeno trecho final é mais íngreme. Bem no topo do passo um pequeno abrigo. Lá aproximadamente 20 pessoas estavam arrumando as coisas para partir (no sentido contrário ao meu), na maioria adolecentes. Cantavam uma música dos Beatles. Uma corda enfeitada com bandeirolas budistas (cavalos de vento) estava presa numa pirca. Se tirasse uma foto e não colocasse legenda diriam que era no Nepal.

 

DSCN3477.JPG.903cd90799c4e3f2be9a2b7dae72669c.JPG

 

Depois de usar o banheiro e tirar fotos desci para o outro lado. Um grande vale se abre na direção S-SE. Andei por mais duas horas e meia até chegar a Sälka. No caminho um helicóptero a toda hora sobrevoava de um lado para outro do vale. Pensei que estavam procurando alguém para resgatar.

 

Sälka fica escondida atrás de um morro. Por isto não o avistava. Pouco menor que Alesjaure, também tem sauna e mercadinho. O rio que descia de um vale a esquerda do refúgio trazia águas geladas do glaciar Reaidda e seus meandros formavam ilhotas. Neste vale uma sucessão de três montanhas lado a lado lembrava os três irmãos na Chapada Diamantina.

 

DSCN3485.JPG.b3a64a55ace130f11be441a06021c5f7.JPG

 

Enquanto montava a barraca, o helicóptero que tinha observado chegou e aterrizou habilmente entre as casas do refúgio. Saltou uma pessoa e em seguida a aeronave partiu.

Fiz minha comida liofilizada, um purê de batata spicy, temperado com cebola, pimentão e bem apimentado. Uma delícia. A comida liofilizada que comprei em Berlim merece elogios. Até o momento só comi coisa gostosa.

 

DSCN3486.JPG.23759f0248c3c4196334d7af9c5afbb2.JPG

 

Depois de um banho de panela fui para a mercearia me registrar. A idosa que estava lá confirmou que acampado eu não precisava pagar nada porque estava no fim da temporada. Com mais duas semanas eles iriam fechar os refúgios. Comprei duas cervejas: uma custava 35 SEK e duas 40 SEK. Não resisto a uma promoção. Levei duas, cada uma com 0,5 l. Se as bebesse a temperatura ambiente de 7ºC já tava bom. Mas botei um pouquinho no riacho para esfriar mais.

 

DSCN3490.JPG.8bc4050a2642009276c5be1556f4529d.JPG

 

Ela também disse que a partir do final de agosto dava para ver a aurora boreal. Um suíço tinha visto na semana anterior. O melhor horário seria entre 23 hr e meia noite.

 

Antes de dormir presenciei o pessoal da sauna mista sair várias vezes da sauna a intervalos regulares para tomar um banho gelado de rio. Os homens estavam nus e as mulheres envoltas em toalhas, que tiravam ao entrar no rio. Ao sair do rio corriam de volta para a sauna. No norte da Europa a nudez não é tabu. Muito legal. Adão e Eva antes da maçã.

Botei o despertador e acordei 23 horas para tentar ver a aurora boreal. Vesti-me e saí para olhar o céu. A noite estava fria, espetacular, linda e clara, com poucas nuvens. Só que a lua cheia não permitia enxergar a aurora boreal. Ao menos avistei muito claramente a Ursa Maior. Tomei a segunda cerveja enquanto admirava a noite.

 

Ao deitar novamente, aquela friaca. Ou estava muito frio mesmo ou a cerveja aumentou a sensação de frio (álcool é vaso dilatador). Acho que era a combinação dos dois.

 

Continua...

DSCN3461.JPG.6309ac51675c446d24328721baa5965c.JPG

DSCN3475.JPG.09646796c564df3b5bb837aad53902e8.JPG

DSCN3488.JPG.827cf265a31638dd5816e94566c6d413.JPG

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Continuação.

 

08/09/2014

 

Levantei apenas 7 horas e resolvi não tomar café quente, para ganhar tempo. Parti 08:30, desta vez nublado, mas sem chuva. Destino de hoje: Kebnekaise, mais 25 km de caminhada.

 

DSCN3493.JPG.6c587b7d6df5bf331bb20d40477579e7.JPG

 

No caminho rumo S-SE eu fui alcançado por dois velhinhos, muito simpáticos. Um deles me disse "bom dia" ao saber que era brasileiro. Trabalhou dois anos no Brasil, em São Paulo e Porto Alegre. Perguntaram se estava sozinho. Disse que sim, minha mulher não gostava destas aventuras. Eles deram risada e disseram que o mesmo se passava com as esposas deles. Eles falaram algo bem interessante: o helicóptero e a moto que vi em Sälka estavam sendo usados pelos Saami para localizar e tocar rebanhos de renas das montanhas para um ponto mais baixo. Estavam levando elas para outro ponto de pastoreio, já que o inverno se aproximava. Nossa! Isto é que é vaqueiro hi-tech! Isto também explicava porque não vi renas desde o passe Tjäktja: estavam tocando todas do vale.

 

Um belo riacho é cruzado através de uma ponte pênsil. Numa das margens, a beira do cânion, uma garota fazia um piquenique café da manhã estendendo uma toalha em cima de uma rocha e distribuindo a comida sobre a toalha.

 

DSCN3495.JPG.8266063a982702304a90a160e4a8eec4.JPG

 

Separamo-nos alguns quilômetros adiante. Eles iriam para o refúgio Singi e eu para Kebnekaise. Neste ponto deixei a Kungsleden que segue mais 400 km para o Sul.

 

DSCN3496.JPG.2a10a3a6dba91b293c9f0e731c804f9a.JPG

 

Comecei a subir uma crista na encosta do Sinniconkka, um atalho que permitia seguir para meu destino sem ir para Singi (indo para Singi eu contornaria a crista que subi). Neste local passei a tomar o rumo Leste. Ao descer da crista entrei num vale estreito, espetacular. Paredões de rocha de onde desciam quedas d’água na vertical. Adiante, à esquerda, ficava o maciço do Kebnekaise, a maior montanha da Suécia, com 2.100 metros. Planejava subi-la amanhã.

 

DSCN3505.JPG.a484754ee3f7e0576e4f9923bd6dce9a.JPG

 

Pedi a duas pessoas que vinham em sentido oposto uma foto. Depois, conversando, eles disseram que no dia anterior subiram a montanha. Doze horas de caminhada com uso de crampons perto do pico. Chegaram do pico apenas as 21 hr. Foi uma ducha de água fria. Não imaginei tanto tempo. Pensei que com apenas 2.100 metros chegaria rápido lá. O problema é o desnível de 1.400 metros e o caminho não ser direto. A rota normal, sem escalada técnica, envolve entrar num vale lateral, subir para um colo, dali subir e descer uma montanha para alcançar outro colo e finalmente subir o Kebnekaise.

 

DSCN3513.JPG.7bb661a9ccb5da7eb0a710dc56e88fb9.JPG

 

Depois de 4 dias de caminhada com quase 25 km diários em média, estava bem cansado. Se tirasse o dia amanhã para subir a montanha, no dia seguinte teria mais 19 km para o final do roteiro, em Nikkaluokta. E teria de acordar bem cedo já que teria 12 horas para subir/descer a montanha. Desisti. Acho que por isto as pessoas aparentemente preferiam fazer no sentido inverso. Poderiam usar o segundo dia para subir a montanha, menos cansados.

 

Passando um maciço de rocha no meio de vale avistei a antena do refúgio Kebnekaise, mas não as construções, que estavam atrás de uma crista. Estava realmente bem cansado. Dez minutos antes do refúgio vi um local bom para acampar num platô da encosta, entre dois córregos. Decidi parar lá e montar a barraca, bem a tempo antes de uma chuva. Durante a montagem ouvi um "buff" sonoro. Olhei e uma rena estava apenas a 50 metros de mim, pastando.

 

DSCN3529.JPG.5cea40c34c89de72183814c8ddd993a2.JPG

 

Após a montagem entrei na barraca e deitei um pouco para dormir. Ao acordar a chuva havia passado. Tomei um bom banho de panela com a água do córrego e fiz minha janta. Sítio legal porque tinha uma ótima vista. O vale do rio Láddjavaggi ali em baixo e todas aquelas montanhas em volta. Vento sempre de O ou SO, o que facilitava decidir qual o alinhamento da minha barraca tipo túnel.

 

Continua...

DSCN3492.JPG.b686a2d35e30fd6b9399706f60c57f0a.JPG

DSCN3497.JPG.b6838b467955fde1f7e8d3725d6ad895.JPG

DSCN3509.JPG.9b55473990196a0ddc15b3ce3241d946.JPG

DSCN3510.JPG.46ec0a06b77a9e06ce11b8f1695fd95e.JPG

DSCN3511.JPG.ec9e96120a50854528b143cdf20b2ede.JPG

DSCN3519.JPG.3a27fe3f28d21816ae6442557cbf81d8.JPG

DSCN3524.JPG.00484adcf44b650125e5366db9a170ff.JPG

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Continuação...Ufa!

 

09/09/2014

 

O dia começou lindo. Arrependi-me de não ter tentado o Kebnekaise. Mas acordei tarde, arrumei as coisas e deixei secar bem a tenda, o saco de dormir e as meias. Só sai às 10 horas. Estava precisando daquele descanso.

 

DSCN3526.JPG.eabae9749c55d6747563119eea2b756e.JPG

 

Dez minutos depois cheguei no grande refúgio de montanha. Três ou quatro prédios bem grandes com eletricidade. Tudo muito limpo e arrumado. Ali pegava sinal de celular. A loja dos guias de montanha estava fechada, provavelmente todos subindo a montanha.

 

Fui para o restaurante tomar um café. Logo antes de chegar um forte fedor no ar. Um rapaz mexia dentro de um bueiro com uma tábua. Era o biodigestor de esgoto do refúgio, um tratamento biológico dos resíduos. Parecia que ele mexia um caldeirão de bosta com uma colher. Ao passar me deu bom dia como se ele estivesse fazendo a coisa mais natural do mundo.

 

Todos confirmaram que a subida levava de 10,5 a 12 horas, dependendo da condição meteorológica e da preparação física. Já eram 11 horas, tarde demais.

Comecei o caminho para Nikkaluokta, de onde pegaria o ônibus de volta para Kiruna. O vilarejo ficava a 19 km rumo Leste.

 

Atravessei uma ponte e mais adiante, olhando para trás, vi pela primeira vez o Kebnekaise até então oculto por uma outra montanha e pelas nuvens. Era muito alta. Com certeza seriam 12 horas de caminhada. Meu arrependimento passou. Seria muito cansativo subir e depois correr para Nikkaluokta no dia seguinte. Deveria ter um dia a mais.

 

DSCN3535.JPG.39f3d17ef3a2d67e502a0c8ce83aa081.JPG

 

O caminho era bem agradável. Um vento frio derrubava as folhas das bétulas (praticamente a árvore dominante na região) e provocava uma chuva amarela na trilha. Um ponto de meditação bonito ficava entre boulders arrastados pelos glaciares milhares de anos atrás.

 

DSCN3542.JPG.5a83e7bbfb991d819d61d8ed7438c805.JPG

 

Como a linha para Kiruna tinha dois horários, 12 e 14 horas, apenas amanhã teria como pegar o ônibus. Decidi parar um pouco antes de Nikkaluokta para acampar e seguir para o vilarejo somente na manhã seguinte. Pelo mapa estimava que estava a cerca de uma hora de lá.

 

Acampei numa península do lago, nas ruínas do que parecia um antigo estaleiro de barcos de madeira. Um barco estava emborcado, suspenso do chão por travessas de madeira. A técnica de fabricação do casco com madeira parecia ter saído dos antigos drakkars vikings. Entrei debaixo dele e vi iniciais gravadas num banco, provavelmente as do construtor e o ano de 1965. Aquele barco tinha dois anos menos que eu.

 

DSCN3548.JPG.b86780f579f86cb13fcf92ac335c5575.JPG

 

Tomei um banho no lago e comi. Lugar bonito, com boa vista. Mais tarde vi duas tendas serem armadas noutro ponto um pouco mais distante. Acho que tiveram a mesma idéia de parar e seguir para o final da trilha no dia seguinte.

 

No bosque perto da tenda havia cogumelos enormes. Se fossem comestíveis um era suficiente para uma refeição individual.

 

DSCN3551.JPG.e698e5b7234c06808409a846edaf291c.JPG

 

Ao entardecer uns chuviscos e durante a noite algumas rajadas de vento. Meus melhores acampamentos foram os selvagens, longe dos refúgios.

 

10/09/2014

 

O relógio não conseguiu me despertar. Acordei apenas às 7 horas. Dia bonito, o sol batendo de frente na barraca. Saí as 8:30 e cheguei no vilarejo às 10 horas. Um portal indicava o final da trilha. Perto dali era a base dos helicópteros que vira nos dois dias anteriores.

 

DSCN3561.JPG.5bf4352e45b83661b99f809a26f109ef.JPG

 

Nikkaluokta é composta por uma dúzia de casas. Vilarejo é elogio. Um pequeno mapa mostrava a localização das casas e o nome dos seus moradores. O restaurante e a loja de lembranças eram muito bonitos e arrumados. Tomei um café e comi uma deliciosa baguete de carne de rena defumada.

 

DSCN3563.JPG.b54782d476539fdd35f79f012497aed9.JPG

 

Aproveitei e visitei o hangar dos helicópteros. Eles fazem passeios, além de trabalharem para os pastores Saamis. Também efetuam transporte de pessoas e evacuação, mediante pagamento.

 

Às 12 horas em ponto o ônibus partiu, chegando na estação de ônibus de Kiruna 50 minutos depois. Logo antes de chegar na cidade um baita alce andando ao lado da estrada.

 

Deveria passar uma noite lá para pegar o vôo para Stockholm 6:30 do dia seguinte. Entretanto descobri que o custo do hostel mais o táxi para o aeroporto (não há shuttle service tão cedo) iriam custar aproximadamente o mesmo que uma passagem de trem que saia 15:42 de Kiruna, o noturno para Stockholm, na 2ª classe. Só o táxi para o aeroporto custava SEK 350 (39 Euros).

 

Assim comprei a passagem e embarquei no trem, descartando a passagem de volta de avião. Em vez de ficar em Kiruna curti o visual de uma viagem de trem pela bela Suécia. No dia seguinte, as 9 da manhã, desembarcava na estação de trem dentro do aeroporto de Arlanda, de onde partiria para o Brasil.

 

Linda trilha, através da tundra, florestas temperadas, lagos, rios, montanhas imponentes, vales extensos e muita vida. Os suecos adoram a vida ao ar livre e realmente tem mil motivos para isto.

DSCN3533.JPG.3e4d8063201f8072774f4bb46c004303.JPG

DSCN3540.JPG.023a9709c826bf31ae8e9c09a888e1bb.JPG

DSCN3541.JPG.be1916cd6fe77eabcf714497adab8566.JPG

DSCN3546.JPG.fafb9a1636fe55e85387203369a7cb01.JPG

DSCN3555.JPG.bf9bfa08e1060d1ed91125ea5d7d97dd.JPG

DSCN3564.JPG.7c24d45c847f76a6a91f845f791af84f.JPG

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Fantástico!!!! ::otemo::::otemo::::otemo::

Como é legal uma trilha organizada, com pontes, refúgios, placas, mapas e muuuuitos quilômetros.

Como o Brasil está atrasado nisso. Tudo bem que trilhas totalmente selvagens é legal, mas cada vez será mais difícil mantê-las totalmente selvagens, pois sempre terá pessoas que irão percorrê-la. Por isso é necessária a intervenção humana para que ela se torne menos impactante ao meio ambiente e mais atrativa para os caminhantes.

AH! Todos os cogumelos são comestíveis, alguns apenas uma vez!!! :mrgreen::mrgreen::mrgreen:

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Valeu Otávio e Renato!

 

Realmente a trilha é muito bem estruturada. Refúgios, sinalização, pontes e passarelas de madeira sobre brejos. Estas passarelas (quilômetros de passarelas) são para proteger o solo da degradação. Mas facilita muito a nossa vida. Seria muito, muito mais cansativo, molhado e lamacento se elas não existissem. Infelizmente ainda estamos longe de ter algo assim no Brasil.

 

Perde o caráter selvagem? Sim, um pouco, mas repare que a trilha seria muito degradada se isto não existisse, porque muita gente faz ela no verão. A aventura continua existindo, especialmente por conta do clima. Uma tempestade no Ártico pegando um trekker no meio do caminho não é coisa fácil de lidar. E tem que ir bem equipado: tenda 4 estações e roupas adequadas. Precisei de todas as roupas que levei, porque ora chovia, ou ventava ou fazia frio ou os três ao mesmo tempo. ::Cold::

 

Embora tenha escolhido uma época com clima mais duro (final da estação) tinha menos gente na trilha e vi as cores do outono. Parece que vai começar a nevar na semana que vem, segundo a previsão, com temperaturas abaixo de zero.

 

Mas acho que eu e Renato pegamos temperaturas mais baixas nos Andes, ano passado, na mesma época.

 

Por sinal, Renato, como vai a ideia de Ausengate?

 

Abraços, Peter

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Estamos animadíssimos! Minha esposa e a do Adriano já concordaram com ideia. Só isso já é meio caminho. Entre julho e setembro. O planejamento é aquele mesmo que tínhamos discutido, ir sem agência e contratar guia e arrieros lá. E nós mesmos cozinharmos, acho que com nós mesmos preparando a comida, o risco de diarreia diminui consideravelmente. Se formos em 3 ou 4 pessoas, fica bem tranquilo. Levamos sua Mountain 25 e minha Thor 2, cabe os quatro numa boa. Temos que ver a acomodação pros contratados. Acho que pra 4 trekkers, 1 guia e 2 arrieros com 4 ou 5 animais (3 ou 4 mulas e 1 cavalo pra emergência) dá numa boa. A gente compra e prepara a comida. Além de termos uma higiene melhor, podemos decidir o que e quanto comer.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Essa semana tinha uma boa promoção pra katmandu, R$ 2.500,00. O Adriano ficou animado em fazer o EBC e me ligou, cheguei a conversar com a Alyne e já tava certo, mas quando vi as imagens do aeroporto de Lukla, desisti. Sabe que fico bem desconfortável em avião e só de pensar em ter que voar naqueles aviõezinhos e pousar ou decolar daquela pista, eu não iria curtir a trilha, tenho certeza que ficaria tenso o tempo todo. Só se for em 2016 pra ter 30 dias de folga direto, aí dá pra eu ir via terrestre de Katmandu até Lukla e esperar vcs lá. Anima?

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

É a promoção da Qatar que vcs estavam vendo? R$ 2.500 é preço muito bom!

 

Mas porque Lukla? Tem tanta coisa boa no Nepal que não o trekking para o campo base do Everest! Pensava no Circuito do Annapurna. Melhor época: novembro!

 

Quanto a Ausengate, topo a idéia. A gente fica com mais liberdade e sem desinteria!

 

Abs, Peter

 

Abs, Peter

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Participe da conversa!

Você pode ajudar esse viajante agora e se cadastrar depois. Se você tem uma conta,clique aqui para fazer o login.

Visitante
Responder

×   Você colou conteúdo com formatação.   Remover formatação

  Apenas 75 emoticons no total são permitidos.

×   Seu link foi automaticamente incorporado.   Mostrar como link

×   Seu conteúdo anterior foi restaurado.   Limpar o editor

×   Não é possível colar imagens diretamente. Carregar ou inserir imagens do URL.


  • Conteúdo Similar

    • Por rafael_santiago
      Lago Nesbøvatnet
      Início: Finse
      Final: Vassbygdi
      Duração: 3 dias
      Maior altitude: 1643m
      Menor altitude: 89m em Vassbygdi
      Dificuldade: média para quem está acostumado a longas travessias com mochila cargueira. A maior subida tem desnível de 419m.
      O Parque Nacional Hallingsskarvet é um parque pequeno ao norte do platô Hardangervidda, maior platô de montanha do norte da Europa. Ele se situa ao norte da famosa estrada de ferro Oslo-Bergen, próximo à estação de Finse, a cerca de 190km de Oslo e 120km de Bergen (em linha reta). 
      Nesse trekking eu percorri de sul a norte o parque e emendei com a caminhada do Cânion Aurlandsdalen, bastante famoso por lá pela incrível beleza.
      Para saber sobre trekking na Noruega sugiro a leitura da introdução do relato www.mochileiros.com/topic/89222-travessia-do-parque-nacional-hardangervidda-noruega-jul19.
      O problema do trekking na Noruega e na Escandinávia em geral é o alto índice de chuva. Eu tive três dias seguidos de sol nessa caminhada e isso foi uma grande sorte.
      Não há problema de escassez de água nesse percurso e nem todos os riachos e fontes estão descritos no texto pois são muitos.

      Lagos parcialmente congelados mesmo no verão
      1º DIA - 01/08/19 - de Finse ao Refúgio Geiterygghytta
      Duração: 5h20 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 1643m
      Menor altitude: 1219m
      Resumo: esse dia tem um desnível considerável de 419m de subida e depois de 424m de descida mas não é cansativo pois é bastante gradual
      No dia 29/07 eu interrompi a caminhada do Parque Nacional Hardangervidda (relato em www.mochileiros.com/topic/89222-travessia-do-parque-nacional-hardangervidda-noruega-jul19) no 7º dia do percurso por causa da chuva que chegou e ainda duraria mais dois dias. Fui de trem para a cidade de Geilo, me hospedei no Hostel HI e esperei a melhora no tempo prevista no yr.no.
      Nesse dia, 01/08, voltei de trem a Finse e retomei a caminhada com tempo bom. Finalizada a etapa do Parque Nacional Hardangervidda, agora ia entrar no Parque Nacional Hallingsskarvet.
      Embarquei em Geilo às 13h e desci na estação de Finse às 13h38. Altitude de 1228m. Cruzei a estrada de ferro e segui a placa de Geiteryggen após o portão de madeira. Subi pela rua principal de cascalho e segui a sinalização do T vermelho entrando numa trilha à direita, cerca de 300m depois da linha férrea. Subi a colina ao norte, passei pelo local onde acampei no dia 29 e parei por 13 minutos para contemplar a magnífica Geleira Hardangerjøkulen, a sexta maior da Noruega. Ao cruzar o primeiro riacho, às 14h20, estava entrando nos limites do Parque Nacional Hallingsskarvet. Continuei no rumo norte, cruzei uma ponte suspensa e em seguida outro riacho pelas pedras às 14h43. Voltei a subir e a vegetação, que era só rasteira, some de vez, ficando só o terreno de pedras, mas sem dificuldade para caminhar. Às 15h32 começam a aparecer as manchas de neve que tenho de cruzar, com largura de 30m a 70m, mas sem problema de escorregar. A bota impermeável é importante nessa hora também.

      Cruzando campos de neve
      Às 15h57 alcancei o Refúgio Klemsbu, particular e trancado. Fiz uma pausa ali. Algumas pessoas que caminhavam sem mochila (e até com cachorro) tomaram ali uma trilha para o norte e subiram o Pico Sankt Pål. Eu continuei às 16h39 para nordeste (direita na bifurcação) e subi cruzando mais duas manchas de neve até atingir a maior altitude do dia (1643m, desnível positivo de 419m desde Finse). Ali há um campo de neve muito extenso mas felizmente não foi preciso cruzá-lo, está à esquerda do caminho. À direita surge um bonito lago com placas de gelo flutuando como icebergs. Inicia a descida. Cruzo mais uma mancha de neve e depois um riacho pelas pedras. Às 17h52 avisto o Lago Omnsvatnet. A trilha desce, cruza um riacho e se aproxima do lago, voltando a ter vegetação rasteira e depois capim, pasto para as ovelhas. Às 18h23 atravesso mais uma mancha de neve de uns 40m e às 19h outra de cerca de 60m.
      Às 19h21 alcanço um conjunto de lagos e passo a caminhar pelo seu lado direito. Cruzo pelas pedras um riacho que vem de uma bonita cachoeira despencando do paredão à direita. Às 19h55 avisto o refúgio na outra ponta do lago. Cruzo outro riacho às 20h14 e saio dos limites do Parque Nacional Hallingsskarvet. Alcanço o Refúgio Geiterygghytta às 20h32, numa altitude de 1230m. Esse refúgio é da DNT e do tipo staffed (com funcionários), não se pode cozinhar, não há comida para vender (só chocolates e biscoitos) e o anfitrião não me deixou nem usar o banheiro se não consumisse algo ou acampasse na área designada pagando NOK 100 (US$ 12,09)! Perguntei de acampamento livre (selvagem) e ele me mandou acampar longe, fora da visão do refúgio. Pelo que pude ver era um lugar muito bem arrumado, parecendo um hotel, e a presença de barracas espalhadas podia desagradar àquele público sofisticado. 
      Em frente a esse refúgio passa uma estrada de cascalho que começa na rodovia 50 muito próximo de um túnel. Como passa um ônibus nessa rodovia essa estradinha pode ser uma rota de fuga ou um início/final alternativo à caminhada. São 3,6km dali até a rodovia. Porém há pouquíssimos horários: um ônibus por dia (às 13h10) em direção a Flåm (oeste) e um ônibus por dia (às 9h40) em direção a Ål (leste) (horários de julho e agosto de 2019).
      Saí do refúgio às 20h42 e caminhei pela estrada de cascalho para a esquerda (noroeste) até sair da visão do refúgio. Começaram a aparecer as barracas dos alternativos, dos que preferem a liberdade ao conforto. Os melhores lugares, que eram perto da cachoeira à esquerda da estradinha, já estavam ocupados, então entrei na trilha de Østerbø, com placa, à direita, e subi até encontrar um lugar plano e um pouco afastado do caminho. Havia água corrente por perto. Altitude de 1252m.

      Lagos de montanha
      2º DIA - 02/08/19 - do Refúgio Geiterygghytta a Østerbø (ou quase)
      Duração: 5h30 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 1395m
      Menor altitude: 1050m no acampamento do fim do dia
      Resumo: dia de vários sobe-e-desce mas sem desníveis significativos, sendo o maior deles de 320m de descida da maior altitude do dia (1395m) aos 1075m do Refúgio Steinbergdalen
      Deixei o local de acampamento às 11h41 e segui a trilha no rumo norte. Em 4 minutos cruzei um riacho pelas pedras. Às 12h11 o mapa do gps mostrava que eu estaria cruzando a rodovia 50 porém não havia rodovia nenhuma - havia sim, estava muitos metros abaixo de mim na forma de um extenso túnel! E com mais 9 minutos avistei a tal rodovia 50 bem abaixo à esquerda margeando um lago. Infelizmente a trilha vai se aproximar dela e esse dia não será dos mais bonitos e agradáveis. Às 12h40 sigo à esquerda numa bifurcação com placa apontando para o Refúgio Steinbergdalen; à direita se vai a Kongshelleren (refúgio) e Iungsdalshytta (refúgio). Cerca de 6 minutos depois cruzo um riacho mais largo pelas pedras e paro por 18 minutos.
      Às 13h16 atravesso uma ponte metálica sobre um bonito rio com pedras e, subindo, cruzo uma porteira feita de ripas de madeira. Subo mais e atinjo um mirante chamado Bollhoud às 13h37. Passo por bonitos e tranquilos lagos de montanha e às 13h57 cruzo um riacho. Às 14h26 atravesso outra ponte metálica e encontro uma placa com o nome do local: Breibakkao. O riacho que cruzei forma uma bonita cachoeira à minha esquerda. Às 14h44 parei por 30 minutos num bonito mirante chamado Driftaskar, de onde avisto o Refúgio Steinbergdalen (ou Steinbergdalshytta) perto do lago Vetlebotnvatnet e da famigerada rodovia 50. 
      Na descida cruzei um riacho por uma ponte de tábuas às 15h39. No portão na chegada ao refúgio há uma bifurcação em que à direita se vai também a Kongshelleren (refúgio) e Iungsdalen (refúgio). Entrei no Refúgio Steinbergdalen às 15h49 e ele é particular (não é da DNT), mas a anfitriã me deixou usar o banheiro sem pagar pois eu estava só de passagem. É uma casa bem típica norueguesa, de madeira com vegetação sobre o telhado para manter o isolamento térmico e a estabilidade da casa. É recomendável (ou obrigatório em alguns casos) tirar o calçado antes de entrar, a menos que o anfitrião diga o contrário. A rodovia 50 está a apenas 450m e é possível tomar o mesmo ônibus que liga Ål a Flåm se for necessário.
      Saí às 16h04 pelo lado direito do refúgio e tomei uma trilha que subia a encosta à direita com placa de Østerbø. E como subiu!!! Não era uma subida íngreme, mas tinha muitas pedras e parecia não ter mais fim. A visão da rodovia 50 logo abaixo à esquerda tirava todo o clima de montanha e fez daquele trecho longo de subida um tédio. Na descida, ainda pela encosta, parei num riacho às 17h18. Às 18h05 atravessei a ponte de tábuas sobre outro riacho que despencava do paredão à direita em bonitas quedas. Começo a avistar a vila de Østerbø bem abaixo no vale. Desço mais e às 18h40 alcanço um grande campo com uma cachoeira grande ao fundo. Ali já comecei a pensar se valeria a pena ir até Østerbø (ainda 3,8km à frente) pois o local parecia mais urbanizado e eu poderia ter dificuldade para encontrar um lugar para camping selvagem. Cheguei a perguntar sobre isso a uma garota que vinha (sozinha) atrás de mim, mas ela não sabia como era Østerbø. Vi que ela e um casal pararam ali para acampar e resolvi parar também, apesar de muito cedo ainda. Havia água bem próximo dali, no Rio Grøna. Altitude de 1050m.

      Cânion Aurlandsdalen
      3º DIA - 03/08/19 - de Østerbø a Vassbygdi
      Duração: 6h50 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 1074m próximo ao acampamento
      Menor altitude: 89m em Vassbygdi
      Resumo: longa descida de 985m percorrendo o interior do Cânion Aurlandsdalen, famoso na Noruega pela grande beleza
      O trekking de hoje pode ser feito em forma de bate-e-volta de um dia a partir das cidades de Flåm ou Aurland, onde há campings e hotéis. Tomando o ônibus às 8h15 em Flåm ou 8h25 em Aurland se chega às 9h15 a Østerbø, um bom horário para iniciar a caminhada pois há ônibus à tarde para retornar a Flåm e Aurland (veja os horários nas informações adicionais).
      Comecei a caminhar às 8h21, cruzei a ponte de madeira sobre o Rio Grøna, desci até o vale do Rio Grøndalagrovi e o segui para a esquerda (oeste). Descendo, passei por uma casa vazia à minha direita e cruzei um portão de ferro. Atravessei uma mata e às 9h12 cheguei a uma estradinha de terra, onde fui para a direita. Aparecem as primeiras casas. Às 9h18 alcanço uma estrada de asfalto após uma cancela e sigo para a direita, continuando pela esquerda na bifurcação. A rodovia 50 está a apenas 120m à esquerda da cancela e é possível tomar o mesmo ônibus que liga Ål a Flåm se for necessário. Me mantive na estrada principal e cheguei aos refúgios de Østerbø às 9h28. São dois, um ao lado do outro. O primeiro é o Østerbø Fjellstove, particular, e o segundo é o Aurlandsdalen Turisthytte, pertencente à DNT e do tipo staffed. A tão esperada trilha do Cânion Aurlandsdalen começa no meio dos dois.
      Por ser um sábado havia dezenas de pessoas iniciando a trilha, e até um grupo de voluntários (?) dando orientações. O caminho aponta para o norte ainda como uma estradinha de cascalho, que tomei às 9h50. Altitude de 833m. Numa curva de 180º para a esquerda cruzei a ponte sobre o Rio Langedøla e havia uma sinalização um pouco confusa. Não entrei na primeira trilha à direita com T vermelho pintado na pedra, continuei descendo a estradinha e entrei na trilha seguinte à direita também com T vermelho pintado, mas muito mais estreita que a primeira (aqui aparentemente os dois caminhos servem, o importante é se aproximar do lago e evitar as outras trilhas). Passei por mais uma casa à minha esquerda e comecei a contornar o bonito Lago Aurdalsvatnet pela margem norte e depois oeste. Aparece a primeira placa de marcação de distância, 18km para a frente (até Vassbygdi) e 1km para trás (desde os refúgios de Østerbø).

      Cânion Aurlandsdalen
      Quando deixo as margens do Lago Aurdalsvatnet no sentido oeste aparece um espaço plano e gramado ótimo para acampar. Até aí não havia visto nenhum lugar adequado para acampar e daí em diante apareceram bem poucos também pois o solo muitas vezes era de turfeira (?), fofo e úmido. A trilha percorre a mata exuberante, numa mudança significativa de ambiente em relação aos dois dias anteriores no alto da montanha. A placa de 17km se encontra sobre um portão de ferro e na descida seguinte a beleza de Aurlandsdalen começa a se mostrar. Um lindo lago bem abaixo espelha as montanhas verdejantes. A descida até a margem leste desse lago (Nesbøvatnet) foi por uma trilha íngreme beirando a ribanceira. 
      Aurlandsdalen é também uma trilha histórico-cultural e às 10h32 aparece a primeira placa com texto sobre a história e fotos antigas do lugar. Às 10h36 cruzei uma ponte de tábuas sobre um riacho e 2 minutos depois alcancei a casa Nesbø, às margens do Lago Nesbøvatnet, sede de uma fazenda do século 17. A trilha continua margeando o lago e às 10h49 alcanço uma bifurcação num local chamado Tirtesva. A trilha íngreme à direita sobe para outro caminho: Vassbygdi via Bjønnstigen, e uma placa alerta para o risco dessa rota já que cruza uma área de avalanches. Me mantive na trilha mais usada, que segue à esquerda, e uns 520m depois de Tirtesva cheguei a um bonito lago (uma extensão do Lago Nesbøvatnet). Parei para curtir o lugar e tomar água fresca do riacho ao lado. O gramado ali daria um bom local de acampamento também.
      Continuei às 11h19 e o lago se afunila num rio, que seguirei pela margem direita até o final do dia. Agora a sensação é de caminhar no fundo de um cânion mesmo, com a altas paredes se erguendo em ambos os lados. O rio e a vegetação das encostas ficam cada vez mais bonitos. Às 11h43 a trilha é um caminho estreito escavado no paredão de pura rocha. Um corrimão dá segurança nas partes mais estreitas (principalmente se houver neve). Às 11h52 surge abaixo o bonito Lago Vetiavatnet, o último grande lago dessa caminhada. 
      Às 12h05 alcancei uma bifurcação num lugar chamado Heimrebø. À esquerda se vai a Berdalen, que é um local a 370m dali na rodovia 50 onde passa o mesmo ônibus de Ål a Flåm. Segui à direita e a trilha faz uma grande curva embicando para o norte e se afastando muito da rodovia 50 (felizmente não mais visível após Østerbø). Às 12h47 vem da direita a rota Vassbygdi via Bjønnstigen, aquela iniciada em Tirtesva e que vem pelo alto. 
      Às 12h55 cheguei a um local com uma trilha saindo para a esquerda e uma movimentação de pessoas indo e vindo de lá - fui ver o que era. Caminhando cerca de 100m chega-se a Vetlahelvete, ou little hell cave, uma reentrância no paredão rochoso com um pequeno lago dentro e iluminação vindo da abertura no alto. Há um bonito mirante nas pedras mais altas do outro lado. Voltei à bifurcação, tomei um lanche e continuei descendo às 13h16. A marcação ali mostra que estou bem no meio do caminho: já percorri 9km e faltam 10km. Em 5 minutos tenho uma visão espetacular do cânion com o rio correndo lá embaixo e pessoas minúsculas ao longo da trilha bem ao lado do rio, ou seja, tinha uma descida bem grande pela frente. Às 13h24 parei para beber a água fresca de uma quedinha ao lado da trilha. Desci pela trilha em zigue-zague e às 13h46 já estava às margens do rio, onde algumas pessoas mergulhavam e logo saíam pois a água devia estar bem fria. 

      Fazenda Sinjarheim
      Às 14h08 uma nova bifurcação. À esquerda se vai a Stondalen, que é outro local na rodovia 50 onde passa o ônibus de Ål a Flåm, outra rota de fuga, porém essa bem longa (7km). Vou à direita e em 5 minutos avisto, pendurada na enorme encosta, a Fazenda Sinjarheim, principal ponto de parada nesse trekking. Cruzo uma ponte de madeira sobre o riacho que vem de uma imensa cachoeira despencando do paredão e às 14h30 chego à fazenda. Casas de madeira com vegetação sobre o telhado e anunciado apenas em norueguês (demonstrando que poucos estrangeiros passam por ali): "sal av kaffi og mjelkekaker - kom inn", "venda de café e bolo de leite - entre". Muita gente ali descansando e se recuperando do calor pois já estávamos a 591m de altitude e a temperatura havia aumentado com a descida e por causa do horário. Muito calor para os noruegueses pois para mim estava bem agradável. Saindo da fazenda às 14h51, a descida se tornou bastante íngreme e às 15h10 já estava próximo ao rio de novo. Após duas casas de madeira, num local chamado Almen, olhei para trás e o cenário era espetacular, com duas grandes cachoeiras brotando dos paredões, último cenário de tirar o fôlego desse trekking.
      Quando vi os horários de ônibus em Østerbø pensei em tomar o das 19h para Flåm, o último. Mas pelo avanço rápido que vinha fazendo após entrar na mata resolvi apertar um pouco o passo e ver se conseguia pegar o das 16h40. A descida terminou numa clareira às 16h03 e 8 minutos depois alcancei um final de estrada de cascalho, continuando em frente, sempre pela margem direita do rio. Estava apressado por causa do horário do ônibus mas não resistia a comer as framboesas próximas à cerca à direita da estradinha. Para trás me despeço dos grandes paredões do Cânion Aurlandsdalen. Continuando sempre em frente me aproximo das primeiras casas de Vassbygdi e finalmente chego ao ponto de ônibus, em frente a uma lanchonete, às 16h27, e estava lotado. Altitude de 89m. O ônibus apareceu no horário e somente uma parte daquele povo todo o tomou pois a maioria esperava o ônibus de volta a Østerbø, onde deixaram seus carros. A viagem a Flåm durou 30 minutos e percorreu o maravilhoso fiorde Aurlandsfjorden. Em Flåm acampei no Camping e Hostel HI.

      Cânion Aurlandsdalen
      Informações adicionais:
      . para saber os preços de hospedagem e refeições nos refúgios da DNT consulte os valores atualizados em english.dnt.no/routes-and-cabins. Para se tornar membro da DNT e ter descontos o valor da anuidade é NOK 695 (US$ 84), valor de 2019 para adultos de 27 a 67 anos.
      . Camping e Hostel HI em Flåm: NOK 160 (US$ 19,34) para uma barraca com uma pessoa. A ducha quente custa NOK 20 (US$ 2,42) a cada 6 minutos (funciona com moeda ou ficha comprada na recepção). O hostel estava lotado no início de agosto. Site www.hihostels.com.
      . mapa do parque com as trilhas e refúgios: ut.no/kart
      . a temperatura mínima durante a noite fora da barraca foi 7ºC
      . para planejar qualquer viagem de ônibus, trem ou barco na Noruega: en-tur.no (clique em Meny e selecione English)
      . ônibus de Vassbygdi a Aurland e Flåm: 10h20 (sáb e dom), 14h10 (diário), 16h25 (sáb e dom), 16h40 (diário), 19h (diário) (horários de julho e agosto de 2019)
      . trens na Noruega: www.vy.no/en
      . não há supermercado nem em Finse, nem em Vassbygdi e em nenhum lugar desse percurso. Só há mercado em Aurland e Flåm, alcançadas de ônibus a partir de Vassbygdi. Só há refúgios do tipo staffed (da DNT) e particulares nesse caminho e eles não vendem comida para preparar (apenas guloseimas), mas servem café da manhã e jantar.
      . roteiro adaptado a partir das informações do guia Walking in Norway, de Connie Roos, Editora Cicerone
      Rafael Santiago
      agosto/2019
      https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
    • Por rafael_santiago
      Pico Hårteigen
      Início: Odda
      Final: Finse
      Duração: 7 dias
      Maior altitude: 1508m
      Menor altitude: 0m em Odda
      Dificuldade: média para quem está acostumado a longas travessias com mochila cargueira. Alguns dias apresentam subidas e descidas mais longas. O único grande desnível é o do 1º dia (1445m).
      Hardangervidda é o maior platô de montanha do norte da Europa (vidde = platô). Nesse lugar tão singular foi criado em 1981 o Parque Nacional Hardangervidda, que é o maior da Noruega e refúgio de um dos maiores rebanhos de rena selvagem do mundo. O parque se situa ao sul da famosa estrada de ferro Oslo-Bergen, numa distância aproximada (em linha reta) de 180km de Oslo e 120km de Bergen. 
      Essa caminhada foi planejada para durar 10 dias, cobrindo, além do Hardangervidda, também o Parque Nacional Hallingsskarvet e o Cânion Aurlandsdalen, porém a chegada da chuva me fez interromper o percurso no 7º dia. A previsão do yr.no acertou e choveu ainda mais dois dias. Retomei a caminhada no dia 01/08 (relato em www.mochileiros.com/topic/89261-travessia-do-parque-nacional-hallingsskarvet-e-cânion-aurlandsdalen-noruega-ago19).
      O problema do trekking na Noruega (e na Suécia) é justamente o alto índice de chuva. Pelo menos para nós brasileiros, que não estamos acostumados a caminhar vários dias embaixo de chuva, porém para os noruegueses isso não tem a menor importância. Eles vão para a trilha com chuva ou sem chuva. Eu tive cinco dias seguidos de sol nesse trekking e isso foi uma tremenda sorte.
      A melhor época para o trekking nos parques da Noruega é o verão, com temperaturas mais agradáveis (não tão frio) e menos neve pelo caminho. Justamente nessa época os refúgios do tipo staffed permanecem abertos. No início de junho deve ainda haver neve do último inverno dificultando a caminhada. O guia Walking in Norway, de Connie Roos, sugere fazer a travessia do Parque Nacional Hardangervidda depois de 10 de julho.
      Outro fator que dificulta o trekking por lá é a quantidade de pedras pelo caminho, às vezes são áreas extensas só de pedras, o que é bastante cansativo e obriga a caminhar com mais atenção para evitar uma queda ou torção. 

      Lago a 1194m de altitude no 6º dia de caminhada
      Em toda a Noruega, a DNT (Den Norske Turistforening = Associação Norueguesa de Trekking) (english.dnt.no) é a associação responsável pela manutenção das trilhas, pontes e refúgios de montanha. Os refúgios da DNT são de três tipos: self service, staffed ou no-service. Além dos refúgios da DNT há refúgios particulares.
      1. Nos refúgios self service você pode utilizar a cozinha para preparar as refeições, comprar a comida disponível se não tiver a sua própria e dormir nos beliches em espaços compartilhados. Antes de sair deve deixar tudo em ordem (lavar, secar, arrumar tudo, varrer o chão) e preencher o formulário de despesas. A conta será enviado para o seu e-mail tempos depois. Visitas diurnas (day visit) para descansar, comer ou apenas se aquecer devem ser pagas.
      A hospedagem para não-membros neste tipo de refúgio custa NOK 390 (US$ 47,14) e o day visit até 18h custa NOK 90 (US$ 10,88). Após 18h a visita deve ser paga como uma hospedagem. Sim, tudo na Noruega é muito caro!
      Os refúgios self service podem ter guarda ou não na alta temporada. Eu conheci nove refúgios nesse trekking, apenas dois deles eram não-guardados. Nesses vale ainda mais a confiança de que o hóspede está pagando por tudo o que utilizou.
      A DNT tem uma chave (fornecida somente aos membros) que abre a porta dos refúgios não-guardados, mas nesse trekking eu não encontrei nenhum refúgio trancado.
      2. Os refúgios staffed (com funcionários) são hotéis de montanha. Neles você tem café da manhã e jantar disponíveis e não é permitido usar a cozinha. De comida para vender costumam ter apenas lanches de trilha básicos, como chocolates.
      A hospedagem para não-membros neste tipo de refúgio custa NOK 286 (US$ 34,57) em dormitório. Consulte english.dnt.no/routes-and-cabins para outros preços.
      3. Os refúgios no-service são do mesmo estilo dos self service porém não têm comida. Não cheguei a conhecer nenhum refúgio desse tipo nos trekkings que fiz na Noruega.
      Os refúgios particulares são também hotéis de montanha e têm tabelas próprias de preços.
      Para quem está com barraca, nos parques da Noruega vale mais ou menos a regra do "allemannsretten" ou direito de andar (ou direito de acesso), que diz que é permitido acampar em qualquer lugar a mais de 150m de uma casa, desde que não seja uma área cultivada ou haja uma placa de proibição. Digo 'mais ou menos' porque vi isso valer apenas nos refúgios self service; nos refúgios da DNT do tipo staffed eles pediam para acampar (gratuitamente) bem longe, fora da visão do refúgio. Acampar perto do refúgio DNT staffed custa NOK 100 (US$ 12,09) e dá direito de usar o banheiro e a sala de estar. Para mais informações sobre o "allemannsretten": www.visitnorway.com/plan-your-trip/travel-tips-a-z/right-of-access
      O uso do banheiro para quem está acampando (ou apenas de passagem) é livre nos refúgios self service e costuma ser cobrado nos refúgios DNT staffed e particulares (ou gratuito se consumir alguma coisa). Nos self service o banheiro é do tipo seco, uma casinha separada, com uma bancada e o assento sobre ela. Muitas vezes o assento e a tampa são de isopor e há uma outra tampa de madeira para colocar por cima. Costumam ter papel higiênico. Nos staffed é um banheiro normal e interno.
      Não há problema de escassez de água nesse percurso e nem todos os riachos e fontes estão descritos no texto pois são muitos.
    • Por BRviagens
      Olá, boa noite.
      Bom galera, a minha dúvida pra escolher o destino de viagem para o ano de 2020 continua. Pesquisando sobre a Suécia e vi apenas elogios sobre o país, até o momento, 0 comentários ruins. O que aparentemente fortalece numa viagem pra Suécia, é que você não é dependente do euro, podendo comprar a moeda local, que em questão de valores, é bem mais barato que o euro. Eu ficaria 1 semana em Estocolmo, e com tudo pago (Passagem de ida e volta e hospedagem). Qual a dica que vocês poderiam me passar?
    • Por casal100
      Resolvemos, dessa vez, fazer alguns roteiros distintos: beira-Mar, trilhas em montanhas e travessia.
      Começamos por Ubatuba, foram 10 dias de caminhada, por algumas das principais praias; depois pegamos nosso veículo e fomos fazer alguns roteiros em Extrema-MG e, por último,  a grata surpresa: TRAVESSIA DA SERRA DA CANASTRA-MG, que lugar maravilhoso: belas cachoeiras, trilhas fortes, flora e fauna exuberante, povo amigável, queijos deliciosos(alguns entre os melhores do mundo na sua categoria) sem contar a culinária mineira. Tudo de bom.
    • Por casal100
      Fizemos a maioria dos caminhos que passam pela Serra da Mantiqueira(Estrada Real, Caminho da Fé, Crer....), alguns mais de 1 vez.
      É quase unanimidade entre os caminhantes que, indiscutivelmente, a Serra da Mantiqueira têm as mais bonitas paisagens e, nós concordamos integralmente. São caminhos que proporcionam lindas fotos,  clima agradabilíssimo, povo acolhedor e simpático, ingredientes que definiram esse roteiro.
      Foram quase 50 dias e mais de 1.100 quilômetros de muitas alegrias, felicidade e paz,  poucas tristezas e decepções.
      Começamos e terminamos na MAGNÍFICA cidade de Campos do Jordão-SP, depois de rever vários lugares (passei alguns invernos nesta bela cidade, quando eu era "bacana"). A cidade se transformou,  criaram vários roteiros turísticos, belas e caras casas dos novos e velhos "bacanas", ótimos restaurantes, atrações mil,  pousadas e hotéis de todo tipo e preço, tem até o refúgio do peregrino, comércio bom, povo hospitaleiro, clima perfeito e, ainda por cima fomos no verão,  baixa temporada,  onde com facilidade encontramos boa hospedagem com preços menores que muitas hospedagem em cidades pequenas.

      Outra coisa que pesou em escolher fazer essa travessia é que a região se assemelha muito com um projeto que temos em mente, que é a travessia entre Punta Arenas x Arica no Chile,  então serviu como treinamento.


×
×
  • Criar Novo...