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Safari, Kilimanjaro e Zanzibar - Parte II


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Subida do Kilimanjaro - Rota Machame

 

Essa é a continuação da viagem que fizemos: eu, Debora e Lonise para a Tanzânia em outubro de 2012.

12/10 - Chegamos de carro à tarde em Moshi, depois de algumas horas saindo de Arusha, onde encerramos o nosso maravilhoso safari. Moshi é uma pequena cidade há 1300m de altitude aos pés do Monte Kilimanjaro ( maior montanha do continente africano) . É de lá que partem as expedições dos turistas que pretendem subir a montanha. Da estrada vimos a base do Kilimanjaro e imaginamos seu cume, já que só conseguíamos visualizar nuvens à partir da metade dele. De longe , o nosso desafio de alcançar o cume parecia fácil ( essa conversa ficou gravada em um vídeo que fizemos ).

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Depois de nos acomodarmos no Hotel Buffaro, padrão mega simples combinando com a cidade, porém bem localizado, tivemos uma reunião com o pessoal da agência e conhecemos nosso guia Lymo que nos levaria com êxito ao cume do Kili. Esse homem baixo, magérrimo, sem um dente da frente(depois soubemos que faz parte da sua religião) e falando um inglês precário, era a pessoa que confiaríamos nossas vidas pelos próximos 7 dias. De novo reorganizamos nossas mochilas, levando somente o mínimo necessário para a expedição.

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13/10 – Moshi – Machame Village – Machame Camp - Partimos de van de Moshi até a Machame Village, entrada do Kilimanjaro National Park, onde todas as expedições aguardam pela liberação da papelada exigida para a subida. É necessário contratar uma expedição para entrar no Parque. No nosso caso, optamos pela Rota Machame, e nosso staff eram 9 pessoas para nós 3 ( guia, auxiliar de guia, cozinheiro, auxiliar de cozinheiro e carregadores – porters). Esses últimos são permitidos carregarem no máximo 25kg .

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No caminho até o parque, varias paradas para comprar os alimentos (carne, frango, legumes, frutas) e 3 guarda-chuvas (pasmem!!!) Depois soubemos da grande importância desse “equipamento” que manteve nossas cabeças secas durante os 2 primeiros dias da subida onde chove frequentemente. Na chegada da Machame Village, muitas pessoas nos abordando querendo vender materiais semi usados para a expedição , desde sleeping bags até calças impermeáveis e casacos. Tínhamos trazido todo o material do Brasil, escolhidos à dedo por peso e técnica.

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Iniciamos a caminhada até o Machame Camp (3000 m de altitude) e levamos 4:30hs. Muita subida e chuva nesse dia. Paramos para almoçar um feijão com arroz frio servidos na chuva. Só carregávamos nossa mochila com o bastão de caminhada em uma mão e o guarda-chuva na outra . Chegamos no camping completamente molhadas e com muito frio. Nossa barraca mínima para 3 pessoas e muita confusão para encontrar as coisas, trocar de roupa, fazer a higiene, organizar os espaços. Os banheiros foram um capitulo à parte, químicos, estilo casinha com um buraco no chão, somente usávamos em ultimo caso. Eram poucos para todos os que estavam no camping. Uma boa dica é levar uma cordinha e prendedores para usar como varal dentro da barraca para pendurar as roupas molhadas. Nossas bagagens carregadas pelos porters molharam durante a subida , por isso revisem bem a bolsa impermeável se funciona mesmo. A nossa não funcionou. Tínhamos uma barraca só para as refeições, apertadinha mas aconchegante, depois de tantas horas caminhando na chuva ,importantíssimo também é levar uma papete ou croks para colocar com meias depois da caminhada. Assinamos o livro do camping . O certificado só é dado se todos os campings estiverem devidamente assinados.

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14/10 – Machame – Shira Camp - 6km ( 9:00hs até 14:20hs ) subindo até 4.200m de altitude e descendo para o camping a 3.840m. Nesse dia de novo muita subida com chuva .

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Passamos por um penhasco ( Shira Cathedral ) onde inclusive já morreram várias pessoas ( ficamos sabendo depois , é claro!) . Nossa barraca foi montada no camping na beira de um barranco com uma linda vista do mar de nuvens e um colorido por do sol. Parecia o visual da janela de um avião. De um lado o Monte Meru (4.565 m de altitude) e do outro lado o imponente Monte Kilimanjaro (5.986 m de altitude) iluminado pelo por do sol. Que momento !!

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Nessa noite nossa barraca ficou coberta de gelo ( - 3ºC). Conseguimos também nos organizar melhor no pequeno espaço da barraca, que nos mantinha aquecidas dentro dos nossos sleeping bags.

 

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15/10 Shira – Barranco – 10 km ( 10:00hs até 17:45hs). Foi o primeiro dia de sol que tivemos desde que começamos a trilha. Tomamos café da manhã ao ar livre enquanto colocamos nossas roupas e equipamentos para secar no sol. Conselho: coma tudo o que lhe servirem nas refeições , com certeza essa energia será necessária para sua boa performance durante a expedição e principalmente tome muito líquido para evitar o mal da altitude. Os guias , aparentemente pessoas simples, são experts e muito treinados e sábios na logística da subida do kili.

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Muita subida de novo e muito frio. Paisagens bem diferentes, muitas pedras com formatos estranhos e poucas plantas , tipo bromélias. No final descemos lentamente e vimos muitas pessoas passando mal por causa da altitude, inclusive porters de outras expedições . Dor de cabeça, enjoo e vômitos são os sintomas principais. Nós 3 não tivemos nenhum desses sintomas, a não ser muito cansaço devido a falta do oxigênio, o que nos obrigava a fazer tudo muito lentamente. Acampamos no Barranco Camp (3.950m de altitude)

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16/10 Barranco Hut – Karanga Valley - 4,5 km ( 10:20hs até 15:20hs) Nesse dia sol de novo, com um visual incrível, aos pés do Kilimanjaro.

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Caminho lindo com subidas e descidas, passando por cachoeiras de degelo. Passagem pelo Barranco Wall, um paredão em que tínhamos que caminhar uma por uma grudadas nas pedras, com um penhasco atrás. Somos mais de 400 turistas subindo em direção ao cume do Kilimanjaro e mais de 3.000 contratados, entre guias e porters. Tinham pessoas de todas as idades e nacionalidades. Havia um grupo de holandeses que todos os dias iniciava a trilha cantando e estavam subindo o Kilimanjaro para angariar fundos para instituições carentes. Um outro casal com idade próxima aos 70 anos, seguia mais lentamente com seu guia os mesmos passos que a gente trilhava.

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Quando chegamos no camping Karanga Valley Camp nosso staff nos recepcionou cantando e batendo palmas. Foi emocionante, misto de cansaço e alegria, choramos , é claro !!. Estávamos completamente entregues àquelas pessoas que mal conhecíamos e tão pouco conseguíamos nos comunicar. Dormimos a 4.200m de altitude, onde cada movimento era muito cansativo. Muito frio também.

17/10 Karanga – Barafu – 4,5 km em 3hs30 min ( 10:00hs até 13:30hs ) Muita subida, descida, e subida novamente. Isso é necessário para a melhor aclimatação , evitando os sintomas do mal da altitude. Ficamos sabendo que 42 pessoas já desistiram de subir ao cume e desceram. Seguimos firmes, muito cansadas, mas inteiras. No caminho encontramos muitas pilhas de pedras que representam cada grupo de expedição que está subindo a montanha. Fizemos a nossa pilha com 4 pedras : O guia Lymo e as 3 “mamas”, que era como eles nos chamavam.

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Ao chegarmos no camping Barafu Camp (4.700m de altitude) e último acampamento antes do cume do Kili, nos deparamos com a cena de um corpo sendo resgatado da montanha. Um americano de 45 anos havia morrido com uma crise de asma na noite passada, ao tentar fazer o cume . Ficamos totalmente paralisadas, com muito medo pelas nossas vidas. Muito cansadas , assinamos o livro e tivemos a ultima reunião antes da subida ao cume naquela próxima noite.

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O guia Lymo mudou seu semblante alegre e sereno dos dias anteriores e seriamente nos passou as instruções que deveríamos seguir à risca à partir daquele momento ( No joke !!! No blá-blá-blá !!) Deveríamos almoçar, dormir até o horário do jantar ,as 18:00hs e deixar todo o material organizado para a subida ao cume. Levaríamos somente as roupas mais quentes, algum alimento rápido(chocolate, passas, castanhas), maquina fotográfica, lanterna de cabeça . Poderíamos carregar uma pochete ou uma pequena mochila de ataque. Só os guias subiriam com a gente até o cume, levando chá quente, pois a água congelaria no frio que chegava a – 15ºC. Tentamos dormir, mas a excitação pelos momentos que se seguiriam não nos deixou relaxar . As 18:00 hs jantamos e vestimos as diversas camadas de roupas para combater o frio e o vento . As 22:00hs iniciamos a subida ,a passos lentos ,em uma fila indiana que serpenteava a montanha com seu rastro de luzes das lanternas de cabeça de todos os que tentariam alcançar o cume naquela noite. Foi uma noite e uma subida intermináveis. Todo o tempo no escuro, subindo muito lentamente, ofegantes e apavoradas, sem saber como seria o passo seguinte. Alcançamos o Stella Point ( 5.756m de altitude) as 6:00hs da manhã seguinte.

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Dali, mais 30min caminhando os últimos metros de pouco aclive entre as neves perenes do Kilimanjaro até chegar ao Uhuru Point ( 5.986m de altitude) .

O sol nascendo sobre um oceano de nuvens foi incrível, meio surreal, inexplicável. As cores do sol refletiam naquela imensidão branca, tingindo aquele ambiente frio e monocromático da montanha. Mil emoções invadem a gente : alegria, alivio, choro, frio, cansaço e principalmente o sensação de superação, de força, de vitória. Estar no topo da África era o máximo !!!

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18/10 - Cume do Kilimanjaro ( 5.986m de altitude) - Depois de muitas fotos com os dedos congelando e beber um pouco de chá quente, começamos a descer.

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Mais de 3 hs escorregando montanha abaixo com muito pó e o sol cada vez mais quente ( esse é um dos motivos porque se sobe à noite) . Fomos tirando as camadas de casacos e quando chegamos no camping só tivemos tempo para descansar algumas horas, comer algo e arrumar as mochilas para continuar a descer. Não é recomendado ficar muitas horas em tal altitude (4.700 m) .Saímos do camping as 14:30hs e caminhamos até o Mweka Camp ( 3.096m de altitude) chegando as 18:00hs. Depois de tantas horas descendo, as pernas se movimentam no automático e os joelhos e as unhas dos pés nos massacrando de dor. Jantamos, negociamos as tips do nosso pessoal e desmaiamos naquela que seria a última noite em nossa barraca.

19/10 Mweka – Mweka Village- Moshi - 10 km ( 3 hs) - O ultimo dia foi light, só descida por um caminho de pedras com degraus, praticamente uma calçada e nós passeando . Pegamos ainda um pouco de chuva ao atravessar a floresta tropical que circunda toda a base do Kili. Os porters descem praticamente voando esses últimos quilômetros, quase sem peso e loucos também para chegar em casa. Colocamos camisetas do Brasil e notamos como somos populares pelo futebol. Todos que passavam por nós falavam algo : Brasil, Ronaldinho, Roberto Carlos . Chegamos na base , assinamos o ultimo livro e recebemos o merecido Certificado entregue pelo nosso guia Lymo em uma pequena confraternização num boteco da vila. Só alegria. Cantamos as músicas que eles nos ensinaram em Suahili durante a trilha, e finalmente nos despedimos do pessoal com a sensação de dever cumprido ,com certeza de ambas as partes !!!

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Entramos na van rumo a Moshi : arrumar as malas, banho e roupas limpas finalmente . Saímos ainda para comprar algumas lembrancinhas , e depois nos conectamos à internet para darmos as boas noticias as nossas famílias, da nossa bem sucedida aventura. Posso garantir que todos estavam muito apreensivos sem noticias nossas todos esses dias. Aqui terminava mais um capítulo da nossa viagem, e no próximo dia estaríamos voando para o paraíso de Zanzibar.

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  • 4 semanas depois...
  • 5 meses depois...
  • 2 semanas depois...
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ola, gostaria de ler sobre o zanzibar, não achei

 

pode me tirar umas dúvidas?

na Machame Village, onde vendiam coisas usadas, o preço era bom?

quero MUITO subir o kili, mas o preço dos equipos é assustador,

(um casaco waterproof e windproof é 500 reais - o mais simples)

sem falar na propria subida que é caríssima

 

como foi a contratação da agencia que vcs foram? foi tudo por aquela it started in africa?

se não for incomodo, vc poderia me dizer qto que vcs pagaram por pessoa (para o kili)?

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  • 2 semanas depois...
  • Colaboradores

Parabéns, que relato bacana! Estou estudando a subida agora em Junho e queria saber com vocês como foi a seleção da rota e da agência.

 

Os equipamentos entendo que compraram tudo no Brasil, mas repito a pergunta do Jon aí em cima. Chegaram a ver se tem coisas interessantes em na cidade?

 

Outra: o último dia realmente foi de 22h às 06h, descida pro camping e depois descenso de 14:30 até 18h ?!? Era a única opção? Parece puxadíssimo.

 

Abraço!!

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  • 4 anos depois...
  • Membros

Que belo relato,  @heloslduarte !
Como estou me preparando para passar o reveillon no Kilimanjaro (também pela rota Machame), fiquei ainda mais entusiasmado com sua conquista. Deixa eu aproveitar e tirar uma dúvida com vcs, que já estiveram por lá. 
Para passar a noite no Teto da África, tenho os seguintes equipamentos:

  • Saco de dormir Deuter Orbit -5°
  • Liner Premium Fleece Mummy da Sea To Summit
  • Isolante Térmico da Sea to Summit Comfort Light Insulated (R value 4.2)

Será que estes três equipamentos conjugados (isolante + liner + saco de dormir) dão conta do frio do Kilimanjaro? Parece que no pernoite de maior altitude pode fazer entre -15°C a -27°C do lado de fora da barraca...
Em caso negativo, o que vc me sugere??
 

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