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http://jorgebeer.multiply.com/photos/album/200/Travessia-Pico-Ruivo-Arieiro

 

TRAVESSIA NO TETO DA MADEIRA

C/ tamanho 4 vezes o de Ilhabela e distante apenas 500km da África, a Ilha da Madeira é uma porção rochosa encravada no Atlântico repleta de encostas floridas q se contrapõem à escarpas de respeitáveis desníveis e enormes montanhas de origem vulcânica. O clima e a paisagem são de eterna primavera; sua mata nativa, a laurissilva, foi declarada Reserva da Biosfera. E aproveitando uma breve passagem pelo arquipélago, não hesitei conhecer td isso pelas inumeras "levadas" q circundam a ilha principal, um emaranhado de trilhas formadas pelos aqueodutos construídos no inicio da colonização portuguesa, no séc. 15. Entre elas, a puxada travessia de crista dos maiores picos da Madeira, o Areeiro e o Ruivo, q nos brinda c/ panorâmicas soberbas do maciço central da ilha, 2mil m acima do nível do mar. Somente assim p/ conhecer esta pérola portuguesa q encanta os europeus desde q a elite inglesa a elegeu seu refugio de verão. E descobrir q a ilha tem mais a oferecer q seu bom vinho aos novos visitantes.

 

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Levantei preguicosamente as 7hrs, ainda sob efeito da ressaca da noite anterior. As noitadas portuguesas até q são animadas, mesmo q embaladas c/ goles de cerveja Coral, abisinto e toneladas de tremoços. Deixei entao meu pouso p; ganhar as ruas de Funchal, a capital da Madeira, ainda numa fria escuridão. Passando pela face moderna e sofisticada da cidade, assim como pelo seu belo centro histórico, um precioso emaranhado de ruelas íngremes e casario do séc. 18, não é a toa q Funchal ganhou a alcunha de "Pequena Lisboa". Os poucos transeuntes q andarilhavam àquelas horas não tiravam os olhos da minha cargueira nos ombros. Cargueira? Sim, as dicas davam conta q a pernada daquele dia seria apenas bate-volta. Entretanto, como estava fora do meu habitat e as infos eram desencontradas, levei td equipo no caso de qq imprevisto. Mesmo já ciente q na região é proibido o camping selvagem, pois td o maciço central faz parte, em tese, do Parque Natural da Madeira, q abrange 2/3 da ilha.

 

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Cheguei entao na Praça Autonoma, rente à orla, e me prostei na fila do pto à espera do "autocarro" Funchal-Boaventura (via São Vicente), q é como aqui eles chamam nosso tradicional busão. Enqto checava pela enésima vez as tralhas da mochila, chegou o busao. Enfim, saimos de Funchal pontualmente as 7:30, inicialmente atraves da avenida principal, p/ depois tomar a sinuosa estrada q costeia praticamente td a orla sentido oeste. O dia começava a amanhecer qdo chegamos na Câmara dos Lobos, 10km depois, c/ o sol se derramando pela simpática vila de pescadores c/ casario bem tradicional, q foi um dos primeiros assentamentos da ilha. A viagem prossegue tranquila, sempre costeando sinuosamente a orla, ora com poucos desníveis ora beirando enormes penhascos q caem vertiginosamente à nossa esquerda. Como o famoso Cabo Girão, um penhasco de quase 500m q tem o titulo de maior da Europa e 2ª do mundo! C/ esta bela paisagem costeira, quem precisa de praia, não?

 

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Chegamos, 30km depois, à Ribeira Brava, uma simpática vila detentora do balneário local, mas q ao invés de areia fina, clara e fofa, sua praia é forrada de pedregulhos vulcânicos. P/ quem ta habituado as praias do litoral norte paulista é estranho, mas é o "must" do povo daqui. Daqui, o busao toma rumo norte, indo p/ centro da ilha. Vagarosamente, o coletivo ganha altitude atraves das encostas de serra e logo nossas vistas vão se tornando mais amplas. E mais interessantes. O soninho inicial dá lugar à beleza e grandiosidade do sol banhando o alto dos imponentes penhascos e precipicios q se debruçam em fendas e inúmeros vales à minha direita.

As 9:30 salto num local denominado Encumeada, já na cota dos 1000m, q nada mais é q um enorme e vasto selado q liga a Costa Sul (Ribeira Brava) e a Costa Norte (São Vicente) da ilha. Aqui é apenas um pto de passagem, com algumas poucas vendinhas ainda fechadas e "miradouros" (tecla SAP: mirantes), q oferecem uma bela paisagem do mar do norte e do sul, bem como da crista da cordilheira q atravessa o interior da ilha. O nevoeiro por entre as poucas arvores na zona de lazer dava um ar misterioso e algo magico. Não havia absolutamente ninguém aqui, sensação q cresceu qdo vi o busao se perder montanha abaixo. Pois bem, da Encumeada partem varias picadas pra diversos pto da ilha e uma lacônica placa, q faço questão de transcrever, não deixa a desejar em nada as placas informativas do Ibama, embora alguns itens figurem em grego pra mim, e não portugues:

 

"Normas de Conduta do Bom Caminheiro:

-Mantenha-se dentro do trilho -Evite ruídos e atitudes que perturbem o meio ambiente -Não recolha nem danifique plantas -Não perturbe os animais -Não abandone lixo (não deite lenços de papel no chão, a sua decomposição é muito lenta) -Não faça lume -Se é fumador, não deite as beatas no chão, guarde-as para colocar no caixote do lixo -Não destrua ou modifique a sinalética

Para sua segurança:

-Não caminhe só, leve sempre companhia -Recolha previamente informação actualizada sobre o percurso -Informe sempre alguém do trilho que vai fazer e hora prevista da chegada -Certifique-se do tempo de caminhada e garanta que a finaliza antes de anoitecer -Transporte alguma comida e água de reserva -Utilize roupa e calçados apropriados -Se possível leve um telemóvel consigo -Em caso de fortes chuvas e ventos não faça o percurso ou volte para trás pelo mesmo caminho -Não corra riscos"

 

Pois bem, devidamente munido de infos e me fiando principalmente da (boa) sinalização das trilhas, me lancei numa picada a beira do asfalto q subia um 1º ombro de serra, atraves de uma vegetação arbustiva q lembra muito os campos de altitude + espesso, de Itatiaia. Mesmo inicialmente encoberto de neblina, este comecinho de pernada não ofereceu maiores dificuldades pois a trilha é bem batida, obvia e tem alguma precária sinalização. No entanto, há picadas menores q se entrecruzam q podem gerar duvida, mas se vc tem noção de direção e se manter na principal não tem erro. O sol queria aparecer por entre as nuvens. A claridade assim o anunciava. E foi o que aconteceu. Já de inicio c/ vistas arrebatadoras sobre o Vale de São Vicente, alem de uma barraca enfiada no meio de uma encosta, sinal q não era o único q curte acampar nas montanhas e q "dar cambau" é pratica bem corriqueira, inclusive na Europa!

 

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Subindo sempre compassadamente a encosta das enormes montanhas, deixamos pelo caminho os picos do Meio (1281m), Encumeada (1331m) e Ferreiro (1582m), sempre sentido leste. Nestes dois primeiros a vereda caminho atravessa capões de mata nativa, uma tal de Laurissilva, espécie de floresta umida constituída por árvores e arbustos de folhas planas, por fetos, musgos, líquens, hepáticas e outras plantas de pequeno porte, aqui materializada de belos exemplares de tis, loureiros, folhados, sanguinhos, massarocos (q mais lembram um cacto-cor-de-rosa) , orquídeas da serra e estreleiras (flor simbolo da ilha), entre azaléias, magnólias, bromelias e orquideas. Ao longo do trilho, me deparo também algumas furnas escavadas nas próprias rochas que antes serviam de abrigo aos homens que caminhavam com o objetivo de cortar madeira p/ ter lenha ou carvão vegetal. Qq semelhança c/ o desmatamento colonial da nossa Serra do Mar não sera mera coincidência.

 

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Após árdua e íngreme subida, alcançamos o alto do Pico do Jorge (1697m), onde é facil vislumbrar a foz da Ribeira dos Socorridos e a Igreja de São Martinho. Dali passamos pra outra encosta do maciço e inicia uma longa e íngreme descida até à Boca das Torrinhas, localizado no alto do pico homônimo (1538m). Ali, cruzamos c/ outra picada maior perpendicularmente, q liga o Curral (sul) à Boaventura (norte), e foi aqui meu primeiro e breve pit-stop p/ retomada de fôlego, mas não apenas pelo cansaço mas tb em virtude do fantástico visu q se descortina a nossa frente. Neste local a vista sobre o Curral das Freiras é soberba, e abismal é a palavra certa para descrever a diferença entre as duas camadas vegetais caindo das distintas vertentes da cordilheira, sendo o norte mais rico em espécies e densidade vegetal. Curral das Freiras deve te sido enorme cratera do vulcão da ilha e atualmente é um dos maiores e fundos vales da Madeira.

 

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A seu tempo e s/ grandes pressa, dou continuidade a pernada, alternando o passo em subidas e descidas bem acidentadas. Passo pelo Pico Coelho (1719m) e o Pico da Lapa da Cadela (1667m), ate finalmente dar no pto mais alto da ilha. Isto é, no alto dos 1862m do Pico Ruivo, após sofridos 16 km de vereda e quase 800m de desnível! Ganha a batalha as 13hrs, foi com muito gosto q me fundi à mescla de nacionalidades presentes na forma de vários outros turistas, envolto num reboliço poliglota que deixava no ar o burburinho semelhante ao dum centro cosmopolita. Noutras, muvuca, principalmente perto de uma casinha de pedras q serve de Refugio. Teve ate um tiozinho alemao q apontou pra estampa na minha blusa e disse, num sofrível português arrastado: "Florrrianópolis? Serrr brrrasileiro? Eu estarrr lá ano passado!". O tempo tava esplêndido! Sol, paisagem linda até o final da pernada, c/ td crista de serra se estendendo sinuosamente p/ sul, rumo o Pico Areeiro. Eventuais nuvens conferiam a paisagem um charme especial c/ um mar de nuvens de sobrepondo as águas do Oceano Atlântico, ao fundo. Perto do Refugio tb existe uma picada que dá acesso à Achada do Teixeira (nordeste) e é aqui que pode visitar o "Homem em Pé", uma formação rochosa basáltica que se assemelha à forma de um homem em pé.

 

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Pois bem, estava no meio da travessia e ciente q não haveria necessidade de pernoite, pois faltavam apenas 7km pro final. Menos mal, embora já começasse a sentir o peso da cargueira nos ombros àquela altura, e minhas pernas já estavam bambas. A partir dali a pernada deixaria as matacoes de laurissilva e se dá, agora sentido sul, atraves de um 2º ecossitema predominante da ilha, o maciço montanhoso. Este trecho lembra muito um mix de Peterê, Marins-Itaguaré e Trilha Inca, guardadas as devidas proporções, claro!

Deixei o pico Ruivo meia hora depois, objetivando o 3º pico mais alto da ilha, o Pico das Torres. Pra isso a picada desce interminavelmente em meio à uma encantadora mata de belas urzes da Madeira, plantas endêmicas q reluzem a luz do sol em diversas formas e cores. Musgos, rosetas, gramíneas verde-acinzentadas, estreleiras brancas, violetas e orquídea-das-rochas são tb outras das espécies que aqui se avistam facilmente.

 

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Ainda pela crista e sempre se aproximando do enorme e imponente maciço do Pico das Torres (1851m), a picada deriva suavemente p/ encosta esquerda da serra, de modo a contornar a enorme montanha. Em alguns trechos + estreitos da trilha e q beiram verdadeiros penhascos abertos, temos o auxilio de precária varandinha e de vários degraus na rocha. Daqui se tem um belo visual de várias nascentes despencando montanha abaixo, como a Ribeira Seca do Faial e a Ribeira do Curral.

A cordilheira, por sua vez, é um enorme monumento de rochas cinzento avermelhadas q cai de ambos os lados por vários espigões, os quais é necessário atravessa-los por meio de 5 túneis (de 2m de altura) no decorrer do trajeto. Os 3 primeiros são pequenos e quase q seqüenciais. Mas logo vem o 4º túnel, cujos 200m percorri vagarosamente pelo fato de ter deixado minha lanterna em casa. Assim, não me restou opcao senão me guiar naquele negrume apenas pela "luz no fim do túnel", literalmente, ate sair daquele "furado" úmido, frio e escuro, q é como chamam os túneis aqui. Emergindo no outro lado do maciço, me despeço do Pico das Torres p/ pernada prosseguir no mesmo paso, com suaves sobes-e-desces, eventualmente topando c/ gringos no sentido contrario.

 

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Por fim, diante de nós elevava-se o Pico do Gato com seus 1780m de altitude. Este marcava o início da subida até ao Pico do Areeiro sendo facilmente atravessado por um túnel com aproximadamente 100 metros de comprimento. Antes, porem, do ultimo túnel paro p/ apreciar e clicar a cabeceira da Ribeira da Fajã da Nogueira, assim como as "achadas" e os "lombos" de São Roque do Faial. Atravesso entao o "furado" no mesmo compasso q o anterior, p/ na saída me deparar c/ um mais um belo visual desta travessia: avista-se um dos rios q convergem no Curral e outros sítios dominados pelo enegrecido Pico Cidrao; enqto à oeste, atrás do Pico Grande, o sol derramava-se pelo planalto de Paúl da Serra, uma especie de Aparados da Serra local.

Uma vez c/ o Pico do Gato pelas costas subiu-se a ingreme escadaria do Cidrão, c/ centenas de degraus cavados na própria rocha e exigiu músculos e fôlego pra serem vencidos. Após este arduo trecho de subida, logo nos vemos novamente pernando numa crista terrivelmente escarpada, q nada mais é q a passagem sobre um dique basáltico q separa as nascentes dos Rios da Fajã da Nogueira e do Cidrao. Não demora e caio no Ninho da Manta, o ultimo mirante antes do meu destino final. Respiro fundo, ao mesmo tempo q aprecio o visu dos fundos vales ao redor, assim como a rede de riachos q alimenta o Rio da Metade e mais alem, as "Achadas" do Pau Bastiao e do Cedro Gordo, e gde parte da Cordilheira Montanhosa Central.

 

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Após um ultimo trecho de estreita crista, com abismos de ambos os lados, cheguei finalmente no Pico do Areeiro as 14:00. Lá desabei junto à pousada homônima, onde estiquei as pernas e belisquei alguma coisa. Um passarinho (acho q era tendilhao) veio me encher o saco e não pensei duas vezes em afasta-lo c/ uma pedra, apenas pra depois descobrir q o mesmo ta quase em extinção, pelo olhar comprido de uma belga na minha direcao. Mas aqui ta cheio de outras aves - pardais, andorinhas e canários - ciscando o chão repleto de sobras dos turistas, q por sinal havia razoavelmente, boa parte de excursões e agencias de Funchal.

Pois bem, final de travessia e agora? Ali não havia transporte coletivo algum e tampouco havia combinado resgate algum p/ mim. Isto é, teria q descer td aquele planalto por entediantes 18km de asfalto até Funchal. Como estava bastante cansado via pouco provável chegar na cidade antes de escurecer. Pensando bem, foi mto bom ter trazido a barraca. Pelo menos teria a cia de umas ovelhinhas q pastavam aqui e acola, naquele cenario q mais lembrava o da Novica Rebelde, porem mais seco. Mas eis q a luz da divina providencia me agraciava novamente, pois mal comecei a andar pelo asfalto e um simpático casal de noruegueses motorizado q me oferece carona. Claro q não titubiei em aceitar e assim voltamos p/ capital da ilha num piscar de olhos, onde saltei proximo de onde estava hospedado, as 17:30. E assim o cansaço estampado na rosto cede facilmente lugar à satisfação da missão cumprida.

 

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Ainda fiz uma horinha num boteco à beira-mar, afim de bebemorar à pernadinha-solo daquele dia, alem de passar no supermercado p/ abastecer a mochila. "Vai um cacetinho pro freguês?", sou indagado cordialmente pelo atendente da padoca. Tento nao rir mas fracasso nesse intento, p/ espanto do "gajo". Impossível não se divertir qdo se diz "pequeno almoço" p/ se referir ao café-da-manha, "miúdos" p/ crianças, "entrecosta" p/ costela, "casa de banho" p/ banheiro, ou diante de certos hábitos corriqueiros locais, q não deixam de ser um modo de vida bastante peculiar aos brasileiros.

Os demais dias continuei percorrendo a ilha em inúmeros bate-volta, ora sozinho ora na cia de gdes amizades q lá fizera, e assim descobrindo as belezas escondidas deste rincão q guarda leve sotaque tupiniquim. Percebi q a gde maioria das trilhas pode ser percorrida num dia só (em virtude da proibição de camping), mas nada impede q algumas sejam emendadas e resultem em autênticos mega-travessias. Alem de caminhadas, a ilha oferece bons locais de mergulho, uma volta completa à ilha de bike, alem da pratica de bunge-jump e salto de asa delta. Enfim, opções aventureiras não faltam. Basta descobri-las.

 

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Assim, a Ilha da Madeira tem a alcunha de ser o eterno "Jardim flutuante do Atlantico", predicado q ganhou dos europeus abonados desde q a mesma tornou-se seu refugio de verão. Mas pros brasileiros ela pode ser mto bem a "Floripa da Terrinha", já q agora ela atrai outro tipo de visitantes, pois seus encantos vão alem do vinho, seu casario colonial e seus famosos bordados. E se a ilha, juntamente com os Açores e as Ilhas Canárias (Espanha) correspondiam ao fim do mundo antes da descoberta da América, hj estes mesmos locais poderiam ser perfeitamente denominados o começo da Europa. Ou melhor, um lugar encravado no Atlântico c/ leve sotaque brasileiro q não trai a alma portuguesa em momento algum. Um local onde a gente tem a impressão de q nunca saiu de casa.

 

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Olá Jorge!

 

 

Andava eu lendo uns tópicos por aqui e, "por acaso" vi no rodapé uma chamada para este aqui, antiguinho... Sempre tive interesse por esta ilha (arquipélago, na verdade). Fiquei curioso pelo lugar e pelo autor, já conhecido de tantos e tão bons relatos aqui no Fórum...

 

Fato é que não dá para deixar passar em branco um relato desses, sem um comentário sequer, desde 2009! Dá-lhe Jorge Soto internacional!!!

 

Meu caro, muito bacana o relato da trip e a própria pernada, só senti falta das tradicionais fotos que tão bem ilustram teus relatos. Depois vou ver nos seus álbuns no Multiply se as encontro.

 

Grande abraço!

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Olá Jorge!

 

 

Andava eu lendo uns tópicos por aqui e, "por acaso" vi no rodapé uma chamada para este aqui, antiguinho... Sempre tive interesse por esta ilha (arquipélago, na verdade). Fiquei curioso pelo lugar e pelo autor, já conhecido de tantos e tão bons relatos aqui no Fórum...

 

Fato é que não dá para deixar passar em branco um relato desses, sem um comentário sequer, desde 2009! Dá-lhe Jorge Soto internacional!!!

 

Meu caro, muito bacana o relato da trip e a própria pernada, só senti falta das tradicionais fotos que tão bem ilustram teus relatos. Depois vou ver nos seus álbuns no Multiply se as encontro.

 

Grande abraço!

 

Getulio, ja fiz muuuuita coisa fora do pais. Essa pernada na Madeira foi na virada do seculo, pra vc ter ideia! Saudosa epoca (antes de 2004) de vacas gordas e bolso farto..rsrrs.. E por conta disso so me resta o Brasilzao pra andarilhar mais a fundo, descobrindo alguma coisa nova. Destas aventuras externas nao tenho muitos regiustros, ou se tiver sao de albuns em papel, nada digitalizado, certamente. E ainda por cima, mofando nalgum armario. Abracao meu caro..

http://jorgebeer.multiply.com/photos/album/200/Travessia-Pico-Ruivo-Arieiro#

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Olá Jorge!

 

 

Então, vi que essa é "das antigas". Tu até estava com cara de piá ainda... É, vi as fotos no teu álbum... Hehe!

Perdoe a ignorância, mas não conhecia esse seu lado internacional.

Abraço!

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Sou de Portugal, mas nunca fui á Ilha da Madeira, gostava muito (pelas suas fotos parece um lugar perfeito para pôr a mochila às costas e percorrer a Ilha inteira)

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Saudações!

Que postagem incrível! De vez em quando leio coisas aqui mas não comento (por não ter nada a acrescentar pois pouco viajei e não fiz mochilão ainda) mas esta foi demais. Obrigada! Tenho muita vontade de conhecer a Ilha da Madeira e os Açores, nem sai do Brasil ainda e não sou trilheira, mas lendo fiquei com vontade, além de sublinhar os arquipélagos na minha listinha de viagem, um dos poucos desejos além Brasil.

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    • Por rafael_santiago
      Lago Nesbøvatnet
      Início: Finse
      Final: Vassbygdi
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      Maior altitude: 1643m
      Menor altitude: 89m em Vassbygdi
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      Nesse trekking eu percorri de sul a norte o parque e emendei com a caminhada do Cânion Aurlandsdalen, bastante famoso por lá pela incrível beleza.
      Para saber sobre trekking na Noruega sugiro a leitura da introdução do relato www.mochileiros.com/topic/89222-travessia-do-parque-nacional-hardangervidda-noruega-jul19.
      O problema do trekking na Noruega e na Escandinávia em geral é o alto índice de chuva. Eu tive três dias seguidos de sol nessa caminhada e isso foi uma grande sorte.
      Não há problema de escassez de água nesse percurso e nem todos os riachos e fontes estão descritos no texto pois são muitos.

      Lagos parcialmente congelados mesmo no verão
      1º DIA - 01/08/19 - de Finse ao Refúgio Geiterygghytta
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      No dia 29/07 eu interrompi a longa travessia do Parque Nacional Hardangervidda ao Parque Nacional Hallingsskarvet no 7º dia do percurso (relato em www.mochileiros.com/topic/89222-travessia-do-parque-nacional-hardangervidda-noruega-jul19) por causa da chuva que chegou e ainda duraria mais dois dias. Fui de trem para a cidade de Geilo, me hospedei no Hostel HI e esperei a melhora no tempo prevista no yr.no.
      Nesse dia, 01/08, voltei de trem a Finse e retomei a caminhada com tempo bom. Finalizada a etapa do Parque Nacional Hardangervidda, agora ia entrar no Parque Nacional Hallingsskarvet.
      Embarquei em Geilo às 13h e desci na estação de Finse às 13h38. Altitude de 1228m. Cruzei a estrada de ferro e segui a placa de Geiteryggen após o portão de madeira. Subi pela rua principal de cascalho e segui a sinalização do T vermelho entrando numa trilha à direita, cerca de 300m depois da linha férrea. Subi a colina ao norte, passei pelo local onde acampei no dia 29 e parei por 13 minutos para contemplar a magnífica Geleira Hardangerjøkulen, a sexta maior da Noruega. Ao cruzar o primeiro riacho, às 14h20, estava entrando nos limites do Parque Nacional Hallingsskarvet. Continuei no rumo norte, cruzei uma ponte suspensa e em seguida outro riacho pelas pedras às 14h43. Voltei a subir e a vegetação, que era só rasteira, some de vez, ficando só o terreno de pedras, mas sem dificuldade para caminhar. Às 15h32 começam a aparecer as manchas de neve que tenho de cruzar, com largura de 30m a 70m, mas sem problema de escorregar. A bota impermeável é importante nessa hora também.

      Cruzando campos de neve
      Às 15h57 alcancei o Refúgio Klemsbu, particular e trancado. Fiz uma pausa ali. Algumas pessoas que caminhavam sem mochila (e até com cachorro) tomaram ali uma trilha para o norte e subiram o Pico Sankt Pål. Eu continuei às 16h39 para nordeste (direita na bifurcação) e subi cruzando mais duas manchas de neve até atingir a maior altitude do dia (1643m, desnível positivo de 419m desde Finse). Ali há um campo de neve muito extenso mas felizmente não foi preciso cruzá-lo, está à esquerda do caminho. À direita surge um bonito lago com placas de gelo flutuando como icebergs. Inicia a descida. Cruzo mais uma mancha de neve e depois um riacho pelas pedras. Às 17h52 avisto o Lago Omnsvatnet. A trilha desce, cruza um riacho e se aproxima do lago, voltando a ter vegetação rasteira e depois capim, pasto para as ovelhas. Às 18h23 atravesso mais uma mancha de neve de uns 40m e às 19h outra de cerca de 60m.
      Às 19h21 alcanço um conjunto de lagos e passo a caminhar pelo seu lado direito. Cruzo pelas pedras um riacho que vem de uma bonita cachoeira despencando do paredão à direita. Às 19h55 avisto o refúgio na outra ponta do lago. Cruzo outro riacho às 20h14 e saio dos limites do Parque Nacional Hallingsskarvet. Alcanço o Refúgio Geiterygghytta às 20h32, numa altitude de 1230m. Esse refúgio é da DNT e do tipo staffed (com funcionários), não se pode cozinhar, não há comida para vender (só chocolates e biscoitos) e o anfitrião não me deixou nem usar o banheiro se não consumisse algo ou acampasse na área designada pagando NOK 100 (US$ 12,09)! Perguntei de acampamento livre (selvagem) e ele me mandou acampar longe, fora da visão do refúgio. Pelo que pude ver era um lugar muito bem arrumado, parecendo um hotel, e a presença de barracas espalhadas podia desagradar àquele público sofisticado. 
      Em frente a esse refúgio passa uma estrada de cascalho que começa na rodovia 50 muito próximo de um túnel. Como passa um ônibus nessa rodovia essa estradinha pode ser uma rota de fuga ou um início/final alternativo à caminhada. São 3,6km dali até a rodovia. Porém há pouquíssimos horários: um ônibus por dia (às 13h10) em direção a Flåm (oeste) e um ônibus por dia (às 9h40) em direção a Ål (leste) (horários de julho e agosto de 2019).
      Saí do refúgio às 20h42 e caminhei pela estrada de cascalho para a esquerda (noroeste) até sair da visão do refúgio. Começaram a aparecer as barracas dos alternativos, dos que preferem a liberdade ao conforto. Os melhores lugares, que eram perto da cachoeira à esquerda da estradinha, já estavam ocupados, então entrei na trilha de Østerbø, com placa, à direita, e subi até encontrar um lugar plano e um pouco afastado do caminho. Havia água corrente por perto. Altitude de 1252m.

      Lagos de montanha
      2º DIA - 02/08/19 - do Refúgio Geiterygghytta a Østerbø (ou quase)
      Duração: 5h30 (descontadas as paradas)
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      Menor altitude: 1050m no acampamento do fim do dia
      Resumo: dia de vários sobe-e-desce mas sem desníveis significativos, sendo o maior deles de 320m de descida da maior altitude do dia (1395m) aos 1075m do Refúgio Steinbergdalen
      Deixei o local de acampamento às 11h41 e segui a trilha no rumo norte. Em 4 minutos cruzei um riacho pelas pedras. Às 12h11 o mapa do gps mostrava que eu estaria cruzando a rodovia 50 porém não havia rodovia nenhuma - havia sim, estava muitos metros abaixo de mim na forma de um extenso túnel! E com mais 9 minutos avistei a tal rodovia 50 bem abaixo à esquerda margeando um lago. Infelizmente a trilha vai se aproximar dela e esse dia não será dos mais bonitos e agradáveis. Às 12h40 sigo à esquerda numa bifurcação com placa apontando para o Refúgio Steinbergdalen; à direita se vai a Kongshelleren (refúgio) e Iungsdalshytta (refúgio). Cerca de 6 minutos depois cruzo um riacho mais largo pelas pedras e paro por 18 minutos.
      Às 13h16 atravesso uma ponte metálica sobre um bonito rio com pedras e, subindo, cruzo uma porteira feita de ripas de madeira. Subo mais e atinjo um mirante chamado Bollhoud às 13h37. Passo por bonitos e tranquilos lagos de montanha e às 13h57 cruzo um riacho. Às 14h26 atravesso outra ponte metálica e encontro uma placa com o nome do local: Breibakkao. O riacho que cruzei forma uma bonita cachoeira à minha esquerda. Às 14h44 parei por 30 minutos num bonito mirante chamado Driftaskar, de onde avisto o Refúgio Steinbergdalen (ou Steinbergdalshytta) perto do lago Vetlebotnvatnet e da famigerada rodovia 50. 
      Na descida cruzei um riacho por uma ponte de tábuas às 15h39. No portão na chegada ao refúgio há uma bifurcação em que à direita se vai também a Kongshelleren (refúgio) e Iungsdalen (refúgio). Entrei no Refúgio Steinbergdalen às 15h49 e ele é particular (não é da DNT), mas a anfitriã me deixou usar o banheiro sem pagar pois eu estava só de passagem. É uma casa bem típica norueguesa, de madeira com vegetação sobre o telhado para manter o isolamento térmico e a estabilidade da casa. É recomendável (ou obrigatório em alguns casos) tirar o calçado antes de entrar, a menos que o anfitrião diga o contrário. A rodovia 50 está a apenas 450m e é possível tomar o mesmo ônibus que liga Ål a Flåm se for necessário.
      Saí às 16h04 pelo lado direito do refúgio e tomei uma trilha que subia a encosta à direita com placa de Østerbø. E como subiu!!! Não era uma subida íngreme, mas tinha muitas pedras e parecia não ter mais fim. A visão da rodovia 50 logo abaixo à esquerda tirava todo o clima de montanha e fez daquele trecho longo de subida um tédio. Na descida, ainda pela encosta, parei num riacho às 17h18. Às 18h05 atravessei a ponte de tábuas sobre outro riacho que despencava do paredão à direita em bonitas quedas. Começo a avistar a vila de Østerbø bem abaixo no vale. Desço mais e às 18h40 alcanço um grande campo com uma cachoeira grande ao fundo. Ali já comecei a pensar se valeria a pena ir até Østerbø (ainda 3,8km à frente) pois o local parecia mais urbanizado e eu poderia ter dificuldade para encontrar um lugar para camping selvagem. Cheguei a perguntar sobre isso a uma garota que vinha (sozinha) atrás de mim, mas ela não sabia como era Østerbø. Vi que ela e um casal pararam ali para acampar e resolvi parar também, apesar de muito cedo ainda. Havia água bem próximo dali, no Rio Grøna. Altitude de 1050m.

      Cânion Aurlandsdalen
      3º DIA - 03/08/19 - de Østerbø a Vassbygdi
      Duração: 6h50 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 1074m próximo ao acampamento
      Menor altitude: 89m em Vassbygdi
      Resumo: longa descida de 985m percorrendo o interior do Cânion Aurlandsdalen, famoso na Noruega pela grande beleza
      O trekking de hoje pode ser feito em forma de bate-e-volta de um dia a partir das cidades de Flåm ou Aurland, onde há campings e hotéis. Tomando o ônibus às 8h15 em Flåm ou 8h25 em Aurland se chega às 9h15 a Østerbø, um bom horário para iniciar a caminhada pois há ônibus à tarde para retornar a Flåm e Aurland (veja os horários nas informações adicionais).
      Comecei a caminhar às 8h21, cruzei a ponte de madeira sobre o Rio Grøna, desci até o vale do Rio Grøndalagrovi e o segui para a esquerda (oeste). Descendo, passei por uma casa vazia à minha direita e cruzei um portão de ferro. Atravessei uma mata e às 9h12 cheguei a uma estradinha de terra, onde fui para a direita. Aparecem as primeiras casas. Às 9h18 alcanço uma estrada de asfalto após uma cancela e sigo para a direita, continuando pela esquerda na bifurcação. A rodovia 50 está a apenas 120m à esquerda da cancela e é possível tomar o mesmo ônibus que liga Ål a Flåm se for necessário. Me mantive na estrada principal e cheguei aos refúgios de Østerbø às 9h28. São dois, um ao lado do outro. O primeiro é o Østerbø Fjellstove, particular, e o segundo é o Aurlandsdalen Turisthytte, pertencente à DNT e do tipo staffed. A tão esperada trilha do Cânion Aurlandsdalen começa no meio dos dois.
      Por ser um sábado havia dezenas de pessoas iniciando a trilha, e até um grupo de voluntários (?) dando orientações. O caminho aponta para o norte ainda como uma estradinha de cascalho, que tomei às 9h50. Altitude de 833m. Numa curva de 180º para a esquerda cruzei a ponte sobre o Rio Langedøla e havia uma sinalização um pouco confusa. Não entrei na primeira trilha à direita com T vermelho pintado na pedra, continuei descendo a estradinha e entrei na trilha seguinte à direita também com T vermelho pintado, mas muito mais estreita que a primeira (aqui aparentemente os dois caminhos servem, o importante é se aproximar do lago e evitar as outras trilhas). Passei por mais uma casa à minha esquerda e comecei a contornar o bonito Lago Aurdalsvatnet pela margem norte e depois oeste. Aparece a primeira placa de marcação de distância, 18km para a frente (até Vassbygdi) e 1km para trás (desde os refúgios de Østerbø).

      Cânion Aurlandsdalen
      Quando deixo as margens do Lago Aurdalsvatnet no sentido oeste aparece um espaço plano e gramado ótimo para acampar. Até aí não havia visto nenhum lugar adequado para acampar e daí em diante apareceram bem poucos também pois o solo muitas vezes era de turfeira (?), fofo e úmido. A trilha percorre a mata exuberante, numa mudança significativa de ambiente em relação aos dois dias anteriores no alto da montanha. A placa de 17km se encontra sobre um portão de ferro e na descida seguinte a beleza de Aurlandsdalen começa a se mostrar. Um lindo lago bem abaixo espelha as montanhas verdejantes. A descida até a margem leste desse lago (Nesbøvatnet) foi por uma trilha íngreme beirando a ribanceira. 
      Aurlandsdalen é também uma trilha histórico-cultural e às 10h32 aparece a primeira placa com texto sobre a história e fotos antigas do lugar. Às 10h36 cruzei uma ponte de tábuas sobre um riacho e 2 minutos depois alcancei a casa Nesbø, às margens do Lago Nesbøvatnet, sede de uma fazenda do século 17. A trilha continua margeando o lago e às 10h49 alcanço uma bifurcação num local chamado Tirtesva. A trilha íngreme à direita sobe para outro caminho: Vassbygdi via Bjønnstigen, e uma placa alerta para o risco dessa rota já que cruza uma área de avalanches. Me mantive na trilha mais usada, que segue à esquerda, e uns 520m depois de Tirtesva cheguei a um bonito lago (uma extensão do Lago Nesbøvatnet). Parei para curtir o lugar e tomar água fresca do riacho ao lado. O gramado ali daria um bom local de acampamento também.
      Continuei às 11h19 e o lago se afunila num rio, que seguirei pela margem direita até o final do dia. Agora a sensação é de caminhar no fundo de um cânion mesmo, com a altas paredes se erguendo em ambos os lados. O rio e a vegetação das encostas ficam cada vez mais bonitos. Às 11h43 a trilha é um caminho estreito escavado no paredão de pura rocha. Um corrimão dá segurança nas partes mais estreitas (principalmente se houver neve). Às 11h52 surge abaixo o bonito Lago Vetiavatnet, o último grande lago dessa caminhada. 
      Às 12h05 alcancei uma bifurcação num lugar chamado Heimrebø. À esquerda se vai a Berdalen, que é um local a 370m dali na rodovia 50 onde passa o mesmo ônibus de Ål a Flåm. Segui à direita e a trilha faz uma grande curva embicando para o norte e se afastando muito da rodovia 50 (felizmente não mais visível após Østerbø). Às 12h47 vem da direita a rota Vassbygdi via Bjønnstigen, aquela iniciada em Tirtesva e que vem pelo alto. 
      Às 12h55 cheguei a um local com uma trilha saindo para a esquerda e uma movimentação de pessoas indo e vindo de lá - fui ver o que era. Caminhando cerca de 100m chega-se a Vetlahelvete, ou little hell cave, uma reentrância no paredão rochoso com um pequeno lago dentro e iluminação vindo da abertura no alto. Há um bonito mirante nas pedras mais altas do outro lado. Voltei à bifurcação, tomei um lanche e continuei descendo às 13h16. A marcação ali mostra que estou bem no meio do caminho: já percorri 9km e faltam 10km. Em 5 minutos tenho uma visão espetacular do cânion com o rio correndo lá embaixo e pessoas minúsculas ao longo da trilha bem ao lado do rio, ou seja, tinha uma descida bem grande pela frente. Às 13h24 parei para beber a água fresca de uma quedinha ao lado da trilha. Desci pela trilha em zigue-zague e às 13h46 já estava às margens do rio, onde algumas pessoas mergulhavam e logo saíam pois a água devia estar bem fria. 

      Fazenda Sinjarheim
      Às 14h08 uma nova bifurcação. À esquerda se vai a Stondalen, que é outro local na rodovia 50 onde passa o ônibus de Ål a Flåm, outra rota de fuga, porém essa bem longa (7km). Vou à direita e em 5 minutos avisto, pendurada na enorme encosta, a Fazenda Sinjarheim, principal ponto de parada nesse trekking. Cruzo uma ponte de madeira sobre o riacho que vem de uma imensa cachoeira despencando do paredão e às 14h30 chego à fazenda. Casas de madeira com vegetação sobre o telhado e anunciado apenas em norueguês (demonstrando que poucos estrangeiros passam por ali): "sal av kaffi og mjelkekaker - kom inn", "venda de café e bolo de leite - entre". Muita gente ali descansando e se recuperando do calor pois já estávamos a 591m de altitude e a temperatura havia aumentado com a descida e por causa do horário. Muito calor para os noruegueses pois para mim estava bem agradável. Saindo da fazenda às 14h51, a descida se tornou bastante íngreme e às 15h10 já estava próximo ao rio de novo. Após duas casas de madeira, num local chamado Almen, olhei para trás e o cenário era espetacular, com duas grandes cachoeiras brotando dos paredões, último cenário de tirar o fôlego desse trekking.
      Quando vi os horários de ônibus em Østerbø pensei em tomar o das 19h para Flåm, o último. Mas pelo avanço rápido que vinha fazendo após entrar na mata resolvi apertar um pouco o passo e ver se conseguia pegar o das 16h40. A descida terminou numa clareira às 16h03 e 8 minutos depois alcancei um final de estrada de cascalho, continuando em frente, sempre pela margem direita do rio. Estava apressado por causa do horário do ônibus mas não resistia a comer as framboesas próximas à cerca à direita da estradinha. Para trás me despeço dos grandes paredões do Cânion Aurlandsdalen. Continuando sempre em frente me aproximo das primeiras casas de Vassbygdi e finalmente chego ao ponto de ônibus, em frente a uma lanchonete, às 16h27, e estava lotado. Altitude de 89m. O ônibus apareceu no horário e somente uma parte daquele povo todo o tomou pois a maioria esperava o ônibus de volta a Østerbø, onde deixaram seus carros. A viagem a Flåm durou 30 minutos e percorreu o maravilhoso fiorde Aurlandsfjorden. Em Flåm acampei no Camping e Hostel HI.

      Cânion Aurlandsdalen
      Informações adicionais:
      . para saber os preços de hospedagem e refeições nos refúgios da DNT consulte os valores atualizados em english.dnt.no/routes-and-cabins. Para se tornar membro da DNT e ter descontos o valor da anuidade é NOK 695 (US$ 84), valor de 2019 para adultos de 27 a 67 anos.
      . Camping e Hostel HI em Flåm: NOK 160 (US$ 19,34) para uma barraca com uma pessoa. A ducha quente custa NOK 20 (US$ 2,42) a cada 6 minutos (funciona com moeda ou ficha comprada na recepção). O hostel estava lotado no início de agosto. Site www.hihostels.com.
      . mapa do parque com as trilhas e refúgios: ut.no/kart
      . a temperatura mínima durante a noite fora da barraca foi 7ºC
      . para planejar qualquer viagem de ônibus, trem ou barco na Noruega: en-tur.no (clique em Meny e selecione English)
      . ônibus de Vassbygdi a Aurland e Flåm: 10h20 (sáb e dom), 14h10 (diário), 16h25 (sáb e dom), 16h40 (diário), 19h (diário) (horários de julho e agosto de 2019)
      . trens na Noruega: www.vy.no/en
      . não há supermercado nem em Finse, nem em Vassbygdi e em nenhum lugar desse percurso. Só há mercado em Aurland e Flåm, alcançadas de ônibus a partir de Vassbygdi. Só há refúgios do tipo staffed (da DNT) e particulares nesse caminho e eles não vendem comida para preparar (apenas guloseimas), mas servem café da manhã e jantar.
      . roteiro adaptado a partir das informações do guia Walking in Norway, de Connie Roos, Editora Cicerone
      Rafael Santiago
      agosto/2019
      https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
    • Por rafael_santiago
      Pico Hårteigen
      Início: Odda
      Final: Finse
      Duração: 7 dias
      Maior altitude: 1508m
      Menor altitude: 0m em Odda
      Dificuldade: média para quem está acostumado a longas travessias com mochila cargueira. Alguns dias apresentam subidas e descidas mais longas. O único grande desnível é o do 1º dia (1445m).
      Hardangervidda é o maior platô de montanha do norte da Europa (vidde = platô). Nesse lugar tão singular foi criado em 1981 o Parque Nacional Hardangervidda, que é o maior da Noruega e refúgio de um dos maiores rebanhos de rena selvagem do mundo. O parque se situa ao sul da famosa estrada de ferro Oslo-Bergen, numa distância aproximada (em linha reta) de 180km de Oslo e 120km de Bergen. 
      Essa caminhada foi planejada para durar 10 dias, cobrindo, além do Hardangervidda, também o Parque Nacional Hallingsskarvet e o Cânion Aurlandsdalen, porém a chegada da chuva me fez interromper o percurso no 7º dia. A previsão do yr.no acertou e choveu ainda mais dois dias. Retomei a caminhada no dia 01/08 (relato em www.mochileiros.com/topic/89261-travessia-do-parque-nacional-hallingsskarvet-e-cânion-aurlandsdalen-noruega-ago19).
      O problema do trekking na Noruega (e na Suécia) é justamente o alto índice de chuva. Pelo menos para nós brasileiros, que não estamos acostumados a caminhar vários dias embaixo de chuva, porém para os noruegueses isso não tem a menor importância. Eles vão para a trilha com chuva ou sem chuva. Eu tive cinco dias seguidos de sol nesse trekking e isso foi uma tremenda sorte.
      A melhor época para o trekking nos parques da Noruega é o verão, com temperaturas mais agradáveis (não tão frio) e menos neve pelo caminho. Justamente nessa época os refúgios do tipo staffed permanecem abertos. No início de junho deve ainda haver neve do último inverno dificultando a caminhada. O guia Walking in Norway, de Connie Roos, sugere fazer a travessia do Parque Nacional Hardangervidda depois de 10 de julho.
      Outro fator que dificulta o trekking por lá é a quantidade de pedras pelo caminho, às vezes são áreas extensas só de pedras, o que é bastante cansativo e obriga a caminhar com mais atenção para evitar uma queda ou torção. 

      Lago a 1194m de altitude no 6º dia de caminhada
      Em toda a Noruega, a DNT (Den Norske Turistforening = Associação Norueguesa de Trekking) (english.dnt.no) é a associação responsável pela manutenção das trilhas, pontes e refúgios de montanha. Os refúgios da DNT são de três tipos: self service, staffed ou no-service. Além dos refúgios da DNT há refúgios particulares.
      1. Nos refúgios self service você pode utilizar a cozinha para preparar as refeições, comprar a comida disponível se não tiver a sua própria e dormir nos beliches em espaços compartilhados. Antes de sair deve deixar tudo em ordem (lavar, secar, arrumar tudo, varrer o chão) e preencher o formulário de despesas. A conta será enviado para o seu e-mail tempos depois. Visitas diurnas (day visit) para descansar, comer ou apenas se aquecer devem ser pagas.
      A hospedagem para não-membros neste tipo de refúgio custa NOK 390 (US$ 47,14) e o day visit até 18h custa NOK 90 (US$ 10,88). Após 18h a visita deve ser paga como uma hospedagem. Sim, tudo na Noruega é muito caro!
      Os refúgios self service podem ter guarda ou não na alta temporada. Eu conheci nove refúgios nesse trekking, apenas dois deles eram não-guardados. Nesses vale ainda mais a confiança de que o hóspede está pagando por tudo o que utilizou.
      A DNT tem uma chave (fornecida somente aos membros) que abre a porta dos refúgios não-guardados, mas nesse trekking eu não encontrei nenhum refúgio trancado.
      2. Os refúgios staffed (com funcionários) são hotéis de montanha. Neles você tem café da manhã e jantar disponíveis e não é permitido usar a cozinha. De comida para vender costumam ter apenas lanches de trilha básicos, como chocolates.
      A hospedagem para não-membros neste tipo de refúgio custa NOK 286 (US$ 34,57) em dormitório. Consulte english.dnt.no/routes-and-cabins para outros preços.
      3. Os refúgios no-service são do mesmo estilo dos self service porém não têm comida. Não cheguei a conhecer nenhum refúgio desse tipo nos trekkings que fiz na Noruega.
      Os refúgios particulares são também hotéis de montanha e têm tabelas próprias de preços.
      Para quem está com barraca, nos parques da Noruega vale mais ou menos a regra do "allemannsretten" ou direito de andar (ou direito de acesso), que diz que é permitido acampar em qualquer lugar a mais de 150m de uma casa, desde que não seja uma área cultivada ou haja uma placa de proibição. Digo 'mais ou menos' porque vi isso valer apenas nos refúgios self service; nos refúgios da DNT do tipo staffed eles pediam para acampar (gratuitamente) bem longe, fora da visão do refúgio. Acampar perto do refúgio DNT staffed custa NOK 100 (US$ 12,09) e dá direito de usar o banheiro e a sala de estar. Para mais informações sobre o "allemannsretten": www.visitnorway.com/plan-your-trip/travel-tips-a-z/right-of-access
      O uso do banheiro para quem está acampando (ou apenas de passagem) é livre nos refúgios self service e costuma ser cobrado nos refúgios DNT staffed e particulares (ou gratuito se consumir alguma coisa). Nos self service o banheiro é do tipo seco, uma casinha separada, com uma bancada e o assento sobre ela. Muitas vezes o assento e a tampa são de isopor e há uma outra tampa de madeira para colocar por cima. Costumam ter papel higiênico. Nos staffed é um banheiro normal e interno.
      Não há problema de escassez de água nesse percurso e nem todos os riachos e fontes estão descritos no texto pois são muitos.
    • Por Wilson Iwazawa
      Prólogo
      Virou costume.
      Nas ocasiões sociais, volta e meia um amigo ou parente solta a frase: “E aí, qual sua próxima caminhada?”. Confesso que fico surpreso, pois fiz pouquíssimas trilhas até hoje. Inclusive não faz muito tempo eu ia de carro à padaria da rua de baixo. Porém, pelos caminhos sinuosos da vida, acabei me encontrando pelas trilhas afora. E nos últimos tempos a resposta para tal pergunta era: “vou caminhar em torno do Mont Blanc, cruzando as fronteiras da França, Itália e Suíça.”
      Fiquei ciente desta trilha através dos relatos do Elias, do portal Extremos. Antes de pesquisar mais detalhes, a primeira palavra que me vinha à cabeça relacionada ao Tour era “neve”. Ainda não a conhecia pessoalmente. Seria uma ótima oportunidade, somado ao desafio físico mais intenso que a trilha demandaria. Valeria a pena cruzar o oceano para isso.
      Iniciei então as pesquisas sobre o TMB. Destaco algumas informações interessantes:
      A trilha percorre cerca de 170 km (dependendo da rota e das variantes escolhidas, pode aumentar um pouco) em torno do Mont Blanc, atravessando 3 países: França, Itália e Suíça. O sentido pode ser horário e anti-horário, sendo o último o mais tradicional (e que eu optei). Não há um lugar oficial de início. Tradicionalmente a maioria das pessoas inicia em Les Houches. Optei por fazer o mesmo, apesar de vir pela Itália. Teoricamente seria mais prático iniciar por Courmayeur. Porém descobri que dessa forma, os últimos 4 ou 5 dias formariam a sequência mais dura do percurso. Iniciando por Les Houches, quebraria estes dias difíceis em 2 partes. A duração do Tour pode variar entre 8 e 12 dias, dependendo do preparo e disponibilidade de tempo. O período para se fazer a trilha é restrito ao verão (final de Junho até meados de Setembro) pois a neve e o mau tempo inviabilizam boa parte da rota no restante do ano. O inverno de 2018 na Europa fora rigoroso, então eu estava ciente de que poderiam haver algumas complicações na trilha por conta do degelo mais tardio em algumas rotas. Pode-se contratar agência com guia, autoguiada (sem o guia, mas com as hospedagens e orientações de rota providenciadas) ou seguir por conta própria, fazendo pessoalmente as reservas. Optei pela última opção, após descobrir que a trilha é bem sinalizada. Encaro o planejamento como uma parte interessante da aventura. As hospedagens variam entre hotéis e albergues nos vilarejos, e abrigos de montanhas nas partes mais isoladas. Muita gente segue acampando, porém é bom atentar que nem todo trecho possui permissão para camping. Voando do Brasil, as cidades mais práticas para se pousar são Genebra, Paris ou Milão. Fui por Milão pois faria um tour pela Itália após a caminhada.
    • Por MarceloBarce
      (relato em vídeo no fim do post)
      Na primavera desse ano, fui visitar a região de Trentino-Alto Àdige, para conhecer os Dolomiti, no norte da Itália.
      Me hospedei no Youth Hostel Bolzano, que era um dos únicos na região.

      Fiz 3 dias de trilhas, mas vou falar primeiro dessa travessia que eu registrei em foto e vídeo.
      No hostel, eu conheci 3 americanos que também tinham bastante experiência em trilhas, e fui com eles.

      Era primavera (4 de junho), um dia ensolarado com previsão de chuva para o fim da tarde, fazia uns 27 graus de temperatura.
      A chuva parecia inofensiva, mas se revelou uma tempestade assustadora no alto da montanha e deixou a temperatura NEGATIVA.
      Este foi um dos dias mais incríveis, bonitos e assustadores da minha vida.
      A ROTA DA TRAVESSIA

      Tomamos um ônibus circular de Bolzano para a bela cidade de Selva di Val Gardena, 1 hora de viagem ao preço de 5 EUROS, esse seria o único custo do passeio.

      PLANO A: pegaríamos o bondinho de ski Dantercepies (bandeirinha verde do mapa, abaixo do plano B) e a partir dali, daríamos uma volta no Monte Puez, um lugar com vistas incríveis, e desceríamos pelo vale de Valunga (trecho azul do mapa).
      PLANO B: começaríamos a trilha pelo final do Plano A, o vale Valunga, e ao chegar no ponto mais alto (o coraçãozinho do mapa), voltaríamos pelo mesmo caminho.
      EMERGÊNCIA: esta foi uma rota de fuga que precisamos tomar para fugir da tempestade

       
      RELATO
      O dia estava lindo, a previsão era de sol com nuvens para a tarde toda com uma garoa no fim da tarde.


      Infelizmente, o bondinho Dantercepies estava em manutenção, e por isso fomos seguir o plano B, começando pelo vale de Valunga, que começa nesta foto acima.
      Valunga é fantástico, se parece muito com o vale de Yosemite dos EUA. Inclusive, eu diria que esta rocha em primeiro plano da foto acima é parecida com o famoso "El Capitan".
      Já estive nos 2 parques nacionais para fazer esta comparação. Os americanos que estavam comigo concordaram, hahaha.
      O legal do Valunga é que não passa carros no meio.


      As vistas eram lindas em todos os sentidos.

      Enfim, começou a grande subida do fim do plano B, uma parte muito íngreme com bastante escalaminhada e alguns trechos de neve bem perigosos em que um escorregão poderia ser fatal.
      Mas fomos com calma e cuidado, e deu tudo certo.

      A vista dali era fantástica, mas já começava a dar sinais de chuva.

      Para nossa surpresa, quando chegamos no final da subida, que era uma passagem de montanha, avistamos uma tempestade assustadora que não era visível antes.
      Do lado de onde viemos, o clima estava razoável... mas do outro lado da montanha, as nuvens estavam bem escuras e já estava chovendo:

      PRESTE ATENÇÃO naquela cidadezinha no canto inferior direito da foto, este lugar se chama Colfosco e foi nossa salvação.
      Estávamos num lugar com pouca visibilidade dos arredores, subi num ponto mais alto antes que fosse tarde, para ver qual seria a direção mais segura para fugir da tempestade:

      Repare nas duas fotos acima que a chuva já havia mudado de lugar, use a montanha pontuda (monte Sassongher) como ponto de referência.
      Foi questão de 10 minutos para eu descer e a chuva pegar a gente.
      Daí pra frente, as coisas só pioraram.
      Nosso plano de voltar pelo mesmo caminho foi por água abaixo (literalmente), porque seria impossível descer aquele trecho íngreme de neve com chuva.
      Optamos por seguir a trilha do plano A até encontrar um dos abrigos de montanha da região, que estaria a mais ou menos 2 horas de distância.



      Porém, este plano também não deu certo.
      Começou uma tempestade de granizo muito forte com MUITOS RAIOS e nós tivemos que nos separar e abaixar, para diminuir a chance de tomar um raio.
      Estimamos que a temperatura baixou para -5 graus.
      A paisagem que antes estava verde e ensolarada, ficou cinzenta, coberta de neve e granizo.
      Estávamos todos com casacos corta-vento impermeáveis, bem protegidos, mas vestindo shorts, o que obviamente tornou a experiência bem fria, apesar de suportável (graças às jaquetas).
      O local era SUPER EXPOSTO, pois se tratava de um platô gigante. O melhor que podíamos fazer era tentar ficar numa parte menos alta.

      Na foto: eu em primeiro plano, Micky de jaqueta vermelha no fundo, Nathan de preto mais ao fundo, Elsa de preto no canto esquerdo da foto.
      Foi aí que traçamos a rota de emergência!
      Nós não voltaríamos mais para Val Gardena, porque as duas rotas (plano A e B) estavam extremamente perigosas, e eram os únicos caminhos de volta.
      A prioridade agora era encontrar um abrigo para salvar a nossa pele.

      Após a chuva diminuir, nós desceríamos para a cidade de Colfosco, que fica do outro lado da montanha e tem uma trilha quase plana cercada por montanhas, que era menos exposta aos raios, mas não menos desoladora.

      Tivemos que atravessar algumas cachoeiras de lama causadas pela chuva, mas não foi difícil e deu tudo certo:

      Esta descida pela rota de emergência durou aproximadamente 1 hora e meia, e apesar dos trovões assustadores e da garoa que não parava, essa rota passou segurança.
      Claramente, foi uma decisão sensata abrir mão de retornar a Val Gardena.
      Chegando em Colfosco, batemos na porta de uma casa que tinha luzes acesas e fomos recebidos por uma senhora MUITO hospitaleira que nos deu toalhas e preparou um chá para cada um.
      Rachamos um taxi para Bolzano, que saiu 30 euros por pessoa. Se não fosse isso, o passeio inteiro teria custado apenas 10 euros de ida e volta do ônibus. Ao fim, saiu 35 euros.
      Valeu a pena? Sim, hahahahahaha.

      Abaixo, o relato em vídeo, no meu canal, para vocês terem uma noção do que foi:
       

      Obrigado, espero que gostem.
      Qualquer dúvida, é só perguntar
    • Por Carlois
      Pessoal,
      acho que podiamos começar uns relatos de peregrinações. Afinal muita gente fala do Caminho de Saniago, bem como, os daqui no Brasil, o Caminho da Fé até Aparecida com uns 15 dias e os Passos de Anchieta nas praias do Espirito Santo, entre outros.


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