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http://jorgebeer.multiply.com/photos/album/200/Travessia-Pico-Ruivo-Arieiro

 

TRAVESSIA NO TETO DA MADEIRA

C/ tamanho 4 vezes o de Ilhabela e distante apenas 500km da África, a Ilha da Madeira é uma porção rochosa encravada no Atlântico repleta de encostas floridas q se contrapõem à escarpas de respeitáveis desníveis e enormes montanhas de origem vulcânica. O clima e a paisagem são de eterna primavera; sua mata nativa, a laurissilva, foi declarada Reserva da Biosfera. E aproveitando uma breve passagem pelo arquipélago, não hesitei conhecer td isso pelas inumeras "levadas" q circundam a ilha principal, um emaranhado de trilhas formadas pelos aqueodutos construídos no inicio da colonização portuguesa, no séc. 15. Entre elas, a puxada travessia de crista dos maiores picos da Madeira, o Areeiro e o Ruivo, q nos brinda c/ panorâmicas soberbas do maciço central da ilha, 2mil m acima do nível do mar. Somente assim p/ conhecer esta pérola portuguesa q encanta os europeus desde q a elite inglesa a elegeu seu refugio de verão. E descobrir q a ilha tem mais a oferecer q seu bom vinho aos novos visitantes.

 

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Levantei preguicosamente as 7hrs, ainda sob efeito da ressaca da noite anterior. As noitadas portuguesas até q são animadas, mesmo q embaladas c/ goles de cerveja Coral, abisinto e toneladas de tremoços. Deixei entao meu pouso p; ganhar as ruas de Funchal, a capital da Madeira, ainda numa fria escuridão. Passando pela face moderna e sofisticada da cidade, assim como pelo seu belo centro histórico, um precioso emaranhado de ruelas íngremes e casario do séc. 18, não é a toa q Funchal ganhou a alcunha de "Pequena Lisboa". Os poucos transeuntes q andarilhavam àquelas horas não tiravam os olhos da minha cargueira nos ombros. Cargueira? Sim, as dicas davam conta q a pernada daquele dia seria apenas bate-volta. Entretanto, como estava fora do meu habitat e as infos eram desencontradas, levei td equipo no caso de qq imprevisto. Mesmo já ciente q na região é proibido o camping selvagem, pois td o maciço central faz parte, em tese, do Parque Natural da Madeira, q abrange 2/3 da ilha.

 

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Cheguei entao na Praça Autonoma, rente à orla, e me prostei na fila do pto à espera do "autocarro" Funchal-Boaventura (via São Vicente), q é como aqui eles chamam nosso tradicional busão. Enqto checava pela enésima vez as tralhas da mochila, chegou o busao. Enfim, saimos de Funchal pontualmente as 7:30, inicialmente atraves da avenida principal, p/ depois tomar a sinuosa estrada q costeia praticamente td a orla sentido oeste. O dia começava a amanhecer qdo chegamos na Câmara dos Lobos, 10km depois, c/ o sol se derramando pela simpática vila de pescadores c/ casario bem tradicional, q foi um dos primeiros assentamentos da ilha. A viagem prossegue tranquila, sempre costeando sinuosamente a orla, ora com poucos desníveis ora beirando enormes penhascos q caem vertiginosamente à nossa esquerda. Como o famoso Cabo Girão, um penhasco de quase 500m q tem o titulo de maior da Europa e 2ª do mundo! C/ esta bela paisagem costeira, quem precisa de praia, não?

 

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Chegamos, 30km depois, à Ribeira Brava, uma simpática vila detentora do balneário local, mas q ao invés de areia fina, clara e fofa, sua praia é forrada de pedregulhos vulcânicos. P/ quem ta habituado as praias do litoral norte paulista é estranho, mas é o "must" do povo daqui. Daqui, o busao toma rumo norte, indo p/ centro da ilha. Vagarosamente, o coletivo ganha altitude atraves das encostas de serra e logo nossas vistas vão se tornando mais amplas. E mais interessantes. O soninho inicial dá lugar à beleza e grandiosidade do sol banhando o alto dos imponentes penhascos e precipicios q se debruçam em fendas e inúmeros vales à minha direita.

As 9:30 salto num local denominado Encumeada, já na cota dos 1000m, q nada mais é q um enorme e vasto selado q liga a Costa Sul (Ribeira Brava) e a Costa Norte (São Vicente) da ilha. Aqui é apenas um pto de passagem, com algumas poucas vendinhas ainda fechadas e "miradouros" (tecla SAP: mirantes), q oferecem uma bela paisagem do mar do norte e do sul, bem como da crista da cordilheira q atravessa o interior da ilha. O nevoeiro por entre as poucas arvores na zona de lazer dava um ar misterioso e algo magico. Não havia absolutamente ninguém aqui, sensação q cresceu qdo vi o busao se perder montanha abaixo. Pois bem, da Encumeada partem varias picadas pra diversos pto da ilha e uma lacônica placa, q faço questão de transcrever, não deixa a desejar em nada as placas informativas do Ibama, embora alguns itens figurem em grego pra mim, e não portugues:

 

"Normas de Conduta do Bom Caminheiro:

-Mantenha-se dentro do trilho -Evite ruídos e atitudes que perturbem o meio ambiente -Não recolha nem danifique plantas -Não perturbe os animais -Não abandone lixo (não deite lenços de papel no chão, a sua decomposição é muito lenta) -Não faça lume -Se é fumador, não deite as beatas no chão, guarde-as para colocar no caixote do lixo -Não destrua ou modifique a sinalética

Para sua segurança:

-Não caminhe só, leve sempre companhia -Recolha previamente informação actualizada sobre o percurso -Informe sempre alguém do trilho que vai fazer e hora prevista da chegada -Certifique-se do tempo de caminhada e garanta que a finaliza antes de anoitecer -Transporte alguma comida e água de reserva -Utilize roupa e calçados apropriados -Se possível leve um telemóvel consigo -Em caso de fortes chuvas e ventos não faça o percurso ou volte para trás pelo mesmo caminho -Não corra riscos"

 

Pois bem, devidamente munido de infos e me fiando principalmente da (boa) sinalização das trilhas, me lancei numa picada a beira do asfalto q subia um 1º ombro de serra, atraves de uma vegetação arbustiva q lembra muito os campos de altitude + espesso, de Itatiaia. Mesmo inicialmente encoberto de neblina, este comecinho de pernada não ofereceu maiores dificuldades pois a trilha é bem batida, obvia e tem alguma precária sinalização. No entanto, há picadas menores q se entrecruzam q podem gerar duvida, mas se vc tem noção de direção e se manter na principal não tem erro. O sol queria aparecer por entre as nuvens. A claridade assim o anunciava. E foi o que aconteceu. Já de inicio c/ vistas arrebatadoras sobre o Vale de São Vicente, alem de uma barraca enfiada no meio de uma encosta, sinal q não era o único q curte acampar nas montanhas e q "dar cambau" é pratica bem corriqueira, inclusive na Europa!

 

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Subindo sempre compassadamente a encosta das enormes montanhas, deixamos pelo caminho os picos do Meio (1281m), Encumeada (1331m) e Ferreiro (1582m), sempre sentido leste. Nestes dois primeiros a vereda caminho atravessa capões de mata nativa, uma tal de Laurissilva, espécie de floresta umida constituída por árvores e arbustos de folhas planas, por fetos, musgos, líquens, hepáticas e outras plantas de pequeno porte, aqui materializada de belos exemplares de tis, loureiros, folhados, sanguinhos, massarocos (q mais lembram um cacto-cor-de-rosa) , orquídeas da serra e estreleiras (flor simbolo da ilha), entre azaléias, magnólias, bromelias e orquideas. Ao longo do trilho, me deparo também algumas furnas escavadas nas próprias rochas que antes serviam de abrigo aos homens que caminhavam com o objetivo de cortar madeira p/ ter lenha ou carvão vegetal. Qq semelhança c/ o desmatamento colonial da nossa Serra do Mar não sera mera coincidência.

 

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Após árdua e íngreme subida, alcançamos o alto do Pico do Jorge (1697m), onde é facil vislumbrar a foz da Ribeira dos Socorridos e a Igreja de São Martinho. Dali passamos pra outra encosta do maciço e inicia uma longa e íngreme descida até à Boca das Torrinhas, localizado no alto do pico homônimo (1538m). Ali, cruzamos c/ outra picada maior perpendicularmente, q liga o Curral (sul) à Boaventura (norte), e foi aqui meu primeiro e breve pit-stop p/ retomada de fôlego, mas não apenas pelo cansaço mas tb em virtude do fantástico visu q se descortina a nossa frente. Neste local a vista sobre o Curral das Freiras é soberba, e abismal é a palavra certa para descrever a diferença entre as duas camadas vegetais caindo das distintas vertentes da cordilheira, sendo o norte mais rico em espécies e densidade vegetal. Curral das Freiras deve te sido enorme cratera do vulcão da ilha e atualmente é um dos maiores e fundos vales da Madeira.

 

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A seu tempo e s/ grandes pressa, dou continuidade a pernada, alternando o passo em subidas e descidas bem acidentadas. Passo pelo Pico Coelho (1719m) e o Pico da Lapa da Cadela (1667m), ate finalmente dar no pto mais alto da ilha. Isto é, no alto dos 1862m do Pico Ruivo, após sofridos 16 km de vereda e quase 800m de desnível! Ganha a batalha as 13hrs, foi com muito gosto q me fundi à mescla de nacionalidades presentes na forma de vários outros turistas, envolto num reboliço poliglota que deixava no ar o burburinho semelhante ao dum centro cosmopolita. Noutras, muvuca, principalmente perto de uma casinha de pedras q serve de Refugio. Teve ate um tiozinho alemao q apontou pra estampa na minha blusa e disse, num sofrível português arrastado: "Florrrianópolis? Serrr brrrasileiro? Eu estarrr lá ano passado!". O tempo tava esplêndido! Sol, paisagem linda até o final da pernada, c/ td crista de serra se estendendo sinuosamente p/ sul, rumo o Pico Areeiro. Eventuais nuvens conferiam a paisagem um charme especial c/ um mar de nuvens de sobrepondo as águas do Oceano Atlântico, ao fundo. Perto do Refugio tb existe uma picada que dá acesso à Achada do Teixeira (nordeste) e é aqui que pode visitar o "Homem em Pé", uma formação rochosa basáltica que se assemelha à forma de um homem em pé.

 

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Pois bem, estava no meio da travessia e ciente q não haveria necessidade de pernoite, pois faltavam apenas 7km pro final. Menos mal, embora já começasse a sentir o peso da cargueira nos ombros àquela altura, e minhas pernas já estavam bambas. A partir dali a pernada deixaria as matacoes de laurissilva e se dá, agora sentido sul, atraves de um 2º ecossitema predominante da ilha, o maciço montanhoso. Este trecho lembra muito um mix de Peterê, Marins-Itaguaré e Trilha Inca, guardadas as devidas proporções, claro!

Deixei o pico Ruivo meia hora depois, objetivando o 3º pico mais alto da ilha, o Pico das Torres. Pra isso a picada desce interminavelmente em meio à uma encantadora mata de belas urzes da Madeira, plantas endêmicas q reluzem a luz do sol em diversas formas e cores. Musgos, rosetas, gramíneas verde-acinzentadas, estreleiras brancas, violetas e orquídea-das-rochas são tb outras das espécies que aqui se avistam facilmente.

 

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Ainda pela crista e sempre se aproximando do enorme e imponente maciço do Pico das Torres (1851m), a picada deriva suavemente p/ encosta esquerda da serra, de modo a contornar a enorme montanha. Em alguns trechos + estreitos da trilha e q beiram verdadeiros penhascos abertos, temos o auxilio de precária varandinha e de vários degraus na rocha. Daqui se tem um belo visual de várias nascentes despencando montanha abaixo, como a Ribeira Seca do Faial e a Ribeira do Curral.

A cordilheira, por sua vez, é um enorme monumento de rochas cinzento avermelhadas q cai de ambos os lados por vários espigões, os quais é necessário atravessa-los por meio de 5 túneis (de 2m de altura) no decorrer do trajeto. Os 3 primeiros são pequenos e quase q seqüenciais. Mas logo vem o 4º túnel, cujos 200m percorri vagarosamente pelo fato de ter deixado minha lanterna em casa. Assim, não me restou opcao senão me guiar naquele negrume apenas pela "luz no fim do túnel", literalmente, ate sair daquele "furado" úmido, frio e escuro, q é como chamam os túneis aqui. Emergindo no outro lado do maciço, me despeço do Pico das Torres p/ pernada prosseguir no mesmo paso, com suaves sobes-e-desces, eventualmente topando c/ gringos no sentido contrario.

 

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Por fim, diante de nós elevava-se o Pico do Gato com seus 1780m de altitude. Este marcava o início da subida até ao Pico do Areeiro sendo facilmente atravessado por um túnel com aproximadamente 100 metros de comprimento. Antes, porem, do ultimo túnel paro p/ apreciar e clicar a cabeceira da Ribeira da Fajã da Nogueira, assim como as "achadas" e os "lombos" de São Roque do Faial. Atravesso entao o "furado" no mesmo compasso q o anterior, p/ na saída me deparar c/ um mais um belo visual desta travessia: avista-se um dos rios q convergem no Curral e outros sítios dominados pelo enegrecido Pico Cidrao; enqto à oeste, atrás do Pico Grande, o sol derramava-se pelo planalto de Paúl da Serra, uma especie de Aparados da Serra local.

Uma vez c/ o Pico do Gato pelas costas subiu-se a ingreme escadaria do Cidrão, c/ centenas de degraus cavados na própria rocha e exigiu músculos e fôlego pra serem vencidos. Após este arduo trecho de subida, logo nos vemos novamente pernando numa crista terrivelmente escarpada, q nada mais é q a passagem sobre um dique basáltico q separa as nascentes dos Rios da Fajã da Nogueira e do Cidrao. Não demora e caio no Ninho da Manta, o ultimo mirante antes do meu destino final. Respiro fundo, ao mesmo tempo q aprecio o visu dos fundos vales ao redor, assim como a rede de riachos q alimenta o Rio da Metade e mais alem, as "Achadas" do Pau Bastiao e do Cedro Gordo, e gde parte da Cordilheira Montanhosa Central.

 

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Após um ultimo trecho de estreita crista, com abismos de ambos os lados, cheguei finalmente no Pico do Areeiro as 14:00. Lá desabei junto à pousada homônima, onde estiquei as pernas e belisquei alguma coisa. Um passarinho (acho q era tendilhao) veio me encher o saco e não pensei duas vezes em afasta-lo c/ uma pedra, apenas pra depois descobrir q o mesmo ta quase em extinção, pelo olhar comprido de uma belga na minha direcao. Mas aqui ta cheio de outras aves - pardais, andorinhas e canários - ciscando o chão repleto de sobras dos turistas, q por sinal havia razoavelmente, boa parte de excursões e agencias de Funchal.

Pois bem, final de travessia e agora? Ali não havia transporte coletivo algum e tampouco havia combinado resgate algum p/ mim. Isto é, teria q descer td aquele planalto por entediantes 18km de asfalto até Funchal. Como estava bastante cansado via pouco provável chegar na cidade antes de escurecer. Pensando bem, foi mto bom ter trazido a barraca. Pelo menos teria a cia de umas ovelhinhas q pastavam aqui e acola, naquele cenario q mais lembrava o da Novica Rebelde, porem mais seco. Mas eis q a luz da divina providencia me agraciava novamente, pois mal comecei a andar pelo asfalto e um simpático casal de noruegueses motorizado q me oferece carona. Claro q não titubiei em aceitar e assim voltamos p/ capital da ilha num piscar de olhos, onde saltei proximo de onde estava hospedado, as 17:30. E assim o cansaço estampado na rosto cede facilmente lugar à satisfação da missão cumprida.

 

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Ainda fiz uma horinha num boteco à beira-mar, afim de bebemorar à pernadinha-solo daquele dia, alem de passar no supermercado p/ abastecer a mochila. "Vai um cacetinho pro freguês?", sou indagado cordialmente pelo atendente da padoca. Tento nao rir mas fracasso nesse intento, p/ espanto do "gajo". Impossível não se divertir qdo se diz "pequeno almoço" p/ se referir ao café-da-manha, "miúdos" p/ crianças, "entrecosta" p/ costela, "casa de banho" p/ banheiro, ou diante de certos hábitos corriqueiros locais, q não deixam de ser um modo de vida bastante peculiar aos brasileiros.

Os demais dias continuei percorrendo a ilha em inúmeros bate-volta, ora sozinho ora na cia de gdes amizades q lá fizera, e assim descobrindo as belezas escondidas deste rincão q guarda leve sotaque tupiniquim. Percebi q a gde maioria das trilhas pode ser percorrida num dia só (em virtude da proibição de camping), mas nada impede q algumas sejam emendadas e resultem em autênticos mega-travessias. Alem de caminhadas, a ilha oferece bons locais de mergulho, uma volta completa à ilha de bike, alem da pratica de bunge-jump e salto de asa delta. Enfim, opções aventureiras não faltam. Basta descobri-las.

 

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Assim, a Ilha da Madeira tem a alcunha de ser o eterno "Jardim flutuante do Atlantico", predicado q ganhou dos europeus abonados desde q a mesma tornou-se seu refugio de verão. Mas pros brasileiros ela pode ser mto bem a "Floripa da Terrinha", já q agora ela atrai outro tipo de visitantes, pois seus encantos vão alem do vinho, seu casario colonial e seus famosos bordados. E se a ilha, juntamente com os Açores e as Ilhas Canárias (Espanha) correspondiam ao fim do mundo antes da descoberta da América, hj estes mesmos locais poderiam ser perfeitamente denominados o começo da Europa. Ou melhor, um lugar encravado no Atlântico c/ leve sotaque brasileiro q não trai a alma portuguesa em momento algum. Um local onde a gente tem a impressão de q nunca saiu de casa.

 

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Olá Jorge!

 

 

Andava eu lendo uns tópicos por aqui e, "por acaso" vi no rodapé uma chamada para este aqui, antiguinho... Sempre tive interesse por esta ilha (arquipélago, na verdade). Fiquei curioso pelo lugar e pelo autor, já conhecido de tantos e tão bons relatos aqui no Fórum...

 

Fato é que não dá para deixar passar em branco um relato desses, sem um comentário sequer, desde 2009! Dá-lhe Jorge Soto internacional!!!

 

Meu caro, muito bacana o relato da trip e a própria pernada, só senti falta das tradicionais fotos que tão bem ilustram teus relatos. Depois vou ver nos seus álbuns no Multiply se as encontro.

 

Grande abraço!

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Olá Jorge!

 

 

Andava eu lendo uns tópicos por aqui e, "por acaso" vi no rodapé uma chamada para este aqui, antiguinho... Sempre tive interesse por esta ilha (arquipélago, na verdade). Fiquei curioso pelo lugar e pelo autor, já conhecido de tantos e tão bons relatos aqui no Fórum...

 

Fato é que não dá para deixar passar em branco um relato desses, sem um comentário sequer, desde 2009! Dá-lhe Jorge Soto internacional!!!

 

Meu caro, muito bacana o relato da trip e a própria pernada, só senti falta das tradicionais fotos que tão bem ilustram teus relatos. Depois vou ver nos seus álbuns no Multiply se as encontro.

 

Grande abraço!

 

Getulio, ja fiz muuuuita coisa fora do pais. Essa pernada na Madeira foi na virada do seculo, pra vc ter ideia! Saudosa epoca (antes de 2004) de vacas gordas e bolso farto..rsrrs.. E por conta disso so me resta o Brasilzao pra andarilhar mais a fundo, descobrindo alguma coisa nova. Destas aventuras externas nao tenho muitos regiustros, ou se tiver sao de albuns em papel, nada digitalizado, certamente. E ainda por cima, mofando nalgum armario. Abracao meu caro..

http://jorgebeer.multiply.com/photos/album/200/Travessia-Pico-Ruivo-Arieiro#

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Olá Jorge!

 

 

Então, vi que essa é "das antigas". Tu até estava com cara de piá ainda... É, vi as fotos no teu álbum... Hehe!

Perdoe a ignorância, mas não conhecia esse seu lado internacional.

Abraço!

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Sou de Portugal, mas nunca fui á Ilha da Madeira, gostava muito (pelas suas fotos parece um lugar perfeito para pôr a mochila às costas e percorrer a Ilha inteira)

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Saudações!

Que postagem incrível! De vez em quando leio coisas aqui mas não comento (por não ter nada a acrescentar pois pouco viajei e não fiz mochilão ainda) mas esta foi demais. Obrigada! Tenho muita vontade de conhecer a Ilha da Madeira e os Açores, nem sai do Brasil ainda e não sou trilheira, mas lendo fiquei com vontade, além de sublinhar os arquipélagos na minha listinha de viagem, um dos poucos desejos além Brasil.

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    • Por Wilson Iwazawa
      Prólogo
      Virou costume.
      Nas ocasiões sociais, volta e meia um amigo ou parente solta a frase: “E aí, qual sua próxima caminhada?”. Confesso que fico surpreso, pois fiz pouquíssimas trilhas até hoje. Inclusive não faz muito tempo eu ia de carro à padaria da rua de baixo. Porém, pelos caminhos sinuosos da vida, acabei me encontrando pelas trilhas afora. E nos últimos tempos a resposta para tal pergunta era: “vou caminhar em torno do Mont Blanc, cruzando as fronteiras da França, Itália e Suíça.”
      Fiquei ciente desta trilha através dos relatos do Elias, do portal Extremos. Antes de pesquisar mais detalhes, a primeira palavra que me vinha à cabeça relacionada ao Tour era “neve”. Ainda não a conhecia pessoalmente. Seria uma ótima oportunidade, somado ao desafio físico mais intenso que a trilha demandaria. Valeria a pena cruzar o oceano para isso.
      Iniciei então as pesquisas sobre o TMB. Destaco algumas informações interessantes:
      A trilha percorre cerca de 170 km (dependendo da rota e das variantes escolhidas, pode aumentar um pouco) em torno do Mont Blanc, atravessando 3 países: França, Itália e Suíça. O sentido pode ser horário e anti-horário, sendo o último o mais tradicional (e que eu optei). Não há um lugar oficial de início. Tradicionalmente a maioria das pessoas inicia em Les Houches. Optei por fazer o mesmo, apesar de vir pela Itália. Teoricamente seria mais prático iniciar por Courmayeur. Porém descobri que dessa forma, os últimos 4 ou 5 dias formariam a sequência mais dura do percurso. Iniciando por Les Houches, quebraria estes dias difíceis em 2 partes. A duração do Tour pode variar entre 8 e 12 dias, dependendo do preparo e disponibilidade de tempo. O período para se fazer a trilha é restrito ao verão (final de Junho até meados de Setembro) pois a neve e o mau tempo inviabilizam boa parte da rota no restante do ano. O inverno de 2018 na Europa fora rigoroso, então eu estava ciente de que poderiam haver algumas complicações na trilha por conta do degelo mais tardio em algumas rotas. Pode-se contratar agência com guia, autoguiada (sem o guia, mas com as hospedagens e orientações de rota providenciadas) ou seguir por conta própria, fazendo pessoalmente as reservas. Optei pela última opção, após descobrir que a trilha é bem sinalizada. Encaro o planejamento como uma parte interessante da aventura. As hospedagens variam entre hotéis e albergues nos vilarejos, e abrigos de montanhas nas partes mais isoladas. Muita gente segue acampando, porém é bom atentar que nem todo trecho possui permissão para camping. Voando do Brasil, as cidades mais práticas para se pousar são Genebra, Paris ou Milão. Fui por Milão pois faria um tour pela Itália após a caminhada.
    • Por MarceloBarce
      (relato em vídeo no fim do post)
      Na primavera desse ano, fui visitar a região de Trentino-Alto Àdige, para conhecer os Dolomiti, no norte da Itália.
      Me hospedei no Youth Hostel Bolzano, que era um dos únicos na região.

      Fiz 3 dias de trilhas, mas vou falar primeiro dessa travessia que eu registrei em foto e vídeo.
      No hostel, eu conheci 3 americanos que também tinham bastante experiência em trilhas, e fui com eles.

      Era primavera (4 de junho), um dia ensolarado com previsão de chuva para o fim da tarde, fazia uns 27 graus de temperatura.
      A chuva parecia inofensiva, mas se revelou uma tempestade assustadora no alto da montanha e deixou a temperatura NEGATIVA.
      Este foi um dos dias mais incríveis, bonitos e assustadores da minha vida.
      A ROTA DA TRAVESSIA

      Tomamos um ônibus circular de Bolzano para a bela cidade de Selva di Val Gardena, 1 hora de viagem ao preço de 5 EUROS, esse seria o único custo do passeio.

      PLANO A: pegaríamos o bondinho de ski Dantercepies (bandeirinha verde do mapa, abaixo do plano B) e a partir dali, daríamos uma volta no Monte Puez, um lugar com vistas incríveis, e desceríamos pelo vale de Valunga (trecho azul do mapa).
      PLANO B: começaríamos a trilha pelo final do Plano A, o vale Valunga, e ao chegar no ponto mais alto (o coraçãozinho do mapa), voltaríamos pelo mesmo caminho.
      EMERGÊNCIA: esta foi uma rota de fuga que precisamos tomar para fugir da tempestade

       
      RELATO
      O dia estava lindo, a previsão era de sol com nuvens para a tarde toda com uma garoa no fim da tarde.


      Infelizmente, o bondinho Dantercepies estava em manutenção, e por isso fomos seguir o plano B, começando pelo vale de Valunga, que começa nesta foto acima.
      Valunga é fantástico, se parece muito com o vale de Yosemite dos EUA. Inclusive, eu diria que esta rocha em primeiro plano da foto acima é parecida com o famoso "El Capitan".
      Já estive nos 2 parques nacionais para fazer esta comparação. Os americanos que estavam comigo concordaram, hahaha.
      O legal do Valunga é que não passa carros no meio.


      As vistas eram lindas em todos os sentidos.

      Enfim, começou a grande subida do fim do plano B, uma parte muito íngreme com bastante escalaminhada e alguns trechos de neve bem perigosos em que um escorregão poderia ser fatal.
      Mas fomos com calma e cuidado, e deu tudo certo.

      A vista dali era fantástica, mas já começava a dar sinais de chuva.

      Para nossa surpresa, quando chegamos no final da subida, que era uma passagem de montanha, avistamos uma tempestade assustadora que não era visível antes.
      Do lado de onde viemos, o clima estava razoável... mas do outro lado da montanha, as nuvens estavam bem escuras e já estava chovendo:

      PRESTE ATENÇÃO naquela cidadezinha no canto inferior direito da foto, este lugar se chama Colfosco e foi nossa salvação.
      Estávamos num lugar com pouca visibilidade dos arredores, subi num ponto mais alto antes que fosse tarde, para ver qual seria a direção mais segura para fugir da tempestade:

      Repare nas duas fotos acima que a chuva já havia mudado de lugar, use a montanha pontuda (monte Sassongher) como ponto de referência.
      Foi questão de 10 minutos para eu descer e a chuva pegar a gente.
      Daí pra frente, as coisas só pioraram.
      Nosso plano de voltar pelo mesmo caminho foi por água abaixo (literalmente), porque seria impossível descer aquele trecho íngreme de neve com chuva.
      Optamos por seguir a trilha do plano A até encontrar um dos abrigos de montanha da região, que estaria a mais ou menos 2 horas de distância.



      Porém, este plano também não deu certo.
      Começou uma tempestade de granizo muito forte com MUITOS RAIOS e nós tivemos que nos separar e abaixar, para diminuir a chance de tomar um raio.
      Estimamos que a temperatura baixou para -5 graus.
      A paisagem que antes estava verde e ensolarada, ficou cinzenta, coberta de neve e granizo.
      Estávamos todos com casacos corta-vento impermeáveis, bem protegidos, mas vestindo shorts, o que obviamente tornou a experiência bem fria, apesar de suportável (graças às jaquetas).
      O local era SUPER EXPOSTO, pois se tratava de um platô gigante. O melhor que podíamos fazer era tentar ficar numa parte menos alta.

      Na foto: eu em primeiro plano, Micky de jaqueta vermelha no fundo, Nathan de preto mais ao fundo, Elsa de preto no canto esquerdo da foto.
      Foi aí que traçamos a rota de emergência!
      Nós não voltaríamos mais para Val Gardena, porque as duas rotas (plano A e B) estavam extremamente perigosas, e eram os únicos caminhos de volta.
      A prioridade agora era encontrar um abrigo para salvar a nossa pele.

      Após a chuva diminuir, nós desceríamos para a cidade de Colfosco, que fica do outro lado da montanha e tem uma trilha quase plana cercada por montanhas, que era menos exposta aos raios, mas não menos desoladora.

      Tivemos que atravessar algumas cachoeiras de lama causadas pela chuva, mas não foi difícil e deu tudo certo:

      Esta descida pela rota de emergência durou aproximadamente 1 hora e meia, e apesar dos trovões assustadores e da garoa que não parava, essa rota passou segurança.
      Claramente, foi uma decisão sensata abrir mão de retornar a Val Gardena.
      Chegando em Colfosco, batemos na porta de uma casa que tinha luzes acesas e fomos recebidos por uma senhora MUITO hospitaleira que nos deu toalhas e preparou um chá para cada um.
      Rachamos um taxi para Bolzano, que saiu 30 euros por pessoa. Se não fosse isso, o passeio inteiro teria custado apenas 10 euros de ida e volta do ônibus. Ao fim, saiu 35 euros.
      Valeu a pena? Sim, hahahahahaha.

      Abaixo, o relato em vídeo, no meu canal, para vocês terem uma noção do que foi:
       

      Obrigado, espero que gostem.
      Qualquer dúvida, é só perguntar
    • Por Carlois
      Pessoal,
      acho que podiamos começar uns relatos de peregrinações. Afinal muita gente fala do Caminho de Saniago, bem como, os daqui no Brasil, o Caminho da Fé até Aparecida com uns 15 dias e os Passos de Anchieta nas praias do Espirito Santo, entre outros.
    • Por leduardol
      Tópico para concatenar dados e experiências sobre a famosa trilha do GR20 na ilha de Córsega.
    • Por peter tofte
      Hej, hej !!
       
      Minha mulher me propôs um cruzeiro pelo Báltico. Não gosto de cruzeiros, mas casamento, entre outras coisas, é conciliação de interesses. Vi a oportunidade de fazer uma trilha famosa, sobre a qual havia lido fazia algum tempo.
       
      O cruzeiro foi bom, com visitas a cidades históricas lindas do mar Báltico. Deixamos o navio em Stockholm, ao invés de voltarmos ao início do roteiro, em Kiel (Alemanha).
       
      Ficamos dois dias e meio nesta maravilhosa capital da Suécia. De lá minha esposa regressou ao Brasil. Eu tinha férias maiores e ficaria mais uma semana na Escandinávia.
       
      Segui para Kiruna e de lá para Abisko, bem dentro do círculo polar ártico, para iniciar a trilha.
       
      A Kungsleden (Trilha do Rei, em sueco) tem 450 km no total e percorre de Norte a Sul parte da Suécia, começando em Abisko. É bem antiga, foi criada em 1905 e é considerada a trilha mais selvagem da Europa. Entretanto eu só tinha 6 dias e assim resolvi percorrer o trecho mais popular (e um dos mais bonitos), de Abisko até Nikkaluokta, num total de 105 km.
       
      No trecho que iria percorrer ocorre a Fjällraven, um evento anual que reúne cerca de 1.600 trekkers em meados de agosto.
       

       
      05/09/2014
       
      Quando o avião iniciou o procedimento de pouso e atravessou as nuvens, apareceu uma extensa tundra com pequenas lagunas e bosques isolados de árvores baixas. Em seguida surgiu a cidade de Kiruna. Não gostei do que vi: uma cidade grande, mineira, com enormes montanhas de minério de ferro (ore) e um grande pátio ferroviário para transportar o minério até um porto na Noruega (Narvik) ou para outro na costa do Báltico. Ao saltar do avião 13 hr, no pequeno aeroporto, o termômetro indicava 10ºC e chuviscava. Bela recepção. Peguei um ônibus (shuttle service) até a estação de ônibus da cidade. Lá parti no último ônibus para Abisko, as 14:20. Uma hora e meia de viagem e saltei na Abisko Turiststation, onde começa a Kungsleden.
       
      Comprei gás para meu fogareiro, pão, um mapa da trilha e um sanduíche, que seria meu almoço. Saí do mercadinho apenas às 16 horas. Tirei uma foto do grande lago Torneträsk. Sabia que anoitece tarde assim não estava apressado. No portal de entrada da trilha um casal de velhinhos tirou minha foto, pose tradicional para quem começa a fazer a trilha.
       

       
      Ao partir, um corvo grasnou. M.....! Sinal de azar, pensei. Mas a beleza da trilha rapidamente me fez esquecer isto. Um rio bonito de águas geladas e cristalinas surgiu à direita, o Abiskojåkka. Peguei água e tirei fotos. A trilha seguia através de um bosque pequeno de folhas já amareladas e caindo.
       

       
      Segui apressado porque até Abiskojaure, primeiro refúgio de montanha, seriam 14 km. No caminho, as margens do rio, um local para acampar com sanitários. Um casal de idosos assava lingüiças numa fogueira e uma linda sueca fazia tricô, sentada numa rocha. Lá vi duas tendas da famosa marca sueca Hilleberg: uma Akto e uma Nallo. Não fiquei ali porque achei muito perto e cedo para acampar. Porém as 18:30 resolvi parar. Ainda faltava uma hora e meia até o refúgio. Achei um local bonito a beira do rio. Armei a barraca e usei a toalhinha molhada para um banho de gato. Só escureceu às 21 horas.
       

       
      06/09/2014
       
      O dia clareou as 4:30 hr. Permaneci deitado até seis e meia. A noite foi agradável. Dentro da barraca ficou entre 9 e 10°C. Já peguei frio maior na Patagônia e nos Andes. Comi um müsli com leite e chá verde e parti 7:40. Hoje teria que compensar o que não fiz ontem (chegar ao refúgio Abiskojaure) e alcançar o seguinte, o Alesjaure. Cheguei ao lago Ábeskojávri, onde havia umas casas fechadas do povo Saami, provavelmente só usadas no inverno. O refúgio tradicional é um cone feito com troncos de árvores recobertos com cascas e tundra, garantindo o isolamento térmico.
       

       
      Uma hora depois cheguei ao Abiskojaure, mas não entrei no refúgio porque ficava meio fora do caminho. Comecei a encontrar outras pessoas desmontando acampamento e tomando café da manhã. Neste ponto, a trilha, que seguia deste Abisko rumo SO, passa a tomar o rumo Sul, em seguida SE e sobe um vale entre as montanhas Giron e Gärddenvárri. Ali, perto do topo, um meditationplats, com vista bonita. Ao longo da trilha há vários destes pontos de meditação. Neste vale avistei as primeiras renas, numa crista. Elas eram ariscas. Ao avistarem gente subiam mais a montanha, se afastando.
       

       
      Alcancei um altiplano acima da linha das árvores, a 800 metros de altura. Uma altitude baixa, mas como estamos dentro do círculo polar, nesta altura já não existem árvores. Ao longe, a NO, quase fronteira com a Noruega, os maciços nevados do Vuóidoasriida e do Vássencohkka. No altiplano uma sucessão de lagunas e um pequeno acampamento Saami.
       

       
      Uma hora adiante um grupo de pessoas lanchando atrás de uma crista, protegidas do frio vento SO. Resolvi parar ali também para almoçar. Puxei conversa com um casal de velhinhos e descobri que todo aquele grupo de idosos era da Austrália. A única jovem era uma bonita guia sueca com cabelo rastafari. Ela estava com uma faca e um salame na mão e oferecia para o grupo. Aproximou-se e ofereceu. Agradeci, mas disse que já tinha meu salame (estava comendo ele). Mas ela, com um jeito viking decidido, disse: "Mas o meu é bem melhor que o seu". Cortou um pedaço e estendeu para mim. Uma delícia, exclamei. Ela orgulhosa explicou que o salame era de carne de rena seca, defumada e temperada, feita na aldeia onde vivia. E me passou outro pedaço. Em seguida ela e o grupo partiram, indo em sentido contrário.
       

       
      Pouco depois eu parti. Uma espécie de perdigão (grouse) apareceu na trilha. Ainda tinha um longo caminho até Alesjaure. Do lado esquerdo, o belo lago Rádujávri e o glaciar Godu, entre as montanhas Kåtotjåkka e a Njuikkostak. Uma das vistas mais bonitas do trekking. Um vento SO bateu de frente até chegar ao refúgio Alesjaure às 16 horas.
       

       
      Fui logo para o refeitório onde tomei dois capuccinos para reanimar. Andar com um vento frio e forte na cara é cansativo. E minha mochila estava com 19 kg. O refúgio consiste de meia dúzia de casas, uma delas é uma sauna. Fica no extremo sul do lago Alisjávri, junto ao desaguadouro deste lago. Tomei uma sauna deliciosa (50 SEK). O problema é que fiquei sozinho com um grupo de alemães. Ainda bem que não perguntaram de onde vinha. Poderia vir uma gozação pelo sete a um na semifinal da Copa.
       

       
      Depois fui para o refeitório escrever o diário e estudar o mapa. Amanhã teria uns 25 km até Sälka, cruzando o ponto mais alto da trilha, o passo Tjäktja, com 1.100 metros de altura. Hoje calculo que percorri cerca de 29 km.
       
      No final da estação podemos acampar ao lado dos refúgios sem pagar por isto. Porém se usarmos os alojamentos, toaletes, a cozinha e sauna, devemos pagar. A sauna pode se pagar em separado. Tem um mercadinho razoavelmente provisionado. Se soubesse não traria toda a comida (e o peso) desde o inicio da trilha.
       

       
      Continua...















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