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Olá pessoal,

 

Estive pesquisando a respeito do Parque Nacional dos Aparados da Serra e Serra Geral. Achei as paisagens deslumbrantes, principalemente os Canyons Itambezinho e Fortaleza.

Olhando o site dos albergues (Hostelling International), vi que tem um hostel em Praia Grande - SC. Lá diz que essa cidade fica no entrono desses parques. Fica a 280km de Florianópolis e a 210 de Porto Alegre. Até aí ok.

Porém, estive vendo alguns relatos, e não li nenhum de alguém que já tenha ficado nessa cidade de Praia Grande. Todos ficam no RS - Cambará do Sul (não tem albergue HI nessa cidade :( )

 

Alguém já se hospedou nessa cidade de Praia Grande? Qual é a melhor cidade para hospedar? Alguém já foi para lá em Junho? Qual é a melhor época?

Dá para chegar de ônibus lá?

 

Muito obrigada,

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Oi Gente

Alguém já fez o Circuito do Vale Europeu de carro? Eu vi algumas fotos de Cicloturismo na região e achei muito legal, mas no momento nossas bikes estão encostadas e pensei se seria legal fazer este percurso de carro mesmo.

Será que tem belas paisagens, lugares legais pra conhecer?

A Viagem pra Serra Catarinense tá na fila, mas pra fazer a viagem que eu quero preciso de pelo menos 4 dias e no momento só dispomos de final de semana.

Alguma dica?

 

Abraço a todos

Viviane

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  • 4 semanas depois...
  • Membros

Ano passado não deu para eu visitar as Serras catarinenses... mas esse ano eu vou com certeza. Mas continua a minha luta pra encontrar onibus de florianopolis para Urubici. O unico onibus que encontrei de Floripa para Urubici sai no fim da tarde e chega tarde da noite em urubici, horario meio ruim para quem ainda vai andando para alguma pousada ou Campi.. E ainda tem o problema de transporte para quem quer seguir para o refugio de Rio Canoas. pois não a taxi e nem onibus pela rodovia 439. Alguem tem alguma ideia? estarei indo para la no incio de agosto.

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Patrícia,

 

o QG para conhecer os canios é Cambará do Sul, tem uma estrutura enorme de pousadas e hoteis, mas de longe terá algum no HI...

Qualquer época do ano é excelente para visitar, nos feriados a cidade que é bem pequena fica repleta e vaga nos hoteis só mesmo com 2 a 3 meses de reserva antecipada. O que acontece é que as pessoas de lá, saem de suas casa e as alugam inteira para os turistas. Verdade, vc aluga a casa toda, por R$ 50,00 por pessoa. informações na Secretaria de Turismo qdo vc chega lá. Não fazem reserva desse tipo de casa por telefone pelo que sei.

 

Pode-se chegar de ônibus saindo de POA, Gramado e São Francisco de Paula, a empresa que faz é a Helios.

 

vivi_couto

 

As paisagens da região são deslumbrantes, se tu estiver de carro facilita bastante porque não precisará depender de ônibus....Ibirama tem cascading / canyoning, sugiro que seja visitada no Verão... Nesta região tem várias cervejarias que valem a visita... Blumenau é uma maravilhosa cidade, que apesar de sofrer com as intempéreis da natureza, conta com um povo maravilhoso e super acolhedor... Pomerode e suas ruas de calçamento brilhante, seus cafés e chocolates pouco conhecidos, mas deliciosos, enfim.... Pode-se ficar tranquilamente na região um fim de semana que será bem aproveitado...

 

A região de Nova Trento, que, apesar de não pertencer ao "Vale Europeu", tem o Santuário da Madre Paulina, mas se vc não for católica não tem problema, tem várias vinícolas na região que valem a visita.

 

tonyldo

Encontrei passagens pela Reunidas, saindo de Floripa às 18:30 e chegada em Urubici às 22:00 horas, segue o link... http://ecom.reunidas.com.br/cgi-bin/horario.cgi. Ah, início de agosto estará no auge do frio...

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  • 2 semanas depois...
  • 2 semanas depois...
  • Membros
Ano passado não deu para eu visitar as Serras catarinenses... mas esse ano eu vou com certeza. Mas continua a minha luta pra encontrar onibus de florianopolis para Urubici. O unico onibus que encontrei de Floripa para Urubici sai no fim da tarde e chega tarde da noite em urubici, horario meio ruim para quem ainda vai andando para alguma pousada ou Campi.. E ainda tem o problema de transporte para quem quer seguir para o refugio de Rio Canoas. pois não a taxi e nem onibus pela rodovia 439. Alguem tem alguma ideia? estarei indo para la no incio de agosto.

 

Olá Tonyldo, espero que ajude, mesmo sendo já tarde de sua pergunta.. Tem uma "linha" fns-urubici todo dia, feito por duas S-10 e Blazer, que possuem toda a documentação, e regularização para transporte diário neste trecho. (48) 99722257 é o telefone do Gidiomar e (48) 99672262 do Gilson. Diariamente eles fazem FNS-uru. e se não me engano três vezes por semana Lages-urubici passando por São Joaquim. Tem que ser com antecedência de uns 4 dias. FNS-uru se não me engano fica em 35,oo reais, mas ele te pegaria creio eu em qualquer lugar ali do centro de floripa São José, Biguaçu. Espero que ajude.

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  • 9 meses depois...
  • Membros

Fui passar um final de semana em Urubici e deixo aqui algumas dicas:

 

- Atrações turísticas:

Numa ponta da avenida principal (Av. Adolfo Konder, nº 2387) há um posto de informações turisticas, lá há mapas com as atrações da cidade.

Para poder ver a pedra furada no morro da igreja veja bem a previsão do tempo e só vá até Urubici se realmente estiver ensolarado e sem nuvens! Qdo eu fui constava nas previsões do tempo sol com nuvens a tarde, e infelizmente não vi a pedra furada, nem de manhã e muito menos a tarde. Conforme iamos subindo o morro da igreja vinha a neblina e cada vez mais densa. Nao foi possível ver nada. Então fica para uma próxima!

Serra do Corvo Branco, impressionante!

Fui também conhecer o Morro do Campestre e não achei nada demais, apesar que nas fotos parece interessante. Não recomendo!

 

- Hospedagem:

Urubici Park Hotel. Bom custo/benefício. Fica localizado na avenida principal de Urubici.

Quando não é alta temporada muitas pousadas não funcionam, encerram temporariamente seus serviços.

 

- Dicas gastronômicas:

Átrio Restaurente, especializado em truta. Bonito lugar e gostosa comida.

No começo da subida do Morro da Igreja há uma ruazinha a esquerda (para quem sobe) com uma placa pequena indicando a venda de geléias. Vale a pena entrar nessa ruazinha e ir até a casa. Além de ótimas geléias e pães há uma vista muito bonita para um vale.

 

Fui embora de Urubici pela Serra do Rio do Rastro (distância entre elas 87km). Outra atração que vale a pena ser conhecida na Serra Catarinense!

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  • 2 semanas depois...
  • Membros de Honra

IMPORTANTE: estaremos sem carro e vou em pleno inverno

confesso q qto mais leio mais desanimo, pois parece dificil ir p/ essa região s/ carro... Não vamos alugar um, terá q ser tudo na base de bus e táxi/agencia mesmo...

 

dúvidas:

 

1) pela pesquisa básica q fiz, parece q Urubici tem mais infraestrutura do que SJoaquim e Bom Jardim da Serra. Ficar em Urubici é uma boa escolha? Apesar d dizerem q as pousadas melhores ficam na área rural, pretendemos ficar no centro (pela falta d carro). O centrinho é turistico? quero dizer, tem restaurantes, lojinhas, dá p/ dar uma caminhada à noite?

 

2) como fazer os passeios s/ carro? Tem alguma agência na cidade q oferece passeios? Ou terei q contratar guia e/ou taxi?

 

3) quero passar pela Serra do Corvo Branco. Qual a opção? Contratar taxi a partir de Urubici?

 

4) fiquei interessada pela Serra do Rio do Rastro, mas como percorrê-la sem carro próprio? Terá q ser na base do táxi? qual a logistica? Vou de bus p/ Bom Jardim da Serra e de lá parto p/ Lauro Müller?

 

5) tem onibus q interligue essas cidades (Urubici, SJoaquim e Bom Jardim da Serra)?

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  • Membros de Honra

Olá, Naomi, não se desespere, o inverno na região é muito atrativo!

 

1) Urubici é um ponto bem estratégico, São joaquim tem poucas opções de hospedagem.

 

2) Por agências, só tenho os telefones:

 

Tribo da Serra Ecoturismo

Fone: (49) 3233-4117

 

Urubici Ecoturismo

Fone: (49) 9125 7198

 

3) por agência vc consegue.

 

4) A Serra do Rio do Rastro é maravilhosa, mas sem carro não sei como faria pra aproveitar,

 

entende, pq é um lugar pra vc ir parando e curtindo, as paisagens são deslumbrantes!

 

Mas tem opções de ônbus tb.

 

5) ônibus das empresas: Alvorada, Reunidas, Santo Anjo, Catarinense, São José, ZTL e Nevatur,

 

mas o horário e valores é preciso confirmar com eles, infelizmente algumas não tem site.

 

Reunidas, Santo Anjo e Catarinense tem site.

 

6) Recomendo fortemente que vc, se tiver tempo, inclua, caso ainda não conheça,

 

a região dos Canions, entre SC e RS (Praia Grande - SC e Cambará do Sul - RS, partindo por SC.

 

Em SC vc tem a opão de fazer a trilha do Rio do Boi e por Cambará vc tem os outros cânions.

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  • Silnei changed the title to São Joaquim e Urubici

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    • Por Marlon Escoteiro
      Travessia do Campo dos Padres – SC – julho de 2020 – 80 km em 5 dias – Do Cânion Espraiado, Morro da Boa Vista até o Morro das Pedras Brancas

      *INFORMAÇÃO*: Essa travessia é realizada em área particular é OBRIGATÓRIO solicitar AUTORIZAÇÃO para passar nas propriedades do Campo dos Padres. Vamos respeitar os proprietários e manter o local aberto para que possamos continuar com nossas travessias e trekking.
      Entrar em contato com a Fazenda Búfalo da Neve.
      Instagram: @fazendabufalodaneve  via direct
      Fone: 48-99617 7552 Arno Philippi – 48-99152 1277 Lucas Philippi
      *IMPORTANTE*
      -NÃO FAÇA FOGO NUNCA – Use fogareiro
      -LEVE TODO O SEU LIXO EMBORA
      -TUBOSTÃO (Vamos todos começar a usar esse banheiro) nesta região estão muitas nascentes importantes de SC, é necessário mantermos o meio ambiente em equilíbrio e limpo. Temos outras áreas de montanha do Brasil como o Pico Paraná e Pedra da Mina que já estamos tendo problemas sérios de contaminação por conta das fezes, papel higiênico e dos lenços umedecidos deixados nos “banheiros” ao redor das áreas de acampamento. O TUBOSTÃO serve para vc levar tudo isso de volta para a sua casa e descartar no lixo.
       
      Vamos a Travessia
      Essa travessia eu tinha combinado com meu parceiro Bernhard que já havia ido comigo em Itatiaia, porém tive um imprevisto na empresa e acabamos não indo. Sorte nossa, pois foi bem na semana do tal ciclone bomba que destruiu muita coisa em Santa Catarina e no Campo dos Padres não foi diferente, tem áreas de mata lá que parece que passou um trator derrubando tudo. Neste interim entrou em contato comigo o Rafael @dinklerafa perguntando sobre a travessia solo que eu havia feito entre Urubici e Bom Jardim da Serra pelo PNSJ. E que ele estava programando vir para a serra catarinense fazer uma travessia, eu disse que ainda estava em aberto ir para lá e assim combinamos a parceria para a travessia. Marcamos então nos encontrar em Urubici na Pedra da Águia no vale do Rio Canoas no domingo a noite. O meu amigo Bernhard começou a trabalhar naquela semana infelizmente mas por sorte minha foi em Lages, e aproveitei a carona com ele saindo de Itajaí.
      1° Dia – Pedra da Águia
      Este dia já começou de noite. Kkkkkkk cheguei no ponto de encontro quase as 20h, garoava um pouco naquele momento quando o Bernhard me deixou no Vale do Rio Canoas junto a propriedade Pedra da Águia que serve como base para camping e estacionamento para aqueles que vão para o Cânion Espraiado. Chamei na casa e ninguém atendeu apesar de as luzes estarem acesas e ter carro ali estacionado, tão pouco sinal do meu parceiro Rafa que a esse momento já deveria estar por ali, dei uma olhada ao redor para ver se já não estava acampado, mas não encontrei. Aproveitei o ultimo facho de luz do farol do carro e montei próximo ao rio minha barraca. Quando estava ajeitando minhas coisas o Rafa aparece do meio do nada! Ele disse que o taxista deixou ele uns 5 km adiante já em direção ao Cânion Espraiado e ele teve que voltar andando pela estrada na chuva. Ali nos conhecemos e fomos conversando, um cara muito bacana. Enquanto preparávamos nosso rango o papo fluía. Acertamos alguns detalhes referente a travessia como um todo e do próximo dia também, o qual ao invés de seguir o caminho tradicional pela estrada para alcançar o Cânion Espraiado, sugeri então contornar a Pedra da Águia e passar por trás dela e seguir até a borda da Serra Geral próximo ao Corvo Branco e então seguir sentido norte bordeando os peraus até chegar ao Cânion Espraiado. Logo em seguida fomos dormir para descansar.

      2° Dia – Pedra da Águia até o Cânion Espraiado – 12km de trilha

      Acordamos cedo, ainda estava meio nublado mas entre as nuvens já víamos que iriamos ter um dia limpo pela frente. Enquanto a água ia fervendo para o café íamos desmontando o campo e arrumando a mochila. O vale do Rio Canoas nessa região é muito bonito com a vista da Pedra da Águia de fundo as araucárias na extensão do vale e o rio descendo suavemente entre as pedras. Após tudo pronto começamos nossa caminhada as 8h, os cachorros vieram nos seguindo uma parte da estrada e foram dispersando um a um, mas sobrou um pretinho que nos acompanhou toda a trilha. Logo quando contornamos a pedra da Águia passamos pela casa do Candimiro e ficamos ali um tempo de prosa com ele que nos autorizou passar pela propriedade e assim seguimos nosso rumo. Uma subida suave por uma antiga estrada que já não passa mais carro.



      Depois de uma hora e pouco de trilha chegamos a borda da Serra Geral ao sul estava a estrada da Serra do Corvo Branco na direção norte o Cânion Espraiado, paramos para curtir o visual e tirar fotos, naquele momento nos preocupamos um pouco com o cachorro pretinho que vinha nos seguindo. O caminho todo foi bordeando a serra seguindo a estradinha abandonada na margem direita do Espraiado. Em um certo ponto chegamos em uma depressão onde formava um pequeno Cânion afluente do rio Canoas em direção oposta a borda da serra geral ali tinha uma pequena faixa de mata para cruzar e adiante seguimos andando pelos campos, banhados e turfeiras que seriam uma constante em toda a travessia e também curtindo o visual do Cânion. 


      Passado das 13h paramos de frente para a cachoeira do Adão para almoçar. Tinha sobrado um macarrão com linguiça Blumenau da noite anterior e já pus na panela, ainda fervi água para um bom chá de hortelã com gengibre e ali ficamos contemplando aquele visual. Quando retornamos a caminhada vimos logo acima do vértice do Cânion que havia um objeto retangular e ficamos imaginando o que poderia ser, o Rafa falou que poderia ser uma placa informativa eu já pensei que fosse tipo um deposito/armário de madeira para guardar o material do pendulo.  Quando chegamos lá a nossa surpresa foi que era uma geladeira da Cervejaria Patagônia, eles estavam fazendo um comercial publicitário. Ali encontramos também a Carol proprietária da Fazenda Espraiado e ela nos indicou ir na cachoeira e avisou que a outra parte da borda do Cânion estava proibido passar por problemas de vizinhos e uso da área. Descemos até a cachoeira, que na realidade são 2 uma primeira menor que forma um baita poço para banho e a queda principal que desagua por 86m Cânion abaixo. Neste momento flagramos o pretinho abocanhando alguma coisa no mato e quando vimos era um tipo de roedor que em seguida ele soltou no chão.



      Logo fomos em direção a sede da fazenda onde é o camping e hostel do Cânion Espraiado. Ali conversamos com o Jacaré do Cânion que trabalha na fazenda, acertamos com ele o valor de R$ 40 pelo pernoite em camping, comemos um pastel muito bom e montamos nossa barraca, depois ficamos no galpão crioulo ao redor do fogo de chão proseando e tomando uma cerveja Patagônia com o Jacaré. Aproveitei para secar minhas meias, com os furos que minha bota tinha e os banhados no caminho esse seria um problema que eu enfrentaria todos os dias com os pés molhados. Também recarregamos o celular e aproveitamos para mandar as últimas mensagens pois a partir dali não teria mais sinal pelos próximos 4 dias. Preparei minha janta uma bela polenta com bacon e conversando com o pessoal, falaram que a partir dos 2 próximos dias viria uma frente fria muito forte. Pegamos umas dicas da trilha para o próximo dia cedo em direção ao Morro da Antena (agora montanha infinita) para ver o nascer do Sol e em seguida fomos dormir.




       


       
      3° Dia – Cânion Espraiado – Campo dos Padres – parte alta do Rio Canoas - 18km de trilha

      Acordamos as 4h30 pois queríamos estar as 7h para o nascer do sol. Já fomos desmontando a barraca e o frio já era forte na escuridão da madrugada, havia um pouco de gelo no sobreteto da barraca. Após tudo desmontado tomamos um café passado pelo Jacaré dentro do galpão e comi meu pão sírio com polengui, queijo e salame, além do meu super brownie com malto e dextrose além de algumas castanhas (esse seria meu cardápio de café da manhã de todos os dias). As 6h horas seguimos pela trilha por entre a mata até o topo do morro da Antena e já no chapadão do cume presenciamos várias poças de água congeladas.


       
      As 7h05 foi o alvorada sobre um mar de nuvens aos nossos pés e um céu limpo sobre nossas cabeças, a vista do Cânion espraiado lá de cima é linda e ainda é possível ver toda a extensão da Serra Geral com destaque para as Pirâmides Sagradas e o Morro da Igreja. Estive nesse morro em 2001 subimos eu e o meu amigo BIG Daniel Casagrande de Toyota Bandeirante, na época ainda havia a Antena em pé, hoje ela foi derrubada, lembro que nós curtimos o visual por ali e quando decidimos ir embora atolamos a Toyota e quem disse que conseguimos tirar.... foi uma longa história e uma grande aventura. Voltando a 2020, nossa ideia original era seguir bordeando até chegar no rio canoas, pois pela carta teria somente 2 faixas de mata pra cruzar morro acima. Mas ai o Jacaré nos indicou seguir pela estrada e lá adiante passando a porteira entrar na antiga estradinha, eu sabia que havia essa trilha, mas tinha receio de seguir pois era uma mata grande, e imaginava ter vários caminhos por conta do gado.





      Mas enfim mudamos nosso plano inicial e seguimos então pelo caminho sugerido. Logo que passamos a porteira eu vi uma estradinha seguindo adiante e outra descendo, supus que essa seria a estrada, ledo engano..... descemos o morro e cortamos a estradinha para lá embaixo tentar encontrar ela de novo, havia um morro bem grande de mata a frente que se estendia a leste até a borda da serra e para o lado oposto a oeste entre esse morro havia uma encosta suave de mata e a borda do profundo Cânion do rio canoas, a trilha só podia ser nesta encosta suave e fomos descendo mas não encontrei a estrada. Seguimos adiante pela mata até chegar ao rio que já formava um pequeno desnível, pensei que já fosse o começo do Cânion afluente do Cânion principal do rio canoas. Demos uma volta enorme em círculo e voltamos para o mesmo lugar. Seguimos acompanhando a estrada e tentamos mais uma vez descer na direção daquela encosta, mas a mato tava muito fechado voltamos mais uma vez para a estrada e então decidimos seguir a estrada, logo adiante vimos uma casa e antes de chegar nela uma entrada a direita com cara de estrada abandonada. Só podia ser essa. Bingo! Já era 12h passado e então paramos ali na estradinha e fizemos nosso almoço o meu seguiu o mesmo cardápio do café da manhã sendo pão sírio, polengui, queijo e salame e chá de hortelã com gengibre, e assim foi todos os dias. Depois de 40min de pausa retornamos a trilha. A trilha é em uma antiga estrada abandonada que não é mais possível transitar de carro nem de 4x4, somente a pé ou a cavalo, uma descida suave por entre a mata de araucárias até chegar em um pequeno rio que corria sentido Cânion do rio canoas. Esse era o ponto mais baixo e após o rio a trilha começava a subir. “A algumas horas atrás chegamos bem perto deste rio porem a mata estava muito fechada e o rio afunilava em um brete e não conseguimos achar um caminho para passar e acabamos voltando”.



      Lá adiante na trilha encontramos um barraco destruído e depois cruzamos com um pequeno rio onde fomos seguindo ele rio acima até a trilhar sumir no mato, ali percebemos que em algum lugar lá atrás teríamos que ter contornado o morro. Resolvemos então subir aquela encosta de mata bem fechada com muitos xaxins, bambus e mata nebular. Foi um momento um pouco tenso pois já eram umas 17h sabíamos que estávamos no rumo certo, mas não na trilha e onde estávamos não tinha como acampar. Fomos mirando o topo tendo as copas das araucárias ainda iluminados pelo sol. Quando alcançamos então a parte mais alta abriu um pequeno descampado sujo com vassouras, porem plano e com condições de acampar. Decidimos seguir ainda um pouco mais adiante até as margens do Rio Canoas, mas de qualquer forma não fomos muito longe e acampamos por ali mesmo. Aquela noite prometia muito frio, tratamos de montar nossas barracas e a escuridão já tomou conta e o frio veio junto. Arrumei minhas coisas e tratei de ferver uma água para o chá e picar o bacon, quando comecei a fritar o Rafa já sentiu o cheiro maravilhoso do bacon, e ele com aquela comida liofilizada dele. Prometo que vou tentar de novo, nem que seja levar para uma noite a liofilizada, confesso que ainda venho tentando uma comida boa e leve sem abrir mão de certos luxos que conquistei nesses 30 anos de acampamentos, mas que agora com a idade e falta de tempo para treinar a boa forma já não posso mais carregar tanta coisa, sei que tenho que diminuir peso. Nesta travessia eu pesei item por item antes de sair de casa, desde celular, meia, cueca, itens de primeiros socorros, comida, enfim tudo grama por grama e encontrei que eu carregava no corpo 3kg contanto botas, roupas, bastão...; na mochila mais 24kg contando 4 litros de água que me dispus a levar mesmo com a fartura de água da região somente para testar meu consumo e uso em cozinha. É muito interessante pesar pois sempre imaginamos o quanto levamos, mas só anotando tudo e fazendo um verdadeiro checklist é que sabemos o quanto de peso realmente carregamos e não sabemos.

       
       
      Depois da janta ainda era cedo e não conseguiria dormir, então decidi sair da barraca para ver o céu estrelado, minha saída noturna não demorou mais que o suficiente para ir ao banheiro e voltar correndo para a barraca de tanto frio que fazia. Nessa noite os termômetros bateram negativos os - 8ºC dormi no limite do frio essa noite.
       
      4° Dia – Parte alta do Rio Canoas – Cemitério – Borda da Trilha dos Índios – Morro do Campo dos Padres – Morro da Boa Vista - 15 km de trilha

      Acordamos pelas 6h mas o frio era tanto que não deu vontade de sair do saco de dormir, o sobreteto da barraca do Rafa congelou a condensação, neste quesito estava muito satisfeito com a minha Naturehike Cirrus pois o layout dela permite uma boa ventilação e evita o acumulo de condensação, mas vi que tinha que fazer alguns ajustes no sobreteto para incluir mais 2 pontos de cada lado para fixar mais espeques e poder abaixar mais a lona para o vento não entrar tanto em dias frios. Também tive minhas meias congeladas e a água nas garrafas estavam congeladas. Já pus a água para ferver e fazer meu café na Pressca e ao mesmo tempo já ir guardando minhas coisas. Mas foi difícil desmontar a barraca, os dedos doíam de tanto frio. Eram 7h30 e saímos, vimos que 1h30 era o tempo que precisávamos para começar o dia. Logo adiante avistamos uma cabana bem bonita de madeira que é a sede da Fazenda Búfalo da Neve, passamos ao lado e seguimos adiante descendo a encosta do vale do rio canoas até atingir suas margens, havia muita geada no pasto e as poças d´água no caminho estavam congeladas e também partes do rio onde a água estava parada.







      Aproveitamos para repor nossos cantis e tirar fotos com os pedaços de gelo. Essa parte é muito linda, o vale com os morros de mata de araucárias, o rio e suas curvas e os campos formavam uma bela paisagem. Fomos subindo o rio e logo alcançamos uma pequena cachoeira e uma taipa de pedra logo acima formando um caminho de tropeiros e por ali seguimos dando uma grande volta para desviar a várzea do rio que formava um banhado e suas turfeiras. Logo adiante vimos 1 casa azul e 1 galpão passamos por ela e logo a frente no vale havia um morro isolado, pelas minhas contas ali deveria ser o cemitério. Uma subida íngreme e logo no topo já vimos um quadrado de taipa e ali estava o cemitério, haviam 3 túmulos com cruz, uma lapide que não conseguimos ler e ao que parecia algumas covas abertas. Interessante imaginar um lugar inóspito daquele que outrora pessoas moravam ali em um passado não muito distante, mas longe da civilização. E tinham que ali mesmo enterrar seus entes queridos, escolheram um belo lugar para ser os Campos Elíseos destas pessoas.





      Logo descemos a encosta em direção ao rio canoas e dali iremos a leste para alcançar as bordas da Serra Geral. Naquela altura quando atravessamos o rio canoas ele era tão límpido e cheio de plantas aquáticas, uma pintura natural. Subimos uma pequena encosta e por acaso encontramos a trilha dos índios que liga a Anitápolis, dali subimos uma pequena mata e já no topo paramos para almoçar e contemplar a vista. O dia estava lindo e podia ver o horizonte bem longe, sendo possível ver a serra do tabuleiro e o contraste do mar mais a sudeste. Depois do almoço fomos bordeando os peraus tendo o Morro do Campo dos Padres na nossa direção e mais a noroeste o Morro da Boa Vista que é o ponto mais alto de Santa Catarina onde iriamos acampar. Para alcançar o morro do Campo dos Padres tivemos que dar uma volta para contornar a mata e depois seguir por uma subida bem íngreme. Bem ao longe no colo onde ligava esse morro com o morro da Boa Vista avistamos 2 capatazes campeando o gado. Alcançamos o topo do morro e ficamos um tempo ali contemplando uma das vistas mais bonitas da trilha. Depois seguimos em curva de nível até o colo e em seguida partimos para cima do Morro da Boa Vista, neste momento o Rafa começou a ficar sem água e chegou até a coletar um pouco nas turfas, eu ainda tinha água dentro do meu teste de consumo e cozinha, e ofereci para ele um pouco caso precisasse.
       





       
      Já no topo vibramos pois éramos as pessoas mais “altas” em solo catarinense, localizamos o marco geodésico e ali ao lado acampamos com a porta das barracas virada para o nascer do sol, porem naquele momento presenciamos um lindo pôr do sol, tiramos muitas fotos e vídeos e ficamos curtindo aquele momento. Já dentro da barraca tratei de fazer meu ritual de limpar e secar os pés úmidos dos charcos e passar vick vaporub, um santo remédio para o montanhista já que serve para muitas coisas. Pela primeira vez na vida levei lenço umedecido e tomei meu banho de gato, gostei do resultado melhor que toalha úmida. Tratei logo de me vestir pois fazia muito frio aos 1827m de altitude. Nesta noite cozinhei uma invenção que fiz com sopão+arroz+bacon, porem o arroz não cozinhou o suficiente e o sopão já começou a empelotar, não gostei nada. Ainda bem que sempre levo como emergência 2 pacotes de miojo e tive que atacar um com linguiça frita e queijo ralado. Durante a noite sai para ver o céu, estava menos frio que a noite anterior, mas ainda sim muito frio, consegui ficar um bom tempo ali observando as constelações e algumas estrelas cadentes, também vi ao longe a luminosidade das cidades como da grande Floripa que formava um grande clarão a leste e a oeste uma área menor porem mais luminosa a cidade de Lages. Me recolhi ao aconchego da minha barraca e dormi. Acordei com o vento batendo forte na barraca, chegando até a entortar as varetas, mas a barraca segurou bem. Não dormi muito bem pois volte e meia acordava com o vento.




       
      5° Dia – Morro da Boa Vista – Arranha Céu – Morro da Bela Vista do Guizoni – Campos de Caratuva - 17km de trilha

      O vento batia forte na barraca, o céu estava bem nublado predizendo que o tempo estava mudando. Como montei a barraca a sotavento, pude deixar a porta aberta e curtir o nascer do sol no horizonte enquanto preparava meu café foi um alvorada fantástico mesmo com o céu nebuloso. Tomei meu delicioso café com brownie e pão sírio/queijo/salame a combinação perfeita e rápida para o desjejum.



      Logo em seguida desmontamos todo o acampamento. Nesse dia pude testar melhor uma pratica que encontrei para usar o banheiro de forma confortável e privativo (uma dica para as mulheres). A minha barraca Cirrus tem como desmontar o tapete e o mosquiteiro interno sem desmontar a lona do sobreteto e assim deixar o chão somente na grama. Desta forma com toda a mochila arrumada ficando somente o sobreteto e a armação por último, pude dentro da barraca mesmo pôr o meu jornal no chão com cal e dar uma cagada tranquila, depois só por mais cal em cima, embrulhar o jornal, por numa sacola plástica e aí dentro do tubostão. Usei um cano de pvc de 100mm com 2 caps nas extremidades e vedou muito bem, sem cheiro nenhum ou vazamento, tem na internet como fazer. Porem só achei um pouco pesado. Da próxima vez vou testar um pote de tampa larga e de rosca de 1l que tenho em casa, pois é bem mais leve e o volume é o suficiente para uns 4 dias de trilha.
      Saímos as 8h40 para a trilha o vento era muito forte e o sol já raiava, inclusive quando fui desmontar a lona ela quase sai voando. Nos protegemos bem e começamos a descida pelo colo do Boa Vista com o Morro do Campo dos Padres que é o divisor de águas do rio Canoas e do rio Itajaí, paramos numa pequena nascente e enchemos nossos cantis e seguimos bordeando a Serra Geral. Lá pelas 11h passamos pelo rio Campo Novo do Sul que corre aos pés do Morro Bela Vista do Ghizoni e demos uma parada para um banho rápido e gelado além de aproveitar que paramos fomos almoçar. Nesse momento o tempo voltou a nublar e esfriar. Depois deste descanso subimos até a rampa que dá acesso ao Ghizoni e deixamos nossas mochilas ali e demos uma esticada até o pico do Arranha Céu que estava na borda do Cânion que na outra ponta estava os Soldados do Sebold. Voltamos as mochilas e subimos mais uma rampa e deixamos a mochila novamente e caminhamos por 2h ida e volta no chapadão do Ghizoni por um grande charco de turfeira até subir os matacões do topo onde havia o marco geodésico, ali era o terceiro ponto mais alto de SC e o Morro da Igreja é o segundo.




      O tempo já estava piorando e voltamos até a mochila já passava das 16h e vimos que não alcançaríamos o objetivo do dia, pois quando olhamos ao longe vimos que iriamos cruzar a parte mais estreita do campo dos padres onde havia perau e Cânion para os dois lados, e tínhamos pelo menos 2 morros com mata para subir e cruzar. Conseguimos somente cruzar o primeiro que tinha uma trilha bem fechada com muitos caminhos de gado até chegar num ponto bem estreito com perau e uma antiga taipa utilizada para cercear o caminho do gado e não cair precipício abaixo. Chegamos em um campo que vimos lá do Ghizoni que tinha uma vegetação diferente, a princípio eu imaginava ser de vassourão, mas a tonalidade era outra, quando chegamos lá me surpreendi em constatar que eram o bambuzinho caratuva bem comum na região do Pico Paraná e que eu nunca tinha visto por essas bandas. Ali a cerração começou a fechar então decidimos já achar um lugar plano para acampar. Montamos nossa barraca bem ao lado da trilha que era bem demarcada e única. Não deu nem uma hora e caiu um temporal, era tanta chuva e vento que tínhamos que manter tudo bem fechado. Fizemos nossa janta nessa condição, uma das escolhas que fiz pela barraca cirrus foi o avanço um pouco maior para que me possibilitasse cozinhar em condições de chuva e vento e também espaço para 2 pessoas para que a cargueira ficasse dentro da barraca. Acabamos dormindo cedo nesse dia. Apesar que durante a noite levantei algumas vezes para conferir se estava tudo em ordem e seco na barraca, pois foi a primeira chuva torrencial que ela pegava, choveu a noite toda, e tudo se manteve seco. Passou no teste.
      6° Dia – Campos de Caratuva - Morro das Pedras Brancas – Localidade das Pedras Brancas -  BR 282 - 18km de trilha

      Lá pelas 7h a chuva parou, levantamos e já fomos tomando nosso café e desmontando as coisas. A trilha a nossa frente era um rio de tanta água, fomos secando o que dava na barraca para guardar na mochila e as 8h30 saímos e logo entramos na mata que estava muito molhada e fomos subindo o aclive em diagonal, era uma trilha bem batida na encosta que descia ao Cânion do Rio Campo Novo do Sul, havia muitas árvores caídas e quebradas por conta do ciclone bomba que havia atingido a região a uma semana atrás. Quando saímos no topo o sol já despontava meio tímido, mas a chuva já havia ido embora. Tinha uma bela vista do Morro do Ghizoni e do Cânion logo abaixo.


      E fomos seguindo pelos campos e cruzando algumas faixas de mata, banhados e turfeiras até chegar ao istmo como uma “ponte” de 5m de largura que ligava o campo dos padres até o Morro das Pedras Brancas, ultimo resquício de planalto ligado a Serra Geral. Já era 12h30 atrasamos meia hora pelas nossas contas, mas ainda sim estávamos muito longe do nosso destino final que era a BR 282 onde tínhamos combinado com nosso amigo Bernhard de o encontrar as 17h. Descemos a trilha íngreme aproximadamente 500m de desnível, nesse ponto o estrago do ciclone foi bem maior, a destruição era grande por toda a trilha. Alcançamos a estrada e fomos seguindo tendo o vale do rio Santa Barbara como caminho. Passamos pela comunidade das Pedras Brancas e precisávamos de sinal de celular e internet para avisar a todos que tudo estava bem e comunicar o Bernhard que estávamos ainda 1h atrasados. Aí passamos por uma propriedade que indicava “informações pousada do vô Chico” paramos ali e conhecemos o vô um senhor nascido ali e bem gente boa que nos emprestou a internet e nos deu uma carona até a estrada. Sorte nossa pois ainda havia uns 7 km a frente com subidas e descidas, mas uma estrada rural muito linda tendo sempre as Pedras Brancas ao fundo como destaque e o vale do Rio que vinha esculpindo um bonito Cânion. Chegamos a BR e encontramos nosso amigo e assim termina nossa pernada. Somamos 80 km de trilha no total





       


























    • Por Jonas Silva ForadaTribo
      Costurando
      Nossa aventura começa ao acaso, não que nunca planejássemos percorrer a Serra Geral Catarinense, mas não estava nos planos de 2020. No entanto, uma tal de pandemia resolveu estancar nosso planejamento, e aos 45 do segundo tempo conversando com um amigo de Tubarão resolvemos seguir para essa região pouco frequentada.
      De início achei que não conseguiria, o primeiro contato com o pessoal da região assustou, uma agência enviou um orçamento de rei, junto de uma ameaça; argumentava ser a única a ter acesso à região, de outra forma eu nem deveria tentar ir. Passado o susto, conversei novamente com meu amigo que me disse ser possível fazer sem agência sim. Então comecei a garimpar. Acabei encontrando o relato aqui no mochileiros do Marlon procurei ele, que foi baita parceiro e me passou contatos dos donos da fazendas e dicas da região.
      Fim de agosto e lá fomos nós, eu e a Bruna. Como não consegui autorização com uma das propriedades (que fica em um ramal da travessia), e também não consegui mais companhia resolvemos inovar e fazer um circuito na região saindo do Cânion Espraiado indo até o Lageado e retornando ao ponto de partida. Pagamos pelas autorizações R$ 200,00 em duas pessoas para permanecer nas terras 3 dias. Negociamos no Espraiado estacionar lá durante a travessia, sem custo. Se hospedaríamos lá por 2 noites depois.
       
      O Tempo Fechou
      Saímos no dia 29/08 às 08:00 da manhã, dia limpo, coisa linda. Logo de início a subida é pesada, e para piorar a trilha é em meio a pedras de todos os tamanhos até a Montanha do Infinito. Lá de cima dava para avistar no horizonte os Campos reluzentes a alguma milhas de distância. Mal conseguíamos esperar ansiosos por caminhar naquelas banda sob um céu limpo e noite estrelada.


      Os primeiros  6 km foram tranquilos, em meio a mata de araucárias, por uma trilha (estrada antiga abandonada), basicamente um declive. Nesse trecho a única dificuldade são as pedras soltas e os vários canais de água e lagos onde os búfalos (existem muitos na região) tomam seus banhos. Avistamos duas cachoeiras distantes em meio a mata, até aí acreditamos que iríamos passar nelas. No entanto me contaram que algumas dessas provavelmente nunca ninguém foi até lá (eu filmei uma com o drone na volta, corre no youtube que tem lá).

      Depois do km 6 a coisa complica, subidas longas com pedras soltas, um descuido e o tornozelo já era. Em vários trechos a trilha some e se confunde com carreiros dos búfalos, fácil se perder e parar nos perais dos cânions. Depois dos 10 km a trilha bifurca para a Grande Cachoeira do Canoas e Casa Azul. Seguimos para a cachoeira. A trilha some em meio ao banhado e as vassouras (vegetação baixa e de muitos galhos). Adentramos um trecho de mata com muitas araucárias, trecho em que encontramos os proprietários das terras montados em cavalos e acompanhados por cães enormes. Eles ainda insistiram que passássemos no rancho para um café, porém nosso tempo não permitiu.


      A essa altura o tempo já fechara, a viração tomava conta. Tivemos dificuldade para achar a cachoeira, houve um incêndio recente ali, e a trilha havia desaparecido por completo, só restara as vassouras e com a viração não dava para ver o horizonte. Na primeira investida fomos surpreendidos por um perau de uns 400 m, ouvindo a queda tentamos progredir pela borda, mas a mata se fechou deixando a situação arriscada. De volta nas vassouras demos mais uma investida e poucos metros a frente se abriu um campo baixo e pudemos avistar a queda superior. A queda maior só avistamos de relance, como a hora já havia adiantado, e o tempo pegando escolhemos não se arriscar muito nas bordas do cânion.

      Retomamos a caminhada, consultando o mapa a cada 30 min. 2 km e saímos nos campos, a caminhada ficou mais fácil. Até a Casa Azul abandonada é possível identificar a estrada antiga. O lugar é mágico, cercas de taipa, o Canoas, a cabanha, o cemitério, e aquele cenário todo coberto pela névoa, de tirar o fôlego e insinuar miragens. Descemos e acampamos do lado do rio. Como o fogo passara por ali também, não foi difícil achar um descampado para dormir. Apagamos fácil depois dos 22 km, e a noite gelada e úmida num breu total envolvida pela neblina.

      No dia 2 começamos cedo, às 06:15 já estávamos encharcados em meio a vegetação rasteira. Com alguma dificuldade chegamos às bordas da Serra, a visibilidade variava entre 100 e 50 metros. Mesmo perante as condições climáticas que encontramos a imponência dos cânions impressiona e assusta, com uma visibilidade ruim dessas seria um terror acabar ladeira abaixo.


      Seguimos pelo vale da nascente do Canoas. Alguns quilômetros à frente estávamos novamente nas partes altas, contornamos o Morro do Campo dos Padres e descemos para a Cachoeira do Rio Campo Novo onde paramos. Devido as péssimas condições do clima (a visibilidade agora não chegava a 30 m) e o horário já adiantado, resolvemos esconder as cargueiras e seguir até o Morro da Bela Vista do Guizhoni (1804 m) o terceiro mais alto do Estado, retornando sem ir até o Lageado. Subir o Bela Vista não foi fácil, cerca de 2 km, parte em uma carrasqueira de pedras e a outra em meio ao charco dentro da mata nebular, sem trilha demarcada, foi um banho por completo, nem a roupa impermeável deu conta. Atingimos o pico, idos meio-dia. E o clima só piorava, uma pena, não conseguimos ver nada. Retornamos sob as mesmas condições, a única diferença foi que durante a descida houve um relapso no tempo e pudemos enxergar o horizonte, foi incrível.



      De volta nas cargueiras, retomamos a marcha para o Morro da Boa Vista (1824 m, o mais alto do Estado e o terceiro do Sul do Brasil). A volta até a Bifurcação perto do Morro do Campo dos Padres foi mais tranquilo, já conhecíamos o traçado, o que facilitou bastante. Afinal, nesse dia foi ainda pior a navegação. A trilha não é definida, existem muitos caminhos de vaca e muita variação do relevo, como não dava para ver na cortina de névoa seguimos o relevo, nas vezes que tentei seguir por trilhos quando consultava o mapa já havíamos saído consideravelmente da rota. De início tentei me referenciar durante as curtas aberturas entre as nuvens, mas logo percebi que aquela oscilação mudava a paisagem e nós acabávamos seguindo pontos de referência distintos (muito parecidos), o que nos levava a se perder.

      Depois de passar por um longo campo de turfas chegamos de volta à bifurcação. Largamos as mochilas e atacamos o Morro do Campo dos Padres, subimos rapidinho, e quando olho no mapa, puts, errei. Viro pro lado e com atenção percebo uma sombra medonha em meio ao branco da viração. Se jogamos, a subida é hard, um paredão 60º forrado de gramíneas, uma subida engatinhando, o mais incrível é que só víamos o paredão mal enxergamos um o outro. 30 minutos e uns 400 m percorridos com elevação de 300 m, chegamos no céu, kkkkkk. Mal víamos os arbustos do entorno, mas estávamos lá,  o mapa confere dessa vez.

      Descemos ladeira abaixo, literalmente. E partimos para o Boa Vista, pela carta de navegação, caminhamos por uma crista (meio larga) cerca de 1 h e 30 min, sempre que chegávamos no pé de algum cume ficávamos animados por ter chego. Ao consultar o mapa, era falso. Foram 3 falsos cumes e meio a visibilidade negativa, isso acabou com a graça da chegada. Depois de subir o verdadeiro levamos uns minutos conferindo a carta para comemorar com certeza a chegada.
      Montamos acampamento no cume sob um vento de 60 km/h, parecia que a barraca iria decolar. Entocados na barraca, dormimos igual pedra (foram mais 21 km nesse dia). Passou a noite ventando forte e tomado pela neblina, esta amanheceu implacável (de novo, hshs) no dia 3.

      Levantamos acampamento e seguimos pelo sul do Morro para o vale do Canoas. Em meio dos charcos e turfas. Passamos por muitos córregos e em um dos vários cânions que se formam por ali encontramos três cachoeiras vizinhas. Saímos novamente na trilha dos índios, margeando a borda da Serra Geral. Mais uma vez não vimos nada.


      Cortamos o Campo dos Padres tomando a trilha por trás da casa azul. De início foi fácil segui-la. Mas não demorou muito até se perdermos e passar 40 min caminhando nos caminhos de búfalos das encostas até avistar lá embaixo um pedaço da antiga trilha. Descemos aliviados, os pés ardiam, A Bruna com bolhas arrastando-se. Paramos para almoçar e furar as bolhas, só assim para continuar.


      Estávamos novamente na trilha demarcada e o tempo abrira, víamos as araucárias imponentes ao nosso lado e no horizonte por vezes vimos a silhueta da montanha infinita. Seguimos, carrasqueira a frente. Eram já 18:00 quando pisamos na estrada que leva ao Rancho do Cânion Espraiado. Chegamos no rancho exaustos, molhados e com um vento de mudar cavalo de invernada. Não fosse a hospitalidade do pessoal do Espraiado, deixar acamparmos dentro do celeiro, teríamos uma noite conturbada. Durante a madrugada as rajadas davam a impressão de que o próprio celeiro iria tombar. Agora que estávamos de volta, no dia 4 amanheceu limpo e pudemos aproveitar as vistas do Cânion Espraiado (fica para o próximo relato).




    • Por Marco_AV
      Fala galera! 
      Faz um tempo que não posto nada aqui, nesse período de pandemia acabou não dando pra fazer muitos dos planos que tinha pra esse ano, mas realizei uma viagem rápida de 10 dias pro sul do Brasil recentemente e gostaria de compartilhar com vocês.
      Gosto sempre de planejar minhas viagens por meio de planilhas, vou compartilhar abaixo o modelo que eu utilizo, fiquem a vontade para utilizar também.
      Floripa - Outubro 2020.xlsx
      Bom, nossa viagem partiu de Jaguariúna, interior de SP com primeiro destino a Curitiba. Posteriormente, Florianópolis, Urubici, Imbituba e retorno. Foram na verdade 9 dias e fizemos a viagem inteira de carro. O roteiro está abaixo:

       
      Eu vou fazer o relato de cada cidade nos comentários para não ficar muito extenso cada post.
      Espero que gostem!
       
    • Por Marlon Escoteiro
      Travessia do Parna de São Joaquim – Urubici até Bom Jardim da Serra – SC - julho/2019
      Desta vez a minha ideia original era ir pra Serra Fina, mas acabaram mudando a data da festinha da minha filha e a semana ficou curta, eu não podia faltar a apresentação dela que seria na sexta. Essa jornada é a continuação da travessia do Canyon do Funil e das Laranjeiras que eu havia feito em julho de 2018, que na época infelizmente por conta da chuva e de um parceiro que se machucou no caminho tivemos que abortar a travessia no Canyon Laranjeiras. Então decidi por fazer a travessia solo no Parna de São Joaquim. Posso dizer que minha vida na montanha começou nos canyons, mas precisamente na região do Canyon Fortaleza no RS, tendo sido guia no Parna Aparados da Serra e redondezas e feito várias travessias pela região. Mas só agora que comecei a explorar mais a região do lado catarinense.
      Mas vamos aos preparativos.
      No fim de semana juntei minhas tralhas de acampamento, comprei comida e tentei alguns albergues e pousadas em Urubici que estavam lotados, pois foi neste final de semana do dia 6/7 veio uma forte frente fria e previsão de neve, lotando a região da serra catarinense. Acabei encontrando lugar no Hostel e Armazem Heyokah uma pernoite com café por 60$, já reservei e falei que provavelmente chegaria tarde da noite pois o único ônibus saindo de Floripa era as 18h chegava as 22h30 lá. Mas o dono do hostel me passou um contato de um taxista, o Gilson (48)999672262. Que fazia esse trecho pelo mesmo valor do ônibus e que ele saia depois do almoço, tratei logo com o Gilson e as 13h30 ele passaria na rodoviária de Floripa.
      Logo cedo pela manhã de segunda feira peguei o ônibus para Florianópolis saindo de Itajaí e chegando lá encontrei com o Gilson que ainda pegou mais 2 pessoas. E assim com a lotação completa subimos a SC 282 com destino a Urubici, chegamos as 18h lá e já fui para o Hostel, deixei minha tralha no quarto e fui atrás de uma mercearia para completar minhas refeições e comprei um queijo serrano e uma linguiça de Urubici. Estava bem frio e nem me animei dar uma volta. Retornei para o Hostel e tratei de fazer uma janta e estudar a carta topográfica novamente. Lá pelas 22h fui dormir e as 6h tava de pé para o café da manhã.

       
       
      As 7h30min comecei minha jornada, fazia muito frio e os campos estavam brancos da geada. Sai do hostel em direção sul para o vale do Rio Urubici conhecido como “Baianos” logo no início da estrada rural havia uma placa turística informando os atrativos da região. Uma estrada muito bonita, cercado por morros e peraus e coberta de muitas araucárias, havia várias propriedades pelo caminho. Uns 40 min depois passou por mim um carro e logo em seguida parou e cruzei com eles, estavam chegando em casa e me perguntaram para aonde eu estava indo e expliquei meu trajeto. Ele achou muito doido, e disse que não havia visto ninguém ir para aqueles campos, somente os campeiros atrás de algum gado desgarrado. Ele disse ainda que fazia alguns acampamentos pois era escoteiro e admirava os mochileiros, aí completei falando que eu era escoteiro também. Pronto! Me convidou na hora para entrar e tomar um café, assim foi uma hora de prosa e causos. Um bate papo muito bacana, mais eu tinha muito chão ainda pela frente, agradeci pela acolhida me despedi e segui meu rumo.



       
      Logo em seguida fico observando uma propriedade bem bonita quando faço a curva da estrada logo na porteira estava o capataz dessa fazenda arrumando a cerca, mais um dedinho de prosa ali. E mais adiante outra parada para um bate papo. Mas vou dizer que isso foi uma das melhores coisas desta caminhada, poder conhecer um pouco das pessoas que ali nasceram e cresceram e as dicas preciosas que consegui, esse último tinha sido capataz por 6 anos da Fazenda Caiambora, local onde eu ia passar ainda hoje. Ele falou que era loucura acampar naqueles campos, pelo frio que fazia. Me indicou um caminho pelo passo dos momos para ir até lá. Depois adiante havia um cruzamento, indo a esquerda ia para a serra do Bitu, que haviam dito que agora até carro passava e levava até a estrada de acesso do morro da Igreja. A direita seguia para a serra dos Padilhas que também levava ao morro da Igreja porem com transito limitado de veículos. Esse caminho era a continuação dos baianos e seguia pelo rio Urubici.



       
      Ali a paisagem ficou ainda mais bonita, os paredões imponentes de cada lado o rio margeando a estrada e as araucárias por todo o lado. Cheguei na Pousada dos Encantos da Natureza (49-991120278) do Sr. José e da Dona Valsíria um lugar muito bonito, com 3 chales aconchegantes, área para camping e quartos da casa principal. Com certeza retornarei a este lugar para me hospedar com a família. Dependendo do horário de chegada em Urubici, vale a pena esticar até aqui para acampar. Pois esta a apenas 7km de Urubici. Parei mais um tanto ali para uma prosa com o casal e mais dicas da trilha, o Sr. José me indicou uma antiga trilha de tropeiro para vencer aquele paredão e lá encima me direcionou para ir pelo caminho dos momos, fundo dos tigres até a fazenda Lageado, onde seu primo João era capataz, e dessa fazenda subia a trilha até o topo da serra que fazia parte do Morro da Igreja e separava o vale do rio Urubici do vale do Rio Pelotas já dentro de área do Parna São Joaquim. Depois dessa boa conversa com eles, olhei o relógio e já era 10h50 e estava umas 2h atrasado pelo meu cronograma, tirei os casacos e touca, guardei na mochila, tomei uma água e parti para cima.



       
      Era uma trilha bem aberta mais muito erodida e íngreme, do meio dela tinha uma vista bonita do vale, segui adiante até ir adentrando no meio das araucárias até uma bifurcação onde mantive a direita seguindo as dicas do Seu Zé, logo ficou plano e fez uma grande curva, havia várias vacas no caminho, a trilha virou uma estrada e começou a descer, apareceram várias casas e logo uma antiga trilha a esquerda e nessa entrei andando pouco por ela, já alcancei a estrada de novo. Tive logo adiante a primeira vista do Morro da Igreja e do Radar do Cindacta a estrada começou a descer e passei pelo sitio que tinha um açude ali segui reto em outra trilha pouco batida. Ali começava o caminho dos momos. A trilha/estrada ia em curva de nível pelo morro a direita passando pela mata de araucárias, havia alguns pomares de maça no caminho e vacas. Depois a trilha foi fechando e ficando mais barrenta. Próximo a uma vereda parei para comer era 13h30, ali passava também uma linha de transmissão que rasgava a mata e a trilha fechou de vez, com muitos atoleiros das nascentes de água e arroios que estavam presentes em toda a trilha, água não faltava.






       
      Segui o caminho e cruzei de novo com a linha de energia, ali começou a aparecer trilhas a esquerda, mantive a direita e logo depois de passar por uma cancela a trilha batida seguia adiante, e a direita um carreiro subia, consultei a carta topográfica e optei subir pois logo acima havia campos de altitude. Cheguei em um descampado grande e mais acima já via o topo da serra e uma faixa de mata que separava. Fui seguindo os campos e rastreando a mata até que achei uma trilha que subia a floresta e fui subindo até o topo. Uma parada para respirar, tomar água, comer um chocolate e pensar nos próximos passos, pois pelo meu cronograma eu já devia estar na fazenda Caiambora e isso era umas 15h30. Vi um vale muito bonito a direita e acima os campos de Santa Barbara, a esquerda abaixo o vale do rio Urubici e seguindo o caminho dos momos a fazenda Lageado o qual eu já estava acima dela. Fui seguindo a crista dos morros até o cruzamento com a antiga estrada que ligava a fazenda Lageado com a Fazenda Caiambora e ali peguei a direita e fui seguindo a estrada até a borda da serra e o começo da descida, lá embaixo estava a antiga fazenda “abandonada” e recentemente comprada pelo Parna. Logo passei por uma área congelada. Era uma nascente que corria na trilha e ali estava tudo congelado, com certeza a dias, com a vinda do ar polar que por ali passou. A trilha é uma antiga estrada toda erodida e com muito vassourão crescendo, tem dois momentos que a trilha some, mantenha a direita para não se perder e logo a trilha aparece de novo e vai ziguezaqueando até o fundo do vale as margens do Rio Pelotas. Cheguei as 18h na fazenda Caiambora a noite já estava chegando. Bem longe do horário que eu imaginava por volta das 15h, Mas também só de conversa perdi mais de 2 horas... kkkkk





       
      Montei meu acampamento ao lado da taipa de pedra. O frio veio de uma vez, me troquei e pus minha roupa noturna, segunda pele, blusa e lã, moleton e fleece, além dos acessórios de luva e gorro, troquei as meias e ainda acrescentei uma de lã. Montei minha cozinha, fervi água para o jantar e o chá de gengibre com camomila. Fritei a linguiça com alho, joguei a lentilha “vapza” e um pouco de água. Logo já estava pronto. Que delicia ficou. Tomei meu chá e ainda fiquei por ali fazendo algumas anotações do mapa e traçando o próximo dia. Fui dormir.
      Acordei as 6h comecei a arrumar as coisas e ferver água para o café. Preparei meu pão de queijo escoteiro.
      3 colheres de polvilho azedo
      1 colher de leite em pó
      1 pct de queijo parmesão ralado
      1 pitada de sal
      1 pitada de fermento químico
      Prepara-se previamente os secos em casa. Quando for preparar despeje em um prato, acrescente 1 ovo e 100ml de água. Depois é só fritar como uma panqueca. Fica muito bom. Dei uma volta pela redondeza, fui ao banheiro “TUBOSTÃO” todos devem utilizar ele e trazer de volta seus dejetos embora da montanha, NUNCA deixe seus dejetos nessas áreas. Tirei algumas fotos, terminei de desmontar o acampamento e montar a mochila, explorei as redondezas da fazenda e do rio Pelotas onde carreguei água do rio e parti as 8h30.




      Eu iria subir o morro logo em frente, era muito íngreme e no topo haviam alguns cocurutos de pedra onde achei que talvez fosse perigoso passar com a mochila pesada. Desisti e segui margeando a encosta. Não havia trilha e o capim era muito alto o campo estava com muita vegetação o que dificultava caminhar. Fui seguindo até uma pequena mata de vereda. Ali a encosta ainda era muito íngreme mais visualizei uma passagem por entre as rochas lá em cima e parti rumo ao céu. Este trecho todo desde a fazenda Caiambora me atrasou bastante, acredito que o melhor teria sido subir o enorme morro mesmo e passar pelas pedras, pois estando ali em cima elas já não pareciam tão difíceis. Isso já eram 11h achei que estava novamente muito atrasado. Fui seguindo pela crista e parei no topo mais alto para comer. A vista era fantástica, se via bem em frente ao norte o Morro da Igreja, toda a trilha que eu havia feito, os Campos de Santa Barbara, o vale do Rio Pelotas, o caminho que iria percorrer e ao longe ao sul o canyon Laranjeiras e mais ao fundo os ventiladores eólicos gigantes que estão ao lado da Serra do Rio do Rastro, e toda borda da serra Geral e a Serra Furada com seus imponentes picos. Dali vi a trilha que iria continuar e consultei meu mapa, comi umas frutas, chocolate e meu super brownie o qual acrescentei muitas castanhas, whey protein, maca peruana, maltodextrina e dextrose. Meu carbo e barra proteica caseira.

       





       
      Peguei um gás e desci rumo a borda da Serra Geral. Na descida passei por um banhado e logo alcancei a borda dos peraus e fui caminhando até uma subida com vara mato. No topo fui seguindo pela curva de nível o máximo que pude para não gastar energia. Neste ponto meu joelho começou a incomodar, havia uma descida forte e um capão logo depois, contornei o capão e segui varando por dentro numa área bem aberta. A vantagem dos capões de araucárias que em geral são bem limpos e fáceis atravessar por dentro. Já as matinhas nebulares são terríveis pois são arvoretas baixas e com muitos galhos que dificultam atravessar. Sai num pequeno vale bem bonito, peguei o mapa e consultei o relevo e decidi ir margeando o vale ao invés de subir o morro e seguir pelas bordas. Normalmente nessa região da Serra Geral as bordas são mais secas e fáceis de caminhar, pois nos vales e campos aparecem muitas nascentes formando banhados e turfeiras. Neste momento a dor do joelho se intensificou, meti para dentro 1 torsilax e 1 paracetamol. E segui desviando os banhados e mantendo a curva de nível até a margem de uma mata, ali fui procurando e achei uma antiga trilha, bem limpa apesar de apresentar uma vossoroca.




       
      Na saída dela já no campo vi o próximo pinheral a cruzar descendo por entre a mata bem fundo até o vale do rio Campo Bom e a subida do outro lado era bem forte, passava das 16h30 e sabia que não conseguiria e a noite iria me pegar no meio daquela subida, e não seria uma boa ideia para acampar e ainda tinha meu joelho. Com a mapa na mão tracei um novo rumo, vi que o vale do rio Campo Bom dava em uma estrada, e que no meu mapa aparecia uma antiga estrada das serrarias que cruzava o pinheiral que estava a aproximadamente a 3km por cima dos campos em curva de nível, assim o esforço seria menor e poderia achar um lugar melhor para acampar, e assim com novo azimute comecei a jornada, a dor no joelho começava a diminuir por conta das boletas. Fui contornando o morro com o vale logo abaixo e um pinheiral enorme do outro lado do vale e do lado que eu estava passando era só campo, e notei que muitos vales tinham pinheiral em um lado e campo do outro, notei que a mata estava a sul, não sei porque, mas acredito que por se tratar de Mata Atlântica de altitude conhecida como Ombrófila mista, ou seja de área sombreada o lado sul seria realmente a melhor face para elas se desenvolverem, porém não consegui provar minha teoria. No meu caminho divagando sobre a vegetação levei um susto, pois derrepente da minha frente sai um graxaim correndo do meio do nada. Acho que assustei o canino, e ele me assustou também... kkkk. Encontrei a antiga estrada abandonada e fui seguindo por ela quando era 18h achei um lugar plano e bom para o acampamento. Como de costume montei a barraca, pus minha roupa noturna e pulei para dentro da barraca. Entrei no meu saco de manta e pus a agua para ferver. Piquei o alho e a linguiça de Urubici e reservei. Pus um pouco da água fervida na térmica com gengibre e chá para ir tomando e o restante deixei na chaleira, e comecei a fritar o alho e a linguiça e aos poucos jogando agua quente para ir preparando minha fritada. Coloquei arroz e logo depois toda a água da chaleira e o macarrão e deixei cozinhar. Quando estava no ponto joguei um mini pacote de vono, mexi um pouco e pronto! Fui me deliciando com esse sopão que fiz e tomando meu chá. Que maravilha! Depois de bem alimentado “lavei” a louça com papel toalha. Organizei minhas coisas e comecei a rever o mapa novamente. Depois passei um tempo por ali e adormeci.


       
      Acordei as 5h e já tratei de arrumar minhas coisas, passar meu café na minha cafeteira pressca, comer um brownie e desarmar o acampamento. As 6h com lanterna na cabeça e mochila nas costas, parti. Logo entrei na mata, me abasteci de água e fui subindo pela antiga estrada lentamente até o topo e cheguei na margem do pinheiral que estava na borda direita do rio Campo Bom na face sul. A trilha se fechou e bifurcou, sendo que uma voltava na direção que eu havia vindo do dia anterior e a outra descia por entre o pinheiral acompanhando uma cerca em boas condições e recente. Ali havia marca de gado e resolvi seguir, a descida bem íngreme e com muitos xaxins gigantes com mais de 7m um espetáculo da natureza, presumindo que cresce 1cm por ano, estava eu ao lado de plantas com mais de 700 anos, quiçá milenares, e curioso que apesar da exploração massiva das araucárias não havia nenhum exemplar de pinheiro realmente grande, mas os xaxins ainda estavam ali e felizmente não foram derrubados com as araucárias. Durante a descida, derrepente a trilha sumiu, mas a mata era bem limpa por entre os xaxins gigantes e as araucárias, as vezes aparecia algum rastro de gado no caminho e assim fui descendo até chegar a beira do rio Campo Bom, estava com bastante geada ao redor e ainda muito frio. Era um rio com uma paisagem muito bonita, parada para algumas fotos, tirar o excesso de roupa e consultar o mapa, porém cadê o mapa? Tinha perdido ele no caminho, voltar nem pensar, dificilmente acharia o mesmo caminho de volta, ainda bem que eu havia estudado ele e sabia que hoje seria só seguir o rio até a estrada e ai seguir para a cidade com a esperança de talvez pegar alguma carona no caminho. Fui margeando o rio, saltando um banhado ou outro, as imagens das araucárias, com o rio, o branco da geada estavam impressionantes, apesar de já ter visto isso muitas vezes, ainda me causava uma sensação de ser a primeira vez. Passei por alguns cavalos e isso me alertou que já devia estar próximo da estrada, logo adiante vi um galpão e um arroio que precisava cruzar, quando estava prestes a chegar na propriedade não prestei atenção e afundei meus dois pés no banhado!!! Que merda!! Depois de ter passado ileso por todos os banhados acabei me molhando. Atravessei o rio me equilibrando nas pedras e comecei a caminhar em direção ao galpão, achei estrando em não ver fumaça, algo me dizia que não havia ninguém... havia uma mula dentro da área cercada da propriedade, abri a cancela e confirmei que não havia ninguém.







       
      Sai e fui até a estrada que ali era o fim do caminho, e o começo da minha pernada até Bom Jardim da Serra. Parei para um lanche e para pegar água, mas peguei uma água ruim com gosto de terra... então passei por 2 casas que estavam longe da estrada e com fumaça na chaminé. Sai na localidade de Santa Barbara, com a igrejinha e o salão comunitário. Logo adiante tinha uma casa bem na beira da estrada, e o senhor do lado de fora se esquentando no sol e com um velho barreiro do lado. Cumprimentei e falei de onde vinha e para onde estava indo, estava ele e sua mulher que me convidou para um café, agradeci e falei que estava com pressa e pedi um pouco de água só. E segui adiante, uma estrada muito bonita, daria um belo passeio de bike. Eram 20 km até a cidade, neste caminho cruzou por mim somente 2 carros que estavam cheios, mais adiante encontrei um cara numa casa a beira da estrada batemos um papo e segui, quando faltava algo de 5 km bem próximo ao cruzamento da estrada que vinha do canyon laranjeiras um caminhão parou e me deu carona até a rodoviária.


       

       
      Chegando lá era 12h, encontrei com o Sr. Que era responsável pela rodoviária já o conhecia de outras aventuras por ali, ele havia sido 6 vezes vereador da cidade e ostentava um quadro na parede de um gaúcho pilchado com cuia e chaleira na mão que era seu pai. Me disse que o próximo ônibus saia as 15h e ia para Lages e de lá eu podia pegar um ônibus direto para Itajai, me indicou um restaurante no centro para almoçar e lá fui bater um rango forte. Depois fui na tenda da Lili comprar um bom queijo, suco de maça e salame para levar para casa. Peguei o ônibus e cheguei em casa depois da meia noite.
       Agora os planos são fazer o Campo dos Padres.

      SICILIANA fichas e planilhas.pdf
    • Por Diego Minatel
      "No século XII, o geógrafo oficial do reino da Sicília, Al-Idrisi, traçou o mapa do mundo, o mundo que a Europa conhecia, com o sul na parte de cima e o norte na parte de baixo. Isso era habitual na cartografia daquele tempo. E assim, com o sul acima, desenhou o mapa sul-americano, oito séculos depois, o pintor uruguaio Joaquín Torres-García. “Nosso norte é o sul”, disse. “Para ir ao norte, nossos navios não sobem, descem.”
      Se o mundo está, como agora está, de pernas pro ar, não seria bom invertê-lo para que pudesse equilibrar-se em seus pés?"
      De pernas pro ar, Eduardo Galeano
       
       
       O nosso norte é o sul, Joaquín Torres-García
      Cheguei ontem pela madrugada em casa. Agora sentado na frente do computador sinto uma necessidade, quase insuportável, de contar sobre meu caminhar até o fim do mundo. Foram 50 dias de viagem e mais de 14.000km percorridos por terra. Entre ônibus e caronas percorremos o sul do Brasil e a Patagônia Argentina até Ushuaia, parando em muitos lugares nos dois países. O dinheiro era pouco, mas a vontade era muita. A necessidade que tenho de escrever deve-se as pessoas que de alguma forma nos ajudaram a realizar esta viagem ao extremo sul da América do Sul. Tanta gente boa pelo caminho. Tanta solidariedade. Tanta gratidão.

      Pela primeira vez, antes de uma mochilada, eu não estava completamente bem e seguro. Nos meses que antecederam a viagem estava escrevendo a dissertação do meu mestrado (isso, por si só, já era muita tensão) e nesse intervalo de tempo perdi meu pai, a mulher que aprendi a amar resolveu seguir sem minha companhia e quase antes de embarcar perdi minha vó. Como é de se imaginar, meu estado de espírito não era nada bom, na verdade era o pior possível. Com isso tinha muito medo de atrair coisas ruins pelo caminho, como por exemplo ser vítima de violência. Assim, resolvi mudar a ideia de mochilar sozinho e decidi ter uma companhia nessa viagem. Meu amigo/irmão Matheus embarcou comigo nessa jornada. 

      Enfim, tenho como intuito neste relato contar a história dos lugares por onde passei, minhas histórias nesses mesmos lugares e, principalmente, falar sobre as muitas pessoas (leia-se anjos) que nos ajudaram nesta viagem. Quero contar de maneira honesta os acontecimentos e os sentimentos que me permearam nesses dias, e de alguma forma quero deixar esse texto como agradecimento a cada pessoa que tornou essa viagem algo possível.
      Agora vamos ao que interessa, bora comigo reconstruir essa viagem por meio de fotos e palavras!
      Parte 1 - De Rio Claro até Timbó: o mesmo início de outra vez Parte 2 - A Serra Catarinense vista por Urubici Parte 3 - O casal das ruínas de São Miguel das Missões Parte 4 - Do Brasil para a Argentina Parte 5 - Buenos Aires, la capital Parte 6 - O começo da Ruta 3 e o mar de Claromecó Parte 7 - Frustrações na estrada e a beleza de Puerto Madryn Parte 8 - O anjo do carro vermelho Parte 9 - Cruzando o Estreito de Magalhães com San Martin  Parte 10 - Enfim, o fim do mundo Parte 11 - Algumas das belezas de Ushuaia Parte 12 - El Calafate, Glaciar Perito Moreno e Lago Argentino Parte 13 - O paraíso tem nome, El Chaltén Parte 14 - A janela do ônibus Parte 15 - O caminho de volta: Buenos Aires, São Miguel das Missões, Curitiba e Prainha Branca Parte 16 - Reflexões

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