Ir para conteúdo
  • Cadastre-se
  • Faça parte da nossa comunidade! 

    Peça ajuda, compartilhe informações, ajude outros viajantes e encontre companheiros de viagem!
    Faça parte da nossa comunidade! 

Vinícius Mzk

TRAVESSIA CIRCULAR POÇO DAS MOÇAS - SISTEMA FUNICULAR

Posts Recomendados

Vídeo:

http://youtu.be/LLiFSM1lCwE

 

O planejamento desta trip foi precário, além de que em todas as hipóteses que imaginávamos alguma coisa poderia dar errado.

 

Minha intenção inicial era de ir ao Mirante de Paranapiacaba para ali acampar e conhecer esse ponto de fácil acesso e já muito conhecido pelos trilheiros da região para, no dia seguinte, retornar a Paranapiacaba e caminhar em direção a Quatinga. No meio da estrada em direção a este distrito, à sua direita, adentraríamos numa trilha conhecida como Trilha do Rio Anhangabaú ou Trilha dos Carvoeiros de forma que em algum lugar, depois de uns 4,5Km de sobe e desce em meio a mata, interceptaríamos o Rio Quilombo para, só então, iniciarmos sua descida seguindo seu curso.

 

Já na Estação Rio Grande da Serra ficamos preocupados se nosso plano daria certo, tendo em vista a grande quantidade de jovens educados e que se comportavam de forma extremamente agradável que nos acompanhava desde SP até Paranapiacaba. Combinamos que se o outro grupo de cerca de 15 pessoas fosse em direção ao Mirante, nó iríamos em direção a Quatinga e vice-versa. Pra minha tristeza, esses seres iluminados por algum tipo de erva mágica com folha de cinco pontas caminharam em direção a Quatinga, então teríamos que ir na outra direção.

 

A trilha até o Mirante de Paranapiacaba é super fácil, mas seu início não é diferente das demais da região. Deve-se contratar um guia credenciado ou driblar a fiscalização que barra a entrada dos desavisados. No nosso caso, como chegamos em Paranapiacaba por volta das 23h da sexta-feira, não foi um problema. A essa hora os fiscais já estão em suas casas dormindo ou fazendo qualquer outra coisa porque ficaram dormindo o dia inteiro na viatura da empresa. Após atravessar a ponte localizada no centro do vilarejo, vire para a direita e mantenha-se nessa direção até chegar a uma rua cheia de botecos, na qual deverá subir para a esquerda e, se for cauteloso como nós fomos, ao chegar no posto da PM, passe por sua frente e continue sempre caminhando para cima. Depois de não mais que 5 minutos passará em frente a uma casa com uma clareira, a qual eu deduzir ser um dos postos onde os fiscais ficam de dia e, como as luzes do interior estavam acesas, tentamos não fazer barulho e logo a frente pegamos a "trilha" sentido suleste. Coloquei em aspas porque, na verdade, é uma rua, se não me engano conhecida pelo nome de Rua Bela Vista, que dava acesso aos veículos que levava o pessoal que trabalhava nas instalações em cima do morro.

 

Em 40 minutos de caminhada a partir da chegada em Paranapiacaba, chegamos a uma bica d’água e coletamos um pouco do líquido para usarmos durante a noite e no café da manhã do dia seguinte. É bom pegar uma quantidade boa, pois o próximo ponto d’água fica a uma hora de caminhada depois do Mirante.

 

Mais 15 minutos e passamos pela Pedra do Índio. Não entendi o porquê deste nome e nem ficamos muito tempo pensando nisso. Estava muito escuro e queríamos chegar ao mirante logo para achar um lugar bom pra acomodarmos nossos corpos não muito cansados.

 

Aos 10 minutos da meia noite, chegamos ao mirante. Demos uma bisbilhotada no lugar, nenhuma onça ou animal peçonhento. O visual é interessante, com as luzes de Cubatão dando graça ao lugar, mas nada de surreal. Logo percebi uma laje de concreto um pouco mais elevada e não pensei duas vezes: aqui será minha cama! Bivacar está virando um hábito nas trilhas e isso me agrada bastante, até porque não preciso esquentar a cabeça com armação de barraca ou amarração de rede e depois desmontar tudo. É só deitar e dormir e, se tiver risco de chuva, é só amarrar um plástico por cima e está tudo certo.

 

Tentei conversar com os demais integrantes da trip, o Bruno, sua esposa Jaque e o Luciano, para no dia seguinte voltarmos e fazermos a travessia do Rio Quilombo, mas estes dois últimos opinaram que ir a um lugar pra depois voltar não era legal, então ficou acertado que seguiríamos em frente em direção ao Poço das Moças no dia seguinte, já que eu não queria arriscar minha vida debatendo com uma mulher e um cara maior que eu no alto de um morro inóspito.

 

Minha noite foi ótima. Antes de cair no sono, mesmo, fiquei apreciando o céu estrelado daquela noite e tentei analisar o comportamento de uma nuvem ao leste que ameaçava pairar sob nós e possivelmente nos molhar de noite, mas nada disso aconteceu. Dormi muito bem e acordei apenas umas 2 vezes por causa de algum barulho, provavemente o chupa-cabras, e pra cobrir minha cara que estava sendo ameaçada por mosquitos. Os outros trilheiros não sei se tiveram um sono tão bom, principalmente a Jaque que dormiu em cima da mochila de um jeito totalmente inovador.

 

Não foi possível ver um nascer do Sol tão espetacular pelo fato de haver muitas árvores que encobriam a visão ao leste, mas o por do Sol deve ser bem legal de se contemplar ali. Comemos algumas frutas e partimos sem muita demora, pois não havia um acampamento para desmontar. Embora eu não tenha percebido um lugar bom para montar barraca, principalmente as que não são auto-portáteis, existem vigas de ferro encravadas no chão onde é possível pendurar redes e andando um pouco sentido sudeste do mirante, logo se depara com algumas clareiras ótimas para camping.

 

A descida até o Poço das Moças é muito tranquila, também. Há muitas bifurcações, mas ou vai dar em alguma clareira boa pra acampar, ou vai continuar descendo até o Poço. Alguns caminhos podem desviar da Pedra Lisa, o que não é legal, pois é um lugar bem gostoso e um bom local pra colher água pro resto da caminhada. Não vou saber dizer exatamente quais caminhos pegar, mas é sempre pelo lado esquerdo. A Pedra Lisa é um grande bloco rochoso, a uma hora de caminhada do Mirante, no qual o curso d’água passa por cima e que abre uma janela para o Vale do Rio Quilombo, dando uma visão legal lá de baixo, além de ter uma queda d’água muito boa para um banho. Aqui fizemos um lanche e descansamos bastante, cerca de uma hora até as 10h da manhã. Comemos o abacaxi que a Jaque trouxe - acho que virou um costume do casal trazer frutas exóticas para a trilha, da outra vez foi um melão - e depois de algumas filmagens e fotos, seguimos pelo lado esquerdo do curso das águas que escorriam pela Pedra Lisa.

 

Depois de mais uma hora e meia de caminhada, às 11h30, chego no Poço das Moças. Não havia ninguém e tratei logo de abandonar minha mochila e perneiras para dar um mergulho. Fiquei surpreso com a profundidade rasa do Poço. Mesmo pessoas que não sabem nadar podem se divertir sem problema nenhum. Apenas no meio do Poço que as águas ficam um pouco mais profundas, algo não mais que uns 2,5m no dia em que estivemos lá - deu pra notar que em outras épocas o Poço atingia níveis mais elevados, em torno de 1,5 a mais. O lugar conta com uma pedra lisa que forma um tipo de escorregador e é muito legal, perdi a conta de quantas vezes escorreguei nessa pedra e os outros trilheiros gostaram muito, também. Há algum tempo atrás havia uma árvore com uma corda pendurada da qual era possível executar saltos para o Poço, mas esta árvore cedeu e esta tombada na água atualmente - uma pena. Esse local é tão incrível que botou em cheque nossos planos de uma grande travessia. Começamos a cogitar ficar ali mesmo e voltar no dia seguinte para Paranapiacaba de tão bom que estava o lugar. Depois de algum tempo chegaram mais algumas pessoas, mas nada que comprometesse a tranquilidade do lugar. Nadamos muito, tomamos um lanche mais reforçado e curtimos o Poço até às 13:37 resolvemos que dessa vez iríamos prosseguir em frente até o Rio Mogi para, no dia seguinte, subí-lo e retornar a Paranapiacaba onde terminaríamos nossa grande travessia circular, mas já ficou combinado de voltarmos ao Poço das Moças em outra ocasião para ficarmos de boa lá, fazendo nada, jogando conversa fora.

 

Logo após o Poço, atravessamos o rio para sua margem esquerda de onde parte uma vereda e caminhando mais uns 500m dali por uma trilha bem plana e bem batida chegamos a uma represa onde é possível chegar de carro e é uma verdadeira farofada. Muito lixo e barulho. Por isso alguns que ali chegam se arriscam nos 500m de trilha para chegar ao Poço das Moças, mas são poucos pelo que notamos. Se ficar na praia do lado de um isopor cheio de cerveja e guloseimas industrializadas só observando o movimento já é uma chatice sem fim, imagine fazer isso numa pequena represa suja e barulhenta. Vai entender esse povo. Eu até fiquei com vontade de pular no poço usando uma corda pendurada estrategicamente em uma árvore, mas deixei essa tarefa para o Luciano e só registrei seu salto ornamental para não perdermos muito tempo ali e continuarmos a caminhada rumo ao Rio Mogi, visto que ainda tinhamos mais de 10Km de chão num Sol de queimar os neurônios e depois teríamos que decidir entre varar 3 a 4Km de mato até o rio ou caminhar mais do que isso, só que no asfalto. O calor estava de matar e era inversamente proporcional ao prazer em ficar nadando naquelas águas geladas do Poço das Moças, mas precisávamos caminhar - e rápido! Então fomos. Não deu nem 30 minutos a partir da represa e já tinhamos que providenciar uma parada. Sombra que é bom, nada! Tentei motivar o pessoal a continuar sob a justificativa de que caminhar de noite no mato seria muito pior, mas não deu muito certo. O Bruno e eu entramos no mato à esquerda da estrada de terra e estudamos a possibilidade em acessar um riacho que corria a uns 15 metros da estrada. Chamamos os outros dois e combinamos de ficar ali até que o Sol abaixasse um pouco, mesmo sabendo das incertezas que nos aguardavam pela frente. Ficamos deitados na água abaixando a temperatura do corpo. O Bruno e eu ficamos especulando novas hipóteses e lamentando em como as coisas não estavam indo muito bem naquele trecho, até que chegou a hora de levantarmos e partirmos, uma hora depois. O Luciano não queria de jeito nenhum voltar a caminhar pela estrada e bateu o pé que o deslocamento não seria prejudicado significativamente se fossemos pelo rio, mas logo percebemos que se seguíssemos pela água, não chegaríamos no final daquela estrada nunca. Saímos do rio e então continuamos a caminhada. Eu fui na frente na expectativa de encontrar algo que me animasse, uma cachoeira, um trilha em direção ao Rio Mogi, qualquer coisa, e depois de 35 minutos caminhando sem sinal dos outros integrantes, me deparei com uma barraquinha onde uma simpática moça vendia bebidas enlatadas e algumas guloseimas. Comecei a conversar com a moça com o intuito de colher mais informações do lugar, mas ela me explicou que não morava ali a muito tempo e que não tinha noção das trilhas que eu estava mencionando. Ela ficou curiosa com toda essa coisa de andar por dias no mato e ficou me perguntando se eu não tinha medo, se eu andava armado e toda aquela coisa de gente que não tem noção nenhuma de como é essa vida. Depois de um tempo chega seu irmão de moto e estaciona ao nosso lado e começa o mesmo interrogatório que sua irmã fizera. Expliquei de novo e eles se animaram com o fato da região ser rica em trilhas e disseram que ficaram com vontade de fazer algumas.

 

Mais de 20 minutos esperando e visualizo o resto do pessoal chegando ao meu encontro, mas param para conversar com um cara de uma caminhonete. Logo pensei "carona!" e não deu outra. Subiram pra cima da caçamba da caminhonete e vieram em minha direção. Eu, coitado, fiquei igual um tonto balançando os braços com medo de eles não me verem e passarem reto sem me resgatarem, mas felizmente pararam e eu também pude aproveitar essa carona mais que bem vinda a essas horas. Me despedi rapidamente da moça e de seu irmão que não me lembro os nomes e fui embora daquele lugar.

 

Logo após subir no veículo, a notícia ruim: o casal Dias Conde decidiu que iriam embora. É isso que da não planejar direito as coisas. Acabei colocando eles nessa caminhada cheia de incertezas e acabaram esgotando suas energias, fazendo com que tivéssemos duas baixas no segundo dia. Espero que eu não tenha traumatizado a Jaque, já que ela está começando a fazer trilhas e tem muita aptidão, só que pegamos um dia muito quente e ninguém conhecia aquela região, nem eu que os convidei. A única coisa que tínhamos era um mapa e um GPS com algumas trilhas da região. Suficientes para não nos perdermos e nos planejarmos melhor conforme as distâncias que teríamos que percorrer, mas isso não adiantou muita coisa.

 

Chegamos na rodovia às 17h15 e confirmada as baixas, nos despedimos da Jaque e do Bruno e o Luciano e eu fomos em direção ao início da trilha do Sistema Funicular, a qual eu sabia que se iniciava em baixo de um viaduto. O plano era subir pelo Rio Mogi, mas era certo que não conseguiríamos tal façanha com o tempo que nos restava, ainda mais tendo o relato de amigos muito mais experientes em mãos contando que fizeram em dois dias a subida e com a campainha do Luciano que, embora seja um corajoso trilheiro, não estava fisicamente bem pra me acompanhar numa caminhada mais rápida, o que acabou se confirmando no dia seguinte.

 

Caminhamos por cerca de 5 minutos e aproveitamos que um daqueles caminhão de guincho que parou no acostamento para pedir uma carona. Tendo dois assentos vagos no caminhão e dois caminhantes estragados pedindo ajuda, só um cara muito ruim pra negar, então, mais uma vez, subimos pra cabine do caminhão e ganhamos mais uns 3Km de rodovia e, logo quando avistei o viaduto onde se iniciaria a trilha do Sistema Funicular, pedi para que nos deixasse lá. Foi tudo tão rápido que nem conversamos muito ou dei qualquer explicação do que estávamos fazendo. Ele deve estar se perguntando até agora o que dois caras acabados e fedidos foram fazer debaixo de um viaduto. Mas tudo bem, às vezes é bom um pouco de mistério na vida das pessoas.

 

Apesar de já ter feito a trilha do Sistema Funicular, essa parte inicial era nova pra mim. Estava preocupado com o tempo e queria chegar na casinha onde dormimos da outra vez enquanto ainda estava claro, então acelerei o passo e toda vez que perdia o Luciano de vista o esperava um pouco. O início da trilha é horrível. Não há nada de visualmente agradável e a quantidade de mosquitos devido a proximidade com algumas casas e cachorros é enorme. Num certo momento, o Luciano quis parar para fazer uma gambiarra em seus sapatos que já deveriam ter sido aposentados e tivemos que fazer uma pausa. Se andando os mosquitos já me atacavam furiosamente, parado a coisa começou a ficar insuportável. Acelerei o Luciano para que terminasse logo enquanto eu andava em círculos para evitar ficar totalmente parado, mas não ajudou muito. Quando ele terminou eu andei o mais rápido que pude pra sair dali logo. Às 18:37 cheguei até uma cachoeira - um curso d’água que corre sobre um grande bloco rochoso - e tratei logo de tomar um banho antes que escurecesse. Enquanto eu estava lá, estirado naquela rocha com a água escorrendo e levando todo o calor daquele Sol maldito que me torrou o dia todo, o Luciano chega e interrompe minha meditação. Terminei o banho antes do Luciano e me troquei e peguei 2,5L de água para cozinhar e tomar durante o resto do dia e parti na frente para já começar a limpar a casinha, já que meu plano era dormir no chão novamente, e iniciar a janta. O local estava relativamente limpo, mas o chão estava um pouco úmido. Nem liguei, tirei um pouco da sujeira que se acumulou no chão e fiz a janta sem muita inspiração. O Luciano já havia se deitado de tão cansado e tive que acordá-lo para jantar.

 

Devidamente alimentados, montei um varal pra pendurar a roupa suja e me deitei naquele chão de cimento queimado, esperando que ele sugasse todo o calor que eu estava sentindo. MUITO CALOR! Não adiantou muita coisa. Mesmo dormindo sem isolante térmico em contato direto com o chão de cimento, minha noite foi horrível por conta do calor, mosquitos e os roncos do Luciano que eu achei que haviam melhorado porque na noite anterior eu não os ouvi, mas nessa noite eles voltaram com tudo!

 

Acordei às 07:00 estragado devido a noite mal dormida, nem tomei café da manhã e já estava determinado a terminar aquela trilha logo, sem muita enrolação. Da outra vez saímos para a caminhada às 10h, mas o calor estava mais brando e o tempo levemente nublado. Desta vez, como eu já conseguia visualizar por entre as folhas da mata o céu azul, deduzi que o Sol acabaria com nossas vidas nos incinerando em cima de alguma das pontes se demorássemos muito ali, então acelerei o Luciano para que fossemos logo e evitar a pior parte do dia. Eram 8 da manhã e já adentramos a mata para retornar a Paranapiacaba. A partir daquele ponto a trilha se torna mais interessante. Começam a surgir os túneis, as pontes e a vista de cima das pontes é incrível. É uma trilha que realmente vale a pena repetí-la. O nível de dificuldade já é mais complicado aqui. Numa escala de 0 a dez, eu diria que é um 6. Apesar de mais fechada que outras trilhas por aí, tem um caminho certo a se seguir. Se tiver medo de passar pelas pontes, a maioria é possível desviar pela direita e andar por cima das pontes não é a coisa mais perigosa do Universo, mas é preciso atenção e paciêcnia. Desta vez, como não havia a presença de ninguém que realmente conhecesse essa trilha, tinhamos que decidir no início de cada ponte por qual lado iríamos, agregando um toque de aventura a mais. Eu dava preferência pelo lado direito, visto que o lado esquerdo fica mais exposto à brisa que vem do litoral, corroendo mais as estruturas da ponte, mas em uma ou outra ponte era evidente que deveríamos ir pelo lado esquerdo devido à presença de grandes arbustos no caminho da direita. Como da outra vez nos deparamos com duas cobras nessa trilha - uma caninana e a outra jararaca - fiquei atento ao chão e aos troncos pelo caminho para não pisar em uma, apesar de estar com minhas perneiras tabajara. Vai que essas perneiras não servem pra nada. É um daqueles equipos que você não sabe se funciona e não quer nem saber, mas usa por pura superstição.

 

Achei que a trilha estava muito fechada desta vez, talvez em razão das fortes chuvas das últimas semanas que derrubaram muitos cipós e galhos no meio do caminho. Muitas vezes eu perdia o caminho e me enfiava no mato no sentido que era único. Notei que dessa vez haviam muitos moranguinhos silvestres, o que foi ótimo, pois me poupou de ficar parando o tempo todo pra comer minha coisas. Da outra vez eu comi só um punhado porque o Eduardo ia na frente comendo tudo e eu quase não senti o gosto dessa delícia. No início da caminhada eu sempre perdia o Luciano de vista, então começava a gritar seu nome para ver mais ou menos onde ele estava e o esperava. Depois de caminhados ⅔ da trilha, acelerei o passo e fui na frente para, novamente, adiantar o banho e a troca de roupas pra ir embora. Quando estava quase chegando no fim, notei uma movimentação na casinha de vidro que fica mais elevada que as demais. Eram três fiscais. Voltei um pouco, olhei para os lados. De um lado uma subida absurdamente íngrime e com certeza os fiscais notariam minha presença se eu subisse ali. Do outro lado era uma piramba que provavelmente ia dar no Rio Mogi depois de muita descida e meu cronograma ficaria totalmente prejudicado. Foi aí que um dos fiscais saiu pra fora e acenou em minha direção, me chamando para se aproximar. Puts, agora ferrou. Já comecei a imaginar um monte de desculpas furadas - será que falo que um helicóptero me abandonou lá e eu estava procurando uma saída ou que sou um alienígena e estou em uma missão secreta para registrar a história deste planeta para arquivar na biblioteca dos Lanternas Verdes. Quando cheguei próximo da casinha de vidro, um dos fiscais, sorridente, me perguntou: "tava difícil a trilha?" e então eu o respondi com uma cara de coitado completamente esgotado: "sim, muito!". O cara se mostrou super gente boa e ainda me perguntou se eu sabia como sair dali. Apesar de saber, respondi que não sabia, pois pensei que se ele soubesse que eu já estivera ali antes, a multa poderia dobrar. Então ele me indicou o lado, perguntou se eu estava sozinho e eu respondi positivamente - vai que ele está fingindo, mas na verdade só quer que eu confesse o crime e entregue os comparsas - e se despediu. Então eu fui na direção de um córrego onde nos limpamos da outra vez, tomei um banho e esperei o Luciano por uns 40 minutos, no meio do mato e bem quieto, pois bem do lado estava tendo um churrasco cheio de gente e eu não queria ser pego pelos moradores naquele lugar. O Luciano tomou um banho bem rápido e fomos em direção ao ponto de ônibus que nos levaria até a Estação Rio Grande da Serra. Já eram 16:50 e meu plano era pegar o ônibus para voltar às 16:00. Se eu estivesse sozinho teria conseguido com folga, mas esse pequeno atraso não incomodou em nada.

 

Ao chegarmos no ponto de ônibus, começa aqueles estresses da vida urbana. Havia uma fila gigante. Parece que estava tendo algum evento em Paranapiacaba, como todos os outros finais de semana que ali estive, e muitas pessoas estavam aguardando o transporte público para retornarem a suas casas. Esperamos por 25 minutos até surgir um ônibus que, por ser mais caro que o outro, espantou alguns passageiros, dando oportunidade para nós que estávamos atrás na fila. Em 20 minutos chegamos em RGS e corremos para pegar o trem que nos levaria de volta à São Paulo.

 

Assim termina mais um final de semana de muitas incertezas, mas que no final deu tudo certo pelo menos pro Luciano e para mim, e fica a lição de que devemos planejar melhor essas coisas pra não estragar o final de semana dos outros convidados. As trilhas até o Mirante e depois para o Rio Quilombo são super fáceis e acessíveis, devendo-se tomar cuidado apenas com os joelhos nas descidas, flexionando os bem e se possível com o auxílio de um bastão. A caminhada foi longa, mas as caronas nos ajudaram muito. O retorno a Paranapiacaba pelo Rio Mogi ficará para uma próxima oportunidade.

 

Qualque dúvida é só dar um toque que tento ajudar. Obrigado pela leitura e até a próxima!

 

Link para minha página no Facebook: http://www.facebook.com/PerieratPerierat

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Participe da conversa!

Você pode ajudar esse viajante agora e se cadastrar depois. Se você tem uma conta,clique aqui para fazer o login.

Visitante
Responder

×   Você colou conteúdo com formatação.   Remover formatação

  Apenas 75 emoticons no total são permitidos.

×   Seu link foi automaticamente incorporado.   Mostrar como link

×   Seu conteúdo anterior foi restaurado.   Limpar o editor

×   Não é possível colar imagens diretamente. Carregar ou inserir imagens do URL.


  • Conteúdo Similar

    • Por rafacarvalho33
      Antes de começar o relato, gostaria de salientar que ocorre uma discussão a respeito dessa trilha,  se ela deve ser feita ou não e vou tentar explicar o porque desse debate. 

      A trilha de fato é ilegal, ela fica dentro de uma propriedade privada (a empresa MRS Logística) e a Sub prefeitura de Paranapiacaba não reconhece a trilha como oficial, além desses dois importantes fatores, não é anormal que ocorram a fiscalização para pegar os infratores na entrada da trilha, podendo gerar uma multa (que varia dos R$300 a R$500) e ate detenção por invasão a propriedade privada.

      Por outro lado, a trilha se dá ate Cubatão, passando pela Serra do Mar, com paisagens exuberantes, com fauna e flora muito rica e diversificada, além das cachoeiras pelo caminho, há também toda a importância histórica e cultural do trajeto, juntando esses fatores com o fato de Paranapiacaba estar próximo a cidade de São Paulo, é comum que dezenas de pessoas durante os finais de semana se arrisquem e realizem a travessia, ou pelo menos, parte dela. 
       
       Paranapiacaba recebe centenas de turistas nos finais de semana. 


      Por muitos anos, me recusei a fazer essa trilha, porque além de ela ser ilegal, ela também é perigosa, mas esse ano conheci duas pessoas que já fizeram esse trajeto mais de 05 vezes cada um, sendo conhecedores do local de olhos fechados, assim me senti mais seguro.

      Antes de mais nada, na minha opinião, acredito que a melhor solução para esse assunto seria a empresa cobrar uma taxa de entrada, e com esse dinheiro, aplicar na manutenção da trilha, deixando ela mais segura para os amantes de aventura, assim, todos ganhariam, a empresa, nós e Paranapiacaba, que assim, poderia receber mais turistas. 

      O fato de proibir por proibir sabendo que existem pessoas que ate acampam no local, da a sensação que as autoridades junto com a empresa tem preguiça de lidar com a situação, pois ao mesmo tempo o acessos a trilha e a saída dele são fáceis de identificar, se de fato quisessem proibir, não seria difícil fazer isso, ao meu ver parece que eles apenas buscam fugir da responsabilidade caso alguma coisa aconteça.


       
       Vagão de trem abandonado logo no começo da trilha
       
       
      Bom, dito tudo isso, vamos falar um pouco mais sobre a Trilha Funicular, a travessia até Cubatão tem 15 km, passando por 16 pontes e 13 túneis, as pontes estão a 50/60 metros de altura do chão, a trilha muitas vezes passa por mata fechada, tendo muitos espinhos, aranhas e até cobras, por isso é recomendável usar camisa manga longa e calça larga, e caso veja uma cobra pelo caminho, só precisa ter calma e deixar ela seguir seu trajeto em paz, recomendo o uso de lanterna para ajudar a atravessar os túneis. 
       
      A trilha é plana e tranquila de se fazer, não requer muito esforço físico, agora as partes que atravessam a ponte, essas não são tão simples, primeiro porque sempre dá aquele medo, então é comum muitas pessoas travarem na hora e não conseguirem, segundo, as pontes estão bem danificadas, já que elas foram construídas e postas em operação no ano de 1867 e foi desativada entre 1970 a 1980, então a conservação da ponte esta comprometida, a parte de madeira esta podre e em alguns locais, o ferro que da a sustentação, esta bem gasto. 
       
       A situação das pontes não são das melhores. 


      No caminho, atravessamos por 05 pontes na ida, a primeira foi a mais cansativa, por ter todos esses problemas que citei acima, mas conforme você vai fazendo, você vai pegando confiança e segurança, na quarta e quinta ponte já fazia em pé, sem precisar me apoiar em nenhum lugar. 

      A nossa volta, passamos por duas pontes e cortamos caminho para chegar ao novo sistema funicular, dando a oportunidade de ter a visão das pontes de longe.


       
       

      Além das pontes e trilhas, no caminho tem estruturas diversas, como as Casas das Máquinas, esses lugares geralmente são para as pessoas que querem acampar a noite, fazer alguma comida ou dar aquela descansada. 

      Começamos a trilha as 09:00h da manhã e voltamos a cidade as 15:30h da tarde, já que estava ameaçando chover, nosso trajeto foi até a segunda casa das máquinas, que fica depois da quinta ponte, lá tem um ótimo lugar para tirar fotos e apreciar a Serra do Mar, chegando a ver Cubatão ao fundo, muitos vão até a terceira ponte, onde tem a primeira casa das máquinas e um ótimo lugar para tirar fotos também, os mais corajosos vão ate Cubatão. 

       
       Dando aquela pausa na segunda casa das máquinas.


       
      A imponente Serra do Mar ao fundo 
       

      Recomendo que caso você tenha interesse em realizar a travessia ou parte dela, que busque algum guia local ou pessoas que já fizeram e que possam ter ajudar durante a trilha, é de extrema importância ter um apoio, se eu fizesse ela sozinho, sem ter ao meu lado duas pessoas experientes, a situação seria muito mais complicada do que foi. 


      Espero que tenham gostado do relato, para qualquer dúvida só mandar mensagem pelas minhas rede sociais, estou presente no Instagram no rafacarvalho33 e no Facebook no Follow The Portuga.


      **** Aos amigos do blog que vão viajar e reservar sua hospedagem, peço para usarem minha caixa de pesquisa na página inicial do site, assim o Booking repassa uma parte da comissão para mim, ajudando eu a seguir com o trabalho aqui no blog, isso não gera nenhum custo adicional para você. Valeu =] ****


      Follow me
    • Por Vgn Vagner
      Sobre o antigo sistema Funicular
       
      Funicular significa "sistema de transporte em que a tração do veículo é proporcionada por cabos acionados por motor estacionário, e frequentemente se utiliza para vencer uma grande diferença de nível".
       
      A SPR (São Paulo Railway), foi a empresa que construiu e operou todo o primeiro sistema, composto por 5 casas de máquinas, 11 túneis e 16 pontes. Inaugurado em 16 de Fevereiro de 1867, teve funcionamento centenário. Tendo que ser desativada em 1982, após um incêndio datado de 14 de Janeiro de 1981, sendo sucedida por outras empresas até 1994. Inicialmente o sistema era para transporte de café entre as cidades de Jundiaí e o porto de Santos. Hoje o primeiro sistema já não opera mais, fazendo parte do Museu Tecnológico Ferroviário do Funicular, mantida pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária.
      Há uma linha paralela atualmente ativa, que opera com um sistema mais avançado, chamado Cremalheira-aderência, inaugurada em 1.974 sob o comando da concessionária MRS Logística S.A.
       
       
      Relato
       
      No início de quando me interessei por trilhas, mergulhei de cabeça nessa história de me envolver com os grupos, ler relatos, me aventurar, coisa e tal. Procurava companhia já fazia meses, e nada de encontrar. Mais continuava entretido no fórum, lendo, e foi em um desses relatos que me empolguei com toda aquela narrativa que excita qualquer novato. Eu lía e re-lía várias vezes a ponto de ficar afiado pra encarar esse desafio quando surgisse a oportunidade, ela demorou a chegar, coisa de um ano depois.
      Time escalado, e lá vamos nós ao "ataque inverso". Por que inverso? Porque os relatos que se tem por aqui, ditam que há uma necessidade de (acampar num dos túneis) pernoitar uma noite para essa travessia, e que é preferêncialmente entrar pela Vila de Paranapiacaba durante a noite para não ser vistos pelos guardas e ter que dar meia volta. Nós fizemos o oposto: entramos por Cubatão, na Rod. Conego Domênico Rangoni às 09:00h, sem nos preocupar com guardas e realizamos a travessia em 1 dia (8h entre pernadas e pausas).
       
      obs.: só fizemos em 1 dia porque era isso que tinhamos como tempo disponível e um dos integrantes do grupo já havia feito o mesmo trajeto. Lembrando que, se não calcular o tempo certo, pode-se correr o risco de ficar pelo caminho no escuro da mata e atravessar os trilhos nas alturas sem visibilidade, aumentando o risco de vida. Atenção hein! Pois a neblina baixa cedo em Paranapiacaba.
       
      Pegamos a Van na estação do Metro Jabaquara por volta de 07:45h sentido Cubatão, no valor de R$25,00 por pessoa, e a danada demorou para sair. Bom para o Thiago, que foi conhecer o Habbib's da região...kkk. O trânsito na Rodovia dos Imigrantes estava livre, e logo chegamos ao viaduto da Rod. Conego Domênico, também conhecida como Piaçaguera-Guaruja. Uma referência da trilha que leva aos trilhos da Funicular. Alí já está o término da travessia para quem desce da Vila e chega ao pátio de manobras dos trens da MRS Logística S.A.
      Sendo aquele local, área privada e tombada como patrimônio, não demoramos muito por ali, há um certo aglomerado de casas nos arredores, e a fama de Cubatão não é das melhores quando o assunto é segurança. Pegamos logo a trilha, que de início achei meia confusa de se "navegar" , por haver várias picadas para todas as direções. Mais bastou achar os cabos de aço estirados no chão e segui-los. Pois esse é o caminho.
       
       
      O cenário aguça a imaginação logo no começo da caminhada, onde a serra foi rasgada para se ter o "planalto" onde subiram e desceram vários trens construindo parte da história do Brasil, e que hoje, resta apenas uma linha férrea abandonada por décadas. E a tanto tempo inativo, todo o sistema ganhou ornamentação natural, deixando tudo o que vemos com uma imagem histórica e/ou envelhecida. A ponte que foi ao chão, ainda tem sua metade suspensa e é tomada pela vegetação, tem lá sua beleza individual e acesso restrito.
      Nos primeiros km's passamos por lugares sensacionais, contornanos a primeira ponte e alguns túneis que oferecem a escuridão como desafio mesmo sob a luz do dia. O incerto te rodeia a todo instante, pois se não tens uma lanterna em mãos, não se sabe onde vai pisar, pode ser em um buraco, como pode ser em uma cobra. O negócio fica tenso.
      Eu já estava ficando intediado de tanto desviar de pontes e varar túneis sem adição de alguma emoção por menor que fosse. O que mais me instigava a estar alí, seria o desafio das pontes, que até então não me surpreendiam vistas ao longe. Mais não tardou muito, e na 4° ponte eu tive minha coragem posta à prova.
      A ponte mais extensa de todo o percurso, conhecida como Ponte Mãe, tem sua estrutura bem, mais beeeem comprometida mesmo, e é parcialmente tomada pela vegetação, só dificultar o caminho. A cena que se vê não é das mais animadoras, pois faz você temer cada passo que será dado em cima daqueles trilhos comidos pela ferrugem, e as madeiras (dormentes) podres esfarelando abaixo de você. A cena assusta hehehe.
       
      E quem disse que deu coragem de encarar tranquilamente? ainda mais indo de pé. Deu um medo da porraaa kkk, e olha que eu não tenho medo de altura hein.
       
      Em ordem e com espaço de um para o outro, seguiram: Diego e Rene (atravessando em pê), Eu, Thiago, Diogo e Terry (com medo, engatinhando nos trilhos como quem não sabe ficar de pé kkk). Tudo muito tenso e cansativo, pois estávamos expostos ao sol forte, mais na verdade, era a adrenalina que fazia o suor escorrer pelo rosto a cada metro avançando. Não é tarefa fácil, você seguir nas alturas, sem segurança, e ainda ficar vendo alguns trilhos balançando e os dormentes (madeiras), que te suportam caírem enquanto você. E pra dar mais emoção, Diego logo anuncia: tem uma cobra aqui (na metada da travessia), mais na verdade eram três cobras enroladas nos ferros. Eu me aprecei pra ver e consegui visualizar apenas duas delas descendo lentamente as barras de ferro sem obstruir nosso caminho. Ainda bem rsrs. Pois seria complicado se estivessem no mesmo nível que a gente, tão alto... aff.
       
      Superamos o 1° desafio creio que uns 20 minutos, porém com segurança e do jeito que cada um se sentiu melhor. Sem pressa, na calma.
      Novos km's percorridos sob o sol forte, calor de rachar. Nossa água (1L cada), acabou rápido. O bom é que temos pontos dágua pelo caminho, que dizem não ser confiáveis devido a contaminação de alguns rios locais, só que não dava para continuar sem se refrescar. Então tomamos da água corrente de alguns desses pontos assim mesmo.
      Eu já estava satisfeito com a superação inicial, até me arrisquei a seguir em pé sobre os trilhos da próxima ponte em diante. E assim foi também com Diogo, menos para Terry e Thiago que realizaram todas as travessias engatinhando nos trilhos. Dou meus parabéns a eles por encararem isso, mesmo tendo medo de altura.
      Conforme subiamos o declive da Serra do Mar, conversavamos sobre toda a engenharia ali empregada, as dificuldades para a construção dos túneis em uma época que não havia tantas "máquinas que fazem tudo" como hoje em dia, e como seria assistir tudo isso em funcionamento.
       
      "em 1.861 foi instalado um acampamento no alto da Serra do mar, que chegou a abrigar 5.000 homens para realizar a construção de toda a linha com seus 11 túneis e 16 pontes".
       
      Próximo ao meio de todo o trajeto já avistamos as primeiras caixas dágua que abasteciam as casas das máquinas, a primeira e segunda de cinco delas, estão inacessíveis devido ao mato ter tomado conta, engolindo quase que por completo esses patamares. O 3° Patamar já é maior, mais visível, porém tem "armadilhas" no solo dificultando o acesso. São valas profundas onde se fazia algum tipo de manutenção nos trens, então é complicado se arriscar e cair num buraco desses.
      Andando um bom tempo depois dali, alcançamos a "cereja do bolo" desse rolê: o 4° Patamar. eita lugar fantástico. E eu pensando que já teria visto tudo o que queria ver nessa aventura (coitado). O 4° Patamar é a principal e maior casa de máquinas, com grandes engrenagens, turbinas, painéis e alavancas que geravam toda força para catracar as composições cargueiras entra o planalto de Paranapiacaba e a Baixada Santista. Localizada abaixo da ponte mais alta e bem conservada de todas (Grota funda), e que termina invadindo o morro por um túnel, o patamar merece admiração em todos os detalhes, pois o lugar te leva a outro plano, outra realidade, como se você estive estrelando em filme que retrata a antiguidade férrea de algum faroeste americano.
       
      O enorme morro a nossa direita é muito íngrime e antecede o Vale do Rio Quilombo, e tem sua vegetação seca e rasteira com rochas em destaque, que fazem lembrar de paisagens internacionais (tipo: Texas, Yugoslávia, Islováquia né Diego? kkkkkkk). E abaixo de nós, um afluente de pequenas quedas que deságuam no vale do lindo Rio Mogi.
      Foi naquela paisagem rica em história que registramos as melhores e mais ousadas fotos. Ainda bem que deu tempo, por que assim que decidimos prosseguir, caiu um forte neblina permitindo enxergar apenas uns 15 mts a nossa frente, no máximo.
       
      Faltava pouco mais de 1h entre as poucas pontes e túneis que restam pra alcançarmos o quinto e último patamar e finalizar nosso passeio.
      O frio já abraçava a Vila quando saimos da trilha. Então fomos tomar aquele cafézinho e chocolate quente para aquecer antes de pegar o Bus para Rio Gde da Serra e seguir rumo a house...rs.
       
      Na Van, indo embora, ouvindo that's my way - Edi Rock part. Seu Jorge, a emoção me abraçou forte, mais tão forte, me trazendo um misto de alegria, satisfação, superação e gratidão pelas companhias e a presença divina, que não resisti, e chorei, chorei bastante enquanto eu recordava de tudo que vive naquele (01/09/2013), domingo abençoado. Só tenho a agradecer.
       
      that's my way and I go
      esse é meu caminho e nele eu vou!
      eu gosto de pensar que a luz do sol vai iluminar o meu amanhecer,
      mais se no manhã, o sol não surgir, por trás da nuvem cinza tudo vai mudar,
      chuva passará e o tempo vai abrir. A luz de um novo dia sempre vai estar
      Pra clarear você, pra iluminar você
      Pra proteger, pra inspirar e alimentar você.
       
      fim.
       
       
      obs.: com muita calma, realizamos em quase 8h de pernada. Se interessou em ir pra lá? estude bem seus medos e as dificuldades que é estar lá, pois é proibido (lei Federal) transitar em linha férrea. Colha o que puder de infos antes de ir e dê preferência de ir com quem já visitou antes.
       
      itens indispensáveis:
       
      1 _ confiança em Deus;
      2 _ não ter medo de altura;
      3 _ luvas (evita ferimentos e Tétano);
      4 _ lanternas (túneis escuros);
      5 _ lanche rápido;
      6 _ 2L de água;
      7 _ boas companhias, rsrs.
       
      boa sorte!
      Agradeço a Deus pela minha proteção e de meus companheiros.
      valeu a pena!!
      abraço.
       
       






       





       





       
       
       
       
       
    • Por Tadeu Pereira
      Salve salve mochileiros!
      Segue o relato com algumas dicas para fazer uma bela trilha onde irão encontrar algumas maravilhosas cachoeiras, belas paisagens e uma natureza fantástica bem perto da cidade de São Paulo e de baixíssimo custo. 
       
       Ida - 10/09/18 - 05h00min - São Paulo x Rio Grande da Serra x Paranapiacaba - Metrô e Trem R$4,00 - Ônibus R$6,90 
         Partindo de São Paulo do bairro Perdizes Zona Oeste, peguei o Metrô na estação Vila Madalena (linha verde) até a estação Paraíso (linha Verde x Azul) para baldear para a linha vermelha seguindo até a estação Sé (linha Azul x Vermelha) onde peguei para a estação Brás (linha Vermelha), para finalmente pegar o Trem da CPTM sentido Rio Grande da Serra que foi nossa primeira parada. O trajeto todo até a primeira parada teve uma duração de aproximadamente 1h30min . Chegando na estação de Rio Grande da Serra, após sair pelas catracas atravessamos a linha do trem e viramos para a direita na rua e depois viramos na primeira rua a esquerda onde tem um ponto de ônibus que leva tanto para a vila de Paranapiacaba quanto para a entrada da trilha que fica a poucos quilômetros de Rio Grande da Serra. O ônibus é do transporte público então é só esperar alguns minutos que logo encosta um. Mas antes de pegar o busão nós aproveitamos e fizemos umas comprinhas nos mercados e padarias que encontramos por ali ao lado do ponto de ônibus, nada de mais, somente alguns pães, água, presunto, queijo e chocolates, pois nossas mochilas não poderiam ficar pesadas para fazer a trilha. Comprados nossos alimentos seguimos para o ponto e em alguns minutos o ônibus chegou. Conversei com motorista antes e pedi para o que nos deixasse na entrada da trilha da Cachoeira da Fumaça e minutos depois la estávamos na entrada da trilha. 
       
        
         
       
       
        Na entrada existe uma porteira de madeira, é só dar a volta e atravessar e seguir reto por esta estrada passando por baixo dos fios das torres de energia elétrica onde existe um barulho da energia correndo pelos fios bem sinistro mas sem perigo nenhum. Passando esses fios ai sim inicia a trilha com muita lama em alguns trechos então o cuidado tem que ser maior para não acontecer possíveis quedas. O inicio da trilha é de nível fácil, a única dificuldade mesmo é a lama intensa, mas aconselho a retirarem os sapatos e irem descalços, assim você não os suja para a volta e ainda sente a incrível energia que a natureza irá colocar nos seu corpo entrando pelos seus pés. É fantástico!
        A primeira parada na trilha foi em uma prainha de água cristalina com uma pequena queda de água, um ótimo lugar para se refrescar e tomar um pouco de sol, ficamos por alguns minutos ali vendo vários girinos e peixinhos nadando naquela água cristalina. Depois de contemplar aquele primeiro paraíso seguimos a diante. A trilha começa a ficar bem fechada mata a dentro, em alguns trechos ela irá cruzar o rio tendo que continuar a trilha do outro lado.

                
       
        Após andar pouco mais de 20 minutos chegamos em um ponto muito legal, a segunda parada da trilha foi em um ponto onde se consegue ver cidades litorâneas como Cubatão, Santos, São Vicente. Um lugar de uma imensidão grandiosa da natureza contrastando a mata e a cidade, ótimo lugar para tirar belas fotos.
       
                
       
        Seguindo a trilha mais a frente por alguns minutos já começamos a ouvir o barulho de água caindo, chegando perto do rio nos deparamos com uma grande queda de água, uma cachoeira linda, com um grande volume de água caindo. Ficamos algumas horas nesse local perplexos com a grandeza de detalhes que a natureza estava nos proporcionando. O banho de cachoeira é quase obrigatório e é de lavar a alma! Fizemos nossa terceira parada e nosso café da manha ali naquele paraíso. 
       
                

       
        Seguindo o curso do rio encontramos a trilha novamente, andamos mais alguns minutos pela mata, mas sempre do lado do rio, foi quando um clareira se abriu na nossa frente nos mostrando aquela imensidão grandiosa da natureza novamente e o rio que estávamos seguindo se transformando em uma queda fantástica, a Cachoeira da Fumaça. Estava ali o nosso destino, uma cachoeira majestosa com uma delicada e ao mesmo tempo brusca queda de água que deixava o lugar com uma sonoridade única. Ficamos horas nesse lugar e ainda demos a sorte de não encontrar muitas pessoas, pois fomos logo depois do feriado de 7 de Setembro numa segundona braba hehehehe. Vantagens de quem tem folga na segunda rs.  
       
                
       
        Foi um momento muito lindo ver aquela enorme cachoeira, aquelas montanhas rodeadas de matas verdes por todo canto e ainda contrastando com o mar ao fundo, sinceramente não estava nos nossos humildes planos toda aquela beleza de uma vez só! Mas a natureza ainda nos proporcionou uma ótima visão desta mesma cachoeira só que de frente. Encontramos alguns caras que estavam acampando por ali perto que nos indicou o caminho. Descemos pelo lado esquerdo da cachoeira por uma trilha bem escorregadia e medonha que levava de frente da cachoeira. Levamos alguns bons minutos descendo essa trilha pois foi de nível médio para difícil. A trilha estava muito escorregadia e de altura considerável então foi meio tenso a descida com as mochilas, mas conseguimos descer depois de alguns minutos e todo o esforço valeu muito a pena. A vista da Cachoeira da Fumaça de frente é de uma beleza ímpar. 
       
       




        
        Algumas horas se passaram com a gente ali paralisados com tanta beleza, contemplamos aquela maravilha até o último momento, foi quando uma névoa cobriu todo lugar deixando a visibilidade muito ruim. Decidimos ir em embora pois estava ficando sem visibilidade por causa da neblina e não gostaríamos de pegar a trilha escura. Por volta das 16:30 arrumamos nossas mochilas e partimos para o retorno. Fizemos exatamente a trilha que viemos e foi bem rápido e tranquila. 
       
      Volta - 10/09/18 - 16h30min - Paranapiacaba x Rio Grande da Serra x São Paulo - Ônibus R$6,90  - Metrô e Trem R$4,00 
        Chegando na rodovia do lado direito tem um ponto de ônibus, então é só caminhar até ele e aguardar pelo ônibus que em alguns minutos irá passar, e foi o que aconteceu, em menos de 20 minutos pegamos o ônibus de volta pra Rio Grande da Serra e finalizamos mais uma fantástica trilha bate e volta com cachoeiras e paisagens maravilhosas bem pertinho de São Paulo. Gratidão! 
        Espero ter ajudado em algumas dicas e fico a disposição para qualquer dúvida. Vlw
      Instagram: https://www.instagram.com/tadeuasp/
      Facebook: https://www.facebook.com/tadeuasp
       
       
       


    • Por Kássio Massa
      Olá, galera do Mochileiros!
      Estou postando esta trip que fizemos no último dia 10/07, muito cansativa, porém, igualmente compensadora!! Ao todo, foram cerca de 22km de caminhada.
      Confiram o relato, a seguir!
      ---------------------------------------------
       
      http://rotamassa.blogspot.com/2011/07/pedra-grande-de-quatinga-paranapiacaba.html
       
      Após algum tempo sem retornar à pacata região de Paranapiacaba, programamos, desta vez, um roteiro um pouco mais pesado - na verdade, muito mais pesado...
       
      Saindo de Paranapiacaba e seguindo por 10km, pela antiga Estrada de Taquarussú, passando pelo vilarejo de mesmo nome, avista-se, no horizonte, um enorme granito, de aproximadamente 100m de altura, preso no topo de uma alta montanha, 1120m acima do nível do mar. Esta é a Pedra Grande de Quatinga, já no distrito homônimo de Mogi das Cruzes, mostrando-se imponente em meio à Serra do Mar paulista, de onde se pode avistar a baixada Santista, e mesmo, o centro de Mogi, a 35km dalí.
       
      O caminho é longo - pouco mais que 10km -, em estrada de terra batida que abrange quase todo o percurso, sendo os últimos 2,5km caminhos difíceis e íngremes, inacessíveis a qualquer tipo de veículo.
       

      Nosso guia prático de bolso
       
      Chegamos à vila inglesa por volta das 9h30, o lugar parecia vazio, ao contrário da última vez, porém, havia seguranças controlando as entradas das trilhas próximas dalí, o que me fez presumir que, em instantes, o chamado Expresso Turístico, da CPTM, daria as caras por lá, trazendo assim, os turistas do dia.
       
      Passamos no centrinho da vila para comer algo e nos preparar para o árduo caminho que nos esperava. Tiramos nossas últimas dúvidas com moradores locais, a respeito de nosso destino - Pedra Grande - e assim, seguimos até a estrada de Taquarussú, aproveitando ainda para passar no pátio ferroviário aberto e tirar algumas fotos em frente aos dois 'Locobreques' - antigas locomotivas á vapor, de fabricação inglesa, que operavam no sistema funicular, atualmente, desativado - que estavam alí, jogados aos líquens.
       

      Galera... da esquerda para a direita: Ariel, eu, Finazzi e Thiago
       




       
      Enfim, às 10h30, deixamos Paranapiacaba e adentramos a antiga Estrada de Taquarussú. Este caminho, apesar de pouco divulgado, é ponto de partida para várias trilhas, que dão acesso a cachoeiras, ruinas e outros atrativos ainda pouco explorados e que, por não fazerem parte do município de Santo André, têm acesso livre, sem exigência de acompanhamento de monitores.
       

      No 'portal' da Estrada de Taquarussú... Ariel, Finazzi, Thiago e Gabriel
       


       
      Em 3,3km de caminhada pela estrada, chegamos ao vilarejo de Taquarussí, fundado por imigrantes italianos, no final do século IX. Um lugar de extrema simplicidade, porém, de rara beleza arquitetônica, presente em suas casas e na capela de Santa Luzia. Havia também, um lago cuja água apresentava uma coloração verde-azul descomunal - só foi uma pena não ser permitido nadar, apesar de o nosso mapa ter dado um bom mergulho alí, nos rendendo um bom susto! hawuhawu
       








      Ariel indignado com o incidente hawuwhwu
       

      Nosso mapa de bolso tomando Sol, após ter dado um mergulho no lago
       
      Adiante, andando por mais 3,5km, passariamos no Pesqueiro Truta das Pedrinhas para pedir maiores informações sobre a região. Mas fomos surpreendidos, no meio do caminho, por um riacho de águas cristalinas e calmas, que, não fosse a friaca do Inverno, teria nos convencido a permanecer alí mesmo, dando mergulhos e nos refrescando!
       


       
      Ao chegarmos ao pesqueiro, fomos atendidos pelo dono, que, junto a um grupo de amigos que estavam a passar o dia alí, nos deu algumas dicas sobre o trecho final. Analisamos tudo o que eles haviam dito e vimos que batia perfeitamente com o nosso mapa. Os agradecemos e seguimos em frente.
       
      A partir do ponto de onde já podiamos avistar a imponente pedra, começava o trecho mais difícil e cansativo do roteiro, onde a estrada dava lugar a uma longa subida por um caminho onde dutos de água estouraram, formando um verdadeiro tobogã, onde todo cuidado para não escorregar era em vão! Este caminho nos deixava na entrada da trilha, à direita, ao lado de uma propriedade privada.
       

      Pedra Grande de Quatinga, finalmente à vista!
       


       
      Tudo ia bem, só estava faltando uma coisinha até agora: a gente se perder! E essa hora chegou, quando passamos direto pela entradinha da trilha, sem notá-la, andando adiante, por cerca de 10min, até avistarmos, novamente, a grande pedra, no alto da montanha, porém, ... lá atrás...!
       

      Dez minutos após passar a entrada da trilha para o cume da Pedra Grande
       
      Voltamos e entramos na picada, que nos conduziu ao topo da Pedra Grande. Apesar de faltar apenas 1km agora, este era o trecho mais complicado, uma vez que, finalmente, começariamos a subir, de fato, a montanha. A trilha era inconfundível e sem bifurcações, porém, havia trechos em que a inclinação passava de 65º, o que nos obrigou a escalaminhar ladeiras e a carimbar nossas bundas, diversas vezes!
       
      Foi nessa parte, também, que nossa resistência seria colocada à prova, já que cometemos a grande gafe de não levarmos suprimentos o suficiente - aqui, nossa água e comida acabaram, de vez, nos deixando sedentos e famintos para o resto do dia, o que nos fez correr contra o tempo e a desidratação.
       

      Entrada da trilha da Pedra Grande
       



       
      Aleluiamente, após longas 3h30 de caminhada pela estrada e 40 estonteantes minutos de escalaminhada e escalada pela picada, vencemos a majestosa Pedra Grande de Quatinga! Estávamos, agora, a 1120m de altitude, e, pudemos descansar e vislumbrar a fascinante panorâmica de quase 360º. Da pedra, era possível observar o centro de Mogi das Cruzes, Paranapiacaba, e o grande desnível da Serra do Mar - só não era possível ver o mar devido a uma cerração!
       

      Olhando para Sudeste
       

      Vista para Nordeste
       





      Pico Itaguacira, a Leste, 30m mais alto que a Pedra Grande
       

      Vista para Sudoeste, atrás destas elevações, está a Baixada Santista. Em dias de melhor visibilidade, é possível avistá-la
       









       
      Permanecemos no cume por cerca de 1h, e já era tempo de voltarmos, pois o relógio indicava 16h30, e teriamos que alcançar a estrada até antes de escurecer totalmente. Estávamos cansados, sem água e sem alimento, e ainda teriaamos mais de 10km pela frente, até chegarmos de volta a Paranapiacaba... #fuuu!!!
       


      Descida da montanha, na volta
       
      Descemos às pressas, carimbando nossas bundas novamente, mas conseguimos atingir a estrada de Taquarussú em cerca de 1h. Enfim, veio a noite, mas seguimos sem problemas, pois estávamos em Lua-cheia, o que nos garantiu iluminação natural durante todo o percurso.
       
      A sede e o cansaço nos deixava cada vez mais debilitados ... foram inúmeras vezes as que tivemos que parar em meio à estrada e recompor nossas energias, quase que não surtindo efeito algum... Foi assim até chegarmos á vila inglesa, que, apesar de pequena, pelo nosso desespero em chegar ao centrinho e comprarmos algo para tomar e comer, mais parecia uma metrópole sem fim, onde cada metro se convertia em quilômetro... Eis que se materializou, frente a nós, o famoso Bar da Zilda, que, como um templo, veio a nos salvar! *---*
       
      Recuperados, subimos à parte alta da vila e nos dirigimos ao ponto para pegar o ônibus para Rio Grande da Serra, de onde sairia o trem de volta a Sampa! >> Back home! o/
       
       
      Detalhes da Trip
      Como chegar: a Pedra Grande de Quatinga está localizado em um local de fácil acesso, distante 10km de Paranapiacaba. Basta Seguir pela Estrada de Taquarussú por cerca de 6,5km até o Pesqueiro Truta das Pedrinhas e virar à direita, seguindo o caminho, ignorando as entradas, até a bifurcação, onde se deve seguir à direita, pelo caminho dos dutos. Seguindo por cerca de 200m, á direita, está a entrada da trilha, que é um caminho único, que chega ao cume da Pedra Grande.
      Quanto custa: CPTM(Luz/Brás - R. G. da Serra) - R$2,90; EMTU(R. G. da Serra - Paranapiacaba) - R$2,80
      Importante: é importante que se leve muita água consigo, pois no caminho, há pouquíssima civilização e o percurso todo, de 22km - ida e volta - leva, no mínimo, 6h, em rítmo de caminhada moderado.
    • Por Dyanne
      ola galera...
       
      voltando aqui pra postar o meu segundo relato
       
      tendo total sucesso na nossa primeira trilha ao poço formoso fiquei tentada a voltar para a pequena vila e fazer outra o mais rapido possivel ^^ (circulo viciante)
       
      pesquisei a respeito do lago de cristal, porém optei por subir a pedra Grande mais uma vez influenciada pelos relatos do "Massa" rs
       
      então no feriado da consciência negra me encontrei com o meu parceiro de aventuras as 7:00 no ponto aqui perto de casa e la fomos nós a Paranapiacaba...
       
      chegando na vila, compramos mantimentos e antes de encarar a longa estrada de taquarussu subimos ao mirante do lado do cemitério...
       

       
      o tempo estava ótimo bem diferente do que a gente viu na primeira trilha o que nos deu mais coragem ainda pra pernada que nos aguardava, descemos então a ponte em direção a estrada não sem antes também tirar fotos da vila e da locobreque...
       

      locobreque

       
      mais alguns cliques, depois de passar no bar da Zilda pra tomar algo gelado e criar coragem, finalmente chegamos na estrada... as 10:00

       
      seguimos então a estrada sem grandes mudanças de paisagem....cruzavamos vez ou outra com motos de trilha e ciclistas

       
      depois de muito andar, chegamos na vila de taquarussu onde comprovei o q o guarda metropolitano de paranapiacaba a quem pedimos algumas informações nos informou que na verdade era at muito pequena pra parecer uma vila com casinhas contadas a dedo, igreja e uma pequena represa...De dia naquele sol me parecia uma cidade fantasma de faroeste porém a noite imaginei como um cenário de jogo apocalipitico!


       
      até aqui tudo tranquilo foi depois de passar pelo pesqueiro que o perregue começou...
       

       
      depois de passado o pesqueiro truta nas pedrinhas entramos a direita como li no relato do "massa", passamos por uma propriedade com dois cachorros de caça , um deles bem exaltado tentando pegar os patos quase nos fez retroceder até eu perceber que ele estava preso por uma corda
       
      então continuamos depois dessa primeira propriedade tínhamos duas opções seguir reto ou uma bifurcação a direita onde entramos pensando ser a tal trilha até a pedra, errado!
       
      começamos no que parecia ser uma trilha que foi se fechando cada vez mais...embora inocentemente eu ainda achasse que era a certa...
       
      que nada... estávamos em mato fechado mais jurava que estava certa e teimosa como sou (preciso trabalhar nisso) não quis admitir o erro e como estava dando pra andar desviando dos obstáculos sempre em zigue e zague, achei que estavamos paralelos a trilha certa e que podíamos encontra-la em algum ponto...estava enganada.
       
      quanto mais andávamos mais agonia dava, o clima estava tenso e andávamos em silêncio, o único som era do "ai!" pq tinha muitos espinhos, tensa como eu estava e cheia de adrenalina nem estava me importando no momento, só queria chegar!
       
      fizemos um verdadeiro vara mato (só que sem a faca q seria muito útil por sinal), chegamos até uma parte onde tinha muito bambu e o Alex até se inspirou a querer bater fotos e quebrar um pouco o clima tenso porém estava mais preocupada em como chegaríamos, voltaríamos e a vegetação me deixou confusa oras aberta...oras fechada... aquilo com certeza não era uma trilha!
       
      depois de andar mais um bom bocado sem saber onde estávamos, passamos por mais uma propriedade que era um sitio que tinha uma placa bem grande dizendo proibida a passagem sem autorização, ouvimos barulho de cachorro e por via das duvidas a contornamos pela cerca por um caminho que se escorregasse era direto pro hospital pela queda ou por se cortar no arame farpado!
       
      continuamos pelo caminho árduo de espinhos, deslizamentos, troncos e etc...a essa altura já tinha total certeza que tomei o caminho errado em algum ponto distinto e já tínhamos andado muito, pelo menos eu achava, já que as arvores fechavam o céu acima de nós o q me deixava claustrofóbica e meio desorientada sobre onde estavamos em relação a pedra...a teimosia era maior e não me deixava retroceder, já tinha chegado até ali e iria até o final até pq tinha certeza de que já no topo acharia a trilha certa de volta.
       
      Alex até tentou me fazer voltar para trás sutilmente me dizendo que se eu não queria voltar pq estava machucada e estava preocupado, mais tentei transparecer a maior confiança do mundo de q iriamos chegar no objetivo...(era só subir então se já estava ferrada mesmo pelo menos ia até o final!).
       
      ele me olhou como se estivesse prestes a me carregar pra casa se fosse necessário mais que também iria dar o voto de confiança que eu precisava de q ainda podíamos chegar la...
       
      passado esse drama continuamos a subir... já estava anestesiada a dor que os espinhos e outros obstáculos me causavam então tentei me concentrar em detalhes como pequenas clareiras de luz, as arvores abaixando, pedras enormes e o barulho do vento mostrando que pelo menos estávamos subindo...
       
      Avistei uma clareira logo depois da subida íngreme em que estávamos como se o terreno la estivesse plano não deu outra me apressei em chegar até ela escalando como se estivesse ficando sem ar...
       
      quando alcançamos a clareira estávamos bem ao lado esquerdo da pedra tínhamos duas opções ou subíamos por ali mesmo que não era tão 'íngreme" e estava coberto com capim dourado seco até o topo(porém uma tropeçada ou perda de equilibrio era morte na certa, pq não tinha nada pra se segurar na caída) ou encarava a mata fechada de novo!
       
      não pensamos duas vezes e decidimos ir conquistando pelo lado da pedra até o topo, a vista era linda mais nem olhei pra trás com medo de ter uma vertigem, perder o equilíbrio e descer a montanha rolando...fomos bem dizer escalando, forçando o peso do corpo pra baixo e com cuidado porém estava andando com uma certa pressa, aquela situação também estava me deixando agoniada, Alex foi na frente com as mochilas e eu logo atras, em todo o perrengue que passamos aquele foi o mais fácil de vencer porém foi o de maior risco... arranhões não era uma das opções ali!
       
      chegamos em fim ao centro do topo, fiquei super empolgada "we are the champions my friends" mais logo sentei como se estivesse andando a dias, puxei todo o ar que pude e fiquei algum tempo parada até me estabilizar, devido a fatores como adrenalina, cansaço e latitude fiquei super ofegante...enquanto isso Alex ligou o radio e constatou que chegamos ao topo exatamente as 14:00 contabilizando 4 horas de ida e ainda precisávamos descobrir como voltaríamos.
       
      demos alguma olhada ao redor e já fomos até a ponta da pedra montar o piquenique, agora que estava parada e o sangue esfriava começava a ver realmente os estragos: como muita fome e minhas pernas putz as duas cheias de vergões,arranhões e ralados que começavam a doer pra burro, mais ainda quando eu tive a brilhante ideia de jogar água pra limpar os machucados...
       
      depois de comer os dois sanduíches que o Alex preparou pra mim e passada a adrenalina conclui q até foi duro chegar ali, mais perrengue faz parte, erros ensinam e a vista era linda!
      então comecei a curtir o momento e tirar fotos...
       


      Convidado do piquenique

       
      curtimos mais um pouco ouvindo legião urbana e apreciando a vista até q chegou 3 rapazes mais um senhor que era o tio e trazia os meninos para uma excurssão a pedra, fizemos amizade e explicamos o perrengue q passamos, pedimos encarecidamente se podíamos voltar com eles e evitar mais arranhões e stress na volta...eles ficaram felizes em nos ajudar!
       
      os nossos recentes amigos tiraram a nossa ultima foto na pedra...

       
      começamos a descida que foi bem íngreme porém divertida, aberta e muito mais segura que a subida, estávamos na trilha certa!

       
      os nossos amigos nos guiaram no caminho sem muita dificuldade até chegarmos em outra propriedade aparentemente abandonada com piscina que vimos do alto da pedra, pulamos a porteira branca da entrada e depois nos despedimos do pessoal que ainda iria pegar as bikes que esconderam no mato, depois desse ponto tinha uma entrada a esquerda e outra a direita fomos orientados a seguir pela esquerda pra chegar onde tudo começou na propriedade do cachorro caçador de patos....passamos pelo caminho dos dutos e chegamos de onde saímos e percebi o meu erro, deveria ter seguido reto logo após a primeira propriedade ao invés de ir pela entrada a direita!
       
      sem mais delongas nos apressamos no caminho de volta pq ainda queríamos assistir o final do jogo do Corinthians, mais claro que parando para alguns rápidos cliques,tomar uma breja no pesqueiro e para lavar o rosto no riacho que vimos na ida...
       

       

      A mãozinha...
       
      chegando na vila, fomos ao bar da Zilda e vimos o Corinthians tomar o gol e logo em seguida virar o jogo
       
      depois de bebemorar o dia e a vitória do Corinthians rumamos ao ponto mais não antes de passar no mirante de novo e ver a vista de Cubatão linda com as luzes acessas...pena que foi ai que minha câmera me deixou na mão.
       
      fomos para o ponto e ja eram 20:30...aguardamos o que parecia uma eternidade e finalmente EMTU/Trem/Metrô/ônibus.....lanchonete...CASA!
       
      aprendi muito nessa segunda trilha e ja anseio voltar a pedra(do jeito certo claro!)rs, estou adorando viver essas aventuras e descreve-las aqui!
       
      agradecendo mais uma vez ao Alex que me apoiou quando foi necessário, mesmo me chamando de doida , aguentou firme e confiou em mim até o final!
       

      A vida é uma escalada...mas a vista é ótima.


×
×
  • Criar Novo...