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TRAVESSIA DO VALE DA MORTE

 

JANEIRO DE 2015

 

Vídeo da travessia:

 

Ao final, algumas dicas do que levar e comentários do que levei.

 

 

A minha primeira visita ao Vale do Rio da Onça, popularmente conhecido como Vale da Morte, foi no final de outubro de 2014. Naquela época, por falta de companhia e excesso de ansiedade depois de ver o vale a partir do ponto de confluência dos rios Vermelho, Pedra e Solvay numa outra ocasião, acabei indo sozinho e a experiência foi, digamos, estranha. Sempre que voltava a pensar nos dias que passei sozinho naquele vale me vinha um misto de sentimentos que me deixavam muito confuso. O Sol radiante, as águas cristalinas e os contornos dos morros verdes da Serra do Mar - era tudo incrivelmente belo e convidativo, salvo se você decidisse se deslocar por meio de toda essa beleza. É como o Diabo que te tenta a cometer um pecado pra depois te jogar nas profundezas do Inferno. Ali me deparei com um tipo de terreno hostil, com correntezas que com um passo errado te levaria pra uma queda d’água de 4 a 5 metros, vegetação agressiva que destruiu minhas mãos sem a proteção de um par de luvas e muita piramba com o solo macio, forrado de matéria orgânica que cedia a qualquer toque.

 

Os preparativos para essa mais recente travessia começaram há mais de 2 meses, quando conheci o Eduardo Loures, Bruno Dias Conde e o Luciano Lourenço. Eu falava em retornar ao Vale, porém com mais pessoas, e o Eduardo comentava que o retorno já estava programado para janeiro de 2015. Depois disso, conversa vai, conversa vem, o assunto começou a ficar muito esparso pela internet (Facebook) e começavam a surgir muitos trilheiros interessados na descida do Rio da Onça. Com o intuito de organizar melhor as conversas, criei o evento na rede social e deixei que a organização se desse de forma democrática - sugeria roteiros, horários e outras coisas e pedia a opinião dos que pretendiam participar, mas parece que esse povo tem uma dificuldade em se expressar. A maioria nem sequer digitou uma palavra para sinalizar qualquer coisa. Alguns, de última hora, anunciaram suas desistências e outros não se deram o trabalho de dar satisfação nenhuma. No final, de 22 confirmados, compareceram com o intuito de encarar o desafio apenas 6 pessoas: Loures, Bruno, Luciano, Masgrau, Thunder e eu. Além desses, o Kamal, que estava apenas de passagem, mas foi convencido pelo Luciano a nos acompanhar apenas com a roupa do corpo e uma sacola de loja de shopping, se juntou ao grupo, somando 7 pessoas que rumaram juntas da Estação Brás até o início da trilha.

 

Bom, como se nota, vou aproveitar a oportunidade pra fazer um relato misto, visto que não escrevi um para a travessia que fiz sozinho ano passado.

 

O plano inicial era acampar no topo da Cachoeira da Fumaça e, no dia seguinte, descer as sete quedas para posteriormente adentrar no Vale. Infelizmente um grupo de muitas pessoas que estavam a nossa frente também estavam se dirigindo para a referida cachoeira, então, a fim de evitar muvuca e desentendimentos desnecessários, mudamos o plano e decidimos acampar nas proximidades do Lago Cristal, do qual também é possível ter acesso ao Vale por um caminho igualmente agradável. Acordado o novo plano, iniciamos a caminhada já em meio a uma leve garoa, suficiente para em poucos minutos nos deixar quase todos encharcados. Alguns tentaram tomar providências para se protegerem da umidade, mas não sei se ajudou muito. O Eduardo costuma andar todo à prova d’água, sempre, com calça e jaqueta impermeável. O Bruno se enfiou dentro de uma saco de lixo e o Kamal deu sorte: ele que não havia trazido praticamente nada, ganhou uma capa de chuva descartável de uns caras que estavam ali colocando placas de sinalização para uma corrida que seria promovida no dia seguinte.

 

Caminhamos por cerca de 45 minutos até cruzarmos com uma clareira. Não haviam árvores boas para pendurar as redes, então, apesar de passar da meia noite, continuamos em direção ao Lago Cristal, onde possivelmente encontraríamos um lugar melhor para montarmos acampamento. Aqui o rio faz uma curva bastante acentuada, de forma que temos que cruzá-lo duas vezes para continuar a trilha, indo para a margem esquerda, atravessando uma ponta de terra e depois para a margem direita novamente. Logo nas primeiras vezes em que nos deparamos com o rio nessa trilha já havíamos percebido que o nível estava mais alto. Estivemos ali há pouco tempo e a altura da água tinha pelo menos o dobro da outra vez. Ocorre que, ao iniciarmos a primeira travessia para a margem esquerda, enquanto ajudávamos um ao outro a se equilibrar por conta da forte correnteza, repentinamente o rio começou a subir muito mais rápido. Era uma CABEÇA D’ÁGUA! Rapidamente nos deslocamos para a ponta de terra e analisamos a possibilidade em continuar em frente, visto que onde estávamos seria impossível ter qualquer noite de descanso digno. Mal havia espaço para nos acomodarmos no chão, quem dirá armar redes. Entramos na água, miramos as lanternas que sobraram para o outro lado do rio e nada da continuação da trilha. Minha headlamp já estava fraca, a lanterna do Bruno só era melhor que nada e o Eduardo havia perdido a lanterna mais potente dele alguns minutos atrás. O rio continuou ganhando força. Pedras grandes da altura do peito estavam sendo cobertas pela água e o Thunder continuava dentro do rio buscando a continuação da trilha. Mesmo se encontrássemos a vereda, seria complicado atravessar o rio como ele estava. Resolvemos aguardar na ponta de terra até que o nível da água diminuísse um pouco. Ficamos jogando conversa fora, alimentando a esperança, a última que morre, na expectativa de que o as águas se acalmassem ainda naquela noite. Não demorou para percebemos que isso demoraria muito tempo. O Eduardo é sempre inquieto, fica andando de um lado pro outro o tempo todo e se não tem espaço pra andar ele escala, cava um buraco ou abre uma picada com seu facão, mas não fica parado. O Bruno deu a ideia de subirmos uma piramba ao lado para ganharmos altura e não correr o risco de sermos levados pelo rio mais tarde. Juntou o útil ao agradável e terminamos a noite lá em cima, a uns 3 metros de altura de onde o rio estava levando tudo que encontrava pela frente. O Bruno, que pelo visto já está dominando as técnicas de sobrevivência avançadas com maestria, dormiu bem, sem passar frio ou sofrer com os insetos que rasgaram minha pele a noite toda. O Luciano e o Kamal se enfiaram dentro de um mosquiteiro e se cobriram com um plástico. O Rafael Masgrau e eu nos cobrimos como pudemos. Ele pegou até o saco de dormir e eu me cobri com um saco plástico e depois com a capa de chuva da mochila. No meio da noite acordei com uma tremedeira danada. Não enxergava nada e estava com muito frio. Acho que era princípio de hipotermia. Imediatamente peguei meu kit de primeiros socorros com a ajuda da lanterna do Bruno, um daqueles que todo site de atividades outdoors dão extrema importância, mas que ninguém leva pro mato. Tinha um adesivo que poderia ser dividido em dois e que, em contato com o ar, esquentava de forma a auxiliar na recuperação da temperatura do corpo. Colei-os de baixo dos braços e comecei a fazer uns exercícios toscos pra aquecer o corpo. Troquei a roupa que estava encharcada por uma seca e prometi nunca mais dormir de roupa molhada. Felizmente me recuperei e voltei a me enfiar na capa de chuva da minha mochila que estava usando para me proteger do vento e da chuva. Foi uma noite horrível, mas que sirva de lição para as próximas.

 

A luz começa a ofuscar os olhos, mas o sentido que alerta a hora de acordar é a audição. As cigarras não perdoam e nos primeiros raios do Sol elas tratam de acordar qualquer um do mais pesado sono. Bom, na verdade foi só eu que acordei e comecei a falar sozinho até que os outros foram acordando, um a um. Tive uma noite miserável e espero nunca mais passar por isso. Subestimei o frio e acabei sofrendo um bocado, mas o dia se mostrava promissor e logo fui me arrumando para sair daquele barranco onde nos enfiamos para fugir das correntezas furiosas que a chuva trouxe no dia passado. Logo percebemos que haviam pessoas acampadas lá embaixo, na clareira que ignoramos na noite passada. Era uma lona azul já conhecida. Era o Eduardo que havia voltado para lá e havia montado sua rede e dormido como um rei em plena guerra (falei que ele não aguenta ficar parado por muito tempo). Notei que o Thunder também não estava entre nós, então deduzi que ele deve ter se deslocado pra outro lugar a fim de se acomodar melhor e foi isso mesmo.

 

“Desmontamos o acampamento”, tomamos um café rápido, comemoramos o aniversário do Bruno que ficou mais velho nessa semana e ficamos uma hora discutindo o rumo dessa aventura - iríamos voltar para nossas casas e ficaríamos contemplando os temporais previstos para aquele final de semana ou continuaríamos arriscando nossas vidas nesse vale que é um dos mais difíceis da região para se transpor, depois de sermos quase engolidos por uma tromba d’água e dormidos na pior condição que eu já estive em toda a minha vida e em meio à previsão de tempo totalmente desfavorável. O caminho de volta era tão fácil e a insegurança de alguns, inclusive a minha, tornava o retorno tão atrativo. A luz permeava as folhas úmidas da floresta enquanto uma rala neblina bloqueava a visão do outro lado. O céu estava aberto em uma parte e algumas nuvens prometiam mais chuva a qualquer momento e eu não duvidava nem um pouco que se chegássemos no fundo do vale um dragão de águas violentas iria nos devorar e triturar nossos ossos em poucos minutos de chuva. Depois de muito debater o bom senso reinou - tinha um pouco de Sol, então continuaríamos a travessia!

 

Voltando a caminhada, em poucas passadas chegamos ao Lago Cristal que não fazia juz ao nome naquele dia. Estava barrento, com a água completamente turva. Sem mais delongas, continuamos. Nesse trecho ainda há uma trilha batida de fácil navegação. As cachoeiras começam a surgir pelo caminho, indicando uma inclinação maior do terreno e junto a trilha batida vai desaparecendo, dando lugar a caminhos de pedras, rastros de deslizamento dos dias anteriores e pequenos afluentes que em dias mais secos desaparecem. O terreno se torna bastante acidentado, mas ainda de fácil deslocamento. Passamos pela Queda das Andorinhas onde apenas notamos sua presença e continuamos em frente - a pausa estava prevista apenas para depois da Garganta. Até o “Portal do Vale” passamos por diversos poços que em épocas de tempo ameno são cristalinos e ótimos para um banho, mas estavam turvos e com águas ligeiramente mais volumosas em razão da precipitação do dia anterior. Algo em torno de 50cm a mais que da última vez que estive ali. A título de comparação, postarei duas fotos do mesmo local, mas em dias diferentes para que possam verificar que não estou exagerando. Vamos vencendo as correntezas e os obstáculos ajudando um ao outro e às 09h12 chegamos ao “Portal do Vale da Morte”, um monólito do qual é possível ter uma boa visão do início do Vale até os primeiros e maiores cânios do Rio da Onça. A partir desse ponto o nível de dificuldade sobe por tratar-se de um local onde três rios se juntam para formar um maior, que corta a Serra do Mar até o Rio Mogi, próximo a cidade de Cubatão, cavando diversos buracos nos enormes blocos de rocha pelo caminho em forma de cachoeiras e cânions. Continuamos pela margem aparentemente menos exposta e vamos cruzando o rio conforme a necessidade, sempre ajudando um ao outro para que ninguém seja levado pela correnteza ou sofra um acidente.

 

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Mais uma hora de pulação de pedras e chegamos à “Garganta do Diabo”, um cânion gigantesco que em época de tempo bom é possível pular de uma altura de uns 10 metros para seu interior e depois subir de volta pela encosta ou continuar descendo pela água se você for muito maluco. Após atingir o início do cânion, é necessário escalar uma rocha do lado direito, após a qual surge uma vereda que da acesso a uma clareira boa para acampamento e ao topo da encosta do vale de onde é possível mergulhar em seu interior. Como a chuva do dia anterior foi muito forte e havia grande possibilidade de a água ter levado troncos e galhos de árvore para o interior do vale, colocando em risco a integridade daqueles que pulassem para lá, resolvemos que não era uma boa ideia saltar dali naquele dia e ficamos apenas contemplando sua beleza e imponência.

 

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Depois de tirar umas fotos e fazer umas filmagens, lamentamos a quantidade de lixo abandonada ali e continuamos a caminhar sempre pra baixo, perdendo altura, sempre acompanhando o fluxo do rio. Alcançamos uma grande queda d’água após a Garganta do Tinhoso onde nos deparamos, mais uma vez, com um cânion cabuloso que começa com os paredões laterais com inclinação de uns 30˚ e ficam mais inclinados até que depois de nada mais que uns 10 metros seguindo as correntezas, que viram para a esquerda, ficam super inclinados e impossíveis de serem transpostos beirando o rio. Aqui nos separamos em dois grupos e nos deslocamos cada um de um jeito diferente. Uns foram até onde era possível pela rocha que beirava o rio, agarrando-se nas agarras disponíveis até que a inclinação não permitisse mais seguir em frente, apenas subir para cima para depois entrar no mato. Outros, incluindo eu, voltaram um pouco até o mato e se embrenharam novamente para continuar por cima, sem perder os outros de vista.

 

A trilha segue até uma pequena cachoeira a qual acessamos utilizando corda. Ancorei numa árvore aparentemente firme, coisa difícil por estas bandas, e desci uma rocha de uns 4 metros de altura e cheia de limo, tornando-a super escorregadia. Anda-se mais poucos metros, após o rapel de pobre, e chegamos ao “Panelão”, famosa Cachoeira do Anubis. Trata-se de um buraco com uns 15 metros de diâmetro esculpido na rocha onde desaguam duas cachoeiras lindíssimas e imponentes. Parada obrigatória para apreciar essa obra da natureza. Há relatos de pessoas que descem desescalando as paredes pelo lado direito, mas sem cargueiras. Então fomos pela caminho “tradicional”, jogamos nossas cargueiras para o lado esquerdo do rio, atravessamos a correnteza com cuidado e ajuda pra não ser levado pro Panelão e virar sopa de gente moída e iniciamos a subida de uma piramba - a primeira de muitas - para contornar aquele enorme poço. A subida foi mais tranquila que da outra vez que ali estive. A vegetação estava mais firme, porém a umidade deixada pela chuva da noite anterior tornou o solo muito escorregadio, tornando árdua a subida para alguns. Na medida em que se ganha altura, aumentam a quantidade de cipós que se enrolam em qualquer ponta sobrando nas mochilas e dificultam ainda mais a subida. Alcançado o cume do morro a visão recompensa. Nesse dia a neblima já ameaçava bloquear qualquer tentativa de contemplar o litoral, mas ainda pudemos dar uma bisbilhotada no mar e no emaranhado de rios que iam em sua direção. Como a subida foi longa, nos acomodamos em meio ao mato denso daquele lugar e retomamos o fôlego para a descida. A partir daqui começam a surgir os malditos vegetais cheios de espinhos que destriuiram minhas mãos da outra vez. Cheguei em casa com as mãos parecendo dois pãezinhos de tão inchadas, pois não havia levado luva. Desta vez me equipei com uma luva de couro e fui agarrando em qualquer coisa que servisse de apoio para não sair rolando o barranco abaixo e terminar, possivelmente, jogado de um penhasco para o além.

 

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Na descida, interceptamos um afluente e o seguimos até alcançar o rio novamente. Esse trecho pode ser um pouco complicado de ser vencido se a água estiver muito forte. Pode-se varar mato por mais um tempo até contorná-lo ou ir pulando de pedra em pedra, com muito cuidado, pelo lado esquerdo, como fizemos. O progresso pela água não dura muito mais que 30 metros de deslocamento e temos que alcançar o lado direito do rio para voltar a varar mato pelas encostas super inclinadas e com o solo traiçoeiro que cede com muita facilidade, por isso qualquer coisa ao alcance das mãos são bem vindas para não deslizarmos piramba abaixo e causar um acidente. Galhos, troncos caídos, bromélias - era tudo agarra naquela hora. Na medida do possível, sempre tentávamos retornar ao rio e varar menos mato, mas não tardava a termos que nos embrenhar novamente na mata. A essas horas o Bruno aponta para o céu e me lembra da previsão de tempo. Sim, ainda não havia chovido naquele dia, mas tudo indicava que não faltava muito. Tivemos o dia inteiro de Sol com algumas nuvens nos agraciando com uma boa sombra, mas as nuvens começaram a adquirir aquela tonalidade cinzenta que os trilheiros adoram. Além disso, já era quase 15:00 e ainda não tínhamos arrumado um bom local para acampar. O plano era chegarmos a Cachoeira do Pé de Limão e nas proximidades dessa queda montar o acampamento, porém acabamos desviando o caminho e passamos batido por esta pequena e bela cachoeira. Da outra vez lembro de ter tomado um café na sua base que lembra uma prainha, com areia fina e poucas pedras, diferente de qualquer outro lugar naquele vale. Infelizmente não vou saber dar as coordenadas para acessá-la.

 

Como a situação não estava muito boa em termos de tempo, apesar de ainda termos algumas horas de luz, o Eduardo, o Bruno e eu entramos no “modo emergência” e aceleramos o passo, rasgando o mato das encostas, subindo e descendo barrancos até perder de vista os outros participantes. Em meia hora cruzamos com mais um afluente e logo ao seu lado uma área plana, grande o suficiente para acomodar muitas barracas e redes, mas que estava com o solo barrento, dificultando um pouco a vida dos que iriam dormir no chão. Perfeito! Tínhamos água próximo e um local plano para acampar, com árvores com copas generosas para nos proteger da chuva. Gritamos um tanto para sinalizar onde estávamos e esperamos mais alguns minutos até que o restante nos alcançasse e iniciamos a montagem dos nossos lares daquela noite. Eu ainda tenho uma dificuldade danada em armar a minha rede. Apesar de ter aprendido uns nós muito bons, ela ficou horrível e depois de uma ajuda do Bruno fiquei extremamente confortável. Montei o toldo de forma que um dos lados ficasse mais alto, possibilitando que eu cozinhasse debaixo com mais conforto. Segui a dica de um amigo e levei linha de pesca para algumas coisas e é uma boa ideia. Só não ficou bom pra suportar o toldo, mas pra amarrar suas pontas ficou ótimo. Não absorve água e é mais leve.

 

Acampamento armado, tratei de tomar um banho no afluente ao lado que contava com uma pequena cachoeira e iniciei o preparo da janta. Como não sou desses de fazer miojo, todo o processo demora uns 30 minutos ,ao invés de 3, e acabo carregando uns 2Kg a mais, mas eu não fico sem uma boa alimentação no final do dia de jeito nenhum. Até levo dois pacotes de miojo em todas as trilhas que faço, mas para uma situação emergencial. Cozinhei uma batata com arroz e fritei duas calabresas com muita cebola e alho. Nada muito original, mas era comida e deu pra encher o bucho. Logo após a janta cai pra dentro da rede, me enfiei dentro do saco de dormir pra me esconder dos mosquitos e tirar o sono que não pude na noite passada.

 

Na manhã seguinte, acordei muito cedo ao som das cigarras, novamente, mas todos os outros já estavam de pé fazendo seus cafés da manhã ou desmontando suas redes. Eram 6:00, mas pra quem foi dormir antes das 20:00 era um bom horário. Passei frio novamente. A parte que deixei mais alta do toldo permitia que todo o vento gelado passasse por mim levando o calor do meu corpo. Mais um aprendizado aqui. Tirando isso a noite foi boa. Fiz um suco de limão com a água gelada da cachoeira do tributário ao lado e adocei com mel. Me alimentei, escovei os dentes e às 08:10, depois de muita enrolação, voltamos a caminhar rumo ao Rio Mogi. Parece que está virando costume nosso enrolar muito após acordarmos. O Eduardo e eu sabíamos que não faltava muito e que esse dia seria mais “light”, mas deixamos que o restante descobrisse por conta própria. O terreno fica visivelmente mais plano e ganhamos metros com muito mais facilidade. Se no dia anterior tínhamos que transpor uma cachoeira de 5 a 10 metros a cada 10 metros de deslocamento, nesse dia conseguíamos caminhar uns 30 a 50 metros sem que um penhasco nos interrompesse, apenas algumas pequenas quedas de até 3 a 4 metros de altura.

 

Não foram mais que 30 minutos de caminhada e, ao escalarmos uma pedra para transpor um cânion e entrar na mata, de repente o Eduardo volta gritando “RECUA! RECUA!”. Na hora me lembrei da vez em que nos deparamos com uma jararaca na Trilha do Sistema Funicular e o Luciano ameaçou mexer com o bixo e eu, cabaço que sou, tratei de me distanciar o máximo que pude com medo da peçonhenta vir nos atacar. Não deu outra - era uma jararaca e das mais grandes. O Thunder tirou ótimas fotos da criatura e poderão notar que essa era das grandes. Passado o susto, resolvemos nos desviar do caminho, pois ela insistiu em permanecer no lugar. Acho que até ela estava convencida de que era grande demais pra míseros sete mateiros ameaçarem seu território.

 

Às 08:45 cruzamos com uma sequência de duas cachus de um tributário do Rio da Onça bem gostosas e fizemos a primeira pausa pra nos refrescarmos. Com um poço raso e cristalino alguns molharam o corpo, já que o Sol prometia nos condenar com muitos cânceres naquele dia que a mídia burra e manipuladora anunciou tempestades. Ainda bem que somos todos revoltados e não acreditamos nesse tipo de bobagem. A partir daqui começamos a nos deparar com vários poços, todos com a água ainda turva, mas que me pouparam de fazer tanto esforço quanto os outros - aproveitei minha mais recente aquisição, uma mochila estanque, e fui me jogando de poço em poço a deixava que a correnteza me levasse. Foi ótimo, além do frescor da água, podia assistir aos meus amigos pularem sobre as pedras e transporem os obstáculos da forma mais desgastante. O Luciano, que não estava com uma mochila impermeável, mas que era pequena suficiente para ele não se importar em molhá-la, me acompanhou e também veio com a ajuda das correntezas que naquele trecho se tornam mais brandas.

 

Enfim, às 09:15 chegamos em um dos poços mais legais. Uma super piscina natural com direito a hidromassagem e um pequeno escorregador. Ao avistar suas águas, os mais acelerados Bruno e Eduardo jogaram suas cargueiras e saltaram nas águas marrons daquele lugar que é um marco desta travessia. Um daqueles lugares em que todos concordam que valeu a pena todo o esforço, os machucados, as picadas e o risco que assumimos ao entrarmos na trilha a dois dias atrás. Os mais sossegados logo repararam na presença de uma pequena cobra que, assustada com nossa presença, também saltou no poço e fugiu dali sem causar muito alvoroço. Ficamos uns 40 minutos nesse poço nos deliciando com suas águas. Tiramos muitas fotos e filmei muito. Subimos em pedras pra pular na água. O Luciano sempre com mais destreza que nós pra saltar na água. e retomamos a caminhada, pois eu sabia muito bem que ainda haviam três cânions um pouco mais complicados pela frente e depois uma longa caminhada pelo Rio Mogi até Cubatão.

 

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Em dois ou três minutos de caminhada chegamos ao próximo cânion. Aqui, se o rio estiver baixo, é possível atravessar tranquilamente de pé, erguendo a mochila no alto e caminhando pelo lado direito. Desta vez, porém, a água estava bem alta e, tirando o Luciano e eu que estávamos à vontade dentro da água, o restante teve que erguer bem alto suas cargueiras para se pouparem de carregar uma mochila encharcada pelo resto da travessia até Cubatão, com as águas até o pescoço dos mais baixinhos. Sem muitas dificuldade e depois de todos emergidos daquele poço com uns 1,60m de profundidade em sua parte mais funda, mais cinco minutos de caminhada e nos deparamos com mais um vale de rochas com águas caudalosas, o qual tentamos subir pela inclinação da direita, mas fomos interrompidos por um pequeno penhasco que terminava no meio de uma correnteza furiosa, então nos alinhamos novamente cruzando o rio e jogamos nossas mochilas de um em um até o outro lado do rio para depois atravessarmos e continuar a caminhada pelo outro lado.

 

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Vamos seguindo, o Luciano e eu boiando sempre que possível para economizar energia e o restante pelo caminho das pedras, passamos por mais algumas rochas verticais que emparedam o rio, mas sem muita dificuldade em transpô-las, até que às 10:40 chegamos a um lugar muito bonito. Trata-se de uma rocha plana que forma um bico e divide o rio em duas cachoeiras, novamente cercado por dois pendores inclinados e escorregadios. Abaixo dessa rocha plana há outra rocha plana que forma um pico para a direita, dando acesso, se você não tiver medo de pular de uma pedra pra outra com um liquidificador logo abaixo, a um pequeno platô, após o qual é possível descer com o uso de uma corda que até a data em que estivemos lá estava amarrada, estratégicamente, em uma pequena árvore, em péssimas condições. Aqui nos dividimos novamente. Eu fiquei olhando para aquele lugar tentando me lembrar de como eu havia vencido esse trecho da outra vez, e quando vi a ponta virando para a direita me lembrei que eu havia jogado minha mochila pra baixo e depois pulado para a pedra de baixo e depois pulado o vão acima do liquidificador que dava acesso à corda e, consequentemente, ao restante do caminho para a casa. Relatei minha experiência para o Eduardo e então ele topou seguir o mesmo caminho, enquanto o Thunder e o Bruno já estavam se pendurando no declive do lado direito para chegar a algum lugar plano depois daquele cânion. O Luciano e o Rafael vieram conosco, mas aquele desistiu pra poupar os joelhos. O Rafael até pulou pra baixo sem dificuldades. Era o mais alto da turma e foi moleza pra ele, mas depois que ele viu as correntezas cavarem as pedras debaixo do vão entre a ponta de uma rocha para a continuação da trilha do outro lado, acabou retornando e optando pelo caminho da “escalada horizontal”. Aqui, realmente, a correnteza não estava fraca. Até agora eu não entendi direito como o Eduardo consegui entrar no meio daquele monte de água pra ajudar os outros a descerem suas mochilas, sem ser levado rio abaixo. Vencidas as dificuldades dessa parte, com a ajuda da corda descemos uma altura de 3 metros e continuamos...e paramos novamente. Logo em seguida temos mais uma fenda erodida pelas correntezas que não dava acesso a qualquer barranco que pudéssemos subir para desvia-la. Essa é a mais funda. Há três pedras que formam uma escadinha e depois um poço estreito que, no seu início tem cerca de 2 metros de profundidade. Não é muito fundo, mas pra quem está de bota e uma cargueira pesada, acaba tornando uma tarefa um pouco mais complicada. Quando estive sozinho, coloquei a capa de chuva na minha mochila e a cobri com um saco de lixo de 100L e a joguei na esperança de que ela fosse flutuar. Na verdade eu sabia que ela flutuaria, pois é uma questão de física básica. Se o saco tem 100L e 100L de água pesa 100Kg e minha mochila não passava dos 16Kg, é claro que a força de empuxo não permitiria que a dita cuja afundasse. Então orientei o restante a fazer o mesmo. Emprestei a capa de chuva que havia levado para o Eduardo que estava sem e assim fomos. Joguei a minha na água e fui nadando atrás. Depois desse grande cânion, o restante é tudo plano. Quando digo plano, entende-se que o terreno não tem inclinação maior que 15˚, não quer dizer que o terreno seja liso, sem pedras. Muito pelo contrário. É pedra o caminho todo e aqui elas se tornam menores e mais chatas. Às 11:00 chegamos a última cachoeira onde o Luciano tratou de se banhar novamente e o Kamal deve ter tomado uns 28 banhos seguidos, enquanto o restante preparava algo pra comer, pois já era hora do almoço, coisa que dificilmente temos quando estamos trilhando por aí. Geralmente só preparamos algo na janta. O resto do dia é na base de barra de cereal, amendoim, biscoitos e frutas. Como ainda tinhamos tempo, resolvemos juntar tudo que havia sobrado e o Eduardo preparou um miojo e depois um pouco de arroz. Eu fiz um café e comi com umas bolachas que sobraram.

 

Depois de uma longa pausa de uma hora e meia, retornamos ao caminho até o Rio Mogi que se encontrava logo a frente, não mais que 15 minutos de caminhada. Chegando ao Rio Mogi, algumas pequenas celebrações e já vou acelerando o povo porque, embora tivéssemos bastante tempo, depois de uma hora e meia parados fazendo nada, acabou ficando um pouco tarde e o caminho era longo. Joguei minha mochila na água, providenciei um bastão para me auxiliar na caminhada dentro daquele rio cheio de pedras redondas, pequenas e lisas e fui seguindo em frente. Reparamos que nas margens do rio havia muito mato derrubado. Nos dias anteriores, o rio estava a pelo menos 1,50 metro a mais de altura. Havia arrastado muita coisa e mais uma vez percebemos o perigo de se embrenhar nesses lugares em dias de chuva. Aqui o caminho, na minha opinão, é chato. O Rio Mogi, nessa altura, se torna um rio monótono, sem nenhum atrativo em especial. Sem falar do visual apocaliptico dos contêineres abandonados na sua margem direita somado ao som crescente das estações do pátio de manobras da ferrovia MRS que sinalizam que estamos nos aproximando da civilização, embora não na forma como gostaríamos.

 

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Vamos caminhando e o Eduardo insistia em encontrar uma suposta trilha que dava acesso a um sítio, mas da outra vez que fizemos isso tivemos que varar muito mato e não houve economia de tempo, então insisti que continuássemos pelo rio, pois sabia que em pouco tempo estaríamos bem ao lado de uma estação de manutenção de trens, dando acesso a uma estrada de terra que nos levaria a onde queríamos. Depois de uma hora e meia de caminhada por esse rio, já com o som dos trens ao nosso lado, viramos para a esquerda e cruzamos com um tributáirio do Mogi que da acesso à antiga estação Raiz da Serra, onde pude me trocar para roupas limpas e secas, já que eu ainda teria que retornar para Campinas, e o restante se deliciou com um pé de jacas logo ao lado. Aqui é possível seguir a estrada de terra e ir de ônibus para Cubatão, conforme narro a seguir, ou subir o trilho da ferrovia cremalheira até Paranapiacaba, percurso que não sei quanto tempo deve gastar, mas não deve ser mais que 3 horas.

 

Às 14:55 retomamos a caminhada em direção ao ponto de ônibus que ainda estava bastante longe, mas eu há um atalho que descobri da outra vez e nos aproveitamos dele para cortar um longo caminho por aquela estrada de terra sem graça. Logo após o pátio de manobras, a uns 10 minutos de caminhada, há uma bica d’agua muito boa em frente a um quilombo. Da outra vez que estive ali eu me esqueci de pegar água no rio e passei uma sede danada, então me sentei do lado da bica para me recuperar do calor que fazia naquele dia, quando um senhor veio ao meu encontro e começou todo aquele interrogatório que todo trilheiro pós trilha está acostumado. Expliquei a ele a situação e ele se admirou com o fato de eu ter descido a Serra sozinho. Então o sr. Francisco, nome do sujeito, começou a contar suas histórias de mateiro e eu fui só escutando e comparando com minha experiência, pois desconfiado que sou, queria cruzar as informações pra ver se aquilo tudo não passava de conversa de pescador. Até que os relatos não eram tão surreais, mas como o tempo tava curto e eu queria zarpar dali logo, peguei minha mochila e me despedi do simpático senhor que no dia seguinte pretendia passear pelo Rio Mogi. Foi aí que ele me convidou para passar por dentro da propriedade e me orientou que eu cortaria um bom caminho, segundo ele mais de 2Km de caminhada. Eu não pensei duas vezes. Apontei para o portão e perguntei “é por aqui mesmo?” e já fui adentrando com medo de que ele mudasse de ideia. Dessa vez, como eu estava acompanhado de mais pessoas, foi mais fácil chamar a atenção do sr. Francisco que, mais uma vez, veio “trocar ideias” com agente. Ele se lembrou de mim da outra vez, mas isso não foi suficiente para ele não repetir todos os relatos novamente para os demais que não estavam comigo na minha primeira travessia do Vale. Conversamos, conversamos, deixei ele conversar só mais um pouco, pois o plano era cortar caminho por sua propriedade novamente. Então depois de 15 minutos de muita conversa, peço permissão para cortar caminho e é claro que ele não ia negar tamanha gentileza para um bando de trilheiro com cara de acabado. Atravessamos o quilombo, interceptamos um trilho abandonado e, em meia hora, chegamos ao ponto de ônibus que nos levaria ao centro de Cubatão. Queríamos a linha 2 que vai direto à rodoviária, porém um outro coletivo passou antes e, como não queríamos esperar, pegamos esse mesmo e paramos a umas 5 ou 6 quadras da rodoviária. Às 17:10 pegamos o ônibus para São Paulo/Jabaquara e damos por concluída a nossa aventura.

 

Há, certamente, uma infinidade de vales na Serra do Mar tão belos e desafiadores quanto o Vale do Rio da Onça, contudo, por ter o acesso facilitado pela disponibilidade de coletivos que transitam pelas diversas trilhas que dão acesso ao mesmo, embora este aspecto se torne um contra em algumas situações, este vale se torna uma excelente opção aos que buscam alguns dias selvagens cercado de muitas cachoeiras e com dificuldade elevada. A menos que a pessoa tenha muita experiência com trilhas e orientação em mata fechada, é altamente desaconselhado se embrenhar nessas pirambas sozinho, pois a qualquer momento pode-se perceber o risco de algum acidente - deslizamentos, terreno extremamente acidentado, travessia de rio com correntezas fortes, animais peçonhentos etc. No mais, qualquer informação que tenha faltado é só me deixar uma mensagem que procuro ajudar.

 

Abaixo, deixo dicas de equipamento a serem levados e comento o que levei:

 

- Cargueira - tratando-se de uma trilha que acompanha o curso de um Rio e, muitas vezes, requer seja atravessado por dentro do mesmo, a mochila deve ser preferencialmente à prova d’água. Isso irá facilitar muito no deslocamento e protegerá todo o equipamento que extará exposto às intempéries da Serra do Mar. Se não tiver uma mochila estanque, leve ao menos um saco de lixo grande suficiente para colocar a mochila dentro para fazê-la boiar nos trechos com água. Caso o planejamento seja completar a travessia em um dia, o que é possível, é claro que deverá se optar por uma mochila menor condizente com a logística de uma trilha de um dia;

 

- Alimentação - algo muito pessoal. No meu caso, lelo frutas (maçã, pera e laranja), cenoura, barras de cereal e nozes ou amendoim sem sal para comer de 2 em duas horas e na janta preparo arroz, frito calabresa com alho e cebola e, conheço o local e sei que da pra levar mais peso, complemento com batata, cenoura, pimentão ou brócolis. Sempre levo dois pacotes de miojo para um situação emergencial na qual eu precise de algo rápido e prático;

 

- Sistema de abrigo - altamente desaconselhado acampar com barraca. Há pouquíssimos locais planos e os que existem são cheios de pedras. Para o Vale da Morte deve-se considerar uma rede e um plástico/lona de uns 3mX3m. É leve, possibilita dormir num local mais alto e protegerá de possíveis elevações do nível do rio. Não é necessário o uso de mosquiteiros. No meu caso, coloquei calça, meia por cima desta, camisa de manga longa e me cobri com um saco de dormir e não tive problemas com inseto na noite em que dormi na rede. Recomendo levar duas cordas de 4 a 5 metros com 5 a 6mm de espessura para amarrar a rede e linha de pesca para amarrar as pontas do toldo;

 

- Calçado - depois de alguns “river trekkings”, percebi que botas com cano mais alto e impermeáveis mais atrapalham que ajudam. Seguram muita água e tornam-se pesadas, dificultando o deslocamento. Desta vez optei por um tênis de trilha com pouco acolchoado e solado voltado pra terrenos acidentados. Como foi importado da China e seu acabamento não ajuda, ficou bem destruído ao final da travessia, mas deu pra notar que optar por tênis é uma boa em trilhas com muita água;

 

- Hidratação - ao longo de todo o percurso pode-se encontrar água de boa qualidade para beber, mas se chover ela pode tornar-se um pouco sedimentada. No meu caso apenas um cantil de 700mL bastou para a travessia inteira, embora eu sempre leve uma garrafa maior para colher água e utilizar no acampamento de noite;

 

- Outros:

- 10 metros de corda é o suficiente para transpor os trechos em que passamos, mas sempre levo 20 metros por precaução;

- Saco de lixo de 100L a 200L é sempre bem vindo, pois pode virar um poncho improvisado e também proteger a mochila em trechos com muita água, além de não pesar quase nada.

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    • Por Renato37
      Travessia realizada em 17/08/2019.
      Todas as fotos da travessia estão em: https://photos.app.goo.gl/iALbK8QSahnj7Lku6

      - Introdução -
       
      Fazia algum tempo que não batia perna na região de Paranapiacaba, ainda mais por conta da proibição e o aperto da fiscalização nas tradicionais trilhas do entorno da vila, como a da Fumaça e Cristal. Então, para evitar problemas, tenho optado por ir para outros lugares, como na Serra do Mursa, Itapety e Mogi, entre outros.

      Já tendo feito um batevolta na pouco conhecida Pedra Grande do Quatinga em 2013, es que me surge a ideia de retornar a mesma, mas não mais como um simples batevolta, mas sim, como travessia com 1 pernoite. Chamei várias pessoas, mas dado a logística e ter que acampar, apenas 5 toparam ir comigo na empreitada.

      Passava das 9:00 da manhã qdo saltei do metrô da linha 2 (verde) na estação de Tamanduateí, local previamente marcado com parte da turma. Lá encontrei o Marcio, Janaína e a Suzana que já me aguardavam no local. Sem perder tempo, logo embarcamos no trem da linha 10 da CPTM sentido Rio Grande da Serra, onde encontraríamos a 5º integrante da trupe, a Monike que é do ABC e que iria nos encontrar diretamente lá.

      Na Estação de Rio Grande da Serra esperando a ultima integrante da trupe, a Monike.

      Com toda a trupe reunida e após um breve café da manhã reforçado, embarcamos no latão rumo a Paranapiacaba que por sorte, estava com problemas na catraca e por isso, não houve cobrança da passagem, para a alegria de todos.


      1º Dia - Da Vila de Paranapiacaba ao Topo da Pedra Grande do Quatinga.
      Desembarcamos do ônibus em uma Paranapiacaba incrivelmente ensolarada e de céu estupidamente azul, coisa rara e que poucas vezes se vê por lá, com a ausência total do famoso "Fog" tradicional da vila inglesa. Para quem não sabe, o tradicional nevoeiro e os dias sem visual algum faz parte da vila inglesa, construída no Século XIX.


      O Relógio marcava pouco depois das 11:30 e precisaríamos apertar o passo afim de chegarmos até o topo da Pedra Grande a tempo de ver o por-do-sol. Após alguns clicks de praxe da vila inglesa e a tradicional foto clássica da trupe em frente a igreja, iniciamos a caminhada descendo a ladeira que liga a parte alta a baixa da vila.


      A turma na tradicional foto antes de começar a caminhada.
      Durante a caminhada na vila de Paranapiacaba, notei que muita coisa mudou desde a ultima vez que lá estive, anos atrás: O Bar da Zilda parecia um bar de balada, os quiosques do lado da passarela já não existiam mais e por fim o baixo movimento da vila para um Sábado ensolarado, reflexo da decadência que se tornou o local, que teve inicio após a proibição abusiva de acesso ao que foi um dos principais atrativos da vila: As trilhas que levam a várias cachoeiras da região.

      Pelo menos restauraram o velha replica do big ben de Londres da vila. Percebi tb que os moradores tiveram que ser criativos para atrair novos turistas para a região, que estavam espalhados pela vila, mas de nada lembrava a epoca boa de quando aquilo lá bombava.
      Acredito que, o que deve estar mantendo a vila de Paranapicaba em pé são os artesanatos, os vários festivais que são realizados ao longo do ano e que atraem centenas de milhares de turistas, como o tradicional festival de inverno.


      O novo "Big Ben" restaurado
      Com pouco tempo disponível, nem tiramos muitas fotos, pois tinhamos pela frente, vários quilômetros de caminhada até a Pedra Grande.
      As 12:15, deixamos Paranapiacaba e adentramos a pacata e tranquila estrada de terra do Taquarussu, palco inicial de várias outras trilhas feitas anteriormente. Essa estrada também liga o Bairro de Mogi a vila de Paranapiacaba.
      O trajeto começa logo de cara com uma subida que parecia assustar, mas como estavamos em um pequeno vale, esse trecho inicial de subida não foi um problema, pois aqui há enormes árvores que nos brindaram com uma refrescante sombra, o que foi um alívio para todos.

      Passamos por uma portaria e uma placa indicando que ali pertence ao parque natural nascentes de Paranapiacaba e que o acesso as trilhas requer a contratação de um guia, o que ignoramos é claro. Afinal, nosso destino estava bem distante dali, numa trilha em outro municipio. Algumas placas pelo caminho sugerem que essa mesma estradinha também faz parte do conhecido "caminho do sal".
      30 minutos de caminhada desde a vila de Paranapiacaba, passamos pela conhecida entrada da trilha que leva a cachoeira da Agua fria, onde havia um pessoal parado na beira da estrada e que  parece ter ido a cachoeira.
       Minha vontade de adentrar na trilha para rever a cachoeira foi reprimida pela obrigatoriedade de acompanhamento de um monitor, já que a trilha faz parte do pseudo parque natural de Paranapiacaba. Então, passamos batido por ela.
      Mais 15 minutos e passamos pelo marco divisor que divide os municipios de Sto André e Mogi das Cruzes, localizado no ponto mais alto da estradinha. A partir dai, inicia-se uma grande descida até o pitoresco vale do Taquarussu, pequeno vilarejo com meia duzia de casinhas simples.


      O Marco divisor fica do lado dessa placa, fincado da terra.
       
      Durante a descida, cruzamos com vários bikers e chegamos na pitoresca vila de Taquarussu as 13:20hs, mas nos limitamos a apenas algumas fotos, já que ainda tinhamos muito chão pela frente.
      Deixamos Taquarussu por volta das 13:30h e a partir dai, iniciamos um trecho pela mesma estrada de terra ainda mais deserta e em meio a um enorme vale. Aqui, as árvores são mais espaçadas e o sol passou a nos cozinhar, literalmente.
      2 horas de caminhada desde a vila de Paranapiacaba, resolvemos fazer um pit-stop para forrar o estomago e molhar a goela seca em um pequeno descampado ao lado da estrada.


      A Pitoresca Vila do Taquarussu, por ser uma propriedade particular, agora é toda cercada e fechada

      Descansados e saciados, voltamos a caminhada e as 14:20hs, chegamos a uma bifurcação, com uma placa indicando o camping simplão de tudo a direita, mas o caminho correto a seguir é a esquerda, em linha reta em direção ao pesqueiro trutas pedrinhas.
      Mais 10 minutos e chegamos em uma trifurcação, sendo que a esquerda vai para o Bairro de Quatinga sem passar pela Pedra Grande e a direita segue para o camping simplão de tudo. Mas o caminho correto é seguir em frente, em linha reta.


      Chegando nesse ponto, siga em frente ignorando os caminhos a esquerda e a direita

      Depois da trifurcação, passamos pelo 2º ponto de água, um enorme poção de água potavel que em um dia de calor de verão poderia ser a deixa para um convidativo tchibum. Aproveitamos para pegar água para o restante do dia e o seguinte. Como não lembrava de mais nenhum novo ponto confiável de agua a frente, sugeri a turma que coletasse toda a agua que fosse precisar a partir dali.


      O Poção e 2ºponto de água. O primeiro ponto é no acesso a cachoeira da Agua Fria, antes da vila de Taquarussu
      Recarregados com o precioso líquido, continuamos a caminhada e as 15:00hs, finalmente alcançamos o tal pesqueiro trutas pedrinhas. Mais uns 100 metros após o pesqueiro, chegamos a uma bifurcação, onde o caminho a seguir é para a direita. A partir desse ponto, passamos a caminhar por uma estrada mais estreita e precária, com a visão da face oeste da Pedra Grande agora visivel a maior parte do tempo. Passamos por alguns sitios e um lago a direita, enquanto a estradinha vai dando voltas pelo vale em direção a base da Pedra Grande e após passarmos por um grande vale, inicia-se uma sequencia de pequenas subidas.


      Pouco depois do pesqueiro, vire a direita.


      A Estrada correta vai levar diretamente a base da Pedra Grande, esse pico com a face careca logo acima na foto

      Face oeste da Pedra Grande visivel a maior parte do tempo
      Em uma curva a esquerda, já quase na base da Pedra Grande, uma trilha a direita serve de atalho e nela, havia uma placa indicando que ali é a continuação do conhecido "caminhos do sal." Adentramos a trilha e começamos uma das primeiras subidas em direção ao topo em uma trilha cheio de erosões e bem escorregadia, devido a constante passagem de motos. Muito cuidado nesse trecho.
      Durante a subida, passamos por mais um ponto de água, o último antes de chegar a base. Pegue toda a agua que for precisar desse ponto, que é o último. No topo e durante o restante da subida, não encontramos mais nenhum outro ponto de água.


      O acesso da trilha atalho: notem a placa no tronco indicando que ali é o caminhos do sal


      Trilha enlamenada, erodita e escorregadia por conta da passagem constante de motos
      Enfim, finalmente chegamos a entrada da trilha as 15:50hs. No meio das arvores ao lado da trilha, era possível ver o topo da Pedra Grande com seu topo bem visível dali. Agora iria começar a parte mais puxada desse primeiro dia, depois de quase 4 horas e 14 km de caminhada, que é subir até o topo, ainda mais com cargueira nas costas.
      A trilha é bem aberta e seu trecho inicial é composto por uma leve subida, sem grandes dificuldades. Caminhamos por cerca de 350 metros e chegamos a uma bifurcação, onde o caminho correto a seguir é para a esquerda, marcada por uma fita vermelha presa no tronco de uma árvore.


      Trecho inicial da trilha
      A partir desse ponto, a moleza acaba e a trilha inicia uma das várias subidas fortes em direção ao topo. Como acontece nos picos em geral, a medida que avançavamos, a subida ia ficando mais ingreme e o auxílio das mãos passou a ser constantemente necessários para impulso nos troncos, rochas e pedras.
      A subida é ardua, e com o peso da cargueira e o cansaço da longa caminhada até aqui, vou parando algumas vezes para retomar o fôlego.
      A Janaína e a Monike esboçavam sinais de estarem nas últimas e foram subindo em ritmo de tartaruga manca com muletas, mas não tinham escolha, pois subir era preciso!
      Felizmente, os trechos mais íngremes não duram muito tempo e logo adentramos a um trecho de ombro, com a subida mais forte dando uma trégua. 20 minutos desde a estradinha lá embaixo, eu e a Suzana emergimos da mata fechada e passamos a subir na parte descampada do topo, que era o trecho final da subida, mas que voltou a ficar bem íngreme e dessa vez com o sol forte na cachola.
      Finalmente, com pouco mais de 30 minutos de subida desde o inicio da trilha lá embaixo, chegamos ao topo dos 1.155 metros de altitude da Pedra Granda do Quatinga as 16:32hs, encerrando a caminhada desse 1ºdia de travessia. Não havia ninguém no topo e é claro que fomos donos absolutos do lugar, para a alegria da Suzana que passou a se fartar de fotos do topo.
      O cume tem um visual de 360 graus e lá do topo, consegue-se visualizar todas as cidades do entorno, como Mogi das Cruzes, Suzano e até Mauá bem distante.
      Sem perder tempo, fui logo procurando um lugar plano e protegido para montar a barraca. Qdo estava montando a barraca, Marcio, Janaina e a Monike chegaram ao topo, uns 15 minutos depois.







      Com a trupe reunida novamente, montamos rapidamente as barracas e ficamos só de boa só aguardando o Astro-rei repousar no horizonte que mais uma vez, foi um espetáculo a parte. A noite, a bola da vez foi as luzes das cidades do entorno todas iluminadas.
      Depois cada um foi preparar a sua janta e ficamos só jogando conversa fora e  vendo as estrelas com um plus a mais: O nascer da lua as 19:20hs toda avermelhada que foi um espetáculo único a parte.
      Mas com o vento frio e o sono vindo, nem fiquei muito tempo fora da barraca e fui dormir por volta das 21:30hs.

      2º Dia - Do Topo da Pedra Grande ao Bairro do Quatinga em Mogi

      Nascer do Sol
      O domingo amanheceu sem vestígio de nuvem alguma e apenas uma leve nevoa nos vales. Como de praxe, todos ficamos aguardando o surgimento do Astro-rei e após os clicks, fomos preparar o café da manhã. O meu foi com pão e um café bem quentinho para espantar o frio da manhã.
      Barraca desmontada e mochila nas costas, iniciamos a descida por volta das 8:30 com o belo visual da cadeia de morros e vales do alto da Serra do mar bem a nossa frente ainda encoberto por uma fina camada de névoa, o que foi mais um atrativo a parte.
      Descemos por uma trilha alternativa que faz algumas curvas para diminuir o desnível de quem sobe, evitando a pirambeira que sobe direto. Mas no restante da trilha, e as meninas sofreram um pouco, principalmente a Janaina que estava só com uma mochila comum carregando a barraca e isolante térmico nas mãos (que coragem).


      Vales tomados pela nevoa


      Com a descida muito íngreme, os escorregões dela foram inevitáveis, o que me deixou um pouco preocupado, dado o fato que poderia se machucar gravemente e ter que chamar o resgate. Mas felizmente o Marcio deu um auxilio nos trechos mais pirambeiros e a descida foi tranquila.
      Pouco depois das 9:00hs já estavamos todos de volta ao inicio da trilha e a partir dai, passamos a seguir pela continuação da estrada de terra da trilha atalho em que viemos no primeiro dia. 20 minutos após sair da trilha da Pedra Grande, a estrada começa uma longa, mas sinuosa descida até um grande vale, para depois virar a direira, subir um pouco e novamente descer.
      As 9:32, chegamos ao primeiro ponto de água desse trecho, que é um riozinho que corre paralelo a estrada e depois cruza ela um pouco a frente. A turma aproveitou para recarregar seus cantis pq segundo infos, seria o unico ponto de agua limpa e confiavel de todo o trecho. Como eu tinha 1 litro de suco e 500ml de agua de coco que eram mais que suficientes para mim para o trecho final, nem me preocupei.
      Após o trecho do rio, a estrada de terra passa a ficar mais movimentada, aparecem os primeiros sitios e casas e junto com eles, os carros, que nos fazem comer poeira.
      Mais 1 hora de caminhada tediosa pela estradinha, passamos por uma bifurcação com uma placa indicando que a esquerda, segue para o sítio Itaguassu e aproveitamos para fazer um rapido pit-stop nesse ponto para um lanche e molhar a goela seca.
      E enfim, após 2 horas desde o topo da Pedra Grande, alcançamos o bairro de Quatinga bem a tempo do próximo ônibus para Mogi .
      Após uma viagem de quase 1 hora, saltamos na estação central de Mogi das cruzes, onde pegamos o trem de volta para SP, chegando em casa por volta das 14:30h, cansado, mas feliz.

      Dicas:

      --> Durante toda a travessia, existem poucos pontos de água, mas bem distribuidos, não sendo necessário sair carregado de agua da vila ou de casa. O 1º ponto está na base da cachoeira da agua fria, após a trifurcação no poção e no inicio da trilha atalho.
      No segundo dia, o unico ponto de agua está bem na metade do caminho.

      --> Se for acampar, pegue toda a agua que precisar no ultimo ponto, pois na trilha e no topo não há água. Eu carreguei comigo 1 litro de agua e outro de suco que foram mais do que suficientes pra mim.

      --> No topo não há areas protegidas dos ventos, somente adentrando na trilha a esquerda que parte na direção sul. Lá há uns pequenos descampados para 1 ou 2 barracas em cada trecho e que são uma boa opção de area protegida. É só descer uns minutos pela trilha para achar os pequenos descampados planos e protegidos no meio da mata.

      --> As linhas de ônibus para o terminal Central de Mogi são:
      C192 Quatinga via Tomoki hiramoto e C193 Quatinga via Barroso.
      A Linha C192 tem poucos horários, mas a C193 tem vários horários, mesmo aos domingos.
      Ambos as linhas são municipais e a tarifa é de R$ 4,50 (Ref.Agosto/19)

      Maiores informações podem ser obtidas no site www2.transportes.pmmc.com.br ou pelo telefone 0800-195755.
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
    • Por Tadeu Pereira
      Trilha das Sete Praias - Ubatuba - SP 
      Praias: Lagoinha, Oeste, Peres, Bonete, Grande do Bonete, Deserta, Cedro, Fortaleza.
      Dificuldade: Fácil
      Distância: 8,9 km
      Salve salve mochileiros!
      Segue o relato desta trilha fantástica situada na região de Ubatuba, litoral Norte de São Paulo onde iniciamos na Praia da Lagoinha que fica a aproximadamente 29 Km do centro da cidade e finalizamos na praia da Fortaleza 27 Km do centro de Ubatuba. A trilha é de nível fácil com poucos lugares de subida e com belas paisagens. Todas as praias contém água potável em nascentes que ficam no início das praias e existem alguns bares nas praias porém como fomos em baixa temporadas a maioria estava fechada.
       
      Partida - 06/06/19 - Ida 12:30pm - São Paulo x Caraguatatuba -> BlablaCar R$38,00 - Caraguatatuba x  Praia da Lagoinha-> Ônibus R$3,80
           Partimos do terminal rodoviário do Tietê em São Paulo Capital de onde combinamos com o motorista do aplicativo BlablaCar para sairmos ao 12:30pm. Saímos no horário marcado e fomos em 5 pessoas no carro, pois já havia uma pessoa fazendo o trajeto também. Viagem tranquila e segura de duas horas e meia de duração até chegarmos a Caraguatatuba já no litoral onde descemos na rodoviária e lá mesmo pegamos um ônibus do transporte público com sentido a Ubatuba e depois de aproximadamente 35 minutos descemos no ponto próximo ao supermercado Garotão. O ponto de ônibus fica na praia da Lagoinha e é onde se inicia a trilha das sete praias. Após descer no ponto é só caminhar poucos metros até a entrada do condomínio mais a frente e se informar com algum dos seguranças da entrada do condomínio onde fica a entrada da trilha que eles já estão acostumados a informar as pessoas que querem fazer a trilha.    

           A trilha fica do lado esquerdo da praia da Lagoinha logo após um rio que corta a praia desaguando no mar, mas como chegamos com a maré já alta não conseguimos caminhar pela praia e atravessar o rio para começar a trilha. Com ajuda de um haitiano que encontramos na praia, o simpático Jean Pierre, nos informou onde seria o começo da trilha dando a volta para iniciar na entrada de um condomínio. Nos informou também onde teria um mercado mais próximo, o Mercado Garotão. Como entramos na praia não sabíamos da situação da maré cheia impossibilitando a travessia, então com a ajuda do haitiano conseguimos voltar e passar no mercado  para comprarmos algumas coisas para passar a primeira noite e começar a trilha.
        
            Iniciamos a trilha já quase anoitecendo por volta de umas 17:00pm. Saímos do mercado e bem de frente atravessando a rodovia já se vê a entrada do condomínio Recanto da Lagoinha onde caminhamos poucos metros e logo após a guarita da entrada viramos na primeira rua a direita, a Rua Sabiá e caminhamos até uma outra guarita onde se inicia a trilha em uma entrada a esquerda que contém uma placa de área de preservação ambiental ao lado de uma cerca do próprio condomínio. 



           Como a claridade estava ficando cada vez menor, passamos pela Praia do Oeste no escuro e caminhamos até a segunda praia, a Praia do Peres onde foi o nosso primeiro camping. Armamos acampamento já no escuro em um pier de pescadores que contém um gramado e um grande barracão de frente para o mar. Conversando com alguns pescadores que ali estavam fomos informados que logo de manhã um senhor que cuidava do local iria nos expulsar dali. Pensamos em caminhar mais adiante na terceira praia mas decidimos ficar e acampar por ali mesmo e apostar que o senhor não nos dê uma bronca muito grande de manhã por termos acampado ali rs. 




        
          

            Acordamos por volta das 8:00am e quando estava saindo da barraca para lavar o rosto em uma queda de água doce próximo dali lá estava o senhorzinho que nos informaram que iria ficar zangado por causa das nossas barracas. Resolvi dar bom dia pra quebrar o gelo mas não obtive sucesso. Então acordamos fizemos um café rápido no fogareiro a gás desmontamos nossas barracas e seguimos para a próxima praia da trilha, a Praia do Bonete ou Bonetinho como é chamada pelos locais.






       


       
         
           Ficamos um dia na Praia do Bonete, havia uma bica com água potável geladinha localizada no começo da praia. A praia do Bonete tem areias claras e águas cristalinas muito convidativa a um belo banho de mar. Armamos nossas barracas bem no meio da praia em um banco de areia mais alta debaixo de algumas árvores. Nesta praia havia algumas placas proibindo a entrada e camping pois a área seria propriedade particular. Decidimos acampar na praia mesmo e não entramos mais a dentro da mata.


            Acordamos por volta das 8:00am e desmontamos rápido as barracas, tomamos um belo café da manhã a beira mar e ficamos um tempo contemplando a praia até partirmos para a próxima praia, a Praia Grande do Bonete. Caminhamos até a ponta da praia onde existe uma placa amarela com informações aos turistas. Iniciamos a trilha e alguns minutos depois já tínhamos um lindo visual da Praia Grande do Bonete. A trilha levou uns 15 a 20 minutos e logo estávamos na Praia Grande do Bonete. 
        




           Chegamos e logo vimos que bem no começo da praia havia uma bica de água potável geladinha. Caminhamos um pouco e decidimos acampar quase que no começo da praia mesmo, do lado que não tem casas na beira da praia. Armamos nossas barracas na praia debaixo de algumas árvores e de frente para o mar. Fizemos uma fogueira para o almoço e janta e ficamos neste local por três dias.
       


            No primeiro dia conseguimos finalmente entrar no mar, conseguimos também tomar banho em um bolsão de água doce que tem atrás das pedras no começo da trilha e fizemos um belo jantar vegano pra fechar o dia com chave de ouro.  

           No segunda dia acordamos um pouco mais tarde, colocamos as barracas pra tomar um pouco de sol, tomamos um belo café e fomos caminhar até a outra ponta da praia que olhando de longe parecia que tinha um movimento de pessoas por la. Caminhamos até lá e descobrimos que havia alguns bares abertos onde tomamos uma bela de uma gelada e carregamos nossos telefones. Retornamos ao camping e pegamos duas mochilas vazias e dois de nós retornamos a trilha até o Mercado Garotão para comprar umas geladas e alguns petiscos. Fomos e voltamos em menos de duas horas e passamos o dia neste paraíso. 

       


           No terceiro dia na Praia Grande do Bonete acordamos por volta das 9:00am, tomamos café, entramos nas águas geladas daquele mar lindo de águas cristalinas iluminado por um lindo sol que contrastava com o céu inteiramente azul. Logo depois, dois de nós como combinado anteriormente, retornaram a trilha até o ponto de ônibus para aguardar mais um integrante da nossa trupe. E como iríamos passar perto do mercado já aproveitamos e compramos algumas bebidinhas, petiscos, um bom repelente, que foi para não faltar mais nada até o final da trilha. Recomendo o repelente de creme, pois o de spray não faz efeito nenhum para os mosquitos de lá hahahaha. Compramos um óleo ou essência de citronela que seria de colocar em lampiões para espantar o mosquito, mas ao invés de colocarmos em lampiões nós colocamos no nosso próprio corpo e deu muito certo ahuahauha!  
       

           Este dia foi um dos mais divertidos, com mais um integrante fizemos um grande rango, bebemos algumas cervejas, bebemos algumas biritas e tomamos também o único, o verdadeiro, o legítimo, o melhor de todos, the best, o Drink do Gato. Um drink elaborado por um dos integrantes da trupe e que se tornou o sucesso durante toda trilha ahahuahuauah inclusive para alguns caiçaras. Mais informações só chamar que posso passar os ingredientes e a forma secreta de se fazer. Poucos conseguem tomar! Drink do gato! Pra vocÊ aprender! kkkkkkkkkkkkkkkkkk Não conseguimos imagens do drink pois as condições não eram favoráveis no momento após a ingestão do mesmo kkkkkkk. Ha alguns rumores de que alguns dos integrantes corriam loucamente na noite em direção do mar tentando loucamente se banhar nas águas "quentes" da praia hahauahuahua iluminado por uma lua fantástica. O integrante ainda tentava persuadir os outros a entrarem no mar com dizeres: "Gente vemmmm, ta quentinha, a água ta quentinha! Vemmmm gente! Uhuuuullll!" Hauhauhuhuah Foi sensacional!     --> Drink do gato! Pra você aprender! kkkk 


           Acordamos e mantemos o protocolo. Barracas ao sol, acender a fogueira, café forte pra acordar, ficamos algumas horas por ali aproveitando o lindo sol que fazia no dia, tomamos um belo banho de mar e logo partimos para próxima praia. A trilha fica no final da praia em um muro de pedras com algumas placas indicando o lado correto. Foi umas das partes um pouco pesadas desta trilha, talvez por causa do peso que estávamos levando, em alguns lugares a trilha se tornava um pouco ingrime dificultando um pouco nosso ritmo. Em alguns trechos também se abriam clareiras mostrando um lindo visual.  
       

        
       
       
       
          A próxima praia que nos aguardava na verdade seriam duas em uma.  A Praia Deserta fica junto com a Praia do Cedro e são divididas por algumas pedras, mas muito fácil de se atravessar por elas. Ou pra quem não gosta de se aventurar em pedras, existe uma trilha que passa por de trás delas muito rápida e segura também. 











       



            Armamos nossas barracas na primeira praia, a Praia Deserta. Ficamos bem de frente para o mar do lado da placa da trilha das sete praias. O lugar é cheio de árvores e tem ótimas áreas para camping selvagem e proibido, como diz nas placas que encontramos novamente na praia. Acredito que não tivemos problemas com isso por causa da baixa temporada, pois a trilha é muito movimentada na alta temporada e a fiscalização talvez seja mais rigorosa. 
          










           Ficamos por dois dias nestas praias, a segunda praia, a Praia do Cedro contém uma área de camping e um bar que ambos estavam fechados por causa da baixa temporada. Existe também uma bica d'água encanada bastante gelada que tanto usamos para tomar banho quanto para beber. A praia é pequena mas encantadora pela beleza.  



           Após dois dias fantásticos nessas praias infelizmente com muita tristeza que caminhamos para a última praia da trilha. Desmontamos nossas barracas, retiramos todo o lixo, fizemos um café forte, arrumamos as mochilas e partimos para Praia da Fortaleza. Mas antes ainda tinha mais um lugar muito lindo pra conhecer, o Pontão da Fortaleza. Um lugar surreal e único que fica um pouco antes de chegar na praia da Fortaleza virando a esquerda na própria trilha.


          












           Chegamos por volta das 16:00am no Pontão da Fortaleza com um tempo de trilha de aproximadamente uma hora por causa do peso das mochilas, pois em alguns trechos da trilha o caminho se torna um pouco mais ingrime dificultando um pouco a trilha. Ficamos no Pontão por quase duas horas contemplando a beleza do lugar. Até cogitamos acampar por la mesmo, mas acabamos decidindo retornar a trilha e finalizar a Trilha das Sete Praias na Praia da Fortaleza.
       
           Andamos por alguns minutos nas areias da praia até entrarmos em umas das ruas onde se vê uma igreja. Caminhamos nesta rua e na bifurcação viramos a esquerda e caminhamos até o bar do Zé Mineiro onde fechamos nossa trilha e nosso dia com uma bela cerveja gelada.
      Retorno - 12/06/19 - Retorno 13:30pm - São Paulo x Caraguatatuba -> BlablaCar R$40,00 - Praia da Fortaleza x Praia da Sununga-> Ônibus R$3,80
           Na própria praia da Fortaleza existe um ponto de ônibus indo tanto para Ubatuba quanto para Caraguatatuba. Aguardamos por alguns minutos e pegamos um ônibus sentido Ubatuba pelo valor de R$3,80 e descemos no ponto dos postos de gasolina. Este é o ponto mais próximo da praia da Sununga e da Praia do Lázaro. Ficamos por lá mais quatro dias no Camping Sununga e depois encontramos um BlablaCar por R$40,00 pra cada que nos levou até São Paulo e finalizamos assim mais um Mochilão pelo litoral norte de São Paulo. 
      Vlw Mochileiros! Gratidão.  ❤️ 
       
       
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    • Por Rafaelramoss
      Bom dia/tarde/noite aos aventureiros e aventureiras.
       
                  Apesar de existirem dezenas de relatos sobre a Travessia da Serra Fina, creio que, independente de todos compartilharem do mesmo objetivo (completar o roteiro), também possuímos experiências e perspectivas diferentes das situações que planejamos e encontramos, portanto, como os relatos nos ajudaram muito, retribuirei com minha parte, para quem sabe ajudar próximos aventureiros também. 
                  Não tem como escapar, a rotina de trabalho dificulta muito os planejamentos para realizar estes desafios. Juntando a temporada ideal + 4 dias de folga seguidos = feriado prolongado. É grupo em cima de grupo. Você sobe em uma árvore e tem gente sentado no galho que você iria sentar, cava um buraco e sai três trilheiros, pega fila para abraçar a árvore, saem 15 pessoas de Robert na selfie (fica parecendo entrevista de político com os papagaios de piratas atrás) e por aí vai. É lotado mesmo e ponto final. Isso é um problema? Não se você for já sabendo isso. É possível curtir e apreciar tudo sim, afinal é melhor uma Serra lotada do que o metrô de Sampa. 
                  Eu e minha companheira Mi ingressamos nas trilhas há alguns anos. Como paulistanos, fomos conhecendo as trilhas mais próximas. Subimos aqui, ali e logo começamos a sentir falta de algo mais imersivo. Descobrimos as inúmeras travessias que podem ser realizadas próximo a SP, principalmente nas divisas de MG e RJ. Já que é o desafio que nos motiva, nos preparamos para a Serra Fina, a travessia mais difícil do Brasil, segundo algumas reportagens. Se é verdade, ou não, explicarei ao longo do relato.
                  Feriado prolongado de 9 de julho, no meio do inverno, em alta temporada, nas férias de julho de muitos trilheiros, previsão de maior frente fria já registrada... Pensamos igual no filme missão impossível: altas chances de fracasso, certeza de explosão, é isso, vamos. 
                      Chega de introdução, vamos para o relato.
                      Nosso grupo se define em: Rafael, Miriam, Luan e Charles (guia).
      Roteiro previsto:
      1º dia: saída da Toca do lobo - Pernoite no Pico do Capim amarelo ou Maracanã (01h30m depois) - Aprox. 7 km;
      2º dia: saída Pico do Capim Amarelo ou Maracanã – Pernoite Pedra da Mina - Aprox. 7 km;
      3º dia: saída Pedra da Mina – Pernoite Pico dos 3 estados - Aprox. 7 km;
      4º dia: saída Pico dos 3 estados – Pernoite Sampa City Summit - Aprox. 11 km.
       
      Total aprox. 33km.
       
      Na prática:
      1º dia:
                  Saída do Hostel as 07h com o transfer.
                  Chegada no início da subida de barro as 07h30m aproximadamente. Dependendo do transfer, ele te leva uns 500 metros mais para cima, bom negócio se for possível.
                  Começamos a subir e as 08h estávamos no point inicial. A toca do lobo. Todos se abasteceram de água no nível máximo (4L cada), pois precisaríamos de água para o dia e para a janta, já que o próximo ponto de água seria 01h:30m após o Pico do Capim Amarelo, no maracanã. Tivemos uma breve conversa com o guia Charlinho, no qual explicou o roteiro, dicas, perigos, etc. Partimos para a aventura. 🧗‍♂️


                      Como previsto, você sobe, daí sobe um pouco, sobe ali, escalaminhada aqui, subiu um trecho, subiu outro, daí tem uma subida e você chega onde? No ¼ da subida do dia. Num trecho famoso, o quartzito. Muita nuvem, mas já bonito e animador.


                      Que tal subir agora? Subiu, subiu e continuamos subindo, até que apareceu um dos cartões postais da travessia. O passo dos anjos. Emblemático trecho que mostra toda crista da serra que vinha pela frente no primeiro dia. Só que aconteceu o que previmos, estava com neblina devido a chuva do dia anterior. Não vimos no ângulo tão sonhado, mas conseguimos uma imagem semiaberta depois que passamos.


                  Paramos algumas vezes para petiscar e adivinha? Subimos mais.
                  Daí aconteceu algo que abalou a todos. Estávamos na trilha quando passamos por uma senhora que estava desacordada. Isso quando já estávamos há mais de 2 mil metros de altitude. Ficamos sabendo depois que ela teve um AVC e inclusive saiu no G1 uma notícia sobre isso. Esperamos que ela esteja bem. Um helicóptero dos bombeiros fez um trabalho espetacular junto dos guias que estavam na montanha. Fizeram uma tremenda força tarefa e conseguiram levar a senhora até o helicóptero, que conseguiram pousar NA MONTANHA. Foi um trabalho de extrema competência. Todos ficaram baqueados, mas seguimos em frente. Fica como um adendo para todos. A montanha deve ser levada a sério. Muito importante estar com exames em dia e se preparar, pois imprevistos podem acontecer, infelizmente. 


                  Após este ocorrido, fizemos um lanche em uma área coberta por bambus e já fomos recebidos pelos proprietários da montanha, . Os ratinhos. Chegam a ser bonitinhos, pois são pequenos, como hamsters, mas não deixa de ser um rato, eita bicho medonho e travesso. Já notamos que eles estariam presentes na viagem.
                  Também ficamos chocados com trechos congelados que encontrávamos já na subida. Imagine o frio que estava por vir.

                  Chegamos no capim amarelo as 13h. Um local incrível. Já sentimos muito orgulho de ter iniciado essa aventura. Conversamos sobre o planejamento e decidimos ir para o Maracanã, pois seria mais próximo da água e também do próximo destino do dia seguinte.



                  Ao descer o capim amarelo, o joelho do nosso amigo Luan deu uma esperneada, afinal o dia da ascensão exige muito. Decidimos parar em um bambuzal bastante abrigado, chamam de "avançado". Por volta das 15h já estávamos com as barracar montadas e prontos para um por do sol próximo dali.


                    No fim ficamos sabendo que fizemos boa escolha, perceberá o porquê.
                    Pendure suas comidas e lixos em árvores, pois os ratos causam nesse lugar, como em qualquer outro. Tivemos visitas na madrugada que incomodaram um pouco. Inclusive a barrigueira da Mi foi roída , pois havia o sachê do gel (que é doce) usado, então deve ter vazado um pouco. Tivemos de colocar as cargueiras para dentro da barraca. Deixar no avance deu receio. Aproveitamos e usamos as mochilas para colocar a perna em cima nos locais onde dormimos inclinados. Importante nivelar para não ter dores na madrugada.
       
      2º dia:
                      Sair da barraca já foi o primeiro desafio, pois o frio estava insano. Arrumamos as coisas, tomamos o café e iniciamos o dia.
                      
                      Não adianta, a roupa para o dia depende de cada um. Alguns saem igual esquimó e ficam no efeito cebola o dia inteiro, outros já saem com pouca roupa para fazer menos pausa para tirar. Todas as vezes que coloquei blusa a mais eu me arrependi. Assim que o sol aparece você já começa a sentir calor. Protetor solar eu já passo antes mesmo do sol aparecer, pois nessa altitude o sol judia.
                      40 minutos após o início da caminhada e avistamos o Maracanã. Os grupos que dormiram ali já estavam saindo também. Para surpresa nossa, todos reclamaram do frio. Congelaram todas as águas que eles tinham nas garrafas. Fez -8º no maracanã, surreal. No bambuzal pegamos uns 0º, tivemos “sorte”. ❄️
                  Reabastecemos em um ponto de água logo após o maracanã. Fizemos um isotônico do Popeye e deixamos 2 litros de água na camelbak para cada um caminhar, visto que antes do ataque ao cume da Mina haviam 2 pontos de água para reabastecer completo.
       
                  Desde a primeira subida do dia já podíamos avistar nosso objetivo: a Pedra da Mina. Eita negócio alto. Quando você acha que ela é pequena, você se surpreende ao ver o pessoal mais atleta já subindo com as mochilas fluorescentes. Pareciam 1 grão de areia na montanha.

                  Dia mais agradável de percurso, pois são constantes sobe e desce, diferenciando bem do primeiro dia do Everest amarelo . Logo após o primeiro "mini" cume que passamos já tínhamos uma linda vista do Capim Amarelo atrás. E também conseguíamos ver Marins / Itaguaré no fundo. Que show!

       
                  Quase chegando na base da Mina, fomos para o ponto de água chamado cachoeira vermelha. Incrível o lugar. Água com muito ferro, por isso dos tons avermelhados. Reabastecemos com água para a janta, pois o próximo ponto de água só aconteceria no dia seguinte após descermos a Pedra.


                  Ao chegar na base da Pedra, passamos por cima da mini ponte do rio que cai 🌁. Ali havia um bom acampamento no qual vimos um grupo já instalado para pernoitar. Era um grupo com roteiro diferente. Eles não dormiam nos cumes, fizeram um outro planejamento. Ali tinha o rio com pessoas abastecendo para a subida, mas eu não acho uma fonte muito confiável. O guia inclusive comentou que pode estar contaminado. É ao lado do acampamento, consequentemente os banheiros também devem ser. Se for pegar esta água, ferva e jogue o clorin como precaução, pois dor de barriga ninguém merece .
                  Iniciamos o ataque. Estávamos pesados com a água, mas suportável. Como todas outras subidas da travessia, esta era mais uma bem estruturada. Sempre com degraus “curtos” formados pelas pessoas. Quase não esticamos as pernas na travessia inteira, pois as ascensões eram todas em pequenas “escadinhas” já formadas. Um agravante seria o barro, muito presente na serra inteira, mas como a temperatura estava hiper baixa, os barros estavam congelados, evitando possíveis deslizes dos pés ao subir.

      Uma boa perspectiva para ver o tamanho da encrenca com as formigas atômicas fluorescentes subindo.

      Pausa na subida da Pedra com a vista para o Capim Amarelo a esquerda da foto (ponto onde iniciamos o dia).

                  Chegamos no incrível no cume, que lugar sensacional! Sem dúvidas o pico mais legal de toda a viagem. Bem cheio de barraca, pois haviam os grupos da travessia completa, meia travessia e bate a volta pelo Paiolinho, uma opção bem legal de chegar na Pedra da Mina também. O bom é que há espaço para todos, pois mesmo sem ficar no cume, você consegue ficar logo abaixo dele, 5 minutos de caminhada.



      O Agulhas Negras já aparecia imponente no parque Itatiaia. Que vista!

                  Pegamos um baita pôr do sol, jantamos e fomos dormir.

       
                  Nessa noite conseguimos uns goles de cachaça e dormimos mais quentes. Já virou um item indispensável para as próximas travessias. O cobertor de litro salva sua noite.🍹
       
      3º dia:
                      Meio congelado, meio vivo. Era mais ou menos nossa situação. Com certeza fez menos que -5º esta noite. Serra fina do gelo!!!  

                  Após o ritual sagrado de desmontar, arrumar e seguir, iniciamos a descida pelo lado de trás da montanha, num visual muito show! O vale do Ruah já se destacava no nascer do sol. Os primeiros raios de sol no Vale refletiam o rio de uma maneira diferente, achamos estranho. Quando chegamos perto que entendemos, o rio inteiro estava congelado. Imagine como foi a noite num dos locais mais frios do Brasil. Há quem diga que bateu -15º.

                  E que lugar muito doido, achamos legal demais. Capim Elefante para todo o lado, barro, labirinto, rio congelado... Parecia um filme! Bom momento para se despedir da bota semi limpa. Ali não tem jeito, você vai usar todas funções da sua bota impermeável. 


                  Os grupos seguiram e abasteceram a água em umas cachoeiras mais a frente, mas nós abastecemos antes em uma correnteza que passava no meio do vale. Parecia bem limpa e cristalina, afinal é dali que surge a fonte do Rio Verde. Nome fácil de entender, pensa em uma água transparente e limpa! Atenção!!! É aqui o último ponto de água da trilha, basicamente. Coloque água nas garrafinhas, camelbaks, meias, bonés, toucas, etc. 🌊. Saímos com 4 litros e pouco cada um (para caminhada do dia, jantar e caminhada da volta). Foi o suficiente, mesmo fazendo macarrão a noite.


                  Também passamos por mais cristas, muito lindas por sinal, em direção ao cupim de boi. Da pra entender o porquê do cupim de boi.  É esta montanha menor que está um pouco abaixo do Agulhas Negras. A montanha a direita é a cabeça de touro. Bem alta e imponente, mas é um passeio a parte. Do cupim, partimos pelas cristas até a montanha mais alta a esquerda, que já é o Pico dos 3 estados.

      Pedra da Mina ficou para trás... 

      A caminho do cupim do boi a esquerda.




                  Chegando no topo do cupim, fizemos um almoço com vista para o Pico dos 3 estados de um lado e todo o parque do Itatiaia do outro. Vista incrível!!! O Agulhas Negras estava nítido, mesmo há bons km’s de distância.

                  Dica: Levem filtros de lente UV e Polarizados para a câmera. Eu esqueci a minha câmera no transfer, sorte que a Mi tem uma super potente com um zoom sinistro, mas as fotos ficaram azuladas com a luminosidade da altitude.            
                  Energias renovadas, partiu 3 estados. Trilha nota 10. Escalaminhadas só próximo ao cume. Nenhuma pernada longa, escalaminhamos porque no final estava mais íngreme e escorregadio, mas não havia exposição.
                  Mais uma montanha top 10 Brasil na listinha pessoal!!!




                  Rolou aquela vida “chata” de bater papo sentado nas pedras do cume, vendo o pôr do sol, tomando um refresco, se preparando para o jantar e rindo dos perrengues da trilha. Depois disso caímos no sono. Noite bem tranquila, local abrigado por capim, então rolou pouco vento, foi bom o descanso.
                  Não esquecendo nunca daquela boa olhada no céu MUITO estrelado e das cidades brilhando bem longe. Que cenário show!

       
      4º dia:
                  Já acordamos naquele ar de: Será que tô feliz por conseguir chegar até aqui? Triste por ir embora? Feliz por chegar perto de um banho? Triste por pensar na rotina de SP voltando?
                  Não tem segredo, o jeito é curtir o momento. E esses momentos são incríveis todos os dias da travessia. Todos têm suas particularidades e belezas diferentes.
                  Nascer do sol de praxe...

                  Despedida da montanha e partiu dia mais longo (11 km).


                  Como diz a Mi, subir é sempre mais difícil, em tudo na vida, mas na serra fina não tem nada fácil. Até o descer é difícil, pois os joelhos já estão cansados dos 21 kms já percorridos e o esforço da constante descida é ainda mais doloroso para os joelhos do que a subida. Mesmo já não estando tão pesado. Tínhamos quase 1,8L cada em média para o dia até a última fonte, que já é próxima do fim.
                  Sobe e desce, sobe e desce, sobe e desce até que avistamos a última subida da viagem. Até comemoramos quando subimos, pois para quem tem joelho meio abalado, subir é melhor que descer. Chegamos no Pico dos Ivos, mais um dos muitos picos de 2400+ que passamos. Paramos para o lanche, fizemos a selfie da equipe e voltamos para a descida. Se tivesse uma tirolesa do pico dos 3 estados até a fazenda pierre, seriam 2 horas na corda de aço  eita descida interminável!



       
                  Aos poucos a vegetação foi mudando, brigamos com os bambuzinhos (use capa nas mochilas e proteja seu isolante, pois a treta é brava) e a mata mais fechada surgiu. Incríveis bons km’s no meio da mata, show de bola!

       
                  Nossa água deu na medida. Acabou a hidratação minutos antes da última fonte de água antes da saída. Já batia um sentimento de saudade da montanha.

                  Andamos, andamos, andamos, andamos, andamos, chegamos na mansão do Pierre. Olha só, chegamos! Não, não chegamos. Ainda tinham uns 2 km, eita! Meu joelho, que vinha tão bem, já começou a me questionar o pq eu estava fazendo isso com ele e decidiu resmungar, mas isso ficou de lado e foi só comemorações e orgulho do corpitcho que, apesar de um pouco acima do peso, conseguiu aguentar essa travessia incrível.
       
      Chegada...
       
                  Óbbbbvvviiioo que brindamos com a cervejinha na casa e fomos para o transfer. Pensa numa cerveja merecida!

                  Fim...
       
                  Vou deixar informações abaixo sobre o que utilizamos.
                  Minha companheira Mi, que a todo momento ficou ao meu lado, foi um exemplo de força, determinação e comprometimento. E claro representando as mulheres, que já são mais fortes e corajosas 💪 por natureza. Senti muito orgulho de poder participar de momentos como esse. Certos ensinamentos e pensamentos só são apreciados de verdade na montanha, quando estamos na hora da dificuldade, na hora da esperança e também na hora da vitória!
                  Luan, um parceiro que surgiu do boteco e com certeza perdurará muitos anos, tanto nas trilhas, como nos botecos também, óbvio. Sempre agradável e solicito, um rapaz de futuro!
                  Charles joelhos de aço, nosso guia atleta, que nos ajudou a todo o momento e deu o suporte que precisávamos. Além de cada dia tirar uma surpresa da mochila para comemorar. Nosso muito obrigado!
                  Um exemplo de que todos nós podemos realizar nossos desejos e enfrentar nossos medos. Menino, menina, homem, mulher, idoso e idosa. Vimos todos juntos nas trilhas, se unindo e se incentivando. Bonito de se ver o respeito, educação e limpeza que os guias pregam para todos, proporcionando uma montanha agradável, limpa e o menos impactada possível.
                  Se você tá em dúvida se aguenta, se é bonito o lugar, se vale a pena... pode parar por aí. Se prepare, se equipe com materiais de qualidade e partiu!
                  A Serra Fina é possível para todos!

       
      Equipamentos necessários /// utilizados:
      ·         Mochilas cargueiras 70L ou mais. Item primordial, pois temos escassez de água e trajetos relativamente longos. A capacidade e ergonomia precisam ser consideradas com seriedade. Invista na sua cargueira /// Cargueira Deuter Aircontact Lite;
      ·         Sacos de dormir conforto 0º ou -5º /// Deuter Orbit -5. Foi mais do que o suficiente. Deu conta dos -9º que passamos. Não vacile com o saco de dormir, pois hipotermia é perigoso de verdade; XXX
      ·         Isolante Térmico. /// Naturehike modelo inflável Nylon TPU. Ótimo custo benefício. Isolantes tapetes também são ótimos. Ideal os de 1 cm de espessura, pois o chão é muito frio e úmido;
      ·         Bastões de caminhada. Joelhos agradecem! Acho primordial. /// Bastão de Trilha Arpenaz 200 Quechua. Modelo ok, até que aguentou, mas possuem bem superiores no mercado;
      ·         Travesseiro. Fica ao critério de cada um. O ideal é inflável para ocupar menos espaço e peso. /// Naturehike dobrável;
      ·         Barraca 2 ou 3 pessoas. Quanto mais leve e bem projetada para ventos, melhor. /// Naturehike Cloud 2p. As vezes sentimos falta de espaço, pois eu e a Mi somos relativamente altos (1,83 e 1,70), mas no frio isso não é um problema. XXX
      ·         Lanternas de cabeça e de punho. Tem que ter ou vc só funciona até o por do sol. Item obrigatório. XXX / Importei da china, nem sei o modelo, mas vale dar uma investida.
      ·         Kits cozinha: fogareiro, gás, panelas, talheres, papel toalha, álcool em gel, pratos, etc.
      ·         Botas. Impermeáveis, confortáveis e com ótima aderência (para as escalaminhadas cheias de barros e pedras). Se for nova, amaciar antes da viagem! /// Salomon Mid GTX;
      ·         CamelBak ou Garrafinhas. Vai do gosto de cada um. Gosto da praticidade da camelbak, pois você se hidrata sem parar. /// Modelo chinês, 2L. Paguei barato e deu problema na torneirinha. Aconselho investir um pouco, pois perder água por vazamento numa travessia com escassez de fontes não é nada agradável.
      ·         Cobertor de alumínio para emergências;
      ·         Roupas: Corta-vento, Jaqueta e calça impermeável, camisetas de manga comprida com proteção UV, meias para trilha, luvas (ajudam a escalar também), touca e boné, Buff (proteção UV para nariz, boca e nuca); Tudo de secagem rápida e o mais leve possível.
      ·         Protetor solar para rosto e boca.
       
      Refeições:
                      Tudo sempre prático, que utilize pouca água de preferência e que tenha alto valor nutritivo. Na próxima viagem levarei ovos para o café da manhã. Desta vez não levei e fez bastante falta. Não fizemos almoço, apenas parávamos e comíamos os petiscos em maior quantidade e hidratávamos com isotônico em pó diluído na água (excelente negócio!!!).
                      Uma boa dica é variar o máximo possível. Fizemos os lanches com queijo e mortadela. O ideal é fazer no mínimo 2 sabores para não enjoar. Também não tomávamos um café muito elaborado, pois acordávamos muito cedo para caminhar e nessa hora o apetite não é dos maiores.
                      Sempre se hidratando o máximo possível. Carregávamos 4 litros de água por dia para cada um. Também ingeríamos algo a cada 1 hora, para sempre manter energia.
      ·         Primeiro dia:
      o   Café da manhã no hostel: Bolo de queijo, diversas frutas, sucos e café (caprichado, pois estávamos com o carro ainda);
      o   “Almoço”: lanche;
      o   Jantar: Risoto de queijo, frango em pedaços e legumes. Tudo pré-cozido.
      o   Petiscar: 4 barras de cereais, mix de castanhas, banana e frutas desidratadas, isotônico para hidratação e 2 Carb-Up em gel.
      ·         Segundo dia:
      o   Café da manhã: 2 bisnagas com presunto e queijo e café;
      o   “Almoço”: lanche;
      o   Jantar: macarrão, molho vermelho, calabresa e bacon;
      o   Petiscar: 4 barras de cereais, mix de castanhas, banana e frutas desidratadas, isotônico para hidratação e 2 Carb-Up em gel.
      ·         Terceiro dia:
      o   Café da manhã: 2 bisnagas com presunto e queijo e café;
      o   “Almoço”: lanche;
      o   Jantar: macarrão alho e óleo, calabresa e bacon;
      o   Petiscar: 4 barras de cereais, mix de castanhas, banana e frutas desidratadas, isotônico para hidratação e 2 Carb-Up em gel.
      ·         Quarto dia:
      o   Café da manhã: 2 bisnagas com presunto e queijo e café;
      o   “Almoço”: lanche;
      o   Petiscar: 2 barras de cereais, mix de castanhas, banana e frutas desidratadas, isotônico para hidratação e 1 Carb-Up em gel.
      o   Jantar na humilde residência XXX.
       
      Guia: Charles Llosa. Muito experiente na montanha, nota 10! - 35 9917 9001
      Transfer: Leleco, gente boa, carro 4x4 (necessário) e pontual. - 35 9747 6203
      Hospedagem: Hostel e Pizzaria Serra Fina. Falar com Felipe. - 35 99720 3939
      Dúvidas só perguntar que respondo.
       
      Abraços.

    • Por Rafaelramoss
      Boa tarde.
      Tenho interesse em realizar a travessia da Serra Fina no feriado prolongado de 6 a 9 de julho. 
      Por enquanto sou eu e minha esposa. Talvez mais 2 colegas.
      Encontrei algumas agências que já possuem pacotes, mas o valor está um pouco acima do planejado (acima de 1k), portanto caso alguém esteja formando um grupo, queira formar um grupo ou que conheça um guia experiente, mande um oi o/
      *** Edit: conseguimos formar um grupo com guia especializado no local e possui 1 vaga. Valor bem mais em conta que por agência. Interessados me mandem msg.
      Abraços.
    • Por rafacarvalho33
      Antes de começar o relato, gostaria de salientar que ocorre uma discussão a respeito dessa trilha,  se ela deve ser feita ou não e vou tentar explicar o porque desse debate. 

      A trilha de fato é ilegal, ela fica dentro de uma propriedade privada (a empresa MRS Logística) e a Sub prefeitura de Paranapiacaba não reconhece a trilha como oficial, além desses dois importantes fatores, não é anormal que ocorram a fiscalização para pegar os infratores na entrada da trilha, podendo gerar uma multa (que varia dos R$300 a R$500) e ate detenção por invasão a propriedade privada.

      Por outro lado, a trilha se dá ate Cubatão, passando pela Serra do Mar, com paisagens exuberantes, com fauna e flora muito rica e diversificada, além das cachoeiras pelo caminho, há também toda a importância histórica e cultural do trajeto, juntando esses fatores com o fato de Paranapiacaba estar próximo a cidade de São Paulo, é comum que dezenas de pessoas durante os finais de semana se arrisquem e realizem a travessia, ou pelo menos, parte dela. 
       
       Paranapiacaba recebe centenas de turistas nos finais de semana. 


      Por muitos anos, me recusei a fazer essa trilha, porque além de ela ser ilegal, ela também é perigosa, mas esse ano conheci duas pessoas que já fizeram esse trajeto mais de 05 vezes cada um, sendo conhecedores do local de olhos fechados, assim me senti mais seguro.

      Antes de mais nada, na minha opinião, acredito que a melhor solução para esse assunto seria a empresa cobrar uma taxa de entrada, e com esse dinheiro, aplicar na manutenção da trilha, deixando ela mais segura para os amantes de aventura, assim, todos ganhariam, a empresa, nós e Paranapiacaba, que assim, poderia receber mais turistas. 

      O fato de proibir por proibir sabendo que existem pessoas que ate acampam no local, da a sensação que as autoridades junto com a empresa tem preguiça de lidar com a situação, pois ao mesmo tempo o acessos a trilha e a saída dele são fáceis de identificar, se de fato quisessem proibir, não seria difícil fazer isso, ao meu ver parece que eles apenas buscam fugir da responsabilidade caso alguma coisa aconteça.


       
       Vagão de trem abandonado logo no começo da trilha
       
       
      Bom, dito tudo isso, vamos falar um pouco mais sobre a Trilha Funicular, a travessia até Cubatão tem 15 km, passando por 16 pontes e 13 túneis, as pontes estão a 50/60 metros de altura do chão, a trilha muitas vezes passa por mata fechada, tendo muitos espinhos, aranhas e até cobras, por isso é recomendável usar camisa manga longa e calça larga, e caso veja uma cobra pelo caminho, só precisa ter calma e deixar ela seguir seu trajeto em paz, recomendo o uso de lanterna para ajudar a atravessar os túneis. 
       
      A trilha é plana e tranquila de se fazer, não requer muito esforço físico, agora as partes que atravessam a ponte, essas não são tão simples, primeiro porque sempre dá aquele medo, então é comum muitas pessoas travarem na hora e não conseguirem, segundo, as pontes estão bem danificadas, já que elas foram construídas e postas em operação no ano de 1867 e foi desativada entre 1970 a 1980, então a conservação da ponte esta comprometida, a parte de madeira esta podre e em alguns locais, o ferro que da a sustentação, esta bem gasto. 
       
       A situação das pontes não são das melhores. 


      No caminho, atravessamos por 05 pontes na ida, a primeira foi a mais cansativa, por ter todos esses problemas que citei acima, mas conforme você vai fazendo, você vai pegando confiança e segurança, na quarta e quinta ponte já fazia em pé, sem precisar me apoiar em nenhum lugar. 

      A nossa volta, passamos por duas pontes e cortamos caminho para chegar ao novo sistema funicular, dando a oportunidade de ter a visão das pontes de longe.


       
       

      Além das pontes e trilhas, no caminho tem estruturas diversas, como as Casas das Máquinas, esses lugares geralmente são para as pessoas que querem acampar a noite, fazer alguma comida ou dar aquela descansada. 

      Começamos a trilha as 09:00h da manhã e voltamos a cidade as 15:30h da tarde, já que estava ameaçando chover, nosso trajeto foi até a segunda casa das máquinas, que fica depois da quinta ponte, lá tem um ótimo lugar para tirar fotos e apreciar a Serra do Mar, chegando a ver Cubatão ao fundo, muitos vão até a terceira ponte, onde tem a primeira casa das máquinas e um ótimo lugar para tirar fotos também, os mais corajosos vão ate Cubatão. 

       
       Dando aquela pausa na segunda casa das máquinas.


       
      A imponente Serra do Mar ao fundo 
       

      Recomendo que caso você tenha interesse em realizar a travessia ou parte dela, que busque algum guia local ou pessoas que já fizeram e que possam ter ajudar durante a trilha, é de extrema importância ter um apoio, se eu fizesse ela sozinho, sem ter ao meu lado duas pessoas experientes, a situação seria muito mais complicada do que foi. 


      Espero que tenham gostado do relato, para qualquer dúvida só mandar mensagem pelas minhas rede sociais, estou presente no Instagram no rafacarvalho33 e no Facebook no Follow The Portuga.


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