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Érica Munhoz

Los Roques, Canaima/Salto Angel, Monte Roraima e Boa Vista 23 dias (Dez/14 - Jan/15)

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Se existe uma palavra que define essa viagem para a Venezuela é EXTREMO. A praia mais bonita do mundo, a cachoeira mais alta do mundo, a montanha plana mais alta do mundo. A Venezuela é o extremo da beleza natural, o extremo da aventura selvagem, o extremo do cansaço físico e, infelizmente, o extremo da violência e da corrupção.

 

A viagem no total deu 23 dias e como há muito a ser dito, o relato será dividido em tópicos.

 

Resumo do roteiro:

20/12 – 21/12: Voo CFN – Caracas, pernoite em Maiquetia, translado Higuerote, voo LR

21/12 a 28/12: Los Roques

28/12: Retorno Los Roques, translado Higuerote

29/12: Voo Maiquetia-Puerto Ordaz, Voo Puerto Ordaz-Canaima, Passeios lagoa e cachoeiras no parque, pernoite no alojamento

30/12: Salto Angel e pernoite no redário

31/12: Voo Canaima-Puerto Ordaz, pernoite em Puerto Ordaz

01/01: Transporte Puerto Ordaz – Santa Elena de Uairén, pernoite em Santa Elena

02/01 a 07/01: Monte Roraima

08/01: Travessia fronteira e transporte até Boa Vista

08/01 a 10/01: Boa Vista

11/01: Voo Boa Vista - CFN

 

Meu namorado (Felipe) e eu, embarcamos em CFN dia 20/12 às 13:30h rumo a Caracas. Como fomos pela Copa airlines, fizemos conexão no Panamá, onde chegamos às 17:30h (hora local). No free shop do aeroporto do Panamá há basicamente eletrônicos, perfumes, óculos e roupas. Calçados só encontramos uma loja muito pequena e que com a conversão do dólar, não valia a pena comprar. Mas o que achei mais sensacional do free shop do Panamá foi a loja da National Geographic! É de pirar lá dentro!! ::otemo::

 

Saimos do Panamá às 21:46h e chegamos em Caracas às 00:40h – horário local (em relação à Brasília e ao horário de verão, Caracas é menos 2:30h).

Por causa do horário, o desembarque em Caracas já estava bem vazio. O Miguel Serrano já estava nos esperando na porta do desembarque com sua esposa e assim não fomos abordados por ninguém.

 

O MIGUEL SERRANO:

 

O Miguel é um venezuelano que trabalha como agente de turismo. Quando começamos a planejar a viagem (quase 6 meses antes), o nome do Miguel aparecia na maioria dos relatos e indicações no fórum dos Mochileiros e em um grupo do facebook sobre Los Roques (https://www.facebook.com/groups/losroques/). Começamos a trocar e-mails e whats com ele sobre passagens aéreas para Los Roques, transporte entre aeroportos, hotéis para pernoite em Caracas...

 

Já adiantando, todas as indicações e recomendações do cara são MUITO VÁLIDAS. Sério. O cara é um excelente profissional, muito confiável ( e pessoa mais desconfiada que eu tá pra nascer) e não te deixa na mão em nenhum momento. E se não fosse ele, nem metade das coisas que fizemos teriam dado certo.

 

Por mais que tentarei explicar, só vivenciando a situação política e econômica do país para entender a profundidade do que vou falar. Talvez a melhor forma de expressar a situação geral da Venezuela é: TÁ TUDO MUITO FUDIDO por lá (existe um tópico específico para isso mais embaixo).

 

Apesar de, obviamente, o Miguel incluir o valor dos serviços dele, valeu cada centavo que gastamos com ele. Primeiro por causa do dinheiro mesmo. O Bolívar forte (Bsf. - moeda da Venezuela) no câmbio oficial do governo é muito desvalorizado quando comparado com o câmbio negro. Existe um app pro celular (ou pode consultar no site tbm) chamado Dólar Today que é a base do valor do dólar no câmbio negro. Durante a viagem, em média, 1 dólar equivalia a aproximadamente 180Bsf no câmbio negro, enquanto no câmbio oficial 1 Usd valia cerca de 5 a 6 Bsf. Desde que comecei a acompanhar o valor do Bsf há cerca de 6 meses, a inflação do bolívar no câmbio negro aumentou mais de 100%. Então esse é um app importante de se ter para a viagem. Claro que vc nunca vai conseguir trocar exatamente o valor do dia que o Dólar Today dá, mas ele é uma boa maneira de se manter informado e não ser passado para trás.

 

Em Los Roques conseguimos o melhor câmbio (1Usd para 145Bsf) na farmácia da ilha. Em Santa Elena de Uairén, quando fomos para o Monte Roraima, estávamos conseguindo cerca de 1Usd para 120Bsf para notas grandes (por exemplo, se quiséssemos trocar 100 dólares, eles faziam o câmbio a 120Bsf. Mas se fosse pouco dinheiro, tipo 20Usd, eles faziam o câmbio a 70Bsf). Na fila da imigração na fronteira Brasil-Venezuela, ficamos sabendo que algumas pessoas conseguiram câmbio de até 195Bsf na Isla Margarita).

 

Resumindo: com essa discrepância entre o valor do Bsf no câmbio oficial e no câmbio negro, não valia a pena pagar nada com cartão de crédito, pois seria debitado o câmbio oficial. Tudo só valeria a pena se pagássemos com dinheiro vivo e convertendo pelo câmbio negro. Esse foi o primeiro grande motivo de termos fechado com o Miguel. Ele comprou nossas passagens aéreas para Los Roques, fechou nossa estadia em Los Roques, fez o transporte até o aeroporto de Higuerote e a garantiu a pernoite em Caracas. Pagamos ele somente quando chegamos lá. Isto é, tudo na base da confiança. Se não viajássemos, ele teria feito isso tudo e não veria o dinheiro. Também trocamos 100Usd com ele (com câmbio de 100Bsf) para termos dinheiro pra entrar na ilha (que só aceita Bsf para a entrada). E pagamos tudo para ele,inclusive a Pousada em LR. Quando chegamos na pousada, o pessoal já estava a nossa espera.

 

Outro motivo de ter fechado com o Miguel foi para termos o apoio de uma pessoa local. A Venezuela não está fácil e a segurança tem que ser prioridade absoluta. Quando chegamos no aeroporto de Caracas, ele e a esposa estavam nos esperando com uma plaquinha com o nome do Felipe bem no desembarque. Os dois super simpáticos, com o carro próprio, nos levaram para dormir em um Hotel (que não lembro o nome!), mas era ótimo, quase a beira mar. Nos buscaram na manhã seguinte, nos levaram até o aeroporto de Higuerote e praticamente só foram embora quando estávamos entrando no avião. Quando voltamos, a mesma coisa. Quando descemos do avião chegando de Los Roques, o Miguel já estava nos esperando.

 

A mala para Los Roques pode ser no máximo de 10Kg. Alguns quilinhos a mais até podem ir, mas vc paga o excesso de bagagem (que tem que ser paga em Bsf). Muitos quilos a mais não vão. Pq? O avião é um teco-teco de 8 ou até 20 lugares e que não aguenta carregar muito peso. Nossa bagagem excedeu uns 3Kg e não lembro exatamente quanto pagamos de excesso de bagagem, mas deu menos ao equivalente de 20 reais.

 

Mais uma vez graças ao Miguel! Como estávamos com muito peso pro Monte Roraima (barraca, sacos de dormir, roupas de frio...), ele ofereceu de deixarmos a parte da bagagem que não usaríamos em Los Roques na casa dele. Quando ele fosse nos buscar do regresso da ilha, passaríamos na casa dele para buscar nossas coisas antes de partir para outro destino.

 

O Miguel também oferece serviços turísticos para Canaima/Salto Angel. Após Los Roques e algumas mudanças de planos em nosso roteiro de viagem, fechamos com ele o passeio para Canaima/Salto Angel. Existe um esquema de corrupção monstruoso nos aeroportos e não estávamos conseguindo adiantar nosso voo para Puerto Ordaz e tbm não achamos passagens rodoviárias (em 3 ou 4 rodoviárias diferentes). Só conseguimos ir para Puerto Ordaz na data que gostaríamos por causa do Miguel. Ele e a esposa ficaram rodando conosco até de madrugada tentando trocar ou comprar passagens para Puerto Ordaz, arranjaram hotel de última hora...

 

Outra vantagem de ter fechado tudo antes com ele foi a garantia do nosso passeio. Nas altas temporadas, os voos lotam, as passagens esgotam. Da mesma forma, as pousadas na ilha. Então se o tempo está curto e vc não tem disponibilidade para ficar na cidade, caso não consiga passagens/hospedagem, não vale a pena arriscar. É melhor garantir no mínimo a passagem aérea para Los Roques com o Miguel. Em baixas temporadas eu até arriscaria tentar arranjar uma pousada na hora na ilha. Sai bem mais barato. Mas somente em baixíssimas temporadas. Do contrário, tbm não vale arriscar.

 

Existem várias pessoas que são agentes de turismo como o Miguel. Quando estávamos pesquisando e entrando em contato com várias pessoas, algumas delas, inclusive outros agentes de turismo venezuelanos, nos indicaram o seu contato. Assim, da minha parte e do Felipe, o Miguel tem a nossa total recomendação. Se voltarmos à Venezuela, especialmente Los Roques e Canaima, certamente entraremos em contato com ele novamente.

 

O e-mail dele é [email protected]

Whatsapp: +584141307231

Ele fala espanhol, mas entende bem português também.

 

LOS ROQUES – O paraíso

 

Não conheço outras praias no Caribe, mas pelas minhas pesquisas e todos os relatos que já li e ouvi, é unanimidade: Los Roques é o paraíso! Certamente voltarei naquele lugar!

 

Praias paradisíacas, com tons de azul que confundem com o céu, areia branca e fina e VAZIAS. Com exceção de um bar e a praça na Gran Roque (que é a ilha onde tem as as pousadas e o aeroporto), não há badalação. A maior parte dos turistas são casais ou famílias. Muitos, muitos estrangeiros.

Apenas duas empresas aéreas fazem o trecho para Los Roques: A Aerotuy e a Chapi Air.

 

Os voos da Aerotuy partem de Maiquetia (que é uma cidade metropolitana de Caracas e onde fica o aeroporto. É como se fosse o aeroporto de Confins em relação à BH). Essa empresa vende passagens pela internet, mas tem um histórico grande de atrasos. Quando estávamos fechando as passagens para Los Roques, a venda de passagens pela Aerotuy estava suspensa pelo governo exatamente pelo excesso de atrasos e cancelamentos. O voo é mais caro. Cerca de 160 dolares, mais imposto. O avião é um pouco maior (acho que deve ser pra uns 50 passageiros ou um pouco mais).

 

Os voos da Chapi Air partem de Higuerote, que é uma cidade que fica cerca de 2:30h de carro de Caracas com o trânsito livre. É bem longe, mas é mais garantido (desde que vc já tenha a garantia de passagem, como quando o Miguel comprou pra gente. Dependendo da época do ano, não há passagens, pois os voos lotam e esgotam). A empresa não vende passagens pela internet e custa cerca de 120 dolares, mais imposto (só pode ser pago em Bsf). O avião é um teco-teco de 8 a 20 lugares.

 

Fechamos com o Miguel a passagem para Los Roques com a Chapi Air (170Usd cada), a pernoite no Hotel em Maiquetia (Bsf 2.300 o casal), o translado ida e volta Caracas-Higuerote (90Usd cada), a Pousada Gremary em Los Roques com pensão média (35Usd cada a diária). Pegamos 7 diárias em LR. Trocamos ainda 100 dólares com o Miguel com o câmbio para 100, dando 10.000Bsf.

 

O volume de dinheiro é muito grande, então não adianta trocar muito dinheiro. Além de não saber onde por, o risco é maior de ser roubado. Além do mais, o limite de trânsito de dinheiro não declarado é o equivalente a 10.000Usd. Se a polícia te pegar com o dinheiro, além do crime de trocar dinheiro no câmbio negro, dependendo da quantidade de bolívar que trocar pode ultrapassar os 10 mil dólares (já que câmbio oficial é MUITO menor do que o câmbio negro). Ou ser roubado pela própria polícia, pois mais corruptos do que eles não há.

 

Los Roques é um conjunto de ilhas e quando o teco-teco começa a chegar perto, a imagem é absurdamente espetacular. Indescritível.

 

A Pousada Gremary (que fica bem na praça) é simples, mas tem uma boa infraestrutura. Os funcionários são muito simpáticos e a comida é muito boa. Parece que nenhuma pousada tem chuveiro quente (por mais luxuosa que seja, pois a ilha é movida a geradores. A energia cai toda hora e creio que se tivesse chuveiro elétrico, seria muito pior). A água também é escassa. A única coisa que é importante ter na sua pousada é: café da manhã e janta, wifi, uma cama confortável e, especialmente, ar condicionado no quarto. De resto, vc ficará na praia em outras ilhas o dia inteiro. Nas ilhas não tem nada pra comprar, salvo raras exceções em algumas ilhas. Então o lance é levar caixas térmicas (Cavas) com gelo e sua comida. As pousadas que oferecem pensão completa incluem esse serviço. Eles preparam a cava pra vc.

 

Nós optamos por pensão média, que incluía apenas o café da manhã e a janta. A cava nós mesmos montávamos. O Gregório (dono ou filho do dono da Pousada) nos emprestava uma cava. Nela levávamos água 2L, suco 1L, cerveja 6 latas, sanduíches da padaria, além do gelo e um biscoito doce na mochila. Pra gente era mais do que suficiente para um dia inteiro de praia. Essa nossa compra pra cava ficava em média uns 300 a 500Bsf por dia (que no câmbio a 145, dá cerca de 2 a 4usd). Financeiramente vale muito mais a pena comprar e montar sua própria cava. Se a pousada montar a cava pra vc no esquema de pensão completa, vc terá ainda mais conforto pela facilidade e praticidade, e maior variedade de comidas (macarrão, outros sanduíches, mini-saladas...), mas tbm pagará por isso.

 

Padaria, loja de gelo, cerveja e padaria são bem pertos uns dos outros. Pousada vc encontra de tudo que é jeito. Tem umas muito luxuosas de até 185usd a diária por pessoa. A maioria gira em torno de 85usd/pessoa/diária. Mas existem algumas mais simples, como a que ficamos ou outras mais simples ainda. Pagamos o valor de 35Usd a diária por pessoa pq fechamos com o Miguel e na alta temporada. Se conseguissemos fechar lá sairia bem mais barato, mas arriscaríamos não conseguir vagas. Na baixa temporada, ouvi falar de pousadas de até 10Usd a diária. Não sei quais são elas. E creio que a baixa temporada seja igual no Brasil: longe de feriados e férias escolares.

 

O que fazer em Los Roques? Cada dia ir em uma Ilha diferente. Cada uma tem suas características. Unanimidade é que a Cayo de água é a mais bonita. De fato. Fomos nela 2 vezes: no primeiro e no último dia.

 

Uma semana é tempo mais do que suficiente para conhecer as principais ilhas, onde existem barcos que vão para elas todos os dias (ou seja, as mais comerciais). Mas existem muitas outras ilhas não tão comerciais, mas que valem a pena demais serem visitadas. Mas conseguir barcos pra elas não é tão fácil. Os barcos geralmente são acertados pelas próprias pousadas. No nosso caso, conversávamos com o Gregório sobre qual passeio estava disponível para o dia ou falávamos qual ilha gostaríamos de ir. Ele por telefone logo arranjava o barco. O barqueiro nos buscava na pousada ou, geralmente, íamos até o píer e procurávamos algum responsável que já estava nos aguardando.

 

Tem 2 empresas de mergulho com cilindro. Se tem interesse em fazer, já procure elas logo quando chegar para ver a disponibilidade de passeios e fazer sua reserva. Não conseguimos e não tenho os nomes/contatos.

 

Fomos às ilhas Cayo de agua, Augustin, Carenero, Sarqui, Madresqui, Francisqui, Crasqui, Noronsqui, Espenqui, além da base Gran Roque. Dentre elas, Augustin é a única não comercial que conseguimos (ela é vazia. Só tinha eu e o Felipe e mais um casal da Aústria). Dizem que Boca de Sebastopol é incrível pra mergulho e snorkel, mas é menos comercial ainda, então não conseguimos. As que eu mais gostei foram Cayo de agua, Carenero e Augustin.

 

Levem máscara e snorkel. O aluguel é até barato, mas é muito mais prático e higiênico ter seu próprio equipamento. Vc os usará todos os dias.

Na farmácia havia acabado o repelente e havia pouco protetor solar. Há muitos pernilongos em Gran Roque. Então não se esqueça! É prudente levar remédios tbm. Não esqueça também os adaptadores para tomadas.

 

Se vc for na data de alguma festa grande, como no nosso caso o Natal, deixe para ir nas ilhas mais próximas no dia seguinte. Os barqueiros saem mais tarde pq enchem a cara com vontade. Mas foi bem interessante passar o Natal na ilha! Parece que a população é muito católica. Eles entupiram a igreja e todo mundo começou a cantar músicas ao redor do presépio bem ao estilo caribenho! Todo mundo empolgado, batendo palma, celebrando! Depois eles ligaram algumas caixas de som na praça e todos começaram a dançar músicas que fazem sucesso por lá. Até Show da Xuxa em espanhol rolou! Foi uma interação bonita de se ver! Pessoas de todas as partes do mundo dançando, sorrindo e divertindo juntas! :D

 

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A VENEZUELA – Um país em grave crise

 

Quando estávamos planejando a viagem e conversando com colegas de trabalho venezuelanos ou trocando informações com quem já foi, ficamos cientes do risco que estaríamos. Mas só chegando lá pra ver que o buraco é muito, mas MUITO mais embaixo do que imaginávamos.

Falar e conhecer um pouco sobre a crise política, econômica e social sobre a Venezuela é importante pra entender um pouco sobre as dificuldades que vc encontrará. Sempre viajei no estilo mochilão, sozinha ou não. E lá, pelo menos atualmente e vem piorando ao longo dos anos, é muito perigoso ir sem ajuda de agentes ou empresas de turismo.

 

Esse artigo eu li depois que voltei de lá e gostei muito dele pois retrata bem o que presenciamos por lá. Vale a pena ler: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2006

 

Também é interessante ler sobre a crise de produtos básicos. Já existem várias reportagens sobre esse tema. Dê uma procurada. Complementando as informações das reportagens com informações que obtivemos em conversas com vários nativos (ricos, classe média, pobres e índios), o cenário na Venezuela é muito triste e muito assustador.

 

A maior parte da população do país está concentrada na capital Caracas. E a maioria da população em todo o país ganha uma bolsa do governo (tipo a Bolsa Família). Acontece que lá já é nitidamente instalado uma coisa que vejo perigosamente aumentando no Brasil com pessoas que recebem esse tipo bolsa (e por favor não quero discutir sobre opiniões de programas e governos no Brasil): a acomodação.

 

O discurso geral das pessoas que conversamos (e não foram poucas!) é que as pessoas não querem trabalhar. Como ganham muitas coisas do governo, o dinheiro que recebem é relativamente suficiente para garantir a sobrevivência e não possuem a ambição de melhorar de vida. Resultado: as favelas e a violência geral aumentam muito.

 

Caracas tem muuuuitas favelas e gigantescas. Muitas possuem sistemas de milícias como no RJ. Andar em Caracas é muito perigoso, inclusive o aeroporto (que é bem menos, mas ainda assim tem que ficar muito esperto). Com essa coisa de tornar o país socialista, além de baixos preços do petróleo e inflação descontrolada, não existe dólares circulando no país. Assim, os turistas tornam-se o alvo preferido: primeiro pq tem dólar, segundo pq tem dólar em espécie (afinal não compensa levar cartão de crédito e pagar no câmbio oficial).

 

Casos de roubo, sequestro, estupro e até morte de turistas estão se tornando quase que diários, especialmente em Caracas. Muitos desses casos estão associados com pessoas turistando nos arredores de hotéis em que estão hospedados ou com táxis clandestinos em que fazem o assalto ou pré-combinam com os bandidos para simular assaltos. Então só pegue taxi do guiche oficial DENTRO do aeroporto.

 

E sei que vai ter gente que vai falar: “ah, mas qualquer centro urbano tem que ficar esperto”. Claro, mas tenha claro em mente que mesmo que não aja de maneira pra levantar suspeitas, certamente estará estampado na sua testa: sou turista. A violência não é uma violência de “dar bobeira” ou “pagar de turista”. Nós tivemos que refazer nossos planos de viagem lá por conta do risco. Não há dinheiro circulando no país e os turistas estão muito visados mesmo por causa de dólares. Los Roques, Canaima e Monte Roraima são seguros, qualquer outro lugar não. Logo quando voltamos de LR passou no noticiário que teve um arrastão em uma praia bem famosa na parte continental de mais ou menos uns 15 bandidos FORTEMENTE ARMADOS e roubaram cerca de 300 turistas, nativos ou não. Na semana anterior houve morte de turistas em que um taxista não oficial, além roubar, matou os caras. Ficamos sabendo de pelo menos uns 3 casos em que pessoas perderam tudo... enfim, a violência é grande e arma de fogo é encontrada em qualquer esquina.

 

Inclusive diferentes pessoas nos contaram que o próprio governo fornece armas para os traficantes para que eles instalem o medo na população de irem às ruas manifestarem contra o governo. E atualmente o presidente Maduro liberou o uso da força aramada pela polícia para conter a onda de manifestações. Praticamente todos estão insatisfeitos com o governo. A polícia e principalmente o exército, especialmente nas fronteiras, são comprados com o fornecimento gratuito e em grandes quantidades de gasolina (mesmo que a gasolina seja absurdamente barata – Aproximadamente R$1,00 enche um tanque de 40L de gasolina). Como ganham MUITO, MAS MUITO dinheiro com a venda de gasolina, é interessante para eles que o governo se mantenha no poder. Da mesma forma, quando começam ocorrer manifestações, os bandidos matam alguns civis para controlar a massa pelo medo, garantem o governo no poder, que por sua vez garante o fornecimento de armas, dinheiro e o não envolvimento da atuação da polícia. A polícia ganha com a extorção e propinas.

 

A polícia é muito corrupta, os pedidos de propina são na cara dura, o ar de superioridade é gigante (e eles conseguem tudo o que querem) e são bem sem eduação ou com mínimo de paciência para ajudar. Tudo lá é na base da propina. As rodoviárias e, principalmente os aeroportos possuem um sistema de corrupção CABULOSO. E apesar de não termos pagado nenhuma propina, vivenciamos diretamente isso e quase arruinou nossa viagem.

Há cartazes, pinturas, outdoor em TODO o país e em TODOS os lugares quase TODO o tempo com as imagens do Chaves e do Maduro (atual presidente), com frases sobre o socialismo, sobre o presidente e o quanto o governo “defende o povo”. Enquanto muitos estão na miséria e/ou enfrentando escassez de alimentos e dificuldades econômicas, os governantes e agentes do governo estão nadando no dinheiro. A presença e frequência de propagandas sobre o Maduro e o Chaves é tão grande que eu tive a sensação de regime autoritários, como na Coréia do Norte.

 

As estradas apesar de serem largas e o asfalto ser relativamente bom, não são bem sinalizadas e não se deve viajar a noite. Segundo relatos de nativos, bandidos costumam jogar objetos na pista para te obrigar a parar e eles realizam o assalto. Em Caracas, algumas saídas para as estradas são bem confusas e sem sinalização adequada. Então se for de carro, estude bastante o mapa e use um GPS.

 

Pra se ter uma ideia da crescente violência no país, até 2013 o governo exigia que o turista tivesse seguro de viagem com valor e coberturas mínimas para entrar na Venezuela. Apesar da violência só crescer, por questões jurídicas/diplomáticas, hoje o seguro de viagem não é mais exigido (confirmei essa informação em novembro de 2014 diretamente com o Consulado de São Paulo). Falando em documentos obrigatórios, o que eles exigem é o certificado internacional de vacinação contra a febre amarela. Acontece que NUNCA tem verificação/fiscalização, mas se vc der o azar de te pedirem e caso não tenha, terá problemas. Parece que essa obrigatoriedade ou não da vacina tem mudado muito ao longo do ano, ou os sites oficiais do Brasil e da Venezuela estão com informações divergentes, erradas ou atrasadas. Quando olhei no site da ANVISA em novembro de 2014, a vacina era exigida. Mas tem gente que afirma categoricamente que leu em fontes oficiais que não em outras épocas do ano. Na dúvida, vacine e tire o certificado. Vc só tem a ganhar: é rápido, de graça, vale pelo tempo da vacina (10 anos), alguns outros países exigem e verificam e tanto o Brasil, qto a Venezuela são países endêmicos. Essa região Norte da América do Sul então é uma área de grande risco.

 

Nosso plano inicial era sair de LR, alugar um carro e ir para a região do Parque Morrocoy, nas cidades de Chichiriviche e Tucacas. Apesar nem chegarmos a olhar carro para alugar, todos nos falaram que não conseguiríamos. Inclusive o Miguel antes mesmo de irmos pra Venezuela nos alertou sobre a falta de carros para alugar. O que acontece: comprar um carro novo hj na Venezuela é absurdamente caro. Muito mais do que no Brasil. Com a falta de dinheiro circulando e a proibição da instalação de algumas montadoras (principalmente norte americanas), não há a fabricação de carros no país. Tanto que as concessionárias não possuem nenhum carro na exposição. São comercializados poucos carros por mês, eles já têm destino certo e a venda, é claro, na base da propina. O valor da nota fiscal não é o valor real pago. Não sei valores exatos, mas vou citar um exemplo que nos foi dado. Imagine que a nota fiscal da venda do carro foi 300Usd, mas na verdade para comprá-lo vc pagou 1.500Usd. Carros novos e populares lá giram em torno de 30.000Usd. Resultado: além difícil comprar pela baixa disponibilizade, é absurdamente caro. A consequência é que as empresas de aluguel de carro não conseguem comprar carros novos para alugar e ninguém quer (ou creio eu, que eles mesmo nao alugam por conta do risco de acidentes) carros velhos. A quantidade de carros MUITO VELHOS é muito grande em todo país. Tem carro que vc não acredita ao ver que anda ou que pessoas têm coragem de viajar com aquilo. E se ele consumir muita gasolina não tem problema pq é um produto muito barato, então tbm o pessoal não tem interesse em trocar, aliado principalmente ao fato de ser muito caro. Peças para manutenção é muito caro e muito difícil de ser encontrado, já que todas têm que ser importadas. Assim, o roubo de carros para desmache e revenda de peças parece ser comum.

 

Dentre todos os absurdos que vemos e escutamos, o que mais tivemos contato foi com problemas em rodoviárias e aeroportos.

 

Há mais de uma rodoviária em Caracas: as privadas e uma pública. Todas são bem bagunçadas, mas a pública, claro, é a mais de todas. As rodoviárias privadas é como se uma ou poucas empresas se juntassem e abrissem uma rodoviária própria. Perrengues que passamos por lá com rodoviária foi quando queríamos ir a Puerto Ordaz. Nenhuma empresa, pelo que parece, vende passagem pela internet. Vc só compra diretamente no guichê. E detalhe: vc só compra pro dia. Não sei se o ano inteiro é assim, mas como fomos na época de festas de final de ano e a demanda é maior, eles não vendem passagem com antecedência para outros dias. Resultado: se vc quiser viajar, tem ir que ir pra fila cedo, mas muito cedo. Tipo, se há um ônibus saindo às 20h, vc tem que chegar na fila da rodoviária lá pela 4 – 6 horas da manhã e ainda assim não é garantia.

 

No aeroporto acho que é mais absurdo ainda. A maioria das empresas também só vendem passagens no guichê e as grandes cias, como Tam e Copa Airlines, só vendem em dólar por causa da inflação. Se você quiser comprar uma passagem pro mesmo dia ou para dias próximos, MESMO QUE HAJA VAGA nos voos, eles só vendem a passagem com propina. Isso vale para as grandes cias tbm caso vc compre no guichê.

 

Se vc conseguiu comprar a passagem, está com o boleto na mão e chegou dentro do horário, eles falam pra vc que chegou atrasado e que perdeu o voo. Mas se vc pagar propina, eles te embarcam e utilizam os boletos das pessoas “que perderam o voo”. Assim, para garantir seu boleto aéreo, voos nacionais ou internacionais vc tem que chegar com pelo menos horas de antecedência para embarcar tranquilamente. Esse esquema rola em TODOS os aeroportos. E a polícia não faz nada pq está dentro do esquema tbm. É absurdo e inconcebível. Não sei como as cias aéreas reagem a isso, acho que nada, afinal elas estão ganhando o dinheiro da venda normal das passagens do mesmo jeito, independente de propina que o pessoal do guichê cobra.

Vivenciamos isso. Quando voltamos de LR, dia 28/12, nosso objetivo era alugar um carro e ir pra Morrocoy. Mas mudamos de planos por conta do risco da violência lá e nas estradas, da dificuldade para o aluguel do carro e, apesar da beleza, quando comparado com LR, as praias e passeios seriam menos interessantes. Assim, optamos adiantar o nosso voo para Puerto Ordaz e ir para o Parque Canaima/Salto Angel. O Miguel havia conseguido com muita dificuldade um voo para Puerto Ordaz para o dia 01/01. Quando ele nos pegou no aeroporto em Higuerote voltando de LR conversamos com ele sobre nossa vontade de mudar os planos. Ele foi conosco até o aeroporto em Maiquetia (que é onde fica o aeroporto de Caracas). Esperamos durante umas 4 a 5 horas e não conseguimos adiantar o voo. Até conseguimos uma vaga, mas precisávamos de duas. O Miguel trabalhou muitos anos dentro do aeroporto, então tem alguns contatos lá dentro para facilitar e agilizar os processos.

 

Fechamos com ele um pacote em que o voo de Puerto Ordaz para Canaima saía no dia 29/01. Então obrigatoriamente deveríamos estar lá. Como não conseguimos adiantar o voo, tentamos conseguir vagas em ônibus nas rodoviárias para Puerto Ordaz, mas como chegamos mais de 20h, não conseguimos vagas para os ônibus que saíam às 22h (Caracas a Puerto Ordaz é umas 8 a 10 horas de viagem de busão).

 

O Miguel sugeriu então que tentássemos novamente no aerporto no dia 29/01 o primeiro voo, às 07:30h, nos arranjou um hotel de última hora e nos buscou às 4h da manhã para voltar ao aeroporto. Mesmo com os boletos na mão, pediram propina a ele para nos colocar no voo (que tinha várias vagas disponíveis) e ele recusou. Por sorte, chegou uma conhecida dele para atender, ele furou fila e foi até ela. Ela pediu pra esperar e se sobrasse vaga, nos encaixaria sem problema (primeiro eles vendiam o máximo de boletos dos desavisados que “perderam o voo”, se não vendessem tudo, eles encaixavam de última hora as pessoas que estavam na fila de espera tentando adiantar o voo – e não eram poucas).

 

Faltando 15 minutos para o voo, conseguimos despachar nossa bagagem. Saímos correndo desesperados para o avião, mas no final deu tempo. Fomos praticamente os últimos a embarcar, o portão já estava fechando. Assim, conseguimos adiantar nosso voo e não pagamos propina. Mas foi muito por pouco que não conseguimos e unicamente por mérito do Miguel.

 

E por isso mais uma vez eu reafirmo que quem for hoje, conte com o serviço de um agente de turismo. Claro que recomendo o Miguel. Ele fez de tudo para nos embarcar, seja de ônibus ou avião, e hospedar. Rodou de carro conosco até de madrugada. Se não fosse por ele, ficaríamos presos em Caracas até dia 01/01 ou até depois. Descobrimos que nada, absolutamente NADA abre no feriado do dia 01/01. Então fica mais uma dica.

Não tem posto de gasolina aberto, mesmo que vc tenha uma passagem comprada de ônibus rodoviário pro dia primeiro, os motoristas não trabalham, algumas cias aéreas não trabalham, é muito difícil encontrar comida... o país simplesmente para.

 

Dependendo do hotel que for pegar, é ideal fazer a reserva dele antes para garantir seu café da manhã ou outra alimentação que esteja inclusa por causa da escassez de alguns alimentos e produtos base. Por exemplo em Santa Elena, ficamos em uma pousada por um dia após o retorno do Monte Roraima. Como não reservamos nada, simplesmente fomos lá procurar por vaga, a diária incluía café da manhã e janta, mas eles não nos disponibilizaram. Como não reservamos, eles não compraram comida suficiente para armazernar. A comida era diária e somente para aqueles que haviam reservado para o hotel se programar. Como não ficaríamos mais do que uma noite, não tinha pq eles comprarem pra gente.

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CANAIMA E SALTO ANGEL – A melhor mudança de roteiro da história!

 

Nunca tive dúvidas que o Parque Canaima e o Salto Angel eram lindos. Só nunca poderia imaginar o qual fodástico foi! Top!

Seguindo as orientações do Miguel, que fechou o nosso voo eo pacote para Canaima, ao desembarcar no aeroporto de Puerto Ordaz procuramos a empresa Transmandu, que fica dentro do próprio aeroporto. Eles já estavam nos aguardando e devido aos imprevistos de transporte Caracas-Puerto Ordaz, já estávamos em cima da hora do voo Puerto Ordaz-Canaima.

 

O voo foi em outro teco-teco, porém um pouco maior (até 20 pessoas). Em Canaima, bem ao lado da pista do aeroporto, fizemos o pagamento e registro para entrada no Parque (200Bsf) e todos os turistas ficam concentrados em uma área esperando seus guias ou responsáveis chegarem com as caminhonetes para nos levar ao acampamento. Nesse lugar existem alguns artesanatos indígenas para venda e uma mini-lanchonete, que tinha uns refrigerantes e poucos salgados à venda.

 

A comunidade indígena é super organizada, bem como os alojamentos. Nos surpreendeu demais, pois nem sabíamos que teríamos isso. Acreditamos que íamos dormir em barracas.

 

Existem acampamentos bem luxuosos e acampamentos mais simples, como o Kavac, que é onde ficamos. O quarto era ótimo, limpo e super espaçoso. Só um pouco quente, pois não tinha ventilador, muito menos ar condicionado (quem tem isso é só acampamentos luxuosos). Mas durante a única noite que dormimos lá não nos atrapalhou em nada. Felipe e eu ficamos em um quarto sozinhos com cama de casal e uma cama de solteiro. O chuveiro é água fria.

 

 

Os cafés da manhã, almoço e janta estão incluídos no pacote. Chegamos no Parque mais ou menos na hora do almoço. Deixamos as coisas no quarto, almoçamos e saímos para os passeios no parque com o nosso grupo e o nosso guia, o Francesco. Ele é um índio local muito gente boa, mas mora e trabalha já há algum tempo em Puerto Ordaz. Quando ele entra de férias lá, viaja para Canaima para visitar sua comunidade e trabalhar como guia.

Nosso grupo era formado por 14 pessoas: uma família da Venezuela, mas que vive na Colômbia, uma Venezuelana, e um grupo de amigos que está viajando toda a América do Sul de carro há 6 meses. Esse grupo era misto, como homens e mulheres da Inglaterra, EUA, Nova Zelândia e Austrália.

Se quiser interagir com o povo, treine o inglês. A maioria esmagadora dos turistas que vão à Canaima são estrangeiros que falam inglês. O que menos se escuta por lá é o espanhol. Isso vale um pouco pro Monte Roraima também.

 

O passeio a tarde no parque inclui um passeio de canoa motorizada na Lagoa Canaima e algumas cachoeiras que desembocam na lagoa. São fantásticas! Algumas vc pode passar atrás da queda. Molha muito, então tem que proteger os equipamentos eletrônicos. A noite jantamos e dormimos no alojamento. No dia seguinte a saída para o Salto Angel é bem cedo. Vc toma café da manhã, arruma suas coisas para o Salto, guarda o resto da sua mala em uma sala especial (tem que desocupar o alojamento) e sai por volta das 07:30h.

 

Pega a canoa motorizada sobe o rio por cerca de 30 minutos, anda outros 30 min, pega novamente a canoa em outro ponto e encara mais umas 4 a 5 horas dentro dela. Na hora do almoço há uma parada de uns 20 min para comer e segue-se a viagem.

 

O rio tem muitas pedras, partes bem rasas que geram fortes corredeiras. Vc acha que a canoa não vai dar conta de subir, mas sobe! Jatos e banhos de água bem gelada na cara e no corpo são recorrentes. Então tem que proteger os esquipamentos eletrônicos e bolsas com roupas que serão usadas para pernoitar no redário.

 

O caminho é top! Paisagem maravilhosa! Os tepuys (que são as montanhas em forma de mesa) são absurdamente impressionantes!

Depois de quase 5 horas de barco, fazemos uma caminhada na mata amazônica fechada por quase 1:30h. A última meia hora é bem puxada, pois é só subida entre pedras e raízes e vc chega ao mirante do Salto Angel. Não existem palavras que descrevam aquela cachoeira! MA-RA-VI-LHO-SA!!!! Valeu todos os perrengues e cansaço de rodoviária/aeroporto que passamos em Caracas. Ficamos no mirante por uns 20 minutos admirando aquela belezura e depois fomos nadar em um poço acessível dela. A caminhada é mais uns 10 minutos e ficamos nadando por uns 30 minutos. A água é bem gelada, mas dá pra aguentar de boa.

 

Retornamos até o ponto de partida da caminhada (mais 1:30h), atravessamos o rio de canoa e fomos para o segundo alojamento, que era um redário. O que levar: repelente e protetor solar são indispensáveis para todo o caminho, roupa limpa, seca e quente para dormir. Há chuveiro para tomar banho, claro que com água muito gelada.

 

O redário da Kavac fica apenas sob um teto bem no meio da mata. Não tem paredes, então a noite pode fazer bastante frio, ainda mais se chover. Demos o azar de ter uma chuva bem forte a noite, o que fez muito frio durante a madrugada. Quase ninguém dormiu direito. Eles dão uma cobertinha para cada rede, mas pode não ser o suficiente. Se vc é friorento que nem eu, leve roupas boas para frio. Ninguém tinha termômetro para medir, mas certamente devia estar uns 18ºC. E cuidado com a sua coberta! Já li relatos nos mochileiros que alguns espertalhões pegam sua coberta quando vc não está por perto e ninguém está vendo!

 

De manhã, tomamos café e a saída foi às 7h. Por conta do horário, a água é mais gelada ainda. Então os jatos de água na cara ocasionais são de tirar o fôlego! Pegamos a canoa, descemos 3:30h de barco (pra descer todo santo ajuda!), 30 minutos de caminhada, mais uns 30 minutos de canoa de novo. Até que o caminhão chegou para nos buscar, era por volta de 10:30h e o nosso voo de volta a Puerto Ordaz era às 11h. Foi a conta de buscar o restante das bagagens e ir pro aeroporto na entrada do parque. Ainda tentamos adiar o nosso voo de novo pra passar o reveillon no parque, mas nao conseguimos. Além de não ter voos operando no dia 01/01, todos os voos são lotados. O fluxo do turismo lá é ENORME.

 

Para mais detalhes sobre os passeios no Parque Canaima e Salto Angel, vc pode ler tbm o relato da mochileira Vanilsa Potira (viagem-ao-salto-angel-e-outras-maravilhas-do-parque-nacional-canaima-t98901.html). Ficou bem legal o relato dela!

 

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MONTE RORAIMA – A saga:

 

Chegamos em Puerto Ordaz vindo de Canaima por volta de meio dia do dia 31/12. Praticamente tudo já estava fechado por conta do ano novo. Começamos a pedir informações sobre como ir para Santa Elena no dia 01/01. Todos que conversamos foram unânimes em dizer que não conseguiríamos passagens (aérea ou terrestre), pois mesmo que conseguíssemos os pilotos/motoristas não trabalham (mesmo que a passagem seja para o dia). O mais indicado seria fretar um táxi particular. Começamos a sondar e pesquisar preços.

 

Uma das pessoas que pedimos informação, coincidentemente, foi um brasileiro cearense e que mora na Venezuela desde criança. Ele é agente de turismo tbm e estava resolvendo um problema de um Chinês que perdeu o voo pra canaima, por isso não tinha ido embora ainda. O cara chama Álvaro (@Canaima3D2N) e vendo a nossa dificuldade de encontrar transporte e querendo ganhar um dinheirinho, nos ofereceu o transporte. Ele ia para Santa Elena de qualquer jeito, porém só no 05/01. E nós queríamos estar começar a subida no dia 02 ou no máximo dia 03/01. Ele conversou com a esposa (que estava no aeroporto esperando ele terminar de resolver com o chinês – que não falava inglês, muito menos espanhol!) e nos propôs de ir com eles. Ele nos levaria até um bom hotel em Puerto Ordaz (onde passamos o reveillon bebendo e ceiando com 2 hóspedes e 1 recepcionista! kkkk). Também nos encaixou em um grupo do roteiro de 6 dias/5 noite da Backpackers com tudo incluso (a mais famosa e recomendada empresa aqui no fórum). Pagamos um pouco mais caro, mas o custo benefício foi muito bom. Nos sentimos seguros com ele, não ficamos presos em Puerto Ordaz por falta de transporte no dia 01/01, tivemos uma boa cia e boas dicas durante as 8h de viagem de carro e garantimos a nossa subida para o Monte Roraima. Queríamos o pacote de 8 dias, mas obrigatoriamente deveríamos estar no aeroporto em Boa Vista no dia 10 a noite e os pacotes de 7 e 8 dias tinham saídas em dias que não nos atendia.

 

A estrada passa por dentro da Gran Sabana, outro parque nacional no qual o Monte Roraima está incluído. O parque é gigantesco e realmente é uma grande savana. Bem plana, muito quente, formado basicamente por mato seco, de pequeno a médio porte e alguns locais com cachoeiras. Ao longo do caminho e bem de longe vc visualiza os tepuys, inclusive o tepuy do Monte Roraima (E é emocionante!). Por lá é muito comum o passeio em grandes caravana e campings. E é muito cheio. Gasolina na Gran Sabana é um problema. Não há postos de gasolina e o caminho é muito longo. Então é comum ver os carros carregando galões e mais galões de gasolina na caçamba ou no teto dos carros e caminhonetes. Além disso, como no dia 01/01 nada funciona, a grande maioria dos postos de combustíveis estavam fechados. Antes de entrar na Gran Sabana, a cada cidade tínhamos que abastecer sempre que possível, nem que fosse 1 Litro para garantir. E depois da Gran Sabana tivemos que torcer para achar um posto aberto. Acabou dando tudo certo, mas tivemos que economizar, como por exemplo, não usando o ar condicionado (mas o carro do Álvaro bebia muito tbm).

Santa Elena de Uairén é a cidade que faz fronteira com o Brasil e cidade base das saídas das excurções para o Monte. A cidade é um lixo e, com a alta temporada, as hospedagens ficam bem cheias. A maioria dos hoteis são muito ruins, sujos, sem wifi, café da manhã e água quente. Custamos a arranjar um com wifi e, que por sorte, tinha água quente (bem meia boca, mas tinha): Hotel La Abuela. Fica na rua da Backpackers, uns 4 querteirões de lá. Não é um bom hotel, mas deu pra dormir e, dentre os que tinham vaga, era o melhor. Essa rua parece que é onde a maioria das empresas que oferecem pacotes para o Monte Roraima ficam.

 

Nas ruas de Santa Elena há vários cambistas para trocar dinheiro. Devido à alta temporada, eles estavam metendo a mão. Então se tiver a opção de trocar em outro lugar, talvez seja melhor. Em novembro, o câmbio estava R$1,00 para 50 ou 60 Bsf, e Usd1,00 para 150Bsf. Mas no período em que chagamos (primeira semana de janeiro), eles estavam trocando R$1,00 para 30Bsf e Usd1,00 para 100 ou 110 Bsf. Isso para notas altas e quantidades mais altas. Se fosse nota pequena ou valor pequeno (precisávamos trocar só 20 dólares), o câmbio diminuia mais ainda. Tipo, 1Usd para Bsf70,00.

Na manhã do dia 02/02, às 07h fomos para a Backpakers. Contratamos o serviço de um porteador para levar uma mochila, que coube as coisas de nós dois. Eles cobram cerca de R$300,00 por bagagem de até 15Kg. Como montamos uma mochila apenas para nós dois, pagamos apenas um porteador e rachamos o valor. No nosso pacote estava incluído o guia, café da manhã, almoço e janta e a barraca. Isolante e saco de dormir, vc leva o seu. Mas se não tiver, vc pode alugar com eles.

 

O porteador não leva a sua mochila. Vc coloca tudo em um saco plástico e ele leva esse saco junto com várias outras coisas que serão utilizadas, como barracas e comidas. Os caras carregam uns 30Kg ou mais! São alieníginas! Tenho certeza! Pq não tem condição a força e disposição que os caras têm. Inclusive tem muita mulher carregadora tbm. Uma coisa é certa: vale a pena demais pagar um porteador. A caminhada exige um esforço físico monumental e vc verá que R$300 é muito barato pelo serviço.

 

Não generalizando a empresa, mas 2 coisas que não gostei na Backpackers:

 

1 – Quando chegamos e fomos sair da Backpackers, o guia não foi apresentado/se apresentou e obtivemos poucas informações gerais, por exemplo, de como seriam as caminhadas, pq a saída estava atrasada e o caminho de carro até o ponto de partida da caminhada. O nosso guia, o Júnior, era até bonzinho, mas não dava muita informação ou explicação sobre o Monte. Durante as jantas que ele falava um pouco conosco e comunicava qual seria o horário de saída no dia seguinte. Uma boa coisa foi que ele pedia pra gente andar rápido, mas não botava pressão psicológica em ninguém. Pelo contrário, era paciente e e se preocupava com a nossa segurança, parando as vezes pelo caminho para o grupo se reunir um pouco e ninguém se perder em áreas mais complicadas (na nossa primeira noite no topo, uma mulher chegou DESESPERADA de madrugada pedindo ajuda, quase com hipotermia, pois o seu guia além de tê-la deixado para trás, ficou a humilhando durante o caminho pq ela não tinha força para subir rápido. Não sei de qual empresa era, mas foi muito tenso :shock: ).

 

2- Com exceção de um dos motoristas que nos buscou quando retornamos do monte, os outros dois que pegamos eram absolutamente idiotas no trânsito. Acredito que a maioria dos motoristas das empresas por lá têm direção agressiva, mas os caras que pegamos estavam muito sem noção. Fazendo ultrapassagens em locais com pouca visibilidade, correndo DEMAIS, fazendo curvas fechadas em altíssima velocidade, freiando de uma vez e em cima da hora, tirando fininho dos carros... E vc anda tipo em uma caçamba (não sei o nome) de caminhonetes/jipes. Não tem como segurar direito, todo mundo cai em cima um do outro. Péssimo. De asfalto andamos por quase 1hora, mais a estrada de chão (que tem muita erosão e buracos enormes) por uns 40 minutos. Vc sai de dentro do carro com o corpo todo doído.

 

Lá em cima é MUITO fácil perder do grupo. Então não recomendo ir sem guias. O parque informa que não pode subir sem guia, mas sempre tem alguns que fazem isso. Além da facilidade de perder, é muito fácil se machucar (e feio) escorregando em pedras (algumas são muito escorregadias) e o tempo lá em cima é muito instável quando há nuvens. Está tudo claro e quente, a nuvem pode chegar de repente, começar a fazer muito frio, chover e ventar muito. A experiência dos guias fazem toda a diferença, além disso eles possuem rádios para a comunicação com a base ou outros grupos para qualquer problema.

 

Nosso grupo era formado por 8 pessoas: um coreano do sul, um belga, um inglês que vive na Austrália, um colombiano que vive na Venezuela, dois venezuelanos e nós brasileiros. Além do guia, a sua namorada e os ajudantes e carregadores, eram todos índios da região.

 

A primeira coisa a se falar do Monte Roraima é: NÃO É FÁCIL. É EXTREMAMENTE DIFÍCIL. Eu estou muito acostumada com trekkings longos e foi a caminhada mais difícil que já fiz. Então esteja preparado fisicamente e emocionalmente. Se vc tem problemas de joelhos e coluna pense muito bem. Existem pacotes que o helicóptero te deixa lá em cima e busca, ou só te deixa e vc desce caminhando (apesar da descida ter sido muito pior na minha opinião). Mas prepare a grana preta!!! Não tenho ideia de quanto deve custar esses passeios, mas para comparação, o resgate de feridos é feito de helicóptero e a hora de voo é 2.500 dólares! \0/

 

A dica então é: ande com cuidado e atenção! Não se machuque!

 

Outra coisa, leve repelente e antialérgico. Lá tem uns mosquitinhos hematófagos MUITO chatos, vorazes e que a picada dói. Vi várias pessoas com alergia dele, coçando muito e bem empoladas. O calor é infernal, mas é aconselhável ir de calça. Alguns dias caminhei de bermuda e mesmo passando muito repelente, fiquei com as pernas completamente picadas.

 

Outra coisa: água para beber somente dos rios, banho tbm (e a água é estupidamente gelada). O xixi é feito no mato e o nº 2 tbm. Porém, as fezes devem ser feitas em um saco plástico para serem recolhidas e levada embora, afinal lá é uma área de conservação. No nosso caso, os guias montavam uma tenda com um banquinho como se fosse um assento sanitário em que vc encaixava a sacola. Terminado o serviço, vc jogava cal por cima, junto com o papel higiênico e deixava no canto da tenda. Um dos ajudantes reunia tudo e levava o nº 2 de todo o grupo! Algumas empresas/guias não fazem isso e vc mesmo que leva seu próprio saco. Ou algumas pessoas iam no mato mesmo deixava, literalmente, toda aquela merda lá. O resultado é que em vários locais existe fezes e papel higiênico sujos espalhados, atraindo muitas moscas e com um mau cheiro horrível. Então consciência galera! Se vc não quer carregar seu próprio cocozinho, seja responsável e contrate uma empresa que ofereça esse serviço.

 

A quantidade de lixo tbm espalhada é imensa. Durante a volta, vim recolhendo cada coisa que achei pelo caminho e enchi uma sacola. Todo turismo deve ser responsável, então não jogue nada, nem um palito, no chão ou no mato.

 

Durante a caminhada, cada dia tem suas dificuldades. A duração das caminhadas depende do ritmo que vai andar e do seu grupo. Nosso grupo andava muito rápido, os mais lentos eram eu e o Felipe, pois íamos com calma para não machucar e tirando fotos ao longo do caminho. Mas ainda assim, fizemos em um excelente tempo.

 

Não leve nada nas mãos, pois vc precisará delas livres em vários momentos, especialmente o 3º e 5º dia. Leve no máximo um bastão de trekking, mas apenas se tiver como guardá-lo nas costas em alguns momentos.

 

Leve meias extras para atravessar os rios, pois elas ajudam muito a não escorregar nas pedras.

 

Leve roupa de frio bem quente e adequada. Lá é MUITO, mas MUITO frio. Lá em cima, durante a noite acho que pegamos uns 5ºC, mas pode chegar a 0ºC. Nos acampamentos a temperatura deve girar em torno de uns 12-15ºC durante a noite.

 

1º dia: Sem sombra de dúvidas o primeiro é mais fácil. Fizemos em 4 horas de caminhada até o primeiro acampamento. A maior parte do caminho é plano ou com inclinações tranquilas. Que lembro, só no início que tem uma subida mais puxada.

 

2º dia: Para mim, foi o dia mais puxado da ida por conta do calor. Fizemos em 4h e meia de caminhada até o segundo acampamento. Há várias subidas bem inclinadas. O calor é de matar e coincidência ou não, os mosquitinhos hematófagos atacaram mais.

 

3º dia: A subida é muito, muito foda. Gastamos 3h e meia. Em alguns pontos, escalada, mas mesmo exigindo muito das pernas, achei mais tranquilo pq é mais fresco por causa das árvores e cachoeiras. Em alguns pontos será necessário capa de chuva pessoal e para a mochila. Deve-se tomar um cuidado gigante. Há muitas pedras soltas e precipícios. À medida que vc vai chegando no topo, já começa a ouvir os sapinhos pretos cantando (que é um sapinho endêmico de lá, isto é, o único lugar do mundo em que ele ocorre é lá em cima).

 

4º dia: Demos o azar de no nosso quarto dia uma grande nuvem ficar estacionada no topo o dia inteiro. Pegamos muita chuva e a paisagem só abriu um pouco quase 17h, quando parte do grupo subiu até no Maverick (que é o ponto mais alto). Ao longo do dia, fomos em algumas jacuzzis, vale dos cristais e la ventana (que obviamente não deu pra ver nada). Achamos vários sapinhos pretos lá em cima para a felicidade da bióloga aqui!! Por causa da nuvem, o tempo era muito instável. Começava a chover, ventar e fazer muito frio do nada. Então, leve uma blusinha de frio e capa de chuva para os passeios em uma mochila/sacola.

 

5º dia: Esse foi o dia mais extenuante para mim e para o Felipe. A exigência dos pés e das pernas foi absurda, além de ter que tomar muito mais cuidado do que na subida. Meus pés ficaram completamente tomados de bolhas de tanto “freiar o corpo”. O caminho de descida do 5º dia é a subida do 1º e 2º dia. Assim, vc sai do topo bem cedo, chega no segundo acampamento na hora do almoço, almoça rápido e continua a caminhada até o primeiro acampamento. Assim, foram quase 8h de caminhada. E realmente é preciso fazer 2 dias em 1, pq senão ninguém aguentaria descer em 3 dias por conta da dor no corpo. Ficamos realmente muito cansados e todos do grupo estavam com o corpo doendo demais. Durante a noite e a madrugada do 5º para o 6º dia, passei muito mal. Vomitei demais, muita dor abdominal e no corpo e cansaço absurdo. Foi realmente muito difícil.

 

6º dia: Equivale ao trecho do primeiro dia, ou seja, caminhada mais leve e 4 horas de duração. Mas como todo mundo estava com o corpo doendo tanto, a caminhada não foi tão fácil. O carro nos buscou mais ou menos na hora do almoço e na cidade comemos um frango assado muito gostoso.

Como estávamos muito cansados e eu passando muito mal ainda, resolvemos dormir em Santa Elena antes de ir para Boa Vista. Ficamos em uma pousada dos mesmos donos da Backpacker e ela era muito boa! Só não conseguimos café da manhã nela, pois chegamos de última hora e não tínhamos feito reserva com tempo hábil para eles comprarem alimentos (lembre que a Venezuela está com escassez de alimento e a comida é limitada).

 

Na manhã seguinte, tomamos um café em uma padaria e pegamos um táxi lotação até a fronteira. O taxista tentou nos cobrar bem mais caro do que o normal, mas recusamos e ele chegou a um preço razoável.

 

Na fronteira ficamos cerca de 1h e meia para carimbar a saída da Venezuela no passaporte. Existem duas filas: uma dentro do prédio para dar a entrada e saída somente de CARROS, e uma fila para entrada e saída de PESSOAS. Esta, fica fora do prédio e no sol, ao redor de uma espécie de trailer. Dali até a entrada no Brasil (Pacaraima) é 10 minutos a pé pela rodovia.

Chegando em Pacaraima, pegamos um táxi lotação para Boa Vista. A viagem demora cerca de 2:30h e não tem nada pelo caminho. O nosso taxista até chegou a parar em um lugar que tinha umas 3 lanchonetes/restaurante e banheiro. Mas é aquele comércio tipicamente de beira de estrada e praticamente só ele.

 

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BOA VISTA: a única capital do Brasil acima da linha do equador

 

Chegamos em Boa Vista no meio da tarde e fomos direto ao aeroporto para tentarmos adiantar o voo pela TAM, mas ficaria mais de mil reais de diferença para cada um. Assim, procuramos um hotel melhorzinho e fechamos 2 diárias e meia. O hotel (Uiramutan) tinha um ótimo café da manhã, ar condicionado, tv a cabo, piscina e banho quenteeeeeee!!!!! Para a nossa alegria! Além disso, super limpo e cama muito confortável. Além de um preço razoável entre os hotéis que cotamos e nos foram sugeridos.

 

Gostamos bastante de Boa Vista! Clima de tranquilidade e paz, pequena, pouco trânsito (óbvio que quando comparado com BH), lembra uma cidade do interior. Chega a noite muitas pessoas vão para a praça das águas brincar, dar uma volta ou ir para barzinhos. A cidade não tem muito ponto turísticos e a pé vc consegue com calma e em uma tarde conhecer todo o centro, principais monumentos e centro histórico. Mas prepara-se para o calor! É muito quente.

 

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Como estávamos absolutamente acabados fisicamente com o Monte Roraima, o hotel em Boa Vista foi nosso recarregador de baterias para ter pilha de viagem pro dia 11. Nosso voo foi às 03:30h, escala em Manaus, conexão em Guarulhos, pegamos um táxi e corremos pra Congonhas (o tempo tava muito curto pro ônibus da TAM, que só sai de 1 em 1 hora e tem fila quilométrica) e finalmente chegamos em BH, quase 15 horas depois.

 

Apesar de todos os problemas do país, principalmente sobre a corrupção nos aeroportos e a violência, recomendo demais a viagem para lá. Claro que auxiliado por um agente de viagens. Sairá mais caro? Óbvio, mas a vida e a segurança em primeiro lugar. Viagem é para se divertir e não criar mais problemas. Então planeje-se financeiramente para pagar um agente de turismo/empresa confiável.

 

A Venezuela tem belezas naturais únicas no mundo e devem, OBRIGATORIAMENTE, ser conhecidas! Tudo irá continuar lindo em outros locais, mas depois de conhecer LR, Canaima, Salto Angel e Monte Roraima, praias nunca mais serão as mesmas. As cachoeiras nunca mais serão as mesmas. As montanhas nunca mais serão as mesmas. Com tantas belezas naturais únicas no mundo, desafios incríveis e superação física e emocional... acredite meu amigo, vc também nunca mais será o mesmo! Vá! ::otemo::

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Parabéns pelo relato Érica Munhoz!!!

 

Irei para Los Roques no final de julho ficar 7 noites em uma viagem de lua de mel. Com certeza irei utilizar esse tópico para consultas.

Estou pesquisando bastante sobre o local também, vi em vários tópicos sobre o guia Jesus, ouviu falar algo dele?

Outra dúvida, e quanto aos frutos do mar? Comiam só nas jantas?

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Obrigada Lavor!

 

Esse Jesus é o Jimenez? Eu até vi o nome desse Jesus e de um José em alguns relatos aqui no fórum e no grupo de Los Roques do face. Além do Miguel, um sempre muito recomendado também é o Jimenez (que não lembro se o nome é José ou Jesus). Nós só não fechamos com ele (a diária de hospedagem com ele tava Usd 5,00 mais barata do que o Miguel) pq ele não vendiam os boletos aéreos e nos mandou procurar o Miguel. Assim, por uma questão de facilidade, fechamos tudo com o Miguel. Mas parece que esse Jesus é bem conhecido. Lá na pousada Gremary tinha um quadro ao lado da cozinha com o nome de alguns agentes (como o Miguel, José e Jesus) com informações sobre os hóspedes que eles enviaram. O nome de nenhum deles saía desse quadro. Sempre tinha algum hóspede enviado por algum deles. Então acho que deve ser um cara confiável tbm, mas não sei te dar maiores informações...

 

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Nas ilhas vc só como as coisas da cava, pois não comércios. Na ilha de Francisqui (se não me falha a memória) até tem um restaurante, mas nem chegamos a olhar. Mas bati uma foto do "cardápio":

 

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A comida nas pousadas é muito baseada em peixe ou ovo. Pelo menos na Gremary, diferentes peixes (ou diferentes formas de preparo) eram servidos todos os dias na janta. No café da manhã teve uma vez tbm. Saímos para comer lagosta somente 1 dia a noite em um restaurante italiano (e o mais romântico da ilha) que fica ao lado da igreja. Mas tem que reservar pelo menos com um dia de antecedência. No dia seguinte à lagosta voltamos ao mesmo barzinho para comer lula, mas como não havíamos reservado, além de não ter mesa disponível, a lula havia acabado. E justamente no dia em que fomos embora, a Gremary iria servir lula na janta. Mas dá uma olhada com a sua pousada se eles possuem um cardápio semanal e o que é servido.

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Parabens pelo relato Erica , eu e minha mulher acabamos de voltar da Venezuela totalmente desanimados com tudo que esta acontecendo por la em questao de governo , corrupçao , insegurança e medo , a parte boa fica ate de lado de tanta insegurança. Fomos de carro e entramos na venezuela por santa helena no dia 21 de janeiro e saimos dia 13 deste mes....fomos direto para puerto la cruz e fizemos o litoral inteiro ate guiria...passando por lugares lindos como parque nacional de mochima ,peninsula de araya e playa medina , na volta fomos para a isla de margarita , ilha totalmente comercial para brasileiros, o q nao curtimos, mas ja q estavamos la resolvemos ir.

Existem bases da guarda nacional a cada 1 kilometro na venezuela (modo de dizer) ... que sempre nos paravam pois nosso carro é brasileiro (puta encheçao de saco).

As filas pra entrar no posto de gasolina é ridicula e sao organizadas tbm pela guarda nacional , parece zona de guerra , filas kilometricas , triste de se ver ...assim como a farmacia , dia e noite com filas interminaveis em busca de coisas q eles nem sabem se tem.

Em 22 dias, fomos mira de olhares maldosos , foram raros o momento de tranquilidade.

Em isla margarita tudo mais caro por causa do turismo brasileiros, iamos ate Los Roques..mas nosso dinheiro acabou rapido em Isla margarita, pois so haviamos trocado 2 mil reais na fronteira (100 mil bolivares ). Ate na ilha anda tudo perigoso , fechei um carro sem querer e ele tentou me jogar pra fora da pista, nao feliz ele apontou uma arma pra mim, se eu nao tivesse freiado ele tinha atirado , concerteza.

Na volta para a gran sabana , fomos parados por uma base da guarda nacional , ja era rotina , porem desta vez eles vasculharam o carro inteiro ... e nos roubaram 4 mil bolivares , 50 reais , nosso gps, um carregador de iphone original e ainda tentou roubar nossos iphones..uma merda e um puta prejuizo !! Enfim ... estamos em boa vista dando um tempo da venezuela , pois iriamos fazer salto angel e monte roraima , mas estamos sem forças pra voltar la ... quinta estamos indo pra guiana conhecer o parque nacional e depois voltaremos com energias novas , para poder fazer monte roraima e salto angel.

Mas que fique a dica , a venezuela ta extremamente perigosa , mas pelos policiais do que pelas pessoas rs

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Oi Erica!!!!Legal seu passeio!!!!Tô louco para ir...Mas só para Salto Angel e o Monte Roraima.Será que pode me ajudar?Vou em julho e queria contratar todos os passeios lá...o que acha?É melhor pagar em real,dolar ou bolivar?Valeu!!!!

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    • Por murilocsanots
      Pessoal, em novembro vou subir o monte Roraima em uma trilha q dura 6 dias. gostaria de saber na opinião de vcs se eu realmente preciso investir tão alto numa North Face ou uma mochila da Quechua vai suprir minha necessidade com um mínimo de conforto?
      O que me assusta é q a diferença de preço entre elas é de R$770,00


    • Por Gedielson
      Resolvi fazer este relado de viagem principalmente pela pouca orientação que encontrei para fazer a expedição para o Monte Roraima.
      Tive dúvida do que levar, mas, principalmente do que NÃO levar. Incerteza com que guia contratar. Incerteza com comida e pouca orientação sobre preparo físico necessário.
       
      Espero com este relato suprir algumas dessas deficiências que outros aventureiros possam ter.
       
      1 – Diário de bordo
      2 – O que levei para o Monte Roraima
      3 – Como contratar um guia
      4 – O que comer e o que beber
      5 – Preparo físico necessário para subir o Monte Roraima
      6 – Despesas
      7 – Conclusão
       
       
      1 – Diário de Bordo
       
      DIA 1
       
      Saímos de Londrina, eu Ana e Maurício às 13:25.🛫 Chegamos em Congonhas com pouco menos de uma hora.
      O voo para Brasília saiu às 17h. Uma hora  e meia de viagem. 
      Chegando em Brasília tínhamos mais de 4 horas de espera até o voo para Boa Vista.
      Bom que deu tempo de conhecer o aeroporto, que é muito grande e bonito. Faz jus a capital do Brasil.
      Deu tempo de jantar (R$ 28,00) e até de comer uma sobremesa (R$ 36,00).
       
      De Brasília saímos às 22:45 e chegamos em Boa Vista a 1:20 (horário local, uma hora a menos do horário de Brasília).
       
      Em Boa Vista desembarcamos e pegamos um táxi (R$ 40,00) para o hotel (R$ 110,00).🛬
       
      No hotel chegamos umas 2h da manhã.
      O Hotel Magna era bem simples, mas suficiente.
      Tinha até condicionado, mas o chuveiro não tinha a opção de quente. Tudo bem que faz muito calor em Boa Vista, mas água fria e tenso. Depois ficamos sabendo que somente hotéis de luxo que tem chuveiro elétrico em Boa Vista
       
      Procuramos dormir logo pq as 6 da manhã o táxi já ia passar nos pegar.
       
       
      DIA 2
       
      Acordamos as 5:15 de uma noite não dormida muito bem.
      Pernilongos e poucas horas de sono.
       
      As 6h em ponto o táxi chegou.🚖
       
      Partimos em direção a Pacaraima. Um pouco mais de 2 horas de viagem. Com direito a uma parada para tomarmos um café da manhã no Quarto de Bode.🐐
       
      Chegando em Pacaraima o nosso guia Leopoldo já nos aguardava e a partir de então era com ele que a gente seguiria o restante da viagem.
       
      Pacaraima aparenta ser uma cidade bem pequena, mas estava com um fluxo bem grande de pessoas. Acho que a maioria era venezuelanos.
       
      Atravessar a fronteira foi bem tranquilo. Do lado brasileiro nem precisamos fazer trâmite algum (pelo menos eu acho que não precisava 🤔). 
      Do lado venezuelano foi uns 20 min, isso graças ao auxílio do  guia. Senão penso que demoraria mais.
       
      Para ingressar do lado venezuelano vc passa por tbm por uma fiscalização da guarda Bolivariana que tbm foi sussa. Mas, segundo informações ela geralmente não é tranquila. Ficam criando dificuldades para poder vender a facilidade. Mas não foi nosso caso.
       
      Depois da fronteira, mais uns 20 min chegamos em Santa Elena de Uairen e fomos direto para a base do guia, que já ajeitou as nossas mochilas no carro que nos levaria até a reserva de onde começa a expedição.
       
      O guia nos apresentou a equipe que nos acompanharia, Omar, sua esposa (até agora não sei o nome dela 😂) e Valentim. Depois se juntaria a nós o cozinheiro Armando. Tbm conhecemos outros dois brasileiros que fariam a expedição com nós, Guilherme e Gabriel.
       
      Logo partimos. Umas 10h.
      A previsão era de umas duas horas de viagem até chegar no Parque Nacional Canaima, mas o carro que estávamos deu um problema mecânico no meio da estrada.
      Então o motorista ligou para um outro que veio nos socorrer e trocamos de carro. Com isso atrasamos cerca de uma hora.
      A rodovia foi tranquila. A parte de estrada de chão é de muito sacolejo. Se não for um veículo traçado não daria conta.
       
      Quando chegamos na reserva de onde parte a expedição, tivemos que pagar uma taxa de R$ 30,00.
      A informação é que era R$ 10,00, mas, aparentemente subiu (deve ser a puta inflação venezuelana).🤑
       
      Ainda nesta reserva fizemos um lanche e então partimos para 12 km de caminhada.
       
      Iniciamos por volta das 14:30.   
       
      Não estava sol, o que facilitou um pouco, mas a caminhada não foi fácil.
      Um trekking de 12 km com uma mochila de uns 13 kg pra quem não tinha dormido direito não é fácil pra ninguém.😲
       
      Chegamos no local do acampamento por volta das 19:00h, exaustos.
      Ajudamos montar as barracas e descemos para o Rio Tel para tomar aquele banho frio.
       
      Não demorou muito para o jantar ficar pronto. Uma macarronada com carne moída. Muito boa!
       
      Comemos, o guia nos deu algumas orientações sobre o dia seguinte e jogamos um pouco de conversa fora, depois dormimos, com uma chuva que se aproximava.
       
      De madrugada choveu um pouco.
       
      DIA 3
       
       
      Eu acordei bem cedo. Foi uma noite bem dormida. Às 5:30 já estava de pé.
       Serviram o café da manhã às 6:30, omelete com uma espécie de “massinha” de pão frita.
       A programação era de sairmos a 7h, mas com a chuva que começou a cair e não dava para seguir viagem.

       
      Não pela chuva em si, mas sim pela cheia do rio que teríamos de atravessar.
       
      Esperamos até às 10 horas e Omar resolveu que dava para tentar. Então seguimos.
       
      Para atravessar o rio Tek foi tenso. Primeiro atravessaram nossas mochilas e depois um a um.
      O rio estava bem cheio e a correnteza era forte. Mas demos conta. Isso graças ao ótimo trabalho realizado pelos guias.
       
      Esta foi a primeira etapa, pq outras duas travessias do rio Kukenan nos aguardava.
       
      Paramos para o almoço, até pq não dava ainda para atravessar o rio Kukenan por causa da sua cheia.
      Prepararam e serviram o almoço, uma salada variada com pão.
       
      Ao seguirmos, atravessamos o Kukenan em dois pontos.
      O primeiro ponto foi tranquilo. A segunda é necessária a ajuda de uma corda esticada de lado a lado.
       
      Seguimos para uma caminhada de aproximadamente 3 horas. Deve ter dado uns 8 KM, mas pareceu ter andado uns 80 😅.
      Boa parte com um sol forte, outras com o tempo encoberto, mas sem chuva.
      Essa subida exige bastante preparo.
       
      Chegamos no acampamento. Mais um banho bem frio. Aquele velho e bom “banho checo”.
       
      Barracas montadas, foi hora de descansar um pouco. Já tirei um cochilo e acordei com a janta servida na porta da barraca, frango, arroz e batata cozida.

       
      Exaustos, dormimos fácil.
      Amanhã é o dia de concluirmos a subida e finalmente chegar ao topo.
       
      DIA 4
       
      Acordamos cedo e o café foi servido assim que arrumamos as mochilas.
      Logo partimos para a etapa final da subida.
       
      Foi uma subida quase toda por dentro da mata.
      A trilha em si já é um espetáculo.

      Foram aproximadamente 5 horas de subidas e descidas.
      Passando por pequenos riachos, alguns mirantes onde era possível ver toda extensão do paredão do Roraima e o "Poço das lágrimas".
       
      Alcança o topo é muito gratificante. A sensação de conquista, de missão cumprida, de superação é difícil descrever.
       
      Tudo que vimos debaixo foi sensacional. A impressão que se tem e que de cima não pode superar aquilo que já vimos.
       
      Mas, por incrível que pareça, supera sim. 😲
      A vista é sensacional. Apreciar o Kukenan, o sol, as nuvens, a vista de toda trilha que fizemos, o paredão visto de cima.
      As palavras são poucas para descrever.

       
      E isso foi só no momento da chegada, em um minúsculo pedaço do tepui que ficamos por alguns minutos.
       
      Depois de apreciar a vista e tirar umas fotos de um mirante, fomos rumo ao Hotel Índio, que nesta noite nos serviu de abrigo. É uma espécie de caverna com vista voltada para o Kukenan.

      O almoço foi servido (macarrão com carne moída).
      Descansamos um pouco e fomos conhecer as Jacuzzis.
       
      Ficava uma cerca de 30 min de caminhada do nosso “hotel”.
       
      A água é totalmente transparente, de uma pureza sem igual.
      Muito fria tbm. Confesso que deu trabalho para entrar. Mas não tem como estar lá e não entrar. O passeio seria incompleto. Por mais frio que seja, vale a pena. É uma beleza sem igual.

       
      Ao retornarmos foi servido um chocolate quente e pipoca.
       
      Foi possível apreciar um pouco de pôr do sol, mas com nuvens.
       
      Não demorou muito e jantamos (sopa de legumes com macarrão).
       
      Ficamos um tempo conversando e tirando fotos da lua e das estrelas.
       
      Logo depois dormimos.
       
      Amanhã é dia de irmos para outro hotel.
      12 km de treking.
       
       
      DIA 5
       
      O horário programado para acordar este dia não foi diferente dos outros, acordamos as 6, para tomarmos café as 6:30 e saída umas 7:30.
       
      O dia amanheceu com um céu muito limpo.
       
      Tomamos café da manhã que foi servido com uma espécie de panqueca com goiabada e uma porção de frango desfiado com umas misturas que nem sei o que é.
      Sei que parece que não combina, mas é bom.
       
      Mochilas arrumadas, partimos para outro hotel, Hotel Quati, este do lado brasileiro.
       
      São 12 km de trekking.
       
      A imensidão do tepui impressiona. Vc anda e parece que não tem fim.
      E embora seja um lugar peculiar pelas suas características, é possível perceber que o cenário vai mudando de um lugar a outro.

       
      Por este caminho de 12 km paramos em alguns pontos para conhecer e “sacar unas fotitas”.
      Existe até uma réplica da nave de Star wars 😁🖖

       
      O ponto alto da caminhada é a passagem pelo "El Foço".
      Trata-se de um poço de um raio de uns 20/30 metros e uma profundidade de uns 30/40 metros.

       
      Uma pequena cascata cai de cima e é possível ver a lagoa que se forma no fundo. Uma lagoa de água transparente.
       
      Se de cima já impressiona, poder descer ao fundo então é espetacular.
       
      O caminho não é dos mais fáceis, mas a ajuda do nosso guia Omar mais uma vez fez toda diferença.
       
      O acesso ao fundo do "El Foço" é feita por uma caverna lateral.
       A descida já vale a pena.
      Parece que vc está em um cenário de algum filme do tipo "mundo perdido" ou filmes que retratam o período pré-histórico.
       
      O fundo do poço é muito melhor do que eu podia esperar.
      Tem um aspecto dourado, desde sua água até suas paredes. Quando o sol bate por suas fendas o dourado fica ainda mais vivo.

       
      A hora de entrar na água foi o momento mais desafiador. Sem dúvida foi a água mais fria que já experimentei até hoje. Ao colocar os pés na água, parecia que estavam sendo cortados. Doía a alma. E o foda é que para chegar na parte aberta, molhar só os pés não é suficiente, é preciso molhar pelo menos até a cintura.
       
      Fui o primeiro a entrar, já que percebi alguma hesitação por parte dos meus companheiros de viagem. Depois os outros vieram tbm. Todos nós com muitos gritos de "pqp" e suspiros de "Jesus". 😝
       
      Valeu muito a pena. Olhar aquela imensidão de baixo para cima valeu o perrengue da água geladamente cortante.
       
      Depois do "El Foço" fomos para ao "Punto Triple", que é a tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana.
      Não é nada além de um marco que sinaliza a fronteira dos 3 países, mas é bem interessante saber que vc com apenas um passo pode mudar de país.

       
      Do lado guiano é possível observar um labirinto de rochas.
      Já do lado brasileiro o cenário muda um pouco e é possível observar árvores.

       
      Seguimos então pelo lado brasileiro e com cerca de uma hora de caminhada chegamos ao Hotel Quati, onde um delicioso almoço nos aguardava (feijoada).
       
       
      Almoçamos, descansamos alguns minutos e fomos a um mirante onde se pode observar a savana brasileira e o Roraiminha. A vista mais uma vez surpreendeu.

       
      Na volta passamos por um pequeno riacho para tomarmos banho. Dessa vez não tão frio.
       
      Ao retornarmos um chocolate quente foi servido, acompanhado de pipoca e bolacha de água e sal.
       
      Jogamos um pouco de conversa fora. Logo a noite caiu e a janta foi servida.
      Mais uma vez uma sopa de legumes. O que caiu muito bem, até pq fazia bastante frio.
       
      Mais um pouco de conversa, Conhaque e Rum para aquecer e fomos dormir. Até pq o dia foi cansativo tbm.
       
      DIA 6
       
      Acordamos as 5 da manhã para ir ao mirante ver o sol nascer.
       
      O dia estava claro, mas quando chegamos no mirante o céu fechou e deu para ver bem pouco do sol mesmo.
      Mas mesmo assim a beleza foi espetacular.
       
      Voltamos ao hotel e tomamos café da manhã (um pão assado, com ovo, acompanhou goiabada).
       
      As 8 horas partimos para a aventura do dia.
       
      Foram 4 horas de caminhada para ir e 4 horas para voltar. Nada fácil. E isso pq estava somente com uma mochila de ataque.
       
      Iniciamos a caminhada com o tempo fechado e logo começou a chover.
       
      Conhecemos aquilo que chamam de Jacuzis Brasileiras.

      Passando por uma área que parecia um “jardim japonês”. Quando chegamos neste ponto o sol abriu um pouco.

       
      Neste dia experimentamos da grande variação climática do Monte Roraima. Chuva, sol, frio e calor tudo isso com diferença de poucos minutos.
       
      Conhecemos também Lago Gladys, que quando chegamos estava encoberto por nuvens. Abriu um pouco, mas sem muita visibilidade.

       
      Seguimos em direção a “proa”. Passamos pelos destroços de um helicóptero da Tv Globo que caiu ali no ano de 1998.
      O caminho não é fácil. O labirinto se torna bem mais complexo com chuva.
      Finalmente chegamos, mas o mal tempo não deu trégua. Apesar de ter parado a chuva, o tempo não abriu e vimos apenas o cinza de uma nuvem que insistia em não sair (nem tudo são flores 😏).

       
      Na volta, passamos novamente pelo Lago Gladys, agora totalmente visível e também passamos por um mirante espetacular, com o céu aberto.

       
      Voltamos para o Hotel Quati. Almoçamos. Descansamos um pouco.
      Logo a noite chegou. A janta foi servida.
      Jogamos um pouco de conversa fora. Muitas risadas e fomos dormir. Acredito que esta foi a noite mais fria de todas.
       
      DIA 7
       
      Acordamos por volta das 5:00. A expectativa era de pegar um belo nascer no sol no mirante próximo do hotel Quati. E lá fomos nos.
       
      O céu que estava um tanto fechado abriu e contemplamos uma cena magnifica.

      Armando, o cozinheiro ainda nos presenteou com um chá quente enquanto apreciávamos a vista.

       
      Este foi o dia de regressarmos para a parte da entrada do topo do Monte Roraima.
       
      Foram mais 12 km de caminhada. Um dia de muito sol.
       
      No caminho passamos pelo Vale dos Cristais. O nome já diz tudo. A quantidade dos cristais impressiona.

       

      Depois de mais algumas horas de caminhada chegamos ao hotel Principal (fica bem de frente com o “Maverick – Ponto mais alto do Monte Roraima), bem próximo do hotel Índio que havíamos ficado no primeiro dia no topo do Roraima.
       
      Almoçamos e logo já saímos para conhecer a La Ventana. Um dos principais destinos para quem vai ao Roraima.
      Logo que chegamos o céu estava aberto. Foi possível apreciar a imensa vista que La Ventana proporciona, inclusive do Kukenan, que parece estar muito perto e também de outros tepuis.
      A vista não durou 5 minutos. O tempo fechou. Esperamos alguns minutos, mas, sem chance.

       
      Na volta passamos pela cachoeira Catedral e aproveitamos para tomar banho (frio, claro 😁).
       
      Retornamos ao hotel Principal já quase noite. Jantamos e logo dormimos.
       
       
      DIA 8
       
      Dia que iniciamos a descida e retorno do monte.
      Começamos logo cedo, umas 7 da manhã.
       
      Embora a descida seja um pouco mais fácil, ela exige bastante cuidado e preparo físico.

       
      Por volta do meio dia chegamos no “acampamento base” onde almoçamos.

      Seguimos o trekking. Atravessamos o rio Kukenan e logo chegamos no rio Tek, lugar de nossa última noite de acampamento.
       
       
      Ali tomamos banho. Agora já não tão frio, até pq fazia muito calor.

       
      No começo da noite tivemos a oportunidade de reunirmos com os nossos guias e carregadores para um bom bate papo, avaliação da expedição e agradecimentos.
       
      Passadas as formalidades, jantamos e demos fim nos últimos álcoois. Acompanhado de muita descontração e risada.
       
      DIA 9
       
      Solicitamos ao guia que excepcionalmente neste dia iniciássemos a caminhada mais cedo, com o intuito de evitar o sol muito forte. Então iniciamos por volta das 6:20.
       
      Foi uma boa, pois o céu estava bem aberto e o sol castigava.
      Apesar do sol, dos 12 km a serem percorridos e o soma do cansaço dos outros dia, até que foi tranquilo este retorno.
       
      Chegamos de volta na comunidade indígena de onde havíamos iniciada a expedição por volta das 11 horas. Exaustos!

       
      Não demorou muito para Leopoldo chegar com uma cerveja gelada para matar a sede.

       
      Ainda nos serviram um último almoço. Um mega prato com arroz, frango assado, saladas e banana frita. Acompanhado de refrigerantes e cerveja.
       
      Ainda ali na comunidade compramos alguns souvenirs e retornamos para Santa Helena e passamos a fronteira para o Brasil.
       
      Pegamos um taxi até Boa Vista. Chegamos por volta das 19:00h. procuramos um hotel onde podemos tomar banho e descansar um pouco até a hora do nosso vôo (1:00h).
       
      Chegamos em Londrina no dia seguinte as 13:00h.
       
       
      2 – O que levei para o Monte Roraima
       
      Este tópico é um tanto pessoal, então, pode ter coisas que eu considere importante que para outra pessoa não seja tão importante assim e vice versa.
       
      Mas, uma coisa que você tem que ter em mente: LEVE O MÍNIMO DE PESO POSSÍVEL.
      Existe a possibilidade de vc contratar alguém para carregar a sua mochila. Não sei informar aqui quanto custa esse serviço, mas os guias oferecem. Não foi o nosso caso, cada um carregou a sua mochila.
      Então, se vc é do tipo que carrega a sua própria mochila (o que acho que seja o mínimo que deve fazer um mochileiro), cuidado com o peso.
      O peso pode variar de pessoa para pessoa, mas, considero que o limite ideal seria 10 kg. A minha foi com uns 13 kg. Tenho uma mochila de 60 litros.
      Vc tem que pensar que vai andar muito e em terrenos acidentados, com subidas, descidas, calor, frio.
      O total que caminhamos pelos 8 dias de trekking deu pelo menos 90 Km e boa parte desse percurso foi com a mochila nas costas.
      A recomendação que dou é que racione muito bem o que for levar. Uma das integrantes da nossa expedição teve alguns problemas por causa do peso excessivo da mochila.
      Bem, vamos lá, o que levei?
      -Protetor solar – Indispensável. O sol não pega leve. Não economize no uso. Ainda que esteja nublado, passe o protetor solar.
      -Repelente – Indispensável. Antes de chegar ao topo o Monte Roraima os mosquitos quase te carregam.
      -Shampoo – Levei uma quantidade bem pequena em um frasco pequeno. Tem quem só faz uso mesmo de sabonete.
      -Condicionador – Levei uma quantidade minúscula em um frasco tipo esses de hotel. Este é um item dispensável para muitos. Eu mesmo quase não usei.
      -Pente – quase não usei tbm.
      -Fio dental, escova e pasta de dente.
      -Desodorante – bem importante, já que vc pode ficar sem coragem de muito banho frio rsrs.
      -Lenço umedecido – Levei dos pacotes pq pensei que fosse tomar menos banho do que tomei. Um só seria mais que suficiente.
      -1 Sabonete.
      -Boné.
      -Touca.
      -4 Pares de meias – dá pra tentar levar menos e ir lavando pelo caminho. Se eu fosse hj levaria só 3. Tem muito lugar para lavar e demos sorte de pegar sol na maioria dos dias. O segredo não é só estender as roupas lavadas na barraca ou nos hotéis, até pq la possivelmente não secará. Tem que estender na mochila enquanto vc caminha. Comigo funcionou muito bem.
      -6 Camisetas – Hj eu levaria apenas 4. No mesmo esquema do item acima.
      -4 Cuecas e uma sunga – Hj levaria apenas 3 cuecas.
      -1 Calça de moletom – Achei que foi importante para o frio que faz dnoite.
      -3 Blusas – Considero importante essa quantidade. Foi o suficiente pra mim. Na medida. Não sobrou e não faltou. É interessante levar, várias ao invés de uma só. Como tem bastante variação de temperatura, é importante que seja em “camadas”. Em algum momento uma só vai resolver. Outro momento vai precisar de duas... três...
      -1 Prato plástico e talheres de plástico – Totalmente dispensável. Os guias levam todos os utensílios para as refeições.
      -1 Chinelo – Acho que é bem importante para dar aquela relaxada depois de um longo dia de caminhada.
      -1 Bermuda.
      -1 Calça de trekking modular – aquelas que é calça mas vira bermuda tbm.
      -Remédios – Isso é bem de uso pessoal. Cada um sabe das suas necessidades. Mas, penso que um relaxante muscular é indispensável.
      -1 Lanterna de cabeça – Muito útil, principalmente na hora das refeições noturnas.
      -4 pinhas reservas para a lanterna de cabeça. Uma apenas seria suficiente.
      -1 Lanterna de mão – dá para dispensar, as vezes a lanterna de cabeça é o suficiente, mas até que usei.
      -3 Power Bank – Não dá para ir em um lugar como o Monte Roraima e correr o risco de ficar sem bateria para tirar fotos. Mas aqui eu exagerei. Poderia ter levado só um de 20.000mah. Mas, atenção, se seu power bank não for bom, leve mais de um.
      -GoPro e alguns acessórios, incluindo baterias extras.
      -Isolante térmico/colchão inflável – Eu tenho um muito bom da Ziggy Aztek.
      -Saco de dormir – Tenho um que é para até 0º. Foi mais que suficiente.
      -1 Toalha para banho  - Tipo microfibra.
      -1 Capa de chuva – Indispensável e deve deixar sempre acessível.
      -Capa protetora de chuva para mochila – Usei pouco, mas, foi por sorte de não ter pegado muita chuva.
      -Gel de suplemento de nutrição – Eu não dava muito para esses gelzinho que vc compra por exemplo na Decathlon. Eu levei apenas 10 e poderia ter levado pelo menos 15. No trekking faz toda a diferença. O sabor frutas vermelhas é o que mais gosto.
      -Levei algumas comidas – Tratarei em tópico próprio.
       
      3 – Como contratar um guia
       
      Não tem como vc fazer o trekking sem um guia. Para entrar no parque em que o Monte Roraima está localizado já precisa deles e para andar pelo tepui então, certamente se perderia nos primeiros 10 passos sozinho.
      Uma das dificuldade e maior receio que eu tinha era sobre a contratação do guia.
      Não consegui encontrar muitas referências na internet e com as poucas referências encontrei o guia Leopoldo e arrisquei contratar.
      Leopoldo é venezuelano. Os guias venezuelanos são bem mais baratos que os brasileiros, em média 50% mais barato.
      Quando falei para alguns amigos que havia contratado venezuelanos, ouvi muita coisa do tipo: eles abandonam as pessoas lá em cima; eles não dão comida; não tem garantia nenhuma se eles vão prestar o serviço como contratado...
      De fato, vc não tem nenhuma garantia de que o serviço vai ser mesmo prestado. Até o último instante eu ainda estava receoso.
      Logo que entrei em contato o guia (fevereiro de 2018) ele pediu um adiantamento de 50% do valor. Em abril eu depositei os 50%. Realmente ele poderia ter sumido com a grana. O que eu faria? Contrataria um advogado para tentar reaver um deposito que fiz para um venezuelano? As chances de sucesso seriam poucas.
      Mas o Leopoldo e seus auxiliares me surpreendeu positivamente.
      Tudo o que foi contratado foi cumprido. Absolutamente nada ficou a desejar. Desde o primeiro momento em que ele enviou o taxi a nos pegar em Boa Vista até o retorno.
      Fomos muito bem tratados pela sua equipe, com toda atenção e cuidado que o Monte Roraima merece. Fomos muito bem alimentados.
      Eu recomendo o Leopoldo pq experimentei de seus serviços, mas, aparentemente tem outros bons tbm.
      Também sei que tem como contratar o guia direto em Pacaraima (última cidade do lado brasileiro) ou em Santa Elena de Urairén. Mas, para isso vc vai precisar de pelo menos mais um dia. No nosso caso, como programamos com bastante antecedência, chegamos em Santa Elena e com uma hora já saímos para a expedição.
      Deixo o contato do Leopoldo e de um outro guia que me atendeu muito bem tbm.
       
      Leopoldo +58 424-9115872
      Imeru +58 414-1402438
      Wenber +58 424-9622689
       
      4 – O que comer e beber
       
      Quando contratamos o guia, no pacote já estava incluído a alimentação. Café da manhã, almoço e janta.
      Como já disse anteriormente, tinha receio se eles realmente serviriam isso e o que serviriam.
      Por conta deste receio, eu e meus amigos acabamos levando algumas coisas de comer, do tipo, amendoim, bolacha, chocolate, salgadinho (chips), salame, sopão...
      Levamos essas coisas com medo de passar fome, assim teríamos alguma coisa para comer. Mas, não precisava.
      Fomos muito bem servidos pela agência.
      Serviram macarrão com molho de carne moída, macarrão com molho de atum, arroz com molho de batata e frango, arroz com feijoada enlatada, saladas, sopas com legumes e macarrão, panquecas, pão, alguns pães típicos (não sei os nomes), pipoca, chás, café e chocolate quente, algumas frutas como laranja, melancia e melão.
      A comida que serviram foi o suficiente, mas o que levamos de extra acabou sendo útil nos longos caminhos das trilhas. É bom ter um pacote de bolacha a mão ou um chocolate.
      Nós levamos tbm uma garrafa de vinho, jurupinga e conhaque. Mas isso vai de cada um. Nas noites frias vai muito bem.
      Se vc for cheio(a) de “nojinho”, talvez devesse repensar ir para um trekking desses. Vc esta no meio do nada, com uma outro cultura e acaba se virando como pode. Mas, se vc come Mc Donalds então pode comer qualquer coisa rsrs.
       
      5 – Preparo físico necessário para subir o Monte Roraima
       
      Não subestime o Monte Roraima. Não é um trekking fácil. Não é para qualquer um.
      Não escrevo isto para te desmotivar de ir lá, escrevo para que vc vá preparado.
      É importante que vc tenha algum preparo físico, alguma resistência.
      Vc vai enfrentar a caminhada (andamos um total de pelo menos 90 km), sol forte, frio, chuva, sobe e desce em pedras e barrancos e o peso da sua mochila.
      Não sou preparador físico, mas, para um maior aproveitamento da sua aventura, prepare-se fisicamente. Mesmo sendo leigo no assunto, recomendo que vc tenha resistência de correr de 7 a 10 km (por exemplo) para fazer uma subida tranquila e aproveitar ao máximo.
      A resistência é importante tbm pq vc anda todos os dias, sem descanso. O descanso é somente de noite. Se não estiver devidamente preparado o seu corpo não consegue recuperar.
       
      6 – Despesas
       
      R$ 1.250,00 Passagem aérea de Londrina até Boa Vista (ida e volta).
      R$ 1.400,00 Pacote com o guia para uma expedição de 8 dias (incluído alimentação)
      R$ 100,00 Taxi de Boa Vista até a fronteira com a Venezuela (ida e volta).
      R$ 30,00 Entrada no Parque Nacional Canaima.
      R$ 180,00 Hotel – este valor dividido em 3, uma média de R$ 60,00 para cada.
      R$ 150,00 Alimentação antes e depois da expedição.
      R$ 80,00 Taxi em Boa Vista (dividido em 3).
      *Outros custos com material, roupas e acessórios não foram relacionados (e foi bastante).
       
      7 - Conclusão
       
      Subir o Monte Roraima foi a realização de um sonho. Foi uma superação pessoal. O lugar é indescritível, exuberante, de uma beleza única. Nunca vi nada parecido em lugar algum. As fotos e vídeos não são suficientes para descrever. Nem mesmo o mais detalhado relado seria capaz.
      Ficar 8 dias sem comunicação externa é um capítulo a parte que com certeza colaborou bastante pare esse sucesso. Vc desliga do mundo externo, celular, internet e similares. Seu contato é com a natureza quase que exclusivamente.
      Por cada lugar que vc passa se surpreende, causa admiração e até mesmo se emociona.
      Se vc tem a intenção de conhecer o Roraima, pesquise, se prepare e vá. Vale muito a pena.
      Tenho certeza que será uma experiência para o resto de sua vida.
       

    • Por thaltia de lima gomes
      Quando comecei a pesquisar los roques tinha pouquinhas informações sobre. Era um sonho antigo. Entrei num grupo de whats específico de los roques e mesmo lá tínhamos poucas informações.  
      Fui em agosto 2018, em crise vigente. Foi uma viagem maravilhosa. Resolvi postar meu relato pela dificuldade de encontrar informações. 
      Parte I Vôo manaus-maquetia - mais seguro que terra/ estadia maquetia e segurança do Miguel: 
      Los roques
      Voo Manaus para maquetia empresa avior 1050 reais por pessoa em media (quanto antes comprar melhor). Voos em dias específicos. Comprei com Bruno (69) 99249-6756‬ (para não precisar apresentar o cartão de crédito um dia antes na companhia aérea em Manaus. Requisito da avior). Parcelei em 10x em qualquer cartão. 
      Tem voos de copa também do Brasil para maquetia, mas é mais caro e tem escala no Panamá. ✈️Vôo Manaus/Caracas saída às 08:00/chegada às 10:45.
      ✈️Vôo Caracas/Manaus saída às 17:00/chegada às 19:50.
      Mao/Ccs:terça/quinta e domingo
      Ccs/Mao:segunda/quarta e sábado
      Voo maquetia - los roques com segurança do Miguel ‭+58 4141307231‬ . Que compra passagem antecipada, inclui assistência de embarque e desembarque, serviço de transporte ao hotel em maquetia ida e volta. Ele já reserva o hotel e paga. E leva para comer se pedir. 270 dólares por pessoa (passagem e serviço dele). Tem dois voos diários saindo de los roques e maquetia. As 8 e as 17hs. 
      Hotel em maquetia - Miramar suítes diária 20 dólares. Se necessitar pernoitar em maquetia. Ficamos uma na ida e outra na volta.
      Sugestão: se quiser comer fora do hotel só aceita em bolívares. O Miguel paga no cartão dele e você paga em dólar para ele na cotação do dia. O mesmo no hotel, só aceita em bolívares. Miguel paga sua despesa e você da em dólar para ele. 
      Parte II: vila e pousada. 
      Los roques é uma cidade pequena. Pe no chão. Não tem carros passando. É tranquilo. É aquela cidade que vc vivência a simplicidade. Vc compreende que não precisa de muito para viver feliz. Como dizem os venezuelanos: “é o único lugar tranquilo na venezuela”. A Crise demorou a chegar lá. 
      Pousadas em los roques: 
      As pousadas possuem sistema de alimentação completa. Café, almoço e janta. O almoço, vai num isopor com suco, refri, cerveja se quiser, salgadinho, sanduíche ou massa, pois vc passa o dia visitando ilhas em passeios de barco.
      Fui por indicação da melhor alimentação e era a mais barata que encontrei. 
      Pousada casa de sol. 35 dólares por dia por pessoa com café e janta. Não fechei almoço, pois compramos no Brasil salame, pate, torradas, biscoitos e já sabíamos que iríamos comer nos passeios com chichi que falarei logo mais. 
      Pousada casa de sol é econômica, simples. É completa. Você se sente em casa. Os dois José e sol são uma simpatia. Sol faz o café da manhã com arepas, bolo, omelete, pães, geleia, manteiga, sucos e café.
      José prepara o jantar com maestria. Cada dia uma surpresa. Comemos peixes, saladas, risoto, batatas, ceviche, creme de lagosta e outras coisas gostosas e inesquecíveis. 
      O quarto é limpo. Tem Tv a cabo. ‭
      +58 4143032261‬ José da casa de sol.
      Tem varias outras pousadas, as mais caras como natura viva, caracol, Malubu que é cerca de 145 dólares dia por pessoa. Caríssima. E não vi pela aparência tanta diferença. 
      Corsária é em média 70 dólares por dia por pessoa com café, cava e janta. É de um brasileiro, que se chama Fábio. Ele parcela. E já fecha com voo maquetia los roques. Em média 5000 reais 7 dias com voo e alimentação. 
      E outras mais em conta que são de venezuelanos, que podem ser pesquisadas na hora que chega em los roques. 
      Outras acuarela, guaripete, paraíso azul, cayo y Luna, Galápagos, lagunita. Procure a cotação em seus Instagram. 
      Acuarela e lagunita você consegue parcelar pelo airbnb, é cerca de 45 dólares o dia por pessoa com café e janta.
      Parte III passeios e dicas gerais
      Passeios para as ilhas.
      Durante o dia você visita às ilhas. Tem duas formas de conhecer as ilhas. Pela cooperativa. Você fecha a ilha e ele te leva. Ou você faz o passei com um barqueiro. Aí entra o chichi. É um barqueiro diferenciado. Te leva as ilhas, faz snorquel com vc. Te mostra por snorquel tubarão, polvo, lagosta, peixes, tartarugas, arraia, estrelas do mar e toda a vida marinha. Ele pesca o peixe e assa na hora. Faz ceviche de pescado, polvo, moluscos. Comemos ceviche de polvo que é uma delícia. E provamos ceviche de botuto, daquele concha grande. Nem sabia que se comia isso. É delicioso. 
      Algumas bebidas são difíceis de conseguir na ilha. Se puder levar ingredientes para fazer caipirinha Chichi prepara maravilhosamente bem. Venezuela não tem açúcar. Leve. 
      Pega a lagosta e te prepara na hora. Sério.. imagina isso na hora saindo do mar????? E o tanto de estrela do mar!!! ❤️❤️❤️. São lindas ❤️❤️❤️. Vimos tartaruguinhas nascendo e saindo do buraco. Resgatamos e levamos para o local onde cuidam delas para crescerem e devolverem ao mar. 
      Os outros banqueiros não fazem isso. Ele, sua esposa e o genro são uma simpatia. 
      Passeio com o chichi - 6 dias. Gastamos 230 dólares para duas pessoas. 
      Um casal que conhecemos gastou 370 dólares em 10 dias. 
      O cálculo depende da distância das ilhas. O chichi escolhe o passeio do dia, pois depende da maré, do tempo. Mas com o chichi fica mais barato com certeza. Ele visita três pelo preço de uma e faz tudo com você, sem contar a culinária top. 
      Chichi ‭+58 4148372930‬
      atras da praia de franciscy tem uma santa nos fundos do mar. Tem um carinha que te levar lá e te aluga o  Snorquel. Com o Chichi não precisa. Ele tem equipamento de snorquel. 
      Restaurantes: é difícil em los roques. Tem um pequeno ao lado da igreja e outro ao lado da cooperativa dos barqueiros. É bom para comer um ceviche, ou tartar. Como todos os turistas fecham sistema de alimentação é difícil restaurantes por lá. Praia que tem restaurante é francisky e é proporcionalmente caro. 
      Tem um bar ao lado da cooperativa dos pescadores .. da para tomar uma cervejinha ou caipirinha e bater um papo. 

      Compras: sol da casa de sol que ficamos paga com seu cartão o mercado e nós pagamos para ela em dólar. Ela faz isso para todos os turistas. E faz a melhor cotação. 
      Cerveja é cerca de 1 dólar a lata. 
      O mercado tem cervejas, refrigerantes, água mineral, biscoitos, salgadinhos. 
      Em outros dois dias para os passeios e no dia do retorno comprei macarrão, molho de tomate, atum, presunto, queijo. José preparou um macarrão delicioso para levar ao passeio e no dia do retorno. Comíamos tanto com chichi nos passeios que realmente não compensou fechar almoço.. chegávamos cheios até para jantar. 
      Leve muito protetor solar. Cerca de um tubo para 2-3 dias para duas pessoas. 
      Wi-Fi. Não tinha na pousada. Livre tem na praça central. 
      Ideal ficar 10 dias. Fiquei 6 e já valeu a pena. 
      Por do sol: em frente à igreja❤️ 
      Caridade: Venezuela passa por uma situação difícil, então é difícil conseguir pasta de dente, açúcar, shampoo, roupas com proteção solar. Remédios para dor de cabeça, do estomago. Levamos para doar para eles da ilha. Não custa nada perguntar se precisam de algo. Chichi, José e Miguel são pessoas maravilhosas que merecem esses regalos do Brasil! 
      Oba: Não fiz megulho com cilindro e nem kite. Estava fora do período dos ventos. E o preço do mergulho era elevado. 
       
      Aproveitem!! 
       
































    • Por Diego Minatel
      Para mim é algo realmente complicado traduzir em palavras os momentos vividos nos dias da minha viagem. Viagem esta que não se traduz num simples mochilão ou turismo de longa duração. Foi o encontro de uma pessoa comum com seu sonho de andar por terras que tanto o inspiraram, terras mãe da esperança, terras de homens e mulheres feitos de histórias e de coração, corações gigantescos. O sentimento que fica depois de quase seis meses na estrada é o de gratidão, do agradecimento as infinitas pessoas que ajudaram esse pobre viajante das mil e uma maneiras possíveis, para vocês meu muito obrigado.

      Foto 1 - A companheira de viagem
      Tinha uma vida igual a tantas outras, era bem razoável por sinal, mas a vontade de caminhar e estar frente a frente com o novo me atormentava todos os dias. Queria conhecer com meus olhos as diferenças, os sotaques, as comidas, as belezas. Desejava não ter pressa, fazer tudo no seu tempo necessário, não estar preso a rotina dos dias e principalmente aprender. Sim, aprender, não com fórmulas prontas e nem sentado dentro de uma sala de aula. Queria aprender com experiências. Queria conhecer pessoas. De alguma forma queria fugir da minha vida cotidiana, não por ela ser ruim, mas pelo desejo de se conhecer e assim, quem sabe, voltar uma pessoa melhor. Quando esse sentimento passou a ser insuportável decidi que tinha que partir.
      Por um ano ajuntei algum dinheiro, queria ficar seis meses na estrada. A grana não era o suficiente, mas suficiente era a minha vontade. Dei um ponto final no trabalho. Abri o mapa e não tinha ideia por onde começar. Decidi não ter um roteiro, apesar de ter muitos lugares em que eu queria estar.
      Assim começa a minha história (poderia ser de qualquer um). O relato está dividido da seguinte forma:
      Parte 1: de Rio Claro ao Vale do Itajaí
      Parte 2: Cânions do Sul
      Parte 3: de Torres a Chuí
      Parte 4: Uruguai
      Parte 5: da região das Missões a Chapecó
      Parte 6: Chapada dos Veadeiros e Brasília
      Parte 7: Chapada dos Guimarães
      Parte 8: Rondônia
      Parte 9: Pelas terras de Chico Mendes, Acre
      Parte 10: Viajando pelo rio Madeira
      Parte 11: de Manaus a Roraima
      Parte 12: Monte Roraima y un poquito de Venezuela
      Parte 13: Viajando pelo rio Amazonas
      Parte 14: Ilha de Marajó e Belém
      Parte 15: São Luis, Lençóis Maranhenses e o delta do Parnaíba
      Parte 16: Serra da Capivara
      Parte 17: Sertão Nordestino
      Parte 18: Jampa, Olinda e São Miguel dos Milagres
      Parte 19: Piranhas, Cânion do Xingó e uma viagem de carro
      Parte 20: Pelourinho
      Parte 21: Chapada Diamantina
      Parte 22: Ouro Preto e São Thomé das Letras
      Parte 23: O retorno e os aprendizados
      O período da viagem é de 01/10/2015 a 20/03/2016. De resto não ficarei apegado nas datas exatas em que ocorreram os relatos que irão vir a seguir, tampouco preocupado em valorar tudo. Espero contribuir com a comunidade que tanto me ajudou e sanar algumas dúvidas dos novos/velhos mochileiros.
    • Por Igorthebard
      Partindo de São Paulo, eu e mais quatro amigos passamos 12 dias nessa viagem, incluindo o trekking do Monte Roraima e os passeios turísticos mais tradicionais de Manaus, entre outros programas mais alternativos que agradam qualquer mochileiro com espírito de aventura. Fizemos tudo da forma mais econômica possível sem comprometer a segurança e o mínimo de conforto, disso saiu um rolê bastante acessível, exótico e simplesmente fantástico. Acompanhe nesse relato dia a dia com todas as informações necessárias pra te ajudar a planejar e aproveitar ao máximo sua viagem e evitar perrengue.
                      Essa foi também a primeira viagem internacional do grupo Trilhando na Faixa, então inscreva-se no canal para ver o vídeo assim que estiver disponível: https://www.youtube.com/channel/UCw7K-Ri4mgpVsG4WIBdIbSg
                      Lembrando que os valores são aproximados e referentes a Julho de 2018, podendo apresentar variações. Os valores discriminados são em despesas essenciais, não esqueça de reservar um pouco do orçamento para uma regalia ou outra que não conste na lista.
                      Bônus para os Veganos: O autor que vos escreve é um também, então acompanhem pra terem informações específicas sobre a alimentação vegana em cada local.
      Índice de dias (use o Ctrl+F para navegar):
      Dia 1 – De São Paulo a Manaus a Boa Vista
      Dia 2 – De Boa Vista a Santa Elena de Uairén
      Dia 3 – De Santa Elena ao Paratepuy ao Acampamento do Rio Têk
      Dia 4 – Do Rio Têk ao Acampamento Base
      Dia 5 – Do Acampamento Base ao Hotel Índio e circuito no topo
      Dia 6 – Vale dos Cristais Brasileiro, Ponto Tríplice, El Foso e o cume
      Dia 7 - Do topo ao Rio Têk
      Dia 8 - Fim do trekking e Gran Sabana
      Dia 9 - De Santa Elena a Boa Vista, Lethem e Manaus
      Dia 10 – Manaus, praia da Lua e Mercado Municipal
      Dia 11 – Rios Negro e Solimões, INPA e bar
      Dia 12 – Teatro Amazonas e retorno pra São Paulo
       
                                                                
      Antes de mais nada – Preparação
       
                      O planejamento da viagem foi montado em torno de seu prato principal, o trekking do Monte Roraima, então as outras coisas entraram como um adicional oportuno.
      Para o trekking em si
       
                      Juntamos um grupo de 6 pessoas com disponibilidade de duas semanas em Julho para subir o Roraima de forma econômica, nosso plano foi de contratar um guia local e fazer o trekking sem recorrer a porteadores de equipamentos ou serviços de agência. Estando todos habituados a atividades outdoor, não seria problema algum transportar nossas cargueiras ou cozinhar nos acampamentos, então o serviço de que precisaríamos seria o mais básico possível. Procuramos por guias que trabalhassem dessa forma e encontramos algumas boas opções, sempre indo atrás de indicações e comentários sobre cada um.
       Tendo sido o que prestou melhores esclarecimentos sobre tudo que precisávamos e estando numa faixa de preço bastante razoável, além de ter sido recomendado por uma conhecida, optamos pelo Jesus (WhatsApp: +5804266940599 / +5524992802417 ), contratamos o serviço de guia para uma expedição de 6 dias e um porteador para a estrutura de “banheiro” (mais sobre isso adiante) e transporte de lixo e dejetos, já que o Parque Nacional Canaima exige que se traga de volta isso tudo. Lá não existe levar pazinha e enterrar os dejetos, os porteadores trazem tudo de volta em sacos plásticos grossos com cal. É incluso também o transporte em 4x4 de Santa Elena ao Paratepuy, onde começa a trilha, e a volta.
                      Os guias não cobram por pessoa, mas pelo trekking em si, independentemente do número de participantes. Cada guia pode levar até 6 pessoas. O valor acordado foi de 3000 mil reais, totalizando 500 de cada um de nós. Antes da viagem, uma das pessoas envolvidas precisou desistir da viagem e o custo final foi de 600 por cabeça. Nos oferecemos para pagar parte do valor em equipamentos de camping, já que eles são muito caros e difíceis de conseguir na Venezuela, e Jesus incluiu um passeio em algumas cachoeiras da Gran Sabana no último dia do trekking como uma troca de gentilezas. Todo mundo saiu feliz, rs.
      Pagamos uma parte do preço antecipadamente para reservar o serviço, o restante seria pago em mãos na véspera da expedição. Mantivemos contato com o guia nos meses antes da viagem para preparamos os equipamentos e afins, partimos da seguinte lista de itens essenciais, que pode ser ajustada de acordo com as necessidades de cada um:
       

      É perfeitamente possível reduzir o número de trocas de roupa; uma para o dia e uma para a noite, mais uma de reserva, só é muito importante ter todas as peças para o sistema de aquecimento em camadas e também um bom número meias, se possível utilize as específicas para trilha, são caras mas valem muito a pena para o conforto e saúde dos pés na expedição. Do contrário, improvise um liner colocando uma meia social sob a comum, isso ajuda a reduzir o atrito dos pés com a bota e previne bolhas. Truque simples e funcional.
      Julho é temporada de chuvas no Roraima, então pra quem vai nessa época é muito importante ter uma barraca resistente a água (o sobreteto sim, mas também o piso, atenção pra isso); roupas impermeáveis; saco estanque para os eletrônicos, saco de dormir e roupas; sacos plásticos para o restante; capa de chuva pra mochila e possivelmente ainda um poncho.
      IMPORTANTE: Não use barraca que não seja autoportante, no topo do Roraima é bem capaz que ela dê trabalho ou seja simplesmente inútil no chão de pedra e areia dos hotéis (parapeitos rochosos ou pequenas grutas que servem de cobertura natural, provendo locais de acampamento protegidos de chuva e vento).
      O tempo lá é imprevisível e muda muito rápido por conta dos ventos alísios. Chove com frequência, em geral em baixo volume, mas às vezes a aguaceira pode vir mais forte. Não tem hora pra cair a chuva, as previsões do tempo dão uma ideia do que esperar, mas inevitavelmente vão errar em algum momento. Esteja sempre preparado.
      Uma boa mochila é essencial para quem vai levar suas próprias coisas, escolha uma que se ajuste bem e fique confortável com o peso, aprenda a regulá-la corretamente de antemão.
                      O uso do bastão de caminhada é opcional, mas é um equipamento extremamente útil para a subida e descida íngreme do Roraima, bem como para a travessia dos rios no caminho e outras possíveis utilidades
      Leveza é palavra-chave para se equipar, busque dividir barracas e investir em equipamentos leves e compactos, bem como em não levar nada além do que vai ser preciso e suas margens de segurança. Isso vale pra comida também, seja o mais eficiente possível.
      Dica Vegana: Para as refeições principais, levei 3 pacotes de Carne de soja, arroz integral com lentilha e purê de batatas da LioFoods, cada pacote dá pra duas refeições e apenas o purê não é vegano, basta dá-lo pra algum colega e voilá, dá pra comer até sem água quente, se necessário. Levei também um pacote de sopão de legumes da Kitano, levinho e faz até 8 pratos. Foram 14 refeições potenciais em 1066 gramas, 6 mais encorpadas e 8 mais leves. Para cafés da manhã e lanches, fui de amendoins, paçoca, biscoitos, barrinhas e Rap10 integral. Deram conta muito bem.
      É importante ter um método de purificar a água. Quando estiver no acampamento é preferível aproveitar a possibilidade de fervê-la, mas no caminho você vai ter de se virar com o cloro (ou um Lifestraw, se você tiver). Eu costumo utilizar o Hidroesteril ao invés do Clorin, é mais barato, fácil de achar e rende mais. É possível também pegar Hidrocloril gratuitamente em postos de saúde. Escolha o que preferir.
      Não é possível transportar os cartuchos de gás de fogareiro no avião, então reservamos alguns em uma loja em Manaus próxima ao aeroporto, a Apuaú Pesca. Os cartuchos ficaram 20 reais cada. Se sua alimentação não for excessivamente demorada para preparar, só um já dá conta muito bem para uma pessoa. Eu recomendaria levar dois só por garantia, o segundo podendo ser o backup de outro colega também, talvez.
      O Roraima não é um trekking difícil, mas ir com cargueira é pedreira nos trechos de subida. Não é necessário ser um atleta, mas não é programa pra sedentário, quiçá com porteador pra levar as coisas, mas mesmo assim é melhor adquirir condicionamento e experiência com outras trilhas menos exigentes. É possível para iniciantes, mas é essencial se informar e equipar muito bem, e ter a resiliência pra encarar dificuldades que são de praxe pra quem já tem o costume de travessias e acampamentos. Quanto menos delas forem novidade, mais tranquila será a experiência.
      Um resgate de helicóptero lá no alto é perfeitamente possível por conta das áreas planas do topo, mas custa uns 6 mil reais, e diferente das agências que já cobram alguns milhares de antemão, ir com guia contratado quer dizer que quem vai arcar com esse custo será você caso precise. Se prepare e se informe antes de ir, a montanha não vai sair de lá se você precisar esperar algum tempo pra conhecê-la.
      Para o caminho
       
                      Para fazer o trekking, precisamos ir até Santa Elena do Uairén na Venezuela, cidade fronteiriça com Pacaraima, vizinha da capital roraimense Boa Vista, que conta com um aeroporto, mas para o qual os voos de São Paulo estavam tanto caríssimos quanto muito longos. Acabamos optando por ir por Manaus e pegar um ônibus noturno a Boa Vista, mas na trilha encontramos um casal que conseguiu um preço bom de voo pra lá, então fique de olho pro que for melhor, talvez consiga uma boa promoção. Compramos as passagens de ida e volta antecipadamente pelo Guichê Virtual. De Manaus a Boa Vista o ônibus não lota, dá pra comprar na rodoviária, mas pro caminho de volta é bom comprar com antecedência.
                      Para entrar na Venezuela basta o RG, e o processo é até mais rápido do que com Passaporte, então se não fizer questão do carimbo, pode deixa-lo em casa. Para sair de Santa Elena para o interior da Venezuela, é preciso o Certificado Internacional de Vacinação contra febre amarela. Você vai precisar disso se por acaso for parado num posto de controle na estrada. Não precisamos apresentar o documento em nenhum momento, mas é bom tê-lo em mãos pra evitar problemas, é fácil, rápido e gratuito solicitá-lo, então não tem desculpa.
                      Já deixamos feita nossa reserva para a hospedagem em Santa Elena, na Posada L’Auberge, lugar seguro e confortável com chuveiro quente, camas limpas, ar condicionado e wi-fi, todo o necessário para uma boa noite de descanso. O preço ficou bem em conta e a pousada está localizada no coração da área turística da cidade, próxima a bons restaurantes. O único ponto negativo é a parca iluminação em alguns quartos, que nos fez tirar as lanternas da mochila antes mesmo do trekking, mas só isso.
                     
      Dito isso, vamos ao dia a dia da viagem.
       
      Custos na preparação:
       
      R$ 3000 pelo Guia, valor divisível em até 6 pessoas;
      R$ Variável de alimentação e equipamentos pro trekking;
      R$ Variável de transporte aéreo;
      R$ 367 nas passagens de ônibus Manaus-Boa Vista e retorno (compradas via Guichê Virtual);
      R$ 20 por cada cartucho de gás em Manaus (a quantidade a levar vai da preferência de cada um);
      R$ 40 de reserva de diária na hospedagem em Santa Elena, valor aproximado, varia de acordo com o quarto.
       
      Dia 1 – De São Paulo a Manaus a Boa Vista
       
                      No primeiro dia pegamos nosso voo de São Paulo a Manaus pela manhã, chegamos a nosso destino na hora do almoço e fomos recebidos pelo contraste do bafo quente do clima manawara com a temperatura amena do ar condicionado do avião. Entramos logo num Uber para irmos comprar os cartuchos de gás que havíamos reservado. O próximo destino foi a rodoviária, onde retiramos nossas passagens para o ônibus a Boa Vista. Deixamos as cargueiras no guarda-volumes da rodoviária e partimos a pé para um Carrefour que fica lá pertinho, para pegar o resto dos mantimentos que faltavam pro trekking e também para beliscar na viagem de ônibus. É bom não deixar pra comprar nada em Boa Vista ou Santa Elena, se possível, já que não há muitas opções no caminho, e definitivamente nenhuma com tanta variedade quanto esse Carrefour.
                      Dentro do supermercado há um caixa Itaú, já retiramos o dinheiro para a Venezuela lá mesmo, mas há caixas eletrônicos 24 Horas tanto na rodoviária de Manaus quanto na de Boa Vista. Fica a gosto do freguês onde fazer o saque.
                      Depois disso, fomos passar o resto da tarde no Amazonas Shopping, boa opção próxima à rodoviária para fazer hora antes do horário do ônibus. Jogamos uma partida de airsoft e comemos na modesta praça de alimentação.
       

                      Dica vegana: Foi aqui que eu já tive o primeiro indício de que Manaus não é lá muito fácil pra vegano, não tinha nada no cardápio de nenhum dos restaurantes que fosse livre de produtos de origem animal. Pedi pra adaptar um prato no Alemã Gourmet e foram bastante solícitos, aceitaram substituir os ingredientes animais por outros vegetais sem custos a mais nem nada. Foi uma boa opção considerando custo, também.
                      No fim da tarde voltamos pra rodoviária pra esperar o horário do ônibus. Pra quem suar demais sob o sol manawara, lá há a opção de pagar um valor módico para tomar um banho. Próximo a uma das paredes há tomadas para carregar o celular.
                      O ônibus partiu às 20h para chegar em torno de 6h30 no destino. O semi-leito já é confortável por si só, mas ele partiu com tão pouca lotação que foi possível que quase todo mundo tivesse duas poltronas lado a lado para si, permitindo deitar de forma muito mais à vontade do que o normal, o que foi ótimo. A TV do ônibus saiu de Manaus exibindo uma novela da Globo e depois um filme de ação genérico. O veículo contava com wi-fi, mas este só funcionou até sair da cidade, depois disso ficamos sem sinal com o mundo exterior.
                      A estrada a Boa Vista é bem cuidada, é uma viagem bastante tranquila por entre vegetação densa pontilhada por alguns pontos de luz que despertam a curiosidade de o que seriam. Eu não sabia o que esperar da parada, definitivamente não um Graal como os das rodovias de São Paulo, mas fiquei surpreso com o quão modesta era a lanchonete escolhida. Apenas o básico do básico, então é bom estocar o necessário em Manaus mesmo. Foi engraçado reparar que, apesar de estarmos no meio da madrugada numa cidade minúscula na Amazônia, a algumas quadras dali rolava um estrondoso pancadão de funk. Acho que algumas coisas são as mesmas em todos os lugares, rs.
      Dia 2 – De Boa Vista a Santa Elena de Uairén
                      Chegamos em Boa Vista bem cedo de manhã. A rodoviária de lá é um pouco melhor do que a de Manaus, mas não tem nada em volta dela. Para ir a Santa Elena de Uairén há táxis que vão até a fronteira e voltam, eles ficam numa outra rodoviária lá perto, basta tomar um táxi comum até lá que não deve passar de 10 reais. Nessa outra rodoviária, é possível aguardar até o carro pra Santa Elena encher para dividir o valor entre mais pessoas. Conseguimos ir os 5 em um carro só, de 7 lugares, os espaços restantes ficaram para as cargueiras. 50 reais por pessoa.
                      Há ônibus que vão e voltam da fronteira também, mas não vale tanto a pena  pelos horários.
                      A estrada de Boa Vista até Santa Elena, passando pela última cidade brasileira antes da fronteira, Pacaraima, é uma linha reta cortando plantações perfeitamente planas. Não há nada pra ver na estrada, o caminho leva pouco mais de duas horas, é o momento perfeito pra tentar dormir um pouco e encurtar a percepção do percurso.
                      A entrada na Venezuela é bem rápida e tranquila, basta passar pelo posto da polícia federal, responder algumas perguntas de identificação e retirar seu Permiso de entrada. Você vai precisar apresentá-lo na hora de voltar pro Brasil, guarde-o seguramente.
                      Verifique se seu taxista pode te deixar em sua hospedagem em Santa Elena, é uma opção bem conveniente se ele concordar. Se preferir, já aproveite pra agendar a volta também, mais uma vez verificando se é possível partir já da porta do hotel. Muito mais prático do que pegar outro táxi até a fronteira, mesmo se ficar um pouquinho mais caro.
                      Chegamos ao L’auberge no começo da tarde e nos hospedamos, já fazendo agora a reserva para o dia do retorno do trekking. Jesus já se encontrou conosco lá mesmo, onde também havia se hospedado, e deu breves explicações sobre o percurso do trekking e sobre Santa Elena, o briefing de verdade seria à noite. Feito isso, nos convidou para ir almoçar nas redondezas e já aproveitar pra trocar o dinheiro.
                      Comemos em um restaurante bem simples lá perto, com poucas opções. Fiquei só no arroz e macarrão mesmo, e estranhei um pouco este porque os venezuelanos parecem utilizar um molho de tomate muito mais doce do que o nosso. Percebi também que todos os pratos vieram excepcionalmente bem servidos, nenhum de nós conseguiu terminar de comer tudo. Muita comida é uma constante lá na Venezuela, então vá com a barriga preparada para fartas refeições, rs. Experimentamos uma bebida popular de malte, o Maltín, é bem gostoso, vale a pena conhecer. Pagamos em reais, coisa de 15 por pessoa.
                      O câmbio do dinheiro é totalmente informal e complicadíssimo a primeira vista pelos valores estratosféricos em bolívares. Andamos pelas ruas buscando a melhor conversão entre os vários cambistas nas esquinas e em frente às lojas. O melhor que conseguimos foi 1:175k. Troquei 100 reais e foi o suficiente pra tudo que precisei pagar em bolívares, incluindo lembranças pra trazer pra casa, mas as coisas são bastante instáveis por lá no que se refere a dinheiro, o que se paga em duas cervejas comuns em Santa Elena é o valor de um almoço inteiro com bebida numa comunidade indígena na Gran Sabana.
      Sobre o câmbio, esse foi um bom valor para a conversão na rua, mas para moradores com contas em bancos venezuelanos há a possibilidade de conversão por transferência bancária, em que é possível trocar a 1:800k. A maioria das lojas e restaurantes em Santa Elena aceita pagamento em reais, e geralmente o faz a taxas bem acima de 1:175k, então o recomendável é deixar os bolívares para as comunidades indígenas na Gran Sabana e pagar o que for possível em reais. Mesmo nelas há frequentemente a possibilidade de pagar em reais, e parece até preferível por parte dos moradores, então talvez nem seja necessário trocar o dinheiro, mas é bom ter um pouco de bolívares só pra garantir.
      Minha impressão foi de que o bolívar está tanto quanto fora de controle, a inflação fez com que ficasse bastante instável a ponto de até mesmo dentro do parque nacional o guarda-parque me informar que só poderia comprar um mapa do Tepuy Roraima pagando em reais.
      Não deixa de ser uma experiência divertida, porém, ter nas mãos aquelas pilhas enormes de notas para travar uma guerra com os amigos ou fazer chover dinheiro. Não é sempre que a gente pode se sentir tão ryco, afinal, rs.
      Depois do almoço e de uma volta pra conhecer um pouco de Santa Elena, voltamos à pousada pra deixar tudo arrumado pra partida no dia seguinte. Repousamos até a noite quando saímos novamente com Jesus, seu irmão Randy e o sr. Leotério, que também iriam conosco no trekking, para um jantar no Papa Oso Pub, uma pizzaria bacaníssima a uns 5 minutos de lá.
      Dica vegana: Em Santa Elena também não encontrei opções veganas nos cardápios, mas foi tranquilo de adaptar, pedi uma pizza sem o queijo e ela veio muito melhor do que qualquer uma que já comi no Brasil desse jeito. A culinária venezuelana é muito rica em variedades vegetais e as usa de forma bem inventiva, então lá é um ótimo lugar pra ser vegano, eu diria. Eu pelo menos consegui comer muito bem.
      Comemos pizzas artesanais absolutamente deliciosas e tomamos uma cerveja local popular, Zulia, mais suave do que as brasileiras e bem saborosa, gostei bastante. Aparentemente os venezuelanos gostam muito da nossa Itaipava, que é pra eles como uma Stella ou algo do tipo é pra nós, fato interessante.

      A conta ficou bem alta em bolívares, mas em reais a coisa mudou de figura, foi um preço baixíssimo considerando o naipe da refeição. 138 reais numa refeição espetacular para 8 pessoas.
      Voltamos pra pousada, deixamos na recepção algumas bolsas com coisas que não usaríamos no trekking e fomos dormir cedo pra partir ao amanhecer para o trekking.
       
      Custos no dia 2
      R$ 10 de transporte de uma rodoviária a outra em Boa Vista, divisível por 4 pessoas;
      R$ 50 de transporte de Boa Vista a Santa Elena de Uairén;
      R$ 40 de reserva de diária na hospedagem em Santa Elena para o dia do retorno, valor aproximado, varia de acordo com o quarto;
      R$ 15 de almoço;
      R$ Variável de câmbio de reais a bolívares;
      R$ 20 reais de jantar;
       
      Dia 3 – De Santa Elena ao Paratepuy ao Acampamento do Rio Têk
                      Sair com o nascer do sol não foi bem o que aconteceu, porém. Explico: Abastecer o carro em Santa Elena é uma tarefa demorada. Demorada tipo umas 12 horas numa fila gigante em que as pessoas deixam seus carros à noite e vão pra casa dormir pra abastecerem de manhã quando o posto abre. É uma coisa realmente impressionante, e bem inconveniente quando você tem hora pra sair.
                      Íamos partir com a luz do sol, acabamos saindo umas quatro horas depois, que foi quando nosso motorista conseguiu encher o tanque. Os veículos que fazem esse serviço são, como já nos havia sido dito, rústicos. Um 4x4 antigo com uma gambiarra aqui e outra alí, várias  marcas de uso e idade, e música animada tocando a todo volume, várias vezes versões modificadas de músicas populares do funk ou sertanejo brasileiros. É uma experiência veicular divertidíssima.
                      Um dos nossos teve uma situação de saúde que, apesar de não ser grave, seria impeditiva para fazer o trekking. Depois de muita deliberação, conjectura, replanejamento e insistência, Jesus chamou um táxi para deixá-lo seguramente na fronteira, donde voltou a Boa Vista, e nós quatro restantes partimos para o parque, com pesar pelo companheiro.
                      Enfim, embarcamos tardiamente com Jesus, Randy, Leotério e os pais de Jesus, que foram junto porque a mãe, de origem indígena, daria um voto de confiança para nosso grupo frente aos que regulam a subida ao Paratepuy e entrada na trilha do Monte Roraima. Só um método de agilizar o processo. Os pais de Jesus também foram extremamente simpáticos conosco, foi uma reunião familiar bem agradável de participar, rs.
                      No processo de obter as autorizações necessárias, já deixamos reservado e pago nosso almoço na comunidade indígena do Kumarakapuy, por onde passaríamos antes de ir ao passeio da Gran Sabana alguns dias depois. 2 milhões de bolívares com bebida inclusa, pouco mais de 10 reais.
                      27 km de estrada de terra acidentada depois, estávamos no Paratepuy. Lá foi o momento de assinar a ficha de entrada no parque e ter nossas bagagens revistadas brevemente por itens ilegais. Coisa rápida, só foram bastante enfáticos quanto à proibição de entrada de drones. O mesmo senhor que coleta as assinaturas e faz a vistoria vende mapas do Monte Roraima ao valor de 25 reais cada, é um preço um pouco salgado, mas é um item bem feito e informativo, pra mim valeu a pena como recordação.
                      Por volta de 14h, horário limite de entrada na trilha, começamos o trekking, esse primeiro dia é tranquilo, um pouco de subidas e descidas, mas o perfil altitudinal do percurso é praticamente plano ao longo de seus 14 km. O que dificultou foi a má fortuna de sermos pegos numa chuva relativamente forte, e de ter chovido bastante no dia anterior também. Sacamos roupas impermeáveis e capas, até aí tudo bem, o problema de verdade foram os rios, que sobem bastante com as chuvas. Mais de uma vez tivemos que parar para esperar a água baixar no que seriam travessias triviais sobre pontes ou pedras. O resultado foi que já nesse dia tivemos que meter o pé na água. Adeus a pés secos pelo resto do trekking.

                      Fora isso, esse primeiro dia é muito tranquilo, chegamos a nosso destino em torno de 17h30. O acampamento do Rio Têk conta com casas de pau a pique que os indígenas usam como espaços de comércio para os trilheiros durante a alta temporada. Não é o caso em Julho, mas podemos usar a cobertura para deixar as coisas, cozinhar e comer, garantindo um pouco de conforto. Para montar a barraca, há espaços de grama alta que podem servir como um colchão relativamente macio. Alguns cachorros ficam por lá de olho na comida que  podem conseguir dos trilheiros, dê uns pedaços pra eles, rs.
                      No acampamento do Rio Têk é muito importante tomar cuidado com a fauna, há alguns formigueiros no local e, na época de chuvas, é comum avistar cascavéis. Uma delas inclusive deu uma volta por perto de nossa barraca durante a noite. Eu estava dormindo profundamente, mas meu colega ouviu movimento na grama e no dia seguinte uma testemunha ocular confirmou, hahaha, então aplicam-se os cuidados de verificar suas coisas fora da barraca antes de mexer nelas, e evitar de andar sem botas.
      É lá que você vai ter seu primeiro encontro com os puri-puri também, mosquitos minúsculos e extremamente irritantes que vem em horda e mordem em qualquer lugar desprotegido, deixando marcas cabulosas. Ainda ostento algumas nos braços duas semanas depois do trekking, rs.
      Provavelmente o seu não será o único grupo acampando lá, então se estiver se sentindo sociável, deve ter uma galera diferente pra conversar. Nesse primeiro dia compartilhamos a mesa com um casal de brasileiros. Ele, fotógrafo, não colocou suas câmeras em sacos estanque e uma delas acabou totalmente encharcada na chuva, um prejuízo de dar dó, então é bom ter muito cuidado com o que não pode molhar. No dia seguinte cedi alguns sacos plásticos pra eles protegerem um pouquinho melhor as coisas. Uma dica que eu dou é a de levar um rolinho de sacos de lixo com a litragem que você achar mais adequada, eu levei de 15L. É sempre bom ter esse recurso em abundância, alguém sempre acaba precisando.
       
      Custos no dia 3
      R$ 15 de reserva de almoço com bebida inclusa no Kumarakapuy, pago em bolívares, valor aproximado;
      R$ 25 de mapa do Monte Roraima, opcional.
       
      Dia 4 – Do Rio Têk ao Acampamento Base
                      Despertamos com o sol no segundo dia de trekking e tomamos um café da manhã reforçado, a trilha hoje seria um pouco mais dura pelo ganho de altitude. Jesus compartilhou um pouco da culinária local conosco: pão com uma pimenta tradicional indígena; domplins, que são como pasteizinhos; e apenas uma beiçada para cada de um fermentado indígena de batata doce, bebida com sabor bem peculiar mas que não pudemos tomar muito pois ela tem histórico de mexer com o intestino de quem não está acostumado, rs.
                      Acordamos cedo, mas tardamos a sair, aguardando o nível do rio Têk baixar. Não era ele o problema maior, explicou Jesus, mas logo depois teríamos que cruzar também o Kukenán, mais largo e bravo. O Têk serviu como uma espécie de diagnóstico para quando o Kukenán fosse estar transponível, desse modo. Enquanto esperávamos, tivemos vista limpa do Roraima e do tepuy vizinho, chamado Kukenán também, igual ao rio. A vista para ele é melhor do que para o Roraima, provavelmente a maioria das fotos que você já viu do Acampamento do Rio Têk com uma montanha no fundo eram dele. E é lindíssimo.
                      Saímos às 9h e atravessamos o Têk para iniciar a caminhada de 9 km até o acampamento base. Poderíamos ter tirado as botas para atravessar, mas como já estavam molhadas mesmo, não ia fazer muita diferença. Entre o Têk e o Kukenán, há uma colina com uma pequena igreja construída com pedras do rio, e perto dali há rochas com inscrições antigas em relevo, litóglifos, representando animais e pessoas. Duas vistas muito interessantes para os curiosos com o aspecto humano em torno desse território.
                      Atravessar o Kukenán realmente foi um pouco mais pedreira, a travessia é feita onde um afluente se junta a ele, o que resulta numa distância relativamente longa a ser percorrida de uma margem a outra. O bastão de caminhada é item essencial aqui, se você não tiver um seu, provavelmente usará um emprestado do guia.

                      Do outro lado, paramos por uns 20 minutos para entrar na água num ponto em que ela é mais lenta, ótimo lugar para banho. Afastando-se um pouco da margem já se chega ao acampamento Kukenán, também com estruturas de pau a pique. Pareceu tão confortável quanto o acampamento do Rio Têk.
                      A partir daí é só subida, subida e mais subida. É cansativo com a cargueira, sobretudo se o sol forte da savana abrir por entre as nuvens, mas dá pra ir tranquilo. Paramos no meio do caminho, no Acampamento Militar – este apenas uma área aberta no meio da vegetação – para um lanche. Tivemos aqui nosso segundo (e felizmente último) encontro com uma cascavel, que estava camuflada entre as rochas bem perto de onde nos sentamos. Cuidado. Vimos também diversos lagartos, grilos enormes, e os malditos dos puri-puri, rs.
                      Mais uma pernada de subida em subida e chegamos ao Acampamento Base no meio da tarde, uma ampla área para montar barracas, com água bem perto. Nele não há as estruturas que há no Têk e Kukenán, mas os guias costumam estender lonas presas a árvores para permitir que se cozinhe e coma a abrigo da chuva.
                      Há muitos pássaros diferentes e bonitos nessa área, e encontramos uma amoreira com alguns frutos silvestres dando sopa. Ainda não estavam maduros, mas nada que prejudicasse a experiência de poder comer alguma coisa fresca por entre nosso cardápio de industrializados, rs. Quando caiu a noite, tivemos ainda a boa fortuna de ter céu limpo. Tão longe da cidade, é claro que estava completamente estrelado e magnífico, a ponto de avistarmos diversas estrelas cadentes passando. O Acampamento Base é um lugar belíssimo, em suma, e estar tão perto da parede do Roraima, com toda aquela expectativa para o dia seguinte, só fez aumentar a apreciação. Foi uma ótima noite.
       
      Dia 5 – Do Acampamento Base ao Hotel Índio e circuito no topo
                      Esse seria um grande dia. Acordamos bem cedo para nos preparar, Leotério mais cedo ainda, já que subiu antes para garantir nosso lugar de acampamento lá em cima. Jesus optou pelo Hotel Índio, mais próximo do acesso ao topo, mas bem pequeno, então seria preciso essa segurança, já que outros grupos iriam subir no mesmo dia.
                      Conforme nos foi dito, os guias e porteadores tem uma organização tácita entre si para levar coisas de volta desde o Acampamento Base até o Paratepuy, e por isso poderíamos, sem precisar desembolsar nada, deixar pra trás algumas coisas que não iríamos utilizar no topo, e as pegaríamos de volta quando retornássemos à comunidade. Essa foi a hora de separar o essencial da tranqueira, a subida até o topo é íngreme e longa, quanto menos peso melhor.
                      Tendo removido tudo que não seria preciso, iniciamos o percurso, que adentra em mata mais fechada e vai se aproximando do paredão. Mesmo com a vegetação mais densa, é uma trilha bem aberta, sem dificuldades. Só exige uso de mãos em alguns poucos trechos de escalaminhada, mas nada complicado.

                      Logo se chega à parede do Roraima e aí se pega o único caminho conhecido para o topo que não exige escalada em Big Wall, a famosa La Rampa. Sem surpresa, é uma subida constante rumo ao topo, sem muito a se dizer aqui.
                      O ponto digno de nota é logo antes da chegada ao topo, trata-se do Paso de Lagrimas, uma pirambeira em pedras soltas sob uma cascata semipermanente, é o trecho mais complicado do percurso, e onde é preciso ter mais atenção para evitar acidentes, sobretudo na época chuvosa, quando a queda de água está mais forte.  Ênfase em forte, proteger bem seus equipamentos contra a água é muito importante, pois apesar de ser um trecho curto, molha bastante, e não dá pra se dar ao luxo de atravessar com pressa.

                      Passado o crux do caminho, chega-se em pouco tempo ao topo do Monte Roraima, um momento bastante emocionante. O topo mostra desde cedo suas características únicas e justifica seu apelido frequente de “O Mundo Perdido”, as formações geológicas são impressionantes e a vida expõe toda sua gana de se manter num ambiente tão estéril. A água, a rocha e o vento desenham formatos que não existem em qualquer outro lugar do mundo, e é espetacular não por se parecer com algo fora da Terra, mas justamente pelo quão terreno é, pelo tanto que diz de inacreditável sobre os processos que o planeta e a vida enfrentam há milhões de anos. Imagino que para geógrafos, geólogos, biólogos e afins, aqueles que saibam realmente ler essas marcas, a experiência seja ainda mais fantástica, mas o leigo não perde nada no quão marcante ela é.
                      Enfim, andamos mais alguns minutos do acesso ao topo até o Hotel Índio, montamos nosso acampamento sob a proteção da cobertura rochosa e partimos ávidos para conhecer mais do Tepuy.

                      Partimos sob chuva e vento fortes, mas aliviados por estarmos caminhando leves. Nesse dia faríamos um circuito nas proximidades, começamos pelo Vale dos Cristais do lado venezuelano, um local onde cristais de quartzo cobrem o chão. Quartzos podem não ser lá tão impressionantes por si só, mas a mera quantidade deles torna a vista lindíssima.
      Seguimos para ver algumas das Ventanas, áreas próximas ao abismo de onde se pode ver o Kukenán e outras faces do Roraima. As nuvens densas do topo não ajudaram muito, mas por entre as curtas aberturas no branco tivemos visões maravilhosas, a mais marcante para mim sendo quatro cachoeiras lado a lado num ponto longínquo do Roraima.

      Vimos também o Salto Catedral, uma grande cachoeira lá no alto do Roraima, na qual é possível banhar-se dado um clima favorável. Ainda assim, não seria um local tão bom quanto as famosas jacuzzis, pequenas piscinas naturais de água tão cristalina que mal se vê onde ela começa nas margens mais rasas, e com o fundo coberto de quartzos. Não há descrição que faça jus a elas.
       Depois disso seguimos para a parede sul do Tepuy, onde adentramos na Cueva de los Guácharos, uma caverna que corre por vários quilômetros até acabar num buraco no paredão. Claro que só entramos por algumas dezenas de metros, para ver as formações geológicas. Cavernas são sempre lugares interessantíssimos, quase alienígenas, e essa não foi diferente, é um ponto muito bacana pra se visitar. Pertinho, há um mirante, do qual não conseguimos ver nada, e outro hotel, esse bem maior, ocupado pela turma de uma agência de Boa Vista.
      Voltamos a nosso acampamento e jantamos muito confortavelmente num patamar superior do hotel Índio, que forma como se fosse uma mesa onde podemos colocar o fogareiro e as panelas, e uma suave curva na parede onde se pode sentar. É como se tivesse sido esculpido.
      Durante a noite fez bastante frio, tivemos que recorrer a toda gama de roupas para ficarmos aquecidos. Senti que meu isolante térmico – um basicão de EVA e alumínio já surrado pelos anos – não deu conta. Não que eu tenha ficado em risco de hipotermia nem nada, mas perdi muito em conforto nessa noite, um equipamento um pouco melhor (ou ao menos mais novo) talvez seja uma boa pedida.
      Também tivemos um visitante noturno inesperado. Durante a madrugada ouvimos algumas coisas caindo na “cozinha”. Meu pensamento foi que outra pessoa estivesse lá fazendo algum lanche noturno ou algo do tipo, mas descobrimos depois que foi um quati esguio que foi pra lá tentar abocanhar alguma coisa. Eu sei que tem um hotel chamado Quati lá em cima, mas fiquei surpreso de saber que eles realmente conseguiam viver lá em cima, quatis são impressionantes.
      Depois disso deixamos as coisas mais fora de alcance. Não posso afirmar com certeza, mas suspeito seriamente que tenha sido isso que aconteceu com um saco de chá instantâneo que eu perdi depois de uma refeição e não encontrei mais, rs, só espero que não tenha feito mal pro bicho.
       
      Dia 6 – Vale dos Cristais Brasileiro, Ponto Tríplice, El Foso e o cume
                      Esse seria o dia do circuito longo no topo, o prato principal do trekking por assim dizer. O dia amanheceu frio e chuvoso, características bem pouco promissoras para proporcionar belas vistas de paisagem, mas que dão ao Roraima seu ar misterioso. Calçamos as botas, jogamos as mochilas de ataque às costas e partimos.
                      No caminho, fomos atribuindo formas às rochas encobertas pela neblina enquanto andávamos no que parecia um plano sem fim e indistinto. Percebi como a navegação no Roraima pode ser complicada, sem visibilidade não há pontos de referência claros para orientar a caminhada, alguém andando sozinho e sem conhecimento do terreno poderia facilmente se perder.
                      Depois de margear um rio em um vale entre duas paredes altas de rocha. chegamos ao Vale dos Cristais do lado brasileiro, e se o outro já é impressionante, este é simplesmente fantástico. Os cristais de quartzo cobrem o chão como neve e afloram aglomerados em grandes rochas. Em algumas cortadas, é possível perceber os traços do longo processo de formação dos cristais. Nenhum de nós jamais havia visto algo parecido.
                      Bem perto de lá, num ponto elevado, encontra-se o famoso Ponto Triplo, que marca o encontro de Venezuela, Guiana e Brasil. Não há muito para se ver, mas a sensação de estar lá vale o percurso. É apenas uma pirâmide triangular em que cada face corresponde a um dos países. Nos lados de Brasil e Venezuela há placas identificando o país, datas etc. No lado de Guiana, a placa é arrancada pelos militares venezuelanos sempre que é instalada pelos guianenses, consequência do ainda vivo debate entre os dois países pelo território da Guayana Esequiba. Me pareceu um tanto cômico que os militares dos dois países fiquem nessa disputa por uma placa no alto da montanha, rs.
                      Enfim, o terceiro ponto de interesse desse circuito é não menos magnífico que o primeiro, no que se refere a obras naturais. El Foso, um belo cenote no meio da paisagem. Com tempo bom é possível banhar-se, mas pelo alto nível da água o caminho estava até mesmo intransponível, com as galerias que levam ao poço alagadas.

                      A próxima parada foi um quase-hotel sob o qual nos sentamos para uma refeição, já que a caminhada de volta seria longa e rumo ao Maverick, ponto culminante do tepuy, convenientemente bem próximo do Hotel Índio. Maverick porque teoricamente o formato de alguma rocha por lá se parece com o veículo de mesmo nome, nem reparei, e creio que a associação seja um tanto forçada, já que esse nome deriva do original imaweru (ou algo parecido com isso, a memória não ajuda a lembrar de nomes, rs), relacionado à lenda de Makunaima.
                      A aproximação foi por terreno um pouco mais pantanoso, tivemos de evitar a lama e as poças fundas, mas a subida em si não é comprida e não apresenta dificuldades técnicas. Rápido e fácil.
                      A sensação de chegar ao cume, porém, não é menos fantástica. Creio que não importa quantas montanhas você já tenha subido, nunca perde a magia, e o Roraima parece ter algo que aumenta ainda mais o sentimento. Beijei a rocha e coloquei uma nova pedrinha no totem que marca o ponto mais alto. A montanha não me deu uma vista da Gran Sabana, mas de si própria. Tive vista para os pontos longínquos do tepuy e para seu abismo, e nunca vou me esquecer da imagem.

                      Após desfrutarmos do cume, retornamos ao acampamento, o que tomou pouco tempo. Durante o jantar adiantado, ainda ao fim da tarde, o céu se abriu um tanto e deu vista perfeita para o Kukenán, bem de frente para nós. Refeições com uma vista maravilhosa, quando as nuvens colaboram, mais uma vantagem do Hotel Índio
      Esse foi o último dia no topo, na manhã seguinte sairíamos ao amanhecer. Durante a noite choveu e ouvimos trovões à distância, no Kukenán.
       
      Dia 7 - Do topo ao Rio Têk
      Saimos cedo, com alguma urgência, pois as nuvens de chuva ainda se acumulavam no paredão do Kukenán, na cabeceira do rio que leva seu nome e que teríamos que atravessar mais tarde.
      O Paso de Lagrimas foi de novo a parte mais difícil, descer mais ainda. A cascata caía forte e as pedras tornavam as passadas arriscadas, não à toa é nessa descida onde ocorre a maioria dos acidentes. Calma e cuidado.
      O resto da descida é tranquila, mesmo os trechos mais verticais do caminho até o acampamento base são surpreendentemente simples para descer, em pouco tempo estávamos lá embaixo, onde descansamos brevemente antes de seguir rumo aos rios.
      Como se diz, pra baixo todo santo ajuda, a descida é uma delícia, seguimos com bastante espaço entre nós, cada um a seu ritmo apreciando um momento de introspecção solitária na savana.
      Pelo caminho, já desde La Rampa, cruza-se com porteadores descendo pela mesma rota. Eles podem ser contratados para levar as bagagens de quem estiver moído pelos dias na montanha. Uma das nossas contratou um deles para levar sua cargueira nesse dia e no próximo, 35 reais por dia. É uma opção.
      O sol abriu forte por entre as nuvens depois de um tempo. Queimou-me o braço exposto em questão de minutos, a marca da fita do bastão de caminhada ainda está visível nas costas da minha mão. Não dispense o protetor solar, o sol equatorial é bruto.
      Chegamos com alguns minutos de intervalo entre cada um ao Rio Kukenán, e atravessamos apressadamente, Jesus estava claramente preocupado, o rio subia rápido e ficava cada vez mais forte. Cruzamos poucos minutos antes de ficar perigoso.
      O Têk já estava alto também, tivemos que margeá-lo até encontramos um ponto adequado para cruzar, mas o fizemos sem qualquer traço da preocupação que marcou a travessia do Kukenán.
      Estávamos em casa, de volta ao acampamento do Rio Têk, com seus cães amigáveis e os malditos puri-puri. Compartilhamos o vasto espaço com um pequeno grupo de agência que conhecemos brevemente no topo. Não falamos muito com eles.
      Desci sozinho ao Rio Têk num momento para lavar nas pedras uma camiseta que eu estava usando como pano. Me vi sozinho na imensidão da savana, com o Kukenán imponente entre as nuvens exercendo uma atração magnética sobre meus olhos, e a sinfonia do rio preenchendo meus ouvidos. Nada além disso. Lavar roupa num rio, um dos momentos mais pacíficos de toda minha vida, seguido pela sensação agridoce de saber o quanto eu sentiria falta desse lugar.
      Dormimos cedo, na manhã seguinte deveríamos estar caminhando já antes do sol nascer.
       
      Dia 8 - Fim do trekking e Gran Sabana
      Acordamos antes das 5 e tomamos um café da manhã generoso, agora fazia menos sentido racionar. Saimos em silêncio, no escuro, para não acordar o outro grupo.
      Sair tão cedo teve o objetivo de chegarmos logo ao Paratepuy para termos mais tempo nas cachoeiras da Gran Sabana. Ninguém reclamou.
      A caminhada foi acelerada, de meus companheiros, eu fui o único que não contratou um porteador para esse dia. Estava me sentindo muito bem e queria terminar o percurso com minhas próprias forças. O Roraima fez me sentir mais forte e disposto do que havia há muito tempo na rotina de São Paulo. Depois de andar com peso pelos últimos dias, a única coisa no meu corpo que não estava a 100% eram os pés que passaram tanto tempo em botas molhadas, mas o incômodo era só no começo da caminhada. E as picadas de puri-puri, não dá pra se acostumar com isso tão rápido.
      Ajudou, também, que todos os trechos de água que dificultaram muito nosso percurso no primeiro dia estavam agora muito mais baixos. A diferença era simplesmente espantosa, se não soubesse o quanto a água podia subir, não teria nem mesmo registrado esses trechos, de tão insignificantes que pareciam agora.
      Roraima e Kukenán nos deram uma esplendorosa despedida, pela primeira vez vimos os dois juntos livres de nuvens. Imaginei o quão espetacular estaria a vista do cume em que eu havia estado dois dias atrás. Mas aceitei de bom grado que a montanha não tenha me concedido essa visão, não fez falta nenhuma
      A chegada ao Paratepuy veio com gosto de sucesso, completamos o trekking, concluímos uma experiência que será para sempre grandiosa em nossas memórias.
      E ainda era cedo, logo teríamos um almoço de verdade e um dia pelas maravilhas fluviais da Gran Sabana.
      Eu demorei muito pra ficar impaciente, nas cerca de 4 horas de atraso de nosso transporte. O grupo que deixamos dormindo no acampamento do Rio Têk inclusive acabou descendo antes de nós, apesar do veículo deles também ter atrasado bastante. E quando fiquei impaciente, foi só isso, já falamos sobre as condições do abastecimento lá em Santa Elena, todo mundo foi compreensivo.
      Eventualmente o 4x4 chegou, trazendo um grande grupo de coreanos que aparentemente não tinham ideia de que estavam ingressando num trekking de vários dias com quantidades cavalares de lama e chuva. Trouxe também um grande isopor cheio de cerveja, para brindarmos o trekking concluído.
      A descida foi emocionante, pode-se dizer. Perrengues veiculares são algo por que já passei um milhão de vezes, então minha reação ao ouvir o carro inguiçando foi um “bem, acho que isso era inevitável” mental. Quando tivemos que parar pro motorista fazer alguma gambiarra pro carro voltar a andar eu fiquei calculando de quantas horas poderíamos precisar para estarmos de volta em Santa Elena se ele quebrasse ali no meio do nada no caminho do Paratepuy. Seriam muitas, na certa. Mas no fim do tudo certo, chegamos ao Kumarakapuy e o motorista foi embora levar o carro pra consertar, em breve viria uma substituição.
      Foi o tempo de darmos uma volta pelas poucas lojinhas abertas - já que era sábado e os moradores são de maioria adventista - e almoçar.

      Fiquei surpreso com o prato vegano que chegou: arroz, feijão vermelho, repolho, mandioca, banana da terra e abacate, todos maravilhosamente temperados. Eu pessoalmente não gosto de abacate e nem de comer bananas fora de seu estado mais natural possível, mas as duas coisas caíram muito bem com um pouquinho da pimenta tradicional dos indígenas. Tudo acompanhado por um belo suco natural de maracujá, o favorito dos venezuelanos, pelo jeito.
      Nas lojinhas comprei um modesto chaveiro representando o Roraima, um suporte de incenso para minha noiva e um pote da famosa pimenta. Eles tem uma versão dela com o acréscimo de cupins inteiros na receita, o que achei bastante curioso. Tudo muito barato mesmo em bolívares.
      Isso feito, embarcamos já um pouco tarde para o passeio pela Gran Sabana, concordamos em tirar uma das cachoeiras do roteiro para aproveitarmos bem as demais, e partimos na road trip mais divertida que já fiz. O carro voava pela estrada enquanto dentro soavam de novo as músicas animadas que no Brasil seriam de uma cafonice extrema.
      A primeira parada foi o Oasis, uma cachoeira que faz jus ao nome, praticamente ao lado da estrada. Queda pequena no meio de uma concavidade formada por um paredão, resultando num poço simplesmente magnífico e perfeito para nadar. A água estava ótima, o dia seguia quente apesar de ameaçar chuva nas próximas horas. Passamos um bom tempo curtindo o local, não há nada melhor do que uma bela piscina natural após uma montanha.

      Quando subimos de volta ao carro, começou a chover, mas nada que fosse interferir com os planos. Partimos para o próximo ponto enquanto ríamos de nosso colega no banco de carona quando ele, ao tentar fechar a janela, constatou que não havia vidro. O passeio definitivamente não seria tão divertido num carro novo e arrumadinho, de forma alguma. E a chuva não durou o bastante pra aquilo ser realmente um problema, afinal.
      Seguimos até uma ponte onde paramos para observar o rio Yuruani, um curso de água bastante largo e que corria forte. Ficamos tirando algumas fotos no meio da estrada com a turma toda, correndo de um lado para o outro para procurar os melhores ângulos.
      Dalí, o carro avançou pela margem direita do Yuruani, nosso próximo ponto de interesse era uma queda um pouco acima no rio, a Cortina do Yuruani. Desembarcamos numa área de picnic aparentemente abandonada há algum tempo, seguimos perto da margem parando nos pontos de visibilidade para a cascata, ficando mais próximos dela a cada um.
      A Cortina do Yuruani é uma queda não muito alta, mas muito bonita, que vai de uma margem a outra do rio e cai uniformemente. Pelo que disseram, com o rio baixo é possível caminhar por trás dela de uma margem a outra. Definitivamente não era o caso, o rio estava violento, impressionantemente bravio, uma queda ali seria morte certa, mas fiquei curioso de como seria na época de baixa, quando é comum as pessoas praticarem rafting e nadarem perto das margens.

      Já perto do fim da tarde, subimos no carro para voltar a Santa Elena, agora mais calados conforme a escuridão se assentava. Chegando à cidade, demos entrada na pousada e combinamos de nos encontrarmos em uma hora para jantar lá perto, tempo suficiente de tomar um banho e colocar roupas limpas. Pegamos de volta as bolsas que havíamos deixado na recepção, sem incidentes.
                      A uns cinco minutos da hospedagem, jantamos em uma pizzaria, esta bem mais modesta – e – do que o Papa Oso, mas que também não devia no sabor. Uma deliciosa massa pan. Eu, o vegano, pedi uma pizza individual, a que tinha mais vegetais no cardápio, sem o queijo. Pensei que a pequena seria menos adequada do que a média, afinal, os últimos dias me autorizavam a comer bastante. Acabou que a média tinha 8 pedaços, e dali pra cima entrávamos numa terra de gigantes. Acabei comendo 7 dos pedaços, estava delicioso.
                      Voltamos para a pousada, confirmei nossa partida na manhã seguinte com o taxista, que viria nos pegar às 8 horas. Nos encontraríamos antes com Jesus e Randy para um café da manhã típico e despedidas. Dormir numa cama foi uma mudança bem-vinda.
       
      Custos no dia 8
      R$ 15 de jantar em Santa Elena, pago em bolívares, valor aproximado.
       
      Dia 9 - De Santa Elena a Boa Vista, Lethem e Manaus
                      Depois de uma semana em campo, o relógio biológico já está regulado ao tempo da natureza, despertei pouco antes do amanhecer e não voltei a dormir. No meu típico hábito de estar com tudo pronto antes da hora, já deixei todas as minhas coisas preparadas, quando o táxi chegasse era só pegar tudo e partir.
                      Nos encontramos com Jesus e Randy em frente à pousada e fomos comer o que Jesus disse que seriam as coxinhas de padaria da Venezuela. Arepas e domplins com os mais variados recheios. Nenhum vegano, claro, então pedi um domplin simples, pra comer puro. Bem, o domplin que comemos no Roraima não era frito em óleo, obviamente, então fiquei um pouco surpreso de receber um enorme pastel redondo, do tamanho de uma pizza brotinho. Melhor. Café. Da. Manhã. De. Todos.
                      Era mesmo um pastel, só com a massa um pouco mais grossa. Nada saudável, que seja, mas muito bom. Acompanhou novamente um suco de maracujá.
                      Voltamos à pousada e nos despedimos calorosamente de nossos guias e agora amigos, já pensando em reencontros quando voltássemos à Venezuela ou eles fossem ao Brasil. Vendi os cartuchos de gás que não utilizamos para eles, a menos do que paguei na loja, só para recuperar um pouco do valor.
                      No horário, embarcamos no táxi de volta para Boa Vista. A saída da Venezuela foi muito mais rápida e tranquila do que imaginei que seria, apenas entregamos os permisos  e seguimos a longa viagem pro Brasil. O valor ficou em 75 reais por pessoa, agora que estávamos em quatro pessoas.
                      Passaríamos a tarde em Lethem, para ir pra lá é possível pegar um ônibus sentido Bonfim, no valor de cerca de 35 reais, que para na fronteira da Guiana, e de lá ir de táxi para o centro comercial da cidade. Para voltar é a mesma coisa. É possível também pegar um dos mesmos táxis que fazem o percurso a Santa Elena, em torno de 500 reais para o grupo. Questão de ver o mais rentável.
                      O caminho para a Guiana passa pelo Rio Branco, e na época de cheia a visão é bem impressionante, a estrada cortando campos alagados pontilhados por árvores e construções. Depois disso vai plano por entre plantações até chegar a seu destino.
                      A fronteira Brasil-Guiana é completamente diferente da Brasil-Venezuela, se nesta há um monte de gente pra todos os cantos e filas grandes, naquela há muito menos movimento, entra-se rápido no país e a primeira coisa que se nota é a mão inglesa do trânsito. A mudança súbita do lado da estrada por onde se deve trafegar causa certo estranhamento, rs.

                      A cidade de Lethem é minúscula, e evidencia a austeridade do país, as largas ruas sem asfalto acumulam lama, os prédios são baixos, pouco luxuosos, não há nada de particularmente vistoso por lá. O centro comercial é uma área com lojinhas de tranqueiras, é um bom lugar pra comprar presentes pra trazer de volta pro Brasil. Eu havia ouvido falar sobre um refrigerante de banana que só existe lá na Guiana, e fiquei de olho para ver se encontrava, é de uma marca chamada I-Cee. Acabei encontrando num pequeno restaurante, paguei 5 reais por garrafa de 710 ml, e valeu a pena, é bom.
                      Há algumas opções de almoço por lá, desde comida brasileira até umas opções mais locais, que não são muito diferentes da comida chinesa mais simples que encontramos por aqui, o que se explica pelo grande influxo de imigrantes orientais que a Guiana recebeu historicamente. Com 20 reais se paga um bom almoço com bebida.
                      Percebam que estou dando os valores em reais, lá não é preciso trocar dinheiro, as lojas aceitam reais. A língua da Guiana é o inglês, mas presumo que os lojistas estejam acostumados a se comunicarem com brasileiros de uma forma ou de outra, se for necessário. Não imagino que não-falantes do inglês tenham dificuldades para se virar por lá.
                      Enfim, não é um passeio espetacular, mas é uma experiência definitivamente muito interessante, até porque não é muita gente que pode dizer que visitou a Guiana, não é mesmo?
                      De volta para Boa Vista, fizemos hora na rodoviária - já que não há nada de interessante pra se ver por perto dela - até a partida do nosso ônibus. Dessa vez ele saiu cheio, todas as poltronas ocupadas, muitas delas por passageiros venezuelanos. Fui sentado ao lado de uma moça bem falante que me deu várias dicas sobre Manaus. Num momento o ônibus parou e adentraram dois militares ordenando que todos mostrassem os documentos. Os estrangeiros foram tirados do ônibus para uma verificação ou algo do tipo. Fiquei um pouco espantado, mas aparentemente, é de rotina. Só mais um sintoma da situação fronteiriça.
                      O ônibus logo partiu, adentrando a escuridão por entre as árvores. E eu dormi até o amanhecer.
       
      Custos no dia 9
      R$ 75 de táxi de volta a Boa Vista;
      R$ 100 de transporte para ir e voltar de Lethem, valor aproximado;
      R$ 20 de refeição em Lethem;
      R$ 15 de refeição simples e petiscos para o ônibus na rodoviária em Boa Vista.
       
      Dia 10 – Manaus, praia da Lua e Mercado Municipal
                      Acordei novamente com os primeiros raios de sol, quase chegando a Manaus. Nosso camarada que não fez o trekking já estava lá, em um hostel perto do centro histórico da cidade. Da rodoviária pedimos um Uber para lá. O Hostel Manaus, onde ficamos, é uma hospedagem a preço bastante razoável, limpa e com excelente atendimento, fica a recomendação. Dividi um quarto privativo com um colega ao valor de 45 reais a diária para cada um, há diárias mais baratas nos quartos coletivos. O hostel pede um caução de 20 reais, que pode ser usado em consumo de cervejas e refrigerantes vendidos por lá, ou recuperado no check-out.
                      Depois do check-in deixamos as coisas nos quartos e partimos logo para conhecer a cidade. Nesse dia, quente e abafado, optamos por visitar uma das praias do Rio Negro, e o atendimento do hostel foi muito solícito em nos dar informações e sugestões. Optamos pela Praia da Lua, para chegar lá pegamos um Uber para a Marina do Davi e, de lá, um barco até a praia.
                      O lugar é fantástico, uma faixa de solo corta o Rio Negro entre a floresta inundada. A água é boa e ver sua própria pele parecer vermelha sob a água escura do rio é bem interessante. Lá há quiosques para comer e beber, bem como aluguel de pranchas de Stand Up Paddle. A água calma e as copas das árvores despontando formam um lugar excelente para marinheiros de primeira viagem, como eu, terem uma experiência bastante divertida, rs

                      Passamos um bom tempo lá, quando cansamos apenas voltamos ao pequeno píer para esperar o próximo barco voltando para a Marina. Embarcamos e chegando lá já pedimos um Uber para mais um rolê, agora no Mercado Municipal. O lugar é enorme e tem muitas opções de presentes e lembranças para levar pra casa, acabei trazendo uma garrafa de cachaça de jambu, uma fruta do Norte que provoca efeito anestésico na boca, não é pra todos os gostos mas é muito interessante e gerou muitas reações engraçadas com o pessoal aqui, hahaha. Experimentei algumas marcas e a que mais gostei foi a Meu Garoto, que foi a que comprei.
                      Meus colegas foram comer um almoço tardio no Mercado, pratos tradicionais de peixe. Eu como não encontrei nada de vegano, comprei um açaí. Eu sabia que era diferente do que conhecemos aqui em São Paulo, e honestamente achei o nosso muito melhor. Questão de hábito, talvez. Não que tenha achado ruim, mas realmente é um pouco amargo. Enfim, se não me agradou no sabor, na sustância não deixou a desejar.

                      Feito isso, fomos dar uma volta na avenida em frente ao Mercado para analisar as opções para nosso passeio do dia seguinte. Havíamos pegado contato com a companhia que nos levou e trouxe da Praia da Lua e negociamos um barco privativo no valor de 600 reais para fazer o passeio turístico tradicional pelos Rios Negro e Solimões. O melhor valor que conseguimos nos operadores de rua, para ir num barco lotado com mais 30 pessoas, foi de 100 reais por cabeça. Pagando 120 cada um, preferimos ter o conforto do barco privativo, até pra podermos ver tudo rapidamente e termos tempo de emendar algum outro passeio depois desse. A quem possa interessar, seguem os contatos do barqueiro, chamado Grande: (92)99981-8463/99157-8495/99227-3999 (WhatsApp).
                      A pé, fomos para um Carrefour nas redondezas comprar comida pra fazermos no hostel e seguimos para ele na sequência. Não saímos à noite nesse dia, aproveitamos para organizar nossas coisas, descansar e jogar umas cartas entre nós. O Hostel Manaus é populado principalmente por mochileiros estrangeiros, pelo que pude perceber, então as interações por lá foram consideravelmente internacionais, o que é sempre muito interessante. É fantástico ter três línguas diferentes sendo faladas ao seu redor num mesmo lugar.
                      Fomos dormir não muito tarde, o passei no dia seguinte seria nas primeiras horas da manhã.
       
      Custos no dia 10
      R$ 20 de Uber ao hostel, divisível por 4;
      R$ 90 de duas diárias de hospedagem em quarto privativo pra duas pessoas;
      R$ 20 de caução no hostel, podendo ser recuperado no check-out ou usado em consumo;
      R$ 15 de Uber à Marina do Davi, divisível por 4;
      R$ 10 de barco para a Praia da Lua, já contando ida e volta;
      R$ 15 de Uber ao Mercado Municipal, divisível por 4;
      R$ 8 de açaí no Mercado Municipal;
      R$ 30 de comidas e bebidas no supermercado, para dois dias.
       
      Dia 11 – Rios Negro e Solimões, INPA e bar
                      O café da manhã incluso na diária do hostel era simples, mas suficiente e saboroso, o suco natural de cupuaçu ou graviola na certa era a melhor parte. Comemos bem e partimos para a Marina do Davi novamente. Encontramos nosso barqueiro, Grande, e embarcamos na Apuaú III, uma lancha grande e confortável que tínhamos só para nós.
                      Navegamos pelas águas escuras do Rio Negro até chegar ao primeiro ponto de interesse do passeio, uma aldeia indígena bem pequena, claramente apenas um espaço de recepção de turistas. Lá há artesanato para comprar, algumas coisas interessantes para fotografar e, pra quem é dessas, a opção de degustar as saúvas defumadas consumidas pelos indígenas. Para quem quiser pagar, há a opção de assistir a uma apresentação e realizar pintura de pele, mas como não era de nosso interesse, logo seguimos viagem.

                      A próxima parada foi num braço do rio, e é ponto polêmico considerando meus colegas veganos: É o rolê de nadar com os botos. Acessa-se o local por uma plataforma flutuante onde os operadores solicitam que se remova todo o protetor solar da pele e dão instruções para os visitantes sobre como interagir com os animais sem incomodá-los. Os bichos vêm soltos do rio, atraídos pelos peixes que um funcionário dá no bico deles. Esse tipo de interação meio domesticada com animais selvagens é sempre questionável, sobretudo considerando que depois do nosso barco chegaram dois daqueles que carregam 30 pessoas cada. Enfim, questão de consciência, esse passeio é cobrado separado de qualquer forma, 10 reais por pessoa.
                      Daí, seguimos por um igarapé do Rio Solimões, um curso de água por entre as árvores que, nessa época do ano, estavam inundadas. A passagem é simplesmente magnífica, a vista da flora e da fauna é linda, tiramos muitas fotos belíssimas no caminho até o restaurante flutuante de onde sai o caminho elevado para se ver as vitórias-régias.

                     
                     Eu quando criança, depois de uma aula na escola sobre essas plantas, sonhava com viajar à Amazônia para conhecê-las enquanto ainda era leve o bastante para que suportassem meu peso. Eu não teria podido subir nelas, de qualquer modo, então o atraso de alguns anos não mudou nada para a realização do sonho, eu acho. A vista das vitórias-régias é linda, mas por entre tantas coisas maravilhosas acaba não se destacando tanto assim, acho que dentre meus colegas eu fui o que mais se deslumbrou, considerando meu velho desejo infantil.

                      Fora as plantas, há a exuberante fauna amazônica para pontilhar a paisagem: macacos, sapos, aves, insetos etc.
                      O restaurante flutuante é um ponto de parada para almoço nos passeios tradicionais. Também há artesanatos indígenas para serem adquiridos, a preços mais altos do que na aldeia. Como Já havíamos decidido não parar para almoçar ali, seguimos logo para o próximo ponto de interesse.
                      No caminho pelo rio, passamos pelas ferragens de várias grandes embarcações abandonadas e vimos botos despontarem hora ou outra na superfície, passamos por baixo da grandiosa Ponte Jornalista Phelippe Daou e enfim chegamos ao gran finale, o Encontro das Águas, o local onde os rios Negro e Solimões se encontram para formar o Amazonas. As águas de diferente densidade, velocidade e temperatura não se misturam, empurram uma à outra como se competindo pelo espaço. A vista é um espetáculo, e botando a mão na água pode-se perceber a diferença da temperatura. Alguns dizem que não vale a pena ir até tão longe no rio para ver esse fenômeno, mas discordo.

                      Esse foi o último ponto do tour, na volta contornamos a cidade e vimos o grande porto, a Zona Franca, os vários postos de gasolina para barcos (o que é curioso para nós que não vivemos às margens de um rio como esse, rs). Grande nos deixou no píer em frente ao Mercado Municipal, onde comemos uma coisinha rápida (eu fui de açaí de novo) e logo pedimos um Uber para nos levar ao Bosque da Ciência do INPA (Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia), uma pequena área de preservação com animais silvestres soltos e recintos de animais resgatados sendo cuidados pelo instituto, além de um museu com exibições biológicas e históricas.
                      O bosque é um local bem agradável, e é fácil avistar diversos animais por entre as árvores. Vimos macacos, preguiças e uma paca jovem. Junto com os animais em cativeiro: peixes-boi, jacarés,  tartarugas e uma ariranha, o instituto oferece uma amostra bem diversificada da fauna amazônica.

                      E bem, se Manaus é difícil para veganos, pelo menos tem tapioca pra todo canto, e mesmo a simples – lembrando de pedir sem a manteiga - já é uma refeição relativamente saborosa e de sustância. O melhor de tudo é que é extremamente barata, normalmente 2 reais. Aproveitei e comi uma numa lanchonete lá dentro pra complementar, e ela e o açaí de antes já foram o bastante até chegarmos de volta ao hostel.
                      Voltamos já eram umas 17h e fomos arrumar as coisas para partirmos sem problemas no dia seguinte. Com tudo pronto, começamos a falar sobre sair à noite para ir a um bar, decidi jantar antes para não ter problema de não encontrar comida pra mim. Pouco depois partimos de Uber para a praça do Teatro Amazonas, que não fica longe, mas todo mundo nos alertou pra não andarmos por aí de noite. O seguro morreu de velho e a tarifa mínima do Uber não ia quebrar a banca de ninguém. Nosso destino foi a Casa do Pensador, um bar legal com preços bons e um cardápio diversificado. Entornamos algumas cervejas, mandamos umas porções de batata pra dentro e experimentamos uma caipifruta de Graviola que, apesar de um pouco fraca no álcool, estava deliciosa. Enquanto estávamos lá, um grupo de mochileiros profissionais artistas de rua parou lá perto pra fazer uma apresentação de música e acroyoga, foi bem interessante. Voltamos pro hostel quando o bar começou a fechar.
                      Eu já estava um pouco tonto pela bebida, então quando deitei não demorei a adormecer.
       
      Custos no dia 11
      R$ 15 de Uber à Marina do Davi, divisível por 4;
      R$ 120 de passeio Rios Negro e Solimões;
      R$ 8 de açaí no Mercado Municipal;
      R$ 15 de Uber ao INPA, divisível por 4;
      R$ 5 de ingresso no Bosque da Ciência do INPA;
      R$ 2 de tapioca no Bosque da Ciência do INPA;
      R$ 15 de Uber ao hostel, divisível por 4;
      R$ 10 de Uber à praça do Teatro, divisível por 4;
      R$ 20 de comes e bebes no bar;
      R$ 10 de Uber ao hostel, divisível por 4.
       
      Dia 12 – Teatro Amazonas e retorno pra São Paulo
                      Dormi como uma pedra e fiquei surpreso quando, no café da manhã, estava todo mundo admirado com a chuva cabulosa que caiu durante a noite e sobre a qual fiquei sabendo apenas naquele momento. Os benefícios de um sono suavemente etílico, hehehe.
                      Acordei cedo querendo aproveitar a manhã para fazer o tour do Teatro Amazonas e ir ao Palacete Provincial, que abriga cinco museus. Ninguém mais quis ir comigo e, desdenhoso da falta de espírito de exploração de meus colegas, parti sozinho pelas ruas manawaras sob o sol que já desde cedo escaldava a pele.
                      Cheguei no Teatro antes dele abrir e entrei com a primeira turma, o tour custa 20 reais a inteira e passa pelo interior do prédio com uma guia explicando detalhes da História, Arte, Arquitetura e curiosidades do local. É um passeio bastante interessante, apesar do tamanho do prédio não impressionar o paulistano frequentador do nosso enorme Theatro Municipal. Mais do que compensando por isso, o Teatro Amazonas é magnífico e os detalhes de sua construção e decoração são tantos e de tal esmero que impressionam qualquer um.

                      Como um apreciador da ópera, devo dizer que acrescentei na minha lista de coisas a fazer antes de morrer uma visita ao Teatro quando estiver ocorrendo seu famoso Festival Amazonas de Ópera, evento anual com diversos artistas internacionais e apresentações que me pareceram fantásticas.
                      O tour, infelizmente, demorou bem mais do que eu esperava, o que me deixou sem tempo hábil para a visita ao Palacete, então retornei ao hostel para encontrar meus camaradas. Antes de fazer o check-out, fomos fazer uma refeição numa lanchonetezinha simples mas gostosa lá perto, a Skina dos Sucos, onde comi uma tapioca com recheio de uma raiz da região, o tucumã, que se parece um pouco com cenoura, e tomei um suco de uma fruta cítrica também local, o taperebá. Tudo muito bom.
                      Voltamos para o hostel, fizemos o check-out e usamos a grana do caução para tomar uma saideira da geladeira de lá. Seguimos para o aeroporto e logo embarcamos no voo de volta pra São Paulo. O último presente que Manaus me deu foi a vista aérea do Encontro das Águas, magnífica.

                      Chegamos em casa no começo da noite, findando assim essa viagem fantástica e exótica que agora compartilho com vocês.
       
      Custos no dia 12
      R$ 20 de tour do Teatro Municipal (ou 10 a meia);
      R$ 15 de suco e tapioca na lanchonete;
      R$ 20 de Uber ao aeroporto, divisível por 4.
       
                      Acaba aqui o relato, agradeço a você que chegou até aqui e fico alegremente disponível para auxiliar na medida do possível com qualquer dúvida que os leitores possam ter. Não hesitem em mandar mensagens, rs, e boa viagem!


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