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Travessia Rebouças X Mauá (Via Rancho caído) Set/14


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Travessia realizada entre dias 06 e 07/09/2014.

 

Álbum completo com todas as fotos da travessia estão em:

https://picasaweb.google.com/110430413978813571480/TravessiaReboucasXMauaViaRanchoCaido?authuser=0&feat=directlink

 

Esse é um relato da primeira travessia que fiz no Parque Nacional do Itatiaia (PNI) em setembro de 2014, mas que permanecia nos meus planos há muitos anos. A ideia inicial era fazer as travessias do Parque antes das mais pesadas, como Marins x Itaguaré e Serra fina. Porém, acabei fazendo elas primeiro, e até outras e a do PNI acabaram ficando para depois.

 

Era minha primeira incursão nessa parte da Serra da Mantiqueira e ao contrário da maioria, que visita o parque apenas para conhecer os batidos picos da Agulhas negras e prateleiras e logo voltar, eu fui com o objetivo de fazer logo de cara uma das 3 travessias do parque + os picos que fosse possível conhecer pelo caminho.

 

Para essa empreitada, convidei várias pessoas, mas por questão de logística, disponibilidade de dias e a distancia, só 4 puderam ir: Aline, Letícia, Clóvis e o Rogério (que esteve comigo na Serra fina).

Escolhemos a Rebouças x Mauá por conta do número de atrativos pela qual a trilha passa e para conhecer melhor esse belo trecho do famoso e mais antigo parque nacional do país. Embora as outras 2 travessias reservam muitos outros atrativos que eu pretendo conferir in loco numa próxima incursão, escolher 1 das 3 era preciso.

 

Eram 16h40 de uma bela tarde de Sexta feira, qdo lá estava eu no metrô com minha cargueira, rumo a Estação Tamanduateí da linha 2 do metrô, local do encontro, onde iria encontrar os demais. O metrô já estava relativamente cheio, anunciando que o horário de pico estava apenas no inicio e em meio a milhares de trabalhadores cansados e retornando de mais um dia de trabalho, um "doido" com uma mochila tamanho família nas costas e ocupando espaço de 2 pessoas foi a deixa para atrair olhares curiosos das pessoas presentes no interior daquele vagão lotado.....

 

Provavelmente estavam se perguntando: como um cara magrinho como ele consegue ficar de pé com aquele chumbo nas costas? ::lol4::

Cheguei na estação de Tamanduateí por volta das 17h10, a Aline já se encontrava a minha espera e ficamos aguardando a Letícia que ainda não havia chegado. Assim que ela chegou, descemos até o ponto de saída em frente ao Shopping Central Plaza onde ficamos esperando o Clóvis chegar.

 

Não demorou muito e logo ele chegou, foi avisando que o Rogério iria atrasar, devido a um problema na linha de trem em que ele estava vindo. Combinamos de pega-lo na Estação Tatuapé, que já era caminho para a Marginal e a Ayrton Senna e ele só foi chegar quase 1 hora depois, as 18h30, por conta do atraso do trem e a lotação do rush no metrô. Com toda a trupe reunida e feitas as apresentações de praxe, pouco depois das 19h00, partimos em direção a Itamonte, cidade mineira no sul de Minas, próximo a divisa com SP, no alto da Serra da Mantiqueira.

 

A viagem foi tranquila e chegamos a cidade mineira de Itamonte já tarde da noite, por volta das 22h30. Fizemos uma parada para Jantar na cidade e logo nos dirigimos ao "refúgio", onde iriámos passar a primeira noite. O refúgio do Clóvis é uma rústica cabana que ele construiu em um terreno que comprou anos atrás. É muito boa e ainda fica em um dos morros mais altos da cidade a 1.300 metros de altitude (quase a mesma altitude da Pedra Grande de Atibaia) no meio da mata e sua construção lembra muito aquelas cabanas no meio do nada que a gente vê nos filmes americanos.

 

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Na cabana do Clóvis, na manhã seguinte

 

Já havia ficado nela em trips anteriores, qdo retornei a Pedra da Mina via Paiolinho para um batevolta treino. Como teríamos pouco tempo de sono nessa primeira noite, tratamos de ir dormir logo.

 

Combinamos com o resgate de nos levar até a entrada da parte alta do Parque no centro da cidade as 6h30. Para isso, combinamos de todos acordar as 4h, mas o pessoal só começou a levantar mesmo depois das 4h30, por conta do pouco tempo de sono da noite passada. A temperatura do lado de fora estava por volta dos 05ºC com uma bela lua e um céu bem limpo. Com um pouco de atraso, partimos as 5h50 em direção ao encontro com o resgate previamente combinado, que iria nos levar até a entrada do Parque e nos resgatar no final, na Vila de Maromba. E vamos que vamos!

 

1º dia - Do abrigo Rebouças ao Rancho caído.

 

Os primeiros raios de sol já coloriam a parte mais alta dos morros e uma fina camada de gelo cobria os vales, indicando que a temperatura na madrugada em alguns pontos de baixada, deve ter caído abaixo de 0ºC. De fato, ao passar por esses trechos, o frio era mais intenso e a névoa baixa chegou até a embaçar o vidro do carro. Chegamos no centro da cidade por volta das 6h20 com os primeiros raios de sol atingindo alguns pontos das ruas.

 

A temperatura do termômetro do carro do Clóvis marcava 04ºC e aquele inicio de manhã de sábado estava estupidamente gelado mesmo, o que deu uma ideia do que nos esperava na noite seguinte lá nas altitudes acima de 2.300 metros.

 

Após nosso resgate chegar, partimos em direção a Garganta do Registro, onde fica o acesso a estrada de terra que sobe até a parte alta do Parque. A sinuosa subida inicia-se na altitude de 1.660 metros e inicialmente segue em meio a floresta de mata atlântica, que logo dá lugar aos campos de altitude. A estrada estava bem esburacada, o que fez a Van do Amarildo andar em velocidade bem reduzida.

 

São 14 km de subida quase constante de estradinha até a entrada do Parque, passando pela entrada da antiga pousada Alsene (hoje desativada, pois foi embargada pela justiça por despejar esgoto sem nenhum tratamento em um riacho ao lado) e o acesso ao Pico da Pedra furada (Altitude: 2.580m), acessível por trilha e que fica fora dos limites do parque.

 

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Garganta do Registro

 

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Foto by caco

 

A subida levou em torno de 40 minutos e a medida que subia, a paisagem da mata ia mudando. Logo, as subidas mais íngremes terminam e a partir dai começa a aparecer as primeiras paisagens dos campos de altitude, sinalizando que já estávamos acima dos 2.000 metros de altitude. Aberturas em meio da mata, revelavam belíssimas vistas do vale do Paraíba totalmente tomada por um colchão de nuvens, o que deixou todos bem ansiosos. Tempo fechado mesmo, só lá embaixo, pois na serra, o astro-rei brilhava forte em um céu estupidamente limpo. A tediosa subida era compensado pelas belas vistas e as paisagens dos campos de altitude.

 

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Serra fina vista do trecho final da subida

 

Após muito chacoalhar, enfim, chegamos a entrada do Posto Marcão, na parte alta do Parque, na cota dos 2.450 metros de altitude por volta das 8h10. Tivemos um atraso na liberação de nossa entrada, porque o Clóvis descobriu na hora que esqueceu de trazer o formulário de autorização impresso (e que contem o nº de protocolo da reserva). Para piorar, estavam sem sinal lá. E agora, José? ::essa::

 

Enquanto esperava, aproveitei para tirar várias fotos do entorno, pois mesmo na entrada do parque, a vista estrada abaixo era de tirar o fôlego.

Ele resolveu ligar aqui em SP para obter o nº e entregar ao guarda do parque (Nisso, tivemos um atraso de quase 1 hora), mas ele conseguiu com um parente o número, entregou pro guarda e com isso, tivemos nossa entrada liberada.

 

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Eu no posto Marcão, entrada da parte alta do Parque

 

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Mapa com as principais trilhas e as travessias do Parque

 

De lá, era possível avistar toda cadeia montanhosa da Serra fina, além do Pico da Pedra Furada e parte do traçado sinuoso da estradinha de terra. Mas pudera, estávamos a mais de 2.400 metros de altitude!!!!

 

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Trecho final da estrada de terra com o Pico da Pedra furada bem ao fundo

 

Para compensar o atraso, nosso resgate nos poupou 3 km de pernada nos levando até o Abrigo Rebouças, um abrigo chalé que dispõe de quartos com cama, sala, banheiros e cozinha para o uso dos montanhistas durante sua estadia na montanha. Do lado de fora, um amplo descampado para umas 15 barracas estava a disposição para quem quiser acampar. O abrigo atualmente está passando por uma reforma, então pernoite ali só na área de camping.

 

O Abrigo Rebouças é como se fosse um "marco zero" do Parque, pois é a partir dali que partem diversas trilhas para vários atrativos do parque, como Pedra do Altar, Asa de Hermes, Prateleiras, Agulhas negras, Cachoeira do Aiuruoca, das Flores, Pedra do Sino, além das 3 clássicas travessias do Parque: Ruy Braga, Serra Negra e Rebouças x Mauá, entre outras....

 

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Abrigo Rebouças (Em Setembro de 2014 estava em reforma, não sei se já terminaram)

 

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Placa informativa do lado do abrigo com a altitude do local onde eu estava, e várias informações úteis...

 

Chegamos no abrigo por volta das 9h15 e após ajeitarmos as cargueiras, fizemos uma votação para ver se iríamos fazer um ataque até o Prateleiras ou iniciamos a trilha da travessia diretamente, sem ir até lá. Por conta do atraso da liberação de nossa entrada lá na portaria, e a Aline ser iniciante em travessia de montanha (e consequentemente tendo um ritmo menor que o dos demais), Ela, Letícia e Clóvis resolveram abortar o ataque até as Prateleiras e iniciar a trilha da travessia diretamente, indo na frente, enquanto que eu e o Rogério decidimos ir primeiro no Prateleiras.

 

Falei que poderiam seguir na frente sem nos esperar, embora disseram que iriam ficar um tempo lá no Abrigo e depois começariam a travessia.

 

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Pico das Agulhas negras, vista do abrigo Rebouças

 

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Entorno do Abrigo Rebouças

 

O Rogério estava decidido a ir até o Prateleiras e eu também, ainda mais por conta do belo dia de sol e o céu livre de qualquer vestígio de nuvens. Eu não estava disposto a abrir mão do Prateleiras de jeito algum, ainda mais por ser minha 1ºvez ali. Fui decidido que faria ali e se tivesse que chegar no Rancho caído a noite, não teria problema, já que estava munido de 2 boas lanternas.

 

Deixamos as cargueiras próximo do Abrigo e as 9h30, partimos em direção a base das Prateleiras, onde chegamos as 10h00. O Trecho inicial em direção a Prateleiras continua a direita, pela antiga BR-485, a rodovia federal mais alta do Brasil que foi desativada e hoje virou uma estrada de terra. Em alguns trechos, ainda há vestígios do asfalto, mostrando o absurdo e a irresponsabilidade de se construir uma rodovia em um lugar como esse.

 

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Seguindo pela antiga BR-485, foto by caco

 

Ao final dela, inicia-se a trilha que leva a Prateleiras, como também as Pedras da Tartaruga, Assentada e Maçã sendo que só no trecho final em direção a base da Prateleiras que tem uma leve subida, com um calçamento de pedras. Não havia ninguém lá e fomos donos absolutos do lugar. Ainda no trecho da BR-485 no caminho, passamos por um grupo relativamente grande de turistas, que pelo ritmo que iam, só iriam chegar lá qdo já estivéssemos voltando.

 

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Prateleiras vista da trilha

 

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Trilha com calçamento (esse trecho e também o calçamento é novo, pois o antigo foi fechado por conta da erosão)

 

O acesso ao cume do Prateleiras, de acordo com as normas de segurança do parque, só é permitido com guia ou se o grupo tiver equipamentos de escalada que são obrigatórios. Para quem não quer pagar guia (nem quer saber de ficar carregando equipamentos de escalada, que significa mais peso), exigidos pelo parque para ter acesso ao o cume do Prateleiras, existem boas opções de picos ao lado, onde se pode ter vistas ainda melhores que o do Prateleiras.

 

A direita da trilha principal, há uma trilha bem batida que sobe até o cume do morro do Couto, com altitude de 2.680 metros, mais alto que o Prateleiras. Pouco tempo atrás, li uma noticia no site do Parque que eles abriram uma nova trilha que interliga o morro do Couto com o prateleiras, numa caminhada pela crista que leva em torno de 1 hora. Já a esquerda, bem próximo a base, parte outra trilha que dá acesso as Pedras da Tartaruga, Maçã e Assentada, seguindo por mais 480 metros. Em todas elas, o acesso é livre e não é necessário guia, nem equipamentos obrigatórios de escalada.

 

Eu e o Rogério não trouxemos nada disso por conta que nosso objetivo era fazer a travessia. Então, nos limitamos a ir somente até a base e deixamos para explorar os demais picos e a trilha que segue até o Couto numa próxima oportunidade. Ainda mais porque eu tinha a intenção de subir até o cume da Pedra do Altar e Sino durante o caminho.

 

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Placa com informações básicas da trilha

 

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Passando pela bifurcação a Travessia Ruy Braga. Quem inicia essa travessia pela parte baixa do Parque em Itatiaia, termina exatamente nesse ponto

 

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algumas infos básicas da Travessia Ruy Braga

 

Mesmo na base do prateleiras (situado na cota dos 2.430 metros de altitude), a vista é de encher os olhos. De um lado, a estonteante visão do Vale do Paraíba a perder de vista. Do outro, a cadeia montanhosa da Serra fina em destaque, onde é possível avistar a Pedra da Mina (2.797m), Cupim do Boi (2.530m) e 3 estados (2.665m), além de várias vistas para outros picos da parte alta do Parque.

 

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Serra fina vista da base do Prateleiras

 

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Pedra da mina a esquerda e 3 estados a direita

 

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Após vários cliques, aproveitei a parada para fazer um lanche rápido, afim de forrar o estômago e ficamos um tempo ali. Só resolvemos descer, qdo avistamos um grupo grande de turistas se aproximando (aqueles mesmos que ultrapassamos na ida). As 10:30 já estávamos de volta a trilha e passamos batido pela bifurcação da trilha que leva as Pedra da Maçã, Assentada, Tartaruga e a Cachu das flores, que assim como o Couto, ficaram para uma outra ocasião.

 

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Cachu das flores

 

As 11:00h eu e o Rogério estávamos de volta ao Abrigo Rebouças, onde encontramos alguns montanhistas que iam fazer as travessias da Serra Negra e Ruy Braga e turistas de fim de semana que estavam acampados ali. Trocamos ideia rapidamente e após um breve pausa para coletar um pouco de água, pegamos as cargueiras e finalmente demos inicio as 11:10h, a travessia propriamente dito.

 

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Pico das Agulhas negras

 

Nesse trecho inicial, a trilha da travessia é a mesma que leva ao Agulhas negras. Passa pelo leito do Rio Campo Belo e passa a seguir em leve ascensão em direção ao Pico das Agulhas negras, com a mesma bem visível a frente o tempo todo, toda imponente. 15 minutos de caminhada desde o Rebouças, chego ao trecho onde fica a famosa ponte pênsil, onde eu e o Rogério paramos rapidamente para alguns cliques, é claro. Mais alguns minutos e chego a primeira bifurcação da trilha, onde uma placa sugere que o caminho é a esquerda.

 

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Chegando na Ponte pênsil

 

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A ponte

 

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1ºBifurcação - Travessia Serra negra e Rancho caído, virar à esquerda

 

Com isso, abandono a trilha principal (seguindo reto, vai para o Pico das Agulhas negras) em favor da trilha a esquerda. Mais 5 minutos e dou de cara com outra bifurcação onde há mais uma placa. Fiquei em dúvida nesse trecho e resolvi espiar a trilha a direita, até que caiu a ficha e parei para consultar o mapa para ver se estava no caminho correto. Foi ai que percebi que estava no caminho errado e que a trilha correta da travessia é virando a esquerda, na placa que indica o caminho para a Pedra do Altar e cachoeira do Aiuruoca.

 

Em frente, irá sair na Asa de Hermes sem passar pela Pedra do Altar. Portanto, se for sua primeira vez aqui e estiver fazendo as travessias Rebouças x Mauá ou a Serra Negra, muita atenção nas 2 bifurcações depois que passar pela ponte pênsil: O caminho correto é virar a esquerda nas 2, seguindo a placa que indica o caminho para a cachoeira do Aiuruoca e Pedra do Altar. Felizmente, andei apenas alguns poucos metros pela trilha da direita e logo voltei.

 

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2º bifurcação - Virar a esquerda novamente

 

As 11:45, após passar pelas 2 bifurcações, a trilha inicia uma subidão íngreme com vários trechos de cascalho em direção a base da Pedra do Altar, dando voltas em formato de "S" para diminuir o desnível da subida. Porém, olhando para cima, vejo que não será tão fácil assim, pois o sol já estava castigando e com isso, acabei parando algumas vezes para poupar energia e recuperar o fôlego. Felizmente, ela não dura muito e logo o terreno nivela, para o nosso alívio.

 

A partir dai, a trilha passa a contornar pela direita e logo em seguida dobra a esquerda, evitando um grande morro ao lado esquerdo. E olhando para trás, se via o paredão imponente do maciço das Agulhas negras em destaque.

 

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Trilha bem demarcada

 

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Atrás, o Maciço das agulhas negras

 

As 12:12, chego a bifurcação da trilha da travessia com a da Pedra do Altar, onde há uma placa que indica a mesma virando a direita. Seguindo reto na trilha principal, continua a travessia em direção a cachoeira do Aiuruoca. Resolvo virar na trilha a direita e ao passar por um monte de pedras logo a frente, escondo a cargueira e sigo só com a máquina digital para o ataque ao cume. A caminhada não dura nem 10 minutos e as 12:20, chego ao cume da Pedra do Altar, a 2.665 metros de altitude e ponto culminante da minha travessia.

 

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Chegando na bifurcação

 

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Trilha subindo à Pedra do Altar

 

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Vale do Rio Aiuruoca vista do topo da Pedra do Altar.

 

Nem preciso dizer que a vista do topo é literalmente FANTÁSTICA. Uma visão de 360 graus de toda a parte alta do Parque com o pico das prateleiras mais baixo, sendo possível ver parte do vale do Paraíba por cima dele, o abrigo Rebouças, a portaria do posto Marcão, os contrafortes serranos da Serra fina, além de praticamente todos os imponentes picos do Parque ao redor, como a Pedra preta, Sino, Asa de Hermes, couto, entre outros, além de todo o caminho da travessia por onde ainda iria passar.

 

É como se fosse uma torre de observação, pois a Pedra do Altar fica no centro da parte alta do parque. Uma visão em tanto e vale muito a pena conhecer!

 

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Agulhas negras vista do cume da Pedra do Altar

 

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Serra negra e bem ao fundo, Pico do Papagaio

 

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Bem ao fundo no centro, Prateleiras

 

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A esquerda: Pedra do Sino, a direita: Asa de Hermes

 

Olhando mais a leste, bem ao fundão, se avista o Pico do Papagaio. O vale do Rio Aiuruoca, assim como a parte alta da cachoeira e ovos da galinha também são vistas dali e parecem estar bem perto, mas ainda estão a pelo menos 2 horas de caminhada. Permaneci por um tempo ali e pouco antes das 13:00hs, desci de volta para a bifurcação da travessia, peguei a cargueira e voltei para a trilha principal, continuando a caminhada por trilha bem demarcada em direção as nascentes do Rio Aiuruoca.

 

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Descendo em direção ao vale do Rio Aiuruoca

 

A partir desse ponto, não há mais subidas e a trilha passa a contornar a pedra do altar, na direção do vale do Rio Aiuruoca, tendendo para direita e descendo discretamente. Água não é problema nessa travessia, já que segundo as infos que dispunha, há vários pontos de água pelo caminho e a trilha passa por várias delas, o que eu constatei de fato. Então, nem me preocupei em encher os cantis. Tanto é que fiz a travessia toda carregando apenas 1 litro de água e fui renovando a medida que ia acabando, economizando assim, no peso na cargueira.

 

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Campos de altitude

 

Após terminar o contorno da Pedra do Altar, cheguei ao vale das nascentes do Rio Aiuruoca, trecho esse que fica a cachoeira de mesmo nome e também a bifurcação onde as travessias da Serra Negra e Rebouças/Mauá se separam. As 13:30, paro em um ponto d´agua para descansar e recarregar os cantis, aproveitando uma sombra que havia ali. Nessa travessia, quase não há trechos de sombra, por isso um chapéu ou boné são indispensáveis se não quiser sofrer com o sol forte....Após o breve pit-stop, retomo a pernada e 15 minutos depois, as 13:45, mais de 2 horas de caminhada desde o Abrigo Rebouças (já descontado as paradas e a ida até a Pedra do Altar), chego na bifurcação onde as 2 travessias se separam.

 

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Nessa bifurcação, seguindo a esquerda, você está na travessia da Serra Negra. Indo pela direita, na Rebouças x Mauá, que passa pelo Rancho caído. Também estou próximo da cachoeira do Aiuruoca. Como meu destino era o Rancho caído, segui pela trilha a direita e após passar por um trecho de charco e o Rio Aiuruoca, encontro outra bifurcação com uma placa indicando a cachoeira a esquerda e a continuação da travessia a Direita.

 

Segui pela esquerda e cheguei na cachoeira as 13:50h, onde reencontrei os demais do meu grupo e mais 2 montanhistas, a qual cumprimentei cordialmente e trocamos algumas ideias. Se não me falha a memória, eles estavam fazendo a travessia da Serra Negra e iriam descer pela bifurcação a esquerda.

 

Aproveitei para fazer um pit stop ali para contemplar uma das cachoeiras mais altas do Brasil, afinal, a cachoeira do Aiuruoca fica a mais de 2.300 metros de altitude. E não é em qualquer lugar que se encontra uma cachoeira nessa altitude, embora na Travessia da Serra fina, há uma pequena cachoeira no Vale do Ruah, onde fica o Rio Verde que está numa altitude maior que o do Aiuruoca. Porém, a cachoeira do Aiuruoca é bem maior e ainda dispõe de uma bela piscina natural. Nem preciso dizer que a cachu foi palco para vários cliques e contemplação, é claro.

 

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Rio Aiuruoca

 

Na cachoeira, comentei com os demais sobre o visual muito louco do cume da Pedra do Altar. E nisso, o Rogério se arrependeu de não ter subido a Pedra e então decidiu esconder a cargueira e voltar até lá para ver o visual....que doido, mas para quem fez a travessia da Serra fina, aquilo não era nada perto do que ele iria deixar passar batido...E sem perder tempo se despediu da gente e se mandou, pois não queria deixar passar batido...Enquanto isso, Aline, Letícia e Clóvis me avisaram que iriam indo na frente e como eu tinha chegado a poucos minutos, decidi ficar descansando mais um pouco na cachoeira....depois os alcançaria....

 

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Cachoeira do Aiuruoca

 

Mas com o horário avançando (eram 14h) e sem saber qto tempo ainda iria gastar até o Rancho, retomar a pernada é preciso. As 14:15, descansado e revigorado, retomei a caminhada, agora em direção aos Ovos da Galinha. Visualizei os demais bem na frente e tratei de seguir em ritmo forte para alcança-los antes de chegarmos aos ovos....A trilha vai seguindo bem batida e em nível pelo belíssimo vale do Aiuruoca, com a face oposta da Pedra do Altar ficando para trás, pedra do Sino ao lado direito e logo a frente, o conjunto rochoso denominado Ovos da galinha no alto a minha frente.

 

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Pedra do Sino

 

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Ovos da galinha

 

A partir desse ponto, a caminhada fica bem mais suave e 20 minutos desde a cachoeira, chego nos ovos da Galinha, alcançando inclusive, os demais. E mais paradas para cliques, claro!

 

Um fato curioso nessa formação rochosa em formato de um dedo, é que ele parece saber exatamente a direção onde devemos seguir, que é exatamente aonde a trilha segue.....Desse ponto, há uma bifurcação que segue até a Pedra do sino, segundo li em outros relatos. Mas nem lembrei de procura-la e só me dei conta que esqueci disso qdo estava chegando no Rancho caído, infelizmente.

 

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Pessoal descendo

 

Também já li em outros relatos sobre uma trilha que sai do alto da Pedra do Altar e vai até a do Sino, o que seria bem interessante, já que corta um belo caminho e poderia ser uma alternativa para reduzir o tempo de caminhada e chegar em menos tempo ao Rancho caído. Mas assim como a Pedra do Sino, também não me lembrei de verificar qdo estava lá.... ::putz::

 

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Pedra do Sino a esquerda

 

As 15h00, os ventos de altitude já sopravam fortes e na sombra, o frio se fazia presente, anunciando que o fim da tarde estava próximo e a temperatura estava baixando. Já era hora de retomar a pernada, pois ainda tínhamos a subida de um pequeno morro e uma descidona meio pirambeira até o vale dos dinossauros. Por conta do ritmo diferente do grupo, acabei disparando na frente, enquanto que o Clóvis e a Letícia foram ficando para trás, pois estavam acompanhando o ritmo da Aline.

 

Depois que sai dos ovos da galinha, a trilha começa a subir um pequeno morro logo a frente até chegar ao topo, para então virar a esquerda e vai seguindo pelo alto de sua crista. Logo em seguida, inicia-se uma longa descida em largos zig-zags em direção ao vale dos dinossauros. Lá do alto do morro (que pela carta indicava altitude de 2.500 metros, sendo o ponto mais alto que se passa durante a travessia), se bem uma bela vista do vale dos dinossauros lá embaixo, além dos Picos do Maromba e Marombinha em destaque a frente.

 

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Caminhada pela crista

 

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Vale dos dinossauros

 

Também dá para ver o local onde fica o Rancho caído que parecia estar perto, mas ainda restava a descida e a travessia de 2 grandes vales até lá. Comecei a sinuosa descida e cerca de 40 minutos desde os ovos da galinha, termino a descida e agora novamente no plano, me vejo caminhando ao lado do misterioso e belíssimo vale dos dinossauros, com a face oposta do imponente Pico das Agulhas negras ao meu lado direito.

 

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Vale dos Dinossauros

 

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Face oposta do Pico das Agulhas negras

 

Aproveito para fazer uma pequena parada qdo passo ao lado de uma curiosa formação rochosa em formato de 2 seres pré históricos, na qual rendeu alguns cliques....No meio do silêncio absoluto daquele vale, ouço vozes e ao olhar para cima, em direção ao morro que desci, vejo o Clóvis, Aline e Letícia bem distantes, descendo....incrível como dava para ouvir eles conversando, por conta do eco proporcionado pelo vale. Voltei a caminhada e fui seguindo em frente por trilha bem demarcada, que vai seguindo ao lado do vale e depois virando a direita, contornando-o. Passei por uma pequena bifurcação, mas nem cheguei a entrar nela para ver para onde ia.

 

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Curiosas formações rochosas que dão o nome ao vale...

 

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As 16:05, passo por um descampado plano e protegido, onde encontro vestígios de acampamento recente e com espaço para pelo menos umas 4 barracas, que é uma boa opção para o caso de você estar chegando aqui no escuro. O problema é essa área não é o local de camping permitido pelo parque e ainda tem o problema de não haver água próxima (pelo menos eu não vi nenhuma). Tenho lá minhas dúvidas se há fiscalização nessa parte do parque a noite, ainda mais pela distancia da Portaria. Descontando as paradas e dependendo do ritmo, leva-se entre 3 a 4 horas de caminhada (só de ida) do Abrigo Rebouças até aqui.

 

Mais 20 minutos desde o descampado lá atrás, cheguei ao alto do morro, onde visualizei a última descida de vale e o local do Rancho lá embaixo a esquerda, numa pequena área de mata atlântica e algumas rochas. Comecei a íngreme descida e após atravessar 2 pequenos riachos, cheguei finalmente ao local denominado "Rancho caído" as 16:40, com pouco mais de 5 horas de caminhada desde o abrigo Rebouças só para constatar que não havia rancho algum ali.. ::mmm:

 

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Trecho final do primeiro dia.

 

Como não havia ninguém, pude escolher o melhor lugar para montar a barraca. A área de camping é bem plano e protegido, fica no interior da mata fechada e ainda no meio de um vale. Não poderia haver melhor proteção contra os fortes ventos. E de quebra, com um riacho passando bem ao lado...

 

Após montada a barraca, exploro o entorno para ver por onde seguia a trilha que iria percorrer no dia seguinte. Clóvis, Letícia e Aline chegaram meia hora depois de mim, mas nada do Rogério chegar. Ele só chegou qdo já estava escurecendo. Com toda a trupe reunida novamente, preparamos a janta e ficamos só apreciando a bela noite estrelada naquele belo vale em meio as montanhas, a 2.300 metros de altitude.

 

A temperatura já havia diminuído bastante após o pôr do sol e o inicio da noite estava bem gelado (estando abaixo de 05ºC), obrigando a todos a vestir jaquetas, toucas e cachicol.Tudo indicava que a madrugada seria bem gelada. Após a janta, entrei na barraca, me enfiei dentro do saco de dormir e logo peguei no sono. A noite foi tranquila e como vim bem preparado para isso, não tive problemas com o frio, mas foi difícil sair de dentro do saco de dormir de madrugada, qdo acordei com vontade de ir ao banheiro..... ::Cold::

 

Continua no post abaixo...

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2º dia - Do Rancho caído até a Cachoeira do Escorrega

 

O domingo amanheceu com um céu livre de qualquer vestígio de nuvens, a temperatura não estava tão baixa como na madrugada e com o sol, logo começou a subir. Acordei por volta das 6h30 e logo tratei de preparar meu café da manhã, enquanto que o Rogério já tinha tomado o seu e já estava começando a desmontar sua barraca. Os demais ainda estavam dormindo, mas logo acordaram com a nossa movimentação do lado de fora. Pouco depois das 7h00, eu também já estava desmontando minha barraca.

 

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Manhã do dia seguinte, no Rancho Caído

 

Como estávamos em um vale, nem me preocupei em ir ver o nascer do sol, já que não havia local alto e próximo que permitisse a bela visão do surgimento do astro-rei. Uma das alternativas poderia ser o trecho onde a trilha passa por um mirante, pouco antes de iniciar a descida do mata-cavalo. Só que eu nem fazia ideia se era perto ou longe, então nem fui procurar.

 

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Entorno do Rancho

 

Barraca desmontada e mochila nas costas, eu e o Rogério ficamos fazendo hora, até que o Clóvis disse que se a gente quisesse ir na frente, tudo bem, pois eles iriam ficar mais um tempo lá e começar a descida um pouco mais tarde. Então seguimos na frente, pois eu estava ansioso para conhecer o resto do percurso e o Rogério idem....Combinamos que esperaríamos lá na cachoeira do escorrega, local combinado com o nosso resgate.

 

Diferentemente do 1º dia, o 2º dia a caminhada é mais suave e também mais curta, sem grandes dificuldades, exceto pela descida do Mata-cavalo, pois é um complicador para quem tem problemas de Joelho.

 

As 7:45, iniciamos a caminhada trilha acima em direção a base do Pico da Marombinha, passando por alguns trechos de charco. Após esse trecho,a trilha nivela e começa a descer em direção a um trecho de mata mais fechada, mergulhando literalmente nela. Dentro da mata, passamos por um riachinho e a partir dai a trilha volta a subir novamente, saindo da mata fechada e passando a bordejar a encosta esquerda com o Pico da Marombinha a nossa direita e o Pico da Maromba atrás de nós.

 

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A trilha que se percorre no 1º dia, desce lá do alto desse morro a esquerda....

 

Durante o caminho, deu para ver a esquerda, alguns trechos por onde passamos no dia anterior e mais acima, a face oposta do Pico das Agulhas negras e Pedra do sino aparecendo pela última vez. A trilha a partir desse ponto começa uma discreta descida, qdo as 8:15, chegamos a um belo mirante na crista, onde foi possível ver todo o vale de Visconde de Mauá, com o Pico da Pedra Selada em destaque ao fundo. É um visual que impressiona.

 

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Trecho de caminhada pela crista

 

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No Mirante, antes de começar a descida do Mata-cavalo, com o Pico da Pedra Selada em destaque

 

Aqui também marca o inicio da descida pirambeira do Mata-cavalo. Antes de começar a descer, pausa para clics e constatar que a crista por onde a trilha passa é um senhor mirante e ótimo local para se apreciar o nascer do sol. E fica a apenas 20 minutos de caminhada do Rancho caído. Demos um tempo aqui para contemplação do visual e por volta das 8:45h, iniciamos a íngreme descida do mata-cavalo que de fato é uma pirambeira daquelas, por isso desço com bastante cautela. A descida lembra bastante o Deus me livre lá da Pedra da mina via Paiolinho.

 

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A ultima vista das Agulhas negras antes de começar a descida do mata-cavalo

 

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Inicio da descida do mata-cavalo

 

A trilha vai descendo em vários trechos em zig-zag e fica por um certo tempo assim. 30 minutos desde o mirante lá em cima e 1 hora desde o Rancho, entro definivamente na mata fechada, com os campos de altitude dando lugar a mata atlântica. Minutos depois que adentrei na mata, passo por uma bifurcação, onde uma discreta trilha a esquerda leva a um descampado que cabe umas 3 barracas...

 

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No descampado

 

Retorno para a trilha principal e continuo descendo, passando por um riacho que fica bem próximo ao descampado. Continuo seguindo trilha abaixo e cerca de 10 minutos depois, passo por uma bifurcação que segundo infos, deve ser a bifurcação onde a trilha da direita leva ao Vale das Cruzes e a da esquerda até a Cachoeira do Escorrega em Maromba, que é por onde eu sigo. A descida mais pirambeira havia terminado, mas não a trilha em si....

 

As 10:40, finalmente chego ao final da trilha que é marcada por uma casa do lado direito e a partir dai a caminhada passa a seguir pela estrada de terra que termina na cachoeira do Escorrega, onde chego pouco depois das 11h00. Havia bastante pessoas na cachoeira e logo vi a cargueira do Rogério encostada e ele só no tchibum na cachu. Deixei minha mochila junto com a dele, mas nem entrei na água....optei por ficar descansando um bom tempo aqui enquanto esperava os demais do grupo chegar.

 

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A casa a direita que marca o fim da trilha....

 

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Estradinha que desce e termina na cachoeira do Escorrega

 

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A trilha vem lá de cima, a mais de 2.200 metros de altitude

 

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Enfim, cachoeira do Escorrega, final da travessia ::otemo::

 

Clóvis, Aline e Letícia chegaram pouco antes das 13h00 e com toda a trupe reunida novamente, comemoramos a conclusão da travessia e ficamos aguardando o resgate chegar. Letícia e Aline aproveitaram para dar um tchibum na cachu, enquanto que o Clóvis, eu e o Rogério ficamos conversando.

 

CIMG4689.JPG

 

Assim que nosso resgate chegou, colocamos as cargueiras e partimos de volta a Itamonte, onde deixamos o carro e de lá, iniciamos a viagem de volta para Sampa, onde chegamos por volta das 23:00hs, devido aos congestionamentos típicos de fds, na volta pela Dutra, cansados, mas felizes.

 

----------

 

-> Opções de transporte e resgate:

 

- Taxista Marquinhos: (35) 9113-1214 (Itamonte) - Um dos + baratos

- Celso: (35) 3371-1291 - Recados no Hotel Serra Azul (Passa Quatro);

- Edson da Toyota: (35) 9963-4108 ou (35) 3371-1660 (Passa Quatro);

- Sr. Caetano: (35) 3771-1510 (Passa Quatro);

- Sr.Samuel: (35) 9113-1700 (Itamonte);

- Eliana da 4P4 Ecoturismo: (35) 3371-4263, 3371-3937, 3371-2268 (Passa Quatro);

- Taxistas Schmidt e Boni: (35) 3371-2013 e (35) 9962-4025 (Passa Quatro).

- Carlinhos: (35) 9109-1185

- Zezinho: (35) 9113-0745

- Maú: (35) 9216-4793 ou faz a travessia alpina.de asfalto a asfalto.

- Joaquim Siqueira 35 3371 2410, 35 9113 7643 ou [email protected]

 

-> Site do PNI tem todas as informações sobre as caminhadas no Parque com os valores das taxas e demais informações que precisar saber.

http://www4.icmbio.gov.br/parna_itatiaia

 

- > Reservas dos abrigos e travessias do Parque:

http://www.icmbio.gov.br/parnaitatiaia/reservas.html

 

-> Ao Término da travessia, se não conseguir deixar o comprovante em Visconde de Mauá, é só enviar um e-mail para eles, através do endereço disponível no website.

 

-> Sinal de celular em geral é mais fácil conseguir nas cristas e altos dos picos....

 

-> Próximo do final dessa travessia existe a opção de finalizá-la em um local conhecido como Vale das Cruzes. É só seguir na bifurcação da direita, logo que estiver descendo da crista do Pico do Maromba.

 

- > Eu achei a travessia bem tranquila, sem grandes dificuldades....porém, o trajeto do primeiro dia é bem longo e embora a maior parte do trecho seja no plano ou com descidas, o percurso até o Rancho Caído tem pelo menos 14 km e leva-se em média de 4 a 5 horas em ritmo forte (passando direto pelos picos do Altar e cachoeira do aiuruoca) para completar o trajeto.

 

Se não quiser chegar no Rancho a noite, certifique-se de estar saindo do Abrigo Rebouças até no máximo 9h30. Assim, terá tempo para passar na Pedra do Altar, fazer uma longa parada na cachoeira do Aiuruoca, Ovos da Galinha e ainda chegar com sol no Rancho, sem correria.

 

-> Água não é problema nessa travessia, já que a trilha cruza com inúmeros riachos, do começo ao fim. O problema é o Sol, já que quase não tem áreas de sombra. Não deixe de levar um protetor solar e um chapéu ou boné, pois são itens que não pode faltar na sua mochila de jeito algum.

 

-> No Rancho Caído há espaço para pelo menos 12 barracas e outros pequenos descampados para 2 ou 3 barracas do lado de fora.

 

-> O acesso aos cumes dos picos da Prateleiras e Agulhas negras atualmente só é permitido com guia do parque ou com equipamentos de escalada próprios, que são obrigatórios. Porém, o acesso até a base, como no entorno de ambos os picos, continua livre. Alternativas boas ao Prateleiras e Agulhas negras é a Pedra do Sino que fica do lado do Agulhas e é apenas 100 metros mais baixo, e o Couto que é 150 metros mais alto que o Prateleiras. Em ambos, tem trilhas de acesso ao cume. A parte alta do Parque tem vários morros e picos diversos.

 

-> Algumas altitudes dos lugares por onde a trilha da travessia passa:

 

Posto Marcão: 2.450 metros

Abrigo Rebouças: 2.350 metros.

Pedra do Altar: 2.665 metros

Cachoeira do Aiuruoca: 2.360 metros

Ovos de Galinha: 2.400 metros

Rancho Caído: 2.300 metros

Cachoeira do Escorrega: 1.450 metros

 

-> A trilha é muito bem marcada e batida, com placas indicativas nas bifurcações mais importantes, além de varetas vermelhas e totens para orientar o caminho, não tendo problemas de navegação. Basta segui-las. Por ser uma travessia clássica, há vários tracklogs disponíveis por ai, embora ache-os desnecessários, se você já tiver experiência em trilhas e travessias de montanha. Eu mesmo, só andei com um mapa e bússola, pois não tenho gps.

 

-> A logística de resgate nessa travessia é meio complicado para quem vai fazer a travessia pela primeira vez e nunca esteve lá, que era o caso do meu grupo. Uma opção para reduzir o tempo de deslocamento na volta e também o valor do resgate, segundo dicas que peguei depois com quem já fez a travessia e pelo que vi, é ir de carro até o final da Travessia em Visconde de Mauá, deixando-o em um estacionamento 24 horas que tem ao lado da Cachoeira do Escorrega. Então, contratar um resgate local para levar até a entrada da parte alta do Parque. Assim, você não perde 2 horas do tempo de volta para casa, só para pegar o carro.

 

Uma opção ainda melhor (e que eu irei usar na próxima vez que for lá), caso for de carro, é seguir até Visconde de Mauá e de lá, pegar um resgate ou mesmo um circular até a entrada da Parte baixa do PNI em Itatiaia, que é praticamente do lado. Pode-se subir pela travessia Ruy Braga e descer pela Serra Negra ou Rancho caído, emendando 2 travessias em uma só. A travessia Ruy Braga passa do lado da Prateleiras e termina no Abrigo Rebouças, exatamente onde começa a trilha das outras 2 travessias. E é a única travessia que o Parque permite o percurso nos 2 sentidos.

 

A diferença é que você necessitará de 3 dias com 2 pernoites para perfazer tudo, mas poupará tempo e dinheiro de resgate não tendo que subir a serra toda até a Garganta do Registro e depois os 14km de estrada de terra até a entrada da Parte alta do Parque na ida. E de novo na volta, para pegar o carro.

 

É uma distancia bem longa, são pelo menos 110 km de Maromba até Itamonte ou o Posto Marcão, dependendo de onde você deixar o carro. Por isso não recomendo ir de carro e deixa-lo na parte alta do Parque ou nas cidades próximas do inicio da trilha de jeito algum. O tempo gasto para fazer a volta do final da travessia até o inicio, é de pelo menos 2 horas sem paradas. E foi por isso que eu acabei chegando muito tarde em SP do que estou acostumado. E para piorar, ainda peguei congestionamentos no trecho de Taubaté e depois entre Mogi das Cruzes e a capital. ::mmm:

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  • Membros de Honra

Muito legal Renato!!!

Estou querendo conhecer o PNI em setembro. Estou pensando em ir pelo posto Marcão, e conhecer a Asa de Hermes, Pedra do Altar e Sino, fazendo a travessia com um pernoiote na cachoeira do Aiuoroca. Acha que é possível? Pelo que vi no seu relato, daria pra dormir no Aiuoroca e sair em Maromba no dia seguinte, sem precisar pernoitar no Rancho Caído.

Mas tenho a possibilidade de passar duas noites, podendo esticar um pouco mais a caminhada.

AH! Parabéns pelo relato!!!!!

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  • Membros
Muito legal Renato!!!

Estou querendo conhecer o PNI em setembro. Estou pensando em ir pelo posto Marcão, e conhecer a Asa de Hermes, Pedra do Altar e Sino, fazendo a travessia com um pernoiote na cachoeira do Aiuoroca. Acha que é possível? Pelo que vi no seu relato, daria pra dormir no Aiuoroca e sair em Maromba no dia seguinte, sem precisar pernoitar no Rancho Caído.

Mas tenho a possibilidade de passar duas noites, podendo esticar um pouco mais a caminhada.

AH! Parabéns pelo relato!!!!!

 

Valeu Otávio!

 

Então, entrando pelo Posto Marcão e fazendo a travessia, é possível passar pela Pedra do Altar, Sino e Asa de Hermes. Mas para passar nos 3 picos e ainda chegar no Rancho antes do anoitecer, você precisa chegar bem cedo na entrada do parque (se possível,antes das 7h00 já estar esperando na portaria), pois eles são meio lerdos para liberar o acesso e se vc chegar tarde como eu que só fui chegar lá depois das 8h00 (e ainda teve o problema do Clovis esquecer de trazer a autorização impressa e deles estarem sem sinal), ai vai entrar tarde, o que comprometerá a logística de passar pelos 3 picos e ainda fazer a travessia.

 

Mas chegando no posto bem cedo e iniciando a travessia antes das 8h00, dá tranquilo...só não pode ter gente lerda no teu grupo, como tinha no meu, .... ::mmm:

 

Só precisa ficar atento a alguns detalhes, assim que passar pela 1ºbifurcação:

 

Na 2º bifurcação, onde há a placa que indica "Pedra do Altar a esquerda e Hermes a direita", deve-se seguir a direita para conhecer primeiro a Hermes. Depois, voltar tudo e entrar a esquerda pela principal. A bifurcação para a Pedra do Altar está mais para frente e vc passará por ela. Então, não tem erro. Eu não fui nessa trilha...então, não faço ideia de qto tempo gasta até a Hermes.

 

Acampar na cachoeira do Aiuruoca não é permitido pelo parque, somente no Rancho caído, que fica a umas 2 horas de caminhada da cachoeira, embora haja um grande descampado pouco antes de chegar a bifurcação das 2 travessias...

Compensa mais você seguir em frente, fazendo uma parada na cachoeira, depois seguir até os Ovos da galinha e de lá, subir até o cume da Pedra do Sino, que está do lado. Há uma trilha que sai dos ovos e vai até o topo do Sino, só não lembrei de procurar....mas segundo li em relatos, ela está lá!

 

Uma boa referência de horário é estar passando pelo vale dos Dinossauros entre 15:00 e 16h00 no máximo...ai vc chegará no Rancho antes do por-do-sol.

 

Abs

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  • 6 meses depois...
  • Membros de Honra

Pois é, como tenho a possibilidade de dormir duas noites no parque pensei se não seria melhor dormir na Cacu. do Auioroca e conecer AH, Sino, Altar... mas pelo visto é proibido.

Se for possível seria legal Sair de manhã do posto Marcão, passar na AH, Altar e dormir no Auioroca. Acordar, subir o Sino e partir pro Rancho Caído, finalizando a travessia no terceiro dia... será que rola?

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  • 5 meses depois...
  • Membros

Oi Renato,

Estou indo para o Parna Itatiaia agora no carnaval.

Pretendo fazer um circuito, mais ou menos como vc sugeriu. Vou descer da parte alta pela travessia Rebouças-Mauá e depois retornar pela Ruy Braga. O carro ficará no Posto do Marcão.

Sei que a travessia Rebouças-Mauá pode acabar na cachoeira do escorrega e que a Ruy Braga começa no Complexo Maromba.

Você saberia me dizer a distância entre estes dois pontos e qual a melhor forma de percorrê-la?

 

Obrigada!!!

Bruna

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  • 3 semanas depois...
  • Membros
Oi Renato,

Estou indo para o Parna Itatiaia agora no carnaval.

Pretendo fazer um circuito, mais ou menos como vc sugeriu. Vou descer da parte alta pela travessia Rebouças-Mauá e depois retornar pela Ruy Braga. O carro ficará no Posto do Marcão.

Sei que a travessia Rebouças-Mauá pode acabar na cachoeira do escorrega e que a Ruy Braga começa no Complexo Maromba.

Você saberia me dizer a distância entre estes dois pontos e qual a melhor forma de percorrê-la?

 

Obrigada!!!

Bruna

 

Olá Bruna, tudo bem? Desculpe pela enorme demora, estava sem acesso e por isso não pude responder a sua dúvida a tempo.

 

Bem, pelo que vi, você fez a travessia agora no carnaval, numa logistica até interessante que nem havia cogitado. A desvantagem pode ser deixar a subida para os 2 ultimos dias, qdo você já estará cansado da 1ºtravessia.

 

Espero que tenha encontrado a informação que buscava, a respeito da distancia. De qualquer forma, para efeitos de info, a distancia entre um e outro é proxima, pois Itatiaia (onde fica a entrada da parte baixa do parque e acesso a travessia Ruy braga) e Visconde de Maua são praticamente vizinhas (diferente de Itamonte, por exemplo). Pelo que me falaram, dá menos de 1 hora entre uma e outra.....

 

Se ler essa mensagem, conte como foi a experiência. Pegou muito frio a noite? Chuva?

 

Alias, travessia de montanha no verão acho muito arriscado por conta dos raios na crista e os temporais inesperados de verão, que podem te pegar desprevenidos no meio da travessia.

 

Espero que tenha dado tudo certo, pois o tempo ficou bom no carnaval, então acredito que a caminhada fora da temporada de montanha tenha sido tranquila. :)

 

abs!!

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  • 6 meses depois...
  • Membros

Boa tarde galera.

Venho lendo os relatos e percebo que a logística pra chegar à portaria parece ser a parte mais complicada. Alguém sabe se por acaso o ônibus Rio de Janeiro X Itatiaia tem o ponto final próximo da portaria? Outra coisa: Os contatos de resgate que deixou também fazem esse transporte de Maromba pra portaria do parque, conforme a dica que deu? Caso o ônibus não deixe perto, essa pode ser uma excelente opção.

Desde já agradeço a ajuda.

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    • Por Marco_AV
      Fala pessoal! 
      Faz um tempo desde minha última postagem.. pandemia postergou várias viagens planejadas, mas aqui estamos para mais um relato! Apesar de já ter feito algumas trilhas e escaladas em algumas viagens, como por exemplo a Table Mountain na África do Sul e o Monte Etna na Itália, essa foi a primeira viagem que fiz especificamente para isso, portanto, merece um relato mais detalhado, principalmente para aqueles que, assim como eu, são aventureiros de primeira viagem. Sem mais delongas, vamos ao relato! 
      Bom, eu e mais um amigo, após descobrir sobre o Parque Nacional do Itatiaia (1° parque nacional do Brasil que abrange três estados do Brasil, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro), ficamos ansiosos para fazer as trilhas do parque. Alguns pontos aqui.. Eu achei muito mal explicado as coisas no site do parque, tive que caçar diversas fontes de informações pra conseguir ir certinho. Pela lista de guias do site, fechamos com o guia Ian, da agência Bem da Terra, e acabamos acertando em cheio.. o guia era super gente boa e atencioso! Ficou R$ 450,00 para duas pessoas para irmos na segunda-feira ao Pico das Agulhas Negras. É necessário também ingresso para entrar no parque, que estava incluso nesse valor, e pedimos ao guia para comprar um dia a mais de visitação, o que nos poupou um tempo extra de ter que fazer isso na hora. Um casal de amigos meus foram ao parque recentemente e me recomendaram a Pousada Bululu, onde ficamos também. O dono, Bululu é um cara muito simpático e fez toda diferença durante nossa estadia.. a pousada fica à 20 minutos da entrada da estrada que vai pro parque e cerca de 5 minutos do centro da cidade. Pagamos R$ 260,00 a diária para duas pessoas com café da manhã incluso.. destaque para a pousada: 

      Vista da pousada acima.. passa um riozinho bem do lado. 
      Escolhemos o feriado de 7 de setembro, saímos no sábado, com retorno previsto para a terça-feira. Existem algumas maneiras de chegar no parque.. como saímos de Campinas, fomos pela Dom Pedro / Dutra.. escolha errada. Pegamos muito trânsito, mesmo saindo no sábado, levando em torno de 6 horas pra chegar em Itamonte (Aqui vale uma ressalva.. o parque é muito grande, então dependendo do atrativo que você quiser visitar, é recomendado ficar na cidade mais próxima e, no nosso caso, Itamonte era essa cidade.. que fica em Minas Gerais). Chegando na cidade, passamos no mercado para comprar comida para os dias do parque (coisas pra lanches, frutas, água, castanhas, etc.). 
      1° Dia - Prateleiras
      Bom, como tínhamos um dia longo pela frente na segunda-feira, queríamos conhecer o parque e fazer alguma trilha mais tranquila e menos cansativa no domingo. Saímos da pousada às 9 horas e fomos em direção ao parque.. após 20 minutos na estrada, a entrada do parque fica à 15 km em uma estrada muito (MUITO!) ruim.. leva em torno de 1 hora para percorrer esses 15km.. é triste de ver a situação precária da estrada, considerando que é uma BR. O desprezo é um espelho do que acontece em várias áreas do país.. mas, enfim. Chegamos na entrada do parque por volta das 11 horas (quase sempre pega-se fila pra entrar no parque, precisa preencher alguns termos, dizer qual atrativo você vai, etc.), estacionamos logo na entrada.. outro ponto a ressaltar aqui. O parque é muito grande.. da entrada do parque até o Abrigo Rebouças que é o mais próximo das trilhas dá em torno de 3km, ou seja, pra ir e voltar pra entrada são 6km que você terá a mais além do percurso da trilha, então, procure parar o mais próximo possível do começo da trilha que você for fazer. Acabamos optando pelo Pico das Prateleiras, onde à princípio iriamos até a base dela, pois até o cume precisaria de guia e seria mais exaustivo também. A ida até a base é bem tranquila.. leva em torno de 1 hora.. porém, chegando lá, quisermos ir um pouco mais, e desse pouco mais, acabamos indo até o cume 😬, pois nos enturmamos com um pessoal que estava com guia e acabamos indo junto.. Valeu todo o esforço que não tínhamos planejado (e que não foi pouco!). A vista de lá era surreal! 
       
      Ao longo da trilha.


      Há alguns trechos como esse, onde você tem que passar por dentro das rochas. 

      Vista do cume. Observação para a caixa metálica, onde contém um livro que as pessoas que sobem podem assinar, deixar alguma mensagem, etc.
      Na volta do cume, o pessoal ia fazer um rapel em um dos pontos e nos seguimos sem eles.. quando chegamos na base, a gente não conseguia encontrar o caminho de volta e aqui fica um adendo.. o Prateleiras é muito mais simples do que o Agulhas Negras, mas, sempre optem por um guia, ou alguém que já conheça o percurso para evitar se perderem igual aconteceu com a gente. Por sorte, tinham algumas pessoas lá que nos auxiliaram na volta.. Todo esse percurso, até o carro que estava quase na portaria 😪 levou em torno de 5/6 horas, mais 1h30 até a pousada, chegamos em torno das 18:30. Resumindo, tínhamos um longo dia pela frente na segunda e chutamos o balde no domingo, rs. Mas, valeu todo o esforço! E um check em um dos atrativos mais visitados no parque. Chegando na pousada, jantamos e logo fomos dormir.. tínhamos que estar na entrada do parque as 7 horas da manhã para encontrar o guia 😬.
      2° Dia - Pico das Agulhas Negras
      Acordamos as 04:30 da manhã para conseguir chegar ao parque as 7hrs. Ponto positivo para a pousada, que deixou preparado o café da manhã mesmo nesse horário. Como eles estão acostumados com o pessoal saindo cedo, bastou falar para o Bululu que ele já se dispôs a fazer essa gentileza pra gente. Bom, nos reunimos com o pessoal que ia junto com a gente para a trilha, e fomos em 11 pessoas (2 guias). Eu acho que foi mais gente do que deveria, para esse tipo de trilha, considerando que tem vários trechos com rapel, demora muito para todo mundo caminhar junto.. acredito que um grupo de 4 a 5 pessoas seja o ideal. Enfim, seguimos do Abrigo Rebouças em direção ao Pico das Agulhas Negras, sendo que o trajeto todo, subindo e descendo duraria em torno de 8/9 horas. Até a base do pico é bem tranquilo, caminhada sem muitos esforços.. à partir da base é que a coisa começa a complicar (bem mais do que o Prateleiras). A diferença entre as duas é que o Agulhas tem muitos mais trechos de pedra e o esforço com os joelhos e com os braços é muito maior..

      Primeiro trecho de rapel.

      Eu, Gui e Ian (nosso guia) no segundo trecho de rapel, à 10 minutos do cume.

      Vista do cume das Agulhas Negras (na verdade esse cume é o que chamam de cume "falso", pois existe um ao lado, que é preciso fazer 1 rapel de descida e mais um de subida, e é o verdadeiro cume, onde também fica localizado o livro para assinar. Obviamente que fomos, mas nem todos os guias levam até lá, e também nem todas as pessoas vão, pois é um pouco mais complicado e exige mais, psicologicamente e fisicamente).

      Foto do cume do Agulhas Negras, à 2791m de altitude 🤘
      Como tinham algumas pessoas lá, demorou mais do que o previsto para descermos, sendo que começamos o retorno em torno de 13:30hr, o sol estava estralando! No retorno, na parte do segundo rapel, há uma possibilidade de fazer o rapel por um outro trecho, com 18 metros de altura.. foi muito massa!

      Segundo trecho do rapel, no retorno.
      A volta exige bem mais do que a ida.. uma por já estar cansado, e outra pelas pedras, que te fazem usar muito os joelhos e os braços.. Após um dia muito limpo, com muito sol, chegamos de volta no abrigo rebouças por volta das 17:30hr, e o tempo lá muda demais.. as 18hrs já estava fazendo 7, 8° graus.. ou seja, é sempre bom levar uma blusa reforçada, além de que, no cume das montanhas venta demais, e eu sempre ficava tirando e colocando a blusa..

      Na ponte do abrigo, com o pico das Agulhas Negras ao fundo, iluminado pelo sol já se pondo.
      Não preciso dizer que nosso retorno foi muito cansativo.. acumulando os dois dias de trilha, estávamos exaustos, mas de mente aberta e havíamos superado nossos medos de altura, rs. No retorno a pousada, só nos restou tomar um belo banho quente, jantar e preparar para o retorno no dia seguinte. Optamos por voltar por Minas, a estrada é de maioria pista única, mas o caminho é bem bonito, então valeu a pena! Espero fazer outras trilhas em breve, me despertou um sentimento muito bom, de superação e aventura.. e, espero ter ajudado também os montanhistas de primeira viagem, assim como eu!
      Obrigado e até a próxima!

    • Por Renato37
      Trilhas realizadas entre dias 15 a 18/06/2016.
       
      O Album com todas as fotos estão em:
      https://photos.app.goo.gl/dDkuMxErCcBUaRAv9
       
      - Introdução -
       
      Esse é um relato de uma aventura decidida na doidisse de ultima hora, motivada pela paixão pela natureza e que inicialmente iria ser totalmente solo, mas que no final, o que começou sozinho, terminou em um trio. Eu fiz coisas lá que saiu totalmente fora do padrão de quem já conhece ou já fez as trilhas e travessias do parque.
       
      Fazia anos que tinha o desejo de fazer um circuitão solo meio que no modo "light and fast" ou pelo menos com um grupo bem reduzido no Parque nacional do Itatiaia, abraçando apenas os picos do entorno e parte das 2 travessias, acampando e deixando toda a tralha pesada no Abrigo Rebouças e assim, podendo andar mais leve que uma pluma o dia todo, apenas com agua e lanche.
       
      Tinha planejado para fazer em 3 dias, mas que acabou levando 4. O começo teve perrengues como uma noite quase toda sem dormir, depois bivacando em uma cidade fantasma em um frio de 05ºC típico de cidades do alto da mantiqueira e ainda indo fazer uma travessia logo de cara no dia seguinte.
       
      Já sabendo que logistica para o Parque Nacional do Itatiaia (PNI ou Parna Itatiaia) não combinam, fui com a cara e coragem para encarar uma pernada de 14 km desde a Garganta do Registro até a entrada da parte alta do parque. E no inicio dessa semana, veio a chance.
       
      Com a previsão do tempo 100% favorável, (céu limpo, sem chuva e totalmente ensolarado) não resisti, fiz um rápido planejamento da logística do transporte sem carro (só por ônibus) e saiu 2 opções:
       
      1) Pegar um ônibus até Resende/RJ no horário das 18:15, e de lá, outro para Caxambu/MG (que passa pela Garganta do Registro, onde fica o inicio da estrada de terra que leva até a portaria da parte alta do parque) e Itamonte, que sai as 23:00hs da rodoviária do Graal de Resende/RJ. Ele sobe a serra e estaria passando pela garganta por volta da meia noite e meia. Dali, desceria na garganta e seguiria a pé no meio da noite até a entrada da parte alta do parque.
       
      # Considerando que a Garganta do Registro já está à 1.669 metros de altitude, seria meio caminho andado, sem precisar de suporte de veículo algum, já que para apenas uma pessoa, contratar um transporte dependendo, sai mais caro do que a ponte áerea Rio -SP...isso é, até lembrar das opções para grupos pequenos ou apenas 1 ou 2 pessoas.
       
      Mas...o problema é que a entrada do parque está a 14km dali. Então, calculei o percurso de acordo com meu ritmo em até 4 horas em subida constante da altitude de 1.669 até os 2.450 metros, onde fica o posto Marcão, chegando por volta das 5 ou 6 da manhã. Chegando pela manhã, teria o dia todo para aproveitar + os outros 2 dias, totalizando 3 dias. O sacrificio seria a caminhada no frio proximo ou abaixo de zero e uma noite inteira sem dormir. Só daria para dormir no onibus e olha lá.
       
      2) A outra opção era pegar o 1º ônibus (que sai as 7h00 do Tietê) em direção a Itanhandu/MG, depois um circular local até Itamonte/MG. De lá, pegaria um taxi direto para a entrada da parte alta. Teria minha noite para dormir, mas teria que acordar cedo e perderia boa parte do dia só na viagem, pois seria 4 horas e meia até Itanhandu, 30 minutos até Itamonte e mais 40 até proximo da antiga Pousada Alsene, que fica proximo da entrada do parque.
       
      Não precisaria andar no meio da noite com lanterna debaixo de frio de 0ºC comum em altitudes elevadas. Caminhar no frio não seria problema para mim, já que estou indo preparado para temperaturas negativas. Então, pensando nos pós e contras de ambas as opções, acabei escolhendo a 1º opção.
       
      Escolha feita, lá estava eu, em uma bela tarde ensolarada da metropole paulistana, saltando do metrô na Estação Tietê as 17:30. Embarquei no ônibus das 18:15 em direção a Resende/RJ. A viagem foi tranquila e cheguei em Resende por volta das 22:25 e fui logo procurar o guichê da empresa de ônibus que vai para Caxambu, Viação Cidade do Aço.
       

      Na Rodoviaria de Resende - RJ
       
      Achado o guichê, não vi ninguém, mas logo apareceu um fiscal e ao perguntar pelo onibus das 23:00h, ele me disse que logo chega e eu já fui comprando a passagem.
      Ao perguntar sobre descer na Garganta do Registro, o fiscal me disse que por conta de queda de barreiras no trecho da Serra nas últimas chuvas, só veiculos de passeio estão podendo subir e descer. Todo veiculo pesado teria que subir por Cruzeiro, dando a volta pelo lado paulista.
       
      O problema é que essa rodovia não passa pela Garganta do Registro e consequentemente, no inicio da estrada de terra que sobe para o parque. E era o último do dia. E agora, José?
       
      Sem alternativa e o tempo passando, não me restou outra opção que pegar esse ônibus e descer em Itamonte/MG, onde decidiria o que fazer assim que chegasse lá.
      A viagem foi tranquila e cheguei em Itamonte por volta das 1:40 da manhã. E logo fui procurar um lugar para ficar, mas não encontrei nenhuma, pois a cidade tava deserta, sem uma alma-viva e com tudo fechado (parecia cidade fantasma).
       
      Quem acha que cidade fantasma (ou que só tem vida durante o dia) não existe, então...convido a conhecer Itamonte/MG entre 1:00 e 5:00h da manhã...
      Após bater perna por quase 1 hora na "cidade fantasma" sem sucesso, a temperatura diminuiu ainda mais e com o frio apertando, resolvo que o melhor é encontrar algum canto escondido para acampar ou então, bivacar em qualquer praça e esperar até o amanhecer...Tiro meu termômetro para fora e vejo marcando 08ºC.
       
      Encontro um descampado em um terreno abandonado, mas limpo e resolvo montar minha barraca. Porém, ao ver o horário (já tinha passado das 2:30 da manhã), vi que seria muito trabalho para apenas poucas horas. Então, tiro apenas o saco de dormir e o isolante termico, mas decido procurar outro canto melhor.
       
      Achado o local, me enfiei dentro do saco de dormir em um canto bem escondido da pequena cidade e como estava cansado, logo peguei no sono, mas quem disse que consegui dormir?
       
      1º dia - Travessia Couto X Prateleiras + Pedra da Maçã, Tartaruga e assentada.
       
      A Quarta-feira amanheceu com uma pequena nevoa e após tirar pequenos cochilos que serviu apenas para descansar o esqueleto, levanto com a movimentação dos primeiros trabalhadores indo para o trabalho por volta das 5:30hs. A pequena e bucólica cidade ganha vida novamente...
       
      A termômetro registra temperatura amena de 06ºC e resolvo guardar tudo na mochila. Aproveito para esperar uma padaria ali próxima abrir, afim de tomar um café reforçado e depois encontrar um ponto de taxi para me levar até a portaria da parte alta do parque.
       
      Após o café, saio atrás de um taxi. Não demorou muito e logo encontrei um carro de um taxista e pergunto qto ele cobra para me levar até a Garganta ou a portaria do parque. Para a primeira opção (e ter que subir os 14km a pé) ele cobrou R$ 35 e até a portaria R$ 50. Claro que nem pensei 2 vezes e escolhi a corrida fechada até a portaria, já que não podia perder mais tempo.
       
      Como bom mineiro que se prese, a prosa foi ótima e fiquei sabendo que na noite anterior, tinha dado uma geada moderada na cidade e a temperatura havia caido abaixo de zero. Inclusive esse eram os mesmos comentários do pessoal lá na Padaria. E agradeci por não ter chegado aqui ontem. Senão, o que fazer num frio abaixo de zero sem local para ficar? e ao relento? Melhor nem pensar nisso!
       
      O trecho da rodovia foi rápido e logo chegamos a Garganta do Registro com o dia ainda clareando e começamos a subir. 20 minutos de subida desde a rodovia, alcançamos os 2.000 metros de altitude e por isso a vegetação típica da mata atlantica foi dando lugar aos de campos de altitude, com os primeiros trechos de geada aparecendo.
       

      Pico da Pedra furada vista de um trecho da estrada, próximo do Alsene.
       
      As primeiras vistas foram aparecendo, as nuvens haviam ficado abaixo e o céu claro e os primeiros raios de sol já cobriam o topo dos picos, o que me deixou bastante radiante. Mais 10 minutos e chegamos na antiga pousada Alsene na altitude de 2.320 metros as 7:25 e a vegetação ali já era exclusivamente de campos de altitude.
       
      Nesse trecho já se tem várias vistas do entorno e é claro que foram palco para os primeiros clicks. A forte geada e as nuvens cobrindo o vale do paraíba lá embaixo são um capitulo a parte e impressionaram até o taxista que é morador da região.....
       

      Trilha coberta de gelo
       

      Enfim, estão fazendo algo....
       

      Trecho recem recapiado da estrada com concreto
       
      Devido as condições precárias do trecho final da estrada, desço pouco depois da Alsene e o restante do percurso tive que fazer a pé. A esperança está nas obras de recapiamento que vem sendo feitas em vários trechos da estradinha.
       

      No trecho final, uma bela vista
       

      Chegando ao Posto Marcão
       
      Fui subindo e cortando caminho por trilhas a esquerda afim de evitar as longas curvas da estradinha. Com isso, a caminhada foi bem mais rápida e pouco antes das 8:00hs, chego ao posto Marcão, entrada da parte alta do parque. Após o funcionário verificar a disponibilidade de vagas no abrigo e camping, preencho a papelada e após pagar as taxas devidas, logo sou liberado. Mas antes de começar a travessia, resolvo ir até o Camping Rebouças montar barraca e deixar toda a tralha pesada lá.
       

      Na estrada, seguindo em direção ao Abrigo Rebouças
       

      Gelo por toda parte, reflexo da mega onda de frio que atingiu SP e o Sul de MG na 1ºquinzena de Junho. Segundo os guardas, temperatura chegou a -08ºC essa madrugada e tinha até 2 carinhas que estavam acampados pedindo para mudar para o Abrigo.
       
      Durante o trajeto até a área de acampamento, um carro passa por mim e o motorista me oferece uma carona, que aceito na hora, claro. Afinal, a distancia entre o posto até o abrigo é de 3 km. E nessa carona que conheço o Marcos, uma figura. Ele tinha marcado com uns amigos de ir para lá, mas que deixaram ele na mão na última hora, então acabou decidindo por vir solo.
       

      Morro da antena
       

      Area de acampamento tão disputada durante os fins de semana, fica vazia e com muitas vagas sobrando durante a semana
       
      Após chegarmos no Abrigo Rebouças, me despeço do Marcos agradecendo pela carona, inclusive. Após montar a barraca e deixar toda a tralha pesada lá, retorno para a estradinha e volto para o Posto Marcão, onde inicia a trilha da travessia Couto X Prateleiras. E finalmente, após todo o perrengue da noite anterior, começo a pernada propriamente dito as 10:00hs em ponto.
       

      Trecho inicial segue pela estradinha que vai para o morro da antena
       

       
      O caminho começa por uma outra estradinha de terra secundária a direita da principal e que sobe em direção ao Morro da antena. Ela fica bem ao lado do posto Marcão e há uma placa indicativa, inclusive. Sigo por ela e após fazer uma curva a esquerda, passo por um ponto de água, que é uma pequena bica a esquerda.
       
      Sem saber se haveria mais pontos de água a frente, encho o cantil com 2 litros para a travessia toda, por precaução. Esse é o único ponto de água corrente e confiável da subida até o Couto. Portanto, pegue água aqui ou traga na mochila para esse primeiro trecho.
       

      Subindo....
       
      Mais alguns minutos de caminhada desde a bica, vejo uma trilha a direita que dá num belissimo mirante. Nesse mirante, se tem uma vista deslumbrante do vale lá embaixo, com as escarpas rochosas da Serra Fina bem imponente a frente, em destaque, o que já dá uma ideia da vista que terei lá no topo do Couto. Após alguns clicks, retorno para a estrada e continuo subindo.
       
      Mais alguns minutos de subida e 25 minutos desde o posto Marcão, passo por outra bifurcação, onde encontro uma placa indicando "Couto" a direita. Então, abandono a estrada principal em favor dessa picada a direita que vai no sentido desejado e que marca o inicio da trilha da travessia Couto X Prateleiras. A estrada em frente continua subindo até o morro da antena.
       

      Trecho inicial da travessia
       

      Morro da antena ficando para trás
       

      Primeiras vistas durante a subida
       
      A trilha é bem aberta e segue subindo suavelmente, contornando a crista a direita, dando pequenas voltas e logo chego a base de um enorme rochedo. As 10:35 começo a subir em direção a primeira de 2 grandes bases do Couto, onde vejo uma outra antena. A subida aperta um pouco e logo começa a aparecer os trechos delicados na crista, onde subo com relativa cautela.
       
      Mais 15 minutos e chego a um trecho onde vejo água escorrendo pela trilha, formando alguns pequenos poções, mas que pode estar seco em épocas de estiagem. Não é bom contar com essa água. Por isso, colete a quantidade de água que for precisar para as próximas 3 horas lá na bica, pois o próximo ponto de água só na metade da travessia.
       

      Trecho com um filete de água escorrendo na lateral da trilha
       

      A vista durante a subida
       

       
      Após passar por um curto trecho de escalaminhada básica, a subida dá uma tregua e chego a um trecho plano, em um extenso costão rochoso que é a base do Couto e que formou um belo mirante, oinde também há uma antena. A altitude aqui é de pouco mais de 2.500 metros e o visual aqui é de impressionar.
       
      Faço uma rápida parada para descanço e exploro um pouco o entorno. Nesse ponto, se avista o enorme rochedo que compõe o pico do Couto bem a frente. Apesar do sol, o frio não dá tregua e com isso, nem tiro a blusa o dia todo.
       

      Chegando a base do Couto
       

       

      Não faltou sinal de celular....
       

      Prateleiras ao fundo (foto com zoom)
       
      Após o descanço, retorno a pernada, agora para encarar um dos pontos mais tensos dessa travessia, que é a subida de ataque final ao cume do Couto. Olho para frente e vejo a trilha indo na direção de uma fina crista sobre um rochedo, que de longe parece ser tranquilo. Mas foi só começar a caminhar por ela para logo dar de cara com um trecho tenso, onde sou obrigado a pular de uma pedra a outra, com um enorme precípicio a direita.
       

      Visual fenomenal
       

      Couto logo a frente
       
      O ataque final ao cume se dá em uma subida pirambeira entre enormes rochedos, onde em um deles, tive até que subir de costas e com bastante cautela, afim de ganhar os patamares superiores com segurança. Mais 15 minutos de subida e após 1 hora e 40 minutos de caminhada desde o Posto Marcão, as 11:40 finalmente chego no cume do Pico do Couto, na cota dos 2.680 metros de altitude para um merecido descanso, é claro. Nem preciso dizer que a vista é de arrancar o fôlego de qualquer um. E mais clicks, é claro.
       

      Trecho tenso.
       

      Subida de ataque final ao cume vai por essa fina crista
       

      Mirante na base, durante a subida do trecho final ao cume
       

      O trecho das cristas a direita, por onde a trilha da travessia passa
       
      Do topo a leste, se avista todo o trecho da caminhada com o Prateleiras bem ao fundão. A Oeste, o morro da antena, as 2 estradas de terra que liga o posto marcão ao couto e abrigo Rebouças. A Norte, Pico do Papagaio,Pedra do Altar, Sino e mais a direita, Asa de Hermes e o imponente Pico das Agulhas negras, entre outros picos da parte alta do parque.
       

      Enfim, o cume
       

      Serra Fina ao fundo
       

      A Esquerda, Pedra do Altar. Mais para o centro, Sino e Asa de Hermes. E a direita, o Imponente Pico das Agulhas negras
       

      A estrada de terra que vem lá do Posto Marcão
       
      Ao Sul, a imensidão do vale do Paraíba, com a Serra da Bocaína bem ao fundão. É uma visão de arrepiar. Aproveito para fazer uma pausa mais longa para um lanche reforçado. Após forrar o estomago e molhar a goela, retomo a pernada, agora para a segunda parte da travessia, em direção ao Prateleiras.
       
      As 12:20, passo por uma placa indicando "Travessia somente com autorização" e inicio a descida, que segue por uma trilha totalmente calçada por enormes rochas que facilitam bastante a descida. A descida do topo segue bem ingreme ladeira abaixo, com alguns trechos de desescalaminhada, mas sem maiores dificuldades.
       

      Todo o trajeto que ainda iria percorrer até o Prateleiras
       

      Meio longinho ainda...
       
      15 minutos desde o topo do Couto, chego na base e a partir de agora, a caminhada passa a ser pelo alto das cristas. Prateleiras está visivel a maior parte do tempo a frente e parece estar estar perto, mas distante cerca de 1 a 2 horas de caminhada ainda. A esquerda visualizo o imponente Pico das Agulhas negras e a direita a imensidão do vale do Paraíba, com o Couto ficando cada vez mais para trás.
       

      Trecho de sobe morro/desce morro
       

      Caminhada pelo alto das cristas
       
      As 12:55, passo por 2 placas na sequencia indicando 2 trilhas a esquerda. A 1º placa indica um ponto de água, que é uma ótima opção para o caso de você chegar aqui sem água. Esse é o 2º e último ponto de água de toda a travessia. Portanto, se pretende continuar e estiver com pouca água, recarregue nesse ponto, pois não há nenhum outro ponto de água até o final.
       

      Na bifurcação, onde é possivel abortar a travessia e retornar...
       

      É só descer essa pequena pirambeira
       
      A 2º placa indica um atalho para o Abrigo Rebouças. Nesse ponto é possível abortar a travessia, para o caso de você ou alguém do seu grupo tiver algum problema durante a travessia. Seguindo em frente, continua a trilha da travessia por mais 1 hora e meia em direção ao Prateleiras e é para lá que eu sigo.
       
      Após a placa, a trilha inicia uma sequencia de sobe morro/desce morro em largos zig zags, afim de evitar grandes paredões ou precipicios. Começo a subir um pequeno morro e logo saio em um trecho de gramídeas, onde a caminhada passa a seguir no plano com trilha bem demarcada e sem maiores problemas de navegação.
       

      O traçado da trilha logo abaixo e bem ao fundo, o Pico do Couto, que vai ficando para trás
       
      As 13:10, chego a mais uma bifurcação com uma placa indicando "mirante" a esquerda. Curioso para saber onde iria dar, abandono temporariamente a trilha principal em favor da trilha a esquerda para ir conhecer o tal "mirante".
       

       
      Alguns minutos de caminhada e logo chego a um conjunto de 3 enormes rochedos que compõe o mirante. Sigo até a ponta de um deles e ao chegar, sou presenteado com uma bela vista do gigante rochoso do Pico das Agulhas negras bem imponente a minha frente, em um angulo diferenciado e único.
       
      Lá embaixo, visualizo a estradinha de terra que vem do Posto Marcão, passa pelo Abrigo Rebouças e dá acesso ao Pico das Prateleiras, Pedra da Tartaruga, Assentada e por fim, a Travessia Ruy Braga.
       
      Também visualizo parte do Abrigo Rebouças, a trilha que segue para o agulhas e sobe para o Altar. É uma visual bem bacana, pois te dá a sensação que vc se distanciou tanto tanto, mas ao mesmo tempo parece que nem saiu do lugar, pois o Abrigo Rebouças está "logo ali". Vale a pena parar ali para conhecer e curtir a vista do entorno.
       
      Volto para a trilha principal e pouco antes das 13:30, visualizo bem a frente, uma enorme gruta, com a trilha se enfiando dentro dela. Ao me aproximar, vejo uma placa com os dizeres: "Toca do Índio", o que de fato lembra uma toca mesmo.
       

      Chegando a Toca do Índio
       

      Trilha se enfia por baixo dela e sai do outro lado
       

       
      Passo por dentro dela e ao sair do outro lado, chego ao trecho final da travessia, com o Prateleiras bem a frente. Mais 10 minutos e chego ao pé de um morro, onde inicio a última descida em direção a base do prateleiras. Trilha segue descendo em largos zig zag para diminuir o desnível para quem sobe.
       

      Prateleiras logo a frente
       

      Descendo até a base
       
      A partir desse ponto o Prateleiras aparece com todo o seu explendor a tua frente, o que vale a pena uma parada para contempla-lo. Também já é possivel ver a discreta Pedra da Tartaruga logo abaixo, a esquerda.
       

      Pedra da Tartaruga visto do trecho de descida final da travessia
       
      Enfim, após quase 3 horas e meia de caminhada desde o Posto Marcão, chego a base do Prateleiras as 14:05. Final da travessia, mas não da caminhada. Como estava relativamente cedo para voltar ao Abrigo Rebouças, decido ir conhecer a Pedra da Tartaruga, Assentada e Maça.
       
      A bifurcação para as trilhas que leva a elas sai do trecho final da trilha do Prateleiras e não tem como errar, já que você passa obrigatoriamente por ela e ainda tem uma placa indicando. Do trecho final da trilha, na base do Prateleiras, desço por 5 minutos e chego na bifurcação. Entro na trilha a direita (esquerda para quem vem subindo para o Prateleiras) e sigo em direção a Pedra da Tartaruga e Maça. A trilha inicia uma curta descida e e logo chego a um trecho com um belo lago a frente.
       

      Na bifurcação
       
      O Trecho inicial da trilha apresenta pequenas bifurcações, mas a principal é bem demarcada, facil de identificar e é só seguir por ela. Água pode ser encontrada em um pequeno riachinho que desemboca no lago ou no próprio lago. Mais alguns minutos e chego ao lado da enorme Pedra da Tartaruga que realmente parece uma tartaruga. Ao lado dela, outra enorme pedra em formato de uma Maçã, que parece que foi colocada ali, bem ao lado.
       

      Pedra da Tartaruga logo a frente e Assentada no alto de um Pico mais ao fundo, a esquerda.
       

      Pedra da Tartaruga
       

      Pedra da Tartaruga a direita, Maça a esquerda
       

      Um belo lago e um ponto de água
       
      O Cansaço e a fome começam a dar os primeiros sinais, mas não estava afim de parar por enquanto. Então, tiro algumas fotos e sigo em direção ao último atrativo do dia: A Pedra Assentada, localizada no alto de um pico mais baixo que o Prateleiras. A partir desse trecho, estou sobre enormes costões rochosos e não há trilha, por isso a navegação passa a ser por totens.
       
      As 14:54, passo por um mirante com uma vista de um vale enorme lá embaixo, onde é possível visualizar as ruínas de um antigo posto meteorologico e o vale onde está o Abrigo Massenas, um visual em tanto.
       

      O Mirante
       
      Passo por um pequeno trecho de charco, onde encontro uma placa indicando o caminho para a pedra assentada e logo reencontro a trilha, que segue descendo em direção a base do Pico menor. Sigo descendo e logo chego a base do Pico, onde está a pedra assentada.
       

      Ao fundo, Pedra Assentada
       
      Olho para cima e vejo a trilha indo em direção a uma enorme subida pirambeira. Inicio a subida, mas logo resolvo abortar, pois já havia passado das 15:00hs e com a fome apertando e sem saber qto tempo ainda iria levar até lá, resolvo deixar para uma outra ocasião.
       
      As 15:20, inicio a caminhada de retorno ao Abrigo, mas não sem antes fazer uma pausa no mirante, para um lanche. Estomago forrado e fome saciada, retomo a caminhada e 20 minutos desde o mirante, estou passando pela bifurcação onde a trilha do Prateleiras encontra com a da Travessia Ruy Braga.
       

      Passando pela bifurcação onde termina/começa a Travessia Ruy Braga com a trilha que sobe até o Prateleiras
       
      Termino a descida e chego no tedioso trecho de estradinha de terra (que outrora fora a BR mais alta do país). A temperatura está diminuindo rapidamente e pouco antes das 16h30, chego ao Abrigo Rebouças para o merecido descanço desse primeiro dia do circuitão solo. Chego a área de acampamento e deixo as coisas, mas resolvo ficar um tempo do lado de fora, para curtir o belo final de tarde.
       

      Acampamento e Abrigo Rebouças visto do alto de um morro, no final da tarde
       
      Durante esse tempo que estava "a toa", conheci o Rodrigo, que havia chegado lá por volta do meio dia e também estava sozinho pelo mesmo motivo do Marco e eu. Conversamos por algum tempo, mas o frio intenso do final da tarde logo nos fez entrar nas barracas rapidão, deixando para continuar a conversa mais tarde.
       
      Depois das 17h30hs com os ultimos raios de sol no alto das montanhas, o termômetro já marcava 04ºC, o que me fez crer que a noite seria estupidamente gelada. Coloco as roupas mais pesadas e fico só relaxando dentro da barraca.
       
      Por volta das 19h30, saio da barraca para curtir as estrelas e preparar a janta. Vou para a area de refeitório e reencontro o Marco, que havia chegado de sua escalada na Asa de Hermes só de noite. O Rodrigo tb apareceu, a gente se juntou e fizemos nossa janta ao passo de muita conversa sobre os perrengues do dia, é claro.
       
      Após a janta e um tempo conversando, a temperatura cai ainda mais e fez que nossa tempo de permanencia no local fosse curto. Com isso, cada um se recolheu para seus devidos aposentos e uma sinfonia de roncos se fez presente pelo restante da noite no bucólico vale, a 2.350 metros de altitude.
       
      Continua no post abaixo....
    • Por casal100
      Esse relato é dividido em duas partes:
      A primeira foram mais de 900 kms (da página 1 até a 6), trechos de picos, travessias e alguns trechos no entorno de cidades;
      A segunda parte,  mais de 300kms, só teve uma travessia e muitos picos,  começa  na página n° 7.
       
      Vários amigos e familiares nos indagavam sobre nossas travessias, segundo eles, tudo era muito repetitivo(as fotos eram parecidas, repetimos várias vezes os mesmos caminhos, até pela falta de outros. Até tem, mas caminho particular, não faremos  mais). De certa forma eles têm razão, visto que a visão do picos e montanhas não tem comparação com fotos de estradas e, tem um detalhe mais importante: as principais atrações das cidades(tirando algumas) não estão dentro delas, mas nos arredores  (cachoeiras, picos, morros. ..). Nesses 2 meses,  caminhamos mais de 900 quilômetros é quase 10.000 kms de carro. Conhecemos pessoas maravilhosas por onde passamos, experimentamos emoções que nunca tivemos,  comidas deliciosas,  não tivemos nenhum problema mais sério, tudo muito tranquilo.
       
      O BRASIL É SIMPLESMENTE SENSACIONAL! 
      E mais bonito visto de cima. Diante disso e, até para comemorar meus 60 anos de vida (ingressei na melhor idade), neste verão resolvemos fazer algo um pouco diferente : fomos conhecer e rever alguns parques nacionais /estaduais /municipais e privados, subir alguns picos/montanhas  e alguns circuitos desses locais, região de cachoeiras,  e Brumadinho(Inhotim), poderíamos estar no dia do rompimento da barragem,  para nossa sorte desistimos em cima da hora.
      LOCAIS VISITADOS:
      Extrema - Mg (subida as base dos pico do lopo e do lobo)
      Munhoz - Mg(subida ao pico da antenas, caminhos)
      São Bento do Sapucaí - Sp(pedra do baú e roteiro)
      Marmelopolis -Mg(subida ao morro do careca, mirantes, pedra montada, roteiros e subida ao pico Marinzinho)
      Aiuruoca - Mg(subida ao pico do papagaio, matutu, cachoeiras)
      Visconde de Mauá-Rj - (subida a Pedra Selada)
      PN Ibitipoca - Mg (Janela do céu, pico, circuito das águas e grutas)
      São Tomé das Letras - Mg (cachoeiras e roteiros)
      Carrancas - Mg(cachoeiras e circuito serra de carrancas)
      Ouro Preto - Mg (centro histórico e subida ao pico do Itacolomi)
      Mariana-Mg: Bento Rodrigues, local destruído por outro rompimento de barragem da Vale.
      Serra do Cipó - Mg(todos circuitos dentro do parque e travessão)
      Conceição do Mato Dentro - Mg: cachoeira do Tabuleiro  (base e mirante)
      Lapinha da Serra - Mg(subida aos picos da Lapinha e Breu, cachoeira Bicame e Lajeado,  parte travessia Lapinha x Tabuleiro)
      Brumadinho - Mg(Inhotim)
      PN de Itatiaia - parte alta - Mg(base do pico das agulhas Negras e prateleiras, cachoeira Aiuruoca, circuito 5 lagos, subida ao pico do couto)
      Piquete - Sp(subida ao pico dos Marins)
      Infelizmente, por excesso de chuvas, não fizemos os picos do Itaguaré e da Mina( motivação da viagem). Entrou uma frente fria na semana que antecedeu o carnaval, tivemos que abortar por questão de segurança, pois não utilizamos guias e fazemos somente Bate/volta - fica para a próxima.
      As surpresas da viagem:
      Inhotim, Lapinha da Serra e Serra do Cipó. Pois não conhecia nenhuma delas.
      Algumas fotos
      Subida ao pico dos Marins - SP

      Pico do Itacolomi - Ouro Preto - Mg

      Cachoeira Bigame - Lapinha da Serra-Mg

      Subida para pico do Breu e Lapinha - Lapinha da Serra-Mg

      Vista desde o pico da Lapinha

      Cachoeira do espelho - travessão - Serra do Cipó -Mg

      A incrível JANELA DO CÉU 

      flora exuberante



      Cachoeira do Tabuleiro - Mg

      Pico da Bandeira - ES

      Pedra do Altar - Mg

    • Por Ronaldo Paixão
      Caminho da Fé – Pedra do Baú – Travessia da Serra Fina – Agulhas Negras e Prateleiras (PNI).
      Estou escrevendo este relato um ano depois que fiz esse passeio. Talvez eu esqueça alguma coisa.
      Eu estava precisando me desligar da vida que eu vinha levando. Estava precisando fazer o que eu mais gostava, caminhar bastante, travessias em trilhas, subir montanhas, me isolar do mundo “civilizado”.
      Tinha decidido que eu iria “largar tudo” e sair, sem saber até onde eu iria ou quando voltaria. Tinha uma grana guardada (cinco mil) e deveria ser suficiente para eu viver por pelo menos uns 3 meses.
      Falei com meu irmão que ele teria que se virar sozinho em nosso comércio. Falei com minha família que eu estava indo por não sei quanto tempo, mas que eu voltaria qualquer dia.
      Trabalhei até 31 de agosto, quase meia-noite. No dia 01 de setembro fui para um apartamento onde fiquei por 4 dias planejando lugares que queria conhecer, vendo preço de ônibus, tracklogs, etc. Na manhã de 4 de setembro parti para São Paulo e naquela noite para águas da Prata, onde minha jornada começaria.
      Como eu iria para vários lugares, diferentes um do outro, tive que levar muita coisa na mochila. Coisas que usaria em algum passeio, mas que seriam dispensáveis  em outro. Ainda assim tentei levar o mínimo possível.
      Ítens que levei:
      -    Mochila Osprey Kestrel 48 litros com Camel Back de 2 litros
      -    Dois cantis de 900 ml. Um com caneca de alumínio.
      -    Rede Amazon e tarp Amazon da Guepardo.
      -    Saco de dormir Deuter 0º
      -    4 camisas dry fit
      -    2 blusas finas de fleece.
      -    2 calças quechua de secagem rápida
      -    6 cuecas
      -    3 pares de meia
      -    1 boné
      -    1 touca
      -    1 par de luvas (daquelas de pedreiro)
      -    1 par de sandálias Quechua
      -    1 par de botas La Sportiva
      -    Kit Fogareiro + panela pequena
      -    2 isqueiros
      -    1 canivete
      -    1 colher plástica
      -    1 botija de gás Nautika pequena
      -    GPS
      -    Celular (para fotografias)
      -    Caderneta e caneta
      -    1 Anorak
      -    Corda e cordelete
      -    Bolsa de nylon (para transportar a mochila no ônibus)
       
      Caminho da Fé. Águas da Prata até Aparecida.
      Caminho da Fé – 1º dia. 30Km
      05-09-2018
      Águas da Prata (SP) até Andradas (MG).
      Início 05:15 horas e chegada 12:55 horas
      Almoço : Pavilhão hamburgueria
      Jantar: bolachas e sanduba no hotel.
      Pernoite: Palace Hotel.
      Seguindo o conselho de um cara que desceu comigo e iria fazer o caminho de bike eu iniciei cedo para evitar o sol. Só que por esse motivo fui sem comida. Só comi uns pedacinhos de rapadura que ele me deu e uma banana que ganhei de um ciclista.
      Pelo longo tempo inativo, eu senti um pouco o peso dos 17Kg que estava levando na mochila.
      Caminho da Fé – 2º dia. 36 Km
       06-09-2018.
      Andradas (MG) até Crisólia (MG).
      Partida às 08:00 horas e chegada às 17:40 horas.
      Almoço: salgadinho no Bar Constantino, comunidade da Barra.
      Jantar: miojo num banco ao lado da rede.
      Pernoite: rede 
      Subidas cavernosas. Serra dos Lima, Barra, Taguá e Crisólia. 
      Cheguei tarde, fui numa pousada carimbar a credencial e depois procurei duas árvores para esticar a rede, fazer o rango e dormir. Nesse dia não teve banho.
      Caminho da Fé – 3º dia. 38 Km
      07-09-2018
      Crisólia (MG) até Borda da Mata(MG). 
      Partida às 07:30 e chegada às 18:00 horas.
      Almoço: pastel no Bar do Maurão em Inconfidentes
      Jantar: x-salada em lanchonete perto do hotel.
      Pernoite: Hotel Virgínia.
      Feriado da Independência. Fui acordado às 6 da manhã com queima de fogos e hinos. Passagem por Ouro Fino e Inconfidentes. Desfile cívico em todas as cidades.
      No hotel em borda da mata conheci um casal de cicloturistas que estava com um carro de apoio. Consegui que levassem um pouco das minhas coisas até Estiva. Foram 6 Kg a menos para carregar.
       
      Caminho da Fé – 4º dia. 17,5 Km.
      08-09-2018.
      Borda da Mata(MG) até Tocos do Mogi (MG).
      Início às 08:00 horas e chegada às 12:40 horas.
      Almoço: um pouco de morangos colhidos no caminho.
      Jantar: Lanche na festa da padroeira.
      Pernoite: Pousada do Zé Dito. (muito boa e barata)
      Dia mais curto. A pousada ficava no calçadão principal, onde estava acontecendo a festa da padroeira. Estava difícil dormir. O jeito foi sair para a festa e tomar umas, apesar do frio que fazia de noite.
        
      Caminho da Fé – 5º dia. 21,5 Km
      09-09-2018
      Tocos do Mogi (MG) até Estiva (MG).
      Início às 09:00 horas e chegada às 14:20 horas.
      Almoço: moranguinhos (quase 1 Kg) e queijo fresco com caldo de cana.
      Jantar: Restaurante perto da pousada.
      Pernoite: Pousada Poka.
      Trecho muito bonito. Muitas plantações de morango. Muitos pássaros.
      Na pousada eu recuperei minhas coisas que haviam sido deixadas ali e já consegui ajeitar um novo transporte delas até Potim, já pertinho de Aparecida.
      Caminho da Fé – 6º dia. 20 Km
      10-09-2018
      Estiva (MG) até Consolação (MG).
      Partida às 07:30 e chegada às 12:45 horas.
      Almoço, jantar e pernoite: Pousada Casarão
      Destaques deste dia. Cervejinha gelada num bar onde um piá gordinho queria tirar uma selfie comigo. E também queria meu bastão de selfie de qualquer jeito.
      Também destaque para o canto da seriema, triste e ao mesmo tempo bonito, que se fez presente muitas vezes. Também tem a subida da serra do Caçador, cavernosa.
      Além disso, nesse trajeto é comum vermos carros de boi e também “canteiros”onde os agricultores esparramam o polvilho para secar.


      Caminho da Fé -  7ºdia. 22,5 Km
      11-09-2018.
      Consolação (MG) até Paraisópolis (MG).
      Início às 07:00 e chegada às 12:30 horas.
      Almoço: Restaurante Sabor de Minas. Muito bom e barato. Comi pra danar.
      Janta: coxinha na praça.
      Pernoite: Hotel Central
      Foi um dia especialmente marcado pela presença dos pássaros ao longo do caminho, canários, sabiás, pássaros pretos, coleirinhas, gralhas, joões-de-barro, tucanos, maritacas. E aves maiores, como gaviões, seriemas e garças brancas.
      Também vale destacar a grande quantidade de flores, principalmente nos portões das casas dos sítios.
      Caminho da Fé – 8º dia. 28,5 Km.
      12-09-2018
      Paraisópolis (MG) até A pousada da Dona Inês, que fica 4 Km depois do distrito de Luminosa, município de  Brazópolis.
      Início às 07:55 e chegada às 15:15 horas.
      Almoço: Salgadinho e coca numa mercearia em Brazópolis.
      Jantar e Pernoite: Pousada da Dona Inês.
      Foi o dia mais quente desde o início do caminho. Era meu aniversário de 52 anos e ficou marcado porque depois do jantar na Pousada, uma amiga de caminho, a Fabiana, puxou um parabéns a você, junto com as outras cerca de 20 pessoas que estavam ali. Fiquei bem emocionado.
       
      Caminho da Fé – 9º dia. 33 Km
      13-09-2018
      Pousada Dona Inês (Luminosa-MG) até Campos do Jordão (SP).
      Início às 05:45 e chegada às 18:45 horas.
      Almoço: Restaurante Araucária. Fica perto da placa que indica a entrada para a pousada da Dona Rose e da madeireira Marmelo. Comida muito boa.
      Jantar: Caldo de Mandioca com carne. NIX Caldos e lanches.
      Pernoite: Refúgio dos Peregrinos
      Na verdade, a quilometragem total desse dia foi de 51 Km porque no meio do caminho decidi que iria subir a Pedra do Baú. Isso me custou várias horas e me fez chegar em Campos do Jordão já de noite. Mas valeu muito a pena.
      O dia amanheceu lindo. Logo de cara a temida subida da Luminosa, mas que não é nada de tão difícil.
      Depois é asfalto até o fim do dia.
      A pousada Refúgio dos Peregrinos é bem diferente. Tem uma tabela de preços na parede. Você anota o que consumiu, faz as contas, paga e faz o troco. Tudo na base da confiança.

      Caminho da Fé - 10º dia. 52 Km
      14-09-2018
      Campos do Jordão(SP) até Pindamonhangaba(SP).
      Início às 06:00 horas e chegada às 17:45 horas.
      Almoço: Sanduíche em Piracuama.
      Jantar e pernoite: Pousada Chácara Dois Leões.
      Nesse dia todos os que estavam no refúgio dos peregrinos foram por Guaratinguetá, menos eu que fui por Pindamonhangaba. Descida pela linha do trem até próximo a Piracuama, com uma garoa fininha que de vez em quando virava um chuvisco.
      De tarde foi só asfalto e chuva. Cheguei na pousada já escurecendo. Foi o dia mais cansativo, pela quilometragem, pela chuva e principalmente pelo asfalto.

      Caminho da Fé - 11º dia. 24 Km.
      15-09-2018.
      Pindamonhangaba(SP) até Aparecida(SP).
      Início às 09:00 horas e chegada às 15:15 horas.
      Almoço: Pesqueiro Potim. Comida muito boa. Comi feito um louco. Aqui eu recuperei o restante de minhas coisas que tinham vindo no carro de apoio de amigos.
      Pernoite: Hotel em Aparecida.
      Esse era o último dia no caminho. Um misto de ansiedade por chegar e de nostalgia antecipada das experiências vividas e das paisagens do caminho.
      A chegada na basílica é emocionante, não importa em que você acredita, ou se acredita em algo.
      Fica a saudade dos lugares. Dos amigos. Dos passarinhos.


      Fiquei em Aparecida até segunda-feira, quando fui ao correio e despachei para casa algumas lembrancinhas que tinha comprado e coisas que tinha levado e que vi que não ia usar. A calça jeans e a camisa de passeio. Umas cordas. Um dos fleeces e a bolsa de transporte.
       
      A Vida e o Caminho da Fé.
      Durante esse derradeiro dia de caminhada me veio à mente uma analogia entre a vida e o  “caminho da fé”.
      O caminho da fé cada um começa de onde quiser, mas todos com o mesmo destino. No caminho o destino é a basílica de Aparecida, na vida a gente sabe o destino.
      No caminho as pessoas vão chegando, amizades vão sendo feitas. Uns mais lentos outros mais apressados. Uns madrugadores outros nem tanto. Uns alegres e comunicativos, outros mais quietos e introspectivos. Muitos de bike, passam pela gente voando, só dá tempo para um “bom dia”. Assim também é a vida e os amigos que vamos fazendo. Uns continuam por perto, outros se distanciam, mas continuam amigos
      No caminho não importa sua classe social, sua cor, opção sexual, grau de instrução ou idade. O destino é o mesmo para todos. Assim também é na vida.
      No caminho a jornada é longa, alguns dias são mais difíceis, parecendo que não vão terminar. Outros passam leves e agradáveis, a gente nem queria que terminassem. Igualzinho a nossa vida
      Temos que superar o cansaço, as bolhas, os pés inchados, joelhos e tornozelos doendo, a mochila pesada que nos deixa com os ombros marcados. Enfrentar as subidas, as descidas, os buracos, as pedras, a fome e a sede em alguns momentos.
      Por mais difíceis que sejam esses obstáculos, eles são superados. Ficam para trás. Igualzinho na vida.
      O caminho também nos oferece muitas coisas boas. Simples, mas inesquecíveis. Os pássaros cantando ao lado da estrada. A beleza e o perfume das flores. Os riachos que nos permitem um banho refrescante depois de uma subida cansativa. As conversas com os amigos. O pôr do sol por trás das montanhas. A janta e a cama quente que nos restabelecem para o dia seguinte. O nascer do sol de um novo dia, nos lembrando que sempre nos é dada uma nova chance de sermos felizes. Assim também acontece na nossa vida.
      Seja no caminho da fé, ou na vida, o destino a gente sabe qual é. O importante é deixar para trás o que para trás ficou. E aproveitar ao máximo a jornada.
       
      Pedra do Baú.
      Eu sempre gosto de planejar meus passeios, travessias. Mas sobre a Pedra do Baú eu não sabia nada. Só de ouvir falar, de ler alguma coisa de relance. Mesmo assim era uma coisa que eu tinha vontade de fazer algum dia, se desse certo.
      Era o dia 13-09-2018, meu nono dia no caminho da Fé. Era de manhã e eu caminhava pela rodovia, junto com um peregrino de nome Donizete, que eu conhecera na pousada da Dona Inez. Passamos por uma placa que indicava a entrada para o Parque Estadual da Pedra do Baú.
      Eu falei para ele: - Donizete, vai em frente que eu vou subir a Pedra do Baú.
      Ele disse: - Cara, isso vai demorar. Você só vai chegar em Campos do Jordão de noite. Isso se der tudo certo.
      Daí eu disse:- Tem que ser hoje. Não sei se vou ter outra chance. Quem sabe eu nunca mais passe por aqui.
      Me despedi dele e entrei na estradinha que levava ao parque. Escondi minha mochila e fui só de ataque, levando água, uma rapadura, uma paçoca, o GPS e o celular para tirar as fotografias.
      Depois de uns 4 Km cheguei onde começavam as trilhas e entrei na que indicava Pedra do Baú, face norte. Passei por uns caras que eram guias e estavam levando equipamentos de escalada. Depois de um tempo cheguei num local que tinha uma escada amarela grande, fixada na parede de pedra. Não pensei duas vezes. Subi aquela escada e depois continuei uma escalaminhada, com misto de escalada em alguns pontos, até que já estava bem alto e não tinha mais para onde subir. Estava pensando até em desistir e voltar embora, quando avistei uns caras no cume de um morro que eu julguei ser o Baú, mas acho que era o Bauzinho.

      Gritei para eles e eles responderam de volta. Perguntei como chegava na Pedra do Baú e eles me disseram para descer de novo e seguir mais em frente.
      Desci e estava chegando ao ponto em que tinha começado a subida quando vi eles vindo. Esperei por eles. Conversamos por um tempo e eles me deram as informações sobre como chegar até onde a subida começava realmente.
      Segui em frente pela trilha e pouco depois eu chegava na base da Pedra do Baú, onde um guia estava terminando os preparativos para iniciar a subida com um casal de clientes. Capacetes, corda, mosquetões, etc.
      Eu estava ali de bermuda, boné e botina.
      Eu vi aquela parede enorme e aquela sequência de grampos na pedra que eu não sabia onde terminaria. Pensei: - vou esperar ele começar a subida e assim pego uma carona. Se o negócio apertar eu peço arrego para ele.
      Foi quando ele virou pra mim e perguntou: - Vai subir?
      Falei que sim e ele disse:- Pode ir na frente então. A gente ainda vai demorar uns minutos.
      Eu pensei:- já era minha carona. 
      Era uma parede de pedra quase vertical e muito exposta, que devia ter mais de 300 metros de altura.
      O jeito foi encher o peito de ar, mirar para cima e começar a subida.
      Subi meio que com medo no começo, mas também com muita confiança Parei algumas vezes no meio para tirar fotos. Passei por mais dois guias com clientes antes de chegar ao cume. Um deles foi bem legal e me deu umas dicas sobre o percurso que faltava.
      Muitos trechos com vento forte e eu pensava: - se eu parar agora eu travo. E ia em frente. Os últimos grampos, quando se está chegando no cume são especialmente complicados, porque você tem que abandonar a “segurança” que os grampos te dão para poder chegar no cume.
      Mas depois de uns 20 minutos de subida, lá estava eu no cume da Pedra do Baú. 
      Foi um momento mágico. Bem mais do que eu esperava. O visual era incrível. Tirei foto de tudo que é jeito. Deitado sobre a beira do abismo, em pé, etc.

      Aqui vou abrir um parênteses. Apesar de estar no caminho da Fé, um caminho católico, onde se passa por muitas igrejas, as únicas vezes na vida que eu senti realmente uma presença muito forte, do que alguns podem chamar de Deus, foi quando estive no cume de alguma montanha ou embaixo de uma cachoeira. Nunca em uma igreja. Deixei de frequentá-las faz muito tempo. 
      Me lembro de ter me encontrado com “Deus”, no cume do Alcobaça (2013), em Petrópolis. Embaixo da cachoeira do Tabuleiro, literalmente, em 2013 (e agora em 2019 de novo). Nos Portais de Hércules, Travessia Petro-Tere, em 2014. No cume do Pico Paraná em 2015 (não encontrei quando retornei em 2017). Na base das Torres  e no Mirante Francês, no Parque Nacional Torres del Paine, em 2016. E agora, na Pedra do Baú.
      É uma sensação difícil de explicar. É como se você se sentisse realmente parte de um todo, de uma coisa muito maior. Se sentisse nada e tudo ao mesmo tempo. Uma paz muito grande torna conta da gente. E em todas essas vezes eu senti a presença do meu pai, já falecido.
      Restava agora a descida, que metia mais medo que a subida. Principalmente os primeiros grampos, onde tinha que se virar de costas para o abismo para alcançar os grampos. A
      Mesmo assim a  descida foi rápida e durou cerca de 15 minutos.
      Cheguei na base e peguei o caminho de volta pela trilha. Pouco tempo depois quase pisei em uma jararaca de cerca de um metro de comprimento. Ela estava junto a uma pedra onde eu iria colocar meu pé. Ela se mexeu e eu a vi. Consegui dar um pulinho e evitei pisar nela. Foi por muito pouco.
      Segui rápido pela trilha e tempo depois eu já estava de volta à rodovia, rumo a Campos do Jordão.
      A Pedra do Baú foi muito gratificante. Mais do que eu esperava. Mais do que eu merecia.
       
       
      Serra Fina.
      Fiquei em Aparecida até na segunda-feira, 17-09-2018 e daí fui para Passa Quatro (MG), onde cheguei já escuro na rodoviária local. Peguei um ônibus circular e fui para o hostel Serra Fina, do Felipe, onde fiquei até na sexta-feira quando comecei a travessia. Choveu na terça, quarta e quinta, mas na sexta a previsão era de tempo limpo que duraria tempo mais que suficiente para a travessia e por isso decidi esperar e aproveitar para descansar e ler. Mesmo assim fui até a toca do lobo, pra passear e conhecer o Ingazeiro gigante. Também fui conhecer o centro da cidade.
      A região estava em alvoroço. Dois rapazes cariocas estavam perdidos em algum ponto da travessia e vários bombeiros, guias e montanhistas estavam à procura deles. Por sorte conseguiram um ponto onde tinha sinal de celular e conseguiram passar a localização e foram resgatados. Se bem que já estavam próximos de uma propriedade rural.
      Passa Quatro é uma cidadezinha linda e é um lugar onde eu moraria tranquilamente.
      O Hostel Serra Fina também é muito bom e o Felipe é um cara nota dez. Eu me senti em casa.
      Todas as travessias que eu faço eu vou sozinho. Não que não goste de pessoas. É que eu gosto de ir no meu rítmo. Gosto de ficar sozinho. Andar sozinho. Pensar na vida, etc. A intenção era fazer essa travessia também de modo solitário.
      Mas na quinta-feira de noite chegou ao hostel uma gaúcha baixinha, menor que eu até, que iria começar a travessia na sexta também, então decidimos começar juntos. A mochila dela era enorme e certamente tinha coisa que não precisava.
       
      Começamos o primeiro dia da travessia, 21-09-2018, uma sexta-feira, mais tarde do que eu queria. Saímos da toca do lobo já era meio-dia.
      Logo no começo da travessia, primeira subida, eu percebi que ela iria me atrasar, mas já que estávamos juntos, seguiríamos juntos. Foi quando ele me disse:- Vai na frente, você anda mais rápido. Eu disse que não, mas ela insistiu. Disse que ficaria bem. Eu então dei um até logo e disse que a reencontraria no Capim Amarelo..A subida é intensa e o ganho de altitude é rápido.
      Talvez pelo “treino” feito no Caminho da Fé eu não senti muito e passei por mais gente no caminho. Primeiro por 3 mineiros (que depois se tornariam grandes amigos) e depois por outros dois caras que pareciam ser militares.
      Cheguei ao cume do Capim Amarelo eram 15:15 horas. Praticamente 3 horas só de subida. Montei minha “barraca”, que era na verdade a minha rede estendida sob a lona que tinha sido disposta como se fosse uma barraca canadense. Fiz um rango e fiquei apreciando a paisagem. Como sabia da falta de água eu decidi que não levaria comida que precisasse de água no preparo, então comi basicamente tapioca de queijo, ou de nutella, ou de salaminho, paçoca, geléia de Mocotó e castanhas, durante toda a travessia.
      Os mineiros chegaram um pouco mais tarde e armaram suas tendas. Os militares chegaram quando já estava começando a escurecer. Eles não traziam barracas, dormiram de bivaque.
      Quando já estava quase escuro chegou um grupo que iria passar direto pelo Capim Amarelo e acampar no Maracanã. Perguntei pela gauchinha e me disseram que ela tinha montado acampamento em algum local no meio do caminho. Depois disso fiquei sabendo que ela desistiu e retornou para Passa Quatro. E que depois reiniciou a travessia na segunda-feira, tendo que ser resgatada de helicóptero no cume dos 3 Estados. E que depois disso voltou mais uma vez, acompanhada de um escoteiro, só que mais uma vez desistiram, abortando a travessia na Pedra da Mina, via Paiolinho.
      Estávamos a 2490 m de altitude e o pôr do sol e a noite foram lindos e gelados. Meu termômetro marcou a mínima de 3,5ºC.

       
      O dia 22-09-2018 era o segundo dia da travessia. A intenção era dormir no cume da Pedra da Mina.
      Depois do café da manhã, junto com os mineiros, desarmei e guardei toda a tralha e deixei o Capim Amarelo para trás às 10:20 horas.
      Logo no começo encontrei uma garrafa de uísque que tinha sido esquecida pelos militares. Voltei até onde os mineiros estavam e depois de bebermos uns goles eu retornei para a trilha, levando a garrafa para devolvê-la assim que encontrasse os rapazes. Não demorou muito para encontrá-los porque eles tinham pegado uma trilha errada logo na saída do Capim Amarelo.
      Depois de muito sobe e desce, mata fechada, bambuzal, escalaminhada, trepa pedra, cheguei na cachoeira vermelha e no ponto de abastecimento de água. Estava cedo e daria para pernoitar no cume. Foi o que fiz e cheguei ao cume eram 16:40 horas.
      Chegando ao cume estendi a minha lona fazendo um teto que ligava uma parede de pedras empilhadas até o chão Estendi ali embaixo o isolante e joguei o saco de dormir por cima. Essa noite não teria o mosquiteiro. Deixei a rede guardada.
      Comi meu jantar, assinei o livro de cume e fui apreciar o fim da tarde, o pôr do sol e as estrelas aparecendo. A noite estava bem fria.
      Os 3 mineiros chegaram quando a noite já tinha caído. Ajudei eles a montarem as barracas e depois ficamos conversando até altas horas. Os militares chegaram ainda mais tarde e no dia seguinte abandonariam a travessia, descendo pelo Paioloinho.
      Essa noite teve como temperatura mínima 3,7º C, mas a sensação foi de que era uma noite muito mais fria que a anterior. Talvez pela exposição ao vento, o que não tinha acontecido pela proteção que o capim elefante fornecera na noite anterior.
      A noite foi linda, repleta de estrelas e prometia um amanhecer incrível, fato que aconteceu. O único porém foi a grande quantidade de pessoas que estavam na Mina, quase todos fazendo bate-volta, o que trouxe muito barulho até algumas horas da noite. Apesar disso dormi muito bem e acordei bem disposto. A água até aqui não tinha sido problema.

      O dia 23-09-2018 era o terceiro dia da travessia e amanheceu espetacular, apesar de muito frio. Acordei antes do sol nascer e escolhi um bom lugar para apreciar o espetáculo. Depois disso o café da manhã (sem café) e desmontar acampamento. A surpresa foi quando levantei o saco de dormir e vi que uma aranha bem grande tinha vindo se aquecer embaixo dele. Peguei a bichinha com cuidado e a levei para perto de uma moitinha de capim.
      A travessia começou mesmo já eram 10:50 horas da manhã e daí para frente decidi caminhar junto com os 3 mineiros, afinal a gente combinava bastante. E assim saímos nós 4 da Pedra da Mina, eu , o Vinícius (Vini), o Daniel (boy) e o Nelson (Bozó). E assim passamos pelo Vale do Ruah, onde abastecemos os cantis pela última vez, com água que deveria ser suficiente até as 16 horas do dia seguinte. Daí foi uma grande sequência de morros até chegarmos ao Pico dos Três Estados às 17:20 horas.
      Mais uma vez montei a lona no estilo canadense, dispus a rede com mosquiteiro dentro e esparramei minhas coisas. De noite nos reunimos junto ao triângulo de ferro que representa a divisa dos 3 estados para a janta.
      Os caras já tinham pouca água. Eu ainda tinha meus dois cantis cheios e mais um bom tanto no camelback. Dessa maneira cedi um cantil para que eles fizessem a janta e bebessem o que sobrasse. Essa noite foi a mais fria, com o termômetro marcando 2,7º C, mas o capim elefante nos protegeu bem dos ventos e deu para dormir muito bem.


      No dia seguinte pela manhã, o Bozó sugeriu que fizéssemos café. Lá se foram mais 500 ml de água. Mas foi muito bom aquele cafezinho e aquela vista que se tinha lá de cima. De lá dava para ver Prateleiras e Agulhas Negras, minha próxima empreitada.
      Era o dia 24-09-2018, nosso quarto e último dia de travessia.
      Deixamos o 3 Estados às 09:40 da manhã. 
      Esse foi um dia bem sofrido. Uma sequência de morros. Sobe e desce. Muitos trechos de mata, e bambuzal. Mas o principal obstáculo era a falta de água. Minha água era para dar tranquilamente, mas depois da janta, café e dividir com os amigos, eu tinha deixado o 3 Estados somente com a água que restava no camelback, que era pouco mais de meio litro.
      Fomos racionando, mas quando chegamos no Alto dos Ivos, todos bebemos o que nos restava de água. Foram mais 3 horas até encontrarmos água de novo.
      A falta de água aliada ao esforço físico fez com que o Vini começasse a passar mal. Mesmo assim tocamos em frente.Chegamos inclusive a beber água acumulada nas bromélias.
      Eu e o Bozó, que estávamos melhor, seguimos mais rápido enquanto Daniel ficou para trás acompanhando o Vini. Chegamos ao ponto de água e enchemos os cantis e o Bozó voltou correndo para encontrá-los e matar a sede dos amigos.
      Já eram 16:50 horas quando chegamos na rodovia BR-354, onde o resgate que eles tinham combinado estava esperando. A Patrícia, que era a dona da caminhonete de resgate me deu uma carona até Itamonte, onde seria meu pernoite. 
      Por coincidência, a Patrícia era o resgate dos rapazes que estavam perdidos quando cheguei em Passa Quatro. Como eles não chegaram no ponto de resgate no dia combinado, ela entrou em contato com os bombeiros e com a família dos rapazes.
      Era o fim da travessia. Uma das mais puxadas e mais bonitas que já fiz. Foi também a última vez que vi os amigos Daniel e Vinícius. O Bozó eu encontrei de novo em Belo Horizonte agora em maio de 2019.

      Foi uma travessia que exigiu muito, mas que ofereceu muito mais em troca. Alvoradas e crepúsculos inesquecíveis. Paisagens sem igual, amizade, companheirismo. E que deixou uma vontade enorme de retornar e fazê-la novamente.

       
      Parque Nacional de Itatiaia.
      Agulhas Negras e Prateleiras.
      Desde que eu estava no hostel em Passa Quatro, eu já estava procurando um guia para o Parque Nacional de Itatiaia. Sabia que se tudo desse certo eu terminaria a travessia na segunda-feira 24-09 e na terça-feira 25-09 queria ir para o PNI, para subir o Agulhas Negras e o Prateleiras. Durante os telefonemas para casa, eu vi que teria que voltar logo. Dessa maneira, eu teria que fazer os dois cumes no mesmo dia.
      Entrei em contato com vários guias, mas ninguém queria fazer os dois cumes em um único dia. Uns disseram que não dava. Outros disseram que não era permitido. Até que encontrei um cara. Tudo isso pela internet e pelo tal de whats app, que eu nunca tinha usado antes disso.
      Deixamos mais ou menos combinado. Ele me cobraria 300 reais pela guiada. Eu sabia que o PNI exigia equipamentos para a subida aos cumes. Eu não tinha esses equipamentos. Após o PNI eu teria que voltar para casa, minha jornada terminaria ali, portanto não precisaria mais ficar regulando a grana.
      Durante a travessia da Serra Fina a gente ficou sem contato.
      No final da travessia, o resgate dos mineiros me deu uma carona. Eu tinha planejado ficar no Hostel Picus, ou no Yellow House, mas ambos estavam fechados. Dessa forma fui com eles até Itamonte, onde me deixaram e seguiram rumo a Passa Quatro. Saí procurando hotel ou pousada e acabei ficando no Hotel Thomaz. O Hotel era bom e tinha um restaurante onde eu jantei. Só que fica bem na rodovia e eu peguei um quarto de frente para a rodovia e o barulho dos caminhões e carros freando durante toda a noite incomodou um pouco e prejudicou o sono.
      Na manhã do dia 25-09-2018, terça-feira, acordei bem cedo, tomei banho, preparei as coisas que levaria para o Parque, entrei em contato com o guia e desci para tomar o café da manhã no Hotel. Por volta das 7 horas o guia chegava de carro para me pegar e seguirmos para o parque. Durante o caminho fomos conversando e falei pra ele sobre a travessia e sobre o caminho da fé e pedra do Baú, que tinha feito recentemente. Ele também é guia na travessia da Serra Fina.
      Chegamos ao parque fizemos os procedimentos de entrada, onde um guarda-parque alertou que caso não começássemos a subida do Prateleiras até as 14 horas, não deveríamos continuar. Desse modo, às 08:45 da manhã iniciamos nossa caminhada rumo a base do Agulhas Negras. Ele apertou o passo, acho que querendo me testar. Eu fui acompanhando de boa. Paramos num riozinho para abastecer a água e fazer um lanchinho, já próximo da base.  A conversa ia progredindo e ele me falou que achava que eu era um cara que parecia estar preparado e que normalmente ele guiava por uma via conhecida como Via Normal ou Via Pontão, mas que se eu quisesse a gente poderia tentar uma via diferente, pra se divertir um pouco. Falei pra ele que ele é quem estava guiando e que por mim tudo bem. Dessa maneira subimos por uma via menos utilizada, que passa por dentro de uma espécie de chaminé que é conhecida como útero. Na verdade quando você emerge dessa “chaminé” é como se você estivesse nascendo. Não levamos capacete, nem cadeirinha, apenas uma corda e uma fita. Usamos a corda somente duas vezes, uma delas para rapelar e depois subir um lance de rocha que fica entre o falso cume e o cume verdadeiro onde fica o livro de cume. Atingimos o cume verdadeiro às 10:40 horas.


      Comemos, descansamos um pouco, apreciamos a paisagem, tiramos várias fotos e depois iniciamos a descida. Dessa vez por uma via diferente, a Via Bira.
      No início da descida um rapel de uns 40 metros por uma descida bem íngreme junto a uma fenda e uma parede. Bem legal. Foi uma descida bem bacana. Uma via bem mais interessante que a tradicional.
      Eram 12:40 quando chegamos de volta ao ponto onde tínhamos iniciado a caminhada. Fizemos um lanche rápido e às 13:00 horas partimos em direção ao Prateleiras. Desta vez sem mochila, sem corda, sem água. Só levamos uma fita de escalada, que foi usada uma única vez. Achei bem mais tenso que o Agulhas, apesar de mais rápido. Muita fenda, muito lance exposto, muito salto de uma pedra para outra com abismos logo embaixo.
      No ataque final, nos últimos 15 minutos, o cara me salvou por duas vezes. A primeira em um lance de escalada livre onde se tem que fazer uma força contrária. Como não tem "pega", a gente sobe com os pés numa face da fenda, empurrando a outra face para baixo. Complicado. Eu tava a abrindo o bico de cansaço aí ele me deu a mão e a puxada final. Depois disso, num paredão bem inclinado, tinha que começar a subir quase correndo agarrando na pedra para conseguir chegar ao fim. Faltando um meio metro para o fim dessa rampa minha bota começou a escorregar na pedra e eu fiquei sem força. Gritei ele e novamente me deu a mão ajudando a chegar. Muito tenso.
      Atingimos o cume às 13:50 e depois de alguns minutos começamos a descida. Paramos para comer uma bananinha e paçoca e descemos mais tranquilos. Às 14:58 estávamos de volta ao local onde tinha ficado o carro.
      Daí o cara olha pra mim e fala: - Agulhas e Prateleiras em 6 horas. Nada mal.
      E rachamos o bico de dar risada.

      Tinha acabado de subir dois cumes que sempre tinha sonhado. Agulhas Negras e Prateleiras. Os dois em cerca de 6 horas. Eu estava muito feliz. 
      O visual de cima dessas montanhas é incrível. Mas a experiência da subida é demais. A adrenalina a mil. Saber que um escorregão e já era. Isso não tem preço que pague.
      Acabei ficando amigo do guia e ele me deu uma carona para Itanhandu no dia seguinte, onde pegaria o ônibus de volta pra minha terra.
      Dormi mais uma noite no mesmo hotel, dessa vez num quarto de fundos e o sono foi muito melhor. Desci para comer um sanduíche de pernil numa lanchonete próxima e bebi uma coca-cola de 1 litro. Depois de todo aquele esforço eu merecia.
       

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      Na manhã da quarta-feira, 26-09, eu parti de volta para Maringá, com uma parada longa em São Paulo, de onde saí de noite e cheguei em casa na manhã de 27-09-2018.
      Decidi ir pra casa a pé. Pra caminhar um pouco. rsrsrs.
      Logo depois do almoço eu estava em casa e na manhã do dia seguinte tudo voltaria à mesma rotina de antes.
      Mas eu não era o mesmo cara que tinha saído 23 dias antes. 
      Eu tinha caminhado mais de 420 Km. Tinha estado em 3 dos dez pontos mais altos do país. Tinha visto o sol nascer e se por proporcionando espetáculos inesquecíveis. Tinha conhecido gente da melhor qualidade, o povo bom e humilde do interior de Minas Gerais.
      Dá para aguentar essa rotina por mais um tempo, numa boa.
       
    • Por Amanda Abreu
      Depois de conhecer as Prateleiras e também o pico das Agulhas Negras, meu próximo objetivo era o Morro do Couto. Assim como Agulhas Negras e Prateleiras, o Morro do Couto fica localizado no Parque Nacional do Itatiaia, no estado do Rio de Janeiro, sendo considerado o 8° ponto mais alto do Brasil com 2680 metros de altitude. 
      A travessia aconteceu no dia 11/03/18. A intenção era subir o Morro do Couto, seguir até Prateleiras, e depois retornar para a portaria passando pelo Abrigo Rebouças, totalizando um percurso de 12 km. [emoji33]
       

       
      O quase planejamento da aventura começou na semana que antecedeu o domingo do possível passeio. Eu e o meu namorado Rafael, conversamos sobre o período sem trilhas que estávamos passando, e surgiu a ideia de voltar ao PNI. Itatiaia é cidade próxima de onde moramos, então, colocaríamos gasolina no carro, chamaríamos os amigos, e partiu. O valor da entrada por pessoa é tranquila, apenas R$17,00. 
      O problema para ir começou quando nos dois dias que antecederam o dia 11, choveu bastante e a probabilidade de chuva para os próximos dias na região era muito grande. Procuramos em diversas fontes alguma forma de saber melhor qual a previsão mais aproximada para o PNI, mas todos diziam que a possibilidade de chuva era de 90% e em outros alertava até para tempestades. Ate que um site nos orientou melhor e conseguimos ver que iria chover nas cidades próximas a partir das 9:00 da manhã. Então, avisamos os amigos que sairíamos bem cedo e faríamos pelo menos parte do trajeto ate as 9:00. Mas, sábado a noite choveu, e choveu muito; quem estava interessado de ir, desinteressou. [emoji32] Mesmo morrendo de medo de ser uma furada, de sair pra estrada e acabar pegando chuva forte e melando todo passeio, decidimos ir. 
      Arrumamos as coisas e combinamos de sair ate umas 5:30. Era umas 6:00 e estávamos na estrada. O tempo ainda não dava sinais de que rumo tomaria, mas nossa esperança era de que ate uma 9hrs ficaria tudo bem. Em uma parte da Via Dutra, vi um tempo fechado que me preocupou, mas eu já sabia, por idas anteriores, que o clima pode ser totalmente diferente lá em cima. Quando começamos a avistar os picos imponentes do parque, percebemos que o dia estava lindo, sem nuvens e com um lindo sol.[emoji41]
      Estávamos na portaria do parque as 8:15. Para fazer essa travessia, o horário limite de acesso é ate as 10. A travessia pode ser feita sem guia, mas, se você não conhece nada de trilhas, e ainda não se sente a vontade de encarar uma trilha sem um acompanhamento, o melhor é ir com alguém experiente. Nós fizemos sem guia, mas antes, coletamos informações suficientes sobre o que viria pela frente. O acesso para a trilha do Couto é uma estrada a partir do estacionamento. Subida bem íngreme, mas, conforme andávamos dava pra ver quão bonito estava a paisagem.
      Fomos ate uma antena e pouco depois começamos nosso primeiro ponto com subida nas pedras. Durante a caminhada conversamos sobre aquela ser uma trilha boa para levar crianças de uns 10 anos. Já na subida de pedras, aumentamos a idade devido ao tipo de desafio.

       
      Chegamos ao topo do Couto.[emoji3] A paisagem estava incrível, o lugar dá uma visão muito ampla do parque e nos deu uma sensação de liberdade sem igual. Não ficamos muito, pois íamos para o segundo desafio: chegar ate Prateleiras. São mais 4,5km de trilha.

       
      Na saída encontramos um pai com seu filho, que nos fez relembrar da nossa conversa anterior. Tivemos que perguntar a idade do menino, e imagine nossa surpresa ao ver uma criança de nove anos chegando lá em cima, com um sorriso no rosto e super empolgado. 
      Tive duvidas se eu conseguiria concluir a caminhada. A partir do momento que começamos o trajeto ate prateleiras percebemos que aquela trilha seria um exercício de paciência, cooperação e humildade; digo que até de coragem. Nessa parte, os totens (pedrinhas empilhadas) encontrados no caminho foram de grande ajuda. Eles davam a dica de qual o próximo caminho a se seguir, porque em alguns momentos as trilhas sumiram e andamos mato afora, mantendo o foco no nosso objetivo. O terreno la é sem árvores e tem somente mato rasteiro, que devido a estação do ano estava um pouco maior em alguns pontos, e também havia água e barro (é, você vai sujar sua bota sim). Durante o trajeto você tem a opção de abortar a travessia utilizando a trilha sinalizada que leva até o abrigo. Fizemos pequenas pausas para comer, descansar e tirar alguma foto. A próxima foto é da vista do mirante que encontramos no caminho, fácil de identificar por causa de uma plaquinha.

      Em certo ponto mais na frente, passamos pela toca do índio; pedras enormes que formavam uma passagem. Vale lembrar que durante o percurso, a toca do índio foi o único local com sombra generosa. Durante todo percurso, as sombras são muito raras. Fora isso, tivemos sombra em algumas pedras que encontramos no caminho. É importante não esquecer o filtro solar, e se der, use até uma manga longa. Pegamos um dia bem quente, afinal, era verão e o tempo estava aberto. Não se esquecer de levar água e também lanchinhos rápidos.
      Prateleiras estava ficando cada vez mais perto. Estávamos chegando ao nosso objetivo, e insistir na travessia foi a melhor escolha que fizemos. A paisagem é gratificante e as histórias pra contar sempre serão muitas. [emoji6]

      Quando chegamos ate as Prateleiras, e dessa vez não fomos até a base, retornamos pela trilha até o abrigo. Passamos pela cachoeira das Flores que estava com um bom fluxo de água que a deixou ainda mais bonita. 

      Chegando ao abrigo, fizemos nossa pausa maior com direito a uma sopa. [emoji3] Bem antes das 17:00 retornamos pela estrada a caminho da portaria. Chegamos ao posto Marcão as 17:15. No caminho de retorno podíamos ver ao longe, parte do que foi nosso objetivo e analisar um pouco do que tínhamos andado.

      Quando vamos ao PNI, sempre retornamos para casa já com vontade de voltar. Depois da travessia, pensei sobre não ter tirado uma foto que pudesse registrar a visão que se tem da paisagem ao longo do caminho, se é que isso é possível. Uma visão ampla e incrível de pedras, trilhas, subidas e descidas que te faz sentir um máximo por estar explorando aquele lugar sem igual. [emoji23]
       
       
       
       
       
       
       
       
       
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