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3 dias em Belém (com uma esticada em Macapá)


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Nem estava planejando viajar no mês de maio, mas vi uma promoção da Gol que não dava para perder: GRU/BEL/GRU por R$ 197 reais! Estavam tão baratas as passagens que aumentei em uma perna a viagem: por R$ 116 comprei o trecho BEL/MCP/BEL pra conhecer também a capital do Amapá. Seria bacana conhecer uma nova cidade, mas isso diminuiria a minha estadia em Belém em um dia, o que de certa forma não foi tão bom assim: Belém é uma cidade cheia de possibilidades e onde gasta-se pouco para se divertir muito! Em quatro dias nas duas cidades, gastei R$ 600 (excluída as passagens aéreas, óbvio).

 

Aéreo

Ida: GRU/BEL 07MAY 22:35/02:35 // BEL/MCP 08MAY 06:07/06:59 // MCP/BEL 08MAY 19:14/20:04

Volta: BEL/GRU 11MAY 14:54/18:25

 

Hospedagem: Fiquei no hostel Residência B&B, que achei no site booking.com. Preço de R$ 40 a diária em quarto coletivo, com café da manhã. A vantagem deste hostel é a localização, em frente à praça da República e ao Theatro da Paz, e bem perto dos vários pontos turísticos.

 

1° dia - sexta

 

Cheguei no aeroporto de Belém aproximadamente 02:30 da manhã, e teria que ficar enrolando por lá até pegar o vôo que iria para Macapá às 06:07. Rodando pelo aeroporto, um achado: em frente a uma loja de sapatos no segundo piso o encosto de braço de um dos bancos está quebrado, assim dava para deitar e tirar um cochilo! Dormi até quando deu, embarquei e cheguei em Macapá. Tinha visto no Google que perto do aeroporto de MCP tinha linhas de ônibus para o centro. Perguntei para a atendente de informações da Infrazero, que não soube me explicar direito como chegar ao tal lugar que sai o ônibus. Resolvi ir a pé mesmo, demorei uns 40 minutos até chegar ao Trapiche Eliezér Levy, que é uma espécie de plataforma que te leva 300 metros adentro do Rio Amazonas. Tem até um trenzinho, mas pelo que parece não funciona há tempos. Esse que deveria ser um dos principais pontos turísticos da cidade está em total estado de abandono: existem tábuas soltas que podem causar acidentes, o lugar está sujo (o banheiro está além de qualquer possibilidade de uso) e me parece ser perigoso à noite.

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Saí de lá e fui para o Forte de São José, é pertinho, não dá nem 10 minutos andando. O Forte de Macapá tem entrada gratuita, é bonito (mais do que o de Belém) mas como ponto fraco é que não tem praticamente acervo historiográfico. Entrando nas casamatas vi muito material de construção e reparo, o que indica que o forte deve estar (ou estará futuramente) em processo de restauração.

Saí do forte, atravessei a avenida e lá estava o mercado municipal de Macapá, que não é nada além de alguns botecos e restaurantes populares. Como estava muito calor resolvi tomar uma breja e esperar a chuva passar. Macapá é uma cidade de clima muito instável: Chove-pára-chove-pára-chove-pára. Tomei uma Draft, que é uma linha popular da cervejaria Cerpa, muito comum no Norte e melhor do que as cervejas populares da Ambev, na minha humilde opinião. No mesmo bar que eu estava um mototaxista, perguntei pra ele quanto custaria me levar ao Monumento do Marco Zero. Fechamos por 10 reais e segui para lá. O Marco Zero não é nada demais, vale mais pelo simbolismo de saber que a linha do Equador passa exatamente ali, e dizer que esteve no hemisfério norte e sul ao mesmo tempo ::tchann::

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No piso inferior do monumento tem uma lojinha, comprei umas lembranças e tomei sorvetes de cupuaçu e tapioca (bons!) antes de subir as escadas que levam ao marco divisório de hemisférios. Tirei algumas fotos, desci para usar o banheiro, estava fechado. Então caminhei para um posto Ipiranga que tem ali perto, usei o banheiro e já tomei mais uma breja (dessa vez a Tijuca, também da cervejaria Cerpa) e conheci o lado externo do estádio Zerão, cuja peculiaridade é que a linha do meio de campo é alinhada à linha do Equador, de forma que cada time joga em um hemisfério diferente :lol: Meu próximo destino era o Museu Sacaca, em frente ao citado posto Ipiranga tem um ponto de ônibus, peguei o busão (R$ 2,30) que subiu a Avenida Hildemar Maia, saltei e fui andando até a Avenida Feliciano Coelho, que é onde fica o museu. Ao chegar lá descobri que eles fecham (parcialmente) do meio dia às duas horas. A decepção só foi atenuada porque mesmo com algumas partes do museu fechadas, dá pra ver muita coisa interessante. A parte aberta do museu é uma pequena reserva de floresta amazônica, dá pra ver as espécies de árvores típicas da região, além de algumas esculturas que representam os ribeirinhos, índios e povos em geral que compõe a população do Amapá.

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Minha próxima parada era o Museu Histórico de Amapá Joaquim Caetano da Silva. Após rodar muito para achar, vi que estava fechado. Um funcionário que mexia em alguma coisa na calçada do museu me disse que estava em reforma e restauração. Pelo estado do museu que vi pelo lado de fora, estava precisando mesmo de um trato. Em frente fica a catedral São José de Amapá, que não me chamou a atenção, então voltei à orla do rio Amazonas perto do trapiche onde escolhi um bar e fiquei bebericando até dar a hora de ir ao aeroporto. Não tinha mais nada para fazer em MCP, então fui para o aeroporto andando novamente.

Já em Belém, a missão era chegar ao hostel. Peguei o busão 638 – Presidente Vargas e desci na Praça da República, pertinho do hostel. Fiz checkin no hostel, tomei banho e fui dar uma caminhada nas imediações. Descendo a rua do hostel e virando à direita tem uma balada frequentada principalmente por rockeiros e universitários, tomei umas duas brejas, fiquei enrolando por ali e fui dormir.

 

2° dia - sábado

 

Acordei cedo e o primeiro local do dia era o Mangal das Garças. Resolvi ir a pé, o que fiz em mais ou menos 30-40 minutos com sol castigando. Chegar lá a pé é fácil: saindo da praça da República é só pegar a rua Gama Abreu (que ao longo do caminho muda de nome para Av Almirante Tamandaré) e ir direto. Não paga para entrar no Mangal, mas algumas atrações à parte são pagas, como subir a Torre de Belém, o Museu de Navegação, o Borboletário e o Orquidário. Cada atração custa R$ 5 para entrar, ou paga-se 15 reais para ir em tudo. O que me interessou de verdade foi a torre, então paguei 5 mangos e subi de elevador. A vista é sensacional! Dá pra ter a vista aérea do paisagismo do parque, ver o rio atrás de você e boa parte da cidade à sua frente. Calor infernal na moringa, eu andava um pouco e procurava uma sombra, assim devagarinho conheci o parque todo, as garças, as iguanas, flamingos, borboletas... antes de ir embora subi uma plataforma de madeira, que leva ao restaurante e ao Museu da Navegação, e também a um espaço com bela vista do rio Guamá e bancos para descanso.

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Saindo do Mangal das Garças e chegando na praça do Arsenal, virei è esquerda e segui direto na Rua Doutor Assis. Nessa rua dá pra ver muitos casarões históricos, tinha um que estava muito bem conservado e era bonito demais, mas infelizmente não tirei fotos. Ainda seguindo na Dr Assis cheguei na Praça do Carmo, onde parei pra tomar uma cerveja e apreciar a parte externa da Igreja do Carmo, que tem aquela arquitetura barroca característica. Vi uma fachada de um bar bacana naquela praça e o ambulante me disse que só abria a noite e que enchia: era o Bar do Carmo. Voltaria ali à noite para tirar a prova.

Ainda seguindo pela mesma rua cheguei numa praça bonita, bem conservada, e que fica de frente para o Complexo Feliz Luzitânia. Não entrei neles, fiquei rodando naquele entorno. Fui no Museu de Arte de Belém (R$ 4), um antigo casarão residência dos governadores coloniais. Arquitetura bonita, tinha uma exposição de um artista local no piso térreo e um acervo interessante para quem gosta de História no piso superior. Passeio bacana e que rende boas fotos, mas não se perde muito tempo aqui. Bem ao lado tem o Museu Histórico do Estado do Pará (gratuito), mas que não está no mesmo nível de seu vizinho. Do lado de fora percebe-se que está precisando urgente de um restauro, e do lado de dentro não tinha monitores, e ao que parece, nem exposição. Ninguém veio me atender, fui embora. Voltei andando à praça florida, resolvi entrar no Forte do Presépio (gratuito). Não tem acervo historiográfico, o que tem de mais interessante são os canhões, originais de época, e um terraço que dá para tirar algumas fotos do Ver-O-Peso de longe. Achei menos interessante que o Forte de Macapá. De lá segui para a Casa das Onze Janelas, onde aconteceu o primeiro problema com horários. Não sei o que acontece em Belém, mas várias atrações turísticas reduzem o horário de funcionamento aos fins de semana e feriados, que é justamente quando tem o maior fluxo de turistas! E também não dá para acreditar nos sites deles. Pelas informações obtidas na net, imaginei que ficaria aberto até 16hs, mas fui entrar (era 13h30 aproximadamente) e já estava fechado, o segurança informou que fecha às 13h00 aos fins de semana. Lá dentro tem um restaurante, pedi para usar o banheiro, e pelo menos deu para ver muita coisa do lado de dentro. O Museu de Arte Sacra também já estava fechado, e eu achando que era aberto até as 16hs...

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Próxima parada: Ver-O-Peso. Não dá nem dez minutos de caminhado do Forte até o Mercado, fui observando tudo. O mercado é dividido por setores, na parte de ervas as vendedoras ficam tentando atrair os turistas, fui lá pois tinha uma encomenda de óleo de bôta (R$ 5) para uma amiga. Passei pela parte de polpas, vende-se polpas congeladas de tudo quanto é fruta amazônica, passei na parte de artesanato e comprei os meus imãs de geladeira pra coleção... fui andando, tem a parte de mercearia, de frutas, de farinha, de mandioca, tudo bem dividido, cheguei na parte de comida! No Box 66 – Barraca da Carioca provei o caldo de tacacá (R$ 10). Bem diferente para o padrão paladar de um paulistano, vem com camarão e jambú, a erva que dá dormência na língua ::hahaha:: Delícia!

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Continuando o tour gastronômico fui no vizinho chique do Ver-O-Peso, a Estação das Docas. Fui direto na Amazon Beer, provar as cervejas locais, todas muito boas (preços entre R$ 5,20 a R$ 8,50, chopp ou long neck), mas eu destaco a Witbeer feita com taperebá (ou cajá, dependendo da região do Brasil), principalmente para quem gosta de cervejas frutadas. Até pensei em comer alguma coisa, mas os preços estavam proibitivos, além do fato de que não oferecem meia porção: uma porção com 20 pastéis é muito grande para uma pessoa só por mais ogra que ela seja. Outro problema recorrente no Pará para quem viaja sozinho: porções individuais praticamente non ecziste!

Coladinho com a Amazon Beer tem a celebrada Sorveteria Cairú: só provando pra saber porque é celebrada! Pedi um sorvete na casquinha de doce de cupuaçu com castanha do Pará (R$ 6,50 a bola) e certamente foi uma das experiências sensoriais mais incríveis da viagem toda! É muito bom, é a Ana Maria Braga passando debaixo da mesa 1000 vezes!

Resolvi descansar, voltar pro hostel é fácil: ao sair da Estação das Docas é só caminhar para o lado oposto do Ver-O-Peso, que se chega no cruzamento da Av Presidente Vargas. Só seguir na Vargas direto (uns 10 minutos) e você chegará na Praça da República.

Voltei pro hostel louco pra tomar um banho, chegando lá descobri que o bairro estava sem água (raiva). Então bora bater perna de novo, fui à Basílica de Nazaré (uns 15-20 minutos a partir do hostel). Estava acontecendo uma missa bem na hora, não quis entrar e atrapalhar, então fiquei admirando só do lado de fora, o que por si só já valeria a pena ter me deslocado até lá. A praça em que se situa a Basílica é bonita e bem cuidada, e apesar disso ainda estava ocorrendo algumas obras de melhoria.

Fim de tarde, já começando a escurecer... fui gastar sola de sapato de novo, pra ir na Portinha (Rua Doutor Malcher, 434), uma sensacional casa de salgados na Cidade Velha. Mas não são salgados comuns como coxinha de frango ou esfiha de carne... os salgados d’A Portinha são feitos com ingredientes locais, como a esfiha de camarão com jambu ou o salgado de pato no tucupi. Apesar de não ser barato (R$ 6 a unidade) vale demais a pena, porque é um tipo de coisa que você não vai provar em qualquer lugar, só lá mesmo. Pirei nesse lugar, e do lado tem um pequeno armazém de secos e molhados, onde uma turma de velhotes tomava cerveja, jogava baralho e ouvia coisas como Nelson Gonçalves, Don e Ravel, Odair José... parecia ter sido transportado para algum ponto do passado, achei bem bacana a cena e me aproxeguei para comprar uma cerveja. Fiquei ali comendo, bebendo e observando por um tempo, até que resolvi ir ao bar que havia visto anteriormente na Praça do Carmo e que estava fechado.

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Pertinho, nem cinco minutos de caminhada cheguei no Bar do Carmo, onde um público jovem tomava cerveja Tijuca e acompanhava uma roda de samba que ia levando com competência vários clássicos (Jovelina, João Nogueira, Nelson Cavaquinho, Beth Carvalho...). A decoração do bar é bem bacana com vários discos de vinil nas paredes e quadros com caricaturas dos grandes mestres da música brasileira. O pessoal não cabe todo no bar que não é muito grande e vai se espalhando pela praça, levando mesas, ocupando bancos... o tipo de coisa que não se vê mais em São Paulo.

Voltei pelo mesmo caminho, subindo a Av Almirante Tamandaré até chegar na Praça da República novamente e como não havia comido nada no bar, encostei no Lanches do Rosário, um grande trailer onde se fazem lanches diversos, inclusive o cachorro-quente sem salsicha: colocam carne moída no lugar. Os lanches em geral são grandes e baratos, ideal para forrar o estômago gastando pouco. Enquanto esperava meu lanche engatei uma conversa sobre futebol com um funcionário e outro cliente. É impressionante como os paraenses são fanáticos por futebol e orgulhosos dos times locais, a grande maioria é Remo ou Paysandu e se vê gozações mútuas desses torcedores por todas as partes.

Já tarde da noite voltei ao hostel, e a água tinha resolvido voltar também (haha), tomei um bom banho e descansar para o próximo dia.

 

3° dia – domingo

 

Minha primeira missão no domingo seria conhecer o Theatro da Paz. Verifiquei previamente no site deles o horário de funcionamento, que constava das 09h as 11h aos domingos. Na quarta-feira anterior à viagem liguei para confirmar o horário e parecia que estava tudo OK. Mas... quando cheguei no teatro, pouco antes das 09h perguntei para um funcionário sobre a visita e ele me disse que de domingo só começa às 10h. Fiquei putíssimo, louco de raiva mesmo mas tentei não demonstrar. Tirei umas fotos do lado de fora e fui andando até a Basílica de Nazaré, onde dessa vez conseguiria ver o interior dela. A igreja é bonita demais! Vitrais, estátuas, pinturas e a arquitetura, tudo é maravilhoso, o negócio é ver com os próprios olhos.

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Ali pertinho da Basílica (uns 5 minutos a pé entre eles) fica o Museu Paraense Emílio Goeldi (R$ 2), uma espécie de mix de jardim botânico, zoológico, museu e área de preservação ambiental amazônica. Rodei por ali, vi antas, araras, tucanos, vitórias-régias, taperebazeiras e várias outras espécies animais e vegetais. Tem alguns espaços em que se pode sentar à sombra e apreciar a vista. Por fim tem um museu em que estava rolando três exposições temporárias: uma sobre lendas indígenas, outra de fotografias sobre a ilha de Marajó e a última sobre arte rupestre em Monte Alegre, uma cidade paraense perto de Santarém com diversas formações rochosas que já viraram um desejo de viagem pro futuro.

Queria ir na Ilha do Combu, para tanto deveria chegar na Praça Princesa Isabel. Resolvi ir a pé, o que é teoricamente fácil , pois basta sair do Museu Emílio Goeldi e descer a Avenida Alcindo Cancela direto. Porém o sol forte tornou a caminhada cansativa, então parei num posto de gasolina e tomei uma breja. Depois parei num bar e tomei outra. Esta avenida é lotada de bares e restaurantes populares, principalmente quando se vai chegando ao fim dela, já perto da Pç Princesa Isabel, de onde partem os barcos para Combu.

A passagem do barco custa R$ 4 (sai a cada 20 minutos) e só me lembro que a travessia é rápida, mas não sei quantificar o tempo. O barco tentou parar em um ponto da ilha, já tinha dois barcos atracados então foi tentar atracar em outro. Descemos, logo de cara tem um restaurante, o Combu da Amazônia, atrás dele tem uma espécie de portal com os dizeres “Trilha da Amazônia”. Fui seguindo nessa trilhazinha que é suspensa, mas a madeira em péssimo estado de conservação é um convite para acidentes. A trilha é bem curtinha mesmo, nem 5 minutos, mas pelo menos dá pra ver a floresta em um estado mais selvagem do que no Emílio Goeldi.

Voltando ao restaurante pedi uma cerveja Tijuca 600 ml (R$ 7), fiquei enrolando por ali até que pedi o cardápio. Totalmente fora de cogitação para quem está mochilando com pouca grana. Um prato de comida por R$ 70, não tem pratos individuais, e as porções de petiscos são grandes e caras demais para alguém sozinho. Fiquei batendo papo com o atendente do bar, comentei que tudo que tinha ali eu já havia comido no Ver-O-Peso por 3, 4 vezes menos dinheiro. Ele me falou que a ilha é assim mesmo, para turistas endinheirados, e que o outro restaurante da ilha, o Saldosa Maloca é mais caro ainda. Talvez tenha sido nesse lugar que o barco tentou atracar e não conseguiu quando estávamos chegando. Meu veredicto: a Ilha de Combu é a maior furada! Programa pega-turista mesmo.

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Saindo de Combu e voltando em terra firme, percebi que tinha um clube em que ia rolar as famosas festas de aparalhagem paraense. A festa ia começar por volta das 16h, então o objetivo era almoçar e depois enrolar até dar o horário em que a festa estivesse mais ou menos cheia. Resolvi parar no Restaurante do Careca, que de vista parecia ser bem popular, mas me levou 30 mangos em um PF! Mas pelo menos o peixe que acompanhava o rango estava maravilhoso e o objetivo de enrolar um tempo foi atingido, fiquei conversando com o irmão do dono do restaurante sobre a cidade, Remo e Paysandu, e ele me disse que a Fafá de Belém quando está na cidade sempre vem almoçar no Careca... um velho contador de estórias e muito generoso, se dispôs a pagar as cervejas (haha)

Saí do restaurante e voltei para a aparelhagem, já era mais de 18h e perdi a promoção que até este horário não pagava para entrar e o balde de long neck com 5 unidades custaria R$ 10. Então paguei 10 mangos para entrar, e fui entender o que é o brega paraense. É um ritmo animado, com batidas mais ou menos rápidas dependendo da música, mas mesmo nas mais agitadas se dança agarradinho. Boa parte das músicas são versões de sucessos internacionais, adicionados de um tecladinho e uma bateria eletrônica ao ritmo paraense, sem a menor preocupação com direitos autorais.

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Mesmo em clubes simples como o que eu fui a preocupação com a estrutura de luz e som faz parte da cultura dessas aparelhagens, o som estava melhor do que o de muitos shows com ingresso caro que fui em São Paulo, e as luzes eram um show a parte. Na minha concepção, ir numa festa dessas meio que equivale a visitar o Ver-O-Peso, não dá para compreender totalmente o espírito do paraense sem ir num lugar desse (sem contar o Círio de Nazaré, mas aí é outra história).Percebi que o dinheiro estava acabando (e lá não aceita cartão), então guardei o trocado do ônibus e bebi o resto. Acabando a grana saí da festa, voltei no restaurante do Careca pra perguntar qual busão pegar para voltar para o hostel. Indicação tomada, segui caminho. Quando estava quase chegando vi uma sorveteria Cairú e resolvi descer. Como aceitava cartão de crédito, tomei dois sorvetes, um de taperebá e outro de açaí com tapioca. Os dois absurdamente deliciosos. Após tomar banho, voltei à Praça da República para fechar a noite, novamente Lanches do Rosário e o hot dog sem salsicha, chamado de massa fina (R$ 4,50). Bucho forrado, hora de dormir.

 

4° dia - segunda

 

Tirei o dia para andar a toa na Cidade Velha. Para quem gosta de casarões coloniais e construções históricas Belém é tipo um parque de diversões. Diferente de outras cidades que possuem um centro histórico com o casario localizado num lugar só, Belém possui estas construções em diversos pontos da cidade. Na Cidade Velha é onde tem a maior quantidade, mas no Reduto e no bairro Nazaré também tem bastante. Andei, andei e andei, vendo toda aquela arquitetura que contrasta com os prédios todos iguais em estilo neo-clássico que vejo em minha cidade.

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Fui novamente no Ver-O-Peso, dessa vez para comprar frutas e provar o peixe com açaí. Adorei o peixe, mas não vi graça no açaí que o acompanhava, não sei se a preparação foi ruim ou se o açaí em seu estado natural é meio sem gosto mesmo. Após as compras voltei para o hostel, acertei as contas e bora pro ponto de ônibus para ir ao aeroporto. Um rapaz que estava no hostel iria no mesmo vôo que eu de volta para São Paulo, então fomos para o ponto descobrir o busão para o Val-de-Cans. Saindo da rua do hostel, é só virar à esquerda, no segundo ponto de ônibus. O busão demorou uns 40 minutos para chegar ao aeroporto, como cheguei muito cedo resolvi tomar um chopp Tijuca (R$ 6) enquanto meu recém-amigo resolveu comer um arroz de jambu (R$ 6). O nome do restaurante é Muiraquitã, e é realmente um achado, com comidas e bebidas a preço justo, nem parecia que estávamos dentro de um aeroporto!

Antes de voltar a São Paulo, um contratempo: fomos avisamos pelo alto-falante que o vôo atrasaria. E só. Ninguém da GOL veio à sala de embarque explicar ou dar qualquer assistência. Uma passageira que estava esperando ao nosso lado disse que isso é freqüente nos voos da Gol chegando e saindo do Val-de- Cans. Não duvidei, pois outro vôo deles também estava atrasado. Após uma hora e meia de atraso, embarquei de volta para a selva de pedra.

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Diogo! Que massa seu relato!

 

Anotei várias dicas!

 

Também peguei um promoção da GOL e vou agora nesse feriado, fico de quarta até domingo!

 

Achei bem corrido e corajoso você ter ido pra Macapá! Eu vou ficar por Belém e passar dois dias na Ilha de Marajó!

 

Pelo menos, é essa a ideia!

 

Obrigada pelas dicas!

 

Onde é o clube que você foi na aparelhagem?

 

Abs! ::otemo::

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  • 2 semanas depois...

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