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morganriva

Uma volta na Bolívia em 22 dias: Santa Cruz - Sucre - Uyuni - La Paz - Isla del Sol - Huayna Potosí - Cochabamba

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DIA 4 - SUCRE - UYUNI | Piolho, barraco & "banheiro"

 

Nesse dia meu ônibus para Uyuni partiria às 9h30, então acordei às 7h30, tomei um banho, arrumei minha mochila silenciosamente pra não acordar os coleguinhas e fui tomar café da manhã. Fiz check-out e antes das 8h30 já estava na rua para pegar um táxi. Parei o primeiro que passou e perguntei quanto custava até o terminal de ônibus. Ele me disse que custava 5 bolivianos. Achei que tivesse entendido errado, mas entrei no táxi mesmo assim. Talvez fosse 15, ou então o caminho era mais curto do que eu imaginava. Na verdade o percurso levou uns 15 minutos, e quando chegamos perguntei de novo o preço. "5 bolivianos". OK... Povo, muito barato! 5 bolivianos são R$2,00!!! Por uma corrida de 15min! Em POA já daria R$30,00! Tá certo que a gasolina lá é mais barata do que aqui (porque é altamente subsidiada), mas não justifica.

 

Enfim.

Entrei no terminal e fui procurar o guichê da 6 de Octubre. Não foi difícil, fica bem na entrada. Troquei o voucher que me deram na agência pela passagem de fato e constatei que havia pago 25Bs. pelo serviço.

 

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Daí fui para frente do box de onde sairia o ônibus. Eram ainda 8h30, então teria que esperar lá por 1h ainda...

O terminal de Sucre é bem antigo e precário, parece que parou no tempo. Me sentia nos anos 70.

 

Importante: antes de embarcar deve-se pagar uma taxa de 2,50Bs. (varia de terminal para terminal) referente ao uso da rodoviária. Isso existe no mundo todo, só que em geral já está incluído no preço da passagem. Mas na Bolívia e no Peru funciona desse jeito.

 

O ônibus chegou um pouco atrasado, já eram 9h40. Ele era razoavelmente novo e os bancos eram relativamente confortáveis, embora tivessem um cheirão de mofo. Na lataria do ônibus tinha uma "arte" intrigante, que eu adoraria se alguém me ajudasse a entender:

 

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Bom. Entrei no ônibus, me acomodei confortavelmente no meu assento (se é que isso é possível, porque eu tenho 1,90m e não me acomodo confortavelmente em transporte público nenhum do mundo) e esperei o busu partir. Quando eram 9h50 e o motora enfim ligou o motor chegou correndo um cidadão gritando:

 

(imaginem em espanhol)

Cidadão: ''É o ônibus pra Potosí??!!"

Motorista: ''Sim!"

Cidadão: "Belê, tenho 3 passagens!"

Motorista: "Entra ae."

 

Bom, nesse momento fiquei indignado, porque aparentemente o ônibus passaria em Potosí, e eu tinha comprado uma passagem DIRETA.

Mas a minha indignação foi substituída rapidiiiinho, porque o cidadão das 3 PASSAGENS entrou no ônibus, seguido pela mulher, 3 FILHOS e, claro, um gato. Sim, um gato. Numa caixa, mas era um gato. Nada contra gatos, até gosto, mas então compra uma passagem pro bichano! E pelo menos duas pros barrigudinho! Ainda bem que o ônibus não estava cheio.

 

Bom. Os SEIS se acomodaram CONFORTAVELMENTE nos seus TRÊS assentos logo na minha frente e o ônibus partiu (às 9h55).

 

Uns quilômetros depois, ainda antes de sair da zona urbana de Sucre, o bus parou no posto de gasolina para abastecer (???). Como se já não estivesse atrasado. Mas confesso que eu não me surpreendi.

Nesse momento, enquanto esperávamos no posto, percebi um movimento estranho no assento da frente, onde estavam sentados o cidadão e uma das filhas. Parecia que ele estava catando piolho da cabeça da menina. Me aproximei e observei pela fresta entre os bancos e percebi que, sim, ELE ESTAVA CATANDO PIOLHO DA CABEÇA DA MENINA!!! Paaaaaaara esse ônibuuuuuuus!!!!!! (opa já tava parado). O cara fuçava no cabelo, pegava um piolhinho, espremia, jogava no canto. Pegava outro piolhinho, espremia, jogava no canto. Coisa linda essa demonstração de afeto entre pai e filha. Minha cabeça já tava coçando só de ver. Era SOL que me faltava pegar piolho na Bolívia. Nunca tive piolho na vida, nem quando dava infestação no colégio, será que ia ser agora?? Enfim. Pra concluir o "tratamento", claro, o pinta passou um pente fino na cabeça da pirralha. Gente. Eu ria pra não chorar. Não acreditam? Pois bem, eu filmei:

 

 

Depois disso a menina pegou no sono, o cara botou ela de lado e eu enfim consegui esquecer os piolhos que saltitavam por aquele ônibus.

 

No caminho até Potosí entraram algumas pessoas, algumas desceram, mais algumas entraram... Nada do meu conceito de ÔNIBUS DIRETO.

 

Quando chegamos em Potosí, em uma rua qualquer dos arredores da cidade, o ônibus parou, o motorista desceu, abriu a porta dos passageiros e gritou que quem ia pra Potosí poderia descer ali.

 

PRA QUÊ.

 

O moço do piolho se emputeceu. Começou a gritar com o motorista dizendo que tinha comprado passagem até o terminal de Potosí, que aquele não era o terminal, que ele só ia descer no terminal, que ia chamar a polícia etc etc etc etc.

 

Uma hora ele gritou:

"Eu comprei 3 passagens!!!! Tenho direito!!!"

OK parça tu compro 3 passagens pra 6 seres vivo troca o argumento que esse não tá bom não

 

Alguns turistas que iam descer em Potosí não estavam entendendo nada da zoeira. Aí um dos turistas entendeu o que tava rolando e se enfureceu também, começou a xingar o motorista de tudo que era nome. Os dois, na verdade, em coro. Não entendi quase nada, mas aparentemente em espanhol tem alguma coisa com a expressão "la torre" que não quer dizer boa coisa. Foi "la torre" pra tudo que era lado. Barraco, amiguinhos, barraco.

 

 

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Enfim o cidadão do piolho cumpriu a promessa, pegou o celular de um outro passageiro e ligou pra polícia. Quando ele começou a explicar a situação pra pessoa do outro lado da linha o motorista ligou o ônibus e partiu, aí ele disse que "aparentemente a situação estava resolvida" e desligou. No fim das contas fomos para a estação de buses de Potosí. Sim, no meu ônibus DIRETO mais caro.

 

Chegamos na estação. O casal e as lêndeas, digo, os filhos, desceram satisfeitos, bem como alguns outros passageiros. Nesse momento uma gringa que ia seguir viagem desceu e perguntou pro motora se tinha banheiro ali, porque ela precisava. Ele disse que não, mas que poderia parar mais a frente.

 

A menina não ficou muito feliz. O ônibus seguiu viagem e ela ficou parada na porta, em pé, do meu lado. Se retorcia que dava dó. Ela aparentemente precisava MUITO ir no banheiro. Fazia caras e bocas. Eu já tava vendo a coitada se mijar ali do meu lado.

 

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O bus andou mais uns 10min e enfim parou. O motorista desceu, abriu a porta e gritou "QUEM QUERIA IR NO BANHEIRO??". A gringa saiu correndo e perguntou onde era. O motora apontou pro barranco na beira da estrada. ::lol4:: Sério, a cara dela foi impagável!!! Ela baixou a cabeça e desceu o barranco, afinal não tava em condição de protestar. Atrás dela foram mais umas quatro meninas que deveriam estar bem apertadas também. Minutos depois voltaram todas pro ônibus com uma expressão que era um misto de alívio e vergonha. Tadinhas.

 

Tudo isso é pra dizer: pessoal, antes de entrar em um ônibus na Bolívia, ALIVIEM BEM A BEXIGA!!!. 99% dos ônibus não têm banheiro e frequentemente as viagens são longas e sem paradas. E, se parar, pode ser no barranco! Se liguem.

 

O caminho para Uyuni seguiu sem mais percalços. Não conseguia dormir, então fiquei admirando a paisagem, que é linda!!! Tirei trocentas fotos, mas nenhuma conseguiu captar a beleza do lugar. Foto em veículo em movimento sempre fica meio escrotinha. Mas são uns longos vales com montanhas ao fundo, relvas verdejantes, ricos mananciais, árvores frondosas... coisa mairrlinda! Recomendo que sentem do lado esquerdo do ônibus como eu sentei.

 

Enfim dormi um pouquinho e só acordei quando já estávamos entrando em Uyuni. Não anotei a hora, mas acho que eram cerca de 17h30. Desci do ônibus, peguei minha mochila e parti a procura do hostel que havia reservado, o Piedra Blanca. Não foi difícil de achar. Tinha salvo um mapa offline da cidade no Google Maps, mas no final das contas era só seguir reto pela rua. Fiz um mapa (abaixo) com as informações mais importantes de Uyuni. Como vocês podem ver, não tem muitas informações importantes em Uyuni. É só isso mesmo.

 

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Cheguei no hostel, fiz o check-in e me acomodei no meu quarto.

 

O HOSTEL: fiquei no Piedra Blanca Hostel, o único que existia no Hostelworld. Aparentemente é bem concorrido, porque vi algumas pessoas chegarem junto comigo na recepção sem reserva e não havia mais vagas. O quarto estava cheio. É uma construção bem antiga, o assoalho de madeira raNge assustadoramente, mas a cama é bem confortável e tinha cobertas suficientes. Tem wi-fi, que funciona bem mais ou menos, e banho quente das 7h às 22h. Durante a madrugada a água quente é desligada por perigo de congelamento dos canos. Que tal? O café da manhã é OK e as moças da recepção foram bem simpáticas. Recomendo, porque também não sei como são os outros hostels da cidade. De qualquer forma, é só pra passar uma noite mesmo. Paguei 70Bs.

 

Depois de deixar minhas coisas no quarto, saí para a rua para jantar e para comprar snacks para os 3 dias no Salar. Ia dar uma olhada nas agências já, mas desisti porque já tinha anoitecido e era capaz de encontrar preços melhores de manhã, com mais gente.

 

Comprei uma Pringles, muitOs chocolates, e 2 litros de água, além de um rolo de papel higiênico, que é essencial. Os refúgios não têm. Além disso, meu intestino já estava sentindo os efeitos da comida mexicana :/

 

Ouvi mais de uma pessoa dizer que tinha comido pizzas ÓÓÓÓÓTEMASS em uyuni, então fui atrás das pizzas. Nessa rua do hostel, Plaza Arce, tem diversos restaurantes, então escolhi pela cara mesmo e entrei em um que estava tocando Natiruts bem alto. Pedi uma pizza de mussarela e uma coca zero, porque não tinha como errar nessa pedida.

 

Resultado:

1. A Coca Zero na Bolívia tem um gosto horrível de adoçante, parecia que grudava na boca;

2. A pizza de mussarela que eu pedi veio com um temperinho de brinde, alguma coisa que parecia muito com o gosto de vegemite (que é basicamente a pior coisa do mundo), e eu quase não consegui comer até o fim. E olha que pra eu não gostar de uma pizza tem que estar MUITO RUIM.

 

Paguei a conta e saí decepcionadíssimo com o meu jantar. Voltei pro hostel e tentei alucinadamente conectar com o Wi-Fi. Aos trancos e barrancos consegui, muito devagar. Precisava muito da internet, porque eu tinha que enviar a minha declaração de IRPF. Brasileiro que sou, deixei pro último dia MESMO, já que nos próximos ia estar no meio do Salar. Consegui!

 

Fiquei um tempo no pátio conversando com uma menina sueca simpática e com um cara alemão meio carrancudo. A menina me contou várias histórias sobre o inverno sueco e sobre como as pessoas realmente se suicidam lá nessa época do ano.

Depois desse papo alto astral, ficou muito frio lá fora e fomos dormir.

 

Para o dia seguinte?

 

ERA O GRANDE DIA!!! O DIA DE CONHECER O SALAR DE UYUNI!!!

 

Hora de dormir. Mas ansiedade mil! ::hahaha::

 

Volto em breve!

 

PS1.: realmente dá um trabalhão escrever um relato mais completo. Vou tentar manter o ritmo, mas é difícil!

 

PS2.: Sorry, mas quase não tenho fotos desse dia. Como disse, as do caminho ficaram péssimas...

 

GASTOS:

Táxi: 5Bs

Derechos de Terminal: 2,50Bs.

Janta: 50Bs., com propina

Snacks: não lembro, mas foi SUPERCARO, porque compreI Pringles, Snickers e Twix, e isso na Bolívia é ouro. Foi tipo 100Bs.

Hostel: 70Bs.

 

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muito legal tua Trip eu também fui em Abril/maio 2015 , dia 26/04 estava em santa cruz , sai de porto alegre até campo Grande de Avião, depois fui de ônibus , atravessei a fronteira por Puerto Quijarro, eu fiz 25 dias Bolívia e Peru , queria ter ficado mais, mas não deu lugares lindos , agora é planejar próxima Trip, já tenho duas em mente.

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Quero tanto! Esse ano vou fazer um mochilão pela América do Sul por alguns meses e a Bolívia é um dos lugares que mais estou ansiosa pra conhecer ::love::

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Muito bom!! Hey, memso que as fotos de Potosi a uyuni não tenham ficado um primor, coloque algumas aí!! [sMILING FACE WITH SMILING EYES][THUMBS UP SIGN]

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kkkk legal teu relato com essas "passagens" que so acontecem na Bolivia ! pegar piolho nao ta no plano de nenhum mochileiro ! kkkkk

Pra mim que pretendo ir pra Asia e sei que irei ver coisa beem pior, foi um otimo laboratorio !

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Pessoal, foi mal a demora! Mas prometo não abandonar o relato! Devagar eu termino...

Segue o baile!

 

DIA 5 - UYUNI | Branco, Branco & Branco

 

Acordei às 7h. É HOJEEEEEEEEeeEEEEeeEeeeEeEeEEEeeeEEeeEEEEEEEE!!! ::hahaha::

 

Levantei cedo porque tinha que tinha que tomar banho, tomar café da manhã e sair para procurar um agência. Estava bem friozinho e fui correndo pro chuveiro. Tomei café da manhã rapidinho, fiz check-out e saí pra rua por volta das 8h30. A rua estava quase vazia, a maior parte dos estabelecimentos ainda estava fechada, mas na Avenida Ferroviaria, onde ficam localizadas quase todas as agências, já tinha um bom movimento. Tem um monte de gente na rua abordando os turistas e oferecendo os tours para o Salar.

 

Pra quem não sabe, os tours para o Salar podem ser de 1 dia ou 3 dias.

 

- O tour de 1 dia é um bate-volta. Sai de Uyuni, vai para o Salar e volta - sem pernoite. Geralmente faz esse tour quem não tem muito tempo sobrando na viagem (embora eu ache que o Salar deva ser prioridade em qualquer viagem pela Bolívia/Peru, né?) ou então pra quem vai para lá nos meses de Janeiro e Fevereiro, época de chuvas, em que às vezes, devido ao acúmulo de água, não é possível passar por um trecho do Salar.

 

- O tour de 3 dias tem o seguinte roteiro:

Dia 1: Cemitério de Trens, povoado de Colchani, deserto de sal, Isla del Pescado.

Dia 2: Lagunas Altiplânicas: Hedionda, Honda, Blanca, Colorada...

Dia 3: Gêiseres, "piscina" de águas termais, Laguna Verde. Fronteira com o Chile*. Retorno a Uyuni. Chegada por volta das 17h30.

 

*Aqui há a opção de seguir para o Chile (San Pedro de Atacama) ou voltar para Uyuni, depende do planejamento de cada um.

 

Fechei o tour com a agência Cordillera, pelo valor de 850,00Bs.

Não. Façam. Isso.

Não que seja ruim, foi tudo direitinho, mas o preço não compensa. Tinha cotado com várias agências, todas elas ofereciam por 750,00Bs. ou até 700,00Bs. Mas já tinha ouvido falar bem dessa agência, e na noite anterior conversei com umas meninas francesas que estavam no hostel e tinham voltado do Salar naquele dia, e elas me recomendaram veementemente que fechasse com a Cordillera, porque o carro era mais novo e confortável, o serviço melhor etc etc etc. No final das contas o carro era igual aos outros e o "serviço" pretty much the same. Inclusive fui em um carro com pessoas que tinham fechado com outras agências, o que aparentemente é bem normal, e que provavelmente tinham pago menos que eu. Só não perguntei quanto tinham pago pra não me emputecer. Quando entrei no escritório da Cordillera o primeiro preço que ela me deu foi 950Bs., mas aí dei aquela chorada, disse que tinham me oferecido por 700,00Bs., que era brasileiro, pobre, latinoamericano e tal, aí ela baixou pra 850,00Bs. Não foi tão caro, mas dá pra conseguir por bem menos.

 

Por volta de 10h30 os primeiros 4x4 começam a sair da frente das agências. O meu não tinha nem chegado ainda. Eu estava sozinho na agência (acho que fui o único que fechei com a Cordillera) e já deduzi que iam me encaixar com outro grupo. O carro chegou perto das 11h. Carregamos as mochilas e conheci o motorista/guia, Miguel, e os meus colegas pelos próximos dias: o Peter, da Bélgica, e o Andreas e o Cristopher, cipriotas (dú-vi-do que vocês conheçam alguém do Chipre, eu conheço dois agora ::bruuu:: ) que moram em Londres. Os três estavam viajando juntos há alguns meses. O Andreas e o Cristopher já eram amigos em Londres (até o segundo dia pensei que fossem irmãos, mas não), e o Peter se agregou à dupla durante a viagem.

 

Fiquei faceiro porque no carro que cabem 7 iam só 5 pessoas, espaço & conforto) mas em pouco tempo minha faceirice foi por terra (depois verão por que).

 

Fui no banco da frente pela lógica de que o banco da frente é o mais confortável, mas no caso não era, se revelou bem apertado. Ainda mais porque a minha mochila "pequena" não era tão pequena assim e ocupava um espação embaixo das minhas pernas. Mas ao longo da viagem fomos revezando os lugares.

 

A primeira parada é no Cemitério de Trens. Fica a poucos quilômetros de Uyuni e não leva mais do que 10min para chegar. É um descampado onde estão abandonadas as sucatas de várias locomotivas que passavam pela ferrovia que cruza a região, que teve seus dias de glória no final do século XIX e início do século XX.

Os trens enferrujados rendem boas fotos. Uma pena que os outros 400 turistas pensam a mesma coisa e que por isso seja difícil tirar uma foto sem que apareça pelo menos um pau-de-selfie alheio no seu enquadramento.

Dá pra subir nos trens e caminhar por cima deles, bem divertido. Se tropeçar morre de tétano. Também tem um "balanço" muito famoso onde a galera gosta de tirar umas fotos, que ficam bem legais. De novo, tétano é um risco real.

Andamos ao redor dos trens por uns 20min e voltamos em direção aos carros. Quando chegamos lá, quem disse o Miguel estava lá? Ótimo, abandonados no deserto.

 

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Perguntamos sobre o Miguel pra um outro guia que estava lá, ele fez uma ligação e nos disse que o Miguel tinha voltado para Uyuni pra buscar um outro turista que tinha se atrasado. Um pouco depois chegou o Miguel com o Sam, da Inglaterra. Gente boa. Quando falava usava Fantasitic! ou Brilliant! como vírgula.

Demos mais um volta pelo cemitério para que o Sam pudesse tirar umas fotos, o que foi bom, porque a maioria das pessoas já tinha ido embora e as fotos ficaram menos poluídas.

 

Voltamos para o 4x4, agora com 6 pessoas, e partimos para o próximo destino, o povoado de Colchani. Não tem nada pra ver lá e eu já esperava por isso, é basicamente uma rua com uma feira de artesanato, com aquelas coisas que se pode comprar em toda a Bolívia (e Peru). Eu não comprei nada porque não vale a pena comprar essas coisas no início da viagem. Só serve pra pesar na mochila. O melhor lugar para comprar artesanías na Bolívia é em La Paz, na Calle de Brujas. Mais tarde falo mais sobre ela.

Como já era meio-dia, o Miguel perguntou se nós queríamos almoçar ali mesmo ou se preferíamos esperar para almoçar no deserto de sal. Fomos unânimes em dizer que queríamos almoçar no deserto, óbvio.

 

Embarcamos e até o deserto foi cerca de meia hora, se não me engano. Paramos primeiro bem no início, em um ponto onde estão vários montinhos de sal enfileirados, feitos pelos trabalhadores que o extraem para venda. Nessa região o branco no chão ainda não é absoluto, mas já dá para ter uma boa ideia do que está por vir.

Tiramos algumas fotos e provamos o sal dos montinhos, pra checar se era sal mesmo. Então, era. Fiquei meia hora com a sensação de que tinha engolido água do mar.

 

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Voltamos em direção ao carro e... cadê? Sumiu de novo o Miguel. Esperamos uns minutos, meio perdidos, procurando pelo carro entre os que estavam parados (porque todos são parecidos) mas enfim vimos ele chegando lá longe. Estava trazendo mais um pessoa que tinha se atrasado. Como eu disse antes, acabou minha faceirice de um carro com espaço & conforto, agora éramos 7.

A nova coleguinha era a Beatriz, uma dentista colombiana de uns 40 e poucos anos que estava viajando sozinha. Por que ela se atrasou: ela estava em Potosí no dia anterior e esqueceu a sua bolsa dentro de um táxi, com os documentos da Colômbia e a câmera dentro (bad total). Pelo menos o passaporte e o dinheiro ela estava carregando na doleira. Ela tinha duas opções: ou ia atrás da bolsa e perdia a oportunidade de fazer o tour de 3 dias em Uyuni (porque estava nos últimos dias da viagem), ou desencanava e partia pra Uyuni sem bolsa e sem câmera. Ela optou pela segunda opção, pelo espírito de aventura, e quando chegou em Uyuni na manhã daquele dia perdeu um tempão a procura de uma câmera para comprar. As digitais estavam fora do orçamento e ela acabou comprando duas câmeras daquelas descartáveis, com 32 fotos em cada ::mmm: Como ela só falava espanhol e eu era o único que (tipo)conseguia conversar com ela, acabei virando o fotógrafo oficial da Beatriz durante os 3 dias. Ela fazia a pose e eu tirava 1 foto com a câmera hi-tech dela e 1 com a minha câmera. Depois passei todas as fotos pra ela em um cartão de memória.

 

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Embarcamos novamente e saímos em direção ao Salar. Lá estava enfim o tão esperado branco para todos os lados! As poucas montanhas que se podem ver no horizonte estão a mais de 80km de distância, segundo o nosso guia. O visual é indescritível, mas as fotos conseguem captar um pouco desse espetáculo da natureza.

Paramos para almoçar no lugar onde está localizado o antigo Hotel de Sal, que hoje serve apenas para visitação. Em frente ao hotel está o monumento do Rally Dakar, que há alguns anos está passando pelo Salar de Uyuni. Ao lado do hotel estão os famosos mastros com bandeiras de vários países tremulando. Ficamos tirando fotos enquanto o Miguel preparava o almoço.

 

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Eu não esperava muita coisa do almoço, então não fiquei surpreso quando constatei que a comida estava fria. Tinha arroz, bife, tomates e pepinos, coca-cola e maçã de sobremesa. Eu sou meio chato pra comida, mas comi tudinho porque sou um bom menino. Agradecemos o Miguel pela comida “muy rica” (aham) e a aguardamos enquanto ele arrumava as coisas para sairmos. Eram 14h30 quando seguimos caminho.

 

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A partir daí o branco era cada vez mais branco e o horizonte cada vez mais distante. Demais! Andamos por 1h, sempre Salar adentro, e paramos duas vezes no caminho para tirar fotos. Esse é o melhor momento para tirar as famosas fotos em perspectiva. Olha só, é bem difícil [=D]. O Sam, a Beatriz e eu ficamos uns 15 minutos tentando tirar uma foto com a lata gigante de Pringles antes de conseguirmos uma aceitável. Até lá foi uma bela sequência de FAILS:

 

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Muitos flashes depois, partimos para a Isla del Pescado. Já estava ficando tarde, se não me engano foi mais meia hora no carro, e chegamos na Isla às 17h. A Isla del Pescado é de fato uma ilha, só que no meio do “mar” de sal. É preciso pagar 30Bs. para entrar e fazer a trilha, mas não é obrigatório. O Sam, a Beatriz e eu fomos, e o Cristopher, o Andreas e o Peter ficaram para tirar mais fotos no Salar. Recomento MUITO subir, porque a vista lá de cima é sensacional, incomparável, a melhor de todasl! Eu achei a subida tranquila, até porque a cada pouco parávamos para tirar fotos – e consequentemente respirar – mas encontramos uma menina da Malásia no caminho que estava sozinha e quase desmaiando, tadinha. Dei toda a minha água pra ela, porque ela disse que achava que estava “fortemente desidratada”. Às 17h40 chegamos no carro novamente e saímos com pressa porque já estava anoitecendo e queríamos ter uma boa vista do pôr-do-sol no Salar. Éramos um dos últimos grupos, já que a maioria dos guias procura sair do Salar antes de escurecer. Mas o Peter & Companhia já haviam combinado previamente na agência que queriam ver o pôr-do-sol no Salar, então o Miguel programou o tempo pra isso. Assim, fica a dica, se quiserem ver o Sol se pôr no deserto já peçam na agência na hora de fechar negócio - e depois se certifiquem que isso foi passado para o guia.

Andamos mais uma meia hora até pararmos. Nesse trajeto eu estava sentado na frente, do lado do Miguel, e percebi que várias vezes ele deu uma “pescada”, quase dormindo. Cada vez que ele fechava o olho eu dava uma tossida discreta rsrs. Mas também não condeno, difícil não dormir dirigindo todos os dias por esse mesmo caminho.

 

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Descemos quando faltavam uns 15min para o Sol se pôr. Tirei várias fotos, gravei alguns vídeos e tentei aproveitar um pouco o visual. Oportunidade de ver o pôr-do-sol no Salar de Uyuni é uma vez na vida e olha lá! Depois que escureceu, o dia que estava bem quente começou a esfriar bastante. Não há nenhuma estrada demarcada no Salar e fiquei impressionado que o Miguel conseguia se guiar lá sem GPS e no breu total. Ele disse que já sabia de cor a direção depois de 15 anos no mesmo trabalho. 15 anos, segundo ele, trabalhando diariamente, com raríssimos dias de folga, sem final de semana, sem feriado, sem férias...

Saindo do Salar entramos em uma estrada de chão com centenas de curvas e dezenas de bifurcações até que chegamos ao nosso refúgio. Acho que eram mais ou menos 19h. Este refúgio é bem simples, o chão é todo de areia e as paredes todas de sal, mas é bem arrumadinho. Já estava quase cheio porque fomos o último grupo a chegar.

 

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Cada quarto tinha duas camas e eu dividi com a Beatriz. Paguei os 10Bs. e fui correndo pra tomar a minha ducha caliente. O chão do banheiro era GELAAAAAAADO mas a água estava muito boa. No finalzinho do banho a água começou a esfriar. Achei que fosse porque o meu tempo tivesse acabado, mas depois descobri que era porque a água quente tinha acabado mesmo! Quem tentou tomar banho quente depois não conseguiu. Os gringos, claro, nem ligaram, mas a Beatriz doida tomou banho gelado! (considere que fazia uns 5ºC!)

 

A janta estava bem melhor que o almoço, a começar porque estava QUENTE. A entrada foi uma sopa de quinoa com legumes (adoro sopa de quinoa) e depois o Miguel levou pra mesa um pratão bem bonito e colorido com várias coisas misturadas, carne, batatas, cebola, pimentão e otras cositas más. Perguntei como se chamava o prato e o Miguel respondeu que era “come callado”. A Beatriz riu. Eu disse “Ah, OK”. Achei que era o nome da comida mesmo... Demoraram ainda uns 10s pra cair a ficha. Como perdi o timing da piada tive que rir sozinho rs. Para beber tinha chá e coca-cola. A mesa do lado tinha váááárias comidas que pareciam bem apetitosas. O guia deles inclusive levou uma cesta de torradas pra eles! O Peter ficou se mordendo de inveja e começou a reclamar que tava com fome, a Beatriz se compadeceu e chegou na outra mesa perguntando “Ei, será que vocês podem dar uma dessas torradas pro meu amigo aqui?” rsrsrs Eles disseram que não tinha problema e o Peter, que tava vermelho de vergonha, pegou a torrada e agradeceu.

 

Aqui cabe uma observação sobre a agência. Como eu disse, foi tudo certo com a Cordillera, mas definitivamente não vale a pena pagar a mais por essa agência. Ela está estritamente na média das outras: a comida é a mesma, os refúgios são os mesmos, o carro é semelhante aos outros. Mais tarde conversando com outras pessoas soube que existem algumas agências que oferecem de fato um serviço diferenciado, como um motorista e um guia (pessoas diferentes rs) e refúgios privados, mas caso você queira/precise disso (o que não era o meu caso), o valor é bem maior, pelo menos 1.200Bs..

 

Conversamos mais um pouco e fomos dormir. A Beatriz dormiu no saco de dormir, mas eu achei que as cobertas eram suficientes. E foram. Não senti um pingo de frio, inclusive passei calor no começo da noite. No dia seguinte combinamos de tomar café da manhã às 7h e sair às 7h30. Ajustamos os despertadores para as 6h30. Era o dia de conhecer as lagunas altiplânicas.

 

Mais fotos do dia:

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Estou em la paz, estive ai em uyuni nesse tour se 3 dias, paguei uma única nota de 100 dólares. E é tudo a mesma coisa, as agencias vendem o pacote, o carro, motorista e comida são do motorista, eles Juntam as pessoas de várias agencias e leva, se vc tiver sorte de achar um cara legal..... rs

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Cara, show de bola o relato! ::otemo::

 

Em setembro farei Bolívia e Peru com mais 2 amigos e estou principalmente no aguardo da parte do Condoriri e de Cochabamba. To pensando em fazer o trekking de 4 dias no Condoriri e em Cochabamba devo ir a Toro Toro mas não sei ainda se faço algo em Cochabamba depois ou se vou direto pra La Paz.

 

Abraço!

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Continua moço! Continua pfv!! Embarco daqui 30 dias!!! Vou fazer Bolívia ( Sta Cruz, Sucre, Uyuni, Copacabana e La Paz) + Chile ( Atacama e Arica) 8-)8-)8)

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Prometo que logo continuo, pessoal! E respondo as perguntas também.

É que estou mudando de emprego/cidade/VIDA agora, então tá meio difícil de achar tempo pra escrever...

Próximo dia são as lagunas altiplânicas!

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Aguardando ansiosa pela continuação de seu relato, que por sinal, está muito bom mesmo.

Estou indo para Bolívia dia 10/10 e retorno 01/11.

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Resolvi que tbm vou ao Huayna Potosi.

Kd vc pra relatar a sua experiência, amigo?

Eu vou com calma, sabe. Dependendo da reação do meu corpo diante da altitude e como será meu rendimento nos dois primeiros dias no rolê do Huayna, vou tentar ir até o topo mas, vou respeitar os meus limites. Provavelmente vou contratar um guia só pra mim, pra não prejudicar ngm, já que será minha primeira aventura nesse tipo de subida.

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