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morganriva

Uma volta na Bolívia em 22 dias: Santa Cruz - Sucre - Uyuni - La Paz - Isla del Sol - Huayna Potosí - Cochabamba

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Morgan vi que vc levou uma Nikon D3100 e gostaria de saber qual lente você levou para fazer os registros? Valeu a pena levar a Gopro e a câmera? Estou na dúvida se levo as duas tbm ou só uma.

 

Parabéns pelo relato e estou no aguardo pela continuação. Abraços

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Muito legal seu relato, está em ajudando muito com muitas dúvidas que tenho sobre a minha viagem, vou sozinho agora no dia 09/09, aguardo ansioso a continuação!!!

Bom saber sobre as agencias, eu havia mandado emails para a Colque e Cordillera, as duas me passaram preço igual 950 bolivianos, vou deixar para fazer a reserva quando chegar lá!

A minha dúvida é: vc so conseguiu onibus direto de Sucre para Uyuni as 9:30 da manha??? Porque pra mim seria melhor passar o dia em Sucre e tentar um onibus noturno chegando de manha em Uyuni para economizar com hospedagem e aproveitar melhor o dia.

Aguardo resposta, parabens pelo relato!

Thiago

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Muito legal seu relato, está em ajudando muito com muitas dúvidas que tenho sobre a minha viagem, vou sozinho agora no dia 09/09, aguardo ansioso a continuação!!!

Bom saber sobre as agencias, eu havia mandado emails para a Colque e Cordillera, as duas me passaram preço igual 950 bolivianos, vou deixar para fazer a reserva quando chegar lá!

A minha dúvida é: vc so conseguiu onibus direto de Sucre para Uyuni as 9:30 da manha??? Porque pra mim seria melhor passar o dia em Sucre e tentar um onibus noturno chegando de manha em Uyuni para economizar com hospedagem e aproveitar melhor o dia.

Aguardo resposta, parabens pelo relato!

Thiago

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Pessoal, desculpem a ausência! Logo logo posto o próximo dia!

Enquanto isso algumas respostas:

 

 

Prisilva

Resolvi que tbm vou ao Huayna Potosi.

Kd vc pra relatar a sua experiência, amigo?

Eu vou com calma, sabe. Dependendo da reação do meu corpo diante da altitude e como será meu rendimento nos dois primeiros dias no rolê do Huayna, vou tentar ir até o topo mas, vou respeitar os meus limites. Provavelmente vou contratar um guia só pra mim, pra não prejudicar ngm, já que será minha primeira aventura nesse tipo de subida.

 

Pri,

Que legal! Recomendo muito a subida. Já que você decidiu subir Huayna, recomendo que faça uma boa aclimatação antes, que é o fator mais importante pra chegar ao topo. Não chegue na Bolívia e vá logo pra montanha, passe pelo menos uns 7 ou 10 dias em altitude superior a 3.000m.

Quanto ao guia, ter um só para você é também muito importante. Eu fui assim, mas foi por sorte. Recomendo que você procure uma agência que ofereça isso mais usualmente. É mais caro, mas vale a pena com certeza! Se você tiver que desistir não atrapalha a subida de ninguém, e se alguém tiver que desisitir não atrapalha a sua subida. Agências que ouvi falar muito bem: Altitude6000 e Refúgio Huayna Potosí.

 

 

viniciusgomez

Morgan vi que vc levou uma Nikon D3100 e gostaria de saber qual lente você levou para fazer os registros? Valeu a pena levar a Gopro e a câmera? Estou na dúvida se levo as duas tbm ou só uma.

 

Parabéns pelo relato e estou no aguardo pela continuação. Abraços

 

Oi, Vinicius

Levei a lente 18-55, padrão da câmera.

Achei que valeu a pena levar as duas sim. A GoPro com o bastão foi muito útil para as selfies (rsrs), pro downhill (acoplada no capacete), pra escalada (por ser leve), e também tira boas fotos de paisagem por causa da lente grande angular. Mas quanto à qualidade de imagem nada como a Nikon... Confesso que fiquei com medo por questões de segurança, mas correu tudo bem!

 

Thiagopvix

A minha dúvida é: vc so conseguiu onibus direto de Sucre para Uyuni as 9:30 da manha??? Porque pra mim seria melhor passar o dia em Sucre e tentar um onibus noturno chegando de manha em Uyuni para economizar com hospedagem e aproveitar melhor o dia.

Aguardo resposta, parabens pelo relato!

Thiago

 

Thiago,

 

Desculpa a demora para responder. Tem ônibus direto noturno sim, se não me engano sai às 20h30 e chega em Uyuni antes do amanhecer, se tudo der certo.

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Fiquei muito tempo sem escrever, sorry! Mas tô de volta!

Mudei de cidade, de trabalho, de vida, mas agora tô instalado e tenho até um escrivaninha pra digitar! Aí vai!

 

DIA 6 - UYUNI | Lagunas de todas as cores

 

Eu acabei ajustando meu relógio de pulso pra despertar as 6h, então acordei antes de todo mundo. Quando deu 6h30 e o relógio da Beatriz despertou eu já estava em pé e tinha tudo arrumado.

Esperei o pessoal para tomarmos café da manhã juntos. Foram só uns pães secos com geleia, cream crackers, chá e café (solúvel). Nada demais, mas por incrível que pareça eu gostei muito dos pães secos da Bolívia!

Alguns grupos já tinham saído e outros não tinham nem começado a tomar café ainda, acho que os guias combinam uma agenda de horário de partida, pra não saírem todos juntos.

Saímos do hotel de sal com as nossas mochilas por volta das 7h45,um pouco depois do combinado, e ainda levou um bom tempo pra o Miguel arrumar tudo em cima da 4x4, de modo que partimos só depois das 8h. Estava um friozinho suportável e a manhã já estava bem ensolarada. Fui novamente no banco da frente.

Antes de sair do vilarejo o Miguel perguntou se queríamos parar no armazém para comprarmos água e snacks. Todos concordamos. Não sabia que tinha um armazém por perto. Foi uma surpresa boa, porque o meu estoque de água já estava no fim. Achei engraçado o nome do mercadinho, comentei com o pessoal, mas só a Beatriz entendeu o trocadilho:

 

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Seguimos pela estrada poeirenta que margeava os trilhos do trem. Depois de uns 45 minutos, paramos em um ponto e tiramos algumas fotos nos trilhos. Às vezes alguns grupos nos ultrapassavam, às vezes ultrapassávamos alguns grupos.

Depois dessa parada andamos por mais cerca de 1 hora. Em um ponto a estrada de chão fazia uma intersecção com uma rodovia maior, onde naquela hora estavam passando muitos caminhões. Acabamos ficando atrás deles e pegamos MUITA poeira, a ponto de não ser possível enxergar 10 metros a frente. O Miguel teve que reduzir bastante a velocidade.

Em poucos minutos fizemos mais uma parada, dessa vez no mirador do Vulcão Ollage. O vulcão ficava relativamente longe do mirador, mas era possível ver a fumaça que sai constantemente das suas fumarolas. Estávamos a mais de 4.100m de altitude e o topo do vulcão fica a 5.870m. Ficamos lá por cerca de meia hora.

 

Embarcamos novamente e seguimos caminho, dessa vez para as lagunas. Nesse trecho da estrada você entende por que é preciso de tração nas quatro rodas pra fazer o tour. A estrada (se é que se pode chamar aquilo de estrada) é um amontoado de pedras, cheia de sobes e desces, que percorremos bem devagar. O motorista tem que conhecer muito bem o caminho pra não deslizar e ficar com a roda presa em algum buraco. Depois de chacoalharmos muito por cerca de 1 hora, chegamos a primeira laguna, a Laguna Hedionda. Linda, azulada, refletindo as montanhas e os vulcões, cheia de flamingos. Um pouquinho fedida, porém.

Como já era quase meio dia, decidimos almoçar por lá mesmo. A comida foi parecida com a do dia anterior, arroz, salada, carne e coca-cola. (Tudo frio, menos a coca-cola). De sobremesa, maçã farelenta. Almoçamos sentados nas pedras apreciando a vista da laguna.

 

São muitas lagunas nesse segundo dia e é um pouco difícil lembrar o nome de todas elas, mas a próxima parada foi, se não me engano, na Laguna Blanca. Essa é a famosa laguna com uma plaquinha de "wi-fi" no meio do nada. Sempre pensei que fosse piada, inclusive no dia, mas me contaram depois que realmente tem wi-fi e que realmente funciona. É preciso pagar alguma coisa pra usar, se não me engano 15 Bs. O Miguel nos deixou na beira da Laguna e fomos andando pela margem, tirando fotos, pra encontrarmos ele na casinha onde fica a "administração" e os banheiros. Ficamos lá por uns 15min, não mais do que isso.

 

Em seguida fizemos uma breve parada na Laguna Honda, só pra tirar umas fotos.

 

Pouco depois das 15h chegamos no Árbol de Piedra. O árbol é uma formação rochosa esculpida pelo vento em forma de árvore. Ficamos cerca de meia hora lá, tiramos muitas fotos, escalamos algumas rochas e eu aproveitei pra ir no banheiro (tem um banheiro lá). Há um tempo atrás as pessoas escalavam o árbol, mas hoje em dia isso é proibido. Não que exista alguém cuidando, mas tem uma placa lá.

 

Em seguida partimos para aquela que seria nossa última parada: a tão esperadaLaguna Colorada. O Miguel explicou que a laguna tem essa cor por causa de uma espécie de alga que vive na água, mas que só as algas não são suficientes. Para se ver bem a cor vermelha é preciso que haja vento, e o melhor horário pra ter vento é no final da tarde. Eu estava torcendo por um furacão, porque já soube de várias pessoas que foram para lá e, por falta de vento, só viram a Laguna Rosa-bebê.

Quando estávamos chegando na Laguna o Sam começou a fazer várias perguntas SEM NOÇÃO pro Miguel, e a gente riu demais!

Primeiro ele perguntou "por que a Laguna era vermelha?". Ok, essa o Miguel respondeu.

Aí ele perguntou "por que essas algas que dão a coloração vermelha só estão nessa laguna e não estão nas outras?". ::essa:: . O Miguel riu e disse que em 15 anos como guia nunca ninguém tinha perguntado isso. Naturalmente ele não sabia a resposta.

Não satisfeito, ele perguntou "por que alguns flamingos eram mais cor-de-rosa e outros menos?" Acho que essa o Miguel chutou e respondeu que era por causa da alimentação deles.

Então o Sam fechou com chave de ouro e perguntou ''quantos flamingos ao todo vivem nas lagunas?" Nessa hora já estava todo mundo gargalhando. O Miguel despistou e disse pra ele perguntar pro pessoal lá da Laguna Colorada, porque eles deveriam saber. ::lol4:: .

 

Chegamos na Laguna e ela estava IMPRESSIONANTEMENTEVERMELHAAAA!!! Tinha bastante vento e estava bem friozinho. Era um dos lugares que eu estava mais ansioso pra conhecer na Bolívia e fiquei muito feliz que as condições estavam boas. É algo difícil de imaginar, uma lagoa com água vermelha, encarnada como sangue. Com certeza é um dos pontos altos do tour pelo Salar. Ficamos uns bons 20 minutos circulando a laguna e tirando fotos. Assumi meu papel de fotógrafo oficial da equipe e tirei fotos pra Beatriz e pro Sam. Em seguida voltamos para o carro, já eram cerca de 16h30. Enquanto tirávamos fotos o Sam aproveitou para passar no postinho turístico da Laguna e perguntar quantos flamingos vivem nas região. 400.000, foi o que disseram pra ele. Aposto que só inventaram um número pra ele, só pra satisfazer o guri. Ninguém deve saber isso.

 

A Laguna Colorada era a última parada do dia. Antes de ir para os alojamentos, todos os grupos têm que passar no posto de controle do Parque Nacional pra conferir os boletos. Rola um certo congestionamento de pessoas nessa hora, porque o posto é bem pequeno pra tanto turista. Saímos do posto e partimos para o refúgio onde iríamos passar a noite. Entramos em um pequeno vilarejo, vazio, desolado, e paramos em um dos refúgios. O Miguel desceu para conversar com os responsáveis, mas já estava lotado. Acho que o Miguel (e todos os outros guias) tinha preferência por aquele, provavelmente porque era mais barato. Pelo que eu entendi tem várias opções de alojamento e os guias precisam ir procurando vagas. Eles devem dar preferência para os mais baratos. Partimos para um segundo, e este estava vazio. Fiquei muito feliz porque tinha uma placa de "Ducha Caliente - 15Bs" na frente! Sempre tinha lido que não tinha banho quente na segunda noite... Entramos e arrumamos nossas coisas no quarto. Não anotei que horas eram, mas acho que era por volta de 17h., ainda demorou um tempo até anoitecer. O quarto era bem grande, tinha sete camas, de modo que dormimos todos juntos.

A Beatriz e eu fomos imediatamente conseguir informações sobre a ducha caliente com os donos do refúgio. Os gringos, claro, não estavam nem ligando pro banho. A Beatriz foi pro banho antes e voltou superfeliz com os seus cabelos molhados e cheirosos. Como acabou a água quente, tive que esperar uma meia hora até que aquecessem de novo. Enquanto isso, o Sam e o Peter preparavam um jogo de poker. Como não tinham fichas, pegaram uns pedacinhos de papel e escreveram os valores neles. Não é só brasileiro que faz gambiarra!

 

A moça do refúgio foi me chamar, meu banho estava pronto. Fui para o banheiro, um cômodo grande, escuro, com dois boxes e piso de concreto. Tirei a roupa tremendo, corri pro chuveiro, mas quando virei o registro não saiu um pingo de água. Estava com muito frio e sem roupa, e o banheiro ficava longe da cozinha, onde estava a moça do refúgio, então não tinha como chamá-la sem me vestir de novo. Imaginei que ela tivesse fechado algum registro quando foi esquentar a água e depois esquecido de abrir. Não deu outra. Me pendurei em cima do forno que esquentava a água e abri o único registro que eu vi. Funcionou. Tinha água quente, mas era só um fio finíssimo! A maior parte do corpo ficava no ar gelado do banheiro e eu tinha que ficar o tempo todo numa dança frenética embaixo do chuveiro. Um minuto depois apareceu a moça do refúgio correndo no banheiro, porque tinha esquecido de abrir o registro para mim. Eu disse que tinha percebido e já tinha resolvido o problema rsrs. Como não estivesse adiantando a dança embaixo d'água, fechei logo o registro e comecei a me secar. Nessa hora achei que fosse morrer de hipotermia, quase congelei! Definitivamente me arrependi desse banho, não valeu a pena.

 

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Quando voltei o pessoal estava terminando de jogar o seu poker, que aparentemente não foi muito emocionante. Esperávamos que fossem aparecer mais grupos no refúgio, mas não, estávamos sozinhos. Passamos um tempo conversando sobre nossas vidas "fora do deserto", até chegar o jantar. Foi um espaguete com molho de tomate bem gostoso. Depois o Miguel apareceu com uma garrafa de vinho para nós (eu já estava ansioso por essa garrafa!!!). Convidamos ele pra beber com a gente, mas ele disse que não podia, porque tinha que dirigir no dia seguinte. Comprometido, né? Na verdade não duvido que depois ele tenha se reunido com os outros guias no vilarejo pra tomar umas pinga, mas quem sabe né? O que importa é que na manhã seguinte ele estava inteiraço. Uma garrafa pra 6 é bem pouco, deu menos de meio copo descartável pra cada um, mas enfim. As 20h as luzes iam ser apagadas, e como não tinha nada mais interessante pra fazer e tínhamos que acordar as 4h na manhã seguinte, fomos dormir. Quase todo mundo dormiu nos sacos de dormir, mas eu confiei nas cobertas e deixei o saco guardado. Não me arrependi, foi tranquilo. Apesar de ter levantado duas vezes no frio e no escuro pra atender as necessidades do meu intestino em revolução, foi uma boa noite de sono.

 

Próximo dia: gêiseres e volta pra Uyuni!

 

Gastos do dia: No armazém, pela manhã, cerca de 40 Bs.

 

Aí vão as fotos:

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DIA 7 - UYUNI | The long way back...

Meu relógio despertou às 4h e ao contrário de todo mundo me pus de pé logo, cheio de disposição Get uuup, bit****, let's see the geysers!!!.

 

Já tinha deixado tudo mais ou menos arrumando na noite anterior, então não tive que ajeitar muita coisa. Fui tomar café (o mesmo de sempre), mas esperei a galerê pra comermos juntos. O pessoal do refúgio já tinha madrugado e deixado tudo pronto. O Miguel chegou logo em seguida (até hoje não sei onde ele dormiu, não foi em nenhum quarto perto do nosso) e partimos pra arrumar as coisas no carro. Estava bem frio, provavelmente menos de 0ºC, talvez uns -5ºC. O céu estava limpo e incrivelmente estrelado! Tirei uma foto das estrelas, que ficou ótima:

 

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Enquanto eu imaginava como a minha foto ficaria na capa da National Geographic, partimos por volta das 5h30.

 

Estava ainda escuro e o nosso sono foi sendo sacudido na estrada de chão. Dessa vez fui no banco de trás (do meio) e fiquei um pouco mais confortável que nos dias anteriores. Como o carro do Miguel não tinha rádio, o Peter botou o iPhone dele pra tocar. Descobri que ele é um belga que gosta de rap. Não sei quanto tempo de viagem foi, mas acho que foi mais de 1h30.

 

Estava amanhecendo quando chegamos na região dos gêiseres e o lugar já estava cheio de carros e turistas por lá. O Miguel nos deixou próximos do gêiser maior e nos deu 20min pra encontrarmos ele do outro lado. Primeiro tiramos umas fotos no gêiser "principal", botando a mão no vapor (pode pôr, não é tão quente), pulando no meio, posando do lado... o cheiro de ovo podre (enxofre) dominava. Depois fomos caminhando pelo meio do terreno fumacento, que parecia cena de outro planeta (dá pra ver bem no 3:11 do meu vídeo). Não consegui tirar fotos muito boas lá. Quando liguei minha Nikon apareceu que estava sem bateria. Acho que foi por causa do frio, porque mais tarde eu liguei ela de novo e funcionou o dia todo.

 

Encontramos o Miguel (acho que uma meia hora depois) e partimos para a piscina de águas termais. Chegamos lá por volta das 7h30. O Sol já tinha nascido, mas ainda deveria estar 0ºC. Esse era o visual:

 

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Eu tinha botado na minha cabeça que ia entrar naquela piscina (ou banheira, como queiram) NO MATTER WHAT! Tinha até vestido sunga por baixo.

 

MAS

 

Quando chegamos o Miguel disse que estávamos atrasados e que tínhamos vinte minutos (rapaz apressado). Eu fiquei pensando em entrar no vestiário, tirar as 36 camadas de roupa, entrar na piscina, ficar 1 minuto e ter que sair, me secar no ar congelante, vestir as 36 camadas de roupa de novo... Deu uma preguiça...

 

OK EU AMARELEI, ME CONDENEM.

 

Mas ninguém mais entrou, exceto o Sam, que estava há dois dias sem tomar banho. Ele foi entrando, pé ante pé, tremendo com o frio de fora mas sem coragem de entrar no calor da água, que aparentemente estava muito quente. Eu fiquei circulando, tirando fotos. Fui ao banheiro, mas constatei que ele não tinha os... digamos... instrumentos necessários para as minhas necessidades. Meu intestino estava ainda em motim contra as comidas estranhas da Bolívia.

 

O Miguel já estava nos chamando pra sair de novo, tinha horário pra chegar na fronteira, mas o Sam ainda estava na água. Ele tinha encontrado a Alice e o Tobias lá (que ele já conhecia e eu conheci no primeiro dia, lembram?). Momento cumadre: mais tarde a Alice e o Sam seguiram viagem juntos e eles estão namorando hoje, a contar pelas fotos do Facebook. ::love:: Apressamos o Sam pra sair e seguimos viagem de novo.

 

Fizemos uma parada rápida na Laguna Verde e seguimos para a fronteira, onde o Chris, o Andreas e o Peter iam seguir para o Chile. No caminho encontramos um bichinho muito curioso na beira da estrada, no meio do nada. Parecia um cachorro selvagem, ou uma raposa, ainda não sei que espécie é. O bicho parecia que não tinha muito medo da gente, chegou até bem perto, mas quando nos aproximamos pra tirar fotos saiu correndo. Muito bacana. Não consegui tirar uma foto boa, mas o Peter tirou essa que ficou ótima. Segue:

 

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Chegamos na fronteira por volta das 9h30-10h e posso dizer que a aduana Chile-Bolívia é um lugar bem peculiar. Fica no meio do nada, no sopé da montanha, uma casinha precária de pedra:

 

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Tinha dezenas de carros lá, tanto dos turistas que vinham de Uyuni quanto daqueles que vinham de San Pedro do Atacama. A Beatriz, o Sam e eu, que iríamos voltar para Uyuni, iríamos trocar de carro e voltar com um outro guia, porque o Miguel ia pegar mais uma galera pra fazer o tour no sentido contrário (essa é a vida repetitiva de um guia do Salar de Uyuni). O resto da galera embarca em um bus e atravessa a fronteira até San Pedro. Ali no meio tinha alguém servindo café da manhã (pão, chá, café, biscoitos...). Não sei se era pra gente também, mas atacamos! Encontrei um casal de brasileiros de Salvador ali, estavam vindo de San Pedro e iriam começar o tour pelo Salar naquele dia. Foi um alívio poder falar português de novo, já estava sentindo falta.

 

Hora de seguir caminho. Nos despedimos, trocamos e-mail, Facebook... Fiquei de mandar as minhas fotos pra eles. Chris, Andreas e Peter seguiram pro Chile e Beatriz e eu entramos no outro carro pra voltar pra Uyuni. Mas o Sam, que voltaria com a gente, simplesmente desapareceu! Procuramos por ele por todo o lado, mas quase todos os carros tinham partido já, então chegamos à conclusão que ele tinha voltado no carro com a Alice e o Toby (sem nos avisar). Fiquei preocupado pensando que ele provavelmente morreria naquele deserto se ficasse sozinho. Mas seria um bom castigo por sumir sem avisar. Enfim, seria uma longa viagem de volta! Partimos sem Sam mesmo. O carro era bem parecido, mas esse tinha rádio. Além de nós dois estavam no carro mais um casal de franceses (bem caladões) e dois alemães (esqueci completamente os nomes deles...).

Pelo menos 1h depois fizemos uma parada rápida em mais uma laguna (Blanca?) e seguimos viagem. Meu sistema digestivo estava em ação!

Um pouco depois paramos em um ponto da estrada para o almoço, mas como estava ventando muito decidimos seguir viagem novamente. Chegamos então em um pequeno vilarejo, que ficava em uma planície verdejante cercada por montanhas e cortada por um riacho, onde lhamas e alpacas bebiam água tranquilamente. Parece bonito, não é?

FOD*-**, eu tava pouco me lixando pra paisagem, queria logo é encontrar um banheiro!!! A princípio fiquei animado, porque estávamos em uma vila ( = civilização), e provavelmente eu iria encontrar uma vendinha com um banheiro disponível (mediante propina, claro). Mas não era meu dia de sorte: era feriado (1º de maio) e estava tudo fechado.

 

FUCK

 

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Enquanto o motora preparava o almoço, fiquei andando pelo lugar fingindo que tirava fotos das lhamas. Na verdade eu estava mesmo é procurando por um cantinho ~seguro~. Como não achei nenhum lugar ~seguro~, voltei para o carro e, glória à Pacha Mama, meu intestino relaxou. Nesse almoço decidi aderir ao GO VEGAN! e só comi os vegetais, porque não tava a fim de comer picolé de frango mais uma vez. Conversei pela primeira vez com os franceses caladões. Depois de Uyuni eles também iriam para La Paz. Perguntei se eles também iam de Todo Turismo, mas eles disseram que iam de avião.

 

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Seguimos caminho mais uma vez. (depois de um “Síííí” uníssono quando o motora perguntou se tínhamos gostado da comida. Aham). Alguns quilômetros depois o motorista decidiu parar em um lugar da estrada que ele disse que normalmente os outros motoristas não paravam. Era uma região (que eu não lembro o nome), com umas formações rochosas bem peculiares. Ficamos lá por cerca de meia hora, tiramos muitas fotos (a Beatriz tirou várias fotos péssimas com a minha câmera) e seguimos viagem. Nessa hora já estava superzen e tinha chegado à conclusão que conseguiria aguentar até o próximo banheiro. De fato aguentei. Quando eram cerca de 17h chegamos em uma cidadezinha próxima a Uyuni, um lugar bem pequeno e pobre, cuja economia depende de uma mineradora japonesa que extrai metais da região, e paramos para esticar as pernas & ir ao banheiro. UFA. Aquele foi provavelmente o banheiro mais sujo que fui na vida (sério), entrei na ponta dos pés pensando NÃO RELA EM NADA NÃO TOCA EM NADA PASSOS DE GATO, mas não reclamei, pelo menos era um banheiro. Tinha que pagar 0,50, mas como eu não tinha troco o tiozinho da “bilheteria” deixou por assim mesmo. Não tirei foto do banheiro (claro), mas era mais ou menos assim:

 

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Voltei pro carro feliz e realizado para seguirmos para Uyuni. Chegamos por volta das 17h30, em frente à agência. Nos despedimos do pessoal e seguimos Beatriz e eu pra comprar uma passagem pra La Paz. Enquanto andávamos encontramos ADIVINHA QUEM? O Sam! O fdp de fato tinha ido com o carro do Toby e da Alice sem nos avisar... Eles iam passar a noite em Uyuni e depois seguir viagem, se não me engano para Sucre.

Chegamos na Todo Turismo e por acaso tinha um assento vago, de uma pessoa que havia cancelado, mas a Beatriz achou muito caro e decidiu procurar nas outras empresas próximas. Acabou comprando uma bem mais barata, acho que 80 Bs. Não lembro o nome da companhia, mas deve ser algo do tipo “Perrengue Turismo”. A Beatriz só iria ficar um dia em La Paz, porque tinha voo para Bogotá na manhã seguinte, mas ainda não tinha hostel onde ficar lá. Passei os dados do Loki pra ela, e ela disse que talvez ficasse por lá mesmo. De qualquer forma nos despedimos, caso não nos encontrássemos em La Paz. Segui para o Piedras Blancas, em busca do tão esperado banho quente e com água abundante!

 

Paguei pelo banho quente com água abundante e pelo Wi-Fi (15 Bol), embora o último não tenha funcionado muito bem. Mas o banho foi ótimo. Botei roupas limpinhas e sequinhas, passei no mercadinho pra comprar comida e segui pro escritório da Todo Turismo. Faltava ainda uma hora pro bus sair, então fiquei lá aproveitando o wi-fi e o mate de coca grátis. Uns 15 minutos antes das 20h começaram a chamar as pessoas para o ônibus porque seria servido o jantar (YEEY!!!). Quando estava entrando no ônibus encontrei o Martin (lembra, o alemão de Sucre!). Não nos encontramos no Salar mas nos encontramos no bus pra La Paz! Ele não tinha hostel pra ficar, mas ia procurar vagas no Loki ou no Wild Rover, então combinamos de rachar o táxi quando chegássemos em La Paz.

A comida do ônibus era simples mas gostosa: um purê de batatas com um empanado de frango e legumes no vapor, servido em uma marmitex tipo aqueles de avião, E ESTAVA QUENTEEEEE!!!!11!!!!! Melhor refeição dos últimos dias!

O Martin ficou sentado na minha frente, então fomos conversando um pouco, e do meu lado estava uma menina canadense que, quando o ônibus partiu, trocou de lugar pra sentar com uma amiga. O assento do meu lado ficou vazio (o assento vago que a Beatriz não quis comprar) e deu pra largar minha mochila e me esparramar bem. Tentei usar o Wi-Fi do ônibus mas não estava funcionando, só foi funcionar em La Paz. A Todo Turismo oferece cobertor e travesseiro e o banco reclina razoavelmente, mas achei um pouco apertado. O Martin reclinou todo o banco na minha frente e eu fiquei bem espremido. Pensei que não fosse conseguir dormir, mas peguei no sono e quando acordei já estava em La Paz!

 

 

Algumas fotos do dia:

 

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MEU DEUSSSSSSSSSSSSSSSSSS!! o que é esse relato??? Sensacional!! ::otemo::::otemo::

Parabéns!! Incrível.. e muito engraçado! O que foi o cara catando aqueles piolhos???? ::lol4::::lol4::

 

Bolívia realmente foi um país que eu gostei demais de ter visitado. A gente aprende que, podemos ser felizes com pouco!

 

Acompanhando....

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MEU DEUSSSSSSSSSSSSSSSSSS!! o que é esse relato??? Sensacional!! ::otemo::::otemo::

Parabéns!! Incrível.. e muito engraçado! O que foi o cara catando aqueles piolhos???? ::lol4::::lol4::

 

Bolívia realmente foi um país que eu gostei demais de ter visitado. A gente aprende que, podemos ser felizes com pouco!

 

Acompanhando....

 

Polyyyyyyyyy!!!!!!!! Valeu! :D:D:D:D

 

Agora com esse recesso de final de ano consegui escrever mais um pouco... logo logo mais dias de viagem!

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DIA 8 - LA PAZ | Explorando a cidade

 

O ônibus chegou em La Paz por volta das 6h30, quando ainda estava amanhecendo. Os ônibus da Todo Turismo param no Terminal de Ônibus de La Paz, mas do lado de fora, na rua mesmo. Enquanto esperávamos para pegar a bagagem, uma horda de taxistas se juntou ao nosso redor. Combinei com um deles para me levar até o Loki por 15Bs. Falei com o Martin pra dividirmos, mas o bicho tava morrendo de medo de ir com aquele taxista porque não sabia se ele era “oficial”. Eu tentei argumentar que era perto e que não tinha problema nenhum, mas ele ficou com medo MESMO e decidiu procurar outro taxista (não sei onde).

Não posso condenar o Martin, porque na verdade o medo dele é compreensível. Já ouvi várias histórias de pessoas que entraram em um táxi qualquer na Bolívia e acabaram sendo assaltadas e largadas em alguma ruela sinistra de El Alto. Aqui no Mochileiros inclusive tem um relato sobre isso. Então cuidado! Eu fiquei tranquilo porque estava em lugar movimentado bem ao lado do Terminal, mas de repente eu estava tranquilo demais.

No fim das contas o meu taxista não era nenhum assassino estuprador e me deixou direitinho no Loki. O único problema é que ele cobrou 15Bs. e o hostel fica a 500m do Terminal... se eu soubesse teria ido a pé (depois vi que é tranquilo) ou negociado um valor menor.

 

Entrei no Loki e já tive uma boa impressão. O hostel fica em um prédio bem grande, de 7 andares e é bem ajeitadinho. Tem um funcionário controlando a entrada pra que só entrem hóspedes ou pessoas que vão fazer check-in.

 

ENTÃO. Na curtíssima distância entre a porta e a recepção, no máximo 10 passos, tive uma epifania daquelas BEM deprimentes. Tinha feito minha reserva para duas noites pelo Hostelworld e me dei conta que havia reservado como primeira noite a noite ANTERIOR, que passei no ônibus, por engano. De verdade, só percebi naquela hora, segundos antes de chegar na recepção. O rapaz que me atendeu disse que como eu não tinha chegado no dia anterior a minha reserva foi cancelada, e que eu teria que esperar até as 14h pra VER SE TINHA VAGA e aí fazer check-in. Não eram nem 7h. Na verdade eu deveria ter reservado só uma noite, a partir daquele dia (no dia seguinte já estava planejando ir para Copacabana).

 

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Deixei meu nome na recepção para ter preferência e deixei meu mochilão no storage deles. O hostel tem uma área comum com vários sofás e eu fiquei lá sentado pensando no que ia fazer. Pensei em sair andando pela cidade a procura de outros hostels, mas imaginei que pelo horário a maioria ainda pudesse estar sem check-in aberto. Decidi esperar ali mesmo, tomando um chazinho, carregando os eletrônicos e organizando minhas fotos. Depois de 1h de profundo tédio, adivinha quem chega no hostel? A Beatriz!

 

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O ônibus dela levou 1h a mais pra chegar em La Paz, mas ela disse que a viagem foi confortável. Não sei qual o parâmetro de “confortável” dela, mas acho que isso quer dizer que é possível ir de Uyuni a La Paz pagando menos e sem passar por muito perrengue, pelo menos.

Como ela também não tinha reserva, deixou o nome na recepção e mochila no storage. Ela me disse que quando chegava em uma cidade nova gostava de sair andando a esmo pelas ruas, pra reconhecer o ambiente. Pedimos umas informações na recepção e saímos para a rua. Eram cerca de 8h30, o dia estava bem ensolarado e agradável, acho que por volta de uns 15°C. Apesar de ser sábado as ruas já estavam bem movimentadas, cheias de tendas, ambulantes, trabalhadores...

 

A primeira impressão ao caminhar por La Paz é que o tempo parou por lá. Eu não vivi no Brasil dos anos 70, mas tenho impressão que as ruas eram bem parecidas com as de La Paz atualmente. Os prédios históricos, os ambulantes vendendo refrescos, o povo humilde na rua ine do trabalhar, tudo dá à cidade um grande ar de melancolia.

 

Andamos pela Calle Mercado, que é um calçadão comercial repleto de lojas e restaurantes, a procura da Calle Jaen, que o rapaz da recepção disse que era uma rua muito bonita. Estávamos com um mapa, mas mesmo assim tivemos dificuldade pra encontrar a rua. Antes nos deparamos com a famosa Plaza Murillo, que fica em frente ao Palacio del Gobierno da Bolívia e da Catedral. Entramos rapidinho na catedral e depois tiramos umas fotos na praça. Seguimos em busca da Calle Jaen, até finalmente encontrarmos. De fato é uma rua muito bonita. É bem estreita e não passam carros. É cercada por prédios antigos, pintados em cores vibrantes, onde funcionam várias oficinas de artesanato e pequenos museus. Vale a pena dar uma passada. Como era ainda muito cedo, todas as lojas estavam fechadas.

 

Descendo a Calle Jaen passamos por um museu (não lembro o nome), onde estava rolando uma exposição do pintor boliviano (não lembro o nome). Como era de graça, entramos.

 

Circulamos por lá por uns bons 20 minutos e depois fomos andar mais um pouco. A Beatriz parou em uma lojinha pra comprar cartões de memória pra que eu passasse todas as fotos de Uyuni pra ela, sem precisar fazer upload. Enquanto ela usava uma cabine telefônica para ligar para a família dela na Colômbia (anos 70, eu não disse?), decidi quebrar a minha regra de não comer nada na rua e comprei uma salteña de uma barraquinha. A salteña é uma espécie de empanada argentina, só que o recheio é em geral mais “líquido”, quase uma sopa. Comi uma de pollo e achei bem boa. Não a ponto de ficar tentado de quebrar minha regra novamente, mas gostei. Não poderia sair da Bolívia sem comer salteñas, que é uma das principais iguarias do país!

 

Terminada a ligação da Beatriz, saímos pra mais uma caminhada. Fomos à Catedral de San Francisco, ao Mercado Lanza (parece um camelódromo, mas se encontra de tudo lá, de loja de eletrônicos a açougue - daqueles bem higiênicos) e à Calle de Las Brujas. Essa é uma ruazinha CHEIA de lojas de artesanato e lembrancinhas típicas da Bolívia. É sem dúvidas o melhor lugar pra fazer compras desse tipo na Bolívia (e no Peru também), porque tem muitas opções. Tem feto de llama, ponchos, blusas de lã, chaveiros, camisetas, mate de coca, velas, incensos, monolitos em miniatura, colchas, bolsas, tecidos, gorros, luvas... tudo no famoso colorido andino. Tão colorido que quem sofre de epilepsia não deveria passear por essa rua.

A Beatriz queria comprar uma toalha, então pesquisamos os preços por algumas lojas. Eu decidi deixar pra comprar essas coisas só no meu último dia em La Paz, pra não ter que carregar peso na mochila sem necessidade. Compramos as toalhas e voltamos para o hostel, porque já havia passado do meio dia. Enquanto esperávamos na recepção, passei todas as fotos para o cartão de memória da Beatriz.

 

Ainda antes das 14h conseguimos fazer check-in. Várias pessoas fizeram na nossa frente, e quando chegou a minha vez quase fiquei sem vaga! Arrumaram a última cama disponível pra mim, em um quarto com 8 camas.

Eu e Beatriz nos despedimos, agora cada um seguia o seu caminho. Minha cama só iria ficar pronta as 15h, então decidi sair para o Terminal de ônibus para comprar passagens para Copacabana no dia seguinte. Como eu disse antes, o Loki fica bem próximo ao Terminal, são menos de 15 minutos a pé. Procurei pelo terminal e não foi difícil de achar uma empresa com ônibus diários pra Cobacabana. O nome era bem sugestivo: Copacabana. Pela foto, o ônibus parecia bem razoável. Comprei a passagem para o dia seguinte, às 8h da manhã. A viagem até Copa leva cerca de 4h, então deveria chegar lá ao meio dia.

No caminho para o Loki procurei algum restaurante para almoçar, mas nenhum me convenceu no quesito custo-benefício/não morrer. Decidi ver o que tinha para comer no bar do hostel.

 

Cheguei no Loki e fui para o quarto, que já estava pronto. Bom, a cama estava pronta, porque o quarto... Não tirei nenhuma foto, mas estava tipo assim:

 

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A galera que estava naquele quarto devia estar lá há muito tempo, porque aquela quantidade de bagunça não seria humanamente exequível em menos de 2 meses. Quase não dava pra andar, de tanta mochila jogada no chão. As camas todas desarrumadas, roupas sujas espalhadas... os lockers estavam todos ocupados, alguns só com umas tralhas dentro. Ou seja, fiquei sem locker. Deixei minha mochila na cama (porque não tinha mais espaço no chão também) e fui tomar um banho. Em seguida subi para o bar, que fica no último andar do Loki. É um bar bem legal, típico de hostels, com uma vista bem bacana de La Paz e do Illimani:

 

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Pedi uma massa, indicação do cara do bar, e uma Paceña. Sentei em uma mesa com um outro cara. Eu estava com uma camiseta do Grêmio, e aí rolou aquele momento de conhecimento tupiniquim: “Brasileiro?” ALELUIAAAA CONVERSAR EM PORTUGUÊÊÊÊSSSSS!!!!!!!! Já estava cheio de (tentar)falar em español com a Beatriz o dia todo! O cara se chamava Newton, mineiro que mora no Paraná, e estava viajando pela segunda vez para a Bolívia, dessa vez com o pai dele (seu Newton também, que estava no quarto descansando). Eles também tinham chegado de Uyuni, se não me engano no dia anterior. Achei muito legal a viagem dos dois, pai e filho na Bolívia. Não consigo sequer imaginar meu pai viajando comigo e passando perrengue na Bolívia! Rsrs

Ficamos conversando e chegamos no assunto “aparelho digestivo”, quando o Newton me contou que também teve “problemas” durante a viagem, e me indicou um remédio que estava tomando pra flora intestinal. Cheguei nessa hora à conclusão que nós brasileiros não estamos preparados para a comida boliviana, porque todos acabam passando mal, de um jeito ou de outro.

Conversa vai conversa vem, já tinha anoitecido quando atraímos outro brasileiro com o nosso português. O Fernando, também do Paraná, estava viajando sozinho e já ia embora no dia seguinte, caso conseguisse sacar dinheiro. Ele estava quase sem dinheiro e só tinha como sacar do cartão do BB. Acontece que os terminais da agência do BB em La Paz (sim, tem uma agência do Banco do Brasil em La Paz) não estavam funcionando no sábado, e ele ia tentar de novo no domingo.

O Newton-Pai chegou logo depois, e passamos horas conversando, regadas a muitas Paceñas. Já eram umas 23h (eu ia acordar às 6h) e decidimos mudar de cerveja, pedimos duas Autenticas que estavam mais baratas. Além de ser bem ruim, padrão Kaiser, a Autentica estava quente... Eu tomei o primeiro copo e aquilo não desceu legal... meu estômago não estava de boa, aí rega com cerveja quente... Comecei a ficar bem enjoado e parei de beber. Como já estava tarde, nos despedimos e fomos cada um pro seu quarto.

Eu estava bem mal... fui pro banheiro várias vezes mas não conseguia vomitar. Pra ajudar, os “problemas intestinais” voltaram. Fiquei mais de 1h me revirando na cama, tentando dormir, mas tendo que levantar a cada pouco (pra piorar estava na cama de cima do beliche). Ia viajar cedo no dia seguinte, mas estava decidido a desistir caso não melhorasse. Na verdade eu tinha certeza que não ia melhorar. Aí lembrei que tinha levado Dramin, que talvez pudesse ajudar. Tomei um comprimido e deitei. Um pouco depois peguei no sono.

 

Algumas fotos do dia:

 

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    • Por Hélio José
      Essa viagem começou em setembro do ano passado, quando estava pesquisando destinos para viajar assim que eu terminasse a minha formatura. Bem, ate então não havia o voo direto de Recife a Bogotá, que foi inaugurado no mês de novembro, dois meses depois, seja como for, acredito que peguei uma boa promoção, afinal paguei 1200 reais saindo de recife, com conexão em são paulo para ir a Bogotá, e na volta, sai de Bogotá para o Rio onde tive conexão  para voltar ao Recife, tudo pela Avianca.
      As passagens a Medellín, também comprei pelo site da Avianca internacional, no mês de novembro e custou 400 reais a ida e volta, tratei de comprar um voo as 8 da manha, já que eu chegava em Bogotá as 5 e meia da manhã e tem todo aquele processo de achar o terminal nacional, retirar as bagagens, imigração e tal. Então vamos ao que interessa.
      Para começo de conversa a Avianca Brasil me trolou duas vezes, a primeira foi um mês antes da viagem, quando recebi um e-mail de alteração no trecho REC-GRU, antes eu sairia daqui as 20 hs e com três horas de voo, significava ficar pouto tempo lá em São Paulo, uma vez que meu voo saia as 1 da madrugada. A Avianca Brasil pôs meu voo REC-GRU para as 8 da manha do dia 28, ou seja, logo após o trecho São Paulo - Bogotá , eu teria um voo as 8 da manha Recife - São Paulo (What?) Bem, Uma coisa tem de ser dita, os atendentes da Avianca internacional são muito simpáticos no seu português cheio de sotaque espanhol (Valeu Davi). A segunda trolagem, vou deixar para falar sobre ela no trecho da volta.
      Despache de mala ok aqui em Recife, só iria pegar a mala la em Bogotá. Segue o Fluxo. Deixei meus fones de ouvido em casa, e já sabia que os fones que a Avianca Brasil dão, são meio capenga e só funciona bem nas mídias deles, e que eles recolhem no final do voo. Porem tudo mudou no voo da Avianca internacional , que mesmo indo em assento da classe econômica, valeu Avianca, me deram fones que me salvou ate Medellín. Uma coisa deve ser dita, entrar no voo em São paulo, significa, já era português, e eu tinha experiência sim com espanhol na Argentina e Uruguai, porem dessa vez era Eu e Deus, então todo o atendimento das aeromoças, foram em espanhol, um sofrimento para entender, embora que la pelas tantas da manha quando elas passaram dando agua, e acho que a cara feia que ela me fez significa que eu errei, em esperar ela me dar o copo, em vez de pegar o copo para ela por a agua (perdão, na volta eu aprendi). La pelas 4 e pouca da manha, depois de descobrir a técnica infalível de deitar numa cadeira de dois assentos, estavam servindo o café da manhã. Café da manhã bom, mas se me perguntar so me lembro dos "huevos" e gasosa de manzana ( Ta na hora de o Brasil exportar aquilo, porem acho que o guaraná Jesus é parente daquele refri, tenho certeza disso). Junto me deram um papel para preencher, era familiar aquilo, já peguei o mesmo quando a TAM me deu na entrada ao Uruguai, mas  e cade a caneta para preencher? Fato que teria bronca com isso mais na frente.
       
      Segue o fluxo para a imigração, a Imigração da Colômbia é bem de boa, mas uma dica, quase não entro na Colômbia, Culpa do Andrés, meu super amigo colombiano que sabe muito português, acho que sabe até demais. O Andrés não me disse sua Calle, nem o numero da sua casa onde eu iria ficar. E a moça da imigração foi bem clara, você não entra na Colombia se não disser onde vai ficar. Bem, ainda liguei pro danado, mas eram 6 da manha, e ate eu estaria dormindo ( exceto se fosse receber um amigo hahahahha) Mas... Deu tudo certo, ela pegou o numero dele, e carimbado, vamos a segunda bronca da manhã. A falta de Caneta. Bem, não existe nenhuma instrução de como preencher o papel de declaração que vc recebe la no avião, esta em inglês e espanhol, então se vire, o pessoal não empresta caneta ( obrigado ao americano que me emprestou e fiquei com ela), Entregue ao moço la, mais um raio X e sai do aeroporto internacional.
       
      Bogota é muito fria de Manhã, muito mesmo, e eu precisava agora achar o balcão da Avianca para despachar minha mala para MED, o aero não é tao gigante quanto o de São Paulo, pelo menos não achei. Mas eu tinha um amigo la me esperando (Henrique) que me ajudou no café da manha, porque estava sem nenhum peso colombiano. Comi huevos de novo. Despachei a mala e foi tudo muito tranquilo. Em setembro eu não sabia que iria viajar na semana santa, então estava tendo uma amostra das igrejas da cidade no aeroporto, deu tempo de treinar o espanhol. Muito lindo. Você tem duas horas de Wi-fi la, então da para se cadastrar e aproveitar.
       
      Medellin
       
      O voo pra Medellin é rapido, só da tempo de tomar um suco, literalmente. E quando voce chega la, o aeroporto é lindao. Vamos as dicas, tem casas de cambio boas no aeroporto ( na parte do embarque), entao chegou, sobe as escadas, e tem uma casa em especifica que fica por tras de uma escadas, é com a melhor cotação, percebi tanto na chegada quanto na volta. Troquei 20 dólares la, 53 mil pesos colombianos, o suficiente para pegar o busao que sai do aeroporto para o centro da cidade. O onibus fica na saída do desembarque nacional, saiu, segue em frente tem dois onibus, vc pega o primeiro que segue para o centro comercial San Diego, há dois onibus la, se ligue (Centro comecial San diego). 9500 pesos colombianos.
      Aproveita a viagem, e se quer curtir, senta no lado do motorista, que quando voce passar o pedagio, vai ter uma visão da chegada a  cidade que PQP, que cidade... Medellin me deixou enamorado desde a chegada. São 40 - 1 hora, não lembro quanto tempo durou, mas o suficiente pra curtir bem a paisagem. Muita gente desce no centro comercial, e o ponto é embaixo de um viaduto ( A Daniela estava la me esperando, a irmã do Andres). E quando voce chega, tem muuuuito taxis. Minha dica, se acalma e vai trocar tua grana. Precisa entender que o centro comercial é dividido em duas partes e separado por uma avenida, as casas de cambio ficam na segunda parte, entao voce vai atravessar a avenida, cruzar o centro por dentro e chegar na outra avenida, subir uma passarela e acho que no 2 andar tem duas casas de cambio, perto de uma lanchonete. Troquei la, 100 dolares, o que deu para os 4 dias em MED. Comi uma empanada com suco de maracuja e vamos pra casa, pra casa do Andres.

      Saindo de la pegamos um taxi,e os taxis são amarelinhos e pequenininhos, achei fofo, um monte de irmão do UP amarelinhos.
      Fiquei no Bairro de Buenos aires, não me pergunte melhor local de estadia, era a casa do meu amigo e foi maravilhoso.
      Almocei, e quando foi umas 16hs o Andres Chegou, fomos conhecer o centro.
      Basicamente MED faz voce ter certeza que a educação é a chave para fazer o sistema funcionar, eles tem um sistema de transporte de dar inveja a qualquer cidade, duas linhas de metro, o Transvia ( primo do VLT do Rio) e o metrocable ( a melhor aventura), alem dos onibus, e BRT que la tambem tem. MED tem muito a ensinar a Bogota.
      Fui conhecer o centro naquela tarde, pegamos o metrocable, por cima das comunas, e retornamos, e fomos andar de transvia ate certo ponto, descemos e fomos caminhando.

      Para construir o Transvia foram desocupados algumas casas pelo que entendi, e onde foi desocupado, puseram grafites, quadras poliesportivas, e foi toda repaginada a via, claro que com aquele VLT passando pra cima e pra baixo e vc não se pergunta como não mata um, porque ele passa pertinho de voce. E a galera tipo, nem ai...

      Tomei um sorvete muito gostoso, com raspa de gelo, leite condensado, não lembro o nome, e foi quando descobri que eles comem Manga verde com tudo cara, Muito foda o sabor. Delicioso. Mas isso é historia pra a pedra do Peñol.
      No centro perto das esculturas de Botero, tem umas loginhas pra comprar lembrancinhas barato, e aceita cartao de credito.
       Fomos ao pueblito paisa, pegamos metro e uber, subimos ao pueblito, com uma visão linda de Medellin a noite, lá tem uma maquete da cidade que voce entende bem como funciona a cidade, assim como entende como era o povo que fundou a cidade. Depois seguimos para encontrar umas amigas ( Ana e Carolina). Incrível como tem pessoas que estudam tao bem o português. Fomos comer num local (mercados del Rio), meio carinho la, aceita cartao de crédito, e tem culinária, penso eu, do mundo inteiro. Ficamos ao som do Regeanton, curtindo e tomando sangria, uma especie de esquenta para irmos ao parque Lleras (Cara, se voce curte balada, vai gostar desse parque). São muitas casas de shows e baladas, como eu estava sendo levado, não lembro a que fiquei e como fiquei sobre efeito de tequila, tambem muitas informações ficaram perdidas, tudo esta sendo dito olhando o historico do maps ( ). Mas em resumo, algumas informações importantes : 1 - Eles tomam cerveja com sal e limao ( não me pergunte porque), 2 - Tequila me fez falar muito bem espanhol, vale a pena voce tentar mesmo que não se lembre muita coisa no dia seguinte. E 3 - Eles escutam funk brasileiro mas como não sabe o que significam , dançam meio estranho, hahahahha. Eu acho que ensinei algo. Não lembro.

       
      Quinta feira 29/03 - Dia de ir a Guatapé. Para ir voce precisa ir ao terminal norte, existe muitas dicas de como chegar la aqui no site, procure e saberá. Mas fui de uber, de onde estava e pareceu barato ( na verdade achei o uber tanto em MED como em Bogota, muito barato). Chegando la me deparei com uma rodoviaria super abarrotada, era vespera de feriado da sexta santa, entao me ferrei. Só que o super Andres achou uma alternativa, que não me lembro bem... Mas que chegamos de 11 e pouco na pedra do peñol. Se estivessemos esperando o busão la , só iria ter horário depois de meio dia, e chegamos la as 9 da manha. Não sei como se comporta em dias normais, porém o que precisa saber é que vai se deparar com maior filão.
      Em resumo, pegamos um onibus ate Marinilla, de la um taxi  ate El peñol, e depois  ( olhe não sei como se chama aquilo la, mas fomos numa especie de toyota ate a base da pedra) e chegamos umas 11 e meia na pedra. Dicas mestre: independente de sua capacidade física e sabendo que vai enfrentar 700 degraus assim que chegar na base da pedra. VA ANDANDO. Vai ter uma porrada de gente oferecendo serviços pagos de uma espécie de moto estranha que tem la, cavalo, seja o que for, va andando, porque o transito que se forma subindo de onibus e carros é enorme e voce perde um tempo enorme. Ir andando alem de te preparar para a morte da subida, te dar uma visao linda da represa.

      Ok, ai voce não morreu, e chegou la em cima, depois de comprar o ingresso para subir e sofrer. Vai com Deus,. Os degraus vem numerados de 25 em 25, e acho que la pelos 400, tem um anexo onde vc vai ate uma imagem de nossa senhora, e aqueles degraus la não entrou na contagem, mas vale dar uma pausa pra respirar. Tirou a foto e sobe novamente. Quando chega la em cima, não se assuste com a fila pra descer e por favor, respeite-a. O mirante estava em reforma ( ou seja, la em cima vc sobe mais alguns degraus). Tem lojinha e picolé de manga verde la em cima. Com sal. Esse gelado que eles vendem ajuda bastante a refrescar, mas pra quem curte coisas exóticas, tem la em cima a cerveja com sal e limão e manga verde também pra quem curte.

      Acho que a pedra é um paradoxo, porque ela não respeita a lei universal do "pra descer todo santo ajuda", porque descer é pior, e mais estreito do que subir.
      Feito todo o percurso, e chegando la na base da ladeira. Pra comer, va a guatapé, que alem de ter um povoado lindo para otimas fotos. La a comida é barata. Mas pegue o onibus que passa na ladeira para a cidade, porque é barata a passagem, que voce acaba pagando caro se for por outro transporte, e tenha saco para aguentar o transito tambem.
      Chegando em guatape, pode ir explorar a vila, e almoçar nos milhares de restaurantes que tem por la, com almoços completos por cerca de 14500 pesos. Lembre tambem de ir comprar a passagem de volta a Medellin, no terminal e se ligar de estar la ate 10  minutos antes. O onibus é anunciado aos gritos, entao voce só perde se for surdo. Aproveita pra descansar nas 3 horas de volta.

      Na sexta do feriado, fomos ao parque Arvi. O parque Arvi é enorme, e não pense que tirar um dia voce vai conhecer ele todo, pelo que entendi, são varios parques e chegar ate ele em si já é uma aventura. Voce pega metro ate a estação Acevedo, e la faz transferencia pra o Metrocable e depois faz trasferencia para outro metrocable ( esse não é integrado, voce vai ter de pagar de novo), que tem estação terminal la no parque Arvi. Pra quem tem problema com altura , segura o coração, porque cara, voce sobe muito, e passa sobre os topos das arvores. E a cidade vai ficando para tras.
       No Arvi fomos fazer arborismo, Bem, o Andres sabe explicar melhor porque naquele dia tinha muita gente e ele é muito bom de conversa, é engenheiro quimico como eu, mas eu tenho a impressão de que ele é capaz de vender qualquer coisa com a conversa dele, em resumo, a gente não ia conseguir fazer o arborismo porque tinha chovido muito no dia anterior e la cai muito raios, mas ele conseguiu que a gente fizesse, sendo a ultima equipe do dia. Quando eles começam a falar rapido, a minha dica é entregar a Deus porque voce não entende nada, não importa o quanto peça para falar despacio (devagar). pressuponho que se voces quiserem procurar ele, ele ate faz esse trabalho de guia, agende e pergunte quando ele cobra. Alem de oferecer serviços fotograficos. Certamente ele ira comentar esse texto.
      No arvi há varias opções de lazer, assim que voce desse do metrocable tem uma feirinha la, e da pra comer muita coisa tipica, alem das frutas, sou apaixonado por frutas, mas as moras, fresas e a frutinha amarelinha que não sei o nome mas que com leite condensado fica muito bom, é inesquecível. De la voce pega um onibus que levam aos outros parques mas sem pagar nada mais. Só encarar a fila e aproveitar pra comer um doce feito da pata da vaca. É , eu tenho a impressão que eles se superam nas comidas exóticas. Mas a justificativa de que a jujuba seja feita da mesma patinha da vaca, não me fez achar uma coisa maravilhosa comer o doce, porem o se voce andar com o Andres esteja apto a comer todas as paradas.
       
      As atividades feitas no arborismo é incrivel e tem pra todo gosto, fiz uma com 18 atividades e consegui concluir antes de encerrar as atividades, porque tem de voltar para o metrocable antes das 17 que é quando eles fecham. Entao as 15-16 as atividades já estao sendo encerradas. Uma outra dica é comprar as passagens da volta já na ida, porque voces vao achar incrivel a fila de volta. Nós por exemplo, pegamos o metrocable mas em vez de seguir para o outro, pegamos um taxi e descemos na maior radicalidade da vida ... Medellim é uma cidade que cresceu num vale, entao imagina como é descer as ladeiras quando voce esta la nas montanhas. O taxista era um doido, mas sobrevivi.
       
      No sabado foi a despedida da familia que me acolheu, deixo um grande beijo em todos, em especial a tia do Andres que estava voltando a Bogota de busao ( e pra quem vai fazer esse percurso, segundo ela é muito confortavel), assim como a toda familia que me recebeu tao bem. O Andres me levou de uber de volta ao centro comercial San Diego, e dessa vez voce pega o busao pro aeroporto do outro lado da avenida. Não demorou e logo chegou, deixando para trás, um amor que levei da cidade. Cheguei no aeroporto, cheking, e voo para Bogota, para onde eu seguiria para a minha segunda cidade. Villavicencio.
       
      Villavicencio
       
      Quando eu estava no Brasil descobri que villavicencio tem aeroporto, mas ai já tinha comprado as passagens de MED para bogota, e iria fazer o trecho Bogota-Villavicencio de ônibus. Eu descobri que eles tem um voo a tarde, e talvez se eu estivesse descoberto antes teria optado para fazer esse trecho de voo. Era apenas 200 reais a mais e economia de horas. No fim, comprei as passagens de ônibus em Medellín mesmo, pela empresa Expresso bolivariano. Era semana santa e vai que não tivesse mais passagens, comprei para as 15 hs, porem cheguei em em bogota de meio dia. Peguei um taxi amarelinho na saida do aeroporto e fui para o terminal Salitre, a rodoviária deles. Talvez o preço mais caro que paguei, para algo tão próximo, 25 mil pesos. Pelo que andei lendo, taxi é a melhor forma de sair do aeroporto para ir a rodoviária.
      Chegando la, depois de comer um Subway e exercitar meu espanhol ótimo de viagem (rs), resolvi adiantar as passagens, e a menina queria apenas minhas passagens e uma fotocopia, que significa xerox, mas que para meu espanhol de viagem era apenas uma foto minha (rs). Bem, troquei e adiantei a passagem, para as 14 hs. E cai na estrada.
      O caminho ate Villavicencio faz voce repensar em sua vida, não me refiro as paisagens lindas, e aos rios que parecem sair de filmes com aquelas paisagens de montanhas. Mas por ter uma serie de viadutos que voce não enxerga o que esta embaixo de tao alto que são. Fui ate la me perguntando quantas pessoas já morreram fazendo aquele caminho. E quando não é viaduto, são tuneis, milhares de tuneis.
      A estrada esta sendo duplicada, entao há varios desvios e transito na ida, e meu ônibus sofreu um desvio pelo caminho antigo para chegar a cidade, o que me rendeu excelentes paisagens e quase enfartes.
      O povo de Medellin é chamado Paisa, o povo de Villavicencio Llanero, e se pronuncia em bom portugues (janero), tipo o primeiro mês do ano sem o i.
      Achei incrível a cidade, com sua simplicidade e com um povo tão receptivo e festeiro. Com uma rica historia e as comidas ( essa parte vai para toda a Colômbia e sua imensa variedade gastronômica).
      Quem me recebeu la foi o Alexander, debaixo de muita chuva e no português com sotaque de Carioca, ao som de Alcione.  Quero ressaltar que no quesito sonoridade o cara tem bom gosto. Depois de um pequeno city tour. E depois uma balada, a melhor e mais inesquecível que fui, "Los capachos" com tres ambientes enormes, e muito regeaton, funk também, quero ressaltar.
      Um resumo.
      A cidade esta crescendo muito, e tem um enorme parque, o parque malocas, que conta a historia da cidade e dos mitos que rondam por la. Foi inclusive onde o Papa Francisco foi recebido ao visitar a cidade. Eles tem uma especie de vaquejada nesse parque. E vale muito a visita, inclusive la voce pode ate ver apresentações da dança e musica tipica do povo, que é um som muito massa feitos por uma viola de 4 cordas, maracas e arpa. De la fomos a um parque que lembra muito o jardim botânico do Rio, que inclusive quero ressaltar a quantidade de verde que tem na cidade. Inclusive fomos a um shopping, centro comercial na língua deles, que tem cachoeira dentro. Pra mim aquilo foi impressionante.

      A noite seguimos a um mirante onde podemos tomar agua panela ( cara a primeira vez que escutei isso na casa do Andres achei que era agua de panela, ai já era demais, mas resumindo, agua de rapadura) com queijo para apreciar a vista. Um mirante que Só a misericórdia e uma tração muito boa pra subir, estava chovendo mas tiramos ótimas fotos da cidade; Aqui fica os meus agradecimentos ao Alexander assim como a seu irmão e cunhada que conheci nessa viagem. Adorei Villavicencio, e de boa, não conseguia pensar em mais nada na segunda feira a não ser sobreviver a volta. E não morrer.
       
      Na segunda, munido de uma fotocopia, adiantei novamente a passagem, e peguei meu ônibus de volta, pelo caminho original da coisa. E que aterrorizou tanto quanto o outro. Deu tempo de dormir e chegar a Bogota. Chegar a Bogotá era sinal que a viagem estava acabando () .
       
      Bogotá
       
      Cheguei em Bogotá, e com perdão dos Hermanos, tinha ido para escutar sim regeaton, mas não aguentava mais, e o taxista que me levou ate meu hostel, escutava nada mais nada menos que heavy metal. Pense! Hahahahhahaha
      Fiquei hospedado no Republica Hostel, no chapinero. De taxi da rodoviaria deu em torno de 12500. Não entendi mesmo como funcionava aquele taxímetro. Eles funcionam na base de números, por haver tantos zeros no dinheiro dos Hermanos, so que na tabelinha que fica atras do banco, só expressa valores ate o numero 185. E eu estava curioso e ao mesmo tempo com medo do que aconteceria depois do numero 185; bem, Graças a Deus que os números eram sempre ab aixo do 185.
      O hostel foi incrivel, no meu quarto alemao, ingles e belgos, ninguem sabia espanhol, estava ali pra aprender. Entao em terra de gente que não sabe espanhol. Yo fue Rei. Hahahahaaha
      De fato acabei ensinando portugues mesmo. Eles estavam seguindo para Medellin, dei dicas e sai pra explorar o bairro naquela segunda mesmo.
      Basicamente o que deve saber, o bairro é muito bom, farmacia, centro comercial e padaria perto do hostel, e o famoso transmilenio. Tinha tudo o que precisava e uma boa dose de frio. Bogota sofre de TPM, entao após meio dia ela mudava toda, e chovia muito, nem parecia que acordava com um sol lindo.
      Na terça, eu e meu colega de quarto, Sebastiam, saímos para o museu del oro. Lindo. Incrível a historia e a sacanagem do povo que levou a maior parte do ouro da Colombia.
      Abre as 9. Fecha na segunda. 4 mil pesos a entrada e mais 8 mil se quiser o sistema de audio.

       Mas como sou vida loca, vou tentando sem audio mesmo. O museu é basicamente, siga as setas e conheça a história. As 10 tem o free walking que sai da porta do museu, entao s evc chega as 9, da pra conhecer e ainda juntar ao free walking. De manha tem espanhol e ingles, e a tarde saindo do mesmo lugar, tem apenas em ingles. Fui para o de Espanhol, e o sebastiam que estava ali para aprender espanhol, foi para o de ingles. Vai saber né.
      Voce conhece muita coisa com o free walking e num determinado momento toma agua panela num bar que ela leva vc pra experimentar ( hahaha mas eu já sabia o que era a panela, não mais tenho susto raraaaa), e bem, como Bogota estava inconstante de meio dia caio um baita toró. Resultado, passamos pela plaza da independência no maior chuvão. E encerrou o free walking de 3 horas por ali mesmo. Foi onde conheci os uruguaios Guillerme e Julieta e a Mexicana Arantza. Inesqueciveis e muito simpaticos, e conhecem a musica  do Gustavo lima. Hahahahahah.

      Saimos para almoçar por ali mesmo, e por sinal , muito barato comer pelo centro. E aceita tarjeta ( hahahahah bato nessa tecla porque não são todos locais que aceitam cartoes de credito ta?)
      Depois de almoçar fomos caminhando ate o museu nacional, poe no google maps e ele te da a rota, a rota que te dar vai fazer vc passar pelo letreiro de Bogotá, assim como depois por um local que vende artesanato muito barato.
      O museu nacional também é barato a entrada, e conta a historia da colômbia. Depois vale tomar um café na cafeteria que eles tem internamente. Foi onde me despedi dos meus amigos de viagem e voltei de transmilenio no horario de pique para o hostel.
      A minha outra dica é voce baixar o app movit que te ajuda nas estacoes do transmilenio, e depois vai na fé, lendo, voce não entende e nem eles entendem tambem o sistema. Mas sei que peguei busao lotado, me lembrei do Recife. Juro.
      No final voce aprende a andar de boa, por mais que sejam lotados, vale a dica de segurança de manter a mochila e os pertences na frente, em qualquer grande cidade ne.
      A noite fui a uma balada no centro com o Henrique que me recebeu la no primeiro dia, e tive porre de Rum com coca, e prometi nunca mais na minha vida beber essa mistura. Por Deus, acho que não consegui dormir.
      Acordei, ou nem dormi na quarta feira, meu ultimo dia la. E seguindo as dicas dos amigos do dia anterior fui ao Cerro monserrat pela manha por causa do tempo de Bogota. Foi a melhor coisa, porque depois das 11 o tempo fechou.
      Chegar ao cerro do hostel é facinho, mas fomos encontrar mais dois colegas do Sebastian la no museu del oro e de la fomos andando. 20 minutos e voce chega ao local onde compra os tickets.
      20 mil pesos a subida e a descida. Mas os meninos preferiram descer a pé, tem essa opção, mas eu dispenso depois do peñol sabe.
      Subi de funicular e desci de teleferico.
      La em cima a visao é incrivel, mas não tente correr, devido a altura me senti com falta de ar e dar um mal estar enorme.
                                                                   
       
      Depois fomos almoçar perto da universidade de los andes, fica ali perto. Almoço baratinho nos restaurantes proximos.
      Nos despedimos e fomos a estacão universidades, que é a estação pra quem vem do chapinero e vai pra Monserrat. Pegamos o busao e segui de volta ao hostel, onde tomei banho, me arrumei e fui num supermercado comprar Suco de lulo, café e colombiana ( o refri de folha de coca deles). Aqui agradeço ao Esneider que me ajudou ainda com as compras.
      Voltei ao Hostel, me arrumei, chamei o uber e segui pro aeroporto.
      Procedimento de saida engraçado, quando a policia te aborda perguntando de onde veio, o que fez, e pra onde vai.
      Voo pro rio saiu as 22:30, cheguei as 6. e a Avianca Brasil trolou novamente, meu voo que estava la no app saia as 10, foi alterado para as 14 hs por altração de malha e ninguem me avisou ta? Mas já estava no Brasil, e indo pra casa. Enamorado pela colombia e com vontade de voltar.
       
      Uma dica - Compre um chip claro, e tenha internet muito boa, eles oferecem um pacote massa de 1 giga pra um mês que eu acabei em 4 dias por 21 mil pesos. Ai vc recarrega e vai comprando os pacotes la.
    • Por peter tofte
      Passo para vcs o relato de uma travessia Peterê, esperando que possa ser útil.
       
      Foi minha 2ª tentativa. Na minha primeira vez, junho passado, uma espessa neblina impediu de continuar a travessia a partir dos castelos do Açu. A névoa estava tão forte que várias pessoas, que já conheciam a trilha, desistiram de seguir em frente depois de se perder, sendo obrigados a retornar ao Açu.
       
      No final de semana de 13 e 14/09 tentei novamente. Sai da rodoviária Novo Rio 05:30 (1º ônibus para Petrópolis) e cheguei na rodoviária Bingen as 06:30. Depois o ônibus para o Terminal Correias seguido de outro para o Bonfim. Cheguei à portaria do IBAMA pouco antes das 09 hrs (impossível chegar antes se usar só ônibus).
       
      Desta vez deixei o GPS em casa. Só levei a xerox do livro “Trilhas de Petrópolis” do Waldyr Neto, na parte que trata do trecho Açu-Portaria Teresópolis. Tem uma boa descrição do caminho e esboços da trilha.
       
      Iniciei a subida pouco depois de 9 horas. Caminho fácil, que já havia trilhado. Mas estava quente e eu, ainda me recuperando de uma gripe, não estava em boa forma. Parava para recuperar o fôlego várias vezes, apesar de estar com uma mochila de apenas 13 kgs. O problema do primeiro dia da travessia não é se perder (a trilha é tranqüila e bem batida). O que pega é o grande desnível, creio que 1.200 metros. Logo antes da pedra do Queijo observei a derivação para a esquerda que desce e depois sobe para o morro do Alicate. A subida para o morro pela mata é bem íngreme. Imaginei o perêngue que o Ogum deve ter passado para subir para o cume do Alicate com uma mochila pesada. Cheguei na Pedra do Queijo e deitei um pouco para me recuperar. Acho que fiquei com hipertermia, pois demorei a recuperar o fôlego e diminuir os batimentos cardíacos com o descanso. Só depois de algum tempo segui para o Ájax. Lá enchi minhas garrafinhas de 500 ml. Só corria um filete de água. Sinal que esta é uma época seca.
       
      Cheguei 13:45 nos Castelos do Açu (~2.218 mts). Ou seja, 04:45da portaria até lá. Com bom preparo e pouco peso na mochila dá para fazer em 4 a 4,5 horas, possivelmente até menos. Os Castelos já fazem valer o passeio. Tem muita gente que só faz este trecho. A vista de noite do norte do Rio, iluminado, é muito bonita. Dá para ver também as luzes de Magé.
       
      Apesar de cedo já me preparava para armar acampamento, pois a previsão para o dia seguinte era de chuva. Preferia acampar ali para avaliar na manhã seguinte se haveria condição de atravessar. Não queria avançar sozinho e depois não ter visibilidade para voltar se a névoa fosse pesada amanhã. Porém surgiu um casal que ia fazer a travessia e pude acompanhá-los. Fiquei mais tranqüilo quando disseram que tinham previsão atualizada, mostrando que só haveria chuva no dia seguinte, pela tarde.
       
      Eram o Tacio e a Gerusa, escaladores experientes e muito safos em matéria de trilha. Estavam bem equipados.
       
      Retomamos a caminhada após encher os cantis na bica do Açu. O primeiro trecho é fácil de seguir, até a subida no cume do morro do Marco. Aí começa um trecho que muita gente se perde. Ao chegar no topo devemos virar a direita seguindo pela crista até achar uma mancha esbranquiçada na laje, onde ficava o marco. Descemos dali para o outro lado virando um pouco para a esquerda, descobrindo a trilha que se alterna entre lajes e terra. O caminho desce em direção ao Vale do Paraíso. Quase sempre descende em diagonal para a esquerda, como que mirando para o cume do Morro da Luva, a sua frente. Lá embaixo passa por uma pequena grota e sobe um morrete. Ao descer de novo vc já está na área de acampamento do Paraíso. Área bonita para acampar. Alguns conhecem o local por Geladeira. Embora Tacio quisesse seguir nem eu nem Gerusa estávamos com muita disposição. Ainda era cedo, 15:30, mas a subida para o Açu, desde o Bonfim, me deixou cansado. Além disso, o próximo lugar para acampar era depois do morro da Luva, ao lado de um pequeno riacho, onde não tinha certeza se haveria água.
       
      Ficamos por lá. O Tacio mostrou a barraca Quéchua da Decathlon. Fiquei bem impressionado com a qualidade dela. Era uma geodésica, baixa, não muito pesada e tinha pontos de fixação nas laterais. Parecia ser uma 4 estações.
       
      Preparamos a janta e jogamos conversa fiada. Falamos bastante de equipamentos e viagens. A lua estava quase cheia. O Paraíso é um lugar bonito. Pena que havia muito papel higiênico ao lado do caminho, obra de meninas sem a menor educação de trilha.
       
      Logo cedo choveu um pouco. Minha barraca amanheceu cheia de condensação no teto. Nada anormal para uma barraca de um só tecido. A Quéchua do Tacio estava com o sobreteto tb molhado por dentro. Estas montanhas são muito úmidas.
       
      Meus vizinhos fizeram um café da manhã numa sanduicheira em cima do fogareiro de benzina. Isto é que é gostar de sanduíche de queijo quente!
       
      Despertamos 5:30 e saímos 7 horas. Logo após o córrego a subida começa por uma belíssima mata nebular: árvores cheias de musgo e epífitas. Bromélias e orquídeas em profusão. Pequenas orquídeas com uma bonita flor vermelha enfeitavam a mata. Estas florestas são especiais. A alta umidade, deixada pelas nuvens de passagem, cria um belo ecossistema.
       
      Ao sair da mata uma bonita vista para trás do Açu. Na crista da Luva deixamos as mochilas e caminhamos para a esquerda para atingir o cume da Luva, envoltos pela névoa. Foi uma andada de cinco minutos. Tivemos sorte e as nuvens abriram um pouco permitindo uma vista do Sino. Descemos e continuamos a caminhada. Trilha fácil, bem marcada. Achamos o local de acampamento logo após a Luva. Ótimo local, com um riachinho correndo. Tem ótima vista em direção ao Sino. Mas é menos abrigado dos ventos.
       
      Enchi minhas garrafinhas e continuamos descendo. No lajeado, lindas Amarilis com sua grande flor vermelha. Não conhecia esta flor. Foi a Gerusa que me disse o nome. Nunca as vi na Chapada Diamantina. Parece que só brotam a alta altitude aqui no Sudeste (posteriormente, em trekking ao Pico das Almas, na Bahia, vi-as lá também).
       
      Seguimos pelas lajes até chegarmos ao fundo do vale onde se avista um corrimão de cabo de aço e dois pontilhões. Do outro lado o elevador. O elevador já é bem visível durante a descida rumo ao Morro do Dinossauro (como uma risca branca no morro). A subida do elevador não é assim puxada ou arriscada, pois a encosta não é vertical. Em vários pontos deixei de usar os degraus de ferro fincados na rocha porque achava que mais atrapalhavam do que ajudavam. O problema é que os degraus são muito projetados para fora.
       
      No topo novamente a névoa. Sorte que o Tacio estava com um ótimo GPS seguindo um track log. Quando desviávamos um metro da trilha o bicho avisava. Covardia! Perde um tanto o espírito esportivo, mas é muito confortável! Dá para confiar somente no GPS? Não. Ele pode quebrar. E outra coisa: aqui ele é útil seguindo um track log e não através de way points, pois entre dois way points pode haver um abismo...
       
      Seguimos até avistarmos o Vale das Antas. Belíssimo vale, mas quem chama a atenção mesmo é o Garrafão. Lá embaixo ótimo ponto para acampar, cercado por bambuzinhos. Lanchamos neste lugar.
       
      Lá soube que o Tacio ganhou de aniversário (que foi na véspera, comemorado acampados diante da Portaria do IBAMA), presente da Gerusa, a bonita mochila Deuter 70+15 Pro que usava (êta presentinho bom para ganhar da namorada!). Ela também estreava sua Deuter. Por isso estavam, ao meu ver, com uma mochila grande e pesada para a travessia (mais espaço que o necessário - elas são mochilas para travessias de uma semana): eles as estavam testando pela 1ª vez. Eu também faria a mesma coisa. Sempre somos fominhas para testar equipamentos novos.
       
      Atravessado um riacho (o maior da travessia) através de uma pequena ponte, começamos a subir por uma pequena mata. Quase no topo avistamos e passamos por cima da pedra da Baleia, que realmente lembra bem o dorso de uma Baleia.
       
      A vista do Garrafão a direita é espetacular. Um mar de nuvens cobria toda a vista abaixo de nós. Não avistávamos o Dedo de Deus. Apenas o gargalo e o tampo do Garrafão. Uma das coisas bonitas do montanhismo é a possibilidade de passear acima das nuvens.
       
      Depois começamos a descer para o último vale antes do Sino. Logo ali descolou o solado de minha bota Salomon. Sorte que estava com Silver Tape enrolado no bastão de caminhada. O remendo foi rápido.
       
      Começamos a subida íngreme.Em meio a névoa reconheci rapidamente o temido “cavalinho”, que havia visto em fotos. De longe assusta um pouco. Porém ao chegar perto percebemos que a inclinação não é tão acentuada e que possui agarras fáceis. É só não olhar para o abismo a esquerda. Para quem tem pernas compridas, como eu, é fácil fazer o movimento de montar um cavalo, para transpor a pedra (daí o nome cavalinho).
       
      Passado este ponto, continuamos a subir.Há uma escada de ferro adiante.Logo acima, quando descortinamos uma boa vista para um vale cheio de mata à esquerda, achamos a bifurcação que sobe para o cume do Sino.
       
      Lanchamos e subimos deixando as mochilas. Levamos os impermeáveis (utilíssimos nesta travessia). Os dois levaram máquina fotográfica. Após10 a 15 min o cume com um belo visual. Praticamente um tapete de nuvens encobria tudo que estivesse abaixo dos 1.800 –2.000 mts. Tiraram fotos. Lamentei não ter levado minha máquina. Não quis trazer pela previsão ruim do tempo e pelo peso. Um vento frio cortante chacoalhava meu poncho. Deve ser uma experiência e tanto acampar no topo do Sino (2.275 mts).
       
      Chegar no Abrigo 4 é fácil, visível do Sino. Ali reabasteci de água e descemos. Haja zig–zag até chegar à portaria em Teresópolis. É proposital para evitar a erosão. Porém apressadinhos fazem atalhos, cortando uma vertical. A erosão é evidente nestes locais. Pegamos bastante chuva na descida. Creio que não pegamos chuva até o abrigo 4 apenas porque ficamos acima das nuvens. A trilha é muito bonita e tranqüila.
       
      Ainda tive a mordomia de ter uma carona até a casa de minha tia no Rio, onde eu estava hospedado, gentilezas do Tacio e da Gerusa. Senão ia ficar num ponto de ônibus ainda esperando para ir para a rodoviária de Teresópolis e depois finalmente descer para o Rio. E estava num estado lamentável. Acho que nenhum ônibus iria parar pensando que se tratava de um vagabundo de beira de estrada...
       
      A travessia é belíssima. Comparável as mais bonitas que fiz na Chapada Diamantina. Sugiro evitar feriadões, pois fica muito muvucado, segundo relatos. E, também, ter uma boa experiência, mapa e prática de navegação (caso contrário, contrate um guia). Olhar a previsão do tempo, não só porque a trilha fica bem mais difícil com chuva e nuvens como também vc perde o espetáculo de ver o visual do Garrafão e o Dedo-de-Deus.
       
      Para evitar um impacto desnecessário aconselho deixar o banho para a volta, ou para o Abrigo 4, pois os córregos são pequenos e o sabão sempre polui a água. Além disso, a água normalmente é tão fria que vc não vai ter vontade de tomar banho mesmo. Evite lavar as panelas/pratos nos riachos. Lave-os a uma distância segura deles.
       
      Dá para fazer em dois dias. O pessoal de corrida de aventura faz até em um dia. O ideal é 3 dias, mais relaxado e com mais tempo para paradas e curtir as vistas.
       
      Tomo a liberdade de passar o link do site do Tacio e do blog da Gerusa, onde estão as fotos da travessia. Ele e Gerusa também tem relatos da caminhada nos seus blogs.
       
      www.tacio.com.br
       
      gerusapalhares.multiply.com
       
      Abraços, Peter
    • Por peter tofte
      Cachoeira do Rio das Lajes e do Mixila - Chapada Diamantina
       
      Um guia, amigo meu, o Miguel, mudou-se de Mucugê para Lençóis (Chapada Diamantina) e pediu-me para mostrar-lhe as trilhas para as cachoeiras do Mixila e do Rio das Lajes, que ele ainda não conhecia.
       
      Sábado, 21/03, saímos de Lençóis praticamente ao meio dia, atrasados por fortes chuvas que caíram desde a noite anterior. Para adiantar o lado, pegamos duas moto-táxi para foz do rio Piçarra, na estrada velha do garimpo, entre Lençóis e Andaraí. De lá subiríamos a Serra do Bode, começando a trilha. Devido à cheia, elas não conseguiram atravessar o rio Capivara. Os 20 minutos restantes do trajeto fizemos a pé. Mas valeu o adianto. Por 20 reais cada foi um passeio com emoção! Economizamos 2 horas de caminhada (8-10 km).
       
      Subimos a empinada serra do Bode em cerca de uma hora. No topo percorremos uma canaleta de garimpeiros, numa curva de nível ao longo da encosta do vale do Piçarra. Deixamos a canaleta no seu término (onde ela capta as águas do Piçarra) e com mais 10-15 minutos de trilha chegamos à tubulação abandonada. Andamos por cima desta e quase no final pegamos uma trilha a esquerda, seguindo o Piçarra, que também dobra a esquerda, rumo Sul.
       
      Com mais 25 minutos cruzamos o Piçarra e chegamos numa toca de garimpeiro bem estruturada, um bom lugar para acampar, onde dá para montar umas 5-6 barracas. Continuamos a seguir rumo Sul. A trilha recomeça atrás da toca. Com pouco tempo subimos para um lajeado extenso. A trilha não é difícil de seguir. Não há bifurcações que possam confundir. A única, meio apagada, vem bem depois do lajeado, à direita, e segue para o Morro Branco do Capão, normalmente só usada por garimpeiros. Foi uma das trilhas mais difíceis que fiz na Chapada, só que no sentido contrário, vindo do Capão. Mas, voltando a nossa caminhada, devemos pegar a trilha da esquerda, bem mais batida.
       
      Já pouco antes da toca do rio das Lajes, caminhávamos rapidamente, pelo adiantado da hora, com capinzal em ambos os lados da trilha. Quase piso numa cobra Coral. Ela cruzava o caminho e já estava com metade do corpo dentro do capinzal. Provavelmente como vínhamos rápido ela não teve tempo de se esconder totalmente. Os ofídios sentem a aproximação de pessoas pela vibração no solo. Minha pisada ficou a 10 cm da cobra. Parei em cima da bicha porque vinha rápido e o caminho em curva, com capim, não permitia ver muito adiante. A Coral não é uma cobra agressiva, mas se pisasse nela ela se defenderia me picando. O pior que estava estreando minha sandália e bermuda.Não teria nenhuma proteção contra a mordida! A maioria das picadas de cobra fica na altura do tornozelo ou abaixo, ponto para as botas de trekking. A sandália é muito mais leve e confortável (deliciosa se comparada a botas), porém tem esta desvantagem.
       
      Se, ao invés de uma Coral, fosse uma cascavel enrodilhada, tava ferrado. A 10 cm ela teria me dado um bote.
       
      Lição: sandália tem muitas vantagens sobre as botas, mas em terrenos de mato fechado e capinzal alto é preferível à bota, especialmente se vamos andar rápidos na trilha. Com sandália devemos ser mais cuidadosos e vagarosos na trilha.
       
      Cruzando um riachinho, escorreguei e na queda quebrei a seção inferior da minha Leki Makalu. Uma pena. Este excelente bastão já me prestou bons serviços em 2-3 anos de uso. O outro continuei usando como bastão de apoio.
       
      Perto da toca a vegetação cresce. Fiquei olhando para o chão preocupado com cobras e acabei metendo a cara numa grande teia de aranha que cruzava o caminho. Com a teia no rosto me virei para trás e perguntei ao Miguel se ele enxergava a aranha. Ele fez uma cara de espanto e rapidamente tirou o chapéu australiano dele e deu uma bofetada na minha cabeça, atirando longe a grande aranha que estava em cima do meu boné! Ainda bem que ela não parou no meu rosto.
       
      Antes de chegar na toca ainda atropelei com o rosto mais duas teias. Decidi usar o bastão na frente, erguido em riste, para evitar novas surpresas.
       
      A toca estava vazia. É uma das mais belas tocas da Chapada. Muito bonito o local e pertinho da cachoeira do rio das Lajes. Levamos 3 horas e pouco desde a estrada. Um bom pique!!
       
      Largamos as mochilas e descemos para o rio, subindo-o por 5 minutos até a cachoeira, para um banho e pegamos água para o jantar. A cachu tinha muita água devido às chuvas.
       
      A janta foi uma receita do Sergio Beck, de batatas e cebola com lingüiça calabresa (só precisa de uma panela). Fácil de fazer e gostoso. O saco é descascar batatas. O tempo de cozimento também é mais longo do que o tradicional macarrão.
       
      Montei a minha barraca em cima de um lajeado, debaixo do avarandado de pedras enquanto esperava cozinhar. O Miguel iria montar a dele na área que hora cozinhávamos. Nesta toca é possível dispensar as barracas
       
      Fizemos uma pequena fogueira para espantar os mosquitos (este é o lugar da Chapada que conheço que mais tem mosquitos). A fumaça e a noite espantaram os insetos. Infelizmente nem o paraíso é perfeito!
       
      Após a janta, já escuro, subimos para uma pedra e admiramos as redondezas sob céu noturno. Ao longe, direção leste, relâmpagos, para além dos Marimbus. Nosso céu, porém, estava estrelado sem nuvens.
       
      Durante a noite choveu um pouco, mas não percebemos debaixo do lajeado. O barulho da cachoeira não permitiu ouvir a chuva.
       
      Manhã de domingo nublada, mas no meio da manhã o tempo abriu. Mostrei ao Miguel onde continuava a trilha rumo ao rio Caldeirão (mais ao sul ainda). Após lavar os pratos e talheres com areia, subi o rio para tirar fotos e tomar um banho de cachoeira. O sol surgiu a tempo de me secar.
       
      Saímos tarde do acampamento, por volta de 11 horas, retornando pela mesma trilha. Rumamos para o cânion do Capivari, onde fica a cachoeira do Mixila. No dia anterior, quando deixamos a tubulação e viramos a esquerda, se tivéssemos ido em frente rumaríamos para o Mixila. Alguns mais velhos conhecem esta queda d’água como a cachoeira do Canto Escuro.
       
      Ao chegarmos na entrada do cânion, procuramos o bicano e nele seguimos pela margem direita (verdadeira) do Capivari. Ao final dele continuamos, a maior parte do tempo no leito do rio, num pula-pedra. Algumas vezes, em trechos curtos, íamos pelas margens. Observarmos marcas que mostravam que no dia anterior o rio estava bem mais alto devido às chuvas. Provavelmente teria sido impossível subir para a Mixila ontem.
       
      O Miguel foi à frente, pois ele é muito habilidoso em subir leito de rio (e não conheço a Mixila, apenas sei onde começa o cânion). Ele é um guia muito requisitado, um dos melhores da Chapada, aparecendo como guia em reportagens na revista Terra e Viagem.
       
      No caminho avistou uma cobra espada (não venenosa). Tentei fotografá-la, mas ela é muito rápida.
       
      O cânion fica estreito após 40 minutos de pula-pedra. Um paredão vertical não deixa espaço para as matas nas margens.Alias, não há margens!
       
      Avistamos uma grande queda d’água na parede lateral a nossa direita do cânion. Porém parecia algo criado pelas recentes chuvas, não uma queda perene.
       
      A partir de determinado ponto uma lagoa de águas cor de Coca-Cola. Só nadando dava para prosseguir. Largamos a mochila, coloquei o calção e segui nadando por 100 metros. Este poção termina numa pequena cachoeira com 6 a 8 metros de queda. Seria ela a Mixila? Fiquei decepcionado. Tentei subir pela pequena parede ao lado, mas estava molhada e escorregadia, cheia de limo e musgo. Não havia marcas de escalada (os pontos de apoio, as pegas na rocha, não têm musgo). Assumi que dali ninguém passava. Mas pude ver que o cânion continuava com mais duas cascatas acima.
       
      Voltamos e ainda demos uma parada num poção que fica logo antes da entrada do cânion. Descemos a serra do Bode, percorrendo agora a pé a estrada velha do garimpo. Alcançamos o rio Ribeirão já no escuro. Usamos as headlamps e chegamos em Lençóis quase 8 da noite, bem cansados.
       
      Passei numa agência e vi a foto da Mixila. Lembra um pouco a Cachoeira do Buracão em Ibicoara. Não chegamos nela. A cachoeira tem uma queda muito grande. Estava ainda a 30-40 minutos de onde chegamos. Não daria para ir e voltarmos antes do anoitecer.
       
      A Mixila ficará para outra vez, saindo mais cedo e com menos água no rio. É um trekking para 2 dias.
       
      Cachoeira do Rio das Lajes:
       

       
      Cachoeira lateral do canion, formada devido as chuvas (a caminho da Mixila)
       

    • Por peter tofte
      Relato do trekking na Quebrada Santa Cruz. Trekking fácil e tranquilo, mas que deve ser feito com alguns cuidados . Quem sabe incentive outros a fazer o mesmo roteiro conhecendo este país tão bonito que é o Peru.
       
      Antes de fazer o escrito, um relato fotográfico, para quem quer só imagens e não blá-blá-blá....
       
      Início da Quebrada Santa Cruz, em Cachapampa.
       

       
      Bonitas bromélias as margens do Rio Santa Cruz
       

       
      1º acampamento: Llama Corral.
       

       
      A bonita Laguna Jatuncocha, de água azul turquesa.
       

       
      Lupínios azuis. Exalam um perfume forte e agradável no meio do dia.
       

       
      Vou postando aos poucos, as fotos!
       
      Peter
    • Por peter tofte
      Pessoal:
       
      Segue um relato da caminhada à cachoeira Sertão Zen, em Alto Paraíso-GO. Para quem está em Brasília e tem o final de semana livre, é um bom programa. Foi sugestão do nosso trilheiro-mor, Jorge Soto.
       
      Peguei o busão da empresa Santo Antônio das 15:30 na rodoviária do Plano Piloto, sexta 16/07. Ônibus ruim, que lotou no trajeto, com muita gente no corredor. Pessoal quer ganhar dinheiro servindo mal a população (poucos horários, assim vai lotado). Num determinado momento alguns passageiros em pé gritaram “pneu, pneu motorista!”. Ferrou, pensei, furou o pneu. Na verdade era um ponto de ônibus que se chamava “pneu”, que o motorista já ia passar sem parar. Três pneus velhos presos numa estaca marcam o ponto na beira da estrada. Ri sozinho quando percebi minha conclusão apressada.
       
      Viagem chata, muita parada, só distraída pelo som do iPOD e pelo excelente “Matadouro 5”, livro de Kurt Vonnegut.
       
      Cheguei as 19 e pouco em Alto Paraíso, com frio e uma fina garoa. O recepcionista do Hotel Átrios – muito simples, perto da rodoviária, R$30 - disse que a garoa é típica desta época do ano, não era sinal de que iria chover.
       
      Comi uma pizza e fui dormir cedo.
       
      Levantei sábado às 05:30, pois o café começava às seis. Saí e só no meio da principal avenida da cidade, a Ary Valadão, descendo ladeira, percebi que havia esquecido a chave do quarto no bolso. E tome voltar ladeira acima para deixá-la na pousada.
       
      É fácil seguir para a trilha. Basta rumar em direção a Serra Paranã ao fundo, procurando por placas indicando “Loquinhas”.
       
      Planejei o caminho olhando no Google Earth. Acabei por pegar um atalho que subia direto, exatamente a Este da cidade (90º) meio que formando uma linha reta continuação da Avenida Ary Valadão, visível do alto do morro. A rota que a maioria do pessoal usa vai para a esquerda, seguindo a estrada (não ruma em direção as Loquinhas), e é bem mais longa, porém menos acidentada e com trilha bem mais fácil, visível.
       
      Chegando no topo da serra, avista-se um geralzão à frente, inclinado, descendo para o Norte, com uma cerca cruzando no meio do pasto (a cerca segue no sentido N-S). Não havia mais trilha. Andei até esta cerca, cruzei-a por baixo e segui para um morro solitário, um pouco à esquerda. Sabia que a cachoeira estaria mais adiante, a esquerda, atrás deste morro. Ao atingir o sopé do morro o terreno ficava pedregoso com mato baixo. Larguei a mochila e subi um pouco o morrete até umas pedras donde tirei o monóculo do bolso. Dava para avistar ao longe, Norte, um geralzão com mata ciliar e uma trilha clara. Era o caminho normal para a cachoeira. A mata ciliar que avistei protege um dos rios que vai cair na cachoeira. Tinha memorizado isto quando consultei o Google Earth.
       
      Eu estava entrando no vale de um riozinho seco (nesta época) que se juntaria ao outro avistado, formando um Y logo antes da cachoeira. Terreno chato, empedrado, com muita canela de ema e árvores retorcidas e espinhosas, típicas do cerrado. Como o terreno estava difícil e sem trilha resolvi sair deste valezinho, sair do leito do rio que agora tinha alguma água empoçada, e subi uma pequena crista para alcançar do outro lado o geralzão (ô coisa deliciosa de andar, um geralzão!). O que parecia perto foi um demorado e cansativo vara-mato, na verdade um campo pedregoso bem sujo.
       
      Quando cheguei na mata ciliar bebi avidamente água do córrego. Cruzei-o e subi o campo geral procurando a trilha, que achei 1 ou 2 minutos após. A trilha descia rumo Leste e cruzava mais abaixo o riozinho. Segui e mais adiante perdi a trilha. Tomei a direção que o relevo indicava ser a da cachoeira e fazendo zig-zag acabei achando novamente a trilha. Ela segue sem problemas até descer para o leito de um rio (o mesmo, seco, que havia encontrado antes, mas agora já com água corrente). Se eu tivesse continuado a descer naquele valezinho seco iria parar ali.
       
      Leito fácil de seguir com pouca água. Visual bonito. Em 20 minutos ou menos aparece uma “muralha” de pedra à direita do rio e observa-se uma trilha saindo do leito e passando a direita desta muralha. Sobe e, no que desce, cai já em cima do poção superior da Sertão Zen, de onde ela inicia sua queda. Poção bonito, ótimo para banho (sem tromba-dágua!). O visual é de uma piscina infinita, aquela que tem em alguns hotéis 5 estrelas e $$$$$. A diferença é que aqui é natural, mais bonita e não custa nada! Lindo local.
       
      Tirei a roupa e, como estava sozinho, mergulhei nu. Fotos e mais fotos. Um vento forte, vindo do vale dos Macacos, fazia gotas da cachoeira subirem. Algumas vezes olhei para o céu pensando que iria chover até descobrir que era apenas a força do vento fazendo a água vencer a gravidade.
       
      A arquitetura das rochas de ambos os lados e acima da cachoeira é muito interessante. Procurei a “sentinela” uma formação rochosa conhecida, mas não achei. Tome-lhe tirar fotos (depois em casa, olhando uma delas, acho que descobri a “sentinela”!).
       
      Procurei a descida para o vale dos macacos, mas não avistei (Jorge Soto tb não achou).
       
      Fiquei uma hora para duas horas curtindo aquele cenário e almocei. Lá havia apenas um pequeno espaço onde dava para montar a barraca, perto do poção. Mas como no dia seguinte teria que pegar o busão de volta para BSB às 15 horas, eu achei melhor voltar um pouco, pela rota normal, porque ainda era cedo e queria chegar rápido, domingo, em Alto Paraíso.
       
      Também um monte de gravetos perto do único lugar bom indicava que a água subia quase até lá (tromba d’água?). Não chove nesta época, mas quem garante! Quando era um trekker novato já acampei em bancos de rio. Mas já gastei toda a sorte dos tolos e não arrisco mais.
       
      Voltei e ao tomar o geralzão, após cruzar novamente o riacho, uma trilha fácil segue NO mantendo a mata ciliar a bombordo. Depois de 1 hora aproximadamente a trilha vira abruptamente à esquerda e segue Oeste. O caminho continua mantendo a mata ciliar à esquerda, se afastando a medida que avança pois o sendero sobe levemente enquanto a mata fica no vale pouco abaixo.
       
      Mais uma hora e cheguei num ponto mais alto, com árvores retorcidas onde avistei Alto Paraíso. Pronto, agora conhecia a rota normal e sabia quanto tempo necessitaria no dia seguinte para chegar a “Paradise”.
       
      Não é a toa que o pessoal prefere esta trilha para a Sertão Zen. Muito fácil e muito aprazível.
       
      Voltei e desci para a mata procurando água. Não gosto de acampar longe da água, por motivos óbvios. Além disso, meu estoque tava baixo. No ponto mais próximo de mata ciliar, tudo seco. Continuei descendo, desta vez seguindo por uma trilha do outro lado da mata, paralela a esta. Por mais duas vezes entrei na mata atrás de água. Nada. Fiquei chateado, pois estava voltando em direção a Zen. Mas sabia que cedo ou tarde apareceria água.
       
      Vi um ponto para onde a trilha seguia, sem mata, onde deveria estar o curso normal do córrego. Quando me aproximava um tucano levantou vôo de uma árvore próxima. Primeira vez que avisto este pássaro fora de um zôo! E logo abaixo o córrego, agora com água corrente.
       
      Tratei de tirar a mochila e escolher um local para acampar mais afastado do riacho. Capinzão bom para armar a barraca. Tirei os artigos de cozinha e fui fazer a minha comida liofilizada junto ao córrego. Primeiro uma sopa, depois o prato principal.
       
      Enquanto a água esquentava fui até o local da barraca, pisoteei o capim para procurar pedras e tocos e, satisfeito, armei a tenda.
       
      Após a janta um banho de panela. Pego a água, me afasto das margens e jogo em cima do corpo. Tem que repetir esta operação várias vezes. Depois ensaboar e fazer a mesma coisa. Mais importante ainda se afastar para não poluir o rio com sabão.
       
      Alimentado, limpo, assisti a um belo por do sol. Li e ouvi música um bocado antes de dormir. Noite com uma temperatura super agradável. Apenas um pouco de chuvisco. Estou gostando muito do colchão NeoAir da Therm-a-rest. Levíssimo e confortável.
       
      Domingo acordei bem cedo, por volta de 4:30 para 5 horas. Queria sair logo. Mas como tardou para clarear o dia! Esqueci que estava bem mais a Oeste que Salvador/Bahia.
       
      Após o café desarmei a barraca e tratei de recompor o capim amassado pela tenda. Este foi um dos lugares mais tranqüilos e bonitos que acampei aqui no Brasil.
       
      Voltei pelo caminho normal do dia anterior e depois de boa descida cheguei ao início da estrada de terra. Caminhando, um fusca 72 parou ao meu lado e um goiano muito gentil ofereceu carona. Agradecido subi no carro e o motorista além de me levar para a cidade saiu do caminho dele e me deixou em frente à pousada. Gentileza assim só no interior do Brasil!
       
      Cheguei bem cedo. Tive tempo de tomar um banho, almoçar e passear pela cidade. Visitei o Centro de Informações Turísticas. Descobri que a Sertão Zen praticamente é a única aberta a visitação sem exigir pagamento. As demais estão dentro de áreas particulares e cobram taxas. Parece um “pay-per-view”.
       
      Pior ainda é o P.N. da Chapada dos Veadeiros, proibindo acampar dentro do Parque. No P.N. da Chapada Diamantina isto não ocorre, por isso tem tanto fluxo turístico para lá!
       
      Parques muito melhores e muito mais conservados da Argentina e Chile não proíbem camping. Eles apenas indicam a área onde podemos acampar. Mesma coisa nos Estados Unidos. Na Europa quando limita é porque tem abrigos nas montanhas (refúgios) dentro do parque.
       
      Recomendo este passeio, muito fácil e tranqüilo, para um final de semana, se estiverem em Brasília. Dá para fazer bate e volta (Alto Paraíso-Sertão Zen) no mesmo dia, se não quiserem acampar.
       
      As fotos, postarei em seguida.
       
      Boa viagem e pé na estrada!
       
      Peter
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