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morganriva

Uma volta na Bolívia em 22 dias: Santa Cruz - Sucre - Uyuni - La Paz - Isla del Sol - Huayna Potosí - Cochabamba

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Morgan vi que vc levou uma Nikon D3100 e gostaria de saber qual lente você levou para fazer os registros? Valeu a pena levar a Gopro e a câmera? Estou na dúvida se levo as duas tbm ou só uma.

 

Parabéns pelo relato e estou no aguardo pela continuação. Abraços

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Muito legal seu relato, está em ajudando muito com muitas dúvidas que tenho sobre a minha viagem, vou sozinho agora no dia 09/09, aguardo ansioso a continuação!!!

Bom saber sobre as agencias, eu havia mandado emails para a Colque e Cordillera, as duas me passaram preço igual 950 bolivianos, vou deixar para fazer a reserva quando chegar lá!

A minha dúvida é: vc so conseguiu onibus direto de Sucre para Uyuni as 9:30 da manha??? Porque pra mim seria melhor passar o dia em Sucre e tentar um onibus noturno chegando de manha em Uyuni para economizar com hospedagem e aproveitar melhor o dia.

Aguardo resposta, parabens pelo relato!

Thiago

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Muito legal seu relato, está em ajudando muito com muitas dúvidas que tenho sobre a minha viagem, vou sozinho agora no dia 09/09, aguardo ansioso a continuação!!!

Bom saber sobre as agencias, eu havia mandado emails para a Colque e Cordillera, as duas me passaram preço igual 950 bolivianos, vou deixar para fazer a reserva quando chegar lá!

A minha dúvida é: vc so conseguiu onibus direto de Sucre para Uyuni as 9:30 da manha??? Porque pra mim seria melhor passar o dia em Sucre e tentar um onibus noturno chegando de manha em Uyuni para economizar com hospedagem e aproveitar melhor o dia.

Aguardo resposta, parabens pelo relato!

Thiago

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Pessoal, desculpem a ausência! Logo logo posto o próximo dia!

Enquanto isso algumas respostas:

 

 

Prisilva

Resolvi que tbm vou ao Huayna Potosi.

Kd vc pra relatar a sua experiência, amigo?

Eu vou com calma, sabe. Dependendo da reação do meu corpo diante da altitude e como será meu rendimento nos dois primeiros dias no rolê do Huayna, vou tentar ir até o topo mas, vou respeitar os meus limites. Provavelmente vou contratar um guia só pra mim, pra não prejudicar ngm, já que será minha primeira aventura nesse tipo de subida.

 

Pri,

Que legal! Recomendo muito a subida. Já que você decidiu subir Huayna, recomendo que faça uma boa aclimatação antes, que é o fator mais importante pra chegar ao topo. Não chegue na Bolívia e vá logo pra montanha, passe pelo menos uns 7 ou 10 dias em altitude superior a 3.000m.

Quanto ao guia, ter um só para você é também muito importante. Eu fui assim, mas foi por sorte. Recomendo que você procure uma agência que ofereça isso mais usualmente. É mais caro, mas vale a pena com certeza! Se você tiver que desistir não atrapalha a subida de ninguém, e se alguém tiver que desisitir não atrapalha a sua subida. Agências que ouvi falar muito bem: Altitude6000 e Refúgio Huayna Potosí.

 

 

viniciusgomez

Morgan vi que vc levou uma Nikon D3100 e gostaria de saber qual lente você levou para fazer os registros? Valeu a pena levar a Gopro e a câmera? Estou na dúvida se levo as duas tbm ou só uma.

 

Parabéns pelo relato e estou no aguardo pela continuação. Abraços

 

Oi, Vinicius

Levei a lente 18-55, padrão da câmera.

Achei que valeu a pena levar as duas sim. A GoPro com o bastão foi muito útil para as selfies (rsrs), pro downhill (acoplada no capacete), pra escalada (por ser leve), e também tira boas fotos de paisagem por causa da lente grande angular. Mas quanto à qualidade de imagem nada como a Nikon... Confesso que fiquei com medo por questões de segurança, mas correu tudo bem!

 

Thiagopvix

A minha dúvida é: vc so conseguiu onibus direto de Sucre para Uyuni as 9:30 da manha??? Porque pra mim seria melhor passar o dia em Sucre e tentar um onibus noturno chegando de manha em Uyuni para economizar com hospedagem e aproveitar melhor o dia.

Aguardo resposta, parabens pelo relato!

Thiago

 

Thiago,

 

Desculpa a demora para responder. Tem ônibus direto noturno sim, se não me engano sai às 20h30 e chega em Uyuni antes do amanhecer, se tudo der certo.

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Fiquei muito tempo sem escrever, sorry! Mas tô de volta!

Mudei de cidade, de trabalho, de vida, mas agora tô instalado e tenho até um escrivaninha pra digitar! Aí vai!

 

DIA 6 - UYUNI | Lagunas de todas as cores

 

Eu acabei ajustando meu relógio de pulso pra despertar as 6h, então acordei antes de todo mundo. Quando deu 6h30 e o relógio da Beatriz despertou eu já estava em pé e tinha tudo arrumado.

Esperei o pessoal para tomarmos café da manhã juntos. Foram só uns pães secos com geleia, cream crackers, chá e café (solúvel). Nada demais, mas por incrível que pareça eu gostei muito dos pães secos da Bolívia!

Alguns grupos já tinham saído e outros não tinham nem começado a tomar café ainda, acho que os guias combinam uma agenda de horário de partida, pra não saírem todos juntos.

Saímos do hotel de sal com as nossas mochilas por volta das 7h45,um pouco depois do combinado, e ainda levou um bom tempo pra o Miguel arrumar tudo em cima da 4x4, de modo que partimos só depois das 8h. Estava um friozinho suportável e a manhã já estava bem ensolarada. Fui novamente no banco da frente.

Antes de sair do vilarejo o Miguel perguntou se queríamos parar no armazém para comprarmos água e snacks. Todos concordamos. Não sabia que tinha um armazém por perto. Foi uma surpresa boa, porque o meu estoque de água já estava no fim. Achei engraçado o nome do mercadinho, comentei com o pessoal, mas só a Beatriz entendeu o trocadilho:

 

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Seguimos pela estrada poeirenta que margeava os trilhos do trem. Depois de uns 45 minutos, paramos em um ponto e tiramos algumas fotos nos trilhos. Às vezes alguns grupos nos ultrapassavam, às vezes ultrapassávamos alguns grupos.

Depois dessa parada andamos por mais cerca de 1 hora. Em um ponto a estrada de chão fazia uma intersecção com uma rodovia maior, onde naquela hora estavam passando muitos caminhões. Acabamos ficando atrás deles e pegamos MUITA poeira, a ponto de não ser possível enxergar 10 metros a frente. O Miguel teve que reduzir bastante a velocidade.

Em poucos minutos fizemos mais uma parada, dessa vez no mirador do Vulcão Ollage. O vulcão ficava relativamente longe do mirador, mas era possível ver a fumaça que sai constantemente das suas fumarolas. Estávamos a mais de 4.100m de altitude e o topo do vulcão fica a 5.870m. Ficamos lá por cerca de meia hora.

 

Embarcamos novamente e seguimos caminho, dessa vez para as lagunas. Nesse trecho da estrada você entende por que é preciso de tração nas quatro rodas pra fazer o tour. A estrada (se é que se pode chamar aquilo de estrada) é um amontoado de pedras, cheia de sobes e desces, que percorremos bem devagar. O motorista tem que conhecer muito bem o caminho pra não deslizar e ficar com a roda presa em algum buraco. Depois de chacoalharmos muito por cerca de 1 hora, chegamos a primeira laguna, a Laguna Hedionda. Linda, azulada, refletindo as montanhas e os vulcões, cheia de flamingos. Um pouquinho fedida, porém.

Como já era quase meio dia, decidimos almoçar por lá mesmo. A comida foi parecida com a do dia anterior, arroz, salada, carne e coca-cola. (Tudo frio, menos a coca-cola). De sobremesa, maçã farelenta. Almoçamos sentados nas pedras apreciando a vista da laguna.

 

São muitas lagunas nesse segundo dia e é um pouco difícil lembrar o nome de todas elas, mas a próxima parada foi, se não me engano, na Laguna Blanca. Essa é a famosa laguna com uma plaquinha de "wi-fi" no meio do nada. Sempre pensei que fosse piada, inclusive no dia, mas me contaram depois que realmente tem wi-fi e que realmente funciona. É preciso pagar alguma coisa pra usar, se não me engano 15 Bs. O Miguel nos deixou na beira da Laguna e fomos andando pela margem, tirando fotos, pra encontrarmos ele na casinha onde fica a "administração" e os banheiros. Ficamos lá por uns 15min, não mais do que isso.

 

Em seguida fizemos uma breve parada na Laguna Honda, só pra tirar umas fotos.

 

Pouco depois das 15h chegamos no Árbol de Piedra. O árbol é uma formação rochosa esculpida pelo vento em forma de árvore. Ficamos cerca de meia hora lá, tiramos muitas fotos, escalamos algumas rochas e eu aproveitei pra ir no banheiro (tem um banheiro lá). Há um tempo atrás as pessoas escalavam o árbol, mas hoje em dia isso é proibido. Não que exista alguém cuidando, mas tem uma placa lá.

 

Em seguida partimos para aquela que seria nossa última parada: a tão esperadaLaguna Colorada. O Miguel explicou que a laguna tem essa cor por causa de uma espécie de alga que vive na água, mas que só as algas não são suficientes. Para se ver bem a cor vermelha é preciso que haja vento, e o melhor horário pra ter vento é no final da tarde. Eu estava torcendo por um furacão, porque já soube de várias pessoas que foram para lá e, por falta de vento, só viram a Laguna Rosa-bebê.

Quando estávamos chegando na Laguna o Sam começou a fazer várias perguntas SEM NOÇÃO pro Miguel, e a gente riu demais!

Primeiro ele perguntou "por que a Laguna era vermelha?". Ok, essa o Miguel respondeu.

Aí ele perguntou "por que essas algas que dão a coloração vermelha só estão nessa laguna e não estão nas outras?". ::essa:: . O Miguel riu e disse que em 15 anos como guia nunca ninguém tinha perguntado isso. Naturalmente ele não sabia a resposta.

Não satisfeito, ele perguntou "por que alguns flamingos eram mais cor-de-rosa e outros menos?" Acho que essa o Miguel chutou e respondeu que era por causa da alimentação deles.

Então o Sam fechou com chave de ouro e perguntou ''quantos flamingos ao todo vivem nas lagunas?" Nessa hora já estava todo mundo gargalhando. O Miguel despistou e disse pra ele perguntar pro pessoal lá da Laguna Colorada, porque eles deveriam saber. ::lol4:: .

 

Chegamos na Laguna e ela estava IMPRESSIONANTEMENTEVERMELHAAAA!!! Tinha bastante vento e estava bem friozinho. Era um dos lugares que eu estava mais ansioso pra conhecer na Bolívia e fiquei muito feliz que as condições estavam boas. É algo difícil de imaginar, uma lagoa com água vermelha, encarnada como sangue. Com certeza é um dos pontos altos do tour pelo Salar. Ficamos uns bons 20 minutos circulando a laguna e tirando fotos. Assumi meu papel de fotógrafo oficial da equipe e tirei fotos pra Beatriz e pro Sam. Em seguida voltamos para o carro, já eram cerca de 16h30. Enquanto tirávamos fotos o Sam aproveitou para passar no postinho turístico da Laguna e perguntar quantos flamingos vivem nas região. 400.000, foi o que disseram pra ele. Aposto que só inventaram um número pra ele, só pra satisfazer o guri. Ninguém deve saber isso.

 

A Laguna Colorada era a última parada do dia. Antes de ir para os alojamentos, todos os grupos têm que passar no posto de controle do Parque Nacional pra conferir os boletos. Rola um certo congestionamento de pessoas nessa hora, porque o posto é bem pequeno pra tanto turista. Saímos do posto e partimos para o refúgio onde iríamos passar a noite. Entramos em um pequeno vilarejo, vazio, desolado, e paramos em um dos refúgios. O Miguel desceu para conversar com os responsáveis, mas já estava lotado. Acho que o Miguel (e todos os outros guias) tinha preferência por aquele, provavelmente porque era mais barato. Pelo que eu entendi tem várias opções de alojamento e os guias precisam ir procurando vagas. Eles devem dar preferência para os mais baratos. Partimos para um segundo, e este estava vazio. Fiquei muito feliz porque tinha uma placa de "Ducha Caliente - 15Bs" na frente! Sempre tinha lido que não tinha banho quente na segunda noite... Entramos e arrumamos nossas coisas no quarto. Não anotei que horas eram, mas acho que era por volta de 17h., ainda demorou um tempo até anoitecer. O quarto era bem grande, tinha sete camas, de modo que dormimos todos juntos.

A Beatriz e eu fomos imediatamente conseguir informações sobre a ducha caliente com os donos do refúgio. Os gringos, claro, não estavam nem ligando pro banho. A Beatriz foi pro banho antes e voltou superfeliz com os seus cabelos molhados e cheirosos. Como acabou a água quente, tive que esperar uma meia hora até que aquecessem de novo. Enquanto isso, o Sam e o Peter preparavam um jogo de poker. Como não tinham fichas, pegaram uns pedacinhos de papel e escreveram os valores neles. Não é só brasileiro que faz gambiarra!

 

A moça do refúgio foi me chamar, meu banho estava pronto. Fui para o banheiro, um cômodo grande, escuro, com dois boxes e piso de concreto. Tirei a roupa tremendo, corri pro chuveiro, mas quando virei o registro não saiu um pingo de água. Estava com muito frio e sem roupa, e o banheiro ficava longe da cozinha, onde estava a moça do refúgio, então não tinha como chamá-la sem me vestir de novo. Imaginei que ela tivesse fechado algum registro quando foi esquentar a água e depois esquecido de abrir. Não deu outra. Me pendurei em cima do forno que esquentava a água e abri o único registro que eu vi. Funcionou. Tinha água quente, mas era só um fio finíssimo! A maior parte do corpo ficava no ar gelado do banheiro e eu tinha que ficar o tempo todo numa dança frenética embaixo do chuveiro. Um minuto depois apareceu a moça do refúgio correndo no banheiro, porque tinha esquecido de abrir o registro para mim. Eu disse que tinha percebido e já tinha resolvido o problema rsrs. Como não estivesse adiantando a dança embaixo d'água, fechei logo o registro e comecei a me secar. Nessa hora achei que fosse morrer de hipotermia, quase congelei! Definitivamente me arrependi desse banho, não valeu a pena.

 

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Quando voltei o pessoal estava terminando de jogar o seu poker, que aparentemente não foi muito emocionante. Esperávamos que fossem aparecer mais grupos no refúgio, mas não, estávamos sozinhos. Passamos um tempo conversando sobre nossas vidas "fora do deserto", até chegar o jantar. Foi um espaguete com molho de tomate bem gostoso. Depois o Miguel apareceu com uma garrafa de vinho para nós (eu já estava ansioso por essa garrafa!!!). Convidamos ele pra beber com a gente, mas ele disse que não podia, porque tinha que dirigir no dia seguinte. Comprometido, né? Na verdade não duvido que depois ele tenha se reunido com os outros guias no vilarejo pra tomar umas pinga, mas quem sabe né? O que importa é que na manhã seguinte ele estava inteiraço. Uma garrafa pra 6 é bem pouco, deu menos de meio copo descartável pra cada um, mas enfim. As 20h as luzes iam ser apagadas, e como não tinha nada mais interessante pra fazer e tínhamos que acordar as 4h na manhã seguinte, fomos dormir. Quase todo mundo dormiu nos sacos de dormir, mas eu confiei nas cobertas e deixei o saco guardado. Não me arrependi, foi tranquilo. Apesar de ter levantado duas vezes no frio e no escuro pra atender as necessidades do meu intestino em revolução, foi uma boa noite de sono.

 

Próximo dia: gêiseres e volta pra Uyuni!

 

Gastos do dia: No armazém, pela manhã, cerca de 40 Bs.

 

Aí vão as fotos:

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DIA 7 - UYUNI | The long way back...

Meu relógio despertou às 4h e ao contrário de todo mundo me pus de pé logo, cheio de disposição Get uuup, bit****, let's see the geysers!!!.

 

Já tinha deixado tudo mais ou menos arrumando na noite anterior, então não tive que ajeitar muita coisa. Fui tomar café (o mesmo de sempre), mas esperei a galerê pra comermos juntos. O pessoal do refúgio já tinha madrugado e deixado tudo pronto. O Miguel chegou logo em seguida (até hoje não sei onde ele dormiu, não foi em nenhum quarto perto do nosso) e partimos pra arrumar as coisas no carro. Estava bem frio, provavelmente menos de 0ºC, talvez uns -5ºC. O céu estava limpo e incrivelmente estrelado! Tirei uma foto das estrelas, que ficou ótima:

 

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Enquanto eu imaginava como a minha foto ficaria na capa da National Geographic, partimos por volta das 5h30.

 

Estava ainda escuro e o nosso sono foi sendo sacudido na estrada de chão. Dessa vez fui no banco de trás (do meio) e fiquei um pouco mais confortável que nos dias anteriores. Como o carro do Miguel não tinha rádio, o Peter botou o iPhone dele pra tocar. Descobri que ele é um belga que gosta de rap. Não sei quanto tempo de viagem foi, mas acho que foi mais de 1h30.

 

Estava amanhecendo quando chegamos na região dos gêiseres e o lugar já estava cheio de carros e turistas por lá. O Miguel nos deixou próximos do gêiser maior e nos deu 20min pra encontrarmos ele do outro lado. Primeiro tiramos umas fotos no gêiser "principal", botando a mão no vapor (pode pôr, não é tão quente), pulando no meio, posando do lado... o cheiro de ovo podre (enxofre) dominava. Depois fomos caminhando pelo meio do terreno fumacento, que parecia cena de outro planeta (dá pra ver bem no 3:11 do meu vídeo). Não consegui tirar fotos muito boas lá. Quando liguei minha Nikon apareceu que estava sem bateria. Acho que foi por causa do frio, porque mais tarde eu liguei ela de novo e funcionou o dia todo.

 

Encontramos o Miguel (acho que uma meia hora depois) e partimos para a piscina de águas termais. Chegamos lá por volta das 7h30. O Sol já tinha nascido, mas ainda deveria estar 0ºC. Esse era o visual:

 

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Eu tinha botado na minha cabeça que ia entrar naquela piscina (ou banheira, como queiram) NO MATTER WHAT! Tinha até vestido sunga por baixo.

 

MAS

 

Quando chegamos o Miguel disse que estávamos atrasados e que tínhamos vinte minutos (rapaz apressado). Eu fiquei pensando em entrar no vestiário, tirar as 36 camadas de roupa, entrar na piscina, ficar 1 minuto e ter que sair, me secar no ar congelante, vestir as 36 camadas de roupa de novo... Deu uma preguiça...

 

OK EU AMARELEI, ME CONDENEM.

 

Mas ninguém mais entrou, exceto o Sam, que estava há dois dias sem tomar banho. Ele foi entrando, pé ante pé, tremendo com o frio de fora mas sem coragem de entrar no calor da água, que aparentemente estava muito quente. Eu fiquei circulando, tirando fotos. Fui ao banheiro, mas constatei que ele não tinha os... digamos... instrumentos necessários para as minhas necessidades. Meu intestino estava ainda em motim contra as comidas estranhas da Bolívia.

 

O Miguel já estava nos chamando pra sair de novo, tinha horário pra chegar na fronteira, mas o Sam ainda estava na água. Ele tinha encontrado a Alice e o Tobias lá (que ele já conhecia e eu conheci no primeiro dia, lembram?). Momento cumadre: mais tarde a Alice e o Sam seguiram viagem juntos e eles estão namorando hoje, a contar pelas fotos do Facebook. ::love:: Apressamos o Sam pra sair e seguimos viagem de novo.

 

Fizemos uma parada rápida na Laguna Verde e seguimos para a fronteira, onde o Chris, o Andreas e o Peter iam seguir para o Chile. No caminho encontramos um bichinho muito curioso na beira da estrada, no meio do nada. Parecia um cachorro selvagem, ou uma raposa, ainda não sei que espécie é. O bicho parecia que não tinha muito medo da gente, chegou até bem perto, mas quando nos aproximamos pra tirar fotos saiu correndo. Muito bacana. Não consegui tirar uma foto boa, mas o Peter tirou essa que ficou ótima. Segue:

 

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Chegamos na fronteira por volta das 9h30-10h e posso dizer que a aduana Chile-Bolívia é um lugar bem peculiar. Fica no meio do nada, no sopé da montanha, uma casinha precária de pedra:

 

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Tinha dezenas de carros lá, tanto dos turistas que vinham de Uyuni quanto daqueles que vinham de San Pedro do Atacama. A Beatriz, o Sam e eu, que iríamos voltar para Uyuni, iríamos trocar de carro e voltar com um outro guia, porque o Miguel ia pegar mais uma galera pra fazer o tour no sentido contrário (essa é a vida repetitiva de um guia do Salar de Uyuni). O resto da galera embarca em um bus e atravessa a fronteira até San Pedro. Ali no meio tinha alguém servindo café da manhã (pão, chá, café, biscoitos...). Não sei se era pra gente também, mas atacamos! Encontrei um casal de brasileiros de Salvador ali, estavam vindo de San Pedro e iriam começar o tour pelo Salar naquele dia. Foi um alívio poder falar português de novo, já estava sentindo falta.

 

Hora de seguir caminho. Nos despedimos, trocamos e-mail, Facebook... Fiquei de mandar as minhas fotos pra eles. Chris, Andreas e Peter seguiram pro Chile e Beatriz e eu entramos no outro carro pra voltar pra Uyuni. Mas o Sam, que voltaria com a gente, simplesmente desapareceu! Procuramos por ele por todo o lado, mas quase todos os carros tinham partido já, então chegamos à conclusão que ele tinha voltado no carro com a Alice e o Toby (sem nos avisar). Fiquei preocupado pensando que ele provavelmente morreria naquele deserto se ficasse sozinho. Mas seria um bom castigo por sumir sem avisar. Enfim, seria uma longa viagem de volta! Partimos sem Sam mesmo. O carro era bem parecido, mas esse tinha rádio. Além de nós dois estavam no carro mais um casal de franceses (bem caladões) e dois alemães (esqueci completamente os nomes deles...).

Pelo menos 1h depois fizemos uma parada rápida em mais uma laguna (Blanca?) e seguimos viagem. Meu sistema digestivo estava em ação!

Um pouco depois paramos em um ponto da estrada para o almoço, mas como estava ventando muito decidimos seguir viagem novamente. Chegamos então em um pequeno vilarejo, que ficava em uma planície verdejante cercada por montanhas e cortada por um riacho, onde lhamas e alpacas bebiam água tranquilamente. Parece bonito, não é?

FOD*-**, eu tava pouco me lixando pra paisagem, queria logo é encontrar um banheiro!!! A princípio fiquei animado, porque estávamos em uma vila ( = civilização), e provavelmente eu iria encontrar uma vendinha com um banheiro disponível (mediante propina, claro). Mas não era meu dia de sorte: era feriado (1º de maio) e estava tudo fechado.

 

FUCK

 

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Enquanto o motora preparava o almoço, fiquei andando pelo lugar fingindo que tirava fotos das lhamas. Na verdade eu estava mesmo é procurando por um cantinho ~seguro~. Como não achei nenhum lugar ~seguro~, voltei para o carro e, glória à Pacha Mama, meu intestino relaxou. Nesse almoço decidi aderir ao GO VEGAN! e só comi os vegetais, porque não tava a fim de comer picolé de frango mais uma vez. Conversei pela primeira vez com os franceses caladões. Depois de Uyuni eles também iriam para La Paz. Perguntei se eles também iam de Todo Turismo, mas eles disseram que iam de avião.

 

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Seguimos caminho mais uma vez. (depois de um “Síííí” uníssono quando o motora perguntou se tínhamos gostado da comida. Aham). Alguns quilômetros depois o motorista decidiu parar em um lugar da estrada que ele disse que normalmente os outros motoristas não paravam. Era uma região (que eu não lembro o nome), com umas formações rochosas bem peculiares. Ficamos lá por cerca de meia hora, tiramos muitas fotos (a Beatriz tirou várias fotos péssimas com a minha câmera) e seguimos viagem. Nessa hora já estava superzen e tinha chegado à conclusão que conseguiria aguentar até o próximo banheiro. De fato aguentei. Quando eram cerca de 17h chegamos em uma cidadezinha próxima a Uyuni, um lugar bem pequeno e pobre, cuja economia depende de uma mineradora japonesa que extrai metais da região, e paramos para esticar as pernas & ir ao banheiro. UFA. Aquele foi provavelmente o banheiro mais sujo que fui na vida (sério), entrei na ponta dos pés pensando NÃO RELA EM NADA NÃO TOCA EM NADA PASSOS DE GATO, mas não reclamei, pelo menos era um banheiro. Tinha que pagar 0,50, mas como eu não tinha troco o tiozinho da “bilheteria” deixou por assim mesmo. Não tirei foto do banheiro (claro), mas era mais ou menos assim:

 

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Voltei pro carro feliz e realizado para seguirmos para Uyuni. Chegamos por volta das 17h30, em frente à agência. Nos despedimos do pessoal e seguimos Beatriz e eu pra comprar uma passagem pra La Paz. Enquanto andávamos encontramos ADIVINHA QUEM? O Sam! O fdp de fato tinha ido com o carro do Toby e da Alice sem nos avisar... Eles iam passar a noite em Uyuni e depois seguir viagem, se não me engano para Sucre.

Chegamos na Todo Turismo e por acaso tinha um assento vago, de uma pessoa que havia cancelado, mas a Beatriz achou muito caro e decidiu procurar nas outras empresas próximas. Acabou comprando uma bem mais barata, acho que 80 Bs. Não lembro o nome da companhia, mas deve ser algo do tipo “Perrengue Turismo”. A Beatriz só iria ficar um dia em La Paz, porque tinha voo para Bogotá na manhã seguinte, mas ainda não tinha hostel onde ficar lá. Passei os dados do Loki pra ela, e ela disse que talvez ficasse por lá mesmo. De qualquer forma nos despedimos, caso não nos encontrássemos em La Paz. Segui para o Piedras Blancas, em busca do tão esperado banho quente e com água abundante!

 

Paguei pelo banho quente com água abundante e pelo Wi-Fi (15 Bol), embora o último não tenha funcionado muito bem. Mas o banho foi ótimo. Botei roupas limpinhas e sequinhas, passei no mercadinho pra comprar comida e segui pro escritório da Todo Turismo. Faltava ainda uma hora pro bus sair, então fiquei lá aproveitando o wi-fi e o mate de coca grátis. Uns 15 minutos antes das 20h começaram a chamar as pessoas para o ônibus porque seria servido o jantar (YEEY!!!). Quando estava entrando no ônibus encontrei o Martin (lembra, o alemão de Sucre!). Não nos encontramos no Salar mas nos encontramos no bus pra La Paz! Ele não tinha hostel pra ficar, mas ia procurar vagas no Loki ou no Wild Rover, então combinamos de rachar o táxi quando chegássemos em La Paz.

A comida do ônibus era simples mas gostosa: um purê de batatas com um empanado de frango e legumes no vapor, servido em uma marmitex tipo aqueles de avião, E ESTAVA QUENTEEEEE!!!!11!!!!! Melhor refeição dos últimos dias!

O Martin ficou sentado na minha frente, então fomos conversando um pouco, e do meu lado estava uma menina canadense que, quando o ônibus partiu, trocou de lugar pra sentar com uma amiga. O assento do meu lado ficou vazio (o assento vago que a Beatriz não quis comprar) e deu pra largar minha mochila e me esparramar bem. Tentei usar o Wi-Fi do ônibus mas não estava funcionando, só foi funcionar em La Paz. A Todo Turismo oferece cobertor e travesseiro e o banco reclina razoavelmente, mas achei um pouco apertado. O Martin reclinou todo o banco na minha frente e eu fiquei bem espremido. Pensei que não fosse conseguir dormir, mas peguei no sono e quando acordei já estava em La Paz!

 

 

Algumas fotos do dia:

 

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MEU DEUSSSSSSSSSSSSSSSSSS!! o que é esse relato??? Sensacional!! ::otemo::::otemo::

Parabéns!! Incrível.. e muito engraçado! O que foi o cara catando aqueles piolhos???? ::lol4::::lol4::

 

Bolívia realmente foi um país que eu gostei demais de ter visitado. A gente aprende que, podemos ser felizes com pouco!

 

Acompanhando....

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MEU DEUSSSSSSSSSSSSSSSSSS!! o que é esse relato??? Sensacional!! ::otemo::::otemo::

Parabéns!! Incrível.. e muito engraçado! O que foi o cara catando aqueles piolhos???? ::lol4::::lol4::

 

Bolívia realmente foi um país que eu gostei demais de ter visitado. A gente aprende que, podemos ser felizes com pouco!

 

Acompanhando....

 

Polyyyyyyyyy!!!!!!!! Valeu! :D:D:D:D

 

Agora com esse recesso de final de ano consegui escrever mais um pouco... logo logo mais dias de viagem!

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DIA 8 - LA PAZ | Explorando a cidade

 

O ônibus chegou em La Paz por volta das 6h30, quando ainda estava amanhecendo. Os ônibus da Todo Turismo param no Terminal de Ônibus de La Paz, mas do lado de fora, na rua mesmo. Enquanto esperávamos para pegar a bagagem, uma horda de taxistas se juntou ao nosso redor. Combinei com um deles para me levar até o Loki por 15Bs. Falei com o Martin pra dividirmos, mas o bicho tava morrendo de medo de ir com aquele taxista porque não sabia se ele era “oficial”. Eu tentei argumentar que era perto e que não tinha problema nenhum, mas ele ficou com medo MESMO e decidiu procurar outro taxista (não sei onde).

Não posso condenar o Martin, porque na verdade o medo dele é compreensível. Já ouvi várias histórias de pessoas que entraram em um táxi qualquer na Bolívia e acabaram sendo assaltadas e largadas em alguma ruela sinistra de El Alto. Aqui no Mochileiros inclusive tem um relato sobre isso. Então cuidado! Eu fiquei tranquilo porque estava em lugar movimentado bem ao lado do Terminal, mas de repente eu estava tranquilo demais.

No fim das contas o meu taxista não era nenhum assassino estuprador e me deixou direitinho no Loki. O único problema é que ele cobrou 15Bs. e o hostel fica a 500m do Terminal... se eu soubesse teria ido a pé (depois vi que é tranquilo) ou negociado um valor menor.

 

Entrei no Loki e já tive uma boa impressão. O hostel fica em um prédio bem grande, de 7 andares e é bem ajeitadinho. Tem um funcionário controlando a entrada pra que só entrem hóspedes ou pessoas que vão fazer check-in.

 

ENTÃO. Na curtíssima distância entre a porta e a recepção, no máximo 10 passos, tive uma epifania daquelas BEM deprimentes. Tinha feito minha reserva para duas noites pelo Hostelworld e me dei conta que havia reservado como primeira noite a noite ANTERIOR, que passei no ônibus, por engano. De verdade, só percebi naquela hora, segundos antes de chegar na recepção. O rapaz que me atendeu disse que como eu não tinha chegado no dia anterior a minha reserva foi cancelada, e que eu teria que esperar até as 14h pra VER SE TINHA VAGA e aí fazer check-in. Não eram nem 7h. Na verdade eu deveria ter reservado só uma noite, a partir daquele dia (no dia seguinte já estava planejando ir para Copacabana).

 

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Deixei meu nome na recepção para ter preferência e deixei meu mochilão no storage deles. O hostel tem uma área comum com vários sofás e eu fiquei lá sentado pensando no que ia fazer. Pensei em sair andando pela cidade a procura de outros hostels, mas imaginei que pelo horário a maioria ainda pudesse estar sem check-in aberto. Decidi esperar ali mesmo, tomando um chazinho, carregando os eletrônicos e organizando minhas fotos. Depois de 1h de profundo tédio, adivinha quem chega no hostel? A Beatriz!

 

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O ônibus dela levou 1h a mais pra chegar em La Paz, mas ela disse que a viagem foi confortável. Não sei qual o parâmetro de “confortável” dela, mas acho que isso quer dizer que é possível ir de Uyuni a La Paz pagando menos e sem passar por muito perrengue, pelo menos.

Como ela também não tinha reserva, deixou o nome na recepção e mochila no storage. Ela me disse que quando chegava em uma cidade nova gostava de sair andando a esmo pelas ruas, pra reconhecer o ambiente. Pedimos umas informações na recepção e saímos para a rua. Eram cerca de 8h30, o dia estava bem ensolarado e agradável, acho que por volta de uns 15°C. Apesar de ser sábado as ruas já estavam bem movimentadas, cheias de tendas, ambulantes, trabalhadores...

 

A primeira impressão ao caminhar por La Paz é que o tempo parou por lá. Eu não vivi no Brasil dos anos 70, mas tenho impressão que as ruas eram bem parecidas com as de La Paz atualmente. Os prédios históricos, os ambulantes vendendo refrescos, o povo humilde na rua ine do trabalhar, tudo dá à cidade um grande ar de melancolia.

 

Andamos pela Calle Mercado, que é um calçadão comercial repleto de lojas e restaurantes, a procura da Calle Jaen, que o rapaz da recepção disse que era uma rua muito bonita. Estávamos com um mapa, mas mesmo assim tivemos dificuldade pra encontrar a rua. Antes nos deparamos com a famosa Plaza Murillo, que fica em frente ao Palacio del Gobierno da Bolívia e da Catedral. Entramos rapidinho na catedral e depois tiramos umas fotos na praça. Seguimos em busca da Calle Jaen, até finalmente encontrarmos. De fato é uma rua muito bonita. É bem estreita e não passam carros. É cercada por prédios antigos, pintados em cores vibrantes, onde funcionam várias oficinas de artesanato e pequenos museus. Vale a pena dar uma passada. Como era ainda muito cedo, todas as lojas estavam fechadas.

 

Descendo a Calle Jaen passamos por um museu (não lembro o nome), onde estava rolando uma exposição do pintor boliviano (não lembro o nome). Como era de graça, entramos.

 

Circulamos por lá por uns bons 20 minutos e depois fomos andar mais um pouco. A Beatriz parou em uma lojinha pra comprar cartões de memória pra que eu passasse todas as fotos de Uyuni pra ela, sem precisar fazer upload. Enquanto ela usava uma cabine telefônica para ligar para a família dela na Colômbia (anos 70, eu não disse?), decidi quebrar a minha regra de não comer nada na rua e comprei uma salteña de uma barraquinha. A salteña é uma espécie de empanada argentina, só que o recheio é em geral mais “líquido”, quase uma sopa. Comi uma de pollo e achei bem boa. Não a ponto de ficar tentado de quebrar minha regra novamente, mas gostei. Não poderia sair da Bolívia sem comer salteñas, que é uma das principais iguarias do país!

 

Terminada a ligação da Beatriz, saímos pra mais uma caminhada. Fomos à Catedral de San Francisco, ao Mercado Lanza (parece um camelódromo, mas se encontra de tudo lá, de loja de eletrônicos a açougue - daqueles bem higiênicos) e à Calle de Las Brujas. Essa é uma ruazinha CHEIA de lojas de artesanato e lembrancinhas típicas da Bolívia. É sem dúvidas o melhor lugar pra fazer compras desse tipo na Bolívia (e no Peru também), porque tem muitas opções. Tem feto de llama, ponchos, blusas de lã, chaveiros, camisetas, mate de coca, velas, incensos, monolitos em miniatura, colchas, bolsas, tecidos, gorros, luvas... tudo no famoso colorido andino. Tão colorido que quem sofre de epilepsia não deveria passear por essa rua.

A Beatriz queria comprar uma toalha, então pesquisamos os preços por algumas lojas. Eu decidi deixar pra comprar essas coisas só no meu último dia em La Paz, pra não ter que carregar peso na mochila sem necessidade. Compramos as toalhas e voltamos para o hostel, porque já havia passado do meio dia. Enquanto esperávamos na recepção, passei todas as fotos para o cartão de memória da Beatriz.

 

Ainda antes das 14h conseguimos fazer check-in. Várias pessoas fizeram na nossa frente, e quando chegou a minha vez quase fiquei sem vaga! Arrumaram a última cama disponível pra mim, em um quarto com 8 camas.

Eu e Beatriz nos despedimos, agora cada um seguia o seu caminho. Minha cama só iria ficar pronta as 15h, então decidi sair para o Terminal de ônibus para comprar passagens para Copacabana no dia seguinte. Como eu disse antes, o Loki fica bem próximo ao Terminal, são menos de 15 minutos a pé. Procurei pelo terminal e não foi difícil de achar uma empresa com ônibus diários pra Cobacabana. O nome era bem sugestivo: Copacabana. Pela foto, o ônibus parecia bem razoável. Comprei a passagem para o dia seguinte, às 8h da manhã. A viagem até Copa leva cerca de 4h, então deveria chegar lá ao meio dia.

No caminho para o Loki procurei algum restaurante para almoçar, mas nenhum me convenceu no quesito custo-benefício/não morrer. Decidi ver o que tinha para comer no bar do hostel.

 

Cheguei no Loki e fui para o quarto, que já estava pronto. Bom, a cama estava pronta, porque o quarto... Não tirei nenhuma foto, mas estava tipo assim:

 

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A galera que estava naquele quarto devia estar lá há muito tempo, porque aquela quantidade de bagunça não seria humanamente exequível em menos de 2 meses. Quase não dava pra andar, de tanta mochila jogada no chão. As camas todas desarrumadas, roupas sujas espalhadas... os lockers estavam todos ocupados, alguns só com umas tralhas dentro. Ou seja, fiquei sem locker. Deixei minha mochila na cama (porque não tinha mais espaço no chão também) e fui tomar um banho. Em seguida subi para o bar, que fica no último andar do Loki. É um bar bem legal, típico de hostels, com uma vista bem bacana de La Paz e do Illimani:

 

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Pedi uma massa, indicação do cara do bar, e uma Paceña. Sentei em uma mesa com um outro cara. Eu estava com uma camiseta do Grêmio, e aí rolou aquele momento de conhecimento tupiniquim: “Brasileiro?” ALELUIAAAA CONVERSAR EM PORTUGUÊÊÊÊSSSSS!!!!!!!! Já estava cheio de (tentar)falar em español com a Beatriz o dia todo! O cara se chamava Newton, mineiro que mora no Paraná, e estava viajando pela segunda vez para a Bolívia, dessa vez com o pai dele (seu Newton também, que estava no quarto descansando). Eles também tinham chegado de Uyuni, se não me engano no dia anterior. Achei muito legal a viagem dos dois, pai e filho na Bolívia. Não consigo sequer imaginar meu pai viajando comigo e passando perrengue na Bolívia! Rsrs

Ficamos conversando e chegamos no assunto “aparelho digestivo”, quando o Newton me contou que também teve “problemas” durante a viagem, e me indicou um remédio que estava tomando pra flora intestinal. Cheguei nessa hora à conclusão que nós brasileiros não estamos preparados para a comida boliviana, porque todos acabam passando mal, de um jeito ou de outro.

Conversa vai conversa vem, já tinha anoitecido quando atraímos outro brasileiro com o nosso português. O Fernando, também do Paraná, estava viajando sozinho e já ia embora no dia seguinte, caso conseguisse sacar dinheiro. Ele estava quase sem dinheiro e só tinha como sacar do cartão do BB. Acontece que os terminais da agência do BB em La Paz (sim, tem uma agência do Banco do Brasil em La Paz) não estavam funcionando no sábado, e ele ia tentar de novo no domingo.

O Newton-Pai chegou logo depois, e passamos horas conversando, regadas a muitas Paceñas. Já eram umas 23h (eu ia acordar às 6h) e decidimos mudar de cerveja, pedimos duas Autenticas que estavam mais baratas. Além de ser bem ruim, padrão Kaiser, a Autentica estava quente... Eu tomei o primeiro copo e aquilo não desceu legal... meu estômago não estava de boa, aí rega com cerveja quente... Comecei a ficar bem enjoado e parei de beber. Como já estava tarde, nos despedimos e fomos cada um pro seu quarto.

Eu estava bem mal... fui pro banheiro várias vezes mas não conseguia vomitar. Pra ajudar, os “problemas intestinais” voltaram. Fiquei mais de 1h me revirando na cama, tentando dormir, mas tendo que levantar a cada pouco (pra piorar estava na cama de cima do beliche). Ia viajar cedo no dia seguinte, mas estava decidido a desistir caso não melhorasse. Na verdade eu tinha certeza que não ia melhorar. Aí lembrei que tinha levado Dramin, que talvez pudesse ajudar. Tomei um comprimido e deitei. Um pouco depois peguei no sono.

 

Algumas fotos do dia:

 

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  • Conteúdo Similar

    • Por beatrizz
      Saudações! 
      Esse relato é sobre a subida ao Monte Crista em Garuva, que fica perto de Joinville. 
      A chegada em Garuva foi na sexta dia 07 de Setembro, no fim da tarde. Optamos por passar a noite no Espaço de Vivência Monte Crista. Que não faz parte da trilha oficial pra montanha, mas fica a 2 km da recepção. 
      Sobre esse espaço tem muito a compartilhar, é um lugar místico, onde acontecem diversas vivências, como meditação, temascal, e outros. Há chalés do ladinho do Rio que você pode passar a noite ouvindo o barulho da água. A comida (3 refeições) está inclusa na diária e é vegetariana, deliciosa. Fica em torno de R$ 350 pra 2 pessoas. O espaço compartilhado tem muitos pássaros comuns da região e um local de oração e Cerimônia construído por índios nativos, ali há uma energia muito clara. 
      No sábado acordamos cedinho e tomamos um café reforçado, depois partimos até a recepção do Monte Crista. A entrada sem estacionamento é de 4 pilas. 
      Logo no início você passa por uma ponte pênsil legal. 
      A subida é pesada, porque o terreno é muito parecido em todo o percurso, subida íngreme e ganho de elevação rápido. Vários pontos com escadas de pedras construídas pelos jesuítas. É muito bonito. Diferente do Pico Paraná por exemplo, não há um grau de dificuldade tão grande com raízes e pedras, mas prepara o corpo pra resistência. 
      Enfim chegamos ao cume após 4:30, é importante seguir a trilha principal porque não há placas, e é fácil se perder. 
      No cume do monte encontramos vestígios de acampamento, porém não havia ninguém lá. Achamos estranho porque na recepção nos falaram que muitas pessoas haviam subido... 
      Arrumamos nosso acampamento e o tempo estava fechado, não dava pra ver um palmo na frente, isso também dificultou pra tentar ver onde as outras pessoas estavam. Em função do horário decidimos ficar por ali mesmo. 
      Não estava frio, nem tinha vento. Mais a noite o céu abriu e ficou maravilhoso, aí conseguimos ver as lanternas em um ponto um pouco abaixo de onde estávamos, depois descubrimos que lá encontra-se um marco do Monte Crista, que é onde deve acampar kkkk. Também é um lugar mais protegido do vento. Por sorte o tempo nos ajudou e não fomos lançados montanha a baixo. 
      A noite o bixo pegou, a temperatura caiu muuuito de uns 15 graus para cerca de 4. E não estávamos preparados, ou seja, a noite foi tensa quase não dormimos de frio..... 
      De manhã estava nublado, o sol não mostrou as caras, mas mais tarde alguns raios nos presentearam e deu pra fazer algumas pics. 
      Arrumamos as coisas e descemos a montanha, com quase metade do tempo, em menos de 3 horas chegamos a base. 
      Ps. Esqueci de levar panela, a caneca de metal de café, virou panela e chaleira, improvisos hehehe. 
      Enfim, voltamos ao Espaço de Vivência e conseguimos ainda descolar um almoço antes de pegar a estrada. 
      Ps2. Não é legal subir a montanha pelo espaço de vivência, primeiro pq há uma trilha por ali, mas pouco demarcada, a probabilidade de se perder é bem maior, segundo porque o espaço não tem controle e formulário de subida, e se algo acontecer será um transtorno para eles e para quem está na trilha. O objetivo do espaço é relaxar mesmo. Por isso sempre comece a trilha pela base. 
      No final da experiência há sempre saldo positivo, qualquer montanha 🗻 tem algo a ensinar, cada uma é diferente, especial, única. Aprendemos o que fazer e o que não fazer. Vamos captando os sinais do universo, sobre nossa missão. Aprendemos a ouvir o coração, e não a personalidade. 
      Quero voltar ao Monte Crista com objetivo de fazer a travessia do Quiriri. Mas esse é outro relato. 
      Avante, viver o que precisa ser vivido. 














    • Por danicsml
      Depois de algumas torrões de sol e algumas bolhas nos pés, sobrevivi para compartilhar (e tentar atualizar) informações sobre a nossa trip (marido e eu) nas férias.
      Bora lá: foram 14 dias de viagem pelas seguintes cidades:
      Los Angeles: 3 dias
      Las vegas:  2 dias
      Willian - Grand canyon: 02 dias 
      Page: 1 1/2 dia
      Monument Valley: 1 dia
      Moab : 1 dia
      Salina: só pernoite
      Las vegas: 1/2 periodo compras + 1 noite
      Los angeles: 1/2 periodo compras + 1 noite.
      Total gasto: 22 mil para o casal (é minha gente o dolar tá qse um rim). Segue a planilhinha em anexo. Pessoal eu vou consertar uns valores aq e já posto de novo!!!
       
       
    • Por PEDROMG
      Oi galera!
      Estou aqui (depois de alguns poucos meses) pra compartilhar com vocês sobre a minha primeira (de muitas kkk) solo trip.
      Se me perguntassem há uns 2 anos atrás se eu teria coragem de viajar sozinho, eu certamente responderia que não faria isso (por medo+tensão+acho que não consigo).
      Até que a vontade de romper essa barreira passou a me consumir e comecei então a trabalhar a mente e me preparar aos poucos pra que eu realizasse isso que se tornou um sonho, uma necessidade.
      Minhas férias do trabalho venceram mas decidi que só as tiraria quando definisse um destino bacana, que tivesse praias lindas (e que eu acreditasse ser capaz de me virar sem companhia rs).
      Foi aí que decidi ir em abril para #Cartagena e #SanAndrés (aquele paraíso onde fica o famoso mar de 7 cores).
      Comecei então a olhar as passagens, lugares para me hospedar, definir rotas, pesquisar sobre a moeda e preços locais e assim fui me familiarizando com cada detalhe e adquirindo a segurança necessária pra embarcar na minha #primeiraviagemsozinho.
      Comprei minhas passagens de Brasília > Panamá > Cartagena / Cartagena > San Andrés / San Andrés > Cartagena / Cartagena > Panamá > Brasília...
      E FUUUI!!!
      Ao chegar no aeroporto de Brasília, bateu aquele leve medo de: é agora!
      Embarquei e durante o voo, devido a tensão, me lembro que tive até um pesadelo.
      Cheguei ao Panamá, celular sem bateria, sem adaptador de tomada mas feliz e empolgado, confiante e pronto pra continuar.
      Lá estava eu desembarcando no aeroporto de Cartagena arrepiado e sorrindo ao mesmo tempo.
      Sem celular e sem voucher de onde eu me hospedaria, fui até o balcão de informações e pedi pra que olhassem pra mim o endereço do hostel... deu certo.
      Que cidade linda, que energia boa, cheia de pessoas felizes, contagiante!!!
      Conheci lugares incríveis, conheci pessoas legais (sou tímido pra isso, mas estar sozinho e naquele lugar maravilhoso acabou mudando isso até sem eu percebesse).
      Dica: se hospedem no Bourbon St Hostel Boutique.
      Depois de 3 dias muito bem vividos, bora pra San Andrés conhecer o Caribe...
      Chegando no aeroporto (que tumulto!!!), eu só queria ver aquele mar das fotos que me fizeram chegar até lá...
      E WOOOOOOOOOW!!! Inacreditável! "P**rra, eu realmente tô no Caribe!"
      Dica: se hospedem no El Viajero.
      Depois de uma semana, de conhecer a beleza surreal da ilha e nadar bastante, partiu voltar pra Cartagena (com todo prazer!) por mais 3 dias.
      Em San Andrés, assim como em Cartagena, conheci outros viajantes que estavam viajando sozinho pela primeira vez também e compartilhar as experiências e momentos foi fundamental.
      Talvez se eu estivesse esperado alguém pra me acompanhar, eu não teria tido essa experiência sensacional, nem conhecido tais lugares e ainda estaria me questionando: será que eu consigo viajar sozinho?
      Sobre os lugares que visitei, recomendo e recomendo de novo.
      *A única coisa que me contrariou durante a viagem foi que comprei um sombreiro (esse das fotos) de um vendedor ambulante por 20.000COP e pouco depois achei numa loja
      por 7.000COP... aff, kkk...
      Se tiverem curiosidades ou quiserem dicas, é só me contactar :)
      Estou pronto pra próxima... a dificuldade agora é escolher algum destino dentre tantos maravilhosos pelo mundo... porque meu medo, eu já venci \o/








    • Por tabatajac
      Conhecida como uma das travessias mais bonitas do país, a travessia Petrópolis x Teresópolis é feita dentro do Parque Nacional da Serra dos Órgãos e conta com aproximadamente 30 quilômetros de trilha, que podem ser feitos em um, dois ou três dias, além de diversos desvios.
      Antes de mais nada, é preciso comprar os ingressos no site do Parnaso e, se for fazer a trilha em mais de um dia, pagar pela sua estadia, que pode ser em camas beliche ou bivaque dentro do abrigo, ou no camping. Vale lembrar que em feriados, principalmente no inverno, a travessia fica bem cheia e os abrigos esgotam rápido. Nós demos sorte e pegamos uma desistência, conseguindo fazer no feriado de 7 de Setembro.
      Para quem fica no abrigo, é disponibilizado panelas, utensílios de cozinha, fogão e banheiro com (pasmem!) água quentinha. Já para quem fica no camping, você também vai poder usar o banheiro para tomar banho, além de outro banheiro do lado de fora do abrigo e um ponto de água, onde dá para encher as garrafas e lavar as panelinhas e utensílios que você levar.
      No total, pagamos R$ 102,00 cada um, incluindo o valor da travessia (R$ 26 da trilha e R$ 26 de adicional de fim de semana), duas noites de camping (R$ 10 cada uma) e dois banhos (R$ 15 cada um).
      O próprio site do parque oferece informações oficiais sobre a travessia, sempre vale dar uma olhada.
      DIA 1 – Petrópolis x Castelos do Açu
      Distância: 8 km
      Tempo: 7 horas
      Ganho de altitude: 1.145 metros
      Saímos do Centro de Petrópolis um pouco antes das 8:00 e chamamos um Uber para adiantar um pouco as coisas. Para quem quiser ir de ônibus, primeiro você vai ter que pegar um para o Terminal de Correias e depois outro para um pouco antes da portaria do parque. Pagamos R$ 36,00 até lá. Chegamos na portaria, assinamos o termo de responsabilidade, enchemos as garrafas de água e começamos a subir às 9:20.
      O primeiro ponto depois da portaria é o Poço do Presidente e a Cachoeira Véu da Noiva. Como saímos um pouco tarde da portaria, fomos só até o primeiro ponto, enchemos as garrafas, comemos uma barrinha de cereal e seguimos. A subida até aqui ainda não é tão íngreme, mas depois do poço comecei a sentir as pernas avisarem que a declividade tinha aumentado (e eu achando que estava bem preparada). Chegamos na Pedra do Queijo às 11:30 e paramos para beber água, comer e subir na pedra para ver o visual.

      Pedra do Queijo

       
      Pedra do Queijo 

      Visual de cima da Pedra do Queijo
      De lá, partimos para o Ajax, onde chegamos às 13:15. Essa, para mim, foi a subida mais puxada, até mais que a Isabeloca que vem depois e dizem ser a parte mais difícil do primeiro dia. Acho que o bastão de caminhada fez a diferença, já que subi essa parte sem ele, mas usei na Isabeloca. O Ajax é o próximo ponto de água depois do poço e o último antes do abrigo, além de ser também onde o pessoal costuma parar um pouco mais para almoçar (ou comer alguma coisa com mais sustância). Atenção para os períodos de seca, já que é comum o Ajax secar. Nós pegamos o ponto com pouca água, mas ainda deu para encher as garrafas. Até esse ponto, já havíamos caminhado por volta de 5 quilômetros, com mais 3 pela frente até o abrigo dos Castelos do Açu.

      Parada no Ajax
      De cara para aquele paredão que era a Isabeloca, saímos do Ajax às 13:55 e começamos a última subida do dia. Conseguíamos ver as pessoas lá em cima, com suas mochilas coloridas, já quase chegando ao topo. Depois de muito anda e para, chegamos lá em cima às 15:15 e paramos na próxima plaquinha para tirar um pouco as cargueiras, beber água, comer e tirar umas fotos. De lá, conseguíamos ver uma formação rochosa bem ao longe que parecia ser os Castelos do Açu, e que ainda estava distante para caramba.

      Subindo a Isabeloca

      Topo da Isabeloca
      Colocamos as cargueiras de volta e voltamos a seguir a trilha quando, de repente, os Castelos do Açu (agora de verdade) surgiram à nossa frente, imponentes e tão mais perto do que a gente imaginava. Ali a emoção bate de leve e você começa a fazer o balanço do que foi o primeiro dia. E se a emoção dali não bastasse, andando mais um pouquinho surgem o abrigo e a Serra dos Órgãos, que se faz ver pela primeira vez, com o Dedo de Deus em riste. Chegamos ao abrigo às 16:30, depois de aproximadamente 7 horas de caminhada. Depois de dar nossos nomes, o cara do abrigo informou que o camping poderia estar lotado e, se esse fosse o caso, poderíamos armar a barraca no próprio castelo (o que eu acho que já foi permitido um dia, mas hoje é proibido em dias normais). Subindo de volta para os castelos, encontramos um ponto perfeito, logo abaixo de outro casal que havia armado a barraca um pouco acima.

      Chegando nos Castelos do Açu

      Abrigo do Açu e a pontinha do Dedo de Deus

      Pôr do sol dos Castelos do Açu
      Barraca armada, seguimos de volta para o abrigo para um banho mais que merecido. Os banhos são de 5 minutos contados no relógio pelo responsável do abrigo, que fica do lado de fora do banheiro controlando o pessoal e batendo na porta quando o tempo acaba. Com um pouco de desorganização, conseguimos tomar banho (que no fim deu um tilt na água quente e o pobre do Marcello terminou na água congelante) e voltamos para a barraca para fazer o jantar, que seria um arroz Tio João com calabresa para ele e com tofu para mim. Alimentados, fomos aproveitar um pouco da vista dos castelos, de onde dá para ver toda a cidade do Rio de Janeiro e suas luzes cintilantes, e depois fomos dormir.
      DIA 2 – Castelos do Açu x Sino
      Distância: 7,5 km
      Tempo: 8 horas
      Tendo acordado um pouco de noite, uma das vezes com frio, acordei de vez por volta das 5:30 e comecei a ouvir as vozes murmuradas do pessoal que acordou para ver o sol nascer. Juntei todas as forças que eu tinha para encarar aquela friaca e saí da barraca. Mas caraca, como valeu a pena. O céu laranja começava a iluminar a Serra dos Órgãos à esquerda e a Baía de Guanabara à direita. Subi na pedra com a câmera preparada e os primeiros raios de sol começaram a sair de trás das nuvens. Acho que foi o momento mais mágico de toda a travessia (com direito à musiquinha do Rei Leão, cantada pelo casal da outra barraca).

      Os primeiros raios de sol iluminam a Serra dos Órgãos

      Nascer do sol dos Castelos do Açu

      A Serra dos Órgãos e a nossa barraca

      Abrigo visto de cima dos Castelos
      Com o sol já mais alto, tomamos café, desmontamos a barraca e seguimos para o abrigo, onde terminamos de nos preparar para o segundo dia. Saímos de lá às 9:00 (bem tarde!) e logo de cara vimos a primeira descida e subida do dia, que seria o Morro do Marco. Com pedras que formam uma escadinha, às vezes com degraus altos que vão precisar da ajuda das mãos, chegamos ao primeiro ponto às 9:30 depois de um quilômetro, onde só tiramos algumas fotos e seguimos em frente. De lá, já conseguíamos ver o próximo vale, bem mais profundo que o anterior, onde encontraríamos o primeiro ponto de água do dia.

      Saindo do Abrigo do Açu

      Visão do Morro do Marco com os totens que guiam o caminho
      Chegamos no ponto de água às 10:10, onde encontramos um grupo sentado descansando e comendo alguma coisa. Enchemos nossas garrafas, comemos umas castanhas e seguimos com a subida em mata fechada e bem íngreme, com raízes servindo de degraus. Nossa próxima parada era o Morro da Luva, onde chegamos às 11:25. Lá, avistamos o Garrafão pela primeira vez, que serviria de guia pelo resto do dia, virando sua cara carrancuda aos poucos até se revelar completamente na Pedra da Baleia. Mas calma que ainda faltava muito para isso (e bote muito nisso). No Morro da Luva, tiramos as cargueiras um pouco para aliviar o peso, bebemos água e tiramos fotos. Depois, seguimos atrás de um grupo com guia que disse que aquele ponto era muito fácil de se perder, já que a rocha abre muitos caminhos e não é tão bem sinalizado quanto o primeiro dia.

      Subindo o Morro da Luva

      Topo do Morro da Luva com os Castelos do Açu ao fundo

      Garrafão e o Dedo de Deus começando a ficar encoberto
      Depois de descer mais um vale, chegamos ao próximo ponto de água logo antes do Elevador, que estava seco. Descansamos um pouquinho e chegamos ao temido Elevador às 12:30. Com 67 degraus, ele é bem mais longo do que eu imaginava, e também mais cansativo. Subi usando a mochila de lastro, que nem o Corcunda de Notre Dame, para ver se ela me jogava para frente e não para trás. Contei três vergalhões faltando, mas a rocha dá um bom apoio nessas horas, e a tração da bota é essencial. Com 3,5 quilômetros caminhados (e escalaminhados) desde o Açu, chegamos ao topo do Elevador, onde tínhamos mais 4 quilômetros pela frente.
       
      Totens e Elevador visto de longe

      Elevador
      Depois do Elevador, a coisa começou a esquentar e nem tirei mais a câmera da mochila, tirando fotos só com o celular. Logo após o topo do Elevador, surge uma rocha com uma subida bastante íngreme, onde é preciso usar as mãos e confiar na bota, acompanhada como sempre de outra descida, também bem íngreme e onde me pareceu melhor descer meio de lado (as bolhas que eu ganhei depois não concordam muito com a minha teoria). Subindo mais um pouco, chegamos ao Morro do Dinossauro, onde paramos para beber água e descansar. O rosto carrancudo do Garrafão já nos observava, assim como a cabeça do elefante (indiano, e não africano, como disse um outro trilheiro também descansando por ali).

      Morro do Dinossauro

      Cara mal humorada do Garrafão
      De lá, tocamos para o Vale das Antas, onde chegamos às 14:30. Último ponto de água do dia, aproveitamos para comer e encher as garrafas. Um dos guias que encontramos lá ressaltou que essa água não é muito legal, já que muitas pessoas usam os arredores da nascente como banheiro, então não se esqueça de levar Clorin e talvez evitar esse ponto de água se sua garrafa ainda estiver cheia. Depois de dois belos pães com atum e castanhas, começamos a subida do Vale das Bromélias até a Pedra da Baleia, chegando lá às 15:10. O topo da Pedra da Baleia fica a 6 quilômetros do Açu, faltando ainda 1,5 quilômetro até o abrigo do Sino.

      Pedra da Baleia
      Quando começamos a descida em direção ao Mergulho, vimos no paredão do outro lado várias mochilas coloridas subindo a escadaria de pedra que daria no Cavalinho. Logo depois, vimos o Cavalinho. Uma rocha triangular um pouco mais clara que as demais que chegava a brilhar com o sol da tarde que começava a se pôr. Naquela hora, bateu um frio na barriga. Mas ali não tem o que fazer se não seguir em frente, e foi o que fizemos.

      Pessoal subindo em direção ao Cavalinho
      No Mergulho, tivemos a sorte de encontrar um grupo com guia que estava usando cordas para descer, que ele caridosamente nos deixou usar. Já vi vários vídeos de pessoas que fazem esse pedaço sem corda, mas com certeza seria mais difícil, sem contar que provavelmente nós teríamos que tirar a cargueira das costas. Logo antes da próxima subida, uma setinha de ferro fincada no chão (como muitas outras antes) indicava o caminho e fiz ali meu check point, no estilo Super Mario. Se caísse do Cavalinho, pelo menos eu não ia precisar voltar tudo! 😂
      Chegamos no Cavalinho às 16:05 com uma pequena fila de pessoas para subir. O espírito de camaradagem que rola lá em cima foi o que nos fez conseguir subir aquele negócio. O grupo da frente nos ajudou a içar as mochilas e um dos caras ajudou a puxar o Marcello depois dele ter montado no Cavalinho, que então me ajudou a subir. Mas o Cavalinho era brincadeira de criança perto da próxima rocha, apelidada carinhosamente de “coice”. Nela, de novo ajudaram o Marcello a subir com a cargueira nas costas, oferecendo a mão de cima dela, mas quando chegou na minha vez, tive que tirar a cargueira e a menina atrás de mim ainda teve que empurrar meu pé para que minhas pernas dessem altura para subir (malditas pernas curtas!).

      Cavalinho
      Passado o desafio, ainda foi preciso subir uma escada de ferro (obrigada pessoa que teve que carregar esse troço nas costas para colocar ela ali) e caminhar mais um pouquinho até a bifurcação do abrigo e da Pedra do Sino. Chegamos lá às 16:40 e no abrigo às 17:10. Alguns grupos seguiram direto para a Pedra do Sino para ver o pôr do sol, mas nós optamos por descer para pegar um bom lugar no camping e deixar para ver o nascer do sol do cume.

      Bifurcação Pedra do Sino, Abrigo 4 e Travessia
      Montamos nossa barraca e fomos logo para a fila do banho, muito mais organizada que no dia anterior. E que banho! A água quente não desligou dessa vez e conseguimos tomar banho em até menos que os 10 minutos totais que nós dois tínhamos. Banhados, fizemos nosso sopão de macarrão e capotamos.
      DIA 3 – Sino x Teresópolis
      Distância: 11 km até a barragem, 14 km até a portaria
      Tempo: 4 horas até a barragem
      Acordei por volta das 4:30 com o burburinho do pessoal se movimentando para ir ver o nascer do sol na Pedra do Sino. Ponderei todas as minhas escolhas de vida até aquele momento e decidi que continuaria deitada ali, no quentinho, e que veria o nascer do sol da Pedra da Baleia que tem atrás do abrigo (que não é a mesma Baleia do dia anterior). Abri a barraca por volta das 5:40 e segui a trilha que sai de trás do abrigo. Consegui pegar os primeiros raios de sol da Pedra da Baleia, de onde se vê o pessoal no topo da Pedra do Sino.

      Nascer do sol da Pedra da Baleia, atrás do Abrigo 4

      Pessoal vendo o nascer do sol da Pedra do Sino
      De lá, voltei para a barraca, sacudi o Marcello, tomamos café e seguimos para a Pedra do Sino enquanto muitos grupos já começavam sua descida. Saímos do abrigo às 8:40 e chegamos no topo da Pedra do Sino às 9:10. A subida não é muito íngreme e a rocha é bem sinalizada, com totens de pedra que indicam o caminho. E o que se pode dizer da diferença que é andar sem a cargueira? Ali eu consegui entender como um ser humano faz essa travessia em um dia só.

      Pedra do Sino com os Castelos do Açu ao fundo

      Visão da Pedra do Sino com Teresópolis ao fundo
      A Pedra do Sino é o ponto culminante da Serra dos Órgãos, com 2.263 metros de altitude e de onde se pode ver os três picos de Friburgo, a ponta do Garrafão, os Castelos do Açu e a Baía de Guanabara. Depois de muitas fotos, descemos para o abrigo, onde desmontamos a barraca e seguimos para Teresópolis.

      Começando a descida para Teresópolis
      O terceiro dia é praticamente só descida, quase toda ela em zigue zague e com a trilha muito bem marcada. Tendo saído do abrigo às 10:45, chegamos às ruínas do Abrigo 3 e ao Mirante de Teresópolis às 11:50 e na Cachoeira Véu da Noiva, já na parte baixa do parque, às 13:45. Lá, era como se a gente já tivesse chegado, mesmo faltando ainda 2 quilômetros até a Barragem e mais 3 até a portaria do Parque.

      Mirante de Teresópolis ao lado do antigo Abrigo 3
      Quando vimos a porteira que dá para a Barragem, bateu a emoção de novo. Concluímos nossa primeira travessia. Quase 30 quilômetros de muita subida, descida, rochas e pirambeiras. O casal que desceu com a gente do Véu da Noiva até ofereceu carona, mas agradecemos e dissemos que queríamos fazer portaria a portaria. Orgulho besta. 😄

      Chegamos!
      DICAS
      Se você pretende fazer a travessia durante um feriado, compre os ingressos com bastante antecedência. Os abrigos lotam rápido e não ter que carregar a barraca com certeza ajuda bastante.
      Uma boa bota (já amaciada!) ou tênis de trekking são essenciais, já que em muitos momentos você vai depender da tração dela para subir ou descer as rochas com segurança. Não aconselho fazer com tênis de academia ou de corrida, já que eles tendem a escorregar.
      Lembre-se que você vai ter que carregar sua mochila durante três dias, e que o peso dela vai se multiplicar com as subidas e o seu cansaço. Leve apenas o essencial.
      Com isso em mente, não subestime o frio. No inverno, as temperaturas podem ser negativas lá em cima e ninguém merece dormir com frio. Leve isolante, um bom saco de dormir, e roupas térmicas (tipo ceroula) se for acampar.
      Há diversos pontos de água no caminho, mas alguns deles podem secar no inverno. Nós levamos duas garrafas de Gatorade (totalizando um litro) e mais uma de 750 ml e foi suficiente, mas pegamos apenas o ponto do Elevador seco. O Ajax também pode secar, então leve isso em consideração.
      Mesmo com previsão do tempo boa, leve capa de chuva. O clima na serra pode ser imprevisível e bem diferente da situação na portaria.
      Leve um GPS ou celular com aplicativo de trilhas já instalado e o mapa e tracklog já baixados. Nós usamos o Wikiloc e seguimos esta trilha.
      Sobre a sinalização, ela é muito boa no primeiro e terceiro dia, e razoável no segundo, com pontos onde é possível se perder, principalmente se o tempo estiver fechado e com serração. Os totens de pedra ajudam bastante, já que são visíveis de longe, e há também setas pregadas na rocha e pegadas pintadas no chão. Mas mesmo assim, não deixe de levar algum tipo de GPS, já que no segundo dia há trechos em que essa sinalização fica devendo.
      Lembre-se que todo o lixo deve voltar com você e não pode ser deixado nos abrigos (e muito menos durante a trilha!), inclusive restos de comida. Então, não esqueça de levar saquinhos para o lixo.
      Já sobre as cordas, nós não levamos nenhuma, mas tivemos a sorte de sempre estar perto de grupos com guia que levaram e usamos as deles. Eu não diria que são totalmente indispensáveis, já o Marcello acha que seria quase impossível fazer sem elas, principalmente na hora de descer o Mergulho e içar as mochilas no Cavalinho.
      EQUIPAMENTO
      Mochilas: Quechua de 40l e Trilhas e Rumos de 48l
      Barraca: Quechua Arpenaz 2XL
      Sacos de dormir: Trilhas e Rumos Super Pluma (conforto +6°C e extremo 0°C)
      Isolante: Conquista 9mm
      Travesseiro: Quechua Air Basic
      Fogareiro: Guepardo Mini Fogareiro Compact
      Panelinha e utensílios: Quechua
      Cartucho de gás: Nautika 230g (de acordo com o que pesquisamos, dura por volta de 120 minutos)
      Lanterna de cabeça: Forclaz ONNIGHT 50 (30 lúmens)
      Bastão de trilha: Quechua Arpenaz 200
      ALIMENTAÇÃO
      Para a principal refeição, que seria o jantar, levamos um arroz Tio João da linha Cozinha Fácil, Sopão Maggi de macarrão com legumes, uma calabresa e uma lata de atum (para o Marcello) e tofu defumado (para mim).
      Para o café da manhã, levamos pão integral, Polenguinho, Toddynho e o tofu.
      Durante o dia, comemos amendoim, castanhas, avelã, Club Social, torradinhas Equilibri, barras de cereal, salaminho, chocolate e pão com Polenguinho e atum. Levei também um pacote de cookies Jasmine que voltou fechado.
      DESVIOS
      Há diversas outras trilhas para se fazer dentro do Parque, mas eu diria que o principal desvio dentro da travessia é para os Portais do Hércules. Nós chegamos a ponderar se faríamos ou não, mas os relatos variavam de 40 minutos a 1h30 de trilha para ir e depois o mesmo para voltar, tempo esse que nós não tínhamos. Sem contar que disseram que é uma trilha de difícil navegação, muito fácil de se perder. Mas se você realmente quiser encarar, o que o pessoal normalmente faz é sair muito, muito cedo do abrigo (às vezes antes do nascer do sol) e esconder as cargueiras na mata perto da bifurcação para fazer a trilha sem elas. Só não vale esquecer onde escondeu a mochila. Ouvimos a história de um cara que não conseguia encontrar sua cargueira de jeito nenhum e, depois de uma hora procurando achando que havia sido roubado, desistiu e seguiu a trilha. Ele só conseguiu reavê-la esse ano, dois anos depois de ter feito a travessia, quando alguém fazendo a trilha a encontrou junto com sua carteira e documentos.
       
    • Por kely.alves
      Muitos me questionaram porque ir para Florianópolis que é a Ilha da Magia em pleno outono e a resposta foi bem simples: MEGA PROMO!!
      Tava um valor bom, então bora fazer desse limão uma limonada delícia. 😀
      Floripa é muito conhecida por suas praias exuberantes e gente bonita passando para cima e para baixo. Mas por conta do período do ano (Outono) eu sabia que não daria praia, mas que poderia fazer muitas outras atividades como trilhas e bater perna por outras áreas.
      Época fria, mas tive a sorte de não pegar chuva nenhum dia, então, foram dias e noites bem aproveitados.
      Eu dispunha somente de um final de semana prolongado, então fiz muitas coisas nesses meus 3 dias e meio. Mais uma vez com a ajuda de alguns amigos desse site, consegui fazer a seguinte programação:
      13.06.2018: Chegada em Floripa (à noite)
      14.06.2018: Trilha Lagoinha do Leste
      15.06.2018: Tour Área Norte: Santo Antonio de Lisboa, Jurerê Internacional, Fortaleza de São José da Ponta Grossa, Barra da Lagoa
      16.06.2018: Trilha da Galheta
      17.06.2018: Jogo do Brasil e retorno para SP
      Dia 1: Chegada em Floripa
       

      Dentre as muitas opções que me foram dadas, optei em me hospedar na Lagoa da Conceição por ser o centro efervecente de Floripa, uma boa quantidade de hostels, restaurantes, bares, mercados, fácil acesso ao Sul e ao Norte. Enfim, localização perfeita!
      Me hospedei no Gecko´s hostel http://www.geckoshostel.com/ (RECOMENDO!!) e com um valor ótimo de diária R$ 30,00 sem café da manhã. Caso opte pelo café, paga-se R$ 10,00 a mais.
       

      📌Sugestão:
      Faça suas compras nos mercados próximos. Há opções de orgânicos, sacolões, mercados grandes, mercados menores, padarias com pãoes quentinhos. É possível usar todos os utensílios da cozinha do hostel. Sai mais barato e você pode fazer um café mais reforçado, pois achei bem fraquinho o deles. Para o jantar, sugiro o mesmo, pois só tinha lanches disponíveis nos arredores e precisava de comida por conta da energia gasta nas atividades. Sendo baixissima temporada, muitos locais estavam fechados. Na ponta do lápis, foi uma ótima economia também!💲
      Do aeroporto até o hostel o percurso foi de meia hora e custou R$ 26,00 com uber. Chegando lá, a recepcionista me perguntou se eu estava afim de ir numa festa numa balada onde a entrada era VIP até 23h30 e tinha um free shot de Catuaba pelo simples fato de estar hospedada com eles (ganharam pontinho positivo). Com meu colega de quarto (que tinha acabado de conhecer e topou meu convite) partimos para essa vibe underground chamada Santa https://pt-br.facebook.com/santalagoa/. O lugar toca um pouco de tudo desde funk a clássicos indie anos 2000. Tava meio vazio, mas o pouco pessoal que lá estava tocaram o terror e foi bem animado.
      Voltamos cedo porque no dia seguinte seria o único dia de sol daquele final de semana e queria fazer a melhor trilha de todas.
      Dia 2: Trilha Lagoinha do Leste
      De todas as dicas que recebi a mais indicada foi essa trilha. Ela possui dois caminhos: um fácil e rápido (sem vista) ou um mais longo e com vista espetacular. Optei pelo segundo.
      Usando ponto de partida como a Praia do Matadeiro:

       
      📌Depois de passar pela praia e entrar na trilha depois das placas indicativas, mantenha sempre o lado direito. Pq uma hora as placas desaparecem e sobram trilhas no chão. Não tem erro. É tranquilo.
       

       
      Essa foi a única placa que encontrei no caminho, depois foi seguir esse esquema de manter a direita e deu tudo certo. Pelo caminho sempre se encontram pessoas que estão fazendo o mesmo trajeto e passada a parte de mata fechada, se abre um costão lindo, rende fotos espetaculares:

      E o lance de manter a direita faz todo sentido se chega nessa parte: se for para a esquerda você desce o costão que cai direto no mar, e não queremos isso, certo?
      Fiz uma parada para contemplação e lanchinho antes de continuar a caminhada e depois que retomei o caminho, vê-se do alto de um morro o destino: Praia da Lagoinha do Leste:

      Como se pode ver no canto direito da foto é realmente uma lagoinha que fica de frente para uma praia. Sendo baixíssima temporada, estava sem ninguém, por exceção de dois pescadores que parei para conversar e saber como ir embora (já que não seria o mesmo caminho da ida) e como faz para chegar no ponto alto do passeio: Morro da Coroa.
      Andando pela praia vê-se uma montanha e dizem que no alto dela a vista é sensacional, mas tem que ter disposição e pernas fortes para subir. Como não estava lá à toa, fui, é claro.
       

      É uma subida realmente bem íngrime e há pontos em que para ter mais segurança, você sobe literalmente de quatro, mas vale a pena e a vista. Os pescadores tinham dado uma dica boa por qual caminho seguir onde não há desprendimento de pedras no caminho e subi bem e em segurança.

      À medida em que se vai ganhando altura, consegue ver perfeitamente a Lagoa e a praia.
      Chegando no topo, estava receosa de estar sozinha no meio do nada e no alto de um morro, mas tinha um grupo de amigos lá e me juntei a eles. Foi ótimo pela cia, pela conversa, pelas trocas de fotos e principalmente pela cia no retorno, pois apesar de gostar de entrar no meio do mato, não gostaria de estar nele sozinha com pouca luz, afinal, segurança em primeiro lugar.
       
      Existe um ponto de foto clássica nesse morro, tipo Pedra do Telégrafo no Rio de Janeiro. Fiquei meio desengonçada, mas eu fiz a tal foto depois de milhares de tentativas. Ficou mais ou menos boa. Preciso de braços mais fortes para erguer as pernas, mas o que vale é a intenção.

      Esse foi o único dia de sol que realmente peguei nessa viagem então, a cor da água fica incrivel e rende ótimos flashs. Super recomendo. (Mesmo em dias nublados, porque a vista vale muito a pena, além do desafio de fazer uma trilha de tempo razoavelmente longo)
       

      Como tudo o que sobe, desce, fizemos com tranquilidade o caminho de volta e com atenção para não nos machucarmos ou sofrer qualquer torção. Porque sendo íngrime, certas partes na volta, também faz-se sentado.
       

      O retorno foi feito pela trilha do Pântano Sul que é bem demarcada, com pontos onde é possível encher as garrafas de água e não tem erro porque ela é fechada por mata e não tem bifurcações, mas diferente do caminho da Praia do Matadeiro, ela não tem vista, e consequentemente ela é mais rápida (45 mins mais ou menos)

       

      A saída por essa placa leva a uma rua que não sei o nome, mas que tem ponto de ônibus que roda por vários lugares, inclusive para a Lagoa da Conceição. Mas não pode ter pressa, porque o sistema de transporte de Florianópolis não me pareceu muito eficente: ele te deixa num terminal e depois desse terminal tem que pegar outro ônibus. É bem demorado, mas é o modo mais econômico.
      Chegando no hostel, fui fazer meu jantar e descansar, afinal a caminhada foi boa: 3h na ida e 1h20 na volta + o trajeto de buso que desisti de contar o tempo.
      Portanto, se forem à Floripa coloquem esse destino na lista, não vão se arrepender!
      📌O que levar para esse passeio:
      Água: não há quiosques ou ambulantes pelo caminho (na alta temporada, talvez); Lanche; Protetor solar; Agasalho; Ao fazer a trilha pelo Matadeiro, sugiro estar com calça comprida para proteger as canelas da vegetação rústica que tem pelo caminho e não se machucar; Repelente; Câmera para fotos espetaculares; Disposição, muita disposição. Dia 3: Tour Área Norte: Santo Antonio de Lisboa, Jurerê Internacional, Fortaleza de São José da Ponta Grossa, Barra da Lagoa
      Por meio do app Couchsurfing troquei contato com uma pessoa que mora em Floripa e estava disponível para me levar para passear. Esse novo amigo me perguntou o que eu gostaria de conhecer e respondi que parte histórica das cidades é algo me encanta. Então, fomos eu e uma colega do hostel que estava sem programação. Colocamos gasosa no carro do amigo e fomos rodar por aí para conhecer um pouco do passado para entendermos o tempo presente. Esse foi o nosso roteiro:

      Foi muito produtivo!
      Breve resumo histórico:
      "Os primeiros habitantes da região de Florianópolis foram os índios tupis-guaranis. Praticavam a agricultura, mas tinham na pesca e coleta de moluscos as atividades básicas para sua subsistência. Os indícios de sua presença encontram-se nos sambaquis e sítios arqueológicos cujos registros mais antigos datam de 4.800 A.C. Já no início do século XVI, embarcações que demandavam à Bacia do Prata aportavam na Ilha de Santa Catarina para abastecerem-se de água e víveres. Entretanto, somente por volta de 1675 é que Francisco Dias Velho, junto com sua família e agregados, dá início a povoação da ilha com a fundação de Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis) - segundo núcleo de povoamento mais antigo do Estado, ainda fazendo parte da vila de Laguna - desempenhando importante papel político na colonização da região.                                                                                                                                          Em 1726, Nossa Senhora do Desterro é elevada a categoria de vila, a partir de seu desmembramento de Laguna. A ilha de Santa Catarina, por sua invejável posição estratégica como vanguarda dos domínios portugueses no Brasil meridional, passa a ser ocupada militarmente a partir de 1737, quando começam a ser erguidas as fortalezas necessárias à defesa do seu território. Esse fato resultou num importante passo na ocupação da ilha.
      Nesta época, meados do século XVIII, verifica-se a implantação das "armações" para pesca da baleia, em Armação da Piedade (Governador Celso Ramos) e Armação do Pântano do Sul (Florianópolis), cujo óleo era comercializado pela Coroa fora de Santa Catarina, não trazendo benefício econômico à região.
      No século XIX, Desterro foi elevada à categoria de cidade; tornou-se Capital da Província de Santa Catarina em 1823 e inaugurou um período de prosperidade, com o investimento de recursos federais. A modernização política e a organização de atividades culturais também se destacaram, marcando inclusive os preparativos para a recepção ao Imperador D. Pedro II (1845).
      Dentre os atrativos turísticos da capital salientam-se, além das magníficas praias, as localidades onde se instalaram as primeiras comunidades de imigrantes açorianos, como o Ribeirão da Ilha, a Lagoa da Conceição, Santo Antônio de Lisboa e o próprio centro histórico da cidade de Florianópolis."
      Fonte completa: http://www.pmf.sc.gov.br/entidades/turismo/index.php?cms=historia&menu=5&submenuid=571
      Santo Antonio de Lisboa: grande ocupação açoriana e portuguesa. Região que tem grande concentração de sambaquis que são vestígios indígenas.


      Igreja de Nossa Senhora das Necessidades: construção proximada em 1750.

      Considerada uma das mais belas expressões do barroco no sul do Brasil.
      Jurerê Internacional: a cara da riqueza com suas mansões estilo americanas. Casas sem muros e ruas largas. Muito chique.  

       
      Fortaleza de São José de Ponta Grossa (1740): Ao Norte da Ilha de Santa Catarina, entre as praias do Forte e Jurerê, ergue-se um dos mais belos monumentos catarinenses do século XVIII: a Fortaleza de São José da Ponta Grossa. Em conjunto com as Fortalezas de Santa Cruz de Anhatomirim e Santo Antônio de Ratones, formava o sistema triangular de defesa que deveria proteger a Barra Norte da Ilha contra investidas estrangeiras e consolidar a ocupação portuguesa no Sul do Brasil. (Fonte: http://www.fortalezas.ufsc.br/fortaleza-ponta-grossa/guia-fortaleza-de-sao-jose-da-ponta-grossa/)

       
      Fui muito bem recebida por um ser gracinha que estava no caminho😍

      Barra da Lagoa: O bairro da Barra da Lagoa está localizado na costa leste da Ilha de Santa Catarina, entre o Rio Vermelho e a Lagoa da Conceição. Distante cerca 19,8 km do centro de Florianópolis, a Barra da Lagoa é uma comunidade tradicional, que ainda mantém viva a raiz cultural açoriana e madeirense, como a pesca e a produção de trançados, a confecção da renda de bilro e de redes para a pesca artesanal. (Fonte: http://www.guiafloripa.com.br/cidade/bairros/barra-da-lagoa)
      Ruelas estreitas, vida simples e com um paz que muita gente procura. Ótimo lugar para caminhadas.

       

       
      Dia 4: Trilha da Galheta
      Florianópolis tem muitas trilhas para serem apreciadas. Escolhi essa porque me falaram que era muito bonita a vista e daria tranquilamente para eu fazer sozinha. Sai na caminhada da Lagoa da Conceição e fui até a Praia Mole. Chegando lá tem uma entradinha de terra sentido praia que disseram que era caminho para chegar na Galheta.

      No final dessa estradinha realmente vira praia e como era um dia de semana, no outono e tempo nublado não tinha quase ninguém só raros gatos pingados.

      Não deu praia, mas deu para fazer a caminhada com muita tranquilidade e relaxamento:

      Da praia mole até a Galheta há um paredão de pedras que a gente segue uma trilhazinha e é bem demarcada e esse lado é realmente muito bonito. No meio do caminho encontrei um rapaz que fazia sua caminhada de boas como eu e conversamos. Como ele  tb estava sozinho, eu disse que estava fazendo essa trilha da Galheta e queria sair na Barra da Lagoa, perguntei se ele tava afim de acompanhar e ele topou. Perguntamos a um local como fazíamos para subir a trilha pela mata e ele indicou uma faixinha de areia que passou desapercebida da gente e seguindo os conselhos do local deu tudo certo e tivemos essa vista:

      Tenho certeza que num dia ensolarado a cor da água deve ser sensacional.
      Infelizmente não há placas indicativas, mas depois que se entra na trilha é só seguir a demarcação no chão e seguir sempre em frente. No final saimos num bairro residencial e encontramos outro morador ilustre pelo caminho e não resisti, tirei uma fotinho:

      O final do nosso caminho nos levou até a Trilha Arqueológica também chamada de Trilha da Oração, é um santuário Arqueoastronômico. Nela encontra-se um conjunto de Monumentos Megalíticos, que são pedras que estão posicionadas de forma estratégica, que mostram exatamente quando ocorrem os fenômenos de solstício e equinócio, e também determinam a direção norte-sul.
      (Fontes: https://inspiralma.com/2017/10/11/trilha-arqueologica-fortaleza-da-barra/  https://arqueoastronomia.com.br/atividades)

      Infelizmente não pude conhecer esse lugar e estava rolando umas atividades muito boas e algumas gratuitas, mas como eu tinha caminhado uns 9km estava bem cansada e precisava almoçar em algum lugar. Deixo os links acima para quem tiver interesse nesse lado místico que eu achei sensacional e gostaria de me aprofundar, mas a natureza da fome foi mais forte.

      Tudo bem, mais um motivo para voltar para esse lugar incrível e como vocês podem ver, há muitas trilhas e caminhos para desbravar.
      Depois de comer algo, mais uns 3km desse local chegamos na Barra da Lagoa e é uma graça de simplicidade e beleza:

      Meu parceirinho de trilha precisava ir embora e eu estava cansada, mas aproveitando que eu já estava na Barra da Lagoa, fui conhecer uma trilha que leva para umas piscinas naturais Ela é bem curtinha e leva uns 30 minutos e é bem sinalizada. Reuni força, animo e vontade e fui.

      Valeu a pena!


      Depois de ver tudo o que gostaria, peguei um ônibus de volta para a Lagoa da Conceição. Jantei, estiquei as pernocas e vocês acham que fui dormir? Bem, era esse o plano original, mas quando você se hospeda em hostel, ainda mais naqueles que parece que você está em casa com seus melhores amigos, recebi o convite para um aniversário de uma moça que estava no mesmo quarto que eu numa balada mara em Floripa. Fizemos nosso esquenta no hostel e depois tocamos pra vibe! Já que temos espírito teen, ele baixou em mim e assim ficou...hehehe

      Pessoas sensacionais. E que noite!!!
      O dia seguinte era meu retorno a SP e pela primeira vez na trip me permiti dormir até a hora em que meu corpo quisesse. (Respeitando o horário do check out, é claro).
      Esses poucos dias foram lindos e intensos e conheci muita gente boa e especial pelo caminho. Muitas mulheres ficam com receio de sairem sozinhas por ai afora e posso dar a dica de ouro: SE JOGA!! Quando emanamos boas energias, boas pessoas e bons momentos serão atraídos até a gente. Não se limite a esperar cia, às vezes a sua agenda e de seus amigos podem não bater e você perde a oportunidade de fazer bons novos amigos pelo caminho.
      Ir para novos lugares é um prazer imenso e uma perfeita válvula de escape para mim, mas voltar para casa tb me alegra, e muito.

      Espero ter colaborado um pouco para o planejamento de algumas pessoas e mostrar que a Ilha da magia, mesmo em céu cinzento é linda e acolhedora.
      Qualquer dúvida que tiverem podem me perguntar que será um prazer ajudar. Tenho comigo a planilha de gastos dessa viagem, caso necessitem.

       
       
       
       
       
       
       
       
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