Ir para conteúdo
  • Faça parte da nossa comunidade! 

    Encontre companhia para viajar, compartilhe dicas e relatos, faça perguntas e ajude outros viajantes! 

brunner

Viajando de carro por 5 meses por toda Nova Zelândia (com custos e mapas!)

Posts Recomendados

Olá mochileiros de plantão,

 

Estarei dando início aqui ao meu primeiro relato no Mochileiros.com. Este relato, uma viagem de carro (roadtrip) de 5 meses pela Nova Zelândia, é o primeiro de uma série de viagens que estou fazendo em minha volta ao mundo.

Um pouco sobre mim e minha volta ao mundo: Aos 28 anos eu resolvi vender tudo que tinha no Brasil e partir numa viagem de volta ao mundo como nômade: sem destino certo, sem roteiro, sem planos, sem data para voltar, morando e trabalhando em alguns países por onde passo.

Tenho uma página no Facebook(https://www.facebook.com/theworlduponmyshoulders), e um blog, o The World Upon my Shoulders (http://worlduponmyshoulders.com/), onde escrevo sobre os destinos que visito e dou dicas de como viajar barato e ser um nômade ao redor do mundo. Lá você vai encontrar muito mais informações complementares às que estão relatadas aqui. Curte lá, vai!

banner_fb_final.jpg.2ab8cbe498d46dc5a8ca46c89a1aa526.jpg

Chega de falar de mim e vamos ao que interessa, mas primeiro algumas considerações sobre a viagem devem ser feitas:

 

- A viagem que será aqui relatada foi realizada de Abril a Agosto de 2014;

- Como não tinha planos de fazer um relato, alguns custos (com comida, na maior parte dos casos) serão omitidos;

- Todos os custos mencionados são em NZ $ (Dólar Neozelandês), cujo câmbio era aproximadamente 1$ = 2 R$ na época;

- Kiwi é uma palavra muito usada na Nova Zelândia, e pode significar três coisas:

* A frutra kiwi, também muito encontrada no Brasil;

* Um pássaro nativo do país;

* Como os neozelandeses são carinhosamente chamados;

- Como utilizei de Couchsurfing e hospedagem na casa de amigos e pessoas que eu conheci na estrada além de ter passado a maior parte das noites dormindo no carro, o relato não inclui muitas informações de acomodação;

- Durante os 5 meses visitei praticamente todas as maiores cidades do país, com exceção de Gisborne.

- Como já tenho muitas informações publicadas no meu blog (http://worlduponmyshoulders.com/), o relato será focado na primeira pessoa do singular (EU!), com observações e comentários mais pessoais sobre os lugares que passei;

- Desde Setembro de 2014 tenho vivido na Nova Zelândia, mais especificamente em Queenstown, trabalhando e juntando uma grana para continuar viajando. Se você estiver em busca de alguma dica específica, dê uma olhada no meu blog (http://worlduponmyshoulders.com/) ou faça uma pergunta nos comentários que terei o maior prazer em responder;

 

Para facilitar a visualização vou atualizando o índice a seguir com os posts publicados:

Parte 1 - Preparativos, chegada à Nova Zelândia, Auckland e arredores: http://www.mochileiros.com/post1097422.html#p1097422

Parte 2 - Northland (Whangarei, Russell, Paihia, Waitangi, Whangaroa, Cape Reinga e Ninety Mile Beach): http://www.mochileiros.com/post1099796.html#p1099796

Parte 3 - Coromandel Peninsula (Cathedral Cove e Hot Water Beach), Bay of Plenty (Tauranga e Whangarei) e Waikaremoana Track: http://www.mochileiros.com/post1101829.html#p1101829

Parte 4 - Hawke’s Bay (Napier e Hastings), Taupo, Tongariro Alpine Crossing, Taihape, Rotorua e Hobbiton: http://www.mochileiros.com/post1106116.html#p1106116

Parte 5 - Hamilton, Waitomo, New Plymouth, Mount Taranaki, Whanganui, Palmerston North, Wellington e região:

http://www.mochileiros.com/post1107733.html#p1107733

Parte 6 - Picton, Abel Tasman National Park, Westport, Punakaiki Blowholes, Lake Brunner, Franz Josef/Fox Glacier e Wanaka: http://www.mochileiros.com/post1115679.html#p1115679

Parte 7 - Glenorchy, Paradise, Queenstown, Invercargill, Bluff e Catlins: http://www.mochileiros.com/post1141883.html#p1141883

Parte 8 e final - Dunedin, Elephant Rocks, Clay Cliffs, Mount Cook, Lake Tekapo , Kaikoura e Christchurch: http://www.mochileiros.com/post1148050.html#p1148050

Espero que aproveitem!

 

[t3]Preparativos:[/t3]

 

Brasileiros não necessitam de visto para entrar na Nova Zelândia, mas alguns requerimentos precisam ser atendidos para se obter o visto de turista, válido por 3 meses, na chegada, como ter uma passagem de saída do país dentro dos 3 meses e o equivalente a NZ $ 1000 dólares por mês para se manter durante sua estadia.

 

Pesquisando bem, consegui uma passagem de Santiago a Auckland por R$2400 reais, e, como eu não queria voltar ao Brasil, uma passagem de saída para Singapura por R$1000 reais, que eu poderia trocar no futuro. Com o uso de algumas milhas que eu tinha guardadas, ainda conseguiria fazer uma viagem de alguns dias por Buenos Aires e Santiago antes de pegar o vôo para Auckland. Nada mal!

 

Com a situação da passagem resolvida, agora eu precisava resolver a grana. Eu precisaria de comprovar pelo menos $3900 no aeroporto, caso contrário correria o risco de ter meu visto negado e ser mandado de volta pro Brasil. Devido a problemas na minha antiga conta bancária empresarial, fiquei sem cartão de crédito e débito internacional na véspera da viagem, e o jeito foi sacar a grana e levar em cash. Usando um fator de cagaço, levei US$ 5000 devidamente em espécie. O dinheiro também estava resolvido!

 

Com passagem e dinheiro garantido, só me restava esperar a minha saída do Brasil, que seria no dia 6 de Abril, com destino à Buenos Aires. Mas antes eu tinha a terrível tarefa de arrumar as mochilas pela frente.

Não houveram grandes preparativos em termos de equipamento e/ou roupas, uma vez que eu já tinha tudo comprado para mochilões passados. A grande dificuldade nesse caso foi gerenciar o que seria levado, já que eu sabia que essa seria uma viagem longa e sem data para voltar.

 

Tive que selecionar muito bem tudo o que seria levado, afinal minhas únicas bagagens seriam minha mochila cargueira de 95L e uma outra menor, de 35L apenas. No final das contas foram colocados nas mochilas 2 calças jeans, 2 calças mais leves, 1 conjunto primeira pele calça+camisa, 1 jaqueta goretex com revestimento interno fleece, 2 blusas de frio, 2 pares de tênis, 1 par de chinelos, 6 camisetas, 3 camisas polo, 3 camisas xadrez, 5 bermudas, 2 cintos, 1 par de luvas de frio, gorro, uma dúzia de cuecas e uns 10 pares de meia. Além das roupas tive que deixar espaço para o notebook, câmera fotográfica, máquina de cortar cabelo, pilhas recarregáveis, remédios, produtos de higiene, protetor solar, repelente e outras pequenas coisas. As mochilas estavam prontas!

 

A ansiedade crescia, mas o dia da partida finalmente chegou! Após um ônibus noturno de Vitória para o Rio de Janeiro, dois vôos e alguns dias pelas capitais argentina e chilena (não longo o suficiente para se criar um relato), finalmente embarquei no avião que me levaria até o tão aguardado destino: A Nova Zelândia!

 

[t1]Parte 1 - Chegada à Nova Zelândia: Auckland e arredores[/t1]

 

[t3]Chegando na Nova Zelândia: Auckland[/t3]

 

Após 13h de vôo à partir de Santiago, finalmente cheguei à Auckland. Como a Nova Zelândia está no “futuro”, com 15h na frente do Brasil, eu praticamente perdi um dia, já que eu saí do Chile no dia 8 de abril por volta das 11 da noite e cheguei na Nova Zelândia às 4 da manhã do dia 10!

 

Nós brasileiros necessitamos basicamente de duas coisas para conseguir o visto de turista na chegada à Nova Zelândia:

- Ter uma passagem de saída do país dentro do período de 3 meses;

- Comprovar que tem $1000 por mês que for ficar no país (pode ser cash, extrato bancário ou cartão de crédito válido com faturas recentes mostrando que você tem limite suficiente.

 

Desembarcando do avião, a primeira parada foi no balcão da imigração. Seria ali que eu teria mostrar todos os documentos necessários e tirar meu visto de turista que seria válido por 3 meses. Estava tudo em mãos: $5000 dolares em cash, passagem de saída para Singapura antes de 3 meses e uma reserva de um dia no hostel só para ter uma referência de um lugar que eu ficaria caso me perguntassem.

 

Para minha surpresa, chegando a minha vez o atendente elogiou minha tatuagem, perguntou se eu estava vindo pra estudar ou trabalhar, pegou meu passaporte e carimbou e sequer me pediu algum documento. Nunca achei que seria tão fácil entrar na Nova Zelândia!

 

Uma vez oficialmente em terras Neozelandesas eu precisava chegar ao centro da cidade, que fica longe do aeroporto. Como ainda eram 5 da manhã eu só tinha duas opções para se chegar na city (como as pessoas se referem ao centro por aqui): pegar um taxi, que custaria facilmente mais de $60, ou o ônibus 24h que circula entre o aeroporto e a city a cada 15 min, e custa $16. Apesar de caro, peguei o ônibus.

 

O ônibus parou exatamente em frente ao Base Backpackers, o hostel que eu tinha uma reserva feita por uma noite por $24. Como ainda eram 5h da manhã eu ainda teria que esperar até as 13h para fazer o check-in, ou fazer um upgrade para um quarto single por mais $26. $24 já era muito por uma noite, e decidi aguardar até o início da tarde. Enquanto o tempo não passava, decidi explorar a cidade com um inglês e uma chilena que estavam no hostel na mesma situação que eu.

 

Como o hostel fica na Queen St, bem no centrão de Auckland, não demoramos muito a conhecer a principal avenida da cidade. Praticamente andamos do hostel ao Harbour e voltamos, num total de 30min de caminhada mais algumas paradas. Apesar de curto já deu pra sentir a vibe da cidade: muita gente de diferentes etnias andando (correndo) de um lado para o outro, como uma típica cidade grande. Muitos indianos, asiáticos, bastante caucasianos e alguns poucos latinos.

IMG_0002.jpg.ebd1b6f2371f0a6ba883f62da2489f21.jpg

auckland-5.jpg

auckland-6.jpg

No Harbour foi possível conferir um visual melhor da cidade: bastante moderna, cheia de prédios novos no centro, a Skytower (símbolo da cidade e figura onipresente em todas as fotos urbanas tiradas por aqui) e centenas de pequenos e médios barcos ancorados, fazendo jus ao apelido de “Cidade das Velas” atribuído à Auckland. Como o cansaço, sono e jetlag ainda batiam, fizemos uma parada rápida no Burger King e voltamos pro hostel.

harbour.jpg

Ainda faltavam umas 2 horas antes do check-in, então resolvi entrar em contato com família e amigos no Brasil e dar sinal de vida. Na hora de conectar o laptop à internet veio a surpresa: a internet era paga! Perguntei ao cara da recepção e ele me disse que raramente eu encontraria hostels com internet gratuita na Nova Zelândia, e se eu quisesse me conectar seriam $4 por um dia inteiro. Dadas às circunstâncias, resolvi pagar.

 

Após alguns minutos conversando com a família pelo Facebook, uma amiga veio puxar papo. Ela me perguntou se eu tinha lugar para ficar e eu respondi que só por uma noite, e não tinha planos para depois. Após alguns minutos ela me retornou dizendo que tinha um amigo em Auckland e que ele poderia me hospedar se eu quisesse. Fiquei meio confuso, e 5 min depois um cara me adicionou no Facebook. Aceitei, e começamos um papo que foi mais ou menos assim:

 

Ele: E ai? Ta em Auckland?

Eu: Sim, cheguei hoje cedo.

Ele: A Mainá me disse que você está precisando de um lugar pra ficar.

Eu: Bom, acabei de chegar e preciso resolver o que vou fazer da minha vida por aqui. Por enquanto só tenho uma noite aqui no Base.

Ele: Você pode ficar aqui em casa se quiser.

Eu: Sério mesmo? Muito obrigado! Prometo não ficar muito tempo.

Ele: Relaxa, você pode ficar quanto tempo quiser. Posso te buscar agora?

Eu: Obrigado novamente! Já paguei pela próxima noite, mas posso ir amanhã se não tiver problemas.

Ele: Sem problemas, nos vemos amanhã então!

 

Fechei a conversa e pensei comigo: Parece ser bom demais pra ser verdade!

 

Eram por volta das 13h e eu sabia que dormir a esse horário só atrapalharia minha adaptação ao horário na Nova Zelândia, por isso fiz o check-in, deixei as mochilas no quarto e fui me encontrar com a Luisa, uma amiga da minha irmã que mora em Auckland e precisava pegar algumas coisas que eu tinha trazido pra ela. Encontramos-nos na entrada do Base e caminhamos ao longo da Queen St em direção ao Harbour (de novo) onde batemos papo por um tempo e vimos o pôr do sol antes de eu voltar ao hostel. Mais um pouco de internet e finalmente cama!

 

Acordei cedo e ansioso no dia seguinte, arrumei minhas mochilas e fui me encontrar com Simon, o cara que iria me hospedar em Auckland. 15 minutos depois ele me buscou no Base e me levou até sua casa, que fica em Grafton, um bairro próximo ao centro de Auckland. Chegando lá ele tinha um quarto com cama de casal só para mim, e após algumas horas de conversa sobre viagens, dirigir na Nova Zelândia e Brasil, ele me disse que naquele dia seria o aniversário de 21 anos de uma amiga dele e que eu estava convidado. O único “inconveniente” seria que precisávamos estar lá antes do horário para ajudar na preparação da festa.

casa.jpg

De Grafton fomos para Titirangi, um subúrbio em West Auckland, onde conheci a aniversariante e toda família além de ajudar nos preparativos da festa, incluindo os Jelly Shots, copinhos de gelatina com vodka. O aniversário de 21 anos é considerado muito importante na Nova Zelândia pois simboliza a maturidade do filho, e é comum que o aniversariante receba uma chave dos pais, reconhecendo a livre inda e vinda do filho à casa. Após muita comida boa, alguns drinking games, jelly shots e cervejas locais somados ao jetlag que eu ainda estava sentindo, não consegui resistir ao sono e capotei no sofá em plena festa. Um novo país com direito à uma boa receptividade, um lugar para ficar e novos amigos: meu início na Nova Zelândia não poderia ser melhor!

festa.jpg

festa1.jpg

guilherme.jpg

A semana seguinte eu aproveitei para conhecer melhor a cidade e algumas atrações turísticas. Um dos pontos mais visitados na cidade é o Mount Eden, que é um vulcão adormecido que fica a 40 min de caminhada do centro da cidade, com vista panorâmica de Auckland e seus subúrbios.

mounteden.jpg

mounteden1.jpg

Auckland tem muitos parques espalhados por toda a cidade, como o Albert Park e o Auckland Domain. O primeiro está bem no coração da cidade, enquanto o segundo, além e ser o maior parque da cidade, contém também o Auckland Memorial Museum, que é um dos museus mais completos do país.

aucklanddomain.jpg

museuauckland1.jpg

Como eu só tinha dólares americanos, a melhor opção que eu tinha era trocá-los por dólares neozelandeses. Diferentemente de países sul americanos, não existem barraquinhas de câmbio pelas ruas por aqui, mas existem muitas casas de câmbio oficiais, bancos e algumas lojas (a melhor opção dentre as três mencionadas) que fazem a troca. A melhor forma de achar o câmbio mais barato é caminhar a Queen St sempre que for trocar, e observar qual loja faz o melhor preço, uma vez que eles mudam praticamente todos os dias.

 

Outra coisa que percebi de cara é que as pessoas raramente carregam dinheiro (cash) consigo na Nova Zelândia. Máquinas de cartão de crédito/débito são encontradas em todos os lugares, e como eu ficaria um bom tempo no país, resolvi abrir uma conta num banco local, o ASB, assim eu poderia depositar meu dinheiro lá e só usar o cartão.

 

Passados alguns dias em Auckland eu percebi que seria difícil conseguir um emprego sem possuir um visto de trabalho de antemão, e já estava fazendo planos para viajar o país enquanto Setembro, mês que abre as inscrições para o Working Holiday Visa, não chegava.

 

Numa quarta-feira resolvi participar do Couchsurfing Weekly Meeting em Auckland, e minha inclinação para viajar logo pelo país só aumentou. No encontro eu conheci Jegor, um cara da Estônia que tinha acabado de chegar ao país e estava pensando em viajar de carro. Ele me mostrou alguns custos sobre uma roadtrip pela Nova Zelândia, e eu fiquei muito tentado a fazer uma. Trocamos telefone e combinamos de ver alguns carros durante a semana e decidir se iríamos viajar juntos ou não.

 

Para aqueles que não sabem, a Nova Zelândia é um país muito fácil para se viajar de carro devido à facilidade em se comprar uma van de outros viajantes e fazer a tão sonhada roadtrip pelo país. Além disso é uma ótima forma de conhecer o país, pois você pode parar onde quiser e economizar uma grana com acomodação, umas vez que pode dormir no carro.

 

Com isso em mente, Jegor e eu passamos a olhar diariamente os anúncios em sites de venda como Trademe e Gumtree, e também checamos feiras e lojas de carros usados em busca daquela que seria a campervan ideal para a viagem. Enquanto não achávamos o carro ideal, exploramos um pouco mais o que Auckland tinha a oferecer.

Junto com Sophia, uma kiwi que conheci na festa de aniversário de 21 anos na minha segunda noite na Nova Zelândia, Jegor e eu fomos à Rangitoto Island, que é uma ilha vulcânica situada na baía de Auckland. Existe uma trilha passando por cavernas de lava e solos pedregosos que leva até o topo do vulcão, que é completamente coberto de mata, e oferece vistas espetaculares de toda região de Auckland. O ferry saindo do porto de Auckland custou $28 ida e volta.

rangitoto1.jpg

rangitoto.jpg

cavernadelava-1.jpg

auckland.jpg

aucklandwaterfront.jpg

Outro lugar que também explorei junto com Sophia foi North Shore, ao norte de Auckland. Lá existem algumas caminhadas em Mount Victoria (mais um vulcão adormecido), alguns bunkers desativados da Segunda Guerra Mundial, vista de Rangitoto Island e alguns cogumelos artificiais pra fãs de Super Mario Bros nenhum botar defeito.

IMG_0089.jpg.07d472317ec3c2b890bc44da23b51160.jpg

A semana foi passando e após alguns contatos com vendedores de carros, finalmente achamos o carro ideal. Jegor e eu compramos um Mazda MPV ano 98 de um casal de israelenses que estavam loucos para deixar o país por um preço abaixo do mercado. O carro tinha 185.000 km rodados, uma rodagem normal para a Nova Zelândia, e nos custou $2700, incluindo alguns acessórios de camping.

 

Levamos o carro a um mecânico em Ponsonby antes de fechar o negócio, e o ele chegou o carro sem nos cobrar nada. Seriam necessários alguns poucos ajustes, mas o carro estava em boas condições de viajar naquele momento. Fechado o negócio, fizemos a transferência da titularidade do carro para o meu nome nos correios (sim, aqui se faz essas coisas nos correios), e em menos de 10 minutos o carro era oficialmente meu.

campervan-1.jpg

Com o carro em mãos, fomos às comprar de material de camping como inversor de potência para carregar laptop e celular durante a viagem, saco de dormir, colchão inflável, caixas plásticas, toalhas, latas de gás de cozinha entre outros totalizando $262.

 

Já tínhamos praticamente tudo que precisávamos para viajar, exceto o destino. Resolvemos então fazer uma viagem teste para Northland, que é uma região ao norte de Auckland, e nossa idéia era testar o carro, nossa resiliência em dormir nele, e principalmente, se a parceria entre Jegor e eu daria certo. Nosso plano ideal era viajar por Northland em 2 semanas.

 

Ainda faltava uma coisa: mais companhias. Sem hesitar, comparecemos mais uma vez ao Couchsurfing Weekly Meeting e recrutamos mais 4 pessoas para viajar conosco: Cameron (EUA), Bronnie (NZ), Toli (Russia) e Ivy (Australia), sendo que os últimos dois já estavam viajando juntos e se juntariam a nós em seu próprio carro.

Após duas semana em Auckland, passamos em Mount Eden para ver o pôr do sol e nos despedir da maior cidade do país, e no dia seguinte pegamos a estrada rumo à Northland!

10277777_226673267539381_7260161000290237916_n.jpg.9e58a4c7b695b5f5a70d6eedff0ee632.jpg

 

[t3]Auckland: Impressões e dicas[/t3]

- Auckland é a maior cidade do país, com cerca de 1 milhão e meio de habitantes. Andando pelo centro se pode notar que Auckland é uma cidade internacional, com gente de todo o mundo.

- Os Maoris se orgulham muito da sua cultura e se mesclaram aos imigrantes, fazendo parte da sociedade de igual para igual. A cultura Maori pode ser vista em todos os cantos da cidade, seja museus, arte no meio da rua ou nas tatuagens faciais.

- Como todo o país, Auckland é uma cidade muito cara. Os custos com moradia, alimentação e transporte público são muito altos e este último é bastante ineficiente.

- Apesar de ser a maior cidade do país, Auckland não passa uma sensação de Metrópole quando comparada à cidades brasileiras. Andar na Queen St durante o dia é como caminhar na Avenida Paulista, mas basta sair do centro que a figura muda completamente. Basicamente não há vida noturna fora do centro da cidade ou de Ponsonby e dificilmente você verá pessoas caminhando ou se exercitando em outros bairros após o pôr do sol. É claro que existem pequenas lojas, postos de gasolina e supermercados fora do centro, mas esqueça bares, agito e qualquer outro movimento humano depois do escurecer!

- Existem cerca de 43 vulcões na região de Auckland, mas todos estão praticamente adormecidos. Basicamente, todo e qualquer morro na cidade é ou já foi um vulcão um dia.

- Muitas pessoas não costumam explorar Auckland além do centro urbano, mas a verdade é que os entornos da cidade têm muito a oferecer. Além dos clássicos Skytower, Mount Eden, Auckland Domain e Auckland Museum, há lugares menos visitados e lindíssimos como a praia de areia preta Piha Beach, a ilha de Rangitoto, o Parque Nacional de Waitakere Ranges, Misson Bay e North Shore/Devonport.

- Hostels, aqui chamado de Backpackers, não oferecem café da manhã ou internet inclusos;

- Uma boa forma de se manter conectado à internet no país é comprar um chip da operadora Spark (antiga Telecom). Com $20 mensais você pode assinar um plano que te oferece 100 minutos de ligação local, SMS ilimitado, 500 Mb de internet 3G e 1 GB de Wifi por dia nas proximidades das cabines telefônicas da operadora.

- Carros usados são relativamente baratos por aqui (principalmente se compararmos com o valor que pagamos por veículos no Brasil), mas a maioria dos carros abaixo de $5000 são velhos (lê-se década de 90).

- Na Nova Zelândia se dirige na mão esqueda, assim como na Inglaterra.

- As pessoas, de uma maneira geral, são bem amigáveis e solícitas. Uma simples pergunta de direção na rua pode te render um cafézinho grátis se você tiver sorte o suficiente.

 

Para maiores informações e dicas sobre a Nova Zelândia, visite o meu Blog (http://worlduponmyshoulders.com/ e curta a página no Facebook (https://www.facebook.com/theworlduponmyshoulders)!

 

To be continued...

IMG_0072.jpg.c9e599f366f0c4ffad30140b3b3737b7.jpg

IMG_0074.jpg.eae08b6b5cc75164d07a9c1dd6ab4336.jpg

IMG_0081.jpg.375ae73db37cf5c8f1a1c55ae94269bf.jpg

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

[t1]Parte 2: Northland (Whangarei, Russell, Paihia, Waitangi, Whangaroa, Cape Reinga e Ninety Mile Beach)[/t1]

mapa.jpg.7f2d4ad307ac8e85a7808d674b2e1793.jpg

Finalmente a roadtrip pela Nova Zelândia tinha começado! Saímos de Auckland por volta das 5 da tarde, algumas horas antes do anoitecer, e nosso plano era passar a noite na cidade de Whangarei.

Pegamos a SH1, que é a principal rodovia que liga Auckland ao norte, com destino a Whangarei, aproximadamente 160 Km ao norte de Auckland. Alguns quilômetros nela e nos deparamos com um pedágio, que apesar de ser apenas $2.20 já me deixou surpreso com o país. Se você estiver com pressa e não quiser pagar o pedágio, basta continuar sua rota e pagar o pedágio pela internet.

 

[t3]Whangarei[/t3]

Já era noite quando chegamos à Whangarei, e a cidade estava morta. Como estávamos em 4 pessoas não seria possível todos dormirem no carro, logo precisaríamos arrumar lugar para acampar. Decidimos assim ficar no Whangarei Top 10 Holiday Park, onde pagamos $18 por pessoa para ter o direito de armar a barraca e tomar um banho.

Whangarei é a maior cidade de Northland, região ao norte de Auckland, e tem atrações bem distintas. No dia seguinte fomos explorar o que a cidade tinha a oferecer!

10156036_227490934124281_1464919210370523191_n.jpg.e897efa686189a332734242b5d8ca82c.jpg

Começamos por visitar a Whangarei Falls, que é a cachoeira mais fotografada do país segundo o Lonely Planet. O mais interessante dessa cachoeira é que você pode chegar perto da queda, seja por cima ou por baixo, além das pequenas trilhas nas proximidades, todas muito repletas de verde.

whangareifalls.jpg

whangareifalls1.jpg

Outro lugar que visitamos foi o AH Reed Memorial Kauri Park, que é uma reserva com varias árvores Kauri, que podem chegar a 16m de altura em média. No parque há diversas caminhadas, e algumas cachoeiras também.

reedmemorialkauripark.jpg

Saindo do parque fomos até Abbey Caves, que é um complexo de cavernas na região. Essas cavernas, aparentemente, foram esculpidas pelos riachos e hoje são uma atração imperdível na região. O uso de lanterna é imprescindível devido à escuridão que toma conta de cada canto.

abbeycaves1.jpg

Cameron e eu tentamos encontrar o fim de uma das cavernas, mas chegou um ponto que estava tão fundo que decidimos voltar. By the way, enguias são uma companhia constante nas águas profundas destas cavernas 

abbeycaves.jpg

Como já era tarde, fomos novamente caçar um lugar pra dormir quando Toli surgiu com uma ótima informação. Ele nos contou sobre um aplicativo para smartphones, o Campermate, que é um banco de dados feito pelo governo neozelandês (e também com sugestões de usuários) com áreas de free camping, banheiros públicos, atrações, centro de informações turísticas e etc. Baixei o aplicativo imediatamente!

O lugar indicado por Toli não era exatamente liberado para camping, mas tinha um ponto cego que somente quem chegasse bem perto poderia descobrir. Estávamos todos muito receosos porque acampar em lugar não permitido na Nova Zelândia pode render uma multa de $200, mas decidimos arriscar ainda assim. Aquela noite tivemos também um jantar coletivo, muitos papos sobre viagem e alguns momentos, diria eu, inusitados.

IMG_0298.jpg.7f15a98596bef4cb911a704114ca3d62.jpg

IMG_0299.jpg.46c4dc071afb7ceaa5331578378a75af.jpg

IMG_0300.jpg.f528fd8809143e26432d8a695bb1d3eb.jpg

Passada mais uma noite em Whangarei era hora de explorar as praias locais. Já fazia fria essa época do ano e ninguém quis arriscar entrar na água, mas deu pra dar uma sacada no visual.

As praias de Whangarei Heads apresentam um visual selvagem e familiar ao mesmo tempo, já que as águas são aparentemente calmas e cheias de casas de veraneiro. Não é muito difícil de se imaginar como seria essa praia no verão, cheia de gente!

whangareiheads.jpg

IMG_0321.jpg.7a6aa6cd0120fdcf1f649e8cde6a0296.jpg

IMG_0328.jpg.ecd1b75a0aee65818e5bc73825148e72.jpg

A última parada antes de partir foi em Parihaka Scenic Reserve, que é um mirante com vista da cidade e região. Uma perfeita despedida antes de pegar a estrada novamente, dessa vez para Bay of Islands!

IMG_0334.jpg.9edbd622ef462818e7e73a67388a1b9e.jpg

[t3]Bay of Islands (Russell, Paihia e Waitangi)[/t3]

Bay of Islands é dos pontos mais turísticos de Northland, e recebe esse nome devido às inúmeras ilhas que compõe a baía, são 144 no total. Além de um cenário lindo de morrer, Bay of Islands tem uma importância histórica muito grande na Nova Zelândia.

Começamos a explorar Bay of Islands por Russell, que fica a 76 Km ao norte de Whangarei seguindo pela SH1, mas dessa vez fomos pelo litoral, aproveitando a paisagem e socializando mais durante as refeições na estrada.

IMG_0337.jpg.25a89524c78d3eb96272ebb70ef9d0d9.jpg

IMG_0355.jpg.c449be9d023e0ea3bdd248e54386321b.jpg

IMG_0353.jpg.48076ac43e50798342cfa7d4d58303dd.jpg

Bay of Islands foi onde se iniciou o assentamento de europeus na Nova Zelândia, e Russell foi a primeira capital do país após a independência em 1840. A cidade, que já foi considerada “um lugar repleto de recusados pela sociedade”, não passa de uma pacata vila repleta de cafés hoje em dia.

Como chegamos ao final do dia, passamos a noite no Russell Top 10 Holiday Park por $23 por pessoa, e fomos explorar a “cidade” no dia seguinte.

Não há muito que se fazer em Russell além de uma curta caminhada pela marina e tirar umas fotos pagando de turistão. Após passarmos a manhã por lá, atravessamos a baía numa balsa ($8 por veículo e adicional e $2 por pessoa) até Paihia, do outro lado de Bay of Islands.

russel-1.jpg

russel-3.jpg

russel-2.jpg

bayofislands-1.jpg

Paihia é sem dúvida a cidade mais turística de Bay of Islands, pois são onde estão os melhores hostels (backpackers), melhores restaurantes e é de onde saem todos os tours da região. Como Cameron tinha que partir de volta à Auckland naquela noite, não perdemos tempo na cidade inicialmente e já fomos em busca de algo a se fazer.

Dessa vez fomos conhecer nada mais nada menos que outra cachoeira, a Rainbow Falls. A queda de 30m tem esse nome porque é possível ver um arco-íris dependendo do horário e do ângulo que se olha para ela.

rainbowfalls-2.jpg

rainbowfalls-1.jpg

Com um a menos no grupo, já que tivemos que deixar Cameron no ponto de ônibus por volta das 6 da tarde, e a noite chegando, precisávamos encontrar um lugar para passar a noite. Jegor queria ficar em algum hostel, mas eu não estava a fim de ficar gastando muito dinheiro com acomodação. Toli começou a me explicar como era dormir no carro pelo país sem ser pego, e eu comecei a acreditar que seria uma boa fazer o mesmo. Naquela noite e nas 2 seguintes dormimos no carro em uma rua pouco movimentada e não tivemos nenhum problema.

No nosso segundo dia em Paihia fomos velejar! Por $90 por pessoa fizemos um tour num barco à vela na baía, com uma parada na ilha Motuarohia. Além de o capitão deixar a gente tomar conta do leme de vez em quando, o tour ainda incluía almoço, uso de kayaks e snorkeling durante as 2h que tivemos na ilha. Nada mal!

bayofislands-2.jpg

bayofislands-3.jpg

bayofislands-5.jpg

bayofislands-4.jpg

bayofislands-6.jpg

Após um dia inteiro velejando e curtindo o mar, ainda tivemos energia para aproveitar um Quiz Night no Base Backpackers em Paihia.

xbase.jpg

No terceiro e último dia em Paihia, Jegor, Bronnie , Ivy e eu fizemos um tour histórico em Waitangi Treaty Grounds, há menos de 10 minutos ao norte de Paihia.

Waitangi, localizada a menos de 1 Km ao norte de Paihia, é um lugar de muita importância na história neozelandesa por ter sido o local onde o Tratado de Waitangi foi assinado por diversos chefes Maoris e a Coroa Britânica em 6 de fevereiro de 1840, estabelecendo direitos e deveres entre estes povos, e também onde a Declaração de Independência da Nova Zelândia foi assinada 5 anos depois, em 28 de outubro de 1845.

Hoje, o local onde foi assinado o Tratado de Waitangi, Waitangi Treaty Grounds, é um museu ao céu aberto controlado pelo governo neozelandês e recheado de atrações que remetem ao século 19 e à cultura Maori. A entrada custa $25, e uma vez lá dentro pode-se pagar pelo tour guiado, $10, e até uma performance cultural feita pelos descendentes Maoris residentes na região, $10.

marae.jpg

waitangi-2.jpg

waitangi-1.jpg

maori-2.jpg

maori-3.jpg

maori-1.jpg

Toli e Ivy decidiram voltar para Auckland, e Jegor, Bronnie chegamos à conclusão que nosso tempo em Paihia tinha se esgotado e continuamos a viagem por Northland. Nosso próximo destino seria Whangaroa, mas desviamos o caminho um pouco até Kaihoke,uma região com vários geisers e piscinas de águas termais, onde acampamos por $8 e por mais $4 tivemos acesso às piscinas de água quente do camping.

IMG_0626.jpg.312d987bd749f133a212cd68804f19f2.jpg

IMG_0629.jpg.6053190cee979afc482d168c3b87e3c0.jpg

No dia seguinte pegamos a SH10 rumo ao norte, passando por Matauri Bay e passando a noite em Whangaroa, aproximadamente 60 Km de Paihia, que é uma pequena vila com muitas casas de veraneio. Lá conhecemos Mirko, um alemão que estava viajando sozinho em seu carro, e como estava sem planos, decidiu se juntar a nós na roadtrip pelo país. Um dos highlights de Whangaroa é subir a St. Pauls Rock, onde se tem uma vista panorâmica de todas as montanhas da região e também do mar.

matauribay.jpg

stpauls.jpg

stpauls2.jpg

stpauls3.jpg

Continuamos assim pela SH10 com mais um companheiro de viagem, passando por Mangonui e Doubtless Bay até chegar à Península de Karikari. Este dia foi de longe um dos mais divertidos da viagem por Northland, pois tiramos algumas fotos ridículas com as placas que encontramos no caminho, além de temos chegado a uma praia belíssima e deserta só pra gente na península.

DSC01477.jpg.9d8f1d62d75fed7ae31cef85d96cb653.jpg

karikari.jpg

karikari1.jpg

Uma ótima forma de fechar o dia foi assistir a um dos mais bonitos pores do sol que já vi na minha vida naquela praia deserta e com companhias de viagem fenomenais!

karikari2.jpg

[t3]Cape Reinga[/t3]

Seguindo a estrada novamente no dia seguinte chegamos a Cape Reinga, que fica a 135 Km de Mangonui e é o ponto mais ao norte da Nova Zelândia. De um visual explendido, o local é muito famoso pelas diversas caminhadas de diversas durações, pelo farol no final da trilha principal e pelo encontro dos Oceano Pacífico e o Mar de Tasman. Além disso, é um lugar sagrado para os nativos, pois segundo a mitologia Maori os espíritos dos mortos têm que viajar até Cape Reinga, de onde saltam para a pós-vida, descem até o submundo e retornam para sua terra natal, Hawaiki.

capereinga2.jpg

capereinga.jpg

capereinga3.jpg

capereinga4.jpg

Uma vez atingido o extremo norte do país, era hora de voltar aos poucos para Auckland, mas dessa vez explorando a costa oeste de Northland.

 

[t3]Te Paki Sand Dunes[/t3]

Na estrada novamente, paramos em mais um paraíso inesperado na Nova Zelândia: as dunas de areia de Giant Te Paki, 20 km ao sul de Cape Reinga. Essas dunas estão muito próximas do mar, e são fáceis de ser acessadas caso também esteja viajando de carro. No local é possível alugar pranchar de boogie board por $5 a hora e descer as dunas quantas vezes quiser. Como não havia nenhuma prancha própria de sandboard ou snowboard que se possa descer em pé, eu preferi não participar da brincadeira e aproveitei o momento pra explorar as dunas e tirar algumas fotos.

IMG_0792.jpg.02ada14a3790b3a64fce63610d2033c8.jpg

IMG_0797.jpg.306819d06374073ff1e2cdd3719aadfa.jpg

[t3]Ninety Mile Beach[/t3]

Não vendo tudo que Northland tinha a oferecer, fomos checar a famosa praia de Ninety Mile Beach, que apesar do nome tem aproximadamente noventa quilômetros e não noventa milhas. Como praia e sol era algo raro pra Jegor, que tinha passado seus últimos anos vivendo em Londres, colocamos o carro na praia e dirigimos por cerca de uns 40 km de Ninety Mile Beach Holiday Park até Ahipara. A aventura excedeu as expectativas, com vários drits na areia e momentos para serem guardados na memória para sempre.

ninetymilebeach2.jpg

ninetymilebeach.jpg

ninetymilebeach1.jpg

Em Ahipara chegamos à conclusão que já tínhamos visto basicamente tudo o que queríamos em Northland, e voltaríamos para Auckland logo. Fizemos uma parada de 2 dias em Paihia novamente, e de lá nos despedimos em direção à maior cidade do país. No total nossa trip em Northland durou cerca de 3 semanas.

 

De volta a Auckland as coisas meio que voltaram a ser como antes. Eu voltei a ficar hospedado na casa de Simon, mas dessa vez tinha a companhia de Mirko, que resolveu continuar na estrada com a gente por mais tempo. Enquanto isso, Bronnie voltou a sua vida cotidiana em Auckland. Foram 2 semanas de volta à uma cidade grande, onde pude visitar o Zoológico de Auckland ($25 por adulto)...

IMG_0837.jpg.e46347ad8eacf20cebe8eb0150fa6bc2.jpg

IMG_0848.jpg.2d1765a810dc26a41aa4cf0af7b7c8fc.jpg

IMG_0862.jpg.850da2a3980f7b920dde7dc8944930f3.jpg

IMG_0863.jpg.45818a4bd177d0a3d5617c048fbbc340.jpg

IMG_0869.jpg.beed003c0f06e24e68c8a434f13c6fc8.jpg

...e consertarmos algumas coisas ruins que foram aparecendo no carro, como:

Vazamento de óleo do motor: $212

Novos pneus dianteiros + balanceamento: $210

“Nova” bateria (com 6 meses de uso prévio): $85

Troca do termostato quebrado: $106

Com o carro sem nenhum problema e já acostumados com o ritmo de viajar sem rumo e dormir no carro, era hora de deixar Auckland de uma vez por todas e cair na estrada novamente.

 

[t3]Northland: Impressões e dicas[/t3]

- A região de Northland é um destino ideal no verão, principalmente para aqueles que querem curtir praias.

- Waitangi Treaty Grounds e Cape Reinga foram os lugares mais marcantes pra min em Northland, mas Whangarei e Ninety Mile Beach foram muito especiais devido às companhias.

- Basicamente existe algo na Nova Zelândia chamado Freedom Camping, que é acampar em lugares públicos, seja armando uma barraca ao ar livre ou dormindo dentro de um veículo. Em alguns poucos locais é permitido dormir no carro caso você tenha um veículo self-contained (com banheiro), e em outros poucos locais é possível dormir em qualquer carro ou até mesmo em uma barraca. De uma forma geral, se você avistar uma placa com os dizeres “No Freedom Camping”, não durma lá, caso contrário corre o risco de acordar com uma multa de $200 no seu para-brisa.

- Whangarei é a cidade mais estruturada em Northland, com muitas opções de lojas e supermercados, e em segundo lugar vêm Paihia e Kerikeri. Se precisar fazer compras ou abastecer o veículo, faça em alguma dessas cidades caso contrário vai ficar muito mais caro.

- Uma boa opção de comida barata pelo país são as pizzas de $5 (Pizza Hut e Dominos) e os famosos Fish n’ Chips, encontrados em qualquer cidade pequena.

- O tour em Waitangi Treaty Grounds é uma excelente forma de entrar em contato com a história da Nova Zelândia. Como os Maoris eram um povo guerreiro e os ingleses não eram pareos, a única forma de dominação encontrada pelos ingleses foi através do comércio. Assim, com a assinatura do Tratado de Waitangi, houve um acordo econômico e cultural entre os dois povos. Há duas versões do documento oficial, uma em Maori e a outra em Inglês, e há divergências gritantes entre ambas.

- Não deixe de levar um snowboard consigo quando for a Giant Te Paki. Não há custo de admissão nas dunas, e com o material adequado você pode ter diversão garantida descendo nas dunas quantas vezes quiser.

 

Para maiores informações e dicas sobre a Nova Zelândia, visite o meu Blog (http://worlduponmyshoulders.com/ e curta a página no Facebook (https://www.facebook.com/theworlduponmyshoulders)!

 

To be continued...

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

[t1]Parte 3: Coromandel Peninsula (Cathedral Cove e Hot Water Beach), Bay of Plenty (Tauranga e Whangarei) e Waikaremoana Track[/t1]

mapa.jpg.8a4ce03da7db983373ac60e54819083b.jpg

Com Auckland ficando para trás de uma vez por todas, meu próximo destino era a Península de Coromandel, famosa por suas praias e casas de veraneio.

 

[t3]Coromandel Peninsula[/t3]

Como pode ser visto no mapa acima, iniciamos a jornada pela península no sentido anti-horário, passando por Thames, Coromandel Town, Colville e até a remota Fletcher Bay até chegarmos ao lado leste, onde estão as atrações locais mais famosas, dirigindo um total de 315 Km pela SH1 e SH25.

O lado oeste da península não é nada turístico, mas possui uma natureza contrastante: praias e morros muito próximos, fazendo da SH25 uma estrada interessante a ser dirigida. Um lugar que gostaríamos de ter ido são os The Pinnacles, em Coromandel Forest Park, mas o tempo estava ruim e desistimos. Para compensar, nos redimimos visitando belíssimas praias desertas pelo litoral, como Waikawau Bay, ao norte da península.

coromandel1.jpg

coromandel.jpg

coromandel2.jpg

coromandel3.jpg

Neste ponto da viagem eu já tinha estabelecido um bom acordo com meus parceiros de viagem. Como vim a descobrir um pouco tarde, Jegor não possuía o mesmo espírito mochileiro que eu, e na maioria das vezes ele ficaria em albergues conhecendo outros viajantes e convidando-os a fazer pequenas road trips com a gente, enquanto eu dormiria no carro. Assim, toda noite Mirko e eu, cada um em seu carro, tínhamos que caçar um bom lugar tranquilo para estacionar e dormir.

As coisas começaram a ficar mais interessantes quando chegamos em Whangapoua. Ao conversar com alguns locais fomos informados de uma praia da região, New Chum’s Beach, famosa por ser praticamente intocada até hoje. Esta praia não possui acesso por estradas, e para chegar lá tivemos que caminhar por cerca de 30 minutos sobre pedras (e as vezes até dentro da água!) à partir do balneário de Whangapoua. No final valeu a pena, pois mesmo com o frio que estava fazendo não pude deixar de dar um mergulho nas águas claras do Pacífico.

newchums.jpg

newchums1.jpg

De Whangapoua continuamos a jornada pela costa leste passando por Matarangi, um agradável balneário, e Whitianga, onde nos reencontramos com Luise, uma alemã que conhecemos em Paihia e dessa vez viajaria conosco por um tempo, até chegar em Hahei, 75 Km de Whagapoua, outra agradável vila costeira onde aproveitamos o bom tempo para relaxar por alguns dias e conhecer as principais atrações de Coromandel.

hahei2.jpg

hahei1.jpg

hahei.jpg

Localizada ao sul de Hahei na Península de Coromandel, Hot Water Beach é uma praia da Nova Zelândia famosa por possuir águas quentes a qualquer época do ano. A explicação para isso não é muito complexa: como a Nova Zelândia tem sua formação baseada em erupções vulcânicas, a presença de geisers próximos à superfície é muito comum em algumas regiões, e para a alegria de muitas pessoas, principalmente no inverno, alguns desses geisers estão localizados bem na areia dessa praia ao sul de Hahei!

Basicamente quando a maré está baixa é possível ver uma fumaça branca brotando das areias de Hot Water Beach, e é nesse exato momento que as pessoas cavam suas próprias piscinas no meio da praia e tentam misturar a água do oceano com a água quente dos Geisers, temperando ela até atingir a temperatura ideal.

Esperamos a maré baixa das 10 da noite para nos deliciarmos nas águas quentes dessa praia, mas estava tão frio do lado de fora que mal deu pra tirar algumas fotos decentes. Nesse dia eu consegui ficar realmente puto pela primeira vez durante a viagem: estávamos lindos e sorridentes cavando nossa piscina natural na areia da praia em quando uns 20 ingleses viajando com o Kiwi Experience chegaram como uns animais, querendo tomar conta das piscinas que nós cavamos com muito esforço. Após algumas discussões, trocas de elogios e uma piscina destruída, cada um foi pra seu canto antes que a treta se formasse. Então, no dia seguinte, voltei lá para registrar melhor a praia (sem babacas dessa vez), mas minha cota de areia na sunga na noite anterior foi o suficiente para não entrar na água dessa vez.

hotwaterbeach-1.jpg

hotwaterbeach-3.jpg

hotwaterbeach-4.jpg

hotwaterbeach-2.jpg

Ai depois de conhecer tantas praias diferentes e exóticas e começar a achar que praia nenhuma pode te surpreender, a Nova Zelândia vem e te dá um soco na cara. Pois é, depois de caminhar 30 minutos passando por uma fazenda de ovelhas e algumas falésias, eis que você chega a Cathedral Cove e grita PUTA QUE PARIU!

De um visual incrível, Cathedral Cove é uma praia, na verdade duas, localizada na Reserva de Te Whanganui-A-He, e tem esse nome devido ao “túnel” que liga as praias. Além da água que é praticamente transparente, do outro lado do túnel pode-se encontrar a pedra de Te Hoko Rock, que conferem mais beleza ainda ao local.

Tenho que confessar que de todos os lugares que visitei até agora na Nova Zelândia, Cathedral Cove foi o que mais me impressionou. Você pode passar horas lá relaxando e curtindo o visual, e até mesmo encontrar um tempo pra ler um livro.

cathedralcove-1.jpg

cathedralcove-2.jpg

cathedralcove-9.jpg

cathedralcove-6.jpg

cathedralcove-8.jpg

 

[t3]Bay of Plenty[/t3]

Após relaxar alguns dias em Hahei Beach e aproveitar Hot Water Beach e Cathedral Cove, era hora de cair na estrada novamente e deixar a Península de Coromandel em direção a Bay of Plenty.

Rumamos 95 km pela SH2 em direção à cidade de Waihi, localizada ao sul de Hahei, que assim como muitas cidades da Península de Coromandel, tem sua história baseada na mineração de Ouro.

Impossível de errar, a mina de ouro a céu aberto de Martha’s Mine encontra-se bem no meio da cidade, e por muitos anos foi a principal fonte de renda da região. Hoje praticamente não há mais ouro nesta mina, mas a prefeitura está dando início ao projeto que vai transformar a mina em um lago. Esse processo levaria naturalmente 25 anos, mas com o projeto uma vez em andamento se estima cerca de 6 anos. Enquanto isso a cidade está sendo desapropriada para que outra mina possa ser construída.

waihi-2.jpg

waihi-1.jpg

Após passar uma tarde em Waihi, continuamos pela SH2 25 km rumo à pequena cidade de Katikati antes de seguir viagem para Tauranga no dia seguinte. Esta região é conhecida como Bay of Plenty, zona portuária e pesqueira da Nova Zelândia, e também abriga algumas casas de veraneio ao longo da costa, além de ser a maior região produtora de kiwis do país.

Tauranga, 40 km ao sul de Katikati, é a maior e principal cidade de Bay of Plenty. Não tem muito a oferecer em termos de atividades e pontos turísticos, mas é um importante hub econômico na região, pois nela encontra-se o maior porto do país. Para não passar em branco, visitei as ruínas do que foi um forte inglês durante a ocupação inglesa na região de Bay of Plenty. Basicamente só existem os muros do que foi o forte de Monmouth Redoubt, e hoje o local não passa de um parque urbano.

tauranga-2.jpg

tauranga-3.jpg

tauranga-1.jpg

tauranga-4.jpg

Próximo a Tauranga está o badalado balneário de Mt. Maunganui, que leva esse nome devido ao imponente Mount Maunganui, que domina a paisagem. Aproveitando a passagem, nada melhor do que subir o Mount Maunganui e apreciar a vista do balneário e de Bay of Plenty.

mtmaunganui-2.jpg

mtmaunganui-3.jpg

mtmaunganui-1.jpg

Apesar de famosa, Tauranga não foi nada de especial para nós, além de termos perdido a companhia de Luise que precisava ir embora do país. Foi sim um bom lugar para recarregar as energias e após alguns dias reorganizando a viagem e mudando um pouco os planos, decidimos continuar pela costa leste até Whakatane, 92 km pela SH2.

Conhecida também por ser a cidade que faz mais sol em toda Nova Zelândia, Whatakane é uma agradável cidade com um passado histórico muito importante, pois os maoris desta região resistiram à colonização inglesa. Além disso, a região é repleta de cavernas e até mesmo cachoeiras bem próximas à praia.

whakatane-2.jpg

whakatane-1.jpg

whakatane-3.jpg

Mas o maior motivo de nossa visita à Whakatane estava, na verdade, a alguns quilômetros de lá em direção ao mar. Localizada a 50 quilômetros de Whakatane em Bay of Plenty, a ilha de Whakaari Island (também conhecida como White Island) é um dos vulcões de mais fácil acesso do mundo e atualmente o mais ativo da Nova Zelândia, com sua origem datada entre 150 a 200 mil anos atrás.

Propriedade privada, a ilha só pode ser visitada com a devida permissão ou com alguma das agências de turismo local, que realizam tours guiados à partir de Whakatane e Tauranga por Helicóptero (cerca de NZ$ 650) ou barco (NZ$ 200).

Tomamos o barco até a ilha à partir de Whakatane. O passeio é tranquilo e leva cerca de 1h15min pra chegar até lá. Ao aproximar-se da ilha pode se perceber que as nuvens ao redor são na verdade parte da constante atividade vulcânica da ilha, lançando vapores para a atmosfera o tempo todo.

whiteisland-8.jpg

A primeira impressão ao se pisar na ilha é que se está entrando em algum planeta alienígena. O solo é completamente seco e pedregoso, dificultando muito a sobrevivência de plantas próximos à cratera, sem contar as cores presentes por toda superfície, que vão do vermelho vulcânico até aos diversos tons de amarelo devido à presença onipresente do enxofre.

Por toda a superfície da cratera pode-se encontrar geisers e piscinas de lama fervendo, sem contar uma quantidade enorme de fumaça e o tradicional cheiro de enxofre, sendo necessário o uso de máscara e óculos em alguns locais, principalmente próximo ao lago.

whiteisland-2.jpg

whiteisland-3.jpg

whiteisland-10.jpg

whiteisland-4.jpg

Mesmo com toda essa adversidade a natureza deu seu jeito de se manter viva, sendo possível encontrar alguns córregos no meio de um ambiente tão inóspito. A água desses córregos é tão rica em minerais que deixa qualquer complexo vitamínico de A a Z no chinelo, mas o gosto não é nada agradável. Acredite, eu tentei!

whiteisland-11.jpg

whiteisland-5.jpg

Em constraste com toda essa natureza exótica estão as ruínas de uma antiga fábrica, a única herança humana das inúmeras tentativas de mineração de enxofre em tempos remotos. Essas iniciativas de mineração datam desde 1885, e foram interrompidas várias vezes devido às constantes atividades vulcânicas, até que em 1914 a maior tragédia da ilha aconteceu.

Em setembro de 1914, parte da cratera oeste desabou, criando uma onda de lava que matou todos os 10 trabalhadores. Eles desapareceram sem deixar rastros, e apenas o gato que vivia no acampamento foi encontrado vivo alguns dias depois por um barco de reabastecimento.

whiteisland-9.jpg

whiteisland-12.jpg

whiteisland-7.jpg

Após um perfeito tour pela ilha, uma surpresa ainda esperava no caminho de volta. Apesar de raros esta época do ano, alguns golfinhos curiosos resolveram se juntar e nadar junto ao barco, fechando com chave de ouro o tour à ilha de Whakaari Island!

whiteisland-13.jpg

[t3]Waikaremoana Track[/t3]

Ao voltarmos para Whakatane tivemos uma divisa no grupo: Mirko e eu queríamos fazer um trekking, enquanto Jegor queria continuar explorando o litoral. Assim, nos separamos momentaneamente de Jegor por alguns dias enquanto Mirko e eu faríamos trilha de 4 dias no meio do mato no lago de Waikaremoana Lake, sem telefone, sem internet e sem conforto!

Descemos no carro de Mirko aproximadamente 180 Km de Whakatane pela SH38, uma estrada de chão pouco utilizada, até chegarmos a Waikaremoana Lake, um lago localizado no Parque Nacional de Te Urewera, que é uma reserva controlada pelo governo local, com inúmeras árvores nativas gigantes, lindas praias remotas e uma fascinante história cultural da região.

A trilha que circunda o lago faz parte de um grupo seleto de trilhas na Nova Zelândia, conhecidos como “As Nove Grandes Caminhadas”, que são trilhas mantidas pelo Departamento de Conservação (DOC) através de verbas governamentais, doações e do dinheiro arrecadado pelo uso dos campings e cabanas ao longo das trilhas.

Em algumas das caminhadas é necessário fazer reserva das cabanas e/ou campings antes de iniciar a caminhada, principalmente na alta temporada. No caso da trilha ao redor do lago Waikaremoana, a diária das cabanas é de NZ$32, enquanto dos campings é de NZ$14.

mapa.jpg

Pela minha experiência anterior no trekking de 5 dias em Torres del Paine no Chile em 2012, já sabia que tempos fáceis não viriam, pois em caminhadas assim você tem que levar na sua mochila toda sua comida, bebida, fogão, gás, roupa e saco de dormir, além de colchão e barraca caso for acampar.

Como a temperatura na região durante a noite costuma ser bem baixa nessa época do ano e eu não sabia exatamente o que esperar da caminhada, resolvi fazê-la da forma mais fácil possível, hospedando-me nas cabanas e evitando assim todo o peso de ter que carregar barraca e colchão o tempo todo comigo. De qualquer forma o peso dos outros equipamentos foi suficiente para diminuir a vida útil da minha coluna em alguns anos.

Seguindo as orientações do Centro de Visitantes, eu e Mirko optamos por fazer o trekking de 46 Km em 4 dias, margeando o lago no sentido horário à partir de Onepoto Bay e torcer pra encontrar uma alma caridosa que pudesse nos dar uma carona de volta até o carro quando chegássemos em Hoporuahine no final do quarto dia.

 

Dia 1:

Dirigimos até o estacionamento de Onepoto para deixar o carro e iniciar a caminhada. Chegando próximo ao lago já sabíamos que as paisagens nos próximos dias não nos desapontariam.

Nossa meta para o primeiro dia era chegar até a Cabana de Panekire e passar a noite por lá. O problema é que a cabana fica no ponto mais alto da montanha, e para isso precisaríamos subir aproximadamente 500m ao longo de 9 Km, carregando 20 Kg nas costas, antes do pôr-do-sol. Difícil? Pra caceta, mas o visual ao longo da subida é extremamente recompensador!

waikaremoana-2.jpg

waikaremoana-5.jpg

waikaremoana-3.jpg

waikaremoana-1.jpg

Por volta das 5 da tarde o sól já estava se pondo, o cansaço era tão grande que eram necessários 2 minutos para andar 100m, e quando as esperanças estavam se esgotando eis que finalmente avistamos a cabana, linda e aconchegante esperando por nossos corpos maltratados!

Dia 2:

Acordamos cedo e continuamos a caminhada, e dessa vez teríamos que descer tudo que subimos no dia anterior até a Cabana de Waiopaoa. O visual morro abaixo continuava bem parecido ao do dia anterior, com grandes árvores ao longo do caminho e vista panorâmica do lago. Esse foi o sem dúvida o dia mais fácil da caminhada, não é a toa que dizem por ai que “Morro abaixo todo Santo ajuda”, além da distância em si ser de apenas 8 Km.

waikaremoana-6.jpg

waikaremoana-7.jpg

A Cabana de Waiopaoa fica numa “praia” ao longo do lago, local perfeito para fazer o rango e relaxar antes de rever os planos para o dia seguinte.

waikaremoana-10.jpg

waikaremoana-9.jpg

waikaremoana-8.jpg

Dia 3:

Continuamos a caminhada em torno do lago em direção à cabana de Marauiti, e a paisagem começou a se apresentar um pouco diferente dos dias anteriores. A trilha passou a ser mais aberta, e em alguns trechos tivemos que cruzar algumas pontes bem tradicionais por aqui.

Pegando uma trilha alternativa chegamos à cachoeira de Korokoro, que devido ao seu difícil acesso e consequentemente quase intocada, faz dela, na minha opinião, a mais bonita que vi na Nova Zelândia até o momento.

waikaremoana-13.jpg

waikaremoana-11.jpg

waikaremoana-14.jpg

waikaremoana-15.jpg

Dia 4:

E após muita dor nas pernas, ombros e cintura, o trekking estava prestes à acabar! O último dia não foi muito diferente, 17 Km de caminhada em uma trilha que as vezes ziguezagueava demais, passando por algumas outras cabanas no caminho, mais praias ao redor do lago e antes de chegar em Hoporuahine, no final da trilha, pudemos até visualizar de longe a montanha de Panekire, aquela que subimos no primeiro dia.

waikaremoana-17.jpg

waikaremoana-12.jpg

waikaremoana-16.jpg

Ao final dos cansativos porém altamente recomendados 46 Km em 4 dias em uma trilha cheia de lama, subidas, peso nas costas, lindas florestas e um visual incrível em toda sua extensão, ainda tivemos a sorte de conhecer Marc, um espanhol muito bacana que estava passando por lá e nos deu uma carona de volta ao carro.

waikaremoana-18.jpg

O carro de Mirko ficou 4 dias no estacionamento, com todos nossos pertences incluindo meu laptop, e nada aconteceu a ele, reforçando todo o papo de que a Nova Zelândia é um país seguro para se viajar de carro.

Uma vez de volta ao carro, dirigimos mais 180 Km pela SH38 e SH2, passando por pequenas cidade como Wairoa e Tangoio até chegarmos a Napier, onde reencontraríamos Jegor...

 

[t3]Coromandel Peninsula, Bay of Plenty e Waikaremoana Track: Impressões e Dicas[/t3]

- A península de Coromandel tem uma das mais interessantes estradas para ser dirigida, pois em um curto espaço é possível ver lindas praias, morros e até montanhas cobertas de verde.

- Cathedral Cove em um dia ensolarado parece como um cenário de filme de tão surreal que é. Sem dúvida é um dos meus lugares favoritos na Nova Zelândia, e provavelmente o preferido na Ilha Norte.

- Como mencionado acima, não há muito a ser feito em Tauranga, mas Mount Maunganui é fantástico! A combinação de praia, prédios modernos e o Monte em si fazem dessa praia a “Miami” da Nova Zelândia.

- Apesar de caro, o tour em Whakaari Island é uma experiência única na Nova Zelândia. Caminhar em um vulcão ativo (nesse caso uma ilha) esfumaçando enxofre o dia inteiro é realmente algo especial.

- O trekking em Waikaremoana Lake foi uma experiência incrível. O primeiro dia foi bastante puxado, mas caminhar por em uma floresta ancestral e chegar ao topo com um visual do lago e arredores é altamente recompensador!

- Na baixa temporada os rangers não estão presentes nas cabanas ao longo de nenhuma das Grandes caminhadas da Nova Zelândia (na verdade a única pessoa que encontramos em toda a trilha foi o espanhol que nos deu carona). Mirko e eu pagamos pelos tickets para 2 noites e acabamos ficando 3. Não seria problema algum se não tivéssemos nenhum ticket, pois ninguém apareceu para checar.

- Após algumas semanas na estrada eu finalmente peguei o jeito de dormir no carro em qualquer lugar e não ser pego. Ai vão algumas dicas:

* Nunca passe a noite em um lugar com uma placa de “No Freedom Camping”

* Procure lugares pouco óbvios, fora dos centros urbanos e longe de estacionamentos privados.

* Apesar de frio, deixe as janela um pouco abertas para se evitar a condensação durante a noite (algo que evidencia que alguém está dormindo dentro do carro!)

* Procure comprar um carro que não dê muita pista de ser usado como uma campervan. As clássicas vans equipadas e os carros de aluguel costumam ser bem caracterizados como tal, atraindo a atenção dos agentes que verificam os estacionamentos públicos nas manhãs.

* Cuidado com a vizinhança! Alguns moradores não são fãs de viajantes pois eles geralmente deixam lixo por onde passam.

* Apesar de a claridade atrapalhar o sono durante a manhã, não use cortinas no interior do carro pois elas são mais uma evidência de que alguém está dormindo no interior do veículo.

* Sempre use o aplicativo Campermate para buscar bons lugares para se dormir.

* Uma tática que sempre funcionou bem comigo é estacionar o carro em uma rua escura e sem saída, como se fosse um carro normal estacionado em meio a muitos outros, e levantar cedo pela manhã.

 

Para maiores informações e dicas sobre a Nova Zelândia, visite o meu Blog (http://worlduponmyshoulders.com/) e curta a página no Facebook (https://www.facebook.com/theworlduponmyshoulders)!

 

To be continued...

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

[t1]Parte 4: Hawke’s Bay (Napier e Hastings), Taupo, Tongariro Alpine Crossing, Taihape, Rotorua e Hobbiton[/t1]

mapa.jpg.c9cf9a5254bc1c449733344c35a4961b.jpg

[t3]Hawke's Bay: Napier e Hastings[/t3]

Após o trekking de 46 Km em 4 dias ao redor do lago Waikaremoana, era finalmente tempo de descansar. O lugar escolhido foi a pacata e charmosa cidade de Napier, uma cidade portuária localizada na baía de Hawke’s Bay, sudeste da ilha norte da Nova Zelândia. Lá, Mirko e eu reencontramos Jegor, e como eu precisava recarregar as energias, optei por passar a primeira noite em um hostel, que custou 20 dólares.

No ano de 1931 um grande terremoto sacudiu toda Hawke’s Bay, e Napier foi a cidade mais afetada. Pessoas de todo o mundo vieram pra cá ajudar na reconstrução da cidade e o resultado disso pode ser visto em todas as ruas. A arquitetura daqui é simplesmente diferente de qualquer outra cidade do país devido à influência espanhola, holandesas e irlandesa, o que elevou essa cidade à Patrimônio Histórico da Humanidade pela UNESCO em 2007. Além disso existem algumas lojas nada convencionais por aqui, como a King of Swords, onde você pode comprar todo tipo de espadas, armaduras medievais, amuletos vikings e wiccas.

napier-1.jpg

napier-3.jpg

napier-4.jpg

napier-6.jpg

Napier tem algumas atrações famosas como o aquário e o tour na prisão da cidade, mas nesse ponto da viagem eu já estava selecionando mais onde eu queria gastar meu dinheiro, e resolvi apenas subir o Bluff Domain, um mirante natural da cidade, com vistas de Hawke’s Bay e a região portuária de Napier.

napier-8.jpg

napier-7.jpg

napier-5.jpg

Vizinha de Napier, Hastings fica distante a apenas 20 km, e foi outra cidade afetada pelo terremoto de 1931, mas as consequências são menos evidentes. Infelizmente estava chovendo tanto que a única opção disponível foi o Museu e Galeria de Arte de Hastings, que a propósito, é de graça!

hastings-4.jpg

hastings-1.jpg

Com Hawke’s Bay visitada, era hora de seguir para o centro do país, onde a intensa atividade vulcânica ao longo dos anos criou condições favoráveis para esta região se tornar uma das mais turísticas do país.

 

[t3]Taupo[/t3]

Taupo e Rotorua são de longe as cidades com mais atrações turísticas extremas na ilha norte da Nova Zelândia. As opções são inúmeras, como bungy jumping, paraquedismo, rolar morro abaixo dentro de uma bolha de plástico (conhecido como zorbing), voar a 160 Km/h pendurado num cabo de aço (conhecido como flying fox), mountain bike, rafting, além de opções mais calmas como kayak, velejar, visitar geisers e as piscinas naturais de água quente da região.

Iniciamos nossa jornada por Taupo, 150 Km ao norte de Napier pela SH5, que se encontra nas margens do Lago Taupo, o maior lago do país. Basicamente o lago foi formado após uma série de erupções vulcânicas na região, formando uma verdadeira caldeira na qual hoje é o lago.

taupo-3.jpg

Como Jegor ficava em hostels, Mirko e eu passávamos a maior parte do tempo batendo perna e usufruindo a internet de graça na biblioteca da cidade.

Um dia eu resolvi visitar o iSite da cidade e lá vi um cara barbudo e largado procurando informações da trilha que Mirko e eu tínhamos feito a alguns dias. Mirko apareceu por lá também após eu trocar ideia com o cara por alguns minutos, e logo percebemos que teríamos mais um parceiro de viagem, o australiano Tom. Com mais um no grupo, partimos em busca das atividades locais.

Totalmente navegável, o Lago Taupo é uma boa opção para quem quer velejar ou se exercitar remando um kayak e conhecer a escultura Maori talhada na rocha feita pelos artistas Matahi Whakataka-Brightwell e John Randall no final da década de 70. Nós conseguimos um tour por $25, que inclui 3 horas velejando pelo lago e uma cerveja ::otemo::

taupo-4.jpg

taupo-5.jpg

Fomo também à famosa cachoeira de Huka Falls. Essa cachoeira é formada pela queda de 8 metros do rio Waikato River, que nasce no Lago Taupo, passa por Hamilton e vai desaguar próximo a Auckland.

Na base da cachoeira se forma uma pequena baía onde algumas agências fazem passeios com jetboats. Consegui presenciar um grupo de asiáticos se divertindo por lá, sorrindo e fazendo poses para fotos o tempo todo. Pensa num povo feliz se divertindo tomando água na cara…

taupo-2.jpg

taupo-1.jpg

Em Taupo eu aprimorei minha técnica de transformar o carro em minha casa. Como era época de Copa do Mundo, o jeito encontrado para não perder os jogos do Brasil 6h da manhã era estacionar o carro próximo a pontos de Free Wifi, conectar o laptop e assistir aos jogos usando sites de live streaming.

jogo.jpg.1e16072654f810190feff7a3afb3c979.jpg

Enquanto eu assistia aos jogos, Jegor decidiu pular de bungy jump por aqui. Eu bem que fiquei tentado, mas resolvi deixar toda a adrenalina dos esportes radicais para a ilha sul, onde as opções são mais extremas e o visual, na minha humilde opinião, é mais bonito.

taupo-8.jpg

taupo-7.jpg

De Taupo rumamos outros 150 km ao sul pela SH1, mais precisamente para a pequena cidade de Taihape, onde está localizado o Gravity Canyon, um local com várias opções de esporte extremo e de um visual bem bonito.

Como muitas das atrações podem ser encontradas em outros lugares na Nova Zelândia, optei por fazer o Flying Fox, que consiste em deslizar deitado pendurado num cabo de aço por 1 Km, chegando a atingir uma velocidade de 160 Km/h. A sensação é que você está realmente voando, e a paisagem é simplesmente fantástica! O único problema é o salgado preço de NZ$ 155 por alguns poucos minutos de diversão.

taupo-6.jpg

flyingfox1.jpg

flyingfox4.jpg

 

[t3]Tongariro Alpine Crossing[/t3]

Nossa intenção de ir ao sul não era exatamente o Gravity Canion, mas sim conhecer uma das regiões mais bonitas do país e fazer o que é considerado um dos melhores trekkings de um dia do mundo.

Tongariro Northern Circuit, localizado no Parque Nacional de Tongariro, assim como Waikaremoana Lake, é uma das “Nove Grandes Caminhadas” da Nova Zelândia, e a paisagem hoje é famosa por ter sido set da trilogia “Senhor dos Aneis”, pois nesse local foram filmadas as cenas em Mordor e também é onde está Mt Ngauruhoe, mais conhecido como Montanha da Perdição. O Parque Nacional de Tongariro pode ser acessado pela SH1, SH46 ou SH47, e a viagem à partir de Taupo leva cerca de 1h.

Dessa vez ao invés de caminhar por toda a extensão da trilha, optamos por fazer apenas a Tongariro Alpine Crossing, que consiste em uma caminhada de 18 Km à partir do estacionamento de Mangatepopo até o estacionamento de Katehaki, o suficiente para conhecer bem o Parque e caminhar entre os os extintos vulcões Mt Ngauruhoe e Mt Ruapehu. Para maiores informações sobre Tongariro National Park.

map1.jpg?resize=660%2C665

Como estávamos viajando em dois carros no momento, dirigimos até a o estacionamento de Katehaki, deixamos um carro lá e seguimos até o estacionamento de Mangatepopo para iniciar a caminhada. Caso não disponha de seu próprio meio de transporte, você pode pagar por um shutlle à partir de Taupo até Mangatepopo e pegar a van de volta em Katehaki por NZ$ 65, já que o Parque tem admissão gratuita.

O início da trilha é bem tranquilo, e a paisagem inicial é repleta de vegetação e algumas rochas de origem vulcânica, além de um riacho que segue paralelo à trilha e em alguns pontos algumas pequenas cachoeiras.

tongariro-2.jpg

tongariro-4.jpg

Após alguns poucos quilômetros o tempo melhorou e foi possível dar uma sacada melhor no Mt Ngauruhoe. A trilha e o visual foram mudando aos poucos, passando a ter subidas íngremes e a vegetação foi sumindo aos poucos.

tongariro-6.jpg

tongariro-7.jpg

tongariro-8.jpg

Em certo ponto a trilha voltou a ficar plana novamente, toda névoa sumiu e o lugar se tornou exatamente Mordor, salvo as edições cinematográficas pós-produção. Foi ai que pensamos: “Estamos em Mordor, vamos juntar várias pedras, escrever MORDOR e tirar uma foto!”. Não demorou 2 minutos para alguns curiosos se juntarem e nos ajudarem nessa tarefa. No final, valeu a pena tirar a foto.

tongariro.jpg

Continuando, chegamos ao ponto mais alto do trekking e lá estava ele, o onipresente Mt Ngauruhoe, sempre nos acompanhando. Este vulcão extinto foi a escolha de Sir Peter Jackson para ser a Montanha da Perdição da trilogia “Senhor dos Anéis”, onde na história, O Anel foi forjado e é o motivo de toda a jornada de Sam e Frodo até Mordor, além de ser o local onde Gollum morre após cair na lava quente(espero que ninguém me acuse de criar spoiler, afinal já se passaram 10 anos que o filme foi lançado!).

tongariro-10.jpg

tongariro-11.jpg

tongariro-12.jpg

A friaca e o vento no topo estavam muito tensas, e mal foi possível tirar fotos lá de cima, mas como tudo que sobe uma hora desce, fizemos a travessia e começamos a descida.

Como toda região de origem vulcânica, a paisagem costuma ser muito colorida e mudar constantemente. Aqui inclusive se formaram alguns lagos do outro lado da travessia, conhecidos como Emerald Lakes. Com suas águas azuis e verdes, os lagos são extremamente bonitos e sua água nem é gelada devido aos geisers, também característicos de zona vulcânica, que a aquecem o tempo todo.

tongariro-13.jpg

tongariro-14.jpg

Após os lagos a trilha continua a descer e é possível dar adeus ao Mt Ngauruhoe, mas a paisagem muda completamente, a vegetação volta a aparecer e a trilha chega até a entrar em uma floresta densa, e no fundo se pode visualizar o lago Rotoaira e o lago Taupo, além dos pequenos geisers que fazem um local propício para o pôr-do-sol.

tongariro-19.jpg

tongariro-21.jpg

Sem dúvida Tongariro Alpine Crossing vai ficar na memória como uma das melhores caminhadas da minha vida!

 

[t3]Rotorua[/t3]

Voltamos a Taupo, onde passamos a noite, e no dia seguinte dirigimos mais 85 km até Rotorua. Conhecida por estar numa região de alta atividade geotérmica, Rotorua cheira a enxofre! No começo eu estranhei muito, mas com o tempo acabei me acostumando com o cheirinho de enxofre o tempo todo.

Aqui existe uma forte cultura de “Vilas Maoris”, onde você pode pagar, bem caro, diga-se de passagem, para ver danças culturais Maoris e se banquetear com comidas típicas, mas optei por não fazê-los. Opções de piscinas de água quente e geisers não faltam por aqui, mas depois de ver tantos anteriormente, principalmente em White Island, decidi utilizar meu tempo para outras atividades.

rotorua.jpg

Não muito longe do centro da cidade está a floresta de Redwood Forest, com as mesmas árvores avermelhadas muito comuns na Califórnia, a Sequoia sempervirens. A floresta é mantida e considerada sagrada pelos Maoris, mas a entrada é gratuita para qualquer um circular pelas inúmeras estradas e trilhas no parque, seja de carro, cavalo, bicicleta ou até mesmo a pé. Resolvi alugar uma bicicleta por duas horas por NZ$ 35 e explorar um pouco da natureza local.

redwood-1.jpg

redwood-2.jpg

Por último e não menos importante, conseguimos juntar uma galera e partir para um rafting nas águas do rio Kaituna por NZ$ 80 cada. Esse rio apresenta alguns trechos bem velozes, chegando até Classe 5 em alguns pontos, além da famosa queda de 7m que na prática não passam de 5m, mas a diversão é garantida mesmo assim!

rotorua-3.jpg

rotorua-4.jpg

rotorua-1.jpg

Após explorarmos Rotorua, Mirko, Tom e eu partimos em direção à Hamilton enquanto Jegor decidiu ficar em Rotorua mais alguns dias por motivos pessoais. Mas antes de chegar a Hamilton, fizemos uma parada estratégica num lugar pra lá de especial.

 

[t3]Hobbiton[/t3]

E finalmente um dos momentos mais aguardados da viagem chegou: visitar a vila de Hobbiton, onde foram filmadas as cenas do Condado na versão cinematográfica da Trilogia de “O Senhor dos Anéis” e “O Hobbit”. Como fã das obras de Tolkien (pois é, simplesmente li “O Silmarillion” 5 vezes, “O Hobbit” 3 vezes, A “Trilogia do Senhor dos Aneis” e “Contos Inacabados” 2 vezes) essa é umas das atrações que eu estava aguardando ansiosamente. O local fica numa fazenda privada nas imediações da cidade de Matamata, cerca de 55 km de Rotorua ou 170 km de Auckland, e só pode ser visitado ao se tomar um tour.

Apesar de pequena e ter sua economia baseada na agricultura, a cidade de Matamata tem uma incrível atmosfera no que diz respeito à Hobbiton, sendo possível notar isso na principal avenida da cidade e também no Centro de Informações Turísticas local, que carrega os traços da arquitetura hobbit. Inclusive, alguns nativos nos disseram que uma fila com mais de mil pessoas se formou na avenida principal no dia em que abriram as seleções para figurantes.

matamata_hobbiton.jpg

matamata_isite.jpg

O tour na locação do filme custa NZ$ 75, e leva cerca de duas horas dentro da propriedade. A reserva pode ser feita no próprio Centro de Informações Turísticas (iSite), e na hora combinada um ônibus devidamente caracterizado te busca e leva diretamente para a loja temática de Hobbiton, onde se pode encontrar desde livros, DVDs e camisas até réplicas do Anel, das roupas e itens dos personagens.

hobbiton_onibus.jpg

Após uma rápida visita à loja, o ônibus leva à locação propriamente dita e a diversão finalmente começa! Todo o set foi construído com materiais temporários para a trilogia de “O Senhor dos Aneis” e desmontado em seguida. Já na gravação de “O Hobbit” resolveram recriar tudo novamente com materiais definitivos, e assim o local pode ser explorado turisticamente.

Os “buracos dos hobbits”, como são chamadas as casas onde os hobbits vivem, predominam na paisagem cheia de morros, e suas formas e cores variam todo o tempo. Uma das técnicas utilizadas para enfatizar o tamanho de personagens como Gandalf em relação aos hobbits foi criar objetos e casas em diferentes escalas e posicionar os atores de acordo com o efeito desejado.

hobbiton-2.jpg

hobbiton-9.jpg

hobbiton-3.jpg

Todas as casas são de verdade, e não apenas fachadas, mas em poucas delas ainda existem os objetos de decoração utilizados nas cenas filmadas aqui. Infelizmente, segundo o guia, o tour tem uma obrigação contratual com a “New Line Cinema” na qual nenhum visitante pode entrar nas casas. Mesmo assim existe um tremendo esforço envolvendo jardineiros e algumas técnicas que dão a impressão de que a vila é realmente habitada, como fumaça saindo das chaminés e alguns decorativos.

hobbiton-6.jpg

hobbiton-15.jpg

hobbiton-1.jpg

Alguns lugares podem facilmente ser reconhecidos, como o local onde ocorre a festa em que Bilbo usa o anel para fugir do Condado e também a sua espaçosa casa, Bag End. Um fato curioso sobre a filmagem mencionado no tour é a árvore de mentira no topo de Bag End, que foi feita sob medida à pedido de Peter Jackson, pois o mesmo é muito detalhista e perfeccionista, e preferiu uma árvore à computação gráfica.

hobbiton-8.jpg

hobbiton-18.jpg

hobbiton-12.jpg

Outro fato curioso é que o pôr-do-sol, na vida real, ocorre atrás de Bag End, e a clássica cena onde Gandalf e Bilbo estão fumando cachimbo e fazendo anéis de fumaça foi na verdade filmada no nascer do sol e reproduzida de trás pra frente, mas alguém esqueceu que a fumaça deveria sair do cachimbo, e não entrar, criando um grave erro de gravação.

Do outro lado do lago está a taverna de Green Dragon, onde foram filmadas as cenas de bar nas duas trilogias, “O Senhor dos Aneis” e “O Hobbit”. A decoração é a mesma utilizada nos filmes e realmente um pub funciona aqui!

hobbiton-17.jpg

greendragon-1.jpg

O lugar é perfeito para curtir um pouco a sensação de estar em um buraco de hobbit próximo à lareira, e ainda experimentar a cerveja local, que está inclusa no tour.

greendragon-2.jpg

greendragon-3.jpg

Com quase duas horas de tour, era hora de dar tchau à Terra-Média e voltar à realidade. Como fã de Tolkien e viajante, sem dúvida nenhuma o tour em Hobbiton excedeu minhas expectativas!

hobbiton-16.jpg

hobbiton-14.jpg

 

[t3]Hawke’s Bay, Taupo, Tongariro Alpine Crossing, Rotorua e Hobbiton: Impressões e dicas[/t3]

- Basicamente o horário comercial na Nova Zelândia é de 9h às 17h, quando começa a escurecer aqui no inverno. Não sei se é porque é inverno ou se é assim mesmo, mas quando a noite cai todas as lojas fecham e dificilmente você vê alguém andando nas ruas, a não ser que você esteja em uma cidade grande ou em uma zona com muitos bares. A impressão que dá é que depois do trabalho todo mundo vai pra casa e não sai mais.

- Internet e eletricidade parecem ser recursos bem escassos aqui, pois praticamente todo hostel ou estabelecimento que você vai a internet é cobrada à parte, e em alguns lugares as tomadas tem hora pra funcionar. Em contrapartida, toda cidadezinha, por menor que seja, tem uma biblioteca pública onde qualquer pessoa pode alugar livros, além de wifi gratuito e tomadas para recarregar o que você quiser.

- Até agora não vi nada que possa ser uma “Cultura Maori Nativa”. O povo aqui é bem misturado, sendo possível ver apenas Maoris vivendo como o homem branco. Cheguei a perguntar a alguns locais se de fato existe algo próximo às nossas aldeias indígenas, mas pelo jeito não há, no máximo tour culturais mostrando danças, arquitetura e culinária local, como em Waitangi.

- Uma forma de se manter em dia com a higiene (leia-se tomar banho) quando se está viajando e morando em um carro é fazer uso dos chuveiros disponíveis em algumas cidades. Por $3 é possível tomar um banho de 5 minutos e parar de bancar o gringo porcalhão :)

- Napier e Hastings não têm muito a oferecer em atrações turísticas, mas a primeira cidade pode ser uma boa opção para ver algo diferente no país sem as multidões habituais.

- A combinação de paisagem desértica, vulcões, lagos coloridos, geisers e neve fazem de Tongariro Alpine Crossing uma caminhada fantástica! É uma parada obrigatória na Nova Zelândia, você gostando de trekking ou não.

- Achei Taupo e Rotorua lugares bem interessantes, mas não essa coca-cola toda que é propagandeada pelo país. Se existe uma coisa que a Nova Zelândia sabe fazer bem, é se autopromover.

- Apesar do preço de $75, o tour em Hobbiton foi muito bom! Se você é fã de Tolkien ou gostou de algum dos filmes da Trilogia Senhor dos Aneis ou Hobbit, este é um tour imperdível pra você!

 

Para maiores informações e dicas sobre a Nova Zelândia, visite o meu Blog (http://worlduponmyshoulders.com/ e curta a página no Facebook (https://www.facebook.com/theworlduponmyshoulders)!

 

To be continued...

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

[t1]Parte 5: Hamilton, Waitomo, New Plymouth, Mount Taranaki, Whanganui, Palmerston North, Wellington e região[/t1]

mapa.jpg.570420a4540fed7cbc136eaceadb1dc7.jpg

[t3]Hamilton[/t3]

Hamilton é a quarta maior cidade da Nova Zelândia e é atualmente uma das que mais está crescendo no país. A cidade em si não é muito turística, mas aproveitei o local para tirar uma semana preguiçosa e rever um amigo.

Dessa vez fiquei hospedado na casa de Edward, um amigo que fiz em Santa Cruz de la Sierra na Bolívia em 2013, quando ambos estávamos mochilando pela América do Sul. Ele acabou de se formar e atualmente está trabalhando em Hamilton, uma oportunidade perfeita para reencontra-lo.

hamilton.jpg

Aproveitando a boa estadia na cidade, nada mais justo do que explorá-la um pouco. Muito simpática Hamilton tem algumas opções culturais gratuitas muito bacanas, como galerias de arte, museu e jardins. Resolvi começar pela tradicional caminhada pela cidade passando pelas margens do rio Waikato River e visitar o museu Waikato Museum e suas galerias de arte.

hamilton-2.jpg

hamilton-3.jpg

museu_waikato.jpg

museu_waikato-2.jpg

Outra atração gratuita, e que me surpreendeu muito foi o Hamilton Gardens, um jardim temático no centro da cidade. Com opções para todos os gostos, os jardins internacionais são os mais bonitos e também os que atraem mais turistas.

Basicamente existem lá várias atmosferas que remetem a diversos países do mundo, como o Jardim Italiano, Chinês, Japonês e Indiano.

hamilton-1.jpg

hamilton_gardens-3.jpg

hamilton_gardens-2.jpg

hamilton_gardens-4.jpg

hamilton_gardens-1.jpg

Em Hamilton Tom resolveu partir direto para Wellington, onde tinha um vôo de volta para Australia. Assim, perdemos mais um companheiro de viagem.

 

[t3]Waitomo[/t3]

Após uma semana relaxando e curtindo Hamilton bem de leve, era hora de se despedir de Edward e partir para as famosas cavernas de Waitomo Caves. Dirigimos 75 Km pela SH39 em direção a Waitomo, uma pequena vila com um enorme potencial turístico devido às várias cavernas esculpidas pelas águas dos diversos riachos existentes na região.

Basicamente existem cavernas de todos os tamanhos e larguras e algumas delas apresentam trechos navegáveis e até possível praticar Black Water Rafting (um tipo de rafting onde você desliza pela água do rio dentro de uma cápsula plástica). Devido às fortes chuvas na região durante nossa estadia o nível dos rios estavam muito altos e infelizmente não pude experimentar o famoso rafting dentro das cavernas, mas aproveitei a passagem por aqui para conhecer as cavernas de Ruakuri Caves, cujo acesso se dá por uma longa escada espiral descendente.

waitomo_caves-1.jpg

Dentro das cavernas de Ruakuri Caves existem várias trilhas formando um verdadeiro labirinto em seu interior, mas sem dúvida o grande diferencial desta caverna são os insetos luminosos que vivem aqui. Há uma infinidade de pontos luminosos no teto da caverna, e quando se apagam todas as luzes se tem a impressão que você está observando a via láctea numa noite de céu claro. Infelizmente nenhuma foto consegue ser fiel o suficiente para retratar o que pode ser visto aqui!

waitomo_caves-3.jpg

waitomo_caves-2.jpg

Além dos insetos luminosos existem também alguns fósseis devidamente conservados, além de algumas câmaras repletas de estalactites que se estendem por todo o teto da caverna. Depois de tudo isso é fácil entender porque as cavernas de Waitomo Caves mantém sua reputação e grande número de visitantes durante todo o ano!

waitomo_caves-4.jpg

waitomo_caves-5.jpg

waitomo_caves-6.jpg

[t3]New Pymouth, Mount Taranaki, Whanganui e Palmerston North[/t3]

Continuando a viagem era hora de gradualmente dar adeus à Ilha Norte e rumar em direção à Wellington, capital da Nova Zelândia. Como já havíamos explorado bem o restante da ilha, dessa vez rumamos pela costa oeste.

Sem muitos atrativos turísticos como Taupo ou Rotorua, as cidades da costa oeste da Ilha Norte são mais calmas e repletas de opções culturais como galerias de arte e museus. Apesar do não desenvolvimento turístico comparadas à outras cidades, a paisagem continua surpreendendo.

A primeira parada foi em New Plymouth, e para chegar lá nós dirigimos cerca de 185 km pela SH3. Em New Plymouth há varias praias de areia preta devido ao pó vulcânico remanescente da atividade vulcânica do vulcão Mt Taranaki há muitos anos atrás. Como o verão ficou pra trás há muito tempo e o frio está cada vez maior, a temporada de banhos de mar acabou e me restou apenas contemplar a beleza das praias locais.

new_plymouth-3.jpg

New Plymouth é uma cidade bem aconchegante, e oferece atrações gratuitas como o Museu de Puke Ariki com diversas galerias distintas e também algumas galerias de arte locais.

new_plymouth-6.jpg

new_plymouth-5.jpg

new_plymouth-4.jpg

new_plymouth-1.jpg

new_plymouth-2.jpg

Não muito distante está Mt Taranaki (ou Mt Egmont), roubando toda atenção da região. Existem várias estradas ao seu redor bem como inúmeros acessos ao mesmo, e toda foto do danado faz um cartão postal, independente do ângulo.

taranaki-3.jpg

Este vulcão extinto é muito importante para a economia local, pois sua última erupção tornou o solo da região muito fértil, sem contar que a montanha em si funciona como uma barreira climática natural, aumentando consideravelmente o nível da precipitação pluvial. No inverno o local é um paraíso para quem deseja esquiar ou praticar snowboarding, além de ter sido utilizado como cenário do filme “O Último Samurai” devido à sua cônica semelhança com Mt Fuji no Japão.

taranaki-1.jpg

taranaki-4.jpg

taranaki-2.jpg

Seguindo mais 140 km ao sul pela SH3 chegamos à cidade de Whanganui, onde o Rio Wanganui desemboca no Mar de Tasman. A cidade não oferece muitos atrativos turísticos e só ficamos um dia lá.

598dcc771400b_IMG_2028(166).jpg.1b155b0fd847b9a1c38527b8f7eaa241.jpg

598dcc77214c1_IMG_2028(169).jpg.2bcc87256432408b9bfd071aaf148f18.jpg

De Whanganui rumamos para Palmerston North, mais 80 km pela SH3, onde foi possível conhecer o museu Te Manawa com suas várias galerias históricas e cultura Maori.

palmerston_north-2.jpg

palmerston_north-1.jpg

Como os dias de festa ficaram pra trás, resolvi me dar um presente e visitar a Cervejaria Tui, uma marca de cerveja muito famosa na Nova Zelândia, cuja fábrica fica a 45 km de Palmerston North pela SH2. Por NZ$ 20 você pode visitar as instalações da Cervejaria em um tour guiado e ainda tem direito a 3 Pints e uma caneca personalizada. Melhor ainda quando seus amigos não bebem o suficiente e no final deixam seus chopps pra você!

tui-1.jpg

tui-2.jpg

tui-4.jpg

tui-3.jpg

[t3]Cape Palliser e Upper Hut[/t3]

De Palmerston North seguimos por 200 km pela SH2 rumo ao sul da Ilha Norte, passando por cidades como Masterton e Martinborough até chegarmos à baía de Palliser Bay. Lá estão os pináculos de Putangirua Pinnacles, onde predomina uma formação rochosa erodida pela água dos rios e chuvas ao longo de vários anos, formando várias pilhas de rocha ao longo do vale.

Após uma caminhada de 20 minutos junto à um pequeno riacho e subir uma trilha cheia de pedras é possível chegar aos pequenos labirintos formados ao longo do vale e curtir de um visual único. Inclusive, aqui em Putangirua foi filmada uma cena do filme “O Retorno do Rei” da trilogia “O Senhor dos Anéis”, onde Aragorn, Gimli e Legolas caminham em um terreno rochoso e desolado, conhecido como Caminho dos Mortos, para negociar com o exército dos mortos antes da batalha em Minas Tirith e também a sequência inicial do filme de terror trash “Brain Dead”, ambos dirigidos por Peter Jackson.

pinnacles-3.jpg

pinnacles-2.jpg

pinnacles-1.jpg

Deixando a baía de Palliser Bay para trás, voltamos rumamos em direção a Wellington passando pelas pequenas cidades de Upper Hutt e Lower Hutt, cidades satélites da região metropolitana de Wellington.

Vários locais ao redor da região metropolitana de Wellington foram utilizados como cenários para a trilogia “O Senhor dos Aneis”, mas muitas delas passaram por tantas alterações que são simplesmente irreconhecíveis. O Hutt River, rio que corta Upper Hutt, foi onde a cena da Comtiva do Anel saindo de Lothlorién foi filmada, mas a mais notável das locações é o Parque Regional de Kaitoke, onde foram gravadas as cenas de Rivendell, casa de Elrond meio-elfo.

598dcc772dcf4_IMG_2028(283).jpg.612a7c8dbb7d3fb51f08ee9bc1246a0f.jpg

O parque apresenta várias trilhas e pontes com um visual incrível, e o exato local onde foram filmadas as cenas de Rivendell é muito bem sinalizado e possui várias informações sobre como as filmagens foram conduzidas aqui.

rivendell-2.jpg

rivendell-4.jpg

rivendell-3.jpg

rivendell-1.jpg

[t3]Wellington[/t3]

Não tendo muito mais o que se fazer em Upper Hutt e Lower Hutt, seguimos para Welington, que merece todo destaque de uma Capital. Infelizmente metade do meu tempo foi perdido para renovar meu visto, e a outra metade eu aproveitei para conhecer um pouco a cidade.

Como é difícil arrumar um lugar para dormir no carro em Wellington, resolvi passar as primeiras três noites na cidade em um hostel, por $21 a noite. Essa decisão foi meio que estratégica, afinal a semi-final da Copa do Mundo seria no dia seguinte, mas o desastre da seleção canarinho contra a Alemanha e a zoação dos alemães que também estavam no hostel foi o suficiente pra me fazer voltar pra cama mais cedo.

Além de ser a capital da Nova Zelândia, Wellington é a cidade mais cultural do país, com vários museus (incluindo o Te Papa, o maior e melhor do país), shows internacionais, mostras culturais, arte nas ruas, além de muitos cafés e restaurantes temáticos.

Aqui também estão os prédios do Governo da Nova Zelândia, onde é possível fazer um tour gratuito e conhecer melhor como é dividida a estrutura governamental do país. Infelizmente não é possível tirar nenhuma fotografia de dentro dos prédios governamentais , mas a Beehive (Colméia) tem uma estrutura interna incrível. Outro ponto turístico da cidade é o Cable Car, que é um bondinho que até hoje leva as pessoas até a parte mais alta da cidade.

wellington-2.jpg

wellington-1.jpg

wellington.jpg

Wellington é também a cidade natal de Peter Jackson, diretor de filmes como “O Senhor dos Aneis”, “O Hobbit”, “King Kong” e “Brain Dead”, e sua parceria com alguns produtores cinematográficos locais criou o Weta Cave Studios, que foi a empresa responsável por toda computação gráfica, réplicas e miniaturas de itens utilizados em seus filmes e em muitas outras produções Hollywoodianas como “Avatar”, “Distrito 9″, “As Aventuras de Tin Tin” entre outros. Além do museu, onde é possível ver várias das réplicas utilizadas em vários filmes, um tour guiado pela linha de produção do estúdio pode ser feito por NZ$20.

weta-4.jpg

weta-2.jpg

weta-1.jpg

weta-3.jpg

Outro ponto visitado em Wellington foi o Mt Victoria, que é um morro bem próximo ao centro da cidade. Do topo é possível ter uma vista panorâmica da cidade inteira, e no caminho existem algumas trilhas que levam a mais uma floresta onde foram filmadas cenas da trilogia “O Senhor dos Aneis”.

598dcc77387f1_IMG_2028(371).jpg.a0c262e6e84381291bdfe62e50294846.jpg

598dcc7747a5c_IMG_2028(372).jpg.a14550117b625252e8130fc38e9459e8.jpg

Após aproximadamente uma semana em Wellington, era hora de dizer até logo para a Ilha Norte e pegar a balsa, com carro e tudo, para a Ilha Sul, onde novas e diferentes paisagens e aventuras me aguardavam!

ferry-2.jpg

ferry-3.jpg

ferry-1.jpg

 

[t3]Hamilton, Waitomo, New Plymouth e Wellington: Impressões e Dicas[/t3]

- Muitas pessoas fazem piada com Hamilton por ser uma cidade pequena em comparação aos outros centros urbanos na NZ, mas depois de ver várias cidades quase desertas, Hamilton foi um oásis de diversão para mim. A vida noturna lá é bem agitada e o Hamilton Gardens é uma atração imperdível!

- Eu queria ter ido à Raglan, que é uma praia próxima de Hamilton e famosa na NZ por ter boas ondas para a prática do surf, mas o tempo estava muito ruim na semana que eu passei em Hamilton e já fazia frio o suficiente em Junho.

- As cavernas de Waitomo são bem interessantes. Alguns combos podem ser conseguidos caso você deseje visitar mais de uma delas, mas muitos dos tours que envolvem rapel ou rafting nas cavernas são dependentes do nível da água. Se chover demais o risco do tour ser cancelado será grande.

- A costa oeste da Ilha Norte não é nada turística mesmo, e uma das poucas opções disponíveis é visitar museus e galerias de arte. New Plymouth em contrapartida é uma excelente e bonita cidade com uma ótima qualidade de vida e tamanho ideal para aqueles que querem fugir de cidades grandes.

- Wellington foi disparada minha cidade preferida na Nova Zelândia, mesmo após ter vivido por quase um ano no país quando terminei minha viagem. A vibe da cidade, com toda a cena artística e cultural, é simplesmente demais, chegando mesmo a lembrar de longe aquilo que pode ser encontrado em cidades latinas como Buenos Aires.

- O custo da balsa de Wellington para Picton (Ilha Sul) foi de $220, dando direito à travessia do carro e dois passageiros. A viagem leva 3 horas no total, passando pelo belíssimo Marlborough Sounds.

 

Para maiores informações e dicas sobre a Nova Zelândia, visite o meu Blog (http://worlduponmyshoulders.com/e curta a página no Facebook (https://www.facebook.com/theworlduponmyshoulders)!

 

To be continued...

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Relato muito foda!!

 

sigo acompanhando !! Talvez eu passe 1 mês no final do ano ... o frustrante é saber q em apenas 1 mês terei que deixar muitos lugares de fora ...

 

abraço

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Relato muito foda!!

 

sigo acompanhando !! Talvez eu passe 1 mês no final do ano ... o frustrante é saber q em apenas 1 mês terei que deixar muitos lugares de fora ...

 

abraço

 

Obrigado!

1 mês é realmente pouco tempo para conhecer bem esse belíssimo país, mas creio que é possível ter uma boa noção do que te interessa ao final deste relato.

Um abraço!

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

olá Guilherme,

meu, isso que é conhecer um pais, belo relato!! cada lugar incrível !!

viajar de carro é sempre melhor, poder parar onde quer (ou pode kkk) e as descobertas/experiências sempre muito mais proveitosas, vc demonstra isso no relato...

boas viagens !!

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
olá Guilherme,

meu, isso que é conhecer um pais, belo relato!! cada lugar incrível !!

viajar de carro é sempre melhor, poder parar onde quer (ou pode kkk) e as descobertas/experiências sempre muito mais proveitosas, vc demonstra isso no relato...

boas viagens !!

 

Muito obrigado Pedrada!

Viajar de carro é realmente sensacional cara, e te da toda a liberdade do mundo para explorar da forma que quiser. Depois de um tempo na estrada você percebe que o mais importante durante uma longa viajem são as pessoas que cruzam seu caminho, e nenhum tour pode comprar as experiências mais autênticas que só o inesperado pode trazer.

Continue acompanhando que tem muita coisa por vir!

Boas viagens!

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Cara, sensacional seu relato! Brigada mesmo.

 

Tô chegando por lá em menos de 20 dias e o teu relato me ajudou muito.

Pena que tô indo fazer um intercâmbio e não vou poder fazer essa roadtrip mas já me ajuda a esquematizar meu tempo livre. Tive essa mesma idéia de ir por Santiago. A economia (de tempo e dinheiro) é considerável e ainda vou aproveitar pra ficar alguns dias por lá, também.

 

As fotos estão incríveis! Valeu por compartilhar.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Participe da conversa!

Você pode ajudar esse viajante agora e se cadastrar depois. Se você tem uma conta,clique aqui para fazer o login.

Visitante
Responder

×   Você colou conteúdo com formatação.   Remover formatação

  Apenas 75 emoticons no total são permitidos.

×   Seu link foi automaticamente incorporado.   Mostrar como link

×   Seu conteúdo anterior foi restaurado.   Limpar o editor

×   Não é possível colar imagens diretamente. Carregar ou inserir imagens do URL.


  • Conteúdo Similar

    • Por vinyalvez
      Boa tarde pessoal!

      Em setembro agora estarei mochilando pela Nova Zelândia, e pretendo alugar um carro para conhecer as duas ilhas, mas vi que é necessário pegar uma balsa para cruzar as mesmas.

      Alguém que já foi sabe me informar o valor do Ferry?
    • Por and_bird
      Olá, viajantes!
      Estou terminando a faculdade e tenho economizado dinheiro há algum tempo para realizar o sonho de desbravar o mundo. Para tanto, estou engatinhando nos primeiros passos de planejamento de uma viagem. A ideia, de início, seria tirar de quatro a seis meses para mochilar pelo menor custo possível (até porque não tenho muita grana) por países como Índia, Nepal, Tailândia, Indonésia, Austrália e Nova Zelândia. Vocês teriam algum buscador de passagens para buscar meios de transportes mais baratos na Ásia e na Oceania? A exemplo do GoEuro e da Rome2Rio...
      Qualquer dica é muito bem vinda. 
    • Por José Luiz Gonzalez
      Introdução
      Fala galera!
      No fim de 2017 fiz uma das melhores viagens da minha vida pela Nova Zelândia, que contou inclusive com companhias de pessoas que conheci através do Mochileiros!
      Se alguém tiver alguma dúvida, sinta-se a vontade pra perguntar abaixo e evitem mensagens privadas ou e-mail já que a sua dúvida pode ser a mesma de outras pessoas aqui no fórum!
      Roteiro Resumido
      3 dias em Auckland
      1 semana de Campervan pela Ilha Norte
      4 dias na Great Walk Tongariro Northern Circuit
      5 dias na Great Walk Abel Tasman Coast Track
      3 dias na Great Walk Routeburn Track
      3 dias na Great Walk Kepler Track
      1 semana de carro pela Ilha Sul
      Roteiro Detalhado
      10/11/2017 - Voo São Paulo - Auckland
      11/11/2017 - Voo São Paulo - Auckland
      12/11/2017 - Auckland
      13/11/2017 - Auckland
      14/11/2017 - Auckland
      15/11/2017 - Auckland - Coromandel
      16/11/2017 - Coromandel - Tauranga
      17/11/2017 - Tauranga - Matamata - Rotorua
      18/11/2017 - Rotorua
      19/11/2017 - Rotorua - Taupo - Waitomo
      20/11/2017 - Waitomo - Auckland
      21/11/2017 - Auckland - Tongariro
      22/11/2017 - Tongariro
      23/11/2017 - Tongariro
      24/11/2017 - Tongariro - Wellington
      25/11/2017 - Wellington - Nelson
      26/11/2017 - Nelson - Abel Tasman
      27/11/2017 - Abel Tasman
      28/11/2017 - Abel Tasman
      29/11/2017 - Abel Tasman
      30/11/2017 - Abel Tasman - Nelson
      01/12/2017 - Nelson - Queenstown
      02/12/2017 - Queenstown - Routeburn
      03/12/2017 - Routeburn
      04/12/2017 - Routeburn - Te Anau
      05/12/2017 - Te Anau - Kepler
      06/12/2017 - Kepler
      07/12/2017 - Kepler - Te Anau - Milford Road
      08/12/2017 - Te Anau - Milford Sound - Queenstown
      09/12/2017 - Queenstown - Wanaka
      10/12/2017 - Wanaka
      11/12/2017 - Wanaka - Mt Cook
      12/12/2017 - Mt Cook
      13/12/2017 - Mt Cook
      14/12/2017 - Mt Cook - Arthur’s Pass
      15/12/2017 - Arthur’s Pass
      16/12/2017 - Arthur’s Pass - Christchurch - São Paulo
    • Por Schumacher
      Olá, colegas mochileiros! Segue o resumo de minha viagem pela Oceania. Caso queiram mais conteúdo, não deixem de conferir o meu blog Rediscovering the World
       
      Preparativos
       
      Estava no meio de uma viagem em Seicheles, quando o site Melhores Destinos anunciou a promoção que eu estava aguardando a tempos. Por 2,4 mil reais consegui que um amigo comprasse meu voo do Brasil para Austrália pela Qantas, com antecedência de meio ano.
       
      Tive muita sorte da data coincidir com o término do intercâmbio de minha prima Amanda na Austrália, o que fez com que ela pudesse me acompanhar por toda a jornada.
       
      Logo decidi que o trajeto iria incluir também Nova Zelândia, Tonga e Fiji. Então, fui atrás dos voos nas companhias de baixo custo.
       
      O que não tive sorte foi na hora de solicitar o visto australiano, o único que precisa ser feito antecipadamente, ainda que seja online. Estava já em outra viagem, num vilarejo do Gabão, quando uns 45 dias depois do pedido, recebi o temível email da negação do visto! Foi um baque, pois eu já havia comprado um monte de passagens não reembolsáveis com a certeza de que não teria problema na solicitação, já que nunca tinha passado por isso. Parece que eles não acreditaram na minha história de nômade...
       
      De volta ao Brasil e faltando um mês e meio pro embarque, juntei todos esforços numa segunda tentativa, já que desistir iria sair caro. Tive que pagar novamente os 140 dólares australianos (~379 reais), mas dessa vez escrevi uma baita carta e anexei uma montoeira de documentos, incluindo as páginas de todos os passaportes que já tive, comprovando as inúmeras viagens que venho realizando. Felizmente, uns 5 dias depois tive o visto aprovado!
       
      Dessa forma, continuamos a elaborar o roteiro, reservando hospedagens e os veículos onde dormiríamos em parte desse tempo. Dias antes do embarque preparamos as mochilas, que com certo desapego conseguiram praticamente atingir os míseros 7 kg permitidos pelas companhias de baixo custo oceânicas!
       
      Enquanto minha prima já estava em Melbourne, eu tomei um voo turbulento de Floripa até São Paulo pela Gol (160 reais).
       
      Dia 1
       
      Tive que passar a noite no aeroporto, já que a partida para a Austrália seria apenas às 8 da manhã, não havendo tempo viável para um voo anterior até Guarulhos.
       
      Depois de cochilar sentado, embarquei no voo operado pela LATAM até Santiago. Só que houve um imprevisto: o voo atrasou mais de uma hora. Isso fez com que eu e mais umas 20 pessoas que estavam no avião perdêssemos a conexão seguinte a Melbourne. Dá pra acreditar que eles preferiram não esperar uns 20 minutos para isso não acontecer?
       
      O resultado foi que tivemos que aguardar da tarde até a madrugada pro voo seguinte. Pelo menos nos enviaram a um hotel (Manquehue em meu caso) com direito às refeições. Conheci um pessoal brasileiro bacana nessa situação. Com um deles, saí pra dar uma caminhada nos arredores. Mas tirando as montanhas nevadas ao fundo, não havia mais o que ver próximo ao aeroporto.
       

       
      À noite quase que perdi outro dia no Chile, pois houve overbooking no voo e a companhia ofereceu uma grana boa pra quem quisesse ficar; pena que quando me voluntariei já era tarde. Então, embarquei no aviãozão moderno da LATAM por longas horas, sendo o trecho inteiro na escuridão. Ao menos o entretenimento e as refeições estavam boas, podendo até escolher entre algumas opções.
       
      Dia 2
       
      Por fim, eu e a cambada de brazucas aguardamos o voo final no aeroporto de Auckland para Melbourne pela Qantas, com um bom serviço de bordo. Desembarcamos às 9 e pouco da manhã.
       
      Passada a imigração, encontrei minha prima. Juntos, retiramos o carro alugado na Aucar um dia antes (por causa da mudança no voo), por 20 dólares australianos a cada dia.
       
      Conduzi o veículo diretamente à Great Ocean Road, estrada bastante cênica que passa pelo litoral sul do país, de Melbourne a Adelaide. Depois de comprarmos a comida num supermercado da rede Coles, paramos num dos muitos mirantes costeiros para fotografarmos um farol e a Eagle Rock, uma das rochas que sobressaem-se no mar. Vários chineses também faziam o mesmo.
       
      Almoçamos sanduíches e continuamos na rota, que estava passando por muitos reparos. Mais além, a próxima parada foi em Kenneth River. Lá vimos os fofos coalas no alto de eucaliptos, que são muitos na Great Ocean Road.
       

       
      Junto também havia uma porção de papagaios e cacatuas, que pousavam na gente mesmo sem termos comida, como o colorido periquito-rei-australiano (Alisterus scapularis). Também havia outras aves terrestres.
       

       
      Depois, subimos o mirante da longa cachoeira Carisbrook.
       
      Com o sol já se pondo, entramos na floresta morro acima do Parque Nacional Great Otway, caracterizado por muitos eucaliptos e samambaias. Até chegar no Lago Elizabeth, um pouco distante, um bocado de cangurus atravessaram nosso caminho.
       
      Na completa escuridão, caminhamos com nossas lanternas de cabeça pela trilha até o lago. Foi meio assustador, porque não havia ninguém acampando no parque, e no meio do caminho vimos uma fogueira distante e algo que parecia pessoas se mexendo. Receosos, continuamos até o lago propriamente dito. Não conseguimos ver os famosos habitantes ornitorrincos, mas de perto flagrei um tipo de marsupial noturno chamado de “possum” (Pseudocheirus peregrinus), semelhante ao nosso gambá, que ficou imóvel perante as lanternas.
       

       
      Ainda encontramos 3 ciclistas nesse trecho. Seguindo o conselho deles, descemos até o vilarejo mais próximo (Forrest) para dormirmos no carro, em frente a um parque de caravanas, onde havia um banheiro público.
       
      Dia 3
       
      Fez um frio desgraçado à noite; se não fosse pelo saco de dormir que levei eu passaria frio.
       
      Depois do café da manhã improvisado, seguimos a rota por uma estrada bem florestada, onde vi um roedor, um passarinho rosa e um “wallaby” (parente menor do canguru), até chegarmos a uma das duas trilhas que fizemos no dia. A primeira foi a da cachoeira Triplet Falls. Bonita, com algumas descrições.
       
      Entre a primeira e a segunda, muitas fazendas, sendo algumas com cenas inusitadas, incluindo lhamas e cavalos vestindo roupas!
       
      Melba Gully, a segunda trilha, fica numa floresta num penhasco. De dia não é tão interessante, mas à noite dá para se ver os “glow worms” - vermes brilhantes.
       
      Chegamos novamente à Great Ocean Road. Junto com um monte de chineses, admiramos as maravilhas geológicas do litoral, principalmente os 12 Apóstolos, que é uma coleção de Torres de calcário, e o Loch and Gorge, uma baía protegida e com estalactites. Além desses, há outras feições, mas não tivemos tempo de conhecer, pois tivemos que retornar ao aeroporto.
       

       
      Três horas depois, devolvemos o carro e pegamos o voo da JetStar para a Tasmânia (46 dólares cada trecho por cabeça). Lá, retiramos um mini carro na AVIS, por 23 dólares australianos por dia - 30 dólares americanos com um cupom de desconto na EasyRentCars. Meia hora depois, chegamos no centro de Hobart, capital do estado, onde fica o albergue The Pickled Frog, nosso sagrado banho, cama e estacionamento.
       
      Dia 4
       
      O albergue é bacana, tem jogos, TV e livros, além do básico. Mas no dormitório coletivo também tem gente que ronca. Isso por 21 dólares australianos a diária sem café.
       
      Andamos pelo centro de Hobart nessa manhã. Meu desjejum foi um pacote grande de KitKat que comprei na The Reject Shop, uma loja de descontos.
       
      Entramos brevemente no interessante Salamanca Fresh, mercado de comida natural na Salamanca Place, local onde ocorre nos sábados uma importante feira.
       
      Na área da marina, não tão bela quanto se esperaria, demos uma checada no centro de estudos antárticos da Universidade de Hobart. Lá conheci uma pesquisadora cujo trabalho de campo foi nada menos que ir à base Concordia no meio do continente gelado, sob -50 graus Celsius e nada além de gelo!
       
      À continuação, ingressamos no gratuito museu e galeria de arte da Tasmânia. São 3 andares, sendo que o museu conta com informações úteis e materiais sobre a natureza e a história do estado.
       

       
      Almoçamos no restaurante japonês Niji. Por 20 dólares tivemos direito a sushi ilimitado, além de sopa miso e uma bandeja com umas preparações de frango. Estava bastante bom, por isso saímos de lá estufados.
       
      De carro, seguimos ao jardim botânico. Também gratuito, contempla diversas espécies australianas, tasmanianas, subantárticas, entre outros. É bonito, mas achei o espaço subutilizado.
       
      Já que o Monte Wellington estava com uma névoa cobrindo seu mirante, depois das compras decidimos ir para o noroeste, enquanto o sol se punha.
       
      Com o National Parks Pass em mãos (comprado pela internet por 60 dólares australianos), acompanhando o mar que virou o Rio Tyenna, entramos no Parque Nacional Mount Field. Como já era noite, usei a lanterna de cabeça para focar vários animais que estavam nas árvores e brejo próximos à portaria. A maioria deles, na casa das dezenas, eram “pademelon”, saltador marsupial menor que o “wallaby”, mas havia outros, como o pequeno “bandicoot”, estrela da série de jogos Crash Bandicoot.
       
      O céu também estava especialmente iluminado com a Via Láctea, apesar de não termos visto uma aurora austral.
       
      Subimos de carro por quase 1 km até o ápice do monte que nomeia o parque. Ao chegarmos, do carro presenciamos uma cena inusitada: um helicóptero da polícia surgiu, e depois de muito procurar algo com um facho de luz, largou uma pessoa lá no topo, que sumiu instantes depois. Mistério no ar…
       
      Lá em cima estava tudo coberto de neve e gelo, dado que a temperatura chegou a -5 graus. Até o Lago Dobson, no qual fizemos uma trilha por conta própria nessa noite, estava parcialmente congelado.
       

       
      De vegetação só vi pinheiros e pândanos. Quanto aos animais, um que não sei qual é, pegadas estranhas e fezes.
       
      Descemos até a portaria para dormirmos no carro em temperatura levemente abaixo de zero.
       
      Dia 5
       
      Ao amanhecer, tentamos novamente sem sucesso achar um ornitorrinco nos lagos e rios do parque. Depois, percorremos o caminho pedestre para a cachoeira Russell Falls, uma beleza só. A trilha margeada por vegetação coberta de musgo, onde vimos dois “wallaby”, continua por eucaliptos enormes de até 80 metros na Tall Trees Walk. Voltamos ao centro de visitantes conversando com uma australiana que recém havia se mudado para a Tasmânia.
       

       
      À tarde, fomos em direção norte. Muitas fazendas, lagos e florestas no caminho.
       
      Almoçamos na área de piquenique das hidroelétricas Tarraleah. Como as demais, possui mesas e bancos, churrasqueiras grátis e banheiros limpos e completos.
       
      Um pouco além, ao passar algumas charnecas, entramos na área do Parque Nacional Cradle Mountain - Lake Saint Clair. A parte sul do parque fica ao redor do lago de mesmo nome.
       
      Começamos as trilhas já com o céu escurecendo. Percorremos a Platypus Bay, que atravessa um rio e passa pela margem do lago, outra que trata da etnografia aborígine, e a Watersmeet, onde vimos a maioria dos animais noturnos em meio a manchas grossas de neve e árvores de floresta temperada.
       
      Nas árvores, encontramos duas espécies de “possum”, o mais comum Trichosurus vulpecula e o Pseudocheirus peregrinus, ambos se alimentando. Próximo ao centro de visitantes, alguns “wallaby”.
       
      O mais inesperado e raro, todavia, foi uma equidna! Assim como o ornitorrinco, ela é um monotremado, grupo primitivo de mamíferos que põe ovos, além dela ter um pênis quádruplo! Ela até permitiu nossa aproximação, ainda que ao pressentir perigo armasse suas lanças como um porco-espinho (chegou a encostar em mim a certa hora).
       

       
      Fiquei muito satisfeito com esse encontro, retornando ao carro para guiar até alguns quilômetros adiante, onde dormimos no meio do nada. Tão nada que se passou várias horas até um carro cruzar com o nosso.
       
      Dia 6
       
      Somente na manhã que vimos que essa área era a trilha do Rio Franklin, que pertence ao Parque Nacional Franklin-Gordon Wild Rivers.
       
      Um pouco além, encaramos um pedaço de uma segunda trilha do parque, até a ponte pênsil Frenchman's Cap. A terceira trilha curta foi uma subida até a colina Donaghys. A vista do topo é muito bacana, mostrando a vastidão selvagem da Tasmânia.
       

       
      Próximo à única cidade da região (Queenstown), paramos na cachoeira Nelson Falls. Outra baita queda, mas com um mirante não tão bom.
       
      Almoçamos macarrão e feijão enlatados à beira do reservatório do Lago Burbury, dividindo a mesa com corvos destemidos.
       
      Num morro diante de Queenstown, fica um caminho por um paredão rosado com cachoeira e um mirante por cima da minha de cobre que desenvolveu a cidade no século 19 e 20, mas que deixou um rastro de destruição ambiental até hoje.
       
      A chuva apertou enquanto seguimos até o lado norte do Parque Nacional Cradle Mountain - Lake Saint Clair. Essa parte da unidade de conservação é mais desenvolvida, com uma dezena de estabelecimentos comerciais.
       
      Apesar de já ser quase a hora do pôr do sol quando finalmente chegamos, ao longo dos tablados que percorrem o Ronny Creek havia uma dezena de vombates (Vombatus ursinus)! Mais um marsupial fofo pra coleção. Enquanto os gordinhos pastavam no brejo, nem se preocuparam com nossa presença. Tanto foi que consegui até fazer carinho em um que se aproximou da trilha.
       

       
      Quando escureceu avistamos uma mãe e filhote de “wallaby”. Seguindo de carro até o Lago Dove, ouvimos um monte de sapos mas não vimos nenhum, então deixamos o parque.
       
      Na estrada escura e nebulosa, muitos “wallaby” cruzaram o asfalto, quase atingindo o veículo.
       
      Ao chegarmos em Devonport, cidade portuária no norte, tivemos certa dificuldade em localizar uma hospedagem em conta, pois um dos albergues estava fechado no inverno e no outro a recepção recém havia encerrado, apesar de ainda ser 9 e pouco da noite. Nos sobrou o Formby Hotel, que estava mais para bar e cassino. Pagamos 35 dólares por cabeça no quarto com banheiro e cozinha compartilhados, wi-fi e estacionamento. Foi meio caro, mas tomar um banho quente e dormir num colchão novamente foi bom demais.
       
      Dia 7
       
      Tivemos que abastecer o carro, mas aqui estava mais caro e tabelado: 1,57 o litro.
       
      Depois, tentamos ver uns pinguins na praia de Lilico. Lá, há plataformas e casas artificiais para os pinguins da menor espécie do mundo que ocorrem nesse litoral. Infelizmente, eles só aparecem em terra após o pôr do sol, então não vimos nenhum.
       
      Em seguida, guiei o carro para o interior, para visitarmos o Tasmanian Arboretum, mais um local com possibilidade de ver o ornitorrinco. A entrada custa 5 dólares mas é voluntária.
       
      Há alguns jardins temáticos, sem flores no inverno, e um lago central. Ao redor do corpo hídrico, uma espécie de passarinho azul e mais várias outras aves; na água, cisne negro e… finalmente ornitorrincos! Pequeninos, nadavam por alguns segundos com as costas e o bico acima do nível do lago, para depois deixarem apenas ondas e bolhas na água enquanto mergulhavam e voltavam pras suas tocas na vegetação das margens. Esses animais bizarros põe ovos, possuem bico e patas de pato, garras venenosas, mas são mamíferos!
       

       
      Levemente emocionado com a descoberta dos bichos, a próxima parada foi no Parque Nacional Mole Creek Karst. O maior interesse da área protegida está nos relevos cársticos, ou seja, cavernas. As duas principais (King Solomon e Marakoopa) possuem muito o que proteger da ação de invasores, por isso só é possível entrar nelas com um passeio guiado de 1 hora por 19 dólares.
       
      Eu e mais uns australianos fizemos o tour. O guia bacana explicou muito sobre as formações espeleológicas dessa caverna, que incluem incríveis estalactites, estalagmites, colunas, cortinas, canudos, escorrimentos, etc. Vimos alguns dos salões, o rio subterrâneo e, por fim, os “glow worms”, larvas de inseto que produzem bioluminescência e mais parecem um céu estrelado no teto da cavidade sem iluminação.
       

       
      Atravessamos o estado em seguida. Somente à noite chegamos no Parque Nacional Freycinet. Para não perder o pique das trilhas noturnas, deixei o carro no fim de Cape Tourville e demos uma caminhada em torno do farol estrelado, mas não vimos nenhum ser vivo, então retornamos ao centro de visitantes do parque e dormimos no carro no estacionamento.
       

       
      Dia 8
       
      Breve passada no centro de visitantes para obter umas informações. Em sequência, estacionamos no começo da trilha para Wineglass Bay, onde fomos caminhar um bocado, em companhia de algumas outras pessoas. Logo de cara há uma subida considerável, com mirantes pras baías de Coles e Wineglass, essa segunda uma beleza só.
       

       
      A trilha vai até essa praia, mas escolhemos continuar pelo istmo até Hazards Beach. É impressionante a quantidade de conchas grandes e algas kelps.
       
      Por fim, continuamos margeando o costão na vegetação de “heathland” até o ponto inicial, percorrendo o circuito em 4 horas e meia com as paradas.
       
      No estacionamento, três “wallaby” com seus filhotes na bolsa (marsúpio) fizeram a alegria da galera. Achei que as mães seriam agressivas nessa situação, mas elas no máximo fugiam lentamente.
       

       
      Voltamos ao centro de visitantes para tomar banho. Nos custou 1 moeda de 2 dólares para cada, para podermos tomar banho quente de 4 minutos, meio corrido.
       
      Ao escurecer dirigi até as praias amigáveis (Friendly Beaches), onde passamos a noite. Lá há um camping gratuito com estacionamento, banheiro seco e bastante espaço em meio às natureza com animais saltitantes pra lá e pra cá. Mas nada de diabos-da-Tasmânia.
       
      Dia 9
       
      Começamos o dia averiguando a bonita praia. À continuação, mudança de plano de última hora: em lugar do Parque Nacional Tasman, reservamos a balsa para o parque da Ilha Maria (45 ida e volta por pessoa).
       
      Chegamos ao píer de Triabunna a tempo de embarcar no barco do meio-dia, com apenas outro casal no barco. A duração é de meia hora até a ilha. Fomos recebidos com um bocado de aves marinhas e algumas das 11 espécies endêmicas da Tasmânia que ocorrem ali.
       
      Esse lugar foi uma penitenciária no passado, começando a operar em 1825. Parte das construções originais ainda estão de pé, o que dá uma ambientação legal. Fora essas, há bem pouca estrutura na ilha: apenas banheiros, quartos e cozinha; nada de comércio.
       

       
      Trilhamos a rota que passa por ruínas e floresta esclerófila seca até os “painted cliffs”, paredões de arenito alaranjado escavado sobre o mar. Bem cênico.
       

       
      Posteriormente, seguimos o caminho até os “fossil cliffs”, penhascos deslumbrantes com um gramado que parece de um campo de golfe. Nesses penhascos de calcário e siltito há uma quantidade quase infinita de conchas fósseis do período Terciário.
       
      Deixamos essa parte durante o pôr do sol, indescritível. Ao fundo, a coloração que passava de laranja pra roxo, ao meio, o mar e uma ilhota com farol, acima, as grandes aves marinhas, atrás desfiladeiros e montes, ao lado, floresta de eucaliptos e, à frente, pastando as ervas rasteiras, nada menos que vombates, gansos, “wallaby” e uma centena de cangurus! Essa cena não vai sair tão cedo da minha memória.
       
      De fato, o ponto forte dessa ilha é a quantidade de bichos selvagens soltos e que permitem certa aproximação e ótimas fotos.
       

       
      Depois de nossa janta de sanduíches, andamos por tudo quanto é lado com as lanternas atrás dos diabos-da-Tasmânia. Apesar do esforço, vimos apenas as mesmas criaturas de antes.
       
      Como último esforço na última noite da Tasmânia, armei uma armadilha com nosso lixo orgânico e fiquei ao relento à espera de algum intrometido. Infelizmente, o único que apareceu atrás de uma casca de banana foi o “possum”.
       
      Dia 10
       
      Durante a manhã andamos por outra trilha, a do reservatório. Não havia nada de muito interessante nela, exceto por umas ruínas.
       
      Tomamos o barco de volta na hora do almoço, e seguimos ao aeroporto de carro. No caminho vimos as únicas viaturas policiais desde Hobart. Ainda assim, a criminalidade da Tasmânia é baixíssima.
       
      Pegamos o voo para Melbourne pela JetStar. Por pouco escapamos de exceder o limite da pesagem da mochila.
       
      Do aeroporto, usamos o ônibus nº 901 até uma das estações de trem que seguem para Melbourne, onde chegamos um tempão depois. Por último, subimos num bonde até St. Kilda. Ao menos essa longa jornada de mais de 3 horas custou apenas 4,3 dólares, o preço de um trecho qualquer. Mas é obrigatório comprar o cartão “myki” que custa 6 dólares.
       
      Saint Kilda é uma bairro atrativo na baía de Melbourne, com vários bares e restaurantes, além de edifícios estilosos e um longo píer. Jantamos na rede Lentils as Anything, restaurante vegetariano indiano que se diferencia por utilizar mão de obra voluntária e não cobrar um valor fixo pela refeição, ou seja, você paga o que quiser. Entre as opções que incluem hambúrguer de tofu, como estava faminto pedi dois pratos com curry levemente apimentados. O primeiro estava bom, o segundo razoável.
       
      Posteriormente, fomos ao píer. Construído no meio do século passado, acabou involuntariamente se tornando uma colônia dos menores pinguins do mundo, os pinguins-azuis (Eudyptula minor). Hoje há mais de 1400 deles se abrigando entre as rochas durante à noite. Bem bacana vê-los bem de perto.
       

       
      Dormimos no apê do Bruno, um amigo da minha prima.
       
      Dia 11
       
      Com o SkyBus (18 dólares), seguimos nós 2 e mais Rafael, amigo de Amanda, ao aeroporto. Lá, voamos novamente com a low cost JetStar (138 dólares por trecho por pessoa), dessa vez para Ayers Rock, no meio do quente e seco deserto australiano.
       
      Três horas após, desembarcamos no vilarejo de Yulara. Retiramos o carro alugado, nada barato (250 dólares para 3 dias) e com a inevitável restrição de quilometragem (100 por dia). Como estávamos em 3, compensou mais do que pagar por tours.
       
      Próximo do aeroporto fica o Ayers Rock Resort, a base para exploração do Parque Nacional Uluru-Kata-Tjuta, e praticamente o único estabelecimento para se comer, dormir ou abastecer o carro num raio de 200 km. Ficamos hospedados no dormitório compartilhado menor (46 dólares por pessoa), chamado de Outback Pioneer Lodge. Também há um grande camping um pouco mais barato e hotéis luxuosos bem mais caros.
       
      No complexo há múltiplas opções de entretenimento, inclusive gratuitas, com horário marcado. Passamos a primeira tarde desfrutando delas: Mani Mani Indigenous Cultural Theatre (projeção em 3d misturada com atores aborígines que contam uma lenda), Ecology & Museum Tour (história natural do parque), Garden Walk (mostra das plantas do parque e seus usos).
       

       
      No pôr do sol, dirigimos até o ponto de observação dentro do Parque Nacional Uluru-Kata-Tjuta, com vista para o monólito. O que não sabíamos é que só era necessário um bilhete (25 dólares para até 5 dias) por carro, e não por pessoa. O belo e imponente Uluru mudava de tonalidade acompanhado por dezenas de turistas em seus veículos alugados num ponto, e dos ônibus dos tours em outro.
       

       
      De volta à hospedagem, compramos as comidas no supermercado IGA. Caro como esperado, mas seria a única opção fora os restaurantes.
       
      Depois do jantar auxiliado pelos utensílios fornecidos pela cozinha dos hóspedes, demos uma volta de carro para ver o belo céu estrelado com a Via Láctea e eu fui procurar animais. Pena que não achei nada que não fosse invertebrado - causa possível é a hibernação de vertebrados no inverno.
       
      Dia 12
       
      Tomamos calmamente o clássico café da manhã de iogurte com granola e fruta.
       
      À continuação, dirigi o carro para o grupamento de rochas de conglomerado conhecidas como Kata-Tjuta ou The Olgas. Esse fica a 50 km de Yulara.
       
      De um mirante tem-se a vista bacana das rochas. Um pouco adiante, fica o começo da trilha de 7,4 km chamada “Valley of the winds”, percorrida a pé.
       

       
      Era meio-dia quando iniciamos, o pior horário possível. Ao menos, naquele dia a temperatura máxima foi de 26 graus, bem abaixo do dia anterior. O pior não foi o sol, mas as moscas, que não deixavam o rosto de ninguém em paz!
       
      Em 3 horas circundamos algumas das rochas, numa vegetação adaptada à seca para resistir à insolação e capturar a água do lençol freático, que também fornece água aos visitantes. As principais espécies vegetais são a gramínea Spinifex, o arbusto acácia e a árvore carvalho. De animais, só vimos algumas espécies de aves.
       
      Depois batemos um rango na área de piquenique e atravessamos a trilha Walpa Gorge em pouco tempo. Ela é um caminho entre o desfiladeiro formado por 2 dos grandes montes.
       
      Vimos o sol se pôr em outro mirante e voltamos pro resort. Jantamos a comida do supermercado. Como não tínhamos que acordar cedo, fomos tomar umas cervejas (8 dólares por 425 ml, vish!) enquanto um cantor tocava ao vivo e uns jovens dançavam animados. Logo eu e Amanda nos juntamos a eles e ficamos curtindo até o toque de recolher da meia-noite...
       

       
      Dia 13
       
      Depois de uma boa noite de sono, com o mesmo guia de sempre fizemos outra atividade gratuita, que explicava sobre a manufatura e uso das armas tradicionais, como o bumerangue.
       
      O almoço foi à base dos restos de alimentos deixados pelos outros hóspedes na cozinha. Havia uma porção de comidas disponíveis. A atividade seguinte foi a explicação dos alimentos aborígines.
       
      Fomos em seguida ao Uluru, o principal atrativo da região. Muitos escalaminhavam o monte (proibido a partir de outubro por motivos culturais), enquanto nós 3 caminhamos pela trilha ao redor do monólito arenítico.
       
      O esforço físico dessa trilha não é tão grande, pois ela é plana, então há pessoas que percorrem de bicicleta ou Segway. Só que é mais longa que a dos montes Kata-Tjuta, e o sol não ajuda nada. As feições são diferentes; há muitas cavidades na parte de trás, mas é tão seco quanto. Também há algumas pinturas rupestres.
       

       
      Depois da caminhada, fiz uma breve visita ao centro cultural, que apresenta informações sobre o parque e seus moradores aborígines.
       
      Mais um pôr do sol pra conta, desse não dá pra cansar.
       
      Nessa noite a festa não foi tão animada, infelizmente. Então, antes do toque de recolher voltamos aos dormitórios.
       
      Dia 14
       
      Comemos até explodir para não desperdiçar nossa comida antes de embarcar na JetStar de volta a Melbourne. Antes disso, fomos obrigados a abastecer no monopolista posto de combustíveis do resort, com a absurda tarifa de 2,12 (~5,65 reais) por litro.
       
      A volta do aeroporto dessa vez foi menos demorada. Descemos em Docklands e caminhamos até Southbank no final do dia. Essa zona nas margens da água é bastante agradável para se passear, com um porção de implementos urbanos, prédios com arquitetura moderna, bares e tal.
       

       
      Passamos a noite no apê do Bruno, onde provamos carne de canguru, que é uma delícia.
       
      Dia 15
       
      Amanda me guiou pelo interessante centro de Melbourne o dia todo. Primeiro pegamos o bonde até a Bourke Street, onde vimos a loja de câmeras Michaels, que opera desde a década de 20 e possui um museu gratuito desses aparelhos ópticos dentro. Aproveitei pra comprar um cartão de memória.
       
      Em seguida, a State Library of Victoria, de edifício neoclássico e com salões de leitura internos impressionantes e ainda algumas exposições.
       
      Almoçamos com Bruno e João Paulo no restaurante italiano Universal, que oferece um prato com um colossal bife à parmegiana, batatas-fritas e salada por 14 pratas.
       

       
      À continuação, passamos pelo jardim Carlton Gardens, que inclui os edifícios da Royal Exhibition e do Melbourne Museum. Como teríamos pouco tempo para visitar o museu, não pagamos os 15 dólares de entrada.
       
      Com isso, seguimos de bonde até o outro lado do Rio Yarra, onde fica o teatro Arte Centre Melbourne e a galeria de arte National Gallery of Victoria, também pagos.
       
      Atravessamos a rua para entrar no memorial das guerras Stone of Remembrance. Além das informações sobre as guerras em que os australianos se meteram, há um mirante da cidade. Gratuito.
       

       
      Ao lado fica o também grátis Royal Botanic Gardens. Há vários jardins temáticos numa área verde de tamanho considerável.
       
      Por fim, ao escurecer nos preparamos para a partida do país. No aeroporto ao virar do dia, subimos no avião da JetStar para Christchurch (180 dólares australianos por pessoa), na Ilha Sul da Nova Zelândia.
       
      Dia 16
       
      Com o voo da madrugada e diferença de fuso horário, dormimos só umas 2 horas nessa noite. Desembarcamos, passamos a imigração e caminhamos num frio de 4 graus até a SpaceShips, empresa na qual havíamos reservado uma nave terrestre. Pagamos a bagatela de 19 dólares neozelandeses (cerca de 52 reais) na diária da campervan, que é uma van modificada pra conter cama, fogão, água e utensílios de cozinha. O veículo já estava bem rodado, mas foi um baita upgrade em relação a dormir e comer num carro.
       
      Fizemos o rancho pra semana no hipermercado Pak 'n Save, gastando um total de 220 dólares divididos por 2. Depois, enchemos o tanque de gasolina a 2,32 dólares neozelandeses (cotação menor que na Austrália) o litro.
       
      Dali em diante a direção ficou nas mãos da Amanda, já que minha parte eu havia feito na Austrália. Ela pegou o jeito do veículo comprido rapidamente, só que a perigosa falta de repouso nos obrigou a algumas paradas a mais.
       
      Em direção ao interior, passamos por um monte de fazendas de gado e ovinos. As cidades, todas bem pequenas.
       
      As coisas ficaram mais interessantes quando a cordilheira central da Ilha Sul se fez presente no fundo da paisagem, com seus picos brancos de neve. Junto a isso, as lagoas glaciais onde transbordam as águas de cor incrível das geleiras. Nós e um bocado de outros turistas em campervans e motorhomes, paramos nos lagos Tekapo e Pukaki.
       

       
      A muito custo cozinhamos nosso almoço tardio na traseira da van, devido ao vento forte que soprava. Com a luz diminuindo aos poucos nesse dia nublado, adentramos o Parque Nacional Mount Cook, Patrimônio Mundial da Humanidade. O último resto de dia nos foi visto no mirante que dá para pequenos lagos verdes e pros icebergs da geleira no Tasman Lake.
       

       
      Na tentativa de ver algum bicho à noite que não fosse um coelho, achei o weta alpino (Hemideina maori), espécie endêmica daqui. É um inseto preto parente dos grilos.
       
      A busca de um lugar para encostar a campervan para dormir foi uma luta. Todos os locais possíveis dentro do parque estavam sinalizados como proibidos para acampar, as hospedagens tradicionais são caras e o camping oficial do governo cobra 13 dólares por pessoa e não dá praticamente nada em retorno. Quase desistindo, achamos um lugar no aeroporto que opera voos de teco-teco e helicóptero e desligamos.
       
      Dia 17
       
      Acordamos ao som dos primeiros voos. O céu estava limpo, o que nos rendeu lindas paisagens nesse dia. Primeiro caminhamos até o mirante do Lago Mueller. Ali se vê os picos brancos das montanhas, incluindo o Monte Cook, despejando água turquesa na corredeira que atravessa uma ponte e segue adiante.
       

       
      Retornamos ao camping para percorrer uma segunda trilha curta, a do Kea Point. Infelizmente não vimos o papagaio alpino, mas a vista também é bela, com um paredão de detritos deixados pela retração da geleira.
       
      Pegamos a estrada, parando novamente só para reabastecer a van num posto sem atendentes e preparamos almoço de frango com arroz e salada num parque.
       
      Parada em Clay Cliffs, um terreno particular em Omarama, composto de picos cênicos de argila.
       

       
      Em Duntroon fica o Vanished World, uma série de paradas relacionadas a coisas antigas espalhadas por dezenas de km. Vimos 3 delas, sendo um sítio de arte rupestre Maori meio depredado, um sítio fossilífero com um crânio de baleia exposto, e um afloramento de rochas com formatos diferentes. Todos gratuitos.
       

       
      Já era escuro quando chegamos a Oamaru, cidade com arquitetura antiga. Tentei achar algum pinguim de olho amarelo na colônia deles, mas só consegui ver dois lobos-marinhos repousando na praia. Já no outro local, ficam os pequeninos pinguins azuis, mesma espécie que vi em St Kilda. O centro de visitantes acabara de fechar, mas tivemos sorte de encontrar uns indivíduos de pinguim gritando e caminhando pela rua.
       
      Com o wi-fi liberado no centro da cidade, procuramos um lugar para dormir. Não encontramos nada gratuito próximo, então escolhemos o camping Herbert Forest. São 12,5 dólares por pessoa, com direito a chuveiro quente, cozinha e o resto que os campings básicos fornecem. Tudo limpinho.
       
      Dia 18
       
      O exercício do dia foi uma trilha meio íngreme na floresta Herbert, a Swallows Track. Nada de mais nela.
       
      A praia de Moeraki, por sua vez, é bem interessante. Aqui jazem concreções rochosas redondas formadas há milhões de anos pela deposição de minerais em torno de restos orgânicos e a pressão da lama do fundo do mar. Com a erosão e diminuição do nível, elas estão sendo expostas. São dezenas delas, algumas rachadas e formando até aquários naturais.
       

       
      Na reserva histórica de Katiki Point, onde fica um farol numa pequena península, há uma abundância de vida selvagem que me interessou muito. Bandos de gaivotas vermelhas e cormorões voavam e nidificavam, lobos-marinhos neozelandeses pegavam um bronze, e algas gigantes se agitavam com as ondas.
       

       
      Almoçamos numa área de piquenique mais ao sul, com um vento frio soprando e gaivotas preguiçosas tentando abocanhar uns restos.
       
      No Shag Point, outro mirante costeiro, vimos outra espécie de cormorão, mas nada dos pinguins neste quase fim de tarde. Com isso, nos dirigimos através de Dunedin para a Península de Otago. A estrada que costeia os morros é bem bonita.
       
      Chegamos no Royal Albatross Centre no pôr do sol. É um centro de visitantes com bastante informações sobre os albatrozes e demais animais da região, mas para ver de perto essas aves de até 3 metros de envergadura é preciso pagar por um tour de 50 dólares. A espécie albatroz-real fez desse local seu único ponto de nidificação em terra firme no mundo. Não tivemos sorte de ver de longe, apenas uma infinidade impressionante de gaivotas e cormorões nos penhascos.
       
      Durante a noite caminhamos na agradável Dunedin. Fundada no século 18 por escoceses, é uma das mais importantes cidades do país, além de ter sua parcela de atrações. Começa pela arquitetura antiga vitoriana e seus edifícios históricos, como a prefeitura, igrejas, estação de trem, entre outros. E o centro ainda possui wi-fi grátis.
       

       
      Dormimos na última vaga restante do camping de veículos gratuito de Brighton, a uma curta distância da cidade. Aqui há água potável, lixeiras, mesa de piquenique e banheiros.
       
      Dia 19
       
      Esse foi o dia das cascatas. Fomos na Purakaunui Falls, seguido pela Horseshoe Falls e Matai Falls. Achei essas 3 cachoeiras meio fracas, em comparação com as da Tasmânia.
       
      Do mirante de Florence Hill, vimos a baita praia de Tautuku Bay, pra onde fomos em seguida. Há uma faixa de areia enorme e deserta, bem como falésias e costões rochosos de formas diferentes, que a certa altura formam uma cova.
       
      Com nossa comida quase estragando por falta de refrigeração, tivemos que cozinhar e misturar tudo nas refeições.
       
      Mais além, abastecemos o carro e eu andei pela bela trilha da McLean Falls enquanto a Amanda tirava uma sesta. Azar o dela, perdeu a melhor cachoeira do dia.
       

       
      Em Curio Bay fica uma floresta de troncos fossilizados por cinzas vulcânicas no Jurássico. A praia é acessível gratuitamente, assim como as outras atrações do dia.
       
      Rodamos por muitos campos de criação de ovinos e gado até chegarmos bem na hora do pôr do sol na cidade mais ao sul da Nova Zelândia. Da colina de Bluff, que também é o primeiro povoado do país de 1840 e poucos, tivemos aquela vista privilegiada espetacular.
       

       
      Paramos rapidamente no Pak 'n Save de Invercargill para comprar uns mantimentos e usar o wi-fi, antes de seguirmos para o acampamento de Monkey Island. A poucos metros do mar, mas sem água potável, luz ou sabão, além de ter um exército de insetos voadores só esperando que você deixe uma fresta em seu veículo para que eles possam fazer a festa. Tomei uma bira neozelandesa, que é mais barata que as australianas, e fui dormir.
       
      Dia 20
       
      Acordamos ao lado de senhores de idade neozelandeses em seu motorhome. Depois de um papo rápido, aproveitamos a maré baixa para acessar a Monkey Island, promontório da grande praia onde dormimos.
       
      Amanda guiou a campervan até Clifden Caves, onde fica uma longa caverna abertas ao público, sem taxa e sem necessidade de guia. Apesar de ser sinalizada por dentro, acho que deveria ter mais controle, pois é meio perigosa. Há diversos trechos estreitos e baixos, escorregadios e alagados. Mas foi uma aventura e tanto explorar os corredores com estalactites e outros poucos espeleotemas, aranhas e até mesmo as bioluminescentes “glow worms”.
       

       
      No começo da tarde, almoçamos macarrão à beira do sereno Lago Manapouri, no vilarejo de mesmo nome.
       
      Em seguida, vimos dois locais de gravação de Senhor dos Anéis, o Rio Anduin e os Dead Marshes. Não se paga nada nesses lugares, que estão atualmente abandonados.
       
      Logo após fica a cidadezinha de Te Anau, a base para exploração do Parque Nacional Fiordland. Buscamos umas informações no centro de visitantes, vimos o “takahe” (grande ave terrestre endêmica da espécie Porphyrio hochstetteri) no aviário grátis e seguimos pela Milford Road.
       
      Essa rodovia é uma das estradas mais cênicas do país, que é quase todo cênico. Tivemos que correr um pouco porque já estava no meio da tarde, mas vale a pena passar um dia todo nela. São grandes vales escavados por ação glacial e eólica, rios quase congelados, lagos pristinos, florestas de abetos e faias, picos nevados e várias trilhas. Conforme se sobe em altitude aparece o “kea", único papagaio alpino do mundo, bem como um montão de cachoeiras e zonas de deslizamento de pedras e avalanches. Essa também é a parte mais bonita.
       
      Com o sol recém posto e o céu rosado chegamos ao final, Milford Sound. A baía com os fiores ao fundo é definitivamente um cartão postal, inclusive é a principal beleza natural do país. Dá pra se notar, com a quantidade de veículos que circulavam por lá durante a tarde. Com a escuridão, só nos restou tirar umas fotos de longa exposição e retornar.
       

       
      Tentamos tomar um banho pago e seguir pra um camping gratuito a uma hora de Te Anau, mas como não fomos bem-sucedidos na primeira tarefa, tivemos que ficar numa hospedagem nessa cidade. O Holiday Park Lakeside Resort é um complexo de acomodações e algumas atrações. Ficamos com a mais barata (18 dólares), para estacionar nosso veículo, usar o banheiro e cozinha.
       
      Dia 21
       
      Tomamos o café enquanto aproveitávamos a cozinha equipada pra cozinhar nosso almoço. Chegando no fim da reserva do combustível, abastecemos em Mossburn, com um preço bom.
       
      O Lago Wakatipu foi o primeiro de alguns lagos impressionantes que atravessamos nesse dia.
       
      Quase chegando em Queenstown, subimos a morreba até a estação de esqui Remarkables. A vista do meio do caminho foi bem bacana, assim como ver as pessoas se divertindo nas pistas de neve, mas não passamos disto, porque o mínimo que teríamos que pagar pra desfrutar seria de 150 dólares cada.
       

       
      Passamos rapidamente por Queenstown, famosa por seus esportes de aventura. A cidade em si fica espremida entre o lago e o morro, mas é bonita. Almoçamos num parque onde ciclistas passeavam em suas mountain bikes.
       
      Pegamos uma rota paisagística nos morros de Crown Range até a cidade seguinte. No meio da serra, nos chamou a atenção as sobras de um povoado de 1830, na época da febre do ouro neozelandês, que não durou muito. O que sobrou foi um hotel e restaurante com exterior e interior todo de época. O nome da vila é Cardrona.
       

       
      Em seguida, Wanaka e seu lago. Por fim, o Lago Hawea, enquanto o sol se punha.
       
      Tivemos que abrir mão de algumas vistas interessantes como cachoeiras, para ganhar terreno à noite.
       
      Como a Amanda já estava com sono e eu havia bebido, tivemos que parar. Dormimos num lugar meio sinistro junto a uma praia de seixos, com umas casas meio abandonadas. Ao menos não gastamos dinheiro com hospedagem, e sobrevivemos à noite.

       
      Dia 22
       
      Entramos no Parque Nacional Westland, caracterizado por florestas pluviais temperadas e geleiras. Conhecemos duas delas, sendo a primeira a Fox Glacier, nomeada em referência ao primeiro-ministro da Nova Zelândia que foi o 1° turista a visitá-la. Antes de chegar a sua trilha, o que chama a atenção é o quanto ela retrocedeu nos últimos séculos devido ao aquecimento global. Foram quilômetros, que atualmente são preenchidos pelos restos de rocha carregados pela geleira e pelo rio de degelo.
       
      A trilha é aberta sobre cascalho com umas subidas. Só que ao chegar ao observatório da geleira ficamos meio decepcionados, pois só se vê um pedaço pequeno dela, e que deve ficar ainda menor nos próximos anos. Não deixa de ser bonita, no entanto.
       

       
      Antes da seguinte, caminhei ao redor do Lago Matheson. A floresta é agradável, e o corpo hídrico abriga patos e uma espécie de enguia que vive 100 anos e viaja 5 mil km no oceano para desovar! A atração principal é o reflexo perfeito das montanhas ao fundo, mas que foi interrompido por uma chuva que começou a cair.
       

       
      Com o tempo desse jeito, tivemos que comer a refeição fria dentro do carro.
       
      Depois, passamos do povoado de Fox Glacier pro de Franz Josef, voltados exclusivamente ao turismo nessas geleiras, oferecendo passeios de helicóptero e caminhadas sobre as mesmas.
       
      A geleira de Franz Josef também retrocedeu um monte e só se vê de longe, mas o formato dela é diferente, então se tiver tempo vale a pena ir até ambas.
       
      No final da tarde, fui sozinho até o túneis de Tatare, escavados no século 19 para levar água do rio a outro lugar e, posteriormente, pra hidroeletricidade. Hoje são 330 metros de rochas com o chão inundado e “glow worms” da espécie Arachnocampa luminosa no outro lado dele. Eram tantos que parecia um céu estrelado. Consegui ver até seus filamentos, onde as presas ficam grudadas.
       

       
      Retornei com os tênis ensopados e seguimos viagem. Mais de 3 horas à noite, na serra e sob chuva. Dormimos num camping gratuito rústico na cia de motorhomes e até uma barraca.
       
      Dia 23
       
      Sob chuva leve, paramos em 2 mirantes de Arthur's Pass. Num deles, finalmente vimos um “kea” (Nestor notabilis), único no mundo por ser um papagaio alpino. Apesar da fama de destruidor de veículos, ele é bem manso e curioso.
       

       
      Depois do encontro, descemos a serra, parando em Castle Hill, uma colina cheia de grandes rochas, ideal para a escalada sem equipamentos (bouldering).
       

       
      Pegamos um trânsito leve na entrada de Christchurch. Almoçamos no parque Hagley, que fica bem no centro, com estacionamento gratuito. Estávamos bem no meio do cozimento do rango quando acabou nosso gás. Por sorte, havia uma chapa quente de churrasqueira próxima à mesa de piquenique, onde pudemos colocar a panela sem pagar nada.
       
      Para a digestão, conhecemos o Museu Canterbury. Apesar de ser grátis, possui um material riquíssimo sobre os maoris, os animais e ambientes neozelandeses, bem como a história da região de Canterbury, além de outras exposições. Apreciei bastante.
       
      Em sequência, passeamos pelo jardim botânico, mais uma atração gratuita situada no mesmo local. Não é tão grande, mas é bem cuidado, e mesmo no fim do inverno apresenta várias espécies floridas.
       
      Devolvemos a campervan e fomos a pé até o albergue Jucy Snooze, pertinho do aeroporto. O lugar é bem descolado, limpo, tem uma baita área comum e você dorme em uma cápsula. Não é dos mais baratos, no entanto (29 dólares). Adendo: acreditam que na estante de comidas grátis do albergue alguém deixou um pacote de KitKat quase inteiro? Surreal!
       

       
      Dia 24
       
      Nosso último voo pela JetStar, para Auckland (48 dólares neozelandeses por pessoa), atrasou. Chegando lá, uma coisa que nos chamou a atenção foi a distinção da população que é de etnia maori, que não reconhecemos na Ilha Sul, pois como descobrimos posteriormente eles se misturaram com os brancos lá.
       

       
      Nos dirigimos de ônibus e trem até a sede da SpaceShips, na periferia de Auckland. Retiramos o mesmo tipo de veículo da outra ilha e, depois de fazer o rancho na mesma rede de supermercados e abastecer o carro lá usando o cupom de desconto das compras, seguimos para Rotorua.
       
      Perdemos um tempo precioso no trânsito da região metropolitana de Auckland e Hamilton, então só conseguimos chegar em Rotorua ao anoitecer. O cheiro de enxofre e as nuvens de gás brotando do nada anunciaram a chegada na região geotermal. A cidade fica na margem sul do lago de mesmo nome que na verdade é uma cratera vulcânica.
       
      Como estava chovendo, não tivemos o que fazer além de passar pelas construções maoris e aproveitar o tempo pra cozinhar os alimentos e usar o wi-fi liberado do centro de visitantes.
       
      Dormimos num estacionamento aberto em frente ao lago e próximo a um banheiro, mesmo sem saber se era permitido ou não.
       
      Dia 25
       
      Acordamos cedo e nos encaminhamos pra vila maori Ohinemutu. Vimos por fora algumas construções no estilo tribal polinésio, como a igreja, cemitério e centro comunal, bem como totens espalhados. Entre as construções, muita fumaça saindo do lago. Dois senhores indígenas passaram pela gente e nos contaram um pouco dos costumes e história dos maoris dessa região.
       

       
      No centro da cidade, entramos em algumas das várias lojas de souvenires. Numa delas, comprei uma estátua por 10 dólares.
       
      O museu da cidade estava fechado para reformas, mas nem por isso deixamos de admirar a bela construção histórica dele e os jardins do governador que se situam ao redor, nos quais idosos jogavam cróquete.
       
      Em seguida, conhecemos a floresta Whakarewarewa, ou The Redwoods, pois é um plantio de sequoias californianas datado de 1901. Fizemos uma trilha curta agradável entre as gigantes, que estavam acompanhadas de samambaias arbóreas que mais pareciam coqueiros, de tão grandes que eram.
       

       
      Almoçamos lá mesmo e partimos pros outros lagos cênicos. Há um mirante no meio dos lagos azul (Tikitapu) e verde (Rotokakahi), mas a diferença entre eles é sutil e eles não são tão interessantes assim. O Tarawera é maior, mas dispensável.
       
      Muitas das áreas geotermais bacanas são pagas, mas deixamos essas de fora. Abastecemos o carro com a gasolina mais barata até então (2,07) e descemos até a montanha Rainbow. Lá vimos dois lagos menores mas verdadeiramente verdes esfumaçando.
       

       
      Mais a frente fica a Kerosene Falls. É um rio termal com pequenas quedas onde as pessoas vão para tomar um banho quente sem pagar nada. Fomos também. Quando caímos na água, por coincidência lá estava um casal de Brasília (Lorena e Italo), com quem ficamos conversando.
       
      Ao anoitecer, pegamos a estrada para a região do parque Tongariro. Dormimos no Waikoko, um dos 3 campings gratuitos.
       
      Dia 26
       
      Acordamos cedinho na tentativa de uma carona paga ou gratuita do ponto final pro inicial da trilha que faríamos, mas não havia nem uma mosca no local, então fomos até o estacionamento de Mangatepopo, onde aos poucos os turistas iam surgindo. No caminho até lá tivemos a primeira vista do impressionante trio vulcânico congelado do Parque Nacional Tongariro.
       

       
      Começamos a travessia alpina às 9 e meia, com os trajes e suplementos para encarar o desafio. Acontece que não fez o frio esperado, e logo eu já estava sem camisa de tanto calor que passava enquanto atravessava as plataformas sobre a vegetação rasteira e um riacho glacial.
       
      Alguns km depois, o tempo ficou nublado e tivemos que subir as escadarias do diabo, íngremes e com chance de avalanche. Passado o desafio, ficamos entre o belo cone regular do vulcão Ngauruoe (Monte Doom no Senhor dos Anéis), de 2291 m, e o não tão regular e nem tão alto Tongariro, que injustamente nomeia o parque.
       

       
      Nessa hora, a complicação foi outra, um campo de neve compacta para ser atravessado. Coloquei os grampos no meu tênis; ajudou um pouco na caminhada desengonçada, mas as pisadas eram tão fundas que entrou um bocado de gelo nos calçados, deixando os pés ensopados.
       
      O caminho ficou ainda pior quando o caminho de neve se tornou bastante íngreme. Essa hora o avanço foi lento e cauteloso, para não escorregar e despencar de uma altura considerável. Já havia uma meia dúzia de duplas no caminho a essa altura, além de um grupo orientado.
       
      Passamos mais essa etapa, chegando à metade do percurso e ao ponto mais alto atingido, a cratera vermelha (1868 m). Do alto de lá, vimos lagos verde-azulados e outras tantas montanhas. Eis que começou a chover de leve e uma neblina cobriu a bela paisagem longínqua, ficando frio a ponto de usarmos todas as roupas que levamos. Infelizmente todos os que chegavam ali retornavam ao mesmo estacionamento que iniciamos, então para não correr o risco de ficar sem carona e ter que caminhar os 21 km que separam os 2 estacionamentos, tivemos que retornar também.
       
      A descida pela neve inclinada foi mais difícil que a ascensão, pois foi bem difícil ficar em pé e não deslizar morro abaixo. Com trabalho e uns escorregões, passamos pro resto do caminho. Continuamos por muitos quilômetros mais, até chegarmos ao fim/início às 16h.
       
      Nos alongamos e partimos. No caminho até o sol se pôr, nada de muito excitante.
       
      Ao procurar um lugar pra tomar banho, descobri em Whanganui um clube aquático público que cobrava 5 dólares a diária para usar piscinas aquecidas, chuveiro, musculação e outras frescuras como a banheira de hidromassagem em que relaxamos. Foi um baita investimento.
       
      Jantamos no carro e continuamos até o camping gratuito Waikawa, mais ao sul.
       
      Dia 27
       
      Usamos a única facilidade disponível, o vaso, e seguimos o caminho.
       
      Em Porirua, parada rápida no museu e galeria de arte Pataka.
       
      Pouco tempo após, chegamos na capital Wellington. A Amanda foi resolver uma questão na embaixada brasileira, enquanto eu fui conhecer a orla revitalizada da cidade, com museus, parques e obras de arte. Só que pra isso tivemos que pagar o estacionamento público de rua, de mais de 4 dólares a hora.
       
      Depois da visita ao Museu Wellington, que conta a história da capital, fomos ao mirante do Monte Victoria, com bonita vista 360° para a Baía de Wellington. Lá almoçamos no carro.
       

       
      A próxima parada foi a Weta Cave, sede do estúdio de animação cuja principal obra foi a série Senhor dos Anéis, e que depois disso produziu a arte de dezenas de filmes de Hollywood. Não fizemos o tour pelas oficinas porque era caro, mas ainda assim pudemos assistir um vídeo com a história da empresa, folhear livros sobre os filmes, bem como admirar diversos itens em miniatura ou tamanho real das armas e seres fictícios criados pela Weta.
       

       
      Pelas 2 horas seguintes, conhecemos o Museu Nacional Te Papa Tongarewa. Como o museu anterior, não se paga entrada. Só que esse é de porte maior, e com exposições interativas e muito bem apresentadas. Destaque para a parte que conta sobre a história dos soldados neozelandeses na Primeira Guerra Mundial.
       
      Já no final da tarde, enfrentamos um pouco de trânsito para deixar o município. Passando um morro preservado, paramos em Featherston. Nesse ponto, encostamos nossa campervan num camping ao longo de um lago. Foi duro cozinhar com o vento que fazia. Tomamos uma e, por fim, descansamos.
       
      Dia 28
       
      Tomamos o café na mesa de piquenique tranquilos sem imaginar o que viria em seguida. Acreditam que deixar a ventilação e o som ligados acabaram com a bateria?
       
      Por sorte, nosso vizinho de camping tinha o mesmo carro que o nosso e um cabo para fazer a chupeta, então o casal francês acabou com nosso problema num instante.
       
      Retornamos a Porirua para encarar outro desafio. Dessa vez, praticamos arvorismo no Adventure Park Wellington. O ingresso não é barato (44 dólares), mas foi bem aproveitado durante as 3 horas permitidas. Quando chegamos havia uma montoeira de crianças, mas tinha espaço para todos nós nos diferentes níveis e circuitos.
       

       
      Depois das instruções, começamos pelo mais fácil. Conforme progredíamos, as passagens iam ficando mais altas, difíceis e cansativas. O nível 4, o último, testou nossos limites. A Amanda precisou ser resgatada no meio, mas eu segui até o final, mesmo que morrendo de medo da altura e com os músculos já esgotados.
       
      Almoçamos num parque ao lago, e depois viajamos a boa distância até uma das praias de areia negra da costa oeste. Foi em Waverley que vimos o sol se pôr no mar.
       

       
      Continuando, estacionamos o veículo no vilarejo de Kaponga para usar a internet, o banheiro e o estacionamento gratuito para dormir. Eis que quando me direciono ao banheiro, um grupo de adolescentes que estava numa festa ao lado vêm falar comigo, e um deles era brasileiro! Que coincidência, hein?
       
      Fiquei conversando com eles por um tempo e depois jantei e apaguei.
       
      Dia 29
       
      Seguimos ao vulcão Taranaki, no Parque Nacional Egmont, pela manhã. Coberto de neve e com um cone parasita, bastante impressionante. Paramos no centro de visitantes de Dawson Falls e caminhamos por uma pequena trilha para ver a cachoeira de 18 metros.
       

       
      Dirigimos ao redor do vulcão para vislumbrar sua paisagem. Almoçamos à beira do mar em New Plymouth. Era um domingo, e diversas famílias pararam no mesmo lugar e ficaram comendo BigMac’s e outras porcarias do mesmo gênero de dentro de seus carros.
       
      No caminho para o norte, mais adiante, vimos uma formação geológica interessante e paramos. As Three Little Sisters são monólitos de lamito e arenito que se desprenderam das falésias costeiras e aparecem atualmente isoladas entre o mar e um rio, sobre a areia mais escura que já vi.
       
      Ao final da tarde chegamos em Hamilton, uma das cidades mais populosas do país. Ali encontramos Luana, uma velha amiga minha brasileira, que já mora na Nova Zelândia há alguns anos. Ela e seu cônjuge pagaram uma saborosa janta num restaurante indiano e nos hospedaram em seu flat. Foi bem bacana o encontro.
       

       
      Dia 30
       
      Partimos, conhecendo durante a manhã o Hamilton Gardens. A princípio não parecia tão interessante, mas quando fomos a fundo, nos admiramos com os diversos pequenos jardins temáticos, como o japonês, indiano, sustentável, renascentista, entre outros.
       

       
      Dali partimos para o norte, na rodovia que liga Hamilton e Auckland. Não achamos nada de diferente, então retornamos o carro mais cedo que o previsto.
       
      Com isso, pude dar uma volta pelo centro de Auckland naquele final de tarde semi-chuvoso. O centro é bem movimentado, com prédios altos, diversas opções de compras e comidas, mas também conta com um número considerável de pedintes e as ruas não são tão limpas.
       
      Passamos a noite no Nomads Backpackers, um albergue bem localizado que nos custou 21 dólares cada pelo quarto de 12 camas. O lugar é tumultuado, o elevador não dá conta do público, a internet funciona razoavelmente e os quartos e banheiros não são muito limpos e organizados. E não se pode beber álcool dentro dele.
       

       
      Dia 31
       
      Acordei com roncos, barulhos da cidade e do secador de mãos no banheiro. Depois do café da manhã, segui para outra caminhada solo.
       
      Estava a caminhar aleatoriamente, quando uma passeata cruzou o meu caminho. Era a comemoração da formatura dos alunos da Universidade de Auckland, que contava com uma banda escocesa. Até me emocionei, lembrando da minha.
       

       
      Almoçamos os restos de comida (cogumelos, arroz, tomate e ovos) e pegamos os transportes até o aeroporto.
       
      No meio da tarde, decolamos com a Air New Zealand para Tonga, num avião de grande porte e com entretenimento de bordo. Custou 232 dólares neozelandeses por indivíduo.
       
      Junto da gente estava a seleção juvenil de rúgbi, que teve uma baita recepção no desembarque. Quanto ao visto, não foi preciso nem abrir a boca para recebê-lo gratuitamente.
       
      O transporte incluído para nosso alojamento Heilala Lodge estava a nossa espera; depois que trocamos o dinheiro no lado de fora do aeroporto (que tem a cotação melhor), ele nos levou até a hospedagem no noroeste da ilha principal, Tongatapu. Pagamos 98 pa’angas (177 reais) pelo quarto por noite.
       
      Como não tínhamos nada para comer, a van parou num dos vários pequenos comércios. Só que eles possuem apenas comida industrializada, então tivemos que nos contentar com pacotes de bolacha.
       
      Tomamos um banho morno e dormimos em nosso quarto arejado com o som das ondas do mar…
       

       
      Dia 32
       
      ...E das vacas, que começaram a mugir bem cedo. Às 8 levantamos pro café incluso, mas bem magro, de fruta, pão e embutido.
       
      Duas horas depois pegamos as bicicletas que a hospedagem disponibiliza sem custo, para darmos uma volta na ilha.
       
      Quando estávamos para sair, uma hóspede que iria deixar Tonga nos deu um chip de celular com 3 GB restantes de internet!
       
      A primeira parada do passeio na bicicleta que freava pelo pedal foi na Tsunami Rock, uma rocha enorme de coral atirada em terra firme por um evento desse há muito tempo… Tanto que já há até árvores em cima dela.
       

       
      Alguns km além, estacionamos no Mapu 'A Vaea Blowholes. São rochas no litoral onde a força das ondas faz com que orifícios soltem jatos de água de até quase 30 m de altura, um espetáculo só.
       
      Como é um lugar turístico, há umas barraquinhas com souvenires. Comprei 2 colares e 1 pulseira por 20 pa’angas.
       
      O caminho até a atração seguinte começou a ficar bem ruim, passando somente por plantações, que sempre era cultivadas entre coqueiros infinitos. Como a Amanda não estava conseguindo seguir num ritmo legal e já estava cansada, retornou.
       
      Azar o dela, pois logo depois encontrei a linda praia coralina de Vaitongo. Tirei umas fotos e segui adiante na estrada semi-esburacada.
       
      Do penhasco de Hufangalupe tive um cenário ainda mais belo da praia abaixo quase deserta.
       

       
      Dali em diante entrei numa porção mais urbana, começando a me acostumar com os cumprimentos de “Bye” (em vez de “Hi”) de quase todos que cruzavam meu caminho a pé.
       
      Estava faminto, mas até o momento não tinha localizado um lugar sequer para comer. Somente ao passar pelo aeroporto, encontrei o Airport Diner, um container que me serviu peixe com fritas por 12 dinheiros. Nem deu tempo de fazer a digestão, pois o dia estava passando rápido.
       
      Pedalei até uma das cavernas, mas ela fica fechada durante o dia, abrindo para uma encenação. Com isso, tive que seguir até a outra, a 'Anahulu. Particular, custa 15 pa’angas e tem iluminação interna. Apresenta estalactites e estalagmites, mas o principal é um poço azulado de água pluvial.
       

       
      Queria ter ido até o sítio arqueológico de Ha’amonga, mas o tempo tardio me fez parar de me afastar quando cheguei nos túmulos reais de Lapaha, a antiga capital do reino de origem dos polinésios. Aqui vai uma menção aos cemitérios de Tonga: em sua maioria são privados para uma família, com montes de areia sobre os túmulos precários.
       
      Regressei passando pelo local de desembarque do capitão Cook em 1777. Ainda comprei bananas a 1 real cada numa banca de rua. Por fim, acelerei o que pude no trecho final durante o pôr do sol.
       
      Somente às 19h que conclui o trajeto de 95 km na bicicleta retrógrada. Foi só o tempo de tomar banho para ir até o hotel Vakaloa, onde havíamos reservado um jantar musical. Quando chegamos o lugar estava cheio. Se ainda não estava claro que a grande maioria da população adulta de Tonga é obesa, depois desse jantar não teve como dizer que não.
       
      Nos servimos no buffet livre com deliciosas comidas típicas, enquanto ouvíamos uma banda tocar músicas animadas. Em seguida, teve uma apresentação de dança típica com os personagens fantasiados.
       

       
      Curtimos, regressamos e capotamos, eu mesmo bem cansado da longa pedalada de 95 km.
       
      Dia 33
       
      De manhã demos uma mergulhada na praia Ha’atafu, a que fica em frente ao hotel. Com o sol a água estava com uma boa visibilidade, mas um pouco fria. Ficamos o quanto aguentamos, vendo as maravilhas subaquáticas. Até que achei um número bom de espécies, mas pouca coisa nova. Já a Amanda amou, pois foi seu primeiro snorkeling na vida.
       

       
      Como na maioria dos recifes tropicais, há muitos corais mortos. Não deu pra seguir até o fim da barreira porque havia fortes ondas lá e estava muito raso.
       

       
      Depois de procurarmos em vão nas demais hospedagens vizinhas por um almoço, tivemos que nos contentar com o relativamente caro Vakaloa. Pedimos dois pratos com peixe, batata, salada e arroz por 25 pa'angas cada. Enquanto terminava, vi uma baleia longe ao fundo, como a Amanda já tinha visto na tarde anterior.
       
      Saquei umas fotos e depois que vi outra mais tarde, caí no mar com o caiaque da hospedagem para tentar ir até ela. Só que isso não deu muito certo, pois a maré estava baixíssima e as ondas viraram o barco que ficou preso, me lançando em cima dos recifes. Além de me cortar, perdi meu óculos de sol.
       
      A baleia se foi e o céu ficou nublado, desfavorecendo o snorkeling no raso. Com isso, pegamos as bicicletas para uma voltinha. Paramos no final da ilha, onde o navegador Abel Tasman aportou no século 17.
       
      Em seguida, compramos a janta enlatada num mercadinho. Quando regressávamos, vimos uma das famosas raposas voadoras (morcegos) de Kolovai.
       
      À noite, tomamos uma cerveja tranquilamente na beira do mar...
       
      Dia 34
       
      Passamos quase o dia todo pra ir de uma hospedagem a outra. Em primeiro lugar, o ônibus que deveria passar na avenida a cada 20 minutos no máximo, levou pelo menos 40. Mesmo tomando o café e deixando o Heilala Lodge cedo, chegamos na estação de ônibus sem tempo de conhecer o centro de Nucualofa, pois a balsa das 11 horas para a ilha de 'Eua já estava quase partindo.
       

       
      Caminhamos até o porto, pagamos 20 pa'angas cada e entramos na balsa velha. Não tínhamos tido tempo pra comprar comida, e a única à venda na embarcação era um desagradável “cup noodles” da Indonésia por 2,5 dinheiros.
       
      Enquanto olhamos para o mar na viagem de quase 3 horas, tivemos a sorte de cruzar o caminho de pelo menos 6 baleias, que deram um espetáculo.
       
      Na chegada a 'Eua, tentamos achar um lugar próximo para almoçar ou comprar comida - sem sucesso. Também não deu certo sacar dinheiro no único caixa eletrônico da ilha, pois estava quebrado. Só nos restou trocar os últimos dólares neozelandeses para não passarmos fome.
       
      Em seguida, pedimos auxílio na Ovava Tree Lodge, uma hospedagem e centro de mergulho, pois nossa carona não veio. Ao telefonar para lá, descobrimos que nossa reserva feita um mês antes havia desaparecido. Foi preciso insistir para que não virássemos sem-tetos por 3 noites, já que as outras hospedagens também estavam lotadas (Na verdade, eu também havia tentado reservar para o Ovava, mas nunca responderam meus emails).
       
      Não seria tão ruim assim, pois o Taina’s Place não é bem o que esperávamos. No meio do nada, por 30 pa'angas cada tivemos direito a um quarto, cozinha e banheiro compartilhado, chuveiro frio, barulho, bagunça, cheiro de cigarro e nada mais.
       

       
      A última hora de dia foi usada caminhando no meio do mato até o sumidouro de Matalanga a Maui, um buracão no meio da floresta.
       
      Quanto à comida para os próximos dias, nós a compramos num mercadinho no meio do caminho, mas não havia nada de natural por lá. Então nossa janta foi macarrão enlatado e atum enlatado.
       
      Conversamos um pouco com o outro casal hospedado no mesmo local e fomos dormir cedo por falta do que fazer.
       
      Dia 35
       
      Comemos biscoitos e goiabas, que abundam na ilha, caindo na estrada logo cedo. Na avenida, pedimos a primeira de várias caronas do dia, já que ficamos sabendo que essa era uma prática comum por aqui.
       

       
      Descemos na praia de Ha’aluma. A princípio não parecia muito interessante, apenas rochas num mar não tão calmo, mas investigando a fundo descobrimos que as rochas que se elevam acima do nível do mar são na verdade amontoados de fósseis de coral, das mais variadas espécies!
       
      Depois de um tempo investigando, caminhamos alguns km até a ponta sul da ilha. Nesse trecho de plantações e gado, vimos algumas das belas espécies nativas de aves. Destaque para um pombo com asas verdes e testa rosa (Ptilinopus perousii), e um papagaio de peito e cabeça vermelho e asas verdes e azuis (Prosopeia tabuensis).
       

       
      Ao chegar no jardim de rochas, nos deparamos com penhasco impressionantes. Além da vista, havia uma colônia de atobás-pardos (Sula leucogaster) nele, bem como trinta-réis e aves tropicais voando ao redor. Quando um grupo que estava fazendo um tour guiado apareceu junto, vislumbramos uma baleia-jubarte com seu filhote na água embaixo, numa exibição sensacional!
       

       
      Comi meus sanduíches apressado, pois conseguimos uma carona com o guia Kiko para retornar, logo após ver a outra atração natural do lugar, um arco de rocha sobre o oceano.
       
      Mal deixamos um carro e já embarcamos noutro até o aeroporto, pois havíamos tentado comprar passagens pela internet mas não tivemos confirmação. Lá ficamos sabendo que precisaríamos sacar dinheiro no caixa automático da cidade, que havia sido consertado há algumas horas. Meus dois cartões de crédito não funcionaram, mas o de débito sim, então fomos salvos de última hora, quando o menor aeroporto que já vi na vida estava para fechar. Pagamos 107 pa'angas cada.
       
      Depois disso, nos enfiamos no mato de novo para conhecer as Hafu Pools, que não são nada mais que fontes canalizadas de água doce do morro.
       
      Como já estávamos por aquelas bandas, entramos num dos pouco comércios chineses para comprar mais comida industrializada.
       
      Nosso jantar foi à base de “vermicelli”, um troço oriental que parece macarrão transparente, mas quase não tem gosto, pois é feito de broto de feijão.
       
      Assim terminou nosso dia com 20 km de caminhada.
       
      Dia 36
       
      Achamos que não andaríamos tanto quanto no dia anterior, mas acabamos indo mais além. Depois do café, começamos a subir o morro em direção ao leste.
       
      A primeira atração é uma figueira enorme de mais de 800 anos na beira de um buraco.
       

       
      Perto dali, fica outro sumidouro onde flui uma cascata e é produzida uma nuvem de vapor (ambas fracas quando fomos) que dá o nome do lugar de 'Ana 'Ahu (Smoking Cave).
       
      Mais acima, entramos no Parque Nacional de 'Eua. As trilhas que seguimos são sobre rastros de veículos 4x4, mas há muitos caminhos, e nem sempre os mais marcados são os corretos. Por isso, um guia ou bom GPS são fundamentais.
       
      Alguns quilômetros após, chegamos ao extremo leste da ilha, no mirante Lokupo. Fica do alto de um penhasco, com vista para o mar azul, outros penhascos, a floresta e a praia com um baita recife de corais abaixo.
       

       
      Entre esse mirante e o seguinte, há uma cavidade apertada chamada de 'Ana Kuma (Rat's Cave), mas nada especial.
       
      Algumas centenas de metros ao norte fica Funga Te’emoa, o pico mais alto da ilha, com apenas 312 m. Almoçamos nesse ponto.
       
      A ideia era regressar a partir dali, mas como ainda havia muito tempo restante no dia, prosseguimos rumo ao norte de 'Eua. A única porção realmente preservada com mata nativa foi a que fica entre os penhascos e o mar, pois o resto está parcialmente desmatado para retirada de madeira, agricultura e pecuária.
       

       
      Algumas horas depois, tivemos outro vislumbre no mirante Anokula. Em seguida, trilhamos o resto do caminho até o norte, descendo no vilarejo mais boreal, Houma.
       
      Não vimos um ser humano sequer durante o caminho, apenas animais domésticos, os dois cães que nos seguiram e aves.
       
      Tivemos que caminhar um pouco mais até conseguimos uma carona milagrosa que nos levou pelos 9 km finais até nossa hospedagem sem cobrar nada!
       
      O total caminhado no dia foi de 26 km! Como esperado, me cortei um bocado na trilha ao usar roupas curtas, e um dedo do pé criou uma bolha quase do tamanho dele.
       
      Dia 37
       
      Descansamos o suficiente à noite. Deixamos Taina's Place cedo para caminhar (no meu caso, mancar) até o aeroporto. Fizemos o procedimento de check-in e ficamos torcendo pro voo não atrasar.
       
      Antes da hora o avião minúsculo de 7 passageiros decolou. Chacoalhando um monte, passamos um dos voos mais curtos do mundo (7 minutos no ar!) num medo só. Felizmente, nada aconteceu.
       

       
      Com a chance de perdermos o check-in do voo seguinte, pagamos 10 granas pra um táxi nos levar até o terminal internacional, que fica a 2,1 km dali.
       
      Pegamos alguma comida e aguardamos o voo atrasado da Fiji Airways, onde seguimos num turboélice sobre ilhas paradisíacas até Nadi (Fiji). O voo de mais de 2 horas contou somente com um lanchinho e uma revista. Contando com o trecho seguinte até Sydney, pois a parada em Fiji é só uma longa conexão, esses voos custaram 554 pa’angas para mim.
       
      Tudo certo com a imigração (brasileiros não precisam de visto), compramos no terminal os cartões para usar nos ônibus, alguns salgados e doces indianos (que são quase metade da população) por 50 centavos de dólar fijiano (1 dólar de lá é equivalente a 1,75 reais), e partimos no ônibus que vai do aeroporto de Nadi até Suva, a capital que fica do outro lado da ilha. O valor até nossa parada (Coral Coast) foi de menos de 9 dólares (doravante fijianos) por pessoa, levando umas 2 horas e 20 para chegar em nosso ponto de descida. Nesse trecho deu pra notar que o país não é tão subdesenvolvido como Tonga.
       
      Saltamos na Beachouse, um quase resort maneiro na praia que conta com uma diversidade de atrações e hospedagens diferentes, sendo que ficamos num dormitório novo só pra gente, com um exótico banheiro ao ar livre. Com wi-fi liberado, é um pouco melhor que o “resort” de Tonga; mesmo assim, com um preço levemente menor de 40 dólares.
       
      Curtimos um aprazível pôr do sol no mar, deitados em redes e bebericando bebidas locais (750 ml de cerva custa a partir de 10 dólares). Depois, trocamos umas ideias com uns gringos, como o belga Nicolas. Por fim, jantamos um prato típico mas meio pequeno de peixe em coco e batata por 23 dólares.
       

       
      Dia 38
       
      O único ponto negativo foi os mosquitos que nos devoraram à noite, entrando por buracos na tela. Essa questão eu resolvi no dia seguinte, preenchendo as falhas com papel higiênico.
       
      Já o café da manhã foi um pouco melhor que os anteriores, e se podia repetir.
       
      Depois da digestão feita numa das redes na beira do mar, eu, Amanda e duas europeias subimos num barco. Por 20 dólares fomos levados até um recife de corais no vilarejo de Naboutini. O caminho já foi uma aventura.
       
      Chegando lá, ficamos submersos por umas duas horas, nos maravilhando com a diversidade dos corais e peixes.
       

       
      Vi até uma moreia gigante (Gymnothorax javanicus), um tubarão-de-pontas-brancas-de-recife (Triaenodon obesus) e uma serpente-marinha (Laticauda colubrina), um dos animais mais venenosos do mundo!
       

       
      Ao retornar, pedimos o almoço. Eu fiquei com curry. Como havia uma feirinha de artesanato aqui mesmo e com preço acessível, aproveitei pra comprar uma máscara de souvenir por 10 dólares.
       

       
      Às 3 rolou um lanchinho gratuito. Já às 4, aula de ioga. Só havia feito uma vez antes, mas não deixei de aproveitar já que não se pagava. Foi duro, mas curti os 100 minutos de ioga.
       
      Em sequência, pôr do sol, happy hour, jantar e cama.
       
      Dia 39
       
      Acordamos cedo novamente com a claridade, mesmo sem querer.
       
      Após o café da manhã em marcha lenta, enquanto conversávamos com dois australianos, pegamos os caiaques gratuitos para dar uma volta. A água é bem tranquila por ali, então a Amanda, que nunca tinha remado antes, pegou a manha. Eu fiquei um pouco mais tempo, indo pra lá e pra cá, ainda que tivesse um pouco dolorido da ioga.
       

       
      Almoçamos hambúrgueres (16 dólares no meu vegetariano e 20 no carnívoro dela). De sobremesa, milkshakes (7,5 cada).
       
      Logo em seguida, participamos duma oficina de artesanato com folha de coqueiro, apenas para descobrirmos que somos um fracasso nessa arte. Pelo menos pudemos levar uma lembrança pra casa.
       
      Comemos o último lanche, acertamos as contas, nos despedimos e pegamos o ônibus de volta ao aeroporto. Dentro do busão refrigerado estava passando o filme Megalodon.
       
      No terminal do aeroporto, jantamos na lanchonete indiana. Um prato de comida custa 8 dólares.
       
      Caminhamos os 1,5 km até a Westfield Homestay, hospedaria familiar onde dormimos num quarto privado duplo por 64 dólares no total.
       
      Dia 40
       
      Finalmente me despedi da minha companheira de viagem, que seguiu para Auckland enquanto eu fui até Sydney, ambos pela Fiji Airways. Para embarcar eu precisei esconder meus mini-frascos de higiene pessoal no corpo, pois as várias revistas não deixavam passar nada líquido que não estivesse dentro de um Ziploc.
       
      Ao menos o voo de mais de 4 horas correu bem. Comi e vi dois filmes.
       
      Passei pela imigração sem nem abrir a boca. No terminal do aeroporto, me dirigi à estação de metrô (cujos vagões são de 2 andares) e peguei o cartão Opal, usado nos meios de transporte público da região metropolitana. Com ele, fiz uma outra viagem: um trajeto curto até a estação central, seguido por mais 2 horas até Katoomba, ao custo de 20 dólares australianos, já que há uma taxa para entrar ou sair do aeroporto.
       

       
      O tempo chuvoso e nebuloso não facilitou a visita, mas depois do check-in no Blue Mountains Backpackers Hostel (20 doletas a noite), dei uma caminhada pela pequena e antiga cidade. De arquitetura interessante, possui diversas lojas de equipamentos de aventura. Comprei uns acessórios, antes de entrar no supermercado mais barato, da rede alemã Aldi. Ali peguei meu rango.
       
      Passei a noite no albergue, relaxando na agradável área comum, jogando sinuca e pebolim com um canadense.
       

       
      Dia 41
       
      Acordei, comi uns bolinhos com mirtilo e saí. Em frente ao Carrington Hotel, inaugurado em 1883, peguei o ônibus nº 686 até o Scenic World, por uns 2 dólares. O tempo não estava nada bom: chuva, frio e muito nevoeiro.
       
      O empreendimento Scenic World oferece meios de transporte alternativos entre o topo das montanhas e o vale abaixo, como teleféricos e o funicular mais inclinado do mundo. Desci as escadarias Furber Steps nos penhascos e cachoeiras (destaque para Katoomba Falls) para não precisar pagar, e dei uma passeada na única atração que é aberta ao público, a Scenic Walkway. Em meio a um enxame de chineses, caminhei na área de uma antiga mina de carvão e floresta pluvial temperada. Essa passagem é bem informativa e bem mantida.
       

       
      Me livrei dos chineses quando peguei a trilha Federal Pass em sentido leste. Tive uma breve chance de ver as montanhas azuis (por causa da emissão do óleo dos eucaliptos) e os picos das Three Sisters, antes do tempo fechar de novo.
       
      Sozinho, trilhei a rota na borda dos penhascos de arenito por um lado, e eucaliptos do outro. Vi e ouvi uns pássaros, como o papagaio vermelho rosela.
       
      Quilômetros depois, voltei pra floresta cheia de samambaias e quedas d'água, no trecho em que começa uma subida bem íngreme. A mais bonita das cascatas é a Leura Falls, acessada por uma trilha meio oculta.
       

       
      Já passava do meio da tarde quando deixei a trilha pelo Fern Bower. Ainda sem uma vista boa, passei rapidamente no centro da cidade e regressei ao albergue, onde fiquei o resto da noite.
       
      Dia 42
       
      Que bom que decidi não ir embora pra Sydney ao amanhecer, pois ao caminhar até Echo Point, o centro turístico das Blue Mountains, finalmente pude contemplar a paisagem tão almejada das montanhas azuis. Sem o nevoeiro, deu para ver de longe todo o ambiente selvagem das montanhas e florestas em frente, incluindo a formação geológica Three Sisters.
       

       
      Achei que isso seria tudo, mas a vista ficou ainda melhor quando segui pela trilha Prince Henry Cliff Walk, na borda superior dos penhascos. No cenário, as quedas da Katoomba Falls, os veículos do Scenic World e um bando de cacatuas.
       

       
      Retornei à cidade, almocei a comida do Aldi, peguei minhas coisas e parti pra Sydney.
       
      Ao chegar, já era do meio pro final da tarde, então só deu para conhecer o belo Royal Botanic Gardens, que se estende até Macquaries Point, de onde vislumbrei o sol se pôr por trás da Baía de Sydney, acompanhado da Opera House e Harbour Bridge. Fiquei impressionado com o que vi.
       

       
      À noite, só jantei e vi um filme na sala de estar do apertado albergue Ady's Place Backpackers. Dormi num quartinho de 4 beliches por 23 dólares australianos.
       
      Dia 43
       
      Além do café da manhã fraco incluído, no domingo também são servidas panquecas. Peguei quantas couberam na minha barriga, enchi de Nutella e saí para conhecer o resto do centro.
       
      Entrei por uns instantes na galeria de arte de Nova Gales do Sul, bem como no museu The Rocks e na Customs House, todos gratuitos. Também parei para fotografar o patrimônio arquitetônico da UNESCO Opera House, ainda que estivesse chovendo. Outras atrações fotografáveis que vi foram as catedrais de St Mary e St Andrews, a prefeitura e a Queen Victoria Building, que contrastam com modernos arranha-céus.
       

       
      Peguei uns sanduíches quase vencidos em promoção num mercado Woolworths Metro e segui até o aeroporto. Foi então que a encrenca começou…
       
      Meu voo pela Tigerair e quase todos os seguintes para Melbourne haviam sido cancelados devido ao mau tempo. Com isso, eu não conseguiria chegar a tempo de fazer o check-in e embarcar nos voos da Qantas até o Brasil!
       
      Durante 4 horas eu tentei de tudo: voos em outras cias, mudar minha reserva na Qantas, ir de trem, ônibus, carona ou até alugar um carro e dirigir por 8 horas até Melbourne. Até então era a opção menos pior, já que as outras não estavam disponíveis ou a má vontade das cias aéreas não me ajudava em nada.
       
      Tentei uma última vez tentar convencer a Tigerair que era imprescindível que eu embarcasse no último voo da noite, que não tinha sido cancelado. Por um milagre, me passaram na frente da lista de espera de 11 passageiros!
       
      O voo atrasou e foi um terror de turbulência, mas cheguei com sucesso no aeroporto de Melbourne, a tempo de pegar as malas da minha prima e aguardar a madrugada passar para fazer o check-in.
       
      Dia 44
       
      Como um zumbi, passei pelas poucas horas de Melbourne até Auckland pela Qantas. Serviço e avião muito bons, bem como no longo trecho seguinte algumas horas depois pela LATAM até Santiago.
       
      Em seguida, novamente LATAM, dessa vez até Guarulhos, mas nem tela de vídeo o avião tinha. Ao desembarcar, tive que correr bastante pra chegar no check-in no exato instante que o despacho de bagagens pra Floripa estava encerrando.
       

       
      Assim pude pegar o último dessa maratona de voos. Devido ao fuso horário, cheguei em Floripa no mesmo dia em que saí de Melbourne. E enfim cheguei em meu lar, doce lar, cheio de histórias pra contar!
       
      Quer mais histórias? Chega mais: http://rediscoveringtheworld.com/ 
    • Por Paty Senatore Grillo
      Olá mochileiros e mochileiras!  
      Voltamos e dessa vez com uma viagem bem caprichada! Se você têm acompanhado nossos relatos por aqui, sabe que já tivemos alguns finais de semana e alguns bate-e-volta a partir de Invercargill (Catlins e Peninsula Otago; Te Anau e Milford Sound; Queenstown). Pois bem… dessa vez partimos para uma semana inteira de descobertas em terras maoris.
      O fato é que Diego soube que teria duas semanas de férias da pós (break de meio de semestre) e decidimos antecipar alguns de nossos planos para o último mês de Nova Zelândia. Como voltaremos para o Brasil em agosto, a idéia inicial era aproveitar julho – após as aulas – para conhecer os lugares mais distantes de IVC. Porém, julho significa inverno que por sua vez significa restrição em alguns dos nossos pontos de interesse devido neve, condições climáticas e riscos de avalanche. Assim sendo, lá fomos nós planejar uma semana viajando pela Ilha Sul. O roteiro original tinha 8 dias/7 noites, mas em nome da economia consegui apertar e fazer nosso roteiro caber em 7 dias/6 noites. Partimos para a viagem com o seguinte cronograma:
      1º dia: Twizel e Pukaki (noite em Twizel) 2º dia: Mount Cook: Hooker Valley e Kea Point Track (noite em Mount Cook Village) 3º dia: Mount Cook: Blue Lakes; Tasman Glacier e Red Tarns Track (noite em Twizel) 4º dia: Tekapo (noite em Twizel) 5º dia: Mount Aspiring National Park: Rob Roy Track (noite em Wanaka) 6º dia: Roys Peak Track (noite em Wanaka) 7º dia: Blue Pools; Arrowtown e volta para casa. No meio da viagem mudamos os planos (conto por quê ao longo do relato!) e o roteiro feito foi:
      1º dia: Twizel, Pukaki e Tekapo (noite em Twizel) 2º dia: Mount Cook: Hooker Valley; Kea Point e Red Tarns Track (noite em Mount Cook Village) 3º dia: Mount Cook: Blue Lakes; Tasman Glacier View e Twizel: Twizel Walkway (noite em Twizel) 4º dia: Mount Aspiring National Park: Matukituki Valley; Diamond Lake e Lake Wanaka (noite em Wanaka) 5º dia: Roys Peak Track (noite em Wanaka) 6º dia: Blue Pools; Arrowtown e Lake Hayes (noite em Shotover River) 7º dia: Glenorchy e volta para casa.  
      1º dia: TWIZEL, PUKAKI e TEKAPO
      Saímos pouco depois das 7h embaixo de uma friaca e tendo que tirar o gelo do parabrisa do carro.  O fato é que nos dias que antecederam a viagem tivemos uma frente fria que derrubou a temperatura em diversos pontos do país e, inclusive, causou estragos com os temporais em Auckland. Mas como não tem tempo ruim que tire a vontade de viajar, lá fomos nós! 
      O destino era Twizel e isso nos daria cerca de 4 horas e meia de estrada pela frente. O frio havia coberto de gelo os gramados e pastos pelos caminho, mas a estrada felizmente estava de boa. Bem, já devo ter falado isso nos outros relatos: se tem uma verdade sobre viajar na Nova Zelândia é que as estradas são lindas – sempre.  Por esse motivo acredito que a melhor opção de transporte seja alugar um carro para poder parar em todos os lookouts pelo caminho e que as viagens devam ser feitas sempre durante o dia (além de ser uma precaução para evitar possível gelo no asfalto e de ser mais seguro, visto que todas as estradas que pegamos até agora são mão dupla e com alguns pontos mais estreitos).
      No caminho, destaque para o Lake Dustan, The Bruce Jackson Lookout (em Cromwell) e Lindis Pass Viewpoint (o lookout mais anunciado de todos: 15km de distância já tinha placa! Mas o lookout em si não é tããão lookout assim... ). Lindis Pass liga as regiões de Mackenzie Basin com Central Otago, em uma altitude de 971m acima do nível do mar.


      Chegando em Twizel fomos recepcionados pelo Lake Ruataniwha e provalvemente não encontrarei palavras para descrever o quão azul é esse lago. Eu havia visto algumas fotos na internet, mas tinha certeza que o Photoshop rolava solto… até vê-lo pessoalmente. 

      Algumas fotos depois seguimos viagem em direção à Pukaki. Havia lido sobre uma trilhazinha de 10 minutos chamada Pukaki Boulders e fomos direto para lá. Essa trilha começa na estrada que vai para o Mount Cook e achá-la não foi tãããão simples: o Google Maps não a localiza e a placa não está na beira da rodovia, portanto passa facilmente despercebida. Pukaki Boulders foi o primeiro “ponto de interesse” da NZ que não tinha estacionamento – e como as estradas daqui não têm acostamento, precisamos parar o carro meio de banda no gramado. 5 minutinhos de caminhada e chegamos em umas pedras – fim de linha. As pedras eram as “boulders”, que foram parar ali na era glacial. Nada de mais. Nadica mesmo. Economizem esses 10 minutos e façam qualquer outra coisa mais legal! 

      De lá voltamos para a SH8 (a rodovia de Twizel) e seguimos em frente rumo ao Lake Pukaki, também de um incrível azul. O I-Site (centro de informações ao turista) fica na beira do lago e obviamente estava cheeeeeio de turistas. Uma dica é seguir para qualquer outro estacionamento (existem vários ao longo do lago!) e fugir da galera.

      Ainda eram umas 14h e como o dia estava ensolarado (contrariando as previsões), decidimos esticar até Tekapo, 30 minutos de distância. Bem no começo da cidade você já encontra o lugar mais famoso por ali, a Church of the Good Shepherd. A igrejinha de pedra fica na beira do lago, com as montanhas nevadas ao fundo e é a coisa mais linda e pitoresca  – e cheia de turista. Muuuuuitos. Saímos para desbravar a orla do lago e na volta consegui uns 5 segundos sem ninguém na frente da igreja. Hahahaha! 


      Seguindo com o carro, contornando o lago, paramos na Old Homestead Picnic Area e o lugar era tão gostoso (e ver o lago era tão lindo) que ficamos algum tempo por ali. Estávamos esperando o sol baixar um pouco para seguir para o topo do Mt. John Observatory. Wanaka faz parte da Aoraki Mackenzie International Dark Sky Reserve e seu céu é considerado um dos melhores do mundo para ver as estrelas. O observatório oferece tours (o mais barato sai $140), mas nossa viagem era low budget e o tour não cabia no nosso bolso, hehehe.  A idéia era apenas subir até o observatório para ver Tekapo lá de cima, mas chegando lá a estrada estava fechada (tem uma cancela no início da subida) e não entendemos se isso é recorrente ou se demos azar. Enfim, não subimos.
      Voltamos para Pukaki e paramos novamente no lago para ver o pôr-do-sol. As nuvens que estavam no topo das montanhas durante à tarde haviam diminuído e conseguíamos ver o Mount Cook. O sol foi embora, o frio tomou conta e fomos pro hostel.


      O High Country Lodge, em Twizel, é um hostel bem simples e o maior ponto a seu favor é a localização (tudo bem que Twizel deva ter umas 6 ruas… ). Ao lado dele tem uma Liquor Store (loja que vende bebidas – aqui na NZ não são todos os mercados que podem vender bebida alcoólica), um mercado e um mall que na verdade é todo o centrinho da cidade. Tem uns barzinhos boitinhos também, mas como nossa viagem foi na base do economizar o que for possível, comemos no hostel mesmo! A cozinha do hostel tinha tudo que precisávamos, mas dava uma deslizada na limpeza (aliás, esse é um ponto interessante: grande parte das pessoas por aqui não têm toda aquela dedicação para lavar louça e muitas vezes nem bucha você encontra – saudades, detergente Ypê e Scotch-Brite! ). Ficamos em um quarto compartilhado com 2 beliches bem barulhentas, mas na primeira noite não tinha mais ninguém no quarto conosco. $35/noite por cabeça.
       
      2º dia: MOUNT COOK NATIONAL PARK
      Partimos cedo sentido Mount Cook National Park, cerca de 40min de distância – e sim, a estrada mais uma vez é linda e sim, você consegue ver o Mount Cook lindão à sua frente. Contrariando a previsão do tempo, não choveu o dia toooooodo e conseguimos fazer a primeira trilha no seco. A primeira escolha foi a mais famosa por ali, a Hooker Valley Track. É uma trilha de 10km bastante tranquila, com 3 pontes suspensas pelo caminho. Você começa apreciando o Mueller Lake e termina com a visão incrível do Hooker Lake/Glacier e Mount Cook – que nesse momento estava praticamente todo descoberto . As placas sinalizam 3h return para essa trilha, mas levamos 1h10 cada trecho, apenas. O caminho todo é bem bonito e com certeza é um must-do. No início do caminho você encontra uma indicação para a Freda’s Rock: Freda du Faur, australiana, foi a primeira mulher a escalar o Mount Cook/Aoraki e essa pedra é onde ela tirou a foto para registrar o feito – isso foi em 1910 e a foto está reproduzida no local. Palmas para Freda!  Também tem um memorial construído em 1922 em homenagem a alpinistas que foram atingidos por uma avalanche em 1914 e somadas à homenagem inicial você encontra diversas outras plaquinhas de outros montanhistas vítimas de quedas ou avalanches por ali .



      Ao voltarmos para o estacionamento o tempo já estava nublado e havia começado uma chuva fina (se você está na NZ, principalmente em áreas montanhosas – ou em Invercargill, hahaha  – nuuuuunca esqueça sua jaqueta e calça impermeáveis). Seguimos para Kea Point Track, apenas 2.8 km. Essa trilha, também tranquila, termina em um mirante para o Mueller Lake e, se o tempo colaborar, parece que você vê o Mt. Cook dali também – não sabemos.

      A chuva apertou e fomos para o hostel fazer o check-in. Como ainda eram umas 15h30, decidimos encarar o clima inóspito e fazer a Red Tarns Track, uma trilha que começa no meio da vilazinha, com previsão de 2h return. Prestem atenção na descrição: você caminha uns 100m, atravessa uma pontezinha e encontra uma escada – e a escada nunca mais vai acabar.  É 1h subindo degrau, 300m de ganho de altitude. Lembra que tava chovendo? Pois é. No meio do caminho era só neblina e não vimos nadica de nada ao redor. No final da trilha tem um laguinho com umas plantinhas que deixam ele meio avermelhado e, por conta do tempo, tinha um pouco de neve também. Voltamos encharcados e sem joelhos.  Talvez em climas mais amigáveis a vista lá de cima impressione!

      O hostel em Mount Cook Village foi o primeiro a ser reservado da viagem. A vila é minúscula e só encontrei 2 opções de hostel fora as opções de chalés e hotéis mais caros, o que faz a disponibilidade ficar bastante restrita. Ficamos no YHA, uma rede presente em toda a NZ e filiada ao Hostelling International. Nosso dormitório tinha 4 beliches, mas era todo bem estruturadinho e bastante confortável e o hostel tinha diversas facilidades e uma cozinha bem bacana. $39/noite por cabeça. Ah, importante: não tem mercado por lá, organize-se!
      Foi à noite, olhando o mapa na parede do hostel, que veio a idéia de mudar os planos da viagem. Como já havíamos antecipado à ida a Tekapo (que no roteiro original seria no 4º dia, mas que fizemos no 1º), por quê não tentar antecipar nossas diárias em Wanaka e seguir para Glenorchy no último dia? A idéia original foi do Diego e eu achei uma boa. Perderíamos umas das diárias de Twizel, mas por outro lado conheceríamos um lugar a mais, já que não sabemos quando teremos oportunidade de alugar o carro de novo. Fizemos contato com nossos anfitriões do AirBnb em Wanaka, que foram super disponíveis e disseram que não haveria problema algum e procuramos um lugar para passar a última noite perto de Queenstown. Como já falei no outro relato, Queenstown é extremamente turística e as coisas por lá podem ter um preço maior do que em outras cidades da NZ. A melhor opção custo-benefício que encontramos foi um quarto, também pelo AirBnb, em Shotover River – 10 minutinhos de Queenstown.
      (P.S.: fui descobrir só depois que o Diego trapaceou e olhou a previsão do tempo em Wanaka e por isso veio com a idéia de adaptar o roteiro! Que espertinho!!! ).
       
      3º dia: MOUNT COOK NATIONAL PARK e TWIZEL
      O terceiro dia amanheceu chovendo e enevoado. Mesmo assim saímos em direção a Blue Lakes e Tasman Glacier, ainda em Mount Cook National Park. Fizemos uma horinha dentro do carro esperando a chuva dar uma maneirada e lá fomos nós.
      Do estacionamento e ponto de início das trilhas você encontra duas opções: uma das trilhas leva ao Blue Lakes e Tasman Glacier View e a outra ao Tasman Lake, beirando as Blue Lakes (spoiler: na verdade elas são verdes ). Como a chuva parou por uns instantes, fizemos o viewpoint primeiro. É uma trilha curta (de uns 15-20 minutos), mas com uma subidinha.
      O Tasman Glacier é o maior da NZ, com 27km de extensão. Nossa visão não foi a melhor possível devido ao tempo, mas algo que percebi é que ele é coberto por uma espécie de resíduo, que não vou saber dizer o que é (rocha?). Ou seja, não espere aquele glaciar branquinho, por vezes até azulado, como é o Perito Moreno na Patagônia argentina, por exemplo. É diferente – e ainda assim bonito. Enquanto estávamos lá um arco-íris bonitão estava dando o toque especial no vale (outra característica da NZ: devido às mudanças rotineiras no clima, os arco-íris são bem normais por aqui… Em 3 meses de NZ com certeza vi mais deles do que havia visto nos meus 31 anos de Brasil!).

      Do viewpoint partimos para a outra trilha, que chegaria pertinho do Tasman Lake. Chegaria – o tempo verbal é esse mesmo . Essa trilha é estimada em 1h e o terreno é mais acidentado e com mais pedras. Neste ponto a chuva já havia recomeçado. Demos a volta nos Blue (”Green”) Lakes (bonitões, mesmo com o céu cinza!) até chegar em um ponto onde a trilha “acabava”: na realidade, a trilha neste pedaço era bem estreita e pedregosa entre a vegetação e estava completamente alagada. É bastante comum nas regiões montanhosas da NZ uma planta espinhuda e tentar abrir um caminho alternativo, além de não ser ambientalmente correto, ainda nos deixaria algumas marquinhas pelo corpo. A única opção seria tirar a bota e meter o pézão ali, com a água entre canela e joelho. Não estávamos nesse pique todo e o frio também não estava convidativo para isso – demos meia volta e paciência . Ainda deu tempo da chuva apertar mais no caminho de volta pro carro!


      Tínhamos cogitado fazer a Sealy Tarns antes de sair de Mount Cook, uma trilha de aproximadamente 4h return e, dizem, um pouco mais íngreme. Com o andar da carruagem e o tanto de chuva na cabeça desde o final da tarde do dia anterior, abortamos a missão e pegamos estrada sentido Twizel.
      Se nas montanhas o tempo estava horrível, na planície do lago estava a coisa mais linda! Tínhamos o resto do dia tranquilo, pois seguiríamos para Wanaka somente na manhã seguinte. Tocamos direto para o Lake Ohau, um lago distante uns 20 minutos de Twizel. De lá, voltamos para o Lake Ruataniwha (aquele primeiro, da chegada!) e fizemos parte da Twizel Walkway ao redor do lago. Ficamos por ali o resto do dia, bem delicinha.


      A noite foi no High Country Lodge outra vez.
       
      4º dia: MOUNT ASPIRING NATIONAL PARK e WANAKA
      Logo cedo deixamos Twizel e no caminho fizemos um desvio de 30 minutos para ver as Clay Cliffs, uma formação rochosa na região de Omarama. Seguimos então sentido Wanaka, mais precisamente sentido Rob Roy Glacier, a quase 3h de distância.

      Basicamente, as informações que eu tinha sobre o Rob Roy Track é que era uma trilha de 10km no Mount Aspiring National Park, estimada em 4h return, com acesso restrito de Maio a Novembro devido risco de avalanche e que era uma trilha fácil, inclusive possível para crianças um pouco mais velhas. Ok. 
      Cruzamos a cidade de Wanaka e seguimos na estrada em direção ao parque. O dia estava ensolarado desde nossa partida de Twizel, mas claro que quanto mais perto das montanhas do Mt. Aspiring National Park maiores eram as nuvens e a chuvinha começava. Bem, a primeira descoberta foi que para chegar até o estacionamento e ponto de partida da trilha seriam 30km de estrada de terra – beleza, a gente encara. A segunda descoberta foi um pouco mais, digamos, desafiadora: chega um momento em que a estrada começa a ser cortada por “fords”: riachos.  Ficamos receosos com o primeiro, mas cruzamos e a partir dali a estrada tinha uns trechos bem estreitos. O grande problema é que eles eram muitos e, além de serem muitos, a profundidade aumentava: chegamos em um bem grandinho e ficamos com cagaço de continuar – além do nosso carro ser alugado, ele era um modelo de Hyundai bem pequenininho e baixinho e a chance de “dar ruim” era alta. O da foto foi um dos primeiros, quando ainda eram rasinhos.  

      Decidimos voltar um pedaço e parar em uma outra trilha que vimos pelo caminho, a East Matukituki Valley. O problema era que ela é apenas um trecho de uma travessia maior e demoraria cerca de 3h para te levar para um abrigo, mas ainda assim decidimos fazer parte dela só para não perder o dia e o investimento psíquico de chegar até ali, hahaha.  Andamos por cerca de 2h no vale e embora o lugar fosse bonito também, a verdade é que estávamos bem frustrados.

      Voltamos pro carro e Diego decidiu que iria tentar continuar para Rob Roy mais uma vez. Cruzamos mais uma vez alguns fords até chegar no mesmo lugar que havíamos retornado. Desci para tentar analisar o melhor caminho, mas não dava pra ter idéia de quão profundo era. Alguns minutos de análise e indecisão e Diego mais uma vez chegou à conclusão de que seria muito arriscado. Enquanto manobrávamos para retornar, chegaram outros dois carros e os motoristas também desceram para avaliar. Decidimos esperar e ver como eles fariam – depois de um tempo de indecisão eles cruzaram, mas de fato era bem fundo e a água atingia a parte de cima do parachoque. Em menos de 50 metros eles pararam e desceram novamente, provalvemente porque deveria ter outro ford maior. Realmente arregamos e lamentamos não ter um Jeep. Foi o fim da linha. 
      No caminho de volta para Wanaka, sem nada planejado, paramos no Diamond Lake Conservation Area. Dali você pode seguir 10 minutinhos até o lago, 40 minutos até o Lake Wanaka viewpoint ou 1h30 até o topo da Rocky Mountain. Fomos até o viewpoint.

      A parada seguinte foi em Glendhu Bay Lookout, de onde teoricamente você enxerga o Mt. Aspiring e de lá, fomos para o centro de Wanaka ver a famosa Wanaka Tree, a árvore que nasceu no meio do lago. A paisagem é curiosa e bonita, mas o mais bizarro é quando você chega: você dá de cara com um amontoado de pessoas, eu diria que 99% asiáticos, com tripés e câmeras fotográficas gigantes pra fotografar a árvore.  Engraçado e estranho.


      A cidade de Wanaka é bem gostosa e para nós lembrou muuuuito Queenstown. Tem uns bares e restaurantes que parecem ser legais e todo um movimento turístico.

      Ficamos em um AirBnb, hospedados pela Erica e pelo Pete. A casa deles fica a 20 minutos de Wanaka, no caminho para o Lake Hawea. O preço era similar aos quartos compartilhados de hostel na cidade, mas como não tínhamos planos de gastar com restaurante ou bares à noite, optamos pelo conforto de um quarto e banheiro só pra gente. A casa é linda, espaçosa e aconchegante!
       
      5º dia: WANAKA: O ROYS PEAK
      Esse foi um dos dias mais esperados da viagem e, sem dúvidas, um dos meus favoritos! O projeto era ousado: fazer o Roys Peak Track. O tempo estava lindo (ou seja, foi ótimo mudarmos os dias da viagem!) e antes de seguir para a trilha, ainda aproveitamos o céu azul para passar rapidamente (de novo) na Wanaka Tree.

      Sobre o Roys Peak: a trilha de 16km de extensão te leva primeiro até o viewpoint (a foto que provavelmente vai aparecer se você fizer uma busca por Roys Peak) e de lá até o topo, a 1578m de altura. A previsão é de 6h return e para o nosso ritmo deu exatamente isso. A trilha é inteeeeeira de subida, na qual você ganha uma elevação de 1.228m e, embora não exija nenhuma habilidade técnica, exige muito pulmão. 
      Quando começar a trilha procure por uma antena beeeeeem no alto: é lá que você vai chegar.  Levamos 2h20 até o viewpoint e até chegar nesse ponto você não vê grandes mudanças de paisagem, exceto que as ovelhas e os arbustos ficam pelo caminho conforme você sobe – é apenas um grande zigue-zague montanha acima. A característica do Roys Peak viewpoint é que você está na crista da montanha e tem uma visão incrível da crista das montanhas menores, à frente. São montanhas nevadas, lagos menores e o grande Lake Wanaka, lindão. Mesmo com céu aberto, como toda montanha, o vento é congelante. Do viewpoint até o topo foi umas das coisas mais incríveis que já vi na vida e, para aumentar a beleza, próximo do topo a trilha estava com neve.  Claro que isso aumentava a beleza, mas aumentava o desafio também, hahaha.  A neve deixava o caminho extremamente escorregadio e principalmente no finalzinho, o negócio ficava tenso. Para subir, ok. Para descer, era uma pista de patinação! Vimos um capote e vários escorregões e boa parte descia meio que sentado, hehehehehe. 
      A trilha pro Roys Peak fecha somente de outubro a novembro por conta da época de reprodução das ovelhas (lambing season), mas no inverno você precisa portar (e estar hábil a usar) equipamento de gelo (crampons e aqueles machadinhos de gelo), além de atentar para o risco de avalanche. Ah, nós levamos nossos bastões de trekking e, embora eles não sejam indispensáveis, acho que eles foram bastante úteis (principalmente na parte final).
      Se na subida você precisa de fôlego, na descida você precisa de joelho. Parece que quanto mais você desce, mais longe está o estacionamento. O que eu gosto de descidas é que geralmente é o momento que você mais se dá conta do quanto subiu.





      Terminamos a trilha destruídos e fomos recuperar a vida fazendo hora embaixo de uma árvore no Lake Wanaka e depois fomos para Bremner Bay ver o sol se por atrás das montanhas.
      (Ah, lembra dos fords do dia anterior? Conversando com a Erica, nossa anfitriã, ela contou que eles estão lá independente da época do ano e que é muito comum os carros de passeio terem problemas ao atravessá-los. Inclusive, disse que não é raro que os fords carreguem troncos pelo caminho e, por não vê-los, os carros se arrebentarem.  Isso diminuiu um pouco a nossa frustração do Rob Roy!)
       
      6º dia: LAKE HAWEA; BLUE POOLS; ARROWTOWN e LAKE HAYES
      Ainda sob o efeito do Roys Peak e relembrando cada músculo que existe em nossas pernas , deixamos Wanaka sentido Makarora com destino definido: as Blue Pools. Pelo caminho, destaque para o Lake Hawea lookout.

      As Blue Pools fazem parte do Mount Aspiring National Park, mas o acesso (dessa vez asfaltado!) é de um lado diferente do Rob Roy, fica mais ao leste, mais ou menos 1 hora de distância de Wanaka. Do estacionamento até as pontes suspensas são 10-15 minutos. Como o dia estava nublado, estavámos na expectativa se elas seriam tão azuis assim. Bem, vejam vocês mesmos na foto. 

      De lá pegamos estrada sentido Arrowtown, mais quase 2h de viagem. A estrada de Wanaka para Arrowtown passa por Cardrona, uma cidade que foi fundada na época da corrida ao ouro, e pouco depois atinge o Crown Range Summit, no topo da serra – com um visual beeeeeeem bonito. Outro destaque no caminho, mas aí já descendo, é o Arrow Junction Lookout Point. Dependendo do clima redobre o cuidado nessas estradas: a serra tem umas curvas bem caprichadas e, na época do inverno, pode ser necessário botar corrente no pneu.


      Deste último lookout até Arrowtown é um pulinho. A cidade é bem pequenininha, mas a fama de seu outono é grande e chegando lá não foi difícil saber o porquê. Acho que o melhor jeito de descrever Arrowtown é dizer que ela é uma cidade dourada, do tanto que o amarelo das árvores prevalescem na paisagem. A colina na entrada cidade é uma escala de cores entre amarelo e vermelho e a cidade tem um quê altamente aconchegante.  Fora os restaurantes e as lojas que vendem jóias feitas de jade, não tem tanta coisa assim pra se fazer por lá, mas vale a pena a visita. Fizemos duas trilhas de 1h cada, mais ou menos, a Arrow River Trail e a Arrowtown Millennium Walk. A primeira é mais legal porque você vê a paisagem mais aberta, mas o que eu não gostei foi o fato de que ela acompanha um grande cano de água da cidade. Desnecessário.


      Saindo de Arrowtown fizemos uma parada rápida no Lake Hayes e demos uma esticada até a Old Lower Shotover River. Uma curiosidade é que o Shotover River foi um dos rios mais ricos em ouro do mundo.


      A nossa hospedagem foi na casa da AJ. Dependendo do que você procura, a localização pode não ser tão boa por ser um bairro que não tem nenhum comércio perto, mas a casa era confortável e para nós foi uma ótima opção.
       
      7º dia: GLENORCHY
      Saímos de Shotover River direto para Glenorchy e decidimos que faríamos as paradas na estrada durante a volta. Glenorchy fica no final do Lake Wakatipu e a estrada de Queenstown até lá margeia o lago o tempo todo e é considerada também uma das estradas mais bonitas da NZ.
      Glenorchy é um pequeno vilarejo próximo a dois grandes parques, o Mt. Aspiring National Park (que se estende de Wanaka até lá) e o Fiordland National Park (o de Milford Sound) e é ponto de partida de uma das grande travessias da NZ, a Routeburn Track – chegamos a cogitar fazer o bate e volta da primeira perninha da Routeburn, mas seria uma caminhada longa para quem iria precisar pegar a estrada de volta para Invercargill.  Glenorchy também é conhecida por ter sido cenário de filmes como Senhor dos Anéis, Nárnia e X-Men e várias empresas vendem passeios guiados para esses lugares, além da famosa estrada para Paradise. Na realidade nossa ida para lá foi mais despretensiosa e demos uma circulada pelo píer, vimos as famosas Willow Trees e seguimos somente até o Isengard Lookout. O tempo não estava lá aquela coisa e logo pegamos o caminho de casa.



      Nossa primeira parada na volta para Queenstown foi em Bennetts Bluff Lookout, um mirante na parte alta da estrada. Não tem placa indicando o local, embora tenha um painel informativo depois que você desce do carro – você pode achar a localização certinha no Google Maps. Paramos ali e ao descer quase perdemos a porta do carro, literalmente. O vento estava muito muito muito muito forte e segurar a porta, na hora de entrar de volta no carro, foi uma missão e tanto. 

      Seguimos mais uns 5 minutos de estrada até Bob’s Cove Track, uma trilhazinha de meia hora que passa por um píer e sobe para o um lookout do Wakatipu. De lá você também tem a opção de seguir para a Twelve Mile Delta ou para a Bridle Track, ambas com estimativa de 2h. A última parada foi em Wilson Bay, já bem perto de Queenstown. Depois, 2h30 de estrada até chegar em casa.


      A viagem foi linda e mesmo com o tempo oscilando, tivemos dias muito bem aproveitados! Não consigo escolher uma parte favorita, mas os lagos todos (Pukaki, Tekapo e Ruataniwha), Mt. Cook, Roys Peak e Blue Pools são imperdíveis, em minha opinião. 
      Para esse trajeto todo gastamos cerca de $275 de gasolina, mas rodamos mais de 1500km.
      Ah, e pra quem queira acompanhar as fotos no Instagram: @paty.grillo 
       
       
       
       
       


×
×
  • Criar Novo...