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Imigração em Londres


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Boa noite, estou indo a Europa passar 45 dias em janeiro , desses 45 ficarei 18 em Londres e o resto vou fazer um tour por la onde vou voltar por Roma. Em Londres vou estar na casa da minha irmã por parte de pai menor de idade, ela mora com a mãe e o padrasto ( cidadão europeu e todos devidamente legalizados), eles virão ao Brasil em agosto onde me entregarão a carta convite. Nesse período que vou estarei recém formada, exatamente dois dias!! (a viagem é meu presente de formatura). Minhas dúvidas são:

. A carta convite deve ser OBRIGATORIAMENTE me enviada por email ou posso levar a carta ORIGINAL?

. Como estarei recém formada quais documentos devo levar para a imigração não achar que estou desempregada e estou indo morar la?

. Como vou ficar na casa de parentes a imigração costuma " pegar leve" na quantia que levo em espécie? estou pensando em levar de 200 a 300 libras no máximo (aceito sugestões).

. Não sei falar NADA em Inglês, pretendo realmente me virar la fora por mimica, boa vontade e MILAGRE eu sei, menos em Londres onde vou contar com a ajuda dos parentes, mas na hora da entrevista com a imigração eu posso pedir um Tradutor? Isso pode causar uma má impressão ou é normal? (ESTOU APAVORADA COM ESSA MALDITA IMIGRAÇÃO)

. Referente aos dias que estarei viajando para os outros Países ( Italia, Holanda, Alemanha e França) tirando albergue e transporte devo levar mais ou menos quantos Euros? não vou esbanjar mas também não quero passar fome kkkkkk

Desde já, obrigada!

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A carta convite deve ser OBRIGATORIAMENTE me enviada por email ou posso levar a carta ORIGINAL?

 

Leva as duas e mostra apenas uma, se for solicitado a copia você mostra.

 

 

. Como estarei recém formada quais documentos devo levar para a imigração não achar que estou desempregada e estou indo morar la?

 

Quem você é:

 

passaporte válido por no mínimo 6 meses (embora não seja uma exigência oficial, parece ser a prática aceitável)

caso você precise comprovar uma afirmação, por exemplo, de que é casado/a com um cidadão europeu, certidão de casamento/união civil/divórcio/óbito do cônjuge, etc.

Sua profissão ou ocupação atual:

 

Caso seja empregado, você poderá levar uma carta da empresa em papel timbrado, detalhando seu cargo, salário e tempo de empresa e confirmando que você está de férias. Outros documentos: contracheque, formulário de imposto de renda, carteira de trabalho.

Caso seja estudante, você poderá levar uma declaração da escola ou faculdade em papel timbrado comprovando que você está devidamente matriculado e que está de férias.

Caso seja empresário, você poderá levar o contrato social ou registro da empresa confirmando que você é sócio e a data de início do negócio.

Condição financeira:

 

Para comprovar sua condição financeira, os documentos incluem:

 

extratos bancários, carta do banco declarando o saldo, contracheques, formulários de imposto de renda

Os agentes da imigração podem também perguntar quanto você tem em dinheiro (em espécie e/ou travellers cheques), quantos cartões de crédito, pré-pagos, etc. Eles poderão pedir para ver o dinheiro (e até contar!) e os cartões/travellers cheques, por isso não é uma boa ideia mentir. Aliás, mentir é a pior ideia em qualquer circunstância, pois eles são muito bem treinados para detectar mentiras.

 

Por mais que muita gente insista em saber, não há em nenhum lugar do website oficial do governo britânico, qualquer indicação de uma quantia de dinheiro por dia que deve ser apresentada. Este valor é mesmo uma questão de bom senso.

 

Detalhes da viagem e acomodação:

 

confirmação de reserva de hotel (a cópia enviada por e-mail é suficiente), ou carta do morador do local onde você se hospederá afirmando que você poderá se hospedar lá e

confirmação da passagem aérea de volta ou de continuação para fora do Reino Unido (e-mail ou cópia da passagem)

Planos de viagem no Reino Unido:

 

qualquer ingresso para atrações, museus, teatros, comprovante de reservas de tours ou excursões que você tenha feito diretamente ou através de uma agência.

 

Para ter as infirmações direto da fonte, acesse: https://www.gov.uk/government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/423699/2015_04_20_Visitor_Supporting_Documents_Guide_-_Final__2__-_CLEAN.pdf

 

Nada de mostrar documentos sem a imigração pedir. Tem gente que empolga e quando o oficial pede algum documento a pessoa acha que se mostrar outros ajuda a fortalecer, mas pode ter efeito negativo e gerar perguntas que você não teria antes ou até mesmo levar o oficial a pedir algum documento que você não tem. Para resumir, mostre apenas o que for pedido.

 

 

Como vou ficar na casa de parentes a imigração costuma " pegar leve" na quantia que levo em espécie? estou pensando em levar de 200 a 300 libras no máximo (aceito sugestões).

 

Não sei

 

 

Não sei falar NADA em Inglês, pretendo realmente me virar la fora por mimica, boa vontade e MILAGRE eu sei, menos em Londres onde vou contar com a ajuda dos parentes, mas na hora da entrevista com a imigração eu posso pedir um Tradutor? Isso pode causar uma má impressão ou é normal? (ESTOU APAVORADA COM ESSA MALDITA IMIGRAÇÃO)

 

O Reino Unido NÃO é signatário do Tratado de Schengen, um acordo assinado por 30 países da Europa que determina, entre outros, a livre circulação de pessoas entre os países membros. Sendo assim, quando você sair do Reino Unido para a Italia, Holanda, Alemanha e França vai precisar passar pela imigração novamente quando voltar caso for voltar. E quando chegar em cada país que vai visitar, novamente vai precisar passar pela imigração, ou seja trate de perder o medo da imigração, pois vai passar por várias. É normal pedir tradutor!

 

. Referente aos dias que estarei viajando para os outros Países ( Italia, Holanda, Alemanha e França) tirando albergue e transporte devo levar mais ou menos quantos Euros? não vou esbanjar mas também não quero passar fome kkkkkk

 

Não sei

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  • Membros de Honra

Desempregado, recém formado, viajando sem muito dinheiro, carta-convite, com parentes morando no Reino Unido, sempre vai chamar muita atenção na imigração, então é bom ir bem preparado para dar um monte de explicações.

 

Mas como você não tem muito o que levar que comprove a sua intenção de voltar ao Brasil(emprego, faculdade, etc), eu daria ênfase em já chegar lá em Londres com as passagens de Londres para Paris e demais deslocamentos já compradas e marcadas, já ter reservas de hospedagem em Paris e nas demais cidades que pretende visitar, seguro-saúde, e principalmente ter passagens de volta ao Brasil já marcadas...

 

Se você tiver como conseguir a carta-convite original é bem melhor, pois afinal de contas uma cópia enviada pela internet é muito fácil de conseguir. A carta convite tem que ser em Inglês e conter todos os dados do seu anfitrião, alem de cópias dos documentos dele.

 

Você pode levar os extratos dos seus pais, mas só mostre se lhe perguntarem. Os extratos não precisam ser traduzidos, leve o extrato emitido pelo caixa automático, ele dá um pouco mais de credibilidade do que uma folha qualquer impressa pelo computador.

 

Quanto ao orçamento, isto depende unicamente do que você escolher, se vai pegar um quarto coletivo de hostel com mais 12 ou 15 pessoas, um mais privatico com 4 pessoas, se vai pegar um quarto privativo, se vai ir no restaurante e pedir um prato de 10 euros ou um de 30 Euros... Mas num orçamento econômico, sem passar aperto e nem ficar em locais muito ruins, eu estimaria uma média de 60 Euros por dia para gastos com hospedagem em quarto coletivo, alimentação, metrô, entradas e passeios.

 

Agora é só fazer a conta para 28 dias e o Euro valendo R$ 3.75, Este valor é sem contar os deslocamentos entre as cidades.

 

Você consegue se virar com mímica, mas ao menos um pouco de inglês sempre vai lhe ajudar bastante... Uma sugestão, como você tem 6 meses para a viagem, por que você não se matricula num curso de inglês até lá? Não vai conseguir ficar fluente, mas vai lhe ajudar bastante com o básico do dia-a-dia...

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  • Membros
Mas como você não tem muito o que levar que comprove a sua intenção de voltar ao Brasil(emprego, faculdade, etc), eu daria ênfase em já chegar lá em Londres com as passagens de Londres para Paris e demais deslocamentos já compradas e marcadas, já ter reservas de hospedagem em Paris e nas demais cidades que pretende visitar, seguro-saúde, e principalmente ter passagens de volta ao Brasil já marcadas...

 

Adriano, tenho uma dúvida um pouco parecida. Vou comprar uma passagem APENAS de ida para Inglaterra, pretendo ficar umas 2 semanas e para comprovar que não quero ficar na Inglaterra vou comprar uma passagem para Irlanda para ver uns cursos de inglês. Você acha que o oficial da imigração da Inglaterra vai me barrar por não term uma passagem de volta para o Brasil? Realmente não sei quanto tempo vou ficar na Irlanda procurando curso de inglês. Você pode me ajudar?

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  • Membros de Honra

Sim eles vão implicar com você, tenho quase certeza de que a imigração vai lhe mandar de volta ao Brasil direto do aeroporto de Londres, não deixando nem você entrar no Reino Unido.

 

A Irlanda e Reino Unido fazem parte de um espaço comum de circulação, ou seja, você não passa pela imigração para se deslocar entre Reino Unido e Irlanda, você só vai passar por uma imigração na entrada, independente de qual país, Irlanda ou Reino unido, você entrar.

 

Resumindo, você precisa ter uma passagem comprada e marcada para fora do Reino Unido ou Irlanda para ser aceito. De preferência uma passagem de volta para o Brasil, ter uma passagem só de ida e outra para Paris por exemplo, sem passagem de volta ao brasil ou para fora da Europa costuma dar problema, pois o agente de imigração geralmente entende que você pretende ficar lá indefinidamente, o que é proibido.

 

Então não tem jeito, você tem que definir desde já quanto tempo vai ficar estudando na Irlanda e já comprar a passagem de volta. Se for menos de 2 meses não precisa obrigatoriamente estar matriculado na escola, você pode escolher a escola lá, mas se você pretende ficar mais de 3 meses, até o limite de 6 meses, seria muito interessante já ter uma matricula em alguma escola, pois com certeza o agente de imigração vai querer saber o que você vai fazer todo este tempo lá, e seria muito interessante você conseguir comprovar as suas intenções.

 

Se eventualmente você resolver ficar mais ou menos tempo do que o planejado inicialmente, desde que dentro do limite de 6 meses entre UK e Irlanda, você sempre pode remarcar a passagem de volta para uma nova data. Você vai pagar a taxa de remarcação e a diferença de preço, mas mesmo assim vai ser muuuuito mais barato do que comprar só ida e depois comprar só a volta, uma vez que trechos só de ida costumam ser muito mais caros do que ida e volta.

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  • Membros
De preferência uma passagem de volta para o Brasil, ter uma passagem só de ida e outra para Paris por exemplo, sem passagem de volta ao brasil ou para fora da Europa costuma dar problema, pois o agente de imigração geralmente entende que você pretende ficar lá indefinidamente, o que é proibido.

 

Como que os mochileiros POBRES fazem quando vão sair do Brasil para andar pelo mundo sem data de volta? Precisam comprar passagem de ida e volta toda vez que entrar em um novo país?

 

Por exemplo: Vou sair do Brasil e ir para Portugal ( com passagem de ida e volta), depois vou para a Inglaterra de trem, depois vou para a Irlanda, depois Finlândia. Quando sair da Finlândia vou ter que voltar para Portugal para pegar o avião ou consigo remarcar o voo para sair da Finlândia?

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  • Membros de Honra

A regra de imigração na Europa em resumo é esta:

 

- Inglaterra e Irlanda fazem parte de uma zona de livre circulação, onde você só passa na imigração no primeiro país que entrar, para circular entre os dois você não passa na imigração. Ao passar na imigração, o agente vai querer ver a sua passagem de saída da Europa comprada e com data marcada para garantir que você vai embora e não vai ficar lá. Caso esteja tudo certo ele vai conceder o seu visto de 6 meses de permanência na Irlanda e Reino Unido.

 

- Portugal, Espanha, França, Alemanha, Finlandia, Italia Holanda, etc fazem parte do espaço Schengen, que é outro espaço de circulação livre, ou seja, você só vai passar na imigração no primeiro país por onde você vai entrar, depois entre os países membros não tem imigração. Ao entrar o espaço Schengen, você também tem que apresentar uma passagem comprada e marcada para fora da Europa, e o agente decide lá na hora se lhe concede o visto de permanência de 90 dias ou se manda você de volta ao Brasil deportado.

 

No seu exemplo, ao chegar em Lisboa (Espaço Schengen), você apresenta a passagem de volta ao Brasil a partir de Helsinke (Finlândia) comprada e marcada. Ao chegar em Londres, você estará saindo do espaço Schegen e terá que passar na imigração, lá você apresenta a mesma passagem de volta ao Brasil a partir de Helsinke. Ao ir para a Irlanda, não terá imigração, pois você já terá passado nela em Londres. Mas ao ir para a Finlândia, você estará voltando ao Espaço Schengen e irá passar novamente pela imigração, onde você apresenta a mesma passagem de volta ao Brasil que apresentou antes.

 

Se a companhia aérea onde você comprou o voo operar na Finlândia, você consegue sim remarcar a passagem para voltar a partir de lá, basta entrar no site ou ligar na companhia e fazer a alteração.

 

Mas você não precisa comprar passagem de ida e volta pela mesma cidade, você pode comprar numa mesma compra a ida por uma cidade e a volta por outro, por exemplo chegada por Lisboa e volta pela Noruega...

 

Para isto usa-se a opção "Multiplos Destinos" ou algo similar que existe em todos os sites de companhias aéreas para comprar os dois trechos juntos. Geralmente custa o mesmo de chegar e voltar pela mesma cidade, e mesmo que seja um pouco mais caro, você compensa isto não desperdiçando uns 100 ou 200 euros em passagens de volta a cidade de chegada.

 

Resumindo, ao chegar lá na europa o que a imigração quer saber, é que você vai embora da Europa dentro do prazo e que tenha como comprovar isto, não importa para onde você vai depois, pode ser de volta ao Brasil, para a Ásia, Africa, etc, desde que seja para fora da Europa.

 

Alem disto, para estadias muito longas, geralmente a imigração quer saber o que você vai fazer lá por todo este tempo, se você chegar lá e falar que não sabe direito o que vai fazer, não vão deixar você entrar. O que o pessoal que quer rodar o mundo sem data de volta faz é já ter um roteiro meio planejado para os próximos 3 meses, com as principais passagens já compradas e já ter alguns passagens e reservas de hospedagem em locais que gostaria de visitar, assim não tem problemas com a imigração.

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  • Membros
- Inglaterra e Irlanda fazem parte de uma zona de livre circulação, onde você só passa na imigração no primeiro país que entrar, para circular entre os dois você não passa na imigração.

 

Qual Irlanda você diz. Norte ou Sul?

 

Mas você não precisa comprar passagem de ida e volta pela mesma cidade, você pode comprar numa mesma compra a ida por uma cidade e a volta por outro, por exemplo chegada por Lisboa e volta pela Noruega...

 

Eu apenas defini Portugal como país de partida, você tem dicas de qual outro país fora da UE e do Reino Unido fique barato a passagem de volta para o Brasil levando em conta os gastos com o trasporte até esse país?

 

 

Resumindo, ao chegar lá na europa o que a imigração quer saber, é que você vai embora da Europa dentro do prazo e que tenha como comprovar isto, não importa para onde você vai depois, pode ser de volta ao Brasil, para a Ásia, Africa, etc, desde que seja para fora da Europa.

 

Por exemplo: Vou entrar por Portugal, andar por alguns países da UE (sem planos), depois ir pro Reino unido e Irlanda, e no final sair pela Ucrânia( Esse país é um exemplo, queria saber se existe países baratos para voltar para o Brasil, é claro que levando em conta o trasporte até a Ucrânia por exemplo).

 

Alem disto, para estadias muito longas, geralmente a imigração quer saber o que você vai fazer lá por todo este tempo, se você chegar lá e falar que não sabe direito o que vai fazer, não vão deixar você entrar. O que o pessoal que quer rodar o mundo sem data de volta faz é já ter um roteiro meio planejado para os próximos 3 meses, com as principais passagens já compradas e já ter alguns passagens e reservas de hospedagem em locais que gostaria de visitar, assim não tem problemas com a imigração.

 

Pretendo visitar tudo que for de graça ou quase de graça, por isso não tenho planos definidos e nem ingressos para mostrar. Você consegue me dizer se existe ingressos baratos( quase de graça) de qualquer atração para comprar em Portugal e em outros países da Europa?

 

Estou pensando em pegar em agencias de viagens aqueles panfletos de atrações na Europa, será q o oficial de imigração aceita esses panfletos como roteiro?

 

Vi que alguns hotéis são tranquilos de cancelar a reserva sem pagar multa. Como não sei o que fazer, vou precisar cancelar minhas reservas quase sempre, é tranquilo fazer isso no mesmo dia do embarque ou é melhor esperar passar pela imigração?

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    • Por claudio_aomundoealem
      Olá mochileiros,
       
      essa é a terceira viagem que descrevo aqui no mochileiros e da qual muito me orgulho - seja por ter ido à minha paixão (Londres) quanto ao planejamento da viagem; afinal a estruturei desde agosto para realizá-la no fim do ano (Haja pesquisa!).
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      Londres e Paris – Parte 2 – Itália e Inglaterra
       
      Dia 18/12 (1)
       
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      RESUMO
       
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      Não se ILUDA com o tempo no aeroporto realizado em viagens anteriores – o aeroporto pode estar lotado e o tempo dos trâmites de imigração, multiplicado.
       
      Dia 19/12 (2)
       
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      RESUMO
       
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      Nas ferrovias italianas (e na Europa) lembre de CONVALIDAR seu bilhete.
       
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      Dia 20/12 (3)
       
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      Estávamos hospedados em Busto Arsizio, mas pegaríamos em Milão o ônibus para Londres à noite – e o que fazer com as malas? Seria inviável retornar para Busto Arsizio somente para buscá-las. Por um erro de planejamento, não tinha estudado antes os depósitos de bagagem disponíveis em Milão para poder comparar os preços e utilizamos o da estação Milano Centrale, a um custo de € 7 por 7 horas.
       
      Com as malas guardadas na estação, realizamos nosso passeio de um dia por Milão. Para quem tem somente essas horas na cidade, o passeio obrigatório é o Duomo de Milano, uma gigantesca catedral gótica. Muitos sobem no seu telhado, no qual fica mais fácil observar a arquitetura e as inúmeras estátuas que compõem a estrutura da catedral e permite uma ampla visão da cidade. Diferentemente de outras igrejas de Milão, o acesso a seu interior é pago.
       
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      Depois de retirarmos as malas, embarcamos no metrô rumo à estação Lampugnano, que possui uma rodoviária anexa de onde partem os ônibus para outros países e regiões. Apesar de Milão ser uma grande e importante cidade, a rodoviária estava longe da qualidade apresentada pela Rodoviária paulistana Tietê – era apenas uma cobertura aberta, onde os passageiros nas plataformas aguardavam no frio a chegada dos ônibus.
       
      Depois de um atraso de uma hora, o ônibus chegou. O motorista pede documento de identificação (passaporte) e um comprovante da passagem, com o QRcode (pode ser tanto no celular quanto impresso, mas é melhor ter a versão impressa: possibilita conferir informações rapidamente e auxilia caso ocorra algum problema, como falha da leitura do QRcode no celular). Diferentemente de viagens brasileiras, cada passageiro coloca – e retira – sua mala no bagageiro do ônibus e escolhe livremente seus lugares.
       
      RESUMO
       
      Ao chegar ao destino, vá ao SUPERMERCADO.
       
      ENTENDER o que está escrito nos produtos pode ser complicado. Baixe um tradutor para uso off-line.
       
      As malas podem representar um custo a mais considerável. Se puder, pesquise antes por DEPÓSITO DE BAGAGEM caso tenha de usar.
       
      Em Milão, VISITE o Duomo de Milano, a Galleria Vittorio Emanuele II, o Bosco Verticale, a Via Monte Napoleone entre outros.
       
      Nem tudo é perfeito: os ônibus em países desenvolvidos podem ATRASAR.
       
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      Dia 21/12 (4)
       
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      Finalmente, um pouco depois do meio-dia, o ônibus chegava na estação Gallieni, em Paris, para conexão de menos de 2 horas com a outra linha que levaria a Londres (apesar do atraso de uma hora em Milão, o motorista conseguiu recuperar o tempo). Diferentemente das paradas realizadas pelo ônibus, o banheiro na estação é pago, e o preço dos produtos (água e comida) nas lanchonetes é caro. Então, mesmo que não “sinta necessidade”, melhor ir ao banheiro das paradas e traga comida comprada em mercados. Quanto ao consumo de água, não há necessidade de comprar – toda água disponível nas torneiras da Europa é potável, com exceção de alguns países da Europa Oriental.
       
      Diversamente ao primeiro ônibus em Milão, este chegou no horário e iniciamos a segunda parte da viagem. Seguiu em direção ao norte francês até Calais, onde começava ainda na França o trâmite de imigração para as ilhas britânicas.
       
      Ainda no ônibus, entregaram-nos um pequeno pedaço de papel para preenchimento de informações exigidas pelos oficiais britânicos (se os dados que forneci estavam de acordo com o determinado pela lei britânica, nunca saberei).
       
      Depois de passar pelo guichê dos oficiais franceses, que deram o carimbo de “saída” no passaporte – pela lei, estava em território internacional, mas fisicamente na França – chegamos ao posto dos oficiais britânicos. Como esse “caminho” dos ônibus é comumente utilizado por imigrantes ilegais, esperávamos uma entrevista mais “longa” em comparação a dos aeroportos. Apresentamo-nos juntos ao oficial que pediu as informações básicas: hospedagem, tempo de permanência, além de requisitar os papeis com os dados do voo de retorno. Respondemos que íamos passar o Natal em Londres e que alugamos um apartamento, além de mostrar os papeis do voo. Foi o suficiente. Em posse de nossos passaportes, carimbou a entrada, junto do visto de permissão de permanência no Reino Unido por até 180 dias.
       
      De volta ao ônibus depois do nosso sucesso na obtenção do visto, este ainda não saiu: outros passageiros não tiveram o mesmo desempenho – um inclusive foi retirado do ônibus por policiais mesmo tendo recebido o visto. Após esperar meia hora, o motorista virou a chave do veículo e partiu. Mas, em menos de dez minutos, parou o veículo novamente. Porém não se tratava de embaraço alfandegário.
       
      À frente do ônibus, gigantescas plataformas denotavam o início do Eurotúnel. Após ter a liberação de acesso pelo funcionário da ferrovia, o motorista manobrou para a plataforma indicada e inseriu o veículo no imenso trem que percorre por baixo do Canal da Mancha.
       
      Com a entrada de outros veículos, o vagão foi lacrado e o trem iniciou o percurso. Nesse trajeto os passageiros têm permissão de descer do ônibus e andar pelo trem. Apesar do caminho ser por baixo do mar, nada demonstrava que está embaixo dele, a mais de 100 km/h.
       
      O vagão foi aberto com a parada do trem indicando o fim do Eurotúnel, em Folkestone. O motorista manobrou e rapidamente caiu na estrada, regulada sob a curiosa mão inglesa. No primeiro posto de combustível da estrada, o ônibus fez uma parada, onde alguns passageiros desceram e retiraram suas malas (e meu receio de “pegarem” a mala errada...) – fiquei com a impressão de que alguns europeus vão ao terminal inglês no Canal da Mancha e utilizam o transporte de ônibus para a Europa Continental para economizar.
       
      Em seguida, o motorista retornou a marcha rumo à capital inglesa. De largas rodovias, o cenário do percurso modificou para estradas menores, mais apertadas, de caráter urbano... Até visualizar numa avenida a placa da TransportForLondon, prova inequívoca de que tínhamos chegado à Grande Londres. Como cruzamos a cidade desde os subúrbios até o centro, esse trecho, de certa forma, foi o equivalente a um city tour.
       
      As casas da exclusiva arquitetura britânica foram trocadas por lojas de comércio e alguns prédios, mas ainda não aparecera nenhum ponto famoso reconhecível – até chegar próximo ao rio Tâmisa e, como fã do personagem James Bond, reconhecer instantaneamente o prédio do MI6 ao lado da Vauxhall Bridge.
       
      Em poucos minutos, o ônibus chegou na rodoviária que atende Londres (Victoria Coach). Diferentemente do que seria possível imaginar para um país desenvolvido, a rodoviária não é integrada à estação homônima de trem e metrô.
       
      Na estação Victoria, pagamos a caução do cartão OysterCard (£ 5) e o valor do metrô avulso até Candem Town, que fica na zona 2 (£ 2,40). À época, bastava ficar mais de dois dias em Londres para receber a caução do cartão de volta – agora só é possível receber depois de um ano. Como era também uma estação de trem, poderia já ter comprado o travelcard para iniciar o uso no dia seguinte.
       
      RESUMO
       
      Não se preocupe muito com a NECESSIDADE de ir ao banheiro – o ônibus faz frequentes paradas.
       
      TRAGA comida comprada nos supermercados – o preço dos alimentos nas paradas realizadas pelo ônibus é bem alto.
       
      A ENTREVISTA para acessar o Reino Unido começa ainda na França. Basta responder diretamente o que o oficial da imigração perguntar – e tenha os papeis relacionados à viagem junto consigo.
       
      Os ônibus são uma forma mais barata (e demorada) de utilizar o EUROTÚNEL.
       
      RECONHEÇA o prédio de MI6, constante nos filmes de James Bond.
       
      Dia 22/12 (5)
       
      Nesse dia ocorreu um erro: acordamos mais tarde do que devia, o que pode afetar todo o planejamento previsto para o dia.
       
      Fomos à estação de trem Euston comprar o Travelcard em papel para uso do transporte público ilimitado por uma semana e que permitiria participar da promoção 2FOR1. A atendente da estação perguntou qual seria o tempo de uso (1 semana) e as zonas abrangidas (1 e 2). Ela requisitou as fotos 5x7 para colar no documento – na verdade, as 3x4 do Brasil servem. Como as fotos 5x7 são caras na Europa e ainda mais caras na Inglaterra, lembre-se de trazer do Brasil – e pediu que assinássemos o travelcard. Recebemos um tipo de “carteirinha” com nossa foto e um papel em formato de cartão que deve ser inserido nas catracas das estações de metrô e somente mostrado aos motoristas dos ônibus vermelhos.
       
      Em posse do Travelcard e dos vouchers da promoção 2FOR1 desembarcamos na estação Tower Hill, para irmos na Tower of London. Só que a cidade possuiu atrações uma ao lado da outra e, antes de irmos à Tower of London, conhecemos a icônica Tower Bridge. Porém é mais importante executar o passeio principal do dia e, conforme o tempo disponível, conhecer as demais atrações.
       
      Tendo encontrado a bilheteria da Tower of London, era o momento de testar os vouchers da 2FOR1 e descobrir se era somente uma promoção “para inglês ver”. O funcionário ficou com os vouchers e viu nossos travelcards – e a “mágica” aconteceu: recebemos o segundo ingresso gratuitamente.
       
      A Tower of London, com esse nome, parece indicar somente uma torre – mas é muito mais do que isso. É um fascinante complexo com mais de 900 anos, que serviu de residência real, depósito de armas, casa da moeda e atualmente, além de importante atração turística, serve como cofre das joias da Coroa Britânica. Tal qual alguns museus em Londres, possui algumas seções interativas, o que permite ao visitante se integrar ainda mais com a história – e, consequentemente, a visita demanda ainda mais tempo do que podia ser previsto. Considero um símbolo de Londres e um sacrilégio não a visitar – é uma atração a qual voltarei.
       
      Com o horário de visita a Tower of London e de outros museus exaurido, buscamos conhecer alguns dos locais abertos da cidade. Decidimos ir à área abrangida pela Oxford e Regent Streets e desembarcamos na estação de metrô Oxford Circus – ou seria o Brás? O Natal estava à vista, em 3 dias, e uma quantidade imensurável de consumidores compartilhava cada metro quadrado do local, uma das regiões de comércio popular mais famosa de Londres (para brasileiros, infelizmente, os preços não eram tão populares quanto gostaríamos).
       
      A despeito da dificuldade de deslocamento típica de zonas de comércio popular, avançamos pela Regent Street até Piccadilly Circus, praça consagrada por seus painéis curvos e pela estátua de Eros.
       
      Depois de encontrar uma lanchonete para refeição, já que os restaurantes ao redor são extremamente caros, chegamos a Leicester Square, outra memorável praça londrina (e de preços também “memoráveis”). Nela ficam algumas lojas famosas, como a do Lego e da M&M´s.
       
      No caminho para a estação de metrô Charing Cross, chegamos a outra praça que acredito ser ainda mais célebre: Trafalgar Square, que celebra a vitória da Marinha Real Britânica contra as forças napoleônicas durante a batalha homônima de 1805. Nela ficam as Coluna de Nelson (homenagem ao destacado Almirante Nelson, que participou da Batalha de Trafalgar) e National Gallery, que seria um dos lugares visitados no dia seguinte.
       
      RESUMO
       
      DICA UNIVERSAL: acorde cedo para aproveitar o máximo que puder da viagem.
       
      UTILIZE o Travelcard em papel de 1 semana para pagar menos nas atrações.
       
      Entre no que considero como passeio OBRIGATÓRIO em Londres: a Tower of London.
       
      ADMIRE a ponte vitoriana Tower Bridge.
       
      VÁ para a região do “Brás” de Londres: Oxford e Regent Streets.
       
      Inevitavelmente, em algum momento da viagem, PASSARÁ pela Trafalgar Square.
       
      Dia 23/12 (6)
       
      Mais habituados com Londres, desembarcamos na estação Westminster para acessar a Churchill War Rooms, um museu em homenagem ao ex-primeiro ministro inglês Sir Winston Churchil. No museu é apresentado um pouco da vida e história do estadista, como suas obras literárias (ganhou o Prêmio Nobel de Literatura). Contudo, a ênfase é aplicada sobre as ações mais importantes realizadas pelo político: as salas do atual museu serviram como gabinete de guerra para liderar o Reino Unido junto aos demais países nas vitórias dos Aliados na Segunda Guerra Mundial, até 1945. Os ambientes representam fielmente o período da guerra, com bonecos representando oficiais no esforço de vitória, mapas dos anos 40, escritório,  a sala de trabalho das secretárias do ex-ministro, o quarto de Churchill, cozinha, além de curiosidades e objetos relacionados à guerra, como a Enigma ­­– uma máquina eletromecânica de criptografia, cujo código foi quebrado sob liderança do matemático Alan Turing.
       
      Para quem tem curiosidade, o filme O Destino de Uma Nação indica de forma satisfatória o gabinete de guerra que foi transformado em museu. Após a visita ao local, é perceptível compreender a admiração dos britânicos pelo seu ex-primeiro ministro – que, decerto, ganhou mais admiradores após o passeio.
       
      Depois de conhecer Churchill War Rooms, fomos ao National Gallery, um museu de arte fundado em 1824 que abriga pinturas de artistas europeus do século XIII ao XX, com quadros de Cézanne, Manet, Goya, entre outros. Curiosamente, um dos quadros que nos impressionou – An Experiment on a Bird in the Air Pump (1768) – era justamente a pintura que aparecia atrás de James Bond em Skyfall.
       
      Todavia, a visita ao National Gallery tinha de ser rápida, já que era um outro museu o foco do dia (ademais, é o principal museu da cidade): The British Museum. Conseguiram colocar artefatos de TODAS as culturas que já existiram: macedônios, fenícios, sumérios, babilônios, árabes, africanos, índios, egípcios, gregos, romanos, americanos, africanos, asiáticos, chineses, mongóis, indianos... (com a ressalva que somente um pequena fração das peças do museus ficam em exposição).
       
      Na área egípcia, os turistas se aglomeram ao redor da Pedra de Roseta, artefato que permitiu a tradução dos hieróglifos do Egito Antigo para os idiomas vigentes, por meio da “ponte” representada na pedra em grego antigo. Como é de se esperar, várias múmias ficam expostas nas alas. Contudo, mesmo chamando pelo Imhotep, nenhuma respondeu – era impossível não lembrar do filme O Retorno da Múmia (2001).
       
      Na seção grega, não um, dois ou três... mas incontáveis vasos gregos lotavam a sala e, a despeito de ter mais de dois mil anos, vários estavam intactos, como se o curador do museu tivesse comprado os objetos na Oxford Street. Em outra ala, enormes colunas gregas chocavam os visitantes por seu tamanho e, possivelmente, se perguntavam como colocaram – e trouxeram da Grécia – tais colunas no museu.
       
      Para ver todo o museu (e caso goste de objetos históricos) um dia é necessário. O museu fecha às 17:00, contudo isso não quer dizer que pode ficar dentro do complexo até as 16:59. Vinte minutos antes eles já iniciam o processo de “evacuação”.
       
      Com as atrações fechadas, resta visitar os lugares abertos. Um dos escolhidos foi o Monument, uma torre de pedra criada em homenagem ao Grande Incêndio de Londres de 1666. Outro local foi rever o edifício do MI6 (só não contávamos com um guindaste que atrapalhava as fotos...) e caminhar pelas vias Millbank e Whitehall até acessar um pub próximo à Trafalgar Square. No entanto, o local não agradou e voltamos ao apartamento, mas não antes de comprar um prato típico britânico: fish and chips. A ressalva que fica para esse prato (e para outros alimentos) é que custou £ 6,50 em Candem Town, contra £ 13 na área mais central (e turística) de Londres.
       
      RESUMO
       
      VISITE as Churchill War Rooms.
       
      CONHEÇA alguns museus de Londres: National Gallery e The British Museum.
       
      CONSUMA uns dos típicos pratos londrinos: fish and chips.
       
      Dia 24/12 (7)
       
      Era o primeiro dia com limitações de atrações devido ao feriado Natal e as opções de passeios eram menores, devendo ser previamente pensadas. Ainda no começo da manhã, desembarcamos na estação St John´s Wood até chegar à Abbey Road, rua que foi o cenário do consagrado álbum homônimo de The Beatles. A frequência de turistas-fotógrafos que aparecem no local é relativamente alta, o que permite o registro do seu momento Paul McCartney, apesar de ser uma rua comum – os carros continuam passando por lá, demandando mais tempo para as fotos/videos.
       
      A próxima atração do dia foi a troca de guarda em frente ao Buckingham Palace. Apesar de ser famoso, é dispensável – achei demorado e cansativo, sem contar com os alertas da polícia acerca dos batedores de carteira (os pickpockets). Pelo menos, o passeio seguinte não era longe: a Queen´s Gallery, numa entrada lateral do Buckingham Palace. Sendo dentro do palácio, imaginava que seria possível visitar algumas salas ricamente decoradas, tal qual o Palácio Real de Madrid e curtir a exposição. Infelizmente, eram só algumas simples salas com exposição de objetos de arte pertencentes à Coroa Britânica (como toda as exposições de artes na Europa, é interessante, mas existem outros lugares com mais obras e baratos).
       
      Posteriormente, caminhamos ao longo de The Mall, a via de asfalto vermelho que sempre aparece nos filmes e noticiários, e conecta o Buckingham Palace à Trafalgar Square.
       
      A ideia seguinte era conhecer a St. Paul Cathedral, contudo nós e mais alguns turistas fomos avisados que já estava fechado para visita, apesar de ter verificado com antecedência que estava ainda no horário válido para acesso. Como não adianta discutir, fomos à Milennium Bridge, uma ponte exclusiva a pedestres que conecta a catedral ao Tate Modern.
       
      Outra atração que estava realmente aberta era Bond in Motion (London Film Museum Covent Garden), um museu acerca de James Bond. Para chegar ao local, utilizamos os tais ônibus vermelhos da cidade, que permite aquela visão um pouco mais “de cima” das ruas, e achei meio lento – definitivamente os trilhos são a melhor opção para Londres. No museu encontram-se os carros, objetos, roupas e materiais dos filmes, especialmente do último, Spectre (2015) – para quem curte os filmes do agente especial britânico é um passeio que poderá valer a pena.
       
      Findo o passeio pelo mundo de 007, só restava pelo resto do dia conhecer mais ruas e lugares da capital britânica. Andando mais próximo ao Rio Tâmisa, encontramos o enorme edifício The Shard, à Tower Bridge, sob a especial iluminação noturna e, mais afastado, a estátua de Sherlock Holmes próximo da estação Baker Street.
       
      RESUMO
       
      FAÇA pessoalmente sua própria versão da capa do álbum Abbey Road, dos The Beatles.
       
      ENCARE junto com milhares de turistas uma posição privilegiada no Buckingham Palace.
       
      Com um pouco mais de sorte, VÁ para St. Paul Cathedral e caminhe pela Milennium Bridge.
       
      Dia 25/12 (8)
       
      Merry Christmas! O Natal chegou. Mas, diferente dos britânicos, não pretendia passar o feriado no apartamento. Afinal, estava em Londres e cada segundo em libras esterlinas tinha que ser aproveitado. Todavia, esse dia era o mais difícil da parte do planejamento, pois as atrações estariam fechadas, até o transporte público. Seria o caso de conhecer os lugares abertos da cidade, com o cuidado de minimizar o uso das pernas.
       
      Como um referencial, utilizei os cenários londrinos da série Sherlock, da BBC. A primeira parada foi a frente da casa do Sherlock Holmes, a 221B que fica na... N Gower Street, próximo à estação Euston (os produtores escolheram essa rua pela proximidade da Baker Street, que é uma rua movimentada, e pela conveniência de gravação).
       
      Seguimos pela Woburn Pl, onde encontramos algumas lojas abertas, apesar do feriado (provavelmente seus lojistas não comemoram o Natal) até chegar a High Holborn, que delimita parte da City of London (Londres e a City não se confundem: a City é a cidade original, enquanto os outros lugares, como Westminster, são cidades que foram unidas na atual Londres). Na City, ficam a Central Criminal Court, cenário de julgamento de James Moriarty. Bem próximo, o St. Bartholomew´s Hospital, onde Sherlock faz suas pesquisas auxiliado por Molly e... (melhor assistir à série).
       
      Apesar de citar apenas alguns cenários, cada casa, cada prédio merece uma contemplação. Ao longo das vias da cidade, cruza-se por edificações seculares que provam o porquê de Londres É Londres.
       
      Após chegar ao ponto mais “oriental” do dia – a área ao redor da estação Bank, depois de ver outros turistas que abusavam das pernas no feriado, realizamos um percurso às margens do Rio Tâmisa, ora mais próximo do rio, ora mais afastado. Nessa maratona, foi possível encontrar mais estátuas da Rainha Victoria e perceber a admiração dos britânicos pela antiga monarca – desde estátuas em frente ao Buckingham Palace, na Blackfriars Bridge, a nome de linha e estação de metrô.
       
      Na área da estação Embankment, atravessamos o rio pela Golden Jubilee Bridge até os Julibee Gardens, que também são cenários da série Sherlock e um dos lugares mais visitados de Londres, onde fica a roda gigante London Eye (e também vários “espertinhos” tentando dar golpe em turistas).
       
      A próxima ponte era a Westminster Bridge, onde o helicóptero abatido por James Bond caiu em Spectre (2015). O local é uma paisagem perfeita para fotos e vídeos da própria ponte e dos Palace of Westminster e Big Ben (o problema é que estes ainda estão em reforma...). Do parlamento avançamos até o Buckingham Palace, agora sem que aquele movimento insano de turistas como no dia anterior, o que permitiu apreciar os detalhes da praça e da área externa do palácio.
       
      Pela Constitution Hill, chegamos ao Hyde Park, que, surpreendentemente estava aberto no dia. O parque, um dos maiores de Londres, é famoso pelo Kensington Palace e os esquilos que acompanham os transeuntes, em busca de comida.
       
      Durante o descanso no parque, a noite chegou, junto ao cansaço, imperando o regresso ao apartamento. Caminhando ao redor do parque, chegamos ao Marble Arch e seguimos pela Oxford Street, que seria o foco do dia seguinte. As ruas do comércio popular estavam vazias, bem diferente do enxame de pessoas visto no dia 22, e as lojas fechadas preparavam-se para as liquidações que iniciariam em alguns pares de horas.
       
      Todo esse trajeto totalizou mais de 20 quilômetros – unicamente a pé. Existe a possibilidade de embarcar nos ônibus Hop On Hop Off, que funcionam no feriado de Natal. Contudo, como nessa viagem a maioria das atrações seria conhecida nos seis dias restantes de passeio, escolhemos nossas pernas – não adianta se iludir: para conhecer o Velho Continente, tem de andar... (e muito).
       
      RESUMO
       
      APROVEITE o Natal em Londres para conhecer uma cidade muito mais tranquila.
       
      VISITE os cenários da série Sherlock, da BBC.
       
      CRUZE as inúmeras pontes sobre o Rio Tâmisa.
       
      Dia 26/12 (9)
       
      Boxing Day! O terceiro dia de limitações das atrações é um feriado típico dos britânicos. Nesse dia os lojistas derrubam os preços dos produtos que não venderam até o Natal. E, mesmo com a necessidade de acessar a Oxford Street, a restrição de transporte público ainda continuava – o regresso é feito gradualmente, começando pela periferia até chegar ao centro. Por conta disso (e do horário das aberturas das lojas), era necessário acordar mais cedo do que o de costume, como se fosse um “dia de trabalho”.
       
      Entrementes, chegamos a tempo na mais famosa loja de roupa barata das ilhas britânicas – e europeia: Primark. Tal qual a versão da Gran Via, em Madrid, os produtos estavam com preços muito satisfatórios, alimentados pela característica de liquidação do dia – produtos com remarcação na hora, blusas de 8 por 3 libras, camisetas por 1 libra. Para quem tiver a oportunidade de passar esse dia em Londres (e com a mala adequada), vale muito a pena.
       
      Depois de vasculhar cada conta da loja, fomos em outras na Oxford Street, mas nestas os preços não chegavam próximo ao encontrado na primeira – fora da dificuldade de caber na mala. Ainda assim, os camelôs que vendem na calçada possuem bons preços, como um moletom com o desenho de Londres, mais barato do que em outras lojas inclusive afastadas do centro da cidade.
       
      A ideia à tarde era visitar a St. Paul Cathedral, que, segundo o site da igreja, retomaria seus passeios no dia. No entanto, o cansaço no grupo decorrente do dia anterior foi implacável e descansamos por um breve período no apartamento. Nesse ínterim, percebemos o patriotismo dos britânicos: a quantidade de filmes com atores do Reino Unido era absurda (coincidência ou não, assistimos ao 007 Skyfall, com James Bond realizando uma perseguição nas ruas de... Londres!).
       
      Posteriormente, voltamos ao centro de Londres, para se encantar novamente com as ruas da cidade e encontrar eventualmente mais algumas pechinchas do dia.
       
      RESUMO
       
      APROVEITE as ofertas do Boxing Day.
       
      Dia 27/12 (10)
       
      Com o retorno das atividades turísticas, fomos até à estação King´s Cross St. Pancras visitar a plataforma 9  do Harry Potter. Apesar de ser denominada como uma única estação, são duas estações de trem concebidas separadamente – King´s Cross e St. Pancras (a que aparece em Harry Potter e a Câmara Secreta é a St. Pancras). Apesar de o último livro do bruxo já ter sido lançado a doze anos, ainda tinha fila para tirar foto para "embarcar" na plataforma.
       
      Dos filmes do Harry Potter, fomos ao cenário de outra produção da sétima arte: Um Lugar Chamado Notting Hill. Desembarcamos na estação Notting Hill Gate e caminhamos pela Portobello Road, com sua sempre constante feira de rua (existem produtos interessantes, mas se deve tomar cuidado com eventuais produtos falsos).
       
      Fora de Notting Hill, entramos no ônibus vermelho para conhecer o Kensington Palace, que foi o principal palácio da realeza até a rainha Victoria mudar para o Buckingham Palace. Neste palácio ainda vivem (ou viviam) alguns membros da família real, como o Duque e a Duquesa de Sussex (Príncipe Harry e Meghan Markle). No palácio, os funcionários contam a história do local e, principalmente da Rainha Victoria e do príncipe Albert – como o forte temperamento da jovem rainha, de expulsar sua mãe após a morte do rei. Nas salas, objetos pertencentes à antiga monarca ficam em exposição, como suas bonecas, quadros, pinturas, joias e coroa que não ficam na Tower of London.
       
      Além da Rainha Victoria, existe uma ala dedicada a outra personalidade real querida pelos britânicos: a Princesa Diana, com uma exposição da breve vida da Lady Dy e de seus célebres vestidos.
       
      Fora do palácio, fomos à Westminster Abbey. Só que nos enganamos com a entrada junto com outros turistas e achamos que já estaria fechada, mas era um portão errado. No fim, resolvemos ir ao Natural History Museum. Apesar de ser um passeio à primeira vista para crianças, o museu também diverte adultos. Ficam à vista rocha da Lua, representação de milhares (e gigantescas) espécies, como a Baleia Azul, e outros tantos extintos, como dinossauros e outros não tão antigos assim, como o Pássaro Dodô. Para os brasileiros que não têm a menor ideia de como é enfrentar um terremoto, um simulador do museu representando a fúria da Terra num supermercado de Kyoto consegue gerar uma noção.
       
      Tal qual a Tower of London e British Museum, os funcionários “convidavam” os visitantes a se retirarem do recinto. Para a última noite completa em Londres, visitamos na Regent Street a Hamley´s – famosa loja de brinquedos que divertem crianças (e muitos adultos – o problema é que nada mais cabia na mala...). E a sempre presente caminhadas pelas ruas da cidade, como em Whitehall.
       
      RESUMO
       
      CONHEÇA alguns dos cenários de filmes em Londres, como do Harry Potter e Um Lugar Chamado Notting Hill.
       
      Já que não dá para entrar no Buckingham Palace no inverno, VISITE o outro palácio real: Kensington Palace.
       
      Outro museu a ser CONHECIDO na cidade: Natural History Museum.
       
      Dia 28/12 (11)
       
      Como tudo na vida, alguma hora acaba – o último dia nas ilhas britânicas chegara. Era o ato chato de arrumar as malas e a missão impossível de fazer as compras caberem nelas (contudo, creio que fosse melhor fazer na noite anterior à saída).
       
      Infelizmente, não era possível deixar as malas no apartamento; ou seja, tal qual em Milão seria necessário encontrar um depósito de bagagem, com a diferença de ter algum conhecimento do preço pelo pago na Itália. Existem alguns sites que oferecem esse serviço, mas como não estávamos acostumados – fora que em alguns o preço continuava caro – preferimos o modo tradicional.
       
      Fomos até a estação Victoria e vimos preços muito acima do que fora pago em Milão. Somente com o choque percebemos que estávamos na estação Victoria de trem e metrô e não na rodoviária (coach) Victoria. O serviço da rodoviária se mostrou muito mais conveniente: os preços eram bem menores, o prazo de aluguel e o tamanho da mala mais flexíveis.
       
      Com as malas guardadas, fomos à Westminster Abbey e, desta vez, na porta – e fila – certa. Aliás, foi o único local de Londres que tinha fila gigante (pode ser pela data, 28/12; dia da semana – sexta-feira; o horário em qual chegamos; e/ou é uma atração superdisputada). Na abadia encontramos o lugar onde está enterrado o cavaleiro que o papa enterrou (quem acompanha Robert Langdon entenderá...), além de outras poderosas personalidades históricas britânicas, o local onde é feita a coroação da monarquia britânica e a cadeira em que o recém rei/rainha recebe a coroa, com quase um milênio.
       
      Findo o passeio pela abadia, era o momento de se preparar para a viagem à Paris. Fomos à estação do metrô receber a caução de £ 5 do Oystercard de volta e ao mercado para comprar algum alimento para comer na viagem.
       
      Após retirar as malas, aguardamos na rodoviária a chegada do ônibus. Desta vez, muito diferente da experiência em Milão, essa rodoviária aproxima-se mais com o que conhecemos da rodoviária Tietê, com painéis eletrônicos indicando a linha do ônibus à respectiva plataforma, bancos para descanso, lanchonetes e lugares cobertos.
       
      Desta vez, o ônibus chegou no horário e, semelhante ao primeiro trajeto, o motorista fez uma simples conferência do bilhete e passaporte, cabendo a cada um guardar sua respectiva mala. Era o fim da minha primeira estadia em London.
       
      Depois de um pouco mais de uma hora de percurso, o ônibus chegou em Folkestone para os trâmites de imigração. Os agentes britânicos entraram no ônibus e passaram os chips dos passaportes num leitor; já os franceses foram mais “tradicionais”, com a fila indiana para se apresentar aos agentes de imigração.
       
      Todavia, o trâmite de imigração foi bem mais rápido do que o da viagem da semana anterior (afinal, seria um tanto difícil imaginar um imigrante ilegal querer sair do Reino Unido rumo à Europa Continental). O ônibus partiu rumo ao Canal da Mancha, mas, ao invés de descer para as plataformas do trem, estava subindo... até parar em uma das vagas dentro da balsa. Só que esta balsa era muito diferente das que atendem a travessia Santos-Guarujá; estava mais para um cruzeiro: restaurante, cassino, área de descanso, free-shop.
       
      A balsa saiu do cais britânico ao lado de centenas de gaivotas, num cenário parecido ao visto no filme Indiana Jones e A Última Cruzada, apesar da limitação de visão devido à fraca luminosidade noturna. O trem é inegavelmente mais rápido (menos de uma hora) do que a balsa (2 horas), mas para quem está a turismo a balsa pode tornar a viagem mais divertida – e seguramente bem mais econômica. Durante o trajeto, basta encostar num dos vários bancos da balsa, já que não é permitido ficar dentro do ônibus enquanto a embarcação navega pelo Mar do Norte.
       
      RESUMO/INÍCIO
       
      A rodoviária (coach) Victoria possui depósito de bagagem com preço INFERIOR a de estações de trem.
       
      VISITE a Westminster Abbey, a principal igreja de Londres.
       
      O trajeto Londres-Paris pode ser feito de maneira ANTIGA: via balsa.
       
      Londres e Paris – Parte 3 – França e Suíça
       
      Dia 29/12 (12)
       
      Já em território francês, o ônibus fez uma parada no Aeroporto Charles de Gaulle e chegou em Paris, na rodoviária Gallieni que, diferente de sua equivalente londrina, é integrada ao metrô da cidade. Depois de comprar os bilhetes de metrô (na época, os t+10; agora existem opções melhores) e ver alguns usuários pulando a catraca, embarcamos na rede de trilhos até a cidade de Montreuil.
       
      Como chegamos mais cedo do que o combinado para entrar na casa alugada (e para escapar do frio), decidimos tomar um chocolate quente – só não contávamos que ninguém entenderia chocolate, apesar da grafia em francês ser chocolat. Após muito esforço, conseguimos obter o produto – e perceber que a influência do inglês nos outros países fica limitada às áreas turísticas.
       
      Depois de deixar as malas na casa, fomos à primeira atração da cidade, a Basilique du Sacré-Coeur, na área mais elevada de Paris. Já tinha pesquisado ainda no Brasil acerca dos golpistas que amarram pequenas fitas no braço e, para evitar de sermos importunados, subimos até a basílica com as mãos dentro do bolso.
       
      Diferente do que pode ser imaginado para umas das cidades mais visitadas do mundo, o acesso à área interna da basílica é gratuito – porém, é uma visita rápida. Para quem quiser pagar, há a opção de subir nela e ter uma ampla visão de Paris. Mas não é a única: a Tour Eiffel ou a Cathédrale Notre-Dame também oferecem uma visão “aérea” da cidade.
       
      O roteiro por Paris estava mais flexível, em comparação a Londres. O escolhido no dia foi se perder pelas ruas do bairro de Montmartre e chegar ao próximo ponto turístico do bairro: Le Mur des Je T´aime (o Muro do Amor – o muro em si não é uma novidade espetacular, mas sintetiza o romantismo da capital francesa e perceber a quantidade absurda da casais que percorrem as ruas parisienses).
       
      O ato de se “perder” em ruas desconhecidas força aos “perdidos” reforçar a atenção e visualizar detalhes que fogem quando imersos na rotina. Nesse ato, ao olhar para direita, vi no fim da subida de uma rua umas pás de moinho de vento que não me eram estranhas. Ao chegar no fim dela, descobrimos que se tratava do consagrado cabaré Moulin Rouge.
       
      Em direção ao Rio Sena, percorremos o Boulevard Haussmann (em homenagem ao prefeito do departamento do Sena que reconstruiu Paris durante o século XIX no formato atual) até às Galeries Lafayette Haussmann. Nas galerias é possível, a partir de seu terraço, ter uma visão ampla da cidade e, ainda, gratuita.
       
      Nessas andanças por Paris, entramos em alguns mercados – e caríssimos, muito mais do que em Londres. É fundamental se hospedar fora da cidade e ir aos supermercados na periferia, que apresentam um maior leque de produtos e preços mais “favoráveis”.
       
      RESUMO/INÍCIO
       
      Fora de áreas turísticas, pode ser mais DIFÍCIL se comunicar em inglês.
       
      VISITE a Basilique du Sacré-Coeur e Le Mur des Je T´aime.
       
      CAMINHE pelo Boulevard Haussmann.
       
      Dia 30/12 (13)
       
      Esse dia foi programado para ir ao Château de Versailles. Na verdade, não deveria – era um domingo, um dos piores dias da semana para tal passeio. No entanto, por questões pessoais só poderia ser nesse dia.
       
      Como no primeiro dia em Londres, saímos mais tarde da casa do que deveríamos e, consequentemente, essa demora cobrou seu preço – às 11 da manhã ainda estávamos em Paris, próximo da Tour Eiffel.
       
      Depois de descer na estação Gare du Versailles Chateau Rive Gauche, seguimos o fluxo de pessoas pela avenida até o palácio e o erro de sair tarde ficar às nossas vistas: era fila para entrar, fila para o banheiro, fila para pedir informações, fila para comprar ingresso, fila para tudo! Compramos o ingresso ao palácio e aos Domínios de Maria Antonieta, e Versailles nos contemplou com um benefício: recebemos um ingresso com hora marcada, que o sistema gera aleatoriamente para alguns (sortudos) visitantes.
       
      Como a hora marcada para entrar no palácio, fomos conhecer seus jardins – e já entender a razão do rei Luis XIV ser o símbolo máximo do absolutismo: o jardim era absurdamente grande, até onde a vista alcança e impecável (de tão grande oferecem aluguel de carros de golfe para conhecê-los). Posteriormente, com a reserva horária, adentramos o palácio e percebemos que a ostentação do rei sol estava muito além dos jardins. Em um vídeo sobre a história e construção do Château foi mostrado que criavam alas do tamanho de casa para qualquer ato banal, como sala de fumo, sala de reunião, sala de espera 1, sala de espera 2, teatro... até o momento de queda decorrente da Revolução Francesa de 1789. Quadros que cobriam toda a parede da sala que, por sua vez, tinham tamanho de casas, vários bustos de nobres franceses ornamentam o palácio, com ênfase, é claro, de Luis XIV e um nível riqueza que tornaria a Operação Lava Jato insignificante.
       
      Depois de passar um pouco mais de 2 horas dentro do palácio (e descobrir que a fila da qual escapamos com a hora marcada passava de 3 horas) fomos aos Domínios de Maria Antonieta. O local tem muita beleza, luxo e tudo o que é característico da época, mas após ver a suntuosidade de Château, estes ficam meio “simples”.
       
      Como a noite chegando, era o fim do passeio pelo Château de Versailles. Seria um fato comum o retorno para a casa, exceto por termos ido em direção à estação errada (Gare de Versailles Rive Droite) ao invés daquela que tínhamos chegado (Gare du Versailles Chateau Rive Gauche), mesmo possuindo o mapa online no celular. Ou seja, estude sempre bem o caminho, especialmente antes de ir ao local e evite uns bons minutos de andar à toa...
       
      RESUMO/INÍCIO
       
      PROGRAME-SE para chegar cedo ao Château de Versailles – este fica fora de Paris, e, de quebra, evitar loooooongas filas.
       
      IMAGINE um enorme palácio e seus jardins e qudruplique – o Château de Versailles é ainda maior.
       
      Dia 31/12 (14) 
       
      Fim de ano, era sabido que o dia seria pela metade – afinal, era dia de horário reduzido de expediente e saberia como os parisienses e outros europeus passam o Ano Novo. Decidimos ir numa atração que não estava no guia de bolso, mas tinha encontrado em pesquisa na web: o Château de Vincennes. Bem mais simples (e vazio) do que a versão de Versailles, tinha sua graça como mais um palácio europeu que viria a conhecer – mas é surpreendente como o turismo de massa foca nas mesmas atrações; o palácio tem estação de trem e metrô literalmente na frente, no limite da cidade de Paris e, mesmo assim, é pouco visitado (se quiser fugir do sufoco de filas, é uma boa opção).
       
      Depois de obter os ingressos com uma atendente brasileira (tem brasileiro em todo lugar), conhecemos o Château e a capela vinculada. É o mais importante forte-real francês em estilo medieval ainda existente e serviu de prisão para personalidades famosas, como o Marquês de Sade.
       
      De Vincennes, fomos para o Hôtel des Invalides, onde está enterrado Napoleão Bonaparte, mas receei que não seria possível conhecê-lo integralmente por causa do horário e desistimos. Bem próximo dali fica o Champs de Mars, onde foi erguida a Tour Eiffel (apesar de ser apenas uma torre, trata-se da Torre, que povoa o imaginário de milhões de pessoas pelo mundo... e de outras tantas que já a conheceram e apreciam sua beleza).
       
      Atravessamos o Rio Sena e chegamos na Avenue des Champs-Élysées, que seria um dos lugares de concentração do Ano Novo. Aos poucos, europeus e turistas chegavam ao local para a passagem do ano e, enquanto isso, lojistas protegiam suas lojas já fechadas com tapumes. No regresso para a hospedagem, o transporte público estava com catracas liberadas – talvez para incentivar os habitantes a curtir o ano novo nas ruas, apesar do frio.
       
      Depois de nos prepararmos para a passagem de ano, sem levar carteira, e documentos e dinheiro na pochete, embarcamos no metrô e escolhemos a Champs-Élysées comemorar (ou seria a Tour Eiffel). As estações da avenida estavam fechadas, sendo necessário desembarcar nas mais afastadas e entrar na avenida após uma revista policial (semelhante a de carnaval, que fica aquela impressão que o agente fez uma “revista” mínima). Escolhemos um ponto no meio da avenida com visão sobre o Arc de Triomphe, onde seria projetada a contagem regressiva. O ano novo chegou e estávamos comemorando, abraçando um ao outro – e percebemos que os demais nada faziam, simplesmente iam embora, só foram ver a contagem regressiva da avenida e a queima dos fogos – até que um mendigo percebeu nossa felicidade e foi se “enturmar” conosco.
       
      RESUMO/INÍCIO
       
      VISITE o Château de Vincennes, uma versão menor de palácio, nos limites de Paris.
       
      PERCA horas no Champs de Mars para admirar a atração mais visitada no mundo: Tour Eiffel.
       
      CAMINHE pela Avenue des Champs-Élysées.
       
      Dia 01/01/2019 (15)
       
      Depois do mendigo se despedir da gente, seguimos a multidão para voltar para a casa. Fomos em direção ao Rio Sena pela Avenue Montaigne por onde as pessoas caminhavam – e se avolumavam. Excesso de pessoas nas calçadas e motoristas furiosos por não conseguirem sair do lugar por causa do trânsito parado na madrugada parisiense – parecia a região da Avenida Paulista ou do Ibirapuera no Natal.
       
      Numa das estações de metrô mais próxima da avenida, a fila de acesso à plataforma avança para além da catraca (claramente não seria eficiente tentar embarcar nesta estação). Na busca de outras estações de metrô mais afastadas do epicentro humano, caminhamos ao largo da iluminadíssima Tour Eiffel, com seu brilho registrando os primeiros minutos de 2019 da Cidade Luz. Ao mesmo tempo, ficava o receio de encontrar o sistema de trilhos fechado, já que o de Paris não funciona 24 horas.
       
      Felizmente, conseguimos entrar em uma estação e embarcar em um dos carros do metrô, cuja linha passa por onde estava o enxame de pessoas. Seria bem irônico se a linha que pegamos fosse denominada de Linha 3 Vermelha do metrô de Paris – a diferença era mínima, como as vozes em francês ao invés do português: passageiros que não conseguiam embarcar (e algumas expressões que deviam ser palavrões em francês), trem parado por vários minutos sem explicação da central, amassado a ponto de não conseguir abaixar o braço. Mas tirando o momento Sé de Paris, o metrô seguiu viagem e conseguimos chegar na casa.
       
      Evidentemente, o dia não seria para acordar cedo, já que parte dele foi gasto na madrugada – e nem precisaria, já que as atrações estariam fechadas. Seria mais um caso para andar a pé para conhecer a cidade, com a vantagem de ter o transporte público em comparação com o Natal em Londres.
       
      Com o resto do dia, chegamos à Place de la Bastille, local do antigo forte de onde ocorreu o fato histórico A Tomada de Bastilha, marco da Revolução Francesa e do início da Idade Contemporânea. Indo rumo a oeste, seguimos pela Rue de Rivoli até o Hôtel de Ville (a prefeitura de Paris), alternando entre igrejas e prédios históricos pelo caminho.
       
      Do Hôtel de Ville ficam à vista os fundos da Cathédrale Notre-Dame de Paris, que seria conhecida em outro dia (e antes do terrível incêndio de abril de 2019). Indo pelo Rio Sena, cada ponte tem suas particularidades, desde a exuberância da Pont Alexandre III, que foi presente do czar para a França, até pontes mais simples, como a Pont Neuf.
       
      Mas os pontos turísticos da Cidade Luz ainda não tinham acabado: Place Vendôme, Place de la Concorde, Opera (Palais Garnier), Jardin des Tuileries, L´église de La Madeleine, Palais Royal e Jardin du Palais Royal, Petit e Grand Palais eram só mais outros lugares que conhecemos no dia. Paris tem muitos museus, mas a própria cidade é pura arte – e, nesse caso, não precisa comprar ingresso.
       
      RESUMO/INÍCIO
       
      CAMINHE (muito) para Paris – é o melhor jeito de conhecer a cidade e suas artes.
       
      Dia 02/01 (16)
       
      Esse foi o dia reservado para conhecer o Musée du Louvre. Como é sabido, é praticamente impossível conhecê-lo em somente um dia. Todavia, em consulta ao site oficial, descobri que na quarta-feira o museu trabalha em horário estendido, o que possibilitava um aproveitamento melhor da visita e uma imersão mais profunda na cultura que o museu oferece.
       
      Descemos na estação Palais Royal Musée du Louvre e apesar de ter visto vídeos na internet de filas insanas para entrar no museu, não tinha fila (pelo menos não na parte de cima; tinha de ver na entrada subterrânea do museu).
       
      Assim como ao redor da Tour Eiffel, existem camelôs vendendo bugigangas na praça próxima à consagrada pirâmide de vidro. Tínhamos visto um chaveiro caído no chão próximo à entrada do Carrousel du Louvre, pertencente provavelmente ao ambulante que vendia em pé. No entanto, como a fama de golpistas de Paris é tão grande quanto à fama da própria cidade, refletimos se não podia ser mais uma nova modalidade de golpe, como de ir ao encontro do vendedor e ele te forçar a levar o que você não quer ou algo pior – fazer turismo tem o efeito benéfico de bem-estar, o que diminui a qualidade de julgamento de atos pelos turistas – e é exatamente esse ponto pelos quais os golpistas se aproveitam.
       
      Entramos no Carrousel du Louvre e, para nossa surpresa, as filas absurdas de Versailles ficaram no Château – o trâmite entre comprar os ingressos, passar pelo detector de metais e a entrada definitiva não chegou a meia hora, com um detalhe que quase me passou despercebido: o mapa de museu tinha de ser retirado antes da entrada definitiva.
       
      Entramos no museu e logo aparecem placas indicativas para o caminho para Monalisa, o que considero um erro. Afinal, Musée du Louvre é muito mais do que um lugar para exposição da obra-prima de Leonardo da Vinci – existem infinitas obras belíssimas e objetos antigos fantásticos, além de salas reais com todo o luxo e esplendor correspondente, já que o museu foi um palácio real antes da mudança da Corte para Versailles. Para ver Monalisa sem aglomeração e sem pressa, basta procurá-la na última hora de funcionamento do museu.
       
      Além da obra-prima de Leonardo, existem muitos outros quadros de vários mestres renascentistas, objetos e pinturas da época do Império de Napoleão Bonaparte, esculturas, como a Vênus de Milo, objetos da época do domínio romano, artefatos egípcios (e mais uma vez Imhotep não me respondeu), relíquias árabes, artefatos africanos, pinturas do Brasil colonial, até o subterrâneo do Louvre. E, claro, ver os quadros que foram as pistas para Robert Langdon em O Código da Vinci.
       
      RESUMO/INÍCIO
       
      ESCOLHA o dia durante o qual o Musée du Louvre tem horário expandido – o museu é realmente muito grande.
       
      NÃO FOQUE somente nas atrações mais famosas – o enxame de pessoas pode estragar um pouco o passeio.
       
      Dia 03/01 (17)
       
      Descemos nesse dia na estação de metrô Cité, a única estação de metrô da pequena ilha fluvial do Sena (Île de la Cité) e de onde Paris foi fundada – e, como local extremamente turístico, na saída da estação um fiscal verificava se os passageiros tinham pago os bilhetes de transporte. A ideia era ir à Cathédrale Notre-Dame de Paris, mas em vez disso fomos ao Conciergerie, antigo castelo usado pelos reis franceses na Alta Idade Média. De estrutura mais simples em comparação aos outros conhecidos, foi o lugar que Maria Antonieta aguardou até ser guilhotinada na Revolução Francesa, saindo da suntuosidade de Versailles para o pequeno quarto gelado do Conciergerie.
       
      O bilhete de ingresso ao Conciergerie permite o acesso combinado à Sainte Chapelle, uma capela gótica do século XIII com ruínas medievais e relíquias da Terra Sagrada. Fora da capela, ainda na pequena ilha, fomos à Cathédrale Notre-Dame, mas os ingressos para reserva de horário do dia tinham acabado.
       
      Em direção à parte sul de Paris, chegamos ao Panthéon, local onde estão enterrados célebres franceses ou personagens importantes para a história da França, como Rousseau, Voltaire e Victor Hugo. Dentro do prédio histórico, erguido sob ordem de Luis XV em 1756, fica o famoso Pêndulo de Foucault, experimento que “tornou visível” o eixo de rotação da Terra.
       
      Em seguida, caminhamos pela margem sul do Rio Sena, passando por pontes já conhecidas e outras novas, como a Pont des Arts, com seus eternos cadeados e conhecer outros prédios históricos, como a da Assemblée Nationale. Cruzando o rio, chegamos novamente ao Avenue des Champs-Élysées e caminhamos até o fim de sua extensão, no Arc de Triomphe, que foi uma encomenda de Napoleão Bonaparte em homenagem às vitorias francesas nas guerras, com esculturas em sua estrutura exaltando o então Império Francês. Atualmente, nela existe uma “tumba” para o soldado desconhecido – uma homenagem aos milhões de mortos nas guerras mundiais. A quem interessar, é possível subir no arco e observar uma dúzia de avenidas que caem diretamente na rotunda (rotatória) em que fica o monumento, num verdadeiro “pesadelo” para motoristas.
       
      RESUMO/INÍCIO
       
      VISITE algumas das atrações na Île de la Cité: o Conciergerie e Sainte Chapelle.
       
      Mais ao sul, CONHEÇA o Panthéon.
       
      VOLTE para Avenue des Champs-Élysées e descubra o Arc de Triomphe.
       
      Dia 04/01 (18)
       
      Tendo em vista o fiasco para acessar a Cathédrale Notre-Dame de Paris no dia anterior, fomos mais cedo para garantir o acesso. Em posse do bilhete com a reserva do horário, fomos ao Le Jardin du Luxembourg, o mais famoso parque do centro de Paris, próximo de Sorbonne. Na frente do lago do parque o Senado Francês delibera suas ações dentro do Palais du Luxembourg.
       
      Voltamos à catedral conhecer sua parte interna que, assim como Basilique du Sacré-Coeur, era de entrada gratuita – mal sabíamos que iríamos conhecer partes da igreja que seriam destruídas em três meses. Até então, a área interna da igreja era um tanto lotada e meio escura, mas não importava – era a famosíssima Notre Dame, a de Paris, a de Victor Hugo. Uma linha do tempo mostrava o histórico de sua construção, a quase mil anos e expansão, como a inserção dos vitrais.
       
      O acesso para subir em suas torres era pela lateral da catedral, por meio de longas escadas, com controle de fluxo de visitantes. Na primeira “parada”, era possível ter uma boa visão de Paris e dos fundos da catedral – era inevitável lembrar do filme O Corcunda de Notre Dame e do Quasímodo. Dentro de uma das torres havia uma pequena apresentação da obra de Victor Hugo e um “quasímodo” vigiando a subida pelos turistas. O tempo de visita no topo da torre era por somente 5 minutos, muito pouco para o que gostaríamos, mas suficiente para ter uma ampla e maravilhosa visão da Cidade Luz (que inveja do Quasímodo...).
       
      Fora da catedral, encontramos ainda na praça outra atração para visitar: a Crypte Archéologique de I´île de la Cité. São mostrados os tesouros arqueológicos e a formação de Paris, desde antes da ocupação pelos romanos pelos nativos parisii até os tempos atuais. No museu ficam expostos moedas, construções antigas e vídeos interativos, com a apresentação da ocupação de Paris até então restrita somente à Île de la Cité, a formação de ponte para uma das margens do Rio Sena até o “transbordamento” da cidade pelas margens do rio que não parou mais.
       
      Para as mulheres de plantão, do lado sul do Rio Sena fica a CityPharma, farmácia de produtos baratos infestada de brasileiras. E, ao sudeste de Paris, uma Primark acessível de metrô, pela estação Créteil – Préfecture.
       
      RESUMO/INÍCIO
       
      PASSEIE pelo Le Jardin du Luxembourg.
       
      Quando a reconstrução após o incêndio de 2019 acabar, VISITE a Cathédrale Notre-Dame de Paris e Crypte Archéologique de I´île de la Cité.
       
      Dia 05/01 (19)
       
      O dia da estadia final em Paris chegara. Arrumamos as malas que, desta vez, podiam ficar na casa, sem custo adicional. O passeio escolhido para a data foram as Les Catacombes de Paris. Surpreendentemente, a fila de acesso às catacumbas estava enorme, talvez por excesso de visitantes e/ou por ser de acesso controlado. Para quem tem pouco tempo na cidade, pode ser mais interessante conhecer outras atrações.
       
      Finalmente conseguimos chegar na bilheteria e vi que tinha um combo junto com a cripta arqueológica que tínhamos ido no dia anterior – ou seja, podia ter comprado os dois juntos e economizado alguns euros.
       
      O passeio, por óbvio, começava por “baixo” – descemos por vários degraus até o subterrâneo, no qual se apresentavam longos corredores escuros mal iluminados, até chegar em “cavernas”, um pouco mais largas, lotadas de caveiras, minunciosamente e cirurgicamente encaixadas. Em certos pontos, as caveiras juntam com os ossos formam uma “bonita” ornamentação (mas é um local que não ficaria sozinho de jeito nenhum).
       
      Com o fim das catacumbas, voltamos ao nível de rua e, com isso, o fim dos passeios por Paris. Caminhamos pelo bairro de Montparnasse e nos guiamos até chegar à Tour Eiffel, facilmente vista entre os edifícios de Paris, para uma última admiração do ícone parisiense.
       
      Com a hora da nossa partida de Paris se aproximando, cruzamos o Rio Sena para embarcar no metrô na Champs-Élysées; contudo, era mais uma noite a qual os coletes amarelos estavam nas ruas (a sorte que eles ainda não tinham estragado algumas atrações; nas semanas seguintes picharam o Arc de Triomphe). Os acessos na avenida estavam fechados e tivemos que embarcar no metrô na Place de La Concorde. É mais um caso que comprova a necessidade de chegar com antecedência aos lugares com hora marcada, sob risco de tomar um grande prejuízo e dor de cabeça, além de estragar parte da viagem.
       
      Juntos com as malas, agora etiquetadas com pequenos pedaços de papel cedidos pela companhia, embarcamos no ônibus na rodoviária Bercy. O destino seguinte, quem diria, seria a Suíça, país que os próprios europeus acham caro visitar.
       
      RESUMO/INÍCIO
       
      PREPARE-SE para ficar em outra longa fila e entre em Les Catacombes de Paris.
       
      VISITE o bairro de Montparnasse.
       
      PODEM EXISTIR alguns coletes amarelos atrapalhando seu retorno para a hospedagem.
       
      Dia 06/01 (20)
       
      O ônibus chegou em Genebra um pouco antes do horário previsto. Apesar de ser a Suíça, a rodoviária não estava aberta. Aliás, era bem diferente das rodoviárias conhecidas em Milão, Londres ou Paris. Era um pequeno espaço aberto para os ônibus estacionarem na área central e a “rodoviária” era uma casinha do tamanho de uma sala.
       
      A cidade, proporcional à rodoviária, é pequena, mas muito poderosa – é sede da ONU (Palácio das Nações) e de diversos órgãos, como a OMC, e caríssima.
       
      Um dos pontos mais famosos de Genebra é o Jet d´Eau, uma grande fonte que lança a água do lago a uma altura de 140 metros. A limpeza do lago é realmente impressionante – conseguia ver seu fundo de forma clara e limpa (conheço algumas piscinas mais sujas).
       
      Um passeio pelas ruas de Genebra mostra que o lugar é realmente para poucos: lojas que trabalham com barras de ouro, roupas sendo vendidas a sete, vinte mil reais, relógios em exposição a mais de meio milhão de reais. Felizmente, a cidade não é composta somente por miliardários, e existem produtos por “somente” algumas unidades de reais – mas não adianta se iludir: as maiores “pechinchas” suíças ainda são mais caras do que seus equivalentes europeus e brasileiros.
       
      Por sorte, estávamos na cidade no primeiro domingo do mês, quando é permitida a entrada gratuita em alguns museus – considero que o uso de entrada gratuita valha mais a pena para atrações que não tenham forte fluxo de turistas. Uma das opções escolhidas foi o museu Maison Tavel.
       
      O museu Maison Tavel fica na parte oriental do lago, na área antiga da cidade, acessível facilmente a pé. Apesar da gratuidade da entrada, o local estava com baixo fluxo de visitantes, o que se mostrou conveniente: ao perguntar sobre um dos quadros do museu, o funcionário não só respondeu à pergunta como explicou sobre muitos assuntos referente à Suíça e Genebra, inclusive acerca da Guarda Suíça do Vaticano.
       
      No fim da noite, dirigimo-nos em frente ao Palácio das Nações da ONU – o pequeno “detalhe” foram as luzes terem se apagado justamente quando chegamos ao lado do portão. Já que a falta de luz impossibilitou fotos do local, caminhamos para outra propriedade das Nações Unidas, como a OMC.
       
      Ao andar pelas pequenas avenidas de Genebra, passamos por uma área de mata que serviria como uma luva para as Pegadinhas do Silvio Santos. Não se vê uma viva alma à noite, o que no Brasil deixaria qualquer um apavorado com medo de assalto. Mas ali era a Suíça...
       
      RESUMO/INÍCIO
       
      SUÍÇA (e Genebra) é realmente de outro mundo – e cara...
       
      VISITE o museu Maison Tavel.
       
      CAMINHE tranquilamente pela pequena cidade – apesar de vazia, é bem tranquila.
       
      Dia 07/01 (21) e 08/01 (22)
       
      Era o dia final na Europa e o voo estava previsto para depois das 14 horas. Era o caso de chegar no aeroporto perto do meio-dia, ou seja, tinha uma manhã sossegada. Infelizmente não havia tempo hábil para passear pela cidade ou ir a um museu e voltar ao apartamento e depois ao aeroporto. O que fizemos? Fomos com as malas a pé ao aeroporto – parece uma ideia maluca, mas a cidade é plana e o aeroporto é como Congonhas, inserida na cidade. Com malas de rodas adequadas, deu para conhecer um pouco mais de Genebra, apesar da distância de um pouco mais de 4 km.
       
      No aeroporto de Genebra, ia realizar a operação da devolução do imposto (Tax Free) decorrente da compra realizada em Londres. No entanto, a fila em Genebra estava muito grande e decidi tentar no aeroporto de Frankfurt.
       
      Como qualquer aeroporto internacional que se preza, tem a área de Free Shop, mas, sendo suíça, era muito cara (na verdade, percebi que essas lojas de aeroportos são caras, com exceção de alguns produtos). O voo de Genebra à Frankfurt era semelhante ao de São Paulo para Rio de Janeiro, em torno de uma hora, com a diferença que aquele sobrevoa a região dos alpes, um maravilhoso espetáculo: da pequena janela da aeronave observamos montanhas e vales repletos de neve, totalmente brancos.
       
      No aeroporto de Frankfurt, nova tentativa de receber a devolução do imposto e, mais uma vez, encontrei uma funcionária brasileira, que me indicou que tinha de receber a aprovação do setor alfandegário, ao qual nos dirigimos. Pelo que entendemos do funcionário alemão, como tinha saído do espaço da União Europeia, deveria ter recebido o carimbo quando passei pelo Canal da Mancha ou na Suíça. Mas para tudo se tem um jeito e ele permitiu que recebesse o imposto parcial. Apesar deste ser um caso pessoal de sucesso, é importante registrar que pode acontecer intempéries que, no final, impossibilita de receber o imposto – mas não só para isso. Ao planejar e executar uma viagem, considero que seja mais importante focar nas ações que possua o controle, como pesquisa de hospedagem, transporte e deixar eventuais benefícios, como o tax free e citycards em segundo plano.
       
      Embarcamos no nosso voo, se despedindo do frio de 4ºC rumo aos 34ºC. No avião, tinha o clássico O Diabo Veste Prada – assistir ao filme com as imagens de Paris, que agora conhecia, é muito mais emocionante e parece que fica mais próximo da gente (Comecei a entender de o porquê da Emily ser louca para ir à Paris...).
       
      RESUMO/INÍCIO
       
      VERIFIQUE onde fica o aeroporto para encontrar a melhor forma de deslocamento até o aeródromo.
       
      NÃO CONSIDERE o benefício do Tax Free como direito garantido – pode ser que não consiga receber o reembolso.
       
      ENCANTE-SE com os alpes totalmente brancos.
       
      O fato de ser free shop não quer dizer que seja sempre mais BARATO.
       
    • Por Eduardo Santiago Abreu
      Olá pessoal! 
      Eu e duas amigas vamos fazer uma eurotrip agora em setembro, passando por Portugal, Paris e Londres . 
      Portugal e Paris estamos com hospedagem paga e Londres vamos ficar na casa de uma conhecida da minha amiga . O único problema é que ela já emitiu  Cartas convite pra outras pessoas esse mês e segundo ela tem um limite . 
      A questão é ... vocês acham viável ir com apenas o endereço e telefone dela (ela é legalizada) casos eles perguntem onde vamos ficar ? Ou faço uma reserva com cancelamento grátis ?  
      Estamos indo com passagens de ida e volta , Brasil e outros trechos já comprados  , ingresso de algumas atrações e uma quantidade boa de dinheiro pra ficar os 20 dias na Europa . 
      Obrigado!
    • Por DeboraSS
      Boa noite, pessoal.
      Vou em setembro para Londres e meu voo sai de Recife com escala em Lisboa. A escala é longa, de 14 horas, então pretendo sair do aeroporto para conhecer a cidade. Sei que quando sair do aeroporto em Lisboa vou ter que passar pela imigração de lá, mas quero saber se quando chegar em Londres depois vou ter que passar pela imigração novamente?
      Como o Reino Unido não faz parte do Tratado de Schengen não sei como fica essa situação.
       
      Obrigada!
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