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Neste mês estive durante 12 dias no Chile, mais precisamente em Santiago e arredores. De modo que as visitas à capital, Valparaíso e Viña del Mar dispensam comentários, vou relatar aqui minha estadia de quatro dias na região chamada de Cajón del Maipo, destino muito desejado e nem tão visitado por ainda apresentar um certo nível de dificuldade no acesso.

 

Na noite anterior à ida fiquei hospedado no Hostel Urbano Providencia, situado no bairro de mesmo nome, próximo às estações Parque Bustamante e Santa Isabel da linha 5 do metrô. Recomendo muito tanto o bairro - que é lindíssimo! - quanto o hostel, que é novinho, está com instalações impecáveis e dispõe de equipe muito prestativa. Dei uma passada no Supermercado Lider, localizado ao lado da estação Santa Isabel, o que se mostrou providencial para a estadia fora de Santiago. Tomei o metrô em direção sul, até a estação Bellavista de La Florida. Esta é uma estação intermodal, ou seja, a partir dela se pode combinar a descida do metrô com uma viagem de ônibus. Você precisa procurar pela linha MB72 rumo a Cajon del Maipo, que parte a cada 15 ou 30 minutos. O MB significa microbus, que são meio depreciados mas dá pro gasto. Apesar da distância curta, cerca de 45km, a viagem leva mais de uma hora devido às frequentes paradas e à passagem por Puente Alto, que alguns consideram um bairro de Santiago e outros dizem ser uma região à parte.

 

Ao nos aproximarmos da região de Cajón, se pode perceber as mudanças na paisagem e também no menor fluxo de pessoas e automóveis. Chegando na hospedaria, que fica próximo ao número 12.000 do Camino Al Volcán, me deparei com um lindo vale rodeado de montanhas fenomenais. Gostei de cara! Preparei algo para comer, descansei um pouco e resolvi fazer uma trilha na montanha que fica atrás do hostel. Como não chove há mais de um ano em Santiago e arredores, estava tudo muito seco, solo e vegetação, então a paisagem se mostra bastante árida. Curti a vista de cima do cerro ao cair da tarde, fiquei olhando um pessoal praticar alpinismo e então regressei antes do anoitecer para não perder o caminho. Há vários guias de trekking e montanhismo que estão residindo na hospedaria, dá pra fazer sozinho uma trilha simples e relativamente curta (assim como fiz, sozinho, cerca de 2h ida e volta) ou então agendar com algum guia para trilhas de um dia inteiro ou escaladas para os mais ousados.

 

 

 

[CONTINUA...]

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Na quinta-feira, acordei cedo (reparem que nessa época o dia só nasce às 8h30), tomei um café reforçado e me fui à rua para tentar uma carona à localidade de Banos Morales. Em menos de cinco minutos, uma sorte incrível: parou um carro com dois caras, um santiaguino e um mexicano, que estavam indo para Embalse El Yeso passsar a manhã! Conversamos, todos da mesma faixa etária e interesses, pareceu até que havíamos combinado previamente de tão certo que deu. O mexicano, que era médico, estava de férias na casa do chileno, professor de matemática. Conheceram-se na copa do mundo de 2014 e assim surgiu uma amizade. Agora estavam novamente unidos para acompanhar as partidas da copa América. Pois bem, rumamos em direção ao embalse, que é uma das represa de água verde-azulada rodeada de montanhas lindas. Pelo que me lembro, demoramos cerca de uma hora para chegar até lá, visto que a certa altura o asfalto acaba e são cerca de 22km em estrada de chão. Tiramos muitas fotos, obviamente. Queríamos chegar até um outro ponto, porém não foi possível pois a estrada estava com uma camada grande de gelo. E quando me refiro a uma camada, não é como conhecemos aqui no RS ou em SC, onde nos dias de geada se forma uma capinha quebradiça de gelo. São blocos grandes, que não derretem mesmo com a presença do sol ou um clima próximo a 20ºC. Incrível!

 

Não preciso dizer muito mais, vejam as fotos...

 

[CONTINUA...]

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Após a sessão de fotos na manhã linda em Embalse El Yeso, regressamos rumo à Santiago porque o amigo Ídalo, professor, ainda teria que lecionar à tarde, enquanto eu e Agustín estávamos apenas curtindo férias... Me despedi dos rapazes esperando revê-los, e minha carona terminou na bifurcação entre o Camino Al Embalse e o CAmino Al Volcan. Há um restaurante nesse local, onde almocei e prontamente voltei à estrada para pedir uma carona até Banos Morales. A sorte continuava ao meu lado: em menos de cinco minutos um caminhoneiro parou e ofereceu carona, pois ia passar pelo local. Era o meu dia! Rumamos até lá por uma estrada ótima, linda, um dia ensolarado sem nuvens e com todas aquelas montanhas à volta. Conversamos sobre o fiasco da seleção brasileira (tinha perdido para Colombia na noite anterior), o acidente com a Ferrari do atacante chileno e outros assuntos diversos. Abaixo vou postar algumas fotos do caminho até lá, com o Volcán Maipo ao fundo. En cerca de 25-30 minutos chegamos, nos despedimos e caminhei mais um quilômetro desde a estrada até a entrada do parque. Há um pequeno vilarejo onde coabitam moradores e hospedarias alternativas, estilo hostel/albergue, inclusive uma com nome germânico que agora me escapa, bastante famosa. Chegando na entrada do parque, tudo pronto para o trekking, primeira decepçaõ do dia: a entrada no parque deve ser realizada no máximo até às 12h30 e retorno até as 17h. Já eram 14h. Puuutzzz!!!! Ainda bem que na saída do vilarejo consegui pegar uma carona com dois caras que tinham ido até lá recolher alguns materiais em uma caminhonete e me deixaram bem na frente da pousada. Grande dia!

 

[CONTINUA...]

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[ÚLTIMA PARTE]

 

Após a tentativa 'na trave' do dia anterior, desta vez não teria erro: é hoje que visito o Monumento Nacional El Morado! Acordei pelas 8h, tomei um café reforçado servido pela dona Nadia e fui novamente à rodovia atrás de uma carona. E é óbvio que a tremenda sorte do dia anterior não poderia se repetir... Demorou um pouco mais para que alguém parasse, neste caso um senhor em uma caminhonete. Muito sério, de poucas palavras, morava em Santiago e se deslocava todos os dias até a região para trabalhar. Me levou até a localidade de San Alfonso, cerca de metade do caminho ou até menos, o que não resolvia mas pelo menos já era alguma coisa. Nos despedimos e voltei à estrada. Após uns bons 20 minutos parou uma caminhonete estilo Saveiro: era um técnico de telecomunicações fazendo consertos e instalações pela região. Também não seguiria até Baños Morales, iria apenas até San Gabriel, onde fica a bifurcação das estradas Camiño Al Volcán e Camiño Al Embalse (El Yeso). Outros 15 minutos pedindo carona até que um bondoso caminhoneiro resolveu parar e fazer a gentileza de me levar até lá... kkkkk!! Diferente do dia anterior, que foi rapidíssimo, demorei quase três horas para chegar até Baños Morales. Em certo momento fiquei receoso por novamente não conseguir chegar a tempo de pegar o parque aberto para ingresso, mas deu certo, e era isso o que importava! No caminho até a entrada passei pelos mesmos moradores, sentados nos mesmos banquinhos e fazendo as mesmas coisas do dia anterior. Mais um dia agitado na rotina aos pés dos vulcões...

 

Como já era quase meio-dia e a caminhada seria longa, resolvi fazer um lanche e tomar água antes de partir. Agora sem fome nem sede, descansado, vamos botar o pé na trilha! Os primeiros 2000 metros do trecho são em elevação, com muita areia e pedriscos, fazendo com que muitos turistas eventuais só caminhem até esse ponto ou um pouquinho mais adiante, devido ao desgaste e falta de preparo físico. É realmente bastante cansativo. A partir desse ponto até um pouco depois do terceiro quilômetro o trecho em aclive continua, porém um pouco menos acentuado. A paisagem é lindíssima, colorida em diversas tonalidades, devido aos minerais abundantes nas montanhas e ao outono no vale. Mais ou menos nesse ponto, simplesmente do nada, apareceu um cão preto que me acompanhava e não percebi que ele andava por ali, nas minhas pegadas. Resolvemos prosseguir juntos na caminhada, eu suando como um louco e ele tranquilo, acostumado à região, farejando e caçando pequenos lagartos e outros bichinhos.

 

Aos seis quilômetros se chega à Laguna El Morado, que na época estava completamente congelada. Se poderia andar sobre ela tranquilamente, e o curioso é que a temperatura chegava aos 20-21ºC e fazia muito sol. O Chile é realmente um país diferente! Neste local haviam dois turistas e um guia de caminhada, que já estavam regressando do glaciar. Fiz mais um lanche rápido, acompanhado de um carancho (pequeno gavião) que esperava por algum pedaço de fruta, tomei um pouco de água, estiquei as pernas e prossegui. Meu companheiro de viagem resolveu voltar à base, acompanhando os turistas e na expectativa de ganhar algum lanche, provavelmente... O visual composto pela laguna em primeiro plano, o glaciar ao fundo, os campos amarelados e as montanhas coloridas formam um quadro maravilhoso! A partir daqui, faltando cerca de 2,5 km até a base do glaciar, há diversos pontos em que a trilha desaparece devido aos deslizamentos de terra, rochas e neve em degelo. Há que se ter atenção para não andar à toa ou perder o caminho. Apertei o passo e depois de algum tempo encontrei um casal de jovens turistas americanos que haviam chegado ao ponto final e estavam lá, sentados, contemplando aquela maravilha. Trocamos algumas poucas palavras, visto que meu inglês não está muito afiado e eles não falavam espanhol.

 

Prossegui mais alguns metros até uma maravilhosa caverna de gelo e rocha! Gelo, neve, rocha, areia, muito sol, calor... como pode??? Finalmente, após 8km em exatamente duas horas de uma cansativa caminhada, cheguei aos pés dos lindíssimos Glaciares San Francisco e El Morado, rodeados de outros belos cerros, céu azul, campos baixos e alguma neve em degelo. Que lugar! Impossível descrever a sensação de bem-estar que se procede ao chegar até este lugar e estar ali, no meio de toda essa beleza natural quase intocada. Fiquei cerca de trinta minutos tirando fotos, bebendo água gelada direto do degelo, contemplando... Seriam mais duas horas de caminhada de volta até a base, com a sensação de objetivo alcançado e alma leve. Sem dúvida foram os dois melhores dias da viagem, e faria novamente mil vezes. Valeu cada minuto. Recomendo demaaaiiisss!!!!

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  • 3 meses depois...
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Ola camarada muito interessante seu post.. estou planejando ir agora em novembro com a familia para o chile. e apos fazer o be a ba com santiago e arredores para programa turistico c a mae e a irma.. queria fazer um pouco mais de coisas com a minha cara. Como estou com pouco tempo queria ficar dois dias em Cajon del maipo junto c elas.. a pergunta eh.. o local tem infra estrutura de hospedagem... pq tenho certeza q elas nao vao topar em fica barracas... outra coisa o local eh propicio para atividades de montanha?(escalada principalmente)?

 

abs

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Olá! Dois dias é pouco tempo se depender apenas de transporte público e caronas, mas de carro dá pra fazer bastante coisa. Fiquei um pouco afastado do vilarejo principal, então não consegui avaliar direito a disponibilidade de hospedagem, mas acredito que encontre uma pousada numa boa.

 

No hostel onde fiquei havia alguns montanhistas praticando escaladas na montannha ao fundo da hospedaria, ao que parece eles residem ali pela região mesmo e fazem isso frequentemente. Vale salientar que, apesar de ser uma região montanhosa, os picos não são muito elevados - eles chamam a região de 'pré-cordilheira (dos Andes)'. Acredito que encontrará sem muitos problemas, mas é preciso estar lá para conversar com os locais e se informar bem.

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Curti muito Cajón de Maipo em uma trip que fiz no início deste ano...

Parabéns pelo relato, brother!!

::otemo::

 

Também curti muito, Luka. Agradeço pela leitura, que bom que gostou!

 

É um local, na minha opinião, que merece tanta atenção (se não mais) quanto a famosa trina Santiago-Valpo-Viña.

 

Você já visitou todos esses países da sua assinatura?

::ahhhh::::otemo::

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  • Membros de Honra

Opa...

Comecei a pegar a estrada faz um tempão já....

Problema que agora, com o dólar às alturas, estou dando um tempo nas viagens internacionais e parti para os 20 cumes mais altos do Brasil. Em fevereiro faço (ou melhor, tento fazer....) o Aconcágua, que é a o teto das Américas!!

curti bastante essas fotos dos glaciares!! Show de bola!

::otemo::

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