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rafael_santiago

Circuito pela Cordilheira Huayhuash (Peru) - ago/15

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    • Por peter tofte
      Uai uai uai huash!! As pessoas dizem brincando que a Cordilheira Huayhuash é tão difícil que merecia esta denominação alternativa. Segundo a National Geographic é o 2° trekking mais bonito do mundo. Mas é pesado pela sucessão de passos de montanha e acampamentos acima dos 4.000 m.
       
      Eu e Renato chegamos em Huaraz no dia 29/8 pela tarde. O Wilder, da Mirador Tours estava nos esperando. Ficamos no Hostel La Casa de Zarela, um lugar legal.
       
      Nos dias seguintes fomos para a laguna Churup e para a Laguna 69, a aclimatação clássica para Huayhuash. No domingo 1º/9 descansamos e fizemos os últimos preparativos para a viagem.
       
      Llanganuco
       

       

       
      Laguna 69
       

       
      1° dia - 2/9/2013
       
      Wllder veio nos buscar no hostel. Fomos para um local de onde partem as vans para Huayhuash. Parece que é um grande pool. As agencias fecham e trazem clientes para formar um grupo. O nosso tinha 12 pessoas: 5 israelenses, 2 americanos, 1 australiana, 1 irlandesa , 1 alemão e 2 brasileiros (nós dois). Havia também outro grupo de mais 12 trekkers, todos israelenses. Ao longo do caminho estes dois grupos caminharam juntos embora cada um tivesse seu próprio staff.
       
      Seguimos para Chiquian, cidade em um vale a Sudeste de Huaraz (cerca de 110 km) e de lá pegamos estrada de terra por dentro de um canion, passando por LLamac e Popca. Pagamos a taxa de proteção, que os moradores locais cobram dos turistas. É na realidade um pedágio. No total do circuito pagamos 200 soles de proteção.
       
      O primeiro camping foi perto de Matacocha, em Cuartelwain, 4.180 m. A tarde foi livre para descanso. Na tenda refeitório, tomando chá de coca e comendo pipoca, cada um teve a oportunidade de se apresentar aos demais.
       

       

       
      De noite ouvimos passos do lado de fora da tenda. Quando olhamos, cadê os bastões de trekking? Saímos correndo da tenda para ver se ainda pegávamos o gatuno. Nada. No dia seguinte soubemos que os arrieiros guardaram os bastões na tenda refeitório. Nada deve ficar do lado de fora das tendas.
       
      2º dia- 3/9/2013
       
      Acordamos cedo, as 6 horas (em todos os demais dias o mesmo horário) - frio e escuro. Colocamos as coisas na mochila que iria com o burro. Na nossa mochila pequena de ataque apenas os agasalhos e lanche. Café as 06:30 e saída antes de 07:30. Pouco depois do acampamento começamos a subir, enfrentando o passe Qaqananpunta (4.890 m) para cruzarmos os Cerros Paria. Era difícil pela sua altura e por ser o primeiro, com pouca aclimatação. Subida de 2:30 horas. Lá em cima uma vista bonita para o vale seguinte, Quebrada Caliente, que tem este nome devido às águas termais.
       

       
      Descida tranquila. Com pouco mais de uma hora entramos num vale a direita, a Quebrada do Rio Janca e o espetáculo começou: diante de nos, na direção SO - Sul uma vista incrível dos nevados Jirishanca, Rondoy e Yerupajá.
       

       

       
      Começamos a subir outra vez, agora de modo mais gradual, para Carhuac Yanapunta. Mas algumas pessoas já estavam montadas nos cavalos. Antes do passo, paramos para almoçar uns sanduíches de pasta de atum, de abacate e queijo. Depois da refeição eu e Renato sempre tentávamos cochilar um pouco ao sol.
       
      Prosseguimos até chegarmos na Laguna Carhuacocha, com uma visão incrível do Yerupajá Chico e do Yerupajá. O acampamento ficava em um platô acima do lago. Um dos locais mais bonitos do circuito. Banheiros aceitáveis e pias com água encanada completavam o luxo do lugar.
       

       

       

       
      Renato desceu com o Juan, pai do nosso guia, o Elvis, para vê-lo pescar trutas.
       
      Soubemos que na semana anterior havia nevado dois dias neste acampamento.
       
      3° dia - 4/9/2013
       
      Acordamos cedo. Não havia água nas torneiras. Ela estava congelada dentro dos canos.
       
      Consegui umas fotos das montanhas rosadas pelo nascer do sol. Inclusive do Siula Grande, famosa devido ao "Touching the void". Ao sairmos, passamos por uma pequena ponte pênsil sobre o rio que extravasava a laguna Carhuacocha. Quando não havia vento era possível fotografar a laguna espelhando as montanhas em volta.
       

       
      Contornamos a laguna pela margem sul e entramos numa quebrada onde ficavam as 3 lagunas, Gangrajanca, Siula e Quesillococha. Descansamos e lanchamos na última. Em seguida veio o Passo Siula, 4.834 m, bem íngreme, o mais cansativo de todo o circuito. De cima de um mirante tiramos as fotos clássicas das 3 lagunas. Linda paisagem.
       

       

       
      No topo do passo uma campesina indígena vendia refrigerantes. Renato comprou uma Coca-Cola a 6 soles, para beber a Coca mais alta do mundo. Ele me ofereceu um trago. Bebi, mas quase arrotei tudo fora. A diferença de pressão do gás carbônico dentro da garrafa e naquela altitude faz o gás sair do líquido muito rapidamente.
       
      Logo depois do passo almoçamos. Durante o almoço um solitário trekker veio subindo no sentido oposto, carregando uma pesada mochila. O cara estava muito bem aclimatado.
       
      Descemos por entre pastos de ovelhas até o acampamento Huayhuash, a 4.345 m. Lá os israelenses do grupo nos convidaram para uma cerimônia de Rosh Hashaná, o Ano Novo Judaico. Comemos maçãs com mel, figos, pão e bebemos um pouco de vinho. Bonita celebração. Comemoravam a chegada do ano 5.774 no calendário hebraico.
       

       
      No jantar tivemos as trutas pescadas no dia anterior. Eu e Renato oferecemos um chocolate suiço e uma bananada brasileira na sobremesa, como retribuição. Noite estreladíssima e fria. Renato sentiu bastante o frio numa rápida caminhada fora das tendas.
       
      4° dia - 5/9/2013
       
      De manhã um mal sinal. Papel higiênico espalhado pelo acampamento perto das barracas. O pessoal teve uma diarréia fortíssima pela noite e não deu ou não queria correr até os banheiros que estavam distantes.
       
      No dia anterior já tinha notado uma mudança na consistência do número 2. Passei a tomar Ciprofloxacina. Isto impediu que a desinteria se desenvolvesse.
       
      Pedi ao Renato que trouxesse este antibiótico com a receita médica de um médico amigo porque ele é o medicamento de eleição para infecção bacteriana (a mais provável). Havia lido relatos que diziam ser este um problema grave no Peru (e pior ainda na Bolívia): a falta de higiene no preparo das refeições.
       
      Os companheiros de jornada, especialmente os israelenses, sentiram muito o efeito da desinteria. Alguns até vomitaram. Eu e Renato, que estávamos na rabeira da fila, agora estávamos com ritmo mais rápido que os doentes. Os cavalos não eram suficientes para todos. Houve revezamento dos animais. Os arrieros deixavam alguns num ponto alto e voltavam com os cavalos para apanhar os demais doentes. A desinteria é grave nas alturas porque pode levar a um quadro de desidratação, que torna as pessoas mais propensas ao MAM (Mal de Altura de Montanha).
       
      Renato havia preparado um super kit de primeiros socorros.Como farmacêutico ele sabia aplicar injeções.
       
      O dia seria fácil, com apenas 6 horas de caminhada, sem grandes subidas. Mas com a desinteria o grupo se movia lentamente.
       
      Atingimos o Portachuelo Huayhuash. Ventava e o dia estava nublado. Dali uma excelente vista da bela Cordilheira Raura, vizinha de Huayhuash. Não ficamos muito tempo devido ao vento.
       

       
      Passamos pela represa Viconga, usada apenas para irrigação. Aquela represa era uma feia intervenção humana na região. Ali perto havia uma antiga base do Sendero Luminoso. Caminhamos também pelos restos de uma antiga trilha inca.
       
      Chegamos em Atuscancha, mais conhecida como Águas Calientes. Depois do almoço fomos para as piscinas termais. A primeira e menor era para se ensaboar, para o asseio. Água quentíssima, doía ao entrar, parecia um ofurô japonês. A segunda, utilizada depois do asseio, tinha temperatura menor, era a piscina de relax. Eu, Renato e os arrieros ficamos conversando na piscina. Aproveitei para lavar algumas roupas (na verdade para molhar as roupas, pois não usei sabão). Pouco depois chegaram os demais. Fotos e muita conversa. Engraçado que saindo da água quente não sentíamos o frio ambiente de imediato. Demorava para sentir o frio.
       

       
      Renato estava apático e cansado. De noite apenas jantou sopa.
       

       
      5° dia - 6/9/2013
       
      Renato decidiu abortar a viagem. Acordou e viu que a urina estava com uma cor estranha (durante a noite urinamos em frascos, para evitar sair da barraca). Supusemos que se tratava de provável infecção urinária. O médico israelense, embora não fosse a especialidade dele, pensou o mesmo.
       
      Renato me disse que bebeu pouca água nos primeiros dias. Isto predispõe uma pessoa à infecção urinária. Este problema é caso de evacuação. Ele passou também a tomar a Ciprofloxacina e Juan arranjou um cavalo para levá-lo para Cajatambo, a 6 horas de distância, onde havia ônibus para Huaraz (fazendo escala em outra cidade) ou direto para Lima.
       
      Como ele estava medicado e estava sem sintomas graves de infecção (sem febre e sem dores nos rins) ele foi apenas com Juan para a cidade, dispensando minha companhia no trajeto.
       

       
      Partimos tristes devido a saída de Renato, pois o seu bom humor trazia alegria para o acampamento. Quando ele entrava na tenda cozinha para conversar com os peruanos, só ouvia da minha barraca as risadas, com as piadas do Renato.
       
      Enfrentamos neste dia a Punta Cuyoc, o passo mais alto, com 5.000 m. Mas a subida não era íngreme. Estava bem aclimatizado e apesar dos 50 aninhos deixei alguns jovens de 20 anos para trás. Mas a desinteria obviamente os retardou.
       
      Muitas fotos no passo. O Cerro Cuyoc com seu manto de neve, dava uma luminosidade especial no local.
       

       
      Após cerca de 2 horas de descida paramos para almoçar. Após a refeição o grupo se dividiu em dois. Aqueles que subiriam o Passo San Antonio para curtir o visual e tirar fotos e aqueles que seguiriam direto para o acampamento em Huanacpatay. Fiquei no segundo grupo. Não estava a fim de um segundo passo de 5.000 m no mesmo dia. E muito íngreme!
       

       
      Dos cerca de 23 trekkers (dois grupos) apenas 5 toparam a empreitada. Pena que não estava com este pique. A vista do passo é lindíssima, um dos cartões postais do circuito, com a laguna Jurau lá no fundo.
       
      Fui o primeiro a chegar no acampamento. Logo que cheguei, deitei um pouco na barraca. Depois lavei a cabeça no córrego e banho com baby wipes.
       

       
      6° dia - 7/9/2013
       
      Feriado no Brasil. E mais um dia de esforço aqui em Huayhuash
       
      Saímos cedo. Descendo o vale passamos por pequenas fazendas típicas, bonitas. Cercas e casas com muros de pedra e tetos de palha. Ovelhas pastavam. Como Renato observou: parecem fazendas típicas da Idade Média.
       
      A descida foi fácil até que encontramos o vale do rio Calinca, vindo da direita. Este é o vale em que sairíamos se cruzássemos o Passo San Antonio. Era um canion estreito. Descemos até o fundo do vale e prosseguimos até o vilarejo de Huayllapa. Uma porteira no caminho foi imediatamente fechada quando nos viram, para cobrança da proteção.
       
      Fui o único que desci para o povoado, com o arriero Willy, para carregar minha câmera num bar-mercearia. Tomamos uma Inca Cola e uma cerveja enquanto carregava. O restante do grupo subiu a Quebrada Milo. Encontrei-os 50 minutos depois na parada para almoço.
       
      Na entrada de Huayllapa encontrei o arriero Juan, que regressava de Cajatambo. Boas novas. Disse-me que deixou Renato lá na cidade e que ele estava bem. Que não precisou guiar o cavalo porque Renato era um bom cavaleiro, assumiu as rédeas (a maioria do pessoal a cavalo era conduzido pelo arriero). Disse-lhe que Renato era fazendeiro em Goiás, assim tinha prática de cavalgada.
       
      Depois do almoço, com mais duas horas chegamos em Huatiaq, nosso acampamento a 4.253 m. No fundo do vale o Raju Collota, o Diablo Mudo (5.350 m) montanha que muitos escalam para ter uma aventura na neve.
       

       
      Na hora do té de coca, uma surpresa: ao invés de pipoca, pastéis de queijo. Caí matando.
       
      7° dia - 8/9/2013
       
      Perdi a hora de acordar, levantei apenas 06:15. Partimos para a Punta Tapush, cerca de 4.800 m. No topo, descanso e lanche. Ao descer passamos pela laguna Susucocha. Olhando para a face Noroeste do Diablo Mudo pude observar a trilha na neve deixada pelos andinistas perto do cume.
       

       
      Continuamos a descida até chegarmos na Quebrada Angocancha à direita. Passamos a subir por esta. Era a primeira vez que via um bosque nesta cordilheira. Eram Quenuales, árvores de casca parecendo um pergaminho. Na Quebrada Santa Cruz tinha visto elas, 4 anos atrás.
       

       
      A subida para o Passo Yaucha (4.847 m) foi puxado, aliviado por uma parada para almoço. Porém meu rendimento estava bem melhor. Era a aclimatação surtindo efeito. Ficamos pouco tempo no Passo. Um vento frio indicava a aproximação de uma tempestade. O Rasac e o Yerupajá estavam envoltos em névoa.
       
      Foto com o Mathias (alemão).
       

       
      A descida pela Quebrada Huacrish foi deliciosa. Rajadas de granizo volta e meia nos atingiam. A chegada ao mirante da Laguna Jahuacocha foi o momento mais especial do trekking. O Rondoy envolto em nuvens de tempestade, o granizo caindo, a laguna e o acampamento Incahuain lá embaixo. Uma beleza selvagem, única. Apesar do granizo, não queria sair dali.
       

       

       
      Enfim, tinha de descer. O acampamento é um dos mais bonitos do circuito. O rio de desague das lagunas Jahuacocha e Solteracocha era cristalino e tinha algas no fundo. O pessoal pescava trutas vendo os peixes na água.
       
      O jantar obviamente foi com trutas. Discutimos a questão da gorjeta. Combinamos 10% do valor pago. Ou seja, 50 Soles (um pouco menos que US$ 20). Fui o encarregado da coleta. Amanhã acordaríamos as 3:30 porque pegaríamos o ônibus meio-dia em Popca.
       
      8° dia - 9/9/2013
       
      Acordei bem cedo porque ainda precisava ir para o banheiro. Neste acampamento as casinhas ficam do outro lado do rio, um verdadeiro trekking, que inclui travessia por sobre as pedras, no rio.
       
      Partimos na escuridão. Estava tão frio que continuei usando meu casaco de duvet. Uma lenta fila indiana descia o vale, todos com as headlamps acessas. Após meia hora, o dia já clareando, começamos a subir para cruzar a Punta Mancan. Um mesmo ritmo lento, pois subíamos todos juntos. A vista do Yerupajá ao alvorecer era muito bonita.
       

       
      Pequeno descanso no Passo. O vale do rio LLamac abaixo de nós. No lado oposto do vale terraços plantados. Poderíamos dizer que era no Nepal e os terraços eram de arroz. Porém estávamos no Peru e eles serviam para plantar batatas e milho, em suas dezenas de variedades.
       

       
      A descida foi demorada, pois o sendero fazia longas curvas até chegarmos a Popca. Lá almoçamos num restaurante simples, comida insossa e pouca. Fotos do grupo, um breve discurso para homenagear nosso staff, entrega das gorjetas. Embarcamos no ônibus de linha que lotou e mesmo assim ainda recebeu outros passageiros.
      Entre LLamac e Chiquian o ônibus furou um pneu. Descemos todos e esperamos por cerca de 40 minutos o conserto. Em Chiquian trocamos o ônibus por um maior. O vendedor de helados fez a festa, pois todos compramos sorvetes (larica de trilha!).
       

       

       
      Depois de hora e meia chegamos em Huaraz. Despedidas e trocas de e-mail. Grupo excelente. Fiz minha última caminhada com as duas mochilas até a Casa de Zarela. Um bom banho me aguardava.
       
      Em resumo, um circuito puxado, por um lugar lindo e incrível, que não pode faltar na wish list de quem ama trekking. Exige preparo físico e aclimatação, porém vale muito a pena. Outra coisa que me chamou a atenção: apenas 500 Soles por 8 dias com tudo incluído, exceto a "proteção" de 200 Soles e a gorjeta. Poucos lugares do mundo oferecem algo assim por este preço.
       
      Uma boa farmácia é essencial para quem parte para um trekking nos Andes Centrais. Não só para prevenir e combater a MAM, o EPGA e o ECGA como também para desinteria e outros males. Boa proteção térmica também, pois faz muito frio pela noite e de madrugada.
       
      A mineração está mudando Huayhuash. Estradas estão sendo construídas. No 1º acampamento, Cuartelwain, ouvimos a noite toda o barulho dos caminhões pesados passando. A promessa feita em 2002 quando criaram a reserva natural Huayhuash de que não haveria exploração de minérios não está sendo cumprida. Quem quiser conhecer esta cordilheira em seu estado mais selvagem vá logo.

    • Por Paula (Mochilão Sabático)
      A Zona Reservada Cordillera de Huayhuash fica a 400 km ao norte de Lima, capital do Peru.



      Fomos em setembro de 2014 e uma característica marcante deste circuito é que em toda nossa travessia ficamos em uma altitude média de 4100 metros, chegando ao máximo de 5041 metros.



      Quanto mais alto, menos oxigênio tem o ar e acima de 3 mil metros uma pessoa pode passar mal, caso não tenha se acostumado com o novo ambiente. Para evitar os males da altitude, é necessário se submeter a um processo conhecido como aclimatação. Nós nos aclimatamos fazendo alguns trekkings perto da cidade de Huaraz em altitudes de até 5000 metros e voltávamos para dormir na cidade a 3000 metros. Fizemos no total 3 trilhas e em uma delas eu passei muito mal. Mas isso faz com que seu corpo se acostume mais rápido a esse novo ambiente. Me recuperei e fiz Huayhuash sem nenhum problema. Infelizmente Ramon e nosso amigo Wagner não puderam dizer o mesmo...



      No Peru também se encontra a La Rinconada, que é considerada a cidade mais alta do mundo a 5.100 metros de altitude. O topo mais alto do mundo é o Everest com 8.848 metros de altitude, em uma região onde os tibetanos vivem em altitudes médias de 4.500 metros. Estudos mostram que os tibetanos tem artérias e capilares mais largos para levar o oxigênio aos órgãos e músculos, e assim, evitar os males de altitudes.





      Como chegamos



      De Lima pegamos um ônibus até Huaraz, e em Huaraz contratamos mulas e cavalos para carregar nossa babagem e um operador de mulas, chamado de arrieiro.



      A maioria dos turistas, além do arrieiro e mulas, também contratam guia, barracas, cozinha com cozinheiro, comida e ajudantes. Tipo all inclusive. Nós optamos ir com nosso GPS e levar nossas barracas, quer dizer, colocar nossas barracas em cima das mulas para elas levarem. Por segurança contratamos um cavalo, caso fosse necessário, por alguma emergência, sairmos da Cordilheira com agilidade.



      Fomos eu, Ramon e mais dois amigos: Wagner e Ricardo. Compramos comida para nós quatro e para o arrieiro; e levamos 3 barracas: 1 para eu e Ramon, 1 para Wagner e Ricardo e 1 para o arrieiro dormir junto com a comida.





      Dia 1: Huaraz - Matacancha



      Chegamos no final do dia e acampamos no meio da 'multidão' em Matacancha. Haviam vários grupos acampando para iniciar a travessia no dia seguinte. Combinamos de encontrar o operador de mulas (arrieiro), que nunca vimos antes, naquele lugar lotado de turistas. De algum modo ele nos encontrou. Provavelmente éramos as únicas barracas sem a supervisão de um guia.





      Dia 2: Matacancha - paso Cacananpunta - laguna Mitucocha



      O primeiro dia foi bem chuvoso e tivemos que começar a andar embaixo de chuva.

      Foram cerca de 5 horas de caminhada por onde passamos pelo paso Cacananpunta (4693 metros de altitude) até chegarmos na laguna Mitucocha.



      A trilha em si não é uma caminhada difícil, mas devido à altitude e falta de oxigênio no ar, tudo fica mais lento. Aliás, apesar das altas altitudes, nós não fizemos nenhum cume de montanha, os lugares mais altos deste circuito são chamados de 'pasos', que nada mais são que passagens no meio da trilha.



      Esse foi um dia nublado e chuvoso. E mais um dia dentro da barraca esperando a chuva passar.





      Dia 3: laguna Mitucocha - passo Carhuac - laguna Carhuacocha



      Acordamos com o céu limpo e felizmente deu para tirar uma foto da bela paisagem do acampamento, com vista para as montanhas Jirishanca, Yerupaja e Yerupaja Chico.



      Neste dia passamos pelo paso Carhuac (4631 de altitude), também conhecido como Yanapunta. Se o tempo estiver bom, é possível ver as montanhas Yerupaja e Siula.



      Dormimos ao lado da laguna Carhuacocha, onde o arrieiro pescou um peixe para comermos. Não sei se tem algo haver, mas o Ramon e Wagner começaram a passar mal nos dias seguintes. Eu comi pouco peixe e fiquei bem.





      Dia 4: laguna Carhauacocha - 3 lagunas - paso Siula - acampamento Huayhuash



      Esse foi um dia bem cansativo, andamos cerca de 15 km em 9 horas. Mas sempre nos esforçávamos para tirar uma foto quando víamos uma bela paisagem, como a magnífica paisagem das 3 lagunas: Gangrajanca, Siulacocha e Quesillococha.



      Nesse dia passamos no paso Siula (4843 metros de altitude), e foi onde chegamos mais perto da montanha Siula Grande, onde Joe Simpson e Simon Yates foram protagonistas de quase uma tragédia fatal narrada no excelente filme Touching the voide. Depois de conquistarem o cume, Joe Simpson quebrou sua perna no Siula Grande, e Simon tentou ajudá-lo na descida. Mas durante uma tempestade, Joe acabou caindo de um penhasco. Seu companheiro de escalada não o encontrou e achou que ele tinha morrido, então continuou tristemente sua descida sozinho. Mas o mais inacreditável aconteceu, Joe com a perna quebrada sobreviveu à queda e conseguiu descer o Siula Grande por 2 dias, sem água e comida, se rastejando no solo irregular e em um lugar inóspito a baixa temperatura. E em uma mistura de sorte e azar, Simpson conseguiu chegar no acampamento, onde seu colega Simon ainda estava. Simon quase foi embora no dia anterior, mas ele decidiu ficar mais um dia.



      Vimos o Siula de longe, imaginando alguém dado como morto, sozinho com a perna quebrada nessa montanha coberta de neve e gelo...





      Dia 5: acampamento Huayhuash - Portachuelo pass - termas Atuscancha



      Acordamos embaixo de neve, e para nós brasileiros é só festa. Teve até boneco de neve.



      As trilhas da cordilhera de Huayhuash são as trilhas mais cagadas que já pisei. Tem vários animais fazendo o trabalho: cachorro, mulas, cavalos, coelhos, vicunas, vacas, pássaros... Se souber reconhecer as fezes de uma mula, você jamais irá se perder nesse circuito...



      Como a gente andava mais devagar e sempre tinha alguém na nossa frente, a neve facilitou reconhecermos a trilha toda pisada. E seguimos para o paso Portachuelo (4790 metros de altitude) e depois para as águas termais.



      Nesse dia chegamos em um dos melhores lugares dessa trilha. Onde foi possível tomar banho!



      Haviam 3 banheiras coletivas. A primeira era tipo um ofurô, redondo e com a água mais quente. Fomos os últimos a chegar, então a água deste ofurô estava, digamos, pouco translúcida. Todo mundo passa na primeira banheira, se ensaboa e como já tinha passado muita gente, o sabão ficou por lá. Mas depois de 5 dias sem tomar banho, foi uma delícia!!! A água é quase pelando, por volta de 40ºC, e no lado de fora estava por volta de 5ºC.



      Depois da primeira banheira, vamos para uma segunda banheira, que já é bem maior, e é quase uma piscina, com a temperatura um pouco mais amena, onde tiramos o sabão. E depois vamos para terceira piscina com uma temperatura perfeita. E lá todos ficamos curtindo, e tomando um refrigerante.



      O Ramon estava bem mal nesse dia, chegou na barraca com calafrios. Mas quando viu as piscinas no lado de fora saindo fumacinha... criou coragem, saiu da barraca e foi dar um ti-bum.



      Essa noite foi a última noite que nossos amigos Wagner e Ricardo ficaram conosco. O Wagner também não estava bem devido à altitude e o Ricardo estava com o pé um pouco machucado, então eles decidiram pegar uma rota de fuga. Levaram o cavalo, que acabou sendo útil, e algumas mulas com eles e partiram rumo à civilização.





      Dia 6: termas Atuscancha - paso Cuyoc - vale Huanacpatay 



      Subimos na maior altitude da caminhada: 5041 metros, no Paso Cuyoc. Este passo fica entre as montanhas Kuyuq e Pumarinri.



      Depois do paso descemos no vale Huanacpatay e chegamos em um acampamento, que foi todo nosso nessa noite.





      Dia 7: vale Huanacpatay - paso Santo Antonio



      Hoje foi um dia tranquilo. Ficamos acampados no mesmo lugar e fomos até o Paso Santo Antonio (5017 metros de altitude) e voltamos.



      No paso é possível ver as montanhas Carnicero, Jurao, Siula Grande e Yerupaja.



      Foi o dia com a segunda maior altitude alcançada: 5017 metros.





      Dia 8: vale Huanacpatay - vila Huayllapa - Huatiac



      Nesse dia descemos o vale e passamos perto no vilarejo Huayllapa.



      Seria possível descer até o povoado Huayllapa, mas decidimos dormir no meio do caminho no acampamento Huatiac, entre Huayllapa e o paso Tapush.



      Foi um dia bem cansativo, pois percorremos o equivalente a quase uma meia maratona.





      Dia 9: Huatiac, paso Tapush punta, acampamento Gashcapampa, Angocancha



      Todos os dias o arrieiro desmontava nossas barracas, ia na frente com as mulas carregando nossas coisas e quando chegávamos no acampamento, as barracas já estavam montadas. Apesar de parecer um luxo, fomos no modo econômico, a maioria dos turistas contratam uma agência com arrieiro, mulas, cavalos, cozinheiro, comida e barracas. Chegavam no acampamento, descansavam na barraca enquanto aguardavam o cozinheiro preparar a refeição. Nós tivemos que cozinhar para nós e para o arrieiro.



      Seguimos até Tapush Punta (4788 metros de altitude), onde pode-se observar uma parte da Cordilheira Blanca. Passamos pelo acampamento Gashcapampa e seguimos até Angocancha para acamparmos.





      Dia 22: Angocancha, paso Yaucha, Llaucha, Laguna Jahuacocha



      Nesse dia passamos pelo paso Yaucha (4848 metros de altitude) e seguimos para a laguna Jahuacocha para acamparmos, onde a silhueta de Yerupajá domina a paisagem.



      O dia de caminhada foi o mais rápido de todos, andamos por 3,5 horas.





      Dia 11: laguna Jahuacocha - pampa Llámac - povoado Llámac - Huaraz



      Esse foi o último dia e teríamos que pegar um ônibus em LLámac.



      Como andamos muito devagar, o arrieiro nos orientou para iniciarmos a trilha antes do nascer do Sol, com lanternas na cabeça, assim não corríamos risco de perder o ônibus. Foi uma longa descida com leve desnível na maior parte do tempo e se intensificando no final.



      Conhecendo nosso ritmo e com medo de perder o ônibus, não perdemos o foco e fizemos 15 km em 5 horas, chegando ao ponto de ônibus com certa folga.





      Resumo circuito Huayhuash

       

      Cidades próximas: Huaraz (138 km) e Lima (3756km)
      Início: Matacancha
      Fim: Llámac
      Distância total: 109 km
      Duração: 10 dias
      Pontos de água: nos acampamentos e durante o percurso
      Elevação acumulada: subimos 6.433 metros e descemos 7.345 metros
      Altitude máxima: 5.041 metros
      Dificuldade: com o acúmulo de 10 dias caminhando em altas altitudes, consideramos o circuito pesado. Mas para quem não sentir o efeito da altitude, a trilha fica bem mais fácil.
       


      Quer mais?



      Para ver mapa, distâncias, tempo e altitudes de cada dia, assim como fotos, acesse os detalhes em: http://https://mochilaosabatico.com/2017/07/23/huayhuash/

       

       



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