Ir para conteúdo
thaissilvap

Bolívia via trem da morte sozinha- 15 dias !

Posts Recomendados

Boa tarde [email protected]! Esse é o meu primeiro relato aqui, espero que possa ajudar muitas pessoas assim como ajudou muito os que eu li. Apesar dos muitos relatos de viagem pela América do Sul, acho interessante passar um pouco da minha viagem para vocês, pois fui sozinha e acredito que minhas dicas vão colaborar bastante para quem ainda tiver dúvida, tirar logo a mochila e partir para a Bolívia!

 

Fui para o Peru, via Acre, há 2 anos atrás e na época não passei na Bolívia por falta de tempo($) então fiquei com o gostinho pra conhecer esse país tão próximo e tão rico em diversidade que prometi que nas primeiras férias do trabalho (que eu ainda iria arrumar,,rs) iria embarcar pra lá! Via trem da morte é claro! Aqui segue um pouco da viagem, qualquer dúvida é só entrar em contato que ajudo no que for possível ! Ficou longo mesmo, então se preparem!

 

Minhas férias estavam programadas desde o ano passado para agosto/2015 e tinha 20 dias de férias. Como queria entrar na Bolívia pela fronteira para viajar com o trem da morte, pensei em voltar de avião de La Paz ou Sta Cruz pro Brasil, mas as passagens estavam muito caras mesmo só a volta, coisa de 1mil reais! Aí, desencanei e resolvi comprar ida e volta por Campo Grande mesmo, é cansativo, mas dá pra aguentar de boa sim e você economiza muito.

Comprei as passagens pela GOL com ida 05/08 e volta 20/08 por 230$ ! Achei boa a promoção. Também comprei as passagens de ida e volta de Campo Grande - Corumbá por garantia também.

 

Aqui segue meus gastos pré - viagem!

 

• Passagem de avião GOL ida + volta SP – Campo Grande/MS: 230 $

• Passagem ônibus Empresa Andorinha ida + volta Campo Grande – Corumbá: 207$;

• Roupas de frio Decathlon: Camisa longa e legging térmica + Jaqueta impermeável Quechua + Fleece Quechua = 340 $

Ps: A jaqueta estava em liquidação de 350$ por 150 $ !!

• Bota Timberland Trail Valley Marrom: 175 $

Ps: Encontrei com promoção de 40% de desconto no site da Dafiti! Chegou em 4 dias úteis, recomendo o site (y)

• Câmera digital SONY CYBER SHOT 16.1mp: 340$

Ps: Só tinha na Casas Bahia um modelo no mostruário, logo pedi desconto, de 480$, saiu por 340$. Já tinha esse modelo e recomendo muito, as fotos ficam incríveis, sem nem precisar colocar filtro depois hehe.

• Remédios diversos: Dorflex, Polaramine (antialérgico), dipirona (antitérmico), Neosaldina (dor de cabeça): ~ 50 $

Ps: Não curto tomar remédios, mas são bem necessários em viagens, pois uma simples dor de cabeça pode prejudicar seu rolê e passa rápido com um simples comprimido. Em Sta Cruz comprei 4 comprimidos para Soroche (4bol cada) e um outro remédio para enjoos (8 bol cartela);

 

Preparação da mochila:

Um dos melhores presentes que minha mãe já me deu, além da vida..rs, foi uma mochila da Quechua Forclaz 50 L ! É perfeita para viagens e tem uma abertura lateral ótima, ganhei há 3 anos e ela já me acompanhou em viagens longas e está inteirona ainda.

A cada viagem que faço tento diminuir a quantidade de coisas que levo, com o tempo a gente vai aprendendo e vai se acostumando. Nessa, procurei levar poucas roupas, pois já sabia que estaria fazendo muito frio e não adiantaria levar várias opções de jaquetas pra usar..rs não é?

Levei o básico e consegui sobreviver muito bem, mas acho que poderia ter incluído algumas coisas, como:

• 01 camisa longa térmica a mais: praticamente dormia e acordava com ela a maioria dos dias, não ficou com “cheirinho” ainda bem, mas poderia ter incluído mais uma na mala;

• 01 blusa de moleton ou 01 jaquetinha simples: quando fazia “só mais um pouco” de frio, já precisava colocar minha jaqueta gigante, se tivesse levado alguma dessas opções não precisaria;

• 02 cadeados para mochila e loocker bons! Comprei 02 bem porcarias e um deles quebrou logo no primeiro dia, sorte que não me furtaram nada!

 

ITENS MOCHILA:

 

• 01 jaqueta impermeável;

• 01 blusa fleece;

• 01 calça legging térmica;

• 01 camisa longa térmica;

• 01 calça legging;

• 05 blusinhas de manga curta;

• 04 blusas de manga longa;

• 01 short jeans ( nem preciso dizer que não usei né? Rs);

• 07 meias grossas altas;

• Calcinhas, 02 sutiãs e 01 biquíni (o biquíni era pra entrar nas águas termais, mas, não consegui entrar porque tava com muito frio);

• 01 meia calça de lã e 01 par de polainas;

• 01 par de havaianas e 01 alpargata;

• Mochila de ataque ( uma simples de 15 L da Quechua também e que é impermeável, descobri lá) : 01 luva, 01 gorro e alguns itens de higiene pessoal.

• 01 doleira, item fundamental em viagens assim! Me sentia muito mais segura com os documentos e dinheiro, só tirava pra tomar banho mesmo rs.

• 01 mantinha de frio, grande companheira de viagem! Fui muito útil nas viagens de ônibus;

• 01 rolo de papel higiênico, se puderem levem mais, nunca será demais!

 

Fui viajar com: 01 calça jeans, 01 blusa de manga longa, 01 casaquinho leve e um tênis.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

05/08 (quarta-feira):

 

Meu vôo estava marcado para as 20h30, como conheço bem minha cidade e sabendo que pegaria o horário de pico para chegar no Aeroporto de Congonhas, saí de casa ás 17h. Fiz um caminho mais longo, porém onde eu teria que andar menos e conseguiria pegar os ônibus sentada, o que deu certo, cheguei em Congonhas + ou – 19h. Pra prestigiar minha ida estava por lá também o ator Caio Blat pra se despedir de mim.. rs.

Infelizmente esqueci de passar pra comprar algo pra comer antes e acabei comendo por lá, #nuncamaiscomoemaeroporto. Tudo caro demais e não valendo o preço que custa, na próxima levarei umas quentinhas pra comer por lá.

O vôo atrasou 1h, logo saímos por volta das 21h30 de SP. Cheguei em Campo Grande e para minha alegria, lá o fuso horário é diferente e eram 21h! A amiga de uma amiga minha estava me esperando de carro com o namorado e eles me levaram até a rodoviária. A ideia era eu conhecer a cidade, mas os dois trabalhavam cedo no dia seguinte e não rolou. Fiquei aguardando na rodoviária pois o ônibus para Campo Grande só sairia as 23h59 (horário cabalístico). O ônibus saiu no horário previsto e a viagem foi bem tranquila, boa qualidade e estrada boa, tivemos uma parada no caminho.

 

Gastos:

• Ônibus pro aeroporto: 3,5 $

• Lanche no Pão-de-queijo: chá mate + pão de queijo por absurdos 15$

• Ajuda na gasosa pra carona pra rodoviária: 10$

 

 

06/08 (quinta-feira):

 

Cheguei em Corumbá por volta das 6h e no amanhecer vi o nascer do Sol mais lindo da vida direto do ônibus, era uma mistura incrível de cores quentes! Viva o Pantanal, preciso voltar pra conhecer direito esse bioma.

Da série ‘ quem tem amigos tem tudo’, lá em Corumbá tenho um amigo da faculdade, logo que soube que iria passar por lá entrei em contato com ele e combinamos de nos vermos lá. Ele me buscou na rodoviária umas 8h, fomos comer algo num restaurante árabe de lá muito gostoso (não me lembro infelizmente), ele deu uma volta na beira do rio comigo e fomos rumo à fronteira!

 

Primeiro fui dar a saída do Brasil na polícia federal, lá estava uma fila pequena, mas o calor era realmente forte já as 9h! Complicado ficar longe da sombra. Quando faltavam 3 pessoas para eu ser atendida, ouço o atendente gritando lá perguntando se havia brasileiros na fila. Disse que eu era e ele me questinou porque tinha deixado bolivianos passarem na minha frente (?), eu disse que não sabia que havia filas separadas. Depois de ser extremamente grosso com uma boliviana na minha frente, porque ela não havia dado entrada no Brasil anteriormente e estava dando a saída, ele ainda quis brincar comigo e com meu sobrenome (Pinto). Confesso que fiquei bem decepcionada com os profissionais de lá (na volta ao Brasil mais ainda) e pensei que seria tratada como os bolivianos são tratados pela polícia federal brasileira na polícia boliviana. Mas tive uma grata surpresa e lá fui muito bem atendida! Dica pro lado brasileiro ser mais humilde (y).

 

Em Puerto Quijarro era feriado, cheguei na Bolívia no dia da independência do país. Lá fui cambiar um pouco de dinheiro, encontrei por 1$ - 2 bol, pensei que encontraria um câmbio melhor depois e troquei 500 $ - 1.000 bol (depois me arrependi porque não encontrei cambio melhor, dica!)

Fui comprar a tao esperada passagem no trem da morte! Cheguei por lá por volta do meio dia e o trem saía ás 13h, a passagem foi 70 bol.

Me despedi do meu amigo e fiquei esperando a saída do trem.

 

Durante a espera vi uma típica mochileira, a Akvile. Uma moça da Lituânia (sim, eu conheci alguém da Lituânia) que já morou em Moçambique e falava bem português, ela veio viajar pela América do Sul, passou pelo Brasil e estava entrando na Bolívia pela fronteira também. A intenção dela era chegar em Santa Cruz e ir direto para La Paz, mas de tanto ouvir eu falar bem do tal Deserto de Sal se animou e resolveu ir comigo também.

 

A viagem de trem e suas 17 horas, foi muito tranquila. Como saímos no começo da tarde, vi as variações de vegetação e do céu, incrível! A estrutura do trem está bem diferente, li várias histórias, mas não tenho nada do que reclamar. Super confortável! Começou passando um show do Henrique Iglesias e ás 22h começou um filme de terror (essa foi a pior parte da viagem, pois o filme era bem tenso com gritaria e o som era bem alto). Ao longo do caminho, o trem tem algumas paradas rápidas onde vão entrando pessoas para viajar. Quando voltei do jantar, quase não encontrei minha poltrona pois nosso vagão estava cheio de gente já. Por volta das 20h fomos comer algo num restaurante que tem em um dos vagões. Lá comi um arroz com frango e batata frita e tomei um refrigerante. Depois dormi e só acordei na última parada em Santa Cruz.

 

Gastos:

• Lanche em Corumbá: 5$

• Frutas e água: 15 bol

• Passagem trem: 70 bol

• Pastel + café: 4 bol

• Jantar + refri: 27 bol

• Cambio 500$ - 1.000 bolDSC00021.JPG.f05b5c64cabf1330871650ad28693f13.JPG

 

07/08 (sexta-feira):

 

Chegamos em Santa Cruz de la Sierra ás 5h30, tivemos que esperar até as 6h para abrir a rodoviária.

A minha intenção inicial, depois de ouvir relatos da estrada ruim para Sucre, era fazer o trajeto para Sucre de avião. Mas, a Akvile sugeriu irmos de ônibus e infelizmente eu topei.

 

O horário para Sucre era somente ás 17h (lá todas as empresas saem nos mesmos horários para as cidades, não há muita concorrência de horário) e compramos da empresa Tupiza um ônibus direto para Potosí. A passagem foi bem barata e disseram que o ônibus era semi-cama. Deixamos nossas mochilas na loja e fomos dar uma volta pela cidade. Era um dia bem atípico por lá, porque os ventos eram muito fortes! Não conseguimos aproveitar muito por lá. Conhecemos a Catedral, a Plaza de Armas e dois museus próximos, e fomos para o Mercado Central almoçar. Lá comi arroz com frango e umas batatas diferentes muito boas e tomei um suco delicia de morango. Vale a pena a visita pra quem passar por lá, eu adoro conhecer e comer os Mercadões das cidades, dá pra conversar com os locais e comer barato.

Demos algumas voltas e encontramos um café com wi-fi, chama Café La Rooca, ao lado da Plaza de Armas. Lugar mais caro, mas bem gostoso de conhecer.

Voltamos para a rodoviária e fomos tomar uma ducha lá mesmo. Eu estava com receio no início, mas me surpreendi. O local estava limpo e a água era fria, mas o calor era grande por lá.

Comprei algumas coisas para comer durante a viagem e embarcamos no ônibus ás 17h. O ônibus realmente era bem ruim, eu já imaginava pelo preço que pagamos. Aqui vai outra dica valiosa.

 

NÃO ECONOMIZE AO VIAJAR DE ÔNIBUS NA BOLIVIA!

 

A estrada para Sucre era realmente horrível, superou minhas expectativas da pior maneira. A poltrona era muito ruim e o ônibus não tinha banheiro. Foi a pior noite da viagem, não consegui dormi e o barulho dentro do ônibus era muito insuportável, foi difícil.

 

Gastos:

• Banheiro: 4 bol (os valores gastos com banheiros podem ter variado)

• Café: 7 bol

• Passagem para Potosí – Empresa Tupiza: 60 bol

• Água: 10 bol

• Almoço: 11 bol

• Remédios: 18 bol

• Banho: 5 bol

• Pacote de pão de queijo: 10 bol

• Empanada: 3 bol

 

08/08: sábado

 

Chegamos em Sucre as 8h, lá o ônibus teve uma parada rápida para desembarque de alguns passageiros e seguimos direto para Potosí. Vale ressaltar que a última parada da viagem para usar o banheiro tinha sido as 4h no meio da estrada (a minha vontade de fazer xixi foi menor e não precisei usar).

Ás 11h finalmente chegamos em Potosí! Lá pudemos conhecer a Bolívia mais na essência, pois as habitações eram muito simples pela estrada e na cidade. Finalmente fui ao banheiro (o/) e comprei algumas besteiras para levar pra Uyuni. Fomos de táxi para a outra rodoviária de onde saiam os ônibus pra Uyuni. Compramos as passagens e aguardamos uns 30 min pro embarque, nem preciso dizer que estávamos acabadas né? Tudo que eu desejava era um banho quente e um cobertor quentinho para dormir. Não me lembro o nome da empresa, mas era uma van um pouco maior e bem confortável.

 

Chegamos em Uyuni ás 16h30 e ainda não estava muito frio por lá. Lá devido ao grande turismo, já é bem caótico. Muitas pessoas nas ruas e oferecendo pacotes de viagem o tempo inteiro. Logo que chegamos enquanto procurávamos um quarto para dormir, uma senhora muito simpática veio me oferecer um pacote pro Salar. O pacote iria incluir um pernoite naquele dia, café da manhã e o passeio de 3 dias pelo Deserto num carro com 6 pessoas. O preço era o mesmo que já havia lido nos relatos e aceitamos, 700 bol. O nome da agência é Thiago tours!

A Rosemari nos levou para o Hotel que era muito bom, quartos quentinhos e com cobertas e banheiro fora compartilhado. E dois itens importantíssimos em viagens e na Bolívia: água quente e wi-fi.

A Akvile estava mal pela viagem e ficou descansando no quarto enquanto eu fui dar uma volta e cambiar bolivianos. O câmbio foi o pior que encontrei 1,6$ - 1 bol, então só troquei um pouco que seria necessário até chegar em La Paz.

Mais a noite fomos em um restaurante lá próximo jantar algo. A cidade é bem turística e muito gostosa, com várias opções boas para comer e beber a noite. Umas 21h fomos dormir porque no dia seguinte começaria o grande momento da viagem: a ida para o Deserto!

 

Gastos:

• Banheiro: 3 bol

• Táxi + comidinhas: 30 bol

• Passagem para Uyuni: 30 bol

• Passeio Salar + pernoite Hotel La Cabaña: 700 bol

• Jantar: sopa + suco 39 bol

• Passagem La Paz: 100 bol

DSC00081.JPG.78ea365afcca31bbb9ccd453938e6b8a.JPG

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

09/08 (domingo):

 

O passeio estava programado para começar as 10h. Acordamos umas 8h e fomos tomar café da manhã lá no Hotel mesmo, compramos algumas coisinhas e frutas para levar e fomos para a agencia. Lá nosso motorista estava atrasado e só estávamos nós lá, não sabia do restante do grupo. Nessa hora fiquei um pouco tensa, mas, logo se resolveu. Chegaram um casal, a moça de Barcelona e o cara de Montevidéu que moravam juntos na Espanha, no caminho pegamos dois amigos, um americano e uma francesa. Todos falavam espanhol, menos a francesa, mas ela entendia bem quando conversamos. Para mim foi ótimo, porque não falo inglês e estava com receio de ficar em um grupo com outro idioma. Nosso motorista parecia ser bem tranquilo também. E assim partimos pro Deserto.

Agora não vou ficar falando muito sobre as paisagens, porque acredito que só estando lá para ver mesmo e vocês já devem ter lido muito sobre elas também. Vou falar mais da estrutura do passeio que contratamos.

Uma das paradas do dia que mais gostei foi a Ilha de Cactus, com pagamento a parte. Para mim valeu muito a pena, só o tempo que não estava colaborando muito. Ventava muito! Foi bem difícil chegar no topo para admirar todos os milhares de cactos por lá, mas, valeu a pena (y).

Chegamos no Hotel de Sal onde dormiríamos as 17h com o Pôr do Sol do Deserto incrível! A estrutura do hotel era boa e o banho quente era pago à parte (fiquei nos lenços umedecidos esse dia), tivemos um cházinho da tarde com bolachas quando chegamos e mais a noite um jantar bem servido.

 

Gastos:

• Água: 11 bol

• Mexericas: 10 bol

• Entrada Ilha de Cactos: 30 bol

• Banheiro 4 bol

 

PS: Fui em uma época muito fria pra Bolívia! De dia a temperatura média era de - 10 º C a sensação térmica e a noite chegava a - 20 º C ! Então, vá preparado! Além do frio, os ventos são muito fortes!

598dce0bd8fd6_Uruguay2015(2)833.JPG.0f8ad78f6a0cf7d6b6c11359067197f4.JPG

DSC00167.JPG.09585ed07884b6a708d53cf66334e249.JPG

DSC00216e.jpg.b8d569f119731c4c0bc080bf680c1dc5.jpg

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

DSC00246.JPG.a8447d1288ce1656c91bd3d1bb7e3fce.JPG

 

10/08 (segunda-feira):

 

O dia começou as 7h, tomamos um café e saímos pro passeio. Nesse dia visitamos as várias Lagunas, encontramos flamingos e estivemos na sonhada Laguna Colorada. A tarde o vento estava muito forte, não sei a velocidade, mas era muito forte! Tive muita dor de cabeça nesse dia.

Chegamos no hotel onde dormiríamos umas 17h e ficamos descansando e conversando muito. A noite rolou uma macarronada muito gostosa com vinho boliviano! Tentei iniciar os gringos no mundo do truco, mas foi complicado explicar pra eles a malicia da jogatina brasileira hehe.

 

Gastos:

• Banheiro: 7 bol

• Papel higiênico: 3 bol

• Entrada Parque Laguna Colorada: 150 bol

* a entrada no Parque é parte separada do passeio, eles informam isso durante a compra.

DSC00265.JPG.1d9467908c2df71ae572651e1f487010.JPG

DSC00299.JPG.f014f50ab0cba537c57090e0e5d1c243.JPG

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

DSC00301.JPG.83e75c6ffac3c0923f1155da62482081.JPG

 

11/08 (terça-feira):

 

No último dia do passeio saímos do hotel bem cedinho, por volta das 5h. O dia prometia ser de muito cansaço. Visitamos os Geisers e a Laguna Verde, incrível! E as águas termais. Do meu grupo só o americano teve coragem de entrar, mas lá várias pessoas entraram também. Eu queria muito, mas a preguiça de tirar toda a quantidade de roupa foi maior! Isso porque já tinha até separado meu biquíni.. hehe.

 

Chegamos em Uyuni as 17h e nosso ônibus para La Paz, “sairia” as 19h30. Lá fui com a Akvile procurar um lugar para tomar banho quente e combinamos de encontrar o restante do grupo do passeio para nos despedirmos e comermos uma pizza ás 18h. Tomamos um banho delicioso, depois de 3 dias né? Por 15 bol num Hotel ao lado da agência do passeio.

Fomos encontrar o pessoal no restaurante e foi uma delícia, é incrível como pessoas tão diferentes, com criações e países diversos conseguem se sentir tão próximos depois de 3 dias de intensa convivência. Tive muita sorte em ter eles no meu grupo do passeio, nos demos muito bem durante todo o percurso.

Aí começamos a saga ida para La Paz. Saímos rápido da pizzaria por causa do horário do ônibus, chegando lá informaram que nosso ônibus só sairia as 20h. Ok, iriamos com mais calma. Subimos no ônibus e ele era ótimo, poltrona semi-leito, com banheiro e aconchegante. Mas, começamos a ouvir um burburinho, o ônibus que estávamos iria passar em Potosí no caminho, algumas pessoas se revoltaram e desceram, até ai eu tava meio puta, mas só queria chegar tranquila em La Paz. De repente, mandaram a gente descer e nos informaram que aquele não iria mais sair pra viagem, depois descobrimos que o motorista tinha sido preso por estar bêbado. Nos colocaram nas ultimas poltronas de um ônibus péssimo que só iria até Oruro e de lá teríamos que pegar outro para La Paz, logo elas não abaixavam e saímos de Uyuni só as 21h. A estrada era até boa, estava bem tensa quanto a isso, mas dormir naquelas poltronas era impensável.

Chegando em Ururo vi uma das cenas mais incríveis na vida de qualquer pessoa, e vi neve pela primeira vez! Nevava muito, era madrugada. Em Oruro, não sabia se ficava feliz por estar vendo neve pela primeira vez ou se morria de frio. Nos colocaram em um outro ônibus para La Paz e que graças aos céus era muito bom, com banheiro e poltronas semi-leito, pudemos dormir finalmente.

 

Gastos:

• Banheiros: 8 bol

• Ducha: 15 bol

• Pizza + vinho para cada: 40 bol

DSC00304.JPG.3df3904654a5614b33ce1c817f7ae216.JPG

DSC00313.JPG.cf58737ed03e97f0655ffdd65549b0e7.JPG

DSC00320.JPG.9b3faf0f70b21465f99114cf03c314c3.JPG

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

12/08 (quarta-feira):

 

Chegamos no buraco do mundo, digo, La Paz, ás 7h. Transito caótico e neve. Ainda tinha neve espalhada e foi muito bonito ver como as pessoas estavam felizes com aquilo. Comemos algo na rodoviária mesmo, bem estruturada e fomos comprar passagem para Copacabana. O ônibus sairia ás 10h30.

Comprei mais algumas comidinhas para levar e fomos pro ônibus. Era simples, mas a viagem seria tranquila e de cerca de 4 horas.

Durante a viagem, muita neve espalhada e o tempo que não melhorava, muito chuvoso ainda. Mas, quando chegamos em Copacabana o clima mudou completamente, que cidade deliciosa, estava com sol e céu azul, apesar do frio que havia! O “mar” do Titicaca é realmente incrível, que sensação boa tive quando cheguei por lá.

Minha intenção era ir direto para a Isla del Sol e pernoitar por lá na parte norte já nesse dia. Mas, na Bolívia os horários não colaboram muito. A última barca para a Isla del Sol parte Norte, saia as 13h.

 

Eu já tinha me despedido da Akvile, pois ela já tinha a ideia de dormir em Copacabana aquele dia, mas, a reencontrei e fui para o Hotel onde ela estava. Chama “06 de agosto” e peguei um quarto simples com banheiro compartilhado por 30 bol. No final da tarde fui dar uma volta e vi o Pôr do Sol do porto, incrível e de uma paz tremenda.

Fomos jantar lá próximo do hotel e combinamos de pegar a barca pra Isla del Sol as 8h30, o primeiro horário de saída.

Aproveite o wi-fi do Hotel e reservei uma cama no Hostel Wild Rover, que já havia falado bem. Quando viajo e principalmente sozinha, dou preferência para os Hostels pela facilidade em conhecer novas pessoas. Um dos relatos que li indicava esse Hostel principalmente pelas festas que ocorriam no local, era perfeito para mim, porque até aqui minha viagem estava quase franciscana.. rs

 

 

Gastos:

• Banheiro: 1 bol

• Café da manhã: 5 bol

• Passagem para Copacabana: 25 bol

• Lanche rodoviária: 15 bol

• Burrito em Copacabana: 36 bol

• Hotel: 30 bol

• Jantar: 35 bol

• Anel: 15 bol

 

13/08 (quinta-feira):

 

Acordei as 7h e o tempo estava bem ruim, frio misturado com uma garoa constante, quis desistir de tudo. Mas não podia..rs

A Akvile preferiu esperar e pegar a barca mais tarde, mas eu fui ás 8h30. A partir nos desencontramos e não nos encontramos mais.

Comprei a passagem para a barca ali próximo do Hotel e já comprei a passagem para La Paz no dia seguinte ás 13h.

Peguei a barca e cheguei na Isla del Sol parte Norte por volta das 11h. Lá fui procurar um lugar simples e barato para passar a noite e encontrei um Hotel próximo de uma quadra de futebol que tem lá, não me lembro o nome. Mas, o senhor apesar de um pouco estranho, me ofereceu um quarto bom com banheiro compartilhado por 20 bol.

Deixei minhas coisas lá, fui ao Museu e comprei um mapa da Isla que incluía um passeio com um guia pela Isla. Estava muito frio e o vento era forte, mas demos uma volta por lá e mesmo com o tempo ruim, a beleza do lugar é incomparável. Desde quando fiquei sabendo que existia um tal Lago Titicaca sempre esperei pelo momento de conhece-lo. Fiquei chateada com o clima, mas tentei resisti. O passeio com o guia acabou e pensei em ir por trilha até o lado Sul, como várias pessoas fazem também, eu teria ainda que retornar a parte da Norte para pernoitar. Infelizmente a chuva, o frio e o vento aumentaram e eu voltei para o quarto, mesmo embaixo das cobertas sentia muito frio, pensei que estivesse com febre e tomei um antitérmico e dormi. Só ás 17h acordei, saí para comer um lanche ali próximo e voltei logo porque o frio continuava! Fui logo dormir quentinha.

 

Gastos:

• Barca para Isla del Sol lado Norte: 25 bol

• Ônibus para La Paz: 30 bol

• Café: 8 bol

• Mapa e guia: 20 bol

• Bolachas + chocolate: 23 bol

• Quarto no hotel: 20 bol

 

14/08 (sexta-feira):

 

Depois de uma noite fria, acordei as 7h com um céu azul na Isla que eu nem acreditei. Principalmente pelo fato de que eu iria embora de lá em uma hora. Pensei em ficar mais um dia, mas, acho que o frio do dia anterior me deixou traumatizada que eu não via a hora de sair da Isla del Sol 

Fui para o porto de onde saiam as barcas e comprei para o primeiro horário. Comi um pão e tomei um suco por lá e esperei o horário da barca, admirando aquele lugar e sentindo uma energia única que só quem esteve por lá ou em Machu Picchu pode ter sentido.

Chegamos em Copacabana umas 11h30, deixei minha mochila na loja que comprei as passagens e fui dar uma volta pela cidade. Não sei se era um dia atípico, mas haviam muitos carros no local para pedir a benção a santa da igreja de Copacabana que é protetora dos motoristas. Eu não sou católica, mas, nas viagens adoro conhecer as igrejas e catedrais dos lugares. A de Copacabana é simples na estrutura, mas o teto é todo banhado a ouro, muito bonita.

Fui comer um burrito numa lanchonete que já tinha ido e aproveitar para usar o wi-fi antes de partir para La Paz. Aproveitei para cambiar moeda, encontrei por 1,8 $ - 1bol e troquei o que me restava de dinheiro vivo, rs.

O ônibus saiu “pontual” e tinha até wi-fi, confesso que acho engraçado esse tipo de tecnologia haha.

 

Chegamos em La Paz por volta das 18h e pegamos bastante transito até chegarmos na rodoviária. Lá comprei a passagem de volta para Santa Cruz de la Sierra, o que foi uma grande dúvida! Cogitei ir de avião, pois já estava bem cansada de viajar de ônibus e encarar mais 15h até Santa Cruz poderia ser complicado. Mas, a passagem de avião era quase 600 bol e de ônibus leito 220bol! Apesar do cansaço para encarar outra viagem longa de ônibus (lembrando que de Santa Cruz ainda iria até Puerto Quijarro e de lá para Campo Grande), preferi ir de ônibus, pois economizaria em La Paz porque não iria dormir em hostel além do táxi para o aeroporto ser bem maior. Na verdade, escolhi comprar mais presentes por lá e voltar de ônibus.. rs. Comprei a passagem de ônibus leito na Empresa Trans Copacabana por 220 bol, recomendo essa empresa.

 

Peguei um táxi e fui para o hostel, um taxista muito simpático que foi conversando sobre os pontos turísticos e sobre a economia do país.

Chegando no hostel descobri que confirmei a reserva no dia errado e eles não haviam confirmado. Para minha sorte/azar, havia uma cama livre num quarto de 10 pessoas misto, lá a estrutura é muito boa, vale a pena. Lá funciona uma agência de passeios também, fui ver os preços pois iria fazer o Downhill, o fato mais aguardado em La Paz!! Fechei a bike intermediária por 490 bol e marquei de fazer o passeio para dois dias depois, pois tinha a intenção de aproveitar a cidade no dia seguinte e também estava cansada das viagens e de acordar cedo. Lá conheci um brasileiro que iria fazer a descida de bike no dia seguinte, fomos pro bar do hostel e ficamos lá bebendo um pouco. Muito bom poder falar com brasileiros depois de tanto tempo.

 

Gastos:

• Barca Copacabana: 25 bol

• Café da manhã: 10 bol

• Passagem para Santa Cruz: 220 bol

• Táxi para o hostel: 20 bol (a corrida era 15bol mas dei 5 bol pela simpatia)

• Bar hostel: 68 bol (02 cervejas e 01 burrito muito gostoso)

• Downhill: 490 bol

11215870_1165107330171384_7616565701760536785_n.jpg.c92ea918c998b65461f24d073d300b8f.jpg

DSC00354.JPG.40a4aa26def8235c6c5ae0f93cb52dbd.JPG

DSC00391.JPG.71e3c9134276f19ad373efea42b4adda.JPG

DSC00418.JPG.87b36cea53f6a75c092b5d425f54179d.JPG

DSC00435.JPG.ef08d4c6b3f63d44cbc0c23ea2b62504.JPG

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

598dce0c853b6_P1280155(Copiar).JPG.6e03b8f50ff3cc81e92c2e508fc78ece.JPG

 

15/08 (sábado):

 

Depois de poder dormir numa cama delicia e bem quentinha, acordei umas 10h e fui tomar o café que era servido no bar do hostel. Lá conheci uma francesa, que falava bem espanhol, e fomos dar uma volta pela cidade. Por indicação dela fomos no Museo Nacional de Etnografia e Folclore, que é incrível! Estava rolando uma exposição sobre a indústria têxtil no país, muito legal e com vários gorrinhos feitos antes de Cristo. Além de uma exposição com máscaras de festividades de carnaval e sobre a história dos povos andinos.

De lá pegamos um táxi e fomos pegar o teleférico para ver a cidade, um passeio que vale a pena! Chegamos no alto e voltamos por 6 bol, é um transporte público para os bolivianos, uma ideia muito boa principalmente naquela cidade cheia de subidas. Pelo caminho encontramos um restaurante vegetariano para almoçar e fomos em busca da casa do Evo Morales. A casa do presidente fica em uma avenida onde há muitas embaixadas, inclusive a do Brasil está lá, e é mais simples que muitas das embaixadas também, principalmente a dos EUA que é a maior e cheia de apetrechos. Andamos mais um pouco por lá e voltamos de táxi para o centro, o táxi lá sai bem barato e sempre rola pechinchar mais. Fomos para a região da Catedral e lá compramos alguns presentinhos e eu pirei na barraca de uma senhora que vendia anéis e brincos de prata! Eu não sabia, mas na Bolívia é bem mais barato comprar prata, vale a pena comprar por lá!

Voltamos pro hostel e eu estava bem enjoada e com dores de cabeça, acredito que por ter andado tanto o dia todo e La Paz realmente não é brincadeira, tem que tomar cuidado mesmo com a saúde lá. Clima seco e altitude acima do normal, não se pode querer fazer tudo corrido, como fiz aquele dia. Fui pro bar do hostel para comer algo e consegui comer um macarrão, comecei a beber umas cervejas e os enjoos passaram.. rs

 

Fui dormir cedo porque no dia seguinte acordaria as 7h para o Downhill e para o meu azar, no meu quarto estavam 7 amigos ingleses, que já tinham feito o passeio no dia anterior e aproveitaram aquela noite para curtir a balada. Chegaram no quarto as 4h30 (sim, este horário) e ficaram conversando com a luz acesa como se não estivesse mais ninguém no quarto, só que havia eu e mais duas pessoas. Achei muita falta de respeito e apesar dos meus “xiu”, ninguém parava de conversar. Acabei levando e pedindo para eles pararem e respeitarem quem estava dormindo em espanhol mesmo, eles pararam um tempo, mas ainda se ouvia umas conversas. Sei que dormindo em hostel ficamos sujeitos a dormir com barulho, mas acredito que respeito é o mais importante, pareciam adolescentes mimados que se achavam sempre certos. Nesse momento quis muito saber falar inglês pra poder falar umas verdades pra eles, realmente foi uma noite daquelas.

 

Gastos:

• Entrada Museu: 20 bol

• Táxi: 10 bol

• Teleférico: 6 bol

• Sorvete: 16 bol

• Almoço: 32 bol

• Presentes: 115 bol

• Bar hostel: 49 bol

 

16/08 (domingo):

Apesar de uma noite daquelas começou um dos momentos mais aguardados da viagem, a descida de bike pela estrada da morte da Bolívia! Acordei as 7h junto com um australiano que tava no meu quarto e também iria pro passeio. Na van, das 7 pessoas que haviam, só tinha eu de mulher (y).

Mais uma vez, não vou ficar falando do passeio em si, porque cada um sentirá algo quando fizer este passeio. Só digo uma coisa: FAÇA! Apesar do grande medo que dá, foi um dos pontos altos da viagem. Na cidade de La Paz é o único passeio que vale a pena de fazer, então FAÇA!! Fiz a descida em um domingo e no começo da estrada da morte, tivemos que aguardar uma Maratona que estava acontecendo por lá acabar. Sim, eu estava achando que erámos loucos por descer de bike a estrada, mas, tem gente pior, pessoas que sobem correndo a estrada da morte! Realmente só na Bolívia mesmo! Haha

 

Após a espera, iniciamos de vez a descida! E a paisagem é incrível, então repito FAÇA O DONWHILL NA ESTRADA DA MORTE DA BOLÍVIA! Caso não saiba andar de bike, aprenda um pouco antes de ir viajar.

 

Voltamos do passeio as 19h pro hostel. Lá fui comer algo no bar e beber, e saciar o que estava sentindo, porque parecia estar em transe ainda. Bebi um pouco com uns gringos por lá e fui dormir, porque estava acabada também. Não entendia como as pessoas conseguiam beber tanto e ainda ir pra balada lá depois de um dia cansativo desses! Rs

 

Gastos:

• Entrada Estrada da Morte: 25 bol

• Banheiro: 2 bol

• Bar hostel: 65 bol

• Refrigerante: 8 bol

 

17/08 (segunda-feira):

 

Último dia em La Paz e o que eu mais queria era gastar meus bolivianos em muitos presentes! Fiz o check-out do hostel e fui dar uma volta pelo Centro, fui na Catedral e na Plaza de Armas. No almoço, mais arroz com frango, realmente as pessoas comem muito frango por lá, não aguentava mais.

Meu ônibus para Santa Cruz saia ás 20h e as 19h peguei um táxi na frente do hostel para a rodoviária. Lá comprei algumas besteiras para comer no caminho e fui pegar o ônibus, que para minha sorte realmente era leito e muito confortável. A noite seria longa, mas de muito conforto pelo menos..rs

 

Gastos:

• Hostel: 186 bol (62 bol/noite)

• Suco: 8 bol

• Almoço: 17 bol

• Farmácia: 8 bol

• Presentes: 400 bol

• Táxi: 15 bol

• Lanche: 21 bol

 

18/08 (terça-feira):

 

A viagem foi tranquila e a estrada boa, não sei se é devido ser uma rodovia que liga à capital do país, mas no caminho o ônibus foi parado várias vezes pela polícia para checagem dos passageiros, documentos e das bagagens. Nessa hora até pensei que os policias fossem querer alguma propina, como li muito sobre os bolivianos, mas foi super de boa e me trataram muito bem.

Chegamos em Santa Cruz as 13h. Comprei passagem para Puerto Quijarro na empresa Id Suárez com poltrona leito por 80 bol e o ônibus sairia as 20h30.

Deixei minha mochila lá na loja e fui dar uma volta pela cidade. Dessa vez me arrisquei e como tinha tempo, peguei um ônibus para andar por lá, foi fácil até e muito barato, são 2 bol. Um taxista tinha me proposto 15 bol para me levar pro Centro!

Dei uma volta na Plaza de Armas, passei de novo no Mercado Central para comprar umas frutas e fui almoçar/jantar no Café La Rocca, que eu já tinha passado na ida por lá. Vale a pena conhecer. Voltei pra rodoviária e estava bem frio por lá, imagina ficar 4h sentada num banco gelado lá, aguentei um pouco e dei uma volta para “conhecer” lá dentro. Encontrei uma lan-house, sim uma lan-house, e fiquei por lá gastando meus bolivianos e esperando o tempo do ônibus sair.

 

O ônibus saiu no horário previsto, mas, várias pessoas estavam reclamando que a empresa havia oferecido viagens ás 19h e 20h, e com falta de passageiros colocou todos no ônibus das 20h30. Logo minha poltrona foi trocado, mas, era outra individual e leito! Recomendo essa empresa, a viagem foi tranquila e confortável.

 

Esqueci de um grande detalhe que só agora lembrei! Rs Na Bolívia quando se viaja de ônibus precisa um bilhete de uso terminal, variam de 1 a 3 bol, lembre-se sempre de comprar antes de embarcar, pois em um ônibus que estava um homem atrasou a viagem pois teve que sair para comprar.

 

Gastos:

• Banheiro: 3bol

• Passagem para Puerto Quijarro: 80 bol

• Almoço: 42 bol

• Ônibus Sta Cruz: 4 bol

• Chocolates: 4 bol

• Internet: 9 bol (2h30)

• Lanche: 10 bol

 

19/08 (quarta-feira):

 

E enfim chegou meu último dia de viagem. A ida para Puerto Quijarro foi bem tranquila, chegamos lá por volta das 5h30! Estava tudo escuro, vários taxistas oferecendo para levar para a fronteira, mas muito caro. Tomei coragem e perguntei se um casal topava dividir uma corrida e eles já haviam se juntado a um senhor, logo a corrida saiu para mim por 5 bol (a corrida toda era 20 bol). Lá a polícia da fronteira só abriria as 8h, então seria de muita espera, tomei um café e troquei por reais meus últimos bolivianos, até então achava que estava rica, mas perdi quando virou reais.. haha. A fila do lado boliviano foi tranquila, apesar de bem caótica no final sempre dá certo, fiquem tranquilos. Do lado brasileiro que foi o momento de stress, era uma fila só para entrada e saída no país, bolivianos e brasileiros juntos. Depois de umas 2h de espera uma policial bem folgada, dei uns xingos por lá nos bolivianos e deixou os brasileiros passarem na frente. Foi a minha sorte, mas achei a atitude dela de desprezo foi difícil de engolir.

 

Fui atrás de um táxi para me levar para a rodoviária de Corumbá, meu amigo não estava na cidade, e estavam me cobrando 50$. Eu só tinha esse dinheiro em reais e não queria depender de encontrar um banco, pechinchei e o cara me levou por 35$! Daí ele foi tentar ser honesto e ligou o taxímetro para provar que dava 50$ a corrida, mas não é que eu estava certa? Apesar da bandeira 2 que só existe nas ruas de Corumbá, a corrida da fronteira até a rodoviária deu exatos 34$! Fiquem de olho!

Consegui adiantar minha passagem para as 13h, estava marcada ás 15h, almocei na frente do rodoviária um PF muito bom por 10$, mas acreditem, tinha frango!! Haha e embarquei rumo à Campo Grande.

 

O ônibus iria passar no aeroporto, então fui direto pra lá! Cheguei as 19h e minha espera seria bem longa, pois meu vôo era as 3h30. Fiquei fazendo palavras-cruzadas antes do vôo, usando do wi-fi do aeroporto e no meu avião ainda estava a dupla sertaneja do "camaro amarelo " lembram? Rs Foi uma volta engraçada para São Paulo!

 

Gastos:

• Táxi: 5 bol

• Banheiro: 1 bol

• Café: 1 bol

• Táxi Brasil: 35 $

• Almoço: 12$

• Lanches: 17$

• Lanche aeroporto: 15$

 

20/08 (quinta-feira):

 

Chegamos em Congonhas por volta das 6h30 e fiz o mesmo trajeto para voltar pra casa, foi tranquilo e apesar do horário não peguei muito transito e consegui voltar sentada para casa. Acho que a minha cara de cansaço era mais do que visível para todos.

 

Enfim em casa, ás 8h! Não sabia se tomava um banho quente, se comia algo, se via as fotos da viagem ou se ia dormir na minha cama finalmente.

DSC00473.JPG.faeb0800b286e17f07c5e89a35db978b.JPG

598dce0c7621a_Semttulo.jpg.e70c6465efa2be06f4b6348c98c4a8bf.jpg

598dce0c7f0dc_P1280328(Copiar).JPG.eeb925631ec1d73342dd2000ebd44e89.JPG

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

E assim chegou ao fim, uma viagem incrível com 15 dias extremamente bem aproveitados, com um alívio em voltar pra casa mas continuar com todas as lembranças boas que essa viagem me trouxe dentro de mim.

 

Gastos: Eu calculei que gastei com TUDO cerca de 2.400 $ pelos 15 dias, contando presentes e passagens de ida e volta pro Brasil!

 

Pra quem tem medo de viajar sozinha (o), só digo uma coisa, VÁ! O único problema é que vicia. Espero que meu relato ajude novos mochileiros e os veios de mochila também!

 

Abraços, Thaís.

 

 

Ps: Desculpem o relato gigante e as fotos confusas no meio do relato! rs

 

::otemo::::otemo::::otemo::

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Olá Thais, muito legal sua viagem, por acaso voce chegou a fazer um somatório total do gasto da mochilada? Deu vontade de ir rsrsrsrs

 

 

Que bom que gostou Rafa!! Vá sim! Vale a pena!

 

As pessoas ainda têm muito preconceito com a Bolívia, espero que consiga acabar um pouco com isso.

 

Separei meus gastos certinho agora:

 

Gastos pré: tênis +máquina+roupas +remédios = 905$

Passagens Brasil: 437$ (avião SP - Campo Grande e ônibus Campo Grande - Corumbá ida e volta)

Viagem e presentes: 2135$ ! em reais!!

 

Abs!! ::otemo::

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Muito bom seu relato, vou fazer o mesmo roteiro em Novembro só vou acrescentar alguns passeios em Santa Cruz e em La Paz. Mal posso esperar...

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Adorei o relato!! mesmo com o dólar alto, a sua viagem não foi cara!!! Pergunta: vc levou seu dinheiro só em reais mesmo? e tudo em espécie ou fez uso de cartão de crédito?

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Adorei esse diário de viagem! Me sentir no cenário de um livro! Isso encoraja-me a investir mais em minhas futuras experiências, vlw! Tb fiquei na dúvida, quando você cita $, Reais ou Dólar? Abraço.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Quem já foi para Bolívia, pode me tirar um duvida?

 

É preciso o passport ou alguma altorização para entrar?

 

Já vi relatos q se for sem pode ter problemas, alguém me informa??

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisar ser um membro para fazer um comentário

Criar uma conta

Crie uma nova conta em nossa comunidade. É fácil!

Crie uma nova conta

Entrar

Já tem uma conta? Faça o login.

Entrar Agora


  • Conteúdo Similar

    • Por divanei
      Divanei Goes de Paula 04/02/2018 02:20 com  1 participante     EXPEDIÇÃO ALTO AREADO: ILHA BELA -SP
      Expedição às maiores cachoeiras de ILHA BELA , pela primeira vez grupo de exploradores conseguem chegar ao topo das nascentes do RIO AREADO.

      Relato  Rox 7  0                                            
                                                           EXPEDIÇÃO ALTO AREADO

                Quando meu espírito atravessa aquele portal mágico que costumamos chamar de floresta, deixo para trás exatamente tudo que fui antes, não sou mais o mesmo eu, sou outro eu, mas agora travestido de mim mesmo. Descarrego ali a minha barbárie civilizatória e passo a viver com a pureza de outrora, sou uma criança a me deslumbrar com os sons, com a beleza das águas, com o cheiro do mato, sou o aventureiro descobridor das coisas, sou menino vivendo num outro mundo.
       
                ILHA BELA sempre me fascinou desde os primórdios da minha vida aventureira. Os relatos que envolviam aquele arquipélago no Litoral Norte de São Paulo sempre atiçavam o meu espírito de aventura e não foram poucas as vezes em que me vi tentando explorar coisas na ilha da magia. Mas já ia longe a última vez em que havia pisado meus pés lá, desde a Volta Completa feita em 2012. De tudo eu já havia feito um pouco e se não fiz mais é porque alguns lugares não me apeteceram e porque achei que seria muita energia gasta para pouca coisa, mas quando começaram a surgir os mapas de satélites, minha alma já se levantou do estado de letargia e voltou a deslumbrar uma grande aventura nos confins das florestas fechadas no sul da ilha. O rio Areado até então era somente um bucólico córrego de águas cristalinas que cruzava a trilha para a praia do Bonete, uma simpática praia de pescadores distante a não mais que uns 12 km de Borrifos, último lugarejo habitado no sul da Ilha Bela. Olhando a ilha de cima, do espaço, o tal rio Areado nascia no interior da ilha a uns 800 ou 900 m de altitude e começava a despencar em impressionantes quedas d’água de dezenas de metros e em uma das suas vertentes me chamou a atenção uma grande queda que poderia passar facilmente de uns 150 metros de altura, uma coisa impressionante para uma ilha que intitulava como sua maior queda d’água a Cachoeira do Gato que mal tinha 40 metros de altura.
       
               
                Juntamente com outros amigos, fui tocando outras expedições, algumas inéditas, mas aquele rio nunca saiu da minha memória, um dia eu ia pegar minha mochila e ia lá naquele fim de mundo desvendar aquele mistério que sempre martelou na minha cabeça. Os anos foram passando e o plano de exploração nunca conseguia sair do papel, até que um dia me deparei com um artigo na net sobre um grupo que havia se aventurado pelo vale. Senti-me meio desolado pela demora, bobeei, alguém chegou primeiro, méritos para o pessoal da “viagem ecológicas.com.br”. Mas ao ler o artigo logo notei que o tal grupo mal aranhou o local e haviam chegado apenas até aos pés da grande queda do qual eles deram o nome de CACHOERIA GRANDE DO AREADO e aí foi a deixa que me faltava para retomar meu plano.
       
                Chegar até as paredes da Cachoeira Grande é sim um grande feito, mas a grande cereja do bolo era a vertente da direita, mais de um km de paredes aonde outras 4 ou 5 cachoeiras gigantes despencavam em abismos colossais e cânions quase que intransponíveis e com todo respeito aos outros grupos que por aí andam, se houvesse alguém capaz de desvendar esse grande mistério, esse grupo seria o nosso, justamente pelos vários anos nos dedicando a expedições como essa , então seria preciso juntar 4 ou 5 corajosos e novamente , como sempre digo, botar as faca nos dentes e ir lá tirar aquela lenda do papel e botar no mapa de vez.
       
                Voltando de férias às barrancas na foz do Rio Grande, no interior Paulista, me vi ainda com quatro ou cinco dias de ociosidade e nas curvas do destino acabei por relembrar novamente deste projeto, mas como eu poderia encontrar um grupo que pudesse esticar o fim de semana por mais uns dois dias, sendo que todo mundo da nossa equipe estava voltado aos afazeres e obrigações trabalhista? Eis que esses caras apareceram: Paulo Potenza, Felipe Asheley e Anderson Rosa se apresentaram por ter trabalhos autônomos. Daniel Trovo estava de férias com a família em São Sebastião e quando ouviu falar a palavra EXPEDIÇÃO SELVAGEM, largou sua boia de pato, sogra, filhos, mulher, cachorro , papagaio e picou a mula para Ilha Bela, rsrsrsrsrsrsrsrs.
       
                Formada a equipe, embarquei de Sumaré, no interior de São Paulo e me encontrei com o grupo lá nos confins da zona Leste, na capital do Estado e antes mesmo que o Potenza e o Asheley comessem todo o bolo de cenoura da mãe do Anderson Rosa, tratamos logo de arrastar os dois para dentro do carro e partimos numa tarde de sábado para o litoral Norte, aonde chegamos por volta de dez da noite. Comemos um pastel de vento no centro da Ilha e nos dirigimos para o sul aonde nos encontraríamos em Borrifos com o Trovo, mas ao chegarmos ao lugarejo não encontramos ninguém, então tocamos para o estacionamento, no fim da estrada, já na boca da trilha que vai para a PRAIA DO BONETE.
       
                O plano era deixar o carro no estacionamento do pescador, mas como já era tarde da noite, resolvemos dormir numa cobertura de lona enfrente da propriedade porque não queríamos acordar ninguém. Estendemos uma lona no chão e jogamos nossos sacos de dormir e o Rosa dormiria no carro mesmo.
       
                Já passava da meia noite quando ele chegou. Quase havíamos pegado no sono e ele veio com aquele portunhol horrível, nos indagando o porquê de estarmos dormindo ali em frente da propriedade. Estava meio zuado de cachaça e por isso não demos muita atenção, apenas dissemos que não queríamos incomodar o pescador e descansaríamos até o dia amanhecer. Ele continuou a nos encher o saco, dizendo que a família dele morava ali na propriedade agora e que ali não era lugar para playboy acampar. Era um chileno todo tatuadoe dizia que tinha estudo, que falava quatro línguas e outras balelas que a gente não queria ouvir, falou outro tanto de coisas inúteis e se foi na escuridão da noite. Logo depois o Daniel Trovo surgiu e veio alegrar nosso mocó, pegou seu saco de dormir e se juntou a nós naquele chão duro, daquela noite quente de verão.
       
                O chileno voltou, desta vez espumava raiva pela boca. Ficou lá, novamente a nos atazanar as ideias. Pedíamos para ele nos deixar dormir, mas ele não arredava pé até que déssemos o fora de lá. Nossa paciência já foi chegando ao limite até que o Anderson Rosa saiu do carro e veio ver o que estava acontecendo. Imploramos para o chileno folgado se retirar, mas não teve conversa e o que a gente tentou evitar aconteceu: O Rosa já peitou o cara e aí começou o quiproquó. Todo mundo se levantou e cercou o estrangeiro safado, já meti a lanterna no olho do meliante, enquanto outros já ameaçavam chutar ele para o outro lado da Cordilheira dos Andes, mas foi o cangaceiro de ilha Bela quem deu a cartada final. Paulo Potenza das Candangas já sacou seu facão e passou nas ventas no dito cujo que arregalou os olhos e murchou na hora, estava instalado uma crise diplomática. O facão só assustou o chileno, que vendo que o negócio havia esquentado, tratou logo de se retirar da nossa presença para nunca mais voltar.
       
               
                O dia amanhece quente, mas embaçado. Guardamos o carro no terreno do pescador, arrumamos as mochilas e adentramos na larga trilha que antes já fora uma estrada até a Praia do Bonete, mas que a floresta tomou de volta, impondo assim uma derrota acachapante ao governo militar, que tentou construir o caminho na década de 80. No começo parece mesmo que iremos caminhar por uma estrada, passamos por dois mirantes de onde se pode avistar o mar sem fim e menos de uma hora depois estacionamos na famosa CACHOEIRA DA LAGE para um gole de água. Nesse intervalo o tempo já melhorou e o sol já brilhava forte, mas como ainda era muito cedo, ninguém se atreveu a entrar na água ou brincar nos poços e escorregador que marcam a atração. Atravessamos a ponte pênsil e continuamos nossas andanças, mas agora o caminho já vai se enfiando numa voçoroca enorme e 4 km depois chegamos ao RIO AREADO com mais uma ponte pênsil para atravessar. É um rio com uma beleza sem igual, a água de uma transparência única e alguns metros acima da ponte, um poção lindo para um mergulho, mas ao chegar ao rio a gente já sabia que a brincadeira havia terminado, era chegada a hora da aventura começar, era hora de discutir a estratégia e deixar todo mundo ciente de que naquela expedição selvagem cada qual estaria por conta própria e cada um teria que assumir os riscos.
       
                Logo de cara me chamou a atenção o peso da mochila do Anderson Rosa, achei que poderia estar levando muitas coisas desnecessárias, mas não gosto de ficar cagando regras, muito porque cada um sabe o que aguenta carregar e quais suas necessidades. A única coisa que procurei deixar bem claro, inclusive antes de sair de casa, era a necessidade de todo mundo estar munido de perneiras anti-cobra e isso faria toda a diferença no decorrer daquela expedição.
       
                Decidimos que subiríamos o rio por dentro do seu curso e ao chegarmos à bifurcação onde ele se divide em dois, montaríamos um acampamento fixo e exploraríamos as duas vertentes, da esquerda que é de onde despencaria a cachoeira gigante de mais de 150 m e o da direita, por onde despencaria várias cachoeiras em uma parede COLOSSAL de mais de 1 km.
       
                Num primeiro momento tentamos achar um caminho pela direita de quem sobe o rio, prestando atenção para ver se não achávamos uma trilha perdida nesse início de expedição, mas surpreendentemente encontramos um mato totalmente fechado, denunciando assim que, mesmo sendo uma trilha turística, ninguém se atreve a subir o leito do rio. Abandonamos o mato e nos enfiamos por dentro do rio mesmo, pulando de pedra em pedra, mas não deu nem cinco minutos e nos deparamos com uma parede intransponível, num amontoados de pedras grandes


                 Eu até pensei em escalar por dentro da água, mas os meninos acharam cedo para se molhar e o Asheley foi à frente e encontrou um buraco no meio dos matacões, aonde você tem que se enfiar e atravessar como se tivesse saindo do útero da sua mãe. Demos a volta nessas grandes pedras e voltamos ao rio novamente  e logo nos deparamos com uma cachoeirinha incrível, com um poço profundo e como eu era o único que portava uma mochila totalmente estanque, os meninos optaram por passar e subir ao lado dela e fizeram um grande malabarismo para não se molharem, mas eu não me fiz de rogado e logo cedo já me joguei na água.

                Escalada essa pequena cachoeira, surgiu à nossa frente, mais uma cachoeira muito parecida com a anterior, mas com um poço gigante, esverdeado, daqueles de cair o queixo. Já me joguei para dentro dele e fui nadando até ela, enquanto o resto do grupo bordejou pela esquerda, mas somente depois de cada um se esbaldar dentro do lago esmeralda. Não havíamos caminhado nem três quartos de hora e já havíamos nos apaixonado pelo rio e ficávamos a todo o momento nos perguntando por que um lugar daqueles, tão perto da trilha principal, não havia sido descoberto pelos turistas.
       
                Escalei a cachoeira e me encontrei novamente com a galera e juntos pulamos pedras e quinze minutos acima chegamos ao POÇO DO ESCORREGADOR, uma grande atração desse roteiro, uma pedra inclinada e extremamente lisa, de onde o rio se precipitava. Escalamos a rocha pela esquerda e largamos nossas mochilas do lado direito do rio, hora de comer algo e nos lançarmos de volta ao passado, hora de viramos crianças novamente e escorregarmos nossa felicidade para dentro da água.

                Aquele lugar era incrível, sentado ali naquela grande rocha plana aonde seria possível até montar uma barraca, fico a apreciar aqueles meninos felizes da vida se jogando cachoeira a baixo e mergulhando de cima de uma rocha oposta para dentro do poço, mas logo me esqueço de que já vou me encaminhando para quase meio século de vida, me levanto e despinguelo rio abaixo também e vou me juntar à criançada como quem vai brincar no jardim de infância.
       
                A brincadeira estava boa , mas logo nos lembramos  para que viemos, é hora de retomar a caminhada porque aquela ainda era uma expedição séria e havíamos traçado um objetivo de atingir a confluência dos rios até o anoitecer. Jogamos as mochilas nas costas e partimos novamente rio acima, hora pulando pedra, hora varando mato ou escalando ao lado do barranco. Meia hora acima, talvez um poço mais, outra cachoeira nos fecha o caminho novamente e obriga parte do grupo a se pendurar pela esquerda, enquanto eu aproveito para mais um mergulho, me jogando em mais um poção incrível e depois escalando por dentro da cachoeira de rocha lisa como mármore polido. Já é sabido que tenho um grande problema com água gelada, mas por incrível que pareça o rio Areado naquele dia estava com uma temperatura agradabilíssima e desta vez eu tinha decidido me divertir muito no rio.

                A subida do rio realmente não é complicada. Mas o esforço que se faz acaba por ir aos poucos minando a energia da gente. São várias as pequenas escaladas feitas com a água batendo de frente e logo notamos que o Anderson começava a definhar de vez, não porque fosse mais fraco que qualquer um de nós, mas porque havia mesmo escolhido mal os equipos e exagerado no peso. Eu e o Potenza começamos a monitorá-lo e já havíamos confabulado entre nós que se fosse preciso, dividiríamos um pouco da sua bagagem entre o resto do grupo.

                Não demora muito e a primeira queda um pouco maior se apresenta à nossa frente, na verdade, são três cachoeiras, uma ao lado da outra e com mais um poço maravilhoso ao seu lado.  Sem demora parte do grupo já estava lá, se esbaldando em suas águas translucidas. O próximo trecho nos leva para um rio mais estreito, com várias ilhas e alguns afluentes do lado direito até nos depararmos com outra cachoeira, não muito alta, mas com mais uma piscina natural para ninguém botar defeito, aonde mais uma vez tivemos que experimentar a incrível sensação de nadar onde praticamente ninguém nunca nadou.

                A caminhada estava avançando bem, mas a gente sabia que se não apertasse o passo poderíamos ser pego pela noite sem chegar ao entroncamento dos rios . Grandes matacões começaram a surgir e depois de enfrentarmos uns trepa- pedras dos infernos , nos deparamos com mais uma grande cachoeira e bem que tentamos escala-la pela esquerda , mas foi mesmo o Rosa que encontrou o melhor caminho pela direita, varando mato até sairmos em mais uma ilha, onde o rio volta a se afunilar.
       
                Já passava das 17 horas e nada da gente chegar a tal confluência, então decidimos que avançaríamos por mais uma hora e acamparíamos no primeiro lugar decente que encontrássemos. Como o rio não deixava avançar, resolvemos varar mato pela direita e nos enfiando numas grotas e paredes de pedra que iam formando uma espécie de cânion seco, um lugar muito bonito , com uma paisagem diferentes das que estávamos acostumados na Serra do Mar no continente. Passado esse trecho, o barulho de uma grande queda nos chamou a atenção, então abandonamos o vara- mato e voltamos ao rio  para nos encontrarmos com a maior queda até então. Aquela sim era uma cachoeira de respeito e aquele poço era algo para agradecer e fazer esquecer os perrengues passados até agora. Ficamos todos encantados com aquela queda e as caras amarradas pela ultima hora passada no mato, sendo estraçalhados por espinhos e cipós, se abriram num sorriso de felicidade e juntos decidimos que era mais que hora de descansar os esqueletos e mais que depressa retomamos a caminhada, sempre de olho em algum lugar plano para montarmos nossas redes.

               
                 Subimos o rio por mais uns 15 minutos e ao encontrarmos uma laje plana e boa, jogamos nossas mochilas ao chão para tentar conferir nossa localização, já que a tal confluência não chegava nunca e para surpresa de todos, o nosso GPS nos mostrou que já havíamos passado faz tempo do entroncamento e por incrível que pareça , havíamos pegado o rio da direita e já estávamos uns 100 metros de desnível acima da confluência. Logo descobrimos o erro: Havíamos passado direto quando começamos a varar mato entre as paredes rochosas e sem nem perceber, adentramos ao rio da direita e o seguimos montanha acima. Antes mesmo que algum de nós começasse amaldiçoar o erro, alguém grita ao voltar seus olhos para cima: “- olha lá gente, a grande cachoeira do areado despencando do outro rio que acabamos por passar direto”.
       
                Sim , lá estava o monstro a despencar de uma parede colossal entre as árvores, que nos fechava parcialmente a visão. Sem querer, tínhamos avançado bem e agora, pelos cálculos do Trovo, poderíamos chegar à base dela em não mais de meia hora varando mato e interceptar novamente a vertente esquerda do rio.

                Ficamos felizes de termos cumprido com o objetivo do dia e não havia mais o que fazer, encontramos um terreno favorável para montarmos nossas redes e demos por encerrado esse primeiro dia de expedição. Parar ali foi mesmo fundamental porque o dia ensolarado já havia partido e no alto da serra ,uma tempestade já se avizinhava. Parte do grupo se apressou em montar suas redes, enquanto a outra parte ficou moscando à beira do rio e o Asheley ainda escapou por pouco de tomar uma picada de jararaca. O tempo virou numa velocidade inesperada e a tal tempestade chegou de vez. Eu havia já montado minha rede e meu toldo, mas não deu nem tempo de esticar todas as cordinhas antes que o dilúvio desabasse. Pulei para dentro da rede e fiquei segurando a cobertura para o vento não levar e torcendo para que minhas coisas continuassem secas. Choveu desgraçadamente durante quase 2 horas e a turma que demorou em montar abrigo, acabou por pagar o seu preço e depois de se lascarem todos, foram dormir sem janta. Quando a chuva deu um tempo, minha rede estava meio unida, mas nada do que eu já não tivesse acostumado, mesmo assim eu estava feliz porque os famosos borrachudos de Ilha Bela não haviam dado as caras com aquela voracidade já conhecida e isso já era algo para comemorar e eu e o Potenza resolvemos fazer uma janta e saborear um bacon com arroz, pra fechar a noite e alegrar a alma.

                Foi uma noite espetacular. Na madrugada bateu um vento tão quente que secou até as meias jogadas ao chão. Às seis horas da manhã já estávamos de pé preparando nosso desjejum e já conversando e discutindo a estratégia para a conquista final das CACHOEIRAS GIGANTES DE ILHA BELA. Eu achei que levaríamos mais de uma hora varando mato na diagonal para atingirmos a base inferior da grande cachoeira do areado, situada no outro rio, mas o Daniel Trovo insistia em dizer que em uns 15 minutos estaríamos nos regozijando embaixo da queda, mas o Potenza não contente , quis apostar com o Trovo que o tempo seria infinitamente maior que o que ele insistia em dizer, mas o instrumento da aposta vou me dar ao direto de omitir pelo bem da moral e dos bons costumes, rsrsrsrsrsrssr
                Bom, como a nossa intenção era explorar os dois rios apenas com mochila de ataque, deixando o nosso acampamento montado, apenas enfiei na minha cargueira os equipos de emergência, caso algo desse errado, isso me daria um conforto maior pra sobreviver por uma noite ao relento. Plano traçado, aferimos o azimute e partimos atravessando o rio, subindo o barranco e já descendo a um vale com um córrego de águas cristalinas. Galgamos terrenos em nível por menos de 15 minutos e já nos deparamos com o véu da grande cachoeira. Ninguém disse nada, cada qual procurou se livrar do mato que nos fechava a passagem, cada qual se apegou ao seu espírito desbravador e no fundo todo mundo sabia que aquele momento era de pura magia e encantamento e quando a paisagem se abriu de vez, cada um correu para onde achava melhor e de onde estávamos ficamos lá parados a contemplar o GIGANTE despencando da pedra. A GRANDE CACHOEIRA DO AREADO se apresentou ao nosso grupo, mas se recusou a se mostrar por inteira porque seu gigantismo é tão imenso  que não é possível vê-la por completo. Aquilo que a gente esperava se confirmou diante dos nossos olhos e aquela era de longe, mas de muito longe a maior cachoeira de Ilha Bela. Sua altura passava fácil de 150 metros, mas de tão grande mal podíamos ver um terço dela.

               
                A gente tinha a plena certeza que não éramos o primeiro grupo a por os olhos nessa cachoeira, como eu havia dito no começo deste relato, mas estávamos dispostos a sermos os primeiros, até que se prove o contrário, a chegar até o seu topo, mas também sabíamos que a conquista não viria de graça, haja vista o tamanho do paredão que teríamos que escalar. Num primeiro momento pensamos na possibilidade de seguir pelo lado esquerdo, mas ao analisarmos melhor o terreno, a possibilidade pela direita nos apresentou mais viável. Começamos a empreitada nos distanciando da queda e aproveitamos uma rampa inclinada, mas bem protegida pelas arvores para avançarmos montanha acima. Cada um se segurou e seguiu por onde achou melhor, sempre tentando se livrar dos inúmeros espinhos que guardam esse patrimônio. Os pés e as mãos sempre grudados na rocha e na vegetação que parecia que despencaria a qualquer momento e nos jogaria no vazio astronômico.

                A chegada ao topo da Grande Areado foi marcada por muita comemoração e para nos presentear, a visão se abriu para um horizonte de frente para o mar azul, naquela manhã ensolarada de janeiro. Embaixo dos nossos pés uma pedra lisa e abaulada de onde a cachoeira despencava no vazio infinito. Estar ali é fazer história, é se sentir grande diante de tamanho feito e ao mesmo tempo minúsculo diante de tamanha beleza colossal.

                Depois de nos inundarmos de tamanha satisfação, chegou a hora de dar continuidade a nossa Expedição e dessa vez iríamos tentar ir aonde provavelmente ninguém jamais havia botado os olhos antes. Chegar até a maior cachoeira da ilha já era um feito incrível, mas chegara as cabeceiras do ALTO AREADO, como vínhamos chamando o outro rio, era a grande cereja do bolo na Ilha Bela. Iríamos explorar 1 km de paredes de onde possivelmente despencariam outras cachoeiras gigantes.
               
                Voltar ao nosso acampamento era uma decisão que poderíamos ter tomado e de lá poderíamos partir subindo o rio até sua cabeceira, mas ao invés disso, decidimos apontar nosso GPS de onde estarmos e vararmos mato nos aproveitando da crista da serra, onde já sabíamos por experiências anteriores que a vegetação é mais espaçada, podendo nos dar um corredor rápido até o alto do outro rio e depois era só descermos por dentro da água, explorando as grandes cachoeiras. Então foi o que fizemos, tocamos para cima , escalando num primeiro momento uma parede inclinada até ganharmos o topo da crista e seguimos por ela sempre subindo, num terreno gostoso de caminhar e a passos largos e por nos entretermos com a caminhada tranquila, por pouco não fomos apanhados por mais uma jararaca que nos encurralou no canto de uma árvore. Deixamos a serpente em paz e seguimos nosso caminho e quando paramos para ver nossa localização no GPS do celular foi que ficamos sabendo que havíamos andado fora da rota estabelecida e já estávamos praticamente paralelos ao rio da grande cachoeira do Areado. Já havíamos subido bastante e para corrigir o curso resolvemos pegar uma diagonal para a direita e não nos desgrudarmos mais do GPS até que pudéssemos atingir o outro rio.
       
                  Portanto, abandonamos a crista que não estava mais servindo ao nosso propósito e voltamos a varar mato lateralmente, nos mantendo meio em nível e nos dirigindo para o outro rio, mas antes já sabíamos que teríamos que passar por dentro de um grande vale para depois escalarmos uma parede íngreme que nos deixaria na cumeada da parede esquerda do vale do Alto Areado. Quando chegamos nesse vale intermediário tivemos que abrir mão de uma corda para podermos descer em segurança, mas os mais ousados trataram logo de se jogarem morro a baixo apenas se valendo de alguns troncos e alguns cipós e ao tropeçáramos no riacho, aproveitamos para uma breve pausa para um gole de água.
                À nossa frente agora, uma parede íngreme, que logo conseguimos chegar ao seu topo e vendo que estávamos na calha do rio buscado, partimos para uma diagonal definitiva, descendo de vez até as margens, aonde fomos parar bem no meio de uma cachoeira que nem chegamos a ver seu topo de tão grande que era. Nesse momento vimos que o melhor a fazer era nos distanciarmos do leito do rio e ganhar mais altitude, numa tentativa de alcançar o seu patamar superior e foi o que fizemos e mais uma vez nos deparamos com uma cachoeira ainda maior onde o Daniel Trovo achou que ali seria nossa ultima parada antes de nos jogarmos dentro do próprio rio e descê-lo, explorando todas suas cachoeiras até interceptarmos de novo nosso acampamento perto da confluência. Mas foi aí que um pequeno impasse se instalou entre o Trovo e eu e o Potenza. O Trovo achava que deveríamos atravessar por ali e eu e o Potenza insistíamos que o topo das cachoeiras ainda não havia chegado, mas depois de uma conversa mais demorada, chegamos a um consenso e convencemos o Daniel de que deveríamos continuar escalando. O Asheley tomou à dianteira e Foi puxando a fila até que nosso caminho chegou ao fim, barrados por uma parede intransponível e que mais uma vez nos deixou travados no meio de uma queda d’água.

                Agora o caldo havia entornado de vez, ou a gente voltava e tentava uma volta gigante para retomar nosso rumo pela direita até o topo ou dávamos por encerrado aquela exploração, tentando voltar a descer até que pudéssemos passar para o outro lado rio. Mas ainda havia uma terceira opção, tentar uma escalada suicida pelas bordas do abismo. O Trovo que havia perdido a contenda anterior, só de sacanagem já foi empurrando o Asheley e fazendo o menino escalar o paredão, se segurando numas vegetações cretinas que nem os calangos selvagens estavam querendo se ariscar. Com a ponta do pé sobre uma raiz que ameaçava se descolar da parede e jogar todo mundo no vale , pegaram impulso e foram se elevando como dava, deixando a gente para trás e o Paulo Potenza, com um olho arregalado, já pensando que havia se fudido por desafiar o mestre Trovo e agora era caminho sem volta. Eu até que tentei subir pela vegetação, mas quando Trovo e Asheley passaram, levaram tudo com eles e como o Potenza já tava xingando horrores pelo caminho escolhido, pedi para que os meninos do topo que nos jogasse a corda e tinha que ser logo porque meus pés já não estavam mais aguentando se segurar naquela raiz mequetrefe.
                Com a corda instalada todo mundo foi ao alto da parede e aí foi só nos agarrarmos a mais uma rampa e varar uma pouco mais de mato até que nos posicionamos no topo das cachoeiras que vínhamos buscando, mas a comemoração pela conquista foi logo abreviada porque alguém olhou para cima de outro ângulo para simplesmente descobrir outra monstruosa cachoeira despencando em duas quedas enormes com uns 70 metros de tamanho. Agora sim estávamos de cara com a queda d’água que havíamos nos proposto a alcançar, enfim o início do ALTO AREADO acabara de ser descoberto e essa era, muito provavelmente, até que se prove o contrário, a primeira vez que uma equipe de exploradores botou o os olhos nela.

                A expedição não havia terminado, muito porque ainda tínhamos mais de um km de rio e cânions para descer até o nosso acampamento, mas cada um já estava ciente de que havíamos agora de completar todo o nosso planejamento.  Despedimos-nos da GRANDE CACHOEIRA DO ALTO AREADO       , atravessamos o rio para o lado direito de quem desce e começamos a perder altitude, nos valendo de um corredor mais aberto até vinte minutos a baixo voltarmos novamente ao rio para apreciar mais uma queda de uns 60 metros, justamente aquela que tivemos que ir escalando pelo lado esquerdo do rio. Verdade mesmo que tudo fazia parte de uma parede extraordinariamente gigante, que quase formava uma só cachoeira. Continuamos descendo até a base dessas paredes aonde encontramos um patamar e lá nos instalamos para apreciar mais um espetáculo de águas despencando de cima das pedras onde no topo, uma cachoeira de uns 50 metrosemendava com mais uns 50 de paredes. Esse nos pareceu ser o final das grandes cachoeiras da parte superior do Alto Areado, que juntando com a cachoeira mais próxima da confluência, formavam assim um total de quatro grandes quedas d’água gigantes, num dos roteiros SELVAGENS mais incríveis de Ilha Bela.

               Seguimos bordejando o rio, mas agora só olhando os vários poços que iam se formando. Estávamos com muita fome e havia chegado a hora de retornarmos para o nosso acampamento, foi um dia de muitas conquistas e muito esforço físico e quando lá chegamos, já tratamos de colocar nossos fogareiros para trabalhar, fizemos um almoço tardio, mas ninguém arredou o pé até que não aguentasse comer mais nada e aí ficamos jogando conversa fora à sombra de um grande pico em forma de tetas que guarda do outro lado do outro afluente, a maior cachoeira da ilha.
                Havíamos deixado nosso acampamento montado, então era algo com que não tínhamos que nos preocupar. A noite estava linda, mas todos estavam bem cansados, então logo que escureceu cada qual caçou seu rumo e foi descansar o esqueleto nas suas redes. Todos foram dormir cedo e para nossa alegria, novamente os borrachudos vorazes da ilha não deram as caras e ninguém reclamou de nada e logo que o dia nasceu já tinha gente de pé preparando o café. Desmontamos tudo vagarosamente e partimos de volta para a civilização, mas ao invés de voltarmos por dentro do rio, decidimos que ganharíamos a crista do lado esquerdo e vararíamos mato nos mantendo uns 100 metros afastados do rio para evitarmos as grandes pedras.
       
                Portanto, subimos o barranco e avançamos muito rapidamente ao encontrarmos uma vegetação mais espaçada, que só se fechava quando tínhamos que descer para cruzarmos os inúmeros afluentes. Achar essa rota foi realmente sensacional porque acabou nos economizando umas três horas de pernadas e mesmo a gente tendo encontrado umas passagens com alguns amontoados de pedras, inclusive formando arcos rochosos, mesmo assim foi um caminho feito na metade do tempo de ida. Mas ao chegarmos ao rumo de onde estavam os grandes poços e a cachoeira do Escorregador, apontamos nosso nariz para lá e jogamos nossas mochilas ao chão para mais uma rodada de ócio, brincadeira e descontração infantil, onde todo mundo resolveu se atirar na água e saltar de cima das pedras e escorregar na tal cachoeira.
                Ninguém queria ir embora daquele lugar, mas ainda tínhamos uma caminhada longa até Borrifos, onde estava o nosso carro. Fomos descendo, mas dessa vez ninguém quis mais abandonar o rio, eu mesmo fui me atirando em tudo quanto é poço e de cima das pequenas cachoeirinhas, dava para ver o azul do mar, se contrastando com o verde da floresta, numa visão realmente muito bonita. Quando chegamos de volta à ponte pênsil, aonde uma galera que voltava da Praia do Bonete estava, todo mundo olhou espantado para o nosso grupo e ninguém entendeu nada do que estava acontecendo e ficaram surpresos ao saber que havia malucos que vararam mato por três dias, subindo o rio para procurar algo que eles nunca ouviram falar.

                Ao chegarmos à trilha e a ponte do Rio Areado, a gente se cumprimentou e comemoramos de vez o sucesso daquela Expedição, tudo que havíamos planejado, havíamos cumprido. Retomados novamente a trilha e 4 km depois paramos novamente na pequena cachoeira da Laje para mais um banho e para comermos a única coisa que havia sobrado nas nossas mochilas: dois gomos de calabresas com limão e um suco em pó, para brindar a vida, a amizade e a conquista inédita e em seguida apertamos o passo até desembocarmos de vez no estacionamento do pescador e finalmente encerrar aquela jornada incrível.
                ILHA BELA é um dos lugares nesse país com o maior numero de enigmas e mistérios. A segunda maior ilha marítima do Brasil, com histórias de piratas, trafico clandestino de escravos, naufrágios memoráveis como o Navio Príncipe das Astúrias, considerado o Titanic brasileiro. Histórias de tesouros escondidos e animais exóticos. Fez fama por ser a capital da vela, tem os maiores picos insulares do país, o mosquito mais voraz da via Láctea e é claro, a grande fama de hospedar em seu território mais de 300 cachoeiras. São muitos os mistérios, mas a partir de agora o misterioso Rio Areado deixou de ser lenda e essa expedição veio para jogar uma luz definitiva nesse acidente geográfico e colocá-lo em definitivo no mapa das grandes descobertas do Estado de São Paulo.
                                            Divanei Goes de Paula – janeiro/2018
    • Por maizanara
      Na Patagônia fizemos o nosso primeiro trekking sozinhos, o Circuito W no Parque Nacional de Torres del Paine,  e voltamos ao Brasil energizados para fazer o nosso primeiro em terras brasileñas.
      Só tinhamos um problema: qual? Qual trekking nós, mortais sem GPS,  faríamos?
      Foi aí que nossos amigos Ádria e Hugo, também mortais sem GPS em busca do primeiro trekking no Brasil,  lançaram o convite para fazermos a travessia de Petrópolis Teresópolis no feriado da Páscoa. E quer saber? Por que não? 
      Demos uma olhada nas fotos do Google,  Ádria fez as reservas das 2 noites de acampamento e as entradas do parque, e estava decidido, nossa aventura seria no Rio de Janeiro, dali 40 dias. 
      Quer ver fotos desta travessia para se inspirar? Clique AQUI
      E então, o perrengue a emoção começou
      O primeiro item do check list que apareceu foi o danado do GPS. Parecia noticiário "...no segundo dia em caso de mal tempo (neblina), o risco de se perder é grande. Utilize o GPS ou contrate um guia".
      Não queríamos contratar um guia,  opção nossa, e não tínhamos um GPS,  opção do nosso bolso.
      O segundo item era uma corda de 10 metros (eu aconselho 15 m) e essa nós tínhamos.
      Para todo restante acreditávamos estar preparados: comida, preparo físico,  primeiros socorros, equipamentos (exceto o GPS) e navegação por carta.
      Chegando ao Parque Partimos de São Paulo às 22h e chegamos à rodoviária de Petrópolis às 6h da manhã seguinte em um ônibus repleto de aventureiros com o mesmo destino, a travessia. Neste ônibus haviam 15 pessoas de um grupo guiado e 5 de outro, também guiado. Todos aqui têm guia? Sim, menos nós 3. É verdade, não éramos mais 4 e sim 3, já que o Hugo se machucou escalando. Ele até viajou conosco, mas teve que ficar em Petrópolis conhecendo todos os restaurantes, cervejarias e museus, enquanto sua esposa, Ádria, nos aturava por 3 dias. Que pena dela...
      Da rodoviária é preciso pegar 2 ônibus municipais para chegar até a sede do parque de Petrópolis (Bonfim), um até o Terminal Corrêas e outro (número 616 - Pinheiral) até a Escola Rural do Bonfim. 
      DICA: em feriados corra para as filas destes ônibus, pois lotam e você pode acabar tendo que esperar próximo.
      Na sede, às 9h assinamos os termos, checaram as nossas entradas e acampamentos (leve impresso!) e pronto.  Pé na trilha!

      DIA 1
      O primeiro trecho até a bifurcação para a cachoeira Véu de Noiva (ponto de água) foi bem tranquilo, cachoeira para esquerda e Castelos do Açu para direita. Para chegar até a cachoeira, é preciso atravessar um rio de pedras escorregadias e a trilha continua até ela, que é linda e vale a pena. Sou daqueles que entra na cachoeira por mais gelada que esteja, mas não entra em um chuveiro gelado nem com reza brava.
      Aquele dia de céu azul ainda estava começando. Voltamos até a bifurcação e tocamos para Pedra do Queijo, nossa parada para almoço e um lugar para sentar estava concorrido. Então, continuamos até o Ajax (ponto de água). No primeiro dia são mais de 1.100 metros de altimetria conquistados em 7km. Puxado! O trecho final de subida, conhecido por Isabeloca, foi desviado da rota original, portanto se você está com GPS, cuide para estar com seu tracklog atualizado. A rota original está preservada para restauração da vegetação.
      O final da Isabeloca, marcou o começo das vistas de tirar o fôlego. A caminhada neste trecho estava tranquila, mas durante o caminho para o Morro do Açu, o sol já estava se pondo, e agora? Corremos para aproveitar a luz do dia ou ficamos para ver o sol se pôr? Pessoas experientes diriam para aproveitar a luz solar e apertar o passo. Nós aproveitamos a luz solar, acompanhamos cada raio de sol se escondendo em um pôr do sol maravilhoso, e depois apertamos o passo.  No primeiro dia não tem segredo! A trilha é muito bem marcada em meio à vegetação.
      A noite, chegamos ao Morro do Açu e lá, era possível acampar próximo ao abrigo ou à cabeça da tartaruga.

      DIA 2
      Este era o dia! Navegar sem GPS, passar pelo "elevador", "mergulho", "cavalinho" e chegar até o Abrigo 4, da Pedra do Sino.
      5h da matina, é hora de ver o sol nascer! Como um ritual, todos vão ao Castelos do Açu para este momento. 
      Fez um bocado de frio a noite, mas não deve ter chegado a 0° C. Levantamos acampamento, enchemos nossas garrafas de água e partimos. Geralmente, o tempo que se leva no primeiro dia é parecido com o tempo do segundo.
      Neste dia, existem pelo menos 2 trechos que são por laje de pedra que em caso de neblina, só um guia ou GPS poderão te salvar. Tome cuidado!

      A travessia começou ao lado do abrigo, sentido Pedra do Sino. Depois de pouco tempo encontramos uma descida íngreme e então uma laje de pedra. Como o tempo estava  bom, foi possível ver a continuação da trilha ao lado do vale.
      Continuamos e começamos a subir o Morro do Marco, na subida tivemos alguns trechos de trepa pedra e os primeiros escorregões e no final d a trilha (no topo) viramos para direita, caminhamos pela crista e a descemos pela laje de pedra em direção ao Dedo de Deus.
      Chegamos a um riacho na base do Morro da Luva onde tem sombra e água fresca, (estávamos precisando!). Conosco, haviam umas 10 pessoas e outras estavam chegando, então resolvemos sair para diminuir a fila da água.  Sim, havia fila. Tocamos para cima, agora subindo o Morro da Luva. O começo é pela mata, mas a sombra durou pouco, seguimos com um sol do agreste de tostar a moleira. Quando chegamos a crista, transmitindo uma paz e maior do que as fotos podem representar, surgiu a Pedra do Garrafão. Que vista!

      A trilha continua pela crista, atravessando o morro. Terá um vale e o sentido é para direita,  continuando entre lajes de pedra, trilha e atravessando outro riacho (ponto de água). Depois de um bom tempo atravessamos uma ponte de madeira e chegamos ao Elevador. Havia chovido nos dias anteriores e boa parte da trilha tinha lama e a Ádria que tomou todo cuidado para não molhar a bota a fim de escalar o "Elevador" sem o risco de escorregar, descobriu que ele inteiro estava molhado. Antes da subida, parada para almoço. E aí, grupos estavam chegando, a fila aumentando e o tempo passando.  Vamos. A subida não foi tranquila, teve muita atenção e tensão. Ferros da escada soltos e outros faltando, todo cuidado era pouco (sem falar no peso da mochila te empurrando). Um pé de cada vez, sem pressa. Pronto, passamos.

      Como recompensa um cubinho de doce de leite doado pelo amigo da trilha, a Maiza (com a mão bem limpinha) não pensou duas vezes. Obrigado amigo!
      Após o elevador, seguimos até encontrar mais um trecho de laje, agora mais íngreme, onde era possível ver 2 pês cravados na rocha que podem ser muito úteis em dias de chuva forte. Por todos estes trechos onde caminhamos pelas rochas foi possível encontrar os totens (foto abaixo). Já as setas indicando a direção (amarela para Teresópolis e branca para Petrópolis) eram raras. Subimos a crista do Dinossauro, passamos pelo Vale das Antas (ponto de água), continuamos pela Pedra da Baleia, depois zizagueando pelas lajes de pedra chegamos ao Mergulho.
      O Mergulho é uma depressão (buraco) no final das lajes de pedra com uns 5 metros de altura. Quando chagemaos, um casal com corda, ajudava outros dois trilheiros, que não tinham. Então, começamos a nos preparar enquanto a fila se formava atrás de nós. Optamos por fazer um pequeno rapel pois achamos que era o mais seguro para aquela pedra úmida e escorregadia (imagine em dias de chuva!). No meio do rapel da Ádria, chegou um quarteto de cabras da peste, metidos a Indiana Jones, querendo passar rapidinho e ao mesmo tempo que a Ádria. 
           - Amigo,  quer passar, passa, mas não segura na corda que ela está pendurada né?
      Pois é, esses Indiana Jones estavam sem o chicote para lançar na árvore e usar feito cipó.
      Pronto, mergulho superado,  então vamos para o próximo,  o Cavalinho.
      Quando chegamos lá,  adivinha quem estava travado com medo de altura e não conseguia passar pelo cavalinho?  Um dos Indiana Jones.
           - É amigo,  no filme era mais fácil, né?
      Assim como no Mergulho, tiramos as mochilas e passei primeiro para içá-las. No Cavalinho existe um "pê" para proteção que usei para içar um Indiana Jones, dois Crocodilos Dundee, a Ádria, a Maiza, quatro pessoas que não tinham corda, tampouco guia e onze mochilas, até que chegou o grupo guiado pelo Janio,  que me perguntou:
      - Você é guia?
      - Não, estou mais para bom samaritano de trilha mesmo.
      - Eita, então pode continuar que ali em cima tem uma passagem pior que essa, e o pessoal deve estar te esperando .
      Dito e feito, dali 10 metros, a turma estava lá me esperando. Mais um trecho bem complicado com necessidade do uso da corda. Acredito que levamos mais de 1 hora, entre o Mergulho, Cavalinho e o último trepa pedra, pois foram trechos técnicos, com fila e ajuda aos desavisados.
      Dali em diante, a trilha foi tranquila e rápida até o Abrigo 4. 

      Dica: chegando ao abrigo, a primeira coisa a se fazer é colocar o nome na fila do banho quente, caso você tenha comprado, pois a espera pode ser bem longa. Armamos a barraca, a Maiza fez um jantar sinistro, comemos e esperamos, esperamos, até que eu comecei a dormir em pé esperando a minha vez no banho. Quer saber? Já tomei um banho de cachoeira antes de ontem, vou dormir. A Maiza conseguiu revender o meu banho e o lugar na fila.
      DIA 3
      5h da manhã, hora de acordar para ir ver o sol nascer na Pedra do Sino. Chegamos em 30 minutos, com tempo para andar pelo pico e escolher o melhor lugar para dar bom dia ao sol.

      Descemos, levantamos acampamento e seguimos morro abaixo. O caminho foi óbvio e tranquilo, com vários pontos de água. Chegamos à portaria da sede em Teresópolis realizados! Satisfeitos com cada minuto desta travessia e famintos.
      Andamos até o ponto de ônibus indicado pelos funcionários do parque, e próximo à rodoviária comemos um PF de respeito. Entramos no ônibus para Petrópolis, depois para o hostel e finalmente tomei banho.
       Quer ver mais fotos desta travessia para se inspirar? Clique AQUI
      Vem acompanhar a gente no Facebook, Instagram ou nosso blog
       







    • Por alinebarreto
      Comprei as passagens em setembro/2017 e paguei R$2000,00 em SP-BUE; BUE-FTE; FTE-BUE-SP.
      Levei R$5000 para todos os gastos em 15 dias e voltei com R$800.
      DIA 01/01/2018
      Saí de São Paulo bem cedo, num vôo da Copa muito tranquilo, mas sem nenhum entretenimento a bordo e com um bolo de laranja e uma barrinha de cereal como lanche. Não há suco disponível, apenas chá, café, água ou refrigerante.
      Chegando no Aeroparque em Buenos Aires, bem próximo ao desembarque internacional, esperei séculos na fila do Banco de La Nacion Argentina para trocar dinheiro. Nesse dia, a cotação era de R$1 = 5,7ARS. Troquei R$1000 achando que a cotação estava ótima, comprei o cartão SUBE por 25ARS, carreguei + 125ARS num quioste do open25hours (tem vários no aeroporto).
      No lado oposto do aeroporto, não lembro se desembarque ou embarque nacional, peguei o Arbus (arbus.com.ar) sentido centro. Custou 75ARS e foi pago com o cartão SUBE. Em menos de 25min o motorista avisou a parada do Obelisco e ali eu desci na avenida Corrientes e fui andando até o hostel.
      06 Central Hostel (1375ARS por 6 noites)
      Hostel muito bem localizado, tem funcionários brasileiros e quartos e espaço de convivência amplos. Peca no wifi instável e no café da manhã super pobre. Recomendo pela localização que é excelente!
      Deixei tudo lá depois do check-in e saí sem rumo sentido Obelisco procurando um lugar para comer. Na Avenida Corrientes, 965 encontrei uma pizzaria que vendia combos de empanadas e comendo no balcão era mais barato. Paguei 75ARS em 2 empanadas + copo de refrigerante e ali perto comprei uma garrafa de 1,5L num quiosque open25h e paguei 45ARS. Vale a dica que a água da torneira é potável, só TEM sabor (no Chile é pior), o que é de se estranhar para nós.
      Decidi que faria diferente nessa viagem e fui andando perdida pela cidade sem nenhum destino. Passei pelo centro, Florida, Casa Rosada, Manzana de Las Luces, seguindo para San Telmo (e passando por uns lugares meio estranhos, mas felizmente policiados) e fui parar em Puerto Madero, que estava bem suja por conta da virada do ano. Decidi voltar para o hostel e dormir cedo porque tinha acordado de madrugada para o vôo.
      Gastos do dia:
      25 pesos cartão sube
      125 recarga (sendo 75 do arbus)
      1375 hostel 06 central
      75 empanadas + coca (corrientes 965)
      45 pesos água 1,5L (open25h)

      Avenida 9 de Julio e entradinha da Corrientes ↑

      Avenida 9 de julio ↑

      Museu Fragatta Sarmiento em Puerto Madero ↑

      Casa Rosada ↑

      Dia 02/01/2018
      Às 10h30, em frente ao Teatro Colón, saem grupos de Free Walking Tour para a Recoleta (http://www.buenosairesfreewalks.com/). Os guias ficam de camiseta laranja, não tem como errar. Começaram separando os grupos em espanhol e inglês e como tinha muita gente, foram 2 grupos só de inglês com umas 40 pessoas em cada. 
      As paradas não são muitas, mas os guias explicam muito sobre a história da cidade, dos prédios e a cultura e o tour acabou sendo bem leve e menos cansativo do que eu imaginava só que mais longo também, finalizando no no cemitério da Recoleta (o meu acabou às 14:30, mas o previsto era 14h). 
      A programação "Aline" era voltar para o centro e ir no City Center Tour da mesma empresa que começa às 15h. Como a caminhada de volta seria bem longa e eu estava com fome, desisti e fui andando sentido hostel. 
      Descansei um pouco à tarde e à noite jantei no restaurante La Cabrera, indicação do taxista, porque o restaurante bem avaliado e escolhido antes estava fechado.
      Gastos do dia:
      7ars 1maçã
      XXars tips free tour
      139ars combo Mc Donalds
      1300ars jantar para 2 no La cabrera

      Teatro Colon ↑


       
      Dia 03/01/2018
      Como o city tour do Centro no dia anterior não deu certo, decidi tentar com uma empresa diferente que tinha saída às 11h do Congresso Nacional (http://www.bafreetour.com/) com grupos apenas em inglês (antes passei na calle Lavalle que tem várias lojinhas de souvenirs). Foi um grupo menor com menos de 10 pessoas se não me engano, mas também muito leve. A guia era muito simpática, explicava super bem e de fato, deu dicas sobre a cidade e os portenhos. 
      Depois do almoço que já era lanche da tarde (no mesmo restaurante do dia anterior - El Rey - Corrientes 965), fui para Puerto Madero novamente. Me apaixonei por esse contraste de novo e antigo da cidade e achei lindo o Parque de las Mujeres Argentinas.
      Gastos do dia:
      199ars globo de neve (lavalle 969)
      100ars por 2 bandeiras/patches para o mochilão
      45ars sorvete
      XXars ba free tour
      40ars água 500ml
      60ars 2 pedaços pizza + refri (el rey)

      Congresso Nacional ↑

      Obelisco ↑

      Parque de las Mujeres em Puerto Madero ↑
      Dia 04/01
      O dia começou na caminhada até a livraria El Ateneo Gran Splendid e que coisa maravilhosa são livros dentro de um teatro! Fiquei apaixonada, nem um pouco envergonhada de tirar mil fotos e fazer vídeos porque tinham muitos turistas lá também.
      De lá, segui para a faculdade de direito de Buenos Aires, passei pela Floralis Generica e acabei no Museo Nacional de Bellas Artes (gratuito). Gastei umas 2horas andando ali dentro e quando bateu a fome, fui até o SanJuanino (Posadas 1515) almoçar (lanche da tarde já). Pedi uma empanada que estava deliciosa e depois uma massa, mas vi muitas pessoas que pediram apenas as empanadas, sem prato principal.
      À noite era dia de tango e decidi escolher um menos turístico, mais simples e optei pelo Centro Cultural Borges que fica dentro das Galerías Pacífico. Começou as 20h, com duração de 1h10, misturando o tango de 4 casais, performance de músicos e um cantor - tudo ao vivíssimo. Superou minhas expectativas!
      De volta ao centro (porque a Galería e a praça de alimentação fecham as 21h), jantamos no restaurante com melhor custo-benefício da viagem e porque quando eu gosto, gosto de verdade, repito muito mesmo e conto e levo todo mundo que encontro.
      Gastos do dia:
      250ars almoço empanada + massa + Pepsi
      430ars tango CC Borges
      40ars pão de queijo Starbucks
      147ars jantar pizza no El Rei

      El Ateneo ↑



      Faculdade de direito de Buenos Aires ↑

      Floralis Generica ↑

      San Juanino Empanadas ↑
      Dia 05/01
      Planejamento de parques, dia incrível, ansiedade a mil e... chuva! Triste, mas estamos sujeitos a isso em qualquer viagem.
      O roteiro que eu deveria ter feito era esse, mas nada deu certo e junto com mais 2 brasileiros, fomos ao Malba (atente-se ao horário de abertura, porque, como nós, muitos turistas tiveram a mesma ideia e deram de cara com as portas ainda fechadas). Sobre o Museu: prefiro o Bellas Artes, mas tem quem ache incrível, então melhor ver com os próprios olhos.
      Saímos dali e fomos até o Il Quotidiano (Uber), restaurante de massas super aconchegante, com pratos muiiiito bons.
      De lá, pegamos o metrô para tentar a visita guiada do Congresso Nacional e chegando lá fomos informados que as visitas estavam suspensas até fevereiro por conta das férias. Não fez sentido algum porque a cidade estava cheia de turistas, mas enfim, eram férias dos portenhos também. Paciência, mais um negócio do roteiro que não deu para fazer.
      Fomos até a Calle Lavalle comprar o restante das minhas lembrancinhas e lá descobri a Bomboneria Royal Lavalle (número 951) com preços bem camaradas para alfajor (me empolguei um pouco).
      Das marcas que experimentei, os que mais gostei foram: Milka sabor Mousse; Negro (chocolate ao leite com recheio de doce de leite e coberto com castanhas); Jorgito da embalagem azul (chocolate branco por fora e recheio de doce de leite).
      À tarde/noite fomos na Florida e nas Galerías Pacífico novamente.
      Gastos do dia:
      25ars uber
      120ars Malba
      18ars uber
      209ars Il quotidiano
      282ars alfajor
      120ars 2 imãs geladeira
      180ars 2 chaveiros mafalda
      150ars 2 chaveiros
      50ars lanche avulso mc donalds
       

      Brazucas no restaurante Il Quotidiano ↑

      Dia 06/01
      Impressões sobre Buenos Aires: maior do que eu pensava, mais limpa, mais bonita. A impressão que tive é de que tudo é muito grande - ruas, praças, parques e numa arquitetura linda de estilo europeu (minha sogra por ex não curtiu e achou tudo com cara de velho), com muito mais para ver do que eu tinha planejado. Fiquei 5 dias quase completos e me arrependo de não ter colocado mais 2 para ver tudo com mais calma ainda, voltar aos locais que não consegui por causa da chuva e fazer as visitas guiadas nos prédios que tinha programado.
      Não tive muito contato com os portenhos, mas o pouco que vi, mostraram-se bem educados, sempre simpáticos e ainda mais ao saber que eu era brasileira. Apesar de não ser o estilo de viagem que eu curto, gostei e voltaria com certeza!
      Esse dia foi praticamente perdido indo para El Chaltén. Saí do aeroparque às 12:50 e chegando no aeroporto de El Calafate, comprei o transfer Aeroporto FTE-Chalten e Chalten-Centro de Calafate com a empresa Las Lengas, que solicita a data de retorno, o hostel da saída e pede para confirmar um dia antes na rodoviária de El Chaltén sua partida. O transporte demorou aproximadamente 3h, com uma parada na La Leona, um hotel/restaurante/banheiro e mais duas paradas em miradores para o Fitz Roy. 
      Cheguei já noite, deixei tudo no hostel e saí para jantar e tirar fotos no mochilão símbolo da cidadezinha. O mais impressionante foi jantar no Patagonicus com vista para as montanhas vendo o pôr-do-sol e as cores do céu depois das 22h. Incrível como os dias são longos!
      Gastos do dia:
      110ars Uber para o Aeroparque
      220ars Almoço no Hard Rock aeroparque
      1300 Transfer FTE-Chalten e Chalten-calafate (las lengas)
      2250ars Hostel La Luna Country
      35ars kiwi e pêssego
      40ars pão
      120 Pizza no Patagonicus

      Chegando em El Chalten ↑

      Parador La leona ↑
       

      Uma das paradas que o motorista faz no caminho ↑

      Mochila símbolo de El Chaltén ↑
      Dia 07/01
      Usei o aplicativo Windguru para a previsão do tempo porque é o mais recomendado para esse clima de montanha e o que mais acerta, pelo que eu ouvi dizer, fora que lá todo mundo usa esse. Havia previsão de chuva depois de meio-dia, então decidi acordar cedo e fazer a trilha para Laguna Torre porque tinha lido que eram só 14km e o sendero sai bem pertinho do hostel em que fiquei.
      Saí às 7h15 e em 2:30 cheguei na Laguna. A trilha não tem uma dificuldade alta e depois do km 5, vira praticamente uma reta só. 
      Nos km 2, 7 e 8 você encontra pontos onde pode encher a garrafinha e no percurso vi 3 banheiros (recomendo fortemente que você fique apertado e não use, porque o cheiro é TENSO!). 
      Chegando na Laguna (9km) e seguindo para o lado direito dela, a trilha continua por mais 3km (gastei 1h) até o Mirador Maestri, quando você chega bem mais perto do Glaciar. Essa continuação tem chão de pedrinhas soltas, uma desgraça que dificulta o percurso, mas a recompensa vale o esforço. Poucos viajantes continuam subindo até lá (encontrei apenas 2 voltando enquanto eu subia) e recomendo que você apenas faça isso se não houver ventos, porque é alto, em vários pontos estreito e fácil de escorregar. Qualquer ventinho que te desequilibre pode causar um acidente. 
      Pausa para fotos, para contemplar aquela vista maravilhosa - SÓ PARA MIM, tempo fechando no Cerro Torre e decidi voltar. Enquanto voltava, o tempo fechou mesmo e começou a garoar um pouquinho. Essas mudanças são muito frequentes, então é importante ter um saquinho para proteger câmera, celular, passaporte e coisas de valor e um casaco de prefência impermeável.
      De volta ao hostel, depois de tomar banho e descansar um pouco, fui atrás de um mercado (achei 2 na cidadezinha), jantar e dormir.
      Gastos do dia:
      55ars Frutas
      84ars 3 iogurtes
      270ars Jantar no La Estepa (+30ars gorjeta)

      Cerro Torre ao fundo ↑

      Mirador para o Cerro Torre ↑

      Laguna Torre ↑

      Caminho para o Mirador Maestri: pirambeira de um lado e de outro também ↑

      Vista do Mirador Maestri ↑
      Dia 08/01
      Previsão de chuva e ventos muito fortes, deixei de lado do plano de ir para Laguna de Los 3 e fui numa trilha mais de boas, sendo que cada trecho tem 3.5km. 
      Saí umas 9h para o Chorrilo del Salto e tirando o vento forte que peguei na estrada aberta e dificultou muito a caminhada, a trilha é bem tranquila. Cachoeira linda só para olhar, com água congelante e queda muito forte para banhos.
      Depois do almoço, fui para outra trilha fácil que era Mirador de Los Condores (1km) e Las Aguilas (2km), que tem saída próxima da rodoviária. Começando pelo Mirador de Los Condores, a trilha é uma subida não muito íngreme que dá uma vista muito bonita para o cordão de Adela. Como ventava muito, acabei não continuando para Las Águilas mas me disseram que a vista de lá é ainda mais bonita, com alcance até o Lago Viedma.
      Gastos do dia:
      300ars Almoço La Tapera 
      Jantar no hostel (sobra do dia anterior)

      Caminhando contra o vento ↑

      Chorrillo del Salto ↑

      Vista de El Chaltén do Mirador de Los condores ↑
      Dia 09/01
      Com tempo favorável, reservei no dia anterior no próprio hostel o transfer para Hosteria Pilar, que me buscou às 8h e foi passando em outros hoteis pegando turistas. 
      O percurso leva uns 30min, com uma parada num mirador para o Fitz Roy.
      Esse trajeto tem uma subida menos puxada que a trilha que sai direto da cidade e te possibilita ir e voltar por caminhos diferentes, com visões diferentes, com 10km em cada trecho.
      O caminho de ida é por bosques dentro da floresta que dão a sensação de filme, um cenário surreal, meio mágico, com pequenas subidas e descidas e o Fitz Roy te acompanhando do lado direito em boa parte do caminho. O brinde desse trajeto fica por conta do Glaciar Piedras Brancas - lindão lá no meio do nada.
      Depois ou um pouco antes do acampamento Poincenot, não me lembro bem, me deparei com umas 3 pequenas trilhas no caminho. Não reparei que uma delas tinha troncos pequenos colocados em cima e segui um pouco até perceber que tava estranho pois não havia ninguém na minha frente e nem atrás, então não pensei duas vezes e voltei. Não sei para onde elas iam, mas entravam mais na floresta, quando a trilha certa nesse ponto passava por um descampado.
      Minha dica então: sempre vá pela trilha mais batida e se encontrar pequenos troncos cruzados em alguma, essa não é a correta. Se estiver na dúvida, espere que algum turista vai chegar e você pode ir junto.
      O desespero começa mesmo no km 9 (levei umas 2h30 para chegar nesse ponto), quando você se depara com uma placa dizendo que falta 1km, com trilha de alta dificuldade desnível de 400m. Coma um alfajor, um gel de carboidrato ou qualquer coisa que dê energia e se tiver bastões de caminhada, não pense 2x e use muito!
      A subida é desgraçada, você começa achando que tá indo bem, aí os degraus de pedra começam a ficar cada vez maiores e mais molhados, você olha para cima achando que já andou bastante e vê umas formiguinhas se mexendo lá longe no alto. Nessa hora confesso que bateu o desespero, diminuí o ritmo, parei algumas vezes para respirar e apreciar a vista e uns 40min depois, cheguei na Laguna de los 3. Sério, nem todas as fotos da internet que eu tinha visto retratam o que é esse lugar! Pena que o Futz Roy tava meio tímido e encoberto durante todo o tempo que estive lá (e durante a trilha ele tava lindão todo se mostrando). 
      Sentei, comi, quase chorei, continuei para o lado esquerdo e me deparei com a Laguna Sucia, do mesmo lindo tom de azul da sua vizinha maior. 
      A volta foi punk, porque meus joelhos já podres (tenho condromalácia nos 2), resolveram que não era suficiente o problema que eu já tinha e me deram um novo no ligamento colateral lateral. Comecei a descida bem devagar, tentando não forçar muito (ilusão) e no final da descida (quase 1h depois, ou seja, mais tempo descendo que subindo esse trajeto), eu mal conseguia dobrar a perna esquerda. Continuei num ritmo tranquilo e dando graças a Deus que tudo virou uma reta quase infinita, passando por lugares lindíssimos. Depois de um determinado tempo você se depara com uma bifurcação que te dá a opção de contornar a Laguna Capri ou ir direto para Chaltén. Acredito que a distância seja a mesma, então vale a pena ir pela Laguna e ver uma paisagem linda e diferente.
      Nos últimos 3km mais ou menos, a reta dá lugar à descida (para o meu desespero e dor no joelho), mas nada muito íngreme. No último quilômetro temos o Mirador Rio de Las Vueltas com um visual lindíssimo que vale a parada. No final da trilha você chega no "finalzinho" do vilarejo, próximo a uma das ruas principais. Mortos de fome como estávamos (eu e mais um brasileiro), paramos no famoso restaurante Rancho Grande, com pratos bem servidos, wi-fi bom e preços bem razoáveis.
      Chegando no hostel, notei que meu joelho esquerdo estava muito inchado, então comecei a colocar gelo e tomar antiinflamatório torcendo para que não fosse nada sério.
      Gastos do dia:
      150ars transfer hosteria el pilar
      280ars almojanta no Rancho Grande

      No comecinho da trilha, perto da Hosteria Pilar ↑

      Glaciar Piedras Brancas ↑

      Laguna Capri vista de uma parte da trilha ↑

      Finalzinho da trilha para Laguna de los 3 (quando vc acha que a subida acabou, percebe que ainda falta mais um tanto) ↑

      Linda Laguna de los 3 e o Fitz Roy escondido ↑

      Laguna Sucia ↑

      Panorâmica da Laguna Sucia e de Los 3 ↑

      Trilha de volta para EL Chalten ↑

      Vista do Fitz Roy na trilha de volta (lembre de olhar para trás de vez em quando!) ↑

       

      Laguna Capri ↑

      Mirador Rio de las Vueltas ↑
       
      Dia 10/01
      O planejamento era fazer a trilha Lloma del Pliegue Tumbado, uma das mais bonitas segundo li e com aproximadamente 20km de percurso. Entretanto, nem tudo sai como planejado e ao acordar, meu joelho ainda doía muito, então decidi ficar de molho no hostel só tomando remédio e colocando gelo, já pensando em me poupar para o Big Ice que tinha reservado para fazer em Calafate.
      Saí apenas para almoçar, comprar frutas e alfajor.
      Gastos do dia:
      140ars almoço (pizza) no Patagonicus
      100ars 4 alfajor Milka
      40ars Kiwi, banana e maçã
      Dia 11/01
      Dia de terminar de arrumar o mochilão, fazer checkout e partir para El Calafate com o transfer que eu já tinha reservado quando cheguei no aeroporto na vinda. 
      Logo de cara, percebe-se que El Calafate é uma cidade maior, mais bem estruturada para o turismo e com mais opções. Fiz checkin no Hostel Bla Guesthouse (recomendo pela qualidade do serviço, wifi e café-da-manhã muito bons, mas possuem poucos banheiros para a quantidade de quartos disponíveis) e fui para a avenida principal pagar pela reserva do Big Ice com a Hielo y Aventura (se você não possuir cartão de crédito ou não quiser pagar IOF, manda email para eles para reservar e pagar até 1 dia antes da data escolhida) e procurar as demais excursões que eu faria.
      Com o joelho ainda doendo muito e o esforço físico requerido para o Big Ice, achei melhor mudar a reserva e acabei pagando para o Mini Trekking. A única pergunta que fizeram foi porque da mudança e quando respondi, perguntaram se eu achava que estava bem o suficiente para o Mini.
      Na Chaltén Travel, na avenida principal, fechei o passeio Full Day para Torres del Paine e quase em frente, na própria agência da Estância Cristina, fechei o pacote Discovery.
      Jantei uma omelete gigante no Pietro's e depois tomei o famoso e delicioso sorvete de calafate (frutinha típica da Patagônia que parece uma blueberry) no Helados Tito. Sério, não vá embora sem experimentar o sorvete, porque a geleia não é tão boa quanto!
      Passei no Green Market, ao lado do Pietro's e comprei uma empanada para levar na excursão do dia seguinte. Eles tem sucos, empanadas, lanches naturais e várias opções de compra para levar aos passeios.
      Gastos do dia:
      1412ars Hostel Bla Guesthouse
      3300ars Mini trekking com Hielo y Aventura
      2700ars Full day Torres del Paine com Chalten Travel
      4280ars Estância Cristina Discovery 4x4 + 500ars pela entrada do Parque Nacional (cobram junto porque no local não há fiscais que recolham o dinheiro)
      125ars Almojanta de omelete no Pietro's
      35ars Empanada no Green Market
      60ars Sorvete de calafate no Helados Tito

      Hostel Bla Guesthouse ↑
      Dia 12/01
      Dia de mini trekking no Perito Moreno! Se não me engano, eles pegam no hostel às 9h. Quase 1h de estrada até a entrada do parque nacional, onde todos os veículos param e o fiscal cobra a entrada de todos presentes no ônibus. Eu tinha lido muito que residentes do Mercosul pagam mais barato que demais estrangeiros, entretanto, isso não é mais válido e apenas argentinos tem desconto no valor.
      Quase 30min depois andando pelo parque vemos a imensidão de gelo que é o Perito Moreno em algumas curvas que o ônibus faz (para essa visão, sente do lado esquerdo do veículo).
      Quando chegamos às passarelas, uma guia nos explica o percurso e por quais deveríamos andar e ter melhor visão dos descolamentos de gelo e quais eram melhores para o tempo que tínhamos disponível. O tempo estava horrível, uma chuva grossa, muita gente abrigada na plataforma principal que tem uma pequena cobertura... mas como o clima na Patagônia é bem variável, pouco depois depois já tinha parado e um leve sol surgiu (que também não durou muito tempo). No período em que estava andando por lá e observando, vi um descolamento gigante (mas não estava com a câmera fácil para gravar) e muitos outros pequenos. Esse é o motivo porque tantos turistas esperam nas passarelas, mas é um pouco triste saber o porquê de tais rupturas acontecerem.
      Uma hora e meia depois, voltamos ao ônibus para ir até o porto de onde sai o barco que nos leva até a base para os trekkings. A navegação leva uns 15min e chegando lá, você encontra um abrigo com banheiros onde pode deixar seus pertences para levar apenas o essencial.
      Uma caminhada rápida de 5min nos leva às cabanas onde são colocados os grampones e separados os grupos por idioma (inglês ou espanhol).
      Daí começa o mini trekking de verdade: próximo às cabanas, já subimos no gelo onde a guia nos explica como andar, subir e descer e todas as demais recomendações. Nos informes da Hielo y Aventura, é explicado que o tempo caminhando no gelo é de 1h30, entretanto, nosso grupo ficou quase 2h, o que eu achei suficiente e nem um pouco arrependida de ter mudado do Big Ice, visto que dá trabalho caminhar com os grampones e requer um esforço dos joelhos (talvez você não sinta se não estiver com o joelho machucado, como eu estava).
      Durante todo o caminho, são 2 guias que dão suporte, se oferecem para tirar fotos, falam sobre os glaciares e o Perito Moreno e ao final, chegamos no famoso whisky com gelo diretamente do glaciar. Eu passei a bebida (não gosto), mas peguei uma trufa de chocolate regional que eles deram como surpresa.
      Um bônus: naquele mesmo dia mais cedo, uma caverna de gelo se abriu bem perto das cabanas dos grampones e nossa guia nos levou para ver. Que negócio incrível! Achei bem legal da parte dela porque já tinha passado do nosso horário e outros grupinhos do mini trekking não viram o que o meu viu.
      Considerações sobre o mini trekking: posso dizer apenas sobre aquilo que vivi, então aqui vai: achei o mini trekking excelente! Não fiquei com vontade de fazer o Big Ice e pelo que eu entendi e um colega brasileiro que fez me contou, a grande diferença entre os dois (além do preço, claro), é o tempo caminhando no gelo e as cavernas de gelo que se pode visitar no Big Ice. Como eu dei sorte e vi uma caverna de gelo no mini trekking, fiquei super satisfeita. 
      Além disso, toda a estrutura e o respeito que os profissionais tem com o lugar fazem com que o preço tenha valido cada centava pago.
      Mais 15min de navegação de volta, quase 1h30 de ônibus e cheguei no hostel por volta das 19h. Jantei no restaurante San Pedro na avenida principal e não anotei quanto paguei, mas comi uma pizza (para variar). Comprei umas empanadas para deixar no hostel umas bolachas para levar para Torres del Paine no dia seguinte.
      Gastos do dia:
      500ars Entrada no Parque Nacional
      70ars Empanadas no Green Market
      85ars Bolachas num quiosque

      Vista do ônibus ↑

      Nas passarelas, setor azul se não me engano ↑

      Observe o tamanho das pessoinhas lá embaixo perto da geleira ↑

      Outro grupo lá embaixo começando o mini trekking ↑

      Com os grampones nos pés (use calçado impermeável!) ↑

      Toda felizinha passando frio ↑

      Caverna de gelo ↑


      Esperando o barco chegar para ir embora ↑
      Dia 13/01
      Às 5h30 da manhã a empresa Always Glaciar me pegou no hostel depois de um pequeno susto - meu nome não constava na lista e aparentemente não tinha mais lugar disponível. Os locais de parada podem ser vistos no site da Chalten Travel (http://www.chaltentravel.com/main.php) e mesmo sabendo que seria extremamente cansativo por conta do tempo dispendido no ônibus eu quis arriscar e minha opinião: não vale a pena! hahahaha 
      As paisagens são incríveis mas o parque é imenso e de fato vale a pena perder muito mais que 1 dia por lá. Fiquei com vontade de ver mais e não recomendaria a excursão porque além dos fatores já citados, tem o clima também. Pegamos um vento absurdamente forte, não conseguimos fazer a trilha de 1h até o Mirador para os Cuernos del Paine e tivemos que voltar. 
      Não recomendo essa empresa pois o guia que estava conosco simplesmente saiu andando sem olhar para trás enquanto todos os outros estavam sentados sem conseguir andar por causa do vento e um jovem senhor americano caiu e cortou o rosto nessa empreitada. Quando chegamos na van, o guia soltou um: "eu avisei" e foi isso! Achei muito desrespeito, sério!
      O almoço é o ponto alto da excursão (já incluso no preço): num restaurante lindo ao lado de um lago lindo com vista para os Cuernos, com entrada (filé de peixe empanado), prato principal (uma carne que não reconheci e purê de batata) e sobremesa (pudim de leite), além de vinho ou refrigerantes.
      Cheguei em Chaltén em torno de 21h (o retorno deveria ser às 23h se tivéssemos feito a pequena trilha até o mirador) e fui jantar no Pietro's novamente (porque tinha wifi, era próximo do hostel, preço bem ok e eu gostei da comida).
      Gastos do dia:
      200ars Pizza no Pietro's

      Cerro Castillo ↑

      Vista ainda de fora do parque ↑

      Vicuñas ↑

      Lago impossível de escrever o nome e Cuernos del Paine ↑

      Cachoeira Salto Grande

      Pequena demonstração do vento patagônico (fiquei com medo de perder o celular e saiu isso aí) ↑
      Dia 14/01
      Não sei o que dizer sobre a Estância Cristina além de "VÁ!", SIMPLESMENTE VÁ! Uma das coisas mais incríveis que meus olhos viram até hoje foi esse lugar. 
      Existem 3 tours diferentes e eu escolhi o 4x4 porque um era mais barato mas não via tudo e outro era mais caro e tinha um trekking de 14km, então meus joelhos decidiram por mim e escolhi o conforto do carro.
      O tour começa te buscando no hostel às 7h e você leva mais ou menos 1h (não lembro com certeza) para chegar no porto Punta Bandera, onde pega uma linda embarcação e navega por quase 3h pelo Lago Argentino, com muitas pausas para foto e icebergs pelo caminho.
      Depois de tanto tempo, parabéns! você praticamente chegou no fim do mundo (ou foi assim que me senti). A estância foi criada em 1914 pela família Masters, que veio da Inglaterra quando ouviu falar sobre um lugar inóspito onde praticamente davam terras de graça a quem se interessasse. Hoje, tudo que era da família faz parte do Parque Nacional Los Glaciares, visto que não sobraram herdeiros.
      O tour começou num pequeno museu onde o guia explica sobre a história da família e você pode ver itens originais usando tanto na casa principal como itens que eles utilizavam na criação das ovelhas e para retirada da lã. De lá, um pequeno passeio em torno da propriedade principal, mostrando detalhes da flora e construções da família.
      Depois tivemos 1h para o almoço (custa 800ars se você reservar no barco e acredito que 500ars se você comprar junto com a excursão), mas não se apavore: muita gente não compra o almoço (como eu que levei minhas empanadas e alfajor) e pode comer junto com todo o restante no restaurante, sem problemas. Pelo que eu lembro, era oferecido uma entrada, um prato principal e sobremesa, além de água diretamente do glaciar da propriedade (bebidas são cobradas a parte).
      A melhor parte então: o 4x4! São dois carros que fazem um percurso de mais ou menos 40min só ida e o guia vai explicando muito sobre a história, sobre a fauna e a flora. Quando você acha que viu tudo, chega-se no Mirador do Glaciar Upsala e meu Deus, quase chorei de tão bonito! Ele delimitava a parte norte da propriedade dos Masters e eu só conseguia pensar em como eles conseguiam fazer tudo que faziam há 100 anos atrás, sem a tecnologia que temos hoje e num lugar de clima tão difícil.
      Uns 40min depois de ficar só apreciando (dica: prendam os cabelos o máximo que puderem, porque o ventinho patagônico não dá trégua e tudo vira um bolo infinito de nós), voltamos no 4x4 e pegamos o barco de volta para Punta Bandera, que não faz paradas para foto e portanto leva umas 2h, além do ônibus do porto até Chaltén, chegando por volta das 18h, quando fui bater perna no centrinho, comprar as geleias que eu queria e tals. Não jantei, só comi uma empanada e tomei um sorvetinho para me despedir.
      Consideração sobre o passeio: vale cada mísero centavo. Desde a organização, até a distância percorrida, você vê que tudo é extremamente bem cuidado, bem feito e sente que vale tudo que pagou. Recomendo mil vezes e voltaria com certeza!
      PS: eles tem um hotel e pelo que pesquisei, as diárias custam em torno de 500 dólares (sonho meu!)
      Gastos do dia:
      35ars Empanada no Green Market
      60ars Sorvete no Helados Tito
      160ars Por 2 geleias de calafate
      96ars Por 3 alfajor

      Iceberg no Lago Argentino ↑

      Iceberg diferentão no caminho (não lembro da explicação sobre a cor dele) ↑

      Parte das hospedagens da Estância Cristina ↑

      Pequena capelinha ↑

      Moinho construído pela família Masters e rio de degelo dos glaciares ↑

      Chegando no Mirador Upsala ↑

      Glaciar Upsala (todo esse lago foi glaciar ainda em meados de 1950) ↑

      Completamente apaixonada por esse lugar! ↑
      Dia 15/01
      Arrumei minhas malas e às 11h o transfer que reservei pelo próprio hostel passou para me pegar. Como fui a única passageira, o trajeto levou só uns 20min até o aeroporto. Fiz o ckeckin para o vôo que saia depois das 13h, almocei e fiquei esperando a hora de voltar para casa.
      Gastos do dia:
      150ars transfer até o aeroporto
      230ars almoço no aeroporto
       
      Sobre os hostels:
      Recomendo todos que eu fiquei, apesar dos pontos negativos já citados, todos tinham excelente localização e só isso já me conquista.
      Sobre comidas:
      Principalmente em Buenos Aires, existe opção para todos os gostos e bolsos. Eu comi a famosa carne argentina só uma vez porque de fato, não sou muito carnívora. As empanadas são outra coisa que você precisa comer pelo menos uma vez (e para isso, recomendo fortemente o restaurante San Juanino).
      Na região da Patagônia você tem que provar o cordeiro. Particularmente, achei a carne muito gordurosa e não gostei, mas valeu a experiência.
      Alfajor: 
      Experimentei várias marcas e minhas preferidas foram Negro e Jorgito da embalagem azul marinho (super baratinho e me conquistou). 
      Simplesmente esqueci de comprar doce de leite, mas tinham me recomendado a marca San Ignacio.
      Fim do meu relato e de mais um sonho realizado! 
    • Por Ale Siqueira
      Ahhh Veneza... 
      Desde que assisti o filme O Turista com o muso Johnny Depp, esse destino entrou para minha listinha de coisas para fazer antes de morrer...
      Porém, por ser uma cidade conhecida pelo romantismo, fui deixando de lado já que vivo viajando solo (tá difícil um mozão kkk).
      No entanto, esse ano a oportunidade irrecusável surgiu! Com meu intercâmbio em Malta (pertinho da Itália), era a hora de conhecer a cidade das gôndolas!!
      Vou contar então o que fiz em 2 dias por lá, conhecendo muitos pontos turísticos e também pontos não muito conhecidos! Vou falar sobre coisas que legais que você faz de graça e outras que vale a pena gastar um pouquinho! E no final, estou passando dicas para não voltar falido!!
      Primeiro conselho que dou é: Veneza é a cidade perfeita para se perder!! Bater perna e andar sem rumo... Entrar e sair de rua e aproveitar as surpresas do caminho!
      Vamos lá ao roteiro:
      1º dia
      Para iniciar o roteiro, nada melhor que partir do coração da cidade.. Piazza San Marco
      Ela é a praça principal de Veneza e considerada como salão de visitas da cidade! Muito popular pelo seu tamanho e prédios em seu entorno! A praça é considerada como ponto mais visitado de Veneza, então dá para ter uma idéia da quantidade de gente por lá né...


      Ao interessante sobre a praça é que ela é o ponto mais baixo de Veneza e quando a maré está alta, ela fica alagada transformando totalmente o cenário.
      Eu não sou fã de lugares lotados, mas a praça em si é tão bonita que vale a pena!! E fiquei um bom tempo por lá.
      Já que estamos aqui, o que mais chama atenção na Piazza San Marco, sem sombra de dúvida, é a magnífica Basílica di San Marco!!
      Ela é realmente grandiosa, acho que nunca vi nada parecido!! Uma arquitetura belíssima, considerada uma obra-prima bizantina fora do território do Império do Oriente. Para se ter uma noção de sua grandiosidade, a basílica possui 4 mil metros quadrados de mosaicos.


      A entrada na basílica é grátis, mas quem quiser entrar no museu é preciso pagar 5 euros e com essa entrada você tem direito de subir até o terraço e apreciar a vista. Para visitar o tesouro são mais 3 euros e a pá de ouro mais 2 euros.
      Continuando pela praça, contemple a Torre do Relógio, ou Torre dell’Orologio.
      Ele mostra as horas, dia, fazes da lua e zodíaco. No alto dele existem duas estátuas, um senhor e um jovem que batem as horas no sino representando a passagem do tempo. Nesse também está a figura do leão de São Marcos, um dos símbolos de Veneza.

      Ainda na praça, do outro lado do relógio, visite mais uma atração icônica de Veneza, o Campanário di San Marco.
      Essa impressionante torre possui 98,5 metros de altura, e claro, é o edifício mais alto da cidade! No alto do Campanário tem uma pirâmide, mais uma vez composta pelo típico leão e no seu topo a figura do Arcanjo Gabriel.

      Fonte: www.brandpress.com.br
      A entrada custa 8 euros.
      Ainda no entorno da praça, siga para o Palácio Ducale.
      O imponente edifício gótico, também conhecido como Doge’s Palace ou simplesmente Palácio do duque, foi construído como castelo fortificado, depois acabou sendo utilizado como prisão e fortaleza, então como sede do governo de Veneza e por fim, hoje é um importante museu.


      Quem deseja conhecer mais sobre a historia de Veneza, a visita é uma boa pedida. Um fato interessante é que o famoso escritor Casanova foi prisioneiro do local em tempos antigos e conseguiu fugir pelo telhado.
      O ingresso custa 19 Euros.
      Depois da visita ao palácio, atravesse a famosa Ponte dos Suspiros, que ligava o palácio a uma antiga prisão.
      Desse fato saiu a lenda sobre o nome da ponte, que dizia que os prisioneiros davam seus últimos suspiros de liberdade quando passavam por ela.

      Já em frente ao Palácio, caminhe pela super movimentada avenida Riva degli Schiavoni e aproveite para tirar fotos nos pontos de estacionamento das gôndolas.


      Dali você também terá uma vista linda para a imponente Basílica de San Giorgio Maggiore. Essa é uma das vistas mais famosas de Veneza.

      Depois de passear e tirar fotos, siga em direção a Ponte Rialto.
      A mais famosa e movimentada ponte de Veneza e foi a primeira a ligar as duas margens do Canal Grande. 

      Ela é linda, com muitos detalhes e uma vista linda! Possui duas rampas, onde em seu interior existem várias lojas.

      Atravesse ela para visitar o Campo San Giacometto, um antigo ponto comercial. 

      E é lá também que fica a igreja mais antiga da cidade, a igreja de San Giacomo.

      Ela fica no coração de Rialto e possui um relógio solar. A visita no interior da igreja de San Giacomo é gratuita e achei a região bem agradável e tradicional.
      Dali volte para a direção do Grande Canal e passeie pela avenida Riva degli Vin.


      Essa margem e bem bonita e possui vários restaurantes e cafés italianos. O preço é salgadinho, como tudo ao redor do grande canal, mas com certeza vale a visita.

      * DICA: Durante todo esse caminho você vai passar pelo Grande Canal que é a maior via aquática de Veneza, mas também vai passar por lindos outros pequenos canais. Existem por volta de 150 canais cortando a cidade, cada um com seu charme e sua ponte. Vale muito a pena se perder entre eles.




      2º dia
      Para o segundo dia reservei conhecer as partes menos turísticas de Veneza!! Iniciei meu dia no bairro mais genuíno da cidade o Cannaregio!
      O bairro é bem tradicional, onde você pode ver os costumes e cotidiano dos venezianos, sem muito movimento turístico! Passeie com calma, sentindo o clima!

      No bairro siga para o Gueto Judeu.
      Considerado o primeiro gueto hebraico da Europa, a região em um mergulho tradicional!! A região é linda e foi uma das coisas que mais gostei de fazer em Veneza.


      Por lá existem ainda restaurantes e lanchonetes que servem comidas e doces típicos judaicos. 
      Um lugar no Gueto que gostei muito foi a praça Ghetto Nuovo, onde vi vários judeus bem tradicionais. As sinagogas do bairro foram construídas em meio aos prédios, sem alarde, sendo até difícil identificá-las.




      Depois do passeio, siga em direção ao bairro Castello e dedique um tempinho para conhecer o Campo Santi Apostoli.
      O lugar é lindo e super fotogênico!! Por lá você poderá visitar também a igreja Santi Apostoli, comer algum lanche em barraquinhas e tirar muitas fotos na ponte do canal da praça.


      Siga novamente para a ponte Rialto para atravessar o canal e seguir até a igreja Santa Maria dei Frari. 
      Em frente a igreja, esta mais um belo campo de Veneza. Com uma ponte muito bonita!


      A igreja Santa Maria dei Frari é muito importante e abriga obras famosas, como uma escultura de madeira de São João Batista feita pelo famoso Donatello.
      O valor da entrada são 3 euros que ajudam na preservação da igreja.
      Esses foram os pontos que visitei, mas o que mais fiz em Veneza foi me perder e andar sem rumo. A cidade é linda e única... Cada cantinho aguarda uma surpresa!

       
      Dicas práticas para você economizar na sua viagem:
      Substitua o passeio de gôndola Muita gente vai a Veneza justamente para fazer o passeio de gôndola com todo seu misticismo romântico, porém, prepara o bolso. São 80 euros para mais ou menos 40 minutos de passeio pelos canais. Vale lembrar que esse valor é por gôndola.
      Mas para quem quer passear pelos canais, mas não quer gastar tanto, vale pegar um watertaxi para se locomover. Com isso você pode montar seu próprio city tour.
      Passeio panorâmico pelos canais fora da gôndola Mais uma dica é pegar a linha 1 do Vaporetto (transporte publico em Veneza) para fazer um passeio panorâmico pela cidade. A linha cruza as principais atrações da cidade.
      Lojas X barraquinhas Por Veneza você vai ficar maluco com tanta loja vendendo coisas lindas!! Desde souvenir até as famosas máscaras venezianas.

      Muitas lojas tradicionais vendem máscaras bem caras, mas se você não puder gastar muito e quiser trazer uma máscara de recordação, minha sugestão é comprar em alguma barraquinha de rua. Foi exatamente o que fiz, comprei a minha por 12 euros e ela é linda!
      Hospedagem Se não quiser falir se hospedando em Veneza, minha sugestão é ficar na região de Mestre ou Marghera. 
      Eu fiquei no Camping Village Jolly em Marghera e valeu muito a pena!! Não se assuste com o nome camping, porque lá você vai ficar em uma casinha de madeira com banheiro e wifi! Além de ter uma linda e organizada estrutura, o camping oferece uma hospedagem barata, com restaurante e mercado dentro do local e ainda transporte de ônibus ida e volta para Veneza por 5 euros.

      Em 15 minutos eu chegava na estação de trem em Veneza, já pertinho da Piazzale Roma.
      Almoço e janta Veneza possui muiiiitos restaurantes caros, principalmente perto das atrações mais turísticas e entorno do Grande Canal. Para fugir disso, dê preferência aos restaurantes nas ruelas alternativas. Além de ter muitas opções de estabelecimentos que vendem pedaços de pizza, sanduíches e até kebabs.
    • Por Minuano
      Foi difícil escolher quais destinos incluir e quais deixar de fora. Também é normal ter dúvidas sobre qual época do ano viajar. Inverno ou verão? Frio ou Calor? Escolhemos o que nos pareceu mais lógico: os dias longos do final da primavera, em dezembro, são propícios para dirigir por muitas horas com claridade. Depois de ler inúmeros relatos sobre viagens de carro passamos a aceitar que em trinta dias há um limite de possibilidades e que alguns lugares ficariam para depois. Consideramos também que gostar de estar na estrada é parte relevante da jornada. Argentina e Chile são bem longe do Rio de Janeiro.
      A saída foi direto do último dia de trabalho rumo à Taubaté. Evito o trânsito pesado da Dutra na baixada fluminense passando pelo Arco Metropolitano, estrada nova, duplicada e livre. Uma boa chuvarada me fez companhia na serra de Cruzeiro. Feito o pernoite, saio cedo de Taubaté pela excelente Carvalho Pinto/Ayrton Senna, passo pelo Rodoanel e faço a Régis Bittencourt. No Paraná deu tempo para descer a Estrada da Graciosa e fico contente por conhecer um lugar tão bonito. Pernoitamos em São Mateus do Sul, cidade pequena e charmosa.

      Estrada da Graciosa - Paraná
      Deixamos São Mateus para trás com previsão de almoçar em Erechim. Seguimos pela BR-476 e BR-153 contornando os municípios de Paulo de Frontin, Paula Freitas, União da Vitória, Porto União, General Carneiro, Água Doce, Irani, Concórdia, Marcelino Ramos, Severiano de Almeida e Três Arroios. Gosto de mapas e de ler sobre a infinidade de municípios brasileiros. Propositalmente não citei a qual estado cada um pertence. Deixo por conta de sua curiosidade. Perto do meio-dia chegamos para almoçar em uma bonita churrascaria dentro do estádio do Ypiranga, time de Erechim. A experiência gastronômica também fez parte dos planos. Seguimos com mais dois objetivos: conhecer as ruínas de São Miguel das Missões e cruzar a fronteira em São Borja para dormir na Argentina. Desde Concórdia até Passo Fundo havia trânsito de caminhões. Vale lembrar que muito da economia brasileira se movimenta por caminhões, e o sujeito que está lá dirigindo um veículo pesado também quer chegar logo e ter seu descanso. Releve quando algum deles começar uma ultrapassagem na sua frente. Uma viagem longa é um bom momento para reflexões e para exercitar um pouco de paciência.
      Horas mais tarde viramos para São Miguel das Missões. Fui sem expectativa e fiquei muito impressionado com esse lugar. Sem dúvidas recomendo a visita. Depois entramos em São Luiz Gonzaga para jantar num lugar aprazível na praça central. Era noite de sábado, a fronteira de São Borja para Santo Tomé funciona 24 horas, e não havia nenhum veículo. Apresentamos os documentos, recebemos o visto, pagamos um pedágio de R$ 42 e rapidamente estávamos liberados. Após dois dias estávamos no lado que fala espanhol e que a gasolina é vendida com 10% de álcool, e não com abusivos 27,5%. Infelizmente a BR-285 não está em perfeitas condições e a parte do interior do Paraná também tinha remendos. 

      Visitamos as ruínas de São Miguel das Missões - Rio Grande do Sul
       
      Hora de dirigir na Argentina. Primeiro algumas curiosidades geográficas. A estrada mais famosa é a Ruta 40, enorme com 5.194 km. A cidade no extremo oeste argentino equivale ao município mais a oeste do Acre. A população é muito menor que a brasileira e menor que a da Colômbia. Os estados são chamados de províncias. E resumindo ao máximo, dividiria sua geografia em três partes: o pampa argentino que é uma planície gigantesca com incontáveis fazendas; depois uma região árida e desabitada imensa do centro ao extremo sul do país; e por fim uma parte montanhosa impressionante junto à Cordilheira dos Andes que marca a extensa fronteira com o Chile. O Aconcágua, o pico mais alto fora da Ásia, é um ponto ali. E vale mencionar que as cidades economicamente relevantes são Buenos Aires e Rosário, ambas cidades portuárias, e a malha das melhores estradas segue para esses portos, e não necessariamente na direção de quem vem ou vai para o Brasil. As estradas são boas, e mapeamos que deveríamos evitar por buracos e falta de conservação a Ruta 127, a R-158 entre San Francisco e Villa Maria, e a R-33.
      Partimos cedo de Santo Tomé. Nesta cidade há uma casa de câmbio com boa cotação e é possível consultar via google. Seguimos pelas Rutas 14 e 18 até Santa Fé. Ficamos num bom hotel na saída dessa cidade. Neste caminho cruzamos o túnel sub-fluvial, que literalmente passa por baixo do rio Paraná.
       
      Depois de Santa Fé circundamos Rosario, Junin, Carlos Casares e após 820 km chegamos em Santa Rosa. Ficamos em uma hotel novo de uma rede conhecida que foi melhor do que esperávamos. Tínhamos feito quatro trechos de 800 km por dia. Para o dia seguinte programamos uma distância menor, 550 km até Neuquen, então pudemos descansar e curtir a piscina e a academia que estavam vazias. Mesmo onde não fizemos pesquisa para almoçar nós encontramos restaurantes com boa comida. Eles chamam de lomo o corte de carne macio que é como o nosso filé mignon. Filé com salada ou milanesa com batatas são pratos comuns, e servem por cortesia uma cesta de pães. Até a bebida de água com limão que eu aprecio também encontramos. Só não espere encontrar feijão brasileiro, esse não é comum.

      Depois de bastante estrada uma piscina destas é perfeita
      Após Santa Rosa o cenário da viagem mudou. A planície com incontáveis fazendas ficou para trás e entramos na travessia do deserto de La Pampa. Não é um deserto de areia fofa. É uma região seca e desabitada, com vegetação rasteira, e a estrada segue com retas enormes. Há pouco fluxo de veículos nesses locais. Some o fato do território ser muito plano, e assim as ultrapassagens em pista simples são realmente fáceis. Nesta altura já notamos a fauna de automóveis, com muitos carros compactos, diversos deles fabricados de 5 a 10 anos atrás, e entre os mais caros vimos muitas caminhonetes, especialmente Amarok, Hilux e Ranger. Vimos carros que não temos no Brasil como VW Scirocco e o novo Audi Q2. No entanto rodando pelo interior praticamente não vimos carros de sucesso aqui como Honda HR-V ou Hyundai Creta, que existem mas devem rodar mais na região de Buenos Aires.

      Atravessamos o deserto de La Pampa
       
      Pernoitamos na cidade de Neuquén e no dia seguinte fomos par os 440 km que faltavam para Bariloche, nosso primeiro destino turístico no exterior. Foi bom ter optado por fazer trechos menores nessa etapa final, assim chegamos descansados. No caminho fizemos um pit-stop em um posto chamado ACA Confluência Traful (ACA é a sigla de Automóvel Clube Argentino) que é de frente para um lindo rio de águas verde-turquesa. Ali mesmo colocamos pela primeira vez os pés nas águas límpidas que descem dos lagos da Patagônia. Nessa hora bate um encantamento que mescla a paisagem com o fato de estarmos tão longe de casa e de chegarmos ali com nosso próprio carro. Essa sensação não se explica por texto, fotos ou vídeos. Só quem viaja sem criar grandes expectativas que entende.

      Paisagem em frente ao posto - com tempo para apreciar o caminho
      Aqui o caminho fica muito interessante, o deserto saiu de cena e a região de serra se aproxima. O primeiro pico com neve aparece no horizonte. Bariloche fica a 900 metros de altitude e eu imaginava que subiria uma serra íngreme como é do Rio para Teresópolis, de Santos para São Paulo, ou de Paranaguá para Curitiba. Nada disso, a subida é mais suave. Quando vi, uma placa já informava que estávamos à beira do lago Nahuel Huapi.
      Pronto, no meio da tarde estávamos em Bariloche. Ficamos por três noites e marcamos mais duas em San Martin de los Andes, cidade próxima. Para a primavera e verão há diversas atividades ao ar livre, inclusive praia, piscina, passeios de barco nos lagos, etc. Há quem vá para fazer caminhadas, trekking, ciclismo, pesca, ou simplesmente apreciar a natureza e relaxar. Nesta época vimos mais europeus e americanos. Os brasileiros vão mais na temporada de neve. Curiosamente os argentinos consideram dezembro como baixa temporada. Em geral eles costumam tirar férias de verão depois do natal, aí passa a ser alta temporada.

      Vista do hotel - final da primavera com neve na serra

      Mirante do Cerro Campanário 
      Após três noites fomos pela Ruta 40 para San Martin de los Andes, outra cidade turística. A 40 é a estrada que segue a Cordilheira dos Andes de norte a sul. Lojas de souvenir vendem diversos tipos de adesivos e ímãs sobre ela. Nesta região, entre La Angostura e San Martin, a estrada é linda e é conhecida como A Rota dos Sete Lagos, que passa por dois Parques Nacionais e margeia diversos lagos, vales e serras. Este caminho era de terra e foi asfaltado só em 2015, e os mirantes estão devidamente sinalizados. Vimos que a estrada tem ótimas curvas e pouco trânsito, mas pegamos um dia um pouco nublado. No domingo, já instalados em San Martin, o dia amanheceu bonito e ensolarado, daí não teve outra: depois de curtir a cidade nós voltamos para Ruta 40 para repetir um pouco mais dessa estrada que tem tantas paisagens. Não imaginava que depois de percorrer mais de 4 mil km e ficar alguns dias descansando a gente pegaria o carro para rodar mais. Definitivamente nós gostamos de estrada.

      Rota dos Sete Lagos 
      Encerramos a primeira etapa na Argentina e tínhamos dois caminhos para ir até Pucón, Chile. Pucón também fica à beira de um lago e ao lado do vulcão Vilarrica. A estrada mais curta tem uma parte no lado argentino ainda de terra, ou rípio como eles dizem. O lado mais longo e asfaltado nos levava para a fronteira entre La Angostura e Osorno. Fomos pelo mais longo. Por esse caminho que cruza vales e montanhas tivemos a grata surpresa de ver um espaço ao lado da estrada com bastante neve, em pleno final de primavera, quase verão. Caminhar na neve pela primeira vez na vida quando você sai do Rio de Janeiro com seu próprio carro é algo bem especial. Fizemos fotos e seguimos. Na fronteira chilena o procedimento foi similar, a diferença é que nos pediram para retirar as malas do carro e abrir uma a uma para uma fiscalização rápida. Eles não tocam nas suas coisas, o dono da mala que abre e mostra. No Chile não é permitido entrar com carnes, frutas, e verduras.

      Neve ao lado da estrada entre La Angostura e o Chile
      Em Pucón e não tivemos colaboração climática de São Pedro. Até aqui tinha sido tudo excelente, especialmente nos dias perfeitos de sol entre Bariloche e San Martin. Reservamos três noites em Pucón e ficamos apenas duas. Tempo fechado, garoa e nenhum sinal de possibilidade de avistar o vulcão. Vimos na meteorologia que no próximo destino, 600 km ao norte, havia previsão de tempo aberto. Aproveitamos para levar roupas na lavanderia, ir na casa de câmbio, farmácia, e comprar água no mercado.
      No Chile boa parte da frota tem origem nos países asiáticos. Vimos caminhonetes mais antigas, inclusive uma curiosa Hilux cabine simples do início dos anos 80, tão menor que parecia ter o porte de uma Saveiro atual. Vimos muitos carros da Suzuki, e diversos modelos que não temos aqui como Mazda MX5, Ford F150 Raptor, e os hatchback Kia Rio e Toyota Yaris que pareciam ter porte similar ao Polo ou Argo, além de um pequeno e simpático Hyundai i10. Pena que não consegui fotografar todos eles adequadamente.
      Após Pucón subimos a Ruta 5 que é uma via duplicada e sem muitas paisagens. Aqui a velocidade praticada é de 120 km/h e vi um policial com radar em mãos. Alguns carros iam acima disso. Nós fomos com controle de cruzeiro instalado no carro e mantivemos a medida indicada. Gosto demais dessa função de acelerador constante, que nesse tipo de viagem ajuda demais. Nesses trajetos longos o tablet que minha mulher levou foi um excelente passatempo para ela enquanto eu dirigia. Ela tinha a série que queria assistir, e tivemos também muitas risadas com os shows de stand up de humor que levamos.
      Nesse dia no entanto fiquei preocupado porque no decorrer do percurso uma pedrinha atingiu meu para-brisa no canto inferior esquerdo. Na hora do impacto não percebi nada, mas após almoçarmos com o carro tomando um pouco de mormaço vimos que a partir do trinco surgiu uma rachadura de 25cm. Seguimos na estrada e o tamanho permanecia igual. Pior que estávamos indo para dois dias corridos numa região praticamente rural, com bons hotéis e vinícolas muito bonitas que tínhamos agendado e que ficam ao lado de uma cidade minúscula chamada Santa Cruz. Tratei de estacionar sempre numa sombra e fui monitorando a fissura. Rodamos bastante ali de carro e a marca aumentou pouco, menos de dois centímetros. 
      No Chile na sequência da viagem passaríamos circundando Santiago, mas esse dia de viagem era num sábado. Na sexta-feira consegui fazer contato com o responsável pelo hotel da região próxima à capital Mendoza, Argentina. Localizei no google um lugar especializado em troca de para-brisas e pedi que fizesse a gentileza de ligar para confirmar o valor e disponibilidade. Me viro bem no espanhol mas achei melhor pedir para alguém com sotaque local cotar o serviço. Explicaram que era só ir segunda às 8 horas e retirar ao meio-dia. Valor equivalente à R$ 780. O seguro que tenho pro carro cobre no exterior, mas quando liguei me explicaram que troca do vidro só fariam no Brasil. 

      Região de vinícolas do Valle Colchagua, Chile (as duas fotos de baixo são do ótimo hotel Cava Colchagua)
      Tivemos no Valle Colchagua clima perfeito com sol, piscina, tempo para degustar vinhos, comer bem e relaxar. Esse vale fica a 180 km ao sul de Santiago, recomendo ir por três dias inteiros, o que corresponde à quatro noites.
      Chegou o sábado e tínhamos que seguir viagem. Como Santiago é uma cidade grande e com trânsito intenso, passamos direto e deixamos para conhecê-la no futuro, quando pudermos ir de avião. Nossa rota era seguir até Lujan de Cuyo, cidade satélite de Mendoza, perto das principais vinícolas argentinas. O detalhe é que ainda com a fissura no vidro teríamos que cruzar a Cordilheira dos Andes por uma estrada bastante sinuosa que vai a 3.200 metros de altitude. Fiquei apreensivo por conta do trajeto e pela possibilidade de algum problema com autoridades locais. 

      Fissura no vidro - pode acontecer na estrada
      Após passar por Santiago trocamos de pista para a 57 e andamos no mesmo ritmo dos chilenos. No entanto dois policiais usando radar parou os carros à minha frente e me parou. Ele mostrou que eu estava a 115 e que aquele trecho era até 100 km/h. Comentei que dirigia desde a Ruta 5 onde a velocidade era de 120. Ficou somente uma advertência verbal e mandou seguir. Melhor assim.
      Encaramos a Cordilheira com o vidro como estava, e felizmente não tivemos nenhum contratempo. A rachadura somente aumentava quando parava sob o sol. Na segunda-feira o carro ficou na oficina e devolveram com vidro novo, perfeito e com o mesmo grafismo pontilhado nas bordas. Aproveitamos essa manhã para caminhar pelas ruas de Mendoza.
      Depois de quatro dias passeando por lindas vinícolas argentinas e excelentes restaurantes de Lujan de Cuyo e Tupungato, regiões vizinhas à capital Mendoza, chegou a hora de ir para casa. Nas regiões de vinícolas do Chile e Argentina não há lei seca, você pode provar vinhos moderadamente e dirigir.

      Tour e degustação de vinhos em Lujan de Cuyo, Argentina (Vinícolas: Tierras Altas e Kayken)
      Saímos de Tupungato após um maravilhoso almoço em uma vinícola, neste último bebi apenas água, deixamos Mendoza para trás e atravessamos outra região bastante deserta. Neste percurso fez calor - o termômetro do carro marcou 40 graus - mas o ar condicionado deu conta perfeitamente. Com o carro em movimento não há problema. O truque é: sempre que parar num dia ensolarado, procure uma sombra, mesmo que tenha que caminhar até 200 metros. Como o rumo do dia era para o leste, tivemos o cuidado de viajar na parte da tarde, com o sol atrás do carro. Pernoitamos em Merlo, pequena e bonita cidade turística no centro do país.
      Os pedágios argentinos se concentram nas estradas que vão para Buenos Aires e Rosário, pro lado afastado que fomos não havia nem pardais eletrônicos ou radares. Vimos placas de até 130 km/h e alguns chegavam trafegar entre 140 e 160. Estradas planas, retas e vazias são bem seguras. Percebemos que não valia a pena ir além de 130 km/h dado o aumento exponencial de combustível, ruídos de vento, risco de multa e etc. 
      Neste caminho nos alertaram que a província de Córdoba tem policiais trabalhando com fins arrecadatórios, regulando ultrapassagem sobre faixa contínua ou velocidade. O Google Maps, que usamos em modo offline perfeitamente, nos indicava cruzar essa província por estradas de menor porte, e não vimos ninguém perturbando.
      Depois da tarde de muito calor amanheceu chovendo bastante e vimos dezenas de árvores imensas arrancadas pela força dos ventos. Entre estradas e fazendas as árvores são muito altas e bonitas, diferentes das que vemos no Brasil. Após passar por um povoado chamado Pascanas nos deparamos com um trecho alagado. Por morar no Rio tenho alguma noção com locais alagados, mas quando você está em outro país a preocupação é maior. Pensei em dar uma volta e perder duas horas de viagem, mas isso não era bom porque a jornada prevista de 930 km era longa, e para evitar multas estávamos indo sem correria. Felizmente um Gol passou sem problemas, então nós também passamos.
      Parte extra – multa na Argentina
      Conhecia os relatos de paradas policiais nas províncias de Corrientes e Entre Rios. Suspeitei que depois da cobertura da imprensa brasileira e argentina sobre propinas essas coisas estariam mais calmas. Levamos os itens obrigatórios: habilitação brasileira, documento do carro em meu nome, seguro carta-verde, extintor e dois triângulos (em espanhol dizem mata-fuego e balizas), itens que constam no artigo 40 da lei de trânsito 24.449. Imprimi e levei a lei 24.449 de 1995 e a 26.363 de 2008. Conhecia a obrigatoriedade de trafegar sempre com faróis acesos. E levei itens citados em blogs que não foram solicitados: cambão, kit primeiros socorros, e permissão internacional para dirigir. Pro Chile precisa levar um jaleco reflexivo. Tudo comprado antes via internet. A lista de itens eu vi aqui e Levei até um formulário de reporte de incidentes que encontrei num blog para uma eventualidade. Não foi necessário. 
      No trajeto de ida vimos os primeiros policiais da Ruta 14 na divisa entre Corrientes e Entre Rios. Era perto das nove da manhã de um domingo e apenas começavam a colocar cones. Mais adiante, passando por Concórdia, fizemos um pit-stop no hotel Hathor que fica na estrada e era onde tínhamos reserva para a volta da viagem. Aqui tirei uma dúvida: os hotéis aceitam pagamento em dólares, dão troco na moeda local, mas para obter isenção de 21% do IVA é necessário pagar com cartão estrangeiro.
      Saímos desse hotel e apenas 3,4 km depois fomos parados por policiais que ficam na base móvel de um trailer sob a sombra de um viaduto. Que mancada a minha, já tinha feito 400 km em solo argentino dentro das regras e justamente após essa parada tinha saído com os faróis desligados. O dia estava muito claro e não me dei conta. Conferiram documentos, extintor e triângulos, e fui ao trailer para ser notificado. Gentilmente explicaram que poderia pagar ali mesmo com 50% de desconto ou depois em algum Banco Nación. Em nenhum momento fizeram menção de propina, e eu não deixei margem para isso. Informei que pagaria no banco. Pronto, liberado. 
      O que me deixou cabreiro foi o valor da notificação, que poderia variar de 300 a 1000 UF, e no meu caso não sei por qual motivo colocaram 300. Li na internet que isso é assim mesmo e que UF significa unidade fixa e equivale à um litro de gasolina. E a notificação de faróis apagados é considerada grave, similar à avançar sinal vermelho. A multa portanto era equivalente à 1100 reais. Nitidamente um valor desproporcional e com fins arrecadatórios. Em Mendoza nos explicaram que essas multas são definidas e arrecadadas por província, são leis locais. E comentaram que as restrições aos argentinos são ao renovar a habilitação ou para revender carros.
      Cheguei a ler sobre relatos de abono de multa, mas tinha que ser solicitado por escrito em dia útil e em prazo de 10 dias na prefeitura local. Quando li isso já estava longe, com muita estrada pela frente, e na volta passaria 20 dias depois e num final de semana. Sem chance. Tive receio porque tinha que sair pro Chile e voltar para a Argentina. Dias depois fui numa agência desse Banco Nación para pagar. Me explicaram que ali eu não quitaria, faria um depósito do valor na conta indicada e levaria um comprovante. No entanto alegando que eu era estrangeiro não puderam proceder com o depósito, o sistema exigia uma identificação local. Conclusão, tentei pagar e não teve como. Continuamos a viagem e felizmente não disseram nada ao cruzar as fronteiras ida e volta para o Chile. Entrei por Mendoza sem problemas com uma notificação aberta e um vidro trincado. 
      Na volta revisamos o plano para passar por Concórdia numa sexta em vez de sábado, assim se fosse necessário poderia ir à alguma repartição. Ressabiado, verifiquei que os bancos são de 8 às 13 horas, muito cedo pra quem ia percorrer 900 km. Decidimos fazer o trecho longo na quinta e viajar parte à noite. Passamos no ponto dos policiais às 23:30 e não havia ninguém, somente o trailer no mesmo lugar. Fica aqui o alerta: quando dirigir lá jamais esqueça de verificar os faróis. 
      Deixamos a Argentina por Uruguaiana após esperar 30 minutos de fila dentro do carro. Devolvemos o visto de turismo e até breve. Cruzamos a ponte e no lado brasileiro ninguém perguntou qualquer coisa.

      Saudade do hotel ao lado dos parreirais no Valle Colchagua 
      No Sul novamente vimos uma rodovia brasileira tratada com desleixo. A BR-290 que vai até Porto Alegre está com piso ruim. Eu poderia imaginar isso por conta das reportagens da crise do governo gaúcho e do Brasil todo. Mas depois de rodar pelos países vizinhos, que não são ricos, é estarrecedor ver a situação das coisas aqui e a incapacidade que temos de pleitear e fiscalizar melhoras.
      Ficamos um dia e meio em Porto Alegre e depois a estrada pelo litoral foi muito tranquila. Como é bonito passar na parte de serra que sobe de Joinville até Curitiba. Antes de chegar em casa parei em Taubaté e levei o carro pra a revisão, pois estava perto do limite estipulado de 10 mil km e mais mil de margem. Antes de viajar tinha feito uma revisão também. 
      O carro foi perfeito sem qualquer ressalva. Mesmo sendo leve o up! TSI não balança ao cruzar caminhões em sentido contrário. É um excelente modelo para uso rodoviário com dois à bordo. Costumo encerar o carro periodicamente, levei um kit para lavar o carro, e providenciei dois acessórios: uma capa para o capô, e um metro de tela anti-mosquito para proteger o radiador. Eu sabia que no interior da argentina usam variados tipos de tela na frente, não é bonito mas funciona, e realmente vi carros assim. Nenhum policial reparou nisso. Fixei a tela por fora da grade do para-choque amarrando com cadarços. Nessas regiões imensas com muitas áreas planas há muito mais do que mosquitos. São vespas, borboletas e um monte de pequenos pássaros que ficam no asfalto até os carros chegarem perto para sair voando. Chegamos a pegar um passarinho e por conta da tela ele não chegou no radiador.
      Também é comum perguntarem sobre os gastos. Em resumo, depois de cotar e separar o valor para os hotéis, nós consideramos a previsão de gastar 50 dólares por dia por pessoa com restaurantes para almoço e jantar e extras como comprar água, alfajores, sorvetes, farmácia, etc. Para o combustível consideramos o custo médio do Rio de Janeiro, similar ao do Rio Grande do Sul e um pouco acima dos valores de São Paulo. Na Argentina o custo da gasolina não é muito diferente, a não ser na região afastada da Patagônia que tem combustíveis subsidiados pelo governo, chegando a ter 22% de redução. No entanto os gastos com alimentação na Patagônia são um pouco mais altos. No planejamento consideramos fazer 15 km/l e previsão de rodar 10 mil km. Ao todo rodamos mais, 11 mil km, com média geral de 17 km/l. Planejamento é realmente um item muito importante para que uma viagem como esta seja um sucesso. 
      Foram portanto 26 dias fora de casa. Particularmente considero que o ideal é viajar à dois, no conforto dos bancos dianteiros de um carro, sem carga máxima, conhecendo bons hotéis e restaurantes, e com uma boa poupança prévia. Penso nos bancos da frente de um carro como uma espécie de “primeira classe”, afinal os bancos reclinam bastante e o campo de visão é excelente. 
      Não fizemos esta viagem de carro porque seria mais barato do que ir de avião, e talvez nem o seja. Por via aérea um casal ficaria menos dias fora de casa, gastando menos com hotéis, portanto compensando gastos dessa forma. No retorno do nosso percurso vimos um casal que viajava num SUV grande levando quatro crianças que pareciam ter todas abaixo de cinco anos. Em cinco minutos de conversa no saguão do hotel um dos pimpolhos já havia batido a cabeça com força num mármore, enquanto o pai seguia preocupado em conversar comigo e anotar dicas de estradas. Sinceramente, eu acredito que viagens de carro realmente muito longas são coisas para adultos, por diversos fatores. Primeiro porque crianças e mesmo adolescentes são mais sensíveis às variações de comida, de temperos, de temperatura, de humidade, etc. Segundo porque para eles é difícil compreender o desafio e a satisfação de realizar trajetos tão longos, terceiro porque cada faixa etária tem preferências próprias, e a criançada em geral quer parquinho, quer correr, gritar, bagunçar, rir, etc. Ficar inúmeros dias confinados no banco de trás de um carro não é a mesma coisa pra eles. Mas para os que realmente querem viajar com filhos eu recomendaria fazer diversas viagens menores pelo Brasil mesmo, e sempre com muita margem para replanejamento, trechos menores, etc.  
      Pra nós fazer esta viagem de carro era o que queríamos fazer, e estávamos tão bem preparados que pra nós não foi tão cansativo como imaginei que poderia ser. Viajar é bom demais, recomendo! 
      Todas as fotos reservadas por Pedro Mazza e Claudia Queiroz. Algumas delas usando tripé. 
       

×