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Viagem de moto ao Brasil Central: Chapada dos Veadeiros, Jalapão, Chapada Diamantina e Serra do Espinhaço


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  • Colaboradores

BRASIL CENTRAL - 23 DIAS

 

Não sei bem onde tudo começou, mas tinha a ver com a vontade de conhecer o Jalapão e de viajar muito numa moto. O planejamento teve início por volta de agosto de 2014, e de lá até junho de 2015 muitos lugares foram incorporados e retirados do roteiro. Claro que não é preciso tanto tempo assim para planejar uma viagem de moto, mas foi tempo suficiente para aprender mais sobre os lugares, estimar os gastos, preparar a DR e decidir o que levar.

Antes de relatar o que aconteceu nesses 23 dias viajando de moto pelo Brasil Central, gostaria de agradecer a todos que contribuíram, direta ou indiretamente, compartilhando dicas e relatos, seja em fóruns, blogs ou pessoalmente. Foi tudo muito útil. Agradeço aos meus pais, não só por me presentearem com um par de pneus e um capacete novo, mas por tudo. Não posso deixar de agradecer as meninas, Giu - disposta pra tudo, menos pra trilhar na escuridão -, Luciana e Larissa, que me acompanharam na viagem e sofreram na minha mão. E também a todos aqueles que conheci durante a viagem e que contribuíram de alguma forma.

Esse Brasil é grande e bonito demais, e ainda tem muita gente boa nesse mundo. Planos foram feitos para serem cumpridos, SIMBORA!

 

1-8 CHAPADA DOS VEADEIROS

 

1º: Belo Horizonte - Bezerra (Formosa-GO)

 

Monografia devidamente apresentada e corrigida, moto preparada, tudo pronto para a viagem. Sairíamos na segunda, 13/7, mas a Giulia teve uma infecção alimentar durante o fim de semana e adiamos para terça, dia 14/7. Na terça, então, por volta de 8h00, deixamos a casa da Giu rumo a Goiás, nosso primeiro destino seria o famigerado Poço Azul, próximo a Formosa.

 

O dia pode ser resumido em: ACELERA!

 

O fato engraçado do dia foi proporcionado por um erro de cálculo. A primeira parada para abastecer seria em João Pinheiro, cerca de 400km de BH. A DR chegaria lá tranquilamente (coloquei nela um tanque de 18,5L), mas, somando-se o fato de ter andando um pouco com ela em BH antes de partir com a bagagem pesada, o resultado foi: pane seca a cerca de 3km do posto de João Pinheiro. A sorte é que as meninas, de carro, estavam um pouco atrás. Logo que parei a moto elas apareceram e foram lá pegar um pouco de gasolina pra mim, economizando meu esforço de empurrar a DR até o fim da subida.

 

Até Unaí a paisagem é bem monótona, retas extensas, poucas curvas, pouco tráfego, muitas pastagens e fazendas sem fim. Chegamos lá por volta de 16h30, tomamos um pouco de água, lavamos o rosto, comemos umas mexericas e já partimos em direção a divisa MG/GO. De Unaí pra frente a paisagem melhora sensivelmente, aqui já aparecem as primeiras chapadas e o planalto já não está totalmente tomado pela agricultura.

 

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O asfalto acaba na divisa dos estados e reaparece 14km depois, já na cidade de Cabeceiras. Chegamos já no final da tarde e decidimos seguir até o Poço Azul. Seriam mais 30km por terra, numa estrada bastante movimentada por caminhões e carretas.

 

Fiz o trajeto de Cabeceiras até o Poço Azul pelo wikiloc e passei o arquivo para o GPS. Em um determinado instante, já próximo da bifurcação que leva o poço, o trajeto mandava seguir em frente, por dentro de um pivô central, enquanto a estrada se dividia para a esquerda e para direita. Depois de pensar e analisar o caminho que seguia à esquerda, percebi que ele contornava o pivô e se encontrava mais adiante com a estrada indicada. Por lá seguimos e logo tivemos a primeira emoção da viagem: um lamaçal. Tinha poucos metros, é verdade, mas era ideal para treinar uns tombos de moto ou um carro atolado no meio de infinitas fazendas. No fim foi bem mais tranquilo que pensamos, passamos facilmente por lá e logo chegamos ao Poço Azul, onde fomos recebidos com uma imensa placa: ACESSO PROIBIDO.

 

Como a intenção era acampar lá por perto e não encontramos maneira de ultrapassar a cerca (cujo espaçamento estava de acordo com as normas da ABNT), nem achamos legal montar nossa barraca na beira da estrada, decidimos seguir por mais 35km até Bezerra, um distrito de Formosa. Assim que apareceram os postes vimos a Pousada e algumas coisa Martins. Exaustos depois de percorrer 760km, pedimos asilo por lá e conseguimos um lugarzinho para montar a barraca por 20 pratas, com direito a ducha fria, banheiros limpos e grama fofa.

 

2º Poço Azul (Formosa-GO) - Vale do rio Macaquinho (Alto Paraíso-GO)

 

Na manhã seguinte conversamos com o Uilton, que nos recebeu na pousada, falamos sobre o Poço Azul e ele confirmou que realmente estava fechado, mas que talvez seria possível entrar pra dar uma olhada. Como não andamos 760km pra passar direto por ali, resolvemos seguir pro poço. Mais 35km em uma estrada de condições medianas, com muitos buracos e costelas.

 

Chegamos e não havia ninguém por lá. No caminho vimos pelo menos três placas indicando que o acesso estava proibido, mas elas só existe no sentido Bezerra-Poço, quem sai de Cabeceiras não vê essas placas. Com a luz do dia foi possível ver um furo no canto da cerca, seria nossa passagem. Caminhamos algo como 100m sob a sombra das copas e de cara já vimos uma árvore pichada (!), o que mostra que os antigos visitantes não souberam apreciar o local.

 

Sou contra essa ideia de proibir o acesso a um local ~natural~, até porque acho que é preciso conhecer para se sensibilizar e preservar. Proibir acaba por separar ainda mais a sociedade e o ambiente, então o ser humano vê a cidade como seu único hábitat e esquece da importância do resto, daquilo que foi construído pelo tempo. Por outro lado, contradizendo meus próprios ideiais, vendo toda a tragédia dos comuns no caso específico do Poço Azul, entendo que a proibição teve seus motivos e foi importante. Porém ainda acho que os atores locais devem repensar a posição tomada e fomentar o turismo de forma consciente na região.

 

O que importa mesmo é que o Poço Azul é espetacular, sem palavras para descrever, talvez uma foto consiga representar um pouco do que é o lugar.

 

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Depois de muito contemplar a beleza do Poço, voltamos para a pousada, pegamos nossas coisas e seguimos para a Chapada dos Veadeiros, nosso primeiro destino seriam as cachoeiras do Macaquinho, um pouco antes de Alto Paraíso.

 

Passamos por dentro de Formosa, entramos e saímos do Distrito Federal, e alcançamos a GO-118. Até São João d’Aliança a paisagem é monótona, apenas fazendas sem fim e chapadões no horizonte. Depois de São João a vista se torna mais atraente, mas aos poucos, a cidade é considerada o portal da Chapada. Sem saber se teriam placas indicando a entrada para o Macaquinho, calculei a distância desta até um ponto de referência, que seria a cidade de São João. De acordo com o Maps seriam 54,2km. No mundo real deu um pouco mais, mas a entrada estava lá igual. Também havia uma placa, mas ela está um pouco judiada, então o motorista pode passar direto sem perceber.

 

A estrada de terra para o Macaquinho é bem sinalizada e está em boas condições, com exceção da última descida. Minha recomendação pra quem vai de carro 1.0 é: NÃO DESÇA ATÉ O FINAL. Assim que avistar a placa de ‘400m para Macaquinhos’, estacione e vá o resto a pé. Como chegamos lá no começo da noite e não tínhamos muita visibilidade do que era a estrada, descemos até o fim e descobrimos a encrenca do outro dia só depois.

 

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Cheguei no Santuário, desci da motos e dei uma olhada por lá enquanto as meninas não chegavam. De cara uma notícia não muito agradável para meus parâmetros: a diária do camping era 50 PRATAS! Como já estávamos lá e já era noite, não tinha muito pra onde correr. Era chorar um pouco com o rapaz que tomava conta da área. Ele disse que no outro dia conversaria com a gente…

 

O Santuário em si é bem agradável, mas não vale nunca 50 pratas pela dormida. A área de camping é extensa, bem plana e é tudo areia. São duas duchas de água fria (sem porta) e dois banheiros (com porta mais ou menos e em estado crítico) em uma área. Cozinha com fogareiro e freezer. Não tem luz. No outro dia com a claridade descobri dois novos banheiros, que estavam limpos (a galera que estava lá não devia ter prestado atenção neles). Por essas e outras não vale 50 reais a dormida, mas vale sim 20 pela visita (talvez 30 reais pelo camping seria um preço mais justo, srx. proprietárix).

 

3º dia: Vale do rio Macaquinho - São Jorge

 

Acordei com a claridade do dia. Giulia queria dormir mais um pouco e as meninas levantaram só depois. Aproveitei pra dar uma voltinha por lá, o Sol ainda nem iluminava o vale. Tomamos café e logo arrumamos nossas coisas para conhecer as cachoeiras do Macaquinho. Tendo em vista o preço exorbitante do camping decidimos por ir pra São Jorge ainda hoje. Pra isso teríamos que curtir as cachus, almoçar e arrumas as tralhas de volta num horário bom, pra não pegar a estrada (principalmente a subida da morte) durante a noite ou no fim da tarde.

 

A trilha tem aproximadamente 4km de extensão, passando por 7 cachoeiras ou poços para banho. O caminho é autoguiado, não tem errada, exige um pouco de preparo físico na descida para alguns poços, mas nada de outro mundo. O que pode surpreender os menos preparados é o Sol do cerrado, que é bruto.

 

Pé na trilha e em menos de 100m já quase pisei numa cobra enquanto marcava um ponto no GPS. Ela era pequena, parecia pra mim uma jararaca, mas como não sou especialista… enfim, só fiquei mais atento ao mexer no GPS desde então. Rapidamente se chega na primeira queda e, logo depois, primeiro poço, é o Poço Sereno. Como ainda era cedo e o Sol mal aquecia ainda, deixamos pra volta. De qualquer forma, era bem convidativa as águas verde esmeralda.

 

Seguimos mais um pouco e encontramos a entrada para a cachoeira da Pedra Furada. Só pra ver mesmo, não tem onde se banhar e, pros menos acostumados, é bom ter algum cuidado ao andar sobre as rochas.

 

Mais um pouco de caminhada e a entrada para a cachu do Banho Pelado, como o próprio nome tenta dizer, é uma cachu pra nudismo. Descemos até lá, a descida aqui é bem pesada. O rio aqui se aperta num cânion, então durante a manhã bate pouco Sol lá. Não achei nada demais na cachoeira, apenas uma pequena queda e o rio que se espalha um pouco depois, só se o sujeito for fissurado em nudismo mesmo.

 

Caminhamos um pouco mais pelo cerrado, com o Sol já esquentando e logo avistamos um grande poço, porém sem um caminho até ele. Então seguimos adiante e encontramos o Poço do Jump e, logo abaixo, a Cachoeira da Luz. Parece que o pessoal gosta de nomes que representam bem o local, nesse Poço do Jump dá pra pular do alto de uma rocha (por onde passa a trilha) até o poço, sem o risco de perder os movimentos do corpo. Não é muito alto, bom pra quem ainda tá começando nesses saltos. Foi aqui que demos nosso primeiro mergulho nas águas verde-esmeralda da Chapada dos Veadeiros.

 

Depois do refresco e de calangar no Sol, resolvemos descer para as duas últimas cachoeiras. Tinha maior expectativa em relação a Cachoeira da Caverna, que achei bem bonita e com um poço bom pra nadar, pelas fotos. A realidade correspondeu à expectativa criada, poço muito bom, queda acessível e alguns lugares para saltar.

 

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A última cachoeira, a do Encontro, também vale a pena. A queda é bem bonita, como o próprio nome sugere, são dois rios que se encontram no meio da queda. O poço é meio apertado entre paredões, mas ainda assim dá pra nadar tranquilamente, o que pode faltar é Sol.

 

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Depois de aproveitar bastante, principalmente as duas últimas, voltamos para o acampamento, onde fizemos nosso almoço e arrumamos nossas coisas, já que seguiríamos para São Jorge. A Giulia estava meio ressabiada sobre o carro vencer a subida da morte, então combinei com ela de subir com a moto até um ponto bom para parar e esperar pra ver se ela conseguia subir também. Caso contrário, desceria e tentaria subir com o carro.

 

Com alguma tranquilidade subi com a moto e parei numa abertura da estrada à esquerda. A subida é bem difícil pra carros 1.0, além de muito inclinada, há uma terra bem fina sobre as lajes, que dificulta a tração do carro. O negócio seria subir no embalo. Assim que desci da moto e olhei para o final do morro, vi o Gol subindo bem devagar. Não deu outra, morreu. Por sorte tinha uma galera subindo a pé (eles haviam deixado o carro na placa de 400m) e um se habilitou a subir com o carro, então nem precisei descer o morro. O cara deve ter voltado lá no acampamento pra pegar embalo. De lá de cima vi o carro aparecer numa velocidade, saltando sobre as lajes, sacudindo de um lado pro outro e patinando na terra fina. Uma hora achei que não ia ter como, mas o Gol foi valente, tracionou e conseguiu subir. Alívio geral. Passada a pior parte, a Giu assumiu o volante e seguimos tranquilamente pelo resto da estrada de terra. Chegamos no asfalto e já era noite.

 

Passamos em Alto Paraíso para sacar dinheiro. Quer dizer, só eu iria sacar dinheiro. As meninas aproveitaram e compraram algumas pulseirinhas na praça da cidade. Tinha até uma pista de skate lá. Alto Paraíso me lembrou um pouco de São Tomé das Letras, uma penca de ~hippie~ vendendo arte, alguns enchendo o saco. No fim São Tomé tem uma atmosfera melhor. Achei Alto Paraíso bem comercial, voltada pra turistas mesmo. E o pessoal lá fala mal de São Jorge. Engraçado.

 

Depois de não conseguir indicação de camping e comer uma pizza na praça, seguimos para São Jorge. Estrada vazia. Paramos em algum lugar depois do Jardim Maytreia para admirar as estrelas. Era semana de lua nova, então tínhamos bastante visibilidade. Depois de várias tentativas frustadas de tirar uma foto das estrelas, muito por causa da ação do vento e pela falta de um tripé, seguimos adiante.

 

Chegamos em SJ por volta de 9 horas, acredito. Cidade estava bem movimentada, muitos carros estacionados na rua. O Enconto de Culturas estava para começar. Sem nenhuma indicação de camping, saímos a procura, de preferência um fora da rua principal. Seguimos em direção ao Parque Nacional mas só encontramos campings lotados. Eis que quando pensávamos no que fazer, vimos um muro escrito: Camping da Dona Ana (aliás, é uma característica comum de SJ pintarem o nome dos proprietários nas paredes). Fui lá saber do que se tratava e fui recebido pelo filho dela. Ele me mostrou a área, não era das maiores e nem das melhores, mas não estava cheia e o preço estava justo, 20 reais a diária. Ficaríamos três noites por lá. Pagamos adiantado, acho que é política do pessoal da região. O filho da Dona Ana permitiu que eu guardasse a moto dentro da propriedade, que nada mais é que um quintal. O carro teve que ficar na rua. Por sorte conseguimos estacioná-lo bem na entrada da casa, mas as vagas por lá são concorridas. Seriam três noites de chão duro.

 

4º São Jorge: Trilha dos Saltos (Parque Nacional Chapada dos Veadeiros)

 

Chapada dos Veadeiros é mais ou menos assim: tudo ao redor do Parque custa uns 20 reais por cabeça pra entrar. Então priorizei as trilhas gratuitas e as atrações imperdíveis. Os dois primeiros dias em São Jorge tinham como destino principal o Parque Nacional. Chegamos lá cedo e o negócio já estava cheio, parecia excursão de escola. Tivemos que assistir um vídeo sobre o PNCV e como se portar num ambiente daqueles. Ainda bem que era um vídeo bem curto. Aqui ficamos sabendo que o atrativo Corredeiras estava temporariamente suspenso (fora do cardápio), pois estavam melhorando o acesso por lá. Bem na alta temporada, isso que é planejamento!

 

Escolhemos a trilha para os Saltos, cartão-postal da Chapada. Enfrentamos um pouco de congestionamento ao sair da sede, pois, no começo, só tem como andar em fila indiana. Depois da bifurcação para o Cânion a coisa melhorou e seguimos tranquilamente até o fim do caminho. Em julho o Sol do cerrado castiga sem dó. Tem sombra em algumas partes do trajeto, mas, no geral, a trilha é bem exposta. É praticamente só descida desde a portaria até os Saltos, o desnível final, que leva ao leito do Rio Preto é bem acentuado, que exige um bom preparo na volta. Não há fontes de água pelo caminho, pelo menos foi assim em julho. São aproximadamente 4.700m da portaria do PNCV até o Rio Preto, então é bom caprichar nas garrafinhas de água (pelo menos duas) e no lanche (o tracklog está disponível AQUI).

 

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O Rio Preto é excelente para nadar, embora o Parque limite a área de banho a um trecho pequeno do rio (não é permitido nadar próximo a queda por medida de segurança). Ficamos por lá praticamente o dia inteiro, nadando e calangando nas pedras. Estava bem cheio, mas como chegamos relativamente cedo, encontramos lugar para deixar as coisas. Na volta descemos pelas pedras do rio até o Salto 120, de onde se pode contemplar a queda e o vale do rio Preto, que se abre adiante. Ficamos pouco tempo lá e, quando estávamos de saída, apareceram dois monitores do Parque dizendo que não poderíamos ficar ali, que era perigoso (claro que o PNCV tem que zelar pela segurança dos visitantes, mas, enfim...)

 

Depois de nadar o dia inteiro a volta foi bem cansativa. Praticamente rastejamos no caminho de volta. Pra piorar as coisas, tínhamos pouca água e nada de comida. Um passo de cada vez chegamos na vila em busca de um almoço, pois a possibilidade de chegarmos no camping e prepararmos uma refeição tendia a zero. Depois de avaliar alguns restaurantes, comemos em um self-service com preço razoável. O prato caprichado (não era tipo pedreiro) saiu por 11 reais. Deu até pra pedir um suco natural pra acompanhar.

 

Como era princípio de festival, São Jorge estava bem cheia. Durante a noite saímos batendo perna pra cima e pra baixo, sem rumo, mas logo sentimos o cansaço e voltamos pro camping para descansar para a trilha do dia seguinte.

 

5º São Jorge: Trilha dos Cânions (Parque Nacional Chapada dos Veadeiros)

 

Parque de novo! Dessa vez resolvemos ir mais cedo e combinamos com o pessoal 08h30 lá na portaria. Como o camping da Dona Ana é perto da entrada, algo como 10 minutos caminhando, saímos em cima da hora. Estava menos vazio, é verdade, mas tivemos que esperar um outro pessoal, então acabou que não foi muito proveitoso chegar cedo. Pelo menos, dessa vez, não precisamos ver o vídeo de apresentação.

 

Dei uma caprichada no lanche, pra não repetir a exaustão do dia anterior. Quando todo mundo estava presente, puxei a fila para os Cânions. A trilha tem um declive inicial até por volta dos 2000m, depois disso é praticamente plana, com outro desnível acentuado na chegada para a cachoeira Carioquinhas (como pode ser visto AQUI). Como o dia estava com muitas nuvens, mas sem possibilidade de chuva, o Sol aliviou um pouco, porém, assim como a Trilha dos Saltos, a dos Cânions é bem exposta, e as árvores do cerrado oferecem pouca sombra. Falando em cerrado, passamos por muitas canelas-de-ema (e muitas outras velloziaceae). Em alguns pontos elas dominavam completamente a paisagem.

 

Da portaria do PNCV até os Cânions e depois a cachoeira Carioquinhas foram 6.120 metros. A caminhada é tranquila, alguns pontos exigem um pouco mais de preparo físico, mas nada de outro mundo. Ao contrário da Trilha dos Saltos, nesta há alguns pontos de água pelo caminho, o que ajuda bastante.

 

O Cânion é bem agradável, gostei mais de lá do que da Carioquinhas. A passagem da água é bem estreita, deve ser interessante vê-lo na época de cheia (o ruim é que o Parque costuma proibir as visitas nesse período). As paredes do cânion formam uma boa plataforma para saltos, das mais diversas alturas e dificuldades. A jusante do corredor estreito há um grande poço. Como chegamos mais cedo que a maioria do pessoal, conseguimos um bom lugar para deixar as coisas.

 

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As muitas nuvens e o vento frio deram uma desanimada no nosso grupo, além disso, chegou muita gente também e todos estavam empoleirados sobre as pedras ao redor do poço. Como já havíamos aproveitado o local, inclusive nadando dentro do cânion, resolvemos seguir viagem para a Carioquinhas.

 

Como disse anteriormente, a trilha até lá é praticamente plana, só há um desnível acentuado chegando na cachoeira. E é um senhor desnível. Na verdade, é uma escada que leva ao leito do rio Preto. De cima já vimos que tinha muita gente. De baixo pareceu ainda mais cheio. Ficamos numa queda com poço de menor apelo, à direita da cachoeira (considerando que se está de frente pra ela). Nadamos um pouco. Aquela muvucada toda não era muito agradável. Então lembrei do Mirante da Janela e perguntei se a galera animava de ir pra lá. Todo mundo animou, mas na hora de voltar pela trilha a maioria preferiu esperar mais um pouco (hahahaha). Na verdade, só a Giu e eu voltamos. Tínhamos pressa porque ainda almoçaríamos antes de pegar a trilha, que leva ao mirante com a vista dos dois Saltos do Rio Preto.

 

Chegamos na vila e fomos almoçar. Demos uma olhada em outros restaurantes, mas, no fim das contas, almoçamos no mesmo. A Giulia deu uma olhada em umas lojinhas de roupa depois do almoço e, assim que ela achou sua lembrancinha, tratamos de seguir para o mirante. Pegamos o carro e seguimos em direção ao Parque, um pouco antes da portaria há uma bifurcação, com placa indicativa para o mirante. É só subida até lá, com alguns trechos bem ruins, com muitos buracos, mas o Gol (valente!) subiu tranquilo.

 

No alto chegamos numa espécie de rotatória/praça, perto de uma antena. Tinha uma galera por lá e vários carros. Estacionamos num canto e já seguimos pela trilha. A trilha é bem batida e com muitos desníveis, mas sem sinalização alguma. Embora o GPS indicasse a proximidade do mirante, o por do Sol iminente, a falta de uma lanterna (esqueci na barraca!) e a dificuldade da trilha (era um perto longe), resolvemos abortar a ida até o mirante. A Giu parou em um ponto anterior, desci mais um pouco até uma espécie de mirante, mas que tinha a vista somente pro Salto 120. Ficou pra próxima, assim como a Catarata dos Couros e as cachoeiras do Segredo e Água Fria.

 

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A noite demos outra volta na cidade. Comi um pastel e uma pamonha em uma das pastelarias de lá. O dono do lugar me garantiu que tinha a melhor pamonha da região, até saber que eu era mineiro. Não que eu seja um sommelier e pamonha, mas mineiro entende dessas coisas. No final das contas ele devia ter razão mesmo (no que se refere a qualidade da pamonha), era muito boa e no restante da viagem fiquei desejando mais uma daquelas.

 

6º São Jorge - Cavalcante: Vale da Lua e Jardim Maitreya

 

Pé na estrada porque a viagem continua! Levantamos e tomamos café sem pressa, com tudo arrumado saímos para o Vale da Lua, que fica a poucos quilômetros da vila de São Jorge. No roteiro original tinha escolhido o Vale da Lua e a Fazenda São Bento como lugares pagos que valia a pena visitar ao redor de Alto Paraíso e São Jorge. Como não deu pra seguir o planejamento certinho, acabou que teríamos que escolher entre um dos dois. Ficamos com o Vale.

 

A entrada para a propriedade é bem sinalizada, há uma placa bem grande lá, inclusive outra de VENDE-SE. Por uma estrada de terra em boas condições descemos até o estacionamento. Estava até vazio. Deixamos o carro e a moto numa sombra, separamos o necessário e descemos até a entrada. 20 reais o ingresso, um pouco salgado, né? Fiquei com preguiça de chorar no valor da entrada, tendo em vista minha preguiça e o insucesso anterior lá no Macaquinho. Assinamos o livro e descemos pela trilha.

 

O caminho é bem cuidado, com algumas intervenções para minimizar o impacto sobre o solo e a vegetação, e bem sinalizado também. Meio difícil se perder por lá. O solo sumiu e apareceram as famigeradas rochas esculpidas pelo tempo. Também surgiram as placas dizendo que o visitante não podia ir ali e nem lá. Surgiram muitas pessoas e também pequenos poços, bem pequenos mesmo. Piscinas. O Vale da Lua não me cativou. Não consegui me sentir bem lá. Tentei nadar um pouco para esfriar a cabeça. E deu pra esfriar bem, gelada essa água do rio São Miguel.

 

Cacei uma sombra enquanto as meninas calangavam sobre as rochas. Quando me dei conta, vi que o lugar estava LOTADO. Tinha que pedir licença pra entrar na água. Acho que ninguém se sentiu bem lá. Arrumamos nossas coisas e voltamos pela trilha. Agora acho o Vale da Lua um lugar superestimado.

 

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Na ida para Cavalcante paramos na beira da estrada para contemplar o Jardim Maitreya. Coisa bem bonita, com o Morro da Baleia ao lado. Seria melhor se estivesse na sombra daquelas veredas. Paramos em Alto Paraíso para abastecer e almoçar. Tinha um restaurante bom perto da rodoviária da cidade, com um preço bem justo e uma torta de limão que também ficou nos meus pensamentos.

 

7º Cavalcante: Cachoeira Santa Bárbara e Capivara

 

Em Cavalcante ficamos no camping Estância Solar. Chegando na praça central da cidade, onde fica o posto de gasolina, é só seguir a estrada de terra que vai pra Colinas do Sul. Depois de passar uma ponte de madeira e dois quebra-molas, há uma entrada à direita e uma placa indicando camping. É uma espécie de sítio e estava vazio. Fomos bem recebidos pelo Fernando e sua esposa, cujo nome esqueci. O lugar tem uma boa infraestrutura e com o preço bem justo, 30 pratas e ainda dormiríamos sobre uma grama bem confortável.

 

Acordamos 07h00, queria sair cedo pois teríamos um pedaço bom de chão até a comunidade Kalunga II. A estrada está em boas condições, só piora na subida da serra, mas é coisa pouca e um carro de passeio vai tranquilo. Ressalto que a saída de Cavalcante e a bifurcação para o quilombo é bem sinalizada, então não tem errada.

 

Entramos pelo caminho da direita, que leva ao quilombo, um pouco depois demos de cara com uma travessia de água. Era bem pouca (mal sabia o que vinha pela frente!), mas temi que o carro não desse conta. Havia muitas placas de carro no local, assim como restos de carenagem. A poça não era muito grande, então fomos lá analisar. Do lado esquerdo muitas pedras e um nível menor de água (que poderia ajudar na tração mas detonar o carro). Já do lado direito não havia pedras no fundo, mas a poça era um pouco mais profunda, batia um pouco abaixo da metade da canela. Enquanto decidia por onde passar com o carro, chegou um baiano em um sedan e um senhor de cavalo, vindo do quilombo. O do cavalo garantiu que carros passam por ali e indicou o melhor caminho, que era pela margem direita da poça (pra quem vai pra comunidade). O cara de Salvador não perdeu tempo pensando e já foi passando com o sedan dele, vendo que era possível, fui lá e passei com o Gol também (se o sedan passou imagina se o hatch ia ficar agarrado).

 

Depois dessa poça não tivemos mais emoção até chegar na comunidade. Como a presença de guia é obrigatória, a estrada já nos leva direto para o Centro de Atendimento ao Turista. Lá pagamos o ingresso (20 reais) e acertamos com o guia (70 reais por grupo). Como Santa Bárbara já está bem conhecida, não é dicífil arrumar um grupo lá na hora pra dividir o valor da guiada. Nosso grupo acabou juntando com o casal de Salvador (o cara do sedan) e seguimos para a cachoeira.

 

Se não me engano nosso guia chamava Márcio, ele nos disse que dava pra ir com nosso carro até o estacionamento tranquilo. Perguntei porque sabia que havia mais algumas travessias de água para o caminho até lá. Como estávamos em julho, período de seca, arrisquei. Era isso ou andar um bocado de chão sob um Sol senegalês em um céu sem nuvens.

 

Como o tempo na cachoeira Santa Bárbara é CRONOMETRADO (cada grupo fica uma hora lá, talvez em baixa temporada deixam ficar mais), e já tinha muita gente, tratamos de seguir rápido pra tentar aproveitar melhor a cachu. Ledo engano.

 

A estrada do CAT até o estacionamento está em condições medianas, dá pra rodar tranquilo com um carro de passeio, mas é preciso se atentar para buracos e pedras. São mais duas travessias de água até o estacionamento, com mais água que a anterior. A primeira foi tranquila, se os guias servem pra alguma coisa é pra orientar o melhor caminho nessa hora. A segunda deu medo. HAHAHA. Senti a água passando sobre o capô do carro, mas o Gol , mais uma vez, foi valente e cumpriu sua missão com louvor.

 

Do estacionamento (sem nenhuma sombra pra deixar o carro) caminhamos mais um pouco, coisa de 20 a 30 minutos. Entramos pelas matas de galeria e logo temos uma pitada do que nos aguarda. Uma pequena queda a jusante da Santa Bárbara, mas com uma coloração de água incrível. Subimos mais um pouco, pelas margens do rio, até encontrar o principal atrativo. Realmente, é tudo muito bonito lá. O que atrapalhou foi o galerão, parecia mais final de semana no clube, e olha que era segunda. Alta temporada tem dessas coisas, fica a deixa pra voltar lá com menos tumulto.

 

Aproveitamos nosso tempo lá, até combinamos com um outro pessoal de ir para o Rei do Prata no dia seguinte. Voltamos para o carro e seguimos de volta para o CAT. Lá o pessoal de Salvador se despediu, eles ainda iriam pra Brasília. O Márcio entrou no Golzim Valente e fomos para a Capivara.

 

A estrada para a cachoeira Capivara não revela nenhum desafio, exceto o de desviar dos buracos. Deixei o carro numa sombra e seguimos por uma trilha em meio ao cerrado. Logo chegamos no rio, mas a cachoeira está bem mais pra baixo. Descemos, ora por trilha, ora por escadas esculpidas em pedra, até chegarmos ao poço da Capivara. Águas verde-esmeralda. Sol no capricho. Foi assim o fim de tarde.

 

Já ia me esquecendo, no caminho para o quilombo passamcomos pelo Mirante Nova Aurora, bem ao lado da estrada, que revela uma boa vista de Cavalcante, rodeada por serras. Já no alto deste primeiro patamar da serra, há uma entrada para a cachoeira Ave Maria. Seguimos alguma centena de metros por uma estrada de terra e areia, mas nada preocupante. Do estacionamento se caminha mais 100m até um mirante, com a visão da cachoeira. Não dá pra ver poço nem nada, bem estranho. A água na estiagem é pouca também.

 

8º Cavalcante: Rei do Prata

 

Das cidades que passei, na região da Chapada dos Veadeiros, Cavalcante foi a que mais me encantou. Tem aqueles ares de cidade do interior mineiro e não tem uma pegada tão comercial/turística, como Alto Paraíso e a vila de São Jorge. É um lugar pra descansar, relaxar e apreciar.

 

No dia anterior marcamos de encontrar um pessoal na praça da cidade, em frente ao posto de combustível, às 8h00. Levantamos cedo, tomamos café e saímos em cima da hora (na verdade tinha até passado), mas como o camping ficava a menos de 5 minutos da praça, não tinha problema. Ficamos lá até 8h30, nem sinal da galera, então resolvemos seguir para o Rei do Prata.

 

As cachoeiras do rio do Prata ficam na divisa entre Goiás e Tocantins, em alguns trechos o rio é a própria divisa natural entre os estados. Para chegar até lá é preciso seguir por 62km em estradas de terra, que, no geral, está em boas condições. Saímos de Cavalcante sentido cachoeira Santa Bárbara e seguimos à esquerda na bifurcação para a comunidade Kalunga. 20km após a primeira bifurcação aparece a segunda, também com placas indicativas, aqui seguimos sentido povoado São José, Vão do Moleque e cachoeiras do Prata. 20,5km após a segunda bifurcação, após passar por uma ponte de madeira, há uma entrada à direita da estrada, um caminho estreito (passagem para um só carro) com alguns trechos de areia batida e outros de cascalho. Descemos por essa estradinha estreita até chegar numa área mais aberta, que era o estacionamento. (AQUI para ver o tracklog do trajeto de carro).

 

Chegamos por volta de 10h no estacionamento e encontramos dois carros por lá. Parei numa sombra, arrumamos nossas coisas e tratamos de dar início a caminhada que, pelo que me lembrava, seria de 7km. Começamos a pernada por uma trilha que aparece à esquerda da porteira, que leva ao primeiro poço (Quem quiser ir direto para o Rei do Prata pode passar pela cerca/porteira e seguir pela estrada até ela virar uma trilha). A primeira queda fica a uns 5 minutos do estacionamento, tinha um pessoal por lá, alguns acampados e mais carros nessa outra área perto da queda.

 

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Embora a primeira cachoeira seja bem bonita, resolvemos continuar a pernada, pois o Sol já estava cozinhando e ainda era só o começo. Seguimos pela trilha da margem esquerda do rio do Prata e logo encontramos outro poço. Era um afluente do Rio da Prata, com águas bem calmas e um poço de água cristalina, que pedia um mergulho. Ainda que estivesse com muita vontade de mergulhar, deixei esse poço para a volta (acabou que não passamos por lá, ficou pra próxima). Um pouco depois cruzamos o rio para a margem direita, num ponto que lembrava um lajeado e que formava vários poços, que também instigavam um mergulho.

 

Após cruzar o rio, eis que aparece, no meio do cerrado, uma placa: vende-se caldo de cana. Achando graça segui pela trilha e logo estávamos na segunda cachoeira, que se assemelha com a primeira, mas que aparenta ter um acesso mais difícil. Como nas outras, não descemos até o poço, seguimos pela trilha e logo caímos na estrada. Sob um Sol forte e um céu azul sem nuvens seguimos pela estrada de cascalho até a terceira cachoeira. Apenas olhamos e retornamos pra estrada, descemos até o fim dela, em um trecho que temos que atravessar o rio. Como não dava pra passar seco pelas pedras, tivemos que tirar as botas e nos equiibrar sobre as pedras submersas para não cair na água.

 

Seguimos agora pela margem esquerda do rio da Prata, em um trecho que oferece um pouco mais de sombra. Adiante cruzamos o rio mais uma vez, agora por um trecho mais complicado para atravessar com as botas, pois necessita de alguns saltos e de se equilibrar nas pedras. Também tem a opção de cruzar pelo rio numa parte rasa um pouco mais a frente. Pela margem direita agora nos afastamos do rio, passamos por uma veredinha, ideal para abastercer as garrafas com água. Avistamos um rancho à direita, na verdade mais parecia um estábulo. Encaramos uma leve subida e tornamos a descer, nos aproximando novamente do rio da Prata.

 

Mais um pouco de caminhada e conseguimos avistar o rio a nossa esquerda. Entramos em um trecho com vegetação um pouco mais densa e o solo mais úmido, provavelmente um pequeno afluente do rio. Descemos em direção ao rio por degraus esculpidos por pequenas erosões e logo chegamos ao seu leito. Aqui atravessamos para a margem esquerda por uma tábua sobre a água e descemos até o nível do poço. Tinha um pessoal lá, mas eram poucas pessoas. Avistei o poço e continuei seguindo pela trilha, depois de uns 300 metros de caminhada cheguei em um mirante, onde o vale do rio da Prata se abria.

 

Retornei ao poço e por lá ficamos um bom tempo, curtindo as águas verde-esmeralda do Rei do Prata. O poço é bem grande, a queda é bem forte, então se aproximar dela é algo difícil. Era o último dia das meninas na Chapada dos Veadeiros, na manhã seguinte elas retornariam para BH e eu encararia o Jalapão, sozinho e de moto. Acho que encerramos com chave de ouro, pra mim Rei do Prata foi o lugar que mais valeu a pena na Chapada dos Veadeiros, assim como o Poço Azul de Formosa. Valeu cada quilômetro rodado nas estradas de terra do norte goiano.

 

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Por volta de 15h00 deixamos o Rei do Prata para trás. Antes de chegar no carro ainda paramos na terceira cachoeira para nos refrescar. Sem problemas voltamos para Cavalcante, pegando o por do sol no meio do caminho. Chegando na cidade fomos direto para a pizzaria, perto do nosso camping, encerrando simbolicamente nossa passagem por Goiás.

 

+++

 

Chapada dos Veadeiros, para mim, foi o lugar mais comercial de toda a viagem. Talvez pela proximidade de Brasília, que é um grande centro, e pela facilidade de acesso. Em todo canto tem uma loja, tem alguém querendo vender alguma coisa ou cobrando ingressos supervalorizados. Por outro lado, tem como escapar da muvuca de Alto Paraíso e São Jorge e conhecer lugares incríveis. Cavalcante é um desses lugares e aposto que tem outras cidades assim por lá. É um lugar para voltar mais vezes e explorar o lado B, digamos assim, como a Catarata dos Couros, as cachoeiras do Macacão e o que se encontra ao redor do Parque Nacional.

 

Julho é uma época boa para ir pelo tempo, quase certeza de dia quente e noites agradáveis. Para quem curte tranquilidade, talvez seja melhor escolher outra época. Pelas férias, facilidade de acesso e realização do Encontro de Culturas as cidades e vilas enchem, fica difícil ter um pouco de sossego.

 

Como disse anteriormente, essa pegada mais comercial-turística dos Veadeiros se reflete nos preços praticados por lá. Não são exorbitantes, mas são superiores aos preços encontrados na Chapada Diamantina, por exemplo.

 

TOTAL DE GASTOS:

 

Gasolina: 118,27$ + 50$* (*esqueci de anotar o valor do abastecimento em Alto Paraíso)

 

Hospedagem: 190$

 

Alimentação: 222,10$

 

Ingressos: 52$

 

TOTAL: 632,37$

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  • Colaboradores

9-13 JALAPÃO

 

9º: Cavalcante (GO) - Ponte Alta do Tocantins (TO)

 

Acordamos cedo, as meninas estavam de partida e tinham a esperança de chegar até João Pinheiro-MG ainda hoje. Já tinha organizado minhas coisas na noite anterior, pra não esquecer nada no carro e pra dispensar o que não teria muito uso daqui pra frente, precisava aliviar um pouco da bagagem.

 

Tomamos café e deixei a barraca e algumas roupas secando no Sol, durante a noite o ar fica muito úmido no camping, tendo em vista a proximidade com um córrego. Despedi das meninas e fiz um pouco de hora no camping, talvez pensando como seria daqui pra frente, já que seria minha primeira vez viajando completamente só.

 

Por volta de 09h00 deixei o camping e fui procurar um lugar para calibrar os pneus da moto, já que no posto de Cavalcante não tinha calibrador. O próprio frentista me indicou uma borracharia lá perto. Pneus calibrados, bagagem arrumada, era hora de partir. Tinha cerca de 530km pela frente até Ponte Alta, por estradas pouco movimentadas.

 

Realmente muito pouco movimento. A rodovia do norte goiano está em boas condições, até a divisa com o Tocantins ela margeia, de longe, a Serra da Contenda. Parei em Campos Belos para abastecer e mandar um sinal de vida pra casa, já que em Cavalcante o celular da TIM não tinha sinal (novidade!). Percebi que o respiro do tanque tinha sumido e, como o tanque estava cheio, a gasolina ficava respingando. No meio de Campos Belos vi uma oficina de moto, parei lá e o dono me arranjou outra mangueirinha. Na saída da cidade ainda parei numa agência da Caixa.

 

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De Campos Belos segui pela TO-050/BR-010 sentido Palmas. Ia parar para almoçar em Arraias, cidade histórica, mas acabei passando do restaurante e deu preguiça de voltar. Então pilotei por mais de 100km por uma rodovia fantasma, dava pra contar nos dedos os carros e moto que vi nesse trecho, o asfalto tinha muitas irregularidades em alguns trechos e não tinha praticamente nada na beira da estrada, apenas poucos ranchos isolados e rios completamente secos. Pensei que era muita sorte ainda ter asfalto por lá.

 

Sob um Sol rachando, fazendo uns 35ºC tranquilamente, parei para almoçar em Conceição do Tocantins, de frente para um posto de combustível. Pandu recheado, segui viagem passando por Natividade e Chapada de Natividade, por aqui o movimento de veículos era um pouco maior. Pouco mais de 10km após Chapada de Natividade há um pequeno trevo, sem qualquer sinalização. A estrada de terra à direita leva a Pindorama do Tocantins, são 66km até lá, um atalho para quem segue para o Jalapão (o caminho por asfalto daria uma volta de mais de 200km).

 

A estrada é de terra batida e está em boas condições. Apenas alguns trechos, já chegando em Pindorama, apresentam algumas pedras soltas. Nada demais. Cerca de 1h pilotando na terra já estou em Pindorama, que é uma cidade bem pequena. A saída para Ponte Alta não está sinalizada (pelo menos não tinha placa alguma por onde passei), mas não tem muita dificuldade, é a única (ou uma das poucas) saída asfaltada de Pindorama.

 

A rodovia Pindorama-Ponte Alta está em boas condições, asfalto novo e praticamente sem imperfeições. Poucos quilômetros após sair da cidade, em alguns trechos mais elevados, é possível contemplar toda imensidão do Jalapão e alguns testemunhos ainda não erodidos pelo tempo. Aproximadamente 39km após Pindorama há uma estrada de terra à direita que leva à Pedra Furada, um desses testemunhos.

 

É uma estrada bem batida por cerca de 8km, até a bifurcação que leva ao monumento. Daqui são aproxidamente 2km, praticamente em linha reta até a Pedra Furada. Seria muito tranquilo se esses 2km finais não fossem de MUITA AREIA. Eram as boas-vindas do Jalapão. Entrei com a moto do jeito que cheguei, andei por uns 200 metros

até a DR praticamente atolar na areia. Era tudo muito pesado, impossível de empurrar a moto em qualquer direção. Com o peso da DR apoiado no descanso, dei meia volta e retornei para o piso mais duro.

 

Resolvi tirar a bagagem da moto e abaixar um pouco a pressão do pneu. Escondi as coisas num canto, atrás de uns eucaliptos e fui pra segunda tentativa naquele areião pesado. Devo ter andando menos que da primeira vez. Foi frustrante. Já cheguei recebendo uma cacetada das areias do Jalapão. Tornei dar meia volta com a moto, prendi as coisas novamente e tirei as fotos, de longe mesmo. Até pensei em seguir a pé até lá, mas como o por do Sol já se aproximava, decidi que era melhor ficar pra uma próxima. Mais tarde percebi que poderia ter descolado uma carona da bifurcação até Pedra Furada em uma camionete ou jipe que estivesse passando por lá. No Jalapão é tranquilo conseguir carona (desde que haja alguém para dar).

 

Enquanto me preparava para seguir pra Ponte Alta, avisto duas motocas rasgando o areião. Eram duas CG 150cc. Rapaziada corajosa, pensei. Peguei um belo por do Sol na estrada e cheguei no começo da noite em Ponte Alta. Procurando lugar pra ficar cheguei na Pousada Planalto, da muito conhecida Dona Lázara. Ela me acolheu super bem e deixou que eu armasse a barraca nos fundos da pousada, por um preço mais em conta.

 

Já acomodado na pousada, passei boa parte da noite conversando com o neto dela, o Breno, que também é motorista dos passeios oferecidos pela Dona Lázara. Ele me deu algumas dicas, a principal era secar os pneus da moto, ou seja, abaixar bem a pressão. A outra era sobre como me comportar nos bancos de areia, segundo ele devia andar fora dos rastros de pneu, andar na meiuca mesmo, na parte elevada. Ele também me atualizou sobre a condição da estrada até Mateiros, que estava MUITO RUIM após a ponte sobre o rio Vermelho, a uns 50km de Ponte Alta. Também me falou que um rapaz tentou entrar no Jalapão sozinho com uma XT660, mas acabou dando meia volta assim que encontrou os panelões de areia.

 

Não nego que saí dessa conversa bastante desanimado, já pensando em um plano B para chegar à Chapada Diamantina sem passar pelo Jalapão. Pelo menos tentaria. Passaria o rio Vermelho e veria com meus próprios olhos os panelões de areia.

 

10º: Ponte Alta - Cachoeira da Velha

 

Acordei cedo, arrumei minhas coisas, tomei meu café e desci para a pousada. Falei com Dona Lázara que sairia cedo pra enfrentar o Jalapão, e que se não desse certo, voltaria para passar a noite na pousada. Ela disse que eu poderia voltar sem problemas, pediu pra assinar o livro de visitantes e falou que em alguns pontos da cidade há sinal de celular.

 

Um pouco mais animado saí da pousada. Pelo menos tentar! Completei o tanque da moto, gasolina a R$3,62/L, fui numa borracharia para secar os pneus. 15 libras em cada um. Cruzei a ponte alta e me adentrei pela estrada principal do Jalapão.

 

A estrada estava muito boa no começo, de terra bem batida. Após 15km há uma placa indicando a entrada para o Cânion Sussuapara. Entrei por uma área de estacionamento, havia uma camionete por lá. Prendi a moto e fui conhecer o cânion. Bem mais bonito que nas fotos. O clima lá dentro difere muito do exterior. Refresquei-me um pouco e decidi seguir viagem, ainda estava ansioso pelo restante do caminho.

 

Segui por mais uns 20km até perceber que tinha passado a entrada para a Cachoeira do Lajeado. Estava de frente para a entrada da Cachoeira Brejo da Cama. Até passou uma camionete com um rapaz dizendo que a cachu era boa, que podia descer até lá. Decidi voltar até a entrada para o Lajeado. Era areião puro!

 

O começo é sempre mais tranquilo, porque a areia está mais firme. Tentei seguir as dicas do Breno e andar entre os rastros de pneu, mas a DR ia sendo jogada para as cavas. Então fui por ela mesmo. Tinha um controlo bom da moto, então decidi por a segunda. Continuei tocando devagar e a moto foi ficando cada vez mais instável. Até que, não teve outra, fui pro chão.

 

Caí de um jeito que minha perna ficou presa embaixo da moto. Logo percebi que o escapamento estava queimando minha perna. Estava tudo muito pesado, mas consegui ajeitar o pé de uma forma que parou de queimar. Ainda estava preso do tornozelo pra baixo. Aquela sensação de estar queimando permaneceu, então armei um desespero pra tirar o outro pé. Tudo pesado. Venci a batalha e consegui tirar o pé. Chequei sob a calça e vi que tinha sapecado um pouco da batata da perna, nada demais. Tentei levantar a moto e não consegui. Tinha uma galera trabalhando longe, já me imaginava indo lá pedir ajuda para levantar a moto. Tinha que conseguir sozinho. Lembrei do Walace falando que era complicado levantar a moto sozinho quando se está no Jalapão. E lembrei também da melhor maneira de suspender a moto quando ela cai no chão. Com um pouco mais de jeito e menos assustado pela queda consegui suspender a DR.

 

Fiquei sentado na sombra dela, bebi um pouco de água e pensei em como chegar até o Lajeado. Ali era meu teste. Lembrei do pessoal falando sobre andar na beira do cerrado. Então vi que, do lado esquerdo do caminho, tinha um trecho mais firme e com uma vegetação bem ligeira. Segui mais alguns metros por ali, até voltar pra areia. O caminho alternava trechos muito pesados e outros menos complicados. Segui por aproximadamente 1km até decidir que era melhor deixar a DR em um canto e descer o resto a pé. Então encontrei uma grande árvore (uma das maiores que tinha no meio daquele cerrado), meio queimada e que oferecia um pouco de sombra. Deixei a moto e a maioria das coisas ali, desci só com o essencial pelo restante do caminho.

 

Até pra caminhar naquela areia era difícil, ainda mais de bota. Caminhei por uns 15 minutos até chegar no rio que formava a cachoeira. Estava sozinho por lá. Refresquei-me um pouco na água e fui explorar um pouco do local, tentando descobrir o melhor caminho para chegar no poço que fica mais abaixo. Quando voltei pras minhas coisas, encontro um grupo de 5 pessoas. O guia deles, Cristiano, me perguntou de onde eu estava vindo, porque ele não viu nenhum carro ou moto no caminho. Sinal de que a moto estava camuflada no cerrado (hahaha)! Enquanto o grupo que estava com ele se preparava para entrar na água, o Cristiano falou que o melhor caminho era descer pela cachoeira mesmo. É preciso ter alguma atenção, mas, no geral, as pedras não escorregam.

 

Desci rapidamente pelas pedras. Mais ou menos na metade da descida é preciso entrar por uma pequena trilha na margem esquerda do rio. Ali você se agarra em alguns troncos, galhos e raízes e chega no nível do poço. O Sol não batia com intensidade, já que ainda era de manhã, mas a água estava bem agradável. O poço é pequeno, não muito profundo, o que atrapalha um pouco o banho. Por outro lado é bem fácil chegar na queda, ficar embaixo dela foi praticamente uma massagem.

 

O grupo deve ter demorado uns 10 minutos pra conseguir descer até o poço. Parece que nunca pegaram uma trilha. Quando eles chegaram fiquei conversando com o Cristiano, tentando aprender mais sobre o Jalapão. Ele me atualizou sobre a condição da estrada e, de quebra, ainda me ofereceu uma carona até a moto. O grupo saiu da água e foi outra penúria pra eles conseguirem subir a cachoeira. Todos lá em cima, eles entraram na camionete, com ar gelando, enquanto eu fiquei na caçamba, curtindo um passeio no cerrado. Nisso fiquei sabendo que o Cristiano é motorista do Belêco, outro bem conhecido por quem vai ou foi ao Jalapão. Voltar com a moto até a estrada foi menos trabalhoso. De lá segui em direção a Mateiros, para descobrir o que teria pela frente.

 

Assim que passei a ponte sobre o rio Vermelho, a estrada se transformou. Até a cor do piso muda. Vi algumas máquinas que patrolam paradas no meio do cerrado e, aos poucos, os panelões de areia iam aparecendo, alguns forrados com cascalho. Os panelões possuem os mais diversos tamanhos, alternando-se entre trechos cascalhados. Como era minha primeira vez numa areia daquele nível, praticamente parava a moto antes de entrar e atravessava eles de primeira e com a ajuda dos pés. Nos panelões mais extensos, era obrigado a parar a moto no meio deles, descansar, pensar numa alternativa melhor e seguir. Sempre de primeira, com aceleração constante e com a mão esquerda bem longe da embreagem. Não caia na tentação de usar a embreagem. Assim a moto ia seguindo, com giro alto e a uns 10km/h.

 

Devagar e sempre, cheguei à Serra da Muriçoca, já próximo do entroncamento que leva a Cachoeira da Velha. Aqui os panelões de areia dão lugar a muita pedra solta. Em algum ponto da subida, que nem é tão pesada, aparece um asfalto, que enche de esperança os mais otimistas. Só por poucos metros. Após a subida chego no trevo, impossível não comemorar a vitória sobre aquele areião pesado. Aqui tinha a informação que a estrada do trevo para a cachoeira estava em boas condições, o que também foi confirmado por um motorista que voltava de lá em uma camionete.

 

A ideia de “boas condições” é um pouco diferente lá no Jalapão. A estrada que leva a Cachoeira da Velha tinha muito cascalho solto, ideal para furar pneu. É preciso ir com cuidado, embora os panelões de areia sejam mais raros.

 

No meio do caminho um trecho bom permitiu que eu andasse bem com a DR. Chegando na sede, onde mora o caseiro Guilherme, que controla a entrada para a cachoeira, aparecem algumas panelas de areia, em algumas é possível cortar pela borda, que é mais firme e cascalhada. A casa, a pousada desativada, o salão de festas e toda infraestutura da região foram construídas pelo famoso Pablo Escobar, aquele mesmo. Ele teria aberto as estradas da região e também construiu uma pista de pouso ao lado da pousada. O local seria utilizado para o refino da cocaína. A pousada chegou a funcionar entre 2001 e 2005, muito em virtude do apoio político do estado de Tocantins, dizem. Era um local de festas para os políticos do estado.

 

O camping nas praias do Rio Novo não é mais permitido, mas é tranquilo armar barraca no espaço da pousada abandonada. E ainda dá pra usar o banheiro os antigos quartos, que tem chuveiro com água quente. Da pousada são mais 9km, numa estrada um pouco melhor, mas ainda com muitas pedras, até a prainha do Rio Novo ou até a Cachoeira da Velha.

 

Cheguei por volta de 14h, o Guilherme me explicou o funcionamento do local e fui logo descer para o rio. Da estrada é possível avistar a Serra da Jalapinha ao fundo. Em alguns trechos do caminho pega o sinal de São Félix, cidade relativamente próxima, que fica do outro lado do Rio Novo. Ao lado do estacionamento da prainha tem um banheiro, mas (o masculino) estava inutilizável. Para facilitar o acesso, construíram uma espécie de passarela/escada até a praia.

 

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Arrumei uma sombra na praia pra deixar as coisas, entrei no rio e, após sair da água, fui apresentado às mutucas. Uma mosca terrível, bem enjoada e, aparentemente, em quantidade infinita. Almocei andando de um lado para o outro, tentando me livrar das picadas. A correnteza do Rio Novo é bem forte e ele está entre os rios mais potáveis do mundo, foi lá que enchi minha garrafa. Direto do rio!

 

Ia subir caminhando até a Cachoeira da Velha, mas como a trilha estava fechada deixei pro outro dia de manhã. Estava cansado de andar de moto naquela estrada. Voltei pra pousada abandonada e lá montei minha barraca. Dois casais do Rio Grande do Sul também passariam a noite lá, acabei ganhando uma janta e conversando bastante.

 

11º Cachoeira da Velha - Dunas

 

Durante a noite fiquei pensando na história que um dos gaúchos me contou (esqueci o nome de todos), sobre uma onça que atacou um pessoal acampado. Não tinha medo de onça até ouvir a história (HAHAHA) No meio da noite chegou uma família do RJ na pousada. Tem que ser animado pra rodar a noite pelo Jalapão.

 

Enquanto os gaúchos partiam em direção a São Félix ou Novo Acordo, não me lembro, tomei café e conversei com o pessoal do RJ. Arrumei minhas coisas e, assim que o Sol ganhou força, desci pra Cachoeira da Velha. A estrada é um pouco mais curta, sendo que o finalzinho dela é um pouco melhor. Deixei a DR na sombra e desci por uma extensa passarela, até encontrar a queda. É MUITA ÁGUA! Fiquei lá um bocado vendo aquele monte de água passando.

 

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Voltei para a sede e no meio do caminho parei para tentar ligar pra casa. A TIM não tem sinal direito em Tocantins, fica sempre em roaming. No Jalapão era ainda pior. Consegui falar com a Giulia, que já estava em BH, e ela passou o recado. Chegando na pousada abandonada, onde havia deixado minhas coisas, fiz um pouco de hora, arrumei a moto e segui para as dunas.

 

Para minha surpresa, o caminho do entroncamento para Cachoeira da Velha até a ponte sobre o Rio Novo estava menos pior. Ainda tinha muita areia, é verdade, mas ainda era mais tranquilo que a primeira parte. Isso ou já estava dominando as técnicas de pilotagem no areião pesado. Um pouco antes do rio aparecem umas casinhas pelo caminho (uma das únicas entre Ponte Alta e Mateiros). Aproveitei a sombra das árvores por lá e parei num bar para tomar um refri.

 

Adiante, já chegando na ponte, entrei à esquerda um pouco antes da “cabeça” dela, seguindo por uma estrada de terra e areia, ao lado de uma casa, até chegar numa prainha do rio. Lá foi minha parada de almoço e descanço, já que esperaria o Sol abaixar para entrar nas dunas. Assim que entrei na água e fui preparar a comida, as mutucas já começaram a me castigar. Não tinha como evitar as picadas. Elas eram infinitas e insistentes. Matava duas e vinham quatro. Pulando de um lado pro outro consegui almoçar e logo me sequei. Parece que quando estamos secos as mutucas esquecem da gente.

 

O Rio Novo nesse ponto tem uma largura e correnteza razoável. Não me atrevi a nadar muito pro meio dele. Aliás, as mutucas me incomodaram tanto que mal consegui nadar por lá. Já seco, aproveitando a sombra e a água fresca, tirei um belo cochilo na beira do rio.

 

Já descansado, era hora de seguir viagem. Tinha mais uns 10km até a base das dunas. Conforme ia avançando, de longe era possível visualizar os contornos da Serra do Espírito Santo. Antes de fervedouro, cachoeira, rio ou qualquer coisa, era o que eu queria ver nessa viagem toda. Realmente a vista da estrada é incrível. A estrada que alternava cascalho e areia, vira um grande panelão na proximidade da Serra. Os 5km finais são pesados. Devagar e sempre cheguei lá, na portaria das dunas (Parque Estadual do Jalapão) e na casa da Dona Benita, onde tinha esperanças de acampar durante a noite.

 

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Cheguei por volta de 15h30 (saí da Cachoeira da Velha por volta de 10h00), parei a moto perto da portaria e fui conversar com os guarda-parques e os brigadistas que estavam por lá. Sabia que da portaria até a base das dunas seriam aproximadamente 5km de areião MUITO PESADO, sem refresco. Falei que tentaria descolar uma carona com a galera que chegasse de 4x4, ou então iria a pé. Tratando-se de alta temporada (julho), seria tranquilo arrumar carona. As dunas ficam próximas de Mateiros e é o destino preferido das agências e visitantes para ver o por do Sol. Foi então que um dos guardas-parque falou que poderia pegar carona com eles, já que iriam subir de caminhão (traçado) assim que aparecessem os primeiros visitantes.

 

Por volta de 16h00 apareceu a primeira camionete. Logo depois apareceu outra. De repente era uma fila de utilitários 4x4 esperando para entrar. Tive que me arrumar as pressas, pois já estava todo mundo indo pro caminhão. Acabei me esquecendo de encher a garrafa com água, mas no Jalapão isso não é lá um grande problema.

 

Na carroceria do caminhão, que tinha até uns banquinhos, igual aqueles do Exército, fui sacodindo até o estacionamento das dunas. Realmente passaria um bom tempo ali penando com a moto, AREIÃO PESADO! Do estacionamento são mais uns 10 minutos caminhando até as dunas. Na base delas há uma verdinha, que está sendo empurrada pela ação do vento sobre a areia. Vendo fotos de anos anteriores de lá, dá pra perceber a diferença. O pessoal da Naturantins acha que em pouco tempo a areia soterrará a vereda, empurrando a água para outro lugar. Por isso a importância influenciar minimamente no ambiente, para não acelerar esses processos, que são naturais.

 

Do alto das dunas, pra qualquer lado que se olha, a vista é fantástica. As cores, o contraste entre as dunas, a serra erodida e as veredas. O Jalapão é incrível. Conforme o por do Sol ia se aproximando, mais pessoas chegavam por lá. Se não me engano (ouvi a conversa do pessoal do Parque) foram aproximadamente 150 visitantes no dia. Muito para os padrões jalapônicos.

 

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O Sol abaixou e era hora de ir embora. Como estava com o pessoal do Parque, esperamos até o último grupo se deslocar para o estacionamento. Saímos de lá com o céu já escuro. No caminho de volta, todas aquelas camionetes e jipes iam em fila indiana. Alguns trechos dessa estrada de areia conseguem ser ainda mais pesados que os demais, o que faz os 4x4 rodarem devagar. Nisso, do veículo da frente reduzir a velocidade, o de trás para. E quando para naquela areia, amigo, não adianta ter tração nas quatro rodas, bloqueio de diferencial e marcha reduzida. CAVUCA a areia e ATOLA!

 

Três carros ficaram atolados nessa saída, tivemos que ajudá-los a sair de lá. Numa dessas bateu aquele cheirão de embreagem indo embora, mas deu tudo certo e todos saíram. Pra evitar os piores trechos e não arriscar atolar as 6 toneladas à diesel, o motor tocava pelo cerrado, no conhecido VARA-MATO.

 

Chegamos na portaria e eram quase 19h00. Enquanto o pessoal se arrumava para seguir viagem para Mateiros (ficariam só dois de plantão na portaria), fui saber da Dona Benita se poderia armar barraca perto da casa dela. Quando cheguei lá ela já estava pronta pra seguir pra Mateiros de caminhão, mas me apresentou a filha dela e falou que poderia ficar lá numa boa. Então a filha dela me apresentou os fundos da casa, o banheiro e a ducha. Já era de casa.

 

Montei a barraca e quando já estava tudo pronto, ela falou que montei no pior lugar, que o vento ali seria forte. Como, naquela hora, não tinha sinal de vento, e eu já tinha passado umas noites em Lapinha da Serra, decidi correr o risco. Depois de uma ducha fria, fui dormir enquanto, em algum lugar daquela imensidão plana, o cerrado pegava fogo.

 

12º: Dunas - Cachoeira da Formiga

 

O dia começou bem cedo, antes do Sol raiar. A intenção era subir a Serra do Espírito Santo a tempo de pegar a aurora. Tomei café e arrumei as coisas. A maior dificuldade foi guardar a barraca naquela escuridão (a lanterna não estava iluminando nada). Prendi as coisas na moto e, vendo o Sol se aproximar do horizonte, parti em direção ao mirante.

 

Para minha surpresa, novamente, a estrada depois das dunas não está muito ruim. De qualquer forma, fui devagar pois ainda não era dia. O acesso até o começo da trilha do mirante é de pura areia. Tinham dois caminhos e escolhi o pior (o da esquerda, pra quem está de frente pra Serra é menos fofo), no final a moto quase atolou. Os pneus ficaram limpinhos, de tanto que rodaram na areia.

 

Deixei mochila e demais coisas presas à moto, no Jalapão parei de me preocupar com insegurança. A trilha até o alto da serra não é muito extensa, deve ter uns 800 metros, mas é MUITA SUBIDA. Provavelmente era o cansaço acumulado dos 12 dias de viagem, penei pra subir aquilo tudo. Existem quatro bancos durante a subida, recomendo parar em todos para descansar, beber água e contemplar a vista, que é incrível.

 

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Depois de suar um bocado, cheguei ao topo do chapadão que é a Serra do Espírito Santo. Não cheguei a pegar o nascer do Sol, mas ele ainda estava bem baixo. O vento lá em cima é refrescante. Além do nascer da aurora, o outro objetivo era caminhar mais 3km até o mirante que dá vista pras dunas. A pernada é feita em meio ao cerrado, com muitos pássaros, em terreno praticamente plano. O céu estava bem limpo, embora as queimadas já estivessem aparecendo, a visibilidade era muito boa lá de cima.

 

A descida foi só alegria, quase não cansa. Lá de cima vi que um pessoal tinha chegado numa camionete. Um pouco tarde, talvez. No meio do caminho de volta vi que era o Cristiano com seu grupo. Acho que aquela galera ia demorar umas horas pra chegar l’em cima.

 

Chegando na moto, percebi que a bolsa de ferramentas, que estava dentro de um saco, tinha se soltado da moto e caiu em algum lugar no caminho. Resolvi voltar até a casa da Benita, que não era tão longe (aprox. 8km) pra ver se achava pelo caminho. Não encontrei nada. Até parei um sujeito de moto no caminho, mas ele também não viu. Terminaria a viagem tendo como única ferramenta a chave para regular a corrente.

 

Segui para Mateiros por uma estrada até boa, com poucos panelões de areia, mas com algumas costelas de vaca e pedras soltas. Chegando lá parei em um dos dois postos de combustível da cidade. Não iria abastecer, queria aproveitar o sinal roaming da TIM e ligar pra casa. De quebra conversei com o frentista e ele ainda me indicou qual seria o melhor fervedouro da região: o do Ceissa (ou Ceiça?).

 

Sem abastercer segui viagem, por uma estrada até boa, por onde consegui acelerar bem, embora tivesse passado por uma panela de poeira, que me deixou todo branco. Aproximando de umas casinhas, há uma estrada uma bifurcação na estrada e a indicação para o fervedouro do Ceiça. No meio do caminho também tem a indicação para o fervedouro Buriti, mas era pura areia e não tive ânimo de entrar na estradinha.

 

Para o fervedouro do Ceiça é zero areia. O estacionamento é fora da propriedade, difícil achar uma sombra pra deixar a moto por lá. Como tinham mais carros parados por lá, resolvi levar o mochilão nas costas. Dentro da propriedade, sim, muita areia. A caminha é rápida até o fervedouro, metade em campo aberto e outra metade sob a copa de grandes árvores. Cheguei lá e havia somente um grupo, além do Ceiça, figuraça, deitado numa rede.

 

Vendo aquele mochilão ele me perguntou se eu vinha andando, que tinha muita gente que fazia isso por lá. O Ceiça administra o fervedouro, controla a entrada e a saída dos grupos. Paga-se R$10 para entrar ou tirar foto do local e o tempo de permanência de é 20 minutos, até 6 pessoas. Como estava sempre pressa, vi os grupos chegando e partindo. Alguns nem chegaram a entrar, não querendo pagar as 10 pratas ou achando aquele fervedouro igual aos outros. A verdade é que o local é bem bonito, mas não achei grande. Vi relatos dizendo que este era o maior fervedouro de lá. Imagino que os outros tenham o tamanho semelhante ao de uma banheira.

 

Quanto parou a movimentação de pessoas, percebi que minha hora tinha chegado e fui conhecer, com alguma privacidade/liberdade. A sensação é diferente lá dentro. A água é morna, a areia finíssima e não tem como afundar, por mais que se tente. A areia desmancha sob os pés. Lá consegui boiar por um bom tempo e me afastar das incansáveis mutucas.

 

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Depois de um bom tempo curtindo o fervedouro, Ceiça deu o grito dizendo que ia almoçar. Poderia ficar como administrador do fervedouro por uns tempos, mas a fome apertava e resolvi perguntar pra ele onde teria um lugar bom pra almoçar. Ele falou que poderia comer na casa dele mesmo, que o pessoal estava fazendo um almoço lá (como estava sozinho, não tinha problema em chegar lá sem encomendar nada). Pois então arrumei minhas coisas e segui pra casa do administrador do fervedouro. Pra minha alegria, chegando lá, o almoço era um tropeirão no capricho, além de vinagrete, arroz e um churrascão! Depois de dois dias sem comer comida de verdade, tirei a barriga da miséria e comi além da conta. Só não dei prejuízo porque o almoço lá saiu por 25 pratas, dinheiro bem investido.

 

De barriga cheia e sob um sol senegalês montei na moto e segui rumo a Cachoeira da Formiga. Segui pela estrada sentido São Félix, que tinha alguns trechos ruins, mas eram poucos. Pra minha tristeza um dos piores trechos era justamente na entrada para a Cachoeira da Formiga, todos os caminhos eram de areião pesado. Então resolvi seguir mais um pouco e parar no fervedouro do Buritizinho.

 

Lá conversei com o Nô, que administra o local e o Vicente, que não é aquele do camping. Queria saber se tinha algum caminho melhor pra cachoeira, com menos areia. Eles falaram que alguns caminhos foram abertos recentemente, que ainda não tinham sido tomados pela areia. Esse é um dos problemas do Jalapão, ao invés de melhorar os caminhos já existentes, a Naturantins prefere abrir um novo caminho pelo cerrado.

 

Nesse meio tempo a DR entrou na reserva. Pelas minhas contas ela estava fazendo algo como 19km/L. Diferença grande, o areião é realmente pesado!

 

Saindo do Fervedouro Buritizinho, e indo pra entrada da Cachoeira da Formiga, ignorei os caminhos que aparentavam ser mais novos, pois todos tinham muita areia fofa. Fui pela entrada principal mesmo, devia ter mais de 5 opções de trilha. Escolhi a com menos areia e fui andando por cima de um cerradinho bem ralo. Logo apareciam bifurcações e escolhia o caminho que achava menos pesado. Devem ter uns três caminhos que correm paralelo. Acho que tive sorte, peguei pouco areião e cheguei rapidinho na propriedade onde está a cachoeira.

 

A propriedade estava bem cheia, parece que a galera da região foi em peso pra lá. Enquanto procurava o melhor lugar para montar a barraca conheci um tal de João Miranda, que pelo nome e pelo tratamento que recebia das pessoas, tinha toda pinta de ser político lá em Mateiros. Nesse papo com o cara acabei provando até carne de cordeiro, e ele me indicou um lugarzinho bom para montar a barraca.

 

Como o local estava cheio, resolvi descer pra cachoeira só no fim da tarde. O poço tem um tamanho médio, a correnteza lá é forte, o que dificulta um pouco o nado, e o mais interessante é a água, que é praticamente morna - além da cor que é incrível. Fiquei um pouco lá para relaxar e depois fui lavar um bocado de roupa.

 

A área de camping da Formiga não é das melhores, mas dá pra passar uma noite tranquilo. O local peca um pouco pela infraestrutura, mas o Jalapão é bruto mesmo e tudo isso faz parte. Como o ingresso para a cachoeira é R$20, acho que compensa bem mais pagar R$30 para passar a noite por lá, podendo curtir o local com mais calma.

 

13º Cachoeira da Formiga - Mateiros - Formosa do Rio Preto (via Coaceral)

 

Como dormi bem cedo, também acordei cedo. O bom da formiga é que aquela água quase morna permite o banho a qualquer hora, mesmo com o Sol tímido da manhã. Levantei com a ideia de conhecer a nascente do rio, que segundo o GPS estava bem próximo, coisa de 2 a 3km de caminhada.

 

Fui de chinelinho mesmo, até porque tinha lavado os dois únicos pares de meia na noite anterior (já deveriam estar secos, é verdade, mas fiquei com preguiça de calçar bota). A trilha começa até batidinha, mas vai fechando com a distância. Até que chega um ponto que ela some. De chinelinho por aquele cerrado fica difícil, então deixei a nascente pra uma próxima.

 

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Voltei para o poço e tive um bom tempo para ficar de boa por lá, quase sempre sozinho. Quando os primeiros visitantes do dia começaram a aparecer, resolvi que já era hora de partir. Arrumei minhas coisas, fiz um sandubão sinistro de atum, acompanhado de paçoca de carne, e segui para Mateiros.

 

No caminho que liga a cachoeira à estrada principal dei uma escorregada na areia e a moto foi pro chão. Na verdade ela deitou, porque estava praticamente parado. Desliguei a DR e fui levantá-la. Na hora de prosseguir, a moto não quis ligar de jeito nenhum. Como estava na reserva, a primeira coisa que pensei foi que o resto de gasolinha tinha ido pro brejo. Fiquei mais um tempo tentando ligá-la sem sucesso. Até que a Coração Valente “se recuperou” do baque e ligou. Segui direto para o posto de Mateiros.

 

Reza a lenda que existem dois postos em Mateiros (realmente são dois), mas, até então, só tinha visto um. Cheguei no posto e estava tudo deserto. Como era domingo e, se tratando de Jalapão, achei que o cara tinha resolvido tirar uma folga. Pra minha sorte era apenas horário de almoço, mas fiquei lá esperando um bom tempo. Gasolina a R$4,30!!! Enchi o tanque por 80 reais, por essa não esperava.

 

Durante todo meu tempo no Jalapão, sempre perguntava pela condição da estrada que liga Mateiros a Coaceral, uma região de grandes fazendas pertencentes a Formosa do Rio Preto-BA, e todos me falavam que a estrada estava excelente. Com um tracklog carregado no GPS, segui para a 3ª etapa da viagem: Chapada Diamantina.

 

Realmente a estrada é MUITO melhor que as outras do Jalapão, mas, em compensação, é ainda mais deserta. Foram 113km entre Mateiros e Coaceral, passei por um carro, uma moto e duas carretas - estas duas já bem próximas do fim. No caminho tem a pousada Galhão, umas casinhas e muito cerrado, pelo menos no Tocantins. Ao passar pra Bahia o cerrado se transforma em fazendas infinitas. Não tem muita errada pelo caminho, dá pra fazer sem GPS, apenas com algumas anotações importantes de distâncias e referências.

 

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Chegando em Coaceral há um posto de combustível com lanchonete. De lá é “asfalto” até o entroncamento com a BR-135. Coloquei entre aspas porque o asfalto consegue ser pior que muita estrada de terra. Passam muitos caminhões e carretas por lá, então são muitos buracos nesses 70km até a BR. Parece que estão recuperando o trecho, mas não se anime, diria que 70% do trecho é só buraqueira. Cheguei em Formosa do Rio Preto no fim de tarde, para passar a noite numa pousadinha as margens da BR. O saldo desse trecho esburacado foram dois amassados no aro dianteiro, mas fui perceber isso só em Ibicoara.

 

 

+++

O Jalapão é incrível e não é tão bruto como se pensa. Claro que, se comparado a outros destinos, a infraestutura da região é mínima. Entretanto, é plenamente possível percorrer aquela imensidão com boas informações e por conta própria, sem gastar um caminhão de dinheiro. Claro que é preciso ter disposição para enfrentar dezenas de quilômetros de estradas péssimas. Uma moto ou um 4x4 ajudam bastante, mas há relatos de quem fez com carro de passeio, apenas secando os pneus e indo na coragem. GPS é opcional, basta estudar um pouco as distâncias, anotar tudo e ir, não tem errada.

 

Julho é uma boa época para se visitar a região. Noites frescas, dias quentes e céu limpo, já que as queimadas são poucas. Por se tratar de alta temporada o trânsito de veículos é maior, o que detona ainda mais as estradas da região. Para pegar as estradas menos piores, o ideal é ir no fim ou começo do período chuvoso, quando a areia está firme. No mais é pé na taba!

 

TOTAL DE GASTOS:

 

Gasolina: 179,19$

 

Hospedagem: 100$

 

Alimentação: 54,25$

 

Ingressos: 10$ (Fervedouro do Ceiça)

 

TOTAL: 343,44$

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Caramba

Viagem alucinante

Recentemente fiz um pedal da cachoeira da prata até próximo a cachoeira da Santa Bárbara na terra dos kalungas em cavalcante GO e há 1 mês fiz uma descida de caiaque da ponte do rio novo até a cachoeira da velha na região do jalapao(quem nos deixou no rio foi o Cristiano através do Belêco e o resgate também foi um parceiro deles e esqueci o nome ,aliás são guias bem honestos e recomendadíssimo).

Relembrei de vários locais que vc passou e já bateu uma saudade imensa destes locais alucinantes.

Futuramente estou pensando uma fazer uma viagem de moto nestas duas regiões além da terra ronca.

Parabéns pelo relato,bem detalhado.

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Cara, um pedal por aquelas bandas de Cavalcante deve ser muito massa, assim como o caiaque no Rio Novo. Sempre que vejo as fotos do Jalapão bate uma saudade também, lugar muito massa com uma energia muito boa. Conversei demais com o Cristiano quando estive por lá, ele deu umas dicas sobre a estrada e ideia de onde passar as noites e tal.

Também espero voltar lá em breve, só que de 4x4 pra levar uma galera junto. Valeu!

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14-18 CHAPADA DIAMANTINA

 

14º Formosa do Rio Preto - Vale do Capão (Palmeiras-BA)

 

Depois de 13 noites voltei a dormir em uma cama. Faz diferença o negócio!

 

Saí cedo de Formosa do Rio Preto, tinha mais de 600km pela frente, até chegar ao Vale do Capão (a.k.a. Caeté-Açu), vila pertencente ao município de Palmeiras-BA. Desci a BR-135 Sul até Barreiras, lá peguei a BR-242 sentido Salvador. Pelo caminho cruzei com vários outros motociclistas e grupos de motos (mais tarde fiquei sabendo que houve um encontro em Brasília).

 

O almoço foi quase nas margens do rio São Francisco, em Ibotirama. Seguindo pela BR-242, pouco a pouco, pude visualizar as serras da Chapada se aproximando. De repente aquela estrada infinita da depressão Sanfranciscana se torna aclives e declives com curvas acentuadas. Numa dessas cruzei com um caminhão que fazia uma curva metade na sua faixa, metade na contra-mão. Ah, se eu estivesse distraído por ali…

 

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Cheguei em Palmeiras por volta de 16h30, acredito. Tinha mais alguns quilômetros por terra até o Vale. O tempo na Chapada Diamantina estava mais fechado, com muitas nuvens. Aquele lugar não tem estações secas e chuvosas bem definidas, é um destino pra qualquer época do ano. A estrada entre Palmeiras e o Vale do Capão estava bem ruim, pior que ano passado. Muitos buracos e pedras soltas.

 

No fim da tarde já estava no camping do Gorgulho. Pra mim é o melhor lugar pra ficar por lá. Boa área gramada (embora grande parte dela seja dura), banheiros, chuveiros elétricos, tomadas, cozinha comunitária, tanques para lavar coisas… Tudo isso por R$15 a diária. E ainda fica um pouquinho afastado da praça central, uns 900m. Ou seja, mais sossego!

 

Depois de ajeitar as coisas e tomar um belo banho, fui até a praça central para comer o famoso pastel de palmito de jaca. Não é ruim, nem bom. Achei meio sem sal, talvez com um queijo ou uma pimenta mais saborosa fique melhor. Nesses tempos de gourmetização, fica a dica gastrô da Chapada.

 

15º: Vale do Capão - Poço do Gavião

 

Durante a noite garoou e fez um friozim bom. O dia amanheceu bem fechado, com o Sol dando o ar da graça aos poucos. Antes de iniciar a viagem (e até certo momento durante) tinha a intenção de fazer uma caminhada até o Morrão e o poço de Águas Claras neste dia. O cansaço da viagem e algum desânimo por não ter companhia pros 26km de ida e volta me fizeram repensar essa trilha. Decidi, então, tirar o dia pra conhecer o Poço do Gavião.

 

A trilha até o poço tem aproximadamente 6km (só ida), desde o centro da vila. A dificuldade é moderada, exige um maior esforço físico que técnico. Em dias ensolarados é bom caprichar no protetor e na água, pouquíssima sombra pelo caminho. Saindo da praça central é só seguir para a cachoeira Rodas e Rio Preto, acredito que todo mundo por lá deve conhecer.

 

No fim da rua, quando começa a trilha, há uma área de estacionamento com algumas árvores. Uma trilha segue rumando para uma das serras que escondem o Vale do Capão, logo começa uma subida que leva até o patamar mais elevado desta serra. Lá de cima uma bela vista da vila e da Serra do Sincorá. Mais algum sobe e desce por campos rupestres até aparecer o vale do Rio Preto, daí é só descida até o poço. No caminho existem dois pontos de água, que estão na metade final da trilha.

 

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Da descida final ao poço é possível ver algumas casinhas, na serra do outro lado do rio. Achei o poço bem reservado, se bem que era final de alta temporada e o Capão estava um pouco vazio. Durante a trilha encontrei somente um francês, que estava voltando enquanto eu encarava a primeira subida. A trilha tem algumas erradas (duas ou três), que podem confundir e levar o vivente pra lugares mais distantes, longe do objetivo desejado, mas não é tão complicado se orientar lá em cima. Na dúvida segue o tracklog: http://www.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=10393688

 

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Depois de um mergulho nas águas escuras do Rio Preto (mais escuras que as do Cipó), um cochilo na sombra. Na volta parei em um mirante para a Serra do Sincorá a para o Vale do Capão, ali fiquei pensando o quão massa seria ver o por do Sol na volta da Cachoeira da Fumaça. De volta ao camping, foi só descansar para, no outro dia, retornar a segunda cachoeira mais alta do Brasil.

 

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16º Cachoeira da Fumaça (Vale do Capão) - Ibicoara

 

Mais uma vez choveu durante a noite e o friozinho se fez presente. Deu pra dormir bem. O dia amanheceu mais fechado que o anterior. Para subir até o alto da Cachoeira da Fumaça tanto faz se é Sol ou chuva. Aliás, com chuva, é capaz da queda d’água ser até mais bonita. Com base nisso me animei pra encarar os 6km até o topo da cachoeira.

 

Fui caminhando do camping até a Associação de Condutores do Vale do Capão, lá assinei um livro e comecei a subida. Não lembrava que aqueles primeiros quilômetros eram tão extenuantes. Parei algumas vezes durante a subida. Eram os 16 dias na estrada e a alimentação mais ou menos pesando. Não encontrei com ninguém pelo caminho, cheguei lá no topo e era só eu. Curti um bocado a vista, os passarinhos e o vento incessante lá de cima. Mesmo com a chuva da noite a água na queda era pouca, igual da última vez. Logo chegou o senhor que vende refri e pastel lá no alto, esqueci o nome dele! Conversamos um pouco e logo iam chegando grupos e mais grupos. Como teria que almoçar e seguir pra Ibicoara, comecei a descer ainda cedo. No caminho de volta muitos outros grupos subindo.

 

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De volta a vila fui até a praça central para almoçar. Retornei ao restaurante onde tinha almoçado no ano passado. O prato do dia era costelinha com tropeiro. Para minha surpresa o tropeiro de lá era com feijão branco e sem farinha, que vinha separada para o vivente poder servir à vontade.

 

De pandu cheio, voltei ao camping para arrumar minhas coisas. Saí um pouco mais tarde do que esperava, ainda tinha mais de 150km de estrada, grande parte na terra. Fiz o mesmo caminho do último ano, cruzando a borda ocidental da Serra do Sincorá, passando por Guiné. A estrada até lá estava mais ruim que boa. Depois de Guiné fica bem melhor, em alguns trechos a terra batida se assemelha ao asfalto. De longe via a chuva avançando em minha direção. Chegando no asfalto consegui me afastar dela, mas nos encontramos no trevo que dá acesso a Ibicoara.

 

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Cheguei a Ibicoara no começo da noite, sob uma chuva fina e seu frio característico. De cara fui para o “escritório” do guia João. Ele me falou que não encontraria camping por lá, o que já esperava, mas que poderia conseguir algo nos povoados, no caminho para a cachoeira Buracão. Então peguei a estrada que leva para a cachoeira. A combinaçao frio + chuva + estrada ruim + noite resultou em andar só de primeira ou segunda. Avancei lentamente até chegar ao povoado de Mundo Novo, que conta com alguns alambiques e seu cheiro característico. Lá perguntei por um camping e chamaram o Joelder, que também é guia, ele me indicou um lugar para acampar, perto dali. Era o sítio da Miroca, pessoa muito simpática e aberta que administrava o restaurante Mandioca, a algumas centenas de metros dali.

 

Retornei pela estrada até encontrar a placa que indicava o restaurante. Entrei por uma estradinha vicinal, margeada por bananeiras e sem enxergar qualquer sinal de vida (é bem verdade que não enxergava muita coisa). Avistei a placa de um tal Sítio Mundo Alegre e entrei pela porteira. Lá dentro um rapaz me perguntou o que queria e contei a história toda, ele foi chamar a Miroca, que logo apareceu. Recontei a história e ela falou que poderia ficar lá numa boa. Mostrou onde poderia montar a barraca, mas depois falou que poderia dormir no quarto junto com o cozinheiro e um francês, pois havia um colchão livre. Imagina se vou montar barraca naquele friozinho com garoa. Conheci Morris, o francês, e fui tratar de me apresentar ao colchão.

 

17º Cachoeira Buracão (Ibicoara-BA)

 

Seguindo as dicas do pessoal, levantei cedo, tomei café e fui direto para a portaria do Parque Municipal do Espalhado (onde fica o Buracão). O bom de ficar lá na Miroca é que estava mais ou menos no meio do caminho da estrada de terra, sem falar que o sítio lá é bem aconchegante e o pessoal de boa.

 

Por volta de 8h00 cheguei na portaria do Parque e lá fiquei esperando o primeiro grupo com guia aparecer. Esse método não falha, ainda mais que estávamos no fim da alta temporada. Todo dia tinha gente indo pra lá. Só não é tão fácil como imaginei, fiquei um bocado lá esperando algum grupo aparecer, devia ter colocado o livro na bolsa.

 

Depois de 1h30 esperando apareceu um grupo com o guia João. Era um casal de carioca com filha pequena, eles moravam em Caetité-BA e o carro tinha placa de BH-MG. Sem problemas consegui me infiltrar no grupo, paguei R$6 pelo ingresso, mais R$30 pela guiada do João.

 

Da portaria anda-se mais um bocado por estrada de terra. Fiquei com a impressão que as estradas de dentro do parque são melhores, com menos buracos. No meio do caminho tem um rio para cruzar, sobre uma laje. Aqui o guia faz seu trabalho e indica o melhor caminho pra passar. A laje tem alguns desníveis/buracos, um deles acertei na volta, então é bom passar na boa. Na ida foi tranquilo, passei pelo caminho certo e a moto não fez nem menção de escorregar no lajeado. Depois do rio mais um trecho de terra, com um pouquinho de areia, até chegar ao estacionamento, que oferece boa sombra.

 

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Do estaciomento a até a cachoeira são aproximadamente 3km de trilha, quase sempre margeando de perto o rio Espalhado. Diria que 85% da trilha é plana, desnível acentuado só na parte final, trecho em que entramos no cânion, a jusante da cachoeira. Durante o percurso passamos por várias cachoeiras, como a do Buraquinho e a das Orquídeas, que é a mais atrativo pro banho.

 

Descendo pelo cânion, há algumas escadas feitas pelo pessoal do parque para facilitar o acesso. Passamos por uma cachoeira sem poço, cuja água desaparece sob as pedras. Quase chegando ao rio que forma a Buracão, há uma espécie de varal com dezenas de coletes salva-vidas. Escolhi o meu e logo estávamos dentro do cânion da cachoeira.

 

No cânion são duas opções, ir nadando contra a corrente (melhor alternativa de longe) ou ir pelas pedras. A correnteza nem é assim tão forte, dá pra ir nadando de boa e se segurando nas pedras, quando o cansaço apertar. E ainda tem o colete para ajudar. Como fomos o primeiro grupo a chegar na parte baixa, fui o primeiro a pular na água e também o primeiro a chegar na cachoeira. O lugar é incrível, sem palavras pra descrever, só estando lá mesmo.

 

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Depois de nadar bastante pelo poço e ficar debaixo da queda, decidi sentar nas pedras só para contemplar. Aí não tem jeito, como disse o João, o lugar parece uma geladeira. Aquele spray de água proveniente da queda de 85m + o vento + falta de Sol = um bocado de frio. Não dá pra ficar por lá muito tempo mesmo, a não ser que você vá pelas pedras e lembre de levar uma camisa. Logo muitos grupos chegaram e foram embora, inclusive o meu. Enrolei um pouco mas depois segui nadando até a parte próxima aos coletes, onde ficaram nossas coisas. Depois de alguns saltos pra água, era hora de fazer o caminho da volta.

 

Cheguei na Miroca no começo da tarde e fui almoçar no restaurante dela. Aliás, a única “despesa” que tive na Miroca foi com a refeição, as dormidas lá foram 0800, até porque ela está construindo uma estrutura para receber futuros visitantes. Almoço bem bom, diga-se de passagem e com um preço justo, 15 pratas.

 

Depois do almoço rolou um belo cochilo em um banco de madeira que balança. A noite a galera toda que estava lá se reuniu na casa pra ver uns filmes. Depois de terminado o primeiro, me despedi do pessoal e fui tratar de dormir, teria que acordar bem cedo no outro dia pra, realmente, fazer o caminho da roça até Bocaiúva, eram mais de 700km.

 

18º Ibicoara-BA - Bocaiúva-MG

 

A viagem fez com que eu estivesse indo pra Bocaiúva numa sexta-feira, justo no final de semana que era aniversário do meu pai. Lá na Miroca nem coloquei celular pra despertar, fui dormir cedo e iria levantar assim que abrisse os olhos pela primeira vez, durante a manhã. Acho que acordei por volta de 6h00, terminei de arrumar minhas coisas sem tentar acordar o cozinheiro e o Morris, que estavam no quarto. Tudo pronto, montei as coisas na moto e deixei o sítio da Miroca numa manhã bem nublada.

 

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O caminho de volta seria pelo norte de Minas, para chegar até lá deveria deixar a Chapada e seguir para Guanambi, quase no oeste baiano. Como já sabia que o trecho entre Brumado e Sussuarana, que deveria ser a BR-030, estava bem ruim (ver vídeo abaixo), tendo em vista que passei lá ano passado e pelos comentários da família carioca que morava na Bahia (eles até estouraram um pneu passando por lá), decidi sair de Ibicoara e seguir para Jussiapê, por estrada de terra. De lá seguiria por asfalto, passando por Livramento de Nossa Senhora, e desceria pra Brumado pela BA-148, evitando o trecho esburacado.

 

A estradinha de terra entre Ibicoara e Jussiapê estava em boas condições, com poucos buracos. Ela é muito parecida com aquela entre a vila de Guiné e o asfalto da BA-142, próximo a Mucugê. No meio do caminho há o povoado de Capão da Volta, depois é só seguir a estrada principal. A parte final é uma descida interminável, pelo Morro Branco, algo assim. De acordo com os dados do GPS, há um desnível de aproximadamente 800m entre o começo da descida até a ponte sobre o Rio de Contas, já na beira do asfalto. Embora seja uma descida com várias curvas fechadas, parece que fizeram uma melhoria no trecho, então também se encontra em boas condições.

 

Chegando no asfalto foi bem tranquilo o trajeto pela BA-148, o trecho que requer mais atenção é a subida e descida de serra entre Marcolino Moura e Liv. de Nsa. Senhora. Tem curvas muito fechadas, cuja sinalização indica uma velocidade de 20km/h, além de ter um bom movimento de veículos por lá. Passando a serra é praticamente só reta até buraco, sem muito movimento de veículos também.

 

Entre Brumado e Guanambi o movimento de veículos é maior, principalmente o de carretas e caminhões. O asfalto é bom, a sinalização deixa a desejar. Depois de Caetité há uma serra, onde está instalado um parque eólico. As curvas não são tão fechadas, mas como alguns caminhões perdem o embalo na subida, acaba se formando uma grande fila de veículos. Em alguns momento tive que passar pelo acostamento para dar passagens para carros, carretas e ônibus, que ultrapassavam os veículos mais lentos do sentido contrário. Como estou acostumado com a BR-135, onde isso ocorre com frequência, apenas dou passagem pra galera e nem esquento a cabeça.

 

De Guanambi até a divisa com Minas Gerais muitas obras na BR-122, com trechos de pare/siga. Depois de sofrer um pouco nesse trecho, acelerei até Espinosa, primeira (ou última) cidade de Minas Gerais. Lá fui procurar algum lugar pra almoçar, foi difícil! Custei pra ver um restaurante na rua principal da cidade. PF honesto, ainda mais que custava só 8 pratas.

 

Embora tivesse andado um bocado, mais de 400km, ainda tinha um bom pedaço de chão pela frente, eram mais de 300km de Espinosa a Bocaiúva. Nesse trecho mineiro da BR-122 as cidades aparecem rápido: Monte Azul, Mato Verde, Porteirinha, Nova Porteirinha e Janaúba. Boa parte do trecho com incrível presença da Serra Geral do Norte de Minas ao fundo.

 

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Depois de Janaúba um retão sem fim, sem muito o que ver para distrair um pouco. Parece que Montes Claros nunca chega. Saindo da BR-122 e entrando na BR-251 o trânsito muda completamente, muitos caminhões e carretas. Pra variar um caminhão de coco virado de cabeça pra baixo (ainda não sei como) no acostamento. Trânsito ainda pior. O asfalto na BR-251 é um dos piores que já peguei, talvez pelo incrível movimento de veículos pesados que me lembra a 381.

 

Nesse trânsito lento percebi que o farol da moto estava desligado, pois não via o reflexo dele no carro a minha frente. Como o interruptor estava na posição de ligado, desliguei-o e tornei a ligar, o farol acendeu por alguns segundo e apagou de novo. Fiz o mesmo processo outra vez e o farol permaneceu ligado por alguns minutos, mas logo apagou novamente. Era só o que falta mesmo. A tarde quase chegando ao fim, ainda faltavam uns 50km pra Bocaiúva e ainda tinha que passar pelo posto da PRF de Montes Claros. Pelo menos o farolete estava funcionando, devia dar uma enganada.

 

Acelerei o ritmo pois não queria descer a serra de Montes Claros seguindo a luz do veículo a minha frente. Passei tranquilo pela barreira da PRF e consegui ultrapassar uns caminhões no alto da serra, com trecho menos sinuoso e mais plano. Cheguei em Bocaiúva com o Sol já se pondo, ainda bem que não enrolei pelo caminho. Foram 750km de Ibicoara até aqui.

 

TOTAL DE GASTOS:

 

Gasolina: 238,29$

 

Hospedagem: 30$

 

Alimentação: 110,19$

 

Ingressos: 36$

 

TOTAL: 414,48$

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19-23 MINAS GERAIS E SERRA DO ESPINHAÇO

 

19º Bocaíuva - Várzea da Palma

 

Quando cheguei em Bocaiúva, na noite anterior, consegui falar com meu pai e ele me disse que trabalharia no sábado, então não iria pra Bocaiúva. O jeito era ir pra Várzea da Palma comemorar o aniversário dele. Mais uns 200km no roteiro original. Pra quem já tinha andado quase 4.000km, não era nada. Antes de seguir viagem, fui até o mercado municipal, pois sábado era dia. Comprei um marmitex de paçoca de carne, meu almoço nos dias longe da cidade e dois saquinhos de mexerica.

 

Peguei a BR-135 sentido Montes Claros, o farol da DR ainda não funcionava e, mais uma vez, teria que passar pela PRF. Passei de boa outra vez, já chegando na cidade entrei na BR-365, rumando para Pirapora. A estrada tem um bom movimento de caminhões, até porque é a principal ligação (única) entre o Norte de Minas e o Triângulo Mineiro.

 

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Chegando em Pirapora entro à esquerda em um trevo sem muita sinalização, pegando a BR-496 para Várzea da Palma. Mais alguns quilômetros por uma estrada com pouco movimento e chego ao meu destino, às margens do estragado Rio das Velhas.

 

20º Várzea da Palma

 

Aniversário do meu pai! Como o mesmo está em dieta, na de estripulias, somente um almoço mesmo e mais tarde um açaí. Durante grande parte do dia ficamos mexendo na Coração Valente, tentando resolver o problema do farol. Desmontamos banco, tanque e carenagens, aparentemente tudo estava certo. Como não conseguimos abrir o interruptores da esquerda, imaginamos que o problema era ali.

 

Já havíamos testado as fiações, a lâmpada e os interrruptores da direita. O farol seguia sem acender de jeito nenhum. A viagem terminaria assim, sem farol. Como meu retorno seria por um caminho alternativo e durante o dia, não teria muitos problemas. Já que falo de problemas da DR, um lado do suporte da bolha soltou nessas andadas por estrada de terra, acabei não percebendo (provavelmente foi quando cheguei em Ibicoara e peguei a estrada de terra durante a noite). Também não conseguimos um parafuso com tamanho bom pra prender o lado direito, então a gambiarra permaneceu (e permanece até hoje).

 

p.s.: depois de terminar a viagem, fui resolver as questões da moto (exceto a bolha). O problema do farol era um mal contato no interruptor que acende o farol e o farolete, nada que uma lixadinha não resolva. O voltímetro também tinha se soltado com o balancê, mas uma fita dupla face e dois “esforca-gato” resolveram o problema. Daí foi só trocar óleo, filtro e ser feliz.

 

21º Várzea da Palma - Corinto

 

Várzea da Palma entrou no roteiro de última hora, mas retornei aos planos originais com a ida a Corinto. Almocei com meu pai em Várzea e rumei pra lá, mais 100km de asfalto. Na última vez que fiz esse trecho passei por uma onça pintada, caída na beira da estrada. Provavelmente atropelada, esses bichos não costumam tirar cochilos por aí.

 

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Como a estrada praticamente não tem movimento, além de ser praticamente só retas longas, com aclives e declives, em 1h ou menos dá pra fazer esse trajeto entre Várzea e Corinto. Cheguei lá e fui tratar de conhecer a casa nova do meu avô, que já morou em umas 15 diferentes.

 

22º Corinto - Conselheiro Mata (Diamantina-MG)

 

Há muito tempo pensava em fazer esse trajeto entre Corinto e Diamantina. Quando era pequeno passava muito por aqui, indo pra fazenda de uma das tias da minha mãe. Na época ainda era terrão e muita costela de vaca, hoje em dia o trecho já é asfaltado até Monjolos, metade do caminho.

 

Saí cedo de Corinto e segui para Conselheiro Mata, um distrito de Diamantina nas bases da Serra do Espinhaço. Era a última etapa da viagem, na qual conheceria a Cachoeira das Fadas e a do Telésforo. Passei sobre o Rio das Velhas, por umas pontes treliçadas, remanescentes da estrada de ferro que ligava Corinto a Diamantina.

 

Em Monjolos parece existir dois caminhos para Rodeador, o próximo povoado, escolhi o mais curto. Ao percorrê-lo (ignorando as placas que avisavam sobre um desmonoramento) fui saber que se tratava da antiga estrada de ferro. Embora sem nenhum sinal dos trilhos e dormentes, o caminho era bem estreito (pouco mais que a largura de um carro), com muito cascalho e curvas suaves, era uma subidinha leve até Rodeador. Sobre o desmoronamento, também não havia sinal dele.

 

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Depois de Rodeador deixei a estrada da Maria-Fumaça de lado, parece que os trilheiros passam por lá, e segui pelo estradão até Conselheiro Mata. Se a memória não falha, foi a única estrada de terra que peguei com aviso de quilometragem (aquelas plaquinhas azuis indicando o nome da rodovia e o km).

 

Em Conselheiro Mata as ruas de pedra são horríveis, velocidade de 10-15km/h, se não o veículo desmancha naquela bateção. Tem uma igreja bem visível logo que se entra na cidade. Pra quem segue sentido Diamantina, basta entrar à esquerda depois dela, por uma estradinha de terra, esse é o caminho para Cachoeira das Fadas. Depois de um mata-burro aparece um casarão, com cara de abandonado/vazio, embora tivesse um sujeito olhando por lá. Basta seguir pela estradinha até uma área mais aberta, longe do casarão, aqui é o estacionamento. Mais pra frente a trilha se fecha e fica um pouco mais complicada pra carros de passeio, mas de moto dá pra seguir tranquilo e deixá-la na boca da trilha.

 

Prendi o que dava pra prender na moto e desci com o resto, até porque era uma descida curta, menos de 300m. O desnível até a cachoeira é razoável, mas nada que canse o vivente. Cheguei lá e me deparei com aquela água que lembrava um pouco da Chapada dos Veadeiros. Bem diferente da maioria das águas que escorre pelo Espinhaço. O Sol não iluminava muito bem o poço, então tratei de esperar um pouco pra ver se a situação melhorava, mas não mudou muita coisa.

 

Depois de um tempo refletindo apareceram duas tias por lá, daquelas que reclamam de tudo. Inclusive elas não podia pisar na lama que se formava perto da água porque achavam extremamente nojento(?!?!). Também morriam de medo daquelas aranhas que são igual vitamina C, não fazem mal pra ninguém. Tipo de gente que não faço muita questão de encontrar nessas andanças.

 

Como o Sol não melhorava a situação do poço resolvi entrar assim mesmo. Água geladíssima! Doía o peito e era difícil de nadar. Como não se lembrar de São Tomé? Devido as condições de temperatura e pressão o banho foi rápido. Comi umas mexericas e juntei minhas coisas, era hora de, enfim, conhecer o Telésforo. Na trilha de volta acabei trupicando numa raiz e quase que fui de boca no chão.

 

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Moto preparada, era hora de seguir para a Cachoeira do Telésforo. A entrada é logo após a cidade, se estamos seguindo no sentido Corinto-Diamantina. Há uma placa amarela na beira da estrada indicando. O trecho inicial da estradinha é bem ruim, uma subida chata pra quem está de carro baixo e/ou 1.0. Muitas pedras soltas e buracos, mas depois fica menos pior.

 

No meio do caminho percebi que a moto fazia um barulho estranho quando atingia determinada rotação do motor. Ao chegar na segunda porteira, já dentro da fazenda que “administra” a cachoeira, até tentei verificar com mais calma, enquanto esperava alguém aparecer. Ninguém apareceu para cobrar os R$10 de ingresso e também não descobri que barulho era aquele, fiquei com a impressão de que era dentro do motor. Era só o que me faltava.

 

Depois de entrar na fazenda o caminho fica mais plano, o trecho final tem alguma areia, que lembra, bem de longe, o Jalapão. Bateu saudade. No fim da estradinha algumas placas e logo se chega ao areião, aqui foi caçar um lugar (sombra) pra por a moto e armar a barraca. Tinham algumas pessoas por lá, acho que uns três carros e duas barracas montadas. Isso numa terça-feira, começo de agosto.Imagina como o lugar deve ficar num feriado.

 

Telésforo é bem bonito, com a serra (que dá nome ao local, segundo a carta topográfica) ao fundo. Por outro lado há muita sujeira espalhada por lá. Restos de fogueira, carvão, lixo… o que tira um pouco da beleza do lugar. Aproveitei o resto da tarde para dar uma explorada pelo local, principalmente na parte à montante da queda. Lá de cima tive uma bela vista da área. Ê Espinhaço bonidimais da conta!

 

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Quando voltei da parte alta percebi que todo mundo tinha se mandado, a noite seria só pra mim. Estendi um pano sobre a areia e fiquei lá deitado um bocado, observando o céu, as estrelas e os satélites. Bateu uma saudade de casa, de todo mundo. Era hora de voltar. 23 dias depois de partir pra Goiás.

 

23º Conselheiro Mata (Diamantina-MG) - BH

 

A noite foi bem tranquila acampado na prainha. Na madrugada a lua cheia apareceu e iluminava como um farol. Acordei com o Sol já se aproximando da barraca. Fazia algum calor por ali. Abri a porta para ventilar e a vista não podia ser melhor. Com calma tomei café, arrumei minhas coisas e prendi tudo na moto. Ainda tinha um pedacinho da Estrada Real e da Serra do Cipó pela frente.

 

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Passei pelas porteiras, onde geralmente cobram o valor de 10$ pela entrada e, novamente, não havia ninguém. Fui voltando tranquilamente pela estrada e dei uma ligeira cortada no caminho, ao seguir pelos eucaliptos, sem pegar a entrada indicada para Conselheiro Mata (até porque não iria voltar pra lá). Um pouco de subida e descida e logo estava no meio do Espinhaço, com seus característicos campos rupestres. Esse trecho entre C. Mata e Diamantina possui um visual incrível.

 

Sem pressa e admirado pelas paisagens construídas pelo Espinhaço, cheguei ao asfalto, há alguns km’s do centro de Diamantina. Segui para a cidade e, logo no primeiro trevo, peguei o caminho para Milho Verde, o começo do Caminho dos Diamantes. Não é fácil encontrar a saída,. sinalizações são poucas e bifurcações muitas. Felizmente, com auxílio do GPS e dos totens, não dei muitas erradas por lá.

 

Alguns minutos depois e já estava na estrada de terra, passando por um dos últimos bairros de Diamantina. Alguma centena de metros adiante e apareceu um asfalto, pra minha surpresa. Será que tinham asfaltado o trecho Diamantina x Milho Verde? A resposta veio rápido: não. Pros mais empolgados, aviso, o asfalto termina no meio de uma descida bem forte e logo após tem uma curva considerável pra direita.

 

Muito sobe e desce até Milho Verde, passando por Vau e São Gonçalo do Rio das Pedras. Em alguns pontos a estrada está ruim, com buracos, valetinhas e pedras. Sem falar dos trechos mais estreitos, pra quem pensa em ir de carro. Falando em carro, encontrei um Tipo bem no meio de uma descida. Aparentemente estava abandonado lá há alguns dias. É um trecho pra se andar devagar, principalmente com a moto carregada e pesada.

 

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Depois de quarenta e poucos quilômetros, desde Diamantina, cheguei a Milho Verde, destino de uma das melhores viagens que já fiz. Na saída do povoado o asfalto reaparece, por ele sigo até Serro, onde encaro mais um bocado de terra até Conceição do Mato Dentro. Entre Serro e Conceição um trecho da MG-010 que está em obras há tempos. Muito movimento de caminhões e camionetes nessa área, em virtude da proximidade com as mineradoras da região. Como alguns trechos de terra são mais estreitos, fica difícil ultrapassar veículos maiores.

 

Alguns trechos funcionavam em pare/siga, por causa das obras. Aparentemente passei em alguns trechos da estrada logo após o caminhão que molha a pista pra diminuir a poeira. Aquela terra compactada e úmida tinha aspecto de sabão, todo cuidado era pouco. Felizmente não dei nenhuma escorregada nos trechos mais molhados, mas não arrisquei muito. O pior mesmo foi o barro que impregnou em toda a moto. Agora sim ela estava com cara de que passou 1 mês na estrada rodando pelas piores estradas do Brasil.

 

Passando pela MG-010 deu pra perceber que tem trechos novos asfaltados, o que é animador. Além disso, tem outros dois ou três trechos em estágio avançado, diria que eles receberão asfalto em breve. Apesar dos avanços, acredito que demore um bocado a completa pavimentação do trecho, já que existem áreas estreitas e outras que não possuem sinal de obra. Outra notícia boa é que arrumaram o trecho da MG-010 que passa por dentro de Conceição do Mato Dentro, sem mais desvios.

 

Passei por Conceição e agora começava um dos melhores trechos da volta, muitas curvas e um visual magnífico da Serra do Cipó. Cada vez mais perto de casa. Parei no trevo que dá entrada ao povoado de Três Barras, no KM 150 da rodovia, pra almoçar o que restava de paçoca de carne. Bucho cheio, poderia seguir viagem numa boa, e assim foi até BH.

 

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Depois de passar pela vila Serra do Cipó a estrada é muito menos sinuosa. Achei que teria vida fácil até BH, mas pouco depois o trânsito estava parado por conta de um caminhão embrenhado no mato, na beira da pista. Enquanto o guincho manobrava, procurando a melhor forma de se posicionar, cortei caminho pelo mato mesmo, na outra margem da pista.

 

Vinte três dias e, aproximadamente, 4.800km depois, estava de volta a BH, fui bem recebido pelo trânsito da cidade. Depois de chegar, foi estranho me acostumar com a rotina de estar na cidade. Sem mais horas sobre a moto, estradas ruins, cachoeiras e paisagens incríveis por algum tempo. Essa jornada pelo Brasil Central foi algo que desejei por meses, confesso que completá-la me deixou um pouco perdido. E agora? Só o tempo dirá.

 

TOTAL DE GASTOS:

 

Gasolina: 78,35$

 

Hospedagem: 0$

 

Alimentação: 39,11$

 

Ingressos: 0$

 

TOTAL: 117,46$

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Depois de um longo planejamento consegui concretizar uma jornada de moto pelo Brasil Central. Foram 23 dias passando pela Chapada dos Veadeiros, Jalapão, Chapada Diamantina e Serra do Espinhaço. Uma viagem não precisa de explicações, mas o que me motivou foram as cachoeiras, rios, mirantes e serras desses lugares, que juntos compõem uma paisagem incrível.

 

Com um pouco mais de grana no bolso poderia facilmente dobrar o tempo de viagem, já que passei longe de esgotar os atrativos de cada um dos lugares visitados, o que dá margem pra volta. Falando em grana, gastei menos do que imaginava, já que contei com a sorte em alguns pontos.

 

TOTAL DE GASTOS DA VIAGEM:

 

Chapada dos Veadeiros (8 dias): 632,37$

 

Jalapão (5 dias): 343,44$

 

Chapada Diamantina (5 dias): 414,48$

 

Minas Gerais (5 dias): 117,46$

 

TOTAL 23 DIAS: 1507,75$*

 

*Sem contar os gastos com a moto pós-viagem (troca de óleo e pequenos reparos).

 

A moto:

 

A DR se comportou muito bem, tanto nas longas distâncias percorridas no asfalto, como nos estradões de terra e nas pesadas areias do Jalapão. O que pesou um pouco foi a bagagem. Levei o mínimo necessário, ainda assim era um peso considerável, que aumentou o consumo da moto (acredito que tenha girado próximo dos 23km/L) em alguns trechos da viagem. Fica a dica: levar o mínimo necessário. É bom também adquirir equipamentos mais leves, como barracas e sacos de dormir. E trocar moletons (pesados e que ocupam espaço) por blusas mais leves e compactas, mas que também seguram o calor do corpo (como blusas de caminhada em montanha e segunda pele, que não são caras).

 

Os únicos problemas que tive com a moto (na verdade só um foi problema, o resto acontece): farol apagado, mas bastou lixar os interruptores; peito de aço amassado com força, tanto que deu uma ligeira amassada no chassi (imagina se tivesse sem, item MUITO IMPORTANTE pra viagens de moto), era o que ocasionava o barulho que ouvi no motor; aro com ligeiro amasso em dois pontos; e um suporte da bolha que soltou devido a trepidação (uma gambiarra resolveu durante a viagem, basta colocar um parafuso e uma roela pra resolver de vez).

 

Jalapão de moto:

 

Primeira coisa é secar os pneus, como dizem por lá. Abaixar a pressão mesmo. Coloquei 15lbs nos dois. Se a moto tiver uma autonomia de, pelo menos 300km, não vai precisar levar combustível extra. Basta abastecer antes de sair de Ponte Alta e assim que chegar a Mateiros. Vá sem pressa, não tente percorrer 200km em um dia por lá. As estradas possuem trechos horríveis, com muita areia fofa ou muita pedra solta.

 

No mais é isso, pessoal. Assim como muitos relatos me ajudaram a construir essa jornada, espero que este relato sirva de algo para os futuros viajantes. Qualquer dúvida estou a disposição pra esclarecer. Quem quiser me convidar pra uma voltinha de moto, só chamar! hahaha

 

Mais fotos sobre a trip no blog, de onde retirei todo o texto:

 

www.numamoto.blogspot.com.br

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  • 1 mês depois...
  • Colaboradores

Devorei o relato numa unica tacada. Sensacional!

 

Sem um pingo de medo de afirmar que este é o melhor relato de Motoaventura feito no Brasil central que eu já li. Vou guardar este relato para que um dia eu volte aqui " Depois de realizar tal proeza" e te mostre o quanto tu foste inspirador.

Já rodei de Moto por todos os cantos do Brasil que tu possa imaginar, porem ainda guardo com imenso carinho o sonho de explorar esta região tão bela do Brasil tal qual você fez " De outro modo não me serve"

Muito obrigado! sem palavras para mencionar a alegria de ter lido este relato que coloriu esta manhã de domingo cinzento aqui de São Paulo.

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Devorei o relato numa unica tacada. Sensacional!

 

Sem um pingo de medo de afirmar que este é o melhor relato de Motoaventura feito no Brasil central que eu já li. Vou guardar este relato para que um dia eu volte aqui " Depois de realizar tal proeza" e te mostre o quanto tu foste inspirador.

Já rodei de Moto por todos os cantos do Brasil que tu possa imaginar, porem ainda guardo com imenso carinho o sonho de explorar esta região tão bela do Brasil tal qual você fez " De outro modo não me serve"

Muito obrigado! sem palavras para mencionar a alegria de ter lido este relato que coloriu esta manhã de domingo cinzento aqui de São Paulo.

 

saulo, alegra-me muito suas palavras, até pq li seu relato sobre todos os caminhos da estrada real e achei sensacional. o pouco da estrada real que peguei nessa viagem também foi pensando no que vi em seu relato. futuramente quero percorrer, ao menos, o caminho dos diamantes, seja de moto, bike ou jipe hahaha

 

no mais, o brasil central é fantástico mesmo. espero que vc consiga explorar a região em breve, e que, depois, nos dê mais detalhes sobre sua jornada.

 

abraço!

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  • 1 mês depois...
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Saudacoes a todos.

Realmente fenomenal, prazeroso e divino seu relato.

Suas informacoes sobre o jalapao meu deu uma ideia. Porque quero ir com uma moto 150cc bros.

Agradeco seu relato gostei muito esta de parabens.

 

Apenas para confirmar da para fazer de moto o jalapao mas indo devagar e sempre, correto?

 

Abracos tudo de bom.

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