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Relato de viagem – 21 dias pela Bolívia, Chile e Peru de ônibus (com fotos e gastos)


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  • Colaboradores

Fala galera da mochila!

 

Venho através desse relato, contar minha primeira experiência fora do país, que ocorreu em fevereiro de 2014.

Estarei colocando fotos e gastos na intenção de colaborar com viajantes que farão o mesmo roteiro que eu.

Os gastos estarão um pouco defasados, visto a grande alta que o dólar teve de um ano e meio pra cá, mas colocarei na moeda local pra tentar facilitar.

Sempre gostei de viajar e me aventurar. Fugi sempre do senso comum e creio que é isso que une os ideais mochileiros.

Comecei a me interessar muito pela cultura inca após as aulas de história, dadas pela minha madrinha. Desde pequena tinha o sonho de conhecer a ciudadela inca. E esse sonho se intensificou quando minha madrinha fez uma viagem ao Peru.

Desde então, comecei a pesquisar formas econômicas de chegar até meu objetivo. Foi quando conheci o fórum e comecei a ler os relatos aqui postados. Vi que podia, não só ir a Machu Picchu, mas conhecer outros países também. Meu coração palpitava a cada cidade que incluía! ::love:: Viajava horas e horas sem sair do lugar, pesquisando em sites, fórum, mapas, blogs e afins. Até que cheguei a um roteio final, postado abaixo.

 

 

Roteiro:

 

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Realizei todo o roteiro via terrestre. Em 21 dias, foram um total de 19 ônibus, 9 táxis, 2 vans, 2 caronas e uma 4x4.

 

Os dez primeiros dias de viagem fiz com uma mochileira de Santa Catarina. Após isso, segui viagem sozinha. Sozinha em termos, pois conheci pessoas incríveis, que valeram cada minuto de companhia! ::love::

 

1º Dia

Deixei a cargueira organizada, uma T&R Crampon 68 L, que deu conta do recado. Hoje tenho a percepção que ela é um demasiada grande pro meu uso. Aprendi a usar apenas o necessário. Inclusive estou vendendo-a por esse motivo, se alguém tiver interesse ::lol4::

Bom chega de delongas... meus pais nos deixaram na rodoviária de Toledo, de onde partiríamos para a mais louca aventura da minha vida, até então. ::hahaha::

Estava super ansiosa pra saber quais perrengues me esperavam mais a frente. Sabia que eles viriam... mas não sabia que viriam tão rápido kkkkk

Primeiro ônibus que peguei e o bendito quebrou. Faltou ar, consequentemente ficou sem freio e sem direção. Só deu tempo do motorista jogar ele no acostamento. Tínhamos passado a cidade de Itaquiraí e estávamos a aproximadamente 25 km de Naviraí.

Uma moça que estava no ônibus era de Naviraí e ligou para o pai dela vir buscá-la. Nos ofereceu carona até a rodoviária de lá. Decidimos aceitar a carona e de lá pegar um ônibus seguindo ate Campo Grande. Doce Ilusão!

Fomos em 10 na caminhonete, 5 dentro e 5 fora. Ao que alguém me pergunta: Com emoção ou sem emoção? Com emoção é claro... fui na parte externa da caminhonete... loucura loucura ::hahaha::

Chegamos em Naviraí, era sábado a tarde, e TODOS os guichês estavam fechados. Para a nossa alegria (sqñ) :shock:

Ficamos pensando no que fazer e a mochileira que estava comigo viu que tinha esquecido o celular no ônibus quebrado ::putz::::putz::

Ela entrou em pânico, tentei acalmar e resolver a situação. Sabia que iria rir muito depois :lol:

Nesse momento estacionou um ônibus em uma das plataformas e decidimos pedir carona ao motorista pra voltar ao ônibus quebrado, mesmo sem saber se o bus e a galera ainda estariam lá. Corríamos o risco de chegar lá e já tivessem concertado o ônibus e deslocado o pessoal. Decidimos mesmo assim arriscar. Contamos ao motorista e ele se comoveu com a história e nos concedeu a carona. Muito gentil da parte dele. Gratidão!

Chegamos até o ponto em que estava o bus quebrado e para nossa completa alegria, ele ainda estava lá com toda a galera e o celular no mesmo lugar em que havia sido deixado. Mais aliviadas, agora teríamos que esperar o resgate, que viria de Dourados para nos levar até o destino.

 

Gastos:

Passagem de ônibus Toledo x Campo Grande = R$97,00

 

2º Dia

Chegamos em Campo Grande com um atraso de 5 horas. Fomos direto ao guichê da Andorinhas comprar passagem para Corumbá. O ônibus sairia as 7 da manhã. Aproveitamos para tomar café e andar um pouco. Campo Grande é uma capital muito bonita, bem estruturada e limpa. A rodoviária é grande e conta com uma boa infraestrutura e a limpeza é impecável ::cool:::'> ::cool:::'>

Saímos de CG as 7 horas da manhã, como previsto. Seriam 8 horas de viagem, cortando um dos principais ecossistemas do Brasil: o pantanal.

O pantanal é a maior planície alagada do mundo e conta com uma rica fauna e flora. Aquele cenário é extremamente lindo e bucólico. Passei por lá no início da seca, alguns alagados e planície sem fim. Toda aquela paisagem me fez refletir na vida, me levou pra dentro de mim.

Chegamos por volta das 14:30 em Corumbá, conhecida como a capital pantaneira. Pela arquitetura se percebe que a cidade é muito antiga, a segunda cidade mais antiga do Mato Grosso do Sul.

A rodoviária de Corumbá estava um verdadeiro caos. Fomos atrás de um táxi para nos levar até a fronteira. Quando chegamos até a fronteira, a PF estava a procura de alguém. Nos pararam, questionaram um monte, pediram o que tinha na mochila, o que iríamos fazer na Bolívia e por fim nos liberaram. Fizemos os trâmites de saída na PF brasileira ao que um dos policiais nos disse: boa viagem meninas e cuidem pra nenhum boliviano passar a perna em vocês! ::ahhhh:: Caminhamos aproximadamente 300 metros... Bienvenidos a la frontera!!! Estávamos em solo boliviano. Fizemos os trâmites de entrada para a Bolívia, sem complicações. Acredito que a Bolívia é o Brasil há uns 100 anos atrás. É um país muito pobre mas com uma cultura muito rica e paisagens de tirar o fôlego.

Fizemos câmbio na fronteira, logo ao lado da imigração boliviana. Cambiamos R$450,00, o que nos rendeu um total de B$1215,00.

Fomos em busca de um táxi para nos levar até a ferroviária pegar o famoso trem de la muerte. Lá chegando, nos avisaram que haviam acabado as passagens.

Restaram apenas duas opções: dormir na fronteira ou ir de ônibus até Santa Cruz. Decidimos pela segunda opção. Fomos até a rodoviária de Puerto Quijarro e conseguimos um bus-cama, por uma bagatela, com a empresa El Quijarreño. Foi um ótimo custo x benefício. O bus era ótimo... o motorista nem tanto hahaha Passamos alguns sufocos enquanto tentávamos dormir. Mas de tudo, estou viva pra contar a história!!! ::lol3::

 

Gastos e Câmbio:

Café da manhã: R$7,00

Passagem de ônibus CG x Corumbá: R$86,00

Táxi rodoviária de Corumbá x Fronteira: R$20,00

Câmbio: R$1,00 = B$2,70

Táxi imigração boliviana x rodoviária quijarro: B$7,50

Gastos com alimentação: B$7,50

Bus Puerto Quijarro x Sta. Cruz: B$70,00

 

Continua...

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3º Dia

Aproximando-se de Santa Cruz de la Sierra, por volta das 6:00 horas da manhã, nosso ônibus parou repentinamente. Acordamos, pensando ter chegado à cidade, mas tínhamos parado por causa de um bloqueio na pista. Estava ocorrendo um protesto de artesãos na rodovia e ninguém estava passando.

O motorista do ônibus nos informou que poderíamos ficar o dia inteiro parados ali, mas se quiséssemos poderíamos furar o bloqueio a pé e após passar a multidão toda, encontraríamos vans ou táxis que nos levariam até a cidade, que estava a cerca de 15 minutos dali.

Em meio ao aglomerado de pessoas, tentamos conversar com alguns locais, no intuito de nos localizar. Por sorte, encontramos duas bolivianas que estavam indo a Santa Cruz para estudar e nos ofereceram para dividir uma van com elas. Nos apertamos na van e partimos rumo ao terminal bimodal de Sta Cruz.

Chegando ao bimodal, fomos atrás de passagem para La Paz. Compramos com a empresa Transcopacabana MEM. Excelente ônibus, bus cama, top de linha. Chegamos por volta das 10 da manhã e o ônibus partiria para La Paz as 14 horas. Tomamos banho, almoçamos e aproveitamos para usar a internet em uma lan house. Andamos pelos arredores do terminal e percebi o caos que era o trânsito boliviano.

Até então não tinha encontrado turistas. Apenas locais! Comecei a perceber um fluxo de mochileiros em Santa Cruz e dali por diante seria algo comum no trajeto.

 

Gastos:

Van: B$15,00

Banho terminal bimodal: B$3,00

Gastos alimentação: B$21,00

Internet: B$3,00

Soroche pills (1 comprimido): B$3,50

Bus Sta Cruz x La Paz Transcopacabana MEM: B$150,00

 

4º Dia

Chegamos em La Paz! Loucuuuuura de cidade... trânsito caótico, buzinaço e muito morro. Chegando no terminal de La Paz, ao desembarcar do ônibus, fomos bombardeadas por vários vendedores de passagens, que gritavam vários destinos da Bolívia. Logo me acostumei com aquela gritaria, comum nos terminais por onde passei, tanto na Bolívia, quanto no Peru e, confesso que até sinto saudades disso nos terminais brasileiros hehe

Tinha referências aqui do fórum de uns três hostels, mas acabei optando por ficar no Wild Rover Hostel. Pegamos um táxi e fomos direto pra lá. É um ótimo hostel, seguro e muito bem localizado, além de ter um pub dentro do hostel ::hahaha:: Fica muito próximo a Plaza Murillo e a Calle de las brujas na região central de La Paz.

Fizemos check in e saímos a pé para conhecer. Fomos até a Plaza Murillo, onde se pode ver o palácio do governo e a catedral.

Fazia bastante calor, sai de camiseta manga curta e olhava todo mundo de casaco e não entendia porque. Aprendizado prático da mochileira de primeira viagem aqui: o sol a 3900 metros de altitude queima pra valer. Senti na pele ::putz:: Portanto uma roupa com proteção UV ou muito protetor solar são essenciais ::otemo::

Almoçamos bem próximo a calle de las brujas e fomos ver os fetos de lhama de perto. Fui ver pra fazer o downhill na death road, que acabou não acontecendo nessa viagem. Pretendo voltar a Bolívia pra fazer o downhill e conhecer alguns outros pontos que acabou não dando tempo nessa trip.

 

Gastos:

Táxi terminal x Hostel Wild Rover: B$10,00

Almoço: B$25,00

Gastos lembrancinhas: B$45,00

Hostel Wild rover: B$64,00

 

5º Dia

Acordamos tomamos café no hostel e saímos para achar o mirador kili kili, mas não tivemos sucesso, ficamos com um pouco de medo, pois um senhor idoso local passou por nós e fez um gesto de perigo por onde estávamos andando. Entendemos o recado e voltamos a Plaza para almoçar. Comemos no Pollo cochabamba ali próximo e voltamos ao hostel para o check out. Fomos ao terminal de buses para comprar las tarjetas para Uyuni. Fomos direto a Panasur, uma empresa que faz o trajeto La Paz x Uyuni. Compramos algumas coisas e aguardamos a saída do ônibus. Choveu em La Paz e fez frio nesse dia, acho que próximo de 4º C. Imaginei que a viagem até Uyuni seria longa... e foi! O bus rumo a Uyuni saiu as 19 hrs e demoraria aproximadamente 14 horas pra chegarmos lá.

O ônibus não era nada confortável, choveu forte durante toda a noite, sentei na janela e bom... me molhei toda. Não sei como mas tava entrando muita água no bus. Molhada e com frio... a noite foi tensa ::Cold:: Acho que fizemos apenas uma parada no meio do completo nada, em uma vendinha, só pra ir ao banheiro. Quando desci do ônibus a água batia na canela, esqueci do frio e senti a brisa e o cheiro do lugar... eu já podia imaginar o Salar ::love::

Voltamos pro bus e tentei dormir um pouco.

 

Gastos:

Almoço: B$21,00

Táxi Wild Rover x Terminal de buses: B$15,00

Bus La Paz x Uyuni - Panasur: B$120,00 na pechincha

 

 

 

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