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Igarapé Ramon (Serra do Divisor - ACRE) - uma odisseia na fronteira com o Peru!


Hiltonmc

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Passei alguns meses pensando como poderia ser o título desta incrível expedição ao igarapé Ramon, no Parque Nacional da Serra do Divisor, Acre, na fronteira com o Peru. Pois existe um número extraordinário de características para ecoturismo. Vou dar apenas dois exemplos que poderiam ser títulos deste relato:

 

1) Parque Nacional da Serra do Divisor (Acre) - um paraíso de igarapés, trilhas e cachoeiras.

 

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Tive a grande satisfação de conhecer a Thalita Figueiredo que estava lá na Serra do Divisor realizando levantamento de potencialidades turísticas, e junto com a Ruama Santos e a Rocilda escreveram um excelente relato fotográfico sobre as cachoeiras, trilhas, igarapés, mirante, etc do Parque Nacional da Serra do Divisor. A leitura de seu relato é fundamental pois também acrescenta informações importantes de logística.

 

Relato da Thalita Figueiredo - Nossa Aventura pelo Parque Nacional da Serra do Divisor - Mâncio Lima - Acre

 

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2) Igarapé Ramon - aqui ocorre o último pôr do sol do Brasil.

 

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O igarapé Ramon está situado na região mais oeste do Brasil e portanto quando o sol está indo embora, todo o resto do Brasil já está na total escuridão da noite.

 

 

Como viram as qualidades do igarapé Ramon situado no Parque Nacional (PARNA) da Serra do Divisor são muitas.

 

Para entrar no PARNA da Serra do Divisor precisa pedir autorização ao ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), ele está aberto à visitação, não precisa ser pesquisador para visitá-lo. Eles irão te enviar uma lista de recomendações e telefones de contato, eu recomendo o guia Miro ( (68) 9971.2127 ), pois além de ser o dono da pousada é também um profundo conhecedor da Serra do Divisor. Eu já fui diversas vezes ao Pantanal, e posso afirmar que uma viagem à Serra do Divisor sai muito mais barata do que ao Pantanal.

 

Parque Nacional da Serra do Divisor

Rua Jaminauas n⁰ 1556, Cruzeirão, Cruzeiro do Sul- AC.

Telefone: (68) 3322-1203/7851

facebook: https://www.facebook.com/parnadaserradodivisor

e-mail: [email protected]

 

Para a Serra do Divisor eu contratei o guia Miro que forneceu tudo, barco, pousada, alimentação e serviço de guia. Celular em Mâncio Lima – (68) 9971.2127 . Telefone rural de recados na Comunidade Pé da Serra – (68) 4400.7831. ( Só funciona com a operadora Embratel ).

 

Faço um agradecimento especial a minha esposa Telma Regina Magri que me deu apoio logístico necessário para a realização desta viagem.

 

Eu faço parte do projeto Track Source (http://www.tracksource.org.br). Reúne milhares de colaboradores voluntários e produz mapas do Brasil para GPS, esses mapas são totalmente gratuitos, assim levei em minha viagem dois GPS e portanto os pontos e informações de distância que aqui menciono são precisos e estão incluídos no mapa do Track Source, basta entrar na página e baixar.

 

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Antes de chegar a Mâncio Lima ( AC ) eu passei um dia na capital Rio Branco, cidade muito agradável e que também recomendo. Estive na Catedral Nossa Senhora de Nazaré, uma casa de orações, agradeci por tudo e pedi proteção. Assim conforme cita a Thalita Figueiredo em seu relato "Graças à Deus não tivemos nenhum evento negativo durante nossa permanência no Parque, não fomos picadas por cobras ou outros animais perigosos da Floresta, não tombamos de mau jeito, de forma a nos comprometer a locomoção"! Ou seja, a expedição foi um sucesso.

 

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Também recomendo a leitura das dicas da Thalita Figueiredo sobre Rio Branco.

 

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Na capital Rio Branco eu já tive uma pequena amostra da enorme biodiversidade que encontraria no igarapé Ramon, vejam essas fotos que fiz ao lado da Ponte Juscelino Kubitschek e na praça Povos da Floresta, bem no centro de Rio Branco. Várias aves endêmicas da região oeste do Brasil.

 

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A floresta Amazônica além de ser muito bela e imponente é também muito hostil e inóspita, assim 3 meses antes de minha viagem eu passei a comer entre duas a três vezes por semana inhame cozido, ele é um ótimo depurador do sangue, os índios sabem disso. O inhame reforça as defesas do organismo, possui ação anti-inflamatória e impede o acúmulo de toxinas. Comi também nesta preparação bastante agrião, pois têm um alto nível de vitamina C que reforça o sistema imunológico. Tome a vacina de febre amarela, ela tem validade por 10 anos e use repelente contra mosquitos, um bom repelente tem DEET ( dietil-meta-toluamida ) com concentração entre 20% e 30%! Isto está escrito no verso do repelente. Todos os repelentes que existem no mercado têm o DEET, mas alguns possuem concentrações menores. Alguns insetos mordem e transmitem doenças, mas em compensação são magníficos e lindos, aprecie, pois é cada um mais bonito do que o outro. Esta viagem é um espetáculo inesquecível e uma paraíso para entomólogos.

 

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Conforme eu citei acima, apesar da floresta Amazônica ser hostil, em momento algum eu corri risco de vida, o guia Miro é muito seguro em suas atitudes. Sempre verifica tudo antes de entrar, inclusive a presença de répteis peçonhentos. Portanto contrate os serviços do Miro.

 

Como eu iria dormir dentro da floresta, eu estaria sujeito a grandes variações de temperatura e chuvas tropicais muito fortes, inclusive durante a viagem de barco. Eu comprei vários sacos plásticos transparentes de tamanho 60cmx90cm com espessura 0,10mm, coloquei todas as minhas bolsas e mochilas dentro desses sacos. A chuva na Amazônia não respinga, ela encharca, portanto não deixe de proteger seus equipamentos fotográficos e seus pertences com sacos plásticos. E outra dica, não espere começar a chover, pois sempre chove, eu peguei chuva tropical todos os dias e em horários variados, inclusive à noite. Portanto antes de começar a sua viagem de barco, já proteja tudo. Assim quando a chuva começar, aprecie, pois ela é linda. No igarapé Ramon, um sapo coaxou por volta das 22h avisando que iria chover, mais um temporal, normalmente a chuva dura no máximo 1 hora.

 

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Cheguei no aeroporto de Cruzeiro do Sul à noite, lá estava o taxista Enoque ((68) 9931.7339 ) que eu havia contratado com antecedência, me levou direto para Mâncio Lima onde me hospedei na Pousada Voyage ( (68) 9955.9300/9975.9056/3343.1022 na av Japiin ). Ao lado desta pousada existe a Distribuidora Voyage do mesmo dono e telefones, é uma mercearia onde se pode comprar quase tudo, água mineral, bebidas, biscoitos, pasta de dentes, etc. Estava aberta na hora que cheguei, por volta das 23h, caso queira, é perfeitamente possível já pegar o barco no outro dia cedo para a Serra do Divisor. Mas eu preferi passar um dia em Mâncio Lima, cidade agradável, e no outro dia cedo o mesmo taxista Enoque ((68) 9931.7339 ) me pegou na pousada e me levou ao Mercado Municipal de Mâncio Lima onde tomei mingau de banana e comi tapioca. Depois fomos em alguns lugares para fotografar passarinhos ( na estrada do Padoque ) e também na Aldeia do Barão ( Terra Indígena Puyanawa ), não se esqueça de pedir autorização na FUNAI, fui gentilmente recebido pelo cacique honorário Mário Puyanawa, 72 anos de idade, é uma pena que o tempo foi curto e só pude ficar 1 hora proseando com ele, um índio muito conhecedor e que enaltecia a cultura de seu povo Puyanawa, me contou histórias e me ensinou que passarinho em sua língua é "inçá", assim eu sou um Observador de Inçá.

 

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Algumas aves que fotografei na estrada de chão para a Terra Indígena Puyanawa, recomendo o passeio.

 

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Algumas aves que fotografei em Mâncio Lima e na estrada do Padoque. A quantidade de espécies de aves que só ocorrem (endêmicas) naquela região é enorme.

 

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No sábado às 6h45min eu encontrei com o Miro no porto no rio Japiin, o rio Japiin é um braço do rio Moa, que volta a se encontrar quilômetros à frente. Devido a ser planície, é muito comum no Brasil central e Amazônia um rio se dividir em dois e voltar a se encontrar centenas de quilômetros depois, por exemplo a maior ilha fluvial do mundo, ilha do Bananal, é uma divisão do rio Araguaia que forma um braço chamado de rio Javaés que volta a se encontrar 450 km ao norte.

 

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O porto do rio Japiim fica na posição ( latitude = S7.60222 longitude = W72.90041 ), a viagem até a Pousada do Miro na Comunidade Pé da Serra ( latitude = S7.44918 longitude = W73.66140) durou 09h48min com muitas paradas para fotos. Na metade do caminho há o 61º Batalhão de Infantaria da Selva do Exército Brasileiro, parada obrigatória onde é feita a identificação de todos os ocupantes do barco e revista. O trecho total percorrido pelo barco é de 163 km, se fosse em linha reta seria de 86 km. Portanto vê-se que a distância percorrida pelo barco é praticamente o dobro da distância em linha reta, pois os rios são sinuosos. A velocidade máxima do barco foi de 23 km/h. O trecho inicial no rio Japiim antes de pegarmos o rio Moa é de 21 km com tempo de 1h18min. Todos esses pontos estão muito bem documentados no mapa gratuito para GPS do projeto Track Source ( http://www.tracksource.org.br ).

 

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Portanto são quase 10 horas de navegação num barco com banco de madeira, leve uma almofada para sentar, esta viagem no rio ocorre dentro da floresta acreana, portanto a todo momento pode passar um bicho ou uma ave, ele não espera para tirar fotografia você tem que ser rápido, minha dica, entrou dentro do barco, máquina de fotografia na mão, não dá tempo de tirar a máquina da bolsa. Além de muito bonito, é emoção o tempo todo, eu vi boto-cinza ( Sotalia fluviatilis fluviatilis ) também conhecido como tucuxi em outras partes da Amazônia, mas não consegui fotografar, pois conforme falei é muito rápido, o boto-cor-de-rosa ( Inia geoffrensis geoffrensis ) eu tive mais sorte e consegui fotografar 2 indivíduos ao mesmo tempo. Esta subespécie é a mesma que ocorre em toda a bacia Amazônica, apesar da Serra do Divisor estar no extremo oeste do Brasil e a milhares de quilômetros da foz do rio Amazonas, um boto-cor-de-rosa ( Inia geoffrensis geoffrensis ) pode perfeitamente nadar até a foz do Amazonas, pois não existe nenhum barreira que impeça. No alto rio Madeira existiam as famosas cachoeiras de Teotônio, hoje Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, acima de Porto Velho, que por serem um obstáculo, impedem a passagem e assim formou-se uma outra subespécie do boto-cor-de-rosa, que é a Inia geoffrensis boliviensis.

 

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Volto a enfatizar, não desgrude de sua máquina de fotografia, a todo momento uma oportunidade de foto, nesta parada para reabastecimento do barco, eu registrei uma espécie de tamanduá, o mambira ( Tamandua tetradactyla quichua ), observe que esta subespécie é totalmente amarela, diferente da subespécie que ocorre no sul do Brasil que apresenta um "colete" preto.

 

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Na Comunidade Pé da Serra existe um telefone rural ( latitude = S7.45600 longitude = W73.64572 ) da Embratel cujo número é (68) 4400.7831, é um telefone de recado caso se precise falar com o Miro ou com alguém que esteja na pousada, ele fica a uma distância de 2,7 km da pousada do Miro, é alimentado por uma placa solar. Dependendo das condições atmosféricas, pode não estar funcionando, mas funcionou em todas as vezes que precisei telefonar.

 

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Os barcos são o meio de transporte usados para transportar pessoas, gado e tudo o que for preciso.

 

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O rio Moa é muito bonito, nele se formam praias de areia branca.

 

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Ao longo da viagem pelo rio você verá árvores enormes e altas.

 

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A pousada do Miro fica às margens do rio Moa, na comunidade Pé da Serra, exatamente no pé da serra do Moa. Dela se tem uma bela visão da Serra do Moa com toda sua beleza colorida e o mirante feito pelos moradores.

 

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Eu não tive tempo hábil de subir ao mirante da Serra do Moa, por isso tive que fotografá-lo de longe a partir da Pousada do Miro, mas a Thalita Figueiredo e sua turma subiram, ela conta em detalhes essa subida e também relata as trilhas e cachoeiras, pois a Pousada do Miro é o ponto de partida. Volto a enfatizar, leia o excelente relato da Thalita Figueiredo.

 

Relato da Thalita Figueiredo - Nossa Aventura pelo Parque Nacional da Serra do Divisor - Mâncio Lima - Acre

 

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Saímos às 09h20min da pousada do Miro subindo o rio Moa em direção ao acampamento que faríamos às margens do igarapé Ramon, depois de 15,8 km e tempo de 1h08min chegamos onde o igarapé Ramon deságua no rio Moa, entramos então no igarapé Ramon e mais 16,9 km e tempo de 1h28min chegamos no local do acampamento.

 

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A navegação no rio Moa além de muito bonita é também complicada e o piloteiro precisa ficar muito atento aos galhos, árvores e corredeiras entre pedras. Mas não se preocupe com isso, os piloteiros são muito bons, gaste seu tempo admirando e tirando fotos.

 

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Vídeo mostrando um trecho encachoeirado no rio Moa.

 

 

A navegação até a Pousada do Miro é plana e suave, a partir daí começamos a penetrar na Serra do Moa no vale formado pelo rio, e fomos recebidos e acompanhados por um bando de garças-vaqueira (Bubulcus ibis ibis).

 

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Subindo o igarapé Ramon, fica mais estreito e as árvores começam a fazer ponte sobre o igarapé facilitando a passagem dos macacos.

 

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Fotografei este macaco-prego ( Sapajus apella ) passando por cima de nossas cabeças numa ponte entre árvores sobre o igarapé Ramon.

 

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Navegar no igarapé Ramon é simplesmente lindo e magnífico, mas também muito difícil, pois encontramos quase duas dezenas de árvores caídas barrando a passagem. Cada árvore que foi deixada para trás foi uma odisseia, ora por cima, ora por baixo, ora pelo lado e às vezes na base do machado e facão. Volto a lembrar, máquina fotográfica pronta o tempo todo, pois é um paraíso para fotógrafos e amantes da natureza selvagem e intocável. Deixe para dormir na sua casa, fique com os olhos bem abertos e aprecie!

 

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Abaixo 4 vídeos mostrando como fizemos para transpor árvores transversais ao igarapé Ramon.

 

 

 

 

 

 

O acampamento selvagem ocorre na confluência do igarapé Brasil com o igarapé Ramon. A nossa linda Bandeira do Brasil sempre nos acompanha, este ponto é bem próximo da fronteira com o Peru. A minha esquerda o super guia Argemiro Oliveira Magalhães (Miro) e a minha direita seu sobrinho e também guia Gelziane ( Gel ). Continuo afirmando, o Miro e os guias que o ajudam são muito atenciosos e te transmitem muita segurança.

 

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Observe que dormir numa rede é o meio mais seguro de se dormir na Amazônia, você fica longe do chão e protegido por um mosquiteiro. O barco fica ancorado no igarapé Ramon ao lado do acampamento e o almoço é tipicamente acreano. Uma observação, os guias Miro e Gel dormiram sem mosquiteiro, não tente de igualar a eles, o sangue deles têm anticorpos que o seu sangue não tem, peça para o Miro contar a história em que ele foi mordido por uma cobra surucucu e não morreu. Agora você pense bem, o índice de mortalidade por picadas de cobras surucucu é de quase 100%, e o Miro sobreviveu, assim você pode tirar uma conclusão de quantos anticorpos tem o sangue dele!

 

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À noite, no acampamento, reserve um tempo para você parar e ficar ouvindo os sons da floresta, são intrigantes, não adianta você querer saber a origem de todos os sons... Isto se chama os sons da floresta Amazônica!

 

 

Essa região do Brasil que faz fronteira com o Peru é um paraíso para Observadores de Aves, pois se encontram muitas aves endêmicas.

 

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Algumas frutinhas da Amazônia servem de alimentos para nós, outras para as araras, também para os macacos e roedores. Algumas como a da paxiubinha servem como adorno. Observe a beleza das frutinhas.

 

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Mais fotos de aves.

 

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A floresta Amazônica é muito úmida, portanto aprecie os cogumelos.

 

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As borboletas e mariposas são outro espetáculo da Amazônia acreana, algumas pousam no chão, outras nas folhas, no barco e até na minha camisa. Teve uma que pousou na minha máquina de fotografia, este foto ficou na lembrança. Tudo isso é indicativo de vida abundante, as borboletas frugívoras indicam que existem muitas frutas na floresta, ou seja, floresta se reproduzindo.

 

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Mais fotos de aves, recomendo muito para os que são Observadores de Aves como eu.

 

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Os saguis Amazônicos são muito bonitos, veja esta foto de um sagui soim-vermelho (Saguinus fuscicollis fuscicollis), mais uma subespécie endêmica da região.

 

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As flores da floresta Amazônica é outro espetáculo, observe a quantidade de cores, aprecie.

 

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O sol chega entrecortado no interior da floresta realçando o seu verde.

 

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Os troncos das árvores mostram belezas, utilidades e aromas diferentes, em alguns sobem as trepadeiras e em outros temos a resina breu branco, famosíssimo extrato aromático exportado para todo o mundo.

 

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A sapopema faz parte da raiz de algumas árvores da floresta, ela também é chamada de "Telefone de Índio", pois ao se bater nela com um pau, o som irradia pela floresta servindo de comunicação. Além de ser mais uma maravilha da floresta.

 

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Mais fotos de aves, são aves de várias famílias e gêneros. Um paraíso ainda muito pouco explorado por Observadores de Aves e ornitólogos.

 

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É uma região selvagem e essa família de ariranhas (Pteronura brasiliensis) que atravessou na frente do barco teve um comportamento de enfrentamento, pois provavelmente nunca viram pessoas. Foi um momento de tensão pois todas elas jogavam o corpo para fora d'água e regougavam bem alto mostrando os dentes. Mas os guias Miro e Gel seguraram o barco usando o remo numa demonstração de respeito e elas foram embora. Tudo isso durou menos de 1 minuto, mas eu consegui tirar quase duas dezenas de fotos. Momento incrível! Recomendo muito a viagem ao igarapé Ramon. Amazônia acreana selvagem e intocável na fronteira com o Peru.

 

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O solo nessa região é arenoso, assim durante vendavais é comum árvores que não estão bem fixadas cairem, observe a raiz dessa árvore que caiu.

 

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Árvores muito comuns na Amazônia são a paxiubinha de raiz e o paxiubão, você verá para todos os lados, inclusive caídas dentro dos rios.

 

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A samauma é uma gigante, você verá muitas ao longo do rio, aprecie! Pois são imponentes.

 

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Os cipós compridos e resistentes são mais uma das belezas.

 

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A água potável que se bebe na pousada do Miro é extraída do igarapé do Amor, quando eu voltei para Vitória-ES, eu fiz um exame completo de protozooscopia e helmintoscopia não encontrando nada, portanto podem beber à vontade. Esta água vem da cachoeira do Amor que foi muito bem relatada pela Thalita Figueiredo. Não se esqueçam de ler o relato dela, pois o meu relato é complementar ao dela.

 

Relato da Thalita Figueiredo - Nossa Aventura pelo Parque Nacional da Serra do Divisor - Mâncio Lima - Acre

 

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Todos que vão à Amazônia se perguntam, é um imenso tapete verde? Não têm outras cores? Pois se prepare, a Amazônia acreana é um tapete verde com um espectro de cores lindo e maravilhoso!

 

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Abaixo um cronograma de minha viagem.

 

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Conforme eu falei no início, lá é ponto de encontro de ecoturistas como eu e pesquisadores, encontrei também o Eng Florestal Daniel Braga realizando um estudo sócio econômico da região com ILPF ( Integração Lavoura Pecuária Floresta), abaixo uma foto com todos juntos.

 

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A hora da partida chegou, deixamos muitas pégadas e tiramos muitas fotos e acima de tudo ganhamos muito conhecimento. Abaixo foto da Thalita, Ruama, Rocilda e o Daniel descendo o rio Moa e dando adeus rumo a Mâncio Lima.

 

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Em Cruzeiro do Sul, eu me hospedei no Wially Hotel – (68) 3322.4810, fica pertinho do centro, quarto limpo e ótimo ambiente. Recomendo. Dali eu fiz vários passeios na ponte sobre o rio Juruá, no Mercado Municipal e comi tacacá na Casa do Tacacá -(68) 9956.7176 que fica em frente da Casa do Artesão na av Rodrigues Alves. No Mercado Municipal eu comprei peixe com o Evangelo (68) 9930.2408, o peixe é fresco, mas por encomenda, ele te entrega congelado, pois precisa estar congelado para o transporte por avião.

 

Cruzeiro do Sul é uma cidade linda com inúmeros pontos turísticos como os famosos balneários, recomendo!

 

No rio Moa têm arraias, caso você dê azar e seja ferroado pelo rabo de uma arraia, um ótimo neutralizador da dor é água quente, muito quente. Encha uma bacia com água quente e coloque a parte afetada lá dentro por duas horas. Mas isto só poderá acontecer se você entrar na água do rio.

 

Para a correta identificação das aves aqui fotografadas, eu usei o melhor guia brasileiro que é o Guia Completo para Identificação das Aves do Brasil - Vol 1 e 2 do Rolf Grantsau e Haroldo Palo Júnior ( http://www.ventoverde.com ) Vale à pena ter este guia, pois é mais completo e de fácil consulta com pranchas mostrando as aves.

 

Um agradecimento especial também aos funcionários do ICMBio do Parque Nacional da Serra do Divisor, a Idaianes, a Glória e ao Diogo Koga. E também a mochileira Paloma Ramos que publicou o relato Serra do Divisor, Rio Moa, Amazonia Acreana.

 

 

O igarapé Ramon nasce na fronteira com o Peru, deságua no rio Moa que por sua vez deságua no rio Juruá, corta Cruzeiro do Sul e deságua no rio Solimões e forma o maior rio do mundo, o nosso Amazonas. Assim termino o meu relato fazendo uma homenagem a este importante afluente do Amazonas que é o rio Juruá.

 

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Divirtam-se, meditem e aprendam bastante com mais este pedaço da floresta Amazônica, que é o igarapé Ramon, recomendo!

 

#PartiuAcre

 

Boa viagem

 

Hilton Monteiro Cristovão

Vitória - ES

 

Tumucumque, a floresta! Um sonho realizado!

tumucumaque-a-floresta-um-sonho-realizado-t105967.html

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  • 2 semanas depois...
  • 1 mês depois...
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Excelente relato Hilton! Além de falar das belezas e encantos do local, é repleto de informações valiosas com referências e contatos importantes para facilitar a ida de algum interessado ao parque.

Fantásticas as fotos!

Esse relato é um grande motivador para nós conhecermos e valorizarmos nossa maravilhosa bio-diversidade escondida.

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  • 9 meses depois...
  • Membros

Olá Hilton, que relato estupendo esse hein!!

 

As suas informações aliadas com as da Thalita, tiraram 90% das minhas dúvidas.

 

Sou entusiasta da fotografia e a maior preocupação é sempre com a impermeabilização do equipamento, principalmente por se estar na amazônia, pois pretendo levar uma DSLR e duas lentes + gopro. No entanto, devido as chuvas, penso em levar somente a gopro.

 

Como vc resolveu a questão das chuvas com a câmera? Usou o saco para isolá-las tbm?

 

Abraços.

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Caro Léster Oliveira, li seu relato Alter-do-Chão, Flona Tapajós (alter-do-chao-pa-03-a-10-01-2015-t107831.html), como você mesmo relata, teve que desmontar o tripé "devido a chuva que começou a cair mas que passou logo".

 

Portanto a chuva na Amazônia não respinga, ela encharca, mas passa logo, então na hora que começa a chover, fica-se mais preocupado em proteger os equipamentos do que fotografar. Mas eu levei um celular desses que tiram foto até debaixo d'água, me arrependi completamente, as fotos na hora da chuva ficaram horríveis. Assim se você tiver uma Go-Pro ou similar, leve, pois vale à pena e a chuva, apesar de forte, é muito bonita e merece ser fotografada.

 

Estou planejando uma viagem ao Parque Nacional Pacaás Novos em Rondônia, pretendo usar a minha DSLR para fotografar na hora da chuva, vou envolvê-la com o saco plástico de espessura 0,10 mm. Já fiz muitos testes, está aprovado.

 

Com relação ao Parque Nacional da Serra do Divisor, o Acre é um estado lindo e a Serra do Divisor, um lugar mágico. Em 2016 o biólogo Ricardo Plácido fotografou a ave choca-do-acre (Thamnophilus divisorius), mais uma espécie endêmica da Serra do Divisor.

 

Sucessos, boa viagem e não se esqueça de relatar também!

 

Abraços capixabas de Hilton

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Caro Léster Oliveira, li seu relato Alter-do-Chão, Flona Tapajós (alter-do-chao-pa-03-a-10-01-2015-t107831.html), como você mesmo relata, teve que desmontar o tripé "devido a chuva que começou a cair mas que passou logo".

 

Portanto a chuva na Amazônia não respinga, ela encharca, mas passa logo, então na hora que começa a chover, fica-se mais preocupado em proteger os equipamentos do que fotografar. Mas eu levei um celular desses que tiram foto até debaixo d'água, me arrependi completamente, as fotos na hora da chuva ficaram horríveis. Assim se você tiver uma Go-Pro ou similar, leve, pois vale à pena e a chuva, apesar de forte, é muito bonita e merece ser fotografada.

 

Estou planejando uma viagem ao Parque Nacional Pacaás Novos em Rondônia, pretendo usar a minha DSLR para fotografar na hora da chuva, vou envolvê-la com o saco plástico de espessura 0,10 mm. Já fiz muitos testes, está aprovado.

 

Com relação ao Parque Nacional da Serra do Divisor, o Acre é um estado lindo e a Serra do Divisor, um lugar mágico. Em 2016 o biólogo Ricardo Plácido fotografou a ave choca-do-acre (Thamnophilus divisorius), mais uma espécie endêmica da Serra do Divisor.

 

Sucessos, boa viagem e não se esqueça de relatar também!

 

Abraços capixabas de Hilton

 

Olá Hilton, muito grato pela resposta.

 

Acho que vou usar essa técnica do saco em cima da DSLR..rsrsrs.

 

Tem um saco estanque pra DSLR mas custa um rim!

 

Vou alinhando a trip e qualquer coisa te aciono aqui.

 

Abraços meu amigo.

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  • 2 anos depois...

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