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Vivi Mar

Cicloviagem a Volta da Chapada Diamantina, sendo quase que total por terra e single track

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Como em toda cicloviagem eu pego dicas com os amigos nos grupos de cicloturismo e forum, tambem acho justo compartilhar as dicas, rs.

Segue abaixo anotações da cicloviagem pela Chapada Diamantina. Pouca Quilometragem, mas muuuuita beleza...rs

 

Fotos no link:

 

Dicas e anotações da Cicloviagem na Chapada Diamantina (Bahia) sendo quase que total por estradinhas de terra e single track, pouquíssimo asfalto.

 

Tem uma grande diferença entre o ciclista (seja de competição ou amador de final de semana) e o Cicloviajante. E a principal diferença entre eles é a pressa.

A cicloviagem Volta da Chapada Diamantina foi um exercício para controlar a inquietude. Gostamos tanto de pedalar, e passamos tanto tempo sem pedalar/treinar, que quando subimos na bike a vontade é de girar do nascer do sol até o anoitecer.

Mas na Chapada o foco era outro, a idéia era a baixa quilometragem e o máximo aproveitamento do ambiente, afinal, não tinha como deixar passar aquele demorado banho de rio, ou como deixar de acampar naquele local perfeito para esperar um belo pôr do sol no topo, ou dispensar aquela parada embaixo de uma mangueira forrada de mangas... mesmo que pra isso tínhamos que "perder" muito tempo pra tirar os fiapos dos dentes...

Não perdemos a oportunidade de uma boa prosa com os moradores. Poderíamos nos limitar a um "boa tarde", mas optamos por "perder" 3 horas de causos e histórias da época do garimpo, ao ponto de brotar 1 lágrima em meus olhos no momento da despedida... mas afinal, a gente tinha que ir, estávamos apenas de passagem.

Esta cicloviagem poderia ser feita em 1 dia, ou 2 dias, talvez 3 dias tranquilamente, mas freamos a vontade de pedalar muitos quilômetros, pedalamos pouco. Aqui... não era lugar pra treino...

O trajeto era tão importante quanto o ponto final.

Eu já conhecia as trilhas da Chapada e já fiz caminhadas pela região alguns anos atrás, mas pedalar por lá foi mágico.

Não espere as íngremes e exigentes subidas da Estrada Real, nem as grandes distâncias do Jalapão, nem as retas intermináveis de pedalar pela região dos lagos do RJ, nem o relevo do Caminho da Luz em MG, muito menos o vento fresco de cicloviajar pelo Vale Europeu no Sul, pois aqui o esquema é outro.

Na Chapada você não perde o fôlego somente por pedalar, mas as lindas paisagens que nos cercam também são de tirar o fôlego.

 

Dia 1 - Dia de retas, terra, pouquíssimo asfalto e muuuito sol

Trajeto: Mucugê x Guiné x Acampamento muquiado na estrada

Distancia do dia: 50 km

Jantar: Preparamos um bacalhau com arroz e azeitonas

Gastos do dia: 2.50 - cerveja em Guine

Tínhamos energia e disposição pra pedalar muito mais, mas resolvemos acampar desviando um pouco da estrada num local entocado que estava sombra. Deduzimos que o por do sol seria maravilhoso dali. E foi. O sol desceu avermelhado deixando as paredes rochosas num tom laranja. Um espetáculo a parte.

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Dia 2 - Dia de Terra, subidas para o Capão e céu nublado

Acamps x Lavrinhas x Palmeiras x Vale do Capão

Distancia: 45km

Nos alimentamos de pastel de jaca e doce de leite caseiro durante o dia de hoje. Seguimos por estradinhas de terra, num lindo visual. O dia estava fresco, e com uma leve garoa para nossa sorte. Curtimos o dia com essa leve chuvinha.

 

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Dia 3 - Natal - Dia de curtir a noite de natal no Capão

Optamos por passar o natal no Capão. Fizemos a caminhada ate a Cachoeira da Fumaça e a noite preparamos nossa ceia de natal.

A cachoeira da Fumaça estava seca, e a trilha bem queimada devido ao incêndio que durou um mês na Chapada Diamantina. Mas o local merece sua visita pois sobrevive do turismo e continua belo.

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Dia 4 - Dia de Single Track e muito sol na cachola.

Capão x Aguas Claras x Morrão x Acampamento no riozinho na base do Camelo

Distancia 25km

Nosso destino era a região de Lençóis, e tínhamos muitas opções pra chegar lá. O caminho habitual por estradas nós descartamos. Também descartamos a possibilidade de retornar por Palmeiras. E a ida por trilha (trekking) também não era uma boa devido a grande quantidade de obstáculos para empurrar a bike pesada com a bagagem. Optamos pela trilha single track Aguas Claras x Morrão x Barro Branco x Lençóis. E esta se mostrou ser a melhor das opções para a gente que estava de bicicleta pesada com mantimentos, barraca, panelas, fogareiro. Tivemos um lindo visual do início ao final. Acampamos em um riozão mais a esquerda da trilha, na caminho para a base da subida para o Camelo. O calor hoje foi intenso, o sol castigou das 7 da manhã ate cair a noite. A Lua nasceu linda de frente para o rio atrás do morro.

Gastos do dia: Zero.

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Dia 5 - Dia de single track, areia fofa, sol forte, banho de rio, estradinhas de pedra e algumas subidas/descidas muito legais durante a trilha.

Acampamento riozinho x mais Single Track x Barro Branco x areiao x Lencois x Rio Capivari x Cachoeira Roncador

Distancia: 35km

Saímos do acampamento e seguimos pela trilha por mais 10km com visual de tirar o folego. Depois seguimos por uma estradinha mais estreita e também outra trilha de uns 7 km ate lençóis.

Fizemos uma parada para esperar o calor baixar e reabastecer a agua em Lençóis.

Seguiríamos por estrada neste trecho, mas um morador deu a dica de seguirmos por estrada de terra pelo rio Capivari e Roncador, que poderíamos acampar selvagem por lá. Eram aprox 16km de estradinhas, trechos mais técnicos, alguns trechos de areião e banho de rio no trajeto.

E lá fomos nós.

No rio Capivari conhecemos o morador Josemar Doidinho e o Capoeirista Zal. Batemos um longo papo e comemos muita manga em seu quintal.

Chegamos na cachoeira do Roncador no final da tarde depois de alguns problemas nos bagageiros, e montamos acampamento por lá numa parte mais alta da 'prainha'. O calor foi intenso a noite toda.

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Dia 6 - Dia de estradinhas, cachoeira e cidades históricas

Distancia 33 km

Saímos da prainha do Roncador e seguimos por 10km de estradinha de terra que melhorou muito neste trecho depois da cachoeira, poucos trechos de areião. Logo pegamos o asfalto por uns 7km e chegamos em Andaraí onde fizemos uma breve parada para o almoço.

A manha foi tranquila, nada técnico o trajeto. De la fizemos uma parada na cachoeira e seguimos para Igatu. Foram 7 km de subidas de pedras lisas e não uniformes. A subida era curta e não era íngreme. O esforço era grande para manter a bike na linha reta nas pedras lisas que não davam tração. Mas foi a soma de tudo isso com o sol de 40 graus na cabeça sem nenhuma sombra que sacrificou um bocado alguns dos integrantes do grupo, rs.

Igatu é linda, uma vila muito vibe, encravada na montanha, toda de pedra. Uma cidade charmosa, rústica, e com uma comunidade de escaladores que frequenta a vila. A escalada é forte por la. Adoramos.

Pra quem estiver de passagem e precisar fazer um acampamento selvagem por lá, a dica dos moradores é: No centrinho pegar a primeira a direita ate o fim, atravessar a ponte do rio (não é a ponte de entrada da cidade), e lá tem a parte do rio onde é bom pra acampar. Claro, desnecessário dizer que não deve utilizar sabonete, shampoo, etc, e tomar o cuidado ao utilizar o 'wc', andar para muitos metros longe do rio, enterrar, e trazer seu papel higiênico e lixo de volta para a cidade.

Apesar da cidade ser um charme, também achamos bem cara, rs, é bom levar um pouco de mantimentos para não depender somente do comercio local... afinal, um salgado pequeno do tamanho de uma empada custava 8 reais, uma tapioca de queijo 8 reais, pizza 40 reais.

Optamos por uma carne de sol com mandioca que saiu por 20 reais dividido em 2 pessoas.

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Dia 7 - Final

Distancia 21km

Saímos de Igatu, descemos a ladeira de pedra do outro lado (não a mesma que viemos), e seguimos rumo a Mucuge. Trajeto sem dificuldade alguma, muito bem sinalizado, praticamente somente retas.

Em pouco tempo chegamos em Mucugê.

Para quem precisar de hospedagem: No centrinho ao lado do estabelecimento X Tudo tem o camping que custa 12 reais, os quartos na Estalagem custam 35, e na frente ao lado da padaria 25 por pessoa.

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Saldo final:

Pneu furado: Zero (não me lembro de nenhum ter furado, rs, se alguém lembrar me corrige, rs)

Bagageiro quebrado: 2

Gastos com comida em 7 dias de cicloviagem: 87,00

Gastos com bebidas durante a cicloviagem (suco, coco e breja): 28,00

 

Fotos de Vivi e Ricardo/Elaine.

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