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Circuito de trilhas em El Chaltén - Fitz Roy e Cerro Torre (Argentina) - fev/16


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IMG_1751.JPGFitz Roy visto do Mirador Fitz Roy

 

Tendo o aeroporto de Punta Arenas como ponto inicial da viagem pela Patagônia, passei pelas cidades de Puerto Natales (Ch) e El Calafate (Arg) para chegar a El Chaltén (Arg). Poderia ter pego um voo do Brasil para Buenos Aires e El Calafate, já que essa cidade tem localização mais estratégica, porém o preço era pelo menos R$400 mais caro e a conexão em Buenos Aires era bem demorada.

 

14/02/16 - 1º DIA: DE EL CALAFATE AO ACAMPAMENTO POINCENOT

 

As fotos estão em https://plus.google.com/u/0/photos/116531899108747189520/albums/6261436122689516993.

 

Em El Calafate peguei o ônibus da empresa Taqsa das 7h e 2h50 depois estava em El Chaltén com um tempo perfeito, sol e céu azul. Tratei de comprar rapidamente os suprimentos num mercadinho e na padaria em frente (um pão integral delicioso) e corri para a trilha para não perder a oportunidade de fotografar o Fitz Roy enquanto havia sol, já que o tempo muda rapidamente, segundo todos dizem. Percorri oS 1200m da Avenida San Martín e ao final, após um estacionamento, cruzei o portal do Sendero Fitz Roy. Altitude de 400m. Uns 100m depois um guardaparque me parou para passar as informações de praxe, como: não fazer fogo, só usar fogareiro nos acampamentos e trazer todo o lixo de volta, só caminhar nas trilhas demarcadas e só acampar nos lugares estabelecidos. Segundo ele todas as águas correntes do parque são potáveis, mas aproveitei uma torneira ali para abastecer os cantis.

 

Às 11h36 a trilha começa já com uma subida que alterna trechos de bosque com partes sem sombra até que cheguei às 11h50 ao Mirador Rio de Las Vueltas, a primeira bela visão panorâmica da caminhada. O Rio de Las Vueltas se origina no Lago del Desierto, recebe águas de outros importantes rios e percorre um enorme vale, cruzando a cidade de El Chaltén. Continuando a subida, logo surge a primeira placa de distância, que marca km 1 de 10 até a Laguna de Los Três. Às 12h43 uma bifurcação importante, de difícil decisão sobre qual caminho tomar pois ambos são belíssimos: à direita o Mirador Fitz Roy e à esquerda a Laguna Capri. Mais à frente as duas trilhas se juntariam para chegar ao acampamento Poincenot e à Laguna de los Três (de onde se tem a visão mais próxima do Fitz Roy). Na dúvida, segui os dois... rs. Primeiro fui para a direita e apenas 530m depois caí duro com uma das visões mais impressionantes que já tive na vida. O Fitz Roy e todo o conjunto de picos próximos a ele com um céu incrivelmente limpo e azul, e toda a paisagem inundada pela luz do sol num dia belíssimo.

 

Após alguns minutos de contemplação e êxtase, voltei pelo mesmo caminho e peguei o lado esquerdo da bifurcação (agora à direita) às 13h23. Poderia ter continuado em frente depois do mirador mas queria conhecer a lagoa. Em 14 minutos já estava às margens da Laguna Capri, outro lugar muito bonito que merece uma parada e muitas fotos. Ali há um camping e a placa informa que já foram percorridos 4km da Senda Fitz Roy. Continuando, a trilha ainda dá visão da lagoa à esquerda por algum tempo mas depois se afasta. Às 14h09 passei pelo entroncamento da trilha que vem do Mirador Fitz Roy (à direita) e o caminho passou a ser bastante plano. Junto a um novo mirante a trilha se aproxima do Arroyo del Salto. Algumas pessoas haviam descido para pegar água.

 

IMG_1828.JPGLaguna Capri

 

Às 15h cheguei à bifurcação que leva à esquerda às lagunas Madre e Hija (e ao acampamento De Agostini e Cerro Torre), mas esse percurso eu faria dois dias depois, então fui para a direita. Como há um grande charco logo à frente, passarelas de madeira foram colocadas. Às 15h12 cheguei à bifurcação que vai para a Hosteria El Pilar à direita, mas segui à esquerda, chegando ao acampamento Poincenot às 15h15. Altitude de 737m. Uma placa marca km 8 da Senda Fitz Roy ali.

 

O que vale comentar aqui é a grande quantidade de pessoas na trilha. Se você quiser parar para fotos é melhor sair um pouco da trilha pois logo você vai travar o caminho de várias pessoas. E muita gente no sentido oposto também, para quem você deve dar passagem ou esperar que te deem. É muita gente mesmo.

 

No Poincenot rapidamente montei minha barraca e às 16h05 parti para a Laguna de los Três só com a mochila de ataque. É muito importante sempre carregar na mochila uma blusa a mais e jaqueta/calça impermeáveis pois o vento forte traz chuva mesmo estando sol. Cruzei o Rio Blanco por uma ponte, passei pela base Rio Blanco (que parece funcionar como guarderia, não sei) e iniciei a longa e erodida subida de pedras soltas até a Laguna de los Três, aonde cheguei às 17h05. Altitude de 1164m. A visão do Fitz Roy bem mais próximo era espetacular, com a neve a seus pés refletida nas águas verdes do lago. Um zorro colorado apareceu e circulou tranquilamente entre os visitantes à procura de comida. Contornando a lagoa pela esquerda por 250m é possível avistar a linda Laguna Sucia (que de suja não tem nada) bem mais abaixo. Ali um gavião se aproximou de mim e pude registrá-lo de vários ângulos. Os bichos aqui realmente não têm problema com os seres humanos.

 

Às 19h43 estava de volta ao acampamento Poincenot, ainda com luz do dia.

 

Essa subida longa e erodida até a Laguna de los Três se dá por uma moraina ou morena, que são montanhas de rochas trazidas pelo movimento das geleiras, algo muito comum na Patagônia.

 

Os acampamentos aqui têm como única estrutura um banheiro que é uma cabine com um buraco fétido no chão. No Poincenot há dois desse. Junto a um deles há uma pá pendurada para quem preferir usar o bosque para o número dois, cavando um buraco. Não há área coberta para cozinhar. A água é coletada no Rio Blanco, a poucos metros. Bebi dessa água (sem tratar) e não tive problema. Nessa noite um guardaparque surgiu do nada (não sei onde ele se abriga, provavelmente na base Rio Blanco) e avisou para ancorar bem a barraca por causa da previsão de mau tempo.

 

Nesse dia caminhei 16,9km.

 

IMG_1967.JPGLaguna de los Três e Fitz Roy

 

15/02/16 - 2º DIA: DO ACAMPAMENTO POINCENOT A TENTATIVA DE CHEGAR AO ACAMPAMENTO PIEDRA DEL FRAILE

 

As fotos estão em https://plus.google.com/u/0/photos/116531899108747189520/albums/6261436505415580337.

 

A temperatura mínima durante a noite foi de 11ºC fora da barraca, bastante acima do registrado nas madrugadas seguintes (levei dois termômetros externos com memória para fazer os registros).

 

De manhã quem rondava o acampamento à procura de alguma comida fácil era um carcará, que aqui chamam de carancho.

 

Estava ainda bem cansado da viagem desde o Brasil e acordei depois das 10h. A vantagem é que no verão patagônico o sol vai se pôr lá pelas 21h. Como as trilhas não são tão longas, não é preciso se apressar. Desmontei acampamento e só saí às 13h43 em direção ao acampamento Piedra del Fraile. Voltei pela mesma trilha da chegada no dia anterior por 140m e na bifurcação peguei a esquerda, na direção da Hosteria El Pilar. Uns 45 minutos depois estava no mirador do Glaciar Piedras Blancas. O Rio Blanco passa a ser visível novamente à esquerda, bem abaixo, e a descida é suave até se aproximar dele. Notei a correnteza bem forte devido ao calor e consequente degelo dos vários glaciares que o formam. Às 15h28 cheguei a um portal com uma catraca de madeira que marca o limite entre o Parque Nacional Los Glaciares e a área particular onde está a Hosteria El Pilar. Dali em diante encontrei gado pastando no bosque e às 16h19 passei pela hosteria, altitude de 468m, onde a trilha vira estradinha de rípio. As poucas pessoas que encontrei nessa trilha estavam indo ao mirador do Glaciar Piedras Blancas, deixando o carro no estacionamento da hosteria.

 

Caminhei 680m pela estradinha e cheguei à estrada que vai de El Chaltén ao Lago del Desierto, ao norte da cidade. Porém o vento ali era absurdo e eu tive muita dificuldade em caminhar pela estrada contra o vento e recebendo toda a poeira dos carros no rosto, que eu tentava cobrir com o chapéu. Caminhei 980m e ao chegar à ponte do Rio Elétrico a situação piorou. O rio estava tão cheio que batia no piso da ponte, com correnteza bem forte. Os motoristas passavam com cautela, mas felizmente eu não precisava cruzar essa ponte pois a trilha para Piedra del Fraile começa à esquerda, antes da ponte e bem junto a ela. Contudo, caminhei só 80m e parei pois o rio cheio inundou a parte mais baixa do caminho para o acampamento. Parecia até ser raso mas a água turva não me dava certeza disso. Não arrisquei entrar na água e o vento fortíssimo estava me deixando atordoado. Decidi retornar ao Poincenot, mas na volta para a estrada o vento me empurrava para dentro do rio a cada passo que eu dava, me causando grande susto.

 

De novo na estrada caminhei rapidamente a favor da ventania, entrei na estradinha da hosteria (à direita) passando por ela às 17h12 e retornando à Senda El Pilar. O abrigo do vento no bosque foi um alívio! Subi tudo de volta e no caminho vi dois carpinteiros, o pica-pau preto de cabeça vermelha. Cheguei ao Poincenot às 19h57 (altitude de 737m) e soube que a ventania havia feito estragos por lá. Algumas barracas voaram mesmo com a proteção das árvores altas do bosque. A barraca de um casal de chilenos com quem fiz amizade chegou a ter o sobreteto rasgado ao ser arrastada com as mochilas dentro!

 

Nesse dia caminhei 16,8km.

 

IMG_2561.JPGLaguna Hija com Cerro Madsen ao fundo

 

16/02/16 - 3º DIA: DO ACAMPAMENTO POINCENOT AO ACAMPAMENTO DE AGOSTINI

 

As fotos estão em https://plus.google.com/u/0/photos/116531899108747189520/albums/6261436916575077217.

 

A temperatura mínima durante a noite foi de 4,2ºC fora da barraca.

 

A caminhada entre os acampamentos Poincenot e De Agostini deve ter sido a trilha mais fácil e bonita que fiz em El Chaltén. Ela corre ao longo das belas lagunas Madre e Hija, em seguida por um lindo bosque e depois com a visão do maciço onde está o Cerro Torre. Linda trilha!

 

Desmontei acampamento e saí do Poincenot às 12h05. Voltei 1km pelo mesmo caminho do primeiro dia até a bifurcação para as lagunas Madre e Hija, logo após as passarelas sobre o charco, e fui para a direita (El Chaltén à esquerda). Às 13h05 já avistava a Laguna Madre, comprida e de águas esverdeadas, e em mais 15 minutos parei para fotos no ponto da trilha que está mais próximo à faixa de terra que separa a Laguna Madre da Laguna Hija.

 

Na continuação, a trilha desce e se aproxima das águas igualmente belas da Laguna Hija, o que rende boas fotos também. Abandonando a área das lagunas a trilha se embrenha num bosque que em alguns momentos se abre, dando visão dos campos e serras a leste. Depois de algum sobe-desce fácil cheguei às 15h29 à Senda Laguna Torre. É a trilha que vem da cidade e leva à laguna e ao Mirador Maestri, com visão do maciço do Cerro Torre. Fui para a direita (El Chaltén à esquerda). Pouco depois dali já se tem uma visão larga e privilegiada das montanhas nevadas e dos picos todos, inclusive o Cerro Torre, porém nesse dia só se viam nuvens. Na direção da cidade havia céu limpo e muito sol, mas na direção das montanhas estava bem fechado. Logo passei pela placa que indica km 6 de 9 da Senda Laguna Torre.

 

A trilha entra no bosque e começa a acompanhar o Rio Fitz Roy, que surge à esquerda. Ao sair continua margeando o rio, contorna outro bosque pela esquerda e chega a uma bifurcação. À esquerda, em 60m, está o acampamento De Agostini, à direita a trilha continua para a Laguna Torre, aonde se chega em 7 minutos.

 

Mas eu fui para a esquerda e às 16h30 entrei no bosque que abriga o acampamento, reencontrando meus amigos chilenos. Altitude de 613m. Teria várias horas de luz ainda nesse dia mas não adiantava subir até o Mirador Maestri pois não veria nada. Para piorar caía uma chuva fina, que logo se transformou em floquinhos de neve. Não dava para ver as montanhas mas era também um bonito espetáculo!

 

O acampamento De Agostini possui estrutura ainda mais básica que o Poincenot, tendo como banheiro apenas uma cabine com buraco no chão. Infelizmente essa cabine fica muito próxima e o mau cheiro pode ser sentido da barraca. Não há local apropriado para cozinhar e a água é a do Rio Fitz Roy, que nasce na Laguna Torre e passa bem ao lado. Eu bebi bastante dessa água (sem nenhum tratamento) e não tive problema.

 

Nesse dia caminhei 10,6km.

 

IMG_2959.JPGCachoeira no caminho do Mirador Maestri

 

17/02/16 - 4º DIA: ESPERANDO A MELHORA DO TEMPO NO ACAMPAMENTO DE AGOSTINI

 

As fotos estão em https://plus.google.com/u/0/photos/116531899108747189520/albums/6261437114070602417.

 

A temperatura mínima durante a noite foi de 4,6ºC fora da barraca.

 

Às 10h16 fazia 5ºC e o tempo não melhorava. Ainda havia neblina nos picos e chuva fina. Mesmo assim resolvi subir ao Mirador Maestri. Saí do acampamento às 11h29 com uma mochila de ataque, fui até a Laguna Torre (7 minutos) e de lá encarei a caminhada pela crista da moraina mesmo sem visual dos picos. A trilha do mirador não é difícil, tem apenas um ou dois trechos mais íngremes, mas no geral é uma subida suave. Uns 150m depois de uma cachoeira (dentro do bosque à direita) fui à direita numa bifurcação e entrei no bosque, mas estava errado. Voltei e fui para o lado certo, continuando a caminhar pela encosta, a céu aberto. Com esse erro e paradas para fotos (mesmo com tempo ruim) cheguei ao Mirador Maestri às 13h35. Altitude de 804m. Uma placa avisa do perigo de continuar em frente pela instabilidade do terreno e queda de rochas. E olhando a encosta para cima e para baixo é que se percebe o risco de ficar ali pois pedras enormes podem rolar a qualquer momento.

 

Às 13h53 iniciei o retorno. Parei para fotos da cachoeira e às 15h23 estava de volta ao De Agostini. Meus companheiros de bate-papo, o casal chileno, haviam ido embora. Vi gente chegando da cidade e fui perguntar sobre a previsão do tempo. Disseram que o dia seguinte seria o melhor da semana, segundo informações dos guardaparques. Aí bateu aquela dúvida: enrolar o resto do dia e dormir mais uma noite ali apostando na previsão ou arrumar as coisas e ir embora? Consultei o meu cronograma de viagem e concluí que podia gastar mais um dia ali sem prejudicar o restante da viagem (que incluía o Circuito O do Torres del Paine ainda).

 

Decidido isso e para não ficar parado no acampamento sem nada para fazer resolvi caminhar pelos bosques próximos e explorar as redondezas com mais calma. Saí às 16h40 e voltei pela Senda Laguna Torre até a bifurcação que leva à esquerda a um certo "Campamento Prestadores de Servicios". Entrei ali, passei pelo tal acampamento, todo de barracas iguais, e alcancei um pequeno mirante. O mirante em si não era nada especial (principalmente com tempo fechado), mas ali perto encontrei um bloco errático, uma grande rocha trazida pela geleira que tinha uma rachadura grande na lateral. Cerca de 350m depois essa trilha sobe a moraina e desemboca na trilha do Mirador Maestri. Fui para a esquerda e às 19h12 estava de volta ao Poincenot.

 

Nesse dia caminhei 9,8km.

 

IMG_3596.JPGLaguna e Cerro Torre

 

18/02/16 - 5º DIA: DO ACAMPAMENTO DE AGOSTINI A EL CHALTÉN

 

As fotos estão em https://plus.google.com/u/0/photos/116531899108747189520/albums/6261437370587930497.

 

A temperatura mínima durante a noite foi de 3,4ºC fora da barraca.

 

Felizmente as previsões estavam certas e amanheceu um lindo dia. Apesar disso, havia ainda espessas nuvens cobrindo o Cerro Torre e os demais picos, que só começaram a se dispersar depois das 10h30.

 

Subi novamente ao Mirador Maestri parando muitas vezes para fotos, tanto na ida quanto na volta já que na volta o Cerro Torre estava ficando mais visível entre as nuvens. Saí do acampamento às 10h10 e às 13h43 estava de volta. Desmontei tudo e iniciei a descida para El Chaltén às 15h29. O caminho foi o mesmo da chegada dois dias antes até a bifurcação para as lagunas Madre e Hija, aonde cheguei às 16h29, seguindo para a direita. Para trás a linda visão dos picos com céu azul não me deixava caminhar muitos passos sem me virar para admirar.

 

Nesse percurso encontrei um brasileiro, um gaúcho, que estava fazendo um ataque ao Mirador Maestri desde a cidade mas desistiu por causa do horário e da distância. Fomos conversando e passamos pelo Mirador do Cerro Torre às 17h36. Retomamos a trilha pelo bosque e apesar da quantidade de pessoas pudemos observar vários carpinteiros bem próximos, voando de uma árvore a outra à procura de larvas. Às 18h02 a trilha para a cidade bifurcou, com uma placa indicando El Chaltén à direita. Mas tanto faz, depende de para qual parte da cidade se vai. À direita é o acesso sul, melhor para ir à rodoviária ou à maior parte do comércio e restaurantes. À esquerda é o acesso norte, que chega à cidade mais próximo da trilha do Fitz Roy. O gaúcho (esqueci seu nome) foi para a direita e eu fui para a esquerda pois ia seguir a sua indicação de hostel e ver preços de camping.

 

Às 18h54 a trilha terminou numa rua, fui para a direita, depois esquerda e cheguei à avenida San Martín na altura do nº 700-900. Altitude de 400m. Fui para a direita à procura do Hostel Las Cuatro Estaciones mas não encontrei (ficava para a esquerda, depois descobri). Então olhei os campings El Relincho (AR$120) e El Refugio, e optei pelo último por ser mais barato (AR$90 negociável). Os albergues mais baratos estavam cobrando AR$150 (US$10,71 considerando o câmbio ruim de US$1 = AR$14 praticado na cidade).

 

Saí para jantar e não encontrei nada por menos de AR$140 (US$10). Esse era o preço de um filé de frango com saladinha, mais nada. Menos que isso só lanche ou cozinhando no camping. Para ter uma idéia melhor de preço, quando eu saí do Brasil em 12/02 o dólar-turismo estava sendo vendido a R$4,25. O filezinho de frango estava saindo portanto a R$42,50!

 

Nesse dia caminhei 9,2km.

 

IMG_4001.JPGNas imediações de El Chaltén, voltando da tentativa de subir o Loma del Pliegue Tumbado

 

19/02/16 - 6º DIA: LOMA DEL PLIEGUE TUMBADO (TENTATIVA) E MIRADORES CÓNDORES E ÁGUILAS

 

As fotos estão em https://plus.google.com/u/0/photos/116531899108747189520/albums/6261437654486503649.

 

A temperatura mínima durante a noite foi de 2,8ºC fora da barraca.

 

Saí do acampamento com uma mochila de ataque para conhecer os três principais mirantes mais próximos de El Chaltén: Loma del Pliegue Tumbado, Mirador de los Cóndores e Mirador de las Águilas.

 

Caminhei até a entrada da cidade (junto à rodoviária), cruzei a ponte sobre o Rio Fitz Roy e seguindo as placas cheguei ao Centro de Visitantes do Parque Nacional Los Glaciares zona norte. O centro é bem interessante, com mapas e informações sobre fauna e flora, além dos guardaparques muito atenciosos e prestativos. Vale a visita!

 

Ali inicia a trilha para os três mirantes, além da trilha para a Laguna Toro, Paso del Viento e Volta do Huemul. Mas para essas trilhas mais longas e difíceis é necessário fazer registro no centro de visitantes.

 

Peguei a trilha sinalizada para os mirantes às 10h52 e em 6 minutos há uma bifurcação. Para a direita Loma del Pliegue Tumbado e Laguna Toro, e para a esquerda miradores Cóndores e Águilas. Como o Pliegue era mais difícil fiz primeiro. Fui para a direita e às 11h04 cruzei um riacho de água boa segundo a guardaparque. Após o riacho a trilha bifurcou e eu segui para a esquerda. Aí começa uma longa subida. Às 11h16 outro riacho de água boa. Mais para cima há riachos de água não potável por causa do gado.

 

A trilha sobe bastante exposta ao sol, atravessa um bosque de 700m, volta a ficar a céu aberto (com vista do Pliegue) e às 12h05 bifurca (796m). À direita o Pliegue e à esquerda a Laguna Toro. Seguindo para a direita logo entro num grande bosque, o último antes do cume. Na subida pelo bosque notei muita gente voltando. Comecei a perguntar se haviam chegado ao cume e todos respondiam que ao final do bosque, no mirador, o vento estava forte demais e ninguém continuava.

 

Cheguei ao mirador às 12h43 (altitude de 1043m) e constatei que não só o vento era de arrasar como trazia pingos de chuva que batiam forte na pele, além das nuvens que encobriam quase toda a visão das montanhas. Ou seja, não havia muito sentido mesmo em prosseguir pois o vento ia ser ainda mais forte mais para cima e não havia o que ver. E dali em dias limpos é possível ver o Cerro Torre e o Fitz Roy, segundo a placa do mirador.

 

IMG_4027.JPGEl Chaltén

 

Dei um tempo ali, conversei com algumas pessoas que estavam desistindo do cume também, fiz um lanche e iniciei a descida de volta pelo mesmo caminho às 13h20. Às 15h38 estava de volta à bifurcação dos miradores Cóndores e Águilas e fui em frente (à esquerda o centro de visitantes). Altitude de 404m. Inicia uma nova subida. A trilha do Mirador de Los Cóndores possui painéis educativos para as crianças que falam sobre a vida dessa ave e sua importância como símbolo dos Andes.

 

Após subir 83m (de desnível) uma placa indica o Mirador de los Cóndores 10 minutos à esquerda e o Mirador de las Águilas 30 minutos à direita. Fui primeiro aos Cóndores para fotografar a cidade de El Chaltén com sol. Esse mirador (524m) fica bem de frente para a cidade e para o vale do Rio de las Vueltas, com as montanhas ao fundo e o encontro do Rio Fitz Roy com o las Vueltas em primeiro plano. O vento ali também estava bem forte e estava difícil ficar em pé para tirar as fotos.

 

Desci de volta à última bifurcação e em mais 18 minutos cheguei ao Mirador de las Águilas (587m). Essa trilha não tem painéis para as crianças e há uma bifurcação não sinalizada onde se deve subir à esquerda. Esse mirador tem visão oposta ao primeiro e está no limite das montanhas em direção ao Lago Viedma, ou seja, a vista que se tem é de uma extensa estepe com o lago ao fundo. Me escondi do vento forte atrás das pedras mas na hora de voltar estava até difícil parar em pé. Desci rapidamente para um ponto mais abrigado e iniciei o retorno à cidade. Às 17h48 passei pelo centro de visitantes e já estava fechado (fecha às 17h).

 

Nesse dia caminhei 18,7km.

 

SOBRE O TEMPO

 

Todos sempre me disseram que o tempo na Patagônia muda a cada hora. Não foi o que eu vi. Quando o dia amanhecia ruim, ficava ruim. Já quando amanhecia bonito, permanecia assim. O que incomoda mesmo é o vento muito forte, que atrapalha algumas caminhadas, como relatei acima. Ele traz chuva de longe mesmo estando sol no lugar onde você está. E às vezes essa chuva vem com pingos fortes e doloridos.

 

SOBRE O FRIO E AS ROUPAS

 

Como relatei, a temperatura mínima durante a noite e madrugada oscilava entre 4,7ºC a 2,8ºC. Um saco de dormir nessa faixa de temperatura-limite (com alguns graus para baixo para ter mais conforto) dá conta do recado. Eu levei um saco de dormir Marmot Alpha, de pluma de ganso, de especificação: conforto 2,6ºC, limite -2,8ºC e extremo -19ºC. Ele foi mais do que suficiente.

A temperatura de manhã demorava um pouco a subir. Geralmente eu tomava meu dejejum lá pelas 9 ou 10h com temperatura externa de 5ºC. Mas para mim um fleece fino da Quechua já era suficiente para sair da barraca.

Para caminhar, eu usava uma camiseta de dryfit de manga curta e o fleece da Quechua se tivesse vento frio. Quando o sol ficava mais forte, tirava o fleece.

Gorro só usava à noite, e luvas levei mas não usei.

 

IMG_1811.JPGLaguna Capri e Fitz Roy

 

Informações adicionais:

 

Horários de ônibus entre El Calafate e El Chaltén (3h de viagem):

 

Empresa Cal Tur (AR$420) - http://www.caltur.com.ar:

El Calafate-El Chaltén - 8h, 13h, 18h30

El Chaltén-El Calafate - 8h, 13h, 18h30

 

Empresa Taqsa (AR$370) - http://www.taqsa.com.ar:

El Calafate-El Chaltén - 7h, 16h30

El Chaltén-El Calafate - 10h30, 19h30

 

Empresa Chaltén Travel (AR$420) - http://www.chaltentravel.com:

El Calafate-El Chaltén - 8h, 13h, 18h

El Chaltén-El Calafate - 7h30, 13h, 18h

 

Hospedagem em El Chaltén:

 

Os hostels mais baratos que vi por lá foram Ahonikenk Chaltén (ao lado do restaurante de mesmo nome) e Las Cuatro Estaciones (http://www.hostelcuatroestaciones.com). Estavam custando AR$150 a diária. Apenas vi o preço, não sei dizer quanto à qualidade.

Os campings da cidade são El Relincho (AR$120) e El Refugio (AR$90 negociável). Têm ducha quente e área para cozinhar.

 

Atenção para o câmbio!!!

O único câmbio bom em El Chaltén, bem como em El Calafate, é feito no banco. No caso de El Chaltén, na agência do Banco de La Nacion Argentina, porém é preciso ficar atento aos horários de funcionamento. O horário é de 8h a 13h, mas cuidado pois na internet há informações de que a agência só abre um dia por semana em abril e maio. Não há casas de câmbio nessas duas cidades, por incrível que pareça, apenas lojas, restaurantes e hostels que fazem um câmbio péssimo. Tente não fazer câmbio nessas cidades para não perder dinheiro nessas lojas e não perder tempo nos bancos lotados. Mas se não tiver outra saída, tente em El Chaltén o Restaurante Ahonikenk e o Hostel Rancho Grande para trocar real, e diversos outros lugares para cambiar dólar. Mas (repito) evite pois a cotação para dólar é ruim e para real é impensável. O dólar estava sendo comprado nas lojas das duas cidades a AR$14, enquanto no banco em El Calafate estava AR$15,90 (não parece mas isso faz bastante diferença). O real estava com o valor ofensivo de AR$3, enquanto no banco era AR$3,60.

 

Rafael Santiago

fevereiro/2016

http://trekkingnamontanha.blogspot.com.br

 

Chalten%2BGE.jpg

Chalten%2BGE_2.jpgPercurso completo na imagem do Google Earth. Cada dia representado por uma cor.

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  • 4 semanas depois...
  • Membros de Honra

Grande Otávio!

Então, eu sabia que a Fly Creek não ia aguentar aqueles ventos de lá, até com os ventos mais fortes daqui ela "deita" um pouco. Pra chuva ela é perfeita, mas pra vento...

 

Por indicação de amigos fui atrás de uma semigeodésica. E na procura pela mais leve possível, acabei optando por uma Terra Nova. Comprei a menina numa promoção num site americano. É a Superlite Voyager. Ela está nessa foto: https://plus.google.com/u/0/photos/116531899108747189520/albums/6261406180869174769/6261406557111046210?pid=6261406557111046210&oid=116531899108747189520

 

Pesa só 1,45kg, para duas pessoas. Material de primeiríssima, coisa fina mesmo. Mas mesmo ela precisa ser muito bem ancorada para aguentar aquelas rajadas tão fortes de vento.

 

Nos acampamentos de Chaltén e do Paine vi todo tipo de barraca, desde Hilleberg e Vaude até "marca barbante". Se não estiver ventando nem chovendo qualquer barraquinha de mercado serve, claro. Mas em condições mais sérias uma semigeodésica de marca confiável e bem ancorada será o seu grande desejo.

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  • Membros

Quando fui em 2006, fomos em 4 pessoas com uma Nautika Falcon 3 e uma daquelas bem simplonas, para duas pessoas, que vendem em mercado. Daquelas que só tem uma cobertura 'extra' no topo.

Nossa barraquinha ganhou até o apelido de Toca do Gugu de dois caras que conhecemos por lá. E fizeram questão de tirar uma foto da barraca. rsrsrs

 

Tivemos sorte de pegar tempo bom, pois no único dia que choveu a barraca encharcou.

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    • Por Alan Rafael Kinder
      INTRODUÇÃO
       
      Bom pessoal, eu sou o Alan, e recentemente fiz a primeira viagem internacional da minha vida (e também a primeira vez que voei com um avião).
      Comigo, também foram meu irmão (Fabian) e um amigo (Diego).
      Esse relato foi uma forma de compensar por todo o auxílio que obtive, em especial, aqui neste fórum, com dicas e informações preciosas que permitiram que eu tivesse essa viagem extraordinária.
      Eu tentei elaborar esse relato com calma, e por isso acabei demorando um bocado pra chegar nessa versão final – fazem 56 dias que eu chegava de volta ao Brasil!
      É importante destacar que, sempre que foi possível, evitamos ‘programas fechados’, que envolvessem guias ou horários pré-estabelecidos – queríamos ter a liberdade de curtir cada momento no nosso próprio tempo.
      E também, como nós temos o hábito de fazer caminhadas por trilhas aqui de nossa região, decidimos que o foco de nossa viagem seria o hiking, logo, tudo girou em torno dessa ideia.
      Como foi a primeira viagem de todos nós, haviam certas incertezas em todas as decisões – desde o voo (como proceder com o embarque, o que poderia ser levado) até questões de dinheiro (onde trocar, quanto vale) e praticidade (alugar um carro, hotel ou hostel, quão frio é por lá).
      No final das contas, nosso planejamento foi uma mistura de segurança com economia (os planos mudaram diversas vezes).
      Meu propósito com esse relato é de tentar ajudar pessoas que, assim como eu, não tem nenhuma experiência com viagens desse gênero – por isso, tentarei enriquecer o máximo possível com informações relevantes (e talvez tudo fique muito extenso para ser lido).
      Tomem nota que, quando eu descrevo as trilhas, tento focar mais nos detalhes que mais me chamaram a atenção – mas todas elas tomaram horas de caminhada.
       
      PLANEJAMENTO DA VIAGEM

      Inicialmente, o desejo de conhecer a Patagônia Argentina surgiu no final de 2018, onde eu e o Diego conversávamos em um PUB da região enquanto bebíamos e assistíamos o canal OFF.
      Daquele momento em diante, decidi reservar um tempo e montar um itinerário – fiz diversas pesquisas pelo Google em busca de atrações e programas naquela região (naquela época ainda não sabia da existência de El Chalten).
      A primeira versão da viagem envolvia conhecer Ushuaia, e estávamos fortemente considerando alugar um carro naquela região para ter mais mobilidade.
      Entretanto, conforme fui ampliando minha pesquisa sobre o assunto, fui de encontro com a ‘Capital Nacional do Trekking da Argentina’ – El Chalten – e logo me apaixonei pela possibilidade de conhece-la (ainda mais estando tão próxima de El Calafate com seu Glaciar Perito Moreno).
      No início de maio de 2019 encontrei uma promoção de passagens para ir e vir de El Calafate (um valor bem abaixo dos demais – estive acompanhando semana a semana a variação deles) – apenas teríamos que aumentar dois dias de viagem (inicialmente eram apenas oito) e a saída seria de Curitiba/PR. Logo que compartilhei com os demais, decidimos comprar as passagens naquele mesmo dia.
      Passagem de CWB para FTE (conexão em EZE com troca de avião), valor de R$ 1.409,81 por pessoa, ida e volta, sem bagagem adicional, comprada diretamente do site da Aerolineas Argentinas em 02 de maio de 2019.
      A partir deste momento, tínhamos um período definido para nossa viagem, e com isso, fizemos alterações relevantes nos planos: desistimos de ir para Ushuaia (ficaria para uma próxima) e não alugaríamos mais um carro.
      Desistindo de visitar Ushuaia, asseguramos uma economia nas despesas, porém, mais que isso, mais dias para curtir El Chalten (e foi uma decisão extraordinária)!
      Percebemos que, tendo apenas El Calafate e El Chalten nos planos, ter um carro se mostrava desnecessário – era possível fazer as trocas de cidade e eventuais corridas com serviços oferecidos na região (e novamente, foi muito mais barato que alugar um carro e dividir as despesas).
      Finalmente, na última versão da viagem, decidimos trocar o último dia de passeio em El Calafate por El Chalten, de forma que ficaríamos um sétimo dia (seis líquidos) para nossas caminhadas.
      Por segurança e praticidade, tudo que pudemos comprar com antecedência aqui do Brasil foi feito – não sei dizer ao certo se isso foi o mais sábio em termos de economia, mas estar com as coisas definidas permitia com que curtíssimos mais o que era importante, ao invés de ficar correndo e negociando coisas.
      Também não compramos chip de planos de dados para internet. Sinceramente não achei necessário. Você conseguia acesso via wifi em praticamente qualquer estabelecimento, incluindo o hostel/hotel. A conexão é normalmente boa, raríssimas vezes não funcionava (em El Chalten teve um dia que ventou demais e pareceu que estava interferindo). Mas conseguíamos fazer chamadas de vídeo sem problema algum.
      Quanto ao celular, visto que não teria plano de dados, eu baixei os mapas da região para consulta offline (isso foi realmente importante) e sempre que não precisava conectar ao wifi, mantinha a opção ‘modo avião’ e ‘economia de energia’ ativos – isso dava até cinco vezes mais bateria para o celular.
       
      EQUIPAMENTOS
      Apesar de fazermos trilhas aqui pela região com bastante frequência, estávamos cientes que o clima da Patagônia era muito diferente do nosso, e por isso, foi necessário comprar algumas coisas – ainda mais que decidimos fazer a viagem sem despachar malas.
      Nosso limite era de 08kg na bagagem de mão (que você guarda em cima do teu assento no avião) e até 03kg no artigo pessoal (aquela mochilinha que tens que colocar entre seus pés no chão) – essas eram as regras da Aerolínias Argentinas (logo, dependendo das empresas que operarem teu voo, tens que observar as regulamentações específicas).
      Bom, cada um de nós fez suas próprias compras, mas de uma forma geral, os mesmos itens eram comprados.
      Com os relatos de ser uma região muito fria, decidimos nos preparar para isso.
      Fora isso, tínhamos que considerar que tudo que fosse comprado teria que caber dentro das mochilas.
      Segue relação dos itens que foram levados dentro das mochilas:
      1x Casaco fleece 2x Camisa manga curta dryfit 1x Camisa manga longa dryfit 1x Camisa segunda pele 1x Calça de trilha com resistência a água 1x Calça moletom 1x Calça segunda pele 1x Touca 1x Luvas 1x Toalha dryfit 5x Cuecas 4x Meias cano longo de trilha 1x Meia de algodão 1x Chinelo 1x Powerbank 20.000mah Documentos e comprovantes Além destes, algumas coisas vesti e carreguei durante os voos:
      1x Casaco com resistência a água 1x Camisa manga curta de tecido 1x Calça jeans 1x Bota impermeável de trilha 1x Celular No final das contas, todos os itens comprados couberam com relativa folga de volume, e muita folga de peso, na mochila maior. Na mochila menor levei os eletrônicos e documentos, e também ficou folgada. A verdade é que nem precisávamos levar tanta coisa (devido nossas escolhas durante a viagem).
      Tínhamos pensado em lavar nossas roupas enquanto tomávamos banho – e isso até foi possível com alguns itens – entretanto, conforme estávamos lá, percebemos que iríamos precisar mandar lavar algumas peças em lavanderias (e fizemos isso duas vezes – custava entre 300 a 400 pesos dependendo do peso). Isso acresceu um pequeno custo ao total de despesas, mas valeu muito a pena.
      As despesas com esses itens comprados não fazem parte das da viagem, pois apesar de ter comprado muita coisa específica, posso usá-las em outros momentos.
    • Por Ana Caroline Cunha
      Olá gente!
      Nem acredito que chegou a minha hora de deixar um relato de viagem haha eu pesquisei muito aqui nesse fórum e uma das grandes razões da viagem ter saído do papel e eu ter feito o meu primeiro mochilão sozinha foi as informações que encontrei por aqui. 
      Primeiramente, a base da minha viagem foi o relato da @appriim que está completinho nesse link aqui. Encontrei ela aqui no Mochileiros e no fim somos da mesma cidade e temos vários amigos em comum (e em breve espero que saia o encontro pessoalmente né Ana? haha)
      Fiz algumas alterações porque eu tinha alguns dias a mais que ela, então segue abaixo uma visão geral do meu roteiro e depois nos comentários vou escrevendo dia a dia.
      17/12/2019 - Florianópolis > Ushuaia
      18/12/2019 - Ushuaia - Carimbei o passaporte, comprei o ônibus para Punta Arenas e fiquei andando na cidade sem rumo
      19/12/2019 - Ushuaia - Passeio na Pinguinera + Canal Beagle e trilha no Glaciar Martial 
      20/12/2019 - Ushuaia - Laguna Esmeralda
      21/12/2019 - Ushuaia - descanso e andei pela cidade sem rumo de novo
      22/12/2019 - Ushuaia deslocamento > Punta Arenas - 12h de ônibus durante o dia
      23/12/2019 - Punta Arenas - fiz o câmbio e andei pela cidade, pela orla, fui ao mirante e cemitério as 17h peguei o ônibus para > Puerto Natales - 3h
      24/12/2019 - Puerto Natales - Aluguei um carro com o pessoal do hostel e fomos até o Parque Torres del Paine, fazendo o "Full Day" que vende em agências de forma privada
      25/12/2019 - Puerto Natales - Descanso
      26/12/2019 - Puerto Natales - Trilha Base de Torres del Paine 
      27/12/2019 - Puerto Natales deslocamento > El Calafate - 7h de ônibus durante o dia 
      28/12/2019 - El Calafate - Laguna Niemez, Lago Argentino e andei pela cidade
      29/12/2019 - El Calafate - Mini Trekking no Glaciar Perito Moreno
      30/12/2019 - El Calafate deslocamento > El Chalten - 3h de ônibus saindo as 8h
      31/12/2019 - El Chalten - Laguna de los Três / Fitz Roy 
      01/01/2020 - El Chalten - Descanso 
      02/01/2020 - El Chalten - Chorrillo Del Salto 
      03/01/2020 - El Chalten - Mirador de Los Condores e Las Aguilas 
      04/01/2020 - El Chalten - Laguna Torres / Cerro Torre
      05/01/2020 - El Chalten - Madre e Hija
      06/01/2020 - El Chalten - Descanso
      07/01/2020 - El Chalten deslocamento > El Calafate - 3h de ônibus, saindo as 8h, andei sem rumo pela cidade
      08/01/2020 - El Calafate - Lago Argentino, andei pela cidade e meu voo saiu as 19:30h para Buenos Aires > Florianópolis
      09/01/2020 - Chegada em Florianópolis 
      Gastos aproximados: 
      DESLOCAMENTO: R$ 3.000,00
      R$ 2.139,00 passagem aérea Aerolíneas Argentinas | Ida: Floripa > Buenos Aires > Ushuaia | Volta: El Calafate > Buenos Aires > Floripa R$ 180,00 entre taxi, uber, transfer aos lugares R$ 530,00 deslocamentos de ônibus R$ 135,00 aluguel de carro por 1 dia em Puerto Natales (o carro foi dividido em 4 pessoas) HOSPEDAGEM: R$ 1.280,00
      Ushuaia: ANTARCTICA HOSTEL Punta Arenas: HOSTEL ENTRE VIENTOS Puerto Natales: WE ARE PATAGONIA BACKPACKERS (pagamento em dólar estamos isentos de 19% do imposto) El Calafate: FOLK HOSTEL El Chalten: LO DE TRIVI El Calafate: FOLK SUITS Reservas feitas pelo Booking e HostelWorld
      PASSEIOS: R$ 1.650,00
      Mini Trekking Perito Moreno - R$ 700,00 - comprado no Brasil valor com cartão de crédito e IOF Pinguinera + Canal Beagle - R$ 742,00 - pago no Brasil valor com cartão de crédito e IOF | observação importante: se fazer a caminhada com os Pinguins em Punta Arenas é metade do preço e rola reservar lá mesmo no próprio hostel pro dia seguinte. Entrada Parque Torres del Paine - R$ 185,00 (paguei o preço de 2019 ainda) ALIMENTAÇÃO: R$ 1.200,00 (tem mercado, cerveja, vinho e alfajor nessa conta haha)
      BAR: R$ 200,00 (isso são os extras dos dias que fui pro bar e só consumi álcool)
      SEGURO VIAGEM: R$ 215,00
      TOTAL GASTO R$ 8.000,00 (contando souvenir, extras que eu possa ter esquecido de anotar e etc)
      Conversões realizadas: 
      1 real > 13,60 pesos argentinos (Aeroporto Ezeiza de Buenos Aires)
      1 real > 185 pesos chilenos (Casa de Câmbio em Punta Arenas)
      1 real > 16 pesos argentinos (Restaurante Casimiro em El Calafate)
      Fiz umas outras conversões zoadas porque tive perrengue de dinheiro que conto depois hahah mas essas três foram as principais que acho que vale citar. 
      TOTAL QUE GASTEI EFETIVAMENTE: R$ 8.900,00 (perdi R$ 900,00 por um golpe na conversão do câmbio no Banco do Aeroporto Ezeiza, eu dei R$ 3.200,00 e eles me converteram como se eu tivesse trocando R$ 2.300,00, fui perceber só agora que já estava no Brasil, foi falta de atenção minha como recém mochileira que achava que tinha pensado em todos os detalhes, só que não... 💔💔)
       
      Aos poucos vou contando aqui sobre a viagem dia-a-dia, ah eu também fui postando tudo no meu Instagram (@anavoando), os stories estão salvos no destaques e fui escrevendo no feed também.
      Ah, leiam o post da Ana que citei lá no começo, eu li e reli um milhão de vezes e ela dá várias dias ótimas!! 
       




       
      Espero que gostem! 
      Continuarei aos poucos,
      Ana Caroline
    • Por Antonio Domenico
      Olá pessoal, esta será a minha primeira viagem fora do país, meu inglês é bem fraco e espanhol é apenas o que eu aprendi assistindo a Usurpadora e Maria do Bairro kkk, da um pouco de medo, mas let it go!
      Vou ir deixando registrado aqui o que estou planejando para o meu mochilão, talvez sirva de ideia para algumas pessoas e super aceito dicas também. Muitas coisas do que eu estou planejando tem como referência depoimentos e dicas que li na internet.
      As passagem de avião pesquisei pelo app KAYAK, o app mostra os dias mais baratos para viajar e isso ajudou bastante. Também fazei viagem de ônibus, deixarei o link dos locais que comprarei as passagens.
      Trajetos:
      Avião Dia 24/02 - São Paulo (GRU) ---> Buenos Aires (EZE)  chegada 09:55am 
      Dia 27/02 - Buenos Aires (AEP) ---> Ushuaia (USH) chegada 08:10am
       
      Ônibus 29/02 - Ushuaia ---> Punta Arenas  55,37 DÓLARES 
      Saída 9am 
      Chegada 19:30 pm  
      29/02 - Punta Arenas ---> Puerto Natales 11,88 DÓLARES 
      Saída 21pm 
      Chegada 00:15 am 
      03/03 - Puerto Natales ---> El Calafate 23,72 DÓLARES  
      Saída 7:30 am 
      Chegada 13:30 pm  
      06/03 - El Calafate ---> El Chalten
      Saída 8 am 
      Chegada 11am  
      10/03 - El Chalten ---> El Calafate 152,38  reais
      (ainda vou decidir o horário)
       
      Avião  10/03 - El Calafate (FTE)  --> São Paulo (GRU)
      As passagem de avião ficaram em torno de 1860 reais incluindo uma bagagem de mão e uma mala.
       
      Hospedagem 
      Eu escolhi hostels pelo booking, dando preferência para os que serviam café da manhã e eram próximos de rodoviárias.
      Agora só preciso me organizar para fazer um roteiro de passeios e trilhas.
       
       
       
       
    • Por ekundera
      Patagônia - El Calafate, El Chaltén, Puerto Natales, Punta Arenas, Ushuaia - Fevereiro/2019 - 20 dias
       
      Planejamento para viagem
       
      Meu planejamento para a Patagônia aconteceu com uma antecedência de uns 6 meses, quando achei promoção de passagem pela Aerolíneas Argentinas. Comprei a chegada por El Calafate e a saída por Ushuaia, mas eu penso que o melhor itinerário para conhecer a região seja fazer o inverso, terminando por El Calafate. Acho interessante a viagem ir surpreendendo a gente cada vez mais de forma crescente, para a gente se encantar por cada lugar, sem achar que é mais do mesmo ou que o anterior tenha sido melhor.
       
      As hospedagens eu reservei pelo Booking, mas antes eu comparei com o Airbnb, mas não estavam assim tão vantajosos para compensar ficar em casa dos outros, tendo o trabalho de ter que combinar a chegada. De qualquer forma, achei essa parte de gastos um pouco alta, com diárias um pouco acima da média. E além disso, os lugares com melhor localização ou avaliação já não tinham mais vagas. Penso que a reserva para a região tenha que ser feita com maior antecedência.
       
      A melhor forma de se vestir na Patagônia, pelo menos para o período que fui, é usando umas 3 camadas. A primeira camada, com uma camiseta dry fit, porque ela absorve o suor e não fica encharcada, não deixando esfriar ainda mais em contato com a pele. A segunda camada, com uma blusa térmica (a minha preferida é um modelo que não seja tão aderente ao corpo, como a marca Wed’ze que encontrei na Decathlon). A terceira camada, um casaco que proteja por dentro e com material impermeável por fora, de preferência com capuz e que não seja tão volumoso, porque a gente tira em vários momentos e incomoda carregar na mão.
       
      Na parte de baixo, eu usava só a calça térmica primeiro e uma outra calça por cima. Não usei calça jeans nos passeios, levei essas com bolsos dos lados (achei uma que gostei demais numa loja de produtos para pesca). Levei também um par de luvas de couro fino, sem ser volumosas, gorro, cachecol, bota tipo tênis para trilha. Em alguns momentos eu pensei em comprar uma proteção para o rosto, estilo balaclava, mas eu fui adiando e depois já não compensava mais no final, mas eu tive muitas oportunidades para usar nos diversos passeios com vento gelado.
       
      Como eu faria conexão em Buenos Aires, a maior parte do dinheiro que levei foi o nosso real, para comprar pesos argentinos no banco do aeroporto. Algumas cédulas de reais que estavam com algum risco de caneta ou um leve rasgadinho eles não aceitaram e me devolveram. Eu também levei alguns dólares por precaução, para outros gastos que fossem necessários, que eu só usei para pagar algumas hospedagens (muitas cobravam 5% a mais se fosse pagar no cartão) e também para trocar por alguns pesos chilenos quando mudei de país.
       
      Para os passeios, é bom ter uma mochila para carregar lanche e água, além de ter as mãos livres quando a gente precisa se apoiar sempre durante as trilhas cotidianas. Óculos escuros também são essenciais para proteção do reflexo da neve. Quanto aos bastões para trilha, eu particularmente não tinha e não achei assim tão essenciais, mas muita gente que usa gosta, já que eles apoiam em caminhadas mais difíceis, além de diminuir um pouco o esforço dos joelhos.
       
      Na primeira cidade que cheguei, uma providência que tomei no primeiro dia foi comprar um chip para celular. Fiz um plano pré-pago para 20 dias na Claro, com 3gb por cerca de 30 reais. No entanto, não usei na viagem toda porque em El Chaltén não havia sinal (disseram que a Movistar poderia funcionar lá) e no Chile teria que pagar roaming.
       
      Para diminuir a quantidade de dinheiro que eu levaria, preferi reservar e pagar antecipadamente a maioria dos passeios que faria. Para um ou outro passeio, eu vi recomendação que era bom deixar reservado, podendo haver maior procura durante a alta temporada, correndo o risco de não ter vaga se comprado na véspera. Mas eu vi gente comprando lá mesmo, daí não sei se essa recomendação faz muito sentido.
       
      El Calafate
       
      Minitrekking Perito Moreno
       
      No primeiro dia, eu já havia deixado comprado o passeio do minitrekking ao Perito Moreno diretamente no site da Hielo & Aventura. Pelo que fiquei sabendo, somente esta empresa está autorizada a fazer o trekking no gelo. Quando outras empresas comercializam esse passeio, na verdade elas estão intermediando a venda, que terá a Hielo & Aventura como prestadora de serviços. Portanto, é bom comparar os preços para ver o melhor.
       
      No dia do passeio, a van da empresa passou no hotel no horário combinado e passou em alguns outros hotéis para pegar mais alguns turistas. Um tempinho depois, a van foi substituída por um ônibus com maior capacidade de pessoas e assim partimos para o Parque Nacional de Los Glaciares. Um funcionário do Parque entra no ônibus e faz a cobrança da taxa de visitação de todos os visitantes. Caso vá fazer outro passeio dentro do Parque outro dia, é concedido desconto, ficando mais barato comprar, por exemplo, para dois dias na mesma compra do que comprar separadamente a cada dia que for visitar.
       
      No dia em que fui no passeio, o grupo fez primeiramente o trekking na geleira e só depois que explorou as passarelas. No entanto, vi outras pessoas que fizeram o inverso, começando pelas passarelas e finalizando pelo trekking. Não sei dizer se é devido às condições climáticas, coisa que pode favorecer uma mudança na ordem das coisas, mas se trata do mesmo passeio e se vê a mesma coisa.
       
      Dentro do Parque, o ônibus estacionou e os turistas puderam usar o banheiro antes de pegar o barco para ir ao encontro do Perito Moreno. Enquanto o barco avança, a geleira vai se descortinando à frente e todo mundo quer ir para fora para fotografar de todos os ângulos porque realmente é lindo e não é todo dia que a gente vê esse cenário. Mas o vento gelado do lado de fora realmente é bem intenso. Chegando na outra margem, há uma edificação de madeira, com banheiro e área para se sentar, onde também podemos deixar nossos pertences enquanto dura a caminhada sobre o gelo.
       
       
       
      Depois de atravessar umas passarelas meio rústicas e andar um pouco nas margens do Lago Argentino, chegamos no lugar onde são colocados os crampones sob nosso calçado e começamos a caminhada na geleira, com algumas instruções do guia sobre a melhor forma de pisar. O circuito que fazemos no minitrekking não é difícil, não é cansativo, levando entre 1h30 e 2h. Todos andam em um ritmo parecido, em fila, com todos praticamente pisando um no rastro do outro. É necessário que todos usem luvas (de qualquer tipo serve) porque, se alguém escorrega e bate a mão no gelo, pode se cortar. Mais uma vez, a gente quer tirar foto de tudo quanto é jeito e a experiência é incrível. Ao final da trilha, os guias oferecem bombom e preparam uma bebida com gelo do glaciar para brindar àquele momento.
       
       
       
      Após retirar os crampones, retornamos ao local onde deixamos os pertences e ficamos um tempo livres para explorar o lugar e fazer um lanche. É importante frisar que na margem onde se encontra a geleira não são vendidos alimentos e o barco demora um pouco para retornar para o outro lado. Eu havia deixado guardado na geladeira da pousada desde o dia anterior um sanduíche para levar, além de bastante água. É bom levar também outras coisas para petiscar ao longo do dia, tipo barra de cereais, frutas ou biscoitos.
       
      No meio da tarde, o barco nos levou de volta para a outra margem para a continuação do passeio. Pegamos o mesmo ônibus do início e rumamos em direção às passarelas de contemplação do Perito Moreno. As passarelas são extensas e há bastante para andar por elas, num sobe e desce de escadas para tirar fotos em vários ângulos. Para quem já caminhou pelas passarelas das Cataratas do Iguaçu, vai ver certa semelhança. Nesses pontos também presenciamos momentos em que pedaços da geleira despencam na água, gerando um espetáculo bem estrondoso. Próximo das passarelas, existe estrutura com banheiro e venda de comida e bebida, mas o monopólio deixa sempre os preços um pouco salgados.
       
       
       
      No final, todos se reúnem no local e horário estipulados previamente e são levados aos respectivos hotéis ou ficam no centro, como preferirem.
       
      Navegação Rios de Gelo
       
      Para o segundo dia, eu havia comprado previamente o passeio pela empresa Patagónia Chic. A van passou na pousada e rumamos para o porto para fazer a navegação Rios de Gelo. Recomendo gravar bem a van e o motorista, porque quando a gente volta é uma confusão de vans que fica difícil saber qual é a nossa. Como eu já tinha a entrada do Parque Nacional, comprada no dia anterior para dois dias, não precisei pegar a fila para pagar e já fui direto para a embarcação. Pelo frio e chuva que estava lá fora, achei o interior do catamarã bem aconchegante, e no começo achei até meio monótono.
       
      Como é um passeio bem confortável, em que a gente não precisa andar ou se esforçar, achei bem numerosa a quantidade de pessoas idosas. Em alguns momentos, eu me senti numa espécie de cruzeiro da terceira idade, com velhinhos cochilando, enquanto a guia falava num ritmo que embalava feito canção de ninar.
       
       
       
      Um tempo depois de navegação, a gente começa a passar por icebergs e se aproxima de montanhas nevadas que deixam qualquer um extasiado. Já não havia mais chuva e muita gente já se arriscava a sair do conforto para tirar umas fotos do lado de fora. Como a embarcação diminui a velocidade em vários momentos, apesar do frio no exterior, dá para sair em alguns momentos e gastar espaço no cartão de memória.
       
       
       
      A navegação também se aproxima das grandes geleiras Upsala e Spegazzini, além de ir contando aspectos sobre a região, deixando o passeio bem informativo. É incrível a dimensão que essas geleiras alcançam e o espetáculo visual que produzem. A todo momento todos querem fotografar e tem hora que fica difícil achar um espaço sem ninguém para gente também levar recordações desse passeio incrível.
       
       
       
      O catamarã tem serviço de comida e bebida, mas muita gente leva o seu próprio lanche. Como é um passeio que dura a manhã toda e um pedaço da tarde, é bom estar preparado para isso.
       
      Glaciarium, Glaciobar, Laguna Nimez
       
      Saindo do estacionamento da Secretaria de Turismo Provincial, no Centro da cidade, há vans gratuitas de ida e volta ao Glaciarium com regularidade a cada meia hora a partir das 11h. Como a quantidade de assentos na van é limitada, é bom chegar um pouco antes para conseguir sentar, senão terá que esperar o próximo horário (aconteceu isso com os últimos da fila quando fui). O acesso é rápido e a visão do Lago Argentino pelo caminho é linda.
       
       
       
      O Glaciarium é um centro de interpretação com exposição de painéis, vídeos e outros recursos sobre as geleiras, com um arsenal de informações sobre o clima daquela região. De modo geral, a maioria das informações sobre o clima e as geleiras está distribuída em painéis e infográficos em espanhol e em inglês ao longo das paredes do lugar. Como vi muita gente falando bem das exposições, eu até achei que fosse gostar mais, mas a verdade é que achei meio monótono e de interesse para quem deseja conhecer de maneira mais a fundo do assunto. Como em alguns passeios a gente acaba ouvindo dos guias algumas informações sobre as geleiras, a ida ao Glaciarium acaba sendo repetitiva e, ouso dizer, até dispensável para quem não tem muito tempo na cidade.
       
      O Glaciobar fica no mesmo prédio do Glaciarium, com acesso na portaria do lado por uma pequena escada que leva ao subterrâneo. O ambiente é praticamente todo em gelo internamente, inclusive os copos em que as bebidas são servidas. A temperatura é perto de -10°C e na entrada são oferecidas roupas e luvas térmicas para suportar o frio intenso. O ingresso dá direito a consumir as bebidas disponíveis no local por 25 minutos. É uma experiência curiosa e talvez seja interessante só para fotos, mais do que pelas bebidas, já que eu procurei algumas vezes pelo garçom para repor a bebida e ele estava cuidando de outras coisas, demorando um pouco a reaparecer.
       
       
       
      Na volta da van do Glaciarium, fui a pé até a Laguna Nimez, que está próxima da região central. Trata-se de uma reserva natural, onde há uma trilha curta para percorrer ao redor da pequena lagoa. Lá se avistam pequenas aves e vegetação típica, com algumas placas informativas pelo caminho. Basicamente é isso e não achei interessante, já que nos outros passeios vi as mesmas coisas, mas em dimensões maiores. Para quem curte mais a contemplação de patos e algumas outras aves, talvez o passeio possa ser melhor proveitoso.
       
       
       
      El Chaltén
       
      Chegada na cidade
       
      Peguei o ônibus às 8h da manhã em El Calafate e cheguei a El Chaltén às 11h. Como eu havia feito a compra com antecedência pela internet no site da empresa Chaltén Travel (plim-plim! olha o merchandise), pude escolher a primeira poltrona na parte superior, de onde se tem uma bela e ampla visão. E o cenário quando está perto de chegar na cidade é mesmo de encher os olhos, já que El Chaltén fica cercada por montanhas nevadas.
       
      Já na entrada da cidade, antes do ônibus chegar no terminal, ele passa pelo Centro de Visitantes e todos descem para ouvir as instruções sobre as trilhas e a segurança dos visitantes. São separados dois grupos, cada um para um idioma (espanhol ou inglês), pega-se um mapa das trilhas ao final e daí todos estão liberados para voltar ao ônibus para finalmente chegar no terminal. El Chaltén é uma cidade pequena, onde se faz praticamente tudo a pé, então chegar nas hospedagens é rápido. Além disso, as trilhas são muito bem sinalizadas e não dependem de auxílio de guia, podendo qualquer pessoa fazê-las de forma independente.
       
      Como eu tinha uma tarde livre pela frente, resolvi fazer duas trilhas curtas, cujo ponto de partida é o Centro de Visitantes, na entrada da cidade. A caminhada mais curta é para o Mirador de los Cóndores, com 1 quilômetro para ser percorrido em cerca de 45 minutos (ida + volta = 2km, 1h30). O início da trilha é plano e fácil, mas depois vira uma subida em uma pequena montanha, que faz a gente se cansar um tantinho. No final, a gente é brindado com uma visão panorâmica da cidade, dos rios que passam por ela e das montanhas ao redor.
       
       
       
      Como no meio do caminho para o Mirador de los Cóndores havia uma bifurcação com uma placa indicativa para outra trilha, cheguei até esse ponto e daí parti para o Mirador de las Águilas. É uma trilha de 2 quilômetros a serem percorridos em cerca de 1 hora (ida + volta = 4km, 2h). Como sempre, a gente se cansa mais na última parte, subindo um pequeno morro. Lá de cima, a gente tem a visão dos montes mais famosos vizinhos da cidade, Cerro Torre e Fitz Roy, um pouco envolvidos nas nuvens, mas uma vista linda.
       
       
       
      Laguna Torre/Cerro Torre
       
      Para o segundo dia, minha intenção era pegar a van para a Hostería El Pilar e, a partir dali, fazer a trilha para a Laguna de los Tres, na base do Cerro Fitz Roy. Como não havia mais vaga na van, deixei comprado o bilhete para fazer essa trilha no dia seguinte. Então mudei os planos e parti para a trilha rumo à Laguna Torre, aos pés do Cerro Torre. São cerca de 9 quilômetros a serem percorridos em cerca de 3 horas (ida + volta = 18km, 6h). Munido de sanduíche, alguns bilisquetes e água na mochila, parti para o início da trilha no final da Av. Antonio Rojo, lado oposto à entrada da cidade. Depois de subir uma escadaria bem acessível, precisamos vencer uma subida bem íngreme num pequeno monte, de onde se inicia a sinalização para a Laguna Torre.
       

       
      Ao longo do caminho, vi mais turistas europeus do que latinos e muita gente simpática que sempre se cumprimenta quando se cruza. Perto do início da trilha, já precisamos dar a volta em algumas montanhas, passando por um caminho próximo ao despenhadeiro, onde vemos rios correndo lá embaixo. Os momentos mais difíceis são quando as subidas são insistentes, somadas com grande irregularidade do terreno, de forma que precisamos achar a pisada que nos impulsione cada vez mais para cima. Como em vários pontos das trilhas há riachos com água potável, é fácil repor a água que levamos. Quanto a banheiro, só em dois momentos: no Mirador del Torre e quando passamos pelo acampamento D’Agostini, que fica já bem próximo à Laguna Torre. O banheiro nada mais é que uma cabine fechada com um buraco no chão, bem nojentinho mesmo.
       

       
      Uns poucos minutinhos depois do acampamento, a gente já se depara com a Laguna Torre à nossa frente, emoldurada pela geleira que desce até a base das montanhas que a margeiam. Dentro da pequena lagoa, alguns blocos de gelo de vários tamanhos conferem uma maior beleza ao cenário. Ao redor da lagoa, pelo lado direito, a trilha sobre o monte leva ao Mirador Maestri, com mais 2 quilômetros a serem feitos em cerca de 1 hora. É uma caminhada puxada, com subida e bastante pedra de todo tamanho pelo caminho e a gente sua no frio para fazer. A vista nesse ponto é do fundo da lagoa, onde a gente consegue ter uma visão mais ampla da geleira tocando a água.
       

       
      Laguna de los Tres/Cerro Fitz Roy
       
      Com o transporte para a Hostería El Pilar já comprado, a van me pegou na pousada cerca de 8h da manhã e mais alguns turistas em outras hospedagens. Eram quase 9h quando desembarcamos no início da trilha, de onde começamos a caminhada rumo à Laguna de los Tres, aos pés do Cerro Fitz Roy, maior montanha de El Chaltén, um grande paredão de granito com inclinação vertical que desafia muitos escaladores.
       
      A trilha tradicional de El Chaltén até a Laguna de los Tres é de 10 quilômetros, com tempo estimado de 4 horas (ida + volta = 20km, 8h), sendo levemente abreviada quando partimos da Hostería El Pilar. Além disso, indo por um lugar e voltando pelo outro, o caminho proporciona duas visões diferentes para o passeio. Há mirantes distintos para o Fitz Roy em ambos os caminhos, então certamente haverá também lembranças fotográficas em maior quantidade de ângulos. Ambos os caminhos possuem subidas cansativas em alguns trechos que fazem a gente suar mesmo no frio. O ponto onde as duas trilhas se encontram é no acampamento Poincenot.
       
       
       
      Logo após o acampamento, identificamos uma placa no pé de uma subida, informando que a partir dali está o último quilômetro para a trilha em um nível difícil, com tempo estimado em 1 hora. À medida que caminhamos, a subida vai exigindo cada vez mais esforço, com degraus, pedras, inclinações variadas, neve, gelo, pequenos arbustos, água derretida da neve, enfim, precisamos tomar fôlego em vários momentos para continuar. Quando olhamos para trás, vemos que a inclinação do morro é bem íngreme, que dá certo medo. Mas ao mesmo tempo, a visão ao redor é linda e bem fotogênica, com toda a vegetação coberta por neve, cercada por montanhas também nevadas ali do lado.
       
      Depois de muito esforço e várias paradas, suando um tanto, a chegada ao topo proporciona uma das visões mais lindas que vi na viagem. Se eu fosse escolher apenas uma trilha para fazer, de todas as que fiz, essa é a que eu escolheria como preferida. A Laguna de los Tres tem uma cor linda e estava toda cercada pela neve. Do Mirador Maestri, que é o ponto onde chegamos após a cansativíssima subida, avistamos neve em todo o nosso redor. Adicionalmente, de todas as visões que tive do Fitz Roy dos diversos lugares na cidade, este foi onde consegui enxergá-lo inteiramente, sem o manto de neblina encobrindo parte dele.
       

       
      Após um tempo de deslumbramento, a descida do morro cansa um pouco, mas agora é mais rápido e a gente já sabe o que esperar no fim da caminhada de volta. Em certo ponto no caminho para El Chaltén, haverá uma bifurcação onde a gente pode escolher ir pelo mirador ou pela Laguna Capri. Escolhi a Laguna e achei linda a cor esmeralda de suas águas contrastando com o branco da neve das montanhas ao redor. Bem próximo da Laguna, está o acampamento Capri, onde também existe banheiro.
       

       
      Como não há ônibus saindo direto de El Chaltén para Puerto Natales, no dia seguinte voltei para El Calafate para ficar mais um dia na cidade e pegar o ônibus que saía para o meu próximo destino. Foi um dia perdido, que não quis fazer muito esforço, então me hospedei do lado do terminal para não ter muito trabalho.
       
      Puerto Natales
       
      Chegada na cidade
       
      Com passagem já comprada pela internet com antecedência na empresa Cootra, peguei o ônibus em El Calafate às 7h30 da manhã. Como a viagem atravessa a fronteira da Argentina para entrar no Chile, é necessário apresentar passaporte no guichê da empresa no terminal. A chegada em Puerto Natales estava prevista para às 13h, então levei também alguns belisquetes para não morrer de fome.
       
      Na fronteira do lado argentino, todos descem do ônibus para carimbar a saída do país na imigração. Como tem fila e nem todos cabem dentro do pequeno espaço de atendimento, a fila do lado de fora vai sofrendo com o vento gelado até terminar o processo. Com todos de volta ao ônibus, rapidamente chegamos no território chileno, em que todos descem novamente para carimbar o passaporte, mas desta vez a bagagem também é inspecionada. Após o atendimento no guichê, passamos malas e mochilas no raio-x e, se houver produtos in-natura de origem animal ou vegetal, não é autorizado levar. As pessoas têm que jogar fora inclusive frutas, mesmo que seja uma unidade para consumo imediato.
       
      Com todos devidamente autorizados, chegamos ao terminal de Puerto Natales no início da tarde. Após me instalar na pousada, saí com uns dólares em mão para trocar por pesos chilenos em alguma casa de câmbio no centro. Um fato que achei curioso na cidade foi que muitos estabelecimentos comerciais fecham para o almoço e só abrem às 15h, como foi o caso das casas de câmbio que me indicaram na hospedagem. E as refeições na cidade eu achei bastante caras, de modo que eu revezava entre pratos e comidas rápidas para ficar dentro do orçamento.
       
      Puerto Natales é uma cidade pequena, com um centro cujo ponto de referência é uma praça principal, a Plaza de Armas, e nos seus arredores estão algumas pequenas atrações turísticas, como a catedral, o museu histórico, a região portuária, uma ou outra escultura em pequenas praças ao longo da costa, o mercado de artesanato, que achei minúsculo e com muita pouca opção de produtos. É uma cidade tranquila, basta essa parte da tarde para conhecê-la, não mais que isso. Na verdade, o que me levou até ali foi ter a cidade como base para conhecer o Parque Nacional Torres del Paine, onde estão as famosas montanhas de mesmo nome.
       
       
       
      Full day Torres del Paine
       
      Para o primeiro dia, eu havia reservado pela internet com a empresa Patagonia Adventure o passeio Full day Torres del Paine. A van passou na pousada às 7h30 da manhã, pegou mais alguns turistas e iniciou o passeio com visita ao Monumento Natural Cueva del Milodón. Trata-se de uma grande caverna onde foram encontrados vestígios de um animal pré-histórico de cerca de 3 metros de altura, semelhante a uma preguiça gigante. É um passeio curto, onde recebemos informações sobre a fauna extinta da região, além de entrar na caverna e ver a estátua que reproduz o milodón.
       

       
      Logo após, a van ruma para o parque nacional, onde pagamos entrada e iniciamos a exploração aos principais atrativos naturais. Tivemos a sorte de encontrar um grupo de guanacos (parentes da lhama) e avestruzes na beira da estrada. O passeio passa por alguns mirantes com rios e lagoas emoldurados por belíssimas montanhas nevadas, faz uma parada numa área com mais estrutura, próximo ao Lago Grey, onde há restaurante, em que podemos comprar alimentos e bebidas, claro que um pouco mais caros do que na cidade, então muita gente leva o seu sanduíche.
       

       
      Nessa área do Lago Grey, ficamos livres durante um tempo para ir até a praia de areia grossa ou cascalho, passando por uma ponte de madeira e cordas, que balança um pouco, mas é bem segura e resistente, e podemos avistar o Glaciar Grey um pouco ao longe. Apesar de no dia eu não ter visto, podem aparecer blocos de gelo flutuando na água. Durante essa caminhada na praia de cascalhos, em vários momentos o vento era tão forte que muitas pessoas precisavam firmar os pés no chão para não ser derrubadas.
       
      As montanhas principais, que são as torres, com os três “cornos” verticais, a gente vê a uma certa distância, a partir de diversos pontos e mirantes, que eu achei melhor fazer um passeio no dia seguinte para complementar a visão mais de perto, com uma trilha exaustiva de um dia.
       

       
      Trekking mirador base das Torres del Paine
       
      No segundo dia na cidade, eu havia reservado com a mesma empresa do dia anterior (Patagonia Adventure) o tour guiado até a base das Torres del Paine. É um passeio de dia inteiro e com muita exigência de vigor para seguir o ritmo dos dois guias que lideram o grupo. Como não há lugar para comprar comida ou bebida pelo caminho, já deixei comprado meu sanduíche desde o dia anterior e guardei na geladeira da hospedagem. Água é bom levar bastante também, além de lanchinhos para aguentar o dia inteiro quase sem parar. Achei ótimo levar frutas secas e castanhas que encontrei no centro da cidade.
       
      A van passou na pousada às 6h30, pegou outros passageiros e rumou para o Parque Nacional. O ingresso que pagamos no dia anterior vale para esse dia também, mas é necessário colocar nome e número de documento quando fazemos a compra no primeiro dia, além de solicitar o carimbo na recepção do parque. Algumas pessoas que esqueceram de pegar o carimbo no dia anterior conseguiram mostrar que estiveram lá no dia mostrando fotos, mas é bom não correr o risco de se prejudicar tendo que pagar duas vezes.
       
      A van para no estacionamento do parque, onde há banheiros, e os guias oferecem bastões de trekking para quem quiser usar e daí iniciamos a caminhada de cerca de 11 quilômetros (ida + volta = 22km). Para não correr o risco de demorar demais a ir e voltar, eles impõem um ritmo moderado à trilha, indo um na frente e outro atrás do grupo. Em pouco tempo já estamos subindo ladeiras cansativas e praticamente sem parar durante um longo tempo. Ao longo do caminho, paramos no acampamento El Chileno, onde é possível usar o banheiro mediante pagamento (1 dólar/500 pesos chilenos).
       

       
      A caminhada tem momentos de terreno plano, ficando mais fácil seguir o mesmo ritmo da maioria, mas tem também momentos que a subida vai diminuindo nosso ritmo e a gente precisa recuperar o fôlego muitas vezes. A última parte da trilha é mais pesada, onde a gente vai serpenteando montanha acima, passando por muitas pedras de diversas alturas, servindo de degraus pra gente impulsionar a próxima pisada pra vencer os obstáculos. A dificuldade é alta nessa última parte, mas não é tão longa quanto o trekking para a Laguna de los Tres, na base do Fitz Roy.
       
      O visual das três torres de perto é muito lindo, e lá na sua base a gente encontra muitos mochileiros que se sacrificaram por dias em acampamentos para fazer os circuitos por todo o seu entorno. Esta é outra opção para conhecer o lugar e vivenciar por mais tempo aquela experiência, mas é bom estar muito bem equipado, porque as condições climáticas não são das mais fáceis de encarar.
       

       
      Em relação ao trekking guiado, comparando com as trilhas que a gente faz por conta própria em El Chaltén, eu achei um pouco mais pesado a que fiz em Torres del Paine, já que eu não ditava o meu ritmo e, por isso, permanecia cansado por mais tempo. Mas como o Parque Nacional fica distante de Puerto Natales, cerca de 2 horas de carro, a gente acaba precisando do transporte muito cedo para chegar até ali. Só por isso que eu achei vantajoso contratar o passeio, mas para quem está em grupo e aluga carro, pode ser interessante fazer a caminhada até a base das torres por conta própria, já que o caminho é sinalizado e a gente encontra muita gente fazendo o trajeto.
       
      Punta Arenas
       
      Atrações na cidade
       
      Peguei o ônibus de 8h30 saindo de Puerto Natales a Punta Arenas, com passagem comprada antecipadamente pela internet na empresa Bus-Sur. São 3 horas de viagem. O terminal da empresa fica no centro da cidade, bem próximo à Plaza de Armas, a principal praça da cidade. Então é fácil ir a pé até a hospedagem se estiver perto dessa região.
       
      Punta Arenas é uma cidade bem charmosinha, com um centro muito bem organizado e bonito, com algumas atrações interessantes para visitar. A Plaza de Armas tem uma enorme escultura do português Fernão de Magalhães, responsável pela primeira navegação ao estreito de Magalhães, onde está localizada a cidade. O índio que compõe a escultura no centro da praça é a maior atração entre os turistas, já que se acredita que tocar o seu pé traz sorte.
       

       
      Ao redor da praça, as edificações são muito bonitas, e dentre elas está o Museu Regional de Magalhães, um lugar suntuoso em que o piso original, para ser conservado, precisa que usemos sobre ele protetores de tecidos nos pés, oferecidos na entrada. O que achei muito ruim foi o horário de funcionamento do museu, somente até às 14h, quando tive que sair rapidamente de lá, quase expulso pelos funcionários impacientes em encerrar as atividades do dia.
       
      Próximo dali, está o Museu Maggiorino Borgatello, com uma grande quantidade de informações sobre a região e que vale a visita. Um pouco mais adiante, próximo ao cemitério da cidade, há o Monumento al Ovejero, uma obra em tamanho natural a céu aberto, representando um trabalhador rural com suas ovelhas, cavalo e cachorro.
       
      Algumas quadras acima da Plaza de Armas, está localizado o Cerro de la Cruz, um ponto mais alto que serve como mirante, acessível por uma grande escadaria. De lá, é possível ter uma vista panorâmica da cidade e do Estreito de Magalhães.
       

       
      Outra atração, mas um pouco mais distante, já na saída da cidade, é o Museo Nao Victoria, a réplica da embarcação usada por Fernão de Magalhães no século 16 para a primeira viagem de circunavegação feita pelo português no Estreito que recebeu seu nome. Achei a chegada ao lugar meio complicada porque a motorista do Uber se perdeu e teve que dar uma volta grande para finalmente conseguir localizar. É possível subir e explorar a embarcação por dentro, assim como outra réplica que está do lado, usada no século 19 para a tomada do Estreito de Magalhães. O vento lá em cima é forte e gelado.
       

       
      Em Punta Arenas, há uma região comercial com zona franca, livre de impostos, com shopping e alguns grandes mercados multidepartamentais. O shopping eu não achei grande coisa, apesar de livre de impostos, os produtos encarecem para chegar à cidade pelo transporte. Achei até interessante um grande mercado que entrei, onde há de tudo um pouco, inclusive souvenirs, mas comprei só umas poucas coisinhas pequenas e baratas para não sofrer com o peso na mala e no orçamento.
       
      Islas Marta e Magdalena
       
      O principal passeio que me levou à cidade foi a navegação até as ilhas Marta e Magdalena. Reservei o passeio pela internet na empresa Solo Expediciones, mas esse foi o único que o pagamento ficou para ser feito no próprio dia.
       
      Às 6h30 da manhã me apresentei no escritório da empresa, bem próximo à Plaza de Armas, fiz o pagamento e entrei no ônibus que levava ao porto, que fica próximo. Todos desembarcamos do ônibus e entramos no catamarã em um dia chuvoso, mas a chuva só estava na cidade e não durante a navegação. Ao longo da navegação pelo Estreito de Magalhães, o guia em espanhol e inglês dá algumas informações, enquanto podemos avistar o espetáculo das barbatanas das baleias subindo até a superfície da água para respirar. Como a água é mais escura, não dá para vê-las abaixo da superfície, então não dava para saber onde elas apareceriam para registrar o momento.
       
      Um tempo depois, chegamos próximo da margem da Isla Marta, que é bem pequena, um rochedo com uma enorme quantidade de leões marinhos. Nessa ilha, contemplamos somente à distância, não é autorizado desembarcar nela por razões de proteção do ambiente dos animais. Como a embarcação fica parada por um tempo em frente à ilha, é possível ir para fora, sem o incômodo do vento muito forte, para registrar os leões marinhos em seu descanso matinal. Na ilha os animais estão protegidos das baleias, seus predadores, e podem nadar no seu entorno, protegidos por uma camada de algas que envolve o ambiente.
       

       
      Em seguida, fomos para a ilha Magdalena, onde todos desembarcamos para uma caminhada de cerca de 1 quilômetro no ambiente dos pinguins. O caminho é delimitado por um corredor de cordas, para não ultrapassarmos, que leva até um farol mais adiante na ilha. Como temos 1 hora para explorar o lugar, é bem tranquilo, sobra tempo, além de ser uma caminhada bem leve e sem dificuldades.
       
      Há uma grande colônia de pinguins na ilha Magdalena, que passam cerca de 6 meses por ali, durante primavera e verão, a temporada mais quente para troca de penas. Uma ressalva: só é quente no ponto de vista deles. Uma grande quantidade de buracos no chão, usados como ninho pelos pinguins, está espalhada pelo caminho onde andamos. Além de se protegerem do frio com a troca da plumagem, os ninhos também deixam filhotes a salvo dos predadores que rondam a todo momento, pássaros oportunistas, esperando algum descuido de um pai desatento.
       

       
      O passeio termina cerca de 12h e o ônibus nos leva de volta ao ponto de partida, no centro da cidade. Achei muito agradável, além de leve e não durar um dia inteiro, não precisando sacrificar o almoço.
       
      Ushuaia
       
      Chegada na cidade
       
      A saída de Punta Arenas foi às 8h15 da manhã pela Bus-Sur, com bilhete comprado pela internet. Como iria sair da Argentina para entrar no Chile, necessário apresentar passaporte no guichê antes de embarcar no ônibus. A previsão de chegada em Ushuaia era às 20h15, mas chegou cerca de18h30, mesmo assim foi uma viagem muito cansativa. Como não há paradas em lugares onde há comida, é bom levar o arsenal porque é praticamente um dia inteiro na estrada.
       
      Cerca de 2 horas depois de sair de Punta Arenas, o ônibus chega na travessia de balsa no Estreito de Magalhães, todos descem e embarcam na balsa, assim como todos os veículos que estão em fila aguardando. A travessia foi tranquila e rápida, menos de 30 minutos, mas já ouvi falar que pode ser mais demorada, dependendo da agitação das águas. Ao embarcar novamente no ônibus, como pode haver vários outros parecidos, é bom saber diferenciar qual o nosso. Eu mesmo quase entrei em outro, imagina onde iria parar.
       
      Um bom tempo de viagem depois, chegamos na fronteira, onde recebemos o carimbo de saída do Chile. Um pouco mais adiante, pegamos mais uma vez o carimbo de entrada na Argentina. Diferentemente da imigração no Chile uns dias atrás, na Argentina não pediram para fiscalizar a bagagem, foi um processo burocrático mais rápido. Depois de um longo tempo, finalmente chegando próximo a Ushuaia, o ônibus vai passando por uma região de montanhas, com curvas fechadas, mas com um cenário lindo. Achei que o assento do lado direito é beneficiado com a melhor vista.
       

       
      A melhor localização para se hospedar em Ushuaia é o mais próximo possível da Av. San Martí, que é a rua principal, longa e plana. As ruas que cruzam a San Martí em direção contrária à costa ficam em subidas bem cansativas. Os passeios partem dessas proximidades, onde está a zona portuária, as agências de turismos, pontos de vans e táxis, alguns museus, a placa do “fim do mundo”, a Secretaria de Turismo, onde tem internet gratuita e informações diversas aos turistas, bem útil. Na Secretaria também podemos carimbar o passaporte com dois modelos de estampa, é grátis.
       

       
      Pinguinera e Navegação pelo Canal Beagle
       
      Deixei reservado com antecedência pela internet no site da empresa Piratour o passeio desse dia. A Piratour é a única empresa que tem autorização para desembarcar na Isla Martillo, então qualquer outra empresa que também ofereça a caminhada com os pinguins na ilha apenas intermedeia a venda, tendo como responsável pela prestação do serviço a Piratour.
       
      O passeio iniciava com os turistas se apresentando no quiosque da empresa às 7h30 no píer. Como dura até o meio da tarde, é bom levar um lanche reforçado. Pegamos o ônibus com guia em inglês e espanhol e tivemos uma parada junto à floresta de árvores que sofrem a ação do vento muito forte e crescem para um lado, por isso sendo chamadas de “árvores bandeiras”. Logo após, chegamos na Estancia Harberton, onde há um pequeno museu de ossos de baleias e outros animais marinhos.
       

       
      O grupo de turistas é dividido em duas partes, enquanto uns vão direto para a Pinguinera, os demais ficam na Estancia na visita guiada; logo depois, revezam os grupos. O bote para a Isla Martillo leva um grupo reduzido de cerca de 20 pessoas, não podendo haver grande quantidade de gente por vez na ilha.
       
      É uma travessia curta, logo desembarcamos na Isla Martillo. Como visto na Isla Magdalena, ali também é um lugar onde há grande quantidade de buracos que servem de ninhos para os pinguins e o caminho para os turistas percorrerem é delimitado. Mas diferentemente da Isla Magdalena, na Isla Martillo não há um caminho para seguir por conta própria até o final da visita. Durante todo o tempo, a guia estava com o grupo e sempre chamava atenção quando havia muita proximidade com os animais.
       
      Na Isla Martillo, eu vi uma quantidade maior de pinguins concentrados em grupos, seja descansando próximos aos ninhos, seja na beira da água para pescar peixes. Dá para ver mais de uma espécie de pinguins, todos muito simpáticos.
       

       
      O frio era intenso por causa do vento insistente, então depois de uma quantidade de fotos, acho que muita gente já estava pronta para voltar até mesmo antes da 1 hora disponível na ilha. No meu caso, como eu já havia feito a visita na Isla Magdalena anteriormente, comparando com a Isla Martillo, eu preferi a primeira porque tinha maior liberdade para explorar a área maior e usar o tempo andando e vendo um pouco além do que a guia mostrava.
       
      Logo que voltamos à Estancia Harberton, os dois pequenos grupos que revezaram na Isla Martillo se juntaram de novo em um só e todos embarcaram num catamarã para a navegação no Canal Beagle. Em alguns pontos do Canal, navegamos em águas que dividem Argentina e Chile, sendo possível enxergar inclusive o povoado mais austral do mundo, Porto Williams, no Chile, o último do hemisfério sul.
       

       
      O passeio guiado é bem informativo, passando por lugares de destaque, como a Isla de los Lobos, um rochedo em forma de ilha com enorme quantidade de lobos marinhos estirados ao sol. Passamos também pelo Farol les Eclaireurs, o “farol do fim do mundo”, em uma pequena ilha com muitos pássaros aquáticos. Nesses pontos, o catamarã fica parado por uns minutos para ser possível ir até o lado de fora sem um vento tão hostil.
       

       
      Parque Nacional Tierra del Fuego
       
      Contratei esse passeio em uma agência aleatória que entrei no dia anterior na Av. San Martí. Não me lembro do nome, mas o passeio é bem padrão entre todas as agências que vemos pela cidade. A duração é de apenas meio dia. A van passou na minha pousada às 8h da manhã e levou todos para a estação do “Trem do Fim do Mundo”. Para aqueles que iriam fazer o passeio de trem, esses pagaram algo como 120 reais para um trajeto de cerca 1 hora a uma velocidade de uns 20 km/h. Como eu achei bem desinteressante, segui com os demais que preferiram fazer o trajeto na van, conhecendo alguns recantos do Parque Nacional enquanto o trem não chegava.
       

       
      No passeio do Parque Nacional, fazemos algumas trilhas rápidas e fáceis com um guia com vistas para vários lugares, como lagos, bosques, montanhas, mar. Muitas das vezes, o guia deixa o grupo explorar por um tempo o lugar, até a van nos levar para o próximo. Há lugares bem bonitos, com mirantes para as belezas naturais da região, mas eu acho que eu apreciaria ainda mais se já não tivesse visto tantos outros lugares ainda mais lindos, daí a gente acaba comparando um pouco.
       
      É no Parque Nacional onde está o “Correio do Fim do Mundo”, uma casinha charmosa de madeira sobre estacas no Canal Beagle que funciona durante o verão. Lá são vendidos cartões postais, selos e outros souvenirs, sendo possível ao viajante enviar correspondência do correio mais austral do mundo. Pena que os itens vendidos no correio são sempre bem mais caros do que na cidade.
       

       
      Também no correio é possível ser atendido pelo “carteiro do fim do mundo” para levar estampado no passaporte o selo e o carimbo do lugar por 3 dólares. A foto contida no selo é do próprio carteiro que atende ali, mas a gente percebe que já se passaram muitos anos desde quando ele passou a figurar no souvenir que levamos com sua cara no fim do mundo.
       
      Trekking Laguna Esmeralda
       
      Nesse dia pela manhã, fui até a Secretaria de Turismo me informar sobre as formas de chegar até o início da trilha para a Laguna Esmeralda. Procurei também uma loja de aluguel de roupas e acessórios para os passeios no frio. Escolhi uma bota impermeável cano alto. Depois de ver o estado da trilha, cheia de lama por todos os lados, sem opção de desviar da sujeira, achei um ótimo investimento que salvou meu calçado.
       
      Os meios de transporte que considerei para chegar no início da trilha foram táxi ou van. O táxi cobrava um valor equivalente a uns 110 reais (somente ida), enquanto a van cobrava cerca de 45 reais (ida e volta), então fui para o ponto em que as vans saem e esperei por cerca de uma hora, já que o serviço funciona com no mínimo 3 passageiros.
       
      O trajeto até o início da trilha é na estrada, cerca de 18 km. Encontrei alguém anteriormente na cidade que havia falado que fez esse percurso inteiro saindo da cidade a pé, mas eu preferi poupar um pouco o esforço. O lugar onde chegamos para iniciar a trilha fica num ponto mais alto e nesse dia fui surpreendido pela neve caindo nesse lugar, um cenário lindo, com uma cobertura branca pelo chão e vegetação, numa temperatura de 2°C.
       
      A trilha tem cerca de 4 quilômetros, com tempo estimado de 2 horas (fiz em 1,5 hora). Grande parte da caminhada é feita dentro de um bosque, com marcações em azul nos troncos das árvores, indicando o caminho para que a gente não se perca. Ao longo do caminho, como havia chovido durante a noite anterior, era impossível fugir da lama. Há também alguns pontos de subidas que cansam um pouco, mas não são tão extensos, dá para andar em uma toada bem constante.
       
      Quando a gente sai do meio do bosque e começa a andar por um descampado, a marcação do caminho passa a ser por estacas amarelas. Nesse trajeto, a lama e a terra mais fofa estão por todo lado e não dá para contornar o caminho. Em alguns pontos, até afunda um pouco, daí é bom ter cuidado onde se pisa, sendo útil procurar troncos e pedras para dar maior segurança. Mas depois que a gente se livra, segue ao longo de um riacho e já está pertinho da lagoa.
       

       
      A Laguna Esmeralda fica bem no pé de montanhas nevadas e é muito bonita. A cor das águas no dia que fiz o passeio não estavam na cor esmeralda porque o sol não saiu hora nenhuma, mas com sorte de um pouco de sol no dia do passeio, o passeio será ainda mais fotogênico.
       

       
      Saí com a bota muito enlameada, aliviado por não precisar permanecer com ela pelo resto da viagem. Peguei o transporte de volta e fui devolver o calçado na loja e restituir o meu, que havia ficado por lá.
       

       
      Atrações para um dia tranquilo na cidade
       
      No último dia em Ushuaia, eu só partiria à noite, então deixei a mala pronta na pousada, fiz check-out e aproveitei para fazer passeios mais leves, que não precisavam de deslocamentos por carro. Fui ao museu do presídio, onde também funciona galeria de arte e museu marítimo, no final da Av. San Martí. O lugar funcionou como prisão, quando os presos argentinos eram enviados para trabalhar e construir a cidade, onde os cidadãos comuns não tinham interesse em morar, dado o seu isolamento e frio constante.
       
      Achei meio cara a entrada para o museu, em torno de 60 reais, acaba não sendo um estímulo para todos visitarem. A primeira parte do museu traz uma grande quantidade de maquetes de embarcações de países diversos, muito bem feitas e detalhadas, com suas histórias que as fizeram importantes para a navegação. A segunda ala é maior e lá constam a história do presídio, seus presos mais famosos e uma variedade de artigos que fazia parte daquela realidade. Existe visita guiada, mas não coincidiu com o horário que eu estava lá. Mais adiante, há também o museu de arte, mas essa ala só abriria às 16h, então não visitei.
       

       
      Perto dali, visitei a Galeria Temática de História Fueguina, um prédio bonitinho, onde funciona um bar, a galeria mesmo fica nos andares de cima. É um museu de visita rápida, com reprodução de cenários e pessoas em tamanho natural, numa sequência fácil de percorrer, ao mesmo tempo em que a gente vai ouvindo o audioguia (idioma a escolha, inclusive português). São histórias que envolvem os elementos que estamos visualizando, e sua relação com o mundo da época que o cenário retrata. Acaba sendo um bom resumo de muita coisa que a gente viu nos diversos passeios na região.
       
       
    • Por Alan Rafael Kinder
      Bom dia pessoas,
      Estou indo com meu irmão e um amigo passar 07 dias em El Chaltén no início de fevereiro de 2020.
      Confesso que já pesquisei um monte sobre as opções de trilhas, e já tenho anotadas as que possivelmente faremos.
      Minha dúvida fica a respeito da trilha que leva até a LAGUNA TORO, qual pode ser acessada pela mesma trilha que leva a LOMA DEL PIEGLE TUMBADO.
      Consultei o fórum aqui do site, o Google, e também o Wikiloc para tentar ter dados a respeito dessa trilha, porém a maioria das informações está obsoleta.
       
      Alguém aqui do fórum já fez essa trilha, ou tem dados atualizados a respeito dela?
      Nós NÃO pretendemos acampar! Sempre iremos voltar para El Chaltén no final do dia.
      Eu sei que, normalmente, nessa época do ano que farei a viagem, o dia é claro até as 22:00 horas, o que nos dá bastante tempo para aproveitar.
      Eu li que é necessária uma autorização no Centro de Visitantes para seguir esse caminho, e que supostamente a trilha (ida e vinda) toma cerca de 13:00 horas.
      Então quase todos sugerem por acampar na base que tem lá.
       
      Obrigado desde já!
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